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Park Jimin e Min Yoongi são pais solteiros que decidem se inscrever em um curso para papais de primeira viagem. Mas, o que era para ser um simples curso vira uma competição entre os dois e as coisas começam a fugir do controle.



Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

#yaoi #yoongi #jimin #yoonmin #papais #sugamin #minimini #suji #2min #minmin #2minpjct #yoonmin-flex
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Capítulo Único

Escrito por: Erami /Erami4


Notas iniciais: Oi, pessoas!
Queria agradecer a @peartae /peartae pela capa e a @YinLua /@YinLua pela betagem!
E um agradecimento especial a @andygmin que doou esse plot fofinho!


~~


Curso Papais de Primeira Viagem

Ser pai ou mãe pela primeira vez pode ser assustador, mas não se preocupe. Nossa rede de cursos conta com uma experiência completa, teórica e prática, para aqueles que se interessam por saber mais sobre essa nova fase da vida, oferecendo todo o suporte para a sua família.

Nosso curso Papais de Primeira Viagem tem como objetivo ensinar cuidados gerais com os pequenos, para que os papais inscritos estejam aptos a atender todas as necessidades de seus bebês.

Caso deseje mais informações, entre em contato conosco!

Jimin respirou fundo, olhando para o panfleto em suas mãos com curiosidade enquanto subia no elevador. Mentalmente, ele considerava se tinha sido uma boa ideia ou não o manter.

Havia recebido o informativo quando passou por uma moça, no mercado. A mulher o viu todo atrapalhado, tentando andar pelo lugar com um carrinho de compras, e reparou no bebê, o qual babava na roupa dele, amarrado no corpo de Jimin pelo sling.

— Conheço um lugar ótimo se você estiver precisando de ajuda — disse ela, logo que se aproximou e eles conversaram rapidamente. — Meu marido e eu estamos fazendo um curso para gestantes e estamos achando incrível.

Momentos depois, Jimin tinha o bendito panfleto em mãos e ele se perguntou o quão desesperado ele aparentava estar para uma estranha chegar em si dessa forma, em uma saída rápida para comprar comida.

— Eu estou muito bem lidando com tudo sozinho, obrigado — murmurou, já dentro do seu apartamento.

Revirando os olhos, Jimin colocou o panfleto sobre a mesa de qualquer jeito antes de ir até a cozinha colocar suas compras em cima do balcão.

— Estamos ótimos, não é, Taehyung?

Seu neném o olhou, como se estivesse interessado na sua voz, e Jimin sorriu, passando os braços ao redor do sling para abraçar o corpinho pequeno do seu filho.

— A mamãe foi embora, mas eu estou me virando bem, não é, Taetae?

O menino fez uma careta, ficando repentinamente sério, e Jimin franziu a testa.

— O que foi? Não concorda com o papai? — perguntou, sem entender a mudança de expressão repentina de Taehyung. — Espera um pouco… você geralmente faz essa carinha quando… Ah, meu deus, por favor não faz xixi no sling, Taehyung!

Como se quisesse mostrar a Jimin que nada seria tão fácil, Taehyung fez exatamente o contrário do que lhe foi pedido, sorrindo e mostrando as gengivas com poucos dentes, assim que terminou.

Jimin sentiu algo quente molhando suas roupas, visto que seu bebê e ele estavam amarrados um ao outro pelo sling, e teve vontade de chorar por estarem cobertos com o xixi de Taehyung.

— Que merda… Até você me acha um péssimo pai, não é? — perguntou tristemente, mas arregalou os olhos em seguida. — Merda, eu falei merda na sua frente!

Jimin levou as mãos até os ouvidos do menino, cobrindo-os.

— Não escuta o papai, Tae. O papai é muito burro e não percebe o que fala.

Como se achasse graça do jeito desesperado de Jimin, Taehyung tentou imitá-lo:

— Me… da…

— Não, filho. Não.

— Meda — repetiu Taehyung.

— Para de falar merda, Taehyung.

— Meda

— Porr-

Jimin se interrompeu, antes de soltar um palavrão, e seus olhos se arregalaram.

— É melhor o papai calar a boca, não é? — perguntou e Taehyung riu. — Você não pode aprender essas coisas. Quase completando dois aninhos e já quer dar uma de sabichão. Mas você ainda é muito novo pra isso, criança.

Indo até o quarto do menino, Jimin deixou o sling sujo de lado, retirando a roupa e a fralda molhada de Taehyung de maneira desengonçada.

Ainda pensando no panfleto que havia deixado na mesa da sala, Jimin suspirou.

— Acho que eu preciso de ajuda. Eu queria não precisar, mas acho que eu não sou tão bom nisso.

Taehyung parecia alheio ao que Jimin falava, chutando com a perna gordinha como se isso fosse a coisa mais divertida do mundo.

De certa forma, admitir que precisava de ajuda era difícil para Jimin. Na sua cabeça, seria uma forma de reconhecer o seu fracasso, por mais que ele soubesse que não era bem assim.

No entanto, a voz da sua mãe ecoando na sua cabeça e dizendo “eu te avisei!” era um lembrete constante de que ele ainda era péssimo em se virar sozinho, por mais que amasse Taehyung com todo o seu coração.

Quando terminou com a sua namorada, poucos meses depois de Taehyung nascer, Jimin ficou só. Sua ex nunca quis exatamente ser mãe, apesar de ter ficado ao seu lado nos primeiros dias após o parto. Mas, após engravidar por acidente, as coisas só desandaram entre Jimin e ela.

A mulher tinha sonhos e isso não incluía formar uma família com Jimin. Felizmente, mesmo com o término, ambos decidiram continuar como amigos pelo bem do filho dos dois.

Quando ela recebeu uma proposta de emprego em outro estado e eles precisaram decidir com quem Taehyung ficaria, entretanto, foi natural que ele ficasse com Jimin. Como jornalista, ele podia trabalhar em home office e isso ajudaria, pois poderia estar com Taehyung ao longo do dia.

Dessa forma, o acordo que se estabeleceu entre ele e sua ex-namorada foi que Taehyung ficaria com o pai e veria a mãe apenas uma vez por mês, nos dias que ela viajasse para Seul para encontrá-lo.

No entanto, a mãe de Jimin não gostou nada da ideia de seu filho cuidando de uma criança sozinho e demonstrou desde o início que achava que ele não conseguiria.

Agora, isso retornou a sua cabeça e Jimin se perguntava se buscar um curso para aprender a ser um pai melhor era um sinal de que sua mãe estava certa. Ele esperava que não.

Seria capaz de cuidar de Taehyung e faria o melhor para o seu bebê. Tudo isso, na verdade, seria apenas por ele.

[...]

Ajustando seu filho no bebê conforto, Yoongi suspirou.

— Você está ficando grande, hein, garotão? Daqui a pouco vou precisar comprar uma cadeirinha.

Reparando que Jungkook havia dormido, Yoongi sorriu, lançando um último olhar para seu filho antes de entrar no carro.

Pegando o celular para colocar o endereço que queria no GPS, Yoongi viu uma mensagem.

Hoseok: Você vai se inscrever no curso de papais, não vai?

Hoseok: Não adianta fugir dessa vez, Min Yoongi!

O homem bufou antes de responder.

Yoongi: Sim, eu vou

Yoongi: Não é como se eu possuísse muita escolha quando você enche o meu saco sobre isso faz dias…

Hoseok: Você ainda vai me agradecer. Esse curso me ajudou muito quando os gêmeos nasceram. Hayun está de prova. Pode perguntar a ela

Yoongi: Eu não preciso perguntar a sua esposa. Sendo verdade ou não, você vai me obrigar a fazer esse curso de todo jeito, não é?

Hoseok: Que bom que sabe

Hoseok: Mas não se preocupa, Yoon. Isso vai até aproximar você e o Jungkook. Você vai ver. Você sempre se queixa que ele não gosta de ficar no seu colo

Yoongi: Hum

Hoseok: Sabe que eu tenho razão, não sabe?

Yoongi: Tchau

Hoseok: Boa sorte, papai rsrs

Frustrado por saber que seu melhor amigo estava certo — mesmo que não fosse admitir isso em voz alta —, Yoongi se impediu de desistir, dirigindo até o local onde aconteceria o curso Papais de Primeira Viagem.

Chegando lá, retirou um Jungkook sonolento do bebê conforto, sorrindo quando ele se aninhou em seu peito.

O menino o estranhava, acostumado a ficar com a mãe desde muito novo, e estava sempre chorando pelo mínimo motivo. Era como se Jungkook considerasse Yoongi um desconhecido.

Tendo sido fruto de um caso de uma noite em uma boate, Jungkook não conviveu com Yoongi nos seus primeiros meses. Na verdade, Yoongi sequer sabia da existência de Jungkook até a mãe dele bater na sua porta com uma criança de colo nos braços, dizendo-lhe que era seu filho.

A mulher estava desesperada, sem ter condições de criar Jungkook, e o implorou para que ficasse com ele.

Yoongi, é claro, aceitou o filho de braços abertos, mesmo que a mãe do garoto houvesse sumido duas semanas depois de entregar-lhe Jungkook.

Agora, já se passara um mês desde que recebeu Jungkook e, mesmo que para o garoto de um ano fosse difícil se apegar a alguém novo, para Yoongi, Jungkook já era tudo. Dessa forma, seu coração doía sempre que Jungkook chorava por estar em seu colo.

Por isso, Yoongi sempre aproveitava os momentos em que ele estava com sono e se agarrava na sua roupa. Era o único momento em que se sentia realmente próximo do seu filho.

Era por essa razão também que sabia que precisava tomar alguma atitude e ser um pai melhor para Jungkook. Tinha fé que, com o tempo, o seu bebê ficaria mais confortável na sua presença.

— Bom dia, senhor. No que posso ajudá-lo? — questionou a recepcionista, assim que entrou no prédio que Hoseok lhe disse por mensagem.

— Estou aqui para o curso Papais de Primeira Viagem. Hoje é a primeira reunião — admitiu, meio envergonhado, e Yoongi percebeu que a mulher olhou com interesse para o menino em seus braços. — Eu não sei onde fica a sala, na verdade...

Assentindo, a mulher sorriu para tranquilizá-lo, pois o desconforto de Yoongi era aparente.

— É a última porta. No final do corredor — falou.

Yoongi agradeceu antes de seguir para a direção indicada.

No caminho, ele viu que existiam janelinhas de vidro em cada porta ao longo do corredor e, do lado de dentro de cada cômodo, ele viu diversas pessoas.

Em algumas salas existam casais, estivessem eles com crianças ou não; em outras, apenas mulheres; assim como havia salas apenas com homens. Tudo muito bem organizado dependendo do público-alvo para o qual cada curso estava organizado. Na sala que Yoongi entrou, ele percebeu que havia outros pais solteiros, todos eles com crianças de até 3 anos de idade.

De repente, Yoongi sentiu um peso sair dos seus ombros. Ele não era o único passando por algo assim. Ele se sentiu… normal.

Sentando-se em uma das cadeiras disponíveis, com Jungkook em seu colo, Yoongi esperou até que o palestrante do curso entrasse na sala.

— Bom dia, eu me chamo Kim Seokjin e estarei com vocês todo sábado a partir de hoje.

Assim que o homem anunciou sua presença, ele olhou para todos de maneira simpática, dando orientações básicas sobre o curso aos inscritos, e Yoongi escutou tudo atentamente no seu canto.

No entanto, em algum momento, Yoongi sentiu sua camisa sendo puxada.

Olhando para baixo, viu Jungkook de olhos abertos, olhando para o chão com interesse.

Sabendo o que ele queria, colocou o garoto sentado no chão, abrindo a bolsa que havia deixado ao lado da sua cadeira para pegar a miniatura de um dinossauro e entregá-la ao filho. Aquele era o brinquedo favorito de Jungkook. O menino sorriu, distraído com o objeto.

