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Trapiche

- Ei, aonde você vai ? - disse a primeira criança.

- Vou aonde todos vão, pro trapiche que está sendo erguido - disse a segunda criança, em cima da bicicleta.

- Espere por min, será que posso ir com você ?

- Pode, sobe na garupa e vamos.

- Aonde fica o trapiche ?

- Na Baía da Babitonga, no centro histórico da cidade.

- Assim, próximo da igreja, né ?

-Isso, próximo da igreja.


As crianças se encontram, para uma aventura, cuja a percepção do tempo, não se fazia presente. A brisa serena, do dia ensolarado, era o convite perfeito, para um passeio. A criança número um, sabia muito bem disso; optou por fugir das obrigações, que lhe eram lhe imposta, para ter um momento de liberdade. Na escola não ia bem, em casa, as brigas eram constantes; o padastro rude, o maltratava, e a mãe fingia que não o via.
A criança número dois, era oposto da primeira. Inteligente, bem-educada, membro de uma família tradicional da região. Sua vida era regrada, e cheia de tarefas, que formavam seu cotidiano. O encontro dos dois não foi premeditado, tudo aconteceu pelo acaso. O acaso reina no mundo dos pequeninos, e a vida passa lentamente, e aceita com facilidade.

O trapiche estava sendo construído, próximo a estátua do Tritão, ali era o lugar mais inóspito da região. As pessoas tinham uma certa aversão aquela construção, pois representava a ideologia de um homem poderoso, que viveu no século passado. Ele era um comerciante de escravos e exportador de produtos manufaturados, ficou muito famoso pelo seu envolvimento na política. Por causa de sua influência obteve fama de carrasco, usava o poder para oprimir os mais fracos. A população, cresceu com rancor, tanto aquelas que foram atingidos diretamente, como aqueles que foram indiretamente marcados pela mão de ferro do comerciante.

Uma parte minúscula, beneficiada, pelas ações do comercio agressivo e ditatorial, o aclamava como rei; isso é suficiente para perpetuar uma imagem. A classe rica, tornou sua memória divina; enquanto a pobre, maléfica. Como a população pobre representa a maioria e a rica minoria, são duas forças completamente opostas, sendo que só uma imagem perdurará. Ele tinha como simbolo um tritão, que ostentava na entrada da sua luxuosa casa. E no peito, carregava um pingente com o mesmo formato. O tritão, provavelmente, representava uma alguma ideologia oculta; isso é normal no meio daqueles que detém o poder, eles se apegam ao ocultismo como forma de guia e, na grande maioria das vezes são bem sucedidos. Mas, acho que tem haver, com a disciplina e o rigor aplicado, do que a mensagem a ser seguida. Foi dessa forma que ele se tornou uma pessoa amada pelos ricos e odiadas pelos pobres.


Para aquelas crianças, qualquer assunto que envolvesse política ou poder, não fazia o menor sentido. Elas só queriam desbravar e conhecer, por isso o trapiche era tão atraente. Era como dizer um adeus para o velho e um bem-vindo para o novo.


- Se segura!! Vou passar por cima de um buraco. -- A bicicleta deu um salto no meio-fio da calçada.

- Meu deus, você é vesgo? - disse a criança na garupa.

- Desculpe-me, não vi o buraco atempo.

- Como pode, não ter visto um buraco desse tamanho? E praticamente no meio da rua?

- Eu também não sei. - disse rindo. - Acho que estava distraído com algum pensamento.

- Pensamento! Você deve ter algum problema ocular, isso sim!

- Fica quieto, se não te deixo para trás.

- Depois desse susto, prefiro mesmo ir andando!

- Prefere nada, é uma longa caminhada daqui até o trapiche. Você pediu carona, agora me sinto na obrigação te levar.

- Obrigação!? Eu pedi apenas um favor, você não é obrigado a fazer nada.

- Pelo contrário meu caro, a partir do momento em que você subiu na garupa da bicicleta, a responsabilidade se tornou minha, isso se chama comprometimento. Então, vou te levar até o trapiche, você querendo ou não.

- Que papinho de boiola, bicho. Só vou continuar nessa garupa, porque eu sei que a caminhada é longa. Se não, já tinha caído fora. Vesgo e boiola, eu mereço.


A criança na condução, expressou um sorriso de satisfação, entendia perfeitamente o amigo que acabara de conhecer. Ele não estava totalmente habituado com as pessoas daquela classe social; mas, nutria a percepção necessária para conviver com aqueles que a mãe pejorativamente chamava de ralé. Sempre existiu um muro imaginário, que o impedia de cruzar uma linha também imaginária. Essa limitação tinha como objetivo, sua proteção contra a exposição, que o mundo lá fora era vitima. Foi assim desde sempre, a primeira lembrança, mesmo distante vinha como algo natural, que foi induzido pela proteção. Na sua vida, o senso de responsabilidade herdado como guia, e nutrido pela ordem da vigência, o sufocava diariamente. A criança na garupa, representava tudo aquilo que de maneira nenhuma, poderia ser. Por isso, a fuga, a saída da escola. Ouvirá através de amigos, sobre a construção de um trapiche, na Baia da Babitonga, no centro histórico da cidade. No primeiro momento a construção de um trapiche não pareceu tão atraente; crescera naquele lugar, frequentava todos os pontos interessantes e conhecia a cidade como a palma da sua mão. O trapiche não era uma atração e, sim, uma construção civil bancada pelo governo. A escolha do local, não foi dos melhores, já não gostava do tritão quando criança; quando soube da sua origem histórica na adolescente, passou a repudiar ainda mais o local. Mas, nessa conversa entre amigos, foi revelado algo que ele não poderia tolerar.


