Estória de Carnaval Seguir historia

lucas-portilho1552831330 Lucas Portilho

Três personagens famosos da comédia carnavalesca europeia: Pierrô, Arlequim e Colombina reunidos numa narrativa inspiradora. Este conto é uma versão adaptada da conhecida Lenda do Arlequim publicada, em texto escrito, pelo autor português infantojuvenil Fernando Cardoso no livro "Novas Flores Para Crianças" (1983).


Cuento Todo público.
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ESTÓRIA DE CARNAVAL


Na pequena vila chamada Veneziana, os primeiros quinze dias do mês de fevereiro eram sempre destinados aos festejos carnavalescos. A Condessa, muito rica, que vivia no seu lindo e imponente palácio, organizava um grande baile de máscaras e para o qual convidava todos os rapazes e moças daquela localidade. Ela instituía apenas uma única condição prévia aos convidados: Deviam ir mascarados. E, durante a festa, seria premiado o participante que melhor se apresentasse. Neste ano, contudo, haveria uma premiação especial.

Três dias antes do baile, a condessa ordenou que seus guardas distribuíssem avisos com os seguintes dizeres:


Caríssimos cidadãos. A condessa organizará nesta noite, novamente, o baile de máscaras em seu palacete. Aquele cavalheiro que trouxer o vestido mais belo para sua filha (A colombina), ganhará a mão dela.”
SUA ALTEZA REAL


O anúncio causou rebuliços nos rapazes da pacata vila. Ateliês foram invadidos. Não havia nenhum bom moço que se recusasse a cumprir tamanha façanha. Poucos metros dali, via-se o espevitado Arlequim, trajando suas tradicionais roupas retalhadas e multicoloridas em forma de losango. Entretinha certa multidão com breves anedotas, enquanto as pessoas conferiam-lhe alguns trocados que guardava na sua bolsa de veludo.

- Querem ouvir outras? Perguntou-lhes

- Sim! Conclamou a multidão

- Na aula de matemática, a professora perguntou ao Joãozinho: Quantos dedos eu tenho nessa mão, Joãozinho? Ele respondeu: cinco, professora! Ela refez o problema: E se eu tirar três, o que acontece? Joãozinho deu a resposta: A senhora fica aleijada.

- Sherlock Holmes e o Dr. Watson vão acampar. Após um bom jantar, junto a umas interessantes taças de vinho tinto, eles entram nos sacos de dormir e caem no sono. Horas depois, Holmes acorda, sacode e acaba despertando o amigo. "Watson, olhe para o céu estrelado. O que deduzes disto?" Depois de ponderar um pouco, Watson diz: "Bem, astronomicamente, estimo que existam milhões de galáxias e potencialmente bilhões de planetas. Astrologicamente, posso dizer que Saturno está em Câncer. Teologicamente, eu creio que Deus e o universo são infinitos. Também dá para supor, pela posição das estrelas, que são cerca de 3h15 da madrugada... O que você me diz, Holmes?". Sherlock responde: "Elementar, meu caro Watson. Roubaram a nossa barraca!"

Gargalhadas inundaram o espaço. Sabia-se do talento cômico do espertinho Arlequim. Todavia, sua mania em andar invisível entre as pessoas nas ruas agitadas, podendo ser visto somente pelas crianças, roubando e escondendo delas: pirulitos, balas, fumo, doces e coisas preciosas, freava qualquer admiração.

Quando iria contar outra piada, um desconhecido abordou-lhe, proferindo certa notícia que parecia ser importante.

- Não soubeste da boa-nova?! A condessa casará a colombina com quem lhe trouxer a melhor vestimenta no baile desta noite

- Pois hei de cumprir tal intento!

- Como? Indagou alguém da multidão

- Logo saberão

O Arlequim desceu do púlpito improvisado, recolhendo as moedas recebidas e dispersando a multidão. A largos passos afastara-se dali, enveredando numa rota desconhecida. Toda a cidade conhecia a paixão do Arlequim pela Colombina, sendo totalmente compreensível que o dito cujo utilizasse meios nada honestos para conseguir seus objetivos, dada a sua vergonhosa fama. Passando por um banco de madeira abandonado, encontrou o Pierrô, sentado e pensativo.

- Vejam só! Não cansas da tristeza, Pierrô?

- Vives a meter-me corda, diga logo o que desejas?

