saaimee Ana Carolina

Um crime não planejado colocou uma agencia de assassinos em risco. Agora precisam descobrir o que está acontecendo antes que seja tarde demais. ------------------------------------------------------------------- → Capa tirada do site: pixabay.


Crimen No para niños menores de 13. © Todos os personagens aqui pertencem a mim e TsukiAkii. Portanto postar/reproduzir esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido. Plágio é crime e eu tomarei providências.

#policial #morte #armas #personagens-originais #original #ocs #comédia #drama #mistério #378
Cuento corto
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Capítulo Único

O som da cafeteira acompanhava o barulho baixo da frigideira estalando óleo em cima dos ovos. Naquela enorme cozinha, onde qualquer chefe ficaria contente em trabalhar, Lucius preparava o pão no balcão observando o céu puramente azul pela janela a esquerda. Aquela, com certeza, era uma manhã de terça-feira que poderia ser um sábado perfeito ao ar livre.

Esticando o braço, pegou o controle na extremidade do balcão e, com um singelo clique, ligou a TV. O homem nem se preocupou em ver a imagem do âncora bem vestido com o cabelo minimamente penteado para trás. Apenas ouviu sua voz calma anunciando as 8:45 e o tempo limpo que teriam pelo resto do dia enquanto colocava os ovos em seu pão amanteigado.

Não tinha muito tempo para perder fazendo um café da manhã saudável já que seus documentos o esperavam no andar de cima, mas estava contente com o que conseguiu. Normalmente, tomava somente duas xícaras de café e trabalhava até a hora do almoço sem se preocupar.

Com um clique desligou a máquina e com outra mão pegou o café. Puxando um dos banquinhos próximo ao balcão, se sentou, sentindo o cheiro da comida fresca acolher seu estômago.

“Esta madrugada o empresário Joseph Willbur foi encontrado morto em seu quarto de hotel.”

Lucius quase engasgou com seu café quando ouviu o nome dito com tanta seriedade pelo rapaz. Entre tossidas, ergueu a cabeça procurando a tela no alto, encontrando o jornalista falando ao lado de imagens sorridentes do empresário.

“O caso foi denunciado por testemunhas que ouviram sons estranhos vindo de um dos quartos interrompendo seu sono.”

Lucius pegou o controle rapidamente aumentando o volume, sem quase conseguir piscar.

“O corpo foi encontrado pelos funcionários do hotel. A polícia foi acionada logo em seguida e estão trabalhando no caso. O empresário era conhecido por seu altruísmo realizando doações para instituições que-”

— Não é possível – desligando a TV com um forte aperto, Lucius rosnou já pegando o celular ao seu lado.

Seus dedos desbloquearam a tela em tempo recorde, entretanto quando abriu os contatos para chamar o número em mente, uma ligação apareceu na tela.

Seu rosto tenso se acalmou ao ver o nome “Mischief” no topo. Com um suspiro, deslizou o dedo para o lado.

— Você viu?

A voz do outro lado não parecia preocupada, estava mais para um desespero que vem logo em seguida da surpresa.

— Vi.

— E o que foi isso? – Seu tom aumentou na última palavra de um jeito que Lucius dificilmente ouvia. Mischief nunca mostrava seus sentimentos quando falava, deixava mais claro em seu rosto, mas agora parecia não se preocupar com isso.

— Eu não faço ideia – respondeu balançando a cabeça, ainda atordoado com todas as informações. — Ligou pra eles?

— Não... Ainda não.

— Ok, então me deixa fazer isso – a resposta do mais jovem pareceu vaga, como se também estivesse perdido com a situação. — Não saía de casa por enquanto.

— Tá.

Afastando o aparelho do rosto, desligou e, tomando uma longa pausa para respirar, voltou para a tela digitando com velocidade o número decorado em sua mente.

O som da chamada não durou nem 5 segundos para que Lucius ouvisse a respiração do outro lado.

— Não diga nada.

A voz sempre alta que costumava ouvir, estava controlada e tão estável que nem parecia que estava falando a mesma pessoa.

— Como você quer que eu fique calado agora? – Falando cada palavra lentamente, Lucius questionou fazendo uma expressão raivosa que o outro não podia ver. — Você viu a notícia inteira?

— Sim.

— E então?

— Não sei.

