S02#19 - TWO PEOPLE – ONE SOUL Seguir historia

lara-one Lara One

Ultimamente nossos agentes têm brigado muito. Mas isso foi só pra apimentar a temporada. O que fariam se ficassem um final de semana sozinhos, sem ninguém pra atrapalhar, sem nenhuma investigação? O que eles têm pra dizer um ao outro? Afinal, mal conseguem ficar sozinhos pra conversarem. O que conversariam?


Fanfiction Series/Doramas/Novelas Sólo para mayores de 21 (adultos).

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S02#19 - TWO PEOPLE – ONE SOUL

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Estrada 45 – Lago Champlain – Maine

Sexta- feira – 5:38 P.M.

[Som: The Dust Brothers – The X-Files Theme (Remix)]

Mulder dirige o carro às pressas pela estrada de chão. Poeira pra todo o lado. Scully ao lado dele, assustada. Mulder pára o carro bruscamente. Desce às pressas e abre um enorme portão onde está escrito: “Não ultrapasse”. Scully toma a direção e guia o carro, passando pelo portão. Mulder caminha até a estrada. Olha para os dois lados. Não há carro algum. Mulder fecha o portão apressadamente. Entra no lado do carona. Scully acelera, fazendo mais poeira.

A pequena estrada de terra, cercada de árvores, parece um caminho que leva ao nada. Os dois continuam em silêncio. Mulder está nervoso. Scully tensa. Ao fundo da estrada percebe-se uma cabana, com um lago. Scully freia o carro bruscamente, na frente da casa. Os dois descem do carro, como se fugissem de alguma coisa, correndo até a varanda. Mulder tira uma chave do bolso e abre a porta. Os dois entram apressados. Mulder fecha a porta. Os dois ficam escorados com as costas na porta, ofegantes.

MULDER: - (INCRÉDULO) Scully... Escapamos!

SCULLY: - ... (RESPIRA FUNDO)

MULDER: - Scully, você tá bem?

SCULLY: - Tô...

MULDER: - Acho que conseguimos.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Tem certeza, Mulder?

MULDER: - Você viu, eu não tirei o pé do acelerador... Eu... Nós fugimos deles, Scully... Não vão nos pegar...

Mulder puxa o celular. Desliga-o. Scully começa a rir.

MULDER: - Você tá achando isso engraçado... Desligou seu celular?

SCULLY: - Sim.

Os dois cansados. Ao mesmo tempo escorregam seus corpos pela porta até caírem sentados no chão. Mulder olha pra Scully. Segura na mão dela.

MULDER: - Fugimos de todo mundo, Scully... Enfim, sós!

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ DENTRO DE NÓS DOIS


BLOCO 1:

6:27 P.M.

Scully, sem sapatos, anda pelo quarto. Mulder está atirado na cama, vestido apenas com as calças. Scully mexe a cabeça de um lado para outro, tentando relaxar. Mulder olha pra ela.

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Tô dodóizinho...

MULDER: - Quer que eu faça uma massagem?

Scully atira-se na cama, caindo nos braços dele.

SCULLY: - Que semana agitada! Eu tô tensa, caída, cansada...

Mulder massageia o pescoço de Scully com uma das mãos.

SCULLY: - Hum... Acho que mereço isso...

Mulder senta-se na cama.

MULDER: - Vai, se é pra fazer tem que ser bem feito.

Scully desabotoa a blusa e deita-se de bruços. Mulder vai pro banheiro.

MULDER: - Onde você colocou minha mochila?

SCULLY: - No sofá! O que quer?

Mulder vai pra sala, falando com ela.

MULDER: - Tenho um ótima pomada pra dores musculares...

SCULLY: - Desde quando carrega pomadas pra dores musculares?

Mulder entra no quarto.

MULDER: - Meu médico me receitou. Estou sempre com dor no corpo. Tensão nervosa. Estresse do trabalho...

SCULLY: - Ei, pensei que eu fosse sua médica!

MULDER: - Deita aí, Scully. Vou fazer você relaxar.

SCULLY: - Mulder... (DEBOCHADA) Tem certeza de que é pomada pra dores musculares?

MULDER: - (RINDO) Scully, confia em mim, tá certo?

Scully vira-se de bruços na cama. Mulder fica por cima dela, massageando-lhe os ombros.

SCULLY: - Hum... Isso é muito bom... Relaxa...

MULDER: - Tudo o que eu faço é muito bom. Eu sou muito bom em tudo, Scully. Admita.

SCULLY: - Você é muito convencido, Mulder... Ai! ... Aí tá doendo.

MULDER: - Também pudera! Você não têm músculos, tem caroços pelas costas!

SCULLY: - ... (PREOCUPADA) Mulder, não tem telefone nessa cabana? Qualquer coisa que nos aproxime da civilização?

MULDER: - Não. Só a TV. Os vizinhos mais próximos são uma tribo de índios, do outro lado do lago. Sem computador, sem celular, sem Skinner e reuniões chatas, sem sogra, sobrinho, cunhados, peixes e gatos. Sem discos voadores, conspirações... Nada.

SCULLY: - Não deveríamos ter ido ao encontro anual de agentes?

MULDER: - Não. Vamos alegar que nos perdemos.

SCULLY: - De quem é essa casa, Mulder?

MULDER: - Não sei. Aluguei pela imobiliária, sem nenhum mediador, pra ninguém saber onde estamos. Quem nos procuraria no Maine, Scully?

SCULLY: - Mulder, você me sequestrou?

MULDER: - Boa ideia. Vou pegar uma mordaça e algemas.

Mulder sai de cima dela. Deita-se na cama. Scully bate com o travesseiro nele.

SCULLY: - Pervertido, asqueroso, tarado! Sou uma menina de família, sabia? Uma garota católica, criada com moralidade. Tenho uma reputação, Mulder. Tenho que honrar o nome da minha família.

MULDER: - Tudo bem, Scully. Vou desonrar você aos pouquinhos, até não sobrar nada. Não tenho pressa.

SCULLY: - Que tal começar me desonrando no chuveiro? Tô precisando de um banho bem quentinho pra relaxar...

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, Scully. Eu não tenho pressa, já disse. Vá tomar seu banho, bem tranquila, depois vá dormir um pouquinho, contando raposinhas até pegar no sono. Quando dormir, eu sei como te acordar.

SCULLY: - Mulder, que garotinho mais malvado!

MULDER: - Posso ser infantil às vezes, Scully, mas de garotinho aqui não tem nada.

SCULLY: - (EMPOLGADA) Nossa! Acho que vou tomar um banho e ir dormir de uma vez!

MULDER: - Vai. Vou aproveitar e guardar nossas coisas que estão atiradas por aí.

SCULLY: - Não guarde minhas lingeries, Mulder.

MULDER: - Como se fosse precisar delas. Mulheres! Carregam tanta coisa inútil quando viajam!


6:59 P.M.

[Som: George Benson – In your eyes]

Scully deita-se na cama, de camisola. Puxa o edredom. Mulder assiste TV.

SCULLY: - Mulder, pode trocar o lado da cama comigo?

MULDER: - Não sabia que tinha um lado da cama preferido.

SCULLY: - Não, é que eu tô com dor no pescoço, desse lado...

Mulder troca de lado com Scully. Scully começa a se revirar por baixo do edredom. Mulder fica olhando pra ela, curioso. Scully atira a camisola contra a parede. Vai se chegando, colocando a perna por cima de Mulder, a mão em seu peito e deitando a cabeça em seu ombro. Aconchega-se nele.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, agora sei porque tem andado com dores no pescoço!

SCULLY: - É que eu gosto de dormir assim. Tá friozinho!

Mulder a abraça. Scully fecha os olhos.

SCULLY: - Me acorda daqui a algumas horas?

MULDER: - Não se preocupe com isso, Scully. Não vai dormir por muito tempo.

SCULLY: - (RI) ... O que está assistindo?

MULDER: - Um documentário sobre a Amazônia.

SCULLY: - Gosto de dormir ouvindo documentários na TV... Hum, tá gostoso ficar assim... Mulder, tem certeza de que ninguém sabe onde estamos?

MULDER: - Absoluta. Se alguém aparecer por aqui, juro que vou atirar. Estou de mal humor. Estou cansado dessa chatice. Da última vez que tentamos isso, você foi sequestrada e eu descobri que aquele imbecil era meu pai. Ah, eu não quero falar de nada disso hoje.

SCULLY: - Nem de discos voadores?

MULDER: - Nem de discos voadores.

SCULLY: - Mulder, você está bem? É você mesmo?

MULDER: - Sou. Sou eu mesmo. Meu lado romântico reprimido está se manifestando. Ah, Scully, que gente chata! Esses celulares sempre tocam, nos chamam no Sábado, no Domingo... Eu tenho uma vida agora, será que não sabem disso? Me esqueçam!

SCULLY: - (SURPRESA) Nossa! Mulder, está brincando de casinha?

MULDER: - Tô. É a melhor brincadeira que já conheci. Agora feche os olhos e durma. (DEBOCHADO) Quero você bem descansadinha...

Scully tenta dormir. Silêncio de instantes. Mulder olha pra ela. Abre a boca pra falar mais desiste. Fica indeciso. Mas não consegue segurar a pergunta.

MULDER: - Scully... tem certeza de que não quer se casar?

SCULLY: - (ABRE OS OLHOS ASSUSTADA)

MULDER: - (MEIGO) Pode parecer doidice, porque eu não sou assim, eu... eu quero.

SCULLY: - ??? Boa noite!

Scully fecha os olhos. Mulder sorri.

MULDER: - (INSTIGANDO) Nossa! Fica falando que eu não quero ter filhos, mas casar, que é o primeiro passo...

SCULLY: - ...

MULDER: - É, isso conclui a teoria de que as fêmeas humanas são promíscuas. Elas escolhem o melhor gene pra pai e o melhor otário pra marido. Pelo menos sei que não sou otário.

SCULLY: - Mulder, eu quero me casar, mas ainda é cedo.

MULDER: - E pra ter filhos?

SCULLY: - ... Encerre o assunto.

MULDER: - Aposto que você tem medo.

SCULLY: - Medo? Medo do quê?

MULDER: - De que eu vá rir quando disser que quer entrar numa igreja vestida de branco, como uma noiva tradicional.

SCULLY: - ...

MULDER: - Eu faço tudo por você, Scully. Quem já enfrentou alienígenas enfrenta padres e igrejas.

SCULLY: - Tô com sono, me deixa dormir. Vá prestar atenção no mico leão dourado.

MULDER: - Prefiro prestar atenção na minha gatinha ruiva.

SCULLY: - ...

MULDER: - Tá, vou ficar quieto.

SCULLY: - (DE OLHOS FECHADOS) ... Se esqueceu do FBI?

MULDER: - O que tem o FBI? Vão anular o nosso casamento? Eles não querem é galinhagem ali dentro. O máximo que pode acontecer é nos separarem pra ‘não afetar as investigações’.

SCULLY: - E não acha isso terrível?

MULDER: - Não. Você vai pra Quântico. Eu fico.

SCULLY: - (ABRE OS OLHOS/ IRRITADA) Mulder, você é um demônio! Já pensou que posso gostar dos Arquivos X e que morreria longe deles?

MULDER: - Tá, então a gente continua fugindo pro Maine até se aposentar. Eu não ligo. Gosto de aventuras mesmo.

SCULLY: - E se eu quero me casar com outro homem? Já pensou nisso? Posso não levar você a sério, sabia?

MULDER: - Eu posso ser um ótimo amante.

SCULLY: - Convencido!

