nathymaki Nathy Maki

Naruto tinha um segredo: ele estava apaixonado pelo seu melhor amigo. O problema com os segredos é que eles não permanecem secretos por muito tempo e, mesmo desejando de todo o coração que Sasuke nunca descobrisse sua paixonite vergonhosa, uma tarde de febre mudaria tudo.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Naruto e o dia de febre

Notas iniciais: Olá!! Faz um tempinho que não apareço por aqui, não é mesmo? Pois é, o bichinho do bloqueio de escrita me pegou de jeito e os últimos três meses foram uma eterna frustração pra mim que tinha tantas coisas planejadas. Mas, felizmente, superamos isso! E voltamos com o pé direito com essa belíssima sasunaru recheada de comédia. A história de sempre que vocês já conhecem: era pra ser uma oneshort curta, maaas, como saiu imensa, eu achei melhor dividir em dois capítulos. Então é isso! Um agradecimento especial à Artemísia, eterna Cinderela, que me ajudou a sair do bloqueio <3
Espero que gostem!


*

— E então, como foi? — Sasuke perguntou de seu lugar, jogado na cama de Naruto enquanto descia sem muito interesse o feed do Instagram.

— Normal, eu acho.

Sasuke revirou os olhos.

— É o mesmo que você sempre diz, Dobe. Não conhece mais nenhuma palavra? Por isso não me surpreendo que sua nota em Linguagens seja tão baixa.

— Vai te catar, Sasuke — O loiro rebateu, passando a camisa limpa rapidamente pela cabeça e evitando encontrar os olhos escuros no reflexo do espelho. — Se eu disse que não foi nada demais, é porque não foi. Queria o quê? Uma explosão de fogos de artifício?

— Foi você quem passou a semana se gabando que tinha marcado um encontro com a menina mais desejada do colégio. Estou aqui apenas na função sofrida de ombro amigo e perguntando por educação. Não é como se eu realmente quisesse saber. — Sasuke abandonou o aparelho após ver outra foto da caneca favorita de Itachi transbordando de café e se empurrou para uma posição sentada. — Então, como foi?

— Pensei que não quisesse saber — Naruto rebateu, os dedos correndo pelos fios loiros em uma tentativa impossível de domá-los.

O Uchiha apenas o encarou e Naruto precisou se esforçar para não dar a ele tudo o que desejava apenas por olhá-lo assim. Não funcionou. Ele amaldiçoou sua força de vontade e os olhos bonitos de Sasuke, ou melhor, toda aquela cara estúpida dele que era responsável por fazer seu pulso acelerar e o obrigava a virar o rosto só para impedi-lo de ver o rubor inevitável se espalhar por suas bochechas.

Aquilo era ridículo.

Ele conhecia Sasuke há anos, eles estavam juntos antes mesmo que soubessem falar, antes mesmo que dessem os primeiros passos. Mas a situação atual era estupidamente ridícula até mesmo para si. Ele se perguntou em que ponto a amizade havia se tornado essa paixão desenfreada e vergonhosa e quanto tempo demoraria para que ela desaparecesse.

Se desaparecesse.

— Para quem nunca para de tagarelar, você está muito calado. — Sasuke observou, preciso tal qual uma flecha acertando o alvo. Como sempre, ele o conhecia bem demais para o seu próprio bem. — Tem algo errado?

Naruto quase deixou cair o vidro de perfume que passava metodicamente atrás das orelhas e no pescoço. Ele firmou a mão e se virou para Sasuke tentando não demonstrar uma expressão muito culpada, o que se provou ser uma tarefa árdua uma vez que o loiro era o que se podia chamar de livro aberto. Nenhum filtro ou expressão de blefe para exibir quando desejava ocultar alguma travessura. Ele culpava totalmente a mãe por isso. Kushina não era o melhor exemplo de discrição e Naruto fora premiado com os mesmos genes.

— Não, por que teria? Nada de errado aqui. Eu beijei a Hinata e foi ótimo e tudo mais. Por que haveria algo de errado com isso? Ela é uma garota bonita e, obviamente, eu sou um belo pedaço de mau caminho que as garotas mal podem esperar para conquistar. O que você está perguntando não faz sentido algum.

