Ausência Seguir historia

fernando-camargo1554138998 Fernando Camargo

Dois homens conversam na mesa de um bar, um jovem e outro mais velho. O jovem lamenta a ausência do pai durante sua infância e adolescência e a falta de amor.


Cuento Todo público.

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Ausência

Em um bar uma conversa se inicia. Dois homens, um de mais idade e outro mais jovem.

- O que você fez quando soube da morte de seu pai? – Perguntou o homem do outro lado da mesa.

- Não fiz nada, por quê? – Respondeu o jovem vestido elegantemente um terno preto e de chapéu na cabeça.

- Mas como não, ele era teu pai?!

- Sim, mas nunca se importou comigo.

O homem mais velho respirou fundo.

- Mas ele sempre lhe deu tudo, não entendo?!

O jovem colocou a mão no bolso enquanto respondia.

- Sim. Quando criança me encheu de brinquedos, na adolescência pagou meus estudos...

- E agora na fase adulta ele deu a vida por você. – Concluiu o homem.

Um sorriso se abriu no rosto do jovem.

- No entanto tem o principal.

- Principal?

- Amor. Você sabe o que é isso?

A voz do homem era bastante insegura.

- Amor... Bem, amor é quando um homem gosta de uma mulher, ou vice e versa. É isso?

O jovem riu contido.

- É, pode ser. Mas o amor não se restringe a isso apenas. O amor pode ser demonstrado de várias maneiras. Com um bom dia, um sorriso, um abraço. Quando você conta uma história para o seu filho, quando você brinca com seu neto. Existem diversas formas de se demonstrar amor, e esses são só alguns exemplos.

- E seu pai deve ter feito muito dessas coisas com você, não é mesmo?!

O jovem acendeu um cigarro, deu uma baforada e olhou para o teto de estrelas.

- Nunca fez. Ele era um homem ocupado, trabalhava muito.

O homem abaixou a cabeça e por um breve momento olhou para o chão sujo de bitucas de cigarro.

- Então você nunca gostou de seu pai

- Pelo contrário, eu o amava.

- Mas...

- Eu não o culpo pela ausência, pela falta de amor e pelos abraços que eu não recebi. Só não entendo porque ele foi tão distante se ele teve a chance de estar comigo todos os dias.

Os dois se levantaram; o homem mais velho apoiado em uma bengala, o mais novo apoiado na mesa por estar levemente embriagado.

- Você perdoaria seu velho pai? – Perguntou o homem velho tentando esboçar um sorriso.

- Acho que sim. Se ele dissesse que me ama e me desse o abraço mais apertado que ele deu em alguém. – Respondeu o mais novo abrindo os braços.

Com lágrimas nos olhos e a voz fraca o velho disse:

- Esse abraço apertado pode ser dado pelo pai do seu pai?

- Pode vô. É claro que pode.

No mesmo instante em que os dois se abraçaram tudo se transformou. O amor que o homem mais jovem não teve do pai estava sendo trocado pelo amor simples, puro e singelo do avô.

- Não se preocupe garoto, se teu pai não te amou como você gostaria, tenha certeza de que o velho aqui vai lhe dar em dobro, pode apostar.

E lá se foram os dois, de braços dados e de corações abertos.

30 de Junio de 2019 a las 01:54 0 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Fernando Camargo Escrevo desde os oito anos de idade, culpa da professora de português. De tanto gostar de fazer isso (escrever), resolvi estudar jornalismo. Formado, atualmente eu passo meus dias a criar personagens e novas histórias.

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