Mulder fica rindo. Scully faz beiço e fecha os olhos.


7:21 P.M.

Scully acorda-se ouvindo tiros. Mulder assiste um faroeste. Scully fecha os olhos e dorme novamente. Mulder a abraça fortemente.

MULDER: - Adoro John Wayne... Não gosta?

SCULLY: - Zzzzz...

MULDER: - Scully, sabia que você é a criatura mais bonita da face da Terra?

SCULLY: - ...

MULDER: - (DEBOCHADO) Depois não me culpe por não ser romântico. Quando falo as coisas, você nunca escuta. Está ‘ocupada demais’ pra ouvir...

SCULLY: - ...

MULDER: - Sabia que eu daria a minha vida por você? Sabia que eu tenho a certeza absoluta que vou morrer do teu lado?

SCULLY: - ... (DE OLHOS FECHADOS, DÁ UM SORRISO)

MULDER: - Eu sou doido, completamente doido por você. Nós nascemos um pro outro, Scully. Só que temos tanta coisa pra resolver. Nossa culpa, porque somos metidos a altruístas.

SCULLY: - ...

MULDER: - Eu... (TRISTE) Não sei porque você se importa comigo, porque foi gostar logo de mim. De todas as pessoas nesse mundo, por que eu? ... Eu... eu não mereço nem o seu olhar! ... Mas eu quero te dizer que você me tornou humano. Você me faz feliz... E se tenho a sorte de ter você, vou fazer de tudo pra zelar por isso... Me perdoa pelas dores que te causei... Pela minha insensibilidade. Eu sei que você é a dama e eu sou o vagabundo. Eu sei o meu lugar. Mas eu te amo.

SCULLY: - Também te amo, Mulder.

Mulder fecha os olhos. Disfarça. Scully ri.

SCULLY: - Pensou que eu estava dormindo, né?

MULDER: - Sujeira, Scully.

SCULLY: - Não tem coragem de dizer coisas bonitas quando estou olhando pra você?

MULDER: - ... Não sou bom com essas coisas.

SCULLY: - (FECHA OS OLHOS) Discordo.

MULDER: - Não sou humano, todo mundo diz isso. Sou frio, insensível e egoísta.

SCULLY: - Continuo discordando. Mulder, eu sei quem você é.

MULDER: - ... Isso me dá medo. Me dá medo depender tanto de você e que você me conheça tão profundamente.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - Porque se te perder eu vou enlouquecer.

SCULLY: - Mulder, você é romântico. Sinto lhe dizer isso, senhor Estranho: seu lado de pessoa normal aflorou, sabia?

MULDER: - Culpa sua! Não podia me deixar quieto? Tinha que aparecer naquele porão? Droga! O que estou fazendo aqui ao invés de estar num carro por aí caçando discos voadores?

Scully aconchega-se nele. Mulder afaga os cabelos dela, ternamente. Scully fecha os olhos.


8:39 P.M.

[Som: George Benson – In your eyes]

Scully continua dormindo. Mulder assiste TV, enquanto come sementes de girassol. Mas ele não consegue se concentrar. Divide sua atenção entre a tela e sua parceira. Fecha os olhos. Sente os seios dela contra seu corpo e isso o enlouquece. Scully revira-se na cama, ficando de costas pra Mulder, cabelos desgrenhados, deixando o edredom descer mais por seu corpo. Mulder continua a observando, a admirando. A respiração dela faz com que o edredom suba e desça tocando-lhe os mamilos. Mulder larga as sementes de girassol na cômoda e vira-se pra Scully. Apóia o cotovelo sobre o travesseiro, a cabeça na mão, admirando-a apaixonado. Afasta os cabelos dela que estão por sobre o rosto.

Scully vira-se, procurando o corpo de Mulder e o abraça, ainda dormindo. Mulder deita-se no travesseiro e admira aquele rosto meigo. Scully abre os olhos, ainda sonolenta. Dá um sorriso tímido. Mulder retribui o sorriso. Por instantes eles ficam ali, se olhando, um nos olhos do outro, sem dizer nada. Mulder novamente afasta os cabelos que cobrem o rosto de Scully. Beija-lhe a testa, com carinho. Segura o rosto dela e beija-lhe os lábios. Scully retribui o beijo lento, apaixonado. Mulder vai se perdendo por entre aqueles cabelos ruivos, beijando o pescoço de Scully, que fecha os olhos, enlaçando os dedos nos cabelos do parceiro, o guiando pra cima de seu corpo. Mulder desce suas mãos, deslizando-as ao redor do corpo de Scully, como se estudasse as formas de uma escultura: cintura, quadris, coxas.

Scully envolve Mulder em seus braços. A respiração deles fica tensa. Mulder continua deslizando as mãos pelo corpo de Scully, acariciando-a sem pressa: seios, pescoço, rosto. Mulder procura com seus lábios os lábios de Scully, agarrando-lhe os cabelos, trocando um beijo desesperado. Desce sua língua pelo queixo e pescoço dela, distribuindo beijos. Scully inclina-se pra trás, entregando-se.

Mulder segura o seio de Scully delicadamente e aproxima seus lábios. Contorna o mamilo com sua língua. Morde-o delicadamente. Scully revira-se na cama, agarrando o travesseiro com uma das mãos e com a outra, os cabelos dele. Mulder suga o mamilo dela enquanto desliza sua outra mão para o rosto de Scully, que beija-lhe a mão, chupando o polegar dele. Mulder brinca com sua boca nos seios de Scully e ela se contorce na cama, gemendo baixinho. Suavemente, Mulder desliza a mão pra baixo do edredom. Scully fecha os olhos, mordendo os lábios, sentindo a mão dele tocando em partes bem sensíveis. Scully continua se contorcendo na cama, gemendo, virando a cabeça de um lado pra outro, agarrando o travesseiro, agora com as duas mãos.

Scully enlouquece de prazer, e Mulder continua a deixando louca. Desce pra baixo do edredom enquanto beija o corpo dela. Scully sente a boca e a respiração quente de Mulder, descendo por seu corpo. Enlaça os dedos nos cabelos dele, guiando-o pra baixo. Fecha os olhos, contorce o corpo de prazer, ao sentir os lábios e a língua descobrindo seus pontos vulneráveis de mulher. Por momentos ela geme, agarra-se aos cabelos dele, até implorar pra ele parar.

Mulder sobe pelo corpo de Scully, beijando-a e acariciando-a. Scully envolve os braços em Mulder, enquanto sente os lábios dele em seu pescoço. Revira os cabelos de Mulder, desejando-o cada vez mais. Mulder murmura coisas no ouvido dela, enquanto morde sua orelha, descendo até seu pescoço. Scully sussurra implorando alguma coisa. Morde os lábios sentindo-o entrar delicadamente em seu corpo. Scully geme. Procura as grades da cama com as mãos, mas Mulder sobe as mãos pelos braços dela, acariciando-os suavemente, até enlaçarem seus dedos. Scully sente o corpo de Mulder mover-se contra o seu, ela mal respira, move seu corpo contra o dele também. Sente a respiração de Mulder, quente e pausada em seu pescoço, murmurando ‘eu te amo’. Scully agarra as mãos dele com mais força.

Os dois sentem a energia um do outro como se fossem apenas um único ser. Scully solta as mãos de Mulder e agarra as grades da cama, contorcendo-se, sentindo dor e prazer. Scully começa a gemer, a murmurar, sentindo Mulder dentro de seu corpo. O vai e vem do corpo dele, sua boca mordendo-lhe os mamilos endurecidos. Scully entra em êxtase completo. Mulder murmura algo, enlouquecido. Scully solta as grades e o agarra pelo bumbum, puxando-o mais para dentro de seu corpo. Mulder solta um gemido, move seu corpo com mais força.

Scully sente sua respiração ofegante, seu coração batendo descompassadamente. Agarra Mulder com mais força, gemendo mais alto. Mulder ergue o corpo de Scully com as mãos, enlouquecido de prazer, completamente fora de si. Agora é Mulder quem entra em êxtase total, gemendo. Scully inclina-se pra trás. Mulder a segura nos braços, até que sente suas forças se esgotarem. Deita Scully no colchão, e cansado, desfalece nos braços dela.

Scully afaga os cabelos de Mulder e o envolve com carinho nos braços. Mulder mal respira, de olhos fechados. Sai de cima do corpo de Scully, deita-se e a puxa, envolvendo-a em seus braços. Scully deita a cabeça no peito de Mulder ouvindo o coração descompassado e a respiração ofegante do parceiro. Mulder afaga os cabelos de Scully com ternura. Scully acaricia o peito de Mulder, carinhosamente. Os dois ainda sentem seus corpos tremerem. Mulder fecha os olhos. Scully perde seu olhar ao longe.

SCULLY: - Por que isso é mágico, é diferente quando envolve amor?

Mulder abre os olhos. Ergue a cabeça e beija os cabelos de Scully, mantendo a parceira entre seus braços.

MULDER: - Tenho uma teoria. Mas acho melhor não falar. Não é científica e vou estragar o clima.

SCULLY: - (SORRI) Quero ouvir. É sobre física?

MULDER: - Não. O meu corpo sobre o teu desafia as leis da Física.

SCULLY: - (SORRI) Fala, Mulder.

MULDER: - Todo o ser humano é composto de matéria e energia, que movimenta essa matéria. Energia, espírito ou alma, como quiser. Sentimentos envolvem o espírito, não só a matéria. Por isso é diferente. Nossa energia se une numa só. Nosso espírito se encontra, porque há algo espiritual ali, não apenas físico. Envolve prazer, mas envolve sentimento também.

SCULLY: - ... Vou aceitar essa teoria, porque amor não se pode provar, é pra ser sentido.

MULDER: - (SORRI) Pelo menos concordamos em algum momento...


8:17 A.M.

Scully acorda-se. Mulder não está na cama. Scully senta-se na cama, nua, colocando os cabelos pra trás das orelhas. Sorri. Vê uma bandeja de café da manhã, uma rosa e um bilhete.

Scully levanta-se, veste um robe. Pega o bilhete e a rosa. Abre o bilhete, onde está escrito: “Se sentir minha falta, olhe pela janela”.

Scully fecha o bilhete com um sorriso e o coloca de volta na bandeja. Aproxima-se da janela, enquanto leva a rosa de encontro ao nariz, aspirando o perfume. Abre as cortinas. Ergue as sobrancelhas, curiosa. Abre um sorriso iluminado.


BLOCO 2:

Scully caminha pela varanda dos fundos, em direção à plataforma de pesca, segurando a rosa na mão. Mulder está sentado, pescando, de bermuda e camiseta, com um boné na cabeça. Scully aproxima-se.

SCULLY: - (SORRINDO) Desde quando sabe pescar, Mulder?

MULDER: - Tô aprendendo. Quer peixinho?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Não. Já fisguei um peixão e nem precisei de anzol.

MULDER: - (DEBOCHADO) Quando se usa uma boa isca, Scully, nem precisa de anzol. Os peixes saltam no seu colo... Coincidência, eu também consegui agarrar uma sereia...

Scully sorri. Senta-se ao lado de Mulder.

SCULLY: - Já pegou alguma coisa?

MULDER: - Uma bota, uma lata enferrujada... Agora tô tentando um pneu. Mas tem que ser um pneu de caminhão.

Scully sorri. Aproxima a rosa do nariz. Sente o perfume, fechando os olhos.

SCULLY: - Que paz, Mulder! Isso aqui parece um sonho. Não quero acordar mais.