Maldito hábito de tagarelar quando estava nervoso. Ele forçou a boca a se fechar e assistiu o amigo franzir as sobrancelhas diante do seu comportamento agitado.

— Se você tem certeza…

— É claro que tenho. Eu sempre tenho razão, Teme, quando vai aprender isso? — provocou, esperando distraí-lo.

Para o seu alívio, funcionou. Sasuke pulou da cama e puxou a mochila do chão de volta para o ombro, balançando a cabeça ao revirar os olhos.

— No dia em que você tiver razão, os porcos vão voar — ele disse, passando pela porta e começando a descer as escadas. — Agora vamos logo ou chegaremos atrasados. De novo.

Naruto comemorou a distração bem-sucedida, deixou o perfume de lado e puxou sua própria mochila para o ombro, tratando de segui-lo e fazendo questão de esbarrar no ombro dele enquanto descia os degraus dois de cada vez.

— Você sabe que não precisava acrescentar!

*

Todo mundo tem um segredo.

Naruto pensava nisso naquela noite enquanto saltava pela janela do quarto e descia a árvore do quintal com a habilidade adquirida de muitas repetições. Ele havia visto a frase em um livro — pouco provável — ou talvez no para-choque de um dos caminhões — o que era mais crível. Enfim, ele não sabia ao certo onde, mas, no momento, tudo o que conseguia pensar era que nada poderia ser mais verdadeiro.

Era por isso que ele estava ali, saindo escondido do quarto tarde da noite em direção a um pequeno estabelecimento escondido no centro da cidade. Era o seu segredo que o fazia percorrer os cinco quilômetros até o local em sua bicicleta velha e capuz. O prédio se assomou à sua frente e Naruto desceu da bicicleta, guardando-a na lateral. Respirando fundo para retomar o fôlego, ele espanou a poeira do casaco e ajeitou os cabelos no reflexo da vidraça.

À primeira vista, o edifício não parecia muita coisa. Com a pintura marrom desbotada e a placa de "Não perturbe" pendurada na fechadura, não era o tipo de estabelecimento que se escolheria para uma noitada. E era exatamente isso que o tornava especial. Naruto ignorou o aviso e girou a fechadura, acionando o sininho preso no topo da porta. Um latido se juntou ao som e ele parou para fazer um carinho na cabeça do cachorro que se encontrava de guarda.

— Cafeteria e boate LGBT ao seu dispor — disse uma voz rouca, vinda do enorme balcão diante da porta.

— Como se a bandeira arco-íris pintada em grande escala na parede já não falasse por si só.

— E aí, Naruto, faz tempo que não te vejo por aqui.

O loiro acenou para o balconista.

— Kiba, ainda trabalhando feito cão?

— Nem te conto. — Kiba riu. — O de sempre?

— Claro. Com uma porção extra de creme, por favor.

O rapaz interrompeu a ação de limpar os copos e franziu a testa ao encarar o recém-chegado.

— Não me diga que teve uma recaída de novo?

Naruto suspirou e deixou o corpo cair em uma das banquetas amarelo-berrante dispostas ao longo do balcão. No restante do ambiente, pessoas de todo o tipo interagiam, afastando-se para conversar em mesas reservadas ou dançar ao som da música eletrônica que ecoava pelos autofalantes. Realmente, isolamento acústico era tudo de bom. Do lado de fora ninguém desconfiaria que uma festa poderia estar acontecendo no interior daquele prédio tão comum; eles nunca saberiam que por dentro, aquele lugar era um refúgio para todos aqueles que desejavam encontrar alguém sem toda a situação vergonhosa que era apostar e no fim descobrir que estivera errado o tempo todo.

— Está mais para algo que nunca foi superado.

Kiba assentiu, solidário. Ele guardou o último copo limpo no lugar e jogou um petisco para Akamaru que se ocupava em deitar a cabeça no colo de Naruto e enchê-lo de baba com a maior eficiência possível.

— Então, Sasuke Uchiha de novo, ein? — Kiba retornou, deslizando diante de si uma taça de cappuccino com creme extra como havia pedido. Naruto deixou escapar o ar e sorveu o conteúdo do copo como se necessitasse daquilo para viver. — Cara, parece que a coisa está feia mesmo dessa vez.