- Nada. Estás a saber da grande novidade?

- Qual?

- A mão da nossa maravilhosa e encantadora princesa Colombina está à venda, custando um vestido. O preço deverá ser pago no baile de máscaras.

- Com certeza? A filha da Condessa irá casar? Irei a festa, certamente.

- Você? Poupe-me destas patuscadas ruins. Não tens dinheiro algum, nem boas maneiras ou sofisticação. És um palhaço fracassado.

- Talvez estejas certo. Mas haverá muitos outros vestidos bons, incluindo o meu

- Nenhum destes superará a peça que levarei. Preciso retomar logo o caminho, continue sonhando....

Muito embora o Pierrô também amasse a Colombina, reconhecia que suas chances de êxito fossem escassas devido ao vazio dos bolsos. O desdém e o sermão incapacitador do Arlequim fizeram-lhe apagar quaisquer estratégias da mente. Porém, seu desejo florescia alegremente, contrastando a aparência melancólica.

Enquanto isso, o Arlequim alcançava o destino desejado. Ao deparar-se com um pequeno arvoredo, viu que este zelava uns belíssimos casulos de ouro, cujos fios brilhavam feito as estrelas das constelações, além da raridade e magnificência que lhe conferiam inestimável valor estético. Sem hesitar, tratou rápido de apanhá-los, afinal as borboletas estavam ausentes. Naquele instante, ouviram-se ruídos donde ficavam os arbustos.

- Olhem, é o Arlequim...

Tais barulhos incomodaram como o silêncio. Seguindo a rota, o Arlequim chegou a uma cabana de madeira, cujo telhado era coberto com palha. Diante da porta, teve apenas o trabalho de batê-la, quando esta abriu-se, surgiu um homem de cabelos brancos e baixa estatura, do jeito que balançava os óculos, aparentava enxergar mal.

- Sim?

- Tenho um trabalho para você, tecelão.

- Arlequim? O que queres de mim?

- Quero que teças, é claro

- Tecer... Tecer para ti? Por que eu o faria? Meus serviços estão somente a disposição de Sua Majestade, Condessa de Veneziana.

- Exatamente a ela que prestarás o serviço

Arlequim mostra ao tecelão um pergaminho que continha o selo real. Sendo impossível contrapô-lo, ele recebe a concessão e entra na cabana. Retirando os casulos de ouro da bolsa.

- Preste atenção, costureiro. Tens quatro horas para tecer um vestido com os fios desses casulos, cuja beleza seja digna de conquistar o amor duma princesa.

O tecelão apanhou o seu tear de roda, sentou numa cadeira e foi destrinchando cuidadosamente os fios dourados, unindo-os pouco a pouco.

Caminhando triste pelas ruelas, o Pierrô pensava na possibilidade de concorrer a mão da sua amada Colombina. Relembrava as poucas imagens dela, a quem nunca tinha visto pessoalmente. Pensava consigo: Qual vestimenta faria jus aos magníficos dotes estéticos de Sua Alteza? Em meio a indagações descoordenadas, vieram-lhe atormentar alguns meninos.

- Pierrô! Pierrô! Já sabes qual vestido levarás a festa da Condessa?

- Nenhum. Pois não irei

- Deixe disso. Podes ganhar, não achas?

- Nunca. Minha mãe é muito pobre e não pode tecer nenhum traje, ainda mais se for usado por uma aristocrata.

- Então, iremos ajudá-lo!

Aqueles traquinas tomaram o Pierrô entre as mãos e levaram-no até a casa da mãe dele, fazendo-lhe logo uma petição.

- Dona, precisamos tecer um vestido em menos de três horas

- Falas a respeito do concurso? Filho! Leve estes garotos daqui! Inexistem meios pelos quais haveríamos de conseguir isto, disse a mãe do Pierrô dando uma severa bronca em toda a turma.

- Eles... Eles existem sim, querida mamãe, confie neles, replicou o Pierrô exibindo um semblante mais alegre e confiante, diferente daquela apatia outrora latentes.

- Se assim desejas, meu amadíssimo filhinho, assim faremos, concluiu a senhora, aceitando o desafio.

- Meninos! Necessitamos de tecidos, vão buscar!

- Pode deixar! Os moleques gritaram em coro.