Lucius o ouviu responder por suspiros e o som do isqueiro acendendo. Sua resposta direta o fez engolir duramente para não gritar.

— Você não sabe? – Apertando as têmporas, repetiu com um sorriso amargo no rosto.

— Lucius-

— Mischief e eu íamos pegar ele ontem, mas você nos disse para esperar – falando por entre os dentes, o homem estourou ouvindo nada além da respiração do outro lado. — Pra esperar, William! Ele era nosso alvo e agora esse merda tá morto!

— Eu sei disso.

— Sabe disso, mas não sabe porquê.

— Sim – dando uma longa tragada, ouviu Lucius rir antes de finalmente perder a paciência. — Escuta, eu estou tão preocupado quanto você, mas sair gritando com os outros não vai me trazer respostas!

— Então o que você quer que eu faça, chefe?

“Chefe”. Lucius quase nunca o chamava assim, a não ser quando era por ironia. O homem suspirou, fazendo os sons de alguns estalos com a língua serem ouvidos, dando tempo para ambos se acalmarem.

— Por enquanto... Eu preciso pensar. É claro que isso não é uma coincidência, mas eu não tenho ideia de quem teria esse homem na mira além de nós.

— Sério? – Lucius questionou sem sarcasmo, apenas curioso. — Ele não era famoso e odiado o suficiente para isso?

— Sim e é exatamente por isso que ele podia controlar tudo – outra tragada e sua voz já estava mais calma, quase confiante. — Ele tinha gente suficiente do lado dele.

— Ah... Claro.

— Então, por enquanto, acho que estamos lidando com algo acima de nós – o silêncio os tomou, as últimas palavras os fizeram pensar. — Ligou pro Mischief?

— Aham. Falei pra ficar em casa.

— Bom. Eu vou ligar pra Alice e ver se ela consegue checar algumas informações pra mim.

— Ok... – assentindo para si mesmo ele olhou para seu café da manhã, agora gelado e triste, e se lembrou de algo que o fez soltar um “ah”.

— O que foi?

— Eu conheço alguém que pode ajudar – sua voz tensa e irritada da conversa se foi, agora havia certo brilho e esperança ali. — Eu tenho um amigo na polícia.

— Tem certeza?

— Tenho. Sei fazer meu trabalho.

Aí estava de novo. A voz irritada de quem ainda não estava contente com a conversa. William apenas coçou os olhos, conhecia Lucius há anos para saber o quão teimoso era.

— Tá... Só tome cuidado – falou baixo. Sabia que podiam trocar farpas o dia todo e não concordar em nada, mas estavam juntos e esse tipo de trabalho sempre era perigoso demais. — Acho que nunca lidamos com isso antes.

— Eu sei.

Sua voz soou mais calma, compreendendo o sentimento. Ambos estavam furiosos por não terem respostas e por isso se atacavam, mas no final era tudo coisa da preocupação que tinham pela agência.

Lucius ficou alguns instantes em silêncio na linha antes de desligar. Seus sentimentos estavam claros, não tinha mais o que dizer.

Jogando o corpo sobre o balcão ele suspirou alto, quase rosnando, como se sentisse dores. O dia nem tinha começado direito e ele já queria matar alguém.

Abrindo os contatos mais uma vez, clicou na foto de um gatinho, chamando o número de Mischief.

Ele atendeu quase em seguida.

— Então? Qual o veredito?

— Ele não tem ideia do que está acontecendo.

— Isso é ruim...

— Tá puto e eu acho que a Alice vai sofrer um pouco com isso hoje.

— Coitada... – dando um riso curto pra afastar a tensão, Mischief comentou. — E o que a gente faz agora?

— Eu tô indo pra delegacia – afirmou se levantando do banco e jogando a comida no lixo antes de colocar os pratos na pia. — Tenho algumas perguntas.

— Te encontro lá?

— Não... – sua voz séria se quebrou ali. Mischief era seu parceiro de crimes e sempre trabalhavam juntos, porém dessa vez não o queria envolvido. Não sabia como o rapaz ia reagir, mas precisava tomar a decisão. — Dessa vez, eu acho que é melhor se eu for sozinho.

— Beleza.

— Duas pessoas vai chamar muita atenção.

— Certo – não havia rancor ou infelicidade na voz dele, na verdade parecia entender bem a situação. Lucius sorriu, contente por o ter sempre do seu lado. — Então vou pra agencia e vejo se posso aliviar as coisas pra Alice.

