fuyukahideki Adrielle Victória

O baile de formatura é sempre um momento especial para todos que estão no terceiro ano. E para Kageyama Tobio e Shouyou Hinata era a última chance de irem com alguém que realmente gostam.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

#kagehina #formatura #fluffly #haikyuu #Hinata-Shouyou #kageyama-tobio
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Baile de Formatura

A quadra do ginásio da escola Karasuno estava começando a ser ornada para o futuro baile de formatura que aconteceria daqui a três semanas. Haviam algumas poucas decorações já em seus devidos lugares, principalmente no palco e nas áreas mais altas do ambiente. No entanto, quem passasse pela frente do ginásio àquela hora conseguiria ouvir perfeitamente os ecos que as bolas do treino do time de voleibol fazia lá dentro — além dos gritos recheados de insultos que Kageyama Tobio lançava para Shouyou Hinata.

— Se você não consegue acertar a bola, não peça que eu levante! — O moreno e o ruivo encontravam-se frente a frente. A diferença de altura deixava tudo um pouco cômico se olhado de fora.

— Se colocasse onde eu pedi, isso não teria acontecido! — retrucou o menor.

Nunca foi incomum que os dois brigassem por qualquer besteira, porém, era notável que as coisas estavam mais quentes do que o costume nas últimas semanas. Até então, o pensamento que os mais velhos tinham era: se não afetar a dinâmica do time em um jogo, tudo bem, caso contrário, iremos intervir. Sugawara observava de longe, Daichi também prestava atenção.

— Talvez, se eles apenas se confessassem isso resolveria toda essa situação — Suga comentou com o namorado.

— São muito teimosos para isso. — Ninguém poderia discordar dessa frase. Não uma e nem mesmo duas vezes algumas pessoas do time combinaram de tentar fazê-los admitirem um para o outro o que sentem, no entanto, sempre acabava em uma briga fora de proporções. Diante disso, eles resolveram desistir, apenas não valia à pena ter de separá-los toda vez que uma discussão mais calorosa era iniciada. E eles sempre voltam a se falar como se nada houvesse acontecido, logo, não há muito o que qualquer um deles possa fazer.

Hinata se sentia furioso enquanto via os olhos azuis de Kageyama o encarando, por isso, virou o rosto e cruzou os braços na frente do peito. Sentia o coração batendo forte, não somente por estar praticando esporte, mas, claro e principalmente, por ter o outro tão perto de si. Não muito diferente de como o moreno estava se sentindo naquele exato momento, a diferença é que Tobio segurava o olhar sobre o menor gravando suas feições aborrecidas na memória.

Se fosse ser completamente sincero consigo, Kageyama admitiria que detesta essa dinâmica de brigas constantes que os dois têm. E o fato de não conseguir segurar o sentimento que nutre pelo outro, é o que vem o deixando irado, e quando nota, uma nova discussão boba fora iniciada. Nesses últimos dias passados está pior, até ele sabe disso, afinal de contas, o tempo está passando e ainda não se havia criado coragem para convidar o Shouyou para ser sua companhia no baile.

— Anda, vamos pegar outras bolas— resmungou baixo, mas sabia que o ruivo escutaria de uma maneira ou outra, já que estavam realmente próximos. Viu um biquinho se formar nos lábios alheios em uma tentativa quase falha de segurar um sorriso, querendo ou não seu peito sempre se aquecia ao ver essas expressões.

E lá estavam eles outra vez, Suga não segurou o riso quando notou que tudo estava em seu devido lugar. O ambiente fora novamente preenchido apenas com o barulho das bolas, e vez ou outra com a voz do Hinata pedindo mais uma.

Kageyama sempre admirou poder ver sua paixão daquela posição de baixo, em sua cabeça, já chegou até mesmo a colocar asas de corvo em suas costas, pois ele estava certo de que Hinata conseguia voar para atacar seus levantamentos. Mas logo sempre tratou de reprimir esses pensamentos, não gostaria de ficar com a cara de bobo apaixonado enquanto o encara.

Quando começaram a organizar todo o material usado para poder irem para casa, Tobio decidiu que deveria ser a hora de fazer sua pergunta, mesmo não fazendo ideia de como Hinata se sente em relação a ele, estava disposto a arriscar — e levar um toco, caso acontecesse.

— Tobio ainda não tem um par para o baile? — Tsukishima perguntou naquele tom de deboche que sempre usa.

— O que há com essa pergunta? — Sentia o coração disparar, olhou brevemente na direção do menor central que já conheceu, não podia dizer nenhuma besteira ou iria estragar as chances que nem sabia se eram reais. — O Yamaguchi recusou seu convite? — Tentou provocar o outro para tirar o foco de si.

— Hãn? De onde tirou isso? — O levantador acompanhou Hinata saindo do cubículo onde guardam todas as coisas. — Mas é claro! — Tsukki ria, arrumando o óculos na ponte do nariz. — Está com medinho de levar um pé na bunda? Quem diria que Kageyama Tobio tem medo de alguma coisa. — Sua risada aumentou de volume, e claramente o moreno não tinha resposta para dar, sendo assim, resmungou algo não compreensível antes de sair para procurar Hinata, circulando a quadra com os olhos encontrou Daichi e Suga em um canto, não queria atrapalhar o casal, mas aproximou da mesma maneira.

