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maahheim MaahHeim

Lívia odeia - e sempre odiou - festas. Mas, desta vez, algo positivo pode sair de sua experiência em uma.


Cuento Todo público.

#feminismo #superação #conto #mulher #empoderamento #Literatura-feminista #Progresso
Cuento corto
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Progresso

As luzes piscavam no ambiente escuro, fazendo as silhuetas das pessoas assumirem um arco-íris de cores. Alguns beijavam-se, alguns bebiam e muitos dançavam.


No meio de tudo aquilo, Lívia suspirava longamente. Não queria estar ali. A música estava tão alta que ela mal conseguia escutar seus próprios pensamentos, e a cerveja em sua mão já não estava mais gelada. Já se perguntava como havia parado naquele lugar.


Ah, sim. Tinha sido sequestrada.


Tudo bem, não sequestrada, mas a sensação era semelhante: Suas duas melhores amigas não se importavam com o fato de que ela odiava festas, cerveja, barulheira e pessoas desconhecidas. Depois de insistirem por semanas, tinham conseguido finalmente arrastá-la para uma festa da faculdade. Qual era o nome daquilo mesmo? Cervejeira? Baldão? Sei lá. Mas era o tipo de coisa que ela não suportava.


Lívia até conseguia aceitar terem-na arrastado. Tudo bem. Ela também arrastava as amigas para uns shows de bandas que somente ela gostava. Faz parte. Intimidade dói.


O que ela não conseguia digerir era o fato de terem-na abandonado. Ela lembrava das duas amigas terem entrado com ela na festa, ficado ao seu lado por alguns minutos, gritarem "Eu adoro essa música!" quando Attention do Charlie Puth começou a tocar e, como num passe de mágica, desaparecido.


Encolheu-se mais ainda no canto do sofá em que tinha conseguido se sentar. As músicas da festa não eram exatamente ruins, mas depois de quarenta minutos escutando batidas quase idênticas, Lívia estava completamente exausta e querendo morrer.


"Livi! Você não dançou ainda?!" Ela quase gritou quando Camila, uma de suas sequestradoras - quer dizer, amigas -, apareceu repentinamente na sua frente. "Você precisa dançar!" Ela se jogou nas coxas da amiga, não se importando de estar se sentando no chão para fazê-lo "Está muito, muito divertido."


"Vocês me abandonaram!" Reclamou a garota, assoprando a franja para longe de seus olhos. "Você sabe que eu morro de vergonha de dançar sozinha e--"


"Íris! Íriisss! A Livi tá triste!" Camila gritava na direção da pista de dança, incapaz de encontrar a outra amiga.


"Camila! Shhh!" Exasperou-se Lívia, assustada com a possibilidade de outros presentes na festa perceberem que ela existia. " Eu só estou dizendo que... Ah, desculpe. Eu sou uma chata, eu sei" Suspirou. "Mas eu realmente não estou afim disso tudo. Eu vou embora"


"Nãããão!" Camila implorou, agarrando as coxas da amiga introvertida "Se você for emborrra..."


Lívia acariciou o cabelo tingido de rosa da amiga com carinho. Ela sabia que a Camila estava se sentindo culpada e que estava bêbada demais para lidar com qualquer coisa difícil.


"Está tudo bem, Cami. Eu estou me sentindo mal, então vou pra casa, tudo bem? Mas obrigada por me trazerem" Ela disse calmamente, olhando para os olhos da amiga. Não estava mentindo. Saber que as amigas faziam questão de tê-la por perto era reconfortante.


Camila fez um muxoxo.


"Você quer que a gente vá com você? Eu faço a Íris parar de beijar o ruivo tatuado." Lívia não fazia ideia de quem era aquela pessoa, mas estava feliz que sua outra amiga tinha conseguido se dar bem na festa.


"Não precisa. Já pedi um Uber juntos só pra uma pessoa." Agora ela estava mentindo, mas era só porque não queria que Camila e Íris largassem tudo por ela. "Vou ficar bem, querida. Vá lá se divertir. Mando uma mensagem quando chegar em casa."


A jovem de cabelos rosas pareceu triste, mas confirmou com a cabeça. Lívia sorriu e, depois de acenar, seguiu na direção da saída, passando por luzes brilhantes e corpos que dançavam animadamente.


Suspirou.


Estava levemente chateada, cansada e sentia que precisava chegar em seu quarto imediatamente para recuperar as energias.


Se arrastava entre as pessoas, sentindo como se a música eletrônica da festa estivesse drenando suas energias. Imaginava que qualquer um pudesse ver em seu rosto o quão desconfortável ela estava.


Mas alguns pareciam não perceber, é claro. Como o garoto que tinha acabado de parar bem em sua frente.


"Indo embora tão cedo, linda?" Ele perguntou.


Lívia levantou a cabeça para o garoto, infinitos centímetros mais alto que ela, que lhe dirigia a palavra. Ela sabia que ele falava com ela porque estava praticamente bloqueando o seu caminho.


