Das Wolf Seguir historia

u15514544731551454473 Luiz Fabrício Mendes

Uma emboscada minuciosamente preparada, e eis que ocorre o inesperado. Uivos e sangue, um agente inimigo vendo-se obrigado a utilizar seus dons mais violentos para concluir a missão... E o maior segredo da Alemanha Nazista acaba sendo revelado. História parte do ADAMSVERSE.


Horror Literatura de monstruos No para niños menores de 13.

#werewolf #terror #gore #nazismo #segunda-guerra-mundial #lobisomem #adamsverse #Hitler
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Das Wolf

Das Wolf


Adolf – do germânico Adalwolf: "lobo nobre".


Ele mordeu os lábios, abrindo a pequena bolsa de couro e depositando a munição sobre a palma aberta, as balas pesando devido à prata. A orquestra tocando a "Cavalgada das Valquírias" seguia dominando o ar, a agulha da vitrola ainda arranhando o disco colocado pelo falecido Krüeguer para agradar o Führer, sabendo como ele apreciava Wagner...

O mesmo Krüeguer do qual restava agora apenas um braço à vista, decepado na altura do cotovelo, o osso branco brilhando sob a lâmpada da sala enquanto se projetava da carne partida. As insígnias da SS na manga mostravam como a alta posição do morto não valera nada contra a calamidade que sofrera; e o sangue escorrendo do membro despertava seus instintos mais ferais...

Fechou os olhos e focou sua audição. A besta ainda estava ali dentro, farejando, tentando encontrá-lo. O fato de ter no peito um coração sem bater atrasava sua detecção pelo inimigo. E sabia que aquela oportunidade seria a última para liquidá-la.

Abriu os olhos. Percorreu os móveis virados, o estofamento rasgado e os cacos da janela quebrada a alguns passos de distância. O quepe de algum oficial jazia numa poça de sangue ao alcance de sua mão. Não era de Krüeguer – o aroma do sangue era outro. O local havia na verdade se tornado tal confusão de corpos despedaçados que um necromante levaria dias tentando montar cada cadáver corretamente.

A melodia de Wagner encontrava o auge no gramofone. Sabia que a música atiçava ainda mais o monstro.

Terminou de carregar a Luger e se levantou, desencostando-se da pilastra portando três profundas marcas de garras rompendo o papel de parede.

Os grunhidos da fera estavam mais próximos.

Contornou a coluna, o caminhar cauteloso evitando os cacos pelo chão. Conter a respiração não era algo difícil a alguém que a fazia de forma tão lenta, a ausência de calor em seu corpo também contribuindo para se camuflar ao ambiente. Além do mais, a besta estava lidando com um russo, diferente dos "arianos puros" agora desmembrados por toda a sala. Diziam serem frios por natureza, até mesmo aqueles que não eram mortos-vivos. Ouvira falar até em experimentos dos nazistas, realizados com os prisioneiros da guerra, tentando comprovar a avantajada resistência natural dos eslavos ao inverno...

Dentro em breve, o maldito lobo estaria tão frio quanto seus inimigos no leste.

O centro da sala de estar revirada desenhou-se diante de seus sentidos. Havia um corpo decapitado jogado sobre um sofá, o intestino pendendo da pança feito uma cria de cobras vermelhas desenrolando-se para fora do ninho. A julgar pelo uniforme, devia ser Otto, o gentil dono da casa que lhes oferecera vinho pouco antes da transformação do principal convidado. Uma taça quebrada podia ser vista aos pés do móvel, tornando impossível distinguir a bebida do sangue...

Não que no caso dele fizesse alguma diferença.

Teve de conter novamente seus impulsos, ignorando o forte ar de fluído vital dominando toda a residência. Por pouco não tropeçou num abajur derrubado, felizmente recuperando a discrição ao se abaixar atrás de outro sofá. Agora conseguia ouvir os passos do canino, a coisa tendo inteligência o bastante para também ocultar sua presença. Não queria reconhecer tê-la subestimado...

O Führer não era o mais brilhante dos homens – ao menos era o que a propaganda pátria martelara insistentemente em sua cabeça. Sabia guardar bem seu segredo, no entanto; ou o NKVD não teria passado anos tentando descobrir a verdade sobre os anos de guerra do líder nazista. A respeito de como ocultara a real natureza de seu ferimento enquanto servia no Somme em 1916, arranhado na perna por um soldado francês em inexplicável ataque de raiva que, segundo palavras do próprio Führer aos confidentes mais íntimos, "resistiu ao fogo de toda uma trincheira". Um francês que, tendo sua árvore genealógica pesquisada, revelou-se sétimo filho de um sétimo filho – ironicamente liquidado pelos mesmos germânicos na Guerra Franco-Prussiana...

Parecia vingança, auxiliada pelas forças além da compreensão humana que regiam o mundo. E eram essas mesmas forças que haviam trazido aquele russo até o Führer. Um filho de camponeses ucranianos cujos pais sucumbiram à fome e que havia sido convertido numa criatura da noite para sobreviver. O vampiro recrutado pelo grande Stalin, em outra pungente ironia, para integrar a divisão de místicos e seres sobrenaturais do NKVD, em arriscadas missões atrás das linhas inimigas...

