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Prestes a debutar, Yoongi sabe que o quesito dança não é seu forte. Por isso mesmo, resolve fazer algumas aulas extras para melhorar como trainee. O que ele não esperava era se apaixonar por Park Jimin, o ajudante e trainee do professor de dança. Se apenas o fato de se apaixonar já soava um absurdo para o futuro rapper, começar a mandar bilhetes românticos e misteriosos para Jimin seria, no mínimo, uma aventura.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

#bts #2min #2minpjct #admirador-secreto #jimin #minimini #minmin #Serendipity #sugamin #suji #universo-real #vida-real #yoongi #yoonmin
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Im writing to you, my love

Escrito por: mindokyu /@mindokyu


Notas iniciais: Olá, xuxus da Mari! Tudo bem com vocês?
Mais uma bebê Yoonmin para aquecer o coraçãozinho de todes!! Espero mesmo que gostem dela, foi escrita com todo amor e carinho! Obrigada Rafa @Yoonieris/@YOONIERIS pela capa perfeita, obrigada Ana @cocogoat/ @snuffyoon pela betagem, e muito obrigada a todo mundo que tirar um tempinho para ler essa fanfic.

beijos e boa leitura!


~~



**

As paredes finas da pequena sala de ensaios tremiam de tão alto que o som ecoava, o som grave percorria até mesmo as entranhas dos meninos que dançavam sem parar. Os barulhos agudos dos tênis arrastando no chão brilhoso eram as únicas coisas que sobressaíam à melodia contagiante aos ouvidos do menino, até então, estranho ao lugar.

Yoongi estava sentado próximo à janela da sala de ensaios. Ele prestava atenção aos pares de pernas que dançavam à sua frente, prestava atenção também na música e em como sua letra iria — com certeza — ser um grande sucesso assim que fosse lançada. Em meio a tanta informação, apenas uma brotava em sua mente: logo mais, ele estaria cantando e dançando na frente de muitas — muitas — pessoas. Isso por si só fazia seu jovem coração palpitar em medo, aflição e ansiedade.

Min Yoongi era um jovem trainee da empresa Big Hit e, logo que entrou, conseguiu se destacar dentre os demais. Seu talento era nato para muitas coisas, mas principalmente para o rap e composição. Já sua habilidade na dança era a que mais precisava de ajustes, podemos dizer assim, e este era o motivo pelo qual Yoongi estava sentado debaixo da janela enquanto outros trainees dançavam sem parar. Ele foi carinhosamente convidado pelos diretores da empresa a cursar algumas aulas extras de dança — como se ele já não tivesse aulas demais em seu dia. Mas, Yoongi não estava ligando tanto, já que no fundo sabia que estar ali era para seu crescimento pessoal.

A voz estridente do professor cortou seus pensamentos e medos, fazendo-o focar novamente no que era importante.

— Hoje vocês estão muito animados, a aula mal começou e já vejo suor escorrendo, continuem com o trabalho árduo.

Ainda nem começou? Se aquele tanto de movimento era apenas o aquecimento, Yoongi estava lascado. Os olhos do professor de dança caíram sobre si, sentado embaixo da janela, e ali ele soube que estava em apuros.

— Temos companhia, turma — comentou o professor, apontando para Yoongi. — Min Yoongi é um ótimo rapper, mas precisa dar um boost nos movimentos. Então, vamos ajudá-lo, sim?

Os minutos viraram eternas horas. A batida da música era rápida demais para a total compreensão de Yoongi, mas ele não era tão ruim assim. Sentia cada músculo de seu corpo reclamar de dor, e, olhando para o relógio, percebeu que não havia passado tanto tempo quanto seu corpo exausto clamava ter passado. Ótimo! O cansaço já se fazia mais presente do que a força de vontade de aprender, o medo de desmaiar começava a ser maior do que a serotonina que o exercício normalmente o proporcionava. Até que a tão conhecida voz do professor ecoou mais uma vez pela sala.

— Por hoje é só, meninos! — Um coro de alívio e alegria fora ouvido, quase em uníssono. Pelo visto não era só Yoongi que estava quase morrendo. — Espero ver vocês com mais ânimo na semana que vem.

Os trainees começaram a sair da sala, alguns murmurando um “prometo melhorar” enquanto iam embora, já outros não estavam tão confiantes assim. Min Yoongi era um deles.

Yoongi preferiu deixar os outros saírem primeiro, estava cansado demais para tumultuar na porta e, logo depois, no elevador. Sentou-se novamente embaixo da janela, já com sua mochila no colo, arrumando suas coisas para logo mais partir.

— Min Yoongi — chamou o professor. Yoongi apenas o olhou, confirmando que tinha ouvido o chamado do mais velho. — Não se preocupe tanto. Você tem muito o que crescer ainda, como artista. Eu sei que hoje foi difícil, mas eu preciso que se dedique um pouco mais.

Yoongi sabia que a vida de trainee era muito difícil, e por mais que o resultado final fosse tudo o que Yoongi mais queria, não seria fácil.

— Tome seu tempo se recuperando, a sala fica vazia depois dessa aula.

E com mais um breve aceno de cabeça, o professor saiu da sala, deixando Min Yoongi sozinho.

A garrafa de água já se encontrava vazia, mas a força de suas pernas ainda não havia retomado por completo. Alguns minutos já haviam se passado e Yoongi ainda estava estatelado no chão, abraçando a mochila em seu colo, de olhos fechados. A calmaria da sala vazia sendo tão efetiva quanto uma canção de ninar. Até que um barulho estridente o fez acordar no susto, a mochila que estava em seu colo voando para frente. Só então os dois meninos parados na porta perceberam que não estavam sozinhos na sala.

— Oh, me perdoe! Não sabia que tinha alguém na sala — disse o menino de cabelos pretos, olhando com piedade para Yoongi. — Desculpe de verdade pelo barulho — fez uma pequena reverência, pedindo perdão.

— Hobi não consegue ser delicado e silencioso em momento algum — comentou o de cabelos loiros, ao lado do menino sorridente que falara primeiro. — A gente acordou você?

Yoongi, por sua vez, nada disse. As palavras sumiram de sua mente e de seu coração acelerado pelo susto. Mas, como uma demonstração de que ainda respirava, chacoalhou a cabeça em sinal positivo.

