nathymaki Nathy Maki

Touya não tinha motivos para voltar àquela casa, àquela vida. Não, muito pelo contrário, ele tinha todas as razões para se manter afastado e planejar a vingança fria que consumiria suas chamas em um futuro distante. Porém, apesar disso, ele se vê de volta. Quando arrebenta a porta de entrada e se encontra diante da dor e lágrimas presentes naquela cena, Touya toma uma decisão responsável por mudar todo o curso de sua vida: não podia deixar que acontecesse com o irmão o que havia acontecido com ele. E, por isso, faria de tudo em seu poder para salvá-lo.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

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I. Não há lugar como o lar

Atenção: este capítulo contém uma cena de abuso familiar e violência. Se for sensível a esse tipo de tema, por favor, não leia.


*

Ele apareceu com o cair da noite.

Veio através da porta que Shouto observava atentamente pelas últimas horas, piscando o mínimo possível, a respiração não mais do que um leve sopro, apenas o necessário para manter o corpo funcionando e nenhum som a mais. Mesmo que seu estômago doesse, que seu rosto, seu olho esquerdo queimasse e queimasse infinitamente, ele permaneceu observando.

Sua mãe passara por aquela porta mais cedo, o pai a levara enquanto ele gritava e chorava após o incidente. Um erro, ela havia dito. O medo, o terror dos olhos dela ainda fresco em sua mente. Ele não conseguia entender qual era o problema. Por que ele era um problema. Lágrimas silenciosas escorriam por suas bochechas, pingando na madeira lisa do chão, o único movimento perceptível no escuro e no frio da casa vazia. Solitária. Shouto queria Fuyumi e seus murmúrios suaves e tranquilizadores, ele queria Natsuo e seu sorriso alegre e piadas que não tinham graça das quais ele ria assim mesmo. Ele queria sua mãe, os braços protetores e o colo acolhedor como costumava ser. Ele fungou e franziu o cenho, lutando contra a dor. Shouto podia lidar com ela. Ele vinha lidando há vários meses até então. Mas não era o olho que o incomodava, e sim o coração estilhaçado no peito. O lugar onde estivera recheado de confiança plácida e cega que agora ecoava como uma ânsia profunda a mesma ladainha: por que, por que, por quê?

Era por isso que ele esperava, o olho arregalado e fixo na porta de madeira. A mãe certamente voltaria e explicaria tudo. Ela voltaria e o abraçaria, a voz cálida garantindo em um sussurro baixo que tudo estava bem, que ele não tinha culpa. Porque a culpa o esmagava, pressionava seus pulmões como uma farpa aguda e infeccionada da qual ele não conseguia se livrar. Eu a quebrei, o pensamento ecoava em sua mente, foi minha culpa. Mas não queria acreditar naquilo, recusava-se. Então se manteve em silêncio, prosseguindo em sua espera.

Porém, não foi a mãe a quem passou pela soleira; foi o pai.

Shouto não conseguiu evitar a pontada de ressentimento e aversão que atravessou seu corpo ao sentir os olhos azuis e gélidos pousarem sobre si. Mesmo aos seis anos, Shouto entendia o que era o ódio, escuro e profundo como ondas de nanquim na água. Ele sabia como odiar o pai antes mesmo de aprender a amá-lo.

Shouto fitou o rosto frio e distante, não havia nada ali que lhe fizesse se sentir menos sozinho. Pelo contrário, nos ângulos fechados de sua face havia uma distância ainda mais aguda. Ele podia senti-la, como se estivesse à beira de um penhasco e tudo a sua frente fosse trevas e vazio. Shouto estremeceu. Ele não queria se aproximar mais da ponta, não queria ter nada a ver com aquele vazio. E, ainda assim... Ele tem os olhos dele, eu o vejo nele.

— Onde está a minha mãe?

O pai o encarou com frieza, por mais que seu poder se materializasse na forma de chamas e calor, não havia nada de acolhedor nele.

— Ela vai ficar fora por um tempo — foi tudo o que disse.

Não era o bastante. Não era a resposta que ele queria ouvir. Aquela que precisava.

— Mas eu quero vê-la. Quando ela vai voltar? — insistiu.

Ele não respondeu. A expressão em seu rosto se tornou ainda mais dura e com um único movimento do queixo ele apontou para o fim do corredor e falou em um tom que não deixava espaço para discussões:

— Vá para o seu quarto. Amanhã retornaremos ao treinamento.

