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embaixada-brasileira Inkspired Brasil Fez a correção, a capa é da hora e seus amigos esperam com ansiedade, e talvez preocupação, pelo momento que sua obra será lançada. Até marcou um dia: hoje. Um frio na barriga! Olha mais uma vez aquela belezura, cheio de orgulho, e se prepara para inseri-la no site e compartilhá-la com o mundo. De repente, percebe um buraco na coisa toda: falta a classificação da história. E agora? Ação? Aventura? Drama? Tudo junto? Existem várias categorias e uma narrativa não está restrita a apenas uma, o que torna comum a dúvida na hora de escolher em qual inserir seu livro. É por conta disso que este blog existe: auxiliá-lo nessa tarefa que, muitas vezes, pode ser amedrontadora. Confira o Bonde das Categorias e não fique mais inseguro na hora de lançar sua história.

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É só uma fase

Olá! Se aproximem, fiquem confortáveis, porque vamos iniciar mais uma viagem no nosso Bonde. Hoje o assunto é Ficção Adolescente.


O próprio nome dessa categoria já é bem auto-explicativo: ficção adolescente se trata justamente de obras pensadas primordialmente para atrair o interesse do público adolescente, também chamado de infanto-juvenil. Mas, mais do que isso, a principal característica desse gênero é que os protagonistas da história também estão nessa fase da vida e precisam lidar com as questões que a transição da infância para a vida adulta trazem.


A faixa etária desses personagens pode variar bastante, desde começando ainda na pré-adolescência, com 11/12 anos, até os anos iniciais da vida adulta. Algumas obras, inclusive, passam por toda essa transição. Mas, de modo geral, ficções adolescentes costumam se passar nos últimos anos do ensino básico, ou seja, no nosso Ensino Médio (ou o high school americano), trazendo personagens numa faixa entre 14 e 18 anos. Falando nisso, um bom exemplo de ficção adolescente é a saga High School Musical, apesar de ela ter outros gêneros tão ou mais importantes quanto esse.


No fim, é tudo uma questão de representatividade: como o público-alvo desse tipo de obra são os adolescentes, os personagens também o são para que o leitor consiga se enxergar neles e criar um vínculo por identificação.


Mais do que a idade dos personagens e do público-alvo, o que consolida uma história no gênero de ficção adolescente é sua trama profundamente envolvida com os dilemas encontrados nessa fase da vida. Os estudos e a vida escolar, a formação mais sólida de caráter e personalidade, a tentativa de criar relações sociais com pessoas em comum, a descoberta da sexualidade e possíveis primeiras experiências amorosas, a relação com a família… Esses são apenas alguns dos temas que costumam permear a adolescência e, portanto, também as obras de ficção voltadas para ela.


Assim como já estamos dizendo desde o início do blog, é quase inviável pensarmos numa história que se enquadre em um único gênero. Há histórias que trazem adolescentes e seus dramas como protagonistas, mas também têm características de fantasia ou de distopia, por exemplo, e é trabalho do autor analisar qual se destaca e precisa ser selecionado como principal. Esse é o caso da obra Percy Jackson, que, apesar de ser uma ficção adolescente, tem Fantasia e Aventura como gêneros predominantes. Para saber como melhor classificar sua história na hora de publicá-la, atente-se ao ponto central do seu enredo. Sua história só poderá ser classificada como ficção adolescente se o que é mais trabalhado nela forem as questões referentes à fase da vida em que as personagens estão; se os dilemas que estariam ligados à idade não forem assim tão relevantes dentro do seu universo, então você deve procurar outro gênero.


Uma ficção adolescente pode ser bem leve, com descrições sobre o dia a dia dos personagens e suas dúvidas e descobertas, ou até ter algo mais complexo e carregado, como histórias que envolvam temas mais pesados como criminalidade, doenças, traumas etc. Novamente, isso depende do quanto ela estará interligada com outro gênero literário, como o drama, por exemplo.


