Cuento corto
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Capítulo Único - My Dear

Bom, eu me sinto um bobo escrevendo isso, um diário, digamos, mas não aguento conter esses sentimentos tão abundantes e o como é bom estar na companhia da minha querida que preciso externar isso.

Não é fácil para mim, pois sou um tanto introvertido e antissocial, mas tenho que admitir, que estou apaixonado. Nunca me imaginei sentir tal sentimento por uma pessoa, pois jamais fui atraído por nenhuma mulher, tanto que me achava assexual – mas ainda sou, só mudou o “tipo" na classificação. Tanto que não percebia quando flertavam comigo, ou queriam algo a mais. Na verdade, entre nós, ainda não percebo. Nada, seríssimo.

Sou um rapaz focado, que até então não queria nada para atrapalhar os estudos, na minha etiqueta, nos sonhos e o mais importante na música. E claro, na época a preparação para assumir uma grande empresa, no qual não queria assumir e ainda com engomadinhos da alta classe. Mesmo sendo criado como um, acho repugnante a falsidade e hipocrisia advinda dos riquinhos avarentos e aproveitadores. Ah, como odeio!

Mas não estamos aqui para falar de minhas frustações – mais creio que acabarei por retornar a esses assuntos, pois escrevendo “falo muito”. E sim, da mulher que roubou meu coração e conseguiu-me virar tudo em minha vida. A alemã, Maria Beilschmidt , que veio transferida da Alemanha. Albina, com intensos olhos castanhos que chegavam a ser vermelhos tinto. Longas madeixas brancas que sempre usava presas, postura forte e ao mesmo tempo moleca, riso sarcástico, narcisista, arrogante. Mas, cativante quando se conhece mais a fundo sua pessoa. Quando se passa com dificuldade as barreiras erguidas pela mesma.

Quando a vi o tempo parou, sim sei que é muito clichê, daqueles livros clichês românticos e bobos da minha prima Feliciana. Mas lá estava ela, na minha turma, na terceira série do inferno do ensino médio. Era meio do ano, dia chuvoso e tinha tido um péssimo café da manhã, onde discuti novamente com meu pai – pois meu sonho é ser musicista e não CEO de uma empresa. Administração não tinha nada a ver comigo, convenhamos eu seria um desastre também. E assim que ela entrou naquela porca sala, que parecia um Hades, iluminando meu, até então, dia cinzento.

De feições emburradas, vestida com aquele vestido ridículo branco, com faixa azul, cabelos em um coque frouxo e sapatos Lolita – usava também aquelas meias calças brancas bregas. Apresentação foi rápida, como se não quisesse estar ali. E quem quer está ali?! Deus! Já disse que ali era um inferno?!

Só tinha uma carteira vaga, que ironicamente era do meu lado. Vê o tanto de clichê?! – está bem juro que vou parar. Rebelde, jogou sua bolsa no chão e apoiou os pés na mesa com desleixo, atraindo uma advertência do professor na hora. Não era o tipo de pessoa que gostava de me relacionar e do tipo que os pais pedem distância, mas como disse a albina era diferente, me sentia atraído por ela como a força gravitacional da Lua com a Terra. E não é como se ela fosse uma sequestradora de crianças, traficante ou usuária de drogas. Palavras da minha prima Feliciana, não minhas.

Sentia meu sangue fervendo e o palpitar descontrolado do meu coração que parecia querer sair de minha caixa torácica, sem falar nas borboletas insistentes e o frio na barriga. Algo que nunca tinha sentido em tamanha intensidade. Queria muito tirar aquele blazer ridículo, pois estava muito calor, ou era só eu?! Me senti frustrado, pois ela nem olhou para mim e confuso, pois, por que motivos queria que a moça olhasse para mim?! Desde quando ligava para isso?!

A aula era de química, uma das piores matérias, onde eu tentava dar o máximo de mim para prestar atenção e tirar pelo menos notas medianas. Anotava que nem um condenado, só para me virar e ver a albina em meio de papéis e canetas coloridas desenhado pintinhos. Isso mesmo. Pintinhos. Percebi que ela amava os bichinhos, pois estavam no seu caderno, bolsa e demais acessórios que eu conseguia ver. E desenhava muito bem. Chamava muita atenção por ser no meio da aula, com conteúdo de prova. Pelo menos a professora parecia não se importar ou fazia vista grossa para não ter mais dor de cabeça.

