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darleca Darleca Snow

Dio Brando chegou à mansão Joestar com um único objetivo em mente; tornar-se o único herdeiro enquanto transforma a vida de Jonathan Joestar – apelidado carinhosamente de JoJo – num verdadeiro inferno. Mas quando um pertinente desejo se apodera de seu coração perdido, em meio a ódio e inveja, faz com que Dio questione seus planos, desejando pela primeira vez na vida ser salvo de si mesmo.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

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Cuento corto
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Capítulo Único

Dio sentiu grande satisfação quando Sr. George Joestar I – o patriarca da família e seu pai adotivo – repreendeu o filho legítimo durante o jantar, por conta das mais novas travessuras supostamente cometidas por JoJo.

Seu plano dava frutos; enquanto o idiota levava a culpa dos problemas que surgiam, o verdadeiro causador era quem os resolvia, ganhando a confiança até mesmo dos serviçais e consequentemente de Sr. Joestar.

E presenciar a decepção estampada no rosto do pai e a careta de injustiçado de JoJo, deixava sua refeição ainda mais saborosa. Degustou do vinho quase não contendo o sorriso cínico que revelava seu deleite.

Desde que pisou na mansão Joestar, Dio prometera para si que teria tudo o que queria e que, de quebra, transformaria a vida de JoJo num inferno, porque achou necessário mostrar para este almofadinha desgraçado que a sorte que teve ao nascer numa família rica, iria acabar.

Dio não teve essa sorte; nasceu de uma família pobre e morava nos becos sujos de Londres.

Dário Brando era um vigarista maldito que tratava a família com violência e abusos, e só gastava a grana que conseguia em bebidas, deixando a própria esposa morrer de profunda tristeza pela vida miserável que levavam.

Essa era a figura paterna que teve de exemplo. E o amor vindo de sua mãe, quando ainda viva, não fora o suficiente para fazê-lo acreditar que haviam pessoas boas no mundo.

E durante os anos que conviveu com aquele homem – recusando-se a chamá-lo de pai – Dio só adquiriu ódio, rancor e inveja.

Cuspir na lápide de Dário foi o mais próximo de um ato sentimental que demonstrou para com seu progenitor. E, naquele dia, Dio selava de vez o passado cruel que desejava obliterar.

Faria JoJo pagar pelo que passou, pois precisava de alguém para culpar.

— Devia se espelhar em Dio, JoJo – dizia Sr. Joestar em tom inconformado, fazendo Dio voltar à conversa. — Ele é prestativo com todos. E você, quando não está correndo por aí com o cachorro, fica atrapalhando o serviço de quem mantém essa casa em ordem! Por que causa essas aporrinhações? A cada dia que passa, uma nova reclamação me é relatada. Chegou até mim que você andou mentindo, dando ordens em meu nome aos empregados das quais eu não dei. Quero entender o que te motivou a agir dessa forma, embora eu já esteja muito decepcionado com você, JoJo.

Dio sustentou o olhar que JoJo lhe direcionou, imaginando a raiva crescer dentro do mais novo.

Sabia que ele não era tão ingênuo, afinal, após chutar Danny – um Harlequin Great Dane – e mentir dizendo que fora apenas um reflexo, não convencera o jovem Joestar que não fizera aquilo por maldade.

Apesar disso, as provocações que Dio fazia não eram revidadas, o que o deixava ainda mais engajado em ver JoJo sem esperança de viver, recebendo de bandeja o lugar de filho favorito, além da herança.

Diga que fui eu, JoJo. Prove que sou o verdadeiro culpado de sua desgraça, fedelho, pensou, segurando a taça com tanta força que os nós de seus dedos ficaram ainda mais destacados.

JoJo se levantou da cadeira, de repente, depositando o guardanapo ao lado do prato de comida intocada e curvou-se diante de Sr. Joestar.

A atitude incomum trouxera surpresa na feição de seu pai e fez Dio franzir o cenho.

