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tiatatu Tatu Albuquerque

Konohamaru herdou do primo mais velho o topo do time de futebol e da hierarquia social escolar, incluindo todos os clichês envolvidos, como o de ser popular com quase todas as garotas, com a exceção de Hanabi, por quem é apaixonado há anos. Como sua paixão não é correspondida, resta a ele usar o perfil @Lilmonkey no Wattpad pra escrever fanfics imaginando o que seria o relacionamento perfeito com ela, sem saber que sua leitora mais assídua e com quem troca dicas de escrita e conselhos amorosos é justamente sua paixão não tão platônica assim.


Fanfiction Anime/Manga Todo público.

#colegial #clichê #ficção-adolescente #Plussize #gorda #konohana
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Embaraçoso

“— E o que pensariam se descobrissem que eu, o capitão do time, o mais popular e marrento da escola, gosto de poesias, romance e de fazer declarações ao pé do seu ouvido? - perguntou receoso e ela, sorrindo, acariciou sua bochecha.

— Pensariam que ele tem um coração, talvez? - rebateu arrancando dele um riso.

Já que ela se atreveu a deixá-lo feliz, a recompensou com um beijo no rosto que ela fez questão de desviar o caminho fazendo com que em vez de sua bochecha ele tocasse seus lábios.

Outro atrevimento? Era de se esperar! Nada era mais ela do que roubar daquela forma inusitada o que era o primeiro beijo dos dois e que ficaria por muito tempo em ambas as memórias.

×

Sorriu bobo, com direito à bochechas aquecidas de vergonha, com o quão bonitinha aquela cena havia ficado. Escondeu o rosto e se debateu ainda deitado sobre a cama por achá-la tão fofa que nem parecia ter saído de sua cabeça.

De todos os capítulos de sua fanfic de maior repercussão naquele site, Konohamaru podia jurar que aquele era sua maior obra prima e seus leitores pareciam concordar.

O havia postado na noite anterior quando cansou de quebrar a cabeça com o trabalho de biologia e mesmo com pouco tempo já tinha por volta de 10 votos. Nada mal pro autor que havia ficado quase 2 meses “em semana de prova” e apareceu como se nada tivesse acontecido, com a cara de pau que lhe era peculiar.

Responder os comentários mortos de amor era uma ótima motivação pra levantar e se aprontar pra escola, mesmo que não fosse tão interessante assim.

Socou de gritos virtuais e emoji as respostas sobre a doçura do texto e concordou bastante com aqueles que diziam que nunca viveriam um clichêzinho gostoso desses e os leitores nunca saberiam o quão real era aquela reclamação de sua parte, com a exceção de uma.

Assim que o push-in do aplicativo surgiu na barra de notificações de seu celular, riu prevendo de quem se tratava daquele que era a primeira reação de sua leitora mais assídua, clicando o mais rápido que pôde.

@kaitenlicia22: olha quem voltou depois de 2 meses decidido a me matar de diabetes!

Já estava pronto para responder quando a notificação da caixa de mensagens da plataforma chegou.

Hora de tomar bronca, pensou.

@kaitenlicia22: tomou vergonha na cara foi?

E não é que tinha razão?

Respirou fundo, pensando numa boa desculpa.

@lilmonkey: em minha defesa, eu tava estudando.

Podia ter pensado em uma menos batida. Não era possível que esperava que ela caísse nessa.

@kaitenlicia22: tem trouxa escrito no meu perfil, garoto?

@lilmonkey: me deixa ser o autor relapso em paz, mulher!

@kaitenlicia22: você acaba de envelhecer 10 anos!

Rapaz, ela tinha tirado o dia pra implicar, né?

Ainda bem que podia contar com uma dose de bom humor enquanto calçava o tênis e escovava os dentes.

Não era como se ela fosse sua melhor amiga. Não se conheciam fora do Wattpad, não sabiam nomes reais e nem mesmo redes sociais, já que Konohamaru surtava só de imaginar o que aconteceria se alguém da vida real descobrisse suas histórias.

