Serenato Seguir historia

morghanah Morghanah .

A canção entoada pelo cotidiano encantava-nos, trazendo novas cores e nuances à nossa vida juntos


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#romance #drama #original #conto #Kalafina #sonfgic #04
Cuento corto
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N/A: Recomendo que, para um melhor aproveitamento da história, a leiam ao som de Serenato, das Kalafina, cuja aesthetics capa deste capítulo feita por mim – e que, infelizmente, não pode ser visualizada em seu tamanho original quando vista através do aplicativo do site – pode ser visualizada aqui, uma boa leitura a todos e obrigada.




Graças a ti passei as noites ao teu lado sonhando com um amanhã ensolarado e feliz, repleto de vida e luz como jamais vi antes em toda a minha vida.

Via, sentia e percebia a mudança solene, lenta e calma de uma alma outrora enjaulada, mas que agora encontrava sua liberdade e junto daquele que a liberou, alçava voo. Um voo de início tímido e baixo, porém repleto de sorrisos gratuitos pela manhã ao despertar junto a ti sentindo o teu cheiro amadeirado e masculino que a tanto inebriava e ainda inebria meus pobres sentidos entorpecidos pela tua presença, necessitados da nossa entrega mútua a cada novo raiar do dia, quando abraçados em meio a nossos lençóis vislumbrávamos também a alvorada de nossas almas unidas pelo laço inseparável da nossa promessa.

Rememora-te disso, meu amor?

Da minha notória indolência que o fazia permanecer mais alguns minutinhos na cama comigo, abraçando-me com seus braços fortes que tanto necessitei durante toda a minha vida sem saber, mas quando os encontrei jamais os afastei de meu entorno e só sentia-me bem quando sob seu enlace possessivo e imponente.

E a paisagem antes solitária ou o desespero que a luz trazia consigo a surgir lentamente no antes tão amado véu noturno não mais nos assustou, pois agora éramos agraciados por ela também e brilhávamos do nosso modo. Ou quando à noite via-me da sacada de nosso apartamento a encarar o firmamento tão salpicado de estrelas brilhantes as quais via tão murchas e monocromáticas através das paredes de minha antiga clausura, por mim as admiraria por toda a eternidade sem inveja alguma de seu brilho.

E tudo porque tinha a ti ao meu lado.

Enlaçava-me por trás passando segurança com seus braços cujas mãos acarinhavam meus cabelos com leveza, mas eram possessivas, densas, intensas e faceiras quando a proporcionar-me prazer e satisfação canal, pois sabia como ninguém a me tocar e levava-me ao tal nirvana. Em seguida trazia-me de volta para olhar em seus olhos quando unidos o sentindo dentro de mim com cada vez mais intensidade para que soubesse o quão prazeroso era para vós também estar ali comigo de mãos dadas reacendendo o carmesim da nossa promessa. E assim alcançávamos o clímax de nossa união e você, já cansado pelo esforço, sorridente e a respiração entrecortada tanto quanto a minha, caia sobre mim sendo amparado e acalentado enquanto recobrávamos nossas forças.

E a intensidade de seu olhar e do brilho por ele emanado era tamanho que enchia-me o coração de esperanças acerca de nosso longo futuro juntos.

Nossos sorrisos eram tão bobos nessa época, lembra?

Ou eram culpa de certa timidez de minha parte a qual disse-me achar um charme quando surgia, ainda que jamais o fosse de meu feitio algo assim.

Recordo-me com demasiado carinho de nossas novas conversas durante a madrugada. De mim afagando seus cabelos enquanto me direcionava seus melhores e mais verdadeiros sorrisos em nossos diálogos bobos sobre tudo e nada ao mesmo tempo, pois apenas gostávamos de ver outrem falar com sua típica empolgação eloquente que encantou a ambos em silêncio desde o começo.

Que eu via.

Apenas nós víamos.

Das noites em que ao seu lado o observava cozinhar e conversávamos de um par de assuntos, inclusive planejávamos as muitas partes e facetas de nosso futuro próximo e distante, cogitando como seríamos quando velhos demais a ponto de nossos cabelos tornarem-se brancos como a neve. E mesmo o observando durante esse tempo eu jamais aprendi uma receita sequer.

Sabes que sou uma lástima na cozinha.

Abusava de vossos dotes pois sabia o quanto gostava de me agradar e escutar meus elogios sinceros.

Ainda assim e com toda essa felicidade nós jamais deixamos de ser quem somos e quem já fomos em nosso passado. A intensidade estava presente, encrustada em nossas almas para sempre.

Eu e a escrita continuamos unidas, mas agora haviam mais contos bonitos a serem transcritos; palavras de amor e união a serem repassadas para todos aqueles que encontravam-se em nossas antigas posições pudessem crer que suas metades os aguardavam, assim como mais finais felizes a serem redigidos. Tudo atrelado à realidade, mas com certo toque de fantasia, pois eu mesma via-me numa espécie de conto de fadas no qual a mocinha em invés de ser resgatada pelo belo cavaleiro branco, encontrou sua metade no dono soturno, arisco e altivo de um corcel negro como a própria escuridão que por ser assim cativou-me imenso, pois ao contrário de todos os outros jamais me julgou e trazia em si a mesma necessidade macambúzia que eu tinha.

Mas embora nossos momentos felizes reinassem, ainda o via e sentia tendo que me proteger daquilo que teimava em residir em meu imo e em dados momentos de tristeza cotidiana açoitava-me vindo à tona.

Nessas horas em que tornava-me refém de mim mesma sentia-o tomar-me em teus braços protetores, acalentar-me como ninguém jamais o fez e trazer a paz que somente a tua presença era capaz de transferir a minha alma inquieta e salpicada de cores e nuances até por mim mesma desconhecidas.

Nessas horas minhas lágrimas acabavam por transformarem-se em canção.

Uma canção solene.

A serenata em agradecimento a tua presença, a teu amor, ao nós que nunca terá um fim, apenas novos recomeços.

Assim como em vossos momento de sofreguidão e loucura, eu também estive em sua companhia. Abracei-te mesmo fazendo de tudo para afastar-me por receio de perder a cabeça e injuriar-me. O fiz deitar em meu colo para acarinhar seus cabelos negros que tanto gosto, sentindo a textura macia por entre meus dedos, enquanto o via lagrimar sem saber a razão por detrás de tamanha tristeza.

De toda a aflição que carregava enjaulada por detrás de sorriso fáceis e dolorosos de ver quando os mostrava a mim simulando estar bem e a não preocupar-me em demasia.

Enquanto adorava-te e idolatrava-te em silêncio.

Puxando para mim toda a sua dor para que sozinho jamais a sentisse novamente.

Exatamente como fizeste comigo quando segurou em minha mão e prometeu jamais a soltar.

Não era justo que sofresse daquele jeito.

Que a ira descontrolada e periclitante – que descobri ser tão característica de sua pessoa e com afinco trancada em um frio calabouço no castelo de sua mente – imergisse.

Uma fera resiliente e ardilosa.

Inteligente.

Todavia, éramos apenas nós dois e estávamos juntos de mãos dadas atravessando as avenidas do desespero, da dor, da agonia e do sofrimento em direção às alamedas da alegria e felicidade.










12 de Mayo de 2019 a las 20:07 0 Reporte Insertar 123
Fin

Conoce al autor

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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