Deve ter percebido que eu encarava, que soltou um “porque?!” agressivo. Fiquei mais sem graça ainda e feliz por ser notado. Todavia, queria um buraco para me enterrar. Que vergonha! No que estava me tornando?!

Poderiam pensar que Maria sabia profundamente de química, por isso estava pouco se importando com a aula, mas a verdade é que ela não sabia de nada. No fim da aula pediu fotos das minhas anotações. Sim, com a maior cara de paisagem. Sua primeira nota da matéria foi um dois. Nesse dia grudou em mim choramingando e se auto depreciando.

Claro que entreguei minhas anotações, sou um cavalheiro, não é mesmo? E também queria mais atenção dela. Virei um rapaz muito idiota.

No intervalo, ainda no mesmo dia, cruzei os corredores para a cantina, forever alone, mas não me importando muito, como dizem: Melhor só do que mal acompanhado. Uma coisa que não contei é que não sou popular, mesmo sendo de uma família rica. Tenho para mim que poucos sabem de minha nascença abastada pela forma “normal" que venho para a escola. Sem nenhuma alteração na farda e por não ser um babaca riquinho como os outros. Fato também de eu ser “nerd" e de me chamarem “louco da música e partitura”, “Kousei Arima austríaco”, etc.

Ainda não entendo o motivo de me chamarem de “nerd”, já que minhas notas não são altas e sim medianas e não combina em nada na definição da palavra. Bom, pouco interessa aqui.

Me sentei em uma mesa isolada, perto da área aberta que dava para quadra – que era descoberta – pela simples razão de nenhuma alma viva querer se sentar ali em pleno dia de chuva. Fechei o casaco mega feio da instituição – que estava por cima do blazer, igualmente horroroso – e tomei meu Nesquike. Sebastian, meu mordomo – sim, muito clichê ter um mordomo com esse nome, ainda mais moreno e bonitão (O que?! Ele é mesmo bonito por que mentir?!), parecido com um certo personagem de anime no qual a Feliciana gosta – tinha feito um sanduíche natural. Mas não era ruim. Senão tinha jogado fora. (Tinha mesmo, sério!).

Então, afundado nos meus pensamentos e problemas, só percebi um indivíduo na minha frente tempos depois. E como aqui é clichê, quem mais poderia ser? Maria Beilschmidt. Pulei para trás com susto, ajustando os óculos de armação azul que caiam de meu nariz.

A moça abria uma garrafinha, daquelas pequenas de Fanta Laranja, enquanto comia sem medo um bolo de chocolate. Parecia estar bom mesmo, pela cara que fazia. Suas mechas rebeldes caiam em cascata na face e algumas saindo de seu coque mal aprumado. Estava terrivelmente linda (suspiro).

Pisquei. O que uma jovem tão bonita fazia na mesa de um “zé ninguém” como eu? Não faria bem para sua imagem que precisava criar naquele Hades.

- Finalmente percebeu minha presença – afirmou colocando o canudo na garrafinha, mal olhando para meu ser – Já imaginava no que deveria usar meus poderes de invisibilidade – fiquei encantado com a voz dela, que é como dos anjos (não exagero, é muito linda).

Como sou um ser muito inteligente, só murmurei um “hã?” idiota, admirando sua beleza mais ainda. Deveria estar muito bobão. Espera um instante... não foi a mesma que resmungou comigo por olha-la?!

- Então, como se chama, garoto? – perguntou comendo um pedaço do bolo, me encarando interrogativa e curiosa com seus olhos castanhos avermelhados.

Demorei um pouco para processar o que a albina tinha falado. Creio que ela deve ter achado que eu era louco mesmo. Pareço um pateta.

- Roderich Edelstein, senhorita Beilschmidt – respondi como um bom menino prendado que sou. (O que? Ainda existem meninos prendados).

Ela riu.

