lslauri Liura Sanchez Lauri

Dentro das novidades colocadas pela Marvel em 2020, com "House of X" e "Power of X", estou escrevendo um roteiro onde o Wolverine é contatado por uma filha dele, de outra dimensão que o informa sobre todos estarem sendo manipulados, provavelmente pela Moira, mas nada é certo! Então, Logan tem a terrível missão de descobrir quem ou o quê está por trás disso e impedir um cataclisma.


Fanfiction Comics Interdit aux moins de 18 ans.

#marvel #krakoa #2020 #x-men #wolverine
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A semente é plantada

- Eu tô legal... Essa loucura vai passar, né? – eu pergunto pra uma ruiva do meu lado, enquanto via uma nova! É cara, aquela explosão estilo nuclear, cataclísmica que uma estrela consegue fazer.

A guria não dá nenhuma resposta, ao menos, nenhuma verbal, mas eu senti que apesar de estar flutuando no espaço, sem nenhum equipamento pra garantir minha vida, tudo ia terminar bem...

Mesmo sem nenhum som, a energia envolvida na explosão dá uma agitada em nossos corpos. O meu, é empurrado bem pra trás; enquanto o da ruiva em trajes brancos esvoaçantes se move tão sutilmente que eu não sei se era eu querendo acreditar o quanto ela era real...

Depois disso, começo a sentir uma força me atraindo para aquele centro energético e, como não tinha nada pra fazer contato, só fui!

- Mas que merda! Ei, guria, vê se não me deixa ir sozinho nessa roubada, hein?

E ela, de novo, não responde nada, mas maneia a cabeça e sorri enquanto as partes de roupa dela eram “sugadas” antes do seu corpo começar a se mover para o que antes era uma nova e, agora, tava mais com cara de buraco negro.

- Não tem nada pra me contar sobre o que vamos enfrentar? Acho que meu poder de cura não consegue me manter vivo no espaço... O que tá rolando?

Foi aí que senti uma voz calorosa na minha mente: “O senhor sabe que o som não se propaga no vácuo, não é mesmo?...” seguida de uma risadinha de deboche. “Se não fosse minha capacidade telepática eu jamais ia saber o que estava falando, sr. Logan...”

Pela formalidade e circunstâncias, percebo que essa não era uma ruiva que tinha alguma intimidade comigo. Já descarto a Rosie, o que é ótimo, porque se eu ‘tivesse vendo ela, ‘taria morto! Descarto também a Jean, já que a voz não era dela e ela nunca ia me chamar de “senhor”! Não que ela já não tivesse chamado, mas só em momentos mais íntimos...

“Está mesmo rindo de um pensamento desses, sr. Logan?!”

Ela me faz acordar das minhas doces recordações e, maneando a cabeça, eu volto a listar as ruivas da minha vida: Rachel não era tão educada assim... Então, quem poderia ser?...

“Não precisa agir como se eu não estivesse aqui!...” – ela projeta sua voz novamente em minha mente e me pega desprevenido.

- Hã! Claro! Eu não tive intenção, ruiva... E acho que fica mais fácil perguntar pra tu... Então, quem é você?

E, novamente, o silêncio...

- Vem cá, isso tudo é muito chato! Quando eu preciso que tu fale, tu não diz nada! E quando eu tô numa boa, tua voz vem me trazer pra realidade? Que tá rolando! Eu sei que a gente não se conhece*

“Claro que nos conhecemos!” – ela me interrompe bruscamente e eu só posso ficar com a cara de surpresa, enquanto meus lábios cismam em soltar um “hein?” mesmo sabendo que não seria ouvido.

“Me chamo Katherine... Ou Kate... Grey Howlett.”

- Cum’é que é?! – eu penso e, novamente, movimento meus lábios, junto com uma cara que devia ser de pasmo.

“Sei que parece estranho de ouvir isso, mas sou sua filha, sr. Logan.” – e acho que ela precisou dar uma pausa pela quantidade de pensamentos que afloram na minha mente. Se aquilo tudo era um sonho, quero acordar logo! Já até imagino a Jean do meu lado, na cama, me sacaneando com telepatia!