Por conta disso e de todo o poder de representatividade que a ficção adolescente costuma ter, é cada vez mais necessário que os autores sejam muito responsáveis ao escreverem suas obras nesse gênero. O público-alvo muito provavelmente verá a si mesmo nos personagens, ao mesmo tempo em que poderá buscar neles e na história algumas respostas ou conselhos para seus próprios dilemas. Quanto mais sensíveis forem os tópicos do enredo, maior também é a responsabilidade em evitar reforçar ou romantizar comportamentos problemáticos. Se sua história tratar de maneira aprofundada sobre temas como depressão ou mesmo algum tipo de abuso, ela já passa para a categoria drama.


Tal cuidado deve ser tomado não apenas na hora de escolher os temas, mas também na escrita em si. Assuntos como violência e sexualidade podem (e devem) ser tratados, porém, quanto mais descritivas as cenas, maior precisa ser a classificação etária, e não faz muito sentido fazer uma ficção adolescente que só seja recomendada para pessoas maiores de 18 ou 21 anos, não é mesmo? Portanto, numa história dentro dessa categoria, evite cenas de violência, sexo e outros assuntos mais sensíveis descritas explicitamente. Lembrando que, segundo as Regras Comunitárias do Inkspired, é proibida qualquer cena de sexo explícito com personagem menor de 16 (dezesseis) anos, independentemente da categoria.


Para muitas pessoas, o interesse pela leitura de forma mais constante acontece justamente na adolescência, portanto as obras de ficção adolescente têm grande potencial para ser essa porta de entrada ao mundo literário graças a toda a representatividade que elas costumam trazer. Há muitos relatos de pessoas que, porque se apegaram a uma história adolescente, com o passar do tempo passaram a ler outros gêneros e até mesmo a escrever suas próprias histórias.


Mas, como sempre, isso não é uma regra absoluta. Apesar dessas características muito ligadas a uma fase específica da vida, uma boa ficção adolescente pode sim ser atrativa para pessoas que já passaram desse momento. Muitas obras desse gênero acabam por trazer reflexões interessantes para pessoas de qualquer idade, além de serem um tipo de literatura que costuma ser mais fácil de ler como entretenimento puro e simples, sem demandar muito conhecimento prévio ou esforço.


Por conta da aparente "simplicidade" desse gênero, muitas vezes ele é pouco valorizado no meio literário, assim como ocorre com as Fanfics, por exemplo. Alguns autores acabam sofrendo preconceito por se dedicarem à escrita para o público adolescente, como se fossem menos escritores por isso. Essa questão vai muito além do contexto literário, tendo raízes em discriminações feitas na sociedade como um todo, mas, assim como qualquer outro gênero, a ficção adolescente também demanda dedicação e tem seu espaço e contribuição para a literatura.


A vantagem desse tema em relação aos outros está justamente em sua falta de complexidade. Quem não gosta de assistir Projeto X pra descontrair, ou então Para todos os caras que já amei, Ela é demais, Legalmente loira ou tantos outros que colocamos quando não queremos pensar num enredo complicado, só queremos rir e nos identificar com alguns personagens? A Ficção Adolescente tem seu espaço e sua importância. Você não precisa gostar de Crepúsculo para reconhecer que diversos adolescentes se dispuseram a ler quatro livros com mais de 300 páginas cada.


Portanto, a ficção adolescente não deve ser vista apenas como a porta de entrada para que um dia se chegue a outros tipos de literatura; em si mesma ela já é bastante interessante e atrativa tanto para quem está vivendo essa fase de mudanças, quanto para quem apenas gosta dos temas, mesmo que já tenha passado por tais vivências há muito tempo. Se você começar em ficção adolescente e depois se interessar por outros gêneros, tudo bem; se começar em ficção adolescente e acabar ficando por aqui, tudo bem também. Esse gênero pode ser só uma fase, mas, sejamos sinceros, normalmente não é.


Texto: Isis

Revisão: Camy

13 Juin 2020 01:53:43 0 Rapport Incorporer 0
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Deixa a magia acontecer

Olá, leitores, preparem suas varinhas e montem em seus dragões para acompanhar a passagem do bonde, pois hoje falaremos de Fantasia.


Quando falamos em Fantasia, imediatamente pensamos em seres místicos. No entanto, esse gênero é muito mais amplo e possui diversos subgêneros. Então, como saber se sua história pertence a essa categoria?