- Pode me chamar de Maria – pediu. Ao longe senti os olhares invejosos dos meninos... e meninas também, no refeitório. Um frio na espinha passou pelo meu corpo, duelando com meus estranhos batimentos cardíacos acelerados, no qual eu ainda não tinha me acostumado. De alguma forma me senti encrencado com o grupinho besta dos ricos e populares. Previ mais bullying para com minha pessoa.

Fiz uma pergunta besta, nem percebi que tinha saído.

- Como quiser Maria... – falei de modo respeitoso – Mas, hã, o que faz aqui? – apontei para a mesma que ambos estávamos. Bem longe dos outros idiotas.

Tomou um gole de refrigerante, batendo o indicador no queixo fingindo pensar, foi quando eu percebi que em sua bochecha direita tinha uma pequena cicatriz, fina, mas nada que estragasse sua beleza de miss.

- Você é o único que não é idiota e que merece minha ilustre presença – respondeu colocando a mão no peito e o inflando – Mesmo tendo me encarado no início, foi suficientemente gentil ao parar quando pedi e não foi como os outros, não era aquele olhar predador – ergueu o indicador, murmurei rápidas desculpas envergonhadas – Não me atacou quando sai da aula me fazendo perguntas bestas e me assediando – listou nos dedos compridos e finos, bons para tocar piano – Deu trabalho para fugir do monte de traste – me encarou, seus orbes escarlate demostravam ira – E você simplesmente saiu, pouco se importando com seu redor. Senti que poderia ser sua amiga, mesmo que no início tivesse desconfiada.

Fiquei muito feliz que não ser considerado um idiota pela minha crush e triste por ser considerado um amigo. Mas quem iria te considerar mais, se mal te conhece?! Entendo esse ponto. Muito certo da parte dela.

E ficamos em silêncio por um tempo até terminamos o lanche. Maria parou um momento fitando os lados incomodada. Realmente, até eu me sentiria assim com um monte de gente me comendo vivo. Espera... eu fiz isso também né? Meu Deus! Mesmo com as desculpas aceitas e falar que não foi o mesmo olhar, não parece algo que minha pessoa faria e não fez diminuir minha culpa.

- Então Roderich – quebrou o gelo e meu pânico interno, no qual estava me afogando. Maldita ansiedade! – Qual grupo você participa?

Refere-se ao grupo de atividades extracurriculares no qual ficamos após da aula. Era obrigatório e odiado por todos por esse mesmo motivo. Uma pessoa sedentária como eu, jamais iria para um esporte. Sou um dos poucos membros do clube de música. Sim, ele existe, mesmo não sendo popular. Foi difícil de forma-lo já que a maioria não liga para esse tipo de coisa. Admiro muito eu ter conseguido um piano e uma salinha no qual cabia o instrumento.

Sorri amarelo.

- Música – respondi e como sempre, ganhei um olhar confuso.

- Certo, estou dentro – falou com firmeza, não se importando com os poréns. Agora sou eu o confuso – Não faça essa cara, eu sei tocar flauta! – afirmou emburrada.

- Não é isso, Maria – corrigi-me rapidamente, para que ela não inventasse abobrinhas em sua cabeça – Todos demonstram confusão sobre o clube de música – a albina relaxou os ombros – Mas tem certeza que quer ficar em um clube tão insignificante? Tem outros-

- Claro que tenho! – bateu levemente na mesa decidida – E não tenho interesse em outros – olhou novamente para trás e entendi. Não queria ficar perto dos pervertidos. Não sei se fico feliz ou triste.

Nossa breve conversa foi cortada pelo toque indicando término do intervalo e início do inferno novamente. Seguimos para sala. Sobre olhares dos demais. Medo.

A próxima aula era História, melhor matéria, tanto que Maria nem desenhou e realmente prestou atenção. Assim que terminou o horário escolar, segui para o clube com a albina em minha cola. Realmente estava decidida sobre o isso.

No dia basicamente fomos – digo, só eu – limpar aquele lugar, Maria sentou-se no banco preto do piano me escutando falar o funcionamento do local, o que não era muito. Percebi que ela não era de ficar parada por tanto tempo, logo levantando-se e caminhando pelo pequeno espaço. Para lá e para cá.