MULDER: - Sabe, Scully, eu gosto de viver assim. Mas confesso, no primeiro dia é aquela coisa maravilhosa: passarinhos cantando, ar puro... No sexto dia você já está atirando pedra nos passarinhos barulhentos. Por fim, se pega correndo atrás de um ônibus na estrada, como um desesperado, tentando cheirar o cano da descarga e gritando: Poluição pelo amor de Deus!

Scully ri.

SCULLY: - ... Sobre ontem à noite...

MULDER: - ...

SCULLY: - (RINDO) Você tá ficando bom nisso, Mulder...

Mulder abaixa a cabeça timidamente. Scully dá um beijo no rosto dele. Deita a cabeça no ombro de Mulder.

MULDER: - Quer aprender a pescar?

SCULLY: - Hum... Quero!

Os dois levantam-se. Mulder ajeita a aba do boné pra trás da cabeça.

MULDER: - Primeira lição: Respire fundo... Inspire esse ar maravilhoso.

Scully fecha os olhos e inspira, enquanto Mulder enrola a linha na carretilha.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tá. Agora... Isso daqui é uma vara de pescar, aquilo ali é um lago e peixes estão ali dentro.

Scully olha debochada pra Mulder.

SCULLY: - Sério? Tem peixes ali dentro? Puxa, nunca imaginei que peixes gostavam de água!

MULDER: - (DEBOCHADO) Gostam... E como gostam! E passarinhos voam, sabia, Scully? Vaquinhas pastam, abelhinhas fazem mel e raposinhas adoram fazer amor.

Scully empurra Mulder, que dá um sorriso.

SCULLY: - Bobo! Mulder, você é um bobo! Pára!

Scully começa a rir. Mulder olha pra ela, sorrindo.

MULDER: - (CURIOSO) O que foi?

SCULLY: - Mulder, você me faz rir.

MULDER: - Isso é ruim?

SCULLY: - Não... Toda a mulher gosta de um homem que a faça rir. Essa é uma qualidade sua, Mulder, que eu admiro muito.

MULDER: - ... Sabe por que fico me fazendo de palhaço?

SCULLY: - Não.

MULDER: - Por que eu adoro a sua risada. Devia rir mais vezes, sabia?

SCULLY: - Hum...

MULDER: - Tá, vamos a lição.

Mulder coloca-se atrás de Scully. Entrega a vara de pescar. Fica sério e compenetrado.

MULDER: - Muito bem, Scully. Segure a... (COMEÇA A RIR) ... Vara.

Scully tem um daqueles ataques de riso. Mulder abaixa a cabeça, balançando-a, rindo também.

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, isso é sério. Pescar é um esporte. Segure a varinha assim, nas suas mãos...

SCULLY: - (CONTINUA RINDO)

MULDER: - Scully, você tem que segurar a vara com firmeza.

SCULLY: - (RI MAIS AINDA)

MULDER: - Ah, Scully... (MEIGO) Segura assim, com jeitinho.

Scully respira fundo, se controlando pra não rir.

SCULLY: - Tá.

Mulder segura as mãos de Scully, que segura a vara de pescar.

MULDER: - Agora você deixa um pouco de linha o suficiente pra jogar na água.

SCULLY: - Tá...

MULDER: - (DEBOCHADO) Segura isso direito, Scully. Ou não vou te ensinar a jogar sinuca.

SCULLY: - (RINDO) ... Tá, e o que eu faço com essa vara agora?

MULDER: - (DEBOCHADO) Vou fingir que não ouvi... Você tem que puxar pra trás e arremessar a linha na água, o mais longe que puder.

SCULLY: - Assim?

Scully puxa a vara pra trás e o anzol quase gruda no cabelo de Mulder. Mulder fica em pânico. Scully ao olhar pra cara do parceiro, começa a rir.

SCULLY: - Ops...

MULDER: - Não, Scully, pra trás é modo de dizer. É assim, você mexe os braços... assim... vira a vara pro lado, impulsiona pra trás, bem alto e agora... joga!

Scully consegue jogar a linha bem longe. Mulder bate palmas.

MULDER: - Muito bem ‘louquinha’, estamos progredindo...

SCULLY: - E agora?

MULDER: - Agora você fica aí segurando a vara e esperando pelo peixe.

SCULLY: - Mulder, você só fica me ensinando essas coisas feias de segurar tacos e varas...

MULDER: - Ah, confessa, Scully, você gosta disso... Segura bem, não solte.

Mulder ajeita o boné na cabeça. Cruza os braços e a encara.

MULDER: - Queria ter um máquina pra tirar uma foto sua desse jeito.

SCULLY: - Em pé segurando uma vara? ... Mulder, tem alguma coisa errada aqui.

MULDER: - Não, Scully, não me venha com monstros da lagoa, sereias... Hoje não.

SCULLY: - Não, acho que tem um peixe.

Mulder fica atrás de Scully e ajuda a segurar a vara de pescar. Encosta o queixo no ombro de Scully e fica observando a linha de pesca.

MULDER: - Sortuda! Não é que tem um peixe beliscando a isca?

SCULLY: - O que eu faço?

MULDER: - Deixa mais um pouquinho... assim... Recolhe um pouco de linha, você tem que brincar com ele, dar a impressão que é uma isca viva.

SCULLY: - Tá... Fico só mexendo com a varinha?

MULDER: - Isso... Ele voltou, viu? Concentração, Scully. Esse é o momento... Você tem que ter calma, paciência... é entre você e aquele peixe... Agora dá um puxãozinho pra trás, pra fisgá-lo... Isso!

SCULLY: - (EMPOLGADA) Ele pegou Mulder! Posso puxar?

MULDER: - Calma, Scully. Não pode puxar isso de qualquer jeito. Tem que ser delicada...

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - Não, ainda não. Deixa ele cansar, e recolha a linha aos poucos.

SCULLY: - Ele vai fugir!

MULDER: - Não, não vai... (MAIS ENCOSTADO NO TRASEIRO DE SCULLY) Recolhe mais um pouquinho, assim... Ele tá brigando, é grande! ... Mais um pouquinho... Tá sentindo, Scully? Ele tá puxando.

SCULLY: - (RINDO) Tô, tô sentindo... E é bem grande mesmo, mas tá morto.

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Eu tô falando sério, Scully. Puxa mais um pouco... Ele tá cansando.

SCULLY: - Mulder isso é entediante!

MULDER: - Calma é a palavra chave... Tá vendo, ele cansou de brigar, agora você pode recolher toda a linha... Isso... Mais um pouquinho... Agora puxa!

Eles puxam e surge um enorme peixe. Scully comemora.

SCULLY: - Uau!!!!!!!!!

MULDER: - Sorte de principiante, Scully. Agora segura o peixe que vou tirá-lo do anzol.

SCULLY: - Ele é escorregadio, Mulder!

MULDER: - Segura o peixe, Scully... Olha como se tira o anzol.

SCULLY: - Tadinho, Mulder! Isso machuca!

MULDER: - Não se preocupe com ele, Dra. Scully. Está bem. Pronto.

Scully segura o peixe com dificuldades, que tenta fugir.

SCULLY: - O que faço agora, Mulder?

MULDER: - Atira ele de volta na água.

SCULLY: - (INCRÉDULA) O quê? Tudo isso pra jogá-lo de volta na água?

MULDER: - Pesca esportiva, Scully.

Mulder tira o peixe das mãos de Scully e o coloca na água. Scully põe as mãos na cintura.

SCULLY: - (INDIGNADA) Isso é bem esporte de homem mesmo! Que coisa mais idiota! Ficar a manhã toda na beira de um lago pra mostrar quem é mais inteligente, se o pescador ou o peixe! Devia é atirar você na água pra pescá-lo!

MULDER: - Ia ser interessante...

Scully olha pra Mulder que está agachado na plataforma, olhando pro lago, distraído. Ela o empurra na água. Mulder cai, mergulhando. Volta à tona, procurando o boné que já está longe. Nada até ele e o pega. Põe na cabeça, virando mais água ainda por sobre os cabelos.

SCULLY: - Mulder, traga meu peixe de volta! Ele era meu, não tinha o direito de jogá-lo na água!

MULDER: - Scully, sua ingrata! Isso aqui tá frio pra caramba! Nunca ouviu falar que não se dá o peixe, se ensina a pescar?

Scully agacha-se na plataforma. Mulder nada até a plataforma. Scully olha pra ele na água. Mulder estende a mão.

MULDER: - Me ajuda.

SCULLY: - Não vou cair nessa, Mulder.

Scully levanta-se. Mulder nada até a beira do lago. Sai da água, todo ensopado, olhando pra Scully com um olhar enigmático. Scully fica rindo. Mulder corre atrás dela. Scully corre desesperada pra dentro da casa, aos gritos.

SCULLY: - Não, Mulder!!!!!!

Scully tenta escapar, mas Mulder é mais rápido. Scully segura-se na porta, mas Mulder a agarra pela cintura e a puxa. Arrasta Scully pra dentro do lago, segurando-a pela cintura.

SCULLY: - (RINDO/ GRITANDO) Não! Mulder, vai molhar o meu robe!

MULDER: - E daí?

SCULLY: - (GRITA) Não! Ai, tá frio! Mulder vou congelar!

Mulder atira Scully na água. Ela cai sentada.

SCULLY: - (BEIÇO) Mulder... Você me molhou!

MULDER: - Bem feito.

Scully puxa Mulder pela perna. Ele tenta se equilibrar, mas cai sentado também. Os dois ficam atirando água e lama um no outro. Mulder segura Scully, que tenta se desvencilhar. Os dois ficam brincando de brigar.


2:11 P.M.

Mulder deitado no sofá, de calças e camiseta. Scully, vestindo as roupas dele: uma camisa social branca e gravata, usando meias soquetes brancas. Está de costas, aninhada nos seus braços de Mulder. Os dois assistem TV, rindo.

MULDER: - Não! Ela não fez isso! (RINDO) Não acredito!

SCULLY: - A Elaine é doida... De quem você mais gosta?

MULDER: - ... Do Kramer com aquela cara de quem fugiu de um sanatório... E você?

SCULLY: - Eu gosto do Jerry Seinfield. Olha, chegou ele... Agora vai dar bolo. Ah, Deus! Como pode alguém chegar na sua casa daquele jeito e ir abrindo a geladeira e se servindo?

MULDER: - Ainda bem que não temos um Kramer como vizinho... Eu não acredito! Sai daí, George!

Os dois começam a rir.

SCULLY: - (RINDO) Ele disse o que eu ouvi?

MULDER: - Esse cara é bom. Ele sabe contar piadas...

Scully levanta-se.

SCULLY: - Hum, vou fazer pipoca. Vai começar um filme daqui à pouco. Se não estou enganada, é policial e chama-se ‘Matadores de Assassinos’. Algo com: agente do FBI investiga a morte de vários assassinos seriais. Mas tem “Alien, a Ressurreição”, no outro canal...

MULDER: - Não, nada de aliens neste final de semana. (DEBOCHADO) Quero ser gente normal até Segunda-feira. Hoje eu quero ver porrada, tiroteio e sangue!

SCULLY: - Nossa! Como você quer ser normal!!!!


2:47 P.M.

Os dois deitados e agarradinhos no sofá. Mulder com a mão sobre a cintura de Scully, pegando as pipocas na tigela sobre o sofá.

SCULLY: - Mulder, esse tal de agente Chandler se parece com você!

MULDER: - Parece nada!

SCULLY: - Sim, ele lembra seus traços... Não, eu não acredito!

Scully começa a rir. Mulder também.

MULDER: - (DEBOCHADO) É, Scully, a arte imita a vida...

