Cuento corto
2
2551 VISITAS
Completado
tiempo de lectura
AA Compartir

Capítulo único

— Aonde estamos indo, Aominecchi?

— Falta pouco, Ryo-chan.

.


#flashback

Ryo-chan é um travesti que conheci há, mais ou menos, duas semanas enquanto fazia uma patrulha de madrugada. [...] Era uma noite de quarta-feira; normalmente não muito movimentada, decidi patrulhar de bicicleta, já que dirigir é sempre estressante. No beco XXA-B27 que, na verdade, é a saída dos fundos de uma boate —coincidentemente, um beco sem saída— ouvi gritos de alguém pedindo socorro. Provavelmente nunca vou esquecer aquele dia; a mulher caída no chão tinha os lábios cortados sangrando, enquanto o homem a agredia com chutes e cusparadas, além dos palavrões; assim que meus olhos cruzaram com aqueles amarelos, meu corpo moveu-se por instinto; entrei num combate corpo a corpo com o agressor que acabou desacordado xingando “viadinho arrombado”. Chamei um amigo que estava próximo, pelo rádio, e o agressor foi para delegacia. A, até então, mulher loira que estava sendo agredida era Kise Ryouta ou Ryo-chan como era chamada, um travesti que trabalhava naquela boate. Nós fomos para dentro e uma de suas amigas (drag queen) a ajudou. Enquanto sondava o estabelecimento, conversei com o dono —gerente— e ele me contou que aquele agressor era um cliente fiel que sempre solicitava Ryo-chan, eles nunca fizeram sexo porque Ryo é nova na casa, então, quando soube que hoje a loirinha tinha feito o serviço completo com outro cliente ficou possesso e a levou para “conversar”; disse que mesmo querendo ajudar, não podia porque tinha passagem pela polícia e poderia se prejudicar; mas afirmou que se ficasse muito sério, daria cabo* daquele homem, Shougo-kun. Aquela noite não consegui mais ver a loira e fui embora, tinha de seguir com minha patrulha noturna, era meu trabalho afinal.

Na semana seguinte, também na quarta-feira; lá no beco XXA-B27, Ryo-chan me esperava.

— Senhor policial, eu queria te agradecer por aquela vez... o senhor me salvou. — Nisso tudo o que mais me surpreendia era a voz dele, dela, da Ryo-chan que, mesmo sendo homem, era idêntica à voz de mulher e sem parecer forçado.

— Oh sim, “O Senhor” salvou todos nós, até onde sei.

— Eh? —Corou— D-Desculpe.

— Meu nome é Daiki, Aomine Daiki.

— Kise Ryouta, mas todos me chamam de Ryo-chan.

— Qual você prefere?

— Ryo-chan.

— Prazer em conhece-la, Ryo-chan.

— Como agradecimento, me acompanharia para um café, Aominecchi?

Achei engraçado o “cchi” no final do sobrenome, mas a maneira como pronunciou foi semelhante a ‘A-O-mine-cchi’ meio cantarolado, meio que... de alguma forma, fez parecer especial. Para um homem de trinta e dois anos, definitivamente, acho que parecia nojento. Policial, formado em educação física, três anos no exército, até dois anos atrás era bombeiro; mesmo com todas essas características “heterossexuais”, a primeira pessoa que me fez sentir assim foi um travesti.

­— Você está bem? ­—Não pude evitar, pois, depois daquele incidente com Shougo, Ryo-chan parecia machucada, não só fisicamente.

­— Hum? Ah! Sim. —Sorriu sem jeito— O que quer pedir, Aominecchi?

— Um café está bom.

— Ceeerto~ garçonete-chan, um café para o senhor policial e para mim, vejamos —pareceu divertir-se com o cardápio— uma fatia desse bolo com massa de pão de ló e recheio de limão com kiwi, uma xícara de cappuccino com chocolate amargo e duas tortinhas de morango. Hum.... Isso é tudo! —Sorriu.

— ...