Num rapidíssimo vaivém, trouxeram-lhe os bocados dos tecidos que sobraram de confecções anteriores das mães deles. E através da invulgar agulha, tecendo tais bocados de tecido, a mãe de Arlequim conseguiu fazer um lindo vestido, cortando-os em losangos iguais e combinando habilidosamente as diferentes cores.

As melodias retumbantes dos trompetes palacianos anunciavam o início do Baile de Máscaras. Os convidados, todos mascarados, dançavam e comiam vorazmente. O Arlequim chegara cedo, transportado por uma carruagem adornada com balões. Já o Pierrô, desacompanhado, viera depois, levando nas mãos, a caixa que guardava o vestido a ser oferecido e que lhe proporcionou o direito de entrar.

Ambos se encontraram no salão de festas. Arlequim, fortemente impressionado, questionou o concorrente.

- Energúmeno! Ousaste vir até aqui! Saiba que perdeste o teu desprezível tempo. Já escolheram um noivo.

- Espere a conclamação da Condessa.

- Mera formalidade. O tecelão fez um ótimo trabalho, tenho comigo um vestido digno do amor de uma princesa. Boa sorte, conclui o Arlequim, soltando risos debochados contra o Pierrô.

De repente, surgiram os guardas reais do palácio e uma banda de músicos. No tardar da sinfonia, eis que aparece a Condessa, usando saias suntuosas, acompanhada por sete costureiras e logicamente pela Colombina, a filha unigênita. Ela era belíssima! O rosto lembrava a branquitude da neve e a gargantilha de pérolas que cerceava o pescoço aumentava ainda mais o brilho, a Condessa solicitou que os rapazes da festa tirassem as máscaras para que pudessem entregar os vestidos a trupe de costureiras. Os dois melhores disputariam a preferência da Colombina. Feita a triagem das vestimentas, adivinhem quem sobrou? O Pierrô e o Arlequim.

Ficaram eles diante da Colombina na espera da decisão final. A diferença entre as oferendas fora brutal, o vestido dourado de Arlequim brilhava igual a barras de ouro e um turbante lhe fazia companhia. A maior parte dos presentes acreditava que Arlequim seria o escolhido. Mesmo o semblante de Pierrô admitia a derrota. Colombina inclinou o dedo indicador, tencionando decidir...

- Este! Proclamou, indicando o vestido de Pierrô

Surpreendido, o Pierrô ajoelhou-se. Vozes de surpresa ecoaram. Arlequim, indignado, tentou intervir junto a condessa, quando...

- Parem! Peguem o impostor! Era o tecelão que trazia uns meninos maltrapilhos.

- Tecelão! Oh tecelão! Invadiste o palacete sem autorização real, trazendo essas criancinhas imundas e travessas! Replicou a Condessa enraivecida.

- Alteza, grandessíssima alteza! Bradou o tecelão, tentando se justificar. Este arlequim fajuto enganou-me! Fez-me tecer o vestido agora apresentado nesta comemoração, afirmando que estava a cumprir ordens reais!

- Causador de problemas! Como ousas dizer tal coisa?

- Porque é a pura verdade! Alteza, veja este pergaminho lacrado pelo selo real falsificado.

A condessa olhou, olhou, olhou o selo.

- Realmente é falso! Exclamou indignada

- Pondo fim magistral àquela farsa, este charlatão surrupiou os casulos de ouro das borboletas douradas, finalizou o tecelão.

Eis que surgem as borboletas.

- Queridíssima alteza, fomos buscar néctar e ao voltarmos, percebemos que nossos casulos sumiram! Os garotos confirmaram que viram o Arlequim subindo nas árvores e colocando-os dentro da sua bolsa.

- Sim! Bradaram os traquinas

O Arlequim tentou explicar-se, mas, tanta vergonha fez-lhe engolir as palavras. A condessa voltou-lhe com seus olhos enfurecidos, ordenando solenemente... Predam-no!

Proclamado vencedor, Pierrô atirou-se nos braços da Colombina e ela o quis saber

- Se és tão pobre, tão pobre, de qual maneira arranjaste tão lindo traje que me encantou mais do que o vestido dourado?

Ele não hesitou em responder:

- O meu foi feito com a bondade dos meus amigos e o coração de minha mãe.

20 de Marzo de 2019 a las 18:37 0 Reporte Insertar 2
Fin

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