Treinamento? Shouto o olhou atordoado. Como ele podia falar em treinamento quando a mãe deles não estava mais ali, quando dizia tão calmamente que ela não iria voltar. Como se ela não houvesse acabado de queimá-lo, tão crua e profundamente que ele se ressentia pelo gelo em suas veias e o que ele era capaz de fazer. Shouto pensava que apenas o fogo era capaz de machucar, ele não esperava que a dor causada pelo gelo fosse ser pior.

— Mas... — as lágrimas aumentaram, borrando sua visão e ele estendeu as mãos para segurar a barra da calça do pai e impedi‐lo de sair, impedir a si mesmo de ficar sozinho e pensar. Ele não queria pensar, não queria mergulhar novamente no silêncio ensurdecedor e rever a mesma cena várias e várias sob suas pálpebras cerradas. — Mas ela prometeu não me deixar para trás... prometeu...

O pai parou e Shouto sentiu a fúria fria e incontida em seus olhos. Ele se abaixou, agarrando seus cabelos e o puxando até que seus olhos estivessem na mesma linha de visão.

— Escute bem porque eu só vou dizer isso uma vez. Você não tem tempo para essas coisas, não tem tempo para se preocupar com essas bobagens. Se quiser ultrapassar o All Might, se quiser ser o número um, não existe espaço para mais nada em sua vida além de treinar o máximo que você puder, até seus ossos reclamarem e depois ir além disso. Entenda isso agora, garoto, você não tem tempo para se importar com quem já o deixou para trás. É melhor esquecê-la. Ela não vai voltar por você.

A palavras atingiram fundo, com intensidade e cruéis. Os soluços que segurara por tanto tempo enfim romperam a barreira que sua esperança mantinha erguida. Ela se despedaçou, e Shouto com ela.

— Não foi culpa minha — ele murmurou. — Não pode ter sido.

— Pare com isso — o pai ordenou. A voz fria e ríspida parecia vir de um lugar muito longe, abafada pelo ruído espesso que tomava seus ouvidos. — Lágrimas são uma demonstração de fraqueza e você não pode ser fraco se quiser conquistar o topo, Shouto.

Mas ele não conseguia parar. Aquele espaço oco em seu peito rachava e se quebrava mais e mais a cada instante. Ela não vai voltar por você. Ele soluçou e o questionamento voltou a sua mente com mais intensidade: por que, por que, por quê?

— Eu mandei parar. CALE-SE! — rugiu o pai e então o chutou.

A pancada expeliu too o ar de seus pulmões, enviou uma onda de dor por seu estômago e reverberou em seu crânio, fazendo seus dentes baterem com força. Shouto rolou pela madeira, as costas atingindo a parede ao lado da entrada. Ele mordeu o lábio e conteve os soluços, relembrando todas as vezes que havia chorado durante os treinos e o quão mal aquilo acabara em cada uma delas. Com a mão pressionando a bochecha dolorida — todo o seu rosto doía agora —, ergueu os olhos para os orbes azuis e insípidos de quaisquer sentimentos que não a raiva e uma pontada de loucura descontrolada.

— Lembre-se disso, Shouto, um herói nunca demonstra fraqueza.

Ele sentiu cada palavra assentar em seu corpo, misturando-se ao medo e a dor e a raiva que agora sentia. Shouto queria ver a sua mãe, não queria que ela fosse embora. Ele não acreditava que ela podia tê-lo abandonado. Não, não, não podia ser. Foi somente com aquela força sem controle voltada para si junto ao medo que fazia seus membros tremerem que ele entendeu.

— Foi você — murmurou baixinho, mais para si mesmo do que para que o pai ouvisse. — Você fez tudo isso.

— O que disse? — ele perguntou, cada sílaba soando perigosamente calma. Como um predador rondando sua presa prestes a atacá-la ao primeiro sinal de movimento.

Shouto se sentiu pequeno diante daquele olhar, mas, ainda assim, reuniu forças e falou mais alto:

— É por sua culpa que ela foi embora. Você a machucava! Por isso ela se foi!

Quando o tapa veio, ele não estava preparado.

— Nunca mais repita isso novamente, entendeu bem? — Shouto apertou bem os lábios. Ele não ia responder, não ia. O pai o agarrou mais forte e lágrimas de dor escorreram por sua bochecha vermelha. — Eu perguntei: entendeu bem?

Shouto gritou. Gritou de medo, de dor e de fúria. Sua voz rasgou a noite, rasgou os próprios ouvidos que pareciam submersos, rasgou a si.

Foi nesse momento que a porta de entrada irrompeu em chamas.

O fogo tinha uma tonalidade azul e queimava com uma voracidade que o garotinho até então não havia visto. Uma batida se juntou as chamas, bruta e forte, e, no instante seguinte, a madeira cedeu e se estilhaçou nas dobradiças, a porta em si sendo empurrada bem na direção do pai que foi lançado para trás com o impacto.

