renatavieira88 Renata Vieira

O que pode ser mais importante para uma pessoa? Theo Neves, um garoto em seus vinte e poucos anos, estava tentando responder essa pergunta ao esperar sua vez de segurar seu tão sonhado canudo azul. Ao mesmo tempo, Ísis Maia tentava compreender o quanto uma simples resposta poderia mudar uma vida, por, em seus tenros dezenove anos, ter recebido um pedido desesperado do pai. Nenhum dos dois poderia imaginar o que iria acontecer ao responderem a perguntas cruciais em suas vidas, muito menos que o destino iria fazer questão de aprontar ao cruzar suas vidas ao mesmo tempo em que seus dados eram rolados e um novo capítulo de suas vidas era iniciado.


Érotique Interdit aux moins de 18 ans.

#original #fluffy #drama #sliceoflife #romance
0
2.1mille VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

Capítulo I


O que poderia ser mais importante para um garoto de vinte e um anos? Para Theo Neves, era continuar seus estudos e fazer seu “pequeno negócio” prosperar. Mas não naquele momento.

Enquanto esperava no local indicado pela universidade, tentava controlar o nervosismo e a empolgação. Dali a algumas horas, ele teria o seu diploma de graduação e não poderia estar mais orgulhoso de si.

E pensar que seu maior sonho era ser um jogador profissional de jogos eletrônicos… Sorriu ao lembrar das brigas constantes que tivera com seus pais desde seu primeiro contato com um console em seus sete anos. No ano seguinte, já chamava atenção de grandes nomes dos games. Com nove anos, conseguiu ser o mais novo “e-atleta” de seu país. Não jogava como titular, mas auxiliava o time principal como podia e, de vez em quando, jogava um partida oficial.

Entre a escola, seu irmão e amigos, e os games, Theo conseguiu crescer bem e ampliar seu sonho. De um simples jogador, passou a se aventurar no mundo da programação. Seus pais ficaram até mais feliz com isso. Mesmo o garoto ganhando um bom dinheiro jogando, Neide e Heitor acreditavam que essa vida de gamer não seria para sempre.

Mas seria. O garoto, com a chegada da adolescência, se viu ainda mais inseguro e fechado em si mesmo. Não tinha a desenvoltura e carisma que seu irmão mais novo, Jack, possuía. Este até que tentou seguir os passos do irmão mais velho, mas logo descobriu um outro talento e investiu nele.

Assim, enquanto Jack se firmava cada vez mais como um integrante de um grupo masculino que crescia exponencialmente, Theo se escondia do mundo em seus aparatos tecnológicos e jogos. Jogar, para ele, era uma das poucas formas de manter uma longa conversa com pessoas.

Não que o garoto fosse feio. Seu rosto ovalado era bem ornado pelo seu cabelo escuro, suas grossas e bem desenhadas sobrancelhas, seus olhos amendoados, seu nariz delicado, sua boca bem desenhada e um tanto quanto carnuda, mesmo que pequena, e seu queixo fino. Nem mesmo os óculos redondos que usava o podia deixar menos interessante.

Já seu corpo, de acordo com ele, não era lá grandes coisas. Mas fruto da imaginação de um adolescente. Seu corpo, para um adolescente, até que era bonito. Tinha carne nos lugares certos e sem excessos. Outro ponto que o preocupava, era sua altura. Não iria crescer tanto quanto seu irmão mais novo, mas não iria ser baixo. Parecia que ia se firmar na altura padrão de seu país.

Mas isso não importava para as garotas do colégio em que estudava. Elas babavam no porte altivo e nas atitudes do garoto. Chegaram até a apelidá-lo de “Príncipe Coelho”. Mesmo inseguro, o rapaz nunca desrespeitou uma garota, era sempre um fofo – como elas mesmas diziam. Um filhotinho de coelho que logo se tornaria um príncipe.

Com o passar dos anos, o “Príncipe Coelho” só ficou ainda mais charmoso, mesmo ainda tendo suas feições de menino. Assim que saiu da escola e entrou na universidade, ainda com dezessete anos, seus colegas de classe o ajudaram a perder um pouco de medo em relação às garotas sempre que o empurrava para uma das festas universitárias.

