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Min Yoongi é arrastado por seus melhores amigos para comemorar o Carnaval nas ruas do Rio de janeiro. No entanto, o que ele achou que seria só uma tarde com seus amigos no meio de várias pessoas suadas, acaba se tornando um gatilho e atiçando seus sentimentos mais antigos, já que, no meio de toda a multidão, ele encontra o garoto por quem achava não nutrir mais sentimentos desde o colegial. Infelizmente, o mundo é cruel, e algumas pessoas não sabem fazer o mínimo, que é respeitar. Min Yoongi sabe disso perfeitamente, vive isso constantemente, teme isso diariamente, mas ganha ainda mais certeza quando é obrigado a escutar um comentário que transforma todas as cores de seu arco-íris em pura tristeza e raiva. Entretanto, Park Jimin possui cores brilhantes em seu interior e faz de tudo para acalmar e trazer de volta as cores mais bonitas que o Min possui.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

#bts #yoongi #jimin #yoonmin #carnaval #sugamin #minimini #suji #2min #minmin #sujim #2minpjct
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Beautiful Colors

Escrito por: @agustt_J/AgusttJ

Notas Iniciais: Olá meus amores, voltei com mais uma estória junto com esse projetinho maravilhoso💞

Dessa vez, fiquei um pouco nervosa escrevendo a Fanfic por medo de não conseguir demostrar o que o personagem sentia, mas no final gostei muito do resultado e espero de coração que vocês gostem também 💞

Queria agradecer a @summeritx por essa capa incrível e a @2minym pela betagem maravilhos. Vocês duas são magnificas.

É isso meus bebês, boa leitura, vocês estão em meu coração.


~~~~

— Não — respondem Taehyung e Namjoon em uníssono à minha proposta de irmos todos com a fantasia do mesmo programa.

— Eu já estou indo contra a minha vontade e vocês não querem nem fazer um mínimo favor para mim?! — indago indignado.

O que que custa eles irem combinando comigo?! Eu tô saindo do conforto da minha cama para ir ficar no meio de um monte de gente dançando sem rumo só porque eles pediram!

— Estamos fazendo um favor a você, coisinha antissocial. Tenho certeza que, se não fosse a gente, você iria passar o dia todo no seu quarto e perderia o melhor Carnaval da sua vida!

Taehyung pode até estar certo, mas esqueceu de mencionar que eu passaria o dia no quarto cuidando de remédios e do conforto para quando eles chegassem bêbados! Esses ingratos!

— E já temos nossas fantasias, Yoongi, senão iríamos com as que você queria. — Sorrio de canto, cruzando os braços e lançando um olhar de enorme deboche, quase um "toma, seu chato, ele me apoia", para Taehyung. Mas logo ele faz meu sorriso murchar quando rebate:

— Iríamos não, nenê, muita humilhação usar fantasia de Miraculous, desculpe.

— Como se a de vocês fosse super tranquila de sair na rua! — falo mal humorado, mesmo não fazendo a menor ideia de qual fantasia eles vão usar.

— A nossa é super incrível, ok? Não precisa jogar sua raiva nas coitadas, Yoongi. — É Namjoon quem defende.

Como vocês podem observar, eu estou sozinho nessa luta.

— Aposto que elas são tão vergonhosas quanto qualquer outra — digo parecendo uma criança birrenta, mas quem se importa? Estou no direito.

— Se você acha sair de hambúrguer e de batatinha frita vergonhoso, trate de repensar seus conceitos! — A frase do mais novo tinha tudo para me fazer rir, no entanto, movido pelo medo, meu foco acaba caindo em outra coisa:

— Vocês vão sair de casal?

— Não, vamos de amigos, a batata frita não pode ser só amiga do hambúrguer, não?

— Vocês não estão preocupados com o que os outros podem pensar? Eles podem achar que vocês são um casal e acabarem…— Antes que eu termine minha sentença, Taehyung me interrompe, provavelmente sabendo onde eu acabaria chegando com aquilo:

— Não estamos nem um pouquinho preocupados, e você também não precisa estar. Ninguém vai fazer nada, Yoongi, fique tranquilo, está bem? Ninguém é louco de atacar uma refeição tão gostosa.

— Além do mais, a polícia vai estar rodando o tempo todo, relaxe.