Tinha demorado demais pra ser aceito socialmente e não iria deixar que sua vida virtual assassinasse toda uma reputação de uma hora pra outra, por mais amiga que ela pudesse ser – se é que podia chamar alguém que nem sabia de onde era de amiga.

Não sabia bem como catalogar. Mesmo sem informações básicas, ela tinha conhecimento de suas paranoias, de suas paixões e até de quanta saudade tinha da época em que morava em outra cidade e seu pai ainda era vivo, então era bizarro pensar que mesmo que com conhecimento superficial, ela o conhecesse melhor que muitos de sua vida pessoal e se arriscava dizer que era assim com ela também.

A “Kaiten”, como a chamava, era só a pessoa perfeita pra conversar sobre as pessoas ao seu redor e pedir conselhos e isso justamente por estar longe do olho do furacão e Lilmonkey era algo do tipo na vida dela.

Tinham uma intimidade bastante limitada, apesar de forte ao mesmo tempo. Amigos demais pra dar pitaco na vida um do outro, amigos de menos para saber suas identidades. Os dois respeitavam seus respectivos espaços, liam as histórias um do outro e tudo ficava ótimo!

Por falar nisso, ia até revidar a provocação e cobrar pela fic yaoi que ela postava e que já tinha um tempo parada, mas, como a vida amava lhe fazer de trouxa, a próxima notificação foi justo da tal fanfic. Mesmo assim, não desistiu da zoeira.

@lilmonkey: fé no pai que um dia minha vida amorosa vai andar tão bem quanto as atualizações dessa fic.
@kaitenlicia22: PROFETIZADAH!

Depois daquela referência à meme saturado pelo grupo Ponte Para Chernobyl, teve a certeza que o melhor era seguir seu rumo antes que as broncas começassem.

É que, além das inseguranças, ela também era uma das poucas ou talvez a única pessoa que sabia abertamente de seu maior segredo além das fanfics: seus protagonistas nada mais eram que uma forte projeção dele com sua grande paixão não tentada e, por consequência, não correspondida.

O badboy doce e apaixonado pela aluna excluída que acaba sendo marginalizada por estar acima do peso, mas que não tem a autoestima abalada, personagem essa que cativou Kaiten à primeira vista.

Era muito incomum achar fanfics com personagens gordas que tinham autoestima sem depender do romance para isso, ainda mais clichês escolares. Sentia-se representada e não era nem pouco, até por, segundo ela, também ter uma quedinha por um dos populares de sua classe.

@kaitenlicia22:
Que eu tenha essa coragem com o @, amém. - comentou na tal cena do beijo e ele chegou a assentir.

Poxa, bem que podia acontecer entre ele e sua cremosa platônica, não era? Mas como se nem um “oi” trocavam decentemente?

O máximo que tinha acontecido nos mais de 5 anos em que era apaixonado pela diferentona de sua sala era ser colocado no mesmo grupo de trabalho, no ano anterior.

Esperou que essa fosse a chance certa, mas ela não devia entender de fanfic, pois em vez de viverem o roteiro do combo aproximação + ranço temporário = paixão avassaladora, tudo o que ouviu foi um “Vou precisar de 10 reais pro material. Deixa que eu faço a teoria e você só apresenta”.

Pelo visto, das histórias, ela só absorvia a eterna crença de que os “topzera” da escola eram verdadeiros bocós e que ele era o capitão do time babaca que só ia atrapalhar sua vida, fazê-la sofrer e, no mais extremo dos casos, deixá-la para trás com um bebê de nariz sujo no colo pra ela voltar anos depois rica e escondendo a cria dele, que provavelmente se tornou ou um CEO frio e calculista precisa dela e de seu perdão pra salvar a empresa da falência.