Shouto caiu no chão e piscou para afastar as lágrimas e a dor que fazia sua cabeça girar, virando o corpo para encarar a figura parada no batente. Os cabelos escuros como penas de corvo e olhos azuis acesos com uma fúria incontida. Ataduras envolviam os braços e o pescoço visíveis sob um casaco denso e esfiapado. Na boca, brincava um sorriso perigoso, um do qual as pessoas fugiam ao ver pois sabiam que nada de bom viria dele. Shouto não o conhecia, mas havia uma sensação, uma familiaridade que ele não conseguia explicar.

— Você — ele ouviu o pai sibilar, assombro e um sentimento contido que ele não conseguia identificar.

— Eu — a figura disse com uma entonação sarcástica. — Parece que você ainda se lembra, não é, velho?

A risada alta não era como a de Natsuo. Pelo contrário, era aguda e desprovida daquela diversão calorosa que ardia como bolhas no fundo da garganta. Shouto lutou contra o tremor que assolava o seu corpo, a visão embaçando-se nas bordas quando ergueu a cabeça para encarar a fundo aqueles olhos azuis tão familiares, quando se deu conta que a mesma raiva efervescente ardia em uma queima voraz ali. Ele podia jurar que o estranho o conhecia.

— Como... como pode estar vivo? Eu vi os seus restos, o corpo queimado até virar cinzas... apenas como?

Shouto nunca vira o pai tão sem ação quanto no momento presente. Ele se ergueu devagar, olhos muito abertos e arregalados como se estivesse parado diante de um fantasma. O recém-chegado ignorou as perguntas e apenas continuou sorrindo, um sorriso que não alcançava os olhos os quais passaram da forma encolhida de Shouto para o local onde o adulto continuava parado, as mãos cerradas em punhos com tanta força que os nós se destacavam brancos. O garotinho sabia que o fogo não estava longe de aparecer.

— É bom estar de volta, pai — ele disse, a voz áspera soando como uma lixa raspando metal. — Vejo que os seus métodos não mudaram em nada nos últimos dois anos. Realmente, não há lugar como o lar, não é mesmo?

Shouto podia não o conhecer, mas ele estava ferido e assustado, e retornar para o interior da casa, sozinho com o pai não era algo que quisesse fazer tão cedo. Então, ele engoliu o medo amargo que travava sua respiração e estendeu as mãos para segurar a barra puída do casaco pesado do outro.

— Me ajude — pediu, a voz baixa demais, a chama que antes era sua força de vontade quase extinta em seu peito agora. — Por favor, me ajude. Não me deixe aqui com ele. Eu não quero ficar.

Os olhos dele se tornaram brutais e Shouto tremeu diante aquele ódio que também era direcionado a si. Ele não tinha mais tanta certeza de que seu apelo seria ouvido, de que ele seria ajudado. O estranho não era um herói, ele pensou. Nenhum herói viria salvá-lo.

— Touya... — Enji começou, cortado por uma risada mordaz. Shouto estremeceu ao perceber que já tinha ouvido aquele nome em uma conversa abafada e regada a lágrimas. O nome que seus irmãos tanto evitavam falar. O nome do seu irmão morto.

— Não me chame assim. Touya está morto, você permitiu que ele morresse.

— Não ouse fazer isso. Eu o proíbo!

— Ha! E quem é você para me proibir de algo? Meu pai? — zombou. — Pais não fazem isso com seus filhos. Pais não os fazem treinar até que eles vomitem, ou os levam a odiar uns aos outros com tanta intensidade que chega a machucar. Pais, acima de tudo, não são criaturas egoístas como você.

A pausa pareceu um instante congelado no fluxo temporal no qual ele decidia o que deveria fazer. Não passaram de alguns segundos, apenas tempo o suficiente para uma breve hesitação, antes que o estranho, que tinha o mesmo nome de seu irmão já falecido, se abaixasse e passasse o braço pelas costas de Shouto. Se o garotinho não estivesse tão atordoado pela dor, ele poderia ter derramado lágrimas de alívio. O hálito quente atingiu sua orelha quando ele sussurrou em um só fôlego em seu ouvido:

— Feche os olhos.

Shouto não pensou duas vezes antes de obedecer.

Quando o pai se ergueu para atacar, para capturá-los e depois os trancar em quartos nos quais jamais veriam a luz do sol novamente, o recém-chegado agiu.

Então o inferno desceu sobre a terra.

*

Touya tinha voltado à casa.

A mesma casa que agora deixava para trás com seus passos apressados.

Ele nem mesmo podia explicar a si mesmo por que havia voltado.

