annattriz Bibi

[CONCLUÍDA] Felipe fugiu da sua cidade natal deixando pra trás seu grande amor da adolescência, agora, depois de oito meses resolveu voltar para esclarecer tudo. Abaixo da cerejeira onde tudo começou, um caderno vermelho é deixado e dentro dele, uma não-história de amor é contada.


LGBT+ Déconseillé aux moins de 13 ans.

#boyxboy #amor #oneshot #conto #sadfic #gay #Lgbt
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Nossa história

Partes em negrito são no presente.


Partes normais estão sendo escritas.


♡(*´ω`*)/♡


O vento soprava forte naquele dia, os alunos, todos com seus guardas chuvas, tentavam chegar em suas casas antes de se molharem. As garotas, preocupadas em estragar a chapinha do cabelo, os garotos, apenas querendo chegar logo e ir para o quarto jogar vídeo game ou até mesmo fazerem coisas pecaminosas, como adolescentes normais.


E eu, bem, eu continuava lá, no mesmo lugar de sempre, não me importava se aquela chuva provavelmente me faria ter pneumonia ou uma crise forte de asma, as quais raramente aconteciam. Eu não me importava, eu sempre gostei de chuva, de dias cinzentos, bem mais do que dias ensolarados, com aquele sol queimando nossa pele, dias frios sempre são mais agradáveis.


O barulho das folhas sendo quase arrancadas pelo vento forte da chuva, as gotas caindo rápido e causando um pequeno desconforto na pele, o cabelo grudado na testa. Nada me incomodava, era tudo tão belo, pena que nem todos sabem apreciar. Isso de certa forma me entristece, as pessoas preferem o calor, a oportunidade de usar roupas menores.


Naquele dia chuvoso, você chegou perto de mim com um guarda chuva, preocupado em se molhar como todos os outros, me perguntou se eu era burro por estar sentado na grama molhada em um temporal e sem ao menos uma roupa de frio.


Eu apenas ri.


É claro que não sou burro, eu apenas quero ficar aqui. Vá para casa com os outros, sua mãe deve estar lhe esperando.


Eu fui um pouco rude, admito, mas não me arrependo, era o meu jeito. Você apenas fez uma carranca e foi embora sem se importar com minhas palavras grotescas, eu estava certo afinal, sua mãe estava preocupada.


Depois daquele dia eu adoeci, nada que eu já não esperasse após ficar naquele temporal, fiquei uns dias sem ir à escola mesmo que não tenha sido nada grave. Perdi alguns conteúdos de provas e quando voltei você foi até mim, me entregou o conteúdo e foi embora, antes que eu falasse qualquer coisa.


Hoje o dia está frio, não tanto quanto aquele dia, mas está agradável, me pergunto se você acha o mesmo.


Sentado embaixo da minha árvore favorita, com outro caderno, idêntico ao antigo eu continuo escrevendo. Parece que nunca vou mudar.


Uma semana depois estava fazendo um calor dos infernos, era tarde, mas mesmo assim estava quente, eu tinha brigado com meus pais, e resolvi sair pra espairecer, a cerejeira ficava em um lugar calmo, não tinha melhor lugar pra que eu esfriasse a cabeça.


Mas você estava lá e parecia triste, mesmo nem sabendo seu nome, eu não poderia simplesmente ir embora. Minha mente repensava a cada passo que meus pés seguiam, mas de qualquer maneira eu sabia que não conseguiria vê-lo chorando e seguir reto.


Eu era muito trouxa naquela época.


E ainda sou.


Com a cabeça encostada no tronco da cerejeira, eu podia ver as lágrimas escorrendo estre os olhos fechados, elas contornavam seu maxilar e caiam na grama escura. Era uma cena bonita de se ver, se fossem lágrimas de felicidade.


Naquela noite, eu sentei ao seu lado e pela primeira vez você me permitiu saber seu nome, naquele dia, abaixo da cerejeira, com a lua tornando visíveis suas lagrimas eu vi.


Eu vi que Jonas, o garoto de sorriso peculiar, não tinha uma vida tão perfeita como imaginei. Você tinha terminado um namoro, e diferente do que achei, não era com uma menina, e sim com João Daniel, o garoto popular do seu grupo de amigos. Ninguém sabia que estavam juntos, vocês tinham a fama de pegadores, mas na verdade tinham um caso.


Por que esta me contando isso? Nem nos conhecemos.


Eu não exitei em perguntar, você me olhou confuso, certamente nem você mesmo sabia, era até engraçado, você contou da sua vida para um mero estudante desconhecido que poderia acabar com a sua reputação. Mas, não pareceu assustado com o fato de ter me dado quase uma biografia sua.