JoJo se pronunciou:

— Peço permissão para retirar-me, meu pai, e pensar numa maneira que irá te convencer que sou inocente. – Aguardou o consentimento do pai, agora, pensativo.

Dio também estava muito surpreso. Era a primeira vez que JoJo parecia tomar alguma atitude.

O que diabos pretende fazer?

Sabia que precisava tomar cuidado, ainda que não visse JoJo como uma real ameaça. Mas qualquer deslize, arruinaria sua imagem e dificultaria chegar ao objetivo, qualquer problema deveria ser evitado a todo custo; JoJo era um deles.

O silêncio estabelecido no ambiente foi quebrado pelo tilintar dos talheres colocados no prato vazio por Dio, que tomou a liberdade de assinalar um criado para que este retirasse seu prato da mesa.

Já estava mais que satisfeito quando acompanhou com os olhos JoJo subir as escadas sem um pingo de determinação, se trancando no quarto.

— Talvez ele não esteja fazendo por mal... – Dio fingia-se pensar por alto. Quando teve a atenção do Sr. Joestar para si, foi encorajado a continuar. — De qualquer forma, sinto-me feliz por estar aqui. Mas acho que eu estou atrapalhando...

Sr. Joestar interrompeu:

— Você é da família agora. Por favor, não se culpe por essa situação. Se alguém deve se sentir culpado, este sou eu. Sei que JoJo é um bom menino, mas temo tê-lo mimado... – Suspirou, resignado. — Mas devo a vida de minha família ao seu pai, Dio. E cuidar de você é o mínimo que posso fazer por Dário Brando.

Dio trincou o maxilar com força.

A comida começou a se revirar em seu estômago com a simples menção àquele homem como se, em vida, ele não fosse um ser desprezível.

Na próxima, pensaria com mais cuidado nas palavras usadas para evitar esse tipo de desconforto. Se recompôs e disse:

Aquele homem jamais foi um pai como o senhor demonstra ser, que respeito e admiro – murmurou com convicção quase em tom ameaçador, embora estivesse mentindo, surpreendendo Sr. Joestar. — Farei o possível para que JoJo perceba que nada disso vale a pena. – Regozijou em segredo por falar abertamente o que desejava, sem levantar qualquer suspeita.

Deixar JoJo e seu espírito heróico em pedaços era a motivação diária de Dio.

Retirou-se da mesa após ter a permissão do homem da casa, com a intenção de ir direto aos seus aposentos. Se viu diante do quarto de JoJo, mexendo na maçaneta, confirmando a porta trancada.

Ele não tem nada contra mim... JoJo não vai me impedir de ter o que quero.

Voltou ao seu quarto, dedicando-se por algumas horas a leitura de um livro. Em dado momento, ouviu passos no corredor. Devolveu o livro à pilha na escrivaninha e prestou atenção no que acontecia no lado de fora.

Achou que JoJo poderia ter saído do quarto, ido à cozinha para pegar comida e voltado às escondidas. Mas a voz que se fez presente era do Sr. Joestar.

Quando teve certeza que o pai entrara no quarto do outro filho, quis bisbilhotar a conversa dos dois. Aproximou-se da porta, a percebeu entreaberta; viu Sr. Joestar sentado na beirada da cama enquanto JoJo abraçava as próprias pernas.

— Fui muito rígido com você, JoJo. – Sr. Joestar estava visivelmente arrependido. — Não quero que passe fome como castigo. Imaginei que, com a chegada de Dio, você teria um amigo, irmão com quem pudesse contar. Não ficaria tão sozinho... Dio foi solitário, JoJo. – Dio, que ouvia tudo do lado de fora, fechou as mãos em punhos. Odiava a imagem de si que Sr. Joestar fazia naquele momento. Dio nunca fora frágil, e JoJo seria a última ajuda que precisaria. Teve de controlar a respiração para não ter sua presença notada. — Sinto que há rancor enraizado no coração dele, tudo indica que o homem que o criou não foi um bom pai. Ele precisa de todo o amor que podemos dar. Você pode fazer isso?