— Viram o Hinata?

— Saiu agora pouco. Acredito que já tenha ido, ele se despediu de nós — Sugawara respondeu.

— Obrigado. — Curvou-se leve, adiantando os passos para ver se conseguia pegá-lo, pelo menos, nas proximidades do colégio. A tentativa foi frustrada, com um suspiro pesado, Tobio colocou-se no caminho de casa.

Enquanto isso, Hinata pedalava sua bicicleta de forma desleixada, pensando no que tentou ignorar sobre o questionamento do Tsukki com relação ao baile e Kageyama. O levantador sempre foi alguém popular dentro da escola, obviamente já deve ter recebido alguns convites, e com certeza deve ter um par para levar. Dentro dessa verdade que sabia sobre o amigo, sentia-se tolo ao pensar que poderia ser convidado por ele, ou, além disso, que seu sentimento fosse recíproco.

Estando agora no terceiro ano do colegial essa será a última vez que terá a chance de curtir o baile com alguém que gosta de verdade. Também será uma das últimas vezes que verá o pessoal mais velho do time, afinal, eles têm suas responsabilidades, e aparecem esporadicamente para um treino ou outro, além de auxiliarem nos jogos que não levam o nome da Karasuno oficialmente. Quando pensa nos seus companheiros veteranos, não deixa de pensar principalmente nos casais que se formaram ao longo do tempo, e claro, aqueles que já conheceu em um relacionamento, como o Suga com Daichi, e o Nishinoya com Asahi. Hinata adoraria ter essa sorte, porém, estava vendo o seu ano na Karasuno findar e nada parecia acontecer.

Claro que o próprio Shouyou poderia tomar a frente e dizer algo, não apenas sobre o baile, mas também sobre como se sente diante de Tobio já desde o primeiro ano. No entanto, o medo de estragar a amizade que construíram como companheiros de time sempre foi maior do que o desejo de levar as coisas para o lado romântico. Ultimamente o ruivo também vinha pensando que falta tão pouco tempo para não vê-lo tão constantemente, que qualquer esforço não parece válido para fazer tirar a dúvida da reciprocidade.

— Kageyama idiota— resmungou enquanto acelerava os passos na bicicleta.

Lá atrás quando se conheceram, ambos sempre acreditaram que o que sentiam um pelo outro era nada menos do que a pura admiração. Hinata por conta de achar o Kageyama incrível em suas técnicas, mesmo com toda a sua arrogância quando começou na Karasuno. E de Tobio partia o deslumbre de ver o quanto o outro se dedicava a cada partida, a cada treino, além do seu brilhante espirito diante da vida. Kageyama nunca havia conhecido ninguém que brilhava felicidade e entusiasmo como Hinata. Nenhum dos dois percebeu quando todo esse sentimento se transformou em amor.

Quando chegou em sua residência, Hinata sentiu o celular vibrar, não queria criar qualquer esperança sobre ser o levantador da Karasuno — mas era inevitável não ter esse pensamento. Por isso acabou se frustrando um pouco quando viu o nome de Kenma aparecer na tela com uma mensagem. Sempre gostou muito de conversar com o jogador da Nekoma, principalmente quando se diz respeito a reclamar do fato de não ter coragem para expressar seus sentimentos. Quando Hinata descobriu que Kuroo e Kenma namoram desde muito novos, o choque estava escancarado na expressão que o ruivo fez, em uma lista Kenma seria a última pessoa a quem ele apontaria como tendo um relacionamento. Dessa forma, em alguns momentos, Shouyou até se questiona como o falso loiro namora há tanto tempo, sendo completamente viciado em vídeo game, e ele, está encalhado?

Enquanto tomava banho, Kageyama se colocava a pensar em como faria sua aproximação no próximo treino. Não podia se dar ao luxo de perder a próxima oportunidade, o tempo já está ficando extremamente escasso e eles precisam de certa organização; para vestimentas, principalmente. Com o roteiro feito, seu único desejo é que Hinata o siga, e parecia para ele que um plano B deveria ser formado para caso as coisas não saíssem conforme o pensado. No entanto, em sua cabeça, se não for para levar o garoto de cabelos laranjas para o baile, o moreno de olhos azuis prefere passar a noite do grande dia em casa pensando em como poderia ter sido.

Em suas expressões Tobio poderia estar uma mármore enquanto aquecia os braços e dedos batendo bola com a parede de forma ritmada, mas a verdade é que sentia todos os seus músculos tensos, assim como todas as possibilidades de como poderia dar errado já havia corrido em sua cabeça. Todas as suas tentativas de relaxamento haviam sido frustradas, nada parecia ajudar a acalmar os sentimentos conflitantes dentro de si.

Ao ouvir a voz de Hinata entrando no ginásio, o moreno fez uma extrema força para não olhar para trás e segui-lo com os olhos até onde deixaria sua pasta e começaria a aquecer. Será hoje!, esse estava sendo seu mantra desde a noite anterior.

No aquecimento de rede tudo parecia também fluir como deveria, apesar de se sentir nervoso com o que pretendia fazer, não parecia que isso interferia em sua técnica. Levantar já era algo intrínseco em seu corpo, não precisa nem mesmo pensar para conseguir fazer o que faz, o que é bom, dessa maneira, em uma situação como um simples treino, pode deixar a mente viajar o quanto for possível.

