Um amor, duas versões Seguir historia

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Toda história tem, pelo menos, duas versões. E quando essas versões não são coincidentes? Há sete anos, Liz e David se conheceram em Nova York e descobriram que eram muito mais do que colegas de trabalho. Cada um tem uma versão do que aconteceu entre eles no passado. Em comum, os dois carregavam muitas feridas e sentimentos mal resolvidos, e o orgulho e o medo de se entregarem à paixão que só crescia, os afastou. Quase uma década se passou desde que Liz e David se viram pela última vez. Um relacionamento que não teve um ponto final. Uma história que parecia ter terminado tão abruptamente que nenhum dos dois conseguiu superar. Agora, ambos precisam encarar o que evitavam há anos: o reencontro. Será o momento de acertar as contas? Os erros do passado podem ser perdoados? O mundo enxerga David e Liz como dois jovens ricos, bonitos e bem-sucedidos. E tudo isso é verdade. O que ninguém sabe é que há sete anos, eles se envolveram em uma paixão arrebatadora. Um relacionamento cheio de mal-entendidos, orgulho ferido, tesão e raiva, o que deixou seus corações em pedaços.


Romance Contemporáneo Sólo para mayores de 18.

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Capítulo 1

Liz não podia acreditar no que estava vendo. Sabia que esse reencontro em algum ponto seria inevitável, mas pela descarga elétrica que sentia percorrer seu corpo, claramente não estava preparada para revê-lo. Diante dela, o mesmo David que não via há sete anos. SETE ANOS!


Ele continuava lindo. Usava barba agora. E sim, aqueles olhos azuis dos quais ela se lembrava muito bem. Uma imensidão na qual poderia se afogar. Ele a estava encarando fixamente.


— Olá, Elizabeth! Como vai? — ele disse monotônico, como se tivessem se visto na semana passada.


Ele a chamou de ELIZABETH!!! ELIZABETH!!! Seu tom era frio, formal e polido como o de um chefe recém-chegado deveria ser.


— Estou bem, Dave, obrigada! — Tarde demais ela se tocou de que o havia chamado pelo apelido. Totalmente inadequado. Especialmente quando ele a tratava cheio de formalidades. Agora ele era seu chefe e eles eram praticamente dois estranhos, mesmo depois de tudo…


Lz podia ver que David apertava as próprias mãos com tanta força que as palmas ficaram marcadas com o formato das pontas das unhas. Ele tinha o hábito de fazer isso, já sem perceber, quando estava nervoso. Ele dirigiu-se à Liz como se nada tivesse acontecido, soando o mais impessoal possível.


Desde que o pai morrera, David sabia que assumiria a chefia da Silverstein & Berney´s. E sabia que isso significava o que vinha tentando evitar há quase uma década: encontrar-se com Liz. Viveu e reviveu a cena do reencontro diversas vezes em seus pensamentos. Só que neles, não havia imaginado que ela estaria ainda mais bonita, que seus grandes olhos castanhos estariam ainda mais vivos. Seus cabelos estavam mais curtos, na altura dos ombros, e tinham agora algumas mechas douradas, mescladas ao castanho profundo dos fios naturais.


Os dois conseguiram ser bons parceiros nesse jogo não combinado de gato e rato. Ambos tinham que participar de diferentes eventos da firma. Eles sondavam as pessoas ao redor para descobrir em que eventos o outro estaria. Dessa forma evitaram um reencontro durante todos esses anos. Só que com a posição assumida por ele agora isso era impossível.


Ele estava perto o bastante para notar que o perfume dela ainda continuava o mesmo. Aquele cheiro... quantas lembranças contidas nele. Agora, ele estava ali, parado diante de Liz, tentando não demonstrar nenhuma emoção, nenhum sinal do quanto ela ainda o afetava. Ele apenas queria que ela pensasse que ele era indiferente.


Liz sentia um ar glacial percorrer sua espinha. Era óbvio que David teria que mais cedo ou mais tarde ir ao escritório de Londres. Com a morte de Jeff, ele assumiria o comando. Aquela visita se tornaria frequente. Como sócio majoritário da Silverstein & Berney´s, era parte de suas atribuições reuniões com o braço europeu da firma de advocacia.


Sendo uma das sócias, Liz estava ciente de que teria que participar de muitas reuniões com ele. Mas não estava preparada. Teria que engolir a seco e encarar a situação. Mas não era fácil. Tentava parecer o mais profissional possível, mas estava impressionada pela beleza de David. Em suas lembranças e nas fotos que ainda mantinha, sabia que era um homem bonito. Mas a passagem do tempo foi bastante generosa com ele.


Evitava a troca de olhares diretamente com ele por medo de ser traída pelos próprios pensamentos. Sentia a bochecha esquentar — sabia que isso era sinal de que sua face estava corando — então, decidiu livrar-se da situação da melhor maneira que podia. — Bom, estou trabalhando em um caso importante e preciso dar uma boa olhada em alguns documentos novos que chegaram. Se me dão licença, preciso ir até à minha sala.


