A Maldição da Mansão Alexandreli Seguir historia

nathy-loussop Nathy Loussop

Desempregada e com uma ordem de despejo sobre a mesa, o único lugar que aceita contratar Samantha é a famigerada Mansão Alexandreli. Cercada por lendas e superstições, a garota não se vê intimidada por isso devido ao seu ceticismo, mudando-se para a residência e ignorando todo seu passado sombrio. Não é preciso muito para ela perceber que ali há muito mais do que as bocas dizem. Seja por seus empregados - no mínimo - singulares, seu proprietário encantador ou sua beleza rústica, aquele lugar realmente está longe de ser considerado normal.


Fantasía Sólo para mayores de 18. © Todos os Direitos Reservados a mim perante a trama. Arte da capa pertencente ao jogo "Alone in the Dark", editada por André Filipe Mendes.

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Capítulo 01

Capítulo 01


Os fracos pingos de chuva não eram o bastante para fazerem Samantha apressar seu passo. Continuando com o ritmo lento comparado a um caminhar normal, seu olhar era cabisbaixo, mesmo assim, não focava a calçada. Andava de forma automática, apenas seguindo até o caminho de casa sem se importar com as coisas ao seu redor.

Por entre os dedos da mão esquerda, encontrava-se um pedaço de papel levemente amassado, sendo segurado sem o menor cuidado aparente. Uma mancha vermelha tomava conta de quase toda sua superfície. Mesmo naquelas condições a palavra "negado" poderia ser lida com certa facilidade.

Procurava tentar controlar as lágrimas que constantemente se formavam em seus olhos. Vez ou outra uma acabava escapando e escorrendo de forma lenta por seu rosto, pingando assim que chegava à linha de seu queixo misturando-se as gotas de chuva que molhavam suas roupas.

Finalmente chegou, abrindo o portão de metal gradeado sem se preocupar em tranca-lo. Foi para a lateral da casa, onde um estreito corredor a levava para os fundos do lote. Mexendo na pequena bolsa preta ao lado do corpo tirou um molho de chaves. Estava com a mão trêmula e acabou errando algumas vezes a fechadura.

Bastou ouvir o barulho do trinco se abrindo ao encaixar a chave para entrar de forma rápida, a retirando da porta. Bateu a mesma com força fazendo o som metálico ecoar um pouco pela casa vazia. Usou a tranca interna para fecha-la. Virou-se jogando o corpo contra ela e permitindo que ele escorregasse um pouco.

Olhou novamente para o papel em sua mão e com toda a raiva, força e vontade que possuía naquele momento terminou de amassa-lo o transformando em uma bola e o arremessando longe, perdendo-o de vista dentro da casa apenas escutando leves quicadas. Amolecendo completamente o corpo, terminou de escorrer pela porta até acertar o chão de uma forma um pouco brusca.

Dobrou as pernas abraçando os joelhos e permitindo qualquer lágrima que se formasse em seus olhos puxados escorresse de forma livre. Não se preocupou em ser ouvida em meio às lamurias. Não era como se realmente houvesse alguém para lhe ouvir. Acabou perdendo a noção das coisas ao seu redor.

Quando pareceu finalmente voltar a si, agora mais calma, percebeu estar jogada contra o chão. Havia chorado tanto para chegar aquele ponto? Seus olhos estavam doloridos e pesados, era difícil mantê-los abertos. O ambiente estava distintamente mais escuro do que se lembrava. Foi quando percebeu o que havia lhe despertado, um spam de mensagens que chegava em seu celular o fazendo apitar incessantemente um toque de assobio.

Ao pegar o aparelho dentro da bolsa, com um pouco de dificuldade, não fez questão de levantar-se ao desbloquear sua tela. O fraco brilho foi o suficiente para cega-la momentaneamente e fazer arder ainda mais seus olhos. Procurando se acostumar com a claridade abriu o aplicativo de conversas e viu serem todas mensagens de Alice.

Claro que sua melhor amiga estaria preocupada, havia prometido notícias assim que chegasse em casa. Não saberia dizer quanto tempo havia se passado, claramente tempo o suficiente para fazer a morena se preocupar. Não demorou em mandar a primeira resposta.


[Eu]
Desculpe, acabei perdendo a hora
Fui negada como sempre

[Ally]
Não me assuste assim!
E não se preocupe garota
Vc vai conseguir algo
Nem que eu morra tentando


Sorriu ao ver a determinação da amiga. Esfregou os olhos com a mão livre e procurou se recompor. Estava com o corpo todo dolorido por conta da posição em que tirara seu cochilo. Foi em direção ao quarto, passando ao lado do pequeno sofá e da mesa de centro de madeira onde um grande envelope alaranjado estava junto de um papel amarelo dobrado sobre ele. Suspirou quando seus olhos foram de encontro a essa vista.

