Adeus, mamãe Seguir historia

fernando-camargo1554138998 Fernando Camargo

Uma família se despedindo de uma mãe que desistiu da vida depois da morte do marido.


Cuento Todo público.

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Adeus, mamãe

Meti meus dedos em seus cabelos, tão poucos e fracos, e segurei em sua mão; tão frágil e quase sem vida, você estava indo. De camisola, deitada na cama me olhou, com seus olhos fraquinhos que forçavam apenas para ver os rostos magros de seus familiares. Seus braços outrora fortes capinavam o mato que crescia teimoso em volta da cerca, e suas pernas faziam você correr atrás da gente e das galinhas, essas que eram servidas em uma panela grande com batatas cortadas e cenouras em rodelas finas.

Mas você estava ali, prostrada, esperando pelo fim. Na cabeceira da cama um retrato da família; papai e mamãe. Você de vestido e ele de calças compridas e uma camisa xadrez, com uma gravata pendurada no pescoço; e nós seus filhos, de calças curtas e descalços, com os pés pisando na terra e com as solas sujas de tanta felicidade.

Estávamos todos lá, com exceção de papai, morto numa emboscada armada por um vizinho sem coração. Mamãe sofreu demais com isso. O barulho dela derrubando a vasilha com milho pras galinhas no chão, somado ao som da queda dela ajoelhada em cima daquele cereal, mais o choro sofrido de alguém que havia acabado de perder o amor de sua vida de uma forma tão bárbara.

Desse dia em diante ela não foi mais a mesma. Alimentava-se com pouca frequência. Por tantas vezes, eu e meus irmãos insistíamos em fazê-la comer, mas ela não queria. Preferia ficar sentada e muitas das vezes deitada, metida em sua camisola azul com babados costurados no pescoço do que sentar-se à mesa conosco, com seus seis filhos.

As refeições eram tristes e sem fim. Como era duro não ter a senhora com a gente na mesa, de avental na cintura e com a barriga encostada na pia ou no velho fogão a lenha. Poxa mãe, reaja! Não se dê por vencida! Eu sei o quanto que o pai faz falta. Eu penso nele todos os dias e em certos momentos chego a chorar. Meu desejo hoje é um só, ver-te bem, com saúde, rindo e correndo atrás das galinhas, mas você não quer.

E você estava ali, vestida como santa e com os olhos fechados, parecia um anjo que descerá dos céus e retornava para os braços do pai. Você descansou mamãe. Teus dias de sofrimento, sem papai ao teu lado se findam aqui. Nós, seus seis filhos jamais nos esqueceremos de ti. Um beijo.

15 de Junio de 2019 a las 21:38 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Fernando Camargo Escrevo desde os oito anos de idade, culpa da professora de português. De tanto gostar de fazer isso (escrever), resolvi estudar jornalismo. Formado, atualmente eu passo meus dias a criar personagens e novas histórias.

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