izzy02 Izzy Hagamenon

Depois da grande caçada, que matou quase todas as bruxas e fez o restante fugir para lugares diferentes, as descendentes das bruxas ganharam uma missão. Ayla e Helena, algumas das bruxas que conseguiram manter os conhecimentos de seu povo, tinham que peregrinar pelos vales e vilarejos espalhados pelo reino em busca das que não conseguiram ou sequer sabiam que eram bruxas. Somente assim conseguiriam realizar o sonho de suas ancestrais de ver seu povo reunido e mais uma vez podendo viver em paz, sem medo de mostrarem quem são.


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#fantasia #bruxas #328
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Bruxas

— Ayla, nós temos que voltar a explorar. Logo a lua cheia irá chegar e nós não queremos voltar a ter que nos esconder durante a busca. — Disse Helena, deixando de encarar a fogueira do acampamento para observar o céu.

— Eu sei, irei falar com o resto das meninas sobre isso quando elas vierem para a fogueira. Quando a lua ficar cheia, já teremos que estar de volta, não podemos correr o risco dos humanos verem nossos olhos. — Ayla fala com uma voz mais baixa, lembrava o amaldiçoado dia que as fez sair na lua cheia.

Foram caçadas e, como as suas ancestrais, quase pararam na fogueira. Tudo graças à mudança da cor de seus olhos. Nunca iria se perdoar se perdesse uma integrante de seu Coven, elas se tornaram sua família após a caçada em massa das bruxas. Só eram dez no momento, mas com as explorações, logo encontrariam mais descendentes de seu povo.

Ao decorrer do tempo, as meninas que terminavam suas tarefas se sentavam ao redor da fogueira. Agora só faltava Ayla fazer seu comunicado ao grupo.

— Agora que estão todas aqui, queria dizer que temos que nos preparar para sair de novo. Como estamos próximas da lua cheia, temos que voltar antes dela acontecer. Vamos fazer a separação de sempre, cinco irão ficar para reforçarem o círculo mágico em volta das cabanas se for necessário. As outras irão comigo e Helena para fora do acampamento, podem escolher, me deem a resposta amanhã de manhã.

Mesmo sentindo a apreensão que sempre sente quando tem que deixar o acampamento, Ayla conseguiu ter uma boa noite de sono. Talvez fosse pelo fato de ter visto um arco-íris no dia anterior e ter encarado isso como um sinal de que coisas boas virão.

Os pássaros mal começaram a cantar e Ayla já estava saindo de sua cama para acordar Helena, sua querida amiga de infância, e companheira de cabana também.

— Acorda, Helena! Temos que nos arrumar e ver quais garotas que vão nos acompanhar.

— Calma, o sol acabou de nascer, teremos bastante tempo para andar sob o sol ainda. Aliás, por que está tão animada? Há um tempo que não encontramos mais ninguém, caminhamos por muitas estradas e mesmo assim não encontramos nenhuma das nossas.

— Sinto que teremos sorte desta vez. — Ayla encarava Helena enquanto sorria, a esperança se recusava a deixar o corpo dela.

Ambas saíram da cabana após alguns minutos. Elas passaram pela fogueira, que agora jazia apagada, e foram em direção ao lago em frente ao acampamento. Todas se reuniram ali, três com roupas mais confortáveis para caminhadas, pelo visto não precisaria perguntar quem a acompanharia.

— Bom, agora que já sabemos quem vai ficar e quem vai sair, podemos terminar de arrumar as nossas coisas. Não esqueçam de checar todas as rotas pelas quais vocês irão passar usando o mapa, vamos nos separar como da última vez, eu e Helena seremos um grupo e vocês três serão o outro. Nós rumaremos para as terras mais ao norte, vocês podem ir para o leste dessa vez. Dito isso, que a Deusa esteja com vocês, boa sorte!

Meia hora depois, Ayla e Helena se despediram das meninas e rumaram para o norte do reino. Andavam por horas sem parar, para aproveitar a luz do sol, e dançavam e cantavam quando a noite chegava. A alegria e esperança da Ayla estava passando para Helena, isso sempre acontecia, pelo menos desde que a mãe de Helena morreu e ela se mudou para a casa de Ayla para ser criada pela mãe dela.

Elas se tornaram praticamente irmãs após serem criadas juntas e, mesmo sendo tão diferentes, agiam e pensavam com a sincronia de gêmeas graças à dor da perda que recaiu sobre elas novamente com a morte da mãe da Ayla. Elas se complementam, sendo a Ayla a noite, com seus cabelos negros, cacheados e pele da mesma cor e Helena sendo o dia, com seus cabelos loiros e pele branca.