Quando o treino de verdade começou os presentes foram separados em dois times, fariam simulações de situações de jogos e com isso treinariam as melhores jogadas que poderiam acontecer à partir da formação que estivesse em quadra. Kageyama já havia sido chamado à atenção no passado por querer explorar demais o ataque rápido com Hinata em momentos não muito propícios — mas ele não podia evitar, muitas dessas vezes, o desejo de vê-lo pontuar com seu levantamento falava mais alto que a sensatez.

— O passe foi perfeito! — Shouyou berrou de algum lugar atrás de Kageyama. — Poderia ter levantado para mim!

— Quem toma as decisões sou eu! — Tobio virou-se para encarar o menor. Lá estavam eles outra vez no mesmo lugar. — Seria mais do que óbvio se eu levantasse para você! É o que todos esperam! Use um pouco do cérebro quando estiver em quadra. — O clima havia ficado levemente diferente no ambiente, os dois estavam se encarando intensamente.

— Certo, rapazes, vamos voltar. — Daichi bateu duas palmas para chamar a atenção dos presentes e fazê-los retornar aos seus devidos lugares antes que tudo ficasse um pouco pior.

O treino prosseguiu sem muitas interrupções, exceto que havia um estranho silêncio entre os dois principais destaques do time. E em uma bola para fora que Hinata atacou, Kageyama não resistiu soltar a frase que colocaria todo o seu roteiro por água abaixo dali em diante:

— O que está acontecendo com você hoje? — Sua expressão era realmente raivosa.

— O que está acontecendo com você hoje! — o outro retrucou. — O problema sou eu? O levantamento para todos os outros têm saído perfeitos! Se tem alguma coisa comigo apenas seja direto! — Os punhos do ruivo se fecharam em um aperto. Sua face vermelha. A última coisa que Shouyou queria era chorar, mas sentia como fosse acontecer à qualquer instante.

O moreno engoliu a saliva como se houvesse um bolo em sua garganta. Não foi estranho que outra discussão se iniciasse. Até o cérebro de Kageyama não processar absolutamente mais nada do que estava acontecendo e deixar escapar o motivo de toda a sua irritação e ansiedade.

— Como você é irritante. Como cogitei te chamar para o baile comigo? — Seu tom saiu alto demais.

— O quê? — Hinata parecia desarmado. E realmente estava. Havia de fato escutado o que ele disse? Não estava delirando? Pela expressão que os presentes no ginásio traziam em seus rostos, aquilo realmente foi dito.

— Você quer ir no baile de formatura comigo? — Seu tom ainda era ríspido.

— Eu quero— acabou respondendo do mesmo jeito, estava surpreso demais para controlar suas ações e voz.

— Ótimo. — Não conseguiria proferir mais do que isso.

— Ótimo— repetiu no automático.

Quando ambos se deram conta do que acabou de acontecer, o rubor que deveria estar presente apenas em suas bochechas, havia corrido para todo o resto do rosto. A pergunta fora feita e respondida, no entanto, nada saiu como o planejado por Tobio no dia anterior. Em sua cabeça, chamaria Hinata em um canto, e questionaria se ele já possuía companhia para o baile, e em seguida faria a derradeira intimação sobre irem juntos. Pois como já vem pensando, não aguenta mais que tudo que fazem seja à base de gritos e insultos. Mas, no final das contas, quem estragou o planejamento não fora o ruivo, e sim ele mesmo. E aconteceu da mesma maneira que todas as suas interações acontecem: em meio a uma discussão.

Shouyou se sentia leve. Estranhamento estranho. Não parecia que estava presente na realidade, continuava repetindo as palavras de Kageyama em sua cabeça, mesmo com o tom rude que usou para lhe fazer a pergunta, ainda assim havia sido um convite, no final das contas. Então... Iremos juntos? Isso não seria uma pegadinha, não é? Sentiu um frio na barriga ao pensar que poderia ser uma brincadeira de mau gosto vinda do companheiro de time. Pois de alguma maneira, acabou descobrindo os sentimentos de Hinata, e gostaria de brincar um pouco com isso. Sentindo o corpo tenso, procurou não pensar muito no que poderia ser e tentou ver pelo ângulo que melhor podia; o convite aconteceu.

Kageyama por outro lado se sentia tímido. Não fazia a mínima ideia de como iria encarar Hinata depois do que fez. Ficou claro com esse convite que gosto dele além da conta?, era a questão que se passeava em sua cabeça agora, já que ganhou uma resposta positiva do maior problema até então.

Na hora de ir embora, o moreno pretendia trocar algumas palavras com o outro, no entanto, foi num momento de descuido do levantador que Hinata se esgueirou para sair sem ser percebido. Desistindo de fugir no meio do caminho e parando no limite do portão principal do colégio. As mãos nervosas deslizavam para cima e para baixo na tira transversal da pasta pendurada no ombro, o coração parecia que a qualquer momento iria explodir em seu peito.

Kageyama saiu dos armários onde buscou seus materiais, e quando se deu conta, novamente havia perdido Hinata de vista. Xingou mentalmente, saindo e questionando aqueles que ainda restavam no ginásio se haviam visto o ruivo por ali — parecia uma reprise do que aconteceu não muito tempo atrás. Por não saber há quanto tempo o outro havia saído, Tobio correu pelo caminho mais curto que conhecia até a entrada da escola, e ao ver aquela cabeleira arrepiada e chamativa na calçada, se permitiu diminuir um pouco dos passos.