— Nee, Aominecchi...

— S-Sim?

— Naquele dia, quando me ajudou... não seria errado dizer que salvou minha vida. —Ryo não me olhava diretamente, parecia envergonhada— Aquela noite, realmente pensei que morreria; você deve estar se perguntando se não pensei nos riscos dessa profissão, sim? A verdade é que não tive muitas opções. Há pouco menos de seis meses, eu era um simples universitário de jornalismo, trabalhando para um grande jornal como estagiário, recebendo apoio da minha família, até que... por infelicidade do destino, enquanto me arrumava para ir à faculdade, meu pai entrou em meu quarto e acidentalmente viu algumas coisas que... não são tradicionais de um rapaz hétero. —Riu— Eram alguns dvd’s pornôs homossexuais, revistas BL e perucas. Algumas vezes, quando não tinha ninguém em casa... me travestia, mas não era como se pensasse em fazer isso de verdade. Ainda assim, para qualquer pai deve ser um choque, né? Ele nem mesmo perguntou ou esperou alguma explicação, simplesmente me espancou alegando não ter criado um filho ‘boiola’. —Sorriu dolorosamente— depois disso, procurei Himurocchi, aquela linda boneca que me ajudou semana passada na boate, ele me deixou ficar em sua casa e, embora fosse contra, acabou me apresentando a mama (dona do estabelecimento). Como nem mesmo era assumido, não tinha nenhuma experiência com outros homens, ainda assim, depois de ver minha transformação completa, mama disse que era desperdício me deixar vendendo bebidas ou na limpeza... isso deve ter sido há dois meses; foi quando conheci Shougo-kun.

— Senhorita, o seu pedido. —A garçonete colocou os pedidos sobre a mesa e saiu logo em seguida.

— Ele foi o primeiro homem com quem conversei. Nosso primeiro encontro foi divertido e nós até nos beijamos, foi... excitante. Ele me tratava gentilmente e, depois de algum tempo, disse que queria um encontro adulto, mas esperaria até que eu estivesse pronta. —Corou— Waah! D-Desculpe, Aominecchi. Sei que não deve ser legal ouvir um gay falando de sua vida amorosa como prostituta, desculpe. Céus, onde estou com a cabeça.

— Na verdade, eu não me importo. Digo, é a sua história e se você está me contando, significa que me considera confiável, não? Se esse é o caso, por favor, compartilhe comigo.

— Aominecchi...

— Q-Quero dizer, só se achar que deve, valeu? Além disso, também posso falar de mim, se for o caso, não me importo. Só não pense que é incômodo ou que não tenho interesse.

Nós conversamos até perder da noite e, de alguma forma, era como se nosso assunto não parasse de fluir; tive a sensação de que... era como se essa conversa, como se nosso encontro, tudo estivesse fadado a acontecer; um tipo de destino do qual não se pode escapar. Quanto mais sabia sobre Ryo, mais desejava lhe conhecer. Estranho, porém, incrível? Foi como me senti.

— A-Aominecchi...

— Hum? —Já havíamos chegado de volta à boate, no entanto, Ryo-chan não parecia muito empolgada com seu retorno para ‘casa’.

— .... n-nós... eh... nós, podemos... hm... sair outra vez? —Evitava, a todo custo, contato visual, olhando apenas para seus pés— D-Digo, não é um encontro/programa... só... para comer algo ou passear. Oh! Embora, você sendo policial, seja melhor locais fechados, para não causar fofocas que possam lhe prejudicar em seu trabalho. Eu só queria saber se teria como... eh? Eu estou falando rápido demais, desculpe. É... só... —encarou-me e seu rosto estava completamente vermelho. Não sei explicar bem como, mas antes que pudesse perder tal expressão, segurei uma de suas mãos.

— ...

— Aomine...cchi?

— Tudo bem no final de semana?

— Huh?

