Um Jogo de Cartas Seguir historia

reianfibio Príncipe Dos Sapos

Uma cigana picareta começa a receber indícios de que está levando sua vida de maneira errada.


Cuento Todo público.

#tarot #332 #Cigana
Cuento corto
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Um Jogo de Cartas

Era uma manhã ensolarada do dia cinco de setembro, Madame Adriana, uma cigana muito conhecida na cidade por suas adivinhações, completava cinquenta e cinco invernos. Como em todas as manhãs, tomou um banho quente, escovou os dentes, comeu pão e tomou suco de nectarina, após saiu para dar uma volta.
Apesar da idade, Adriana tinha aparência jovial e de grande beleza, corpo oval e de seios fartos, sorriso branco como quartzo, cabelos longos e enrolados de um amarelo tão puro e brilhante que de longe poderiam ser confundidos com fios de ouro 24 quilates, olhos amendoados semelhantes a duas pedras de safira azul, seu olhar profundo e sedutor escondia sua natureza maliciosa.
Ao norte da rua principal se localizava a pequena loja de temperos de Mário. Adriana entrou na loja e estranhou a presença de uma pessoa desconhecida no caixa.
— Bom dia! Onde está Mário?
A figura atrás do caixa virou-se e disse:
— Me chamo Jude, sou uma parente distante do Mário.
— Ele está bem?
— Está sim —, disse Jude. — Ele deu uma saída, mas já volta. Posso ajudar?
— Me vê 20g de canela.
Jude ensacou uma boa quantidade de canela e entregou à Adriana,
— Por conta da casa, afinal nossa balança está quebrada. Aproveite seu dia.
Adriana saiu da loja e seguiu com seu passeio. Ainda a poucos passos da loja notou que alguém imitava seus movimentos, enfurecida virou-se e gritou:
— O QUE VOCÊ QUER? — odiava ser chacota.
O homem paralisou e depois de um curto tempo continuou sua imitação.
— Quem é você? — perguntou Adriana andando em sua direção.
O homem magro e muito sorridente respondeu:
— Oh moça bonita não queria deixa-la zangada. Como pode ver, sou apenas um pobre imitador. Me chamo Ventidue! Ou será que é Null? Pensando bem acho que é Fou. Há, quem se importa com esse tipo de coisa não é mesmo? Hahaahahahahaahah.
— Então você é só um maluco que imita as pessoas na rua. — Afirmou Adriana.
— Alguns me chamam de louco, mas qual é a definição de loucura? A razão é a pior prisão que existe menina, ela nos sufoca e nos impede hahahahaha de realizar o que se pode ser realizado. Uns me chamam de louco, porém outros acreditam que sou excêntrico e alguns poucos me conhecem como Descobridor do que é Incerto e Misterioso. Hahaha Imitação é o treino da criação, nada criamos se não imitamos. Mas eu não imito para criar, pois tudo o que é criado é descoberto por mim, na verdade eu imito a imitação de mim mesmo imitado pelas coisas que hão de ser criadas ou imitadas.
— Você falou nada com nada. — disse Adriana.
— Hahaahaha, muito pelo contrário, eu acabei de revelar o tudo!
Adriana virou as costas e foi embora sem falar mais nada. — A propósito, feliz aniversário Madame. — disse o homem em meio a risos. Adriana se virou assustada, mas o homem já havia sumido.
Já é meio dia, pensou. É melhor eu voltar e preparar o almoço. No caminho de volta Adriana cruzou com um quiosque de jornal que não estava lá quando foste à loja de Mário. Era um quiosque comum, sem revistas, apenas jornais, mas também sem um dono ou vendedor por perto, na verdade as ruas estavam desertas hoje com exceção das personagens já citadas. O tempo subitamente fechou e um vento forte soprou e os jornais voaram ao redor de Adriana, voavam leves como uma pluma bailando ao vento. A notícia "Torneio mundial de xadrez é decidido com jogada conjunta de Torre e Rei. 'Matéria completa na página 16'" Vinha estampada na capa. Adriana apertou o passo.
— Mas que dia estranho.
Ao chegar em casa se dirigiu a cozinha e começou os preparativos para o almoço quando bateram na porta.
— Quem é? Estamos fechados! — exclamou. Mas as batidas não cessaram. Adriana abriu a porta e deparou-se com uma figura encapuzada. Era um homem velho alto e magro, segurava um grande livro e trajava uma túnica que cobria quase que todo seu corpo, mostrando apenas seus pés descalços, a parte inferior do rosto e suas mãos, o pulso direito está acorrentado ao livro, ou o livro a ele. Antes que Adriana pudesse falar alguma coisa, o velho foi logo entrando.
— Quem é você? — Perguntou Adriana. — Como eu já havia dito, não estou fazendo adivinhações hoje, volte amanhã.
— Sou apenas um espectador, ao contrário do que acreditam eu não determino eventos, apenas observo o que foi predestinado.
— Entendi, você é outro louco, mas o que tem nesse livro? E por que está acorrentando ao seu pulso?
— O livro faz parte de mim assim como faço parte dele. O livro contém sua vida. Cada detalhe de sua existência. Tudo que aconteceu com você. Tudo que ainda acontecerá. Mesmo as coisas das quais já não se lembra. Contém tudo que aconteceu ou acontecerá com todos que você conheceu. Todos de que ouviu falar. Todos de que nunca ouviu falar. Estão lá histórias, os sonhos e os triunfos dos mortos. Em suas páginas, está traçado o significado dos padrões das manchas em cada leopardo, juntamente com a verdade sobre a forma das nuvens, bem como as estranhas e divertidas vidas, canções das bactérias e os segredos que o vento sussurra quando não há ninguém para ouvi-lo. Tudo está lá, desde a alvorada do tempo até o seu acaso. Destino não criou a trilha por onde você caminha. Mas os movimentos dos átomos e galáxias estão no livro. Está tudo no livro. Um dia eu o deixarei de lado, quando a narrativa tiver terminado, e o que virá depois ainda não foi redigido.
— Então você acabou de me falar que é o próprio conceito de destino? — disse Adriana aos risos. — Hoje eu não estou com paciência, é melhor você ir embora.
O homem se sentou e disse:
— Por que não tenta ler o meu destino? — mostrando o resto de seu rosto. Seus olhos eram cegos, mas continham o brilho do universo.
Neste momento todo o ambiente que Adriana e o Cego se encontravam sumiu, restando apenas o vazio absoluto. — VOCÊ É UM MÁGICO?! O QUE FEZ COM A MINHA CASA? ONDE ESTAMOS?
— Jovem, você mexeu com forças além da sua compreensão. — Disse o homem com voz estrondosa. — Passou a vida se aproveitando da fé e ingenuidade das pessoas por causa de dinheiro. Mas o futuro é mutável e você ainda tem a chance de trilhar um outro caminho.
Era uma manhã ensolarada do dia seis de setembro, Madame Adriana, uma cigana muito conhecida na cidade por suas adivinhações, levantava da cama como em todas as manhãs. — Que sonho mais estranho. — Balbuciou. Tomou um banho quente, escovou os dentes, comeu pão e tomou suco de nectarina, após vestiu as roupas de sua personagem, pegou sua agenda e disse consigo mesma, — vejamos quais são os clientes de hoje —, enquanto se sentava atrás de sua mesa de cartas.