A albina tocava mesmo flauta. Mas já estava demasiadamente desafinada. Não que fosse problema para mim. E falando em problema, foi só o que tive com os idiotas riquinhos. Me prenderam duas vezes no armário, me bateram, fizeram mais apelidos. Tudo por causa da atenção da alemã. Bando de trogloditas, não caia a ficha que fazendo isso só conseguiriam mais ódio dela?! Mesmo eu não contando para a mesma, ela sabia e fazia questão de dar o troco. Coisas aconteciam e ninguém sabia quem era – maquiagens quebradas, uniformes das lideres de torcida destruídos, o banho de cola e pena no vestuário masculino. Mas eu sabia. Engraçado que Maria assinava, “Incrível Eu". Não quero jamais brigar com ela.

Ora, devem estar pensando, foi fácil para mim conseguir a atenção de minha crush. Como isso é clichê, então sim foi fácil. Mas difícil é de se relacionar com a mesma.

O gênio dela é muito forte como já disse. O narcisismo ganhava e era insuportável certos dias. Se já chamava atenção normalmente, imagina mais carga adicional?! Invejava muitas gurias. E quando provocada sabia dar a devida resposta, como já fazia por mim. Teve uma vez que uma menina a estapeou, a albina acertou-lhe um soco quebrando o nariz da outra. Foi um inferno. E eu tinha que ir para as punições com ela, pois a mesma fazia chantagem emocional. Egoísta.

Agia muitas vezes infantilmente. Seu fanatismo por pintinhos e pássaros chegava a ser estranho e fofo ao mesmo tempo – ela tinha um pintinho de estimação chamado Gil, que ficava grudado nela o tempo todo.

Também o fato dela já ser alcoólatra com dezessete anos era preocupante. Já peguei muitos dias com ela completamente embriagada e uma vez em quase coma alcoólico. Bom, consegui faze-la ir para o AA, com muita dificuldade, no início tinha que a arrastar para o centro.

Tenho para mim que ela bebia preencher o vazio deixado pela família ausente. Fiquei muito arrasado, praticamente cresceu sozinha e ainda criando um irmão mais novo, que amava pegar no pé. Só o vi uma vez e ele me agradeceu. No momento não entendi bem, mas Maria tinha mais problemas do que eu sabia. Ainda penso no que a albina me esconde.

Listei seus defeitos. Mas e suas qualidades? Ela tem e como. Creio que já disse algumas – vamos ser sinceros, muitas. Basicamente ganhei uma amiga e tanto. Não sou mais sozinho nesse inferno, e nem estou tão depressivo como antes. Me arrasta de casa para sair e socializar, me mostrando o mundo. Me fez lutar como um condenado para independência dos meus pais para eu cursar música. Digo que foi uma discussão tremenda lá em casa e quase saiu nos bofetes.

Ela interferiu feito um soldado e mediadora. Me deu abrigo quando expulso temporariamente da casa de meus pais e deserdado – fiquei extremamente abalado, como se eu não significasse nada para eles e que meu nascimento fora um erro. Mas o pior foi a grande perda temporária de contato com minha prima, só retornado quando a mesma voltou para Itália.

Maria é extremamente leal. Amável, séria e responsável quando precisava ser.

Não preciso falar de beleza, pois ela é incrívelmente bela como já devem ter percebido. E também beleza externa não diz nada. Pode ser a miss, mas um lixo de pessoa, o que não é o caso dela.

Sinto muitas vezes que devo demasiadamente para com ela. Fez e faz tanto por mim, que me sinto um “zé ninguém” às vezes (se ela me pegar falando isso... eu morro).

Foi um ano muito “emocionante”, já que jamais pensei que fosse acontecer tanta coisa e até mesmo me apaixonar – sim, nisso também ela recebe um ponto. Logo veio a formatura. Nem fui para desgraça e consegui convencer a albina a ir a um concerto, ela também estava nem ligando para as festividades. Pegamos nosso diploma no dia seguinte, logo em seguida indo autentica-lo no cartório.

Resumi bem esse ano... bom, um fato difícil foi a decisão de onde cursar a faculdade. Imaginar que ela iria para longe não me agradava. E pelo visto para a Maria também, pois conseguiu entrar na mesma que eu. Ou é só o clichê?

Fui para música e ela para Direito, já que não tinha ideia do que fazer da vida. De certa forma combina com a mesma.