Sou Felipe.


Naquele momento você sorriu, não um sorriso completo, muito menos verdadeiro, mas sorriu e isso me deixou feliz, por um momento eu esqueci da briga com meus pais, do motivo pelo o que eu tinha ido até aquela cerejeira.


Era só eu, Felipe, e Jonas, o garoto que tinha contado a sua vida pra um desconhecido.


O vento gelado bate no meu rosto e me trás calmaria, me lembrar de tudo isso me faz ter calafrios, de certa forma é bom. É uma coisa boa, foi nesse dia, esse começo que eu acabei de escrever que a minha vida mudou completamente.


Depois do seu discurso sobre como sua vida era uma merda, eu te aconselhei a ir pra casa, você ficou bravo, disse que eu ao menos deveria falar um pouco de mim. Eu neguei. E você ficou chateado.


Me perguntou o porque de que eu nunca comia na lanchonete da escola, porque eu sempre andava com um caderno, porque eu achava aquela árvore tão especial. Eu não respondi nenhuma das suas perguntas, apenas fiquei calado.


Você me olhou triste e foi embora mais uma vez.


Te ver indo embora triste me deixou um pouco abalado nesse dia, eu também estava mal, eu queria morrer, a lâmina estava escondida entre as folhas do caderno, eu iria morrer naquele dia.


Mas você estava lá. E mesmo sem saber, você me deu mais um dia de vida.


No dia seguinte, meus braços ardiam, a blusa de moletom rasgava minha pele mesmo que fosse extremamente macia, e era como brasa. A lâmina gelada tinha chegado mais uma vez de encontro a minha pele na noite anterior e o líquido vermelho havia manchado minha almofada preferida.


Triste.


Era como eu estava.


Quando cheguei em casa naquela noite após te ajudar eu fui bombardeado de perguntas, minha mãe como sempre querendo dar uma de "mãe preocupada" E de fato ela estava preocupada, não comigo claro, e sim com sua reputação, ela estava preocupada que "seu filho se metesse em encrencas"


Foda-se ela e sua reputação.


Meu pai apenas observou tudo, como se não estivesse vendo a sua mulher agredir o seu único filho. Parecia que ele olhava algo tão natural que o seu olhar sereno diante daquela cena me dava repulsa.


Eu chorei, chorei como sempre fiz.


A lâmina antes escondida entre as folhas do caderno se encontrava em minhas mãos, e mais uma vez eu me machuquei, naquela noite, meus pulsos tiveram mais um triste e casual encontro com o metal gélido.


Não gosto de lembrar desse acontecimento, embora tenha sido nesse dia que te conheci, ainda é doloroso pra mim então, vamos pular para a próxima parte, quem sabe um dia você saiba o que aconteceu.


Um tempo depois desse acontecimento nos encontramos mais uma vez, na biblioteca da escola pra ser exato, eu estranhei. Quem diria, o bad boy do terceiro ano, lendo Shakespeare, e um romance tão clichê quanto Romeu e Julieta. Chegava a ser cômico.


Me sentei junto a ti, você me deu um sorriso e porra, foi o mais belo sorriso que já vi. Não era apenas a sua peculiar forma retangular, e sim o brilho, seus olhos que se fecharam de forma graciosa, nunca achei que gostaria tanto de ver um garoto sorrir. Mas eu gostei.


Nos tornamos amigos, passei a andar junto a ti em meio os corredores daquela escola e muitas vezes eu podia ouvir os murmúrios sobre mim, sobre o garoto estranho ser amigo de alguém tão popular. Eu não me importava, se eu pudesse ver seu sorriso quadrado mais uma vez a cada dia, eu não me importava.


Ah... Aquele dia em frente a minha casa... Eu ainda arrepio de lembrar a forma em que me segurou com possessividade, não se importando nos olhares tortos que as pessoas lançavam. Você me beijou. Em frente a minha casa, em uma simples Terça-feira como qualquer outra. Você me beijou de uma forma tão pura, tão singela e tão inesperada.


A forma como sua língua deslizava e se encontrava com a minha, era algo surreal, eu nunca havia beijado um garoto, e mesmo assim havia sido a melhor sensação de todas. Você segurando firmemente a minha cintura e me fazendo ficar cada vez mais junto a ti, teu hálito de menta, as mãos bobas deslizando sobre minhas costas. Foi tudo perfeito, nosso primeiro beijo foi perfeito.


Pena que nada dura pra sempre.


Quando você foi embora e eu entrei em casa dei de cara com meu pai, ele me olhava com nojo, o cinto de couro já conhecido estava dobrado em suas mãos e não tive tempo de dizer nada. A dor do couro seco batendo contra minha bochecha me deixou desnorteado e depois, bem... Eu não quero lembrar.