NOTAS

5: Este é o número da Cabala que corresponde ao pentagrama, à estrela de 5 pontas. O número 5 representa o Homem perante o Universo. É a representação da liberdade, da evolução, do sentimento de aventura que nos leva ao crescimento.

9: Representa a finalização de um ciclo e o início de outro. Está relacionado ao altruísmo, à fraternidade e também à máxima espiritualidade.

55: É o número da Cabala que representa o canal aberto para a expressão da energia vital. É símbolo de força e abertura espiritual.

Oval: Este é um formato comum na escolha de pedras preciosas em acessórios como colares e anéis.

Seios fartos: Quando as mamas são grandes, a mulher é yin, ou seja, tem tendência a anular-se devido a um instinto maternal exagerado. Essa característica do corpo denota a mulher que acolhe, protege e supre as necessidades de quem a solicita. Trata-se da verdadeira “mãezona” de todos, não só de seus filhos. Magoa-se com facilidade e muitas vezes deixa de realizar seus sonhos em prol dos de outras pessoas, principalmente de familiares.

Os ciganos, assim como povos de outras tradições, acreditam no poder das pedras preciosas. Quando usadas corretamente, os ciganos acreditam que elas podem ajudar as pessoas a lidar com diferentes tipos de emoções e situações.

Quartzo: É o quartzo que apresenta a maior variedade de usos. Atua, principalmente, no chacra coronário. Por sua capacidade de permitir que a luz branca o atravesse e se decomponha em todas as cores, ele atua reequilibrando e suprindo todo o organismo dos elementos dos quais este necessita. Na aura ele atua limpando-a. Ele harmoniza as energias circulantes em nosso corpo, pois age desbloqueando os canais por onde essas energias circulam. Em função dessa propriedade ele contribui facilitando a concentração e a meditação. Quando usado junto com outra pedra ele amplia as propriedades desta.

Amarelo: Amarelo é a cor que tem relação com o processo intelectivo. Ele atua no cérebro, nos nervos, no pensamento. O amarelo é energizante. Ele atua na ingestão, assimilação e construção. Favorece a digestão. Age sobre o fígado e o plexo solar. Age na pele. Pessoas passivas demais devem usar o amarelo para estimular a atividade. O amarelo é excitante e diminui a fadiga. Atua principalmente no terceiro chacra (umbigo).

