Três Luas - Academia de Bruxaria Seguir historia

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Em um mundo movido pela magia, diversas raças convivem pacificamente e almejam as melhores escolas para se tornarem parte ativa deste mundo. A Academia Três Luas é o destino desejado por todas as jovens aspirantes à bruxaria, sendo fundada pelas três maiores bruxas da história e estando em posse do Oraculum, um artefato místico que realiza a Walpurgisnatch, uma competição saudável entre suas alunas onde a vencedora tem seu nome escrito na história da magia. Entretanto, o destino trágico de uma das alunas pode acabar transformando essa competição para sempre.


Fantasía Medieval No para niños menores de 13.

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Olhos opacos

O Sol nasceu radiante e imponente como sempre, derramando seus raios luminosos sobre as torres brancas e os telhados negros da Academia das Três Luas, a maior e mais conceituada escola de bruxaria do mundo. Apenas as melhores e mais esforçadas estudantes das artes místicas habitam os dormitórios das instalações, separados pelos cinco anos de graduação. Estes mesmos raios luminosos invadiam as janelas dos quartos das alunas, avisando que mais um dia de aprendizado estava prestes a começar. E não era diferente no quarto de Charlotte Lunnas, uma aluna do terceiro ano ou da turma da Lua Crescente. A humana de 15 anos de idade, pele morena, olhos castanhos e cabelos curtos e negros sentiu o Sol em seu rosto e apenas rolou para fora da cama, caindo do segundo andar da beliche e acordando suas companheiras de quarto com o barulho de sua queda.

— Está viva, Charlotte?

A garota que dividia a beliche com a humana esticou seu pescoço para fora da cama enquanto esfregava seus olhos de esclera negra e íris amarela. A demônia vestia uma camisola negra, contrastando com sua pele avermelhada e seus cabelos brancos curtos. Ela sorria, acostumada com a situação corriqueira.

— Estou sim, Amanda. - respondeu Charlotte em meio a um bocejo.

— Tem certeza de que não quer ficar com a cama de baixo?

— Já te falei, menina! Se for pra cair, tem que cair com tudo!

— Esquece Amanda, sabe que a Charlotte é um caso perdido.

A outra integrante do quarto estava sentada em uma cama comum, ainda coberta por um lençol de seda branco. Parecia ter acordado antes das outras e estava lendo um livro sobre cristais. Seus olhos verdes percorriam as páginas em uma velocidade invejável e a elfa só parava vez ou outra para ajeitar alguns fios rebeldes de seus cabelos loiros e longos para trás de suas orelhas pontudas.

— Poxa Gretel, não seja má comigo. - disse Charlotte, em um tom dramático.

— Ficou acordada até tarde para terminar a pesquisa sobre a poção do sono, não é? - indagou a elfa, com um ar de vitoriosa.

— Então… Sabem como é, certo?

— Charlotte, eu realmente não entendo como você pode ser tão incompetente em tarefas simples e ainda assim conseguir ótimas notas nas provas. - reclamou Amanda, visivelmente indignada.

— O que posso fazer se só consigo ser boa na prática?

— Sabe que a Sra. Madeleine te transformaria num sapo se ouvisse isso, não? - debochou Gretel.

— Por isso eu só falo essas coisas com vocês, suas lindas!

As três garotas riram e começaram a se aprontar para mais um dia de aula. O uniforme da escola era simples, mas vestido por todas as alunas com muito orgulho: uma camisa de mangas compridas brancas com o logotipo bordado na gola e nas pontas das mangas, um laço negro e pomposo no pescoço e uma saia negra até os joelhos, acompanhados de sapatilhas pretas, meias até a metade da canela e um chapéu preto e pontudo com uma fivela prateada e brilhante. O trio de amigas percorreu os corredores agitados junto com as outras alunas da turma da Lua Crescente, se juntando mais tarde ao resto da escola.

A primeira aula foi com a Sra. Madeleine, uma especialista em poções e encantamentos. Como de costume, a bruxa deixou uma pesquisa para as alunas com o prazo de uma semana para que pudessem colocar em prática na aula. E como já era rotina, Charlotte recebeu um belíssimo sermão por fazer o dever em cima da hora. Fora isso, a aula seguiu normalmente. O trio de bruxinhas novamente se sobressaiu da turma por poções de excelente qualidade e todas seguiram para a próxima aula, sobre a manutenção dos cristais que servem como catalisadores para magias.

