brenda-silva1524086916 Brenda Silva

Era só uma missão, que virou um final de semana, que virou um encontro em todos os contos da cidade. "- Sei o que você pensa. Está tudo bem. Claro que não estava tudo bem. Descobri isso quando uma noite de sexta-feira, Freya bateu na minha porta e me convocou para uma missão. - Vamos seguir meu noivo. - Isso não é... abusivo? - perguntei. - Psicopata? Ciumenta? Meio Joe Goldberg? Não sei se posso apoiar. - Não quando você desconfia de uma traição - explicou. Sorri e peguei minha jaqueta. Passei uma mão nos cabelos e coloquei os óculos escuros para combinar com a vibe de Freya. Como sempre, estou pronto para o show. - Vamos."


Romance Romance jeune adulte Déconseillé aux moins de 13 ans.

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O apartamento, o bar, o beco e a casa abandonada

A história que vou contar agora é... apenas uma história. Cabe a você absorver ou não uma lição dessa grande bagunça que a vida jogou no meu colo e disse: cuide. A bagunça era uma garota chamada Freya e uma cidade cheia de fantasmas. Não, não fantasmas de verdade. Quando mudei para esse apartamento, passava pouco tempo porque estava viajando a maior parte do tempo e ainda tinha a faculdade. Tinha exposições para ir, artes para estudar, quadros para pintar e ainda tinha o trabalho paralelo com fotografias. Mas todo humano precisa de descanso às vezes e foi assim que conheci a caótica e não menos importante: Freya, a vizinha do apartamento da frente.

A gente se encontrava quando ia descer o elevador, quando ia buscar alguma coisa na portaria ou jogar o lixo fora. Eram encontros breves e sem emoção. Freya era uma pessoa que ora estava vestida para ir fazer uma performance artística ou jantar no restaurante mais caro da cidade, ora estava vestida como um garoto de 10 anos, com camisetas largas, que parecia roubadas do pai, tênis furados e cabelos presos despreocupadamente, que com certeza não tinha avistado um pente naqueles dias. Era difícil adivinhar para qual versão sua eu teria que segurar o elevador para ela entrar. Me perguntava se não tinha duas personalidades vivendo naquele corpo.

Tinha dias que ela puxava assunto e perguntava como estava indo os meus negócios de artes, vendas, acessos no perfil do Instagram e número de quadros que pintei. Perguntas um pouco empreendedoras demais para quem só tinha uma confusão artística. Outras vezes apenas me balançava a cabeça como "Bom dia" e "Boa tarde" e olhava com um olhar reprovador, como se puxar assunto com esse ser na sua frente fosse uma grande perda de tempo. Não julgo, não mereço tanta atenção assim.

Freya entrou na minha vida de verdade quando a encontrei em um dos bares da cidade. Aquele tipo de bar que só quem era jovem e desesperado por bebidas e aventuras românticas frequentava. Surpresos, nos esbarramos perto dos toaletes e ela falou:

– Claro que você estaria aqui.

Nem mesmo um oi? Só uma acusação? Seu tom neutro não me deixou adivinhar o que queria dizer com a observação, se foi algo "claro, você parecia mesmo uma pessoa divertida o bastante para esse bar" ou "cara, quem deixou você entrar aqui?", não pude evitar de me ressentir com a possibilidade de ser a segunda opção. Mas tem aquela questão de sempre querer atenção de quem não quer nos dar atenção. Ela estava sozinha e despreocupada, bebendo uma cerveja e balançando a cabeça no ritmo da música que tocava no momento. Eu estava com um copo plástico de caipirinha de maracujá. Achei que seria uma boa ideia convidá-la para tomar um ar noturno e conversar atrás do bar. Provavelmente seria mais fácil de escutá-la. Quem sabe eu poderia mostrar quem realmente sou?

Ela aceitou.

– Então, Castiel... – começou.

– Como anda os negócios das minhas artes? – completei. – Tudo bem.

Freya sorriu, não parecia ofendida. Sentamo-nos no capô do meu carro, mas logo a atenção da cidadã estava próxima a um beco. Um gato estava subindo no lixo, notamos que o animal mancava. Ela me puxou pela manga da jaqueta, mas assim que nos aproximamos, o gato pulou o pequeno muro que dava para uma casa abandonada.

– Ok, me ajuda a subir aqui – falou, apontando para o muro.