Não muito tempo depois, Seokjin terminou de falar as orientações acerca do início do curso e pediu para que cada um se apresentasse.

Mas, antes que a primeira pessoa pudesse falar, a porta do lugar se abriu e um homem ofegante passou por ela. Junto com ele, uma criança que deveria ter no máximo dois anos segurava a mão dele.

Yoongi reparou nos fios castanhos desalinhados, parecendo bagunçados pelo vento, e assistiu o homem os jogando para trás, deixando o rosto vermelho mais visível.

— Sinto muito pelo atraso! — disse, e Yoongi arqueou a sobrancelha.

Aquela era a primeira reunião dos inscritos no curso e o homem já havia chegado atrasado e parecendo que havia corrido uma maratona. Yoongi o achou desleixado em suas roupas simples e casaco de capuz. Ele contrastava e muito com a imagem de Yoongi, que ainda vestia uma camisa de botão e uma gravata, tendo recém-saído de uma reunião com um cliente.

Yoongi baixou os olhos, vendo a criança ao lado dele, e reparou no olhar arteiro do menino, o qual se soltou do pai para correr pela sala.

— Cuidado, Taehyung! Assim você vai cair! — reclamou o rapaz, parecendo envergonhado com todos os olhares voltados para ele. — Mais uma vez, sinto muito por chegar agora.

Seokjin sorriu para ele, tentando aliviar o desconforto do homem.

— Não há com o que se preocupar. Você ainda chegou antes das apresentações, senhor… — Seokjin esperou o homem completar sua frase.

— Park. Park Jimin — falou, fazendo uma reverência em seguida antes de procurar um lugar para se sentar.

Infelizmente, para a infelicidade de Yoongi, o único lugar disponível era ao seu lado.

Estava isolado ali porque não gostava de conversar com ninguém e, de mesmo modo, Jungkook havia puxado seu lado introvertido, porque também não queria interagir com as outras crianças enquanto os adultos conversavam.

No entanto, agora Park Jimin estava se sentando ao seu lado e, não muito tempo depois, o filho agitado dele também se aproximou, olhando com interesse para Jungkook.

Yoongi temeu que isso fizesse Jungkook chorar, pois o menino não estava acostumado a estar em ambientes tão cheios, mas seu filho estava suficientemente distraído com seu dinossauro de brinquedo para se importar com as duas novas presenças.

Yoongi soltou um suspiro aliviado, desviando o olhar de Jungkook para voltar a prestar atenção no que Seokjin falava.

— Já que agora estamos todos aqui, podemos começar as apresentações. Eu quero ouvir o que levou vocês a se interessarem pelas aulas e o que imaginam que irão aprender ao longo do curso — disse o palestrante. — Senhor Park, já que foi o primeiro a dizer seu nome, por que não começa?

Yoongi olhou para o lado, fitando o homem que ainda parecia meio sem fôlego, e esperou a resposta dele.

— Bom, sendo bem sincero, eu vi o panfleto e pensei em me inscrever. Mas ainda estou inseguro se seguirei o curso até o final. Eu apenas estou um pouco… perdido — admitiu ele, suas bochechas fervendo, e Yoongi se perguntou se era devido ao quanto ele havia corrido, por estar atrasado, ou se era de vergonha.

— Tudo bem. Eu sei como é essa sensação. Também me senti perdido logo que tive o meu primeiro filho — falou Seokjin, e Yoongi percebeu que ele sempre fazia de tudo para que todos na sala ficassem à vontade. — Tenho certeza que muitos aqui se sentem da mesma forma, mas não se preocupem, estou aqui para ajudar cada um de vocês.

Jimin, pelo que Yoongi descobriu que ele se chamava, sorriu para Seokjin.

Depois disso, gradativamente todos se apresentaram e até mesmo Yoongi, quando chegou a sua vez, não se sentiu julgado por contar o que havia o levado até ali.

De certa forma, o ambiente era realmente acolhedor.

Até aquele momento, Yoongi se sentia um péssimo pai por Jungkook não gostar de ficar consigo, mas ouvir a história de outras pessoas com os mais diversos problemas o ajudou a perceber que, na verdade, nenhuma família é totalmente perfeita.

Seokjin falava de maneira calma e confiante e, no final da reunião, Yoongi estava seguro de que poderia trabalhar na sua relação com Jungkook até o final do curso.

O tempo voou e ele notou que Hoseok estava certo. Realmente foi uma boa escolha ir até esse lugar.

O curso nem havia começado, mas Yoongi já se sentia melhor. Para ele, a possibilidade de melhora finalmente existia.

[...]

— E então, como foi o curso?

Dois dias depois, Yoongi estava na frente da casa de Hoseok às sete da manhã. Seu amigo o olhava com um sorriso presunçoso nos lábios e Yoongi bufou.

— Não foi tão ruim quanto eu esperava… — admitiu, num fio de voz, mas ainda assim Hoseok o ouviu.

— Escutou, amor? — Hoseok virou a cabeça para dentro de casa. — Yoongi gostou do curso!

Uma risada ecoou assim que os dois homens e Jungkook — no colo de Yoongi — entraram na casa.

— Eu sabia que você acabaria gostando, Gi — disse a esposa de Hoseok, assim que saiu da cozinha para cumprimentar Yoongi. — Oi, Kookie!

A mulher sorriu, indo até o garoto nos braços de Yoongi.

— Preparado para brincar com a tia Yun hoje?

Vendo a maneira carinhosa como Hayun olhava para seu filho, Yoongi se sentiu grato por não estar sozinho.

Descobrir que tinha um filho tão repentinamente havia sido um choque, mas ao menos ele tinha seu melhor amigo e a esposa dele, os quais o acolheram tão bem, ficando com Jungkook nos momentos em que ele precisava resolver algo.

Por sorte, Hayun não trabalhava e se oferecia para ajudar sempre que possível.

— Eu prometo que volto logo. Preciso visitar o apartamento do meu cliente novo hoje. Ele vai se mudar e quer reformar o local, mas eu acredito que não vou demorar — disse Yoongi, suspirando quando entregou Jungkook a Hayun.

— Não se preocupe. Não é sacrifício algum ficar com o Kookie. Além disso, os gêmeos o adoram.

Yoongi sorriu com a menção aos filhos de Hoseok.

Por algum motivo desconhecido, por mais que Jungkook não gostasse de interagir com quase ninguém, ele havia se dado bem com toda a família Jung, principalmente com o casal de gêmeos de quatro anos de idade.

— Eu volto em breve, filho — falou, mas Jungkook nem sequer virou o rosto na sua direção.

Yoongi tentou não se magoar com isso, mas era difícil. Seu coração sempre se apertava com a rejeição de Jungkook.

Hoseok percebeu a maneira como seus ombros se encolheram.

— Bom, então é isso. Vou chamar os gêmeos para levar os pestinhas para a escola — disse, tentando quebrar o silêncio que se instaurou no local.

— Jung Hoseok, não chame os nossos filhos de pestinhas — reclamou Hayun, rindo.

Yoongi se despediu deles e foi trabalhar.

Era apenas segunda-feira e ele já se sentia acabado.

No entanto, a lembrança da primeira reunião do curso de Papais de Primeira Viagem se passou por sua cabeça e ele se permitiu ter esperança.

Tudo iria melhorar.

[...]

Sábado à tarde, Jimin acordou Taehyung do seu cochilo antes das três da tarde.

A primeira aula do curso começava às quatro horas e, dessa vez, ele não queria chegar atrasado.

Taehyung era todo preguiçoso quando dormia e levava bons minutos para despertar, razão pela qual eles chegaram atrasados da última vez. Sabendo disso, Jimin tentou acordar o filho mais cedo, de maneira que, faltando dez minutos para a hora do curso, os dois já estariam no outro prédio.

Infelizmente, não foi tão fácil quanto previu e Jimin ainda entrou na sala com cinco minutos de atraso; no entanto, já se sentiu vitorioso. Quem sabe daqui a duas semanas ele conseguisse chegar no horário certo.

Vendo que todos já estavam lá dentro, Jimin olhou ao redor da sala em busca de um lugar vazio. Foi quando avistou o mesmo homem que havia ficado ao seu lado na semana passada.

Tentou forçar a memória e lembrar o nome dele, mas foram tantas apresentações que havia ficado confuso. Mas, se não estivesse enganado, era algum nome que começava com Y.

O homem estava, assim como da última vez, impecável, e Jimin se perguntou quem diabos ia para um curso onde eles aprenderiam a melhor maneira de trocar fraldas, fazer papinha de bebê, entre outras coisas, tão engomadinho e de roupa social.

Jimin lançou um olhar para o Rolex no pulso do homem e conteve sua vontade de continuar o encarando. O homem deveria ser rico. No mínimo, era alguém muito bem de vida para usar roupas aparentemente tão caras.

Sentando ao lado dele, Jimin não pôde deixar de se sentir desleixado, mas, sinceramente, não se importava. Havia lutado para acordar Taehyung e não estava com a mínima vontade de se arrumar apenas para um curso semanal, então, colocou a primeira calça e camiseta folgada que encontrou no guarda-roupa.

— Perdi algo importante? — perguntou, logo que se sentou ao lado do "engomadinho", como apelidou mentalmente por não lembrar do nome dele.

O homem ergueu a sobrancelha, como se estivesse surpreso por ter alguém se dirigindo a ele.

— Você saberia se não continuasse chegando atrasado — falou, e Jimin não conseguiu acreditar que ele havia respondido com tamanha grosseria.

— Olha aqui… — Apertou os olhos, tentando lembrar o nome do homem, mas no final apenas chutou algo, esperando que estivesse certo. — Yoonbi, o que custa me responder?

— Yoonbi? — O homem riu. — Meu nome é Yoongi, idiota.

— Tanto faz. — Jimin deu de ombros, já não gostando nem um pouco dele. — Ainda te achei desnecessário. Além disso, não fale que eu continuo atrasado quando eu só me atrasei duas vezes.

— Nós só tivemos duas aulas, por isso você só atrasou duas vezes — retrucou, vendo o rosto de Jimin ficar vermelho em seguida.

— Quer saber? — Jimin virou o rosto. — Eu nem queria sua ajuda mesmo.

Decidido a focar sua atenção em Seokjin, Jimin ignorou a presença de Yoongi ao seu lado.

Quem aquele homem pensava que era?

Jimin só conseguia imaginar como agiria na próxima semana. Faria questão de chegar cedo apenas para esfregar na cara de Yoongi que poderia muito bem não se atrasar.

[...]

— Merda, estou atrasado!

Uma semana depois, correndo com Taehyung no seu colo, Jimin sentiu raiva de si mesmo por ter se deixado levar pela carinha de sono de Taehyung. Mais uma vez, seu filho havia dado trabalho para acordar, sempre tão acostumado a seu cochilo depois do almoço.

Percorrendo todo o caminho do seu prédio até o curso a pé, já que morava a apenas alguns quarteirões do local, Jimin chegou a sala do curso esbaforido.

A primeira coisa que avistou foi o olhar presunçoso de Yoongi.

Ironia do destino ou não, o único lugar vazio era ao lado dele, como das outras vezes.

Colocando Taehyung no chão, Jimin se preparou para ouvir alguma provocação assim que se sentou.

Obviamente, não demorou muito para escutar a voz debochada de Yoongi.

— Sabia que você iria se atrasar — falou, o que fez Jimin revirar os olhos.

— Idiota… — murmurou baixinho.

— O que disse? — Yoongi sorriu, divertindo-se com seu mau humor.

— Nada, Yoonbi — falou o nome errado, apenas para ver uma carranca tomar conta do rosto alheio.

No entanto, Yoongi pereceu pensar em algo, pois logo voltou a sorrir daquele jeito que Jimin achava irritante.

— Se você vai me chamar de Yoonbi, eu devo te chamar de Jibin?

Jimin apertou os olhos.