— Perfeito. Falo com você mais tarde.

— Beleza, tchau.

— Tchau.

A porta do carro se fechou com um empurrão. Lucius estava parado ao lado, passando sua longa franja preta para trás e ajeitando os óculos escuros. Com um clique ligou o alarme do automóvel e sutilmente olhou para os lados.

Já tinha passado do meio-dia quando chegou. A rua da delegacia sempre teve movimentação por ficar próxima ao centro, mas hoje parecia o local mais concorrido da cidade.

Ajeitando a gola da camisa social, Lucius seguiu em frente, atravessando a rua e indo em direção aos curtos degraus da entrada.

Com calma empurrou a porta de vidro, tirando o óculos e colocando na gola. Seus olhos percorreram o interior vendo dezenas de pessoas em uniforme caminhando de um lado a outro. Ouviu vozes gritando e outras conversando, todas em tom sério. Sabia que o noticiário era o motivo disso.

Mostrando surpresa em seu rosto, se aproximou apoiando o cotovelo no balcão da recepção. Em questão de segundos, viu uma moça que nunca tinha encontrado ali antes se aproximar. Loira com o cabelo amarrado em um alto rabo de cavalo, olhos castanhos esverdeados e algumas sardas nas bochechas. Parecia uma boneca comparada aquele monte de gente bruta ali.

— Boa tarde, senhor. Em que posso ajudar?

Sua voz era suave, mas séria o suficiente para demandar respeito.

— Olá – em seu tom gentil que sempre usava com desconhecidos, sorriu. — O oficial Fuyuki está por aqui?

— Eu... Acho que sim... – incerta da pergunta inesperada, respondeu dando algumas olhadas para trás. — O senhor tem algo marcado com ele?

— Sim, almoço.

— Oh... – pega pela surpresa, suas bochechas levemente coraram ao sentir que estava se intrometendo. — Só um minuto.

Sem jeito, a jovem se afastou. Lucius assistiu com um sorriso brincalhão no rosto. O jeito desajeitado dela deixava claro que esse era seu primeiro dia. Uma infelicidade ser pega no meio dessa bagunça, pensou.


— Ele pediu para o senhor esperar. Está terminando de arrumar a mesa.

— Claro – dando um curto sorriso concordou, antes de se virar completamente para encara-la. — Desculpa me intrometer, mas você é nova aqui?

— Ah, sou, sim. Oficial Natalie ao seu serviço, senhor.

— Prazer em conhecer, Natalie – sorriu ao ver a jovem estufar o peito orgulhosa de seu título. Devia ter 20 anos no máximo. — Meu nome é Lucius. É possível que você me veja por aqui às vezes – explicou vendo os olhos grandes dela interessado. — Fuyuki é meu melhor amigo então sempre que me sobra tempo, eu passo aqui pra levar ele comigo.

— Bom saber – completou sorridente.

— Desculpa a demora.

Interrompendo a conversa, o jovem de curtos cabelos azulados, gravata apertada e olhos abertos pelo café, empurrou a porta do corredor com uma pasta preta na mão.

— Olá, estava falando de você.

Lucius contou com um sorriso, atraindo os olhos de Fuyuki que por segundos o encarou.

— Espero que não tenha dito nada vergonhoso.

— Claro que não! Vou deixar isso para minha próxima visita – completou dando uma singela piscada para Natalie que riu envergonhada. — Pronto pra ir?

— Claro, só... – colocando a pasta embaixo do braço, se aproximou do balcão fazendo a jovem se virar em postura para ele. — Natalie, se o chefe chegar antes de mim, avisa que os documentos estão na minha mesa – coçou a bochecha cansado a vendo assentir focada. — Tá bem na frente do meu computador. Ele pode checar todas as informações ali.

— Sim, senhor.

— Obrigado – assentindo se virou passando por Lucius em direção a porta.

— Tchau, Natalie – acenando, disse já seguindo o rapaz.

— Tchau... Bom almoço!

Os passos de Fuyuki eram bem mais rápidos do que os de Lucius. O homem notou e sabia que ele ainda estava no modo trabalho ligado. Com um clique desligou o alarme, dando alguns pulos para alcançar o mais jovem.

— Boa menina, ela.