Além de ser essa desgraça pra família também é viadinho é? Deu de se agarrar com homem na frente da minha casa é? Eu não quero mais ouvir falar em você com esse seu amiguinho, ou não vai ser você que vai sofrer!


Nunca vou esquecer essas palavras, elas doeram em mim de uma forma inexplicável, foram cuspidas sobre mim de forma ríspida enquanto o couro já manchado de vermelho batia contra minhas costelas e me faziam se contorcer sob o chão da sala.


Eu apaguei.


Apaguei e só acordei horas depois, dolorido, cansado, machucado, fisicamente e psicologicamente também. Tudo doía, das marcas roxas espelhadas por meu corpo, até minha mente, meu coração. Meu corpo doía, mas a dor do corpo não se comparava com a do meu coração rachado. Me olhar no espelho nunca foi tão doloroso... não pelas marcas em si, mas sim o que elas representavam... o que elas me lembravam.


E a dor no meu coração se intensificava cada vez que eu me lembrava do modo como meu pai me tratou, nada que eu já não estivesse acostumado, mas ainda era meu pai, ainda era o homem que me botou no mundo e isso me doía, você não faz ideia.


Eu me afastei de você, sim, um dia depois do nosso primeiro beijo eu passei a te evitar, sei que você ficou confuso, provavelmente achou que eu havia brincado com você, ou até mesmo que você tinha me assustado. Mas não, foi por causa dele.


Eu estava acabado, eu tinha acostumado com sua companhia e sem você, eu não era ninguém naquela escola. Você não tem ideia do quanto me partia o coração te ver e não poder ir lá falar, conversar, te tocar, ou até mesmo sentir seus lábios macios mais uma vez. Ah... Seus lábios, eu queria tanto poder tocá-los novamente, senti-los contra os meus nem que fosse em um simples selar. Eu ansiava a sua companhia, os seus lábios, os seus toques por mínimos que fossem, eu ansiava por você.


E isso era uma merda.


Eu não podia te ter pra mim, não podia guardá-lo em uma bolha de sabão e ficar pra sempre contigo. As coisas não funcionavam assim. Eu não podia mais ouvir sua voz grossa que me causava arrepios. Eu queria me distanciar de tudo que me causava sofrimento.


E aí aconteceu.


Você me encontrou desacordado, sangrando, com uma garrafa de Whisky em mãos e a ponto de cair de uma ponte direto no mar. Eu mal respirava, havia tido uma crise de asma forte devido a bebedeira, e acabei desmaiando sem ar no momento que ia pular daquela ponte.


Foi uma sorte estupidamente filha da puta.


Será que você ainda evita que garotos idiotas tirem a própria vida, ou aquele dia foi a única vez? Eu me pergunto sempre.


Lembro de ter acordado em um quarto diferente e ao lado da cama que eu estava deitado, você chorava. Chorava tanto que eu ouvia seus soluços e aquilo me doeu muito, porque eu era o motivo das suas lágrimas. Você apontava para meus braços, e então eu notei que estava apenas de calça, meus cortes estavam expostos. Os cortes de lâmina, os vergões do cinto, tudo. Você viu tudo e isso me destruiu. Eu não queria que você me visse naquela situação deplorável.


Eu chorei junto a você, encostado na cama, no chão frio, eu chorei. Chorei e me lamentei por tudo, eu te contei toda a verdade. Da mutilação, das agressões, da dor de te ver e não poder te abraçar. Abri meu coração pra você e você chorou ainda mais, se culpou por não perceber e mesmo abalado em tentei enfiar na sua cabeça que a culpa não era sua. Que a culpa não era de ninguém, apenas minha.


Naquela noite, você cuidou de mim como ninguém jamais havia cuidado, me deu o carinho que nunca recebi nem de meus próprios pais. Você não apenas fechou minhas feridas expostas como fez cicatrizar as feridas do meu coração, pela primeira vez eu senti que alguém gostava de mim de verdade e me permiti amar alguém de verdade.


Aquela noite, a qual nunca vou esquecer, ela ficará guardada em um cantinho da minha memória até que eu vire apenas pó. Nós fizemos amor naquela noite, não me importando se meus pulsos ainda ardiam, se eu ainda estava mal.


Nós fizemos amor.


E isso esta soando tão clichê e meloso que estou me perguntando quando eu me tornei esse ser. Mas não estou mentindo afinal.