Sorrio com a tentativa deles de me tranquilizar, porém, sei que eles sabem, tanto quanto eu, que mesmo assim o perigo continua lá.

Eu realmente tento não ter medo, mas é muito difícil, entende? E também é horrível, é horrível ter medo de ser atacado por simplesmente sair na rua combinando sua fantasia com a de seu melhor amigo, ou por simplesmente estar de mãos dadas com uma pessoa do mesmo sexo, ou por estar “próximos demais” dessa pessoa, ou por muitos outros “ous”. É simplesmente terrível sentir medo somente porque existem pessoas que não sabem fazer o mínimo, que é respeitar.

Mas o mais insuportável de tudo isso é quando você se sente culpado, culpado por gostar de uma pessoa do mesmo sexo que você, culpado por demonstrar o que você sente.

Sinto mãos rodeando meus ombros em um abraço, enquanto outras fazem um leve cafuné em minha cabeça. Só percebo que minha respiração estava fora do controle quando o abraço fica mais apertando. Então, entendo que quem está me abraçando é Taehyung, enquanto Namjoon faz cafuné em minha cabeça. Os dois tentando me trazer de volta para a realidade.

— Vai ficar tudo bem, Yoongi, não vai acontecer nada, ninguém vai falar nada, nem com a gente, nem com você, ok? — Assinto lentamente com a cabeça, tentando controlar minha respiração e me soltando do abraço acolhedor e protetor. — Vai, vamos vestir nossas fantasias para ir para as ruas do tão falado Carnaval do Rio de Janeiro!

Sem que eu confirme ou negue, ele me empurra no banheiro e joga minha mala junto, fechando a porta rapidamente, mas não antes de gritar que eu ia ficar um pitéu de Cat Noir.

Respiro fundo, escorando-me na porta do banheiro do hotel, frustrado comigo mesmo.

Eu tinha conseguido controlar essas crises, fazia meses que eu não fugia da realidade e começava a pensar o pior, estava indo tudo bem, mas, sem que eu perceba, acontece essa merda!

Mas que caralho. Eu odeio isso, odeio a minha mente! Odeio quando ela me faz pensar que eu estou melhorando e depois, do nada, ela volta a ser uma completa maluca, ansiosa e medrosa!

Chuto minha mala com tudo. Dane-se ela, dane-se o Carnaval, dane-se a droga da fantasia, eu não quero ter que sair e ver tudo que mais temo acontecendo bem na minha frente.

— Yoongi, já se vestiu? Bora logo que ainda tem eu e o Namjoon, e eu não quero ficar traumatizado com a imagem dele peladão — batendo Taehyung na porta freneticamente. Ele provavelmente ouviu a mala se chocando contra a parede e ficou preocupado, na verdade, ele está sempre preocupado quando se trata de mim, chega até mesmo a parecer uma mãe, porém uma mãe que realmente se preocupa, diferente do que minha mãe demonstrou desde o dia que me assumi.

Só de lembrar desse dia sinto uma enorme vontade de me esconder, de sumir, de simplesmente fingir que não existo. Eu a odeio tanto quanto odeio minha mente. Porém, Taehyung, mesmo que não saiba, não me permite mergulhar na lembrança desse dia terrível, batendo novamente na porta e dizendo que, se por minha causa ele tivesse que ver o Namjoon pelado, nunca me perdoaria.

Acabo rindo graças a idiotice do meu melhor amigo e me levanto para abrir a porta.

Por agora, pelo menos, esse dia não vai me assombrar, pois, assim que o mais novo vê que eu ainda nem tirei a roupa — para a felicidade deles e minha, ninguém vai sair traumatizado com um Min Yoongi pelado —, me xinga de milhões de palavras e diz que, se eu não tiver pronto em menos de dez minutos, ele enfiaria a roupa em mim, nem me dando tempo para contestar e dizer que não estou em clima para ir.

E bem, cá entre nós, se eu falasse isso, ele enfiaria mesmo a fantasia na mesma hora em mim e eu ainda iria ser mandado para o raio que partiu.

Mesmo que eu preferisse ficar, sou grato a ele por não deixar que isso aconteça. Por essa razão, abro a mala e visto minha fantasia, apreciando por alguns segundo o quanto o traje ficou bem em mim e o quanto as orelhas de gato com detalhes verdes combinaram com meu cabelo preto. Deixo a máscara de lado por ela estar um pouco apertada, não quero ficar me preocupando em tirá-la toda vez que me sentir agoniado.

