martin_nunes Martin Nunes

Era para ser apenas uma volta para casa, mas Destino resolveu mudar os planos do jovem humano. De repente, detido em uma estação da qual os trens apenas retornam vazios, o humano é guiado a um vilarejo por uma criaturinha um tanto... bizarra! Depois de conhecer aquele mundo, o rapaz percebe que é considerado um dos seres mais nefastos que já perambulou por aquelas terras. Foi então que, em um momento de fraqueza, ele soube da verdade e por um inconveniente acabou tendo a alma de outro presa à sua própria. Agora... Será que era por isso que olhava aquele homem com tanta curiosidade? Será que era por isso que parecia se lembrar de um passado que não lhe pertencia? Bem, acho que a partir daqui és tu quem terás a missão de descobrir a verdade, pequeno humano. Venham, sejam bem vindos a Urbes Bigeneri.



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#lgbt #tragedia #yaoi #medieval #fantasia #romance
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Prólogo

–Achem-no!! Não importa onde se esconda!! O humano deve ser levado a Veor Litael assim que detido!! Ele não pode permanecer em nossas terras!– A voz imponente do homem de asas vermelhas fez com que a pele de Dominick se arrepiasse de medo.


Onde raios ele havia se enfiado?! Por que ainda estava nesse lugar?! Deveria ter ido embora há muito tempo! E não lhe faltaram oportunidades!


Dominick podia sentir chão e céu tremerem com as fortes asas e os passos enfurecidos dos soldados em busca daquele que era tido como o maior traidor que já perambulou pelo Pentágono.


Ele precisava sair daquele lugar e procurar pelo vilarejo em torno do castelo, ainda naquela noite precisava voltar ao castelo. Não acreditava em como o príncipe pôde mentir de forma tão descarada! Mas o jeito como ele nem mesmo hesitou em seguir aquele homem fez Dominick estremecer. Onde foi parar aquela confiança?! Aquela promessa, não! aquele juramento de proteção?!


Que droga...– Dominick reclamou escondendo o rosto embaixo do capuz e correndo para dentro do beco no qual se escondia, as tropas do capitão Ruber estavam ali do lado! Se desse bobeira seria levado à corte real e degolado ali mesmo, na frente de todos!


Nem fodendo que seria pego por um bando de pássaros!! Os quais, semanas antes, ele jurava pela vida que não existiam! Ele daria um jeito! Ele conseguiria voltar para casa!


Nigrum, eu juro, na hora em que eu te achar, vou arrancar cada uma das suas penas, seu maldito!– Amaldiçoou o monarca se desviando do caminho de outros três soldados que passavam logo ali na esquina.


Merda, justo quando achou que finalmente havia começado a se dar bem naquele mundo! Justo quando começava a entender o que as pessoas diziam. Justo quando começou a entender o que aquele homem dizia! Por que ele tinha que acreditar tão cegamente no que o príncipe disseminava cada vez que abria a boca?! Aliás, será que Nigrum realmente descobriu a verdade?! Não podia ser que depois de tudo que aconteceu ele ainda não confiasse em sua palavra.


Precisava encontrá-lo, precisava explicar que aquela bagunça não havia sido causada por ele! Mesmo conhecendo aquele rapaz das asas negras há pouquíssimo tempo, sabia que ele era fiel e um ótimo confidente, tinha plena certeza de que o rapaz daria a vida para lhe proteger, pois foi por causa dele que foi parar em uma situação que, para si, só era real em livros de fantasia.


Mas quando alcançou o palácio de Avium Regnum, percebeu estar abarrotado de guardas, cinco na porta principal e duas tropas nas muralhas, armados com espadas, arcos e flechas e aquelas armas estranhas que fariam um belo estrago no humano caso fosse visto, como chegaria ao quarto do príncipe daquele jeito?!


Só que, por alguma sorte do destino, se lembrou da entrada secreta que Nigrum havia lhe mostrado, os trilhos não eram longe dali e em alguns minutos alcançou o lugar que poderia ser sua saída daquele mundo; ele não tinha tempo para pensar asneiras, procurou pela passagem entre as paredes e depois de subir aquela imensa escadaria atingiu o patamar do quarto do amigo, quando chegou à porta que sabia que daria naquele cômodo pisou em algo molhado e gosmento e quase escorregou pela falta de atrito.