Uma ordem de despejo. Havia recebido há alguns dias e odiava se lembrar da sensação que aquilo lhe trazia. Suspirou desanimada continuando a caminhar e procurando tirar aquilo da mente. Olhou novamente para o celular voltando a conversar com a amiga.

Ao chegar ao quarto retirou a bolsa do ombro, pendurando sua fina alça em um dos ganchos na parte de trás da porta.


[Eu]
Não sei Ally...
Acho que essa era minha ultima esperança

[Ally]
Não diga isso!

[Eu]
Digo...
Recebi uma ordem de despejo
Tenho até segunda
Ou pago ou é rua

[Ally]
É sério isso Samantha?

[Eu]
Pq brincaria com isso?

[Ally]
Droga...
Eu me odeio por não poder fazer nada!

[Eu]
Não se odeie

A culpa não é sua


Suspirou novamente. Seu olhar percorria o cômodo recém-iluminado, prestando atenção em diversos detalhes que provavelmente nunca notara naqueles meses em que viveu ali. Não era a casa em que crescera com seus pais. As paredes estavam longe de serem da mesma cor, muito menos o piso, mas estranhamente lhe dava certa nostalgia.

Talvez conseguisse uma vaga no abrigo da cidade, mas isso significaria deixar tudo para trás, só poderia levar algumas peças de roupa e olhe lá. Bateu com ambas as mãos no rosto, machucando-se um pouco por ter esquecido o fato de estar segurando o celular com uma delas. "Não era hora para pensar naquilo e daquela forma Samantha" repreendeu-se.

Deixou uma mensagem avisando que iria tomar um banho e que já voltava, mas pediu para a morena não lhe esperar. Ela iria demorar e sabia disso. Caminhou até a mesa onde deixou o aparelho e logo teve sua atenção chamada para uma pequena estátua de sereia feita com biscuit. Um dos últimos presentes que seu pai lhe dera.

Pegou o pequeno objeto acariciando as suaves curvas que ela possuía, tentando não descascar ainda mais a tinta que dava expressão para a pequena criatura. Sorriu ao lembrar-se do dia em que a ganhara. A pôs novamente na mesa e começou a se despir enquanto andava em direção ao banheiro do lado de fora do quarto.

Escolheu um banho quente, isso sempre a acalmou independente da situação. A água molhando seu corpo era relaxante como uma massagem e senti-la escorrendo fazia parecer que todos seus problemas a estavam acompanhando para o ralo.

Mesmo depois de fechar a válvula, ainda a ficou encarando por alguns segundos, sem retirar a mão dela. Encostou a testa no azulejo gelado, fechando os olhos, ficando assim por alguns minutos.

Finalmente resolveu abrir a cortina de plástico que servia de box, pegar a toalha no gancho e voltar para o quarto. Naquela noite não escolheu um pijama ou uma camisola, em vez disso pegou uma camiseta velha de seu pai que achara nas primeiras semanas em que se mudou ao organizar toda sua "bagunça". Era realmente velha. Pelo que se lembrava, seu pai era um homem corpulento e provavelmente nada dele lhe serviria. Aquela ainda podia ser disfarçada como um "vestido fora de seu número".

Voltou para a mesa pegando o telefone, desbloqueando a tela apenas quando se ajeitou na cama. Coincidentemente o lençol posto era um dos favoritos de sua mãe, acabou sorrindo ao perceber esse detalhe.

A primeira coisa que viu quando o celular iluminou novamente seu rosto foram as horas. Não estava tão tarde quanto acreditou. Como esperado havia novas mensagens de Alice. Não demorou a abri-las.

Estranhava o fato dela estar se desculpando, pela maneira que escreveu parecia até que havia matado alguém e não contado para ela. Seguido do pedido de desculpas estava um link do site da agência de empregos em que trabalhava. Ela contava que havia "escondido" aquela oferta dela para sua segurança, mas que a situação a obrigou fazer aquilo.

Samantha estava sem entender. Junto do link havia a miniatura de uma enorme casa parecendo estar no meio do nada acompanhada do que parecia ser o pôr-do-sol. O abriu para ver do que se tratava e amaldiçoava internamente a pessoa que projetou aquele site que tornava o acesso por um telefone tão difícil e lento.

Por fim conseguiu que ele carregasse minimamente para que ela lê-se o anúncio mandado pela amiga. Aparentemente estavam em busca de uma criada para aquele enorme casarão. Não se tinha muitas informações disponíveis, aparentemente tudo seria tratado pessoalmente, nem mesmo um número de telefone estava disponível.


[Eu]
Ally estou sem entender
Pq estava escondendo isso?

[Ally]
Não queria que se submetesse a isso Sam...

[Eu]
Não fale como se eu fosse recusar um emprego

Por ter de limpar privadas!

