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O melhor amigo de Yoongi foi raptado, e não bastando a situação em si já ser aterradora, o seu dito melhor amigo por quem o jovem Min nutre uma paixão platônica, tem como seu captor nada mais do que um guardião do Inferno. Não podendo deixá-lo preso no inferno, Yoongi tem que enfrentar os desafios para se tornar digno de conquistar a liberdade de seu amado. Em um uma viagem pelos ciclos do inferno, que se provará mais difícil do que poderia imaginar, ele encontrará provações e aliados e muito mais do que foi buscar.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

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Descida ao inferno

Escrito por: @Rahmuharara3/@Rahmuharara

Notas Iniciais: Oi amores!

Mais um trabalhinho meu para o projeto, essa é uma estória para se ler de mente e coração aberto, gostei muito de escrever ela e espero que gostem.

Quero agradecer o trabalho da minha beta fofíssima @2minym, obrigada pelas dicas.♡

E à talentosíssima @Yoonieris pelas capas e banners, que ficaram maravilhosos.


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O tipo mais cruel de amor romântico é o amor não correspondido. Amar sozinho é um dos piores castigos que o ser humano pode se deparar, um gostinho do inferno na terra.

O amor platônico é a maldição dos apaixonados, é a tortura sem fim de sentir a dor de não ser amado enquanto ama sem restrições.

E Min Yoongi foi desafortunado o suficiente para amar assim.

Desde que podia lembrar Yoongi tinha Hoseok ao seu lado. Eles praticamente dividiram o berço, postos juntos por suas mães que foram tão amigas quanto eles se tornaram.

Suas primeiras lembranças são sobre dormirem aninhados em um cobertor verde em um dia frio, de suas brincadeiras juntos, e de correr com Hoseok por uma colina gramada. Suas risadas infantis ecoando no ar primaveril, com o peito pesado quase sem fôlego pelo esforço de rir e correr, e a sensação dos seus pés descalços tocando a grama macia enquanto perseguia Hoseok que corria a frente com seu brilhante sorriso em forma de coração estampado no rosto.

Hoseok sempre foi o seu sol, lhe iluminando e energizando, então não foi com muita surpresa que ele se viu apaixonado por seu melhor amigo. Fazia muito sentido para ele. Para Yoongi não existia no mundo ser mais apaixonante que Jung Hoseok.

Ele sabia que o Jung o amava, mas não era o amor pelo qual ele ansiava. Seu coração ainda se enchia com todas as declarações de amor de seu melhor amigo, só para murcharem pouco tempo depois com a realização de que ele expressava somente seu amor fraternal.

Yoongi nunca teve coragem para contar a Hobi sobre seus sentimentos, além de não achar que possuía coragem suficiente para olhar nos olhos de seu amigo e dizer a ele que queria ser seu namorado. O Min também carregava consigo o medo de que se um dia Hoseok descobrisse o seu amor platônico, ele se afastaria dele, e depois de tudo que perdeu na vida, Yoongi não poderia nem mesmo pensar em perder o mais novo.

Foi por esse motivo que ele estava em pânico. Hobi o pediu para encontrá-lo na floresta, perto do rio ainda naquela manhã antes de o sol estar a pino. Tudo naquela situação era muito incomum, e Yoongi não podia afastar a sensação de que alguma coisa daria errado. O pedido era muito incomum e carregava um certo tom sério que o Min dificilmente associava ao seu amigo.

Não que eles nunca tivessem ido à floresta juntos, eles andavam por entre aquelas árvores desde que tinham idade suficiente para estar longe das saias de suas mães, mas eles sempre a adentravam juntos, eles não marcavam encontros, se queriam se ver eles simplesmente iam um até o outro, moravam sobre o mesmo teto, qual seria a necessidade? Hoseok deveria ter vindo até ele e o arrastado pelo caminho até a floresta com risadas e brincadeiras enquanto Yoongi fingia má vontade em sair de casa em um dia ensolarado como eles sempre fazem.

Foi assim que se estabeleceu na mente de Yoongi o pavoroso medo de que seu amigo tivesse de alguma forma descoberto os reais sentimentos dele e o abandonasse, e também, apesar de tudo se acendeu uma certa esperança dentro dele, uma pequena parte que ele quase não podia dar voz com todo o seu medo, mas que lhe dizia coisas que ele não podia ignorar. E se Hobi o correspondesse e quisesse contar-lhe que o aceitava como mais que amigo?