“Sim, porra, vocês me acordaram numa merda de um susto. Se eu fosse cardíaco, estaria lascado no chão, sem vida.” Os pensamentos não chegaram a se formar em palavras.

— Mil perdões, estamos fugindo do Jeongguk — disse o menino de cabelos pretos que, se sua audição estivesse funcionando bem, se chamava Hobi. Ou algo parecido. — E sabe como ele é, né? A gente precisou se esconder.

— Pare de falar como se o menino soubesse alguma coisa do que estamos falando, seu bobo! — O loiro ria que só ele, um riso leve, de respiração entrecortada pela correria de outrora. — Ele nem nos conhece.

— N-não tem problema — falou Yoongi, ainda meio abobalhado de susto e cansaço. — Eu já vou sair da sala. — Pegou sua mochila do chão e a garrafa quase vazia, e começou a andar para fora da sala.

— Ei, qual seu nome? — perguntou o loiro.

— Yoongi. Min Yoongi.

— Muito prazer, Yoongi. Sou Park Jimin, e esse bocó do meu lado é Jung Hoseok.

Yoongi apenas sorriu pequeno, quase tímido, não querendo muito conversar naquele momento. Em outra ocasião, teria apenas saído de mansinho, ou mandado todo mundo à merda. Mas, algo naqueles olhinhos brilhantes e divertidos do loiro fez com que seus pés não desgrudassem do chão.

— Você é aluno de dança? — perguntou Hoseok, fitando Yoongi de cima a baixo. A timidez de Yoongi veio à tona, porque ele tinha certeza de que estava sendo julgado.

— Não te interessa — respondeu grosseiro, sua personalidade forte e fechada aparecendo nos momentos em que se sentia ameaçado.

Os dois meninos ficaram parados, apenas observando enquanto Yoongi saía pela porta sem nem olhar para trás.

Não era nenhuma novidade, Min Yoongi estava acostumado a ser julgado pelas pessoas, acontecia com certa frequência. A raiva crescia dentro de si como uma onda avançando pelo oceano. Nem reparou se tinha deixado alguma coisa para trás, tamanha pressa de sair.

Saiu do prédio e, só então, reparou em como precisava respirar um ar puro. O cansaço da aula, junto com a raiva, trazia algumas lágrimas em seus olhos, que tentava segurar a todo custo. Às vezes, nem mesmo Yoongi entendia o porquê de ficar tão abalado quando coisas assim aconteciam. Ele só não conseguia entender.


[...]


— Não precisava ter falado daquele jeito, Hobi! — Jimin andava pelo corredor, atrás do menino que saíra correndo segundos atrás. Ele não podia estar tão longe assim.

— Eu não falei nada, Chim! Eu fiz apenas uma pergunta.

— Já sabendo a resposta! — exclamou Jimin, parando de andar abruptamente, fazendo Hoseok quase colidir com suas costas. — Você praticamente julgou o menino.

— Ele não parecia ser um dos trainees de dança, só isso! — bradou Hobi, cansado de toda aquela palhaçada. — Eu não fiz por mal!

— Eu sei, eu sei! Mas ele ficou muito chateado, não viu? — Virou-se para seu amigo. — Só não precisava ter falado daquele jeito.

Os olhos de Hoseok ficaram tristonhos, ele realmente não precisava ter agido daquele jeito, mas não o fez por mal. Às vezes, suas expressões ficavam muito à mostra e isso acabava soando como ofensa, por mais que a intenção dele tivesse sido longe daquilo. Respirou fundo e, segurando os pequenos ombros de Park Jimin, disse:

— Se a gente encontrar ele, eu juro que peço desculpas.


[...]


Yoongi até tentou convencer os seus professores de que ele não precisava mais tanto das aulas de dança, mas não teve como fugir. Ele sabia que, para ser um idol completo, tinha que ter todas as skills necessárias pelo menos em níveis muito bons. Ele poderia ser um exímio rapper, mas se sua dança deixasse muito a desejar, nunca conseguiria debutar.

Então, todos os dias pela parte da tarde, Min Yoongi se encontrava na mesma sala de dança, seguindo passos ritmados que faziam seu corpo suar por lugares que nem imaginava que era possível. No fundo — bem no fundo —, Yoongi gostava da sensação boa que a endorfina deixava em si. Tentava focar nisso e não em alguns olhos curiosos lançados sobre si, principalmente quando errava algum passo de dança.

Em um desses dias, porém, antes de começar a aula, o professor chamou atenção de todos.

— Hoje teremos uma pessoa para me ajudar na aula. — Sorriu abertamente, virando-se para chamar alguém que ainda estava do lado de fora. — Park Jimin é da turma avançada de dança e está prestes a debutar. — Um coro de “oh” e “ah” pôde ser ouvido, a alegria palpável em saber que alguém daquela empresa pequena iria debutar em breve. — Ele veio fazer algumas horas extras e vai acompanhar a aula de hoje. — Aplausos foram ouvidos e exclamações alegres.

Min Yoongi só conseguia pensar em como não precisava ter o menino loiro e fofo olhando todos os erros que cometia.

— Faz o movimento assim. — O corpo esbelto de Jimin se movia com uma fluidez invejável. — Seu braço não pode ir tanto para trás, desse jeito. — Demonstrou o erro, logo em seguida demonstrando como se fazia do jeito certo.

Yoongi estava atônito, olhando com cara de abobado, provavelmente.

— Entendeu? — perguntou Jimin.

— S-sim, entendi — respondeu Yoongi, sorrindo um pouco amarelado. Usou todos os músculos do corpo, a força de vontade e a energia que quase não tinha para fazer o movimento corretamente na frente de Jimin.

— Isso! Assim mesmo! — exclamou alto, dando leves pulinhos de alegria.

Um dos motivos pelo qual Jimin escolheu aquela aula para lecionar suas horas extras, foi o menino de cabelos pretos. Por mais que nem tenha sido ele, Jimin ficou se sentindo mal por aquele dia, conseguiu perceber como o menino tinha ficado chateado.

— Muito obrigado, Jimin-ssi.

— Continue assim, Min Yoongi-ssi!

As bochechas vermelhas de Min Yoongi com certeza não eram pelo esforço da dança. Sabia disso pelo jeito que seu coração batia.

Algo estava diferente.


[...]


