O fim de Ícaro Seguir historia

ayzu-saki Ayzu Saki

Touya sempre sonhou em voar, mas no fim seu destino era cair. [Hotwings] [Deathfic]


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 18.

#abuso-infantil #bnha #dabi #todoroki #hawks #hotwings #tragédia #drama #violência #deathfic #sadfic
Cuento corto
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Capítulo Único

Notas iniciais:

Então, certa madrugada comentei com Clara sobre a queda de Ícaro refletida em Hawks, e isso gerou uma arte linda dela. Por muito tempo pensei em como escrever algo sobre isso, e agora surgiu O fim do Ícaro. É triste, e trágica como apenas algo entre Dabi e Hawks pode acabar.

E é totalmente para Clara.

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Avisos: Violência, deathfic

O cheiro de fumaça e carne queimada invadia suas narinas. Estava impregnado em si, como sempre estivera desde que podia lembrar e, ainda assim, esse odor nunca fora tão forte. Seus olhos ardiam, o calor e o cheiro o fazendo lacrimejar.

‘Me desculpe, Touya.’

Talvez a culpa não fosse do calor.

Os gritos continuavam, incessantes, mas distantes enquanto se afastava da cena de batalha, deixando para trás o caos e a destruição.

‘Não posso te deixar fazer isso.’

Deixando para trás muito mais do que isso.

Entrou em um dos becos, finalmente caindo entre as lixeiras. O chão estava úmido pela chuva de mais cedo, as cinzas caiam dos céus agora, como neve.

‘Veja, Touya’ a voz da sua mãe veio a sua mente, docemente. Lembrava da sensação do abraço frio dela ao seu redor, do sorriso calmo enquanto criava ‘É neve’.

Ele mal ouviu o som dos passos e vozes em meio a cacofonia das suas próprias lembranças. Quando a mão fria tocou seu rosto ele pensou que era apenas uma alucinação.

- Touya?

Abriu os olhos e riu ao ver quem era. A risada findou em um gemido quando tentou se mover.

-Vai ficar tudo bem.

Que grande mentiroso. Mas devia ser algo de família não era? Estava no sangue de todo Todoroki mentir. Por que o mais novo escaparia disso?

-Shoto... – uma outra voz falou baixo. – ...teza? .... Precisa o tirar daqui.

Ele queria dizer que não adiantava nada fazer isso.

E mais uma vez ele quis rir naquela noite. Talvez tenha gargalhado, se o gosto de sangue em sua boca dizia alguma coisa. As mãos em seu ombro tentavam o acalmar quando a risada gerou uma tosse violenta.

‘Antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas.’

Parecia que Hawks não tinha mentido em tudo, afinal

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Quando era criança, em seus sonhos, Touya podia voar. Ele rasgava os céus em asas alvas que refletiam a luz do sol. O vento em seu rosto, o gosto de liberdade ao ver sua casa sumir ao longe enquanto se afastava entre as nuvens.

Por muito tempo ele pensou que esses sonhos eram uma pista do que viria a ser sua individualidade, sua ‘quirk’. Por mais absurdo que fosse – não havia nenhum precedente em sua família, afinal -, ele passava horas em frente ao espelho tentando ver suas costas, ver algum sinal de asas aparecendo. Ele lembrava de pedir Fuyumi para checar se ela conseguia ver alguma coisa, mas nunca havia nada. Quando os dois fizeram quatro anos ela manifestou sua quirk, mas Touya ainda continuava tentando voar. Ele persistiu até um dia saltar do telhado e quebrar o braço. Ele lembrava do vento momentâneo em seu rosto naqueles segundos, do sorriso antes da gravidade o puxar para baixo e da dor ao sentir o impacto. E do calor, do terrível calor.

Sua mãe correra de dentro com seus gritos e parou na porta, os olhos arregalados. E só então ele havia notado as chamas que o rodeavam consumindo tudo ao redor.

Sua quirk não era voar, claramente, Touya estava errado sobre isso, como estivera errado sobre muitas coisas em que acreditava quando pequeno: que um dia seu pai iria o amar, que sua mãe deixaria de o olhar com medo, que ele seria o único dos seus irmãos a ser machucado por quem um dia pensou que ser seu grande herói. Heróis. Touya havia acreditado em heróis também um dia. Talvez essa crença tenha se destruído mais violentamente do que a que poderia um dia voar.

