chiisanahana Chiisana Hana

Obrigada a mentir para Shiryu durante a primeira luta dele na Guerra Galáctica, Shunrei se vê no meio de um dilema: e se ele não a perdoasse? - Primeira fanfic da série Interlúdios.


Fanfiction Anime/Manga Tout public.

#cavaleirosdozodiaco #shiryuxshunrei #shiryu #shunrei #saintseiya
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Capítulo Único


Nota: Há muito tempo queria começar essa série. A intenção é mostrar momentos simples que intercalaram as batalhas, começando por esse. Eu sempre quis ler algo assim, mostrando o dilema da Shunrei quando teve que mentir para o Shiryu, então aí está. ;)



Prestes a partir para a primeira batalha de sua vida, Shiryu ouvia as últimas recomendações de seu mestre. Mantenha o foco na luta. Permaneça calmo. Antecipe todos os movimentos do seu oponente em sua mente. Tudo aquilo que ele já estava cansado de saber. Tinha certeza de que sua disciplina nos seis anos de treinamento era mais que o suficiente para torná-lo infalível no tal Torneio Galáctico do qual participaria em breve.

A convocação da Fundação GRAAD contendo a passagem e o dinheiro chegou dias atrás e desde então ele vinha se preparando e repassando mentalmente todas as lições do Mestre Ancião.

– Nunca é demais relembrar – o Mestre disse ostentando um sorrisinho enigmático diante da expressão quase arrogante do jovem discípulo.

– Estou ciente de todos os ensinamentos, Mestre. Não se preocupe. Voltarei vitorioso, o senhor pode ter certeza disso.

O Mestre sorriu outra vez observando Shiryu recolocar a caixa de Pandora nas costas e pegar a malinha de couro que estava no chão. Ao lado do jovem, Shunrei mantinha um semblante preocupado e ansioso.

– Você vai ficar bem, não vai? – ela perguntou e se aproximou dele um pouco mais.

– Vou. Serei o vencedor e logo voltarei. Não se preocupe.

– Espero que não se machuque muito. Eles não vão deixar, né? Vai ter algum controle?

– Eu não sei, Shunrei. Mas não pretendo me machucar mais que o necessário.

– Certo… É que também tenho medo de que você não volte... – ela confessou corando e olhando para o chão tentando fugir do olhar dele. Sua apreensão era mais por esse motivo do que pela luta em si.

Nos últimos seis anos, sua vida se resumiu a cuidar de Shiryu e do Mestre. Amava-o desde que o viu pela primeira vez, quando ainda eram crianças, e esse sentimento cresceu com o passar dos dias. Agora, com o treinamento terminado e o retorno dele ao Japão, seu coraçãozinho apaixonado estava aflito e ela mal conseguia se conter. Queria gritar que ele não fosse, que ficasse com ela, pois seriam felizes juntos e ela o amaria para sempre e seria a melhor esposa que ele poderia ter na vida.

– Está mesmo com medo de que eu não volte? – ele perguntou ao perceber o nervosismo dela.

– Eu... eu... tenho muito medo... – ela gaguejou. – Se você não voltar, não sei como vou viver...

A última frase saiu num sussurro quase inaudível pois era mais do que pretendia dizer, mas logo depois que disse, gostou de tê-lo feito.

– Não precisa se preocupar. Eu voltarei em breve, mas agora eu tenho que ir.

– Claro. Mestre, vou acompanhar o Shiryu até a cidade.

– Acho melhor não, Shunrei – o Mestre disse pegando-a de surpresa.

– Mas Mestre... – ela tentou protestar, porém o ancião a interrompeu.

– Shunrei, não insista. Vou precisar de você aqui.

– Está bem – ela assentiu tristemente e voltou-se novamente para Shiryu. – Que Deus o proteja – disse e deu um abraço que ele, timidamente, retribuiu.

