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lux-noctis Lux Noctis

Assombrado pelos fantasmas do passado que ainda invadiam seu sono, Sasuke recorre não só à sua falsa devoção, mas ao autoflagelo como forma de purificação da alma, através da dor da carne. [JuntaInk - desafio crossover]


Fanfiction Anime/Manga Sólo para mayores de 21 (adultos).

#sasuke-uchiha #Sebastian-Michaelis #naruto #kuroshitsuji #crossover #juntaink
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Forgive me, father

Avisos: fanfic pertencente ao desafio: JuntaInk, crossover mesclando Kuroshitsuji & Naruto, ambos animes. Mergulhando-os numa nova realidade onde o catolicismo é 'forte' em meio ao extremo oriente. Esta fanfic pode conter cenas detalhadas de tortura, ou até mesmo gatilhos, pois menciona o autoflagelo, comum aos seguidores do Opus Dei, organização da Igreja católica. Siga avisado. Uma boa leitura àqueles que se aventurarem comigo. 

— Perdoe-me padre, porque eu pequei.


Entoou baixo, sentindo a madeira sob seus joelhos dobrados, enquanto podia apenas vislumbrar a sombra de seu ouvinte de outro lado daquele confessionário de mogno lustrado com afinco pelas irmãs do convento próximo.

O respirar baixo quase sem ruídos alertava-o da presença daquele padre em questão, havia um outro, outros para ser exato. Cinco padres que dividiam-se nas pequenas congregações de sua paróquia. A paciência era a marca registrada desse, tal como seu olhar desinteressado, mas sempre um excelente ouvinte. Não que os demais não fossem, mas o padre Sebastian tinha algo que, - com uma boa pitada de ironia - enfeitiçava os fiéis. Tornando-os cativo de sua presença e atenção.

— Prossiga.

Engoliu em seco, buscando as palavras que melhor descrevessem seu pecado, não que fosse algo novo, longe disso, há tempos fixava-se num mesmo. O ato de açoitar a própria pele em busca de remissão dos pecados, pecava ao buscar um alívio ao pecado. Um ciclo vicioso, tal como tudo em sua vida de ruínas. Antes de prosseguir, passou a canhota sobre o ombro direito, sentindo o ardor da pele castigada há pouco, sentindo o tecido de algodão grudar nas feridas que viraram chagas.

— É sempre de noite, quando me deito para dormir. — Escolheu seguir por um lado mais leve do assunto, começar desde o princípio, como se tal coisa fizesse sua penitência maior.

— Deixou de usar a medicação? — a voz era grave, baixa e concisa à imagem que Sasuke fazia do novo padre. Era alto, cabelos escuros que o fazia lembrar dele mesmo, claro, com exceção da altura que os diferia em pouco mais de 15 cm, deixando o padre maior. — O uso deve ser contínuo.

— Não. — A pausa quase dramática enquanto Sasuke ouvia os passos do lado de fora daquele confessionário rústico em meio à modernidade de toda a cidade. A igreja em si destoava das ruas movimentadas, a religião destoava, mas quem julgaria? — Mas não creio que seja efetivo aos meus problemas. Pretendo parar.

— E por quê?

Pelas frestinhas criadas pelos furos naquela tela enrijecida, Sasuke via o umedecer de lábios do padre, via a forma como o pomo de adão subia e descia quando ele engolia nada além de saliva que se acumulava na boca. Via os braços apoiados no descanso da cadeira recoberta por camurça vermelha, tão intensa e escura quanto sangue venoso. Via a destra subir de encontro ao rosto, mas só o indicador e o médio tocarem a pele alva, os lábios finos, o indicador no lábio superior, o médio resvalando no lábio inferior, enquanto Sasuke poderia jurar que a língua infiltrava-se entre eles.

Momento errado para observar. Cativar-se ainda mais estava fora de cogitação.

— O remédio me força a dormir, e dormir me força a sonhar. E os sonhos tornam-se pesadelos quando lembro o som dos tiros e não consigo mais acordar. E quando desperto, meu corpo inteiro está paralisado.

— Paralisia do sono, não é incomum em traumas assim.

O padre comentava, muito mais próximo à um psicólogo, do que de fato um padre que; segundo crenças, deveria ouvir os pecados, perdoá-los conforme a vontade do Pai, e então entregar as penitências para que quando partisse, o reino dos céus fossem seu lar eterno.

— Então, os remédios que deveriam me ajudar, me atrapalham. — Encerrou a explicação escassa. O remédio não era seu pecado, não era viciado, não havia se tornado hipocondríaco, nem nada meramente parecido. Seu pecado era, talvez, o autoflagelo. Ao menos parte dele. — Não vim me redimir por querer abandonar o remédio, uma vez você me disse que pecados confessos, só deixam de nos atormentar quando nós nos arrependemos e nos perdoamos.

— Sim, lembro-me bem.

— Não me arrependo dessa decisão, seria mentira vir aqui e dizer que sim.