A base para o que conhecemos como fantasia está presente nas mitologias. Um dos primeiros teóricos sobre o fantástico, Charles Nodier, dizia que o gênero residia no chamado mundo da imaginação, e a sua existência ocorria quando o conhecimento humano não era suficiente para explicar determinado fenômeno.


Na mitologia grega, por exemplo, o Sol era conduzido pelo céu por Apolo usando uma carruagem puxada por cavalos que cuspiam fogo. Além dessa, há várias histórias em diversas mitologias utilizando de narrativas fantásticas para explicar fenômenos naturais.


Não faltam exemplos de mitos e lendas fantásticas: Medusa, com seus cabelos de serpente e olhos petrificantes; Jotuns, os gigantes de gelo dos nórdicos; Kitsunes, raposas japonesas com capacidades mágicas; Curupiras, os anões de pés invertidos responsáveis por proteger nossas matas. Não apenas seres, mas acontecimentos fantásticos também são famosos, como a espada Excalibur nas lendas arturianas.


Já para Tzvetan Todorov, o fantástico é um modelo literário que explora, em sua essência, o desconhecido. Dessa forma, para que o estranhamento com o desconhecido seja potencializado, segundo ele, a história deve se aproximar da nossa realidade, antes de mergulhar no elemento estranho ao leitor. Esse elemento narrativo deve causar a dúvida e é nela que mora o fantástico para Todorov: A indefinição sobre o desconhecido possuir uma explicação natural ou sobrenatural.


Bem, então o principal elemento presente na fantasia é a presença de forças que não seguem as regras padrões do nosso mundo. Essas forças desafiam o conhecimento comum e são o elemento de conflito ou a principal arma ou aliado do personagem principal. Elas podem ser apresentadas através de criaturas – como fadas, duendes, centauros, lobisomens, vampiros – ou como poderes – magias, objetos com poder, locais mágicos. Magia, inclusive, é a forma mais fácil de descrever a categoria Fantasia, pois é o que o leitor espera encontrar ao começar uma história fantástica.


A forma como a magia está presente pode se diversificar, por isso existem tantos subgêneros dentro da fantasia. Vamos ver alguns:


Fantasia épica – É a fantasia de dragões e magos que acontece em um mundo à parte do nosso, contando histórias de grandes jornadas de uma personagem ou de um grupo. Esse mundo pode tanto não ter nenhum contato com o nosso, como em Senhor dos Anéis, quanto se conectar de alguma forma, como é o caso de as Crônicas de Nárnia.


Fantasia romântica – É uma mistura dos dois gêneros que compõem o nome. O foco nessas narrativas está geralmente voltado para relações sociais, como nos romances, mas com um forte elemento de fantasia, sendo comum, por exemplo, histórias de vampiros que se enquadram nesse subgênero, como a saga Crepúsculo ou As Crônicas de Sookie Stackhouse. Lembrando que Romance aqui não se refere a uma relação amorosa, mas ao gênero, que normalmente é caracterizado como um texto longo com diversos núcleos de personagens.


Fantasia sombria – São história de fantasia carregadas com elementos de horror/terror. Essas narrativas são carregadas de medo, morbidez e são envoltas de um clima sombrio, como a saga A Torre Negra ou a série Stranger Things.


Fantasia urbana – São narrativas que adicionam elementos fantásticos às cidades do mundo real. Em vez de florestas e montanhas distantes de um mundo não familiar, a fantasia urbana se passa em locais com os quais podemos nos identificar. É o caso da saga de Percy Jackson, que ocorre em diversos pontos dos Estados Unidos.


E a lista continua. A fantasia é um gênero em constante mudança e inovações, pois a magia é limitada pela sua imaginação.


Dentro do Inkspired, a categoria Fantasia possui 3 subcategorias: Épico, Medieval e Viagem no tempo.


Como já falamos antes, a Fantasia épica está relacionada a grandes jornadas. Nessas histórias, encontramos personagens heroicos que passam por provações homéricas que selam o destino de um povo, de uma guerra ou que marcam gerações. Tudo na fantasia épica envolve grandes proporções.


A fantasia medieval traz histórias que se passam no período medieval ou se assemelham ao período. Temos castelos, reis, espadas, tavernas, qualquer elemento que coloque a história nesse contexto histórico.