Devia dizer que era um baita preconceito. Pra começar, todo mundo sabia que ele era um loser travestido de fodão e era só o OG Thug cantando “Que homão da porra” na parte do “e elas acham eu fofinho” e que só por isso ainda mantinha esse posto fajuto que infelizmente não ia conseguir colocar no currículo depois.

Não tava pedindo muito. Custava só dar umas bitoca com sua S/N prometida depois da escola?

Qual é? Ia mesmo ter que vender sua alma pra que a “esquisita diferente da sala” ficasse com o popular? Poxa, só queria uma oportunidade de olhar naqueles olhinhos charmosos e chamar ela pra sair sem que só faltasse desmaiar no colo dela de tanto impacto.

Difícil essa vida de protagonista de romance batido frouxo.

Suspirou franzino, colocou a camisa do dia e pegou de volta o celular, respondendo e, de cara, levando um capote.

@lilmonkey: que a @ seja como a Hannah, amém.
@katenlicia22: ué, meu mico leão dourado.
Vai ver você tá esperando ela ter atitude, ela tá esperando você ter atitude, nada acontece, feijoada!

E, como sempre, o que ela dizia fazia bastante sentido.

Voltou ao bate-papo privado, já com as bochechas coradas ao antecipar que ia levar mais um puxão de orelha virtual de quem ainda não tinha entendido que era uma pessoa sensível e que inclusive estava com “estou me esforçando pra crescer, por favor, não pise em mim” estampado no peito.

@kaitenlicia22: Quase 2 meses e cê ainda não foi lá chamar a garota pra tomar um sorvetinho no shopping?
Cê num tem vergonha dela, tem?

Arregalou os olhos, ofendido e receoso de passar essa impressão pra ela ou qualquer outra pessoa.

@Lilmonkey: quê? Tá louco? Se uma mina daquela me dá mole eu faço até um outdoor pra gritar pro mundo todo.
O problema é ela ter vergonha de mim, você não tá me entendendo.

Um medo tão real que chega doía.

Olhou pra escola e se perguntou como que acabou sendo “cobiçado” entre as garotas do Hashirama Senju com aquela cara de palerma tonto e fracassado que não conseguia abrir a boca pra declarar seus sentimentos.

Inclusive, já que tinha uns minutinhos sobrando, voltou até a se exercitar para o dia em que finalmente conseguiria deixar de ser um tapado.

Respirou fundo, encarou o espelho e a imaginou ali, bastando isso para voltar à sua tensão.

— E então? É… Aceita comigo amanhã sair… - embaralhou as palavras de novo e olha que aquela foi a melhor das tentativas.

Se Kaiten estivesse ali, riria pra caralho lhe chamando de otário e só pra comprovar seu ponto a última mensagem dela foi:

@kaitenlicia22: se você continuar esperando o dia em que vai tá pronto pra isso, nunca vai conseguir.
Se você não chamar a delícia na chincha, alguém vai.

E não é que ela tinha razão, de novo?

@Lilmonkey: tem razão. Eu vou falar com ela hoje!

Digitou com a esperança de não acabar procrastinando isso mais uma vez, tal como fazia com todas as suas obrigações e…

Por Deus! Ficou tão entretido achando que tinha tempo que já estava quase atrasado. Pegou a mochila, jogou o carregador lá dentro e pegou seus fones.

Ainda bem que não era o seu dia de levar sua meia irmã na creche e que podia assumir seu papel de protagonista e catar alguma fruta pra comer pelo caminho.

Devorou a pêra, já que odiava maçã. Não tinha nem respondido Kaiten e ainda bem que ela não se ofendia. Contava com a torcida dela pra que seus planos se concretizassem.

— Eu vou falar com ela hoje! - exclamou convicto… E medroso.

Quem não o conhecesse que comprasse aquela certeza toda, já que começou a repetir como um mantra pra tentar se encorajar.

Como um “badboy popular” de fanfics, ele era um ótimo jogador de futebol e por sinal era apenas isso que lhe mantinha como rei da selva colegial do Hashirama Senju.