SCULLY: - Mas eles são parceiros no FBI! Não podem ir pra cama!

Mulder olha pra Scully, com ar de deboche.

MULDER: - Scully, como você é cínica!

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - Só tem uma coisa errada aí.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - Que gosto estragado esse cara tem! Ela é feia!

SCULLY: - Há gosto pra tudo, Mulder.

MULDER: - Mas essa mulher é muito feia! Nem colocando a bandeira dos Estados Unidos no rosto dela e dizendo que está praticando amor à Pátria!

SCULLY: - Mulder, que maldade! Como você é cruel! Pobre da garota.

MULDER: - É. Ele não tem culpa se não designaram uma gata pra trabalhar com ele.

Scully vira-se pra Mulder. Ele segura a tigela de pipocas no ar.

SCULLY: - E você, também não tem culpa se não designaram uma ‘gata’ pra trabalhar naquele porão?

MULDER: - Não, eu estou feliz com a gatinha que apareceu no meu porão...

Mulder afrouxa a gravata de Scully abrindo mais o colarinho da camisa e beija o pescoço dela. Scully começa a sentir cócegas.

SCULLY: - (RINDO) Pára, Mulder!

MULDER: - Uma gatinha selvagem... Miau....

SCULLY: - (RINDO) Mulder! Vai virar as pipocas! Concentre-se no filme!

MULDER: - Eu não quero me concentrar no filme. Quero me concentrar em outras coisas...

A tigela de pipocas cai no chão. Scully senta-se em cima de Mulder. Mulder ergue os braços, debochado.

MULDER: - Eu me rendo, não atire!

SCULLY: - (RI) Só se fizer aquela carinha de pânico.

MULDER: - (FAZ CARA DE PÂNICO)

SCULLY: - (RINDO) Oh...

MULDER: - Não vou reagir! Não quero lutar! Estou desarmado!

Scully olha pra Mulder, debochada, tirando a gravata e abrindo a camisa.

SCULLY: - (SAFADA) Vou revistá-lo todinho. Acho que tem uma arma por aqui. Bem grande.

MULDER: - Não pode fazer isso! Exijo um policial homem, tenho meus direitos! Vou processá-la por assédio sexual!

SCULLY: - Processe-me, agente Mulder. Processe-me pela minha conduta.

Scully desliza as mãos por sobre as calças de Mulder, acariciando-o. Mulder inclina a cabeça pra trás.

MULDER: - Ah, Deus, acho que tô gostando dessa brincadeira...

Scully levanta a camiseta de Mulder.

SCULLY: - Tira isso, Mulder.

MULDER: - Sim, senhora!

Mulder ergue-se, tira a camiseta. Deita-se. Scully morde a orelha dele, enfiando a língua no ouvido de Mulder.

MULDER: - Scully, isso é perigoso... (ERGUE A CABEÇA OLHANDO PRO MEIO DAS PERNAS) Eu menti, estou armado...

Scully ri. Beija o pescoço de Mulder, deslizando a língua até o ombro dele. Morde-o. Mulder começa a ficar tenso. Scully sorri marota, olhando pra Mulder como garotinha malvada. Desce lambendo o peito de Mulder, beijando e mordendo os mamilos dele delicadamente. Enlaça os dedos nos poucos pêlos de seu peito.

MULDER: - Eu me rendo!

Scully vai descendo, aos beijos, mordidas e lambidas. Mulder fecha os olhos, já respirando com dificuldades.

MULDER: - Scully?

Mulder ergue a cabeça. Scully estende a mão e empurra a cabeça de Mulder pra trás. Desce a mão pelo peito dele até a barriga, arranhando-o com as unhas. Mulder fica sem reagir. Sente um calor brotando da cabeça aos pés.

MULDER: - (OFEGANTE) Scully... eu tô passando mal... Tô ficando nervoso...

SCULLY: - ... (RINDO) Enfarta, desgraçado!

Scully abre as calças de Mulder. Mulder fica arrepiado.

MULDER: - Onde está a menina comportadinha e beata que eu conheci e... Scully, não... (CONSTRANGIDO) Isso não, Scully... Não faz assim... Ah, Scully!

Mulder fecha os olhos. Sente as mãos e a boca de Scully entre suas pernas e isso o deixa enlouquecido. Scully continua a excitá-lo. Mulder respira tenso, mordendo os lábios, soltando gemidos. Scully não pára. Mulder agarra-se no sofá, ofegante, enlouquecido.

Momentos depois, implora pra Scully parar. Scully pára. Senta-se sobre o corpo de Mulder, delicadamente. Mulder sente seu corpo entrando aos poucos no corpo dela. Solta um gemido. Scully movimenta seu corpo sobre o dele, fechando os olhos e acariciando o peito de Mulder com as mãos. Mulder ergue seu corpo, Scully grita. Mulder desce a camisa dela dos ombros, a segura pela cintura, beijando-lhe os ombros e pescoço. Scully inclina a cabeça pra trás, abraçando-o, sentindo o corpo dele movendo-se também contra o dela. Inclina-se pra trás, enquanto Mulder brinca com a boca em seus seios, envolvendo os braços nas costas dela, segurando-a. Scully segura-se nos cabelos dele, gemendo, ofegante.


6:21 P.M.

Mulder, completamente perdido na cozinha, tenta fazer o jantar. Scully aproxima-se comendo um gelado de arroz, sensualmente, o provocando.

SCULLY: - Quer?

MULDER: - Não! Depois fica me culpando se eu perco a razão e sigo meus instintos! Depois eu sou o tarado!

SCULLY: - (RI) ...

MULDER: - Scully, não provoca. Eu fico fora de mim quando olho pra você. Ando justificando a minha fama...

SCULLY: - Que por sinal era só fama.

MULDER: - Scully, não blasfeme.

SCULLY: - ... O que vai sair de bom aí?

Mulder abre o forno e a fumaça invade a cozinha. Fecha o forno.

MULDER: - (PÂNICO) Lasanha queimada?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Ah, minha nossa! Onde foi parar suas aulas com o Jeff Smith?

MULDER: - Scully, de 100 pratos eu erro 99. Aquela Paella foi sorte. Muita sorte.

SCULLY: - Sai da cozinha, Mulder. Isso aqui é meu território! Você é um fracasso!

Scully abre a geladeira.

SCULLY: - Hum... Algum pedido especial?

MULDER: - (FELIZ) Mousse de maracujá?

Scully olha séria pra Mulder. Mulder faz cara de cachorrinho pidão e aproxima-se dela. Ajoelha-se e abraça Scully pela cintura, implorando com os olhos.

MULDER: - Por favor, eu preciso de um mousse de maracujá! Tenha piedade deste pobre mortal, escravo dos seus fetiches, seu humilde servo, sempre disposto a tudo, que obedece suas ordens... Eu juro, extraterrestres não existem! Você está certa!

SCULLY: - (ERGUENDO AS SOBRANCELHAS) Nossa! Que desespero, Mulder! Tá bom, eu vou fazer o mousse.

MULDER: - Eu te amo!

SCULLY: - Tá, mas me solta, eu não posso fazer mousse com você aí, grudado nas minhas pernas.

Mulder enfia a cabeça debaixo da camisa que Scully veste. Scully dá um tapinha nele, rindo.

SCULLY: - Mulder! Sai já daí, seu pervertido!

MULDER: - Não...

SCULLY: - (RINDO) Pára, Mulder! Você não quer um mousse?

MULDER: - Perdi a vontade.

SCULLY: - (RINDO) Mulder!

Mulder a solta. Levanta-se, com um ar de deboche. Scully entrega o gelado de arroz pra ele.

SCULLY: - Coma isso. Vai se sentir mais calmo.

Mulder pega o gelado de arroz.

SCULLY: - Quer que eu faça uma lasanha decente?

MULDER: - Faça o que quiser, estou sem apetite.

SCULLY: - Perdeu a fome?

MULDER: - (DEBOCHADO) Estou com fome de outra coisa.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - Calma, Scully. Estou com fome desse seu sorvete aqui. Como você tem a mente suja! Que coisa feia, Scully!

Scully começa a preparar o jantar. Mulder fica olhando pra ela. Admirando-a. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Seu ‘sorvete’ está derretendo.

MULDER: - (DEBOCHADO) É, em compensação tem algo por aqui que está... Deixa pra lá.

Scully sorri, continua nas suas tarefas, fingindo indiferença. Abre a geladeira, abaixando o corpo, provocando. Mulder, escorado no balcão, inclina a cabeça pro lado, pra olhá-la melhor. Scully fecha a geladeira, abre o armário aéreo, erguendo o braço, o que faz a camisa subir, deixando revelar uma parte do bumbum e da calcinha.

SCULLY: - O que está olhando, Mulder?

Mulder dá uma lambida provocante no sorvete, olhando pra Scully.

MULDER: - Estou admirando você. Não posso fazer isso sempre. Iria levantar suspeitas.

SCULLY: - Hum...

Mulder dá outra lambida no sorvete, olhando debochado pra Scully, que segura o riso.

SCULLY: - Pára, Mulder!

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Você tá fazendo isso de propósito!

MULDER: - (RINDO) Que maldade, Scully! Estou só comendo um sorvetinho... Que mente maliciosa você tem...

SCULLY: - Eu? Eu sou a maliciosa por aqui? Sou eu quem fica dizendo bobagens, é? Lambendo essa coisa aí e ...

MULDER: - Ah, quer saber, não quero mais lamber esse sorvete!

Mulder atira o sorvete no lixo. Agarra Scully por trás.

MULDER: - Quero lamber esse pescoço.

SCULLY: - Ah, Mulder... Não... Sua língua tá gelada!

MULDER: - ...

SCULLY: - Hum... Mulder, pára... Tô ficando arrepiada.

MULDER: - Scully, acho que devia fazer um outro exame. Acho que seu chip deve estar enferrujando de tanto que eu fico babando nele.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, não quer comer lasanha queimada, então sai daqui! Está tirando a minha concentração!

MULDER: - A minha já foi pro espaço!

SCULLY: - Pensando em Ets de novo?

Mulder empurra Scully de bruços por sobre a mesa.

MULDER: - Não, pensando nisso.

Mulder ergue a camisa de Scully, desliza suas mãos pelas costas dela, enquanto a beija.

SCULLY: - Hum, Mulder... Assim não dá! Não posso cozinhar e brincar com você ao mesmo tempo.

MULDER: - Scully, você já assistiu Atração Fatal? A Glenn Close lavava louça com o traseiro enquanto transava com o Michael Douglas na pia!

Scully começa a rir. Mulder afasta-se dela, escora-se no fogão, rindo. Scully sai da mesa, ajeita a roupa e o cabelo.

SCULLY: - Sai daqui! Isso não vai funcionar. Eu não sou a Glenn Close.

MULDER: - (SORRINDO) Graças à Deus, porque eu não trouxe minha bandeira dos Estados Unidos...

Scully atira um pano de louça na cara de Mulder.

SCULLY: - Sai, Mulder! Não ajuda, não estorva!

MULDER: - Tá certo. Posso fazer outra sugestão?

SCULLY: - O que é?

MULDER: - Por que não usa um avental?

SCULLY: - Sei lá.

MULDER: - Mas só o avental! Nada mais que o avental!

Scully atira uma cebola e Mulder sai correndo da cozinha. Scully pega uma panela. Mulder a espia pela porta.

MULDER: - Gostosa!

Scully atira outra cebola e Mulder corre. Scully fica rindo.