Padre Sebastian riu pelo outro lado do confessionário, e se Sasuke não fosse tão atento à qualquer movimentação do outro, não teria notado, mas notou. O curvar de lábios recém umedecidos traziam um brilho libertinoso àqueles lábios finos e desenhados. Mais uma vez o pensamento forçando-o à algo que não deveria. Pensamentos como aqueles colocavam-no à um passo de sentir-se culpado, e com a culpa, a absolvição pela dor. Nem a mortificação seria capaz de livrá-lo do pecado que parecia brotar e criar ramos e ramos em sua mente, efervescer em suas veias e consumir seu corpo como nas chamas de uma luxúria que não se apagaria fácil.

— Então, filho, o que o traz até aqui hoje? — Se o padre fosse do tipo que jogava na cara, teria concluído sua pergunta de maneira diferente, teria perguntado o que de tão grave ele havia feito, que não poderia esperar por um dia, mas seria uma pergunta jogava no lixo, pérolas aos porcos. Sasuke estava ali todo santo dia, como o sino no alto da torre que nunca falhava nos mesmos horários, lá estava Sasuke.

— O autoflagelo, padre.

A palavra parecia pesar e cortar a língua ao ser proferida em voz alta. A confissão dos pecados era a prova de que, nada ficava escondido do ‘homem’. Que o perdão deixava todas as falhas às claras, e as de Sasuke eram vergonhosas demais para espalhar. Ocultava-as, mesmo quando jurava dizer a verdade. Ali, ocultava boa parte de suas falhas, deixando transparecer apenas o pecado que cometeu ao tentar redimir-se. O pecado que era a epítome do pecado.

Notou, notaria mesmo que sua atenção já não fosse destinada ao padre, o curvar de seu corpo, aproximando-se da telha que os impedia de ver claramente um ao outro. Viu o momento que ele apoiou a mão contra a tela, e podia jurar que viu um esboço de sorriso, seria loucura!

— Compreendo. Acha que os atos de punição da carne elevam sua alma? — a pergunta veio em tom ameno, enquanto Sasuke ainda observava-o. Enquanto ele ainda estava inclinado à frente, os olhos quase brilhando, e isso da pouca visão de Sasuke.

— A dor me traz de volta.

— Existem outras formas.

— De redenção?

— De dor.

No final daquela confissão, Sasuke estava ajoelhado frente à um dos muitos bancos de madeira nobre, envernizados passando a imagem austera que todos associavam àquela igreja.

Ocupava-se em não pensar nos pecados, mas sim na penitência. Ocupava-se em não deixar a mente seguir para o dia, aquele que fora o início de seu fim. O badalar daquele sino indicado aos párocos o horário de sua oração, fizeram-no lembrar do tiro, alto e ensurdecedor que o deixou desnorteado. O tiro que havia levado não somente parte de sua audição momentaneamente, como seu irmão. Um dos maiores bens que tinha em vida. Sasuke faria tudo para tê-lo de volta, como faria. Orava, clamava por um sinal, e até mesmo a vingança lhe era uma saída que amenizasse sua dor, a perda! Então, como saída à sua tristeza, entrou para aquela igreja, a mesma que Fugaku ajudou nos tempos de crise. Onde foram prestadas homenagens aos mortos, onde Itachi havia lhe contado sobre a crença de uma vida pós morte, onde nada seria perdido, e tudo encontrado. Mito, para ele, mas um ao qual se agarrava com todas as forças, e forçava o corpo a aceitar aquilo que sua mente sabia ser mentira. Castigava-lhe a pele, para não ter desculpas, uma ovelha ferida permanece em rebanho.

Ao sair da igreja ele sentiu a presença, não de Deus, não mesmo. Era algo tenso, sentia-se observado, mas nada via. Sentia-se nu, mesmo vestido. E a cada vez isso se intensificava. Sentia-se exposto, mesmo que sequer soubesse quem o vigiava. Alguém o estava vigiando?

Rumou, como de praxe, ao café mais próximo. E como era sua rotina, sequer fora preciso pedir. A barista lhe preparou o seu pedido especial: chá verde com gengibre, limão e canela. Beberia ali, na mesa mais afastada, próxima à janela que lhe proporcionava uma visão panorâmica do recinto, tal como da rua. Sempre atento, era um dos pontos cruciais em sua vida após o atentado que tirou a vida de todos na sua família.

Se ao menos o padre soubesse que grande parte de seu autoflagelo era pra saber o quanto o corpo aguenta a tortura. Se ao confessar os pecados, ele contasse os que planejava… Não haveria castigo da carne, que lavasse a alma.

— Chá verde? Se eu fosse arriscar um palpite, diria que você pediria café, preto e amargo, e ainda diria à barista que gosta dele como sua alma. — Aquela voz fez com que Sasuke olhasse para o lado, mirando um pouco acima.

Quando? Quando o Pe. Sebastian havia chegado ali?