Ele teve seus relacionamentos nesses quatro anos de estudos, mas nada que pudesse ser duradouro, ou que realmente o fizesse olhar para a garota como seu pai olhava para sua mãe. Ou seu padrinho para a mulher dele.

Não se importou com isso. Sabia que era novo e, naquele momento, seu foco era seus estudos. Sua persistência o fez se tornar o melhor da turma e colar grau um ano mais cedo como orador do curso e um projeto de mestrado já encaminhado.

Lembrar disso o deixou ainda mais nervoso. Mesmo que seu discurso já havia sido previamente analisado e aprovado, temia não conseguir lê-lo bem, ou cometer uma gafe que o tornasse uma chacota para os ali presentes.

Nervosismo infundado. Na hora em que subiu ao palco, todos se encantaram pelo seu jeito de “Príncipe Coelho” e se inspiraram com o discurso feito por ele. Passado isso, logo estava com seu canudo na mão, procurando seus pais para poder abraçá-los.

Encontrou-os em um lugar tranquilo, já fora do auditório e ainda confortável no frio que era a capital em janeiro. Sorriu ao ser reconhecido e ampliou ainda mais seu sorriso ao ver que seu padrinho estava ali.

_Xio Min! – O garoto correu até ele, o abraçando forte por fazer um bom tempo que não se viam.

_Theo. – O mais velho devolveu o abraço feliz por ver seu afilhado crescendo bem.

_Achei que não poderia vir. – O mais novo confessou um pouco encabulado.

_Eu não poderia, mas a colação de grau dos gêmeos terminou mais cedo e eu pude chegar a tempo de ver o seu discurso.

_Mateus e Moisés também formaram hoje. – Theo lembrou, se sentindo envergonhado por ter esquecido isso.

_Sim. E estão nos esperando para comemorar. – Mike ignorou o comportamento do outro.

Theo teve suas próprias preocupações naquele dia. Era normal esquecer das coisas.

_Eu preciso falar com meus pais antes.

_Estamos aqui. – Heitor se pronunciou orgulhoso do feito do filho mais velho.

_Pai! – Theo praticamente pulou nos braços do pai, quase os jogando no chão.

_Parabéns, meu filho. – Heitor não conseguiu segurar seu choro de emoção.

Os dois poderiam ficar mais tempo abraçados, mas um pigarro propositalmente estridente chamou a atenção deles.

_Jay! – Theo largou o pai e pulou nos braços do irmão que parecia não parar de crescer.

_Coelhinho! – Jack brincou com o irmão.

_Não me chame assim. – Ele repreendeu o irmão com um leve soco no ombro. – E que bom que veio.

_Claro! É meu irmão mais velho que está formando. Minha agenda pode esperar.

_Sabe que eu entenderia se não viesse.

_Claro que eu sei. Mas, assim como você estava na primeira fila em minha primeira apresentação, eu não poderia deixar de te dar o mesmo apoio.

_Ah! Fico tão feliz por ver meus meninos apoiando um ao outro. – Neide não conseguiu controlar seu orgulho.

_Mãe! – Theo correu até ela, a abraçando com o cuidado que não teve com os garotos, mas não menos apertado.

_Parabéns, meu filho. – Os olhos azuis de Neide brilhavam de contentamento.

_Obrigado, mamãe. – Theo a respondeu aéreo.

Sem entender o motivo, ainda nos braços da mãe, uma movimentação de pessoas chamou sua atenção. Não deu muita bola para um dos caras que parecia ser um dos professores, seus olhos se atraíram mesmo para o tom incomum dos cabelos da garota que estava com ele.

De tão preso que ficou, quase não ouviu o que a mãe disse e nem percebeu que a agradeceu. A garota havia revelado seu perfil e não deixou de se encantar. Ou compreender seu fascínio. Ela era tão normal perto das formandas e outras garotas que iam e vinham naquele mesmo lugar. Sua altura era comum, seu corpo parecia ser comum, seu rosto de boneca parecia ser comum. Mas seus olhos…

Theo quase se viu em um veleiro em alto mar em um dia calmo de verão quando seus olhos se fixaram naquele tom incomum dos olhos da garota. Mesmo assim, se perdeu na infinitude do azul mar no meio das esferas brancas que preenchiam aqueles olhos.

_Filho? – Neide tentou, mais uma vez, chamar a atenção de seu primogênito.