Dio ficou paralisado com a postura de JoJo; cabeça erguida e olhos azuis bem marejados, e como se uma aura brilhasse ao seu redor, demonstrava que ainda havia força e bondade dentro dele.

— Sim, eu posso, meu pai. Quero ser o melhor irmão que Dio pode ter – disse o garoto com orgulho. — Mas o senhor acredita em mim? Acredita quando eu digo que sou inocente?

Sr. Joestar abraçou o filho injustiçado, murmurando qualquer coisa que fugiu dos ouvidos do adotado. E quando os olhos de JoJo se encontraram com os do irmão no lado de fora, Dio se afastou da porta e correu pelo corredor até o seu quarto, se trancando em seguida.

Seu coração disparado, talvez pela corrida ou pelo flagrante, retumbava em seus ouvidos. Decidiu não esperar JoJo desaparecer de sua vida. Dio precisava agilizar seu plano.

Buscou numa bolsa de couro curtido o seu canivete, usava-o para se defender de quem pudesse lhe dar uma coça ou algo pior, quando ainda morava no lado apodrecido de Londres. Faria um bom uso dele, agora.

Vou matá-lo com minhas próprias mãos.


Com o passar dos dias, Dio não encontrava muitas brechas para pôr o seu plano em prática, porque JoJo estava sempre acompanhado de algum adulto.

Acreditou ser a maneira que o pirralho encontrou para evitar mais problemas.

Contudo, isso não era o mais irritante durante esse tempo, mas, sim, a aproximação de JoJo que fazia Dio explodir em raiva quando ficava sozinho no quarto, todas as noites. Aquele maldito moleque estava mesmo determinado a ser amoroso e benevolente com Dio!

— Venha, Dio, tomaremos um belo café da manhã na beira do lago! – O entusiasmo de JoJo estava levando Dio à loucura, principalmente, naquela manhã.

Sr. Joestar não estaria presente, mas um empregado fora ordenado acompanhar os meninos, levando na cesta tudo o que tinham direito; frutas, suco, chá, ovos e bacon fritos embalados, manteiga e pedaços generosos de pão e bolo.

E ao que tudo indicava, o dia seria maravilhoso; o sol amenizava o ar gelado que cortava a pele e, no céu, não havia uma nuvem sequer que pudesse atrapalhar a sua luz e calor aconchegantes.

JoJo estava tão radiante como o sol, e pulava e brincava com Danny a todo o momento, durante o percurso.

Dio era o exato oposto; cara sempre fechada, em silêncio e bufava para qualquer idiotice que JoJo ou o cachorro faziam. Ou quando o irmão tentava convidá-lo a se juntar à brincadeira.

Eventualmente, checava o bolso interno do lado esquerdo do casaco para sentir o peso e o metal frio de seu canivete tocar na ponta de seus dedos.

Ainda avaliava o plano e como o executaria, mas ter o canivete consigo ajudava a suportar aquilo que ele mesmo chamou de inferno.

Quando finalmente chegaram ao lago, se acomodaram de baixo de um ulmeiro. JoJo se prontificou a colocar a toalha xadrez enquanto Dio observava como um falcão, que sobrevoava uma presa.

O empregado, por sua vez, mostrou um osso de boi para Danny, afim de evitar que o cachorro enfiasse a cara dentro da cesta e comesse a comida.

Danny ficou tão feliz com o presente que, em sua corrida desesperada, derrubou JoJo no chão, que ainda lutava contra o vento para colocar a toalha decentemente sobre a grama.

A cena foi tão patética que Dio não conseguiu evitar gargalhar.

— Oh, jovem Joestar, você está bem? – indagou com preocupação o empregado.

— Sim, não se preocupe! Se isso fez Dio melhorar o humor, então, valeu a pena. – E ele sorriu.

JoJo estava realmente radiante. A luz da manhã clareava seu cabelo bagunçado pelo vento, as bochechas coradas completavam a aura angelical que aquele menino possuía e Dio não esperava nada daquilo.

Arregalou os olhos de íris âmbares-amarelas para o que via.

O que é esse sorriso?