Em seu caderno aberto, jazia algumas palavras. Soltas, sem sentido, apenas desenhadas em sua bela caligrafia de compositor. Yoongi estava com a cabeça cheia de pensamentos, muitos deles em um certo corpo dançante e esbelto. O grafite de sua lapiseira já tinha sido gasto muito mais do que queria, muito mais do que quando escrevia suas canções.

Pela primeira vez em muito tempo, Yoongi não estava compondo. O grafite estava sendo gasto para escrever, sim, mas dessa vez não eram rimas.

“O que aquele sorriso significa? O que essa batida descompassada significa?”

Era, no mínimo, estranho. Águas profundas que Yoongi nunca ousou se aventurar, tinha medo; bem ao contrário do que ele realmente era, corajoso. Yoongi tinha coragem, muita coragem. Encarar a vida de trainee era uma prova bem clara disso. Mas, quanto mais seu grafite era gasto e frases eram escritas, mais medo ele sentia.


“O leve toque de seus dedos pela minha pele era como fogo.”

Yoongi fechouo caderno abruptamente assim que terminoude escrever. Mais uma frase. Sobre ele. Sobre um sentimento que ele nunca pensou que sentiria.


— Hey, Yoongi-hyung. — Ouviu a voz grossa e melodiosa de seu amigo adentrar seus ouvidos. — Não sabia que ia chegar cedo hoje.

Olhou no relógio e percebeu que estava realmente mais cedo do que costumava chegar.

— Andei rápido demais, eu acho. — Levantou de onde estava, seguindo Namjoon até o sofá do pequeno apartamento que dividiam.

— Por que estava sentado no chão?

— Escrevendo. — Namjoon sabia que Min Yoongi era um homem de poucas palavras, preferia muito mais a escrita e a música para se comunicar. Essa era uma das qualidades de Yoongi que Namjoon mais gostava.

— Mais uma música para ser um hit? — comentou, rindo da genialidade de seu amigo, e talvez um pouco da cara de assustado que o outro fez.

— N-não… Não estou escrevendo uma música. — Respirou fundo. — Dessa vez.

Namjoon era curioso por natureza e, ao notar as bochechas coradas e o jeito acanhado de Yoongi, soube que ele estava escondendo alguma coisa.

— O que está escrevendo, hyung?

— Nada! Não é nada de importante.

— Se você está escrevendo, é importante. — Virou-se melhor no sofá, observando seu amigo inquieto ao seu lado. — Não menospreze sua escrita assim.

— Não é isso, é que… — parou de falar, não sabendo como colocar em palavras o que sentia.

Contar para alguém que seu coração bateu diferente por um menino que mal conhecia era a última coisa do universo na lista de Yoongi. Ele não contaria para Namjoon.

— Não é nada relacionado a trabalho — finalizou Yoongi, levantando para ir em direção ao quarto, levando o caderno consigo como se fosse algo precioso que não pudesse perder.

— Mesmo assim… — Namjoon sabia que forçar Yoongi a falar era em vão. O melhor a fazer era deixá-lo falar quando — e se — quisesse. — Aposto que está incrível. — E antes de Yoongi se retirar da pequena sala, saiu em direção ao quarto.


[...]


Kim Namjoon foi a primeira pessoa que Yoongi conheceu quando chegou à capital. Seul era grande e assustadora para alguém que nasceu e cresceu em Daegu. Assustador era o mínimo, na verdade. Yoongi sempre teve curiosidade de conhecer a grande Seul e, até o momento, tinha amado cada segundo vivendo na cidade.

Assim que foram apresentados, sabiam que uma grande amizade nasceria dali, e o sonho dos dois era debutar no mesmo grupo. Tal sonho estava cada dia mais perto, e esse era um dos motivos pelo qual Yoongi se esforçava cada vez mais para conseguir melhorar como um idol.

Falar que se inspirava em Namjoon não era exagero. Joonie — como ele o chamava secretamente — era uma das pessoas mais inteligentes que já conhecera na vida. Um exímio role model para qualquer um que se aproximava do sorriso de covinhas mais encantador da Coreia.

Bom, no caso de Yoongi, o segundo sorriso mais encantador da Coreia.

Dividir um apartamento com Namjoon era ótimo. Cada um ficava no seu canto, conversavam apenas quando necessário, e assim nasceu uma bela e forte amizade, que já durava pouco mais de um ano. Yoongi era grato por ter Namjoon em sua vida todos os dias. E esse pensamento o levou até o momento presente.

— Joonie, eu… — Respirou fundo, entrecortado pelo stress que estava. — Eu preciso… quer dizer, quero te contar algo.

Alguns dias tinham se passado desde aquele fatídico dia onde Namjoon encontrou Yoongi sentado e escrevendo sem parar com cara de bobo. Ambos estavam tomando um café da manhã reforçado antes de começar o dia.

— Pode contar, hyung — assegurou Namjoon, sabendo que o que ele mais queria saber estava prestes a ser revelado. — Você sabe que pode confiar em mim.

Yoongi sabia.

— Eu acho… eu acho que eu posso-talvez-quem sabe estar gostando de alguém. — Yoongi falou tão rápido que, se Joonie não soubesse que ele era um rapper, ali teria certeza.

— Você o quê?! — exclamou Namjoon, assustando o pobre menino que mais parecia um gato querendo fugir da água naquele momento.

— Nada, deixa quieto! — Como esperado, fugiu do assunto que tanto o assustava. Voltou a dar uma mordida em sua torrada recém-feita. Queria só cavar um buraco na terra e sumir.

— Não me venha com essa, eu entendi muito bem o que você disse — confessou Namjoon. — Eu só não esperava por essa.

— Como assim?

— Te conheço há um tempo e sei como é difícil para você se abrir para… sentimentos novos. — falou cauteloso. Queria descobrir quem foi a pessoa que conseguiu essa proeza.

Yoongi estava sem palavras, porque o que Namjoon acabara de falar era a mais pura verdade. Eles se conheciam há bons anos, e Yoongi nunca, remotamente, demonstrou interesse por alguém. Por isso, o estranhamento em seu coração palpitante durante todos os treinos.

— Você tem razão — confessou, baixando a cabeça em vergonha.

— Não tem motivo para se sentir envergonhado, Yoongz. — Quase nunca usava tal apelido com o outro, apenas quando sentia necessário. Exatamente em momentos como esse. — Seria muito chato da minha parte saber quem é? — perguntou Namjoon, sem a menor das esperanças de receber uma resposta.