— Finalmente! O garotão tava quase surtando. — É Namjoon quem diz, apontando para o outro que estava sentado na cama me encarando com um sorriso sacana para tentar disfarçar seu olhar preocupado.

— Coisinha bem-feita você, hein, vai arrasar os corações dos Ladys — fala ele, dando um tapa em minha bunda enquanto caminha em direção ao banheiro com sua fantasia de hambúrguer e se trancando lá.

— Você tá bem, Yoon?

— Sim... Só estou com medo... — confesso, não mentindo completamente.

— Vai ficar tudo bem, ninguém é louco de mexer com a gente! Olha esses músculos aqui! — diz o platinado, batendo em seus braços e logo depois fazendo uma careta de dor, que arranca uma alta risada minha. — Vou me trocar dentro do closet para não nos atrasarmos, mesmo eu achando uma frescura isso! Já que ver um ao outro pelado já devia ter virado natural na nossa amizade!

Ele berra, provavelmente para fazer com que Taehyung ouça.

Abro um pequeno sorriso de canto enquanto ele sai com sua fantasia. Esses meninos são tudo pra mim, me fazem rir até mesmo quando só quero sumir, entrar em uma bolha e ficar lá até que todo o medo vire apenas coisa do passado para sempre.

[...]

— Ali tá bom? — pergunta Namjoon quando avista um lugar livre no meio de toda a loucura de pessoas e de cadeiras.

— Está perfeito! Pertinho da barraquinha do churrasco e, ainda por cima, na sombra! Corre, corre, senão a gente perde o paraíso, Namjoon!

— Por que sempre sou eu que corro? Isso é injusto.

— Porque sempre a culpa do atraso é sua, ou seja, já que a culpa de não conseguirmos facilmente um lugar bom é sua, você que tem que lutar pelo nosso lugar, entendeu, batatinha ambulante? — fala Taehyung quando alcança o mais alto no espaço livre, ou como ele mesmo batizou; no paraíso.

— Na verdade, Tae, a culpa, dessa vez, foi sua — defendo o coitado do Joonie e recebo em resposta o olhar mais indignado — e mais dramático — que Taehyung já me lançou em toda sua vida. No entanto, isso não me impede de continuar minha defesa, sorrindo:

— Você demorou meia hora colocando a roupa de hambúrguer e depois mais vinte minutos arrumando e pintando o cabelo.

— Já que você escolheu defender a batata frita sem sal, vai ter que pagar seu próprio churrasco! — diz ele ficando de costas para mim, mas não antes de me dar língua.

Uma criança dramática e birrenta, temos aqui em nossa frente.

— Uma pena, porque, na verdade, eu ia pagar para nós três e você não teria que pagar nem mesmo o seu.

— Eu estava brincado, pequeno Cat, você sabe que aqui nessa amizade não existem lados para defender. Amor e amor por todo lado. — Ele puxa a mim e a Namjoon pelo pescoço em um abraço meio desengonçado.

Antes de retribuir o abraço, passo o olhar, discretamente, pela multidão, só para ter certeza de que ninguém estava olhando para nós três de um jeito julgador ou enojado.

Suspiro aliviado e aperto o mais novo com força quando percebo que não, não tinha ninguém nos olhando de cara feia.

Mas bem, o que as pessoas poderiam ver de errado em uma batatinha, um hambúrguer e um gato se abraçando? É só algo bem engraçado, se for analisar bem.

Sorrio com meu pensamento e prometo a mim mesmo que vou fazer de tudo para mantê-lo.

— Vai lá comprar nosso churrasco, valente gato herói.

— Algum de vocês vai vim comigo ou vou ter que dar um jeito de trazer três palitos cheios de carne sozinho?

— Seu acompanhante vai ser uma bela batatinha. — Eu me solto do abraço e começo a caminhar, sendo acompanhado por um Namjoon faminto.

Pedimos três espetinhos de carne e uma porção de batatinha frita para que, depois, Namjoon pudesse tirar uma foto e postar no Twitter com esperança de hitar.

A esperança tem que ser a última que morre, não é mesmo?