O guerreiro das trevas que, naquele momento, não só eliminaria o grande inimigo da União Soviética, mas daria novo passo na eterna guerra entre vampiros e lobisomens – cujas consequências, nos anos porvir, ele não conseguia sequer imaginar...

Mas estava totalmente disposto a selar seu destino.

Ergueu-se de trás do sofá, Luger apontada. Do outro lado da sala, a figura peluda e curvada remetia ao próprio demônio encarnado em forma canina; a besta meio homem, meio lobo voltando para ele seus olhos vermelhos, dentes afiados e focinho cujo formato ainda remetia assustadoramente a um nariz humano. Trapos de uniforme cáqui ainda revestiam parte de seu corpo, uma suástica pendendo frágil de um de seus braços terminando em garras mortais.

Urrando, o lobo soltou grosso fio de saliva e saltou na direção dele.

A Luger rugiu feito um leão, fera colocando-se em desafio contra a atacante. Dois, três tiros. Enquanto uma bala passou rente à cabeça do monstro, errando-a por centímetros, as outras se cravaram em sua carne escura, liberando jorros de sangue.

Embora a atrasando, a besta não parou.

O vampiro saltou para trás, as garras do oponente varando o ar onde há pouco estivera, rasgando os restos de uma cortina ao invés de sua pele gélida. Tornou a pressionar o gatilho da Luger, porém não esperava que um golpe às cegas do lobo, com um dos braços, atirasse a pistola para longe de sua mão.

Sua mente, seus instintos e toda a Inteligência soviética realmente o haviam subestimado.

Deixou que a fúria fluísse por seu corpo. Os olhos brilharam em rubro tão intenso quanto as íris do lobo; a boca se abriu com os caninos afiados sedentos por sangue. Abaixou-se para escapar de outro bote do adversário, atacando-o enquanto passava sobre si, os punhos golpeando-o no peito. O lobo ganiu, estimulando-o a prosseguir com o ataque. Enquanto a fera colidia de costas com uma poltrona, virando-a, o vampiro acelerou até ele com uma mão prestes a atravessá-lo...

Quando sentiu o braço em torno de seu pescoço, travando-o – a força do membro contrastando com sua suavidade. Era um braço de mulher, sua visão permitindo-o identificar as unhas pintadas de vermelho e a pele muito branca, pelos levemente eriçados devido à adrenalina. Sentia o sangue excitado pela ação percorrer todo o corpo da jovem, pulsando intenso e apetitoso, as artérias transbordando de ímpeto. A sede voltou a acometê-lo, agora com uma ponta de luxúria – mas não conseguia se desvincular do abraço, tampouco voltar a cabeça para vislumbrar a agressora.

Os acordes regidos por Wagner anunciavam a chegada de uma própria Valquíria para socorrer o Führer, este se levantando devagar e ofegando, visivelmente combalido pelos ferimentos a prata, que agora lhe pesavam.

O cheiro do sangue agitado da mulher deu lugar, momentaneamente, a seu perfume – fragrância fina e cortante, que queimava os pulmões do vampiro. Alho, convertido em sutil colônia com a qual banhara todo o corpo. Eficaz proteção contra qualquer um como ele.

Tratava-se de Eva Braun, como reconheceu tardiamente o agente do NKVD. Enigmática amante do Führer que não fora convidada para a recepção daquela noite, estrategicamente planejada para afastá-lo de sua guarda pessoal – embora a transformação não houvesse sido premeditada. Ele possuía outra carta na manga, afinal de contas... Uma improvável guardiã também ignorada pelos soviéticos.

Enquanto o braço direito da mulher mantinha o aperto sobre o russo, o esquerdo subitamente adentrou também seu campo de visão... erguendo pontuda estaca. Soltando seu último suspiro, o vampiro aguardou algumas palavras, no mínimo uma declaração. Ela veio em sua própria língua, embora carregada de sotaque:

- Vocês nunca o derrubarão... Nunca.

Ouviu um último ganido do lobo enquanto a madeira era cravada em seu peito. A dor lacerante de seu coração se convertendo em cinzas fê-lo quase berrar, porém ainda manteve a dignidade – desfalecendo em meio aos braços de Eva enquanto todo seu corpo se desintegrava. O último vislumbre, antes de deixar o mundo humano, foi a suástica ainda pendente no braço do lobisomem. Triunfante, hipnotizadora.

30 de Marzo de 2019 a las 19:54 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Luiz Fabrício Mendes Goldfield, alcunha daquele em cuja lápide figura o nome "Luiz Fabrício de Oliveira Mendes", vaga desde 1988. Nasceu e reside em Casa Branca - SP, local que se diz ter sido alvo da maldição de um padre. Por esse motivo, talvez, goste tanto do que é sobrenatural. Atualmente é professor de História, mas nas horas vagas, além de zumbi, se transforma em agente de contra-espionagem, caçador de vampiros, guerreiro medieval, viajante do espaço ou o que quer que sua mente lhe permita escrever.

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