— Não impediria por nada nesse mundo o trabalho de uma advogada brilhante. Ainda mais se ela trabalha no meu escritório. — disse David com um sorriso de canto de boca.


Liz ouviu os próprios batimentos cardíacos, que pareciam aumentar com a tensão. Conhecia aquele tom sarcástico, que tanto a irritava. Virou-se, sem responder em direção à sua sala.


A caminhada até o seu escritório, antes tão familiar e menosprezada, pareceu levar uma vida inteira. Fechou a porta e ficou de pé atrás dela, como se tivesse escorando-a. Não conseguia se movimentar. Pensava em tudo e, ao mesmo tempo, em nada. Ele finalmente conseguiu o que tanto desejava: agora era o sócio majoritário. Agora David era o seu chefe. Tremeu ao pensar nisso. Foi precisamente essa busca pela liderança que os afastou. O tom de satisfação dele ao mostrar que era o dono do pedaço, não a assustou, mas a irritou.


David parecia tão intimidado pela simples presença de Liz, que a demarcação de território tornou-se crucial para ele neste momento. Precisava mostrar que estava no controle, ainda que isso não fosse inteiramente verdade. Queria tomá-la em seus braços, mas sabia que não podia. Além de estar ali como o novo chefe, e estavam cercados por outras pessoas, seu orgulho jamais permitiria tal movimento. Ela o havia abandonado. E ninguém abandona David Silverstein!


— Então é ele, não é? Meu Deus, David Silverstein é o cara misterioso de Nova York!!!! — Jen irrompeu na sala, tão indiscreta e barulhenta como sempre.


Liz olhou fixamente para a amiga, tentando escapar de seus enormes olhos azuis e bochechas vermelhas. Queria negar, dizer que, sim, conhecida David, mas ele não era “o cara misterioso de Nova York”, mas não conseguiu. — Sim, é ele. — disse com enorme suspiro.


— Por que você nunca me disse nada? Por que nunca contou que o cara de quem estava fugindo era o filho do Jeff? — quase gritava Jen.


— Na verdade, eu não estava fugindo... bem, isso não vem ao caso. Eu não contei porque achava que não devia explicações, simples assim. — disse Liz em tom ríspido, arqueando as sobrancelhas.


— Ok, desculpe! Não sabia que isso ainda te abalava tanto. Para mim foi perceptível o quão abalada você ficou na presença dele. Mas acho que não precisa se preocupar, creio que os outros não notaram. Mas eu te conheço muito bem, Elizabeth Rogers! — Riu Jen. — Ah, não vou mais falar sobre isso, mas preciso fazer um adendo: que gato! — Saiu correndo da sala como uma criança que acabara de fazer uma estripulia.


Liz riu da amiga. Jen era a pessoa mais espontânea que ela conhecia. Era uma boa e verdadeira amiga, desde que ela chegara a Londres, sem saber nada da cidade e conhecer ninguém. Desde o primeiro dia, Jen, que era gerente administrativa do Silverstein & Berney´s em Londres, fez tudo que estava a seu alcance para tornar a vida de Liz mais confortável. E Liz sentiu-se incrivelmente bem acolhida por aquela inglesa charmosa e falante. Tornaram-se melhores amigas. Foram feitas uma para a outra.


Mas, mesmo com Jen, Liz não conseguia se abrir sobre o “cara misterioso de Nova York”. Logo no início de sua jornada londrina, a amiga quis saber porque Liz havia trocado a Big Apple pela terra da rainha. No começo, Liz quis dizer as frases feitas que se usa em entrevistas de emprego: “vim buscar novos desafios”, “era o momento certo de mudar”. Mas em uma determinada altura, a história da carochinha não convencia mais a esperta britânica. — Bom, tinha um cara. Eu precisava recomeçar. A história é muito complicada, mas eu simplesmente não podia ficar mais em Nova York, tendo que vê-lo todos os dias. Se tornou insustentável. Eu precisava me mudar. — explicava sem maiores detalhes.


Jen é a melhor amiga que Liz poderia ter. Jamais cobrava por mais detalhes sobre a história. Apenas fazia chá à moda britânica para Liz toda vez que ela parecia afundada em suas lembranças. Ouvia o que ela queria compartilhar de bom grado, sem cobranças. Liz sentia-se segura e amada por aquela amiga, que já havia se tornado uma irmã.


O fato é que a vida parecia estar bem encaminhada em Londres, mas agora chegava David e isso bagunçava tudo. Será que ele sabia sobre o seu divórcio? Eram tantas perguntas e tantas inquietações, que ela nem viu a hora passar.


— Vamos almoçar? — Jen convidou depois de ter batido por uns segundos à porta. Era hora do almoço já! Liz estava tão imersa em seus pensamentos que não conseguiu sequer estudar uma página da enorme pilha de papéis que estava em sua mesa.


No almoço, ela permaneceu a maior parte do tempo calada, fazendo acenos de cabeça positivos para Jen, tentando parecer interessada no que a amiga falava. Seus pensamentos estavam longe dali. Precisamente, eles estavam em Nova York, sete anos atrás.

2 de Agosto de 2019 a las 14:01 0 Reporte Insertar 3
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