Por fim, Viagem no tempo é a subcategoria com histórias em que os personagens são colocados em situações nas quais transitam ou são levados para outros períodos de tempo. Aqui é importante lembrar que a razão por trás dessa viagem precisa ser mágica, não científica, ou a história deverá ser classificada como Ficção Científica, não Fantasia.


Caso sua história não se encaixe em nenhuma das três subcategorias, você pode simplesmente deixar o espaço da subcategoria em branco, sem problemas.


Vou terminar com um convite: se você gosta do gênero e quer dar uma olhada em mais possibilidades, que tal checar as histórias criadas no Desafio Norte e Sul? Nele, os participantes escolheram se queriam o gênero Fantasia ou o gênero Ficção Científica. A partir dessa primeira escolha, uma subcategoria foi sorteada para eles e foi com base nela que precisaram escrever seus contos. Clique aqui para conferir.


Espero que esteja claro, mas, caso tenha alguma dúvida, você pode colocá-la aqui embaixo nos comentários.


Pois hora do bonde partir. Até a próxima!


Texto: Leonardo Aquino

Revisão: Donna Dan


Referências

CAMARINI, Ana L. S. A Literatura Fantástica: caminhos teóricos. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Editora Perspectiva, 2004.

FANTASY subgenres guide. Best Fantasy Books, [S. l.], 2015. Disponível em: <http://bestfantasybooks.com/fantasy-genre.php>. Acesso em: 10 abril 2020.

9 Juin 2020 21:52:28 0 Rapport Incorporer 0
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Eu fanfico, tu fanficas, nós fanficamos

Oi, pessoal, como estão? Preparados para mais uma viagem no nosso bonde?


Hoje vamos falar sobre uma das categorias mais populares nas plataformas de autopublicação: Fanfiction. Fan (fã) Fiction (ficção), ou simplesmente Fanfic, é exatamente o que a tradução literal sugere: ficção de fã. Essa categoria nada mais é do que a utilização de alguma realidade que já existe como base para criar a sua própria história.


Atenção: é uma base para você criar a sua própria história, com suas próprias palavras e ideias. Fazer uma fanfic é muito diferente de cometer um plágio; não se trata de copiar um trabalho já existente e, sim, de utilizá-lo como base para o seu trabalho. Usar o mesmo enredo, fazer diálogos iguais, mesmo que mude os nomes dos personagens, NÃO é fazer fanfic, é PLÁGIO. O enredo, a escrita, a história em si ainda precisam ser seus, mesmo que utilize diversas características de outra obra original.


As inspirações para uma obra de fã podem ser as mais diversas: livros, filmes, seriados, animações e até mesmo celebridades da vida real podem se tornar os seus personagens ou seu universo de referência. Mas, Isis, muita gente usa muita coisa como referência, entretanto não necessariamente fazem Fanfics… Bom, é importante saber quando categorizar corretamente. Algumas vezes, pode parecer confuso, mas não é tão complicado assim definir se sua história é ou não uma fanfic. Por exemplo, se você está escrevendo uma fantasia baseada na mitologia grega, por mais que esteja usando um imaginário já existente, ele não é uma obra a que você precise referenciar/dar os devidos créditos, portanto sua história não é uma fanfic da mitologia grega; mas se você vai usar a mitologia grega dentro do universo que Rick Riordan criou em Percy Jackson, com o acampamento meio-sangue e alguns personagens e contextos dessas obras, aí, sim, você está fazendo uma fanfic de Percy Jackson.


Em geral, portanto, se o autor utiliza personagens criados por outra pessoa ou pessoas famosas interpretando elas mesmas (e não apenas usadas como elenco para referência visual) e/ou uma realidade fictícia prévia, criada por outra pessoa, que merece os devidos créditos por isso, a história é uma ficção de fã.


Existem várias maneiras de fazer uma fanfic, e o fato de uma história ser classificada como tal não impede que ela tenha um enredo ou personagens totalmente originais. É possível utilizar tudo da sua referência, isso é, tanto os personagens quanto a ambientação, mas também é possível separar: utilizar apenas os personagens numa ambientação distinta ou apenas a ambientação, mas com seus próprios personagens. E tudo isso é Fanfic. Uma fanfic provavelmente terá características de outros gêneros — pode ser uma fanfic de romance, terror, de fantasia, dramática, erótica etc. — mas, se está dentro dessa situação de usar algo já existente, deve ser categorizado como Fanfic em primeiro lugar quando for publicar aqui no Inkspired — ou em qualquer outra plataforma de autopublicação.


