Os anjos Seguir historia

fernando-camargo1554138998 Fernando Camargo

Ele sofre de insônia e é graças a festa do vizinho que ele se recorda dos bons tempos.


Cuento Todo público.

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Os Anjos

Acordei num salto. O barulho foi tão forte que meus tímpanos, pobre deles, foram para o beleléu. Também pudera. Nem o mais forte dos homens suportaria tantos decibéis. Como é difícil dormir aqui nesta rua. Como é complicado pregar os olhos e repousar o sono dos justos. Já não chega as bateções de martelo da oficina de funilaria do vizinho, agora tenho de aturar o barulho das festas aos finais de semana do morador da frente.

Pobre de mim, que sofro de insônia e de palpitações. Que necessito de medicamentos para botar o sono em dia. Dormir com os anjos? Isso eu não sei do que se trata. Mamãe sempre me botava na cama, dava um beijo na minha face, cobria-me com o lençol e finalmente dizia-me:

- Durma com os anjos, meu bem. – Mas que raio de anjos são esses se eu nunca os vi, tampouco os senti e muito menos os admirei a não ser nas pinturas dos quadros dependurados nas paredes da igreja aqui do bairro.

Há, como tem sido impossível cochilar. No trabalho todos devem notar minhas olheiras e meu olhar de peixe morto. Estou até magro devido a isso. Abro a janela e arregaço as cortinas para o lado, esfrego os olhos e observo a festa na casa do vizinho. Todos ali aparentam felicidade. O clima é de total descontração. Na mesa um bolo quadrado onde está escrito em letras grandes PARABÉNS MAMÃE.

Daí eu começo a lembrar-me da minha. De cabelos negros e olhos cinza, de sorriso grande e bonito e de um abraço acolhedor e afetuoso; e em meio a musica alta eu retorno para a minha cama já desarrumada, deito, puxo o lençol e cubro meu corpo, fecho os olhos e finalmente durmo. Descansaria com a imagem da minha saudosa mãezinha na mente e com o barulho da festa do vizinho. Sorte deles de terem ainda uma mãe por perto, pois a minha descansa ao lado dos anjos de que ela tanto me falava.

4 de Abril de 2019 a las 22:18 0 Reporte Insertar 120
Fin

Conoce al autor

Fernando Camargo Escrevo desde os oito anos de idade, culpa da professora de português. De tanto gostar de fazer isso (escrever), resolvi estudar jornalismo. Formado, atualmente eu passo meus dias a criar personagens e novas histórias.

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