Quando voltamos para nosso lugarzinho perfeito, Taehyung já tinha arrumado tudo, colocado as cadeiras e a mesa de forma que não atrapalhasse a passagem das pessoas e que, ao mesmo tempo, ficasse confortável para a gente. Ou seja, ele tinha deixado tudo perfeito para nosso lugarzinho perfeito.

No entanto, a única coisa que, nesse momento, atrapalha a perfeição e que me deixou bem confuso é o fato de que tinham sete cadeiras em vez de somente três. Lanço-lhe um olhar confuso em um pedido mudo para uma explicação, mas ele só olha para Namjoon sorrindo e me manda sentar.

Faço o que ele mandou sem desviar meu olhar desconfiado do olhar tranquilo dele.

— Eles vão demorar para chegar? — pergunta o mais alto enquanto abocanha a última carne de seu espeto.

— Não, o você-sabe-quem disse que avistou a gente, mas certa pessoa travou no lugar e ele está tentando fazer a certa pessoa andar.

— Pelos deuses, o que vocês estão falando? Quem avistou a gente e quem travou no lugar? Eu tô começando a achar que vocês estão ficando lou...

Antes que eu pudesse terminar minha frase, a voz animada de uma pessoa me interrompe. Uma voz que eu seria capaz de reconhecer no meio de qualquer multidão. Uma voz impossível de esquecer, que pertence a uma pessoa impossível de ser superada. Uma voz que eu achei que depois do colegial nunca mais ouviria. A voz de Park Jimin.

— Oi, gente, desculpe a demora, teve um imprevisto no caminho e precisei parar — fala ele atrás da minha cadeira, mas não tenho coragem de olhá-lo. Não tenho coragem de olhar para o menino que achei que havia superado assim que terminamos o colégio, há um ano; de encarar minha primeira paixão; e, principalmente, não tenho coragem de reencontrar a pessoa que me fez entender, mesmo sem perceber, a descobrir minha sexualidade.

— Parece que quem travou no lugar foi você, meu caro gatinho — fala o hambúrguer insuportável e que, no momento, quero dar um soco — pelo menos ele tem a decência de falar baixinho —, enquanto se levanta para abraçar as pessoas que chegaram. Infelizmente só reconheço a voz de Park Jimin e estou em choque demais para me virar e ver quem são os outros.

— Um imprevisto que tenho certeza que você amou — fala alguém, arrancando uma risada nervosa do Park. — Falando nisso, não vai levantar a bunda dessa cadeira para cumprimentar seu velho parceiro de laboratório e amigo do peito, Yoongi?

Somente quando ouço meu nome sendo pronunciado que reconheço quem está falando: Kim Seokjin, o melhor amigo de Jimin, amigo e também crush nunca esquecido de Taehyung. Eu sabia que eles nunca tinham perdido o contato, só não sabia que Jin também não tinha perdido o contato com Jimin!

Respiro fundo e tento acalmar meu coração que está batendo mais rápido que as baterias que estão passando no desfile.

Eu me levanto lentamente, sentindo minhas mãos tremerem.

Tome vergonha na cara, Min Yoongi! Não é nada demais! Você o superou e essas batidas descontroladas junto com o nervosismo são só porque você não o vê há um tempo! Você consegue! Coragem!

Eu me viro sem nem pensar duas vezes. No entanto, sinto minhas pernas ficarem bambas ao encontrar um Park Jimin todo sorridente.

Quem eu quero enganar?! Nunca superei esse daí!

Entretanto, o que me faz quase sentar de novo é perceber que ele está vestido de Mister Bug. Só não sei dizer a vocês se é pelo medo de acharem que somos um casal fã de Miraculous ou se é porque a fantasia caiu muito bem nele, muito bem mesmo. O cabelo loiro está muito bonito e combina muito com ele… e com a fantasia também… Ele ficou muito bem de loiro. E, também, em vez da máscara, ele está usando uma tiara com antenas, o que dá a ele um aspecto extremamente fofo e um destaque aos seus olhos castanho-escuros.

Mas chega de observar o garoto! O foco é falar com eles, chamar o Tae para conversar, esganá-lo e exigir uma explicação do motivo dele não ter tido o mínimo de esforço de me avisar que teríamos companhia.

— Oi, Jin... Oi, Jimin — cumprimento, esforçando-me ao máximo para disfarçar minha surpresa e nervosismo.