Aqui no site, nós da embaixada verificamos periodicamente as histórias para saber se elas estão na categorias corretas, e as Fanfics são as que mais são erroneamente categorizadas, de modo que precisamos fazer a alteração e notificar o autor. Então, fique atento na hora de publicar sua fanfic para colocá-la na categoria e subcategoria corretas — no Inkspired, Fanfics podem ser de: Anime/Mangá, Banda/Cantores, Celebridades, Livros, Desenhos animados, Comics, Jogos, Filmes ou Seriados/Doramas/Novelas — e inclua o outro gênero principal da sua história apenas nas hashtags, combinado?!


Por conta dessas diversas possibilidades na maneira de escrever uma Fanfic, geralmente nós “fanfiqueiros” fazemos a distinção entre Universo Original (UO) e Universo Alternativo (UA). No UO se utiliza todo o contexto daquilo que te inspirou para criar uma história paralela, uma continuação ou até mesmo um fim alternativo. Por exemplo: em uma fanfic em Universo Original do anime/mangá Naruto, a trama vai se passar com os personagens criados por Masashi Kishimoto, no mundo ninja, dividido em vilas etc., mas contará algo novo, algo criado por quem está escrevendo e não pelo autor original. Nesse tipo de história, geralmente pegamos acontecimentos já existentes (canônicos ou, como costumamos abreviar, canon) e os ampliamos, alteramos ou os ressignificamos para criar um enredo próprio.


Já uma fanfic em UA geralmente tem como sujeitos principais personagens ou pessoas que já existem, mas numa realidade diferente da original. Por exemplo, usar os membros do grupo sul-coreano BTS — seus nomes, aparência, características principais de personalidade etc. — em um universo totalmente diferente, digamos, como estudantes numa universidade ou integrantes de uma máfia, e contar sua história a partir daí.


E, claro, há ainda a possibilidade de pegar apenas o universo, como o mundo criado por J.K. Rowling em Harry Potter, e colocar o seu próprio personagem para viver suas aventuras em Hogwarts.


O universo das fanfics abre tantas possibilidades que é possível ainda fazer os chamados “crossovers”, que nada mais são do que a junção de dois ou mais universos já existentes: colocar Sasuke, Sakura e Naruto como estudantes de Hogwarts, ou os membros do BTS no acampamento meio-sangue de Percy Jackson, ou heróis da Marvel no mundo ninja de Naruto… Você pode brincar de misturar vários dos seus “fandoms” (comunidades de fãs); na hora de “fanficar”, nem o céu é um limite!


O público mais usual da categoria Fanfic geralmente é adolescente ou jovem adulto, já que essa é a faixa que costuma ser mais ativa nas comunidades de fãs. Por conta disso, infelizmente, esse tipo de literatura sofre bastante preconceito. Mas não se enganem: não é porque a pessoa preferiu usar personagens ou um universo já existentes que sua capacidade de criar um bom enredo e bem escrevê-lo é menor do que a de autores de obras originais. Na verdade, existem muitas fanfics que são tão bem, ou mesmo melhor, escritas do que muitos livros publicados e, hoje em dia, graças aos sites de autopublicação como o nosso, algumas inclusive chamam atenção o suficiente para serem reescritas como livros originais e publicadas — é claro, se forem as que entram na área de Universo Alternativo, que geralmente utilizam apenas personagens, seus nomes e características, que são mais facilmente alteráveis para se tornarem personagens originais.


Para muitas pessoas, “fanficar” pode ser o primeiro passo para se tornarem autores de obras totalmente originais. Pode ser uma maneira de treinar diferentes aspectos da sua escrita por vez, já que poder criar um universo, mas economizar tempo e energia na criação das características dos personagens, por estar utilizando os seus preferidos, te dá a possibilidade de focar no desenvolvimento de outros aspectos do enredo. Além disso, publicar fanfics pode ser uma maneira eficiente de angariar leitores, já que algo escrito dentro de um “fandom” vai chamar a atenção das pessoas que, assim como você, já são fãs das obras ou das pessoas que te inspiraram e, se elas gostarem da sua maneira de escrever, podem estar dispostas a ler suas obras originais depois.