Seu coração sobressaltou, de repente. Podia jurar que uma veia estourou em sua têmpora com a raiva que pensou invadir seu corpo. Sentiu o rosto queimar e uma vontade enorme de fugir dali. Fosse o que fosse, estava incomodando Dio mais que o normal.

— Cala a boca, JoJo! – ralhou entredentes, e passou o resto daquela atividade matutina, calado e evitando JoJo no seu campo de visão.

Não conseguiu desjejuar, pois algo o perturbava, não fazendo ideia do que era; se era uma sensação? Um sentimento? Doença? Maldição? Não tinha nome para aquilo, embora vinha acontecendo com frequência nesses últimos dias.

Chegou à conclusão que só podia ser algo ruim, porque sentia-se terrivelmente desconfortável, até mesmo inseguro. Principalmente na presença de JoJo. Isso precisava ser resolvido.

Pensar nessas questões fazia o tempo passar diante de seus olhos e perceber que a razão de seus anseios já não estava mais ali.

O empregado tacava pedras no lago, enquanto Dio permaneceu sentado, pensativo, todo esse tempo.

JoJo não está por perto e o serviçal está distraído. Seja lá para onde esse fedelho foi, preciso encontrá-lo, agora. Preciso aproveitar a oportunidade.

Mais uma vez, checou o canivete no bolso. Decidiu levantar-se para ir atrás de JoJo. Porém, o empregado o chamou pelo nome, interrompendo seu raciocínio:

— Dio, vocês podem ficar mais um pouco se quiserem. Vou levar as coisas de volta, pois tenho muito trabalho a fazer. Mas devem voltar antes do almoço, pois Sr. Joestar quer falar com os dois.

A diferença de tratamento para consigo fez seu sangue ferver.

Como ousar falar meu nome em vão? Encarou o empregado, ferozmente.

Teria arremessado o canivete na jugular do sujeito só pela afronta. Podia ver o sangue jorrar da ferida enquanto apunhalava mais vezes que pudesse contar.

Chegou a pensar em JoJo, que apareceria somente para impedi-lo, mas ele seria fácil e finalmente morto, acabado, destruído por suas mãos.

E, por fim, armaria uma cena – como lera nos livros – colocando a culpa no empregado pelo assassinato de JoJo enquanto simulava seu desespero pela morte precoce do irmão que salvara sua vida.

Sim, isso podia acontecer, embora o empregado nem estivesse mais presente quando Dio voltou a si. E a cesta e a toalha haviam sido recolhidas, só restando as migalhas de comida na grama.

Em contrapartida, sentiu que suas mãos tremiam, mas não podia desistir agora, era o que tinha quefazer; tirar JoJo do seu caminho.

Fechou suas mãos em punhos para conter os tremores.

Caminhou em busca do paradeiro do irmão e, para sua surpresa, JoJo dormia na grama do outro lado da árvore, com Danny o acompanhando no sono.

Dio se aproximou devagar enquanto segurava o cabo do canivete, ainda dentro do bolso.

Teria de matar o cachorro, também. Ele o odiava; Danny estava sempre atrapalhando, tendo a atenção e companhia de JoJo mesmo quando não pedia... e... Não! Não era essa justificativa que buscava!

Balançou a cabeça para dispersar essas besteiras. Mataria o cachorro por ser importante para JoJo e só por isso, pois tudo que fosse de JoJo, seria destruído ou tomado por Dio.

Danny notou a aproximação daquele invasor e ficou alerta, mas Dio ignorou-o, focando-se na face jovial de seu irmão, que apoiava a cabeça num braço e com a outra mão repousada na barriga, seguia o leve movimento da respiração. JoJo dormia com tranquilidade, era admirável.

Dio se ajoelhou ao lado dele e retirou, finalmente, o canivete do bolso. As malditas mãos ainda tremiam e a visão ficou embaçada por conter lágrimas que ele sequer dera permissão de surgirem.

No fundo, admitiu, não queria fazer aquilo. Não teve coragem.

E Danny rosnou, como um guardião que protege seu dono.