Naruto soltou o canudo apenas tempo o suficiente para dizer com a insatisfação brilhando no olhar:

— Se ele ao menos tivesse um mísero defeito que fosse, eu juro que seria mais fácil. Mas claro que não! Por que facilitar as coisas não é mesmo? Já deu uma boa olhada no irmão dele? Maldita genética Uchiha.

— Alguma vez já te passou pela cabeça contar para ele e se livrar logo desse fardo?

— Contar o quê? A parte que eu sou bi ou que sou totalmente apaixonado por ele?

Kiba coçou a cabeça parecendo sem jeito.

— As duas coisas?

Naruto balançou a cabeça, deixando-a cair até o rosto estar pressionado contra a superfície de madeira fria.

— Não posso fazer isso — ele murmurou.

— Eu pensei que ele fosse seu melhor amigo. Não deveria ser mais fácil levando isso em conta?

— É justamente por isso que é mais difícil. O que acontece se ele rejeitar ambas as partes ou mesmo uma delas? Eu não sei se estou pronto para ver um laço de tantos anos sendo desfeito assim bem diante dos meus olhos.

Kiba suspirou, desistindo de convencê-lo. Sabia muito bem quando estava lutando uma batalha perdida.

— A decisão é sua. O único conselho que tenho para oferecer é beijar quantas bocas puder até esquecer o assunto. Pode começar agora mesmo, a clientela está especialmente atraente hoje.

Naruto desgrudou a bochecha do balcão, engoliu o resto do cappuccino e assentiu para Kiba, afastando-se do poço de autocomiseração no qual havia mergulhado.

— Talvez você esteja certo.

Ele saltou da banqueta, fazendo um último carinho na cabeça de Akamaru e tentando limpar da melhor forma suas roupas babadas. Com um último aceno para Kiba, Naruto saiu para circular algumas vezes pelo salão, procurando alguém que lhe interessasse. Não demorou muito para que ele notasse os olhares de relance vindos de uma das mesas em um canto, lançados por um rapaz pálido e ruivo. Naruto estudou o rosto dele, apreciando os olhos verdes visíveis mesmo com a iluminação pulsante. Ele não se fez de rogado, caminhou até a mesa e parou na frente dele com um largo sorriso.

— Quer dançar?

O ruivo o observou por um longo minuto e então assentiu.

— Sou o Gaara.

— Pode me chamar de Naruto. Agora vamos, adoro essa música.

O loiro o puxou pela mão, arrastando-o até o meio dos corpos que se agitavam. Eles dançaram, os corpos se movendo em sincronia, aproximando-se e afastando-se como em um jogo de provocação. Naruto não era nenhum idiota apesar do que todos diziam. Ele sabia muito bem quando alguém se interessava por suas investidas e quando estava totalmente alheio a elas. Gaara era um exemplo perfeito do primeiro caso; Sasuke, do último. A mão de Gaara o segurou pela cintura, o rosto se aproximando com uma lentidão proposital que lhe permitia ir em frente ou recusar. E, porque estava se sentindo triste, rejeitado e solitário, ele aceitou.

Naquele momento, Naruto ainda não sabia quantos problemas aquela ação viria a lhe causar.

*

— Então, onde está o Naruto hoje?

Sasuke fez uma careta para a garota de cabelos róseos, a localização de Naruto sendo a última coisa da qual desejava falar. O loiro idiota ignorara suas mensagens o dia todo, então ele também podia fazer o mesmo com relação a sua existência como um todo.

— E como eu vou saber? Não nasci grudado nele.

Sakura ergueu a sobrancelha, descrente.

— Não era essa semana que os pais dele iriam viajar para aquela conferência? Não acha que pode ter acontecido algo?

— Ou vai ver ele só esqueceu de acordar. Sabe que é típico do Naruto fazer algo assim.

— Ou vai ver ele pode estar doente e precisando desesperadamente da sua ajuda.

— Boa tentativa — reconheceu. — Mas nós dois sabemos que aquele Dobe é teimoso demais para ficar doente assim.