Mas isso também não é uma regra; não há nada de errado em se divertir, liberar sua criatividade e sentimentos apenas reimaginando seus universos ou personagens/personalidades favoritos em situações novas, não importa sua idade, ou há quanto tempo você escreve. Ou seja, Fanfic não precisa ser o seu meio para chegar à escrita de originais; se é o que você curte fazer, "fanficar" pode já ser seu ponto de chegada. Escrita e leitura são atividades enriquecedoras e que devem, sim, ser levadas a sério, mas são, primordialmente, uma fonte de entretenimento que podemos aproveitar como acharmos melhor!


Então, não se acanhem! Se bater aquela vontade de ler ou escrever aquele personagem que você já ama numa situação nova, ou de usar um universo que você considere incrível para ambientar as vivências de um personagem que você tenha criado, não se reprima nem se force a tornar tudo inédito para dar vida à sua história; as Fanfics estão aqui pra isso e podemos garantir que muita gente irá se interessar!


Texto por: Isis

Revisão: Donna Dan

9 Juin 2020 00:00:23 0 Rapport Incorporer 0
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Vem quente que eu tô fervendo

Olá, gente bonita! Hoje vamos falar sobre o gênero Erótico, que causa tanta polêmica entre as pessoas mais conservadoras. Afinal, qualquer história com cenas de sexo é considerada erótica? Como escrevemos esse tipo de texto? Quais os melhores sinônimos para usar na hora do sexo?


Vou começar com o mantra de sempre: você só vai marcar esta categoria como sendo a da sua história se ela for a principal, okay? Um livro de 300 páginas com uma cena de sexo não é um livro erótico, não me interessa o quão bem detalhada dita cena seja. Cinquenta tons de cinza é um bom exemplo de livro erótico: o romance foi desenvolvido por causa do sexo, os personagens têm suas características atreladas ao sexo; enfim, o sexo é o que faz a história andar. Também não se esqueçam de que, se sua história for uma Fanfiction, ela não deve ser marcada na categoria "erótico", essa informação deve estar nas tags.


É claro que nem todos os livros eróticos precisam ter um foco tão grande nas cenas sexuais, tampouco precisam abordar BDSM ou outros fetiches. Um livro em que a personagem principal se descobre sexualmente e está decidida a colocar em prática seus desejos sexuais entra na categoria Erótica, porque a trama está intimamente ligada ao erotismo e ao sexo. Aqui, eu acho importante lembrar que um livro erótico não necessariamente é um livro pornográfico.


Dentro do pornô, nós temos descrições muito explícitas, às vezes até desconfortáveis (para mim, ao menos), de dois personagens que transam como loucos e depois vão embora. A gente não costuma saber quem eles são, do que gostam e quais suas personalidades; o sexo chega a ser meio impessoal. O erotismo envolve trabalhar com os desejos secretos (ou nem tão secretos assim) dos personagens, com as expectativas e a realidade do ato, com as emoções que um personagem sente pelo outro. O erotismo é muito mais sobre criar tensão por vários e vários momentos até essa tensão ser desfeita no clímax sexual.


Tá, então eu não posso escrever pornô? Claro que pode, você pode escrever o que quiser. Se tiver uma história pornográfica, ela entra dentro da categoria erótica (desde que não seja Fanfic, é claro) porque não temos uma divisão para histórias pornô, e esses dois mundos, querendo ou não, são muito próximos.


Eu não tenho a pretensão de tentar ensinar você a escrever uma história erótica, porque isso é muito pessoal. Eu posso dizer, como leitora, que existem expressões muito incômodas. Estou lendo um livro agora (cujo nome prefiro não mencionar) que não tem erótico como categoria principal, mas que descreve uma cena de sexo a cada cinco páginas e ele é um saco. Em especial devido aos termos utilizados pelo autor, como piça no lugar de pênis.