— Não ouse.

Depois disso, Jimin parou de chamar Yoongi de Yoonbi.

Mesmo que quisesse continuar brigando, não poderia, porque Seokjin logo se aproximou dos dois para explicar a dinâmica da semana.

Desde o segundo dia de reunião, a sala se dividiu em duplas e, gostando disso ou não, por Yoongi ser a única pessoa com quem interagia ali, Jimin sempre acabava emparelhado com ele.

Não que fosse falar isso para o outro rapaz; mas, de um jeito bem idiota, até que estar com Yoongi o motivava. Isso porque o outro rapaz era tão irritante que Jimin queria provar para ele que podia, sim, ser um bom pai e um adulto responsável.

Do outro lado, o mesmo aparentava acontecer com Yoongi, pois ele ficava tão compenetrado quanto Jimin, até mesmo em uma atividade simples como nas aulas sobre sono infantil, onde eles aprenderam técnicas para ajudar os filhos a dormirem melhor.

Assim, a competição de qual dos dois iria se sair melhor ao longo do curso acabou sendo um combustível a mais para que eles cumprissem todas as dinâmicas e atividades propostas por Seokjin.

Com o passar das semanas, Yoongi percebeu, inclusive, que seu filho estava se acostumando com o ambiente, brincando com o filho de Jimin nos intervalos de recreação.

No entanto, mesmo que sempre estivessem juntos, nada disso contribuiu para a diminuição das provocações trocadas entre os dois.

Certo dia, estavam ambos sentados no chão da sala, antes de Seokjin entrar no cômodo — Jimin finalmente havia chegado cedo pela primeira vez —, observando seus filhos se divertirem juntos.

Jungkook havia deixado Taehyung brincar com sua miniatura de dinossauro, mas, assim que se sentiu entediado, pegou o brinquedo de novo.

Um bico surgiu nos lábios de Taehyung.

— Me… da — falou ele.

Jimin sentiu suas orelhas ferverem, lembrando-se do episódio na sua cozinha onde Taehyung o escutou xingando e começou a imitá-lo.

— O que ele disse? — Yoongi franziu a testa.

Jimin riu nervosamente.

— Não foi nada. Você sabe como eles são. Às vezes saem umas coisas sem sentido.

Taehyung, no entanto, não facilitou para o seu pai.

— Me… da — repetiu. — Me… da. Meda. Meda.

"Seu moleque boca suja!", Jimin o repreendeu mentalmente, sorrindo amarelo para Yoongi. "Me envergonhando na frente do engomadinho idiota."

Taehyung continuou repetindo a bendita palavra, até que os olhos de Yoongi se arregalaram.

— Você ensinou seu filho a xingar?!

— É claro que não! — Jimin riu, sem graça. — Você é burro? Ele apenas está falando… — Jimin tentou pensar em uma desculpa. — "Me dá", é isso! Ele quer o dinossauro, não é, Taetae?

Taehyung fez um careta, e Yoongi não pareceu muito convencido.

— Por que será que não acredito muito em você?

— Porque você é burro, Yoonbi.

Taehyung olhava de um para o outro, achando a discussão interessante, e tentou repetir:

— Yo… bi… Yobi. Yoonbi.

O queixo de Yoongi foi ao chão.

— Eu te odeio. Você ensinou o seu filho a me chamar de Yoonbi! — murmurou, indignado, o que provocou risos em Jimin.

— Taetae, você é tão inteligente! — Jimin passou a mão no cabelo do garoto, bagunçando-o. — Fala com o papai: Yoonbi. Yoonbi.

— Yoonbi. Yoonbi. Yoonbi — repetiu Taehyung, de maneira irritante, e Jimin gargalhou.

— Você está falando tudo errado. É Yoongi, criança — reclamou Yoongi e, seja por sua cara fechada ou por seu tom de voz indignado, Taehyung soltou uma risada nasal.

— Yoon… bi.

— Seu filho é igualzinho a você. Impressionante — resmungou, olhando para Jimin de canto de olho.

No entanto, antes que Jimin pudesse replicar, uma vozinha diferente, mais infantil do que as outras, o interrompeu.

— Yobi.

Todos olharam para Jungkook, chocados, e Yoongi sentiu seu coração acelerar.

Aquela era a primeira vez que escutava seu filho falando.

— Yobi.

Jungkook continuou repetindo, sorrindo de um jeito que deixou toda sua gengiva de fora, e Yoongi sentiu seus olhos molharem, sem acreditar que essa foi a primeira vez que o escutou falar.

Mesmo que de uma maneira distorcida, a primeira palavra do seu filho havia sido o seu nome. Isso o fez sentir que estava evoluindo lentamente.

De repente, Yoongi não odiava mais ser chamado de Yoonbi.

Jimin percebeu que Yoongi havia se calado e resolveu não comentar mais nada, sorrindo de lado antes de voltar a brincar com Taehyung.

Por mais que não soubesse muito sobre a vida de Yoongi, conviver com ele por algumas horas toda semana fez com que Jimin o conhecesse ao menos um pouco.

Jimin sabia como era o Yoongi irritado, o Yoongi entediado, o Yoongi competitivo e empolgado e, por algum motivo, isso apenas parecia maior do que algo superficial.

Mais do que tudo isso, Jimin conhecia o Yoongi pai, e isso foi o suficiente para notar o quão emocionado ele havia ficado por ver Jungkook sorrindo e interagindo com outras pessoas.

Seu rival do curso de papais poderia ser chato como for, mas Jimin sabia que, no fundo, Yoongi era um bom pai.

[...]

— O que é esse sorriso no seu rosto?

Yoongi não percebeu que estava sorrindo até Hoseok chamar a sua atenção.

Era sexta-feira à noite e Jungkook e os gêmeos estavam brincando no chão da sala enquanto os adultos, sentados à mesa, bebiam algumas cervejas para aproveitar a chegada do final de semana.

— Eu estou sorrindo? — perguntou franzindo a testa, olhando de Hoseok para Hayun.

— Sim. Mais do que o normal — confirmou Hoseok.

Yoongi deu de ombros.

Percebendo o silêncio dele, Hayun mudou de assunto:

— E como vai o curso de pais?

Sem que isso passasse despercebido para os dois adultos, o sorriso de Yoongi aumentou antes que ele respondesse.

— Vai bem. Acho que finalmente estou evoluindo com o Kookie.

— Isso é bom… — considerou Hoseok, mas ele ainda não estava satisfeito com as respostas curtas de Yoongi. — E como é o pessoal lá?

Yoongi tomou mais um gole da sua cerveja, olhando para o tapete da sala apenas para conferir se tudo ainda estava bem com Jungkook.

— Eu falei que não falo com quase ninguém — respondeu.

— Ah, sim, eu lembro. Você mencionou que só interagia mais com a sua dupla durante as atividades. Qual o nome dele mesmo?

Yoongi piscou os olhos, lembrando-se do jeito como ele e o outro rapaz do curso de papais sempre implicavam um com o outro.

— Park Jimin… — falou, não conseguindo evitar recordar-se do homem. — Ele é tão, tão irritante. Conseguem acreditar que ele ensinou o filho dele e o Jungkook a me chamarem de Yoonbi?

No entanto, por mais que estivesse reclamando, o sorriso de lado de Yoongi deixava claro que ele não ficou realmente bravo com isso. Pelo contrário, agora, ele até se divertia ao lembrar do incidente.

— Ele ama me provocar e agir como se fosse o melhor pai do curso. É um grande convencido. Me pergunto qual vai ser a gracinha que o idiota vai inventar para amanhã…

Hoseok não segurou a vontade de sorrir, ganhando um olhar confuso de Yoongi no processo.

— Posso saber qual é a graça? — questionou.

Hoseok ainda riu mais um pouco antes de responder.

— A graça é que você fala dele como se realmente gostasse do Jimin. Só que eu acho que você nem sequer reparou isso. Aposto que serão bons amigos.

Yoongi franziu a testa, sem dar muita importância para a opinião de Hoseok.

— Não seja bobo. Eu não suporto o Jimin. A gente só faz brigar durante as aulas.

Hoseok não pareceu colocar muita fé em suas palavras.

— Eu te conheço desde que éramos adolescentes, Yoongi. Eu consigo ver que, ao menos um pouco, você gosta da companhia dele. Você sempre está ansioso pelo sábado.

— Por causa do Jungkook — retrucou, sem querer dar o braço a torcer.

— Eu sei que o principal motivo é o Kookie — ponderou Hoseok. — Mas eu sei também que toda essa sua competição com o Jimin tem te motivado a ir para o curso. Admita.

Yoongi riu.

— Acredite no que quiser, Seok.

Naquela noite, após combinar com Hoseok e Hayun que dormiria na casa deles, já que havia bebido, Yoongi foi com Jungkook para um dos quartos.

No entanto, ele não conseguiu dormir direito, as palavras de Hoseok ainda estavam presas na sua cabeça.

[...]

Assim que entrou no quarto de Taehyung, no sábado, Jimin se surpreendeu ao vê-lo acordado, dentro do berço.

Jimin já estava preparado mentalmente para passar bons minutos tentando acordar o menino para ir até o curso; no entanto, seu bebê já parecia completamente desperto quando o carregou.

— O que aconteceu com você, Taetae? Finalmente está se acostumando a acordar mais cedo? — Jimin riu, colocando Taehyung no chão. — Você também quer esfregar na cara do Yoonbi que conseguimos chegar cedo?

— Gukkie — balbuciou o menino e Jimin arqueou a sobrancelha.

— Ok, eu já entendi. Você quer brincar com o amiguinho, não é? Tudo bem, eu não julgo. O Jungkook é realmente fofinho. Nem parece que é filho daquele engomadinho. — Jimin deu de ombros, antes de sussurrar algo no ouvido de Taehyung. — Lembre de ensinar o Jungkook a continuar chamando o papai dele de Yoonbi, filho. Conto com você.

Taehyung riu, passando os braços ao redor do pescoço de Jimin para deitar o rostinho no pescoço do pai.

Depois de arrumar Taehyung, Jimin caminhou até o prédio do curso com calma, estranhando não precisar correr como das outras vezes.

Mesmo que não entendesse ao certo o porquê, ultimamente, Jimin se sentia ansioso pelo sábado e, toda vez que ele estava prestes a passar pela porta da sala de aula, seu coração acelerava um pouco.

No entanto, seu sorriso foi morrendo assim que ele entrou e percebeu que foi o primeiro a chegar.

Um bico tomou conta dos seus lábios e Jimin colocou seu filho no chão, reparando que Taehyung estava com uma expressão igualmente frustrada por não ver ninguém.

— Não que eu queira ver o engomadinho, longe de mim — Jimin falou sozinho. — Mas desde quando aquela criatura se atrasa?

Como se soubesse que estava falando dele, Yoongi surgiu de repente, abrindo a porta da sala.

— Falando de mim, Jimin-ah? — perguntou o homem, e Taehyung gritou de empolgação quando o viu, agarrando-se aos pés de Yoongi antes de esticar as mãozinhas para cima.

— Gukkie!

Jimin assistiu Yoongi colocar Jungkook sentado, ao lado de Taehyung, e morreu de amores com a visão do seu filho abraçando o amiguinho.

— É impressionante como eles se deram bem, não é? — murmurou Yoongi, igualmente vidrado na cena. — Acho que o Taehyung é a primeira criança com a idade próxima da dele com quem o Jungkook consegue interagir…

Jimin assentiu, sorrindo quando Jungkook, que estava com dois dinossauros na sua mão, ofereceu um a Taehyung.

— Sim. O Taetae adora o Gukkie. Quando estamos em casa, ele sempre pergunta por ele — confessou, ganhando um olhar interessado de Yoongi. — Seu filho é um amorzinho sabia? Pena que o pai é um chatão.

Yoongi riu, sem se afetar com o jeito como Jimin apertou os olhos na sua direção.