— Sábado tenho folga, então... se não for te atrapalhar, para mim, sábado está bem. —Ficamos em silêncio, bom, eu... como posso explicar? Estava impaciente? — Oh, desculpe por isso. —Soltei-a, pois, acabei mantendo sua mão presa à minha.

— T-Tudo bem; não machucou. —Sorriu, seu rosto permanecia rubro, olhava para um lado e outro, parecia envergonhada. — Sobre sábado... sábado está bem para mim, Aominecchi... é minha folga. —Sorriu.

— Sério? Certo, então, está marcado. Sábado às... 8h00?

— Nós podemos trocar números de telefone? Digo, é melhor para nos comunicarmos, acho...

— O seu celular está aí?

— Sim, por quê?

— Eu não costumo trazer o meu para o trabalho, então, anotarei o meu e você envia uma mensagem; quando chegar em casa salvo em meus contatos. Ok?

— Ok. —Sorriu me entregando o aparelho que, surpreendentemente, não era nada feminino. Pelo contrário, tinha até um chaveiro de bola de basquete pendurado. Embora quisesse perguntar se ela praticava, preferi não fazer, uma vez que já havia passado, em muito, do meu tempo de patrulha, precisava voltar e render meu amigo. — Vá com cuidado! —Acenou sorrindo enquanto me afastava. Fiz uma breve reverência com a cabeça e dei as costas.

.

.

.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz, foi ligar o aparelho celular.

Mensagem de (xx) xxxx-xxxx

Assunto: Identificação - Kise Ryouta.

Texto: [22h15] Boa noite, Aominecchi *^.^* espero que tenha trabalhado bem. Obrigada pelo passeio de hoje, foi muito divertido! :)desculpe se falei demais, mas... Aominecchi é tão bom de conversar que acabei me empolgando. Desculpe, tá? TT^TT obrigada também por aceitar o convite de sábado, pensarei em algo para fazermos. Até mais, Ryo-chan o/

-------

Acredito que também tenha de lhe enviar uma mensagem, sim?

Assunto: Aomine Daiki.

Texto: [00h12]. Boa noite, Ryo-chan. Agradeço sua preocupação. Não há nada com que precise se preocupar, foi bom conversar com você também, pois, quando fui à boate leva-la, não tive tal oportunidade. A respeito de sábado, também não há necessidade de agradecer, pelo contrário, sou eu quem devo fazê-lo. Se me permite a liberdade, gostaria de leva-la a um lugar. Mas antes de confirmar, sem querer perguntar demais, você joga basquete? Questão levantada apenas por seu chaveiro de celular. Att, Aomine.

-------

Assunto: Bem-vindo de volta!

Texto: [00h20]. Aominecchi! =*0*= jogo basquete de rua desde o colegial. Aonde vamos?

-------

Assunto: Sábado.

Texto: [00h45]. Inacreditável. Também jogo, desde que era pequeno. São três horas de carro até o local, leve roupa apropriada para prática. Irei lhe pegar às 6h30 em frente ao café em que nos encontramos hoje. Passaremos o dia, não precisa se preocupar com comida, mas fique à vontade. Boa noite, Ryo-chan.

-------

Assunto: Sábado/resposta.

Texto: [00h48]. Como esperado do Aominecchi, um atleta nato! Temos algo em comum :) !!! Combinado, às 6h30 em frente à lanchonete! Boa noite, Aominecchi. :D

#flashbackoff

|| Sábado, 6h30, entrada do café.

Estacionei, cheguei bem em cima da hora, cravada, pois meu tênis de prática havia desaparecido; provavelmente, Satsuki havia guardado em algum lugar. A propósito, Satsuki é minha amiga de infância que às vezes vai ao meu apartamento para organizá-lo, já que não tenho tempo.

