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natchimendes Natanael L. Chimendes

Este livro-reportagem narra a história de 4 vidas completamente diferentes, mas com um detalhe em comum. Todas as pessoas moram sozinhas na cidade de Curitiba. O ato de viver sozinho já é tema de reportagens, infográficos, debates e palestras de autoajuda que buscam desvendar este fenômeno moderno das grandes cidades do mundo. Cada frase exemplifica lembranças, memórias perdidas no tempo e visões de um mundo recluso e moderno. Arte da capa: Canva


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Prólogo


"Viver só é um projeto que realizarei certamente um dia. Não se trata de um desejo de solidão absoluta.Quero viver retirado, mas não como eremita. Agirei desse modo para afastar um certo número de equívocos que me destroem aos poucos.Aliás, estou convencido de que atualmente estou só. Portanto, mais vale parar de uma vez com esta palhaçada que consiste em tentar desesperadamente não o estar, visto que, na realidade, estou profundamente só."

Jacques Brel (1929-1978)


Qual a sua lembrança mais antiga?

Sou mais ou menos incomodado com essa pergunta pelo simples fato de que a resposta acaba sendo - de certa forma - intrigante. Afinal, a minha recordação mais antiga data de uma ausência de sons, memórias encarceradas por um sentimento vazio e doce. Comecei a registrar minha vida quando recebi instruções de minha mãe sobre como deveria me comportar aos quatro anos de idade assistindo televisão - enquanto ela saía para fazer as compras do mês. "Não precisa sair do quarto, vou deixar a TV ligada no seu programa favorito e tem um monte de salgadinho aqui para você comer, já volto" dizia apressada enquanto arrumava a bolsa com os instrumentos para a pequena viagem. O medo de me deixar sozinho em casa era transparente no seu rosto.

Esperei as luzes do carro preencherem o quarto enquanto o veículo saía para a rua. As cores da televisão foram se alterando, e me debrucei no edredom, mas não lembro do barulho do veículo, do áudio da TV ligada, do programa favorito que estava passando, do cheiro do salgadinho penetrado no ar, do calor embaixo das cobertas ou da leve escuridão que pairava sobre o quarto azulado. Entretanto de algum modo aquilo me alegrava e trazia uma segurança que uma criança de quatro anos não conseguia identificar.

A primeira coisa que me impressionou naquela noite foi como o mundo podia ser interessante apenas com três coisas: uma televisão, um edredom e um salgadinho. Tirei os sapatos e me atirei na cama com um gosto de que estava mergulhando numa sensação viva e eterna. Certamente naquela idade eu não sabia direito o que estava acontecendo comigo. Mas agora, olhando com mais cautela percebo que aquele menino ansiava por um estilo de vida confortável e seguro. Mesmo com poucos segundos dentro daquele quarto azulado, tudo, exatamente tudo, estaria no seu controle.

Talvez tenha sido esta aproximação com o que pode ser controlável na minha vida que trouxe a curiosidade de averiguar a vida de pessoas independentes ou pelo menos quase isso.

Vinte anos depois, decidi tentar a vida universitária em Curitiba, o que acabou levando finalmente a construção deste projeto em suas mãos. A ideia deste livro é apresentar com olhos mais abertos a motivação por trás de quem mora sozinho na cidade de Curitiba, capital do Paraná, e berço do meu crescimento acadêmico.

A primeira impressão que tive ao pisar em Curitiba foi de andar numa espécie de organismo vivo e louco para ser explorado. Cada pessoa, cada mito, cada rua molhada pelas chuvas gritava por um observador que desvendasse a vida de quem já está acostumado com todos os cenários. E foi nesta cidade que nasceu o sonho de escrever sobre pessoas para pessoas. E logo vieram as perguntas: o que motiva, ou quais são as alternativas que levam a alguém buscar a reclusão da sociedade e romper com o tradicional viver familiar? Qual seria a rotina de quem opta por morar sozinho numa cidade tão viva e interativa como Curitiba?

E foi na busca por estas questões que descobri a possível resposta, que estava guardada na minha lembrança mais antiga. O ato de viver sozinho já é tema de reportagens, infográficos, debates e palestras de autoajuda que buscam desvendar este fenômeno moderno das grandes cidades do mundo. Mas observando aquele menino de apenas quatro anos, que mal sabia pronunciar uma palavra completa, acabei sentindo, mesmo que por um curto espaço de tempo, a breve sensação de que desde pequeno eu admirava a saudável solidão.

Agora, não encare esta solidão como um escape negativo da sociedade. Olhando para a minha lembrança mais antiga, aprendi que viver sozinho não significa uma reclusão egoísta ou uma alternativa final de nossas vidas, mas sim um desejo ardente e encantador de viver feliz consigo mesmo. Não encare cada palavra deste livro como uma espécie de altruísmo pessoal, mas visualize como um labirinto e caminhe ao lado de pessoas que optaram, ou não, por viver sozinhas em regiões urbanas. Cada frase exemplifica lembranças, memórias perdidas no tempo e visões de um mundo recluso e moderno. Estamos cada vez mais distantes e próximos uns dos outros, resta saber por quanto tempo.

9 de Mayo de 2019 a las 04:02 0 Reporte Insertar 4
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