Sasuke sabia o que ela estava fazendo, manipulando-o para que se sentisse culpado pela ausência de Naruto e sua falta de notícias. Mas ele não iria cair nessa, não dessa vez. Não, ele iria resistir e triunfaria apenas para mostrar para ela que podia muito bem passar um dia sem notícias dele e tudo estaria bem no dia seguinte.

Sim, esse era um bom plano.

Ao menos era disso que tentava se convencer com o passar das horas naquela tarde interminável. As aulas pareciam se arrastar propositalmente e o ambiente estava silencioso demais, o lugar de Naruto era como um campo exposto para onde seus olhos eram constantemente atraídos.

Eu não estou preocupado com aquele idiota, assegurou para si mesmo parado à frente da porta de entrada da casa dele, encarando a pintura laranja desbotada, apenas vim conferir que ele não se perdeu em algum lugar e esqueceu de voltar.

Com os lábios apertados em uma linha fina e as palavras ainda ecoando em seu cérebro na tentativa de convencê-lo de que aquilo não era nada demais, ele tocou a campainha, o pé batendo impaciente contra o tapete laranja-berrante. A essa altura, Sasuke já estava acostumado com a preferência da família por cores absurdas e chamativas. Vários minutos de silêncio, no entanto, o deixaram desconfiado. Ele podia ouvir uma série de ruídos vindos do interior e sabia que não era do feitio de Naruto o deixar plantado do lado de fora esperando, tampouco um de seus pais que há muito haviam aceitado sua presença quase onipresente na casa.

— Naruro, seu idiota, eu posso ouvir você aí. — Ele bateu novamente, com mais insistência dessa vez. — Abre logo essa porta, Dobe!

Ele não abriu.

Planejando em sua mente uma série de vinganças contra o amigo, Sasuke foi forçado a pegar a chave reserva escondida sob um dos vasos de cactos que Kushina cuidava. Ele a enfiou na fechadura e abriu a porta, resmungando ao entrar. A primeira coisa que estranhou foi a escuridão. Nenhuma das luzes estava acesa, o que só podia significar que os pais de Naruto não estavam presentes. Sasuke retirou os sapatos e percorreu com cuidado o corredor de entrada que levava à sala de estar.

— Naruto? — chamou, um alerta interno avisando que havia algo errado. O ambiente estava silencioso demais para um lugar que abrigava dois Uzumaki de cabeça quente.

Com um arrepio que mais parecia uma premonição, Sasuke se apressou, quase tropeçando em uma forma largada de qualquer jeito no chão ao pé da escada que levava para os quartos no andar superior. Surpreso, ele piscou, só então notando que a forma era na verdade Naruto. De repente toda a sua raiva evaporou e ele se ajoelhou ao lado dele, as mãos instáveis enquanto o ajudava a se erguer até uma posição sentada.

— Sasukeee — ele exclamou de um modo arrastado, os olhos piscando com atraso. Se antes tinha suas suspeitas de algo estava errado, agora a certeza absoluta havia tomado o seu lugar. — Como chegou aqui? Não me diga que também sabe teleportar agora. E eu pensando que não havia mais nenhuma maneira de você ficar ainda mais perfeito.

Ignorando o comentário, Sasuke pressionou as costas da mão contra a testa dele e fez uma careta ao sentir a temperatura elevada.

— Você está queimando de febre. Por que não me avisou que estava doente, Dobe? Eu te mandei mensagem o dia todo!

Sasuke passou o braço dele por seus ombros, ajudando-o a subir as escadas até o quarto. Empurrou a porta com o pé e arrastou Naruto até a cama, deitando-o com cuidado. O Uchiha levou novamente a mão ao rosto dele, preocupado com a febre que não mostrava sinais de abrandar. E agora, o que faria? Ele não era a pessoa mais adequada para lidar com doentes, mas Naruto não parecia aguentar uma viagem até a emergência. Ele respirava com dificuldade, o corpo tomado por leves calafrios, apesar do suor que cobria seu corpo. Seu coração falhou uma batida ao vê-lo naquele estado. Sakura havia acertado a situação com uma precisão impecável. A percepção súbita de que, de algum modo, ele poderia ser tirado de si por algo como uma doença imprevisível o fez sentir um arrepio gelado na espinha.