Não estavam acostumados a ter esse contato físico tão próximo, por isso os corações de ambos aceleraram. Nervosos, nenhum dos dois sabia o que fazer ou dizer a seguir, então sem dizer mais nada, Shiryu começou sua jornada rumo à Guerra Galática. Enquanto ele descia a montanha, Shunrei ficou parada, assistindo seu amado se afastar e rezando para que voltasse, com o aperto no peito crescendo junto com a saudade que já começava a doer.

– Shunrei, não se entristeça – o Mestre disse.

– Como não? – retrucou exasperada. – Shiryu acaba de partir para esse maldito torneio de luta. Tenho medo de que se machuque muito ou que resolva não voltar mais! – A essa altura ela já não conseguia mais controlar as lágrimas. – Ele falou que volta, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Ele pode mudar de ideia.

– Se ele disse que voltará, não importa o que aconteça, ele o fará. E, além disso, você logo estará com ele pois amanhã partirá no primeiro vôo para Tóquio.

– O quê? Eu também vou? Então por que não me deixou ir com ele logo??

– Porque você irá para Tóquio em segredo, Shiryu não poderia saber antes da hora.

Mesmo sem entender, Shunrei se animou. Não tinha certeza de que gostaria de vê-lo se matando com outro rapaz em cima de um ringue, mas seria um alívio estar por perto caso ele precisasse.

– Ouça com atenção. Embora Shiryu não saiba, esse será o verdadeiro último teste dele. Você vai entrar durante a primeira luta e dirá a ele que estou morrendo, dirá exatamente isso, entendeu?

Shunrei olhou desconfiada para o Mestre. Não achava uma boa ideia mentir para Shiryu dessa forma e no meio da luta.

– Não, de jeito nenhum. Shiryu não me perdoaria!

– Ele perdoará. E eu garanto que essa mentira é para o bem dele. Não confia em mim, Shunrei?

– Confio, mas não quero mentir para ele. Eu nem sei se vou conseguir.

– Shiryu é muito forte e está bem treinado, mas é imaturo e ainda não enfrentou outros adversários, nunca lutou de verdade, nunca passou por uma situação de tensão real. Quero ver como ele se portará. A vida dele depende de como ele vai sair dessa luta.

– Mestre! Por favor, eu não quero fazer isso!

– Você tem de fazê-lo. Essa pequena mentira será crucial para o futuro dele.

– Por favor, não. Eu quero ir até lá, quero ver a luta, mas mentir para ele é demais.

– Já está decidido. Você tomará o avião amanhã. Ficará em um hotel perto do Coliseu GRAAD. No dia da luta de Shiryu, você entrará na arena e dirá a ele que estou morrendo, entendeu? Está tudo certo lá. Você terá credenciais e os seguranças vão deixar você chegar até a arena.

– Mestre, eu não quero...

– Terá de fazê-lo, Shunrei.

Foi a última coisa que o ancião disse e, tamanha era sua autoridade, que Shunrei não se sentiu mais capaz de argumentar contra. Desejou tanto ver Shiryu lutar que conseguiu, mas a um preço alto que talvez acabasse com o bom relacionamento que construíram e com tudo que ela sonhava para o futuro.

Nessa noite, Shunrei não conseguiu dormir. Além de ser obrigada a mentir para Shiryu, a viagem propriamente dita a deixava angustiada. Nunca tinha saído de Rozan e agora teria de ir ao Japão sozinha. O Mestre entregou-lhe uma pasta que continha uma passagem, um passaporte que ela nem sabia que tinha, com uma idade bem maior que a sua idade real, o endereço detalhado do hotel onde ela deveria ficar, as credenciais para entrar no Coliseu, além de dinheiro suficiente para que ela se mantivesse por lá. Ela quis perguntar como ele, um velhinho que mal conseguia locomover-se nos arredores de casa, conseguiu aquilo tudo, mas achou melhor não tocar no assunto. Já estava sofrendo o bastante para se preocupar com os mistérios do Mestre.