Em frente ao café, não encontrei Ryo-chan. Saí do carro e encostei-me ao mesmo, busquei em meu bolso o aparelho celular, marcava 6h32. A manhã em Osaka era fria, me obrigando a colocar as mãos no bolso e desejar a jaqueta dentro do carro, mas... a preguiça falava mais alto, alegando que manter as mãos no bolso seria suficiente, uma vez que Ryo-chan não demoraria. Eu, como bom fiel, escutei a preguiça e, como merecido, passava frio. Mais de cinco minutos haviam se passado e um rapaz parou em frente à porta, saindo da cafeteria; seu cabelo era loiro, curto, os olhos castanhos cor de mel eram bem delineados, valorizados com cílios longos e um nariz bastante afilado, assim como, rosto magro e bem marcado, o tornava impossível de encarar. Tinha seus possíveis 1m89 de altura, esbelto e com membros longos. Era belo. Não conheço muito sobre o mundo da moda ou coisas parecidas, então, se fosse o comparar com algum homem de beleza semelhante que conheça, ele se pareceria com Apolo, deus grego... porque brilhava como o Sol. O mesmo encarou o relógio em seu braço e depois procurou algo ou alguém. Eu, Daiki, não compreendo o motivo de tal, mas, o rapaz sorriu ao me ver e pôs-se a caminhar, apressadamente, em minha direção; tal fato fez com que meu coração, de repente, começasse a bater descompassado, causando certo pânico, pois, acaso ele me conhece? Eu acho que não, então... por quê? Por que está sorrindo enquanto caminha at—

— Aominecchi, bom dia!

— Aomine, “cchi”? —Fora como se meu cérebro houvesse recebido uma descarga elétrica e, do nada, tivesse feito várias e várias associações. Isso não é possível, é? — R-Ryota? —Tenho plena convicção de que minha expressão não evidenciava a surpresa, tão pouco descrença, pois, o mesmo sorriu normalmente. Então, é assim que ele é quando está atuando normalmente? Por trás da menina apelidada Ryo-chan, existe você... Kise Ryouta.

— Desculpe a demora, queria comprar algumas coisas para comermos no caminho. Embora eu não tenha certeza do que você gosta de comer a essa hora, achei que seria parecido comigo e trouxe coisas bem tradicionais... e um café, você gosta de café meio amargo, não é? —Explicava alegremente enquanto gesticulava com caras e bocas, além de mostrar as mãos com sacolas do café e a bolsa da Nike pendurada em seu ombro esquerdo.

— Sim, meio amargo, é meu favorito. —Suspirei., sério, preciso me acalmar... vamos lá, garotão, se acalme, agora não é hora para isso, vamos, não me decepcione. Encarei o loiro que pareceu desconfortável com minha demora em dar alguma resposta — Você deveria ter enviado uma mensagem dizendo que iria comprar algo e eu chegaria mais cedo para ajudar. Vamos, entre, estamos atrasados. —Sorri abrindo a porta do carro.

— Desculpe, Aominecchi! —Resmungou fazendo bico e, estranhamente, foi fofo. Para ser bem sincero, não sei explicar como um homem de 1m89 pode ser fofo, mas Ryouta desafiava as leis tradicionais do universo e mostrava uma expressão realmente meiga enquanto colocava o cinto de segurança.

— A propósito, bom dia.

— B-Bom dia, Aominecchi. —Seu rosto adquiriu excessivo rubor.

— Hum? Algum problema? —Dei partida.

— Isso é um pouco constrangedor, não quero falar sobre.

— Agora que começou, vai ter que falar. Vamos, diga. O que foi?

— É que... —cobriu o rosto com ambas as mãos — é a primeira vez que vejo Aominecchi sorrir e... é tããão sexy.

— ...

— DESCULPA! EU DISSE QUE ERA CONSTRANGEDOR!