Tudo estava muito confuso na mente de Dio. De repente, seu braço direito foi alvo das fortes presas de Danny, o fazendo praticamente soltar o canivete e o perder no lago.

A briga entre o menino e o cão acabou acordando JoJo no susto.

— Danny! Não! Pare! – gritava ao se aproximar. Com agilidade, JoJo conseguiu tirar Danny de cima do irmão. — O que você fez, Dio?! – A indignação escapou em seu tom de voz, mas dera lugar à preocupação no rosto do mais novo quando Dio encarou-o diretamente.

Estava furioso e, claramente, com medo; com o rosto rosado e com lágrimas escorrendo pelas bochechas, sentia-se humilhado. Sentado no chão, segurava o braço ferido.

É claro que JoJo defenderia o cachorro, afinal, Dio era um péssimo irmão; chutou o pobre animal quando chegara na mansão, e agora, tentava matar de maneira covarde, o mais novo irmão que a vida lhe presenteou, assim como planejava fazer com o cachorro, depois. Se JoJo soubesse disso, nunca o perdoaria... Dio não tinha nada de bom para oferecer além de ódio e crueldade.

Mas por que não podia ser diferente? Por que teve o pai que teve? Por que precisou lidar com a desgraça de sua vida ainda tão jovem e sozinho? Quem o julgou merecedor dessa miséria?

Nenhuma dessas perguntas teriam respostas e Dio não conseguia se ver de outra forma, só queria que todos pagassem por tudo o que passou. Queria que o mundo fosse seu, assim, poderia reescrever a própria história, ter a vida que merecia...

JoJo segurou seu braço ferido, tirando Dio de seus pensamentos.

A aura que o jovem Joestar emitia era tranquilizadora, trazendo uma paz que Dio jamais imaginou que pudesse sentir.

Podia jurar que JoJo, por um momento, fosse algum tipo de anjo, ou de tanto querer ser um verdadeiro cavalheiro, conseguiu sê-lo e só não se deu conta disso ainda.

Agachado, JoJo puxou a manga do casaco e da camisa de Dio para cima, observando os pequenos furos com sangue que as presas de Danny fizeram na pele pálida.

— Vamos para casa – disse quase em sussurros —, precisamos limpar as feridas...

Dio sustentou o olhar piedoso que o irmão transmitia, por incontáveis segundos, e JoJo continuava falando o quão preocupado estava, embora já não era mais ouvido.

O mais velho estava desnorteado e só queria que JoJo ficasse calado. Então, fechou os olhos e moveu-se para frente.

A imagem de JoJo ainda estava perfeitamente ilustrada em sua mente, como um belo retrato, por essa razão, não teve dificuldades de acertar o alvo.

Pressionou seus lábios contra os de JoJo, que finalmente ficou em silêncio. Dio se surpreendeu com o fato de ter gostado da sensação dos lábios do irmão. Era diferente...

Nunca havia beijado, até aquele momento, porém, tinha alguma ideia de como fazê-lo. Só não esperava também que seu estômago estivesse tão esquisito, ainda que a sensação não fosse de todo mal.

E assim ficaram até Dio se afastar para respirar. Abriu os olhos e JoJo surgiu completamente diferente diante de si; estava vermelho como um pimentão, de olhos tão arregalados que começaram a lacrimejar.

Num momento anterior, parecia ser tão certo a se fazer, mas... Depois que a ficha caiu, Dio não aguentou a vergonha que tomou-lhe por inteiro; empurrou JoJo para longe e correu de volta para casa, desesperado.


A dor no braço não incomodava há tempos, só não podia dizer o mesmo sobre as lembranças daquele dia.

Dio evitou JoJo de todas as formas possíveis. E quando não eram, percebia o esforço de JoJo em fingir que nada aconteceu, principalmente diante de seu pai. Quando ficavam a sós, o silêncio era esmagador e acusatório.

Sentiu-se fraco por não conseguir cumprir com o planejado, e pior, por não querer mais fazê-lo.