SCULLY: - Desgraçado! Eu era uma santa, olha o que me tornei! Eu não era assim, Mulder! ... Quer dizer, eu era. (GRITA) Mas eu não admitia! Sua culpa! Você é o culpado por eu estar aqui só pensando em sexo enquanto deveria estar lendo um livro! Conviver com você me contaminou, seu depravado!

Mulder entra na cozinha, boquiaberto.

MULDER: - Eu? Eu sou culpado? Que culpa eu tenho se você não resiste ao meu charme?

SCULLY: - Ora, seu convencido de uma figa!

MULDER: - Você é que fica aí, se insinuando até com as panelas! Eu não sou louco, nem cego, nem burro!

SCULLY: - Eu era tão comportada... Eu era tão ingênua... O que as pessoas vão pensar de mim se souberem o que eu me tornei?

Mulder escora-se na geladeira. Cruza os braços.

[Som: George Benson – In your eyes]

Mulder fica olhando pra Scully, enquanto ela corta alguns tomates. A admira. Scully ergue a cabeça e olha pra Mulder, curiosa.

SCULLY: - O que foi? Quer aprender a cortar tomates ou está matutando besteiras nessa sua cabeça suja?

MULDER: - (SÉRIO) Sabe o que eu mais admiro em você?

Scully percebe que não é mais uma brincadeira. Fica séria também.

MULDER: - Sabe o que me faz amar você a cada dia mais?

SCULLY: - ...

MULDER: - Não é só porque confio em você. Isso foi o gatilho de tudo. É porque você sabe ser mulher e menina... Você sabe brincar, você tem a malícia e a inocência. Você chora, você ri, mas você nunca cai. E quando cai, pede tão pouco.

SCULLY: - ... (ELA FECHA OS OLHOS)

MULDER: - Porque eu adoro ficar enchendo seus ouvidos de besteiras e você entende! Porque jogamos esse jogo íntimo de sedução, de malícia, de falsas brigas, de moralidades. Porque brincamos um com o outro, como dois adolescentes, como crianças... Mas você sabe quando é a hora de ser adulta. Você não me dá tédio, Scully. Você transforma uma relação em descobertas novas a cada dia... Quer uma definição de mulher perfeita?

SCULLY: - ...

MULDER: - Olhe no espelho e verá o que eu considero a mulher perfeita.

Mulder sai da cozinha. Scully o acompanha com os olhos. Sorri, apaixonada.


BLOCO 3:

8:33 P.M.

Os dois, na varanda dos fundos, sentados à mesa, luz de velas, flores. Scully num vestido branco, passadores nos cabelos. Mulder também arrumado, impecavelmente, num terno. Scully fala, Mulder a admira, escorado com os cotovelos na mesa. Suspirando apaixonado. Scully cala-se. Olha pra lua. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Percebeu que a lua está cheia? Tem lobisomens por aí, Scully.

SCULLY: - Nada de lobisomens nesse final de semana, Mulder.

MULDER: - Conhece aquela do casal, que estava sentado, admirando a lua no primeiro ano em que estavam casados?

SCULLY: - Não.

MULDER: - Ela perguntou porque as nuvens estavam encobrindo a lua. Ele disse que era porque o céu estava com ciúmes do amor deles.

SCULLY: - ... (RI)

MULDER: - Dez anos depois, ela se lembrou daquilo e perguntou de novo. Então ele disse: Ô burra, não tá vendo que vai chover?

SCULLY: - (RINDO) Vai me dizer isso daqui à 10 anos?

MULDER: - Não. Até lá terei piadas novas.

Scully ri. Mulder serve vinho pra ela.

SCULLY: - Hum, eu não vou ficar bêbada hoje. Desista.

MULDER: - Não quero você bêbada. Mas pode falar em diminutivos, eu não me importo.

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - Isso é que é lasanha, Scully. Meus parabéns!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Viu? Sou uma menina prendada. Sei cozinhar, lavar, passar, tomar conta da casa...

MULDER: - A casa pode ficar um chiqueiro, posso trabalhar nu, ficar com fome... Tenho outras coisas pra te ensinar.

SCULLY: - Será? Quem sabe eu tenha coisas pra te ensinar?

Mulder larga os talheres, recosta-se na cadeira e arregala os olhos.

MULDER: - Vamos lá, sou ótimo aluno. Quando começamos a primeira aula?

SCULLY: - Apressadinho...

MULDER: - ... Se continuar a cozinhar desse jeito vou continuar engordando!

SCULLY: - Ótimo. Mulheres não olham pra homens gordos.

MULDER: - Por quê? Preconceito?

SCULLY: - Não. Porque homem gordo é casado. Todo o homem engorda depois do casamento.

MULDER: - Eu sou solteiro.

SCULLY: - (AMEAÇADORA) Não é não.

MULDER: - (PROVOCANDO) Como ‘não sou’?

SCULLY: - (IRRITADA) Você tem dona.

MULDER: - Uau! Onde está a minha coleira? Vai me levar pra fazer xixi nas árvores?

SCULLY: - (RINDO) Você está comigo, Mulder. Portanto isso é uma espécie de casamento, já que não nos desgrudamos mesmo.

MULDER: - (DEBOCHADO) Sim senhora, minha mulher.

SCULLY: - Assim é melhor.

MULDER: - E vale pra você também?

SCULLY: - Claro. ‘Meu marido’.

MULDER: - Ah, tá gostoso brincar de casinha! Confessa!

Mulder bebe um pouco de vinho.

SCULLY: - (SÉRIA) Quero me casar com você, Mulder.

Mulder se engasga. Olha pra ela, sorrindo.

MULDER: - O quê? Scully, tô ficando velho e surdo. Repete.

SCULLY: - (TÍMIDA, ABAIXA A CABEÇA) ... Quero me casar com você.

MULDER: - (ABRINDO UM SORRISO) Não!

Mulder levanta-se da mesa. Olha pro céu, abrindo os braços.

MULDER: - Deus existe! É verdade! Achei uma burra que gosta de mim! Yes! Yes! Yes!

Scully sorri. Mulder aproxima-se dela. Ajoelha-se a seu lado.

MULDER: - Sério?

SCULLY: - (CABISBAIXA, TÍMIDA) Sério.

MULDER: - Com véuzinho e...

SCULLY: - Não.

MULDER: - (INCRÉDULO) Não?

SCULLY: - (CONFUSA) Mulder, estou num momento em que minhas crenças estão abaladas, ok?

MULDER: - ... Scully, estou confuso. Você anda com essa cruz no pescoço e me diz isso?

SCULLY: - Mulder, essa cruz tem dois significados pra mim. Ela representa o meu salvador celeste, que eu nem sei mais quem é... e o meu salvador humano.

Mulder levanta-se. Fica em silêncio. Vira-se pro lago. Segura as lágrimas. O silêncio paira no ar. Até que ele fala.

MULDER: - Scully... Não quero que faça isso por mim, tá legal? Não me deixe com esse sentimento de culpa, de que arrastei você pra minha crença e você abandonou as suas por minha causa.

SCULLY: - Não foi por você, Mulder. Só estou questionando coisas que antes eram tabus na minha vida.

Scully levanta-se. Fica ao lado de Mulder. Os dois de frente para o lago. Sopra uma brisa suave, que faz os cabelos dela voarem para trás. Mulder põe as mãos no bolso e olha pro céu.

MULDER: - ... Diga que não duvida porque eu te induzi à isso.

SCULLY: - (SEGURANDO AS LÁGRIMAS) Eu duvido porque eu vi coisas que me fizeram duvidar. Sabe que não vou mudar meu ponto de vista por causa do seu, Mulder. Nunca fiz, não seria agora que estamos juntos que eu faria isso. Não é concordando com você que vou conquistá-lo. Sabe disso.

MULDER: - ... Scully, e se você estiver certa, duvidando, achando tudo uma loucura...

SCULLY: - E se você estiver certo, acreditando? Mulder, não estou questionando Deus. Minha dúvida não é saber se ele existe, mas sim quem ele é. Ou o quê ele é.

MULDER: - Scully existe uma razão, um sentido. Seria muito frustrante pensar que nascemos, vivemos, morremos e acabamos. Seria sem sentido, não seria científico. Sabemos que nada acaba, tudo se transforma. Se nosso criador é um alienígena, quem é o criador dele? Quem forneceu a matéria prima? Vamos ficar dando voltas é um cálculo infinito.

SCULLY: - Eu sei, Mulder. Posso estar agindo como uma ignorante, mas tenho medo de questionar isso. Nunca questionei Deus, Mulder. E a idéia de questionar certas coisas me assusta. Então prefiro ignorá-las. Mas que droga a Bíblia fazia numa nave extraterrestre?

MULDER: - Scully, conselho de quem há anos se pergunta sobre muita coisa: Não pense demais. Não temos um cérebro que comporte tanto raciocínio. Certas coisas não são para serem descobertas. Supondo que Deus seja um ET, ou vários Ets, qual é o objetivo do criador, Scully?

SCULLY: - ...

MULDER: - Quando você cria algo, qual seu objetivo?

SCULLY: - Provar que aquilo pode ser feito.

MULDER: - E se der certo?

SCULLY: - Observar.

MULDER: - E se realmente der certo? Se essa invenção conseguir pensar? Pode o criador querer que a criatura saiba mais do que ele para superá-lo?

SCULLY: - Logicamente terei que dizer não.

MULDER: - ... Esse é o meu medo.

SCULLY: - Lembra-se de que no Velho Testamento, Deus era um carrasco, que exigia sacrifícios, mandava pragas... Quando Jesus começou a pregar, ele mudou o conceito de Deus: um Deus pai, um Deus de amor, um Deus justo, que não queria sacrifícios... Jesus mudou o conceito de Deus. E Ele era filho de Deus. Disse que também somos. Filho, não é o que é gerado pelos pais?

MULDER: - ...

SCULLY: - ... E todo o pai ama seu filho.

MULDER: - Mas às vezes me questiono, do porquê esses deuses fazem tanto mal, planejam nos escravizar, fazem acordos com homens de poder...

SCULLY: - “Muitos virão em meu nome”. Mas eles não são eu.

Os dois ficam olhando pra lua. Mulder dá a mão pra Scully.

MULDER: - Chega de pensar nisso, Scully. Hoje não. Hoje quero ser um simples mortal, ignorante e cego. Eu não quero filosofia. Eu quero sentir coisas que nunca me dei ao direito de sentir. Eu quero ficar aqui com você, vendo TV, falando besteira, sem fazer nada... Conversando coisas que não conversamos... Eu só quero ser feliz. Só isso.

SCULLY: - (SORRI) Também não quero questionar nada. A não ser o porquê de estarmos vestidos e arrumados desse jeito.

MULDER: - Que dia é hoje?

SCULLY: - Sábado.

MULDER: - Sábado... Sábado é um bom dia pra isso.

SCULLY: - Pra quê? Do que está falando, Mulder?

Mulder tira os sapatos e as meias. Dobra as calças. Caminha até o lago e entra na água.

SCULLY: - Mulder, vai pegar uma pneumonia!

Scully olha pra Mulder. Não resiste e tira os sapatos, correndo pra água.

MULDER: - Talvez, quem sabe, podemos achar o seu peixe.

SCULLY: - (SORRI) Deixa o peixinho em paz, Mulder.

O silêncio só é quebrado pelo barulho dos grilos. Scully ergue a cabeça. Respira fundo. A brisa suave brinca com os cabelos dela. Mulder vira-se pra Scully. A admira. Scully olha pra ele, curiosa.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Você fica tão bonita com o reflexo da lua em seus cabelos.