Eles pareciam envergonhados de frente um para o outro. E de fato estavam.

— Falou sério mesmo? — o menor questionou baixo.

— Sobre o quê?

— Sobre me levar ao baile. — Kageyama apenas acenou um sim. Hinata sempre demonstrou ser uma pessoa tão confiante, que o moreno quase não conseguia reconhecer toda aquela timidez ali em sua frente. No entanto, conseguia compreender completamente o modo como ele se sente.

— Posso ir com você até parte do caminho. — O moreno ofereceu sua companhia. Há muitos meses que não faziam aquele trajeto juntos, deixava a volta para casa de Kageyama mais longa, entretanto, essa era a última coisa que estava pensando no momento e sempre quando faziam aquela trajetória.

Hinata empurrava a bicicleta, Tobio com uma caixinha de leite de morango na mão e o canudo na boca, tentava não prestar atenção no clima constrangido que estava envolvendo os dois garotos. Shouyou poderia jurar que estava sentindo o coração doer, pela força com que o músculo lateja contra suas costelas.

— Eu pensei que você já tivesse alguém para levar. — A voz do alaranjado soou após alguns metros a mais de silêncio.

— Estarei mentindo se te disser que algumas garotas do primeiro e segundo ano não fizeram seus convites. — Ao escutar tal frase, claro que o coração do mais novo não deixou de dar algumas boas piruetas em sua caixa torácica, afinal de contas, havia sido escolhido.

O local onde Hinata seria deixado só para seguir o resto do caminho estava se aproximando. Apesar de não conversarem muito durante o trajeto, ambos sempre apreciaram a companhia alheia mesmo antes de notarem que seus sentimentos são maiores do que a simples amizade.

— Nos vemos amanhã? — perguntou o mais alto, sentia-se um pouco menos tímido agora.

— Claro. — Estavam de frente a frente. — Até amanhã.

A respiração de Hinata ficou presa na garganta quando viu Kageyama se aproximando do seu rosto. Apertou os olhos com força, assim como o guidão da bicicleta, sua barriga parecia estar submersa em nitrogênio pela frieza que havia em seu estômago. Os lábios do moreno lhe tocaram a bochecha macia em um simples selinho que estalou baixo. Não estava esperando um ato tão singelo quanto esse.

— Até. — Foi a última coisa que disse antes de se afastar e seguir o seu caminho. Shouyou continuou a observá-lo andar até desaparecer das suas vistas.

Hinata mal podia aguentar a excitação de contar ao Kenma o que havia acontecido. Também não conseguia conter o sorriso que doía suas bochechas enquanto pedala de maneira frenética. Tudo parecia perfeito aos seus olhos, desde a lua alta, até a brisa que bate em seu rosto, dessa forma, ele não tinha qualquer dúvida que seria assim no dia D. Exceto que o nervosismo estará nas alturas como efeito colateral à sua felicidade.

Pode-se dizer que o relacionamento Kageyama e Hinata mudou da água para o vinho desde o dia do convite. Apesar das brigas ainda acontecerem em momento específicos do treino, tudo parece ter um tom mais suave — Sugawara tinha razão quando comentou sobre o fato de confessarem seus sentimentos ajudar na dinâmica que os dois têm, mesmo que isso ainda não tenha acontecido com todas as palavras sendo expressas.

Todos os dias eles caminham até onde ambos seguem seus roteiros sozinhos. Hinata se sentindo sempre ansioso para receber o beijo em sua bochecha, admitindo para si mesmo que não ficaria nem um pouco chateado se os lábios do outro escorregassem um pouco mais para o centro. Afinal, depois de dois anos, realmente não se importaria de receber um beijo de verdade dele. Pelo mesmo paralelo, Kageyama sente-se cada vez mais tentado a selar os lábios do mais novo em uma de suas despedidas. Sempre desejou saber qual o sabor que sua boca detém, assim como seriam as sensações trazidas ao fazer, mas até então, tem segurado bem os impulsos.

Quanto mais o dia do baile se aproxima, faltando agora menos que uma semana, mais Hinata sente-se nervoso com essa aproximação. Estava empolgado para ir com o Kageyama desde antes de ser convidado pelo mesmo, mas, não imaginava que se sentiria dessa maneira ao estar vivenciando a situação pensada.

— Você ficou nervoso em seu primeiro encontro? — perguntou ao Noya quando sentaram em um dos bancos no ginásio.

— Não. O desesperado foi o Asahi. Porém, precisamos levar em consideração o fato de que nunca escondemos nada de ninguém, e sempre fomos abertos um com o outro, até tomarmos a decisão. É diferente com vocês.

— Ele me convidou, sim, mas... Não sei como se sente realmente.

— Já passou da hora de vocês conversarem sobre.