— Não seja idiota, Ryouta. —Acabei sorrindo de canto novamente, sério, esse cara está brincando comigo. O loiro tomou a liberdade de ligar o som e conectar seu celular, me surpreendendo com músicas americanas de Rihanna, cantora do universo pop, confesso, gosto do ritmo e da voz dela. Comemos alguns bolos, salgados e pães recheados, Ryouta acertou em tudo, realmente, temos gostos em comum no que diz respeito à comida, música e até esporte. A estrada estava vazia, poucas pessoas têm folga em pleno sábado de meio de mês, normalmente, sem dinheiro, já que o governo libera a verba no final do mesmo, ainda assim, aqui estou, de folga, levando comigo um rapaz que conheci a menos de duas semanas.

|| Duas horas de viagem depois

— Aonde estamos indo, Aominecchi? —Por fim, o loiro cedeu à curiosidade, para ser franco, estou surpreso que tenha demorado tanto para perguntar.

— Falta pouco, Ryouta.

— Aominecchi, isso é tão cruel. —Resmungou baixo fazendo bico. Sério, quantos anos esse cara tem? Parece uma criança birrenta.

— Pff! —Foi impossível não rir da cara que ele estava fazendo.

— O quê? Por que está rindo, Aominecchi?

— Nada em especial.

— Mentira! Seus olhos estão até lacrimejando!

— Nee, Kise. Tem algo que quero perguntar.

— Huh? Pergunte, o que quer saber? —Pareceu curioso. Embora acredite que tal questionamento possa acabar lhe ofendendo, não posso continuar com essa dúvida, na verdade, eu... já não me reconheço mais.

— Por que você se travesti (lê-se travésti)? —Pude perceber que o mesmo ficou um pouco tenso com minha pergunta, provavelmente, estou sendo indelicado, mas, foi ele quem cedeu tamanho espaço para me intrometer, não é isso? Dizendo sentir que pode falar sobre o que quiser comigo; mesmo que esteja começando a me arrepender de ter perguntado, é tarde demais para voltar, Ryouta está refletindo muito, passaria uma imagem covarde minha depois de machucá-lo.

— Eu tenho inveja.

— Inveja?

— Hm. Embora me vista daquela maneira e use maquiagem, mude minha voz, use perfumes adocicados e trabalhe em uma boate de drag queen’s prostitutas, eu não quero ser uma mulher... —confuso— apenas quero a liberdade que elas têm.

— Liberdade?

— Sim. Liberdade para se apaixonar por um homem, namorar, noivar, casar... fazer amor e constituir uma família, ter um lar compartilhado com o parceiro que ama. Eu apenas invejo essa liberdade que lhes é permitida. —Encarou-se no espalho— Minha transformação é perfeita. Eu sei disso. Sei porque meu propósito é convencer a mim mesmo de que sou uma mulher e que por isso, está tudo bem gostar de homens, pois eu também sou uma mulher. —Sorriu.

— Embora tenha dito não querer ser uma mulher, no final, você diz querer se convencer de que é uma. São sentimentos confusos, eu suponho.

— Eh? Hm. Desculpe, parece que não consegui me expressar bem?! —Riu em sinal de nervosismo. Como pensado, acabei sendo indelicado com ele.

— Pelo contrário. E então, já que perguntei algo indelicado, é sua vez. Faça uma pergunta, caso tenha alguma. Pode ser qualquer coisa, até mais de uma se for o caso, eu não me importo.

— Se é assim, —encarou-me sério— A-Aominecchi, você tem namorada?

— Não.

— Então é casado?

— Não. Aliás, está vendo aliança aqui? — Ergui as mãos do volante.

— É verdade, não tem aliança, nem marca de que tenha tido por um longo tempo, para o caso de ser divorciado.

— Oe Oe, quantos anos você está me dando, hum? Ainda sou jovem demais para ter casado e me divorciado.

— Quantos anos você tem?

— 32.

— Aominecchi, você é um oppa! —Corou.

— Quê? —Acabei freando por reflexo. Oppa? Não quer dizer irmão mais velho? — Quantos anos você tem, Ryouta?

— 25. —Deu língua, debochando. — Mas não se preocupe, Aominecchi, você me enganou direitinho, eu lhe daria 28 anos, provavelmente.