Porém, o nome que saiu dos lábios de seu amigo o surpreendeu.

— Park Jimin — confessou Yoongi, ficando ainda mais vermelho do que estava anteriormente. — E-ele está como tutor na minha aula de dança.

— Park Jimin? O menino loiro que está para debutar? — perguntou Namjoon, os olhos arregalados pela novidade quentinha que estava recebendo. Ele não acreditava em seus ouvidos, um sorriso brincalhão nascendo nos lábios.

— E-ele mesmo — gaguejou, ajeitando as roupas em uma tentativa falha de se distrair; como se não tivesse acabado de confessar sua paixão platônica por um menino.

— Eu conheço ele! — exclamou Namjoon, tomando o último gole de seu café — já gelado.

— Você o quê? — Arregalou os olhos, levantando da cadeira abruptamente. — Não conta para ele, por favor! — bradou Yoongi.

O riso leve de Namjoon ecoou pela sala pequena que ambos estavam. O rosto de Yoongi era um misto de vergonha e raiva. No mínimo, fofo.

— Eu não vou fazer isso. Relaxa, hyung! — garantiu Namjoon, puxando o menino pelo braço para sentar-se novamente. — Eu nunca faria isso; sem seu consentimento, quer dizer.

— Posso te assegurar que eu não quero.

— Quer chegar nele você mesmo, então?

— Quê? Que ideia maluca é essa?! Claro que não. — A conversa tomava rumos que Yoongi não esperava que tomasse.

— Vai ficar gostando dele de longe? — Namjoon juntava todas as forças dentro de si para não rir da cara espantada de seu amigo.

— É por isso que se chama crush, Joonie. E chega desse assunto.

— Foi você quem começou, no caso — afrontou Namjoon. Queria ver até onde ele iria.

— Exato! Por isso estou também finalizando. — Levantou da mesa, levando consigo as louças que tinham sujado. — Vamos logo, não podemos nos atrasar.


[...]


Min Yoongi era ótimo em fugir das pessoas, mesmo quando elas eram suas amigas próximas. Muitos o chamavam de “pequeno felino” por conta disso, em específico. Ele conseguia sair das situações mais desconfortáveis sem ninguém se dar conta.

No momento, Yoongi estava conseguindo se esquivar de Namjoon e suas perguntas constrangedoras com sucesso. Park Jimin também era evitado, sendo visto pelo menino mais velho apenas nas aulas. E mesmo nelas, Yoongi quase não mantinha contato visual (e talvez seja por isso que não via todos os sorrisos sinceros que recebia do menino loiro).

Mas, a sorte do pobre apaixonado não durou muito.

— Eu tive uma ideia! — A porta de seu quarto fora aberta com uma força brutal, fazendo aquele barulho estrondoso. Aquele que assusta. Aquele que assusta Min Yoongi, que deu um pulo da cadeira onde estava, xingando alto.

— Caralho! Que porra é essa? — Olhou para Namjoon. — Caralho, brother! Que porra é essa?

— Eu tive uma ideia de como você pode conquistar Park Jimin.

— Ah, vai se foder, Namjoon — bradou, irritado com a intromissão desnecessária de seu amigo (quase ex-amigo, naquele momento). — Não acredito que você quase me matou do coração para falar isso!

— A minha ideia é ótima, é sério. — Namjoon, não se sentindo o mínimo intimidado pelo outro, deitou-se na cama dele como se fosse sua, puxando o travesseiro para debaixo de sua cabeça.

Yoongi, mantendo-se de costas para Namjoon, respirou fundo, mordendo os lábios. Sabia que seu amigo tinha a melhor das intenções, mas o que podia fazer se ele era um zero à esquerda quando o assunto era flertar? Ele nunca tinha propriamente flertado com ninguém, todos os encontros que já tivera antes — foram poucos — tinham partido de outras pessoas. Ou seja, Yoongi era péssimo e sabia não ter a menor chance com Park Jimin.

Porém, algo dentro de si clamava por uma chance.

— Tá, pode falar — falou como se não fosse importante. O desdém escorria por sua voz, mas em seu coração uma pequena felicidade e esperança despontava.

Namjoon não esperou seu amigo virar a cadeira para o ouvir, sabia que isso não aconteceria. Então, começou a falar:

— Eu estava pensando no dia em que você me falou de seu crush no Jimin… — Fez uma pausa dramática. — Você tem que usar o que tem de bom.

— Eu não tenho nada de bom — respondeu automaticamente. Era como se seu cérebro repetisse tanto isso que ele nem se importava mais em refutar.

— Como assim? — O tom brincalhão deu lugar a um de preocupação. — Claro que tem!

— Hum… continue! — Dentre todos os assuntos que Yoongi não queria discutir, esse era o principal. — Me conta logo essa sua ideia mirabolante. — Finalmente cedeu à pressão do olhar penetrante de Namjoon em suas costas, virando-se para o menino.

Conhecia Yoongi o suficiente para saber que aquele assunto era um lugar proibido, então preferiu apenas seguir com o plano.

— Eu acho que você deveria escrever.

— Escrever? Como assim escrever?

— Cartas, hyung.

Foi nessa hora que o cérebro de Yoongi deu o bug do milênio. Ele não ia, de jeito nenhum, escrever cartas para Park Jimin.

— Eu não vou escrever cartas para Park Jimin — externou o que rondava sua mente. Onde já se viu Namjoon achar que ele seria tão piegas assim.

— Eu me expressei errado, hyung — corrigiu Namjoon. — Talvez deixar alguns bilhetes, não precisam ser cartas.

Aquela era possivelmente a conversa mais doida que já tivera com seu amigo e, por mais inacreditável que pudesse parecer, Yoongi estava refletindo sobre.

— Bilhetes? Mas… Eu não tinha a menor das intenções de contar para ele sobre meus sentimentos. — Yoongi realmente não tinha intenção alguma de contar para Jimin. Onde já se viu, alguém como Yoongi ter coragem de se declarar para Park Jimin, o menino da aula de dança.

— Ué, você não tem um crush nele?

— Tenho, mas é apenas isso.

Namjoon apenas o olhava, atônito.

— Você tem uma das mentes mais brilhantes do universo, hyung — confessou Namjoon. — Mas as vezes é burro que só uma porta!

