O Traidor da Zona Verde Seguir historia

karimy Karimy

Há mais de duas décadas, os humanos lutam com todas as suas forças para expulsar os alienígenas tésseros da Terra. Enquanto muitos morrem nas trincheiras, outros têm a vida ceifada por um criminoso violento em uma das maiores e mais movimentadas metrópoles ainda protegidas. O investigador Eduardo Pinheiros está à procura desse serial killer que, ao matar, praticamente transforma as cenas de crime em uma espécie de oferenda aos alienígenas. Como se o misticismo que envolvesse o assassino já não fosse o suficiente, Eduardo desconfia que o Traidor está em busca da única pessoa que sobreviveu a um ataque direto dos tésseros durante a primeira invasão; a capitã Ana Ribeiro, do Esquadrão de Extermínio téssero.


Suspenso/Misterio Sólo para mayores de 18. © Todos os direitos reservados à autora

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Prólogo

Eles acharam que eu tinha sumido para sempre, acreditaram que as três vítimas que fiz há um ano e dois meses foram as únicas infortunadas. Às vezes me pegava imaginando se eles ainda pensavam em mim, se ainda existia algum investigador que deitava a cabeça no travesseiro e perdia horas ou noites de sono especulando por onde eu andaria, se havia morrido, se desisti das minhas investidas ou se só estaria me preparando para algo maior... Mas uma voz se agitava em mim, dizendo-me sem cessar que os detetives já haviam virado a página. No entanto, nem todos esqueceram. Vez ou outra algum jornalista publicava alguma coisa na internet, artigos com títulos em letras garrafais especulando “POR ONDE ANDA O TRAIDOR DA ZONA VERDE?”

Traidor... nunca gostei desse codinome, mas a carapuça serviu de qualquer forma. Diziam que quem calava consentia. Nem sempre era assim, mas não importava. Tomei com orgulho a alcunha a mim dada, pois nome algum mudaria o que sabia ter de fazer, e o dever vinha sempre antes de qualquer coisa, antes mesmo do que a vaidade.

As notícias sobre a guerra deixavam as poucas indagações sobre o paradeiro do Traidor da Zona Verde para trás. As pessoas olhavam para o céu; por cima do ombro, sempre esperando uma tragédia, uma bomba, uma nova invasão, sem nunca pensar que o pesadelo podia estar chegando a passos lentos e despreocupados, com um rosto sóbrio e sorridente, apenas na espera da melhor oportunidade para mostrar que o inferno não estava só nas trincheiras, onde os combatentes humanos lutavam — alguns não tão bravamente quanto se esperava — contra os alienígenas Tésseros.

Um sorriso surgiu em meus lábios enquanto caminhava pela rua suja do Centro Histórico de São Paulo, imaginando a confusão que a Zona Verde se tornaria ao descobrir um corpo mutilado, pensando na reação dos investigadores ao perceberem que a vítima escolhida não parecia ter ligação alguma com as de um ano atrás.

A rua Santo Amaro era uma das mais podres que já vi. O governo não se importou muito em reconstruir alguns locais que sofreram com o primeiro ataque e o Centro Histórico era um desses. Repararam as ruas principais, contudo ainda se podia ver dois prédios com os sinais das queimadas, cheios de marcas de balas de alto calibre, um terreno baldio ainda guardando os esqueletos poeirentos do que um dia foi o prédio que o ocupou e uma cerca de madeira podre e já quase toda arrebentada pelos mendigos.

Moradores de rua me encaravam com olhos brilhantes e gélidos enquanto eu passava, a luz branca e forte dos postes criava sombras em seus rostos chupados pela fome. Havia muitas coisas naqueles olhares; hostilidade, enganação, loucura..., mas eles não me intimidavam; e após alguns segundos, eles viraram o rosto, como se fingissem que não estavam incomodados com minha presença.

Talvez tivessem notado que eu caminhava de mãos dadas com a morte. Depois de matar pela primeira vez, o cheiro dela impregnava em você para sempre e eu o carregava em cada canto do meu corpo, já tão natural a mim que sequer o notava e só em momentos como esse percebia quão laborioso e pesado era andar com demônios em minha sombra.

Não me preocupava com os olhares, não ligava para a possibilidade de entregarem a figura sombria e soturna que caminhava no início da madrugada para os investigadores que aparecessem por aqui durante a manhã. Minha máscara cobria desde meus cabelos ao meu pescoço, o máximo que poderiam especular seria sobre minha altura, cor dos olhos e vestimenta.

Contornei dois homens e uma mulher que discutiam sobre a noite fria que fazia e entrei em um sobrado pintado com tinta verde já desbotada e meio descascada. A mulher gritou alguma coisa com voz esganiçada quando passei, mas ignorei. Seria melhor não tentarem cruzar meu caminho, visto que, no interior da minha alma, já sentia aquele familiar latejar de excitação que fazia minha boca salivar por um bocado de sangue.

