morghanah Morghanah .

O néctar doce e puro, uma sátira.


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#romance #erotico
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Único

N/A: A citação presente no meio do texto faz parte do filme O advogado do Diabo, de 1997, dirigido por Taylor Hackford, sendo assim, boa leitura a todos.

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Considero-me um ser satírico, vivo, que excita-se com pouco e traz em si uma volúpia aparente, sequiosa em minhas palavras – a meu ver – certeiras e tão repletas de intenções simples e justificáveis, que regozija-se através e em cada uma delas. Estejam em minha mente conflitante ou fora dela em vocábulos transcritos para o papel, usando-os como minha ferramenta pornográfica de maior prazer pessoal.

Alguns mal intencionados – ou até mesmo infames – diriam tratar-se de algo pernicioso, cujo modus operandi carrega minha eterna carência e libido, um anseio preternatural por atenção, por um abraço cálido, masculino, forte e justo.

Um alguém que trar-me-ia gozo enquanto vocalizaria meus desejos mais secretos e far-me-ia sua em meio a teus braços fortes, cujo dono não é um ser imberbe, mas um dotado de brios e uma postura austera que domar-me-ia como desejo sê-lo, agraciando-me com sua personalidade por vezes provinda da peculiaridade que apenas homens de dinheiro o possuem, em nosso ninho de amor onde seríamos os reis de nós mesmos.

Porém, deveria ter usado lá em cima o termo ninfomania, afinal, sou uma mulher, contudo, o néctar doce e puro ao qual me refiro e busco certamente vem de um homem. Um que imaginei ao ler páginas e mais páginas de livros feitos por mulheres insatisfeitas e malogradas que, assim como eu, veem e transmitem em tudo o que fazem sua necessidade física – quase exagerada e majoritária – de acalento sexual em meio a suas vidas insossas nas quais vivem como títeres nas mãos do desejo pérfido de uma companhia como se esta fosse a única solução para todos os seus problemas, medos, agonias e angustias que, talvez, sequer existam realmente tal qual alegam aos sete ventos ou em páginas brancas onde expõem seus discursos farsante repleto de machismo e misoginia camuflada de romance.

Afinal, assim como nas vidas das mulheres das quais leio sobre, tudo em minha vida também gira – ainda que subjetivamente – em torno de sexo.

Inclusive a minha própria e notória tristeza, cujo humor macambúzio mescla-se a uma masturbação eterna feita de palavras numa ode ao masculino e seu falo. Entidade e órgão por mim idolatrados tendo-me como escrava cativa de sua rigidez a qual humildemente transponho em meus gestos, sonhos, palavras e silêncio de modo sincero e honesto o quão dependente sou deles em minha carência para quem quiser ver.

Basta apenas ler.

Arreio minhas vestes, por vezes um uniforme colegial – afinal, todo fetiche é válido se e somente se – para agradar meu objeto de desejo e singela adoração. Visto meia calça preta e lingerie branca ou cor-de-rosa, flâmulas de uma pureza e inocência em mim inexistentes, porém, simulados até mesmo em meus gestos por saber que gosta e aprecia tamanha falácia minha como parte de nosso jogo.

E, também, porque a sociedade pede que assim o seja e, por desejar ser bem-vista aos olhos de terceiros e digna de ti, devo ser casta e virginal na frente de todos e apenas quando sua, deixar que aflore e deflore-me como toda mulher como eu sonha e anseia em sê-lo.

"Olhe, mas não toque.

Toque, mas não prove.

Prove, mas não engula"

Vocábulos recordados de um filme há muito tempo visto e os tenho para mim como regra comportamental de vida, e assim eu vivo, embora almeje engoli-lo por inteiro quando despejado em minha boca com a língua em volta de você e um olhar intenso seu vindo de cima, sempre tão austero em seu jeito pétreo de ser, ao agraciar-me com carícias em minha face como sei que o faz somente comigo, pois tens a mim como sua única preza.

Afinal, tudo em mim gira em torno de minha recompensa trajada de virilidade e meu tão sonhado cuidado para comigo. Por vezes vejo-me ao teu lado como uma donzela em perigo, alguém que precisa ser salva das garras dos malfeitores cujo ser destinado olhar-me-á nos olhos um dia e verás o quão somos destinados; noutros momentos sou uma dama voluptuosa, cônscia de si própria e sua sensualidade a qual usa a seu bel prazer para conquistar-te em uma festa de gala na qual fui a noite e encontrei a ti inconscientemente a minha busca, como eu de sua pessoa. Todavia, minha veste favorita é a frágil, submissa e inócua virginal que no final da história com seus modos angelicais dobram a ti e tua sanha, moldando-te e a teu mundo, inclinando-os para que ao final sejas somente meu assim como sabes que sou eterna e unicamente sua.










19 de Enero de 2020 a las 18:00 4 Reporte Insertar 3
Fin

Conoce al autor

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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Billy Who Billy Who
Que personagem mais asqueroso hahahha A citação ao meio de Advogado do diabo é a própria blasfêmia contra o submundo infernal, mas como sempre, você conseguiu fazer um esboço cartunesco e sarcástico dessa necessidade insuportável por sexo que geralmente é maquiada por romance e faz as pessoas suspeitarem, fingindo não estarem apenas correndo atrás dos próprios desejos transvestidos em renda. O sexo em si, é uma parte natural do ser humano, as vezes sim, fascinante, no entanto um assunto muito delicado de se tratar pois normalmente se cai na pieguice e não sutileza, apenas pieguice. E coisas piegas dão dor de cabeça. Melhor a vulgaridade absoluta então. Eu gosto de como você escreve bem e é demoníaca em zombar sem parecer que o faz.
March 07, 2020, 19:52
Rodrigo Borges Rodrigo Borges
É impressionante como essas palavras nada comuns combinam perfeitamente com desejos carnais, como principal o sexo. É como se elas fossem parte integrante da personalidade de quem narra, como se eu realmente pudesse pensar em dois dançando, e ainda de máscaras, num jogo complexo que é essa relação. Nossa, sério, que leitura gostosa! É curta, mas oferece tão mais que vários capítulos.
January 28, 2020, 21:06

  • Morghanah . Morghanah .
    Oi, Rodrigo, obrigado por comentar e avaliara história, porém, temo informar-lhe que você compreendeu erroneamente a trama e as palavras que leu. Desespero não se trata de um romance belo, muito menos uma dança complexa tal qual comentou, mas sim de uma sátira, uma crítica irônica a autores (normalmente do sexo feminino) de romances clichês nos quais realizam suas fantasias (algumas eróticas) através de suas palavras, no caso dos acontecimentos, paixões, amores e relacionamentos de suas protagonistas. Pessoas estas que até mesmo em momentos onde sexo não deveria estar envolvido, o fazem num tipo de desespero carente por companhia e satisfação sexual. De maneira que usei de um vocabulário requintado e incomum, como você mesmo disse, para retratar tais facetas adjetas de pessoas assim sem ser pedante ou chula na linguagem. Isso porque não é o fato de abordar sexo ou se explanar um ponto de vista referente ao assunto, que devamos sê-lo, não é verdade? January 29, 2020, 02:13
  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    Interessante, obrigado pela sinceridade, deixa seu texto ainda mais formidável. Deixarei a avaliação, acredito que, por mais que esteja meu esclarecimento incompleto, ainda retrata bem o que senti ao lê-lo. January 29, 2020, 09:23
~

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