— Falou o homem que ensinou o filho a me chamar de Yoonbi.

Jimin cruzou os braços, o bico de antes voltando a sua boca.

Sem saber o motivo disso, o olhar de Yoongi foi atraído para ele, e Yoongi engoliu em seco antes de desviar a vista do biquinho que Jimin fazia.

— Você mereceu. Sempre foi grosso comigo, Yoonbi.

Yoongi bufou, focando no quão irritante achava que Jimin era para não pensar muito no motivo pelo qual sentiu tanta vontade de olhar para a boca dele.

Repentinamente, o que Hoseok havia o dito na noite anterior, sobre ele apreciar a companhia de Jimin, no fundo, voltou a sua mente e ele tentou espantar esses pensamentos.

— E você sempre foi meio desastrado. Além de chegar atrasado — murmurou, virando o rosto para a parede a fim de que Jimin não visse como suas bochechas esquentaram com o tipo de coisa que se passava por sua cabeça.

— Por Deus, você é insuportável! Maldita hora que nos tornamos duplas nesse curso e o meu filho ficou amigo do seu! — reclamou Jimin, mas Yoongi nem se deu ao trabalho de responder.

No lugar de dizer algo, apenas olhou para Jimin com uma expressão de tédio, colocando o indicador sobre a boca, para indicar que ele era muito barulhento.

— Está me mandando calar a boca, Yoonbi?! — O pedido de Yoongi não funcionou muito bem, no entanto.

— Céus, como você é escandaloso, sempre gritando, Jimin. Consegue ser pior do que as crianças!

— Eu não ouvi isso… — Jimin o olhou com chateação.

— Sua voz me deixa com dor de cabeça, querido.

Reparar na forma como Yoongi havia dito uma palavra carinhosa, em um tom de voz absurdamente sarcástico, deixou Jimin irritado, principalmente porque ele se sentiu confuso por seu coração parecer tão afetado com isso.

— Idiota… — murmurou, sua voz finalmente soando mais baixa. — Você é tão idiota, Yoongi.

Yoongi percebeu que ele ficou sem jeito, o que o fez arquear a sobrancelha, surpreso por reparar em um ponto fraco de Jimin.

— Você ficou sem graça por eu te chamar de querido? — perguntou.

Jimin olhou para baixo.

— Não? — murmurou sem muita confiança, olhando para as paredes apenas para não olhar para Yoongi.

Por sorte, Taehyung o salvou.

— Papai, papai! — Taehyung puxou suas roupas, querendo sua atenção, e deixou um brinquedo no colo de Jimin.

Feliz por ter uma desculpa para fugir do olhar inquisidor de Yoongi, Jimin começou a brincar com as crianças, sentando-se com elas no chão.

No entanto, ele podia sentir o olhar de Yoongi queimando em suas costas. Pensar nisso o deixou nervoso, mas ele tentou ignorar.

[...]

Assim que o curso acabou, Jimin amarrou Taehyung em sua barriga com o sling — o que estava ficando cada vez mais difícil, por conta do tamanho do garoto — e caminhou para longe do prédio.

Taehyung ficava brincando com a sua camiseta, mas Jimin não se importou, ainda distraído com o que havia sentido durante a aula.

Estranhamente, ele ficou um bom tempo apenas pensando na voz de Yoongi e no modo como ele soava bem quando dizia “querido”. Isso estava perturbando a sua cabeça.

— Engomadinho idiota. — Revirou os olhos, indignado com a forma que Yoongi continuou o chamando de querido por toda aula, apenas porque reparou como isso o deixava desconcertado.

No entanto, Jimin foi despertado do seu pensamento quando sentiu uma gota cair na sua cabeça. Franzindo a testa, ele parou de caminhar, olhando para o céu. Pouco tempo depois, sentiu novamente a mesma sensação e, antes que percebesse, havia começado a chover.

Envolvendo Taehyung com os braços, Jimin fez o seu melhor para protegê-lo da chuva antes de ir para um local coberto, parando embaixo da sacada de uma loja.

Angustiado porque o tempo não parecia disposto a se abrir, Jimin respirou fundo.

Suas roupas haviam se molhado e Jimin ficou preocupado com Taehyung, apesar do menino estar sorrindo e brincando com o cabelo molhado do pai.

— Espero que você não fique doente… — murmurou.

Assim que viu um carro parando na sua frente, no entanto, Jimin se assustou, só se acalmando assim que a janela do veículo baixou.

— Yoongi… — Jimin o reconheceu, surpreso por ver o homem estacionado ali, olhando-o.

— Eu sei que não somos os melhores amigos, mas… você quer uma carona? — perguntou ele, desviando o olhar para Taehyung com preocupação. — A chuva só faz piorar. Você não vai conseguir ir a pé.

Engolindo seu orgulho, Jimin aceitou.

Se estivesse sozinho, talvez recusasse, apenas para irritar Yoongi. Mas, por mais que sua casa ficasse a apenas alguns quarteirões de onde estava, não queria que o filho se molhasse na chuva.

Entrando no banco de trás, Jimin viu Taehyung soltar gritinhos excitados assim que avistou Jungkook, o qual estava todo preso no bebê conforto.

Por sorte, Yoongi ainda o tinha na mala do carro, mesmo depois de comprar uma cadeirinha nova para Jungkook, e o instalou novamente antes de ir atrás de Jimin na chuva, imaginando que Taehyung poderia ficar na cadeirinha nova, já que ela era maior.

Jimin sorriu com a visão, percebendo a intenção de Yoongi em ajudá-lo, e colocou o filho na cadeirinha antes de colocar o próprio cinto de segurança.

Com todos seguros, Yoongi começou a dirigir.

— Minha casa não fica longe — disse, orientando Yoongi à medida que eles cruzavam os sinais de trânsito.

Assim que chegaram na frente do prédio, Jimin viu Yoongi se virar para trás, para olhá-lo.

— Obrigado pela carona — falou, realmente grato.

Yoongi apenas sorriu de lado, como se dissesse assim que não foi nada.

No entanto, quando Jimin estava prestes a sair do carro, Jungkook começou a chorar, sua mãozinha esticada na direção de Taehyung como se não quisesse se despedir do amiguinho.

— Ele pode ter passado a tarde brincando com o Taetae, mas nunca fica satisfeito… — Yoongi olhou para Jimin, sem graça.

Jimin sorriu de lado, uma ideia idiota se passando por sua cabeça.

— Vocês querem subir? — Antes que percebesse, já havia perguntado. — Quer dizer, eu posso fazer um café ou algo assim para agradecer pela carona.

Yoongi arqueou a sobrancelha e Jimin corou, apressando-se em se explicar:

— Além disso, ainda está cedo. As crianças podem brincar um pouco mais.

Por sua sorte, Yoongi assentiu, o que diminuiu seu constrangimento e, nervoso por estar acompanhado, Jimin guiou Yoongi por seu prédio, até que chegaram ao elevador.

Jungkook, no colo de Yoongi, parecia altamente satisfeito, olhando tudo com curiosidade antes de voltar a observar Taehyung.

Chegando em casa, Jimin agradeceu mentalmente a si mesmo por ter arrumado o apartamento antes de sair. Então, deixou Yoongi e Jungkook na sala, indo retirar as roupas molhadas e dar um banho em Taehyung. Sentindo o cheirinho gostoso de bebê no seu filho, Jimin sorriu, colocando roupas quentinhas no menino antes de colocá-lo no chão.

Animadamente, Taehyung agarrou vários brinquedos em seu quarto — derrubando alguns no chão no processo — antes de ir até a sala, jogando-os na frente de Jungkook.

Yoongi ficou olhando os dois enquanto Jimin ia até a cafeteira, preparando café e algo rápido para os dois comerem.

Por ter a cozinha integrada com a sala, Jimin, enquanto esperava a água ferver, conseguia enxergá-los por cima do ombro.

Quando o café ficou pronto, Yoongi se sentou no banco em frente ao balcão, ao lado de Jimin.

— Então… — Jimin quebrou o silêncio, suspirando quando viu que Yoongi o encarava.

Era diferente ter o outro homem ali, na sua casa, pela primeira vez.

— Sim? — questionou Yoongi.

— Tem algo que eu queria perguntar tem algum tempo, mas fiquei meio sem jeito. Você sabe, porque você às vezes é meio chato comigo.

Yoongi sorriu de lado, mas não disse nada, esperando Jimin continuar.

— Só que hoje você foi legal e eu pensei que não seria tão ruim assim te perguntar…

— Apenas diga, Jimin.

Olhando para a própria xícara, enquanto colocava café no recipiente, Jimin soltou:

— O aniversário de dois anos do Taehyung é semana que vem. Eu não tenho muito amigos e, como ele só vai começar na escola ano que vem, ele também não conhece muitas crianças…

De repente, Yoongi entendeu o que Jimin queria antes mesmo que ele finalizasse sua ideia. Porém, Yoongi esperou Jimin tomar coragem de falar.

— Jungkook é o primeiro amigo mais próximo dele, então eu… — Jimin parecia realmente tímido quando perguntou: — Eu queria saber se vocês dois podem vir para a festa de aniversário dele?

— É claro.

Jimin soltou o ar que estava prendendo assim que escutou a resposta de Yoongi.

— Ah, isso é ótimo. Taetae vai ficar feliz — disse, mas Jimin sentiu que, no fundo, ele também havia ficado feliz com a notícia. — Você sabe, ele fala muito o nome do Kookie durante a semana.

Yoongi assistiu Jimin servindo café em outra xícara, antes de entregá-lo.

— O Kookie também gosta muito do Taetae. Na verdade, o Tae é a primeira criança sem ser os filhos do meu amigo com que ele se dá bem de verdade — confessou Yoongi. — Ele chora sempre que saímos do curso.

— Sério? — Jimin sorriu, olhando para os dois meninos brincando no chão, sentindo seu coração se encher de amor.

— Sim. Olhando agora pode não parecer, mas ele era tão, tão fechado. Isso me deixava realmente preocupado…

Yoongi não sabia por que estava sendo tão aberto com Jimin, mas as palavras estavam simplesmente saindo.

Felizmente, o olhar relaxado do outro homem, enquanto ele partia fatias de bolo de laranja para os dois, fez Yoongi não se sentir julgado.

— O Kookie veio morar comigo prestes a fazer um ano. Antes disso, ele nunca tinha me visto — continuou.

— Como assim?

— Digamos que a mãe dele e eu ficamos apenas uma única vez tem muito tempo. E, ironia do destino ou não, ela ficou grávida nessa única vez.

— Vocês nem mesmo chegaram a namorar, então?

— Não… — Yoongi suspirou. — Nem amigos nós éramos. Foi algo de uma noite só, e eu nunca soube que ela havia engravidado. Na verdade, eu só descobri no dia que ela apareceu na minha porta com ele no braço. Pouco tempo depois, ela desapareceu.

— Meu Deus…

— Por sorte, meu amigo tem filhos e sempre me ajudou bastante, caso contrário, eu teria enlouquecido sem saber como cuidar de uma criança. Foi ele que me indicou o curso.

Jimin assentiu.

— Faz sentido. Então o Jungkook está com você há pouquíssimo tempo…

— Ele estava há apenas um mês comigo quando comecei o curso. Agora, já faz quatro meses. O tempo passou rápido.

— Verdade…

Yoongi o olhou com interesse.

— E você, Jimin. Qual a sua história?

O rapaz pareceu surpreso com a pergunta, mas não demorou em responder:

— Comigo foi aquele clichê básico: minha ex engravidou por acidente.

— Ex? — Yoongi franziu a testa.

— É, a gente até ficou junto por um tempo, mas não estava dando certo. A gente simplesmente não… funcionava. — Deu de ombros. — Mas ainda nos falamos e nos damos relativamente bem. Ela vem visitar o Taetae uma vez por mês. Mora em outro estado, sabe?