A sensação dos nossos corpos grudados devido ao suor, sua voz grave gemendo em meu ouvido de forma deleitosa enquanto se movia dentro de mim, era tudo tão belo. Nós tínhamos a sincronia perfeita, um feito para o outro. O ápice do prazer melando nossos corpos, as respirações ofegantes, e em meio aquela bagunça toda de pós-sexo eu pude ouvir algo que encheu meu coração de alegria mais uma vez, ou até mesmo pela primeira vez.


Eu amo você, Felipe.


Eu apaguei logo depois, sorrindo depois de muito tempo, mas não lhe respondi a altura. Apenas te abracei e desejei que aquilo durasse pra sempre. Mas não durou.


Nada dura o suficiente pra mim.


Levantei antes de você acordar, vesti minhas roupas e te dei um último selinho, você dormia de forma pesada e me permiti te observar naquela forma tão serena. Meu coração se partiu ao atravessar a porta, deixando apenas um bilhete escrito com palavras tremidas sobre a mesinha de centro.

Eu me lembro claramente o que eu escrevi naquele pedaço de papel. Eu nunca vou esquece-las.


“Provavelmente você vai me odiar por isso, por eu ir embora assim, sem me despedir, ou ao menos agradecer por ter cuidado de mim. Saiba que independente da minha partida, eu sou eternamente grato por me fazer tão feliz em tão pouco tempo, eu nunca achei que fosse me apaixonar, ainda mais por um garoto, mas veja só, cá estou estou eu escrevendo uma carta de despedida para um cara maravilhoso, enquanto olho esse cara maravilhoso dormir após um noite de sexo maravilhosa. Não estou te deixando porque brinquei com você, quero que fique bem claro, isso é para o seu bem, eu não posso deixar que ele te machuque da mesma forma que fez comigo, você não merece passar por nada de ruim. E sobre os meus cortes, me perdoe, eu fui fraco, eu sou fraco, tão fraco que estou te deixando para te ver bem.

Eu sou grato por tudo e espero que você encontre uma pessoa maravilhosa e que te ame tanto quanto eu.

Me perdoe, eu t ”


Eu não pude terminar a frase, você se mexeu e com o medo de te acordar eu apenas joguei o papel e sai de lá o mais rápido possível. Eu estava com o coração partido sim, eu estava machucado sim por te deixar daquela maneira.

Eu estava quebrado, quebrado em pedaços pontiagudos e eu poderia me cortar facilmente com os cacos de mim mesmo, mas eu não me importava, você estava bem, você ficaria bem e isso era o que importava.


Este livro está ficando um pouco maior do que o esperado, vamos acabar logo com essa tortura. Na verdade isso é como um diário pra mim, vou deixa-lo aqui, no nosso lugar preferido, embaixo da nossa cerejeira, quem sabe alguém não o encontra e lê sobre a nossa triste história não-tão-de-amor-assim e resolve fazer um livro? Lembro que você dizia que gostaria de escrever nossa história um dia


Sim, eu voltei, depois de oito meses, eu voltei ao nosso lugar preferido apenas para escrever nossa história, eu voltei pra essa cidade, esse lugar que me traz tantas lembranças ruins apenas para que alguém ache esse caderno e quem sabe, entregá-lo a ti. Seria uma boa. Mas, claro, quando eu já estiver longe daqui.


Talvez eu tenha usado esse caderno vermelho pra dizer tudo que não tive coragem de dizer a ti, talvez escrever em cadernos sentados abaixo se cerejeiras seja o meu refúgio, não sei.


Apenas queria dizer que, se um dia você encontrar, ou ouvir falar desse pequeno caderno vermelho, saiba que a coisa que eu mais me arrependo na vida é de não ter te falado antes.


Eu te amo, meu Jonas.


É, acho que finalmente acabei, escrever em um caderno falando sobre a história de amor que você nunca viveu é cansativo. Mas valeu a pena.


Observo o pequeno caderno em minhas mãos e limpo uma lágrima solitária que insiste em cair, vou sentir falta dele.


O deixo no chão, próximo ao tronco da cerejeira, certamente alguém ira vê-lo ali. É melhor eu ir.


O vento ainda está um pouco forte, continuo gostando de dias assim e esse dia é perfeito, o sol esta posto no céu mas a brisa continua gelada. Uma sensação térmica maravilhosa para quem gosta desse tipo de clima.


Está na hora de voltar, meu trem logo partirá e eu devo ir junto com ele, dessa vez, sem volta.


E eu ja estaria lá, se aquela voz grossa e inconfundível não tivesse me parado no meio da calçada.


Felipe? É você?





Não tem final melhor do que aquele criado pela imaginação.


Aninha, 2018


THE END.



27 Mai 2021 14:04:13 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Bibi Escrevo umas boiolagens e desenho mais boiolagem ainda

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