— O que é isso, menino? Não vai nos dar um abraço? Tá nervoso por quê? — fala Seokjin, passando pela cadeira e me puxando para um abraço, e, logo depois, puxando Jimin.

Tento me focar em verificar se não tem ninguém olhando estranho, mas perco toda a concentração quando as mãos de Jimin passam pelas minhas costas e param em minha cintura.

Puta que pariu, eu ainda tenho um fraco enorme por esse garoto.

— O Jungkook e o Hobi foram comprar nossas águas de coco, mas isso já faz uns quinze minutos, não sei se fico preocupado ou digo que já sabia que isso ia acontecer — fala Jin, afastando-se do abraço e obrigando a mim e a Jimin a fazer o mesmo.

Poxa vida, estava tão bom. Não queria que Jimin parasse de me tocar.

— Eles estão se pegando? — O mais velho concorda com um enorme sorriso malicioso no rosto. — Não acredito que eles finalmente estão juntos! Minhas orações funcionaram! Eu não aguentava mais o tesão acumulado daqueles dois no colégio — comenta Taehyung quase pulando de felicidade, o que faz Jin começar a rir e consequentemente me faz rir também.

Eu tinha esquecido o quanto a risada dele podia ser contagiante e engraçada.

Sem querer, desvio meu olhar para Jimin e o pego me encarando com um sorriso no rosto. Sinto minhas bochechas queimarem e movo meu olhar para longe de seu rosto angelical, mas, para minha infelicidade, acaba caindo em um casal a nossa frente que me olha quase com nojo.

Eu não entendo, não estava fazendo nada de mais além de rir. O que eles viram para me olhar assim?

Lembram do que eu falei mais cedo? Sobre a pior coisa que se podia sentir? Muito bem, estou sentindo agora. Estou começando a me sentir culpado por não ter prestado atenção no que eu estava fazendo; se eu tivesse tido mais cuidado, eles não pareceriam que me querem o mais longe o possível deles.

O loiro provavelmente percebeu que meu olhar estava focado em outra coisa e que eu havia parado de rir do nada, pois se aproximou mais de mim colocando a mão sobre meu ombro, chamando minha atenção e fazendo com que eu olhasse, por alguns instantes, para ele, que, agora, olhava na mesma direção que eu olhava, a diferença é que ele olha com tanto nojo — e pena também — quanto o casal nos olha e, sem desviar, ele coloca a mão em meu ombro. Já eu, olho quase como se estivesse pedindo perdão. Não gosto disso, sei que eles que estão errados, mas, mesmo assim, não consigo me livrar do sentimento de culpa.

Afasto meu ombro de sua mão e fico de costa para o casal. Não queria me soltar de seu toque, mas, talvez, fazendo isso, o olhar reprovador do casal em nossa direção diminuiria.

No entanto, para minha surpresa, Jimin se aproxima, não tocando em mim, mas sim ficando ao meu lado, bem próximo, quase como um guarda-costas.

Meu coração dispara e os sentimentos de segundos atrás parecem pequenos demais comparados aos que movem as batidas do meu coração.

— Pelo visto o tesão acumulado não era só deles, não é, Taehyung? — fala Seokjin com um sorriso orgulhoso no rosto. — Aliás, falando nisso, tem muito tesão acumulado nesse lugar todo, que tal irmos comprar coco também? Para aliviar um pouco por aqui.

Meu melhor amigo cora instantaneamente, ele fica tão vermelho que tenho até medo que exploda.

Meu senhor, nunca o vi ficar assim. Até o Namjoon está corado! Kim Seokjin, você faz coisas que ninguém nunca foi capaz, meus parabéns.

Entretanto, antes que Taehyung saísse com o Jin que nem um boiola apaixonado, lembro da lista que fiz e o chamo para conversar junto com Namjoon. Afastados o suficiente dos outros garotos, começo a falar:

— Que merda vocês têm na cabeça para convidar Park Jimin sem nem me avisar antes?!

— Yoongi, você sabe, eu sei, o Namjoon sabe, todo mundo sabe e até qualquer estranho na rua sabe que você nunca superou o Jimin.

— Isso não é explicação, e eu achei que eu tinha superado! Caramba! Faz um ano que não vejo aquele garoto! Eu nem sei o que conversar com ele!