A cada passo que ele dava para dentro da floresta e mais perto de Hoseok o seu peito batia mais acelerado. A ansiedade já fazia com que os seus dedos tremessem e o suor se acumulasse em sua pele, e o turbilhão de pensamentos frenéticos quase não deixava que ele prestasse atenção para onde estava indo. Isso o fez andar em círculos por duas vezes e acabar pegando o caminho mais longo.

Quando finalmente chegou à clareira às margens do rio, o sol já estava quase em seu ponto mais alto. Ele não queria ter feito Hobi esperar, mas admitia não ter andado rápido o suficiente propositalmente.

Hoseok estava sentado em uma pedra encarando o rio de águas cristalinas a sua frente, de onde estava, Yoongi não poderia dizer com certeza que ele estava com raiva ou chateado, mas achava que de todo modo ele não estava feliz. Com os ombros curvados e caídos e toda a sua imobilidade, que não era nem um pouco típicos de Hobi.

Seu amigo exalava energia, chegava a ser inquietante para os outros observá-lo no auge da sua espontaneidade, mas o Jung não estava assim naquele momento e perceber isso fez com que Yoongi hesitasse ainda mais em se aproximar.

Mas então Hoseok percebeu sua presença e virou-se para encará-lo, assim que ele o viu sua face se iluminou em um sorriso, desceu da pedra e começou a ir ao seu encontro e o alívio encheu o peito de Yoongi. Já menos tenso ele começou a descer a pequena encosta para chegar até o amigo, mas antes que ele pudesse alcançá-lo, um círculo de fogo se desenhou na terra sob os pés de Hoseok. Yoongi tropeçou para trás horrorizado, caindo duramente no chão de terra.

Dentro do círculo uma criatura se materializou das cinzas, o ar tremulou para definir a forma de um homem em um manto vermelho sangue com o rosto coberto por uma máscara de porcelana branca pintada em detalhes dourados.

— Hobi! —Yoongi gritou o nome de seu amigo em um aviso, ainda muito paralisado de medo para se mover e ir ao seu auxílio. Hobi olhou de Yoongi para a criatura com uma face contorcida em angústia. A figura misteriosa atrás dele enrolou suas mãos em seus ombros enquanto um vento sobrenatural varria a clareira e aumentava o fogo ao redor deles. A madeira das árvores antigas gemeu em um coro sinistro, os caules e galhos se dobrando sob o peso da ventania e ameaçando se partirem, as chamas se intensificaram em poder e brilho. Yoongi quase já não podia ver por entre elas ou suportar o calor que emanavam.

Hoseok tentou lhe estender a mão mesmo através do fogo, seus lábios desenhavam palavras que Yoongi não podia ouvir sob o som furioso do rugido do vento, ele também tentou gritar por seu amigo em um esforço em vão. O Min se impulsionou para levantar-se, suas pernas finalmente tiveram a força para o impulso de correr, mas já era muito tarde, antes que ele pudesse os alcançar, o homem já havia envolvido Hoseok em seus braços e eles sumiram em uma coluna brilhante de fogo.

—Não! Não! Hoseok! .... Hoseok! — Tudo que ele pôde fazer foi agarrar a terra quente com os dedos, ele nem mesmo conseguia registrar a ardência de sua pele sensível em contato com a superfície, e gritou para a floresta com uma voz quebrada por lágrimas chamando por seu amigo.

Ele cambaleou pelo meio das árvores correndo para chegar à vila e pedir ajuda. Yoongi nunca correu tão rápido como naquele momento, quase não se desviando de galhos em seu caminho. Quando chegou a vila, ele tinha alguns arranhões em seus braços e rosto e estava tão exausto que quase não conseguiu reunir ar para falar.

Os aldeões se reuniram à sua volta, mas por curiosidade do que para oferecer ajuda. Yoongi contou-lhes o que havia acontecido, mas eles não lhe levaram a sério ou deram ouvidos. O chamaram de louco e delirante, houveram até aqueles que sugeriram que ele havia matado Hoseok e inventado toda aquela história como um ardil para encobrir sua culpa.

Ele foi humilhado e rechaçado, a raiva fluiu e borbulhou no seu peito, e ele quis gritar de indignação com os aldeões, mas uma mão enrugada e gentil lhe ajudou a levantar-se o guiou para longe da praça.