Aquele sorriso gentil da manhã do piquenique revisitava sua mente quase sempre, e o beijo tão inócuo ainda tinha presença em seus próprios lábios.

As noites eram torturantes. JoJo dormia no quarto ao lado e Dio pensava que iria enlouquecer; queria socar a cara dele. Fazê-lo sentir ódio, não pena ou vergonha, ou algo parecido.

Matar o cachorro seria imperdoável, não? Assim, tudo voltaria como era antes, ou como deveria ser. Um odiando o outro.

Tudo parecia tão nebuloso que Dio não via outra saída.

De repente, a porta do seu quarto se abriu. JoJo apareceu, fechando-a atrás de si, assim que entrou.

— O que faz... aqui? – Dio se amaldiçoou por sua voz falhar, levantou-se da cadeira em frente a escrivaninha, de supetão.

— Quero entender o que aconteceu... – JoJo se agarrava ao desejo de ser um verdadeiro cavalheiro para tocar naquele assunto, do contrário, não teria coragem de estar ali, assim pensou Dio.

— E o que acha que aconteceu? – Deu alguns passos à frente, agora um pouco mais seguro de si. Sentia seu coração disparar contra o peito e lamentava não ter o total controle sobre ele. Ainda assim, parecia tão tentador provocar o jovem Jonathan...

— Você deve saber... foi você que me beijou – dizia de maneira conspiratória, mas não havia vergonha em seus dizeres, talvez, surpresa por verbalizar.

E, naquela hora, já deveriam estar dormindo, portanto, a preocupação maior dos dois era de serem pegos fora da cama.

— E gostou? – A questão pegou JoJo de surpresa e o silêncio que persistia era quase ensurdecedor para Dio. — Basta responder, JoJo. Gostou quando foi beijado?

JoJo suspirou, tentava tomar o controle da conversa.

— Quero entender o porquê fez isso, Dio; pensei que me odiasse!

— Odiarei ainda mais se não me responder. – Manteve o semblante sério, saber a verdade afetaria sua vaidade e a curiosidade estava o matando.

O rosto de JoJo se iluminou, de repente, como quem percebe alguma intenção velada e resolve tirar vantagem disso. Voltava para a porta enquanto dizia:

— Então, acho melhor voltar para o meu quarto e...

— Se passar por essa porta, matarei o seu cachorro idiota. – Não era uma ameaça vazia. Ninguém manipulava Dio, ou tirava vantagem. Semicerrou os olhos pela audácia daquele pirralho de tentar.

JoJo estava visivelmente horrorizado.

Dio sabia que ele não ariscaria perder Danny para sempre. Era jogo sujo, mas era como costumava jogar.

Então, observou JoJo retornar, parando bem à sua frente, certamente indignado.

— E então? – indagou Dio, aguardando a resposta.

As mãos de JoJo seguraram seu rosto para que não escapasse, como se tivesse intenção. E, desta vez, Dio fora pego desprevenido e odiou o fato de JoJo parecer mais alto.

O selinho demorado foi um pouco mais bruto, mas causou a mesma sensação do beijo anterior; frio na barriga e a sensação crescente de poder ter mais daquilo.

JoJo também parecia buscar por mais contato, o que inflou o ego do mais velho e depois o fez acreditar que seu coração sairia pela boca, pois o mais novo ultrapassou os lábios de Dio e suas línguas finalmente se tocaram. A sensação era indescritível, embora maravilhosa, arrancando-lhe um som gutural quase manhoso.

Não era uma competição, mas Dio sentiu-se desafiado; agarrou a gola da roupa de dormir que JoJo usava, para trazê-lo mais perto, como se fosse possível. Ousou mordiscar o lábio inferior de JoJo ao finalizar o beijo. Sentiu-se abraçado, embalado pela respiração descompassada de JoJo, impedido de se afastar.

— Não me ame demais, JoJo... ou vai perder a cabeça...

9 de Diciembre de 2019 a las 18:52 0 Reporte Insertar 0
Fin

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Darleca Snow Eu cansei, desculpa.

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