Ainda assim ele continuava voando em seus sonhos. Suas asas esticadas no céu, ao longo dos anos se tornando escuras e mais escuras, até serem um ponto negro entre as nuvens. Às vezes ele voava perto demais do sol e caia na terra em chamas azuis enquanto seu pai o fitava de forma indiferente.

Um dia seus sonhos foram substituídos por um mundo em chamas. Corpos incendiados e destruição, Endeavor sendo consumido, gritando por uma misericórdia que nunca havia dado a ninguém.

Quando ele saiu de casa na calada da noite, sem nunca mais olhar para trás, vivendo nas ruas, lutando por sua vida e se tornando aquilo que nunca pensou que seria, esse passou a ser o único sonho que importava.

Durante anos ele não pensou mais em voar.

Até encontrar Hawks.

O que antes havia começado como pura desconfiança e ambos esperando a oportunidade oportuna de usar um ao outro, mudou sem que percebesse. Seus olhos sempre miravam as asas do outro, desde o primeiro encontro. O pequeno herói com asas, representando aquilo que mais odiava – e mais queria -, andando na corda bamba entre dois lados opostos, sem que ninguém tivesse certeza ao qual ele pertencia.

Touya só queria o ver cair, despencar dos céus com suas asas em chamas.

Ele nunca quisera ver alguém cair tanto em sua vida.

-Você quer voar, Dabi?

Ele havia perguntado um dia, quando não conseguira disfarçar o modo como fitava as asas dele. Ele lembrava daquela noite, silenciosa mesmo nos becos mais perigosos em que se encontravam. Ele lembrava do vento balançando o cabelo dele, do sorriso curioso no rosto que, naquele momento, tanto desprezava.

-Você quer voar, Dabi?

Ele não havia se dignado a responder, o outro escapando de suas chamas por pouco.

Não foi a última vez que ele lhe ofereceu.’

Talvez por querer tanto vê-lo cair, ele lhe contou a verdade. Aquela verdade que ele nunca revelara a ninguém, mas que tinha moldado toda a sua vida.

Ele queria destruir a visão que ele tinha sobre heróis.

(Que ele odiasse Endeavor também).

O fitar nos olhos quando revelasse a ele o grande segredo sobre os contos de criança que ouviam, dos heróis serem os mocinhos, os vilões os malvados.

(Ele havia acreditado nisso um dia também. E havia machucado. Ainda machucava).

Ele queria estar lá no momento da queda de Hawks. No momento em que as asas dele pegassem fogo.

(Pobre garotinho que voou tão perto do sol).

E ele viu nos olhos dele o momento em que toda a visão dele – toda a sua verdade – foi destruída. Ele viu o momento em que ele caiu da corda e Touya estava lá para o segurar. Os olhos em revolta, e horror por aquela sociedade porca e corrupta que precisava arder em chamas.

Ele viu quando Hawks se entregou ao fogo.

E caiu.

‘ –Quer voar, Touya?

-Não me chama assim.

Ele sorriu, as asas se esticando em cima do prédio, os olhos – agora mais tristes, sempre mais tristes – o fitando de lado. Pacientemente.

-Quer voar, Dabi?’

A liga trabalhou pacientemente, por debaixo dos panos. A semente foi plantada, cuidadosamente.

‘Por que não posso me defender usando minha quirk? Por que tenho que esperar por heróis para isso?’

‘Até quando iremos ser controlados?’

‘É minha quirk, posso usá-la quando quiser!’

‘Os heróis têm mesmo nosso melhor interesse?’

Eles só precisavam a regar.

A sociedade era corrupta, afinal. O trabalho deles era apenas revelar isso, e os fazer arder.

‘Mais um ataque no orgulho dos heróis, era o que Shigakari havia dito.

U.A devia ter aprendido com os erros passados, mas parece que o informante ainda não havia sido pego. Atirar balas para apagar as quirks – infelizmente de forma temporária – havia sido fácil no momento do ataque surpresa na aula campal, até eles começarem a reagir muitos haviam sido atingidos.