Desde a minha missão no espaço pra derrotarmos uma nova linhagem de sentinelas e da minha ressurreição em Krakoa eu não paro de ter essas cenas vívidas desse lugar, o espaço, com outras situações, essa deve ser só mais uma, né não? Eu fico aqui, tentando entender, mas quando acordo, estou somente na Mansão X, com meu corpo levemente moído, como se meu fator de cura não estivesse no seu auge. Isso acontece somente alguns minutos depois de acordar e, durante a manhã, tudo passa... Agora seria igual? Mas eu sentia que tinha alguma coisa diferente...

“Sim, sr. Logan, essa noite é diferente porque eu vim em uma missão que nem mesmo a sra. Grey vai conseguir barrar ou suspeitar... Eu precisava fazer algo para mudar o que vai acontecer na sua dimensão, precisava abrir os olhos de alguém e, pela sondagem mental que fiz, o senhor é o mais indicado. O que só torna minha missão mais difícil!...”

Ia mover os lábios, mas então lembrei que era só pensar: “Que missão, Kate? E por que tu não me chama de pai?”

“Tecnicamente, o senhor não é meu pai, sr. Logan. Eu sou filha de um outro Logan, em outra dimensão, das infinitas dimensões que existem e, em minha dimensão, onde não existem mais humanos, os mutantes vivem em paz.”

“Então não ‘tô entendendo no que posso te ajudar, ruiva...”

“É o contrário, senhor... Eu é que vim tentar ajudá-los... Meu poder mutante é a projeção luminosa e, recentemente, descobri que posso fazer uma projeção de mim mesma num ambiente neutro e trazer a projeção daqueles que desejo para esse espaço, sempre nesse mesmo momento, sempre na explosão dessa estrela.”

Aliás, nossos corpos, ou projeções luminosas, estão cada vez mais próximos da energia residual daquela explosão; sendo sugados para seu centro, enquanto ela, calmamente, continua:

“Nasceu, há uns cem anos, uma mutante capaz de contatar outras dimensões e, como vivemos em paz, resolvemos vigiar essas outras possibilidades e auxiliar, sempre que possível. Só que essa mutante não conseguia fazer a conexão como ela quisesse. O poder se baseava em receber anomalias, como se fossem sonhos e, a partir deles, precisávamos nos unir e extrapolar nossos poderes para pesquisar mais e entender as origens. Faz alguns anos que estamos de olhos voltados para essa dimensão, especialmente voltando nosso olhar para a mutante que vocês conhecem como Moira...”

Faço a Kate sentir minha ansiedade com a aproximação do centro da explosão e ela faz um movimento com a mão, nos colocando no início de tudo, alguns minutos antes da nova, percebendo a alteração elétrica e de pressão que aquele momento trazia.

“Eu posso rebobinar esse momento pra sempre, não precisa se preocupar com o centro da explosão...”

Era assustadoramente interessante ver a explosão de novo. Cobri os olhos com uma das mãos e, novamente, fui empurrado para depois começar a ser puxado.

“Essa mutante também é imortal?” – eu pergunto, pensando se não tenho uma versão minha em outra dimensão que seja mulher.

“Faz vinte anos que ela morreu, de causas naturais... A visão que ela teve sobre Moira foi uma das primeiras de sua vida e, como premissa nossa e para não perdermos nossa história, desenvolvemos uma tecnologia que nos permite gravar todas as memórias de nossos cidadãos. Foi com essa gravação que percebemos uma repetição, uma anomalia, dentro da dimensão de vocês.”

“Como assim, guria?” – eu sinto minha sobrancelha levantar-se.