— Aish! — reclamou, desferindo um tapa leve no braço de Namjoon. — Eu não tenho a necessidade de contar para ele. Agora chega, por favor.

— Pensa no que eu te disse! Bilhetinhos de amor são sempre bem-vindos.

E assim, retirou-se do quarto.


[...]


“Você é a parte favorita do meu dia.”

Riscou.

“A parte favorita do meu dia é você.”

Suspirou. Riscou.

Por que ele estava fazendo isso? A voz de Namjoon ecoava em sua mente, falando dos malditos bilhetes, e, por algum motivo, ele não conseguia parar de pensar nisso. A folha de seu caderno — normalmente usado para escrever suas músicas — estava gasta de tanto apagar. No momento, continha frases e rabiscos, já que escrevia e rabiscava na mesma proporção.

“Você é a parte favorita do meu dia.”

Essa frase, por algum motivo, ficou presa em sua mente, pois sabia que era verdade. A aula de dança tornou-se cada vez mais a parte favorita do seu dia, e Jimin era a principal causa. Deixou aquela frase ali, tomando forma em sua mente e coração. Pegou um outro pedaço de papel, de cor azul e tamanho pequeno. Usou sua melhor caneta e depositou ali as palavras.

“Você é a parte favorita do meu dia.”

Dobrou o papel e colocou dentro do caderno que sempre levava consigo para todos os cantos.

Talvez era porque já estivesse tarde, talvez porque no fundo — bem no fundo — ele queria ter coragem de entregar para Jimin.


[...]


O sol brilhava alto no céu, mas o tempo estava ameno. Uma brisa fria batia levemente no rosto de Yoongi, fazendo-o se arrepiar a cada passo que dava em direção à empresa. Acordou preparado para colocar seu plano em prática e, por isso, sentia seu coração acelerado. A bolsa pesava mais do que de costume, o caderno contendo o pequeno bilhete ali, lembrando-o a cada minuto que se passava.

Abriu a porta do lugar, ainda vazio. Chegou mais cedo do que antes exatamente para não encontrar Jimin cara a cara, já que não teria a coragem de entregar o bilhete em mãos. No dia anterior, perto da hora de dormir, foi quando decidiu realmente levar o plano iniciado por Namjoon à frente, e então veio-lhe a ideia de colocar no armário que todos os trainees tinham.

E lá estava ele, parado que nem uma estátua no meio do corredor vazio, o caderno entre as mãos, os olhos fixos no pequeno papelzinho dobrado. Pegou-o na mão, fechando os olhos e colocando no vão que tinha no armário. Estava feito, não tinha mais volta. Olhou ao redor para se certificar de que não havia mais ninguém ali, saindo correndo em seguida.

Min Yoongi estava maluco, disso ele próprio tinha certeza. Acabara de colocar um bilhete com frases de amor no armário de Park Jimin.


[...]


Há dias que passam voando, como num piscar de olhos. Yoongi preferia que estivesse sendo assim, mas não era muito bem isso que estava acontecendo. A cada vez que olhava no relógio, parecia que ele retrocedia ao invés de ir para frente.

— Vamos, relógio! Ande! — sussurrou, esperando que mais nenhum outro aluno da turma de dança o escutasse falando sozinho. Queria logo saber se Jimin teria lido seu bilhete. Não que Yoongi tivesse alguma remota esperança, mas…

— Bom dia, turma! Espero que já estejam aquecidos! — começou o professor, dando aquele bom dia animado. E, como esperado, Yoongi não estava aquecido, mas não iria contar para ele, claro.

A aula começou, como todas as outras (aka matando Yoongi aos poucos), e nada de Park Jimin entrar pela bendita porta. As poucas esperanças do menino de cabelos pretos já estavam quase findadas quando, de repente, escuta a porta se abrir. E lá estava ele, radiante como sempre, alegre e com um sorriso no rosto.

— Desculpe, professor. Tive um compromisso antes — explicou o pequeno atraso, fazendo reverência para os outros alunos e para o professor. — Isso não vai mais acontecer.

— Espero que não aconteça, Jimin-ah. Não pode ter esse tipo de comportamento na frente dos alunos — falou em um tom um pouco mais rude do que normalmente falava. Jimin o reverenciou mais uma vez e logo saiu para ajudar os alunos com passos de dança.

Yoongi prestava atenção em cada mínimo movimento do outro, tentando ao máximo disfarçar todo o interesse que sentia crescer dentro de si. A cada passo que o outro dava em sua direção, seu coração palpitava mais alto. Até que sentiu uma mão em suas costas.

— Ajeita a postura na hora de fazer esse movimento. — Será que era possível Jimin ouvir o coração de Yoongi batendo alto e forte? — Ou vai distender o músculo e não vai ser legal.

— O-okay, eu… — gaguejou exatamente quando não podia. — Eu não consigo colocar a perna do jeito certo. — Não era de todo uma mentira, Yoongi realmente não conseguia tão bem assim, mas deu uma exagerada.

— Eu te mostro, não tem problema.

Jimin repetiu algumas vezes o movimento e, em seguida, Yoongi o copiava. Trocaram mais algumas palavras e, para a tristeza (ou não) de Yoongi, nenhum sinal de Jimin ter lido o bilhete. Na verdade, nem mesmo o mais velho sabia o que esperar, não era como se Jimin fosse saber quem que enviara, de onde viera tal bilhete. A mente boba e apaixonada de Yoongi chegava a ficar com o QI um pouco abaixo do normal, e por isso mesmo odiava ficar com esse sentimento.

A aula passou com algumas breves trocas de olhares, mas nada para ser levado em consideração. Assim que todos os trainees saíram, Yoongi sentou-se em seu lugar de costume, perto da janela, tirando o caderno de sua bolsa mais uma vez, juntamente com sua caneta preferida. O sentimento de escrever os bilhetes era muito bom, não era sempre que Yoongi explorava esse lado “meloso”. No momento exato que baixou a caneta para fazer a primeira letra, a porta se abriu.

— Me deixa ler, Jimin. Me deixa ler! — A voz aguda e agitada de Hoseok poderia ser ouvida do outro lado da cidade, disso Yoongi tinha certeza.

— Para, Hobi! Nem mesmo eu consegui ler! — respondeu o amigo que pulava em cima de si, enquanto Jimin tentava esconder algo que tinha nas mãos.