Suava por debaixo das roupas e da máscara, minha pele estava quente, mesmo com o vento frio que vinha de fora e adentrava o corredor. Aquele prédio podia ser comparado a um chiqueiro com facilidade. Embalagens recicláveis de papel jogadas ao chão, paredes manchadas com o que apostaria ser urina. O local inteiro fedia a secreções humanas, comida estragada, mofo, bebida e sexo.

Comecei a subir as escadas e meu coração ganhava velocidade nas batidas, sabendo que logo avistaria o alvo, que logo experimentaria o ápice do tamborilar ritmado que podia alcançar em meu peito quando a lâmina afiada cortasse pele, músculos e ossos. Eu já podia ouvir os gritos, imaginar os mendigos correndo à procura de um abrigo seguro até que a polícia chegasse.

O barulho de cochichos e risadas abafadas e esbaforidas chegou aos meus ouvidos. O centro velho de São Paulo estava recheado não apenas de pessoas viciadas, mas também de gente desempregada. Havia em concomitância uma gama de desertores, que se escondiam como podiam para não terem de ir à guerra — ignorando ao máximo sua convocação — e, claro, tinham aqueles que foram dispensados por terem sofrido ferimentos graves demais ou por terem enlouquecido ao olhar para um alienígena téssero.

Virei um corredor e vi um senhor negro, com uma barba emaranhada que alcançava o peito. Ele virou o rosto como fingindo que eu não existisse, e pude ver que, no lugar do braço direito dele, havia apenas um coto. Seria um sobrevivente da guerra enviado para casa ou apenas um infortunado? Não importava. Nada importava além do suave desejo que se expandia dentro de mim e fazia todo o resto desaparecer. Veria minha presa e, ah!... ela gritaria.

O vento gélido soprou com força meu corpo em chamas quando cheguei ao terraço. O local era tão sujo quanto imaginei, com cadeiras e mesas quebradas espalhadas em um canto, matinhos crescendo à beira do parapeito, poças de água e variados cascos de garrafas de bebidas espalhados para todo canto.

Desviei de toda aquela imundície, fazendo o possível para não me sujar. Odiava sujeira, odiava bagunça. Impediam-me de raciocinar de forma lógica e isso me incomodava. Encostei-me no parapeito e tirei a mochila preta de minhas costas; peguei os óculos militar de dentro e o coloquei.

O prédio onde minha presa costumava passar as noites ficava de frente para o que eu estava. Não o vi de imediato, porém, apenas algumas sombras meio iluminadas por luzes de velas passando nas janelas destroçadas do sobrado decrépito.

Esperei com paciência, observando com um quase amor que fez com que eu pensasse em mim, pelo menos por um minuto, tal qual um observador de pássaros ávido pela aparição de um Trinca-Ferro. No entanto, o que procurava não era tão raro e tão difícil de encontrar assim, afinal.

Um velho magrelo e sujo surgiu do lado de um garoto na rua. Ele falava e cambaleava com uma garrafa de cachaça na mão enquanto o rapaz empurrava um carrinho vetusto e torto lotado de parafernálias. Eles pararam por um instante, entrementes pareciam discutir alguma coisa e depois voltaram a caminhar. Observei-os entrar no prédio da frente e pude notar que fizeram um grande esforço para conseguirem passar o carrinho pela porta. Soltei um suspiro trêmulo de pura expectativa.

Guardei meus óculos e olhei para os demais conteúdos da mochila. Tudo o que eu precisava para me prevenir de ter a roupa ensopada pelo sangue quente da minha presa estava ali, assim como minha lâmina, dobrada e bem-guardada em sua caixa de madeira com interior almofadado.

Passei minha mão por cima da caixa. A luva me impedia de senti-la de maneira apropriada, mas nada podia apagar o sentimento avassalador que aquela arma me causava. E já tinha tanto tempo que pensava em usá-la outra vez. Foram tantas noites de planejamento, tantas imaginações e agora colocaria tudo para fora. Não pararia mais como da última vez. Não. Agora minha arma ramak trabalharia de forma incansável até que homens tremessem ao ouvir sobre mim e mulheres fechassem suas janelas, gritando por seus filhos.

Ah, e eles saberiam que eu estava de volta e para ficar. Saberiam, mesmo que sem admitir, que resolvi que passava da hora de liberar todos os demônios que guardei durante esse mais de um ano de afastamento. E que poderiam ser meu próximo alvo.

30 de Septiembre de 2019 a las 19:47 3 Reporte Insertar 3
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Taynã Silva Taynã Silva
Se eu estou mega chocada com esse prólogo? Não, imagina! Hahahaha Achei sua escrita sensacional! Você conseguiu me transportar para a trama, me fazer estar lá, bem do lado do assassino, observando cada passo, cada olhar de puro êxtase que ele tinha.

  • Karimy Karimy
    Oiee! Hahaha Não imagina como fico feliz em saber que gostou! É maravilhoso saber que conseguiu entrar na história. Criar um clímax perfeito pra isso é bastante difícil e fico lisonjeada em saber que consegui. Agradeço de coração os elogios e espero que goste do que está por vir! ❤ 4 days ago
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