A senhora Jung, avó de Hoseok, que criou o neto e acolheu Yoongi quando eles ficaram sozinhos no mundo.

Uma mulher de sorrisos largos e conselhos sábios. Velha e mística, era a ela, a quem recorria o povo quando alguém ficava doente ou uma criança precisava vir ao mundo. Mas a gratidão do povo para com ela era curta e amarga, ela podia ter salvado muitos deles, porém isso não os impedia de tachá-la de bruxa ou louca.

Ela ouviu a história de Yoongi com um rosto solene, apenas evidenciada por uma ruga de preocupação no franzir de seus lábios. Quando o Min terminou seu relato, lágrimas ameaçavam transbordar dos olhos castanhos da mulher, mas ela apenas as afastou com um balançar de cabeça e levantou-se para olhar pela janela.

— Foi para lá que eles o levaram. — Ela apontou para uma montanha, uma elevação colossal que se avultava no horizonte, tão grande que podia ser avistada por vários quilômetros. A montanha de Jiog. — Alguns dizem que ela é sagrada, outros dirão que é amaldiçoada, mas as lendas dizem que é lá que se encontra a entrada do submundo.

— O submundo? — Yoongi indagou. — Por que Hoseok seria levado ao submundo?

— Eu não sei. Mas aquele que você descreveu é um dos habitantes do inferno. Tenho certeza, há figuras como ele pintadas nas paredes do templo, naquelas que nos avisam sobre pecado e suas consequências. Lendas antigas são contadas sobre eles eu mesma já contei para vocês algumas delas.

Yoongi sentiu frio. Sua mente começou a produzir todo tipo de coisa cruel e horrível que poderia estar sendo feita a seu amigo. Ele não era um devoto, não conhecia os deuses, mas todos sabiam das lendas sobre o inferno, desde cedo eram avisados para evitar o pecado e temer a danação eterna que ele traria. Ele conhecia histórias sobre demônios, fogo e enxofre e essas imagens fizeram seus ossos tremerem ao contemplar os horrores que poderiam estar acontecendo com Hoseok.

— Você deve ir até lá, Yoongi. Existe uma caverna que se abre para o submundo. Ache-a e traga Hoseok de volta para nós. — A mulher se afastou da janela e se juntou ao Min, entrelaçando seus dedos quentes nos dele, ela olhou em seus olhos e suplicou. — Por favor… Eu sei que peço muito… Mas o traga de volta.

Ele apenas assentiu, incapaz de falar. Iria ao inferno por Hoseok, sua avó não tinha porquê implorar. Yoongi nunca pensou em outra opção senão essa. Salvar Hobi.

O Min não queria esperar até o próximo amanhecer para começar a sua jornada até a montanha Jiog, mas ele sabia que quase não teria tempo de luz de sol com o avançar do dia. Até que ele reunisse tudo que precisaria para a jornada já seria noite e ele não poderia sair no escuro e correr os perigos que vinham com a noite. Seria muito frustrante começar uma aventura para logo nos primeiros minutos torcer um tornozelo em uma pedra, cair de uma encosta ou ser picado por uma cobra só porque estava muito escuro para que se quer visse onde estava pisando.

Passou todas as frustrantes horas de espera tentando descansar para o que viria e se convencer que ele poderia executar esse plano louco. A ansiedade tomando conta de seu corpo, com uma energia nervosa que tencionava seus músculos e o impedia de ficar parado. Yoongi tentou rezar pedindo ajuda, mesmo que não soubesse as orações ou acreditasse nos deuses, só para recorrer a tudo que podia. Ele sussurrou súplicas noite adentro enquanto lembrava de todos os momentos bons com seu amigo, na esperança de que eles pudessem viver muitos mais.

No fim da interminável noite, assim que os primeiros raios de sol começaram a surgir, ele saiu de sua cabana. Sem estar descansado ou convencido do sucesso de sua missão, ele nunca desistiria de Hoseok e enfrentaria qualquer coisa para conseguir salvá-lo. Ele o amava de todo coração e simplesmente não podia deixá-lo ir assim.

Ele atravessou a floresta às margens do rio, seguindo a direção contrária de sua forte correnteza. Apesar de não ser muito atlético, o Min conseguiu manter um bom ritmo e cobrir mais da metade do caminho até a montanha antes de o sol se pôr, ainda assim lhe frustrava não ter podido ir além.