Konohamaru, e muitos já tinham se ligado, era uma farsa. Sim, uma farsa que não teria chegado nem perto da elite estudantil se não fosse por seu primo que lhe passou a braçadeira e a coroa de popular pra lhe ajudar a deixar de ser um perdedor completo.

Desde que havia se mudado para aquela cidade, vinha sendo a sombra de Naruto e mesmo que aquele fosse o segundo ano dele na faculdade, sentia como se não o deixasse de ser, precisando relembrar a todo tempo as instruções dele para parecer mais descolado.

Bagunçou um pouco mais o cabelo, viu se a cueca estava suficientemente à mostra, tentou fazer uma cara mais interessante que a de nenê da mamãe.

Respirou fundo e tentou ser ele mesmo, apesar do quão hipócrita esse pensamento pudesse ser, e encarnou o personagem, gingando sua cabeça no ritmo do pagodinho anos 90, encontrando seus amigos ao chegar na esquina, como se tivessem combinado.

Toda escola clichê que se prestasse tinha, dentro da própria elite, seu grande Big3, e até nisso eles eram disfuncionais.

Da rua da esquerda, vinha Moegi com sua camisa de K-pop cantarolando alguma música coreana difícil de entender e ela até podia ser a grande garota de estética padrão, mas estava longe de ser a líder de torcida que ostentava um “bad bitch” como rótulo principal e perseguia outras garotas por nada ou por homem. Naquelas bandas, não se rivalizava mulheres e ela tinha muito mais o que fazer, a começar por se equilibrar em seus patins.

Udon, a outra ponta do trio, era o grande Nerd de óculos fofinho e pançudo que construiu sua fama como maior fonte de cola nos simulados e provas, com suas balas docinhas e também como maior fornecedor de descongestionante nasal e colirio pra juventude drogada daquela escola. Ele vinha da direita todo prosa ouvindo Kevin O Cris chamando todo mundo pra ir pro baile da gaiola curtir um funk 150bpm.

Tava difícil pra todo mundo ali só seguir o roteiro do Wattpad, né? Tá, dessa vez não era uma reclamação!

Talvez fosse uma evolução da própria sociedade colegial, quem sabe? Não se via colocando medo nos novatos apenas por existir como lembrava ter acontecido com ele próprio em seu ano de calouro.

Com certeza, os veteranos já formados dali quando os via passar rumo à aula deveriam pensar “cacete, só tem criança nessa merda agora” e, comparando com sua época, podiam estar certos.

Cumprimentou os dois bocós e assumiu seu papel de castiçal, já que até o nerd 4 olhos que era Udon conseguia chegar na cremosa amada e ele lá chupando dedo e pensando no que Kaiten disse.

“Dois meses e nada?”. Riu nervoso lembrando que cultivava essa paixão há uns 6 anos, mas ela tinha razão no fim das contas.

Não é porque tinha demorado tanto tempo para se declarar que não poderia fazê-lo agora, certo? Nunca era tarde para amar, tia Kure, como chamava sua madrasta, vivia dizendo nos últimos dias dando sinais de que devia ter se apaixonado de novo.

Agora mentalmente, continuou a repetir seu mantra, se sentindo mais confiante. Só cumprimentou os colegas com apertos de mão ou acenos de cabeça para não correr o risco de em vez de “salve!”, acabar lhes saudando com a frase motivacional.

Nem participou muito no papo da rodinha pra não perder o foco. Aquele era seu dia, seu momento e nada ia estragar a não ser ele mesmo que só de olhar na direção da portaria ler nos lábios do porteiro um "bom dia, Hanabi!".

Suou frio e jurou estar tendo uma vertigem. Quase caiu do beirol onde estava sentado só de ansiedade. Se estava convicto de sua declaração pelo caminho todo, agora nem recordava o que tanto repetia pra si mesmo.