[Ally]
Não se trata de limpar privadas!
Não sabe que casa é essa?
É a Mansão Alexandreli!
Esse anúncio está no site há quase 4 meses e até agora ninguém se atreveu a arriscar pq sabem que esse lugar é amaldiçoado!


Subiu um pouco mais a conversa, vendo novamente a imagem da mansão. Não parecia um lugar tão ruim assim. O problema maior seria o fato dela ser uma péssima dona de casa. Mal conseguia arrumar suas próprias coisas, imagine a dos outros. Fez uma careta torcendo sutilmente os lábios enquanto pensava. Ela não poderia estar falando sério, certo?


[Eu]
Amaldiçoado? Sério?
Esperava mais de vc

[Ally]
É sério Sam!
Estou apenas te mandando isso por ser uma situação de desespero

[Eu]
Desespero é a situação de quem me contratar como domestica
Eu devo ser a pior dona de casa de toda Paris
Mas vou tentar
O que seria outro "não" na minha vida...


Um sorriso se formou no rosto da garota enquanto se aconchegava mais por entre o cobertor. Era incrível como o sobrenatural fazia parte da realidade de muita gente, mesmo em uma cidade grande como Paris.

Apesar de não ser envolvido em coisas importantes como investigações policiais, era claro que a maioria da população acreditava na existência de criaturas mágicas e místicas e obviamente, em maldições, pragas ou qualquer coisa negativa que elas possam trazer consigo.

Talvez fosse culpa das catacumbas.

De qualquer jeito, muitas vezes sentia-se deslocada. Como toda criança, um dia ela chegou a acreditar que todo esse mundo maravilhoso realmente existisse, mas isso foi há muito tempo atrás. Agora ela não passava de uma ovelha negra — como ela mesma se chamava — cética e dificilmente impressionável. A seu ver, tudo possuía uma explicação lógica, as pessoas que se recusavam a olhar para ela.

Focou nas novas mensagens de Alice, ela realmente parecia mais nervosa do que o costume. Os anos de amizade que tinha com ela tornavam fácil dizer aquilo mesmo em uma conversa por texto. Mensagens curtas e picadas, abreviações um tanto quanto desnecessárias. Ela estava digitando rápido e alguma coisa acabava saindo errado mesmo com o corretor.

Ela mesma havia mandado aquela oferta e parecia estar se arrependendo amargamente daquilo. Mesmo Samantha tentando acalma-la, não parecia estar surtindo tanto efeito.


[Ally]
Vc não vai mesmo mudar de ideia né?

[Eu]
Eu preciso desse emprego Ally...
Independente se o lugar é amaldiçoado ou não

[Ally]
Tudo bem...
Você ganhou...
Mas não me responsabilizo por nada do que acontecer com vc naquele lugar!


Sorriu novamente. Conseguia imaginar a amiga na frente dela apontando-lhe o indicador com uma expressão totalmente furiosa, talvez até decepcionada ou ainda desafiadora. Concordou com um simples "sim senhora". Não queria admitir, mas estava se divertindo com aquilo.

Aproveitando um possível momento de silêncio, voltou para o site e copiou o endereço do local, o colando no aplicativo de busca. Não ficou muito feliz quando o GPS lhe indicou o tempo de trajeto da sua casa até o destino, na saída da cidade.

Um táxi ou uber estavam definitivamente fora de cogitação. Até pensou em pedir uma carona para Alice, mas com certeza a iria incomodar no trabalho e não queria problemas para ela. Ficou pensativa por alguns segundos.

Abriu outro aplicativo, este mostrava as rotas de ônibus da cidade. Havia uma única linha que poderia lhe levar até um local próximo fazendo o restante do percurso ser a pé. Ele passava bem cedo por uma parada próxima de sua casa, precisaria levantar um pouco antes do normal se quisesse pega-lo.

Apesar do anúncio dizer que aceita visitas a qualquer hora, achava completamente antiprofissional aparecer no meio da noite, por exemplo. E pelo tempo de viagem, provavelmente apareceria em um horário agradável e conveniente.

Voltou para a conversa com Alice. Mais algumas mensagens de cuidado e em forma de bronca foram deixadas. Respondeu algumas e afirmou que tentaria dormir, precisaria acordar cedo amanhã se quisesse aquela vaga de emprego. Com certeza tirou algumas risadas da amiga pelo fato do tempo que o anúncio estava sendo ignorado.

Assim que ela também retribuiu o "boa noite" Samantha bloqueou a tela e pôs o aparelho na cabeceira da cama em forma de uma pequena estante. Procurou se ajeitar ainda mais pelo cobertor. Estava ansiosa, mas precisava tentar descansar de alguma forma. Amanhã seria um dia longo de caminhada.

18 de Mayo de 2019 a las 14:53 0 Reporte Insertar 25
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