Três dias se passaram com elas cruzando vilarejos e vales, tocando um pouco de sua flauta ou de seu pequeno tambor para passarem as noites com um toque de alegria. Em seu quarto dia de caminhada elas chegam na entrada de uma floresta fechada, não acham se tratar de um lugar que alguém moraria. Quando estavam prestes a dar as costas e tentar andar em outra direção para contornar aquele lugar, elas viram um pequeno casebre de madeira.

— Que estranho — Disse Ayla, deixando óbvia a sua confusão. — Por que alguém moraria aqui?

— Para esconder algo! — Pensou alto, Helena.

— Seria uma bruxa tentando se esconder da população?

— Também pode ser algum criminoso, ou a casa pode só estar abandonada mesmo. — Helena claramente não queria permanecer ali.

— Não pode estar abandonada, tem uma pequena horta logo ao lado, ela já teria morrido se não tivesse ninguém cuidando dela. E não acho que um criminoso iria criar uma hortinha assim. — Ayla quase ri ao falar a última parte para Helena.

— Uma pessoa perigosa não pode saber plantar? — Helena se vira para Ayla com uma cara irônica.

— Não vamos nos aproximar, está bom assim? — Após Helena concordar com a cabeça, Ayla continua — Vamos fazer um círculo mágico aqui para quem mora ali não nos ver e vamos observar por um tempo.

Por estarem cansadas da caminhada, elas acabaram dormindo. Ao acordar a noite já tinha chegado, mas elas tiveram tempo o suficiente para perceber algumas coisas sobre aquele lugar. A primeira era que ali vivia um homem e duas crianças que aparentavam ter quase a mesma idade, a segunda era que o homem claramente não gostava das crianças, pois elas as viram fazendo os trabalhos pesados enquanto ele só os observava enquanto gritava algo.

Elas não queriam continuar paradas vendo essa cena, mas não queriam interferir diretamente no problema dos humanos também, então no meio da madrugada elas se aproximaram da casa e refizeram o círculo lá. Queriam pelo menos saber o porquê daquele homem tratar as crianças daquele jeito e elas não precisaram esperar muito para terem a resposta. Assim que amanheceu as crianças reclamaram um pouco por estarem cansadas pelo dia anterior e já estarem tendo que trabalhar de novo sem sequer comer algo.

Ayla e Helena ficaram chocadas com o tratamento que eles estavam recebendo e com o fato de que parecia ser algo diário, porém não tão chocadas como quando escutaram o homem falar:

— Deveriam estar agradecidos de estarem fazendo essas tarefas e não morrendo em uma fogueira como a mãe de vocês!

Ódio! Esse era o sentimento que crescia dentro de Ayla e Helena ao escutarem aquilo. Ele não se contentava em fazer as crianças sofrerem diariamente, ainda as ameaçava utilizando a morte da mãe deles como exemplo.

Não dava mais para ficarem paradas, isso deixou de ser um assunto dos humanos para ser um assunto das bruxas e de seus descendentes.

Ayla e Helena pegaram algumas das ervas que carregavam, ervas cultivadas pelas bruxas tinham efeitos surpreendentes dependendo de como e com o que as misturassem. Na mistura atual de ervas que elas queimaram na janela do casebre, o efeito era de sonífero, um tão forte que colocou os três moradores para dormir no instante em que a pequena fumaça chegou em seus narizes.

Quando o corpo deles bateu no chão, as duas se levantaram e correram para a porta. Entrando na casa elas foram direto na direção das crianças e as carregaram para fora. Após colocá-los embaixo de uma árvore, elas moem o caule das folhas que elas queimaram anteriormente e misturam o caule moído com água dando um pouco dessa água para as crianças.

Após tomar a água, as crianças acordaram num susto com duas desconhecidas os encarando. Os olhos dessas desconhecidas chamavam a atenção dos pequenos, a garota cor de ébano tinha seus olhos, metade azuis e outra metade prateada, enquanto a garota de cabelos loiros tinha dois tons de verde em seus olhos, um claro e outro bem escuro. Esses olhos inebriantes olhavam as crianças de cima a baixo, talvez procurando por ferimentos ou quem sabe tentando adivinhar quanto eles valeriam se fossem vendidos, eles não sabiam a resposta para essa questão e nem pareciam querer saber.

— Além de umas marcas e arranhões, provavelmente derivados de suas viagens à floresta para pegar lenha, não parecem ter algo mais grave no corpo — Helena foi a primeira a cortar o silêncio.