“A primeira gravação que tivemos mostrava uma adolescente dentro de um avião, indo para Nova Iorque, sem contudo conseguir chegar ao destino. Essa foi a primeira visão de Moira que Kaku’et teve. A segunda e terceira visões foram mais atribuladas, mostravam um pouco mais de sua vida, mas sempre com morte prematura, por volta dos 30 anos... O mais interessante é que com a morte na primeira imagem, tivemos certeza de que as outras duas apontavam para algo maior, uma vez que nas duas, a mesma pessoa realizava ações e efeitos diferentes. Começamos a pesquisar e a extrapolar os poderes daqueles mutantes capazes de viajar no tempo ou com telepatia, ou mesmo eu, que consigo trazer as consciências de outras dimensões para essa dimensão “neutra”, uma vez que minha dimensão não está aqui também...”

Era muita informação pra eu processar... Pressionei entre meus olhos com meus dedos enquanto a outra mão pedia um tempo pra ela.

O que ela quis dizer com três visões da mesma pessoa em tempos diferentes e com atitudes e efeitos diferentes? O que isso tem a ver com minha vida e com a vida que temos na minha dimensão a ponto de chamar a atenção de uma parente tão distante? Aquela Katherine tinha mais da Jean do que de mim, a única coisa que me lembrava eram os olhos azuis...

“Como nossa dimensão vive em paz, eu não tive contato com esse lado instintivo forte que percebo no senhor agora. Em minha dimensão, o senhor não tem adamantium nos ossos, não sofreu tanto depois de descobrir sua mutação... O início foi o mesmo, sabe? Isso parece que não muda nas dimensões, mas sua vontade de fazer as coisas darem certo e a mudança de toda sociedade com o passar dos anos o transformaram em alguém mais sensato e menos agressivo, portanto, eu tenho muito do senhor também...” – seus olhos caíram sobre os meus, com uma tranquilidade até mesmo perturbadora.

“E que perigo corremos então? E como eu poderei ajudar minha família?”

“Esse é o problema, sr. Logan... O perigo é sua família! E o que ela se transformou devido a várias anomalias criadas pela dra. Moira! O sr. Charles Xavier está perigosamente manipulando energias temporais que podem alterar muito mais do que somente o futuro da sua dimensão.”

Eu não gosto do que ouço. Se estivesse num lugar com som, ela conseguiria me ouvir bufando... Sabia que a visita, no fim, tinha mais a ver com manter a vidinha dela do que com ajudar a minha dimensão de alguma maneira...

“O senhor se engana!... – ela me interrompe dentro da minha mente – Minha dimensão vai sentir o ocorrer dos eventos como uma marola... Praticamente não nos afetará, mas se os mutantes videntes que temos estão realmente certos, ela será catastrófica para outras dimensões, chegando a extirpar sextilhões de vidas inocentes!”

“Ninguém é inocente, guria! Cê ‘tá apostando as fichas na pessoa errada... Eu, realmente, não sou teu pai!”

Ela voltou àquele silêncio incômodo, eu não tinha como me mexer ou o que fazer. Estava refém daquela mutante pelo tempo que ela quisesse e, novamente, a vi mover as mãos e reiniciar nossa viagem. Dessa vez, ela ficou praticamente o tempo todo em silêncio. Minha mente não parava de pensar várias possibilidades, especialmente aquelas que poderiam me fazer sair dali, mas nada surtia efeito, nem mesmo apelar pra Jean e nosso laço telepático funcionou nessa hora. Passei então a pensar no que ela disse da Moira. Charles e Erik tinham acesso a ela, eu cheguei a sentir o cheiro da cientista algumas vezes nos dois, em momentos diferentes, mas eles diziam pra população de Krakoa que ela tinha morrido. Essa mentira não me importava, porque eu sentia que era pra proteção dela, saca? Mas e se eles sabiam dessa “anomalia” e ‘tavam protegendo a Moira pra não destruir a vidinha perfeita deles?... ISSO me incomodava!

“Fico feliz de ainda ouvir algo assim, que se incomoda com o rumo que as coisas podem tomar e que há um ponto da minha história que você conseguiu averiguar por si. Sabe que há alguma coisa diferente, mas não conseguiu “pegar” a mentira no pulo ainda, não é?”

“Olha, Kate, se teus amigos pegaram três Moira em momentos diferentes, isso só pode significar duas coisas: ou ela é imortal ou ela fez clones dela mesma, naquele laboratório da Ilha Muir e que são programados pra aparecer algum tempo depois que a Moira anterior morre...”