- Pois é, tem um pessoal escroto fazendo festa naquele trapiche, pobre vê diversão nas coisas mais supérflua. - disse o menino loiro e topetudo.

- Eu não tiro a razão deles. Imagine nascer sem nada, você tem que se adaptar com pouco que tem, e tornar isso agradável.

- Agradável! Como? Não tem nada de agradável em ser pobre, é uma lastima, pronto e acabou.

- Eu sei que nascer pobre é uma merda; Mas, você tem que se habituar a merda. Isso é o que os pobres fazem, afinal, eles não vivem até os oitenta anos? - replicou o menino de óculos.

- Sim, se não se matarem entre si, antes. - a roda estava em gargalhadas.

- O que você acha Brendo? - perguntou à criança no canto, dispersa da roda.

- O que eu acho? E isso tem relevância?

- Definitivamente, não. Mas, é sempre bom termos uma ideia do que pensa as pessoas com quem andamos.

- Muito bem, acho que vocês são a classe pior do que os pobres.- os amigos olharam entre si e riram. Ele continuo:

- Os pobres realmente nascem sem nada. A vida é injusta, desde do primeiro momento em que vem atona o choro da criança. A realidade é tortuosa e mina a alto estima. Mas, vocês não tem o direto de julgar as pessoas menos favorecidas. Afinal, olhando de uma perspectiva dual, os pobres são mais dignos do que vocês; eles não tem nada igual a vocês; vocês nasceram numa condição pré estabelecida; não foram vocês que trabalharam duro para ter uma vida privilegiada. Os verdadeiros ricos são seus pais; por isso, digo, que a dignidade não pertence a vocês, o pobre é digno, porque luta e conquista, aquilo que vocês tem de mão beijada. Além do mais, eles não perdem seu tempo questionando coisas superficiais, eles não tem tempo a perder. - disse olhando para o chão, demonstrando uma expressão alheia.


A rodinha se fechou, isolando ainda mais o amigo que acabara de argumentar. Palavras ecoadas no vazio, não fazem efeito. Ele aprendeu essa verdade, no momento, em que começou a questionar paradigmas imposto pela sociedade da alta estima. Achava incrível como uma palavra fora do padrão, pode despertar sentimentos de divisão e enclausuramento.

Eles não podiam excluir totalmente a criança. Sua família tinha nome e destaque, a exclusão seria o mesmo que antecipar um futuro mal negocio; eles entendia a importância da fluência desde cedo. Mesmo distante, ele fazia parte do núcleo e, pelas circunstâncias imposta, era obrigado a fazer. Mas, no meio de tanta hipocrisia, uma luz de esperança sempre se acende.


- Olá meninos! - disse de súbito, uma menina loira de saia curta.

- Oi Andressa, como vai? Fiquei sabendo que você anda visitando o trapiche na Baia. - disse o topetudo.

- Vou bem, é verdade. Estou elaborando uma pesquisa sobre aquele lugar. Realmente tem muita coisa interessante acontecendo. Na próxima semana, irá sair uma matéria completa no jornal acadêmico.

- Verdade!! E qual é o assunto? A construção ou as pessoas?

- Os dois, quero falar da origem histórica do lugar, das pessoas que frequentam e das crianças que fazem da construção um parque aquático de diversão.

- Nossa que legal, você realmente tem uma mente muito sensível para esses assuntos. - indagou o menino de óculos.

- Muito obrigada, a sensibilidade faz parte do ponto de vista do artista, estou fotografando também, quero registrar tudo.

Nesse momento Brendo olha para ela e pergunta:

- Que horas você tem ido para lá?

- Estou indo agora, pedi licença na secretária, eles concederam.

- Deu sorte, vai se livrar da aula de matemática. - disse o topetudo com ar de deboche.

- Pois é, não é algo que planejei, mas tenho que fazer o quanto antes.


Doce, cativante e extremamente afiada. Andressa era uma garota que conseguia surfar sobre as ondas da mesquinhez, sem se deixar abater; uma força natural e delicada que aplica o bom senso na vida para se sobressair. Com ideais que formavam sua personalidade, e destemida nos momentos mais frágeis.

Ela foi adotada quando criança, por um casal com idade avançada, que não podiam ter filhos. Sendo criada com muito amor e carinho, por aqueles que ansiavam pela experiência de poder criar um filho. Eram apenas os três e tudo se refletia em torno dela.

Desde de pequena ela demonstrava talentos especias para diversas áreas. Os pais logo notaram essa facilidade de comunicação e destreza, começaram a incentivar cada passo que a menina dava. As pessoas ao redor que compartilhavam desse crescimento, ficavam admirados com a facilidade da menina para se adaptar aos ambientes que vinham se apresentado. Brendo era um deles. Desde do primeiro momento em que seus olhares se cruzaram, uma chama de inquietação começou a surgir sobre um espirito quebrantado.




31 de Octubre de 2020 a las 22:23 1 Reporte Insertar Seguir historia
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Raquel Terezani Raquel Terezani
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July 16, 2020, 10:50
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