— Primeiro, vocês eram próximos, lembre-se de algo que gostavam e comece a conversar sobre. Segundo, eu vou resumir bem porque eu podia estar nesse momento com minha boca colada na de Kim Seokjin, então se você não entender minha explicação... te desejo boa sorte, porque não vou repetir. — Concordo, contrariado, enquanto Namjoon só ri da cena. — Você sabe que eu e o Jin nunca perdemos contato e recentemente descobri que aconteceu o mesmo com ele e o Jimin, então ele me revelou uma informação que achei útil demais. Compartilhei com o Joonie e juntamos a informação que tínhamos com o fato de você nunca ter superado o pequeno Jimin, assim chegamos à ideia de fazer vocês dois se encontrarem de novo e ver no que poderia dar! Entendeu? Sim? Perfeito! Estou indo! — Antes que ele realmente saísse, seguro seu braço e faço a perguntava que estava encucada em minha cabeça desde que bati meus olhos no loiro.

— Vocês avisaram que eu ia vir com caracterização de Miraculous?

— Não, aí foi destino mesmo, gatão. Agora tô indo beijar… Quero dizer, comprar nossas águas — fala ele e sai com um enorme sorriso no rosto e com as bochechas ainda coradas.

Volto para nosso paraíso e encontro Jimin sentado na cadeira ao lado da que eu estava mexendo no celular.

Quando nos percebe, sorri grande e seus olhinhos se transformam em pequenos traços em seu rosto. Contagiado, sorrio também.

— Jin e o Tae saíram na disparada, tomei até um susto — comenta o loiro, observando-me sentar na cadeira do seu lado.

— Aqueles dali tão com mais tesão acumulado e vontade de beijar do que qualquer um, dá para sentir de longe. — É Namjoon quem fala, pois ainda permaneço calado, dividido entre olhar para o Park e encarar a árvore um pouco à frente. — Eles só não têm mais vontade de beijar do que vocês dois. — Arregalo meus olhos, quase me levantando em um sobressalto para cair em cima da batatinha que está falando coisas que não deveria.

Ouço um barulho de engasgo e me viro rapidamente para o Park, vendo que ele se engasgou com a própria saliva.

Desesperado, bato nas costas dele enquanto Namjoon sai correndo — vale ressaltar que ele estava rindo! — para pegar água.

— Meu senhor, eu lembrava que o Tae era direto, mas não lembrava que o Namjoon também era — comenta ele depois de recuperar a calma e o fôlego.

— Eu estou tão surpreso quanto você — confesso.

— Mas bem, ele não mentiu; da minha parte, pelo menos. — Arregalo meus olhos novamente e dessa vez, sou eu quem quase engasga. Puta que pariu, hoje tá todo mundo direto.

— Eu também não lembrava que você era direto. — Rio nervoso.

— Não sou. — Ele também ri, nervoso. — Mas achei importante deixar claro dessa vez, já que no passado nunca deixei.

Ele gostava de mim, foi isso quis ele quis dizer, certo? Park Jimin, o dançarino que roubou meu coração e nunca devolveu, gostava de mim. O menino mais colorido e mais preenchido por bondade gostava de mim.

— Minha cabeça tá pegando fogo, acho que é porque estou sendo a maior vela aqui — diz a batatinha que fala na hora errada, rindo horrores de sua piada e sendo acompanhado por Jimin. — Eu vou atrás do meu coquinho também, está bem? — Assinto um pouco preocupado quando percebo que ele estava segurando um copo com um provável líquido cheio de álcool. Joonie não tem muita resistência quando bebe e acaba dando a louca, isso explica o fato dele está sendo tão direto.

Completamente sozinhos — tirando a enorme multidão que caminha de lá para cá —, Jimin pergunta:

— E da sua? Também não é mentira?

— O quê? — Sim. Eu estou me fazendo de desentendido, mas é só porquê não quero ir diretamente para o “Não, não é mentira”.

— De querer me beijar, Yoon. — Ele tem a coragem de falar me encarando. Para também dar uma de corajoso, respondo olhando em seus olhos:

— Não, não é mentira, eu tenho vontade de te beijar. Há muito tempo, aliás.

— Parece que agora você foi o direto — comenta com seu enorme sorriso que faz seus olhos sumirem.

Para minha surpresa, ele se levanta da cadeira e me puxa pela mão, fazendo com que eu me levantasse também.