Quando o céu começou a dar indícios do crepúsculo, Yoongi procurou uma clareira um pouco mais afastada do rio para poder montar acampamento. Não seria sábio estar próximo ao rio à noite com todos os predadores que poderiam ir em busca de água e o exército de mosquitos que se reunia nas margens. Também não seria muito inteligente adormecer sozinho na floresta então ele deveria ficar de vigília, a fogueira poderia fazer um bom trabalho em afastar os animais, além de mantê-lo aquecido, mas Yoongi não queria arriscar sua sorte, e ainda ele não achava que sua apreensão ou ansiedade o fossem deixar dormir.

Então o Min comeu uma porção de seus suprimentos e descansou um pouco, deitado no chão duro enquanto ouvia os sons dos animais noturnos ao seu redor e eventualmente olhando para as poucas estrelas visíveis sob a abóbada de folhas.

Enquanto em sua vigília Yoongi se permitiu visitar todas as suas mais doces memórias com Hobi, seus dias felizes de infância e todas as vezes que seu amigo esteve lá para lhe salvar ou consolar. Hoseok merecia todo o seu esforço. Por seu amor, por ele Yoongi enfrentaria mil vezes a jornada para o inferno. O Min simplesmente não poderia perdê-lo.

Quando o sol começou a subir no horizonte e o barulho dos animais noturnos deu lugar ao chilrear dos pássaros ele retornou a sua jornada, concentrando sua mente e corpo exaustos no caminho a transpor.

O sol já tinha percorrido metade de seu caminho no céu quando Yoongi chegou aos pés da montanha.

A colossal montanha de Jiog se elevava acima das nuvens, sua pedra cinzenta parecia afiada e mortal contra a luz do sol, e o Min temeu pelo que encontraria em seu interior.

O ponto em que se encontrava era muito íngreme para se escalar, mas Yoongi queria adentra-lo, e não o escalar. Então ele andou pela base da montanha até encontrar reentrâncias na pedra pelo qual poderia passar.

As primeiras se provaram becos sem saída, algumas eram abrigos para animais, uma delas cheia de morcegos que se irritaram com sua presença se anuviando sobre sua cabeça para enxotá-lo de seu lar. Em outra ele encontrou o que deveria ser o abrigo de um grande animal, um urso talvez, ele ficou grato que o habitante daquela caverna não estava presente quando Yoongi fez sua pequena excursão por ela, caso contrário, ele temia ter se tornado uma adição a pilha de ossos contra a parede.

Era quase crepúsculo quando ele, enfim, encontrou a entrada que procurava, soube que era a certa assim que pisou em sua entrada. Um arrepio frio subiu por sua coluna e lhe gelou o sangue nas veias, com um ar tão agourento e sobrenatural que até Yoongi, um humano cético, poderia sentir, aquela só poderia ser a entrada para o Inferno.

Ele entrou mesmo que todas as células do seu corpo gritassem para correr, e andou até perder a noção do tempo, poderiam ter se passado minutos ou horas. Quanto mais adentrava a montanha mais o silêncio se ampliava, nenhum sinal de vida ou movimento, e Yoongi estava grato e assustado com isso em igual medida.

Os únicos ruídos eram sua respiração ofegante e o estalar de suas botas nas pedras.

Tropeçando pelo escuro gelado, ele prosseguiu. Mantendo-se próximo à parede, com a mão apoiada na pedra fria, dando passos pequenos, com medo de algum poço invisível que pudesse surgir de repente para lançá-lo à morte certa.

Depois do que pareceu uma eternidade, ele avistou luz, uma luz difusa como se estivesse sido refletida na água com as ondulações do líquido criando padrões dançantes em tons de azul nas paredes calcárias. Ele andou em sua direção, piscando para adaptar os olhos à nova luminosidade.

A fonte da luminescência era uma leve fissura na rocha, que se abria para uma passagem subterrânea grosseiramente escavada, que Yoongi não poderia dizer se eram padrões naturais ou feitos pelo homem (ou qualquer outra coisa), pensou.

A rachadura na caverna era grande o suficiente para que ele se espremesse a fim de passar, felizmente com seu porte magro não teve muitas dificuldades.

Ele seguiu com os ombros espremidos na pedra áspera. Um som de gotejar crescia à medida que ele avançava e na mesma proporção a altura do túnel se encurtava, a ponto de Min ter que se agachar para, finalmente, passar pela abertura da caverna.