Dominick estava cansado demais para imaginar qualquer coisa, então apenas continuou a buscar pelo monarca.


–Mas- que?!– Porém, quando foi tentar abrir a porta, percebeu estar trancada. –Merda... Nigrum! Nigrum!! Por favor, abra a porta! Nigrum!! Sou eu!


Dominick tentava chamar o príncipe, batia na madeira para caso Nigrum não pudesse ouvir ser chamado, mas parecia não adiantar, então tentou abrir a porta na força, batendo o ombro próximo a maçaneta e quase escorregando algumas vezes no que ainda acreditava ser água; então, em um limite de sua raiva e medo pelo que poderia estar lhe impedindo de entrar, deu um chute na maçaneta, conseguindo arrebentá-la, mesmo assim era difícil abrir a porta, havia uma pesada mesa na frente da madeira antiga.


–Puta merda, Nigrum!– Dominick lutou mais algum tempo com a alvenaria até que conseguiu uma pequena brecha, pela qual passou.


Quando penetrou no quarto, percebeu o que era o líquido viscoso no qual pisava. Haviam penas para todos os lados, e aquelas belas asas negras se debatiam por todo o lugar, agoniadas, como se tivessem vida própria, como se não quisessem ter sido separadas do corpo ao qual protegiam e deixavam ter tamanha liberdade. Dominick não teve como reagir ao ver o corpo do príncipe largado no chão, suas vestes completamente arruinadas, diversos lanhos abrindo suas costas e suas asas cada uma se debatendo para um lado do quarto. Além dos estilhaços da coroa azul se espalhando pelo assoalho velho e que agora pareciam ter um tom violeta, pelo sangue que se mesclava àquelas belas pedras.


–NIGRUM!! Nigrum!! Nigrum!!– Dominick tentou correr até o amigo, mas escorregou naquela cor vermelha que banhava a madeira escura e caiu com tudo no chão, causando assim um estrondo alto, que não tardou a chamar atenção dos guardas que protegiam o quarto e em alguns instantes começaram a tentar entrar no cômodo.


Dominick se recuperou do tombo e se aproximou do príncipe, pegando o corpo frio nos braços, vendo o quão pálido ele estava, vendo quanto sangue havia perdido com aquela tortura, vendo que, além de ter sido mutilado, o príncipe havia sido espancado.


–Nigrum! Merda… o que fizeram contigo...?!


Mesmo que fosse inútil, Dominick apertava o corpo do monarca contra o seu e tentava parar o sangramento, puxando alguns pedaços de roupa do chão e os pressionando contra os profundos ferimentos que já haviam tirado tudo que havia dentro do corpo praticamente sem vida.


Dominick não permitiu mais que seus sentimentos fossem reprimidos no peito, que estava pesado com o pensamento de que aquilo era culpa sua, berrou de raiva, chorou e se culpou, desejando estar no lugar do príncipe.


D-Domi...– A voz do príncipe saiu tão fraca... um suspiro apenas. O ar escapava de seus lábios com as últimas forças que reservara apenas para aquele momento.


O francês chorava abraçado ao corpo quase morto do príncipe, sentindo que sua roupa se molhava com o sangue quente que lentamente escorria dos agressivos cortes nas costas do híbrido.


–Domi... nick?– Com aquelas últimas forças que restavam no corpo, Nigrum ergueu sua mão canhota, tocando a bochecha vermelha e úmida do amigo, limpando aquelas lágrimas tão dolorosas. –Não chore...


–S-Seu idiota...! Quem fez isso?! Por quê?!!


–Porque... eu te...


Um amável sorriso desenhou os lábios do príncipe e o último suspiro escapou de seus pulmões, o coração finalmente parou após se esforçar tanto para permitir que ainda pudesse ver o rosto do humano, que naquele momento, para si, na verdade não era um reles humano, a mão fria escorregou do rosto alheio, fazendo respingar mais do líquido vermelho ao atingir o chão, mas os olhos não se fecharam, deixando aparecer aquelas íris sem vida, Dominick não queria aquilo!


Queria continuar com aquela mão fria em seu rosto, queria continuar a ver o amigo sorrindo, queria poder voar com ele novamente, queria dizer a ele que também o amava!