Todas as alunas se esforçavam muito em todas as atividades que a escola oferecia, em um clima real de competitividade saudável entre elas. Isso tudo era incentivado pela academia com um quadro mágico posicionado estrategicamente no refeitório, mostrando os nomes das dez melhores alunas de cada turma e suas notas. Soa estranho e elitista, mas há um propósito muito mais importante, além de qualquer sentimento de satisfação ou de massagens no ego das alunas. O maior diferencial da Academia das Três Luas não é sua origem e tampouco seus funcionários excepcionais, mas sim a presença de um artefato místico, uma relíquia muito poderosa e de grande influência no mundo da bruxaria: o Oraculum.

Este artefato é uma esfera negra que pode alternar seu estado físico entre sólido e líquido e que possui consciência própria. Ele fica adormecido durante a maior parte do tempo e desperta uma vez por ano, dando início à Walpurgisnatch, uma competição entre as alunas com um prêmio de altíssimo valor: uma pena de fênix arco-íris, considerado como o ingrediente místico mais raro de todos, capaz de elevar um catalisador a sua capacidade mágica máxima. O Oraculum sempre escolhe três das cinco melhores alunas de cada uma das cinco turmas e as coloca em diversas provas, sempre variando a cada ano. A melhor aluna sempre tem uma passagem quase garantida para a competição. Além do ingrediente raro, a vencedora tem seu nome gravado na história da bruxaria e da academia, motivo pelo qual todas as alunas se dedicam tanto diariamente.

Seguindo o costume de todas as habitantes da academia, o trio de bruxinhas foi diretamente até o grande quadro para verificarem suas posições durante o intervalo. Elas eram as melhores da turma Lua Crescente e seguiam orgulhosas por isso, sendo Charlotte a primeira posição, Amanda a segunda e Gretel a terceira. A demônia fez uma pose de vitoriosa e jogou seus cabelos ao vento.

— Os números não mentem, Gretel, sou superior em todos os aspectos!

— Lá vem você com esse papo furado. - disse Gretel, com desânimo aparente. - A diferença é de apenas dois pontos! A única pessoa que pode se gabar aqui é a Charlotte, que está dez pontos a nossa frente.

— Eu juro que ainda descubro como essa garota consegue tal proeza. - reclamou, Amanda.

— Gente, já disse que não devemos brigar por causa de números. - disse Charlotte, tentando apaziguar a situação. - Principalmente porque a única bruxa da escola que pode se gabar com números é a rainha da turma Eclipse.

Alguns passos suaves chamaram a atenção do trio. Uma garota de pele pálida e cabelos longos negros e cacheados se aproximou do quadro com um sorriso amigável no rosto. Seus olhos vermelhos percorreram rapidamente o ranking da turma Eclipse, o último ano, e se voltaram para o trio

— Não sabia que a minha turma tinha uma rainha, Charlotte.

— Como assim, Verz?! - indagou a humana, perplexa. - Você é modesta demais, menina! Cinco anos na Três Luas com pontuação impecável em todas as matérias. Eu me curvo perante sua grandiosidade.

Charlotte se curvou, não em um ato de deboche, mas por realmente admirar o talento inquestionável da única bruxa que conseguiu uma pontuação tão alta em toda a história da academia. Verz apenas sorriu e cobriu sua boca com a mão direita em um gesto de timidez.

— Não se trata de modéstia, Charlotte. Meus números são altos, mas não me acho digna de tal título ou de uma reverência.

— Não é muito justo, para falar a verdade. - reclamou Amanda. - Espero que o Oraculum só me convoque para a Walpurgisnatch quando você estiver formada. Eu não teria uma chance sequer contra suas habilidades.

— Bem… Eu nunca fui convocada, mas espero muito que isso aconteça esse ano, afinal… É minha última chance. Ainda assim, tenho certeza de que você seria uma oponente formidável.

— Fala sério! - exclamou Charlotte. - Se essa garota não é uma rainha, então eu devo ser um pato falante!

— Acredito que a chance de o Oraculum as escolherem são altas. Mas realmente gostaria que fosse em uma outra oportunidade. Esse ano darei o máximo de mim para ganhar.

— É assim que se fala, menina! - exclamou Amanda. - Mal posso esperar para ter a bunda chutada por você.

— Desejo uma boa sorte a todas nós. - disse Verz, exibindo um sorriso doce no rosto.

As bruxinhas trocaram mais algumas palavras e usaram o tempo restante do intervalo para comer alguma coisa antes do restante das aulas. Depois de meia hora de História da Bruxaria, a diretora Clarabel convocou todas as alunas da academia para um comunicado importante. Sendo alunas do terceiro ano, Charlotte, Amanda e Gretel já tinham uma boa ideia de qual seria o assunto da reunião repentina.