"É." Ela respondeu. Não era boa com pessoas flertando consigo. Nunca fora. Ademais, o linda tinha lhe irritado. Era quase impossível de enxergar naquele ambiente; como ele saberia? Lívia só queria que ele saísse do caminho. "Minha carona já está aí, então se você puder me dar licença..."


Ela precisara dar seu melhor para não gaguejar, mas duvidava que o homem fosse perceber mesmo se ela o fizesse. Ele parecia ter bebido além da conta.


"Eu posso dar uma carona pra você!" Ele tirou chaves do bolso e as balançou quase que na cara dela. "Que tal, gata?"


Ótimo, ele era insuportável. E Lívia era péssima com isso. Camila e Íris sempre mandavam os garotos irem se foder quando eles as enchiam o saco - Camila, em particular, já tinha batido em um garoto até ele desmaiar quando ele tinha lhe assediado.


Mas Lívia? Lívia era apenas Lívia. Nessas situações, ela se encolhia. Como agora.


"Eu só quero ir embora." Explicou, projetando os ombros para frente como que para se proteger dele. "Por favor, me dê licença."


Ela desejava ter bebido agora. Talvez isso a tivesse deixado desinibida o suficiente para dar um empurrão nele.


"Vamos lá, gatinha!" Ele não parecia tê-la ouvido. Agora se agachava levemente para ficar perto de seu rosto. Lívia conseguia sentir a respiração dele a pouco centímetros de seu rosto. Seu estômago embrulhou. "Eu posso pagar uma bebida para você. Podemos ir embora juntos..."


Ele tocou seu ombro com uma das mãos, e Lívia congelou. Não tinha lhe dado permissão para entrar em seu espaço pessoal, mas ele o tinha o feito do mesmo jeito.


Apertou os olhos, sentindo eles se encherem de lágrimas. Lívia odiava festas por muitos motivos, mas aquele era um dos principais: Caras que não conseguiam interpretar uma negação (ou que simplesmente a ignoravam).


Ela fitou a cerveja quente em sua mão, se sentindo patética. Se odiava por não conseguir se impor. Daria tudo para ter um pouco de coragem. Coragem para empurrá-lo. Coragem de fazer qualquer coisa.


Segurou a cerveja com força. Tinha ido a tantos psicólogos para vencer a vergonha e controlar sua ansiedade, e continuava assim?


O garoto colocou a mão em seu outro ombro. Parecia prestes a sacudi-la. A falta de reação dela não parecia agradá-lo.


"Ei," Ele a sacudiu "você me ouviu, linda?"


Não. Não, não, não!


Para agir diferente, bastava desejar. Bastava se esforçar. Camila e Íris não estavam ali para salvá-la. Ela não perderia pontos no Uber por causa de um cara idiota. Ela não ficaria mais tempo que o necessário naquela festa por causa de um imbecil. Não ficaria. Não ficaria.


Levantando a cabeça com pressa, Lívia encarou o garoto, coração batendo rápido. Ele tinha um sorriso idiota no rosto.


Então, de uma vez só, ela jogou todo o resto de cerveja na cara dele.


Houve um segundo que tudo pareceu parar. Então, surpresa com sua repentina coragem, Lívia se livrou das mãos do garoto e deu dois pulinhos para trás.


"Mas que porra?" O garoto perguntou, e sua voz era um rugido.


Com o coração ridiculamente acelerado, Lívia gritou para ele:


"Eu disse não!"


Então saiu correndo porque estava com medo de apanhar.


Correndo por entre os corpos dançantes da festa e escutando a música alta em seu ouvido, Lívia começou a rir.

Ela tinha conseguido! Pela primeira vez na vida, tinha conseguido se impor! Tinha conseguido se livrar do idiota! Tinha conseguido escapar daquela choppada - Choppada! Era esse o maldito nome.


Rindo, ela correu até a saída da festa, onde seu Uber já lhe esperava.


"Lívia, certo?" O motorista perguntou quando ela se atirou para dentro do banco traseiro, entre risadas.


"Isso!"


O homem deu partida e, depois de lhe dar um rápido olhar pelo retrovisor e perceber que ela ainda estava rindo, perguntou:


"Festa boa, moça?"


Lívia deu um enorme sorriso:


"A melhor!"

1 de Abril de 2019 a las 03:57 3 Reporte Insertar 122
Fin

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MaahHeim Estou no mundo das fanfics desde o orkut, e dos livros desde que me percebo como gente. Também adoro animes, mangás e jogos. Tentando voltar a escrever ♥

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lf larissa frois
Nossa amei sua historia foi bem criativa eu mim sentir dentro mesmo da historia ,deu para semtir as personagems.parabéns
26 de Abril de 2019 a las 20:41

  • MaahHeim MaahHeim
    Que bom! Fico feliz <3 Obrigada pelo comentário ♥♥ 29 de Abril de 2019 a las 14:38
  • l f larissa frois
    de nada continue escrevendo assim 8 de Mayo de 2019 a las 12:55
~