Touya olhou a destruição, enquanto Shigakari gritava sobre os estudantes terem escapado. Seus olhos captaram o movimento e miraram em outro par. Ele estava ali, entre os escombros. O garoto de cabelo verde que tanto irritava Shigakari estava ali também, o ajudando a levantar. Os dois estavam feridos, exaustos, com uma expressão que conhecia bem, de um animal ferido e assustado que não queria mostrar que estava vulnerável.

Eles não tinham chance alguma, e seria o ataque perfeito contra não apenas Endeavor, mas também All Might que claramente favorecia o outro garoto.

Touya desviou os olhos e continuou caminhando entre os escombros.

(Tentava não pensar em como o olhar confuso de Shoto Todoroki lhe fazia lembrar Natsuo).

Eles haviam se preparado para o ataque de misericórdia. A batalha final, com direito a finalmente o herói número 1 ser desmascarado e destruído em rede nacional. Ele poderia finalmente matar, incinerar Endeavor.

Ele podia finalmente ver o mundo em chamas.

‘– Quer voar, Dabi?

Ele aceitou, daquela vez. Ao menos para o fazer se calar.

Não porque ele queria, de nenhuma forma.

Hawks era forte, para alguém tão pequeno. Os braços dele o seguraram pelo peito enquanto o ameaçava se o soltasse.

(Ele nunca havia confiado em ninguém assim. Pelo menos não que lembrasse mais).

O barulho das asas dele batendo, o vento em seu rosto.

A posição não era ideal, mas não o deixaria o segurar como uma garota.

Focou na cidade embaixo, nas luzes na noite, sentindo a risada de Hawks vibrando em suas costas. Suas mãos apertaram os braços dele enquanto fitava tudo, vidrado, enquanto os dois cortaram o céu. Voando.

Pela primeira vez em anos Touya sorriu de verdade.’

As câmeras estavam focadas neles. Os helicópteros nos céus, a batalha televisionada nacionalmente. Toda a central destruída, heróis e vilões batalhavam nas ruas. A população tomava parte do estardalhaço, a turba eufórica por caos.

Dabi – Touya – sorria maniacamente. Ele finalmente estava ali, de joelhos a sua frente como sempre sonhara. O herói número 1, com todos os seus segredos revelados nacionalmente. Os olhos dele estavam arregalados, a luta sumindo do seu corpo totalmente.

-T.Touya? É realmente você?

Franziu o cenho, insatisfeito. Parece que ele havia ficado desatento a sua própria destruição.

Ele não deveria o olhar assim. Daquela forma. Como se se importasse.

(Era tarde demais para isso).

-Não tem mais graça em chutar quem já está morto. É hora de queimar uma última vez, Endeavor.

(Adeus, Otou-san).

Se preparou para o inferno, para as chamas que consumiriam tudo naquele grande palco, na queda do pilar final da sociedade.

-Touya, é suficiente.

A voz baixa o fez se virar. Hawks estava ali, quando ele dissera que não iria fazer parte daquela etapa do plano. Por mais que estivesse do lado deles, ele nunca mataria gratuitamente.

(Ele não caíra de verdade, caíra?)

-Você já conseguiu. – Ele continuou, a mão hesitante em seu ombro. – Ele já está acabado.

Seus olhos crisparam com raiva, pela traição. Seu corpo tremeu.

-Me desculpe, Touya. Não posso te deixar fazer isso.

-Depois de tudo...

-Eu sei. – A voz dele ainda continuava naquele tom que odiava. Os olhos honestos nos seus. – Eu sei.

Ele sabia.

E Touya sabia também.

Talvez ele sempre soubesse quem ele escolheria no final. Ele podia odiar Endeavor também, mas ele ainda era o pilar. Ele ainda faria tudo cair com ele. E Hawks, herói Hawks, nunca poderia deixar tudo cair.

Touya sempre soube, no fundo, que ele não o escolheria.

‘-Quer voar, Dabi?’

E ainda assim isso doeu mais do que imaginava.

