oiretimec Luis Fernando

ATENÇÃO: ESSE LIVRO APRESENTA CONTUDO INADEQUADO PARA MENORES DE 18 ANOS, POIS APRESENTA LINGUAGEM INADEQUADA, CENAS DE SEXO EXPLÍCITO E ALTO TEOR DE VIOLÊNCIA. Em uma fria noite de inverno um casal começa a ler um estranho livro após o jantar. O livro parece ser uma encadernação amadora sem título e sem o nome do autor. Mas eles decidem ler mesmo assim e se deparam com quatro assustadoras histórias: Um casal transando dentro de um apertado Fusca nem desconfia que o lugar onde estão abriga o horror. Um grupo de jovens têm a missão de passar uma noite em uma imensa casa abandonada, uma casa que esconde segredos macabros. Um jovem casal tem a péssima Ideia de namorar na velha capela de um cemitério, E um grupo de pessoas viajando por uma estrada erma encontra uma cidade fantasma, um lugar que abriga a morte. Mas um segredo ainda mais macabro, envolvendo o casal que lê o livro, estará reservado para o final


Histoire courte Interdit aux moins de 18 ans.

#horror #terror #surreal #contos #soturno #trash-gore
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PREFÁCIO



Se você procura histórias que façam algum sentido, que têm coerência e que possuem finais felizes esse definitivamente não é o seu livro. Feche-o e caia fora, você está aonde não deveria estar e pode acabar se dando mal por isso.

As coisas por aqui não fazem o menor sentido.

Existem coisas estranhas que se escondem nas sombras das florestas, em criptas de cemitérios em casas abandonadas e em cidades fantasmas.

Nós não sabemos o que são essas coisas, não sabemos quais são as suas intenções e nem o lugar de onde vieram. A única coisa que sabemos é que são extremamente nocivas. Você não pode enfrentá-las, do contrário pode acabar se dando muito mal.

Isso aqui é uma zona de guerra, um lugar de podridão, onde as coisas não são certas, onde o respeito não existe, e da felicidade e da esperança nunca se ouviu falar.

Eu tinha dezessete anos quando esses contos foram desenterrados, e eles já eram defeituosos quando foram criados.

Uma pessoa de dezessete anos não tem muita noção do que faz, apesar de achar que sabe tudo à respeito da vida. Pessoas de dezessete anos são um pouco arrogantes por natureza, são rebeldes, não aceitam conselhos, fazem as piores escolhas, e acham que o mundo é uma imensa bola colorida de algodão doce.

Eu era assim, eu estava na fase dos sonhos, que na verdade são devaneios, achando que a vida seria uma maravilha e eu não precisaria fazer nada, apenas ficar coçando o saco e esperar sentado.

Foi o que eu fiz e acabei me lascando.

Mais tarde acabei descobrindo que o mundo era uma bola sim, mas de merda, e que aquele negócio de sonhos não passava de uma ilusão. Aprendi que a realidade é bem mais cruel e sombria do que aquela mostrada na vitrine da vida.

Eu não me lembro muito de onde tirei inspiração para escrever essas histórias, apenas pequenos pontos estão claros na minha cabeça, o resto está na zona morta.

Naquela época eu tinha umas ideias meio bizarras, e havia muito lixo literário na minha cabeça, muitos deles nem saíram da ideia.

Por incrível que pareça, minha fonte de inspiração para a criação de A noite dos espantos foi o filme A bolha assassina de 1985. O filme tem uma cena mais ou menos igual onde um cara vai comer uma garota em um lugar no meio do mato e o carro dele tem um frigobar no porta malas. É claro que tive que modificar as coisas para não parecer um maldito plágio, graças a Deus a história não tem nada a ver com o dito filme.

O conto não faz sentido. Ele nasceu assim, morreu assim, e ressurgiu assim e eu fiz questão de não modificar coisa alguma.