Ela se abriu para uma enorme gruta, com paredes curvas como uma cúpula, e um teto tão alto que quase não se podia vislumbrar. Como ele suspeitava havia água naquele lugar, um lago subterrâneo de águas límpidas que irradiava uma luz azul, que Yoongi não conseguiu precisar a fonte, talvez de uma outra abertura onde houvesse uma fenda com luz do sol ou algo parecido. De toda forma ele estava muito cansado para investigar a fundo as origens do brilho misterioso.

Ele nem ao menos percebeu quando se recostou na parede da caverna, só aproveitou o frescor da pedra fria contra a sua pele quente, e todo o esforço que fez nos últimos dias cobrou seu preço. A luz dançante inebriou sua visão e o fez fechar os olhos, o que não lhe custou nenhum esforço visto que suas pálpebras agora pareciam pesar uma tonelada, e então o som do gotejar calmo da água o embalou como uma canção de ninar levando sua mente cheia de preocupações para o mundo dos sonhos.

Quando despertou todo o seu corpo doía como se ele tivesse escorregado montanha abaixo, com um suspiro de dor e um esticar leve nos músculos, Yoongi começou a abrir os olhos, e tomou o que seria o segundo maior susto da sua vida, (Em primeiro deve ser contado como o incidente com criaturas sinistras conjuradoras de fogo e sequestradoras de melhores amigos).

Curvado sobre o seu corpo, agora imóvel de terror, estava uma figura encapuzada usando uma máscara muito semelhante à da criatura que levou o seu amigo. Uma face branca pintada com padrões dourados intrincados ao redor dos olhos e os lábios de porcelana em um sorriso dúbio de lábios cheios.

O mascarado tinha os olhos ocultos pela penumbra da caverna, mas Yoongi sabia que estavam grudados nele, sua cabeça estava inclinada como um gato curioso, o observando atentamente como se estivesse vendo algo muito interessante. Era enervante aguentar o escrutínio, o Min não pode deixar de se remexer desconfortável. Ele não percebeu que estava prendendo a respiração até que a figura recuasse e o desse espaço para levantar.

— Eu exijo que vocês devolvam Hoseok! — Yoongi não se orgulhava de como a sua voz saiu trêmula, e vacilante como a de um adolescente na puberdade, mas ele reuniu todas as suas forças para estar com uma postura mais ereta possível e passar um ar de coragem ao enfrentar a criatura.

A figura mascarada se aproximou novamente em uma velocidade sobrenatural e Yoongi se atrapalhou com os próprios pés, ele apoiou suas duas mãos na parede da caverna encurralando-o. Ele achou que o fosse atacar, e levantando os braços para proteger o rosto, se preparou para o impacto. Um que nunca veio. E então uma risada preencheu a caverna, uma límpida risada crescente que vinha da criatura à sua frente.

Yoongi encarou incrédulo enquanto o ser à sua frente jogava a cabeça para trás em um riso alegre. O movimento fez seu capuz escorregar e revelar uma massa de cabelo cinzenta e de aparência macia, o deslize pareceu o despertar para a situação e o fez se recompor.

— Desculpe — O mascarado diz ainda com o tom de riso em sua voz. — É que eu nunca vi alguém que parecesse tanto com um gato antes.

De tudo que ele esperava sobre essa criatura a sua frente, nada como isso passou pela cabeça de Yoongi. Agora ele suspeita fortemente que o que está sob toda túnica e máscara é apenas um garoto.

Lógico ele não desconsiderara toda cena sobrenatural pintada como o fato de ele estar em uma caverna estranha, dentro de uma montanha que supostamente contém a entrada para o inferno, e trajando o mesmo uniforme sinistro que o raptor do seu amigo que por acaso parecia ter a habilidade de manipular os elementos. Esse ser pode apenas estar vestindo a pele de um garoto de voz macia e melodiosa para o enganar. Então mesmo que o Min possa sentir uma certa aura inocente na figura à sua frente, ele ainda não confiava nele, além disso a criatura acabou de lhe comparar a um felino?

Ao tomar o olhar incrédulo de Yoongi e seu silêncio chocado como um incentivo, o mascarado continua sua divagação de como o Min parece com um gato.