“Não poderia haver uma terceira opção? Ou uma quarta? O senhor já passou por tantas coisas e ainda tem dificuldades de expandir sua mente?” – e novamente surge a risadinha irritante, muito parecida com a da Jean depois que nos beijamos e ela não quer transar.

“É... Tu é mesmo filha da tua mãe!”

“Senhor Logan! Por favor!...”

Eu rio por finalmente conseguir tirar aquela pivete do sério, vejo o rosto dela ficando da cor dos cabelos e acabo gargalhando, com direito a mão na barriga e tudo. Aproveitei a falta de gravidade e fiquei como uma bola, rodando em torno de mim mesmo.

Passado esse momento, eu solto: “A única outra opção que consigo pensar, dentro dos entendimentos que existem no meu planeta é que ela reencarnou, seria isso? Mas aí fica a dúvida, não são todos nós que fazemos isso, garota?”

“Não entrarei no tecnicismo de todos, mas focarei no que ocorre com a sra. Moira. O que ocorre com ela é diferente de reencarnação... Ela, cada vez que morre, renasce sempre no mesmo dia, mas relembrando de tudo que viveu, sabendo o que aconteceu, ela teve vantagem sobre os outros e começou a traçar um plano para que os mutantes não fossem extintos pelo “Homo sapiens”. Acontece, sr. Logan, que existem dimensões sem nenhum mutante, existem outras onde os mutantes convivem em harmonia com os humanos, existem outras que nem humanos existem, muito menos mutantes – que são uma evolução daqueles... Então, chegamos à conclusão, em nossa dimensão, que essa vantagem competitiva da sra. Moira – pensamos nela somente como mais uma mutação – tirou dos eixos os fatos como eles deveriam ser e, agora, a balança da unidade está em desequilíbrio! Sem contar que vocês todos estão sendo manipulados nesse processo, de um jeito sutil, mas manipulados...”

Rosnei pra mim mesmo. Odiava ser manipulado! Mas quem me garantia que a manipulação não vinha daquela menina?

“Não há garantias, sr. Logan. Eu, na verdade, vim “plantar a discórdia” para que, com suas capacidades de investigação e sua facilidade de bloquear telepatia – pois o seu crânio de adamantium age como aquele capacete do Magneto! – tire as suas próprias conclusões. Eu nada mais posso fazer. E não mais te incomodarei em outras noites. Meu aviso foi pontual e direcionado. Deixar algum material que você possa começar e, daí, ser o “exército de um homem só” que tantas vezes foi, antes de conhecer os X-Men.”

“Supondo que você tenha me ganhado com esse papo e que eu consiga entender a conspiração por trás de toda essa nova ordem mundial... O que te faz pensar que eu quero mudar ela?! Eu não era ninguém, não tinha nada além de pesadelos e culpa! Antes do Charles me encontrar e me curar, me dar um propósito... E, antes de Krakoa, eu ainda tinha desejos não realizados, mas agora, não existe mais nada que eu queira, além de servir aquela família que me acolheu tão bem. Tô realizado na vida e no amor, saca?”

“Só posso dizer que isso tudo não deixa de ser parte da manipulação... É a mesma euforia que qualquer droga deixa no sistema, mas não há felicidade que dure pra sempre, nem verdade que não venha à tona. Eu devia ter chegado antes da sua morte na estação da Forja Orquídea, assim, teria mais do Wolverine real do que do “clone” alterado...” – mas eu não a deixo continuar, a interrompo com veemência:

“Ei! O processo que os Cinco fazem não cria clones! Eles... eles... – paro pra me ouvir, respiro fundo e a Kate, pacientemente, esperai – Caramba!... Eu sou um clone e, segundo você, alterado?!”