Min Yoongi sabia como ambos trainees eram barulhentos e nem sequer esboçou uma reação. Até que ouviu a seguinte frase:

— Se o bilhete estava no meu armário, certamente é para mim, e não para você, seu curioso! — Jimin deu um peteleco forte na testa de seu amigo, que reclamou de dor.

Se antes o coração do rapper já batia rápido, agora ele jurava que ia explodir. Então ele finalmente tinha visto o bilhete.

— Eu sei, né, bobo! — reclamou Hobi, jogando-se no chão, e só então percebendo o menino sentado debaixo da janela. — Oi, Yoongi.

Ao ouvir o nome de Yoongi, Jimin levantou os olhos do papel em suas mãos e sorriu.

— Acho que já te atrapalhamos tanto que nem adianta mais pedir desculpas — disse rindo, os olhinhos se fechando em duas crescentes. Yoongi achava esse ato lindo.

— Vocês não me atrapalham, a sala fica livre para todos os trainees. — Yoongi odiava não ter tato para falar com as pessoas, não era bom em puxar papo, como dá para perceber.

— Mesmo assim… — respondeu Jimin, encerrando o assunto e sentando-se do lado de seu amigo, do outro lado de onde Yoongi se encontrava.

Yoongi rabiscava a folha sem prestar a menor atenção no que fazia, os ouvidos atentos nos dois meninos.

— Então pelo menos lê o que tá escrito! — falou Hoseok.

— Tá, tá. Chato! Deixa pelo menos eu ver primeiro.

Yoongi encarou a dupla exatamente no momento em que Jimin lia as palavras. O tom rubro que tomou conta das grandes bochechas de Jimin fizeram seu coração aquecer em alegria.

— Você está corado! Park Jimin, você está corado! — As palmas altas de Hobi ecoavam pela sala.

— Pa-ara, Hobi!

— Me conta o que tem aí.

“Você é a parte favorita do meu dia” — leu Jimin, escondendo o rosto entre as mãos em seguida.

— Meu deus, Chim! Tem alguém apaixonado por você! — falou Hoseok, apertando os braços de Jimin.

— Aish, Hobi! Para com isso! — Envergonhado, tirou as mãos alegres de Hoseok de si, escondendo mais uma vez o rosto. — Mas quem será que enviou isso? É tão… tão…

— Romântico? — arriscou Hoseok.

— É… tipo… quem em sã consciência escreveria isso para mim? — comentou Jimin, tão focado no papel e em seu coração palpitante, que nem percebeu a cara de horror que Yoongi fez do outro lado da sala.

“Eu escreveria isso para você, porque você é a pessoa mais linda que eu já vi”, pensou Yoongi, baixando os olhos de novo, não queria ser pego ouvindo a conversa dos dois.

— Para de besteira, Chim! Você é lindo e fofo e dança bem — elogiou Hoseok. — Qualquer um se apaixonaria por você.

Sim, qualquer um se apaixonaria por Park Jimin, e pensar nisso fez Yoongi sentir uma dor em seu peito.


[...]


“Você é a pessoa mais linda que eu já vi.”

Era o que dizia o próximo bilhete.

O pensamento ficou com Yoongi desde quando presenciou Jimin lendo o outro bilhete. Então, nada mais justo do que contar para ele que, sim, ele era a pessoa mais linda que Yoongi já vira na vida.


“Seu sorriso me traz esperança.”


“Nem mesmo o sol consegue me aquecer tanto quanto o seu sorriso.”


A cada verso que escrevia, seu coração batia mais e mais pelo menino loiro. Não sabia ao certo onde iria parar com as frases, com seu sentimento, mas as escrever deixava Yoongi feliz e, principalmente, deixava Jimin feliz.

Por algum motivo que ele não conseguia compreender, Jimin deixava para ler os bilhetes dentro da sala de dança, assim que as aulas da manhã acabavam. Algumas vezes o menino estava sozinho, sem Hoseok por perto, outras o amigo moreno enchia o saco e deixava Jimin ainda mais corado de vergonha. Porém, uma coisa que nunca mudava era Yoongi sempre por perto.

Ele realmente não sabia ao certo onde isso chegaria, mas por hora era o que precisava para deixar seu coração feliz.


[...]


Mais ou menos um mês já havia se passado desde que colocara o primeiro bilhete dentro do armário de Park Jimin.

— Você viu a novidade que está correndo pelos corredores da BH? — Namjoon disse uma certa noite, enquanto se preparavam para dormir depois de longos treinos. BH era a empresa onde iriam — se tudo corresse bem — debutar. E não, Yoongi não tinha ouvido nada pelos corredores da BH.

— Não ouvi nada, o que aconteceu?

— Park Jimin e Jung Hoseok estão confirmados para o próximo debut?

Os olhinhos pequenos de Yoongi se arregalaram de surpresa e alegria.

— O quê? Jimin vai debutar? — perguntou, alegre com a notícia. Os boatos de que o próximo debut estava para sair eram fortes, mas ninguém tinha confirmado nada até o momento.

— Sim, junto com Kim Seokjin — complementou a informação. — Mas ainda faltam algumas pessoas para serem confirmadas e… — hesitou Namjoon, parando de andar pelo quarto do mais velho. Yoongi percebeu a pausa abrupta e encarou seu amigo, pedindo silenciosamente que ele continuasse.

— E?

— E eu sou uma delas!

Yoongi levantou da cama, pulando com os braços para o ar.

— Meu amigo vai debutar, meu amigo vai debutar! — Era no mínimo engraçado, para Namjoon, ver Yoongi agindo de tal forma, mas o largo sorriso em seu rosto dizia tanto quanto seus atos.

— Para de pular, está tarde! — Por mais que tentasse conter o amigo, este não parava, e não teve escolha a não ser se juntar a ele. Uma cena ridícula, sim.

Depois de pular e cansar, ambos deitaram na cama, retomando as respirações.

— E como vai com os bilhetes para Jimin? — perguntou Namjoon, sua respiração já voltando ao normal.

— Continuo escrevendo.

— E?

— E ele continua lendo, como sempre? — respondeu Yoongi, virando-se para encarar o amigo.

— Jimin continua indo até a sala de dança para ler os bilhetes? — perguntou Namjoon.

— Sim, ele vai até a sala para ler. Por quê?