— Sim – respondeu olhando para trás e notando que estava agitado. Dando uma tossida, diminuiu a velocidade. — Muito inocente ainda, mas vai pegar o jeito logo.

— Do que você tá falando? Você ainda é inocente.

— Cala boca – o olhar incrédulo do rapaz, fez Lucius sorrir abrindo a porta do carro.

Se sentando, colocaram os cintos. Em silêncio, Fuyuki o observou ligar o ar condicionado e ajeitar o GPS enquanto segurava a pasta no colo. Um suspiro escapou de seus lábios. Finalmente conseguiu se acalmar.

— Você precisa tomar menos café – comentou sem olhar para ele. Fuyuki sorriu.

— É isso que me mantém vivo – se virou para fitar Lucius. — Desculpa não responder sua mensagem mais cedo. Tava ocupado.

— Não tem problema – apoiando as costas no encosto, olhou para ele. — Eu vi as notícias – o comentário fez Fuyuki fechar os olhos cansado. — Se você não tivesse visualizado a mensagem, eu não teria vindo.

Seus olhos azuis se abriram novamente, observando o rosto calmo de Lucius. Estava começando a se sentir vivo de novo, longe do barulho atrás do vidro do carro.

A presença de Lucius sempre trouxe paz para ele. Não importava quando ou onde, o homem sempre esteve ao seu lado quando começava exceder seus limites. Era Lucius quem o mantinha humano naquele mundo que o queria como um robô.

Não queria sair do carro agora.

— Mas estou feliz por ter vindo – colocando as mãos no volante, deu a partida. — Você tá precisando de uma pausa.

— Não vou negar.

— Tudo isso por causa do cara assassinado?

— É... – apoiando a cabeça no encosto, olhou a rua se movimentando do lado de fora. — Os noticiários foram rápidos demais. Nem nos deram tempo de checar o corpo e já tinha repórteres por todos os lados no hotel... Inferno.

— Lamento ouvir isso... – sem tirar os olhos da estrada, falou compreensivo sem deixar Fuyuki notar suas intenções. — Por isso estão trabalhando tanto?

— Precisamos de uma resposta o mais rápido possível. Um cara grande como esse sendo assassinado assim e do nada? E ainda era uma pessoa boa... – suspirou, deixando os ombros cair. Lucius olhou de canto. — Isso deixa as pessoas em alerta.

— “Assassinado assim”? Como?

A pergunta fez Fuyuki se virar para ele. Tinha falado demais. Se amaldiçoou em pensamento antes de soltar um suspiro.

— É... Você sabe que eu não posso compartilhar informações policial com civis, né?

— Sei, mas você me deixou curioso – rindo, comentou fazendo o outro balançar a cabeça.

Não podia, mas Lucius era seu melhor amigo e precisava falar do assunto com alguém. Confiava nele e sabia que nada que dissesse ali seria entregue a ninguém.

— Não foi um assassinato comum – falou sério, escolhendo as palavras dessa vez. — Não teve tiro, nem facadas... Nada disso. Trabalho de profissional – assentiu para si mesmo. Lucius ouviu em silêncio. — Profissional o suficiente para deixar o quarto limpo de pistas, mas amador o suficiente para acordar a vizinhança toda e chamar todos ali.

A última parte da informação veio seguida de um suspiro frustrado, quase raivoso. Lucius estava sério, absorvendo tudo isso.

— Estranho.

— É tudo o que eu posso te falar para satisfazer sua curiosidade, Lucius, desculpa.

— Naw – falou, rindo, vendo Fuyuki mais calmo. — Eu não sou chegado em coisas obscuras assim. Gosto de dormir à noite sem imagens sangrentas na minha mente – completou ouvindo Fuyuki rir.

— É pra isso que estamos aqui. A gente vê essas coisas pra vocês dormirem em paz.

— Agora me sinto mal – sua voz parecia entristecida, fazendo Fuyuki rir alto, relaxando de uma vez.

Devagar, a porta de metal foi aberta revelando a silhueta alta de Lucius.

A primeira coisa que seus olhos se depararam foi com Mischief e Alice sentados na longa mesa de reunião ao lado da janela, vidrados na tela dos laptops. Em seguida viu William na mesa principal, falando alto no telefone.

Sem dar atenção, fechou a porta e caminhou até o sofá vermelho no centro, cumprimentando em silêncio os dois colegas e colocando o casaco no assento ao lado.