Não é preciso ficar criando mil e um sinônimos, sério. Isso até atrapalha a leitura porque faz o leitor rir. “Encarei seu poste de luz e senti a boca salivar”, isso não excita ninguém. E, sim, o objetivo do erotismo é excitar o leitor. A gente pode se fazer de recatada e ficar meio “ai, que isso” quando recebemos um comentário picante nas nossas histórias, mas esse é o objetivo maior. Assim como queremos fazer o leitor chorar numa cena de drama e rir numa de comédia, o objetivo de uma cena erótica é causar aquele calorzinho no fim da barriga.


O principal aqui é o mesmo que em qualquer outra categoria: você precisa saber o clima que seus personagens exigem. Uma cena romântica não abre espaço para uma personagem chamar a outra de vadia, entende? Em uma cena de sexo agressivo com os personagens arrancando a roupa um do outro talvez não caibam três ou quatro parágrafos descrevendo o amor que sentem e o quanto eles têm uma relação calma. Tudo vai depender do clima que você enquanto escritor criar para o momento.


Há pessoas que curtem um trash talk na hora do sexo, que querem berrar “me chama de lagartixa e me joga na parede”, e isso também é super válido. Só cuide para criar um capítulo que tenha a mesma vibe, que traga uma atmosfera em que isso fica natural. O que acontece muito no erótico é o escritor falar sobre o que nunca viveu, leu ou experienciou e criar um texto travado ou inverossímil. Lembrem que seus personagens representam pessoas, a virgem de 20 anos não vai sentar num pinto de borracha na primeira vez dela, muito menos se for por trás, porque não vai caber. Tudo é um processo, não tentem pular etapas porque isso faz com que o leitor não consiga se identificar com o texto.


Outra coisa: nunca reutilizem cenas de sexo. Nunca. Ah, mas eu escrevi uma cena maravilhosa numa história ano passado e é entre os mesmos personagens, acho que vou só copiar e colar. Não. Seus personagens estão dentro de uma história, de um contexto, e usar copia-e-cola nessas cenas tira muito o tesão de quem está lendo. Isso até traz uma sensação de desleixo. Se você acha que esse momento não vai ser especial ou diferente, só diz que eles foram para o quarto, ou começa e deixa morrer. Seus leitores vão entender o que você quis dizer. Não tem nada mais broxante que ficar na expectativa para o sexo entre dois personagens só para descobrir que, quando finalmente chega, você já leu a mesma coisa, palavra por palavra, em outra história.


Você também não precisa ter experienciado todos os tipos de sexo possíveis para escrever sobre isso. Pense no que você gostaria de fazer, no que seus amigos fizeram, no que você leu em algum lugar… Use e abuse de diálogos, porque as pessoas não ficam quietas quando transam (ou talvez fiquem, você é que conhece os seus personagens). Mas, quando for escrever sobre algo desconhecido, pesquise. Não vá muito por vídeos pornô porque eles são muito mais gráficos do que qualquer outra coisa e isso normalmente não é tão atrativo para quem prefere leitura.


Erotismo tampouco é fetiche. Você pode, sim, escrever uma cena água com açúcar que seja muito boa. Não é porque seus personagens não experimentaram sexo tântrico ainda que eles são sem graça, ok? Existem muitas formas de abordar esse assunto sem que um dos personagens precise ser submisso ao outro. Se é sobre isso que você quer escrever, vá em frente, o mundo é seu. Eu só quero que fique claro que sexo e erotismo são muito particulares de cada autor; você não precisa fazer o que todo mundo faz ou seguir uma receita para escrever bem dentro desse mundo. Seja original sempre que possível.


Acho que é isso, pessoal! Existem vários textos internet afora explicando como apimentar suas histórias e recomendo que deem uma lida neles. Lembrem-se de que escritor precisa ler muito, caiam de boca nesse mundo de erotismo antes de resolverem escrever. Nós temos muitas histórias boas de escritores brasileiros e precisamos deixar o tabu de lado para esse tipo de livro.


Vou deixar o link para uma entrevista muito interessante que eu li. Um beijão pra todo mundo e, se precisar de ajuda, deixe seu comentário ;)


Texto: Camy

Revisão: Donna Dan


Leitura recomendada:

Escrevendo literatura erótica, entrevista com Rafaela Couto

28 Mai 2020 18:08:32 0 Rapport Incorporer 0
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