Uma lembrança do futuro. Seguir historia

papironauta Rodrigo Borges

Esse texto é espelhado numa cena específica do filme Arrival (A Chegada), filme baseado no conto "A história da sua vida" de Ted Ching. Fiz um vídeo para explicar o motivo desse projeto e de como eu desenvolvo o processo entre começar a escrever e terminar de escrever. Você poderá acessar o vídeo por meio deste link: https://www.youtube.com/watch?v=Kz1rTEEHWFw&feature=youtu.be . Não esqueça de deixar sua avaliação, muito obrigado!



Fanfiction Todo público.

#a-chegada #filme #cena #heptápodes #aliens #escrita #sci-fi #arrival
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Uma lembrança do futuro.

Esse texto é espelhado numa cena específica do filme Arrival (A Chegada), filme baseado no conto "A história da sua vida" de Ted Ching. Fiz um vídeo para explicar o motivo desse projeto e de como eu desenvolvo o processo entre começar a escrever e terminar de escrever. Você poderá acessar o vídeo por meio deste link: https://www.youtube.com/watch?v=Kz1rTEEHWFw&feature=youtu.be .

Não esqueça de deixar sua avaliação, muito obrigado!



Saia do veículo e siga imediatamente à tenda, para o processo de descontaminação”.


Quando abriu a porta do carro, o barulho daquela estação militar, que parecia nunca dormir, inundou os ouvidos da Dr. Louise Banks. O bater da porta foi apenas um a mais para aquela sinfonia caótica. O chiado de irrigadores, que de maneira alguma eram para plantas, assemelhava-se a um ruído branco quando acionados para esterilização dos carros que voltavam da missão. As vozes mandonas e disciplinadas - mas abafadas pelas máscaras de proteção - dos militares que orquestravam a chegada daqueles que voltaram da colossal torre alienígena compunham o tema principal de toda a peça.


Seus colegas vestidos com trajes encapsulados seguiram as ordens da voz no megafone, e passaram ao seu lado, em direção à tenda fazendo o plástico laranja farfalhar a cada movimento. Mais pareciam marinheiros com escafandros do que militares do exército dos Estados Unidos.


Mas a doutora não escutava nada daquilo, escutava?


Continuem com as máscaras, até chegarem à sala de equipamento”.


Não… ela não escutava, ao menos não a mesma coisa que todos ali escutavam. Mas não tinha como escapar do peso daquela atmosfera que afogava a todos com uma ansiedade repleta de expectativa e hesitação; ela afetava a todos, mas de diferentes formas. Os soldados sentiam seus corações baterem, mas não era como se estivessem em seus peitos, mas em todos os cantos de seus corpos; sentiam-se como se em breve teriam que pensar uma última vez em suas famílias e irem ao confronto direto com aqueles polvos bizarros. Vez ou outra, verificavam suas mãos, a fim de saber se estavam tremendo, antes de pegarem o fuzil e cumprir seus turnos.


Já a música de Louise era outra, uma mais íntima e melancólica, o tipo de música que não se compartilharia com ninguém. Eram acordes de lembranças perdidas no tempo, memórias que pareciam não ser suas; mas vinham carregadas com tantas emoções, amor, dor, e o sentimento de apego que era ser mãe. Elas vinham como bombas e faziam seu corpo cansar e sua mente tropegar.


Ela parou no meio do caminho para a tenda militar, que então se dividiria em vários pavilhões, inclusive para a ala de descontaminação. Os soldados armados a viram vislumbrar o céu escuro e então parar, descansar o corpo com as mãos apoiadas nos joelhos e respirar fundo. Eles assistiam ela, porém, com um filtro: uma incompreensão arraigada com o medo. Teria ela se infectado? Não, pior, ela e o professor Ian Donnelly haviam conseguido progredir na missão, e isso significava mais atenção àqueles esquisitões da torre flutuante, que só esperavam a humanidade sucumbir à própria irracionalidade.


A doutora também sentiu medo na hora que precisou descansar, mas nem por um momento passou por sua cabeça que poderia estar infectada; e, diferente dos soldados, não era um medo fóbico, era o medo de talvez mergulhar tanto naquele mar de desconhecido e sentir mais daquilo que estava sentindo, porque, lá no fundo, ela sabia que aquelas memórias nunca vividas tinha relação com o contato.


Louise Banks tinha sua visão cegada pelos holofotes, então abaixou seu olhar, acompanhando a envergadura de seu corpo cansado, encarando a grama destrincheirada pelas grosseiras botas, mas não a vendo realmente. Que lembranças eram aquelas? Que sentimento árduo era aquele que sentia por aquela menina… Hannah? O nome veio à tona em sua cabeça, como se tudo fizesse sentido, mas ao mesmo tempo junto também com incapacidade de encontrar palavras para justificar o ponto.


Ela observou Hannah, seus cabelos, de mesma cor que o seu, se dividiam em duas tranças, que caíam em cada um dos ombros pequeninos. A sua filha?! encarava um animal borrado por sua memória, que arriscou supor ser um cavalo. Louise, ou quem quer que fosse, avançou e ficou entre os dois, Hannah e o cavalo, e tentou aproximar a mãozinha da garota até o focinho do bicho, o que rendeu um protesto indefeso e gutural de Hannah.


- Eu sei… shh.


A voz que emanou daquela lembrança era exatamente igual a sua, era ela, não entendia como, mas sentia que era sim. Porém, a dor maior veio quando a noção de que, a provável filha, chamada Hannah, não estava com ela, e nem estaria, de alguma forma, no futuro.


Equipe dois, saia do veículo e prossiga à sala de descontaminação. Não retirem suas máscaras, até chegarem à sala de equipamento”.

9 de Octubre de 2019 a las 17:04 4 Reporte Insertar 1
Fin

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Davi Morais Davi Morais
To um pouco confuso, eu precisaria ter assistido o filme pra entender o contexto? ou pra mim que nunca assistiu eu ainda conseguiria entender a história normalmente?
9 de Octubre de 2019 a las 12:30

  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    Bom, para entender alguns comentários que faço no vídeo, sim, precisaria assistir e recomendo muito. Mas, para comparar o meu texto com a cena que separei, não precisa, até certo ponto. De toda forma, aconselho assistir o filme ou ver uma resenha dele; acho que você gosta de ficção, e cara... assiste este filme, sério kk 9 de Octubre de 2019 a las 12:33
  • Davi Morais Davi Morais
    Eu gosto kkk, na verdade, eu tava procurando esse filme. Os ultimos que eu assisti desse genero foram Interestelar e Aniquilação (Que por sinal me meteu um medo daquela cena bizarra). Vou assistir esse tambem kkk, em todo caso, vou acompanhar a história. 9 de Octubre de 2019 a las 12:34
  • Rodrigo Borges Rodrigo Borges
    Dê uma olhada também na série da Netflix chamada love, Death and Robots, são curtas sobre ficção em temas variados, muito bom. 9 de Octubre de 2019 a las 12:45
~