Scully abaixa a cabeça, timidamente. Mulder segura a mão dela.

MULDER: - Quero viver com você, Scully. Mas ambos sabemos que o caminho que escolhemos não é um caminho de pessoas comuns, e coisas comuns não farão parte da nossa vida. Seria erro se acreditássemos nisso. Podemos ser felizes à nossa maneira e ninguém tem que ficar cobrando nada. As pessoas têm idéias fixas de que amar envolve morar junto, casar da maneira convencional... Não, não significa nada. Há tantas pessoas que se casam, vivem juntas e nem se amam! Você conhece alguém que se casou e é feliz? É bonitinho? Pode ser. Mas não combina com dois caçadores de alienígenas. Talvez combinasse com o ‘Casal 20’.

SCULLY: - ... (RINDO) Tá dizendo que devemos continuar com a nossa vida de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir? Cada um no seu espaço?

MULDER: - Isso te incomoda?

SCULLY: - Sendo racional, Mulder, que diferença faz? Estamos juntos, mesmo não morando um com outro. Você não sai lá de casa, eu não saio da sua casa. Isso já não é um casamento?

MULDER: - (SORRI) Acho que é. Na minha cabeça, eu vivo com você. Tô sempre com você... (RI) Lembra-se na quarta passada quando bateram na porta e eu empurrei você pra dentro do guarda roupa pra te esconder?

SCULLY: - (SORRINDO)

MULDER: - Então você me disse: Mas Mulder, estamos no ‘meu’ apartamento!

SCULLY: - ... (SORRINDO)

MULDER: - Tá vendo? Eu nem sei mais onde moro, pra mim tudo é a mesma coisa.

SCULLY: - ...

MULDER: - Mas se você gosta de rituais...

Mulder fica sério, olhando pra Scully. Ela olha pra ele. Mulder tira uma flor do bolso do paletó. Coloca nos cabelos dela. Scully sorri. Mulder respira fundo.

MULDER: - Ok... Na presença das testemunhas...

Mulder olha pro lados procurando por alguém. Scully começa a rir.

MULDER: - Bem... Na presença da senhora Lua e do senhor lago, estamos aqui para celebrar o casamento de Fox Willian Mulder e Dana Katherine Scully. Oh, chegou mais uma testemunha.

Scully olha pro lado. Há um sapo na beira do lago. Scully começa a rir.

MULDER: - Boa noite, senhor sapo. Tem lugar mais à frente. Bem, dando procedimento... Por favor, peço à noiva que pare de rir. Está atrapalhando a cerimônia.

Scully segura o riso.

MULDER: - Bem... Senhor Mulder, aceita a senhorita Dana Katherine Scully como sua esposa, prometendo amá-la, respeitá-la, na saúde, na doença, na tristeza, na alegria, na presença de alienígenas e criaturas estranhas, em conspirações e sempre buscando a verdade, nada mais do que a verdade? Sim, é claro. Eu aceito.

Scully fica olhando ternamente pra Mulder enquanto ri.

MULDER: - Senhorita Scully, aceita o imprestável, tarado, estranho e alienado Fox Mulder como seu esposo, prometendo... as mesmas coisas, mais a condição de fazer muitos mousses de maracujá?

SCULLY: - (RESPIRA FUNDO/ SÉRIA) Aceito.

MULDER: - Há alguém por aqui que tenha algo contra? Por favor se manifeste.

O sapo coaxa. Os dois viram-se, olhando pro sapo, perplexos.

MULDER: - Você não vale! Você trabalha pro Canceroso. Já o vi ocultando provas. Você não é um sapo. É um alienígena invejoso!

SCULLY: - (RINDO) Mulder, você não existe!

MULDER: - As alianças... (E REVIRA OS BOLSOS) Ah, meu Deus! O noivo esqueceu as alianças. Estão com você, senhor sapo?... Tudo bem, Scully. Não precisamos de alianças.

Mulder coloca a mão no bolso e tira um punhado de sementes de girassol que coloca na mão de Scully. Fecha a mão dela com as suas mãos. Scully olha pra Mulder, a emoção começa a bater. Mulder fica sério. Olha nos olhos dela.

MULDER: - O destino e o que sentimos um pelo outro nos declaram: Marido e mulher!

Scully segura as lágrimas e abraça Mulder, segurando fortemente as sementes em sua mão. Mulder a abraça com força.

MULDER: - Eu amo você, Scully.

Mulder beija-a na testa. Scully chora, recostada no peito dele.

MULDER: - Nada, nem tradição alguma pode provar o que sentimos um pelo outro. É acima disso.

SCULLY: - (CHORANDO) Eu te amo, Mulder...

MULDER: - (TENTANDO ANIMÁ-LA) ... Só não vá atirar as alianças pros peixes... Ah, esqueci do buquê.

Mulder corre até a mesa. Pega as flores e leva pra Scully, que sorri.

MULDER: - Vai, atira o buquê pra trás. Quem pegar vai ser o próximo a casar.

Scully atira as flores pra trás, que caem sobre o sapo. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Sapo sortudo. Aposto que uma princesa vai aparecer por aqui e beijá-lo... Ah, como sou esquecido! Tenho que beijar a noiva.

Mulder aproxima-se de Scully. Segura o rosto de Scully com as mãos e a beija suavemente. Afasta os lábios e olha nos olhos dela.

MULDER: - Agora sim. Ritual completo. Estamos casados.

Scully abraça-se em Mulder. Fecha os olhos. Eles ficam ali, se embalando, na luz da lua, com a brisa soprando e água batendo em seus pés.


10:19 P.M.

Scully está parada, de braços cruzados, olhando pela janela do quarto. Mulder entra no quarto. Aproxima-se. Abraça-a por trás.

MULDER: - Quer conversar?

SCULLY: - Não, estou bem.

MULDER: - Certeza?

SCULLY: - Estava aqui só pensando na vida. No passado.

Mulder apóia a cabeça no ombro dela. Eles ficam se embalando e olhando pela janela.

SCULLY: - Nunca imaginei que conheceria alguém como você. Alguém que me faz rir, me faz sentir bem, me faz louca, tímida, que me irrita, mas que sabe ser tão paciente comigo... Alguém que me respeita, que confia em mim, que nunca, mas nunca mesmo, torna a vida uma rotina.

MULDER: - Isso é mal?

SCULLY: - Não... É muito bom.

MULDER: - Tá, fala mais desse cara aí que te faz isso. O que mais ele faz?

Scully sorri.

SCULLY: - Esse cara me consome, me arrasa, mas ao mesmo tempo amplia meus horizontes... Ele me ensina que a vida é simples, que não há convenção, que não há nada mais importante que ter um objetivo e alguém a seu lado, alguém que segure sua mão e caminhe junto com você... Ele sabe o que dizer e o que fazer na hora certa. Ele sempre quer me agradar, ele chora por mim, mas banca o durão, fingindo que não se importa comigo... Ele não é perfeito. Mas é perfeito pra mim. Está na minha medida de perfeição. Ele é o meu porto seguro. Onde eu esqueço tudo, onde encontro o conforto, a cumplicidade, a mágica da vida.

MULDER: - (DEBOCHADO) Que cara sortudo, Scully!

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - (SÉRIO) Sabe que andei falando com esse cara aí e ele me disse que você é muito mais do que ele merece. Ele se pergunta todos os dias se é digno de ter uma criatura tão meiga, tão singela, tão cúmplice perto dele. Ele não se acha à altura dela, figurativamente...

SCULLY: - (SORRINDO) Hum... Fala mais o que esse cara pensa, Mulder.

MULDER: - Ele acredita que tirou o bilhete premiado da vida. Ele sabe que não é uma pessoa fácil de amar, que tem mais defeitos do que qualidades, sabe que é um estúpido e que se afunda numa jornada onde, quase sempre, coloca sua busca em primeiro lugar. Ele sabe que não diz coisas bonitas pra ela, mas ele quer aprender a dizer isso. Ele quer aprender a amá-la. Ele se pega olhando pra ela, estudando-a... Ele quer saber tudo sobre ela. Porque afinal, ela é a engrenagem que o move. Basta ela dizer: levanta e anda. E ele levanta-se e anda. Quando ele cai, o que acontece muitas vezes, quando ele chora, quando ele pensa que a vida é dura pra ele, ela tá ali, secando as lágrimas dele, estendendo suas mãos, tirando-o da lama... Ela o salvou. Ele estava morrendo, mas viu o brilho da vida naqueles olhos azuis.

Scully vira-se pra Mulder, fazendo um beiço de quem segura o choro.

SCULLY: - (EMOCIONADA) Mulder... Essa foi a coisa mais linda que você já me disse.

MULDER: - Tô melhorando?

Scully fecha os olhos e sorri.

MULDER: - ... É estranho demonstrar sentimentos, Scully... Mas falar essas coisas pra você me fazem bem... sei lá. Fico mais leve, vejo a vida com outros olhos... menos noir...

SCULLY: - Sol e lua. Somos sol e lua.

MULDER: - Eu poderia me transformar também em sol, se você assim quisesse.

SCULLY: - Não existe luz sem trevas, nem terra sem água, nem vida sem morte. Tudo se completa. Sol e lua se completam. Se completam pra ser um só.

MULDER: - ...

SCULLY: - Somos um só. Hoje eu tive a certeza disso. Quando me casei com você. Foi o casamento mais sincero que já vi. Não havia luxo, cerimônia, pessoas da família que você nunca viu antes... Havia apenas nós dois, e acho que somente nós dois podemos entender o significado daquilo. Mais ninguém... Havia força ali. Uma força divina, sem precisar invocar preces. Deus estava ali, Mulder. Porque o meu Deus está onde estão a sinceridade e o amor puro.

MULDER: - Eu... eu tô com medo. Nunca senti isso que você me faz sentir. Parece sorte demais pra um cara como eu.

Scully fica olhando pra Mulder. Sorri. Ergue o corpo na ponta dos pés, apoiando-se nos ombros dele com as mãos. Mulder inclina-se. Os dois trocam um beijo, longo e suave.


BLOCO 4:

12:11 A.M.

Scully, deitada na cama, numa camisola preta. Está com o joelho dobrado, revelando uma abertura ao lado da camisola, que deixa transparecer sua perna.

Mulder dorme, deitado com a cabeça por sobre o quadril dela. A mão por sobre a coxa de Scully. Scully afaga-lhe os cabelos, olhando pra TV, mas apenas olhando, não consegue prestar atenção.

Scully desvia o olhar para as sementes de girassol espalhadas por sobre a cômoda. Continua afagando os cabelos de Mulder. Mulder abre os olhos. Scully, olhos perdidos nas sementes de girassol, não percebe que Mulder se acordou.

SCULLY: - ... A vontade que tenho agora é de nunca mais voltar pra Washington. De nunca mais sair daqui. De nunca mais ficar um segundo longe de você. Eu te amo tanto que dói. Quando penso que algum dia você vai morrer, eu choro. Peço à Deus todos os dias que me leve antes disso. Não sou forte o suficiente... Minha vontade é de dizer que você mora aqui dentro de mim... Meu peito fica apertado, sinto uma angústia grande... como se estivesse me sufocando com o que sinto por você. Acho que isso é maior do que eu. É grande demais pra mim.

Mulder fica olhando pro nada, ouvindo as palavras dela.

SCULLY: - É essa sua necessidade de carinho, de atenção... Eu não entendo como as pessoas se irritam com você, como te desprezam, como acham que você seja um monstro, que você não é humano... Eu simplesmente não entendo. Você é a pessoa mais humana e meiga que eu já conheci. Você é um menino crescido. Você só quer atenção. Só que ter alguém que se importe com você. Só quer ser amado. Mas ninguém entende isso.