Aquilo não era ilegal? Desajeitadamente, dei minhas duas mãos como apoio para Freya pular no muro. Logo em seguida, também me joguei para o outro lado, bastante preocupado em rasgar ou sujar uma parte de meu look. Aquele dia, como se soubesse que teria que correr atrás de um gato, Freya vestia roupas masculinas e tênis velhos. Parecia mais um pirralho do que uma adulta que acabou de sair do bar. Digna para se encontrar com o vizinho que nunca fez questão de conhecer ou perguntar os lugares que ele gostava de ir.

Assim que caí do outro lado, ela já estava ajoelhada próxima a uma caixa de papelão meio molhada. O gato estava deitado lá e nos olhava de forma assustada.

– Vou levá-lo para casa e amanhã faremos uma visita ao veterinário – estendeu a mão, o gato recuou um pouco, cheirou os dedos e depois entregou-se ao carinho. – Me dá uma carona?

– Hm, tudo bem. Mas, tome cuidado para que esse animal não suje nada ou arranhe os bancos do carro – falei.– E claro: não cause nenhum acidente enquanto dirijo.

– É só um gatinho, não seu inimigo mortal.

Assim, pulamos novamente o muro e entramos no carro. Não estava preparado para terminar minha noite, mas encarei o desafio. Não podia imaginar que quando se dá carona para um gato e uma garota, logo depois vocês viravam amigos. Mas foi isso que aconteceu. Sempre que a agenda permitia, levava cookies e café para o apartamento de Freya, conversávamos sobre tudo e nada. Ela amava o fato que eu cozinhava nas horas vagas. Descobri que trabalhava num escritório, tinha um namorado que era sócio da empresa em que trabalhava e amava gatos. Não entendia nada de arte e fotografia. Curtia filmes, música, tinha uma coleção de cristais e pedras de diferentes cores. Bastante plantas para um espaço pequeno. Para sua infelicidade, não tinha gatos porquê achava o apartamento um local pequeno e inadequado, mas sempre que avistava um pelas ruas, dava lar temporário e cuidados até achar um bom tutor. Uma pessoa com bom coração.

Até aqui nada surpreendente aconteceu (e aviso que a partir daqui também não), mas um belo dia viajei com a turma da faculdade e quando voltei, descobri que ela estava com casamento marcado. Não estava surpreso pois era exatamente o tipo de besteira que Freya mergulharia sem pensar duas vezes. É o mesmo muro para a casa abandonada que pulamos sem pensar duas vezes.

– Quando? – perguntei. Difícil imaginar se Freya vestiria um vestido ou um terno em seu casamento. Difícil imaginar os cristais e pedras dando espaços para, sei lá, roupas do marido?

– Daqui dois meses. Vou te passar a data e exijo que não marque nada nesse dia. Talvez você seja meu fotografo? – Freya andou para fora do elevador e fez uma pose cafona. A segui, carregando nossos lixos. – Pode chamar um acompanhante. Ou uma acompanhante.

– Eu não sou gay.

Ela deu de ombros. Tenho certeza que essa dúvida vagava por sua mente desde os tempos remotos no elevador, mas nunca ousou perguntar diretamente.

– É o que as notícias espalhadas por aí dizem.

– Vizinhos fofoqueiros? – minha voz saiu mais amargurada do que queria. Freya sabia o quanto eu odiava virar assunto. Se tem uma coisa em mim que não é público, é minha vida. Minhas fotos, minhas artes, minhas redes sociais, sim.

Me segurei para não perguntar o obvio: Tem certeza desse casamento? Era algo que me preocupava mais do que boatos sobre minha vida particular. Freya pareceu ler meus pensamentos. Se colocou na minha frente e me obrigou a encará-la. Seus olhos são castanhos e pequenos.

– Sei o que você pensa. Está tudo bem.

Claro que não estava tudo bem. Descobri isso quando uma noite de sexta-feira, Freya bateu na minha porta e me convocou para uma missão.

– Vamos seguir meu noivo.

– Isso não é... abusivo? – perguntei. – Psicopata? Ciumenta? Meio Joe Goldberg? Não sei se posso apoiar.

– Não quando você desconfia de uma traição – explicou. Fiquei boquiaberto. A mulher usava salto alto e um sobretudo preto por cima do vestido curto, tal como uma espiã ou assassina de aluguel. Freya estava pronta para acabar com a vida de qualquer pessoa. – Faria sozinha, mas você tem um carro e vamos usá-lo.

Sorri e peguei minha jaqueta. Passei uma mão nos cabelos e coloquei os óculos escuros para combinar com a vibe de Freya. Como sempre, estou pronto para o show.

– Vamos.

27 Août 2020 23:13:42 3 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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