Nada mais disse, ambos rimos da situação e Kise ficou falando algo sobre como cuida da sua pele e que eu deveria agradecer aos deuses por ser negro, pois, minha pele demora mais a aparentar sinais de idade, coisa e tal. Embora estivesse ouvindo, não conseguia prestar a devida atenção, não após ouvir que você inveja as mulheres... ao menos não está mostrando aquela expressão desgostosa de quando me contou isso, fico aliviado.

|| 30minutos depois

— Chegamos.

Eu não sou bom em descrever como as pessoas se sentem, mas quando vi a expressão suave e calma que estava em seu rosto, fiquei contente em tê-lo trazido aqui. Passava das 11h00 e provavelmente não daria para jogarmos basquete agora, o Sol é bem intenso nessa região, assim sendo, ficará para mais tarde.

— É incrível. —Comentou quando parei ao seu lado, Ryouta observava a imensidão do campo de lavanda que ficava em minha propriedade. O cheiro é suave, traz certa tranquilidade.

— Hm. Vamos, você deve estar cansado da viagem, sim? Vou preparar algo para comermos, você precisa estar bem alimentado quando a hora chegar.

— A hora chegar?

— Hm, a hora de me mostrar o seu basquete, não foi à toa que lhe passei instruções para trazer roupas apropriadas, agora, rápido, não temos tempo a perder. Amanhã cedo temos que ir embora.

— Ok. —Quando chegamos à casa, Ryouta não conseguiu disfarçar sua surpresa com a mesma, embora fosse simples, minha casa é grande e bem cuidada. — Incrível, como esperado do Aominecchi! Com licença, desculpe a intromissão! —Berrou adentrando a sala e jogando sua bolsa em cima do sofá. Era como se eu estivesse cuidando de uma criança que veio passar férias de verão na casa do irmão mais velho. Francamente. — Ah! Aominecchi, está tudo bem se eu explorar a casa enquanto você faz a comida?

— Claro, vá em frente, sinta-se em casa. —Acenei indo para cozinha. Organizei os ingredientes, havia trazido comigo e, se bem me recordo, antes de ontem, Tetsu estava aqui com Satsuki, o que significa que a dispensa tem algumas coisas. — Sério, eu não me reconheço mais.

.

.

— AOMINECCHI!

— GYAH! Cacete, Ryouta! Quase estreguei a omelete.

— Desculpa, Aominecchi. —Kise aproximou-se— Aominecchi, você é um cara muito estranho.

— Estranho? Não acha isso meio grosseiro da sua parte?

— Não foi nesse sentido. É que, COMO ASSIM VOCÊ TEM UMA PROPRIEDADE TIPO UM SÍTIO, SUPER RICO, COM PLANTAÇÃO E TUDO MAIS, PODE TIRAR FOLGA NO MEIO DO MÊS E SABE COZINHAR?

— Eh? Qual o problema nisso? Meu pai era dono disso tudo e deixou para mim quando morreu. Tenho trabalhado em empregos bons e economizado meu dinheiro para gastar com o que achasse necessário. Quanto a cozinhar, meu amigo de patrulha, Kagami, me ensinou quando comecei a morar sozinho. Embora eu ainda não tenha aprendido tanto, sei o suficiente para me virar. Você está sendo bastante rude. —Brinquei, fazendo o mesmo emburrar a cara. Foi engraçado.

Almoçamos e depois de arrumar tudo, tomamos banho e nos preparamos para o jogo. A última vez que joguei alguma partida importante, estava reunido com Tetsu, Murasakibara, Midorima, Akashi, Satsuki, Himuro e Takao. Aquele dia foi insano, até chamei Kagami e passamos uma ótima tarde jogando basquete de rua. Fazia tempo que não me sentia tão animado com algo e a partida mano-a-mano não me decepcionou, pelo contrário, acabamos com minha vitória em apenas duas enterradas, pois, diferente do que eu pensava, Ryouta também era um jogador que havia recebido permissão para acessar aquele poder de ataque, zona. Definitivamente, eu não esperava tanto de você.