A coragem para iniciar a conversa não veio em nenhum dos dias posteriores ao diálogo com o Nishinoya, assim como não deu as caras no anterior ao baile. Na verdade, nenhum dos dois conseguia pensar direito sobre nada. Fazendo alguns dias que não se vêm pessoalmente — por conta de o ginásio ter sido tomado pela equipe de organização para terminar de ornar tudo o que falta —, porém, a frequência com que trocam mensagens de texto pelo celular aumentou sem precedentes. Kageyama passou a ser aquele que primeiro recebe o bom dia do Hinata, assim como Shouyou é o último boa noite de Tobio. Apesar de não terem dito com todas as palavras seus sentimentos, estava tudo mais do escancarado para todos de suas convivências.

O dia decisivo chegou como uma avalanche nas costas de ambos, ninguém nunca havia visto os dois garotos tão nervosos em suas vidas. Cada qual em sua casa, viviam se encarando no espelho para ter certeza de que nem mesmo um fio de cabelo estava fora do lugar. Kageyama vestindo um smoking preto e gravata laranja, em homenagem aos cabelos do outro. Hinata usando a mesma coisa, exceto que sua gravata é azul escuro, combinando com os olhos de seu par.

Eles haviam marcado de se encontrarem no portão da escola; e Tobio foi o primeiro a chegar. Não parando de olhar a hora no relógio de pulso à cada segundo. Será que ele não vem? Vendo cada vez mais casais chegar e seguir o caminho do ginásio, era inevitável não se sentir um pouco desanimado com a espera. O moreno não fazia ideia do que faria ou como se sentiria acaso fosse deixado ali plantado pelo resto da noite. Nem mesmo a mensagem que havia enviado para o mais novo quando concluiu seu preparo havia sido respondida.

Por volta de quinze minutos de agonia mais tarde, um carro estacionou em frente ao local de encontro dos dois. Kageyama já sentia-se desanimado, imaginava que seria qualquer outra pessoa, exceto quem esperava, porém, toda a sua chateação veio por terra quando viu aquelas madeixas arrepiadas saírem do automóvel. O coração passou a bombear sangue rápido demais para seu corpo conseguir lidar. Quando se encontraram um de frente para o outro, ambos titubearam para falar sobre o quão lindos se encontravam, no entanto, qualquer palavra seria mero complemento para a maneira como se olham.

— Me desculpe pelo atraso. Eu estava nervoso. — O ruivo coçou a nuca sorrindo. Todas as muralhas de Kageyama vão ao chão quando o vê sorrindo, e murmurando um Tudo bem, engoliu a timidez e estendeu a mão para o mais novo, enlaçando seus dedos quando começaram a fazer o caminho de onde vinha a música alta.

Hinata sempre achou que a mão do outro teria alguns calos nos dedos, pelos anos de levantamento e treino pesado, ficando surpreso quando sentiu a maciez da pele alheia. A quentura também transmitia uma sensação de paz e conforto para a ansiedade louca que sente nesse exato momento. Com toda a certeza não se importaria de estar sempre com a palma de Kageyama colada à sua. Era inevitável que não percebessem alguns olhares em suas direções. Além do pessoal do time, poucas pessoas conseguiam realmente enxergar o quanto se gostavam, mesmo com toda a fervorosa negação de ambos. Porém, mesmo com esse detalhe, Hinata estava feliz demais para dar vazão aos julgamentos mudos de quem os via.

Parece que estou vivendo um sonho, essa com certeza seria a maneira que Shouyou descreveria como está encarando toda essa movimentação em sua vida. Desde todas as suas participações em campeonatos importantes, como se sente agora nem mesmo se compara. Hinata claramente ama o vôlei com todo o seu coração, entretanto, não saberia pesar na balança quando se trata de ter Kageyama ao seu lado. Por agora, tem ambos, e está contente em conseguir satisfazer esses amores — mesmo que nada com o moreno tenha de fato se iniciado.

— Finalmente vocês chegaram. — Suga os recebeu logo depois que adentraram o ginásio. Nem mesmo lembra o local que usam para treinar quase todos os dias da semana. Há muitas mesas e cadeiras, assim como várias luzes para formar uma discoteca próximo ao palco.

— Acabei me atrasando.

— Imagino que você quase teve um colapso, Kageyama. — O garoto de cabelos esbranquiçados ria baixinho. Com certeza ele tem razão.

— Eu sabia que ele viria. — Virou o rosto, tentando disfarçar o rubor que colore suas bochechas.

— Não seja convencido — Hinata resmungou. Mas não podia negar que ele estava certo.

Tobio criou um checklist de coisas que pretende fazer essa noite, dentre elas estava dançar uma música lenta com o ruivo, além de finalmente deixar claro os seus sentimentos e trazia em seu bolso um par de alianças para pedir Hinata em namoro. Porém, se notasse que os anéis são exagerados de alguma maneira, faria apenas o pedido, deixando o resto para depois de um tempo. Entre esses itens estava um que deixava sua barriga ainda mais fria quando pensava sobre: beijá-lo. Precisava finalmente tomar essa atitude. Todos os dias lhe selando a bochecha em suas despedidas era apenas como um placebo para o que realmente gostaria de ter feito há muito tempo atrás.

Os mais velhos do time guiaram os dois para uma mesa onde todos estavam sentados, conversando e curtindo a música que toca. Dali era possível ter todo um panorama da pista de dança agitada, aqueles que dançam realmente parecem estar à todo o vapor na diversão. Enquanto bebiam um ponche sem álcool, Hinata tagarelava com os outros presentes, principalmente com o amigo Kenma. Kuroo, sentado mais próximo de Kageyama, fazia aquela cara de quem gostaria de fazer uma pergunta mais incisiva, estava esperando apenas a oportunidade para lançar a questão.