Scully afaga os cabelos de Mulder ternamente. Mulder continua a escuta-la, em silêncio. As lágrimas caem dos olhos dele.

SCULLY: - O mundo tem sido cruel pra você. E eu acho que também tenho sido. Preciso aprender tanta coisa com você. Uma delas é o que é a vida. A vida não é a minha redoma de vidro, cor de rosa e enfeitada com flores... A vida é cruel. Na verdade eu sou a crédula aqui. Eu acredito em todo mundo, acredito nas convenções, eu é que não questiono nada. Acredito que a vida tem que ser igual à vida de todo mundo, mas não é... Aceito os rótulos, aceito o que me dizem... Aceito o que minha família perfeita me ensinou... Mulder, quando eu banco a ordinária, a tarada eu só estou tentando ser aquilo que eu não sou. Eu estou tentando fugir do que sou. Da boa mocinha, cheia de moralismos e éticas... Tentando me libertar das coisas que me empurraram... Do que me ensinaram como verdades. Tentando quebrar as grades, soltar as amarras... Sabe que no meu primeiro dia de aula, eu queria ir embora, sair dali. Me senti presa num lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas... Eu sempre quis ser a boa aluna. Não pra ser inteligente. Mas pra agradar a todos. Eu quis ser a melhor para agradar! Você quis ser o melhor pra incomodar. Pra se defender. Eu não. Eu era a menininha do papai.

MULDER: - Scully, cada um tem sua verdade. Aceite isso. Não acho que ainda esteja presa às amarras que te impuseram.

SCULLY: - (SORRI) ...

Mulder vira-se pra ela. Afaga-lhe a barriga. Beija-lhe o quadril.

MULDER: - ... Tudo tem uma hora. Questionar e criticar a vida toda também não é bom. Incomodar os outros implica em solidão. No rótulo de ‘estranho’. Crer em coisas que ninguém mais crê, optar por viver sozinho no meio da multidão... Você paga um preço muito alto quando escolhe caminhar com os próprios pés e não ao embalo da vida comum. Você vive sozinho sem namorada, então é gay. Você acredita em OVNIs, então é louco. Você acredita que o mundo seria melhor se as pessoas fossem mais unidas. Então é utópico. No meu primeiro dia de aula, eu também quis ir embora daquele presídio. Quase todo o dia me colocavam atrás da porta com aquele maldito chapéu de burro.

Scully suspira, pensativa.

MULDER: - Eu era burro porque perguntava. Porque era curioso. Os quietinhos que não indagavam nada eram inteligentes. Eu era o ‘problema’. Estava fora da engrenagem.

SCULLY: - ...

MULDER: - Uma vez eu estava lendo uma revista na sala. (SORRI) Meu pai estava lendo o jornal. (ELE AFAGA A BARRIGA DE SCULLY ENQUANTO FALA) ... Eu acho que tinha uns oito pra nove anos. Então me deparei com uma palavra que eu não conhecia. Virei pro meu pai e perguntei: Pai, o que é sexo? Então veio um susto e a resposta: Pergunte pra sua professora. Pago escola pra quê?

SCULLY: - Não!

MULDER: - Sério. Então eu perguntei para a professora, eu queria saber que palavra era aquela. Ela me mandou falar com a diretora porque eu era um tarado. Perguntei pra ela o que era um tarado, mas ela também não respondeu. Chamaram meus pais na escola, ficaram horrorizados com a minha conduta. Eu não era uma criança, eu era o ‘filho do demônio’.

Scully começa a rir.

MULDER: - (SORRI) Então, fiquei de castigo no quarto, suspenso da escola por uma semana e sem saber o que eu fiz de errado. E o pior: Mas o que é sexo? É algo tão horrível assim? Deve ser um palavrão. Então achei uma coisa chamada dicionário. Daí descobri que ali estavam os significados das palavras. Então eu descobri o que era sexo com um dicionário.

SCULLY: - ...

MULDER: - Preto correndo é ladrão. Mulher que vive sozinha é lésbica. Homem que tem amigo é gay. Todo mundo tem que casar e ter filhos. A moda deste verão é tal... Siga a linha. Entre na fila. Venha para o mundo de Marlboro. Tudo isso tem a mesma intenção: seja igual a todo mundo e não complique. Não pense, não fale. Tradução: rótulos. Somos todos garrafas com rótulos. E nem escolhemos o sabor que queríamos ser.

SCULLY: - Quero ser refrigerante de carambola.

MULDER: - (DEBOCHADO) Já vai complicar, é?

Scully sorri.

MULDER: - Viu? É assim mesmo e nada que você faça vai mudar isso. Então você continua sendo estranho, gay e louco. E daí? Pelo menos é diferente. Nada contra a corrente. Cansa? Cansa. Mas você cria músculos. Cria cicatrizes. Você resiste pra incomodar mais ainda.

SCULLY: - ... Te acordei, né? Com esse papo estranho...

MULDER: - Não, tudo bem. É bom conversar com você. Não temos tempo pra isso. Portanto, garotinha de família, você pode desatar o nó. E só você pode. Mas também não acredite em tudo o que vê. Não escute ninguém. Nem eu. Duvide. Eu queria duvidar mais, mas sempre acredito no que me dizem.

SCULLY: - Puxe o nó.

MULDER: - Tô tentando. Tá apertado!

Mulder fecha os olhos. Scully olha ternamente pra ele.

MULDER: - Faz carinho, faz... Tava tão gostoso...

Scully afaga os cabelos dele.

MULDER: - Hum... Eu gosto disso.

Mulder se ajeita, acomodando-se ali.

SCULLY: - Dorme. Hoje eu é que vou te acordar.

MULDER: - Oba! De pensar que os dias passam depressa quando a gente tá se divertindo... Podemos pegar malária. O que acha?

SCULLY: - Não! Mulder, não podemos mentir!

MULDER: - Pra ficar aqui com você eu mentiria.

SCULLY: - ...

MULDER: - (ABRE OS OLHOS) Ah, tá pensando nisso, né?

SCULLY: - Malária não. Poderia ser uma gripe forte... Mulder, não vamos conseguir mentir pro Skinner.

MULDER: - Eu consigo.

SCULLY: - Mulder, isso não é da sua conduta.

MULDER: - E daí? Quero ficar com você. Dane-se a minha conduta!

SCULLY: - Esqueça, Mulder.

MULDER: - (FECHA OS OLHOS) Vou sonhar com isso. Que estamos sozinhos por uma semana aqui.

SCULLY: - Ele vai ficar ligando preocupado.

MULDER: - Desligamos o celular.

SCULLY: - Ele vai mandar alguém aqui.

MULDER: - Não atendemos a porta.

SCULLY: - Eles vão entrar pensando que estamos mortos.

MULDER: - Fugimos pra um motel.

SCULLY: - Tem solução pra tudo, né?

MULDER: - Deixa comigo, Scully. Sei como convencer o Skinner.

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, sabia que o número um é o mais solitário?

SCULLY: - ... E se ele vira dois?

MULDER: - Não vira. Ele acha outro um e forma onze. Porque os uns não são iguais. São únicos. São um. Não se somam. Se completam.

Scully sorri. Continua afagando os cabelos dele. Mulder dorme, com um sorriso.


5:43 A.M.

Mulder dorme espichado na cama, Scully por cima dele. Os dois virados pros pés da cama. Mulder se revira e cai por cima dela. Scully o empurra, meio dormindo. Mulder vira-se de costas pra ela. Scully puxa o edredom todo pra si. Mulder se encolhe de frio. Puxa o edredom dela, também dormindo. Scully vira-se e agarra-se nele. Vai empurrando Mulder. Mulder cai da cama. Acorda-se assustado, sentando no chão. Coça a cabeça, tentando se localizar no tempo e espaço. Scully acorda-se, ainda sonolenta e olha pra Mulder.

SCULLY: - Mulder, o que está fazendo aí no chão?

MULDER: - Tô tentando descobrir.

SCULLY: - Ai, Mulder, eu empurrei você?

MULDER: - Não sei... Que horas são?

SCULLY: - Sei lá.

Mulder levanta-se e volta pra cama. Scully está deitada de lado. Mulder aninha-se nela. Scully o cobre.

MULDER: - Tá frio!

SCULLY: - ... Não vai pescar?

MULDER: - Hoje não.

Mulder deita a cabeça entre os seios de Scully. Cruza os braços. Fecha os olhos. Scully o abraça, de olhos fechados. Os dois sonolentos.

MULDER: - ... Acho que devia colocar meu pijama. Tô com frio.

SCULLY: - Hum, não. Chega mais... assim... eu te esquento.


6:17 A.M.

Scully de olhos abertos. Mulder dormindo. Mulder se revira na cama e deita-se quase em cima dela. Scully o empurra.

SCULLY: - Mulder, você é pesado, sai!

MULDER: - Zzzzz....

SCULLY: - Ai, Mulder!

MULDER: - Zzzzz...

SCULLY: - Hum, como ele dorme bonitinho... Fazendo beicinho... Mas se eu perdi meu sono, você também não vai dormir!

Scully vai pra baixo do edredom. Mulder continua dormindo. Mas acorda-se assustado.

MULDER: - (ASSUSTADO) Scully, o que está fazendo?

Mulder enfia a cara debaixo do edredom. Os dois ficam lá embaixo. O edredom começa a se mexer.

SCULLY: - Pára, Mulder!

MULDER: - Não mandei me acordar... Eu tava quietinho...

SCULLY: - Hum, Mulder... (RINDO) Não...

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, eu tenho dois seios e eles são ciumentos.

MULDER: - Tá bom...

SCULLY: - Hum... Ai, Mulder!

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, onde estão as grades da cama?

MULDER: - (RINDO) Estamos do lado contrário, Scully...

SCULLY: - Tem certeza que não há vizinhos por perto?

MULDER: - Absoluta.

SCULLY: - Posso gritar??? Please?

MULDER: - Eu sou bonzinho, eu deixo você gritar.

SCULLY: - Ah, minha nossa! Acho que me dei mal!

MULDER: - Não se preocupe, Scully...

Scully grita.

SCULLY: - Hum... Mentiroso... Você mente pra mim, Mulder...

MULDER: - ... Scully, não me enlouquece.

SCULLY: - Malvadinho...

MULDER: - Pára, Scully...

SCULLY: - Tá nervosinho, é? ... Ai!

MULDER: - Pára...

SCULLY: - Por quê? ...

MULDER: - Porque que vou ficar selvagem.

Scully tira o edredom de cima deles. Mulder está em cima dela, brincando com língua em seus seios, movendo seu corpo sobre o dela. Scully o agarra pelos cabelos de encontro a seus lábios.

SCULLY: - Mulder... Hum... Fique selvagem. É uma ordem!

Scully coloca a língua dentro da boca de Mulder, provocando-o. Os dois trocam um beijo quente. Mulder enlouquece.

Scully agarra-se nos lençóis. Joga a cabeça pra trás, sentindo Mulder mais e mais selvagem dentro dela. Scully agarra os cabelos dele. Solta gemidos. Mexe seu corpo contra o dele. Mulder agarra os seios dela, com força. Scully segura as mãos dele sobre seus seios. Murmura alguma coisa. Mulder desce suas mãos pelo corpo dela, agarrando suas coxas. Ergue as pernas de Scully, segurando-as. Ergue seu corpo e o movimenta freneticamente contra o dela. Scully joga os braços pra trás, gemendo mais alto.