— Posso? — apontou para a cadeira frente à Sasuke, esperando um aceno do mesmo para se sentar, apoiando sua caneca com líquido fumegante. Atraindo a atenção do Uchiha. — Chai Latte. — Simplista em sua resposta, tomou um gole, mantendo sempre os olhos naquele que tanto atraía sua atenção. — Chá preto, leite, cardamomo, gengibre e canela. Deveria experimentar um dia, trocar o cardápio.

— Se queria uma companhia, padre, poderia ter informado antes. — Um Uchiha, sempre seria um Uchiha. E por mais que Sasuke estivesse totalmente envolto em tudo aquilo, reclamar e alfinetar era parte dele.

— Não queria forçar minha presença. — Sua sentença encerrou com um sorriso nos lábios ao notar a sobrancelha erguida de Sasuke. — Você tinha toda a liberdade de recusar minha companhia agora, se chamasse enquanto ainda na igreja, poderia ter interpretado como uma obrigação sua como fiel, para com um dos párocos. Não é algo que quero. — Mais um gole.

Sasuke sabia que Sebastian era diferente, não só de todos os padres, mas de todas as pessoas que ele já conheceu. Havia o jeito reservado, mas parecia prestativo e sem dúvida um bom ouvinte. Havia também aqueles olhos, que ao tempo que pareciam julgadores, também pareciam apenas espectadores da vida.

Era a antítese dele mesmo, era como um mar revolto, e um lago calmo. Era parte também de seu pecado, e isso já estava claro.

Ao término daquele chá da tarde, Sasuke encontrou-se ainda mais perdido em pecados, quando ao fechar os olhos e acertar o açoite na carne, e ver o rosto do padre, o mesmo que deveria ajudá-lo a focar, e não colocar tudo a perder de vez.

24 de Marzo de 2019 a las 02:41 5 Reporte Insertar 5
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Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela. 1)Pontuação: Vírgula incorreta em "Paralisia do sono, não é muito incomum"; "o padre comentava, muito mais próximo à um psicólogo, do que de fato"; "pecados confessos, só deixam de nos atormentar". 2)Acentuação: uso indevido de crase em "próximo à um psicólogo"; "forçando-o à algo" em vez de "forçando-o a algo"; "colocavam-no à um passo" em vez de "colocavam-no a um passo"; "frente à um dos muitos bancos" em vez de "frente a um dos muitos bancos". 3)"seria uma pergunta jogava no lixo" em vez de "seria uma pergunta jogada no lixo"; "o badalar daquele sino indicado" em vez de "o badalar daquele sino indicando". Observar pontuação e concordância em "frente à um dos muitos bancos de madeira nobre, envernizados passando a imagem" em vez de "frente a um dos muitos bancos de madeira nobre envernizado, passando a imagem". Falta de concordância em "O badalar daquele sino [...] fizeram-no lembrar" em vez de "O badalar daquele sino [...] fê-lo lembrar". Obs.: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, assim como ajudar-nos com a gramática e ortografia. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
21 de Abril de 2019 a las 15:21
Ellie Blue Ellie Blue
Devo dizer que Sebastian é realmente uma figura cativante, querendo ou não, seja em qualquer forma. A história estar rodeada de um ar mais sombrio, uma pitada de ironia, talvez? A questão aqui é que ela realmente está magnífica. Sua escrita é maravilhosa, a colocação de cada personagem na história foi de ótima escolha. E, digo ainda mais, é uma das minhas favoritas desse desafio até agora. Realmente muito interessante.
3 de Abril de 2019 a las 21:16
Junio Salles Junio Salles
Bem bacana a sua fic. Achei interessante a escolha de papéis. Coitado do Sasuke tá pagando penitência nessa vida kkkk
1 de Abril de 2019 a las 18:21
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Achei muito interessante como você colocou os papéis de cada um. Sebastian como padre me soa no mínimo irônico, para não dizer até tentador - seria ele o próprio diabo disfarçado entre os humanos? A forma como você o descreveu, como Sasuke prestou atenção aos detalhes, realmente era de instigar a atenção. O contraste para com o autoflagelo - eu senti uma mistura de sensações que iam desde o questionamento, a vergonha, até o erótico. Muito interessante essa mistura. Fico no aguardo da parte dois para ver o desfecho! Muito boa a sua proposta!
24 de Marzo de 2019 a las 15:29
Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
Oii! Ahhh tô tão feliz que você conseguiu postar a fic!!! Gente, eu tô com muita pena do Sasuke T_T O coitado já sofreu horrores perdendo a família e ainda fica se torturando, tadinho... e vai sofrer ainda mais nas mãos do Sebastian, só acho, né kkkkkkk Prevejo uma tortura psicológica vindo por aí? Ou será que não vai ser psicológica? Ahhh eu quero maaais!!! Amando a fic <3 Kissus^^
23 de Marzo de 2019 a las 22:17
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