— Naruto — chamou com cuidado, afastando os cabelos suados de seus olhos. O azul se tornou visível por um pequena brecha, sem o usual brilho de diversão neles. Sasuke engoliu a preocupação engasgada em sua garganta, forçando-se a perguntar: — Onde estão seus pais?

Ele piscou lentamente, a testa se franzindo enquanto pensava.

— Eles foram para uma conferência na empresa do meu pai. Só devem voltar à noite.

Sasuke assentiu para si mesmo, reconhecendo que, enquanto eles não voltassem, era sua responsabilidade cuidar do amigo doente. E a primeira coisa a fazer era encontrar um modo de baixar a temperatura dele.

— Espere aqui, vou pegar uma compressa fria para você. — Era o que sua mãe fazia quando ele era criança e ficava doente.

Começou a se afastar da cama, mas não foi muito longe. Uma mão quente o segurou pelo pulso, impedindo-o de sair. Ele olhou para trás, para os lábios entreabertos, a expressão implorativa e os olhos azuis bem despertos que o seguravam no lugar.

— Não — Naruto sussurrou. — Não vai embora, Sasuke… Fica comigo, por favor…

Sasuke sentiu uma onda de calor preencher todo o seu corpo com uma velocidade alarmante. Seu rosto esquentou, deixando-o desconcertado. O que estava acontecendo? Ele era Sasuke Uchiha e Sasuke Uchiha não ficava vermelho.

— Eu não vou embora — assegurou, tentando se soltar da pegada. — Preciso só ir na cozinha pegar uma compressa para abaixar sua temperatura. Estarei de volta antes que perceba.

O olhar dele se fixou no seu, uma mistura de temor e súplica que lhe atingiu profundamente.

— Promete? — inquiriu.

Sasuke assentiu.

— É uma promessa.

Um minuto inteiro se passou antes que ele o soltasse e Sasuke corresse escada abaixo em busca de uma compressa. Encontrou uma em um armário, encheu-a de água fria, aproveitando também para levar um copo de água e um dos comprimidos para febre que havia encontrado no mesmo local, e então subiu novamente as escadas, voltando ao quarto. Naruto continuava na mesma posição que o havia deixado, seus olhos azuis fixos na porta à sua espera. Sasuke se aproximou da cama, sentando no espaço que o loiro abriu e afastou os cabelos da testa dele, pressionando a compressa fria contra o seu rosto. Naruto deixou escapar um murmúrio de alívio e Sasuke soltou a respiração em um suspiro de alívio que nem mesmo percebera estar prendendo.

— Aqui, beba isso. — Estendeu o remédio e a água, observando-o para ver se ele tomaria tudo. Pegou de volta o copo vazio e o colocou no chão, perguntando: — Melhor?

Naruto assentiu, um beicinho se formando em seus lábios.

— Está frio — ele reclamou.

Sasuke sentiu um pequeno sorriso curvar seus lábios junto a uma onda de alívio se alastrar por seu corpo. Ao que parecia o momento anterior não havia passado de algo imaginado, pois esse Naruto de agora era exatamente o mesmo que conhecia durante sua vida inteira.

— Francamente, Dobe, já te disseram que você parece uma criança birrenta? — O beicinho se aprofundou e Sasuke se sentiu ceder. — Tudo bem, só um segundo, vou pegar um cobertor.

Ao menos, era o que planejava fazer antes que Naruto o puxasse de volta para o colchão, os braços firmes ao seu redor e a cabeça enfiada em seu peito. Sasuke se atrapalhou por um momento, não que a proximidade entre eles fosse estranha, pelo contrário, era algo tão corriqueiro que ele sequer percebia mais. Ele compreendia o motivo: seu calor corporal ajudaria a afastar os calafrios. Porém, havia algo naquela ação, no modo como as mãos dele o seguravam com firmeza e os pontos onde as peles se encontravam traziam uma carga de faíscas elétricas que se espalharam por seus nervos. É apenas paranoia sua, assegurou a si mesmo e então relaxou no abraço. Sentiu o suspiro de Naruto e logo a respiração dele se reduziu para um ritmo estável e familiar que o moreno conhecia bem por conta das noites passadas juntos dividindo um futon ou mesmo acampando no quintal em uma barraca improvisada quando eram crianças.