Ele estava a cinco minutos vidrado na garota mais à frente. Curiosa, Neide também olhou para ela e, sensitiva como era, logo percebeu o que iria acontecer. Mas não seria ali, não seria naquela noite que seu coelhinho viajaria em alto mar.

_Desculpe, eu… – Theo agitou sua cabeça para espantar aquela sensação.

_Tudo bem, está cansado. – Neide sorriu para o filho. – Podemos ir para o restaurante encontrar o resto da turma? – E o trouxe de volta para eles.

_Claro. Quero parabenizar os gêmeos também. – Sorriu fraco para a mãe.

_Então vamos. – Que o abraçou de lado ainda muito feliz por tudo o que estava acontecendo.

Tranquilos, os dois começaram uma leve conversa que, aos poucos, integrou o resto da família. Já no restaurante, o clima de alegria pela conquista de três jovens garotos dominou a grande mesa que tiveram que usar para acomodar as doze pessoas que compunham aquele grupo.

Durante a refeição, não foi diferente. Os adultos fizeram questão de relembrar os momentos mais vergonhosos de seus filhos e afilhados. As “crianças”, mesmo se sentindo envergonhadas, não deixaram de rir e acrescentar ainda mais motivos para continuarem rindo.

E foi no meio dessa bagunça que os irmãos Neves se deixaram fisgar pelas duas garotas que entraram no restaurante.

_Não acredito! – Jack foi o primeiro a manifestar seu espanto.

_O que foi? – Mateus estranhou o espanto do outro.

_Olga acabou de entrar nesse muquifo. – Ele respondeu ainda em êxtase.

_Que Olga? – Suzy, a irmã mais nova dos gêmeos, perguntou.

_Uma das integrantes do “Holiday Night”. – Jay não conseguira retirar os olhos da garota mais alta e de cabelos curtos vestida quase como um garoto.

_Do “Holiday Night?” – Um outro perguntou.

Jay fez que sim em resposta para Pedro, o outro irmão mais novo dos gêmeos.

_Aquele grupo de meninas que estreou no mesmo ano que o seu? – Ele não podia acreditar naquilo.

_Sim. – Disse enquanto acompanhava, com o olhar, o passar das duas garotas pela mesa em que estavam.

_Uau! Ela é muito mais bonita pessoalmente. – Suzy exclamou admirada.

_Tão bonita que o Jay não consegue tirar os olhos dela. – Moisés não deixou de zoar o amigo.

_Não é só ele. Olhem só para nosso Coelhinho. – Mateus também percebeu o que o irmão vira.

_Não consegue tirar os olhos da baixinha. – Pedro complementou seus irmãos.

_Ela não é baixinha! – Theo nem percebeu que a defendeu.

E provocou risadas de causa perdida nos quatro irmãos que observavam a tudo em diversão.

_É… Esse aí já está perdido. – Moisés brincou ao balançar em negativo sua cabeça.

_Perdidásso! – Mateus acrescentou antes de perguntar: – Jay, sabe se a garota com a Olga também é uma integrante?

_Não. Eu conheço as meninas e nunca a vi com elas. – Mas fora Suzy quem respondera.

_Ela tem razão. – Jack finalmente retirara seus olhos da outra. – Ela não é uma das integrantes e também nunca a vi nos bastidores.

_Deve ser uma amiga dela ou uma “trainee” da agência de Olga. – Pedro revelou sua hipótese.

_Pode ser, mas vamos voltar a nos envergonhar? É chato ficar recebendo esses olhares enquanto queremos passar por despercebidos. – Jack tentou voltar para o assunto de antes.

_Claro. – Os quatro irmãos responderam ao mesmo tempo, compreendendo o que o amigo passava quando estavam juntos.

_Você também. – Jay deu um tapa na nuca do irmão. – Ô seu príncipe de araque!

_Ei! – Theo iria brigar.

Mas a risada do restante da mesa o interrompeu e trouxe de volta a conversa vergonhosa de antes, fechando a noite das famílias que comemoravam o grande feito de seus filhos.

19 Août 2021 19:37:18 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
0
Lire le chapitre suivant Capítulo II

Commentez quelque chose

Publier!
Il n’y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~

Comment se passe votre lecture?

Il reste encore 4 chapitres restants de cette histoire.
Pour continuer votre lecture, veuillez vous connecter ou créer un compte. Gratuit!