Cada período dos cursos é uma desgraça e uma vitória. Dizem que quando fazemos o que gostamos torna tudo mais fácil. Que balela. Nossa vida social nem existe mais – não que fosse importante para mim – viramos escravos da universidade. Lindo, maravilhoso. Para não dizer o oposto.

Ah, ah. Quase iria me esquecendo. Lugar novo, assédio novo. Tanto para mim, quanto para Maria. Então já sabe, barracos novamente. E o mais impressionante que alguns deles tiveram a minha pessoa liderando. Não me aguentava ser um mero espectador e não fazer nada, tinha que proteger minha mulher, mesmo que poucas vezes e não ser mais um marica como fui na escola.

Sei que ela é forte e sagaz, que consegue resolver tudo só, quando se trata disso. Mas o meu limite foi para o poço e não aguentava mais.

Coisa boa era que não se tinha mais punições como na escola – ou poderia ser ruim? – então minha ficha continuava limpa, assim como de a Maria.

Nos últimos anos ela resolveu cortar os cabelos e nossa, me pergunto em como ela pode ficar linda de qualquer forma. Usava soltos agora, com tiaras azuis com bichinhos, que creio serem pintinhos.

Com o novo look a concorrência aumentou. Por um momento tive medo de perdê-la para o húngaro Daniel Héderváry, que tinha mais charme do que eu – bom, não sei como usar meu charme. Tinha que fazer algo, fiquei muito desesperado, não podia perder a mulher de meus futuros filhos. Sim, já fantasiava isso para ver como eu estava.

Deveria me declarar, algo difícil pois não me considero romântico. Feliciana teve que me puxar minha orelha várias vezes, para eu finalmente chamar a alemã para sair. Não as nossas saídas comuns, mas sim um encontro.

Estava tão estressado que tinha medo de fazer algo errado. Mas correu bem, fomos a livrarias, pois adorávamos livros, assistimos alguma besteira no cinema – na qual não me lembro qual filme era, estava ocupado demais admirando a beleza de minha acompanhante – fomos a um parque, já estava escuro e lindas estrelas bordavam o céu. Respirei fundo, estava perto de passar mal e a albina percebeu, ficando preocupada, me segurando nos ombros para me olhar melhor.

Com um gaguejo disse um eu te amo, não muito compreensivo.

- Como? – perguntou Maria, um uma feição de quem entendeu, mas queria saber se tinha escutado certo. Um sorrisinho se formava no rosto pálido.

Apertei meus olhos em vergonha, passando os dedos por debaixo dos óculos, levando-os para cima de meus cabelos. Depois retornado minha visão para ela, agora embaçada pela falta de óculos. Respirei novamente e disse:

- Eu te amo Maria, desde de que te vi, amor à primeira vista como chamam, clichê eu sei. Mas o mundo parou e comecei a sentir algo que nunca tinha sentido. Por meses passei desvendando, até que percebi que era o amor. Desejo ter uma vida ao seu lado, como uma Troca Equivalente. Uma parte sua fica comigo e uma parte minha fica contigo, como Edward Elric disse a Winry. Em melhores palavras, quero dividir tudo com você em minha vida. Melhor ser inteiramente seu – declarei, nem sei de onde veio tanto, só falei com o coração, me sentindo bem agora e relaxado.

Maria olhava surpresa para mim, boquiaberta. O que me fez corar, será que iria me rejeitar?! Um medo passou pelo meu corpo, até que a albina sorriu, o sorriso mais bonito que já tinha visto. O que me acalmou e derreteu meu coração.

- Finalmente querido – riu e eu pisquei, como?! – Pensava se nunca iria falar o que sente – fixou os olhos em mim – Já tramava como eu me declararia para você – meu coração falhou uma batida – Eu amo você, meu musicista – ela corou, seu pálido rosto ficou como brasas – E sim, quero passar minha vida ao seu lado – se aproximou de mim pegando meu rosto que também estava muito vermelho, como pimenta, sentia o fofo em minhas bochechas – Aceito sua Troca Equivalente, meu alquimista – com uma rápida manobra seus lábios se chocaram contra os meus, e as borboletas me dominaram novamente. Era doce, muito doce, me lembrava coisas boas. Ficando mais açucarado quando a mesma invadiu minha boca. Me amoleci, não sabia bem o que fazer, nunca tinha beijado ninguém. Deixei Maria no controle. Fiquei sem ar. Tivemos que interromper o beijo quando o oxigênio se acabou.