Sasuke não sabia quantos minutos ou horas haviam se passado. Ele acompanhou o andar da tarde pela trajetória do sol que adentrava o quarto pela janela entreaberta e pela temperatura de Naruto que caía graças à compressa. O Uchiha se parabenizou internamente e voltou a observá-lo em seu sono agitado. O loiro falava dormindo, reclamando do frio, e ainda estremecia às vezes. Sasuke o trouxe para mãos perto, passando a correr os dedos distraidamente pelos seus cabelos em uma tentativa de aliviar quaisquer que fossem os sonhos que o atormentassem. Seus dedos assumiram o controle, traçando um caminho inconsciente pelo rosto relaxado, delineando as pálpebras e a linha do nariz, seguindo a curva da mandíbula e parando ao alcançar os lábios. Ele hesitou, perguntando-se o que diabos estava fazendo e se já não era a hora de partir. Porém, ele temia se mexer e acordar Naruto que finalmente parecia ter caído em um sono tranquilo. Algo naquela posição o fez seguir em frente. Ele pressionou a ponta dos dedos contra os lábios entreabertos, sentindo como eram macios, e os contornou, o pensamento se infiltrando sorrateiro por sua mente imaginando como seria tocá-los com os seus. Seriam tão macios quanto aparentavam? Tomariam sua boca com a mesma energia que Naruto emanava em tudo o que fazia? Moldariam-se aos seus como peças de quebra-cabeças que se encaixavam?

Mas o que estava pensando?

Sasuke balançou a cabeça, empurrando esses pensamentos perigosos de volta para qualquer que tenha sido o buraco do qual haviam saído e afastou a mão, cobrindo os olhos com o antebraço em uma tentativa de retomar o controle. Em seu peito, Naruto murmurou algo abafado e ele afastou o braço, virando a cabeça apenas para encontrar dois olhos azuis bem abertos o encarando de volta.

— Sinto muito, eu te acordei?

Naruto desviou o olhar de modo que lhe era pouco característico.

— Eu estou acordado há algum tempo — foi tudo o que respondeu.

Sasuke sentiu o início de um sentimento envergonhado tingir suas orelhas. Teria ele sentido o que havia feito? Seria por isso que não o encarava agora?

— Parece que você já está melhor — pigarreou, de repente se dando conta de como eles estavam enlaçados. — Seus pais devem voltar em breve, então é melhor eu ir. — Fez menção de que iria se levantar. — Ainda bem que eu estava aqui para salvar sua pele. Pode me agradecer depois, Dobe.

Para a sua surpresa, Naruto se moveu, pressionando o seu corpo contra o colchão, a compressa escorregando da testa, e rolando até ficar por cima de si, as mãos apoiadas nas laterais de sua cabeça.

— Não devia fazer isso comigo, Sasuke — ele murmurou, a face corada a pouco menos de um palmo do seu rosto. O moreno piscou aturdido pela proximidade e a súbita intensidade que sentia vindo dele. Seu coração acelerou, os batimentos ecoando em seus ouvidos, enquanto se perguntava o porquê de aquilo estar acontecendo. — Você agindo assim, com tanto cuidado e preocupação verdadeira, me faz ter esperanças.

— Esperanças? Do que você…?

Naruto o cortou antes que pudesse concluir a pergunta. Ele balançou a cabeça, os fios loiros se agitando e fazendo cócegas nos pontos em que encostavam em sua pele. Sasuke suspeitou que a febre deveria estar o fazendo delirar e dizer essas coisas sem sentido.

— Isso, esperanças — ele continuou, encostando suas testas. — Se continuar assim, eu não vou conseguir resistir a me apaixonar ainda mais por você.

Sasuke paralisou, seus olhos se arregalando e o coração em seu peito batendo de forma descompassada, o som suplantando qualquer pensamento que pudesse produzir. O quê? O quê?, sua mente girou.

— Naruto, o que você está…?