— Você estava aí todo enrolado sobre si mesmo como os gatos quando dormem e depois fez aqueles barulhinhos fofos e a coisa de se esticar exatamente como eles! E você também tem esses olhinhos pequenos, e quando se assustou comigo eles cresceram e ficaram tão engraçados e por um momento eu realmente pensei que você fosse sibilar para mim ou algo assim, mas sua voz é incrivelmente profunda e isso me surpreendeu... e eu não pude deixar de provocar você para que estivesse assustado de novo e fizesse aquela cara engraçada. Eu realmente não aguentei, desculpe.

É uma enxurrada de palavras, Yoongi não achava realmente que a figura a sua frente se quer pegou fôlego no meio de tanta falação. E como um proverbial peixe ele continuava abrindo e fechando a boca ainda muito espantado para dizer qualquer coisa em resposta. Pelo menos em sua misericórdia, o mascarado retirou as mãos da parede e se afastou um passo enquanto falava, deixando com que ele pudesse desgrudar um pouco da pedra fria a qual se pressionou. Incrivelmente Yoongi relaxou, como ele poderia ter medo de um ser como esse? Ele parecia ser só uma coisinha inocente e atrapalhada e o Min nem mesmo conseguia estar ofendido com todas as comparações com um gato.

— Hum... ah... tudo bem, eu acho... eu só... eu hum... quem é você? Ou melhor, o quê? — Yoongi finalmente acha a sua voz, uma coisa vacilante e insegura, mas ainda assim, no fim ele conseguiu formar palavras suficientemente coerentes.

— Oh! Eu sou um guardião — o mascarado diz simplesmente, como se isso respondesse todas as questões de Yoongi. Quando ele recebe somente mais silêncio e um olhar inseguro em troca, porém, o mascarado segue explicando a sua função. — Bem, eu sou responsável por apontar as almas o seu caminho para dentro dos ciclos do inferno e asseguro para que nada além daquelas que estão destinadas a punição possam adentrar no reino das sombras.

— Isso vai ser um problema — Yoongi sussurra. Mas para sua consternação as paredes da caverna ecoam sua voz um pouco mais alta do que ele esperava.

— O que quer dizer? — A postura do guardião muda, sua fisionomia enrijecendo para um modo mais sério do que o que ele já apresentou, e de repente um arrepio sobe pela espinha de Yoongi. É como se de repente ele percebesse a força contida no corpo embaixo daquela túnica escura, e a imagem do garoto flutuante se tornava ameaçadora. Ele juntou toda bravata que pode reunir em si antes de responder:

— Estou aqui para levar o meu amigo de volta.

— Sinto muito por você gatinho, mas nenhuma alma retorna. — O guardião cruzou seus braços.

— Ele não é uma alma. Ele foi sequestrado! — Yoongi dá um passo à frente, a raiva de repente crescendo em seu peito. Subjugando qualquer receio ou senso de autopreservação.

— Isso não é possível! Nós não sequestramos humanos aqui.

— Eu vi com meus próprios olhos. — A voz de Yoongi cresce com a raiva, mas o guardião mascarado nem mesmo recua, ainda parado impassível. — Alguém vestido com essa mesma roupa sinistra que você usa veio até nós e levou o meu amigo. Eu estou aqui para levá-lo de volta.

— Isso não é possível de nenhuma das formas — o guardião diz com um tom de exasperação, Yoongi pode ver a irritação crescendo dentro dele também com a acusação. — Primeiro, não somos sequestradores aqui, já temos muitas almas para dar conta, por que sairíamos pegando humanos por aí? Em segundo, nenhum humano pisa nos domínios do Inferno, nós guardiões estamos aqui para assegurar isso. Além de tudo, não se toma de volta aquilo que o inferno reclamou como seu, então mesmo que seu amigo esteja aqui, ele não poderá sair.

A bravata de Yoongi vacila, ele sente que enfrentou tudo isso em vão. E a ideia de não poder alcançar Hoseok dói tanto em seu peito que quando percebe as lágrimas já transbordaram de seus olhos.

— Você não pode me impedir de chegar até ele — Yoongi sussurra com a voz embargada, ainda assim é uma ameaça cheia de sua força e fúria que faz com que o guardião recue um passo em surpresa.

— Esse é literalmente meu trabalho. Volte por onde você veio e esqueça o seu amigo. Se ele está no inferno, ele não pode retornar. — O guardião lhe dá as costas e começa a andar em direção ao lago brilhante.