Ouro: Pedras douradas estimulam o coração e o plexo solar. Aumentam a autoconfiança. Trazem prosperidade. Atuam no quarto chacra (coração). O ouro tem um grande valor na alquimia pois um dos quatro objetivos principais desta ciência é a transmutação de outros metais em ouro.

Safira Azul: Usada contra a depressão ou confusão mental e dificuldade de concentração. Ao diminuir o stress e a tensão, ela ajuda a restaurar o equilíbrio perdido. Também atua nos olhos. A safira azul escura é excelente para febres, neuroses e doenças provocadas por perturbações dos nervos, inclusive asma. Insônia, úlceras. Na meditação, para aumentar a devoção. Serve de defesa contra a magia negra. Atrai as pessoas boas.

Jude: Tanto pronúncia quanto a escrita deste nome se assemelham muito as da palavra judge, juiz em inglês.

Canela: Para os ciganos a canela é uma erva muito poderosa, podendo ser usada para diversos fins. Faça um saquinho verde ou dourado e encha com canela e use como um amuleto de cura, dinheiro e sucesso. Um saquinho roxo cheio de canela pode ser usado para aumentar as forças mágicas e ou poderes psíquicos. Um saquinho rosa ou vermelho cheio de canela atrai o amor ou paixão. E um saquinho branco cheio de canela aumenta a espiritualidade e confere proteção.

Balança: Símbolo de justiça.

A carta número 20 do Tarot é o Julgamento: Indica um Novo Ciclo de Vida. Quando esta carta surge num lançamento ela indica que os nossos pensamentos, palavras e ações estão a ser julgadas nas esferas subtis, Deus está a julgar as suas atitudes. Esta carta alerta para a necessidade de pormos a mão na nossa própria consciência. Estaremos a agir bem? Podemos ser julgados também pelos que nos rodeiam, por isso é muito importante que sejamos sinceros e demos sempre o nosso melhor. O Julgamento pode anunciar mudanças na nossa vida, a nível de estrutura e de bases. Consoante a situação, esta carta indica que chegou ao final de um ciclo, será avaliado e, conforme o seu desempenho, passará a um novo ciclo.

As primeiras manifestações do jogo de 78 cartas que hoje conhecemos pelo nome de Tarot ocorreram no norte da Itália. Este jogo também é muito popular na França e no sul da Alemanha.

Ventidue: Vinte e dois em italiano.

Null: Zero em alemão.

Fou: Louco em francês.

A carta número 22 do Tarot é o Louco: Esta é a última carta dos Arcanos Maiores do Tarot, simultaneamente a carta número 22 e é também o 0 – porque na vida tudo se transforma num ciclo que está sempre a evoluir. Quando uma coisa termina, outra coisa começa. Ao longo dos 22 Arcanos Maiores do Tarot, os quais representam as diretrizes Divinas, vemos a evolução do Homem à medida que progride na sua aprendizagem espiritual. Esta carta significa excentricidade e simboliza a descoberta de um mundo novo. Quando já aprendemos tudo o que havia para aprender é tempo de recomeçar. A carta o Louco traz a novidade, a insegurança dos novos começos, a incerteza porque ainda não sabemos o que vai acontecer, mas traz em si a promessa de que tudo pode acontecer.

A carta número 16 do Tarot é a Torre: A carta a Torre é uma alusão à Torre de Babel, uma lenda bíblica que conta que, depois do Dilúvio, os descendentes de Noé decidiram contrariar as ordens de Deus - que se espalhassem pela Terra e se multiplicassem – e em vez disso tentaram construir uma torre tão alta que chegasse ao céu, para que todos vivessem nela. Deus, para os castigar pela sua arrogância e orgulho, resolveu pô-los a falar línguas diferentes. Sem se conseguirem entender, os homens não puderam concluir o seu projeto de viverem na Torre de Babel e a partir daí esta história simboliza a confusão e o castigo pela arrogância humana. Babel significa "confusão". Quando a carta a Torre surge num lançamento, ela alerta para a possibilidade de estarmos errados nas nossas convicções, indicando que se insistirmos nelas elas podem levar-nos ao colapso.

6: O 6 é o número que representa a harmonia, a conciliação e o equilíbrio. Ele tem a ver com a verdade e com a justiça. É por esta razão que as responsabilidades sociais e familiares são representadas por este número da Cabala.

26 de Abril de 2019 a las 20:58 2 Reporte Insertar 123
Fin

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MRz Rz MRz Rz
Olá! Devo dizer que a riqueza dos detalhes descritos na sua história foi o que mais me surpreendeu. Inicialmente, achei que todos os detalhes era informações desnecessárias, apenas para encher linguiça, até que eu li as notas finais e reli a história. Nada estava lá por acaso e tudo passou como "mensagem subliminares" bem sutis. Me surpreendeu positivamente e precisei deixar esse comentário apenas para dizer como eu realmente gostei de como você expôs tudo. Parabéns para a obra, está ótima realmente. :D
28 de Abril de 2019 a las 15:30

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