— E então, vocês estão finalmente namorando?

— Há quanto tempo quer perguntar isso? — O moreno o encarou com a sobrancelha erguida.

— Desde que passaram por aquela porta de mãos dadas.

— Não, não estamos namorando ainda — respondeu fingindo naturalidade.

— Oh! Ainda.

Kageyama não conseguia dar muita bola às provocações do outro moreno, estava ocupado demais se concentrando em como faria alguns dos itens que planejou, principalmente nas palavras que usaria para declarar-se. Não havia ensaiado um texto nem mesmo tentado pensar em como falaria tudo, queria que o momento fizesse acontecer da maneira que deveria ser. E esperava, acima de qualquer coisa, não travar na hora H.

Hinata por outro lado parecia mais do que relaxado à mesa. Conversando com todos e sendo quem ele realmente é: uma pessoa sociável. Não há quem pareça não gostar do ruivo, ainda mais quando o conhecem de fato. No entanto, essa visão de que ele estava tranquilo era apenas uma ilusão. Por dentro, seu coração batia forte sempre que recordava que havia entrado de mãos dadas com Kageyama, e muito mais quando dava-se conta de que não estava sonhando.

Olhando a pista de dança, sentia-se empolgado para ir balançar o corpo no meio das pessoas e ao som da música que toca. Não pensaria muito no que faria, apenas seguraria a mão de quem o trouxe e o puxaria para lá. Dessa maneira, com uma profunda respiração, a qual fez Kenma franzir a testa e assustar logo em seguida com o movimento abrupto que o amigo fez, Hinata tomou a mão do levantador da Karasuno, o puxando na direção das luzes e da fumaça próxima ao palco.

— Vamos dançar! — comentou sorrindo, jogando os braços para cima. Percebendo que o outro ainda encontrava-se tentando entender o que estava acontecendo, o número dez o segurou pelas palmas outra vez, fazendo com que se mexesse em um certo ritmo que não tinha muito a ver com o que toca ao fundo.

Os dois se pegaram rindo, Tobio entrando na brincadeira do menor, fazendo-o girar na própria órbita de maneira não tão coordenada, mas coordenação era a última coisa que estavam realmente prestando atenção; da mesa todos estavam com os queixos apoiados em seus tórax, afinal, jamais imaginava-se que um dia veriam aquela cena: Kageyama dançando em uma pista de dança enquanto sorri para Hinata. Mas, mesmo em suas cabeças, eles conseguiam concordar em uma coisa, o ruivinho é — provavelmente em todo o mundo —, a única pessoa capaz de trazer esse lado do moreno à tona. E eles estão bem com isso.

Os dois pareciam radiantes, os sorrisos, os toques singelos e os olhares apaixonados deixava tudo com o ar de conto de fadas. E perdidos em seus próprios mundos, ambos haviam esquecido de que um rei e uma rainha sempre são coroados no final de cada baile de formatura. E ao redor deles muitos estavam esperando e desejando arduamente serem os escolhidos para tal papel.

A dança estava agitada até o DJ avisar que estaria colocando algo mais lento, já que a contagem dos votos para a vitória da coroa estava para chegar. Rapidamente, todos os casais já estavam com seus corpos colados, balançando-se de um lado para o outro no ritmo da melodia. Ao olhar ao redor, Hinata sentiu uma onda de timidez, estava prestes a dizer para o companheiro que eles poderiam sentar-se, não precisavam participar daquela parte, mas quando virou-se, viu a palma da mão que Kageyama lhe oferecia como um convite mudo para a dança.

Foi de maneira ainda mais tímida que seus corpos aos poucos se aproximaram. Shouyou, apoiando uma mão no ombro do maior, e sentindo a do outro em sua cintura. Olhando para baixo, foi notando a distância diminuindo até não conseguir enxergar seus pés.

— Olha para mim. — Ouviu a voz do moreno. Com as orelhas queimando, correu os olhos ao longo do tronco do número nove, até finalmente encontrar com aqueles azuis.

Com todo o cuidado Kageyama colocou a mão de Hinata em seu ombro, fazendo com que se cruzassem atrás de seu pescoço. Aproveitando ambas as palmas livres, segurou a cintura alheia com um pouco mais de firmeza, trazendo-o para ainda mais perto de si. Depois que seus olhos se encontraram, não haviam abandonado um ao outro. Os corações batendo velozes, praticamente em sincronia. Para os dois parecia que estavam à sós no salão.

O clima era todo propício para que Kageyama riscasse mais um item de sua lista, o do beijo. No entanto, não gostaria que acontecesse às vistas de todos. Estava idealizando que seria um momento no qual se encontrariam completamente à sós, por isso engoliu a ânsia que tomava conta de si à cada segundo passado; Hinata por outro lado estava se sentindo nas nuvens, mesmo com toda as borboletas que fazem festa em seu estômago, com tudo isso que sentia, acabou não resistindo quando um sorriso tomou conta de seus lábios. Tobio poderia jurar que havia levado um tapa na cara.

— Isso é golpe baixo — resmungou baixo, desviando o olhar para a multidão ao redor recordando que estavam acompanhados.