Com um grito estrangulado ele virou, entrando em chamas. Quentes o bastante para cremar a quem mais odiava, mesmo com o preço alto que pagaria a si mesmo. Os olhos dele se arregalaram em surpresa, naqueles meros segundos.

Hawks sempre havia sido o mais rápido dos dois.

‘-Quer voar, Dabi?’

As penas dele puxaram Endeavor do caminho em uma velocidade que não conseguia prever.

Ele não conseguia parar.

‘-Quer voar, Touya?’

E assim Hawks entrou em chamas. As asas flutuando por segundos em meio ao inferno , se tornando nada antes mesmo que conseguisse voltar ao controle.

Hawks queimou.

E Touya caiu.

Ele nem mesmo viu de onde veio o ataque, como escapou da captura em meio a cena. Seu instinto de sobrevivência sempre fora impressionante.

Mas não o bastante.

-Touya...

Ele não sabia como eles haviam chegado ali. Pelo nome ele já havia ouvido a grande revelação – e Natsou, e Fuyumi e Oka-san - , mas não sabia como ele estava ali.

Ele não deveria estar ali.

Os olhos dele estavam assustados por ele. E naqueles segundos ele lembrava da criança sozinha os observando brincar. Nos gritos e no choro, e em como ele havia o observado dormir algumas vezes, deixando para trás os ciúmes por todo o tempo que ele consumia da mãe deles, para ver o seu irmãozinho. O irmão que nunca pode ajudar.

- Vamos te levar daqui.

O herói que agora tentava o ajudar, apesar de tudo...

-Não.

...Mesmo os dois sabendo que não havia jeito. Se o golpe que recebera não tivesse o matado, as consequências do golpe final que deu, que havia guardado apenas para Endeavor – em vão – fariam o trabalho. Nenhuma quirk o salvaria.

(E ele não queria ser salvo, realmente).

-Apenas... – Sua visão estava borrada enquanto erguia a mão para o rosto dele, os olhos arregalados nos seus. Ele tampou aquela cicatriz, o lado que odiava, deixando a mostra a sua mãe nele. – Olhe para mim.

O céu atrás estava em cinzas, como neve.

‘Veja, Touya. É neve’

Os olhos da sua mãe o fitavam.

O som sumiu, tudo sumiu. Seu corpo ficou leve, mas sua mão não caiu, segura na fria que o firmava.

Shoto – sua mãe – chorou por ele no fim.

‘-Quer voar, Touya?’

Touya fechou os olhos por uma última vez.

E finalmente voou.

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Notas finais

...Não sei nem o que dizer.

Desculpem.

Também não corrigi os erros ainda, fiquei ansiosa para postar.

30 de Marzo de 2019 a las 05:52 1 Reporte Insertar 125
Fin

Conoce al autor

Ayzu Saki Detesto o tempo, sempre adianto meu relógio para nunca me atrasar, e ainda assim me atraso. Detesto o tempo, porque ele não cura as coisas, só passa. Queria domar o tempo mesmo, para viver todo o que quero viver e não pode caber na minha vida. Essa é a minha sina, e um monte de histórias não terminadas no fundo da gaveta.

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Crazy Clara Crazy Clara
A parte que mais doeu, e que foi mais linda, foi Hawks perguntando se Touya, não Dabi, queria voar. E Dabi pedindo para não ser chamado assim. Eu sei que foi intencional, mas vale deixar ressaltado que a mescla passado/presente resumiu o que poderiam ser capítulos de explicação para dar o tom sentimental da cena final com sucesso. Doeu tanto quanto doeria se eu tivesse acompanhado a íntegra a convivência deles (ou não, porque, né? Aprendi com A Menina Que Roubava Livros que sempre dá pra doer mais). E você puxou um ponto interessante do Dabi de querer ver o Hawks cair. Acho que seria a parte mais triste dessa face dele. Porque é ele admitindo que não tem como subir, e para ficar com Hawks do seu lado, só ele caindo. Infelizmente me parece um cenário tremendamente provável e me fez chorar. Sua culpa. Obrigada. Pode fazer de novo, não me incomodo não. E foda-se o Endeavor.
30 de Marzo de 2019 a las 10:11
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