Todas se reuniram no salão de festas, um local extremamente amplo com piso de mármore branco polido tão delicadamente que era capaz de refletir tudo o que estivesse sobre ele. Paredes brancas com arabescos dourados, janelas gigantescas com cortinas de seda dourada e vários lustres flutuantes de cristal. No fim do grande salão havia um palanque e duas longas mesas de madeira onde estavam sentadas todas as professoras da escola. No palanque estava a diretora Clarabel, uma elfa alta de cabelos alvos e compridos, orelhas pontudas com um par de brincos de penas de falcão. Seus olhos verdes e severos observavam todas as alunas por trás de óculos delicados de armação prateada. Sua presença era imponente o suficiente para que o salão enorme se mantivesse em silêncio absoluto. Depois de se certificar que todas as alunas estavam em seu devido lugar, ela ajeitou seu óculos e começou o pronunciamento:

— Bom dia, minhas queridas bruxas de Três Luas. Temos aqui neste salão o futuro do mundo da bruxaria. Creio que aquelas que estão aqui há mais de um ano já saibam o motivo de eu reuni-las sem aviso prévio. O Oraculum despertou.

O primeiro ano inteiro teve que conter sua animação ao ouvir a notícia. Obviamente, o restante das alunas também compartilhava do sentimento, porém estavam mais mentalmente preparadas para lidar com isso. Apenas a turma eclipse exibia um aura diferente. Ao invés de animação ou ansiedade, todas estavam tensas. Clarabel ergueu sua mão direita e seu anel de rubi brilhou e um portal azulado se abriu em frente ao palanque. Dele surgiu uma esfera negra flutuante. Ela parecia ser feita de alguma espécie de líquido reluzente e pouco tempo depois de sair do portal, dois olhos brancos e brilhantes se abriram, assim como uma pequena e sutil boca também branca e brilhante.

— A todas as alunas da turma Lua Minguante, este é o Oraculum, o artefato mais poderoso da Academia de Bruxaria Três Luas.

— Olá, queridas bruxas! - exclamou o artefato com uma voz fina e doce. - Sou o Oraculum e como muitas já devem saber, sou um artefato mágico com vontade própria! Geralmente estou dormindo, mas hoje é um dia especial… Pois hoje anunciarei os nomes das participantes da Walpurgis do ano de 3137!

Mesmo com a presença da severa diretora Clarabel, as bruxas foram incapazes de conter sua empolgação e gritaram involuntariamente. A diretora bateu com seu anel no palanque algumas vezes e todas se calaram.

— Sei que devem estar animadas! Para aquelas que nunca participaram ou presenciaram uma Walpurgisnatch, explicarei claramente todas as regras da competição. Escolherei três bruxinhas de cada uma das cinco turmas, totalizando quinze alunas de bruxaria. Depois disso, sortearei a combinação dos grupos a cada desafio. As duas menores pontuações de cada desafio serão eliminadas e as competições passarão a ser individuais quando restarem oito participantes. No final, apenas uma de vocês será a vencedora!

Mais uma vez, as alunas foram ao delírio e tiveram que ser silenciadas pela diretora. Oraculum não parecia se importar com o barulho, aliás, diziam até mesmo que o artefato gostava de receber respostas eufóricas sempre que fazia um comunicado. Ele girou e flutuou por todo o salão rapidamente, parando no meio de todas as alunas.

— Agora que todas estão familiarizadas com as regras da Walpurgisnatch, vamos ao momento que todas estavam esperando… O nome das participantes desse ano!

Clarabel não precisou e manifestar, pois o comentário em si gerou um silêncio esmagador. Não havia espaço para animação naquele momento, apenas tensão e ansiedade, principalmente para a turma Eclipse, que se via diante da última oportunidade de participar da competição mais importante do mundo da bruxaria. Oraculum se posicionou mais uma vez à frente do palanque ocupado por Clarabel e se virou para as alunas, observando turma a turma.

— Da Lua Minguante, eu escolho… Ewa Ursula, Kira Yeva e Sylvia Pauline!

As três garotas, sendo uma elfa negra, uma orc e uma garota com orelhas de gato encararam o artefato, incrédulas. A mais alta e forte deles, Kira a orc, abraçou as outras duas garotas e girou, comemorando.

— Da Lua Nova, eu escolho… Lis Ellinor, Agnes Zilla e Rebeka Ida!