Não me dá nem tempo para processar a informação e cola nossos corpos, passando uma das mãos por minha cintura e a parando ali. Lentamente, o mesmo passa a outra mão pelos meus fios de cabelo, deixando-a parada na nuca e puxando minha cabeça para mais perto.

Sinto sua respiração contra meus lábios e ouço suas antenas batendo contra minhas orelhas de gato. Fecho meus olhos, tentando me controlar para não beijá-lo de uma vez. Esperei muito por isso e minha pressa não vai estragar.

No entanto, não é minha pressa que estraga, e sim, o mesmo casal que nos olhava torto mais cedo.

O homem, com sua mulher e duas filhas, passa ao meu lado e fala algo bem alto, que já estou acostumado a ouvir, mas que mesmo assim dói, principalmente agora quando eu tinha esquecido de me preocupar com o que os outros podiam pensar e fazer.

— Não precisam se beijar na rua, lugar de gay não é em público, seu viadinho. Você vai dar mau exemplo para minhas filhas.

E sai, sem nem olhar no meu rosto, o que agradeço profundamente, pois ele teria o gosto de ver meus olhos lacrimejando.

Tento me afastar de Jimin, mas ele segura firme minha cintura e me abraça, o que só faz com que eu comece a chorar e a tentar me afastar com mais força dele. Ele não é o culpado, e espero que ele saiba disso, mas eu não consigo ficar aqui, não quero que mais pessoas comentem, não quero que mais pessoas vejam.

Com um empurrão, me solto dele e corro para o hotel o mais rápido que meus pés conseguem. Não quero ficar na rua, quero entrar em uma bolha e ficar lá, sumir.

Abro a porta com rapidez e entro no banheiro às pressas, sentando-me na privada e liberando todas as lágrimas.

Não suporto isso! Cacete! Eu não tinha que ter esquecido! Cacete, como eu odeio isso! Eu devia ter parado para pensar! Eu sabia, eu não devia ter ido! Eu senti que não era para ir e mesmo assim fui!

— Eu odeio isso, eu odeio isso, eu odeio — falo em meio às lágrimas.

Sinto meu coração doer como se cordas estivessem o amarrando e o puxando em direções totalmente diferentes. Dói demais.

Eu vi aquele homem beijando a esposa, e ele não parecia achar errado, mas achou errado quando eram dois meninos. Perceber isso dói, me sentir culpado por não ter parado para pensar no que as pessoas iriam achar daquilo dói e eu odeio essa dor. É horrível.

— Yoongi! Min Yoongi! Você tá aqui?! — grita alguém entrando no apartamento. Não respondo, nem se eu quisesse teria como, não consigo parar de chorar para responder. — Yoon, por Deus, você tá aqui?

Ouço os passos se aproximando e segundos depois a porta do banheiro se abre desesperadamente, exibindo um Jimin de cabelos bagunçados e com uma feição desesperada.

Não olho em seus olhos, não tenho nem coragem. Eu o empurrei e ainda saí sem nem falar direito, não sei nem o motivo de ele estar aqui.

— Yoon, por deus, que susto! Você tá bem? — Ele não espera minha resposta, pois logo se corrige. — É óbvio que você não tá bem, puta que pariu, Park Jimin. — Não o encaro, mas pelo barulho tenho certeza que ele deu um tapa em sua testa.

— Desculpe, eu não devia ter te segurado... Queria tentar te acalmar, perdão… Fiquei com medo que aquele cara falasse mais alguma coisa.

A pessoa com menos culpa nisso tudo é ele e ele está pedindo perdão?! Droga, eu devia ter falado que ele não tem culpa!

— Seus amigos devem chegar daqui a pouco, encontrei com o Namjoon no meio do caminho enquanto tentava te alcançar, contei o que aconteceu e ele disse que ia chamar o Taehyung, mas me entregou a chave do hotel. Porém eu posso ir embora, se você quiser ficar sozinho.

— Não quero — falo, segurando os soluços.

— Certo, então que tal sairmos do banheiro para pegarmos um copo de água para você se acalmar? — Concordo e ele se aproxima para me ajudar a levantar, passando a mão, pela terceira vez do dia, pela minha cintura.

Não que eu esteja reclamando, mas só percebi agora.

— Você não tem culpa… Me desculpe por ter te empurrado — digo depois de tomar dois copos de água e estar mais controlado.

— Eu te segurei, quem tem que pedir perdão sou eu — diz, ainda se culpando.

