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luccafroes Lucca de Felice Em divagações literárias, falo sobre processo criativo, personagens, argumento, enfim, tudo que permeia a vida de escritor.
Histoire non vérifiée

#livro #personagem #criativo #escrita
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Iniciar, esse grande desafio

Depois de cinco meses sem postar por aqui - mas não parado, visto que autopubliquei mais um livro esses dias - , decidi voltar abordando justamente a parada. Ou melhor: a dificuldade em (re)começar qualquer coisa.

Iniciar algo, ou retomar algo parado, o que quer que seja, pode ser imensamente desafiador, e com a escrita não é diferente. Tenho certeza que muitos de vocês se identificam com isso: têm uma ideia, mas levam dias, semanas, meses ou até anos para colocá-la no papel, seja de conto, poema, romance ou qualquer outro tipo de texto.

Não estou falando de começar a escrever e não avançar muito, acabando por parar, por não saber como prosseguir. Falo de começar mesmo, de digitar a primeira letra.

Pela minha própria experiência, quando começo a escrever algo, o texto vai saindo. Aos trancos e barrancos, que seja, mas sai. Claro, com exceções - tenho uma meia dúzia de textos totalmente parados, e outros que terminei recentemente deram o maior trabalho - mas, de maneira geral, a coisa avança depois que eu inicio. Assim, concluo que, para mim, o grande desafio é começar - pelo menos quando o assunto são crônicas, contos, microcontos e poemas, afinal, romance é outra história e ainda não consegui terminar nenhum (risos).

Ah, iniciar, esse grande desafio. Ousar teclar as primeiras letras. Furar o branco aparentemente impenetrável do papel - aliás, da tela do computador, duvido que alguém aqui escreva ainda em papel - e simplesmente começar a escrever.

Sabemos que toda jornada começa com o primeiro passo - e, pelo que vejo, esse primeiro passo pode ser o mais difícil, bem como a retomada de uma caminhada interrompida. Mas é, obviamente, um passo necessário, fundamental, básico. Afinal, sem ele, você não sai do lugar e não existe jornada alguma.

Parece meio clichê isso tudo. Mas é um desabafo, pois às vezes levo tempos sem escrever nada, perdendo a briga para a luta do começo. Quando me atrevo a iniciar, tudo tende a ficar mais fácil.

Para finalizar de maneira poética, repito: ah, iniciar, esse grande desafio...

11 Juin 2020 14:59:50 1 Rapport Incorporer 2
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Quando o personagem assume

Um dos assuntos que me instigou a criar essa "coluna" (prefiro "coluna" do que "blog", é mais elegante) foi o fascínio pelos personagens, esses estranhos seres que criamos e acabam, a depender do caso, ganhando vida própria e agindo à nossa revelia.

Desde antes de publicar meus escritos, percebi um padrão repetido em muitos dos meus textos: o fato de os personagens ditarem o rumo da história. Sim, estou falando de vontade própria, e antes que você, não-escritor desavisado que eventualmente possa estar lendo este rabisco, torça o nariz, saiba que é verdade: o personagem, muitas vezes, determina seu próprio destino.

Não estou dizendo, veja bem, que ao criar um personagem, o estamos criando de verdade em alguma outra dimensão, e ele, por ser inteligente e ter livre-arbítrio, determina o que fará no nosso texto, e nem estou dizendo que estamos psicografando nada. Minha constatação, simplesmente, é de que, da maneira que imaginamos certos personagens, e da maneira que os construímos no papel, cria-se alguém que tem personalidade, desejos, objetivos, medos, e essas características nos guiam intuitivamente na hora de desenrolar a ação.

Isso é muito curioso pois muitas vezes sequer imaginamos que isso vá acontecer. Às vezes, é uma história curta, um personagem pouco pensado e pouco detalhado, mas, veja só, lá está ele a esbarrar no nosso cotovelo e colocar nossa pena onde ele deseja, definindo seu próprio rumo. Acontece. E acontece muito.

O fato de o personagem ditar seu caminho mesmo em histórias mais rápidas e menos elaboradas pode ter algum significado existencial ou metafísico, mas não vou entrar nesse mérito, até porque acho que essa é uma conversa para se ter pessoalmente com uma cerveja do lado. No entanto, aconteça o que acontecer, sentir que o personagem pode, de uma maneira ou de outra, ditar suas próprias ações e até definir o seu destino numa estória certamente é maravilhoso para quem escreve.

Sim, os personagens às vezes tomam conta. E que bom que isso acontece!

Nos seus textos, você observa isso acontecer? Com que frequência? Mande seu feedback. Vamos povoar essas telas de personagens autossuficientes (risos).

14 Janvier 2020 00:07:39 0 Rapport Incorporer 0
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Divagações

Pensei no nome deste blog num instante. Não sei se sou bom de trocadilhos, mas a ideia de falar em algo que não chega a ser escrita, uma grafia, é apenas um quase, me pareceu atraente demais para ser descartada. Bom, aqui estamos, eis o primeiro rabisco.

O título pensei antes do texto, porque já sabia que meu primeiro texto seria uma divagação, ou várias divagações num lugar só. É sempre excitante para um escritor, ainda mais um pretensamente jovem como eu (velho de alma, contudo) explorar novos espaços e ferramentas, e quando vi a opção do blog no Inkspired, pensei, por que não?, por que não? E aqui estou.

A ideia de um blog para falar de temas que interessem não meramente aos meus leitores, aos quais muito me agradeço a eventualmente imerecida atenção dispensada, mas principalmente aos escritores, esses guerreiros de sangue doce que insistem em escrever num país que não lê, e que, em parte, renega seus próprios autores.

Quero falar de construção de personagem, de argumento, de estilo, de como tratar a morte, o sexo, a melancolia ou o amor em textos literários - não que eu saiba nada disso -, enfim, explorar o que for possível e gerar questionamentos em quem vier a ler. Até porque saber perguntar é mais importante do que saber responder, então, se você sair do meu blog se fazendo perguntas ao invés de obter respostas, então meu objetivo foi cumprido.

Alguns temas passam pela minha cabeça neste primeiro momento, e vamos com um deles: já perceberam como, mesmo em tempos de editores de texto, blogs e Kindle, ainda nos referimos à escrita de uma forma essencialmente física? Elogiamos a "pena" de certo escritor, fazemos nossos "rabiscos", ao fazer algo, dizemos que "passamos para o papel", sendo que é tudo em sentido figurado, e só o que temos é a tela e o teclado.

Talvez isso não queira dizer nada. Mas eu acho pitoresco.

Sigam acompanhando esse blog, quem sabe não sai algo que preste em algum momento. Este charlatão preguiçoso que vos fala tentará postar pelo menos uma vez na semana.

30 Décembre 2019 14:50:24 0 Rapport Incorporer 0
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