shinia Bar-t-t-tender

A vida de Ivlis foi como uma longa descida até o inferno. Da expulsão daquela prisão solar até a lenta destruição psicológica no subterrâneo imundo daquelas terras escuras, todo o seu ser parecia destinado ao sofrimento. Não seriam suas dúvidas, e sim sua própria existência a fonte original do pecado? Afinal, ele era mesmo um infeliz incapaz de viver? Para essas dúvidas, Satanick falava sim. e fora ele o único a responder. Os longos anos ao lado daquele homem lhe causaram uma grande ferida. E ele quase não pôde fazê-la sarar. Quase. Porque Ivlis descobriu a tempo que ainda havia vida além da terra do Sol, e o prazer implícito ao acordar de uma noite sem dor. Essa é uma história sobre essas pequenas redescobertas. Uma pequena história sobre os dias passados, mas, principalmente, sobre os que ainda estão por vir.


Fanfiction Jeux Interdit aux moins de 18 ans.

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Prólogo

Por mim se vai à cidade dolente,

Por mim se vai à eterna dor,

Por mim se vai à perdida gente.

Justiça moveu o meu alto criador,

Que me fez com o divino poder,

O saber supremo e o primeiro amor.

Antes de mim coisa alguma foi criada

Exceto coisas eternas, e eterna eu duro.

Deixai toda esperança, vós que entrais!

— inscrição no portal do inferno. Divina comédia


O sol não chega aos portões daquele mundo infernal.

O céu não abandona sua monocromia estúpida, e resta aos rios de lava a tarefa de iluminar o chão seco e rachado onde a cidade pútrida se ergue, só aguardando o próprio colapso. As chamas enfileiradas tremeluzem jogando mais sombras do que luz nas paredes descascadas, transmitindo sempre o que há de pior a cada esquina. Outrora não o fizesse, então, não precisam de mais holofotes. Lhe é preferível o escuro à essa visão horrorosa à qual se obriga a visualizar a cada abrir de olhos.

Como os anjos falavam, mesmo? O diabo é senhor da desgraça, e seus demônios hão de alimentá-lo com ela.

Pois bem, era ele um servo do diabo, então. Só não sabia exatamente desde quando.

Foi quando conheceu o dito cujo? Ou quando deitou pela primeira vez? Ou ainda, quando a divindade criadora o expulsou por simplesmente questionar os limites do suposto livre-arbítrio?

Não sabia. Não queria saber. Do baú dourado atrás do arco-íris de dúvidas, dor foi tudo que encontrou. A tomou para si, então, porque era tudo que podia fazer.

Não questionou, não tentou entender, só o fez.

E o pior: por medo, desistiu de fugir.



Notas
Hm... esse é prólogo, não propriamente o primeiro capítulo, a história não se apresenta aqui, então o que posso falar? Dar os devidos avisos, talvez. Espero que alguém tenha paciência para ler tal coisa.
Primeiro, vai ser uma história pesada. O canon é pesado, é problemático, então por que isto não o seria? Os primeiros capítulos vão ser os mais violentos, mas a fanfic por inteiro vai se desenrolar em torno das consequências psicológicas do abuso na cabeça de Ivlis. Não recomendo aos leitores mais sensíveis, apesar de prometer um final brando a esse personagem, entendo que não é algo a querer ser abordado pela maioria das pessoas. As vítimas e alguns mais informados sabem muito bem que ninguém se cura de um trauma e, portanto, não esperem isso do personagem principal.
Gosto de pensar nesse texto como uma longa e complicada caminhada, a qual nunca se termina, de fato, mas contém seus pontos de descanso cada vez mais aconchegantes e próximos uns dos outros.
Gostaria que Ivlis tivesse forças para caminhar por essa estrada no canon, e por aqui, espero que alguém se disponha a enfrentá-la também.
Talvez seja um passo muito grande da minha parte, um escritor medíocre de um site qualquer, querer entregar algo tão sentimental, tão íntimo a alguém. Talvez não tenha tanta “emoção” quanto a necessária para manter o foco, mas garanto que por aqui, não haverá romantizações. Não sou tão sem noção assim.
Se ainda está disposto a acompanhar, agradeço. Seja bem-vinde. Há um lugar para você aqui.
22 Juin 2020 16:37:45 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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