No dia seguinte, ela pegou uma mala, despediu-se do Mestre e desceu a montanha. Na vila, pegou o bonde que levava ao aeroporto. Já acomodada no avião, ela pensou nos passos que daria quando chegasse em Tóquio. A língua japonesa não seria um grande problema, pois Shiryu e o Mestre ensinaram-na desde pequena, mas viajar sozinha era aterrorizante. Tudo parecia muito maior, os barulhos mais altos, até as pessoas pareciam gigantes perto dela. Encolhida em sua poltrona, ela só rezava para chegar logo.

Ao desembarcar em Tóquio, Shunrei explicou a um taxista aonde desejava ir e mostra o papel com o endereço impresso, para ter certeza de que disse o nome corretamente. Minutos depois, o homem a deixou em um hotel modesto mas muito limpo e confortável, de estilo japonês. Ela achou tudo minimalista demais, preferia a explosão de cores comum na China, mas experimentou o futon e achou bastante confortável. Depois de tomar um banho rápido, Shunrei vestiu um pijama e deitou-se. Ainda era cedo demais para dormir, mas ela achou melhor se aquietar e tentar pegar no sono pois no dia seguinte Shiryu subiria no ringue e ela teria de cumprir sua missão.

Shunrei fez uma prece rogando para que Deus o protegesse durante a luta, principalmente depois que ela lhe desse a 'notícia'. Depois se perguntou o que ele estaria fazendo àquela hora da noite. Provavelmente já estava recolhido em seu quarto, meditando, concentrando-se para a luta. Ele jamais confessaria mas ela tinha certeza de que estava nervoso e com medo de as coisas saírem do controle.

Pensando nele, Shunrei adormeceu.

Não lembrava se sonhou, sequer lembrava direito da ida ao coliseu ou detalhes da luta de Shiryu porque tudo virou uma grande confusão. Shiryu quase morrendo diante do público e de todas aquelas câmeras por conta da mentira que ela contou. Sentia-se um pouco menos culpada por ter conseguido fazer com que o adversário salvasse Shiryu. Foi uma sorte ela sempre ter observado os treinos. Se não fosse isso, ninguém saberia o que fazer para que o coração dele voltasse a bater.

O coração voltou, mas tanto Shiryu quanto o outro rapaz ainda inspiravam cuidados e foram levados de ambulância para o hospital da Fundação GRAAD. Shunrei seguiu para lá de táxi e agora aguardava notícias na sala de espera. Pouco depois, o rapaz que segurou Shiryu na arena apareceu.

Algum tempo depois vieram avisar que Shiryu estava bem, mas ficaria em observação para que os médicos vissem como seu coração se comportaria pelas próximas horas. Ela também soube pela enfermeira que o cavaleiro que o salvou estava passando uma cirurgia. O outro rapaz que segurou Shiryu para o Pégaso o golpeasse nas costas apareceu.

– Olá – ele cumprimentou timidamente e Shunrei ergueu o olhar. Não tinha reparado muito bem nele na arena, mas agora percebia as feições belas e delicadas, quase femininas, e o jeito manso de falar. – Meu nome é Shun.

– Oi – ela cumprimentou de volta com um sorriso.

– Acabei de falar com os médicos e soube que Shiryu está bem, mas vai ficar em observação, e o Seiya está sendo operado. Você precisa de alguma coisa?

– Não, obrigada por tudo, por vir, por ter ajudado lá na arena, tudo.

Shun observou que ela falava um japonês correto, apenas com um leve sotaque chinês. "Shiryu deve ter ensinado", pensou. "Assim como eu ensinei a June."

– Não foi nada – ele disse. – Gosto de ajudar.

– Você conheceu o Shiryu na infância? Antes de irem para o treinamento?

– Sim, eu convivi um pouco com ele. Sempre foi muito educado e sério.

– Não é? Falo isso pra ele, muito sério desde criança. Você foi enviado para qual lugar?

– Eu deveria ir para um lugar terrível, mas meu irmão acabou trocando comigo.

Shunrei notou que quando ele falou do irmão uma sombra de tristeza transpareceu no olhar dele.