— Entendo. Você sente falta do apoio dela?

Jimin pareceu pensar por alguns segundos.

— No começo, sentia. Mas eu me acostumei. Eu só não… eu não consigo me imaginar sem o Taetae. Eu não consigo nem explicar.

Yoongi compreendeu o sentimento.

— Eu sinto o mesmo em relação a Jungkook. Acho que só quando a gente se torna pai que entende exatamente o que é isso.

Jimin concordou.

— Mas então… Você disse que não tem muitos amigos. Como faz para cuidar do Taehyung se ele ainda não vai para a escola nem creche? — questionou Yoongi, interessado.

— Eu trabalho em casa. Quando combinei com minha ex que ficaria com Taehyung, eu apenas senti que era certo estar com ele e o meu trabalho ajudou.

— O que você faz? — Yoongi parecia verdadeiramente curioso, ao ponto de que quase se esquecia do próprio café, o qual esfriava cada vez mais entre um gole e outro.

— Sou jornalista, mas do tipo que faz matérias para sites na internet, então tenho bastante liberdade no meu horário — explicou.

— Ah...

— E você, Yoongi? O que faz da vida?

— Hum, eu sou arquiteto. Não é algo tão emocionante, mas eu até que gosto bastante.

Jimin, felizmente, não achou sua resposta chata.

— Interessante — falou.

Eles continuaram a conversar e, sem que isso fosse um esforço notável, Yoongi se abriu mais do que havia feito em anos com alguém além de Hoseok e Hayun. Jimin e ele falaram absolutamente sobre tudo, até que o chorinho de Jungkook interrompesse os dois.

— O que foi, bebê? — Yoongi foi até o filho, carregando-o no colo.

Jungkook continuou chorando e Yoongi olhou as horas.

— Isso é fome, não é, Kookie? — Yoongi beijou a testa dele antes de voltar a olhar para Jimin. — Eu já vou. Obrigado por ter me convidado para subir.

O canto dos lábios de Jimin quase subiu e Yoongi reparou que ele estava se segurando para não sorrir.

— Não foi nada, Yoongi. Nós nos vemos semana que vem, no curso?

— Sim. — Balançou a cabeça afirmativamente com mais empolgação do que o necessário, o que fez Jimin não se aguentar e finalmente rir.

— Ótimo. Não se esqueça do aniversário do Taehyung. É no domingo e eu vou fazer um bolo. Jungkook ainda é muito novinho para comer tanto açúcar, mas eu aposto que você vai gostar — disse Jimin, antes de se despedir.

Essa noite, logo que colocou Jungkook para dormir, já em casa, Yoongi ficou com um sorriso bobo no rosto.

Até que Jimin e ele podiam se dar bem às vezes.

[...]

— Então você vai para o aniversário do filho do Jimin? — indagou Hoseok, gargalhando em seguida. — Ouviu isso, amor? Eu falei que o Yoongi acabaria virando amigo dele!

Hayun riu, mas não entrou na conversa, ocupada com o celular.

— Não seja ridículo, Seok. O Jimin não me convidou exatamente. Ele convidou o Kookie, porque ele é o melhor amigo do Taetae.

— Sei… — Seu amigo não se convenceu. — Mas aposto que você está feliz em encontrá-lo. Você só fala do Jimin e do Taehyung ultimamente. Eu nem os conheço e já sinto que sou amigo dele também!

Yoongi revirou os olhos com o exagero.

— Eu nem falo tanto assim do Jimin… — defendeu-se.

— É claro que fala. Mas não ache que estou achando isso ruim, porque eu acho ótimo. Você vive reclamando do Jungkook porque ele não interage muito bem com pessoas novas, mas você é igualzinho a ele, Yoongi. Então, eu estou feliz por te ver com um amigo novo.

Pensativo com o que Hoseok disse, Yoongi se calou.

Será que ele poderia considerar Jimin um amigo algum dia?

[...]

No dia do aniversário de Taehyung, Yoongi chegou cedo no prédio de Jimin.

O porteiro o deixou subir e ele imaginou que Jimin havia o avisado da sua chegada.

— Yoongi, você veio! — Assim que abriu a porta e viu Yoongi, Jimin sorriu.

Yoongi, no entanto, paralisou.

Estava acostumado a ver Jimin sempre em roupas folgadas ou simples durante as aulas do curso e, agora, Jimin estava na sua frente completamente arrumado.

Diferente das outras vezes em que Jimin deixava sua franja lisa cair sobre a testa, Jimin havia penteado o cabelo para trás, deixando o rosto mais visível, assim como os brincos na sua orelha.

Olhando-o com atenção, reparou que ele vestia uma camiseta por dentro de uma calça justa — a mais justa que Yoongi havia visto Jimin vestir em todos esses meses convivendo com ele — e Yoongi não sabia o porquê, mas olhou para a bunda de Jimin quando ele se virou de costas.

Desde quando Jimin tinha esse corpo?

Pior, desde quando Yoongi olhava para a bunda de um homem desse jeito?

Piscando os olhos para parar de pensar besteira, Yoongi tentou convencer a si mesmo que havia sido uma encarada rápida e que não significava nada além de surpresa por ver o outro homem em roupas tão diferentes do habitual.

Entrando no apartamento de Jimin, Yoongi viu outras pessoas e imaginou que fossem parentes dele.

— Gukkie! — gritou Taehyung, com sua voz esganiçada, e Yoongi deixou Jungkook no chão, colocando nas mãos do filho o presente que havia comprado para Taehyung.

Após Jimin ajudar Taehyung a abrir a embalagem do brinquedo que Yoongi havia comprado, as crianças foram brincar e Jimin voltou para o seu lado.

— Você pode ficar à vontade. A minha mãe e o meu irmão estão aqui para ver o Tae. Você quer conhecê-los? — perguntou.

Feitas as apresentações, Yoongi percebeu como a mãe de Jimin era um pouco intrometida, sempre falando a melhor maneira de fazer as coisas ou reclamando de algo que Jimin dizia.

Felizmente, Yoongi notou que Jimin não parecia se deixar abalar com isso, sorrindo sempre que olhava para Taehyung e Jungkook brincando.

Em algum momento da tarde, a mãe de Taehyung fez uma chamada de vídeo e Jimin a mostrou como o filho dos dois estavam.

Não foi o suficiente para Yoongi formar uma opinião sobre a mulher, mas tudo correu bem e, antes que percebesse, eles já haviam cantado parabéns e os parentes de Jimin foram embora.

Decidido a ajudá-lo, Yoongi ficou um pouco mais, limpando toda a bagunça no apartamento com ele.

Assim que terminaram, os dois se jogaram no sofá.

A televisão da sala estava ligada, pois Taehyung e Jungkook estava deitados em cima de vários travesseiros, assistindo algum desenho animado, mas ela era um barulho de fundo tranquilo enquanto conversava com Jimin.

De tempos em tempos, Jimin ria de algo que falava e Yoongi se pegou apreciando o som mais do que deveria, bem como a expressão no rosto alheio sempre que os olhos se fechavam e um sorriso largo se abria em sua boca.

Jimin também se inclinava enquanto ria, tocando o ombro de Yoongi sem nem perceber, e Yoongi, apesar de estar consciente do ponto de contato, não reclamou. Era como se, pouco a pouco, eles estivessem mais confortáveis um com o outro ao ponto de relaxar e permitir a presença nova no espaço pessoal.

Não foi nada grande, mas Yoongi se divertiu como há muito não fazia.

— Quer mais bolo? — perguntou Jimin, depois de passarem um bom tempo apenas falando besteira. — Estou com fome de novo…

— Pode ser.

Jimin se levantou, virando de costas para si, e os olhos de Yoongi o seguiram de maneira quase automática, passando rapidamente por seu traseiro no processo.

Por que aquela maldita calça deixava a bunda de Jimin tão bem?

Mais importante do que isso: por que diabos Yoongi ficava olhando para a bunda dele sempre que Jimin se virava?

Yoongi não entendia o porquê de muitas coisas, ele só sabia que não conseguia parar de olhar. Então, pela primeira vez na sua vida, deixou-se apreciar o corpo de um homem.

Yoongi achava que isso não significava nada.

Jimin era bonito. Grande coisa. Só um louco não admitiria isso e perceber o óbvio não mudaria nada.

Era apenas… admiração.

É, Yoongi se convenceu. Ele apenas admirava Jimin.

[...]

— Estou confuso.

Hoseok ergueu a sobrancelha, como se esperasse Yoongi terminar seu pensamento.

— Sobre?

— É normal ficar olhando para a bunda de outro homem? — perguntou Yoongi e Hoseok quase se engasgou com o café que tomava.

Era o dia seguinte após o aniversário de Taehyung e Yoongi estava na casa do seu melhor amigo.

— Você tem olhado para a bunda de outro homem? — Foi o que Hoseok concluiu, com olhos arregalados. — Achei que você era hétero.

— Eu acho que sou… — Yoongi franziu a testa. — Quer dizer… Eu tenho certeza que sinto atração por mulheres, até porque já tive meus casos, você sabe. Eu nunca pensei sobre homens antes, na verdade.

— Bom, mesmo gostando de mulher, isso não te impede de gostar de homem também. — Hoseok deu de ombros. — Mas por que isso de repente? Eu poderia esperar isso de qualquer pessoa, menos de você.

— Eu não sei.

Hoseok o olhou com desconfiança.

— Qual é, Yoongi. Se você soltou isso do nada é porque você sabe muito bem o que te fez ficar confuso sobre isso.

Yoongi bufou, irritado por seu melhor amigo o conhecer tão bem.

— Certo, certo — rendeu-se. — Ontem eu estava na casa do Jimin e…

— Então é da bunda dele que estamos falando?! — Hoseok o interrompeu, olhos mais arregalados do que nunca. — Meu Deus, quando eu disse que vocês ficariam próximos, eu não sabia que seria tão, tão próximos!

— Cala a boca, idiota — murmurou Yoongi, revirando os olhos. — Não é nada disso que você está pensando.

— Ah, não? Então me explique, Yoon. — Hoseok ergueu a sobrancelha, um sorrisinho tomando o seu rosto.

— Eu…

— Você?

— A bunda dele…

— O que tem a bunda dele? — O sorriso de Hoseok aumentou ainda mais à medida que o rosto de Yoongi se abaixava e ele ficava tímido. — Você não consegue parar de pensar na bunda dele?

— Apenas… parecia tão bem naquela calça.

Assim que Yoongi admitiu em voz alta, foi como se um peso saísse por seus ombros.

— Isso é estranho? — perguntou, olhando para Hoseok como se pedisse conselhos. — Eu começar a reparar na bunda de um homem do nada, quando eu só tive interesse em mulheres por anos? Você acha que isso significa algo?

— Sei lá, Yoon. Isso só você pode dizer. Pode ser que seja só admiração por achar um homem bonito. Não é como se ser hétero te fizesse cego. Ou então… — Hoseok fez uma pausa e Yoongi engoliu em seco. — Você pode ser bi ou qualquer outra coisa do tipo e só está percebendo isso agora porque finalmente encontrou algum homem pelo qual você se atrai. Mas, como eu disse, só você pode me dizer o que realmente sente.

Ouvir Hoseok falar tudo isso apenas tornou toda a possibilidade mais real na sua cabeça.

— Você tem razão. Só eu posso dizer isso.

— Se você se sentiu mexido, por que não se atenta mais a partir de agora? Aí você pode descobrir se é admiração ou se você realmente se sente atraído por ele.

— É complicado… — Yoongi suspirou. — Se eu descobrir que estou atraído, isso muda o quê? Ele muito provavelmente é hétero e nós dois temos filhos pequenos e responsabilidades. Eu não vou viver uma aventura qualquer agora. Não tenho mais idade para isso.