Naruto, porém, o ignorou, inclinando-se ainda mais sobre si, os olhos o encarando com aquele mesmo ar decidido que havia visto tantas vezes antes e conhecia tão bem quanto o próprio rosto. As mãos dele se enrolaram na parte de trás de sua camisa, o corpo exalando uma onda de calor remanescente da febre alta.

Impulsivo como o loiro era, foi tarde demais para Sasuke reagir.

Quando percebeu, a boca de Naruto estava pressionando a sua, os lábios macios tocando os seus e movendo-se suavemente, mas com um desejo desinibido. Um arrepio subiu por sua coluna e ele concluiu que não podia estar raciocinando direito, pois, ao invés de se afastar, suas mãos subiram para agarrar os fios loiros e envolver-lhe a nuca, trazendo-o para mais perto. Naquele momento, seu autocontrole parecia ter sido enviado para longe, a vozinha que lhe dizia que aquilo era um erro mal passando de um mero murmúrio ao fundo de seus pensamentos. Tudo o que ele sentia era Naruto movendo-se contra si, a pele morna contra a sua, o formato do rosto dele sob seus dedos, os fios bagunçados deslizando por eles como água fluindo em um rio. Calor se espalhou pelo seu corpo até a ponta de seus dedos e Sasuke pensou que poderia começar a queimar ali mesmo. Naruto seria o responsável por incendiá-lo até que ambos não passassem de pó e cinzas tão misturadas quanto os seus corpos estavam agora. E aquele beijo, o encontro dos lábios famintos e desesperados que parecia ao mesmo tempo novo e conhecido, seria o catalisador de tudo.

A boca dele deixou a sua e Sasuke gemeu ao sentir os lábios dele em seu pescoço, os dentes rodeando o ponto exato que o fazia estremecer como se Naruto soubesse o tempo todo onde ele se encontrava e o que era necessário para fazê-lo abandonar os limites de sua sanidade.

— Sasuke, você não tem ideia de há quanto tempo eu desejo fazer isso. Não sabe quantas vezes eu tive vontade de te beijar assim — ele murmurou entre os beijos, a voz rouca e os olhos azuis brilhando de expectativa ao encará-lo com fervor e, acima de tudo, sinceros como sempre haviam sido. Sasuke podia ver o sentimento ali, tão claro quanto um dia sem nuvens. Tão puro e forte quanto um diamante.

Amor.

Foi nesse momento que Sasuke caiu em si. O que estava fazendo beijando seu melhor amigo daquele jeito? Mesmo que o ataque tivesse partido de Naruto, por que seu coração batia como louco como nunca havia feito por qualquer outra pessoa? Por que ele não conseguia se afastar? Por que não desejava se afastar?

Naruto rolou até estar deitado ao seu lado, o corpo curvado em sua direção como se Sasuke fosse um imã eternamente destinado a atraí-lo, a bochecha pressionada contra o seu ombro, os olhos fechados e o rosto sereno como uma criança pequena em paz durante o sono. O remédio ainda devia estar fazendo efeito, pois, segundos depois, como se nada tivesse acontecido, ele estava dormindo.

Sasuke observou o rosto estupidamente bonito murmurar e se virar em meio aos lençóis bagunçados por ambos, sentindo-se estranhamente decepcionado. O beijo queimou novamente em seus pensamentos, ardendo nos lábios onde haviam se tocado e inundado todo o seu corpo com aquele calor fervilhante. Uma voz em sua mente sussurrou que sua decepção advinha do fato de que ele queria mais. Mais outro beijo, mais outro toque, mais das mãos dele em seu corpo e da boca em seu pescoço; ele queria mais de Naruto.

Confrontado por essa nova percepção, Sasuke Uchiha fez algo que envergonharia sua família por muitas gerações: ele fugiu.

19 Mars 2021 20:46:49 2 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Artemísia Jackson Artemísia Jackson
Certeza que se nessa história, eu fosse o Sasuke, tu seria meu Naruto, Nathy 💙
March 21, 2021, 17:32
Artemísia Jackson Artemísia Jackson
Eu amo tanto uma madrinha e uma escrita 💙🤧
March 21, 2021, 17:31
~

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