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sweet-mary Mary

"Eu não sou normal, acostume-se! Eu não sou, não fui e nunca quero porque ser normal é não ser eu mesma, permitir que ceifem minhas asas e me prendam a correntes enferrujadas de moralismos impostos por cartilhas que como todo o resto só me tolhem. Outras pessoas no mundo também devem se sentir como se estivessem no desvio padrão das coisas."


Historias de vida No para niños menores de 13.

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Ser eu mesma?

Quero ser eu mesma!

Criatura egoísta, a porra do mundo não gira em torno de você.

Tentei ser como os outros.

Por que você não tenta ser você mesma?

Experimenta, meu bem...

Experimenta entender esse caos sem entontecer...

Eu me lanço essa pergunta com a expectativa de colocar a mochila nas costas e sair por aí atrás de uma resposta convincente.

Seria mais ou menos como responder a um questionário para o dever de casa, procurar nas páginas dos livros algumas palavras que convençam os professores de que fiz minha parte e mereço uma nota boa.

Procurar por mim mesma, porém, não se resolve com notas lançadas na média bimestral.

Eu preciso me ler por dentro, mas quem consegue fazer isso quando a alma está atormentada?

Ser a gente mesmo dá um trabalho danado, porque em primeiro lugar, todos os outros já existem e parecem originais, mas só se você olhar de soslaio.

Eles são todos retalhos de autoconfiança, mas eu sou o perigo, eu e a droga do meu egoísmo, a suposta agressividade dos meus versos é a ameaça à paz.

Tudo porque eu não faço de afirmação um ponto final, eu meto um ponto de interrogação.

Ser a gente mesmo é proclamar o rompimento do cordão umbilical com a hipocrisia moral, um investimento como qualquer outro, requer paciência e dedicação, olhar para dentro.

E mergulhar fundo.

Cair em si.

Ser a gente mesmo é não ter vergonha de beijar todas as cicatrizes que a vida vai deixando ao longo do caminho, aprender a chorar baixinho...

Às vezes eu encaro com o ódio o reflexo daquela garota chorando à minha frente no espelho.

Dizem que eu estou perdida, mas ninguém se deu conta de que eu não cuspo no espelho para me atingir, é porque não posso escarrar em cada pessoa infeliz que passou pela minha vida e foi matando a minha espontaneidade até eu me tornar esse poço de rebeldia e insatisfação.

A sensação de inadequação me persegue.

É sempre tarde para mim, mesmo quando os ponteiros do relógio indicam o quanto é cedo.

Não foi o meu quarto que encolheu, fui eu que cresci.

Sei o meu nome e não vejo deslumbre nisso, no mundo sou homônima de milhares de pessoas também, divido meu aniversário com um montão de gente que nunca vou conhecer. Existem meninas muito mais bonitas e inteligentes que devoram dezenas de livros a mais e têm um QI mais elevado.

Não sou excepcional.

E daí?

O que é ser bonito?

Parecer-se com aquela figura exposta na capa da revista?

Possuir determinados atributos físicos pré-estipulados sem que se possa fomentar um questionamento sem ser alcunhada de "invejosa"?

O que é ser inteligente?

Tirar 10 em tudo ou ter coragem de questionar as coisas e admitir o fato de "não saber"?

O que é ser bem-sucedido?

É ter uma mansão, milhões de reais na conta bancária e viver bajulando os outros pra não ser deixado pra trás?

O que é ser normal?

Porque me acusaram de não ser normal e quando eu repliquei, ouvi que era problemática e precisava "me tratar".

Ora! Quem precisa se tratar é você que aponta o dedo sujo pra julgar uma pessoa pela aparência, que mede o comportamento dos outros com a sua régua fétida.

Eu não sou normal, acostume-se!

Eu não sou, não fui e nunca quero porque ser normal é não ser eu mesma, permitir que ceifem minhas asas e me prendam a correntes enferrujadas de moralismos impostos por cartilhas que como todo o resto só me tolhem.

Outras pessoas no mundo também devem se sentir como se estivessem no desvio padrão das coisas.

Eu não sou a maioria em nada.

Essa busca é solitária como eu sempre fui.

Minha sombra é um conforto.

Ela lembra que apesar de o mundo ter acabado com as minhas ilusões, o sol ainda está por aqui.

Nesse mundo não tem saída senão fazer o próprio caminho quando não existe nenhum, porque ninguém vai ficar com dó e carregar a gente no colo.

Vou fugir um pouquinho da norma culta em nome de uma explicação humana para todas as dúvidas que permeiam a natureza do autoconhecimento.
A gente demora uns anos até descobrir o que é ser a gente mesmo de verdade.
Certeza propriamente dita não se tem, mas a gente sabe onde recobrar as forças.

A gente remexe as gavetas interiores pra descobrir onde é que deixou a originalidade.

O mundo bem que tenta sugá-la.

A gente não quer levar nas costas o peso da subversão.

Quero ser eu mesma, por mais que o medo queira aprisionar minha liberdade, porque aceita de verdade estou ciente de nunca serei, e perseguir esse desejo é enlouquecer, dá no mesmo que ficar de joelhos e implorar o amor daquele rapaz que nunca me verá como mulher.

As pessoas são contraditórias, nunca estão satisfeitas, e eu não estive satisfeita quando tentei ser aquilo que queriam de mim.

Ainda querem.

Mas eu saí desse jogo, eu não nasci para ser produção em série.

Não sou um produto em termo de descarte, ninguém vai me contaminar com a cartilha deturpada de boa menina.

Eu não sou uma boa menina.

Eu quero ser eu mesma.

EU MESMA.

A plenos pulmões.

Meu mundo é do tamanho do meu quarto.

Mas pode ser maior do que uma agulha.

Meu mundo é dentro da minha cabeça.

Ser a gente mesmo é revirar os padrões do avesso.

Na ausência de um, sê-lo.

Essa é a grande subversão.

Ser o padrão.

Nem que ele mude amanhã ou depois.

Vive o hoje, criatura ansiosa. E seja o melhor que puder ser. Brinque de declamar monólogos funestos, de mergulhar colheradas agridoces de realismo num objetivo só, o ontem é uma porta fechada.

Ninguém volta por inteiro para onde esteve.

Ser a gente mesmo é ir aprendendo com as próprias trombadas de cabeça, é querer aprender sempre, mas nunca achar que sabe tudo.

Talvez eu esteja no caminho... no caminho de descobrir quem eu realmente sou...

12 de Agosto de 2019 a las 01:59 0 Reporte Insertar 1
Continuará…

Conoce al autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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