— Você que está complicando as coisas. Ele pode ser hétero, óbvio, mas também existe a possibilidade de não ser. Você nunca perguntou nada a ele, Yoon. Além disso, quem disse que precisa ser uma aventura? Você pode não estar procurando um relacionamento agora, mas, se acontecer, qual o mal em simplesmente deixar as coisas acontecerem? Você tem um filho, mas isso não te impede de namorar, Yoongi. Você só tem trinta anos, então não fale como se você um velho.

— Sei lá, Seok…

— Só pense nisso, okay?

— Hum…

— E, se você perceber que se sente atraído por ele, você deveria tomar alguma atitude.

Hoseok fez uma cara pensativa antes de dizer sua opinião:

— Você devia chamar ele para sair.

Yoongi não respondeu de cara, demorando alguns segundos para absorver as palavras.

— Estamos falando tudo isso, mas eu ainda nem sei se estou realmente atraído ou não.

— Só se deixe levar. No fundo, você já sabe a resposta — concluiu Hoseok.

Mesmo depois que saiu da casa de Hoseok com Jungkook, Yoongi continuou refletindo sobre as palavras dele pelo resto do dia.

Ironicamente, Jimin ainda estava preso na sua cabeça e a visão dele naquela maldita calça apertada o atormentava sempre que fechava os olhos.

De noite, após colocar Jungkook para dormir e sair do quarto dele com a babá eletrônica em mãos, Yoongi se deitou na própria cama.

Pegando o seu celular para conferir se havia alguma mensagem, Yoongi reparou que havia uma de um número desconhecido.

Desconhecido: Oi, Yoonbi :)

Yoongi: Jimin?

Desconhecido: Alguém mais te chama de Yoonbi?

Yoongi: Fora você, seu filho e o meu filho?

Desconhecido: Levei todos para o mau caminho rsrs

Desconhecido: Enfim, você me deu o seu número ontem, mas eu tinha esquecido de mandar mensagem para você salvar o meu contato também.

Jimin: Você sabe, para que eu possa te irritar por aqui também

Yoongi: Acabei de salvar

Yoongi: Você ama tanto assim me irritar?

Jimin: Você ainda pergunta?

Jimin: Enfim, Taetae estava desenhando hoje e falou que fez o Gukkie e o Yoonbi

Jimin: Quer ver?

Yoongi: Quero

Jimin: [Imagem]

Admirando o papel rabiscado, Yoongi viu vários círculos riscados de amarelo e gargalhou.

Yoongi: Lindo

Jimin: Sabia que iria gostar :)

Sem que notasse o tempo passar, Yoongi ficou conversando com Jimin por boa parte da madrugada, mesmo que precisasse acordar cedo para trabalhar no dia seguinte.

Quando dormiu, sua mente estava cheia de Jimin.

[...]

A primeira coisa que Yoongi notou, ao acordar no sábado seguinte, foi que sonhou com Jimin e com aquela maldita calça vermelha.

Não só isso, lembrava bem como, no sonho, Jimin havia sorrido para si com malícia, antes de segurar seu rosto e encostar as testas uma na outra.

Eles nem haviam se beijado no sonho, mas Yoongi sentiu como se sua pele fervesse com aquele mínimo contato e acordou com o coração disparado.

O pior de tudo? Isso acontecer justo em um dia que ele veria Jimin no curso de papais.

Yoongi temia que sua expressão afetada denunciasse que estava pensando no outro homem mais do que o necessário. Esperava que não.

Por sua sorte, ao chegar no curso, viu Jimin em suas roupas folgadas habituais.

— Oi… — falou, não conseguindo conter o seu sorriso ao vê-lo.

Jimin também não se conteve, pois sorriu largo daquele jeito que Yoongi estava acostumado a ver.

— Oi! — A voz de Jimin também soou empolgada.

Desde quando Jimin era tão bonito?

Ou ele sempre foi assim e Yoongi que não reparava?

— Você quer ir lá para casa depois da aula? Podemos comer alguma besteira enquanto as crianças brincam — sugeriu Jimin, ficando tímido em seguida. — Taehyung está com saudade do Jungkook, você sabe. Ele pergunta por ele a semana toda.

Pensando se era apenas Taehyung que sentia saudade, Yoongi engoliu em seco.

— Eu vou — respondeu.

Jimin pareceu aliviado.

— Ótimo.

Assim que o curso acabou, os dois foram juntos até o carro de Yoongi, visto que Jimin sempre ia a pé até o curso.

Depois desse dia, Yoongi criou o hábito de sempre ir para a casa de Jimin aos sábados.

Felizmente, Jungkook não parecia se importar com a ideia. Na verdade, seu filho apreciava brincar com Taehyung, bem distraído enquanto os adultos se perdiam no sorriso um do outro.

Por um lado, se conviver com Jimin se tornou algo cada vez mais constante, por outro, os sonhos com ele também.

Yoongi já não conseguia mais mentir para si mesmo: estava atraído.

Só que não era apenas sobre o corpo de Jimin. Se fosse, talvez fosse mais fácil de ignorar. Mas era sobre o som do riso dele, o jeito como Jimin olhava com carinho para Taehyung e Jungkook, era até sobre o gosto do bolo de laranja dele.

Yoongi simplesmente achava tudo sobre Jimin fascinante e cada detalhe que o fazia ser ele deixava seu coração quente.

Ao mesmo tempo, o ambiente calmo da casa de Jimin fazia não apenas Yoongi se sentir confortável, mas também deixava Jungkook bem, o que, para Yoongi, era igualmente importante.

Com tudo tão diferente, era como se o tempo em que estava desesperado, com medo de não conseguir ser um bom pai, fosse apenas uma lembrança distante.

— Com você tudo se tornou menos assustador — confessou Yoongi, certa noite, enquanto os quatro assistiam algum filme infantil na televisão de Jimin. — Digo, ser pai. Parece menos complicado agora.

Jimin desviou o olhar do filme, fitando-o com interesse.

— Eu sinto o mesmo, hyung. Eu me sentia tão só antes. Eu gosto disso. Gosto de ter a casa cheia desse jeito.

O coração de Yoongi disparou e ele voltou a olhar para frente, mesmo que não prestasse atenção no filme.

Aos poucos, Jimin foi encostando no seu ombro.

Yoongi não disse nada. Ele gostava do jeito como Jimin se tornava cada vez mais afetuoso com o passar dos dias.

Tomado com a sensação de tranquilidade, Yoongi sentiu uma mãozinha puxando a barra da sua calça.

Olhando para baixo, viu Jungkook o observando com olhos pidões e prendeu a respiração assim que entendeu que ele queria colo.

— Papa… — balbuciou e Yoongi paralisou.

— O quê… — Yoongi olhou para Jimin, surpreso. — Você ouviu também ou eu estou alucinando? Ele me chamou de… — Yoongi sequer conseguiu completar a frase e lágrimas surgiram em seus olhos.

Jimin parecia bobo, sabendo bem o quão importante para Yoongi era escutar isso.

— Eu também ouvi, hyung. Ele te chamou de pai. Jungkook te chamou de pai.

Emocionado, Yoongi puxou Jungkook para o seu colo.

Seu filho se aninhou em si, ainda virado para a televisão, e Yoongi fechou os olhos para aproveitar a sensação de felicidade que o tomou.

Ao seu lado, Jimin olhava para os dois com um sorriso no rosto.

[...]

No aniversário de dois anos de Jungkook, Jimin finalmente conheceu Hoseok.

Yoongi já havia falado tanto sobre o melhor amigo que, quando o avistou, Jimin simplesmente sentiu que já o conhecia há tempos.

— Só assim para eu te conhecer, Jimin-ah — falou, sendo extremamente simpático, e Jimin gostou dele de cara.

A festa estava acontecendo no jardim da casa de Hoseok — a qual era enorme, Jimin pôde perceber — e ele aproveitou para olhar ao redor, curioso com a presença dos familiares de Yoongi.

Enquanto falava com Hoseok, Jimin mantinha um olhar atento sobre o seu filho, que corria de um lado para o outro, arrastando as crianças da festa para suas brincadeiras.

Taehyung também havia se dado bem com os gêmeos de Hoseok.

— Então, você e o Yoongi se conhecem há alguns meses agora… — comentou Hoseok, parecendo interessado.

— Sim. Faz quase um ano agora. O tempo passou rápido.

Como se de propósito, Yoongi entrou no seu campo de visão, e Jimin o observou, de longe, segurar Taehyung, quando seu filho quase escorregou por sair correndo.

— Ele me ajuda muito… — admitiu, desviando o olhar da cena apenas para encontrar Hoseok o observando.

— Você também o ajuda. Ele sempre fala tanto sobre você...

— Ele fala? — Interessado no que escutava, Jimin continuou dando corda para Hoseok.

— Sim.

No entanto, antes que pudesse abrir a boca mais uma vez, Jimin viu Yoongi irromper na sua frente.

— Sobre o que estão conversando? — perguntou ele, sorrindo para os dois, e Jimin engoliu em seco.

— Nada, hyung… — murmurou, nervoso com a aproximação.

— Bom, já que não está fazendo nada, o que acha de me ajudar a pegar mais suco na cozinha?

Jimin concordou, despedindo-se de Hoseok antes de seguir com Yoongi para dentro da casa.

Jimin assistiu Yoongi puxar as mangas de sua camisa de botão para cima, deixando parte dos braços exposta, e seus olhos seguiram o movimento de Yoongi quando ele carregou algumas bebidas, colocando as garrafas em cima da mesa.

Jimin já havia reparado nos braços de Yoongi antes, mas, assistir eles flexionados desse jeito enquanto ele se esforçava era, sem dúvidas, algo bastante interessante de se ver, principalmente porque Yoongi tinha a mania de morder os lábios conforme fazia algum esforço físico e, curiosamente, Jimin não conseguia desviar o olhar da língua dele que, em alguns momentos, aparecia para umedecer a boca.

— Você não vai me ajudar? — perguntou Yoongi, e Jimin finalmente acordou, desencostando da pia da cozinha.

— Ah, claro.

Ainda pensando na imagem de Yoongi, Jimin quase derrubou uma das garrafas no chão quando a segurou. Por sorte, Yoongi foi rápido e a pegou, seus dedos encostando nos de Jimin no processo.

— Cuidado. Você pode acabar se machucando desse jeito.

Yoongi estava tão perto que sua voz arrepiou Jimin.

— Obrigado, hyung.

— Não foi nada.

Durante o resto da festa, Jimin ficou desconcertado, lembrando da sua distração na cozinha.

— Você quer que eu te deixe em casa? — perguntou Yoongi, no fim da tarde, quando finalmente tudo acabou.

— Se não for nenhum incomodo, hyung…

— Não é.

Taehyung estava sonolento, quase dormindo no seu colo após tanto correr, e Jimin se despediu como pôde de todos, caminhando em seguida até o carro de Yoongi.

No momento em que chegou em casa, no entanto, Jimin ainda não queria que Yoongi fosse embora.

Achava-se idiota por, mesmo após passar o dia inteiro com ele, ainda sentir a falta dele, mas não é como se ter consciência disso o ajudasse a controlar o sentimento.

— Você quer subir? — Antes que pudesse pensar muito, Jimin perguntou. — É sábado e nós sempre assistimos filme juntos aos sábados. Eu sei que hoje não deu por causa do aniversário, mas…

Yoongi o interrompeu:

— Tudo bem. Ainda é cedo. Os meninos estão com sono, mas podemos deixar os dois dormindo enquanto assistimos algo.

O coração de Jimin acelerou e ele assentiu, saindo do carro para pegar Taehyung na cadeirinha, no banco de trás. Yoongi fez o mesmo com Jungkook.

Eles subiram e, empenhado em seguir a sugestão de Yoongi, Jimin colocou um colchão extra que tinha no chão do quarto de Taehyung, para que os meninos pudessem dormir ali.