Nem chorou, só ficou tremendo à espera de sua deusa e lá vinha ela, com a mochila pendurada em um único ombro, o copo reutilizável com estampa de personagem fofa de anime, e a cara de tédio que parecia fazer pra tudo.

Hanabi não era "a esquisita fora do padrão", como nos clichês, por seu peso, seu estilo fora da curva ou a puta ousadia de usar bottons de cenas Yaoi hardcore na mochila como se não fossem nada demais, e sim porque a única coisa que todos tinham na cabeça quando olhavam pra ela era aquele meme do "sem tempo, irmão".

Ela não tava nem aí pra nada e seu sonho de consumo era ser tão socialmente desapegado quanto aquela garota que fazia suas pernas tremerem.

Ninguém chegava perto porque ela intimidava a todos, o que fazia seus piripaques passarem despercebidos pela galera. Quem perceberia um bobo apaixonado entre meio mundo de gente quase se mijando com medo dela?

Se bem, né? Que não disfarçava bem sua cara de babão apaixonado vendo ela se afastar e só faltando lamber o chão pisado. Tava tão na cara que nem tinha ideia se os outros de fato não sabiam ou se fingiam não saber para tirar onda dele pelas costas. Não fazia diferença, de qualquer jeito.

Se qualquer pessoa perguntasse "porque justo ela?", seria capaz de retrucar na mesma hora com um "por que não ela".

Poxa, aqueles olhos, o jeito estranho que ela virava o caderno na hora de escrever, a insistente mecha que caía por seu rosto mesmo ela sempre tentando a retirar, as covinhas que se formavam em seu rosto quando ela ria de alguma palhaçada e o jeito que ela balançava o braço e mordia o lápis quando chamava os professores para tirar alguma dúvida quando estavam em sala.

E quando ela balançava o cabelo e andava por aí despreocupada com os idiotas que achavam ter direito de tentar rir dela por seu tamanho, mostrando que não seria um bando de retardados que a abalariam?

O foda é que ela era a garota mais linda de todo o Hashirama Senju e ele era só o babaca do time de futebol que não tinha nem coragem de chegar nela e mandar um "e aí? Vamo fechar?". Ela era muita areia pro seu caminhão de plástico, mas jurava que daria quantas viagens precisassem.

Como ainda estavam num clichê colegial, era óbvio que bastava ela passar pro banheiro ou pro corredor das salas que todos voltavam à normalidade, inclusive com uma mega dose de mau gosto.

— Cuidado com a Nabi que a Nabi te come! - implicou alguém no meio daquele bonde.

Olhou de rabo de olho pro garoto, não gostando desse tipo de “piada” e não era nem questão de ser com ela e sim porque não tinha saco mesmo. Quê que os outros tinham se ela era gorda ou não? Comia ou não?

O mais custoso da vida de popular era entender na prática a fama de babacas e idiotas, o que o fez se tornar o maior fã das histórias que colocavam em cheque esse sistema opressor e autoritário de gente se achando superior aos outros por detalhes mínimos.

Antes de qualquer atitude, Udon tratou de segurar seu braço assim como Moegi. Não iam deixar ele arrumar briga e ser punido com a suspensão de algum jogo do interclasse.

— Deixa pra lá, cara, ela nem ouviu mesmo! - menosprezou a garota.

Esperta, piscou para ele e depois, discreta, partiu metade do clichete que mascava e colou na camisa aparentemente cara do colega. Riu e trocou com ela um hi-5. Ela continuava maravilhosa!

O sinal tocou como um gongo lhe salvando e, se não foi na entrada, ainda podia tentar logo cedo, né?

Quando entrou na sala, ela já estava em seu lugar característico no fundão, sem tirar os óculos que possibilitaram a ele saber que ela lia BJ Alex em algum app clandestino pela milésima vez no mês…

Hum… Seria muito estranho perguntar pelo link? Negou com a cabeça!