Não existe nenhum beco do gozo sinistro na cidade onde eu morava (Santo Antonio do Pinhal) quando o conto foi criado e por lá não rola nenhuma lenda (não que eu saiba) sobre um cara que matou a mulher à machadadas.

O conto é soturno, e não me pergunte se o cara morreu ou se ficou vivo no final, porque isso pode ser simplesmente uma viagem daquelas. Eles podem simplesmente ter enchido o rabo de maconha e imaginado a coisa toda (o que, na minha opinião, não é verdade).

O que eu acho mesmo é que talvez lugares malditos existam.

No mais é apenas mais uma história de terror onde o nexo não é tão importante, e a coisa que realmente importa é o medo.

Dá pra sentir medo lendo isso? O conto é bom? Bem, tire suas próprias conclusões. A sua opinião, seja ela qual for, não me abalará emocionalmente, pode crer. Me mande um feedback, estou pronto a ouvir, seja duro, me detone, eu não dou a mínima, mas tentarei melhorar se achar que assim devo proceder.

Não faço a menor ideia de onde veio a inspiração para os dois contos seguintes.

Eu tinha uma ideia vaga sobre um pessoal indo passar uma noite em uma casa abandonada, lá eles trepavam, fumavam maconha e começavam a ver coisas estranhas.

Discuti um pouco da ideia com um amigo meu enquanto pegávamos um pouco de lenha no meio do mato (naquela época a vida era mais dura), mas não chegou a ser uma explanação clara dos acontecimentos da história, já que eu não tinha uma história na ocasião.

O título (A reunião na casa do espanto) foi a primeira coisa que eu pensei, afinal de contas tratava-se de fato de uma reunião.

Não se pode dizer muita coisa sobre a história, mas o que se pode dizer é que com certeza aconteceu alguma coisa de muito grave, algo realmente macabro, naquela casa.

Talvez as tragédias as coisas ruins que somente os seres humanos conseguem fazer, deixam um estigma, uma espécie de cicatriz, e é essa cicatriz que nós chamamos de assombração.

Não são casas que assombram seres humanos, mas seres humanos que assombram casas, as verdadeiras assombrações são seres humanos.

Dê uma olhada nos jornais e veja o que está acontecendo no mundo agora, e veja se eu não tenho razão. Se não existisse o ser humano (e nesse aspecto eu acho que Deus deu uma comida de bola na criação) o mundo seria a porra de um paraíso.

As alusões sobre H.P. Lovecraft e ao Necronômicon, não existiam na história original, isso só aconteceu em meados de 2010 na reconstrução do livro e veio à calhar, afinal havia um livro sombrio na casa, um livro de evocações, um mistério que envolvia a antiga família dona da casa (também não trabalhei muito essa coisa porque não era esse o ponto principal da história).

Em suma o conto era sobre um grupo de pessoas que ia passar uma noite em uma casa assombrada e acabava morrendo, só isso. Os elementos que podem lançar alguma explicação sobre a coisa foram surgindo naturalmente à medida que a história ia sendo desenvolvida.

O próximo da lista é Noite sombria, e esse é o mais obscuro de todos em termos de inspiração.

Eu não posso dizer de onde veio a inspiração para escrever isso. Eu acho que para algumas coisas que escrevemos não existe inspiração.

Stephen King diz que contos são coisas que desencavamos e eu acho que algumas coisas já vem assim de dentro daquele buracos de ideias que cada escritor leva no cérebro.

Essa história é uma delas, já era assim quando pensei na coisa e não foi necessário me inspirar em absolutamente nada.

Ele é uma rápida sucessão de acontecimentos bizarros e culmina da pior maneira possível.

Talvez tenha algo de Zé do Caixão aqui, alguma coisa nesse estilo. Também podemos observar (e isso é inegável) uma leve inspiração em Lovecraft (o livro que eles leem na capela é o necronômicon).

