Uma Viagem Seguir historia

zephirat Andre Tornado

Todos fazemos viagens - de verdade, em sonhos, acordados, a dormir, hipnotizados pelas nossas fantasias, maravilhados pelas nossas experiências. E assim construímos pequenas centelhas de felicidade e de memória.


Cuento Sólo para mayores de 18. © História original de minha autoria.

#aniversário #escrever #viagem #sonho
Cuento corto
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Capítulo Único


Ela teve um sonho na noite passada.


Sonhou que era uma faísca quente, uma partícula de luz, um poema alado. Um mundo inventado, o passado já conhecido e o futuro por definir. Sonhou que era pequena e que era gigante, minúscula como uma simples célula e enorme como uma montanha cheia de vida.


Havia uma espécie de magia que ela conseguia convocar com um simples estalar dos dedos, quando nem mãos possuía naquele corpo que se transformava à medida que ela pensava, desejava, precisava.


Era um sonho, recordou-se, quando tudo se lhe afigurava demasiado estranho e perigoso.


Nunca poderia acontecer-lhe qualquer mal ali, naquele lugar fantástico, se era ela que ordenava aquela existência.


Sim, era ela que fazia o papel de deusa omnipotente. Vivendo para moldar cada pedaço e enchê-lo de uma consistência que o fazia quase, quase parecido a coisa verdadeira. Por isso, ela se confundia e se intrigava. Seria mesmo um sonho?


Que importasse! Ela iria viver cada momento e dispôs-se a seguir os seus instintos, descartando os medos, as amarras das convenções, a moralidade e a dúvida.


Sorriu e encheu-se de inspiração.


Escutou a música e foi atrás do som. Uma melodia retumbante, que lhe enchia o coração de calor. Toda ela estremecia de excitação, de ansiedade. Deu por si na plateia – a audiência pulava e gritava, braços esticados para o alto, cantando com a banda que no palco dava o maior espetáculo do mundo.


E ela também cantou porque conhecia todas as canções de cor. O seu coração também as conhecia. Sabia que nunca podia igualar aquela voz poderosa e imortal, mas ela cantou, mesmo assim. De um lado para o outro do palco, frenético e imparável, nos seus trejeitos tão característicos, Freddie Mercury cantava. Fez sinal com a cabeça a Brian May no fim do refrão e o guitarrista entrou com um solo de guitarra absolutamente extraordinário. A multidão a ir ao delírio. O baixo inabalável de John Deacon a sublinhar a harmonia, as batidas pujantes de Roger Taylor que se fundiam com o bater do seu próprio coração. Aliás, todo o seu peito se enchia de som e de ritmo. A multidão a agitar-se num cataclismo de emoção. Ela mordeu os lábios, sentindo-se abençoada por estar a assistir à maravilha de um concerto dos Queen ao vivo. Olhou o céu cheio de estrelas. Gritou de alegria.


A música anulou-se numa espiral que a carregou para outros lugares. Longínquos, demorou horas. Próximos, foi apenas um sopro. O tempo esticava-se como tela elástica e ela saltitava sobre esta como se estivesse num trampolim. Ela comandava o próprio tempo.


Continuava deusa, mas teria de prosseguir sem saber qual o próximo passo. Era estranho ter o controlo e ainda assim poder apreciar a surpresa e o espanto. Ser a controladora controlada.


Era um sonho, lembrou-se. Era tão só um sonho.


Um beijo. Um carinho. O sorriso de um filho, as suas mãos pequeninas sobre o seu rosto. O amor mais puro.


Depois estava num estádio a celebrar mais um golo do Benfica! Uma onda de vermelho submergiu-a, cachecóis a rodopiar, bandeiras a adejar, os seus pés a deixar o chão em saltos imparáveis. Eram vencedores. Eram campeões!


E depois ainda o universo rodeou-a e dissolveu-se numa paleta de cores infinitas, fabulosas, vibrantes. Entrou noutra dimensão, noutro mundo. Reconheceu-o de imediato e correu pela relva, observando o imenso céu azul, do azul mais impossível que existia. Gritou de pura felicidade, feliz até à medula, alma inchada de orgulho e de prazer.


Parou no meio do prado. Aguardou.


Percebeu o calor nas suas costas, a chegada repentina. Porque ele tinha a capacidade de surpreender e de maravilhar ao mover-se de repente. Ela inflou-se de paixão e voltou-se. Encarou-o. O seu corpo arrepiou-se. O seu sorriso largo arrepanhava-lhe os músculos do rosto, as faces coradas, olhos cintilantes, as palmas da mão a suar de nervoso. Ele era mais bonito visto ao vivo do que como se habituara a vê-lo – do outro lado do sonho.


Ah!, mas aquilo era um sonho! Por isso, estava tudo normal e coerente e inequívoco.


A brisa estival despenteou-lhe os cabelos negros espetados. O corpo dele era uma escultura viva de poder. O maior guerreiro do Universo, de todos os universos. O verão era quente, ali. E ela sentiu o seu sangue ferver nas veias. Desejo, admiração, deslumbre.


- Son Goku… – suspirou ela. – Kakarotto!


Recebeu-a num abraço. Embalou-a, apertou-a, consolou-a.


E ela derreteu-se nos braços dele.


E quando despertou, quando o sonho terminou e ela não queria que terminasse, sentiu-se impregnada pela mesma felicidade que a tinha vestido durante toda aquela viagem.


Inspirada sentou-se a uma secretária e escreveu. Criou os mundos dos seus sonhos com palavras e contos e histórias que foram livros que inspiraram outros na mesma ânsia de sonhar.


Transmitiu felicidade e, sempre que sonhava, fazia deste mundo mais belo – tão belo quanto os seus sonhos onde era divina.

26 de Abril de 2019 a las 08:12 1 Reporte Insertar 123
Fin

Conoce al autor

Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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Светлана Винн Светлана Винн
волнует)
10 de Mayo de 2019 a las 11:21
~