A vida era tão dura consigo que tudo o que tinha em comum com ela não era seu e sim de Lilmonkey. Merda de identidade dupla que sempre ficava com o que tinha de mais legal.

Pensando melhor, podia puxar papo fingindo querer saber do que se tratava, mas ela acharia estranho. Se conhecia bem daquele roteiro, ela provavelmente julgaria a aproximação repentina como fruto de alguma brincadeira ou quem sabe as famosas apostas de tirar onda com a nerd que todos acham feia e que é só tirar o óculos ou usar Acnase e Sabonete Assepxia pra se tornar a gostosona - e que fique bem claro que ele achava mudanças desnecessárias e que ela já era uma delícia atraente.

Ok, precisava pensar em algo mas como não pensava muito bem esqueceu que, pra fazê-lo com maior calma, devia ficar parado. Foi se aproximando cada vez mais e, quando notou, já estava na cara do gol encarando o melhor dos goleiros: sua bisonhice.

Pensou em todas as coisas que podia dizer muando parou frente a ela e ela abaixou os óculos escuros para encará-lo melhor, perdeu a fala. Cacete, ela era ainda mais bonita de pertinho e aqueles olhos eram capaz de lhe matar do coração e olha que ela mal piscou.

Foi o suficiente. As mãos começaram a suar, a boca secou e a voz começou a falhar como em todas as vezes em que se aproximava dela. Puta que pariu, ia dar um vexame daqueles, estava sentindo.

Hanabi, querendo voltar pro seu lemon de sabres de luz, terminou calmamente de tomar seu suco no canudinho preso ao copo, erguendo uma das sobrancelhas.

— Trabalho digitado mais o resumo tá 10 e sem resumo é 5! - explicou direta pensando que ele queria falar sobre os conteúdos escolares que ela comercializava.

Era um balde de água fria no romantismo do garoto, porém um mar de rosas para a timidez dele, que riu sem graça, coçou a nuca e confirmou. Podia ter pensado nisso antes, né? Seria menos vergonhoso e robótico.

— É, me vê o de 5! - pediu embaraçado.

Ela virou pra pegar a pasta com os trabalhos, e, enquanto selecionava um aleatório, o encarou e ergueu as sobrancelhas, estendendo a palma da mão como se cobrasse algo e, putz, o dinheiro!

Riu sem graça, todo estabanado ao pegar a carteira e deixá-la cair bem aberta na carteira dela, que riu quando se deparou com a imagem de Terry Crews caracterizado como Julius Rock que ele usava pra se lembrar de economizar dinheiro.

Já não bastava suas próprias fraquezas, ainda tinha que passar vergonha na frente da gatinha que não pensou duas vezes antes de fazer chacota.

— Esse mico custou 5 reais! - ela brincou e ele, se pudesse, enfiava a cara no bolso em que tirou a nota.

Pior que, apesar dos pesares, só conseguiu se derreter todo de ver que ela tinha bom humor e fazia piadas tão toscas quanto as que ele faria. Pena que era tímido demais e prezava muito pela pouca dignidade que restou pra ajoelhar e pedir “pelo amor de Deus, casa comigo que a gente nasceu um pro outro”.

Com uma risada medonha de tão sem graça, agradeceu o trabalho com um aceno e voltou pro seu lugar. Tentou pensar pelo lado positivo igual na novelinha chata que assistia por causa de Mirai.

Pelo menos não tinha se cagado todo, né? Era só o que lhe faltaria!

— Droga! - reclamou consigo mesmo durante o caminho de volta.

Tinha saído tão animado de casa pra, de novo, não conseguir abrir seu coração. Não via a hora de compartilhar com Kaiten o seu fracasso do dia.

16 de Octubre de 2019 a las 02:17 1 Reporte Insertar 1
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MEU DEUS TATU QUE OBRA PERFEITA ADVINDA DOS DEUSES IMACULADOS❤️💗💞💖
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