Tudo em seu coração era agora um mar de raiva, ódio e desejo desesperado por uma vingança fria. Mas quando as mãozinhas se fecharam em sua blusa e o choro subiu entrecortado pelo tecido, ele acrescentou uma culpa pesada em seu estômago.

As chamas azuis ainda eram visíveis as suas costas, uma espessa nuvem de fumaça subindo aos céus como um grosso pilar de alerta, sinalizando o início de algo. Ele não olhou para trás. Apenas correu o mais rápido que podia, o mais rápido que seu corpo repuxado conseguia aguentar, o braço esquerdo apertando a pequena forma encolhida contra o seu peito que se agarrava a si com todas as forças.

Shouto chorava e chorava, lágrimas grossas caindo pelo olho não enfaixado. No entanto, ele percebeu o que era aquela pontada que o incomodava desde que ele o havia agarrado. O som. O garotinho abafava quaisquer ruídos que pudesse deixar escapar e chorava baixinho, para si mesmo, como se soubesse que uma punição o esperava caso fosse ouvido.

Foi essa percepção que o fez fechar os punhos em uma fúria lívida e ilimitada. O entendimento de que uma criança sequer podia derramar lágrimas de tristeza sem que houvesse uma consequência. A culpa ferveu no mar revolto que eram seus sentimentos. Ela queimou junto a dor dos ferimentos antigos e a inveja amarga e o ressentimento que sentia do garotinho cuja individualidade era melhor do que a sua evaporou com a fumaça que escapava de seus dedos. Ele o encarou de forma fria e cogitou voltar. Refazer o caminho até aquele lugar que um dia chamara de lar e queimá-lo até que restassem somente as cinzas a serem espalhadas pelo vento. Sabia que aquela parede de chamar não seria o bastante para impedi-lo. Ele podia voltar agora e terminar o serviço que havia começado, matar Endeavor e acabar com tudo aquilo de uma vez.

As mãos do pequenino se fecharam com mais força e então ele soube naquele momento que não voltaria. Não podia fazer aquilo com Shouto, mais dor e violência infligidas em uma infância que ele sabia já não ter sido fácil. Touya deixou as chamas em seus dedos morrerem, mal registrando a dor remanescente causada pelo uso prolongado delas.

Então ele correu. Para longe das chamas e da dor, para longe de um passado que estava marcado em sua pele e alma tão intrinsecamente que jamais poderia ser esquecido.

Touya se embrenhou pelas ruas, passando por beco escuros e lugares suspeitos, pulando por muros e por fim, derretendo um grande cadeado de ferro maciço que guardava as enormes portas de metal de um dos muitos armazéns construídos naquela parte da cidade.

Ele se abaixou atrás de um dos muitos caixotes empilhados e puxou de um esconderijo as poucas provisões que o mantinham vivo nos últimos anos. Com cuidado, afrouxou o aperto na figura encolhida em seus braços e o encontrou dormindo, o rosto franzido como se mesmo os seus sonhos o não passassem apenas de um punhado de pesadelos entaramelados com a realidade brutal e crua que vivenciava. Havia uma mancha feia na bochecha e uma atadura frouxa cobrindo o olho esquerdo. Touya a desfez e encarou a queimadura, a pele áspera e enrugada como a sua, uma marca permanente que jamais retornaria a ser como antes.

Nesse momento, Shouto acordou como se pressentindo que estava sendo observado. Ele recuou dos braços do estranho que o havia salvo e fitou ao redor com medo reluzindo na íris cinzenta — a única que conseguia abrir com completude. Touya estendeu as mãos, tentando lhe passar a certeza de que não iria machucá-lo, mas Shouto já havia sofrido muito nas mãos do pai para se prestar a confiar assim tão cegamente em qualquer um que aparecesse. Até onde ele sabia, aquela pessoa poderia o estar levando para um lugar ainda pior. Touya então se abaixou lentamente até que seus olhos encontrassem com os do irmão menor e estendeu a mão para limpar as lágrimas que caíam uma por uma, como uma vez Fuyumi fizera com as dele, dizendo com o máximo de suavidade que ainda era capaz de reunir:

— Está tudo bem agora, Shouto. Tudo bem. Eu sou o seu irmão, Touya. Eu voltei por você. Está tudo bem, você está a salvo. Prometo que não vou deixar aquele homem chegar perto de você novamente.

E quando os olhinhos marejados e a feia cicatriz desfigurando o lado esquerdo do rosto o fitaram de volta repletos de dor e desconfiança, ele decidiu que a vingança poderia esperar um pouco mais.

10 Janvier 2021 21:17:44 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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