— Os corpos estão bem, mas não podemos afirmar nada sobre as mentes deles. Vai saber o que aquele homem disse, ou melhor, gritou para eles durante anos — Disse Ayla, deixando um pouco de desprezo pelo homem transparecer em seu rosto.

Helena se abaixou para ficar na altura dos olhos das crianças e disse:

— Olá, pequeninos! Eu sou Helena e essa garota do meu lado é a Ayla. Eu sei que parece repentino, mas vocês não vão precisar se preocupar mais com aquele homem, vamos ajudar vocês.

— Por que vocês fariam uma coisa dessas? — O garoto perguntou antes da irmã.

— Como eu poderia explicar isso? — Helena ainda não tinha conseguido pensar nessa parte.

— Porque somos praticamente parentes pelo seu lado materno da família — Ayla foi rápida ao falar depois de perceber que sua amiga não conseguiria pensar em um jeito mais fácil de falar isso.

— Parentes? — Desta vez foi a garota que falou, seus olhos encaram as meninas com um brilho renovado.

— Pelo jeito que aquele homem falava, vocês devem saber quem era a sua mãe, certo? — Apesar do olhar perfurador da amiga, Ayla continuou — Sabiam que ela era uma bruxa.

As crianças se chocaram por um instante e começaram a trocar olhares. Era como se tivessem crescido sendo treinados para saber o que fazer nesse tipo de situação e estivessem tentando lembrar do que aprenderam.

— Não precisam se preocupar, nós também somos. Por isso que somos como parentes. — Helena já tinha desistido e adotado o método de Ayla. — Podem nos contar o que aconteceu com vocês?

Os dois se olharam e, depois de um pequeno aceno com a cabeça, começaram a falar.

— Eu sou Liam e essa é a minha irmã mais nova, Marina. Aquela pessoa... — Estava claro no rosto dele o desgosto que ele sentia por aquele homem — é o nosso pai.

A surpresa no rosto das bruxas não passou despercebido naquele momento. Elas pensaram em várias coisas, menos que a pessoa maltratando eles, seria o próprio pai deles.

— Ele falou várias vezes conosco que foi enganado e até enfeitiçado pela nossa mãe para não perceber que ela era uma bruxa. Ele descobriu a verdade e não pensou duas vezes, entregou nossa mãe para os caçadores de bruxas, mesmo ela sendo sua esposa e mãe dos filhos dele. Depois que ela foi queimada nós nos mudamos para cá, ele disse que não tinha mais como encarar as pessoas do nosso antigo vilarejo depois de saber que era pai de crianças com sangue sujo. — Parecia que a raiva de Liam aumentava a cada palavra.

— Como ele teve a audácia de falar algo desse tipo? — Ayla quase gritou ao dizer isso, enquanto Helena estava quase petrificada no lugar sem saber o que falar.

— Está tudo bem, já nos acostumamos com isso. — Ouvir Marina falando isso só deixava as bruxas pior.

Depois de sair de seu choque, Helena pareceu ler a mente de Ayla ao oferecer ajuda.

— Nós estamos voltando para a nossa casa, o nosso Coven. Se quiserem, podem vir conosco!

Ambas sorriam para as crianças ao fim da frase. Parecia que Liam e Marina queriam chorar naquele momento, a ajuda que eles tanto sonharam foi finalmente estendida a eles. As crianças levantaram num pulo, tamanha era a felicidade.

— Claro que queremos!

— Ótimo, mas temos que fazer algo antes de irmos. — Ayla estava com um pequeno sorriso se formando no rosto.

— O quê? — As crianças perguntaram em uníssono.

— Vai falar para modificarmos um pouco a história para apagar os traços, certo?

— Você me conhece tão bem, Helena!

— Modificar a história? — Os olhinhos curiosos de Marina eram tocantes de tão fofos.

— Vou mudar o que seu pai pensa que aconteceu. Se vocês simplesmente sumissem com ele sabendo que vocês têm sangue de bruxa, ele poderia pensar que outra bruxa levou vocês, já que vocês não fugiriam sozinhos. Ele acabaria reportando o caso em algum lugar e buscas para caçar bruxas iriam começar e não queremos correr o risco deles chegarem sequer perto de nós. — Ayla ficou um pouco mais séria para explicar a situação para as crianças.

— Como você faz isso? — Foi a vez do Liam de mostrar seus olhos curiosos.

— Fácil! Ela vai sussurrar palavras imbuídas de magia que ficarão na cabeça dele, toda vez que ele lembrar de algo relacionado ao assunto que ela disse ele só vai lembrar do que ela sussurrou e a cabeça dele irá completar as lacunas que ficarem. — Helena demonstrava orgulho na voz pela amiga conseguir fazer isso.