“Não se esqueça de que para ser praticamente ileso a telepatia você precisa do adamantium... E, em Krakoa, depois de sua morte, você ressuscitou sem ele. Nesse momento, Charles se aproveitou para plantar o que ele queria, não só em você, mas em todos aqueles ressuscitados... Ainda existem humanos confiáveis, do mesmo modo que existem mutantes confiáveis, mas você precisará descobrir por si só.”

Eu não consigo responder nada diretamente pra ela, minha cabeça fervilhava com os desdobramentos dessa possibilidade!! Se o Charlie mudou tanto a ponto de manipular aqueles a quem ele prometeu nunca fazer isso sem permissão, então ele ‘tava bem pior do que o Massacre... Porque dessa vez, era manipulação consciente! Com fito específico de manipular mutantes e exterminar humanos! “Eu entendi direito, guria?”

“Eu não consegui acompanhar todo seu raciocínio, sr. Logan, sua mente é rápida demais. Mas a ideia geral eu consegui pegar e posso dizer que sim, no geral é isso mesmo. Ou...”

“Ou?...”

“Ou Charles está sendo manipulado também, não é? Essa opção não pode ser descartada. Lembre-se que começamos a linha de raciocínio com a dra. Moira... Entendemos que a mutação dela seria essa capacidade de manter a memória em cada renascimento, mas e se não for só isso? Ela esteve em contato com mutantes poderosíssimos, várias vezes e, mesmo assim, os subjugou. Ela pode ser a chave... Somado ao novo capacete que o prof. X está usando. Mas nada disso foi explorado por nós, são elucubrações que estou tendo agora, sr. Logan...”

“São ideias muito boas, guria. Me fizeram pensar que ainda há esperança pra humanidade... Mas pela vida que eu tive, por tudo que passei antes dessa ressurreição, eu entendo que as pessoas mudam e, nem sempre, pra melhor... Quem é sempre bom, uma hora manda tudo à merda e, sem querer tomar partido, mas eu entendo essas pessoas, saca?”

Ela não me responde com palavras, mas sorri. Foi um sorriso complacente, como quem entende o outro que percebe estar sendo enganado por um tempão e isso me deixa bem zangado! Odeio ser taxado de coitadinho!

“Sabia que toda aquela merda de trisal era boa demais pra ser verdade... Droga! Por que ‘cê disse que eu seria o mais difícil e o mais indicado pra convencer?”

“Primeiro de tudo, por ser uma versão do meu pai. Uma versão mais “cabeça dura” e essas palavras não são minhas, mas da minha mãe... – eu sorrio ao ouvir aquilo – Segundo, porque depois que eu pudesse mostrar que havia algo errado, seu crânio de adamantium impediria que telepatas não convidados pudessem entrar! E isso seria um ponto positivo para sua busca por mais dados, não é mesmo? Seu contato telepático com a Jean da sua dimensão só existe porque o senhor permite. A partir do momento que escolher, conscientemente, não permitir mais isso ou não mostrar toda a parte dessa nossa conversa para ela, será uma escolha sua e resultará na incapacidade dos telepatas de acessarem essa informação. Quem diria que o material que te envenena lentamente, também teria essas qualidades, não é mesmo?”

Eu não deixo de sorrir enquanto penso que as trincas são bem maneiras também e as ejeto no vácuo, sem o conhecido som de *snikt*.

“Bem, acho que minha tarefa está terminada por aqui, sr. Logan. Espero que suas investigações o levem ao correto fraudador desta realidade!...”

“Mas se eu não sei como é que tinha que ser a realidade que eu ‘tô, como posso conseguir levar ela de volta pros eixos, guria?”

“Bom, nessa hora, vou pedir para que mais uma consciência esteja conosco. A minha mãe pode colocar na sua mente, pela telepatia, o que outros mutantes conseguiram resgatar da sua dimensão. Tudo bem pra você?”

Minha cabeça maneia que sim, enquanto ela nos joga pro início da explosão da nova, de novo. E quando chegamos lá, a Jean, mãe da Kate, já está nos esperando.

“Olá, Logan.” – aquela voz quente e sensual invade minha mente.