Uma garota do segundo ano desmaiou por não ouvir seu nome e as escolhidas, uma garota meio peixe, uma com orelhas de coelho e uma pequena halfling saltaram de alegria.

— Da Lua Crescente, eu escolho… Charlotte Lunas, Gretel Saskia e Amanda Nadine!

Boquiabertas, as três amigas se entreolharam e se abraçaram, saltitando em conjunto freneticamente.

— Da Lua Cheia, eu escolho… Karolina Sundust, Nina Dajana e Ellie Scarlet!

Desta vez, três garotas desmaiaram por não estarem na lista de escolhidas. As alunas do quarto ano, uma fada, uma garota lagarto e uma vampira, se entreolharam e fizeram cumprimentos cordiais, tentando esconder sua empolgação.

— Da Turma Eclipse, eu escolho… Hotaru Ayame, Sophia Danfi e Laura Ursula!

De todas as trinta alunas, dez desmaiaram, doze desabaram em lágrimas três caíram de joelhos sem reação e as escolhidas gritaram de felicidade. A kitsune não parava de saltar e balançar suas caudas, a medusa teve que acalmar as serpentes de sua cabeça e a elfa negra apenas fez uma reverência formal voltada para o Oraculum. Charlotte ignorou tudo e apenas focou seu olhar em Verz, a melhor aluna da escola por cinco anos consecutivos e que mais uma vez foi deixada de fora da Walpurgisnatch. Os olhos da garota, outrora cheios de vida e brilho estavam opacos, como se seu espírito tivesse deixado seu corpo.

— Parabéns a todas as escolhidas! A quem ficou de fora, mais sorte no ano que vem! Amanhã logo cedo quero todas as participantes aqui para fazermos uma prova teste e sortear as equipes para o primeiro desafio que acontecerá daqui a três dias!

O Oraculum girou algumas vezes e desceu lentamente até o chão, permanecendo imóvel. Clarabel bateu no palanque mais uma vez para chamar a atenção das alunas que comemoravam ou se lamentavam no salão. Ela começou um longo discurso sobre a burocracia envolvendo a competição, porém Charlotte ignorou totalmente não só por já ter ouvido a mesma coisa nos dois anos anteriores, mas porque era incapaz de tirar os olhos de Verz. A garota se manteve na mesma posição até o fim do discurso, quando uma de suas colegas tocou em seu ombro e a tirou do transe. Verz notou que Charlotte a encarava, preocupada, e esboçou um sorriso sem graça e acenou sua mão esquerda.

Charlotte pediu licença para suas grandes amigas e correu em direção à sua veterana. A melhor aluna da escola se espantou com a atitude da humana e tentou desviar o olhar, envergonhada.

— Verz, você está…

— Estou, estou… Estou bem. Fico muito feliz que vocês tenham conseguido entrar. Parece que profetizei isso.

— Deve ser algum engano! Você é a melhor de todas nós, talvez se você falar com…

— Está tudo bem, obrigada pela preocupação. Eu… Eu tenho que ir agora.

A veterana colocou a mão esquerda no ombro da humana e colocou sua outra mão no em seu rosto, alisando sua bochecha e tirando o cabelo de seu rosto. As duas se encararam por um tempo e Charlotte não conseguia deixar de se preocupar com o olhar vazio de Verz e por um instante ela pensou ter visto uma rachadura em seu olho direito, mas a garota rapidamente se virou e seguiu seu rumo. Amanda e Gretel se aproximaram e abraçaram a bruxinha que mantinha seus olhos na turma Eclipse.

Não houve aulas depois da aparição do Oraculum e as alunas tiveram um dia livre. Algumas ficaram estudando, outras decidiram comer coisas gostosas para comemorar ou espantar a tristeza e o trio da turma Lua Crescente saiu para comemorar na pequena vila próxima da academia. Depois de horas de diversão, elas retornaram ao quarto e dormiram, exaustas. Charlotte acordou pouco tempo depois e passou uma hora encarando o teto de seu quarto, pensando em sua veterana. Pouco antes de pegar no sono novamente, ela teve a impressão de que as luzes mágicas do quarto tinham se apagado, mas acreditou ser efeito do sono. Mal sabia a bruxinha que no dia seguinte ela descobriria o significado daquele instante em que as luzes se apagaram. Um pequeno intervalo de poucos segundos que mudaria a história daquela escola para sempre.

7 de Mayo de 2019 a las 14:21 0 Reporte Insertar 119
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