— Wah, estou tão cansado! —Resmungou colocando as mãos no joelho. — E pensar que você jogava tão bem, Aominecchi.

— Tirou as palavras da minha boca. Mas, escute, ainda não acabamos. Quero que venha comigo, quero lhe mostrar algo.

— Ok.

Não era muito longe, fomos correndo. Eu tenho pensado nisso desde quando saí de casa hoje cedo, depois quando o encontrei no café. Também não pude evitar pensar enquanto comíamos e também enquanto jogava basquete, são coisas das quais só conseguirei me livrar quando falar sobre, é por isso...

— A partir daqui, você precisa vir comigo mantendo os olhos fechados. Você, confiaria em mim, Ryouta?

— Sim. —O loiro não pensou duas vezes antes de fechá-los e me estender sua mão. Sinceramente, me pergunto se está mesmo tudo bem confiar em mim com tanta facilidade. Fico feliz, mas ainda preocupado. Acho que, realmente, não me reconheço mais.

Nossa caminhada não demorou muito, aproximadamente dez minutos e lá estávamos.

— Chegamos, pode abrir os olhos.

[Inserir imagem]

— É lindo.

— Hm, eu também acho. —o Sol já estava se pondo e o céu estava numa fase em que o azul era consumido pelo dourado do Sol que iria embora, levando consigo aquela claridade e conforto, cedendo lugar ao escuro da noite que, aqui, é bastante fria.

— É quente. Eu me pergunto, por que você iria me mostrar algo tão incrível. —Sorriu meio entristecido— Talvez esteja preocupado comigo?

— Hm, isso não seria uma mentira. Na verdade, há algo que eu queira lhe contar.

— Sou todo ouvidos. —Sua expressão mudou drasticamente, como um condenado esperando a sentença de morte.... eu, como policial, conheço essa expressão e, para ser franco, a odeio profundamente.

— Hoje quando te perguntei o motivo de você se travestir, fiquei um pouco decepcionado comigo mesmo por ter lhe deixado desconfortável. —Encarei a imensidão daqueles girassóis e me senti um pouco mais confiante para falar— Sabe, eu já fui combatente do exército, bombeiro, cursei educação física e agora sigo a carreira policial, passei por muitas coisas e conheci muitas pessoas, mas... é a primeira vez que me sinto assim.

— ....

— Quando te vi pela primeira vez, eu pensei: ela é muito bonita. Mesmo enquanto conversávamos, eu não conseguia acreditar que você era um homem e confesso, me senti menos confortável, pois, não sou tão bom em se tratando de mulheres. Mesmo assim, eu gostei de ouvir você me contar sua história enquanto saboreava aqueles doces. Mas, sabe? — O encarei, continuava incrível— Foi hoje de manhã que eu percebi que: você é realmente incrível. Talvez agora, eu esteja percebendo que de fato, está ainda mais incrível do que imaginei.... mas quando eu te vi na porta do café. Como posso te explicar sem parecer errado? Hm... aqui —segurei sua mão e trouxe até meu peito— estava assim, agitado demais. Quando você começou a correr em minha direção, senti minhas pernas fraquejarem e pensei que iria desmaiar, pois, céus... você... é lindo. Incrível e quente. Quando me contou no carro que sentia inveja da liberdade das mulheres, inicialmente, pensei que você estava apenas sendo mesquinho, mas... pensando no que seu pai lhe fez, talvez não, talvez você só não tenha tido oportunidades de ser quem você é. Por isso, por isso eu queria te mostrar esse lugar. —Encarei novamente o imagem das flores que nos assistiam— Quando te vi hoje cedo, você me passou essa mesma sensação, sua beleza me deixou extasiado e quente, quente a ponto de não me arrepender de ter deixado a jaqueta no carro.

— Eu... não entendo onde quer chegar.