O rosto fosco e sem expressão exprimia no ambiente o fato de que aquela alma havia sido liberta da prisão física que era o corpo do monarca. Que não adiantava mais chorar a Vitae.


E enquanto segurava aquele corpo frio contra o seu próprio, Dominick só pôde se lembrar de uma coisa, mesmo estando aos prantos, os olhos ardendo de tanto chorar e a voz que não lhe saía da garganta, ele cantou aquela musiquinha que Nigrum lhe ensinou...


–D-d-durma... m-meu pe... queno... D-dei-xe o sono... te le... var...


Ele acariciava as madeixas negras e se sentia completamente culpado por aquele momento.


–D-deixe... os v-ven... tos... sopra-rem... e-e... que te... façam...– Apertou o corpo dele contra o seu próprio. –Voar...

2 Décembre 2021 00:00:39 4 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Martin! Faço parte da Embaixada brasileira do Inkspired e estou aqui para lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Vamos começar por essa sinopse incrível, que tal?! Quem diria imaginar algo tão doido assim acontecendo com qualquer um de nós? Imagina, de repente por ai, numa estação, uma criatura um tanto quanto “bizarra” igual a que você sugere, suponhamos que um bate cabeça dos dois lados aconteça e aí… pum! A mágica acontece, de repente você já não é mais você, ou melhor ainda, imagina que no passado, você sendo a criatura, era humana no começo de tudo e aí você se transforma e de repente volta a viver num corpo humano e não quer mais sair dali?? É, eu viajei nessa sinopse, cara! KKKK Bom, vamos lá. Bom, não há muito ainda para poder se falar sobre a coesão da história, mas posso dizer com certeza sobre como eu fui arrastada por uma onda de sentimentos (qual eu não sabia quais eram até me sentir despedaçada no final), foi tudo tão claro, sem nenhum esconde-esconde, mas tão bem planejado que eu só consigo pensar coisas tipo: “PORQUÊ??” Mesmo sabendo que precisava ter acontecido, uma parte de mim não queria ter passado por tamanho sofrimento. Nesse ponto do comentário eu puxo um gancho para falar sobre a ambientação da história também. Cara, que trabalho incrível, que obra incrível! Eu poderia jurar que eu estava vendo tudo com esses meus olhos ruins, diga se de passagem, cada cena que foi descrevida, graças a quantidade exorbitante, mas sem exagero, à respeito do cenário. Parabéns, ficou simplesmente maravilhoso! Quanto aos personagens, ainda também é um pouco cedo para falar sobre eles, exceto que esse prólogo já veio marcado de dor e sofrimento, preparando as pessoas que gostam de uma coisa pesada, mas sem perder o ar do quão isso já vai fazer o personagem principal mais forte. Eu achei que nesse ponto, mesmo sem dar muitos vestígios sobre os seus tipos de personalidades, de alguma forma elas já foram bem explanadas, mesmo que nas entrelinhas. Quanto à gramática sua história está muito bem escrita e trás consigo uma leitura bem gostosa e que simplesmente flui ao longo das linhas, quando eu me dei conta, o primeiro capítulo já tinha acabado e eu fiquei com aquela sensação de “quero mais”. Foi uma experiência simplesmente aterrorizante e maravilhosa. No geral, seu texto tem tudo para ser uma história daquelas: “A história” e eu tenho quase certeza de que não sou a única que pensa assim! Desejo a você sucesso e tudo de bom nesse projeto. Abraços.
January 02, 2022, 12:45

  • Martin Nunes Martin Nunes
    Oh, céus! Que honra receber um texto lindo desses de uma embaixadora 😮 Muito obrigada por esses elogios e me sinto mais feliz ainda de saber que consegui ver as reações que planejei kkkkk Que bom que gostou da história e me faz querer correr pra corrigir os próximos capítulos 😆 💜💜 January 04, 2022, 02:37
AN Aika No baka
Aaah, to passando mal, amo amo amo ❤ ❤ ❤ ❤ ❤
December 02, 2021, 23:38

  • Martin Nunes Martin Nunes
    Aaaaahh Que bom que gostou 😆💜 December 02, 2021, 23:58
~

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