A agência era praticamente um quarto pequeno de hotel onde não cabia mais do que cinco pessoas. Os móveis, entretanto, eram de qualidade e o local muito limpo. Tinham acesso à internet, energia, água e comida na pequena geladeira. Havia um banheiro pequeno para as necessidades básica e a decoração ficava por parte do tapete no centro, dois quadros nas paredes brancas e os três armários lotados de documentos.

Não era o lugar que se chamava de casa, mas tinha o básico para respeitar suas necessidades humanas.

— Então – colocando o telefone no gancho quase em um soco, o mais velho deles falou chamando o olhar de todos. Seu cansaço estava estampado no rosto que apertava as têmporas buscando por paciência naquele momento. — Encontrou algo?

— Algumas informações, sim, mas nada muito relevante – cruzando os braços, Lucius falou olhando para os dois em sua frente.

— Qualquer coisa vai ajudar meu dia agora.

— Ok – se ajeitando no sofá, limpou a garganta. — Pelo que ouvi, não foi um estilo comum de assassinato. A pessoa enviada lá era profissional e fez tudo de propósito.

— Continue – tirando um cigarro do bolso, ordenou.

— Estou assumindo que o corpo sofreu danos pesados, pela forma como o policial falou – explicou antes de continuar. — Porém não houve tiros, nem facadas... E mesmo assim os repórteres chegaram lá antes da polícia.

— Queriam se mostrar – o rapaz de cabelos longos castanhos falou, fitando a tela do computador pensativo.

— Pistas?

— O quarto tava limpo.

— Como... – Indignada, a jovem de cabelos ruivos balbuciou chamando o olhar de Lucius que deu de ombros. — Eles sabiam que esse cara já era alvo de alguém.

— Como eu disse, tudo foi feito de propósito.

— Ótimo! – Procurando o isqueiro, William falou furioso, mordendo o cigarro.

— E o que vocês encontraram? – Lucius perguntou, ignorando o homem.

— O cara estava em uma festa antes de ir para o apartamento onde morreu.

— Esse foi o motivo para você cancelar o plano? – Se virando para o chefe, perguntou.

— Foi... Cadê meu isqueiro?!

— E ele foi seguido? – Lucius continuou, vendo a jovem balançar a cabeça.

— Acho que não. O cara já tinha suspeitas que queriam a cabeça dele... Estava andando com 10 seguranças para onde quer que fosse.

— Nada sútil.

— O que nos leva a uma conclusão – batendo a mão na mesa de leva, Mischief falou chamando a atenção. — Essa pessoa já estava dentro.

— Agora, – se inclinando para frente, Lucius continuou apoiando os cotovelos nas pernas — o quarto foi invadido ou essa pessoa estava disfarçada? Alguma notícia sobre os funcionários?

— Eu vou checar!

Sem perder tempo a jovem começou a digitar rápido enquanto os outros em silêncio pensavam sobre a situação.

— Desgraça! – Jogando o cigarro no lixo, William gritou enraivecido por não encontrar o isqueiro.

Lucius olhou e então se lembrou de tê-lo visto no telefone.

— Com quem estava falando?

— Quem você acha? – Se levantando, perguntou balançando a cabeça.

— Já? – Surpreso, perguntou vendo o homem parar em frente à mesa de braços cruzados. Sabia que os negociantes iriam entrar em contato, só não esperava que fosse tão cedo. — Estão querendo nossos pescoços?

— Não. Tivemos sorte que ele só queria o cara morto, mas ainda ficou puto – estalando a língua, explicou. — Quer o dinheiro de volta.

— Melhor do que nosso pescoço – Mischief comentou enquanto ajudava a jovem com os nomes na tela.

— Não comece a ficar feliz – suspirando, coçou a cabeça. — Isso só está começando. Mas, bem, – se empurrando para frente William continuou, se afastando deles — vamos continuar rastreando tudo o que pudermos. Se você tiver mais alguma coisa para adicionar, Lucius, diga a Alice.

— Ok...

— E fiquem prontos para sair.

— Serviço? Agora?

— Sim e não – se virando, pegou um pedaço de papel entre as folhas de seu caderno na mesa. — Vocês estão indo para o Alca.

— Ah... Claro.

— Pega tudo na lista e veja se aquele merda sabe de alguma coisa – entregando o papel, falou deixando Lucius ler todos os itens devagar. — Vão.