Ofegante, percebi que estávamos mais envergonhados do que antes. Mas eu queria mais o sabor da alemã. Então a puxei pela cintura e peguei seu rosto para mais um beijo e sentir novamente o doce.

Ela me abraçou depois de finalizarmos. Foi um dos melhores dias da minha vida. E estavam para vir mais.


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- Roderich – a voz de minha esposa se fez presente, logo depois me abraçando por trás – O que tanto escreve? – fechei o caderno com um pulo, como se eu tivesse feito algo muito errado.

Maria fez um bico pela minha ação e levantou uma de suas sobrancelhas desconfiada.

- Nada demais, amor – respondi tentando guardar o caderno, em vão, pois ela confiscou o mesmo.

- É mesmo? – para minha vergonha, a albina abriu o objeto, na página que parei de escrever, deu um sorriso radiante quando leu – Lembranças. Que romântico Roderich – beijou minha bochecha, logo sentando no meu colo, com o peso a mais da gestação castigando – Por que não me chamou? Poderia ajudá-lo – enrosquei-me na albina, tirando a armação de meus olhos e deixando-os na mesa, ficando assim a enxergar tudo embaçado.

- Era para ser algo particular – respondi recolhendo o objeto das mãos de minha esposa – Mas vejo que agora não é mais – bufei, era algo no qual poderia escrever sobre o forte amor que sinto, mesmo depois de cinco anos casados.

- Sabe que não se esconde nada de mim por muito tempo – riu encantadora – E ocultar esse seu lado romântico é uma graça. Você sabe o quanto amo esse lado?

- Sim, eu sei – murmurei envergonhado.

Maria sorriu, fazendo cafuné em meus cabelos, enquanto que eu passo minhas mãos em seu ventre, onde carregava minha princesinha que estava por vir.

Eu e a prussiana nos casamos depois de nos formarmos e estamos a cinco anos de união. Sou musicista de uma orquestra bem digna. Ela por incrível que pareça, depois de se formar em Direito, se inveterou no mundo das artes e floricultura. Trabalha também em ONGs de proteção animal. Nisso nós temos um gato, um canário e um cachorro, todos salvos de algum lar ruim ou abandonado. Fiquei muito impressionado com a mulher que a mesma se tornou. Meu orgulho. Sinto que a coisa mais importante de minha vida foi me declarar para a albina, lutar por ela. Agora tenho uma vida calma, trabalhando onde sonhei, sem meus pais reclamando, não tenho contato com eles desde a deserdação. Na verdade, de ninguém da família – não que me importe. Exceto Feliciana e Lovino, não cortaríamos nossos laços mesmo que o mundo explodisse.

Falando na minha prima, ela acabou por se casar com o irmão da Maria, Ludwig. Se conheceram quando o alemão foi a serviço para a Itália. Como o mundo é pequeno.

Meus olhos lacrimejam. Sinto os dedos finos da Maria passarem em meus olhos limpando as lágrimas que nem percebi que escoriam.

- O que houve amor? – perguntou preocupada.

- Nada querida, só estou muito feliz com tudo o que temos, fico muito contente de termos nos conhecido – encaixou o queixo no ombro da albina que sorria com ternura, era raro vê-lo tão emotivo – Eu te amo, Maria.

A mulher sorriu, seu marido era muito fofo, cheirou o aroma amanteigado do moreno.

- Ah, querido, eu também te amo!

4 de Junio de 2019 a las 15:34 2 Reporte Insertar 1
Fin

Conoce al autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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Sakura Angeli Sakura Angeli
Eu nunca vou me esquecer q essa história me fez shippar Nyo!Prussia e Austria kkkkk Maravilhosa! <333
10 de Junio de 2019 a las 10:35

  • Sophia Grayson Sophia Grayson
    Eu também não kkkkk foi um feito e tanto rs. Obrigada querida <3 10 de Junio de 2019 a las 10:59
~