– Ele não conseguiu...?

– Bom, eu não sei… Já devia ter chegado para o torneio, mas até agora nada... Estou preocupado porque dizem que ninguém sai vivo daquele lugar chamado Ilha da Rainha da Morte... – Shun respirou fundo. – Só espero que ele esteja bem.

– Estará – ela disse, e parecia tão convicta que ele se viu instigado a acreditar.

– Eu tenho que ir agora, mas se precisar de algo, é só ligar lá para a casa da senhorita Kido.

Ela agradeceu mais uma vez e se despediu do cavaleiro. Assim que ele saiu, ficou absorta em seus pensamentos, preparando-se para quando Shiryu acordar e ela inevitavelmente terá de confessar que mentiu. Estava com medo de encarar a reação dele e ao mesmo tempo estava feliz por ele ter sobrevivido.

Ainda estava pensando nisso quando uma enfermeira veio avisar que Shiryu já estava acordado e a levou até o quarto. Quando abriu a porta, Shiryu a recebeu com um leve sorriso. Estava com bom aspecto, apesar de alguns hematomas e do que passou horas antes.

– Obrigado por salvar a minha vida – foi a primeira coisa que ele disse.

– Não precisa agradecer. Eu não deixaria você morrer sem fazer nada...

– Agora preciso saber quando sairei daqui. Precisamos voltar à China para ver o Mestre Ancião... Lamento ser essa grande decepção para ele. Eu não desejava que fosse assim, depois de uma derrota vergonhosa, mas não é hora para orgulho bobo. Temos que estar lá com ele de qualquer forma.

– Shiryu... – ela começou, mas hesitou e respirou fundo antes de prosseguir. – Ele não está doente.

Shiryu franziu a testa intrigado.

– Não?

– Ele me obrigou a vir pra cá e mentir para você...

– Mas por quê? Não consigo entender.

– Ele disse que seria seu último teste, que queria ver você lutar sob pressão. – A essa altura Shunrei começou a chorar. – Eu não queria, Shiryu, mas ele disse que eu tinha de vir e fazer isso, porque seria para o seu bem. Eu juro que não queria. Eu juro. Eu não teria vindo se soubesse que colocaria sua vida em risco.

A reação de Shunrei foi tão intensa e genuína que ele sequer pôde pensar em duvidar. Além do mais, ele sabia muito bem que o Mestre podia ser bastante persuasivo quando desejava.

– Calma – Shiryu segurou as mãos dela. – Sei que você não teve escolha.

– Eu não tive... Juro que não!

– Está tudo bem. Como sempre, o Mestre tem razão: ainda tenho muita coisa a aprender.

– Jura que não está magoado comigo?

– De jeito nenhum. Você só me faz bem, Shunrei.

Ela sentiu um alívio imenso por ele estar vivo e, mais ainda, por não ter ficado magoado que novamente o abraçou sem pensar. Shiryu deixou-se envolver no abraço, ainda mais embaraçado que no dia de sua partida.

– Agora me conte, você veio para cá sozinha?

– Foi...

– E não teve medo?

– Bom, tive, mas eu precisava cumprir a ordem do Mestre e também queria muito ver você, então só respirei fundo e entrei no avião.

– Você foi bem corajosa para uma garota que nunca saiu de Rozan.

– É, mas não pense que foi fácil. – Ela começou a contar sua aventura, enquanto agradecia em pensamento por ter acabado tudo bem. Em breve estariam em casa novamente e tudo seria como antes, ela faria alguma comida gostosa para o jantar, e os três comeriam felizes, enquanto ouviam uma das histórias que o Mestre gostava de contar.

Enquanto a ouvia, Shiryu de repente entendeu o que o Mestre fez. Aquilo não tinha nada a ver com última prova. De algum modo, ele sabia o que ia acontecer e mandou Shunrei para o Japão porque somente ela poderia salvá-lo.


-Fim-


Reescrita em 03/2021


22 Mars 2021 02:23:31 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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