— O quê? — O ruivo parecia genuinamente confuso.

— Sorrir dessa maneira sem aviso prévio. — Voltou para encarar os enormes olhos castanhos do outro.

— Ah! Me desculpe. — Sorria novamente, o levantador não pôde deixar de pensar o quanto sua ação parecia fofa de tão inocente.

— Hinata, hum, eu — aquele que teve seu nome chamado passou a doar 100% de sua atenção —, eu — ainda não. Tenha calma.

— O que foi, Kageyama?

De repente, todo o som foi cortado e o barulho de um microfone sendo testado tomou conta do espaço, esse corte abrupto salvou Tobio de uma enrascada que havia se colocado dentro. Ainda estava sentindo o coração quase saltando do peito quando se colocou de frente para o palco, Shouyou tomou sua mão na dele, tomando também a liberdade de enlaçar seus dedos.

Nenhum dos dois realmente sabia como funciona a escolha dos reis do baile. É algo baseado no quanto o casal combina? O quão bem dançaram e se divertiram? O quanto são bonitos juntos? A verdade é que nem um e nem outro parecia interessado nessa parte da festa, porém, pela curiosidade estavam ali escutando o MC falando sobre como a contagem dos votos foi acirrada, e que o resultado foi uma surpresa para ele.

Diante disso, o moreno já estava pensando em chamar o ruivo para fora do ginásio assim que os nomes fossem anunciados, finalmente faria a sua revelação e sentia-se completamente desnorteado com isso. Não era bem uma revelação, afinal de contas, ele tem plena certeza de que Hinata sabe de como ele se sente, no entanto, claro que palavras precisam ser ditas quando se trata dessa questão.

E o rei e a rainha do baile são... — Havia uma bateria rufando ao fundo do suspense que ele fazia. — Ou melhor, e o rei e rei do baile são: Kageyama Tobio e Shouyou Hinata!

Todos os presentes na pista de dança viraram para os dois ali de pé, os olhos dos garotos que recebiam a atenção estavam arregalados. Haviam escutado certo? As pessoas formaram um corredor para que eles passassem pelo centro em direção ao palco. Apesar de estarem andando, escutando as palmas alheiras, nada parecia que realmente estava acontecendo. E só conseguiram compreender quando o MC perguntou qual coroa cada um gostaria. Kageyama deixou que Hinata escolhesse primeiro, vendo a tiara ser posta naqueles cabelos laranjas que tanto gosta.

— A maior tem que ser sua, rei Kageyama. — Claramente Shouyou o estava provocando com seu antigo título.

Não tendo resposta para o que o outro dizia, viraram-se para o público, vendo os seus amigos comemorando das mesas ao fundo. Tobio não sabia explicar muito bem como estava se sentindo. Jamais esperou que algo assim pudesse acontecer, era além de todas as expectativas que havia criado para essa noite, mas não podia reclamar que estava acontecendo, longe disso. E para mais uma surpresa, eles teriam de dançar uma valsa sozinhos.

Foram recebidos outra vez aos aplausos quando uma roda se formou no pé do palco, aqueles que estavam sentados, agora se encontravam à frente da fileira de pessoas por ali. Kuroo, principalmente, mantendo aquela expressão que era ao mesmo tempo indecifrável, mas que também trazia uma clara noção do que se passa em sua cabeça. No entanto, Kageyama só consegue prestar atenção no que precisa fazer nesse momento: dançar mais uma música com o ruivo contra seu corpo.

Eles dois estavam novamente na mesma posição de antes; Hinata com os braços atrás do pescoço do maior, e sentindo as mãos do outro em sua cintura. Seus olhos já estavam juntos quando começaram o baile lento ao som do que tocava. Em algum momento da valsa, os dedos de Shouyou começaram a brincar com os fios escuros da nuca de seu amado, assim como um pequeno sorriso sem dentes se desenhou em seus lábios.

— Feliz? — Tobio questionou.

— Mais do que eu poderia ter imaginado que ficaria.

— Faço de suas palavras as minhas. — Inclinando para frente, roçou seu nariz ao dele, escutando um coro de OOOH pela ternura que revestia o que fizeram.

Fazendo Hinata girar na própria órbita eles circularam aquele espaço, dançando como se estivessem à sós até quando foi anunciado que os presentes poderiam tomar seus lugares na pista dança, a música lenta fora substituída e tudo voltou a ter o mesmo ar agitado de antes.

— Será que podemos conversar? — Era a hora, Kageyama finalmente colocaria para fora tudo o que vem sentindo desde o primeiro ano que entrou na Karasuno.

O ruivo o seguiu sem questionar qualquer coisa, e dessa maneira, o moreno o levou para o lado de fora do ginásio. Os outros casais já formados da Karasuno e Nekoma viram quando os dois passaram pela porta de entrada e saída, apesar de ter certeza de que tudo sairia bem, não deixaram de cruzar os dedos na torcida.

A música estava mais baixa por aquelas áreas, mas ainda era possível escutar e entender o que acontece lá dentro. Chegando perto de uma pequena murada, Tobio os colocou frente a frente.

— A coroa combina com você — comentou baixo para o menor.