Não foi uma tarefa muito difícil deixá-los ali, visto que os pequenos estavam cansados do dia agitado, e logo Jimin estava com Yoongi na sala, deixando a babá eletrônica ao lado do sofá para o caso das crianças acordarem.

— Você quer tomar um banho e colocar algo mais confortável? — perguntou Jimin, olhando para a roupa arrumada de Yoongi e franzindo a testa. — Eu posso te emprestar.

Yoongi concordou e, após pegar algo no armário de Jimin, foi até um dos banheiros enquanto Jimin foi para outro, visando poupar tempo.

Logo estavam os dois no chão da sala, Jimin procurando algum filme para assistir na smart TV enquanto Yoongi pedia pizza para os dois comerem enquanto assistiam.

Aquela era a primeira vez que faziam algo sozinhos, sem a presença das crianças no mesmo ambiente.

Consciente disso, Jimin observou de canto de olho Yoongi em suas roupas. Ele estava com as costas apoiada no sofá, com o joelho levantado, e isso fazia o tecido do short descer um pouco, deixando suas coxas mais visíveis.

Jimin nunca havia visto Yoongi em roupas tão informais antes e ele não negaria o quanto isso mexeu consigo.

Seus olhos percorreram a coxa de Yoongi, da forma mais discreta que pôde, e Jimin se sentiu estranhamente quente, atordoado por estar sozinho com ele.

— A pizza vai chegar em até uma hora — disse Yoongi, deixando o celular de lado, e Jimin se forçou a parar de olhar para as pernas dele. — Você já escolheu algum filme?

Sem graça e sem querer admitir que estava distraído fitando o corpo alheio, Jimin apenas balançou a cabeça de forma afirmativa.

— Na verdade, pensei em escolhemos qualquer um aleatório — falou a primeira desculpa que surgiu na sua cabeça. — Me diz um número de um a vinte.

— Treze.

— Ótimo. — Jimin clicou no décimo terceiro filme do catálogo, sem nem olhar qual era.

Yoongi riu, achando graça da ideia de Jimin.

O filme começou e os dois se ajeitaram no chão da sala, colocando as almofadas do sofá ali, para se aconchegarem melhor.

No entanto, ao perceber o quão distante Jimin estava, Yoongi ficou desconfiado.

— Por que está tão longe? Normalmente você só falta deitar por cima de mim…

Jimin arregalou os olhos com a afirmação, percebendo que seu jeito de tentar disfarçar suas encaradas nas pernas de Yoongi acabou chamando mais atenção do que se estivesse simplesmente agindo normalmente.

— Ah, eu nem percebi — falou nervosamente, aproximando-se de Yoongi.

Encostando a cabeça no ombro dele, Jimin agradeceu por Yoongi não saber o quanto seu coração bateu forte apenas com isso.

Voltando a sua atenção para o filme — que Jimin nem sabia qual era —, ele tentou prestar atenção no enredo.

Decorrido alguns minutos, porém, Jimin percebeu que havia colocado um filme levemente picante na televisão.

— Nossa, eu não imaginava que… — tentou falar, mas Yoongi deu de ombros.

— Tudo bem, as crianças estão no quarto.

Jimin assentiu, voltando a olhar para a televisão para encontrar a protagonista sendo empurrada na parede pelo rapaz com quem ela estava saindo enquanto ele passava a mão pelo corpo dela.

Jimin fechou o punho, ciente de que estava com o braço encostado no de Yoongi e a cabeça no ombro dele. O contato parecia queimar sua pele e deixar sua garganta seca.

O casal na tela se soltou e a mulher foi embora, chateada com algo que o homem disse. Jimin suspirou aliviado por eles pararam de se beijar.

Nesse ponto, seu corpo estava ridiculamente tenso.

Yoongi soltou um murmúrio incomodado e tentou ajeitar a posição em que estavam, passando o braço por trás de Jimin, que segurou na camiseta de Yoongi, olhando-o com confusão.

— Meu braço estava doendo. Tudo bem se ficarmos assim? É mais confortável — explicou.

Jimin balançou a cabeça, fraco demais para usar a própria voz, e se ajeitou melhor, agora apoiado no peito de Yoongi.

Felizmente, a nova posição não deixava Yoongi ver seu rosto. Mas, por outro lado, estar com a bochecha no peito dele estava deixando Jimin meio sem ar.

Yoongi, olhando o filme, parecia nem notar o estado de Jimin. E, inconsciente, com a mão que envolvia Jimin, começou a acariciar o braço dele com a ponta dos dedos.

Jimin sentiu uma fisgada dentro das calças, sentindo-se excitado.

Meu Deus… Desde quando ele ficava desse jeito junto de Yoongi?

Desde quando Yoongi parecia tão quente e sua mão era tão agradável, passeando por seu braço?

Jimin engoliu em seco, olhar fixo na televisão.

Antes que a mulher pudesse ir embora, o homem segurou no braço dela. Jimin quase suspirou, sentindo a pressão do polegar de Yoongi na sua pele.

O homem trouxe a mulher para frente pela cintura e logo eles estavam se beijando de novo. Porém, só quando eles foram até o quarto e a moça o empurrou na cama, abrindo o cinto dele, foi que o corpo de Yoongi endureceu ao seu lado.

Jimin sentiu uma pontada de curiosidade. Yoongi estava ficando excitado também? Por ver o filme?

Jimin resistiu ao impulso de olhar para baixo. Recusava-se a encarar a frente do short que Yoongi vestia, por mais que o impulso estivesse deixando sua cabeça louca.

Não transava há tanto tempo que estava enlouquecendo…

Jimin já havia ficado com homens antes de namorar sua ex, na época da faculdade, e sabia que também sentia atração pelo mesmo gênero.

No entanto, nunca havia olhado com segundas intenções para alguém faz tanto tempo. Mais precisamente, desde que Taehyung nasceu.

Só que Jimin não podia negar, não quando só por estar ao lado de Yoongi sentia o corpo todo tão quente.

Na tela, a moça colocou a mão dentro da calça do homem e Jimin virou o rosto para não ver isso, sensível com a cena.

O movimento fez sua bochecha roçar no peito de Yoongi e Jimin paralisou. Com o ouvido tão perto do coração de Yoongi, Jimin escutou o...

— Seu coração está acelerado — falou Jimin, finalmente levantando o rosto para olhar para Yoongi.

Os olhos dele estavam nublados e a mente de Yoongi parecia distante do filme que ainda passava.

— Sim — não negou Yoongi.

— Por quê?

Talvez estivesse cruzando os limites sendo tão insistente, mas Jimin não se importava de abusar da própria sorte mais um pouco.

— Você sabe, Jimin.

A voz de Yoongi soou tão rouca e o rosto dele estava tão perto do seu…

Naquele momento, Jimin não teve dúvida: Yoongi também estava afetado com sua presença. O coração dos dois batia no mesmo ritmo desenfreado.

— É, eu sei.

Yoongi continuou olhando para baixo, na sua direção, e o polegar dele roçou no pescoço de Jimin, o dedo se arrastando antes da mão se firmar ali.

Jimin passou a língua pelos lábios, estremecendo com o toque áspero. Sem que conseguisse evitar, seu olhar foi para a boca de Yoongi. Se inclinasse um pouco mais a cabeça, certamente suas bocas encostariam uma na outra. Pensar isso deixou Jimin quente. No entanto, por mais mísera que fosse a distância que os separava, ela parecia ir além do espaço físico entre eles. Ir um pouco mais para frente implicaria em mudar tudo entre eles.

Era uma ação tão pequena, mas que carregaria tantas consequências.

Jimin quase podia ver o rosto o de Yoongi oscilar entre se mover alguns centímetros na sua direção e se afastar.

A mão de Yoongi ainda repousava em seu pescoço, em meio a tudo isso, e Jimin sentiu outra onda de desejo o percorrer quando ele voltou a esfregar o polegar por ali, deslizando com o dedo até chegar às suas clavículas, a gola larga da sua camisa facilitando toda a ação.

Yoongi aproximou mais o rosto; porém, manteve uma distância segura dos seus lábios. Jimin quase pôde prever o encontro.

Sentia-se tão, tão quente e, do jeito que estava, apoiado no peito de Yoongi, seu corpo estava quase por cima do dele.

As pálpebras de Jimin tremeram, assim que ele foi um pouco para frente e as bocas quase se roçaram, mas o som do interfone do apartamento o despertou.

Abrindo os olhos, ele viu o jeito como Yoongi o fitava com fome, como se por ali confessasse todo o desejo que tinha, entretanto, sem falar em voz alta.

— Deve ser a comida que eu pedi — murmurou, seu polegar se demorando na pele de Jimin antes do toque se findar. — Eu posso ir até a portaria.

Jimin assentiu, sem força para falar.

Yoongi se levantou e Jimin ficou parado na mesma posição, sentindo-se paralisado após o momento de antes.

Passando a mão pelo próprio pescoço, era quase como se ele ainda sentisse o calor de Yoongi contra sua pele.

Ainda arrepiado e terrivelmente excitado, Jimin forçou-se a fazer algo para não pensar tanto na mão de Yoongi, no formato dos lábios de Yoongi, tudo sobre Yoongi.

A presença dele era tão calma, mas, ao mesmo tempo, deixava Jimin num estado eriçado, sempre esperando pelo próximo movimento entre eles.

Jimin foi até a cozinha, organizando o balcão para que Yoongi tivesse espaço para colocar as caixas de pizza que havia comprado, porém sentia que fazia tudo no piloto automático. Sua mente estava presa ao outro homem.

E quando ele veio, Jimin não soube ao certo como eles conseguiram arrumar as compras sobre o balcão sem derrubar nada. Yoongi também parecia agitado.

No entanto, logo que se afastou do balcão para pegar refrigerante na geladeira, Yoongi teve a mesma ideia e, quando notou, as duas mãos já estavam se encostando e eles olhavam um para o outro.

Jimin não sabia como estava seu rosto, mas imaginou que estava transparente o suficiente com o quanto desejava Yoongi, pois viu como, só de olhá-lo, Yoongi ficou rígido.

— Yoongi… — Jimin podia jurar que começaria a tremer se eles continuassem assim por mais tempo, apenas se encarando.

Ele nem sabia o porquê do jeito como Yoongi passava a língua pela boca mexia tanto consigo. Jimin só sabia que iria derreter em uma poça de excitação até o fim da noite.

Nunca havia sentido tanto tesão na vida e eles nem sequer se beijaram.

Tudo que Jimin queria era que Yoongi o empurrasse contra a geladeira e pressionasse o joelho entre as suas pernas. E aí quem sabe, depois, ele poderia colocá-lo no sofá e transar com ele até Jimin esquecer do próprio nome.

Sim, era isso que se passava na sua cabeça e Yoongi parecia ler seus pensamentos porque, mais uma vez, estava balançado entre se aproximar ou não. Era tão óbvio que os dois queriam.

Cansado disso, Jimin tomou uma decisão.

Segurando o rosto de Yoongi, Jimin o trouxe até o seu, de início apenas pressionando os lábios um no outro.

— Não sei se… — Yoongi murmurou, mas Jimin o cortou.

— Só me beije.

Yoongi assentiu. Não é como se fosse preciso muito para ele finalmente ceder.

Sem ter forças para fazer outra coisa a não ser beijar Jimin, Yoongi esmagou as duas bocas em um beijo que já começou forte, denunciando o quanto ele estava se segurando até então.

Jimin passou os braços ao redor da cintura de Yoongi e logo estava sendo empurrado contra a geladeira, com Yoongi pressionando a língua na sua boca.

Foi um tanto quanto desesperado e desajeitado, mas nenhum dos dois se importou, ambos se agarrando como podiam.

Jimin apertou a bunda de Yoongi, puxando o quadril dele para frente, e isso fez Yoongi roçar na sua ereção.