— Não acha isso no mínimo estranho? — questionou Namjoon. Ele tinha algo em mente, mas não contaria de imediato para Yoongi.

— Estranho? Mas o que seria estranho?

— Pensa comigo! — Sentou-se na cama de frente para Yoongi, que ainda estava deitado. — Com certeza ele chega e já vê o bilhete, certo? Você continua chegando cedo e deixando os bilhetes lá?

— Sim, eu chego bem cedo e deixo os bilhetes antes de qualquer um chegar na empresa — respondeu, pensativo.

— O empenho, meu pai — brincou Namjoon, recebendo um tapa como resposta. — Enfim, continuando. Não acha isso estranho? Ele poderia já ter lido, mas resolve ler exatamente na sala onde sabe que você vai sempre estar.

Yoongi começou a entender onde Namjoon queria chegar, mas decerto estava enganado. Não era possível.

— Claro que não! — gritou Yoongi. — Aish, não tem como ele saber que sou eu.

— Mas, e se ele suspeitar?

— Por que ele suspeitaria, hein, gênio?

— Por também estar afim de você, oras. Vai que ele quer muito que seja você o autor dos bilhetes mais apaixonados de toda a Coreia?

Se Namjoon estava cansado, não demonstrou, porque teve que sair correndo o máximo que pôde para não levar uma coça de seu amigo.

— Sai do meu quarto! — berrava Yoongi enquanto caçava Namjoon.

— É só uma hipótese. — Fugiu de um tapa. — Calma!

— Calma é o caralho, sai daqui! — Botou Namjoon pro lado de fora, ainda podendo ouvir a risada alta que o próprio dava.

— Pense nisso, quem sabe…


[...]


Min Yoongi odiava amar tanto seu amigo, Kim Namjoon, porque sua real vontade era de socar as covinhas lindas daquele maldito. Tudo o que o outro falava ficava rondando em sua mente a noite toda! Todinha, inteira! Yoongi quase não dormiu direito pensando na possibilidade de Jimin saber quem deixava os bilhetes todos os dias.

A rua ainda estava quieta por conta do quão cedo estava. Os passarinhos eram sua única companhia enquanto caminhava lentamente para as aulas do dia. E antes que perguntem, sim, Yoongi estava com o caderno em sua mochila, mais um bilhete prontinho para ser entregue. Avistou de longe o alto prédio da BH, sabendo que seria mais um longo dia.

O corredor vazio, como sempre, o esperava; a passos lentos seguiu até o armário tão conhecido por si, parando logo em frente segundos depois. Abriu a mochila, pegou o caderno, tirou o bilhete e apenas quando foi depositar o papel pelo costumeiro buraquinho, percebeu que tinha algo colado ali.


“Eu já amo cada frase que leio.

Anseio pelo dia começar apenas para ler mais de suas palavras.

Quero te conhecer.

Park Jimin.”


O coração de Min Yoongi parou por um segundo, apenas para voltar a bater o dobro da velocidade.

Jimin tinha deixado um bilhete na porta. Ele tinha escrito para a “pessoa secreta dos bilhetes” (já tinha ouvido Jimin falar assim com Hoseok). E agora?

— E agora? — sussurrou, como se tivesse medo de ser ouvido. Olhou para ambos lados do corredor e nada. Vazio. Retirou o bilhete com todo cuidado, guardando dentro de seu caderno. Pegou o próprio bilhete, uma caneta e complementou a frase que já estava escrita.

“Eu me sinto com tanta sorte quanto te tenho ao meu lado” era a frase do dia. Embaixo, recém-escrito, podia-se ler:

“Fico muito feliz que esteja gostando, não pretendo parar, já que te faço bem. Mas, não sei se gostaria que me conhecesse.”

Sem pensar duas vezes, colocou o bilhete no armário e saiu. Não queria se arrepender de nada que escreveu.


[...]


Diferente de todos os dias, Jimin não apareceu na sala de dança depois do treino. Nem no dia seguinte. Yoongi começou a ficar preocupado que talvez tenha provocado alguma coisa no menino, ou que, talvez — bem talvez — ele soubesse que Yoongi era quem escrevia os bilhetes, e depois de ler que “não queria conhecer ele” parou de vir no horário livre. Por qualquer motivo que fosse, Yoongi não estava com um sentimento bom sobre isso.

Depois do almoço, teria aula de escrita criativa, que foi praticamente onde aprendeu a escrever todos os seus raps. Sabia que mandava bem naquele tópico de estudo e que seria por ele que debutaria em algum grupo.

Sr. Lee, instrutor de canto e composição, entrou na sala, o sorriso despontando de canto a canto.

— Boa tarde, Yoongi-ssi! — Apesar do semblante bravo que tinha naturalmente, o professor era um dos favoritos do Yoongi, talvez por conseguir se identificar com o homem de cara fechada e coração de ouro.

— Boa tarde, Sr. Lee.

— Tenho uma boa notícia pra você hoje, está preparado? — falou animado, parando de trás da mesa onde continha suas coisas.

— Boa notícia? — Ontem era Namjoon com uma baita de uma boa notícia, agora Sr. Lee chegava com a mesma narrativa. Será que…

— Você está prestes a debutar.

— De-debutar? Eu? — O espanto era tanto que, ao levantar-se da cadeira, derrubou a mesma no chão. — Eu vou ser lançado como Rapper?

— Não, Yoongi! Você vai debutar em um grupo! — A animação de ambos era palpável. Por mais que não contasse a ninguém, o maior sonho de Min Yoongi era debutar em um grupo.

— Eu… eu vou estar em um grupo?! Eu vou? — Saiu pulando pela sala, assim como fizera no dia anterior com Namjoon.

— Você e Namjoon vão estar no mesmo grupo, isso não é demais?!

Então, a ficha caiu. Não apenas Yoongi estaria no mesmo grupo de Namjoon, mas também de Jimin.

— Puta que pariu!

Sr. Lee o olhou estranho, Yoongi nunca falava palavrão na frente dos mais velhos, mas não tinha como segurar todo o alvoroço dentro de si.


[...]


Mesmo sabendo da notícia e de BTS (acrônimo para Bangtan Sonyeondan, nome do grupo em que debutaria), os treinos não paravam. No caso, intensificaram-se ainda mais. Porém, os bilhetes ainda eram mandados, foi uma das coisas que Yoongi não mudou em sua rotina. Agora o grupo estava formado, seria o total de 7 meninos, os sonhos latentes em suas veias e uma promessa de sucesso.