Etrom que originalmente se chamou Cidade fantasma, nasceu de uma revista em quadrinhos que eu li na casa de minha vó, e para mim (e talvez para a pouca parcela de pessoas que leram o livro) é o melhor conto do livro. Originalmente se chamava Cidade fantasma, como eu disse, e era tipo um jogo em que você escolhia o final indo à determinada página.

Quando reconstruí o livro isso tornou-se inviável e eu modifiquei a coisa, o conto apareceu no formato que ele tem aqui. Também resolvi mudar o nome para Etrom, o que ficou muito melhor.

De certa forma todos os quatro contos estão interligados entre si (e maneira como o livro termina prova isso) todos eles contam a mesma história, a história de Fernando e Daniela, o casal que está lendo o livro.

Se há algum sentido nisso tudo o sentido é: a insanidade gera monstros.

Os monstros estão aqui, estão dentro da cabeça e todos eles são humanos. Fantasmas são humanos, e por serem humanos são bem piores do que demônios que são espíritos que nunca tiveram um corpo.

Muitas vezes esses monstros querem sair, e quase sempre eles conseguem e as consequências são o que vemos nos noticiários dia após dia; as consequências são o caos e a desordem que imperam no mundo, um mundo que estaria muito melhor se Deus não tivesse tido a " grande " ideia de inventar os seres humanos.

Uma última coisa que pode ser dita é sobre o final do livro como um todo.

Em 2000 o final era diferente do de 2010. Fernando termina de ler o último conto. Eles estão no quarto porque o combinado era dar uma trepada depois de terminar a história. Fernando deixa o livro sobre o criado mudo e se vira para o lado de Daniela e vê que ela está dormindo. Ele vê então que a ideia da trepada foi por água a baixo e se contenta com isso. Dá um beijo na mulher, apaga a luz do abajur e vai dormir.

Em 2010 a coisa seguiu da mesma maneira até a parte em que ele se vira para o lado de Daniela, então ele vê que ela não está ali.

Ele acha estranho, se levanta e vê que está em uma outra casa, a mesma casa do conto Etrom.

Ele percebe que está nú, percorre o corredor e abre a porta do quarto contíguo e vê Daniela trepando com uma coisa na cama. Então ele sai correndo entra em um quarto e vê, amarrada em uma corda, Dericéia, uma das garotas que desapareceu no conto Etrom.

Então Fernando percebe que tem uma faca na mão. É ai que vem, a consciência da loucura e o livro acaba.

Particularmente eu adorei esse final, é sinistro e combina muito com o título do livro. Uma ótima maneira de acabar um livro de terror.

Dessa vez eu fiquei meio na dúvida sobre qual final usar, o original de 2000 ou o macabro de 2010. Então pensei: Porque não os dois?

O foi o que fiz.

Esse livro tem dois finais. Primeiro lhes apresento o final terrível de 2010, é como o livro acaba, como deveria acabar, depois, apresento um final alternativo, o final original do livro em 2000.

Espero sinceramente que vocês gostem.

Essas coisas sinistras estão lá fora, em algum ponto escuro, elas esperam alguém com coragem suficiente para virar a página, para abrir a porta e sair, então, só Deus sabe o que pode acontecer.

Mas não fique pensando muito nisso, porque daqui a pouco você vai acordar e se dar conta de que está em uma cela acolchoada. Será a consciência da loucura, o estágio final de uma coisa irreversível.

O meu conselho é: encare a coisa como ela é, um simples livro de terror, uma simples maneira de contar quatro histórias que formam apenas uma, a quinta.

Mas cuidado, como eu disse as coisas que estão aqui dentro são extremamente nocivas.

Essa é sua última oportunidade de cair fora , se virar a página poderá ser tarde demais, depois só restará a consciência, o momento em que você cai em si e descobre que é completamente louco. Quando isso acontece, meu chapa, não há mais volta. Eu estou tentando voltar há 18 anos, até agora não achei a saída.

Luís Fernando Alves, Pindamonhangaba, SP, 21 de novembro de 2018.

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