6:35 A.M.

Mulder está deitado com a cabeça no ombro de Scully que afaga seus cabelos.

SCULLY: - Pode dormir. Não vou brigar.

MULDER: - (RI) Não quero dormir.

SCULLY: - ... Sabe que tudo tem um motivo na vida?

MULDER: - ...

SCULLY: - Por exemplo, eu sou estéril. É porque eu ia conhecer você. E do jeito que você me deixa louca, eu nunca mais conseguiria olhar pros meus pés.

MULDER: - (RINDO) Depois diz que eu faço piada do que é sério.

Scully levanta-se da cama. Puxa Mulder pelo braço.

SCULLY: - Vem.

MULDER: - Aonde vamos? São 6 e meia da manhã!

SCULLY: - Quero dançar.

MULDER: - Tá bom, vamos dançar! ... Não sei dançar.

SCULLY: - E daí?


6:42 A.M.

Scully, de camiseta e meias nos pés. Mulder de cuecas boxer. Os dois revirando uma prateleira de discos na sala.

MULDER: - (INCRÉDULO, SORRINDO) Discos? Vinil?

SCULLY: - Humhum.

Os dois se entreolham, erguendo as sobrancelhas. Se atracam na estante, empolgados, revirando os discos. Mulder puxa um e cheira, com emoção.

MULDER: - (SORRINDO) Amo vinil, Scully. Aquele chiadinho é saudoso, sabia?

SCULLY: - Hum... Ah, Deus! Jerry Lee Lewis! Chubby Checker...

MULDER: - Eagles... Neil Diamond... James Taylor. Nossa! Emerson, Lake & Palmer... Ray Charles... Kenny Rogers! Acredita nisso? Rockwell, Barry Manilow... “Georgia on my mind”! Puxa, só as velhas!

SCULLY: - Que tal Frankie Valli?

MULDER: - Can’t take my eyes off of you?

SCULLY: - A própria!

MULDER: - Isso vai ser muito engraçado...

Scully retira o disco da capa. Tira a poeira com um sopro. Coloca na vitrola.

[Som: Frankie Valli – Can’t take my eyes off of you]

Scully olha pra Mulder. Mulder se aproxima, rindo. Dançam um de frente pro outro, com as mãos pra trás. De testa colada.

MULDER: - Isso vai me dar dor no pescoço...

SCULLY: - (RI) ... Vou buscar meus sapatos.

MULDER: - Não, eu quero ficar com dor no pescoço...

Eles ficam se embalando. Dão as mãos. Scully recosta-se no peito de Mulder, rindo.

SCULLY: - Isso é engraçado.

MULDER: - Acho isso estranho... Pelo menos pra mim.

SCULLY: - Você tá se saindo bem.

MULDER: - Menti. Tive aulas com o Fred Astaire.

SCULLY: - (RINDO)...

MULDER: - (CANTANDO NO OUVIDO DELA) I love you baby... and that is quite all right... I need you baby, to warm my lonely night... I love you baby... trust in me when I say...

Scully começa a rir. Mulder a abraça e continuam dançando.


7:37 A.M.

[Som: Little Richard - Good Golly Miss Molly]

Mulder, com uma vassoura, fingindo que toca guitarra, pulando em cima do sofá, só de cuecas. Scully dançando twist, deslizando as meias no chão. Rebolando. Parecem dois malucos.

MULDER: - Good Golly Miss Molly... you sure like to ball... Good Golly Miss Molly... You sure like to ball... And when you're rocking and rolling... I can hear your mama call...


8:21 A.M.

[Som: Jerry Lee Lewis – Whole lotta shakin’ goin’ on]

Mulder, imita Jerry Lee Lewis, usando o encosto do sofá como piano.

MULDER: - (REBOLA O TRASEIRO) Come over baby... whole lot of shakin' goin' on... (JOGA A CABEÇA PRA TRÁS AJEITANDO O TOPETE) Yes I said come over baby... baby you can't go wrong...
we ain't faken it... Ohhh whole lot of shakin' goin' on...

Scully dança enlouquecida, agitando os cabelos. Parecem dois alienígenas.

MULDER: - (SACODE A CABEÇA) Well I said come over baby... we got chicken in the boarder... oooh... huh.. (OLHA PRA SCULLY) Come over baby... baby got move a little harder... We ain't faken it... Ohhh whole lot of shakin' goin' on...

Scully se aproxima de Mulder, rebolando mais pra ele.

MULDER: - Well I said shake baby shake... (DEBOCHADO/ OLHANDO PRO TRASEIRO DE SCULLY) I said shake baby shake... I said shake it baby shake it... I said shake baby shake... Come on over! Whole lot of shakin goin' on... (TARADO) Ahhhhh Lets Go!!!

Mulder finge um solo no encosto do sofá. Desvia as mãos solando piano pelo corpo de Scully, que dançando, se acaba de rir dele. Mulder a ergue nos braços, cantando e dançando.

MULDER: - Easy Now... Shake it Ahhhh... Shake it babe... Yeah.... You can shake one time for me!!!!


9:53 A.M.

Os dois agentes sentados à mesa, na cozinha, um de frente para o outro. Mulder tenta em vão passar manteiga na torrada. Mas quebra-a. Coloca na pilha de torradas quebradas. Olha pra Scully, que sorri marota, segurando a xícara de café. Mulder olha pra baixo da mesa. Olha pra Scully novamente.

MULDER: - Scully, pára com esse pé. Eu não me concentro. Vou quebrar todas as torradas!

Mulder pega outra torrada. A quebra de novo. Suspira, desistindo. Scully levanta-se da cadeira. Empurra a xícara, as torradas e senta-se sobre a mesa, de pernas abertas, na frente de Mulder. Pega um pedacinho de torrada.

SCULLY: - Vou te ensinar. É assim que se passa manteiga na torrada, bobinho...

Scully coloca a torrada na boca. Põe o dedo na manteiga e lambuza os lábios de Mulder. Mastiga a torrada, engole e lambe os lábios do agente. Afasta o rosto. Mulder olha pra Scully, surpreso, boquiaberto.

SCULLY: - Aprendeu?

MULDER: - (CÍNICO) ... Não.

SCULLY: - (DÁ AQUELA RISADA DE GILLIAN)

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu sou burrinho.

SCULLY: - (RINDO) Tá. Vou te ensinar de novo.

Scully repete o ritual. Olha novamente pra Mulder.

SCULLY: - (OLHANDO-O CURIOSA) Então?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não entendi a coisa da manteiga...

SCULLY: - (RINDO) Tá, então esqueça a manteiga. Gosta de geleia de amoras?

MULDER: - Gosto.

Scully tira a camiseta, ficando só de sutiã. Mulder fica boquiaberto, aguardando. Scully despeja geleia entre os seios.

MULDER: - (DEBOCHADO) E a torrada?

SCULLY: - Sem torradas, Mulder.

MULDER: - E... (DEBOCHADO) Essa geleia é diet?

SCULLY: - (RI) Completamente diet. (DEBOCHADA) Mas tem muitas ‘calorias’! Não tá sentindo as ‘calorias’?

Mulder avança em cima de Scully, perdendo a compostura, derrubando tudo da mesa, lambendo os seios dela. Scully o agarra pelos cabelos.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, espera! Ainda tem o creme de amendoim...

MULDER: - Dane-se o creme de amendoim! Eu gosto de geleia pura!


10:31 A.M

Os dois na cama, debaixo do edredom. De frescura e risadinhas.

Batidas na porta.

Mulder bota a cabeça pra fora do edredom, em pânico. Scully também.

SCULLY: - Quem poderia ser?

MULDER: - Psiu, finge que não tem ninguém em casa!

Mais batidas. Mulder se irrita. Veste um robe e caminha até a sala.

MULDER: - (INDIGNADO) Vou matar se for alguém do FBI! Eu juro que vou matar o desgraçado que ousa perturbar minha lua de mel!

SCULLY: - (GRITA) De mel não! De geleia, Mulder. Qualquer coisa vinda de abelhas nos dá azar!!!

Mulder abre a porta. Um rapaz olha pra ele. Mulder percebe a moto estacionada, com um ‘Express’ escrito.

RAPAZ: - Desculpe tirá-lo cedo da cama no Domingo.

MULDER: - Me diga que está vendendo Bíblias...

RAPAZ: - Não, eu tenho uma encomenda. É o agente Mulder, não é?

MULDER: - (PÂNICO) Como me achou aqui, nesse fim de mundo, onde o diabo perdeu as meias, porque as botas ele perdeu antes?

O rapaz entrega um envelope e uma prancheta.

RAPAZ: - Assine aqui por favor.

Mulder assina. Devolve a prancheta, incrédulo. O rapaz sorri. Mulder fecha a porta na cara do rapaz, irritado. Volta com o envelope pro quarto.

SCULLY: - (CURIOSA) Quem era?

MULDER: - (IRRITADO) Pasme! Dá pra acreditar? Depois eu sou o paranoico, mas o FBI sabe da vida de todo mundo nesse país!

SCULLY: - É do FBI?

MULDER: - (DEBOCHADO) E adivinha de quem?

SCULLY: - (DESESPERADA) Ah, não! Mulder, precisamos conspirar e achar uma mulher pro Skinner. Daí ele vai ter o que fazer e vai largar do nosso pé.

Mulder senta-se na cama. Abre o envelope. Há uma pasta e um bilhete.

SCULLY: - O que é, Mulder?

MULDER: - (IRRITADO) Ótimo! Tava demorando! Que boa notícia esse desgraçado me dá num Domingo! O relatório sobre o inquérito do ‘agente ladrão de armas que atira em uma agência de seguros’... Merda, Scully! Tomei um mês de suspensão!

Mulder joga a pasta na cama. Põe as mãos no rosto.

MULDER: - Maldito Fumacinha! E eu nem acertei aquele tiro!

Scully pega o relatório. Mulder pega o bilhete. Lê o bilhete em voz alta.

MULDER: - Mulder... Da próxima vez, não deixe jornais com anúncios marcados em sua gaveta, porque eu vou te encontrar sempre. Não se preocupe. Eu o queimei. Nem sei onde ‘vocês’ estão... Assinado: Tio Skinner.

Scully ri. Mulder balança a cabeça.

MULDER: - É... Não existe crime perfeito mesmo!

SCULLY: - Não, não é isso.

MULDER: - Está rindo da minha desgraça?

SCULLY: - Não. Estou rindo porque fui acusada como cúmplice, ocultando informações. Um mês de suspensão pra mim também.

Os dois ficam em silêncio.

[Som: George Benson – In your eyes]

Mulder olha pra Scully. Abre um sorriso maroto.

MULDER: - Tá pensando no que estou pensando?

SCULLY: - Com toda a certeza. Um mês de teste pra ver se a gente consegue ficar junto tanto tempo, sem trabalho no meio.

MULDER: - Volte a dormir, Scully. Teremos um mês de lua de geleia por aqui, sem mel, abelhinhas e abelhudos.

Os dois enfiam-se embaixo do edredom. De frescura.

SCULLY: - O que vamos fazer amanhã, que é Segunda-feira?

MULDER: - (DEBOCHADO) Acredito que agora, estando sozinhos, sem nada pra atrapalhar, estamos acabando com 7 anos de tesão reprimido... Vou te ensinar a jogar sinuca.

SCULLY: - Mas não tem mesa de sinuca aqui.

MULDER: - E daí?

SCULLY: - Mulder, seu tarado!

Fade out.


X

14/04/2000



12 de Junio de 2019 a las 11:33 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X.

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