“Oi, Jean... Ou é melhor sra. Howlett?” – e sorrio de lado ao que ela sorri também, enquanto flutua na minha direção e segura minhas mãos eu penso – “Ao menos em alguma dimensão, eu posso ter a chance real de ser feliz, né?... Isso é mais do que eu poderia esperar...”

Ela me olha com carinho, enquanto manda “E menos do que merece, sr. Logan. Mesmo nesta dimensão... Nós ficamos discutindo o quanto de sofrimento alguém precisa ter para que outro possa viver a felicidade e nada justifica a vida que o senhor teve. E eu sinto muito vir, num momento como este, onde a felicidade é palpável, para dizer que grande parte disso é manipulação e que, na verdade, a Terra deveria estar vivendo algo parecido com isso”

Ela nem termina de falar e visões de lutas, guerras e caos tomam conta da minha mente. Os sentinelas eram quadradrões e ficavam dando ultimatos nos mutantes antes de realmente nos prender com colares inibidores. Algumas instalações do governo abrigavam centenas de mutantes, enquanto pesquisadores humanos nos usavam como cobaias de algo que nos propiciasse a “cura”, que nos fizesse ser como eles, meros humanos! Era pra estarmos assim, vencidos, aprisionados, muitos mortos?! Sem chance!... Se zilhões de vidas precisam perecer para que a nossa não seja assim, eu não vou fazer muito esforço pra mudar isso... Eu conheci a guerra, as guerras... Eu sei que ninguém ganha com elas, mas poucas pessoas, em alguns países lucram... Se descobrisse quem estava lucrando com isso, será que não conseguiria minimizar os danos colaterais? Várias bandeiras e idiomas cruzam a minha mente, mostrando que praticamente todos os países estavam envolvidos em algum nível nessa chacina contra uma espécie. As imagens cessam e a voz da outra Jean me invade:

“Sr. Logan, fizemos nossa parte, agradecemos, eu e Kate, por termos conseguido plantar algumas dúvidas em sua mente e, caso precise, estamos aqui para tentar tirar alguma dúvida. Sabemos pouco, também... Mas quem sabe conseguimos fazer um “brainstorming”, nós três, não é mesmo?”

Aquele olhar sereno e verde sempre traz o melhor de mim, não importa de qual dimensão ele venha. Eu me deixo mergulhar nele e, sem que eu percebesse, ela usa sua telecinesia para nos aproximar e me dá um beijo, bem diferente dos beijos que eu troquei e troco com a Jean da minha dimensão. Eu não vou conseguir colocar em palavras, mas ele tinha algo de maternal. Olha, não me entenda mal! Eu mal lembro da minha mãe e não sou dos que têm complexo de Édipo, mas foi essa a sensação daquele beijo. Como quem quisesse tirar todas as dúvidas e as dores, deixar somente o que há de melhor e de revitalizante, sem contudo incitar nada sexual e, quando eu abro meus olhos, estou na minha cama, na minha dimensão, com a Jean dormindo do meu lado, sem suspeitar de nada; olho no relógio e são três da manhã.

Aquele encontro com a Jean da outra dimensão muda algo da minha mente, eu começo a matutar sobre o motivo de ser difícil pro Charlie me ajudar com as minhas memórias, pelo simples fato de existir um esqueleto de adamantium recobrindo meu crânio e criando um escudo anti-telepatas. Memórias que eu não lembro de ter vivido assomam minha mente e eu tenho um pensamento aterrador: não posso morrer! Se esse corpo morrer, o Xavier vai descobrir tudo sobre a Kate, de algum jeito! E vai, com certeza, apagar isso do clone seguinte... Preciso agir com muita cautela... Giro meu corpo pra ficar de frente para a Jean e sorrio. Bom, ainda é madrugada, vamos ver se consigo algumas horas de alegria com essa ruiva antes de entrar no modo furtivo.

Passo a mão delicadamente no braço dela que sorri ao toque, pergunto se posso beijá-la e ela, quase que obedientemente, responde sim. A manhã chega e nos encontra em alguma estranha posição que, com certeza, ‘tá no Kama Sutra.

10 Septembre 2020 22:19:44 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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