Yoongi colocou as mãos por dentro de sua camiseta, apertando a pele por baixo enquanto o beijava na boca, e o jeito dele de pressionar as bocas uma na outra foi diminuindo de ritmo, até que ele apenas experimentasse os lábios de Jimin de maneira lânguida, enfiando a língua entre eles a cada vez que movia o quadril para frente, esfregando-se em Jimin.

Os beijos foram descendo para o seu pescoço e Jimin pôde jurar que, se Yoongi continuasse chupando a sua pele daquele jeito conforme eles roçavam as pernas umas nas outras, ele gozaria nas calças.

Abrindo os olhos, Jimin encontrou apenas o cabelo desgrenhado de Yoongi, que tinha o rosto enfiado em seu ombro, e sentiu sua pele ser puxada e marcada entre os dentes dele.

Sem se importar com quantos limites cruzaria com essa frase, Jimin falou:

— Durma aqui essa noite.

Yoongi parou o que fazia, finalmente o olhando nos olhos.

Ele engoliu em seco, mas não se afastou.

— Jimin, eu…

— Você quer? — Suas mãos ainda estavam na cintura de Yoongi e Jimin a apertou, apenas para garantir que Yoongi estava mesmo ali e a sensação do corpo dele era real.

— Eu quero.

A resposta dele foi tão sincera... Jimin não duvidou.

— Então fique. Não precisamos complicar isso.

— Você quer que eu fique?

Vendo como Yoongi parecia sério dessa vez, Jimin sorriu, levando a mão até a bochecha dele para o tranquilizar.

— Você não tem noção o quanto eu quero. Fique, por favor.

Sem esperar mais, Yoongi o beijou de novo e Jimin riu antes de empurrá-lo pelo ombro.

— Vamos para o meu quarto, Yoonbi. Não queremos que os nossos filhos vejam isso.

Indo até a sala para desligar a televisão, Jimin pegou a babá eletrônica no chão e soltou um sorriso malicioso para Yoongi antes de sumir no corredor.

Yoongi soltou um palavrão em voz baixa antes de segui-lo.

Quando chegou no quarto e Jimin fechou a porta, Yoongi se deixou ser empurrado por ele em direção a cama.

Sem querer desperdiçar mais tempo, afinal, ambos sentiam que demoraram muito a admitir que se desejavam, os dois simples se deixaram levar. Então, Jimin se aproximou de Yoongi, sentindo o coração quase pular para fora quando parou na frente do outro homem.

Seu coração batia acelerado e ele estava sem acreditar que isso realmente acontecia entre os dois. Querendo testar o quão real era o momento, Jimin levou a mão até os ombros de Yoongi, sentando-se no colo dele para sentir mais do calor do mais velho. Os dois trocaram olhares cheios de expectativas antes que levassem um rosto até o outro, encostando delicadamente as bocas em um beijo calmo.

Yoongi suspirou contra seus lábios, apertando todo o seu corpo por cima das roupas, e Jimin foi fechando os olhos, gemendo com o toque da língua dele por sua boca. Yoongi tocou na sua nuca e Jimin deixou-se ser beijado, arrepiado com o toque da mão alheia.

Ficando cada vez mais excitado, Jimin passou os braços ao redor do pescoço de Yoongi assim que o outro homem desceu as mãos por sua cintura, apertando sua pele por baixo da blusa.

— Você tem certeza? — perguntou Yoongi, tentando não se distrair com a forma como Jimin parecia atraente nesse momento.

Jimin não respondeu com palavras, levando as mãos até o rosto de Yoongi, deixando outro selar calmo sobre os lábios dele.

— Gosto de estar com você, Yoongi. Quero você.

O aperto das mãos de Yoongi na cintura de Jimin aumentou e ele engoliu em seco, resfolegando quando os lábios de Jimin foram a seu pescoço. Jimin deixou beijos e chupões que o deixaram ainda mais arrepiado.

— Jimin… — gemeu devido a um beijo mais molhado sob sua mandíbula. — Desse jeito eu não consigo resistir...

— Eu já disse: você não precisa resistir.

Dessa vez, quando o beijou, Jimin não poupou esforços, agarrando o seu corpo, fazendo Yoongi se deitar na cama, com ele por cima.

— Deixa eu te beijar, Yoon.

Sem fôlego, Yoongi somente balançou a cabeça afirmativamente, deixando Jimin retirar a sua camisa. Jimin começou a deixar beijos em sua pele, passeando por todo o abdome, e Yoongi abriu os olhos, encontrando-o entre suas pernas.

— Posso, hyung? — questionou, com a mão bem perto da barra do seu short, e Yoongi murmurou um “sim” em uma velocidade vergonhosamente alta.

Jimin sorriu, puxando o calção para baixo, começando agora a beijar suas pernas.

Afastando-se de Yoongi para ir até o seu armário, Jimin pegou um potinho de lubrificante antes de voltar para cama. Após deixá-lo de lado, sobre o lençol, parou em cima de Yoongi mais uma vez.

Desejoso, Yoongi não deixou que fizesse muita coisa, pois logo se levantou, segurando o rosto de Jimin para levá-lo até o seu e retomar o beijo desesperado de antes. Excitados, os dois se livraram das roupas e logo estavam sem nada entre eles enquanto se beijavam, gemendo enquanto se abraçavam.

Mesmo nervoso, a vontade de finalmente fazer acontecer deu a Jimin coragem que precisava para voltar a pegar o pote que havia separado e, até então, permanecia esquecido. Espalhando lubrificante pelas mãos, Jimin sentou no colo de Yoongi.

Com os olhos presos nos dele, enfiou seus dedos molhados dentro do próprio buraco, encostando a testa na de Yoongi.

Yoongi o beijou e, não muito tempo depois, agarrou os fios de cabelos de Jimin quando ele sentou de vez sobre si.

— Desculpa ser tão rápido, eu só… não faço isso há muito tempo — admitiu Jimin, meio ofegante.

Abrindo os olhos para ver a expressão de Yoongi, Jimin admirou como a testa dele se franzia e como Yoongi gemeu arrastado com o movimento.

— Tudo bem. Eu também não faço isso faz... um tempo.

Yoongi parecia tão perdido em prazer, o rosto se erguendo de tempos em tempos como se quisesse beijá-lo de novo.

Percebendo isso, Jimin o beijou, mas foi mais uma pressão da sua boca na de Yoongi do que um beijo, pois era tão lânguido o jeito como eles se balançavam, aproveitando o máximo que podiam do corpo alheio.

— Meu Deus, eu… nunca vou conseguir parar de fazer isso com você… — balbuciou Yoongi, seus sons bem abafados sobre a boca de Jimin, que sorriu antes de pressionar mais forte os lábios um no outro.

Empurrando o corpo de Yoongi para que, em vez de ficar sentado, ele se deitasse, Jimin passou a beijar o pescoço dele de novo, gostando de perceber o quão sensível ele era ali.

Yoongi gemeu em voz baixa e Jimin sorriu, indo com a boca até o ouvido dele.

— Nós podemos fazer isso outras vezes, sabe? Eu também não quero parar.

Jimin passou a se mexer mais rápido e Yoongi apertou sua bunda.

— Estou tão, tão perto — murmurou, puxando Jimin para baixo, sempre que o quadril dele se movia.

Sem conseguir falar nesse ponto, Jimin apenas continuou, até que Yoongi se agarrou nele com mais força e Jimin percebeu que ele havia chegado ao limite.

Admirando a feição satisfeita de Yoongi, Jimin passou o dedo pela bochecha dele.

— Você fica tão lindo assim… — elogiou, deixando Yoongi envergonhado.

— Isso é porque você não consegue se ver agora. — Yoongi virou o rosto, sem conseguir olhá-lo nos olhos. — Você quer continuar? Você ainda não…

Yoongi não precisou terminar, pois Jimin confirmou, saindo do colo dele.

— Hyung, eu posso te tocar?

Ainda fraco do orgasmo, Yoongi apenas balançou a cabeça, afundando no colchão.

Decidido a deixar Yoongi no clima novamente, Jimin começou a beijar a barriga dele, apreciando como Yoongi agarrava o seu cabelo.

Jimin continuou, até que seu rosto estivesse tão baixo que Yoongi precisou abrir as pernas para recebê-lo.

Yoongi voltou a gemer quando Jimin lambeu suas bolas, descendo com a língua até chegar no seu buraco.

— Aqui também, hyung? — A voz de Jimin era tão manhosa. Yoongi nunca conseguiria negar algo a essa voz.

— Onde você quiser, Jimin-ah.

Gostando da resposta, Jimin passou a lamber Yoongi ali, admirando como ele apertava os olhos e o peito dele subia e descia.

Assim que estava tudo bem molhado com a sua saliva, Jimin enfiou dois dedos dentro de Yoongi, sempre olhando como o pênis dele endurecia cada vez mais com o que fazia.

Yoongi nunca havia deixado outro homem o tocar desse jeito antes, mas ali era Jimin e ele não se importou. Fazia semanas que havia admitido para si mesmo o quanto o queria de todas as formas.

No momento em que Jimin viu o quão excitado Yoongi estava novamente, ele parou de tocá-lo e engatinhou na cama para deixar seu rosto na altura do de Yoongi.

Ele envolveu Jimin com suas pernas e braços antes de beijá-lo.

— A gente pode fazer desse jeito também, hyung?

— Você faz de propósito, não é? Quer me deixar envergonhado com essas perguntas… — Yoongi escondeu o rosto no pescoço de Jimin, que se afastou para olhá-lo.

— Desculpa. É só que… você é fofo com vergonha. E eu só quero ter a certeza de que você quer tanto quanto eu.

Yoongi derreteu com a resposta.

— Tudo bem. Eu quero — admitiu, sem graça, vendo Jimin pegar o mesmo lubrificante de antes, mas para passar na própria ereção.

Dessa vez Yoongi se sentiu diferente. Quando estava dentro de Jimin, tudo o que ele pensava era em extravasar todo o tesão que estavam sentindo desde o momento na sala. Mas agora que já havia gozado uma vez, Yoongi tinha a mente mais limpa de certa forma.

Sentir-se assim o ajudou a prestar mais atenção em cada parte de Jimin, logo que começaram a transar de novo.

Abrindo as pernas para o receber, Yoongi se agarrou ao corpo suado sobre o seu com o coração tão disparado quanto antes.

Jimin parecia prestes a chegar ao limite tão rápido, mesmo que se movesse devagar sobre Yoongi, passando as mãos por cada pedacinho dele que seus dedos pudessem alcançar.

Ao gozar, Jimin gemeu o nome de Yoongi, mas não saiu de cima dele.

Cansado de se mover, Jimin apenas continuou dentro dele, fazendo Yoongi se sentir cheio, e fechou o punho ao redor da ereção dele, bombeando-a algumas vezes até que Yoongi gozasse mais uma vez, melando a própria barriga.

Admirando a visão, Jimin limpou o corpo de Yoongi com o lençol antes de o jogar para o lado e simplesmente desabar em cima de Yoongi, aninhando-se nele.

Jimin inclinou o queixo para cima, apenas para encostar a boca na de Yoongi de maneira preguiçosa, e voltou a descansar a bochecha no peito dele.

— Eu gosto disso. — Depois de alguns minutos onde Jimin apenas aproveitou o jeito como Yoongi passou os dedos por suas costas, acariciando-a, Jimin resolveu quebrar o silêncio.

Yoongi o olhou e Jimin sorriu, antes de completar:

— Gosto da casa cheia. Gosto dos nossos filhos brincando. Gosto de você.

Yoongi também sorriu.

— Eu também gosto de tudo isso — falou.

Na verdade, Yoongi amava. Mas em outro momento ele diria isso a Jimin. Por enquanto, ele se contentou em apenas olhar para Jimin até os olhos de ambos se fecharem de sono.

Nessa noite, Yoongi sonhou com Jimin, Jungkook e Taehyung abraçados no chão da sala.


~~


Notas finais: Espero que tenham gostado <3

24 Août 2021 20:44:04 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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