Mais uma vez se ouvia o barulho do alarme do carro, mas, dessa vez, Lucius estava em frente a uma boate junto com Mischief.

As roupas sociais que o mais velho vestia tinham sido trocadas por vestimentas mais casuais para combinar com as do parceiro. Pareciam dois amigos prontos para curtir música alta e quem sabe encontrar alguém para passar a noite. Entretanto, tudo era só pelas aparências.

— Popular como sempre – o mais novo comentou, vendo a fila de jovens em suas cores neon aguardando a chance de entrar.

— Enquanto os pais pagarem, esse lugar continua em pé – caminhando ao lado do rapaz, Lucius falou amargurado.

— Dinheiro fácil fazendo adolescentes se embriagarem.

— Não só adolescentes.

A voz de Lucius parecia risonha fazendo Mischief parar para olha-lo.

— Não me diga que você quer beber?

— Mischief, a gente tá prestes a entrar em algo bem merda que pode acabar com a minha sanidade – falou com calma vendo os olhos julgadores do outro. — Eu realmente não me importo de beber até cair hoje.

Lucius realmente estava estressado. O rapaz não podia culpa-lo. Também estava fazendo seu melhor para não se entregar ao nervosismo.

Balançando a cabeça, riu.

— Tá bom. Eu dirijo na volta.

— Ótimo.

Tirando o cartão do bolso, Lucius se aproximou do segurança na entrada VIP. O homem olhou o que estava escrito e levantou os olhos para os dois. Não tinha necessidade de olha-los, mas queria ver o tipo de pessoa que estava se envolvendo.

Sem dizer nada, devolveu e, liberando a passagem, os deixou entrar.

O local estava ainda mais lotado do que do lado de fora. Pessoas pela pista dançavam se empurrando e se esfregando umas nas outras, a música alta estourava nas caixas de som, a luz piscava sem parar e o cheiro do álcool se misturava ao desejo dos jovens.

Os dois se esgueiraram por entre a maré de pessoas até finalmente alcançar o balcão. Mal deu tempo de se encostarem ali e ouviram a voz alta do homem baixo, quase careca vestindo roupas que doeriam os olhos se aquele local não fosse escuro.

— Fala, minha gente maravilhosa! – Com um sorriso largo que fazia Mischief querer arrancar seus dentes, o homem se aproximou. — Faz tempo que não vejo vocês.

— Ocupados demais quebrando as leis, sabe como é – fingindo simpatia, Lucius falou com um sorriso sem vida congelado no rosto. O homem riu exagerado da piada. Mischief já não conseguia disfarçar o incomodo.

— E o que posso fazer por vocês hoje?

— Tenho uma lista de coisas para pegar – Lucius falou erguendo as sobrancelhas deixando claro o que vieram fazer. — Mas, antes, um Martini.

— Hah, pode deixar.

O bartender entregou a bebida logo em seguida sem dar tempo para os dois reclamarem de qualquer coisa. Lucius deixou o dinheiro no balcão e logo saiu dali. Mischief o seguiu pela multidão agradecido por ficar longe daquele homem, finalmente.

Desviando de jovens que não saiam do caminho, eles procuraram por alguma mesa que não tivesse adolescentes agindo como animais no cio.

Mischief estava mais atrás quando sentiu alguém passar por ele dando um leve toque em seu ombro. O rapaz automaticamente se virou na direção. Seus olhos rápidos vasculharam o lugar no escuro.

Viu então uma silhueta feminina caminhando em um vestido vermelho com um coque alto no cabelo ruivo. Ela se destacava com chamas em um incêndio. Viu então seu rosto de lado mostrar um sorriso enigmático.

— Que foi?

Lucius apareceu, o chamando e logo olhou na direção em que o jovem olhava. Viu somente o vestido vermelho desaparecer na multidão.

— Hã? Ah... Nada, eu acho...

Ele se virou novamente para Lucius e o encarou.

— A gente... precisa descansar um pouco.

— É... Com certeza.

Os dois caminharam se misturando por entre as pessoas e a música, aproveitando a última noite de paz que teriam. Afinal, quando a manhã chegasse, uma nova caçada começaria.

7 de Abril de 2020 a las 16:00 0 Reporte Insertar Seguir historia
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Fin

Conoce al autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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