— Eu não vou esquecê-lo, eu o amo e estou disposto a fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. Não importa o que — o Min grita para as costas do guardião. O silêncio retumba na caverna. Nem mesmo o gotejar da água pode ser ouvido, é como se tudo estivesse parado no tempo, exceto pelo respirar trêmulo de Yoongi e as vestes do guardião que passaram a tremular sob a força de um vento sobrenatural que o Min não pôde sentir.

— O quanto você o ama? — o guardião pergunta em uma voz plana ainda sem virar-se. Yoongi demora um pouco para encontrar sua voz.

— Eu o amo tanto que estou disposto a descer ao inferno e enfrentar todos os demônios no meu caminho para salvá-lo, porque não posso pensar em perdê-lo e viver sem ele. — O guardião vira-se lentamente para ele, o momento fica suspenso no ar e Yoongi quase pôde sentir o outro pensando.

— Se fosse simples assim todos poderiam vir aqui e arrastar para fora do inferno a alma de algum ente querido ou coisa parecida. O universo cobra seu preço e o inferno também. É preciso se provar merecedor. — A máscara do guardião parece ainda mais solene com as luzes que se projetam em sua face, sua voz torna-se baixa quando ele pergunta a Yoongi. — Ele é mais que um amigo para você, não é mesmo?

— É verdade, estou apaixonado por ele, mas ele não sabe. Se sobrevivermos a isso eu vou finalmente tomar coragem e contar a ele sobre o meu amor.

— Own! Isso é muito lindo, gatinho! — O guardião de repente se anima, ele flutua até Yoongi com uma lufada de vento e o segura pelos ombros. O cabelo loiro e fofo novamente em exibição, os dedos pequenos cheios de anéis lhe segurando firmes pelos ombros. Ele ainda não pode ver nada do rosto do outro por causa da máscara sinistra, mas Yoongi imagina que ele esteja sorrindo embaixo dela. — Eu vou te ajudar porque amo um romance, e também porque estou muito curioso. Você acusa um dos meus irmãos de raptor e quero saber o que realmente aconteceu. Há um jeito para que entre no reino do inferno, mas você deve saber, a jornada não será fácil.

— Imaginava que não seria.

— Você terá que pedir uma audiência ao guardião Mor, então enfrentará os três desafios para se provar digno, sem nenhuma ajuda ou piedade. E saiba, depois que pisar no solo do inferno, sua alma será maculada e você nunca poderá pisar em solo sagrado novamente. Está disposto a fazer isso pelo seu amor?

Yoongi nem mesmo pensa antes que as palavras saltem de seus lábios:

— Sim, eu estou.

— Muito bem gatinho diga as palavras. Proclame seu nome e sua vontade perante ao guardião e veremos se é digno. — Os dedos do garoto mascarado apertam seus ombros em incentivo e Yoongi tem um vislumbre de seus olhos cinzentos e sobrenaturais sob a máscara.

— Eu, Min Yoongi, requisito uma audiência com o guardião mor. — Sua voz se espalhou pela caverna, como se ampliada magicamente pela pedra. Os cristais no teto pareceram brilhar mais e tilintar em resposta ao timbre da sua voz. As vestes do guardião tremulam ainda mais, ele flutua para longe de Yoongi e para perto da água e estende as mãos. Nevoa se forma na superfície do lago e a luz difusa da caverna então se turva, com um outro acenar fluido do pulso a névoa se dissipa e Yoongi pode finalmente ver.

Um grande portal de mármore negro encrustado na pedra, abre-se em um longo túnel, ou o que se pode pensar ser um rio subterrâneo, correndo por dentro da montanha com agua límpida e brilhando de forma sobrenatural. Nas margens onde o Guardião está parado um pequeno bote de madeira, parecendo muito velho e já não tão seguro o espera. Yoongi anda até ele com passos longos e apressados, parando em frente ao Guardião que lhe estende uma mão, o Min a aceita sem hesitar, esperança enchendo o seu peito.

— Eu sou Jimin, Guardião dos portões infernais e guia das almas e aceito ser o seu guia nessa jornada.

~~~~


Notas Finais: Obrigada por lerem!! ° ˖✧◝ (⁰▿⁰) ◜✧˖ ° Espero que tenham gostado do capitulo, me digam o que acharam e quais são suas teorias.

Eu estudei muitas análises de imaginário para construir as próximas cenas, então já peço desculpas desde já pela quantidade de metáforas e descrições viajadas nos próximos capítulos da Jornada do Yoongi. Até o próximo ♡

2 Octobre 2021 22:36:43 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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