— Quando conheci Ryo-chan a achei fofa e achei que estava tudo bem lhe acompanhar, pois, era uma boa menina, mas... hoje, quando conheci você, Ryouta, nesse mesmo momento, eu já não me conhecia mais. Desejei, ardentemente, que você estivesse perto e quando ouvi sua história no carro cheguei à conclusão de que, eu quero te dar essa liberdade que procura. Você estaria disposto a ser Kise Ryouta ao meu lado?

— Eh? Espera. Quê?

— Isso foi repentino, eu sei e vou entender se você achar que está errado, mas... eu não posso me segurar mais, eu... me apaixonei por você no momento que você disse...

— Aominecchi... —Sim, exatamente isso, quando você chamou meu nome e veio em minha direção, nesse mesmo momento eu percebi que, eu já não saberia mais quem sou se não estivesse com você. — Você é tão cruel.

— Eh?

— Isso não é justo! Quem você pensa que é para chegar assim e dizer que está tudo bem se eu for Ryouta enquanto estou com você? O que você sabe?

— Eu não sei nada, também não tenho direito de me intrometer, mas.... se você me der uma chance, eu estou disp—

— NÃO DIGA MAIS NADA! —Gritou alto enquanto seus olhos inundavam-se em lágrimas. Céus, o que foi que eu fiz? — Eu... você está dizendo que está tudo bem? Que eu posso ser um homem e mesmo assim, posso assumir que me apaixonei por você?

— ....

— Quando Shougo-kun estava me espancando, eu pensei que morreria e que kamisama estava me castigando por ter decepcionado minha família e amigos, então, quando estava disposto a desistir da minha vida, deixar de resistir à violência e entregar minha vida, eu vi esse olhar —encarou-me— e fui salvo por ele. Foi como se eu estivesse esperando minha vida inteira para encontrar esse olhar, a imensidão presente nesse azul que você me mostrou, então, pela primeira vez na minha vida, desejei que você me conhecesse e... daí pra frente, foi como um sonho e agora... depois de tanto que passei, você está dizendo que ao seu lado eu posso ser quem eu sou? O quão convencido você pode ser, Aomine? —Pôs-se a chorar.

Era demais para mim, acredito que tenha alcançado o limite, o limite de suportar esses desejos de alguém que eu nem conheço mais. Levei minha mão ao seu rosto e limpei aquelas lágrimas que machucavam meu coração; puxei-o pelo braço e o afoguei em meus lábios, felizmente, meu beijo foi prontamente correspondido e era incrível. Quando nos afastamos, Ryouta caiu no chão.

— Oe, está tudo bem?

— Eh? O que... foi isso? Minhas pernas... —Corou. Ele perdeu as forças com só um beijo?

— Por favor, não me provoque dessa maneira, eu... realmente não sei até onde posso aguentar.

— Eh?

— Ryouta, você quer namorar comigo? —Acariciei seu rosto, me perdendo na imensidão daquele olhar, eu também me senti daquela forma, senti como se tivesse sido arrastado por você, como se quisesse ser único diante desse campo vasto...

— Eu quero. —Beijei-o novamente, me deixando embebedar do doce que seus lábios me traziam, fora como se tivesse encontrado um lugar ao qual pertenço e desejei que Ryouta se sentisse da mesma forma.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

|| 20h34min

— Aomine... cchi —choramingou enquanto beijava o interior de suas coxas.

— Não adianta, mama me disse que você teve sua primeira vez com um cliente, não existe escapatória... —mordisquei o pé da barriga, vendo seus pelos eriçarem e sua ereção pulsar — vou apagar tudo, Ryouta. Lembre-se disso, eu me apaixonei por você, foi você quem me seduziu, assuma as responsabilidades.

— Hai <3.

.

23 de Marzo de 2019 a las 21:12 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

BELITH Ariana|1996|Heterossexual|Fujoshi|Autora| Tradutora| Jojofag | "Escrever é arte"

Comenta algo

Publica!
No hay comentarios aún. ¡Conviértete en el primero en decir algo!
~