— Eu sempre quis saber como você ficaria com uma coroa. Desde que fiquei sabendo do seu apelido. — Hinata ria um pouco, sempre se divertia com ao recordar do quão bravo Kageyama ficava quando era chamado de rei. — Mas, por que viemos para cá?

Shouyou parecia feliz da vida mostrando o que traz no dedo, enquanto Kageyama parecia levemente constrangido, mesmo sem qualquer necessidade. iria enfartar à idade de dezoito anos —, eu preciso finalmente dizer que gosto de você. Não como amigo. — Coçou a bochecha com o indicador. — Quero poder te abraçar, beijar e cuidar como seu namorado. Sempre percebi que sentia algo, porém, nunca realmente entendi o que era. Me sinto dessa maneira desde meses depois que nos conhecemos no primeiro ano, mas só agora tive coragem de fazer algo.

— Você... Gosta de mim?

— Hum? — O maior franziu a testa. — Pensei que fosse óbvio depois que te convidei para vir comigo. Estou aqui somente para reafirmar.

— Eu estava tentando não criar falsas esperanças.

— Talvez eu não estivesse tão errado assim em lhe chamar de estúpido em alguns momentos.

— Ei! — Shouyou resmungou, o moreno rolou os olhos. Segurando as bochechas do menor, trouxe seus lábios aos dele. Nem mesmo se deu conta de que estava finalmente riscando mais um item de objetivos da noite.

Hinata jogou os braços ao redor do pescoço do maior, precisando ficar na meia ponta dos pés para conseguir beijá-lo com mais facilidade. Kageyama por sua vez, trouxe o corpo franzino do outro de encontro ao seu, intensificando ainda mais o ósculo que começou segundos atrás.

As sensações em seus corpos eram diferentes de qualquer coisa que já haviam sentido em outros momentos da vida. A noção de que estavam se abraçando de modo tão amoroso, assim como as breves, mas significativas palavras que trocaram momentos antes de acontecer rodavam em looping dentro de suas cabeças.

— Gosto de você também — Hinata disse baixinho, as testas coladas, com a mão do ruivo tocando a bochecha do moreno.

— Quer namorar comigo? — Tobio pensou que estaria sem voz quando o momento chegasse, mas a felicidade que sente com certeza fez o trabalho de apaziguar todos os outros sentimentos que o atrapalhariam de alguma maneira.

— Não precisa nem perguntar duas vezes. Claro que quero.

Em um impulso que fez o menor rir, Kageyama girou com o outro no ar em seus braços, escutando o riso gostoso pela surpresa e diversão do movimento. Ainda o mantenho suspenso, deixou que o alaranjado segurasse seu rosto para leva-los ao segundo beijo da noite. E claramente o mais intenso, já que tudo foi esclarecido, e eles estão oficialmente juntos.

— Vai fazer a minha coroa cair! — Hinata pôs a mão na cabeça para segurar o adorno no lugar enquanto era posto no chão. — Obrigado por fazer essa noite inesquecível. — Selou a bochecha do outro. Kageyama pensou nas alianças em seu bolso.

— Tenho algo para te dar. Não precisa ser para agora, digo, podemos esperar.

— O que foi? — Hinata encarou a pequena caixinha, já se dando conta do que estava lá dentro. — Por mim tudo bem. Eu adoraria ter um lembrete comigo de que estamos juntos.

O alívio que o corpo do moreno sentiu provavelmente seria notado dali até quilômetros de distância. Trocaram os anéis e de mãos dadas seguiram novamente para dentro do ginásio.

— Os reis estão de volta — Noya gritou quando notou a presença dos dois próximos da mesa, todos olharam para aquela direção.

— Podemos dizer que é oficial? — Kuroo questionou levantando uma sobrancelha, Kenma cutucou sua costela de forma a fazê-lo ficar quieto.

— Eu ganhei uma aliança para combinar com a coroa. — Hinata mostrava a mão sorridente.

Finalmente! — Houve um coro quando entenderam do que se tratava.

Shouyouparecia feliz da vida mostrando o que traz no dedo, enquanto Kageyama parecia levemente constrangido, mesmo sem qualquer necessidade.

A verdade é que ele não conseguia expressar o tamanho de sua felicidade da mesma maneira que o ruivo. No entanto, sentia-se a pessoa mais sortuda do mundo por poder chamar Hinata de seu namorado, ainda mais sabendo que ele não consegue amar as coisas de qualquer outro jeito que não seja cheio de intensidade. Dessa forma, Kageyama sabia que poderia ir de cabeça em um relacionamento com o ruivo que acharia reciprocidade e apoio até mesmo na mínima decisão e comportamento.

E dessa maneira o último baile de formatura ficou marcado com muitos momentos que contam a história da relação dos números nove e dez da Karasuno, desde serem escolhidos como reis do baile até o pedido de namoro após dois anos de paixão — não tão — secreta. Os anos seguintes seriam marcados de tantos momentos importantes quanto o primeiro dia oficial como namorados e a construção que os levou até ali.

20 Mars 2021 22:15:34 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Adrielle Victória Algumas das histórias estão exclusivamente no Spirit, sintam-se à vontade para dar uma olhada (°◡°♡) Fuyuka Hideki

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Ismalia Teixeira Ismalia Teixeira
Eu não chorei. Definitivamente, isso não aconteceu. Adorei. Ficou perfeito
June 07, 2021, 13:06
~