— Nossa, as bruxas conseguem fazer isso? — A curiosidade não tinha abandonado o corpo de Liam.

— Como novos bruxinhos em treinamento, aqui vai a primeira lição. Não são todas que conseguem. Olhem as minhas unhas, veem como são perto da cor preta e como as unhas de Helena são roxas? — As crianças acenaram com a cabeça — É assim que sabemos o quão forte é uma bruxa, quanto mais perto da preta, mais forte ela é. As cores variam do lilás ao preto. Somente as que estão mais perto da cor preta conseguem utilizar esse tipo de feitiço.

Os dois a olharam admirados enquanto ela caminhava para a casa. Ayla simplesmente entrou no casebre e se ajoelhou ao lado do corpo desmaiado. Com sua boca bem perto do ouvido dele ela começou a sussurrar:

— Tudo o que você lembra é que… — Sua voz se tornou mais grave, seus cabelos começaram a balançar um pouco como se o vento estivesse tentando beijá-la — seus filhos morreram há dois anos, eles contraíram pneumonia e você não conseguiu ajuda a tempo por estar em um lugar isolado. Essa é toda a verdade.

Se levantou e foi de encontro aos outros que a esperavam. Enquanto Ayla se aproxima, Marina pergunta a Helena:

— Ele não vai acordar mais?

— Vai, mas só daqui algumas horas. Tempo o suficiente para estarmos bem longe daqui.

A longa caminhada começou, a esperança e ansiedade nutrida pelas garotas no caminho de ida não foi em vão. Depois de 2 anos sem achar ninguém, finalmente teriam uma festa de boas-vindas para fazer. Com certeza iriam comer, dançar e cantar bastante ao redor da fogueira do acampamento, poderiam contar histórias das suas antepassadas e dos tempos de glória que um dia tiveram. Histórias que foram passadas de gerações a gerações e que tinham se estagnado.

Depois de três dias de caminhada parecia que Liam e Marina finalmente tinham internalizado o fato de que seriam treinados devidamente como descendentes desse povo e com isso as perguntas começaram. Liam, como sempre, era o primeiro a começar as ondas de perguntas:

— Quando eu era bem pequeno ouvi que as bruxas enfeitiçavam as pessoas e pegavam as coisas de valor que elas tinham e que era assim que conseguiam se manter sem terem que morar perto das vilas, é verdade?

As meninas não se aguentaram e começaram a rir, mas mesmo entre risos Ayla conseguiu responder:

— Isso é um rumor que alguns empregados de pessoas com mais dinheiro inventaram para poderem roubar de seus senhores em paz. Nós temos um contato muito íntimo com a natureza, aprendemos a viver nela, por isso não precisamos morar perto das vilas.

Liam parecia ter se envergonhado do que disse e Helena percebeu rápido o suficiente para dizer:

— Vocês não precisam se preocupar, viveram como humanos durante todo esse tempo, é natural que não saibam o que são apenas rumores e o que é verdade. Vamos ensinar a vocês tudo o que precisarem.

Assim que terminou de falar, notou a trilha já tão familiar aos seus pés, andou mais um pouco nela e anunciou:

— Sejam bem-vindos ao seu novo lar.

Liam e Marina pareciam confusos, tudo o que viam era uma pequena trilha com algumas árvores de folhas coloridas fazendo cobertura dela.

— Assim eles não vão entender mesmo — Ayla deu três passos à frente do grupo e fez um pequeno desenho na terra onde começava as sombras das árvores que cobriam a trilha.

Uma rajada de vento os pegou de surpresa, a imagem da trilha pareceu ficar um pouco embaçada. Ayla passou pela marca que acabou de fazer no chão e desapareceu na frente deles. Eles não sabiam o que falar, apesar de já saberem sobre a magia, ver algo assim na frente deles era chocante.

Helena chamou os dois e atravessou também, os irmãos deram as mãos e cruzaram em seguida. Quando olharam ao redor, perceberam estar em um local completamente diferente do de antes. Observaram a imagem de um lago enorme à sua esquerda e várias cabanas formando um semicírculo em volta de uma fogueira, e não podiam deixar de notar as montanhas de tirar o fôlego que podiam ser vistas atrás das cabanas.

Ayla chamou a atenção deles e disse com um enorme sorriso no rosto:

— Bem-vindos ao Coven, seu novo lar!

27 Décembre 2021 18:48:31 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
4
La fin

A propos de l’auteur

Izzy Hagamenon Apenas uma jovem mulher que gosta de colocar seus sentimento no papel, uma que tenta transmitir seu ponto de vista sobre o que acontece no mundo.

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