O bilhete do dia simplesmente dizia:

“Gosto muito de você.”

Simples.

Porque era o sentimento principal que Yoongi sentia por Jimin e precisava deixar isso escrito, tipo, literalmente. Porque Yoongi gostava de Jimin.

Gostava dos cabelos que caíam sobre seu rosto enquanto dançava, dos movimentos precisos. Gostava da voz melodiosa que invadia seus ouvidos e sonhos — quase — todas as noites. Gostava de como o menino tratava a si com tanto carinho, mesmo quando eles ainda mal se conheciam. Gostava de todas as manias e trejeitos, dos sorrisos de olhos apertados, os dentinhos, as bochechas, as mãozinhas.

Porra, Min Yoongi era um bobo apaixonado.

Fazia exatos 2 meses que Yoongi começou a enviar os bilhetes para Jimin. 2 meses que começara a entender melhor o seu sentimento e a aceitar esse lado ainda não desfrutado de si.


[...]


Se já houve um treino mais puxado do que esse, Yoongi desconhecia tal memória. Ele estava largado no chão, junto com os outros seis meninos, colegas de grupo.

— Estou exausto! — falou Taehyung, o último membro a ser mostrado como parte do grupo. Os olhos fechados e corpo largado no chão mostrava o quão cansado estava.

— Aish, nem me diga, Tae! — disse a voz que Yoongi mais amava. Jimin já conhecia Taehyung do colégio, e por isso quase não desgrudou do menino no momento em que chegou. E antes que falem, não, Yoongi não estava com ciúme.

— Vamos para o dormitório, está tarde e amanhã temos mais treinos. Precisamos estar o mais descansados possível — ordenou Namjoon. Ele foi eleito o líder do grupo, e Yoongi não poderia estar mais orgulhoso. Sabia que Namjoon seria o melhor líder de todos e traria grandes conquistas para todos.

Os meninos apenas concordaram e começaram a se levantar, um a um, indo em direção à saída.

— Podem ir indo, eu vou logo mais.

— Mesmo? Não quer que espere por você, hyung? — perguntou Jeongguk, o mais novo dentre todos os meninos. Yoongi se espantou com a pergunta e preocupação, normalmente ele era tão tímido que quase não falava nada o dia todo.

— Pode ir, Jeongguk-ssi, vou logo mais.

O menino apenas acenou com a cabeça e saiu.


[...]


O relógio marcava quase 11 da noite, mas a vontade de se levantar daquele chão era praticamente nula. Teria pouco mais de cinco horas para dormir, já que amanhã levantariam cedo. Respirou fundo mais uma vez, fazendo uma força tamanha para se levantar, as pernas tremiam de cansaço. Foi em direção à sua mochila para pegar suas coisas e sair da sala, mas, ao chegar perto da mesma que estava no banco, um bilhete cor de rosa pôde ser visto. E nele estava escrito:

“Eu também gosto de você. Muito.”

Releu aquela frase, não conseguindo acreditar em seus olhos. Era uma resposta ao seu bilhete, uma resposta direta ao seu bilhete. O ar começou a faltar, o coração palpitava como um louco.

— Não é possível! — sussurrou, o desespero era claro em sua voz. A mão que segurava com força o pequeno papel tremia.

Pegou a mochila, colocou-a nas costas, mas, no momento em que virou, o ar sumiu de vez.

Parado, ali, estava Park Jimin.

Os minutos pareciam horas, o tempo com certeza havia parado. Yoongi não conseguia desgrudar os olhos do rosto levemente corado de Jimin.

— E-eu… Oi — disse Jimin sem jeito.

— Como você sabe? — perguntou Yoongi, cortando qualquer frase que o menino loiro pudesse começar a falar.

— Eu te vi — confessou Jimin, as mãos indo parar na frente do corpo em sinal de vergonha. — Eu te vi colocando o bilhete hoje.

Yoongi não podia acreditar, agachou no chão, as mãos na cabeça ainda segurando o papel com a recém-descoberta. Não queria mais encarar o menino, não sabia como reagir. Não era para ele ter nunca descoberto. Que ideia maluca que—

— Yoongi, olha para mim — clamou Jimin, sabendo que a mente do mais velho deveria estar viajando para os mais diversos cenários possíveis. — Olha para mim.

Lentamente Yoongi se levantou e encarou o mais novo.

— Não era para você descobrir que era eu — confessou, a voz descendo uma oitava. Segurava as lágrimas que teimaram a sair. — Não era para você nunca saber.

— Por quê? Hm, me diz! — desafiou Jimin.

— Porque eu sei que meus sentimentos nunca serão correspondidos — começou a desabafar. — Eu sei que tudo foi em vão. Não deveria ter deixado Namjoon dar essa terrível ideia, sabe? Como que eu vou te olhar agora? Como que—

Para alguém que jurava que nunca viveria algum clichê, ser calado por um beijo da pessoa amada era quase cômico.

Sentiu as mãos macias de Jimin subir por seu rosto, apertando de leve suas bochechas. Não ousou aprofundar o beijo, estava perfeito daquele jeito. Levou suas mãos até a cintura de Jimin, abraçando-o. Não importava se estavam cansados e suados do treino, se estavam exaustos de um dia longo. O que importava eram os corações batendo no mesmo ritmo.

— Cala a boca, Min Yoongi. — Desferiu um selinho nos lábios do outro. — Eu também gosto de você. Está escrito aí. Ou você não sabe ler? — zombou Jimin, os corpos ainda colados.

— E-eu sei ler muito bem, tá? — respondeu, sorrindo todo abobalhado. — Só é difícil de acreditar.

— Por quê?

— Porque você é a pessoa mais linda que eu já vi.


Se o grupo que estava prestes a debutar conseguiria alcançar o sucesso, Yoongi não sabia. Mas, com toda a certeza do mundo, seguiria qualquer ideia que Namjoon desse.

Afinal, foi escrevendo seus sentimentos em bilhetes que conseguiu conquistar o amor de sua vida.


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Notas finais: Chegamos a mais um fim fofinho (como sempre kkk). Espero mesmo que tenham gostado! Até a próxima!
beijos! <3

11 Octobre 2021 19:45:37 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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