— Você só estava tentando me ajudar e eu agi por impulso, a culpa não foi sua.

— Nem sua. Nem nossa. Não se sinta culpado pelo comentário daquele homem. Ele é o único culpado, você só estava sendo você. — Olho-o assustado e tento perguntar como ele sabia, mas ele parece ler minha mente e responde antes mesmo das palavras saírem da minha boca.

— Eu já me senti assim, Yoon, e percebi no seu olhar que você se sente na obrigação de carregar a culpa. Mas você tem que entender que não é sua culpa, você não pode controlar o que as outras pessoas vão pensar ou fazer, elas são responsáveis pelas próprias ações e pensamentos. A culpa é delas. — Suas palavras são como facadas em meu coração, que me fazem voltar a chorar.

Ele me puxa para um abraço e afaga meus cabelos. Sinto a calma voltando para mim enquanto ele passa sua mãozinha pela minha cabeça.

— Suas cores são lindas, tenha orgulho de levantá-las, não deixe que eles machuquem seu arco-íris. — Sorrio com sua frase e ele deposita um leve beijo em minha bochecha. — Sei que já fui muito direto o dia inteiro, mas eu não gostaria de só beijar sua bochecha.

Meu rosto inteiro ganha um tom avermelhado, mas não desvio o olhar, continuo o encarando para que ele saiba que, mesmo depois de tudo que aconteceu, eu ainda quero beijá-lo, ainda o quero.

Ele parece entender o que quero, pois se aproxima e fricciona seus lábios nos meus, sem selar nossos lábios, deixando-me frustrado e mais ansioso, porém logo relaxo quando ele passa a mão novamente pela minha cintura.

— Eu gosto da sua cintura, sabia? — confessa, apertando-a.

— YOONGI! BEBÊ! CHEGUEI! VAI FICAR TUDO BEM! — Taehyung entra gritando e correndo em minha direção, mas para quando observa como eu e Jimin estamos. — Puts! Atrapalhei os pombinhos! Voltem, rapazes! Tá tudo sobre controle! O nosso Mister Bug já salvou o dia! — E sai, dando uma piscadinha para mim.

Jimin cai em uma crise de risos que é acompanhada por mim e, segundos depois, estamos nos jogando na cama de tanta risada.

— Quando eles voltarem mais tarde, vou ser obrigado a escutar lamentações ou comemorações de bêbados. Meu deus, o que eu não faço pelas pessoas que eu gosto. — Jimin ri ainda mais, mas para quando parece lembrar de algo e começa a procurar em seus bolsos.

— Falando nisso... — Ele tira uma pequena florzinha de vidro do bolso e a entrega para mim. — Eu vi uma senhora vendendo quando eu estava correndo para vir até aqui e resolvi parar, porque me chamou muito a atenção. — O loiro para de falar somente para dar um beijo no canto de minha boca e logo continua: — Quando cheguei lá, a senhora me explicou que a florzinha era de vidro para ela poder ser todas as cores que quiséssemos e me mandou dar para uma pessoa que eu gostasse para que ela saiba que pode expressar suas cores livremente e que elas são lindas.

Sorrio, sorrio de verdade e quase volto a chorar, mas dessa vez de felicidade.

— Isso foi uma declaração indireta, Park Jimin? — pergunto com um enorme sorriso.

— Fico feliz que você tenha entendido. — Ele dá uma piscadinha antes de, finalmente, juntar nossos lábios em um beijo calmo que rapidamente evoluiu para algo desesperado que exalava desejo.

Separo nossas bocas somente para confessar:

— Pela primeira vez no dia, vou ser direto:Park Jimin, você roubou meu coração no colegial e nunca mais me devolveu. — Suas bochechas coradas são o suficiente para que eu volte a beijá-lo com ainda mais desejo.

E é ao lado de um garoto que começo a entender que não tenho culpa de gostar dele, não tenho culpa de gostar de garotos e que posso, sim, expressar minhas cores livremente.

~~~~


Notas Finais: Espero que vocês tenham gostado e ficado, que nem eu, muito apaixonados por esse casal.

Qualquer crítica construtiva é bem vinda, ok?

Obrigada por todo o apoio e carinho, vocês são muito especiais para mim💞

1 Novembre 2021 23:32:13 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
2
La fin

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2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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