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hyogie Hyogie Han

[Jaeyong] Já dizia a Lei de Murphy: "Qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível". Entretanto, talvez Murphy não tenha pensado que o conceito de "Qualquer coisa" poderia ser facilmente substituído por "Tudo" quando o assunto era Lee Taeyong, um adolescente cuja sorte foi comprar cigarros no dia de seu nascimento e nunca mais voltou, deixando-o nas mãos das inúmeras possibilidades de passar vergonha em público, principalmente na hora de tentar chegar em seu crush, Jung Jaehyun. [ORIGINALMENTE POSTADA NO PROJETO NEOTYPE DO SOCIAL SPIRIT]


Fanfiction Bandas/Cantantes No para niños menores de 13.

#Hyogie #Neotype #jaeyong #Neo-Culture-Technology #nct
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Murphy deveria ter estudado Taeyong antes de criar suas leis

azar
substantivo masculino
1. sorte contrária; revés, infelicidade, infortúnio.
"teve muito azar na escolha de parceiro"


2. aquilo que Lee Taeyong possui aos montes.

Taeyong respirou fundo, apressando seu passo. Naquela manhã fria, esforçava-se para conseguir andar um pouco mais rápido. Em toda a sua vida, nunca pensou que fosse querer correr no meio da rua no caminho para escola em plena manhã de quarta. Suas botas marrom-escuro faziam um som abafado ao bater no asfalto da calçada, deixando-o mentalmente preocupado com o fato do rapaz que tentava discretamente alcançar pensar que estava sendo perseguido ou stalkeado.

Já tinha tudo em mente: quando o garoto do chaveiro fofo parasse na calçada para esperar o sinal abrir, iria ficar ao seu lado, olhar para a sua mochila e dizer “Seu chaveiro é muito legal”, referindo-se ao chaveiro do personagem Uta, do anime Tokyo Ghoul, em uma versão pequena e fofa que sempre estava pendurado no zíper de sua mochila. E aí, entraria em uma conversa cheia de segundas intenções com ele, e ao fim pediria seu número. Quando Jaehyun parou no sinal fechado, Taeyong sentiu que aquele era o seu momento.

E tudo começaria com apenas um chaveiro.

Pelo menos, era isso que pensava que iria acontecer. Afinal, o que poderia dar errado?

Assim que o seu pseudo-interesse romântico parou no sinal, seu coração acelerou. Conseguiu andar rápido o suficiente para alcançá-lo e discretamente parar ao seu lado.

Por causa de seu melhor amigo Johnny, Taeyong conheceu o garoto que fazia seus hormônios de adolescente irem a loucura.

No início do ano, Johnny começou a fazer parte do time de basquete da escola, e Taeyong normalmente o acompanhava em seus treinos. Graças a tal acontecimento, acabou por conhecer os colegas de time de Johnny , sendo um deles Jaehyun, o garoto que não se importava em tirar a camisa no meio da quadra ao final dos treinos, e se importava menos ainda de protagonizar cenas duvidosas com seus colegas de equipe com direito a muitos toques ousados e tapas na bunda.

Ele parecia um príncipe com seus cabelos loiros, sorriso divino que abria um par de covinhas adoráveis em suas bochechas, uma risada adorável e um popozão quase do tamanho daquelas bolas de basquete. Okay, talvez estivesse exagerando um pouco, mas cá entre nós, Jaehyun realmente tinha uma bunda divina.

Deixou um longo suspiro escapar por seus lábios, reunindo toda a sua coragem para colocar o seu plano em ação. Iria finalmente mostrar o resultado de semanas ensaiando com seus amigos à respeito do que fazer ou falar. Tinha tudo para dar certo, era praticamente impossível que algo desse errado àquela altura do campeonato.

Fingiu olhar para a sua mochila, apenas para repetir o que fazia diariamente: olhar para o chaveiro e depois contemplar a obra de arte que Jaehyun chamava de rosto e deixava a química de seu corpo em um estado perigoso de selvageria, rezando mentalmente para que ele lhe notasse e retribuísse seus olhares.

O problema começou quando, ao realmente olhar para a mochila à procura do chaveiro, o objeto não estava mais lá.

Puta merda.

Mil vezes puta merda.

Justo no único dia em que estava se sentindo confiante o suficiente para puxar assunto com o seu crush, o chaveiro não estava lá; sua única oportunidade de puxar assunto desapareceu bem diante de seus olhos.

Não havia memes do Kermit o suficiente para descrever suaa expressão de desgosto naquele momento.

O choque lhe foi tamanho que mal pôde perceber que encarava-o fixamente; estava paralisado pelo sentimento de ter sido ludibriado pela vida. Apenas deu-se de sua paralisia quando o sinal finalmente abriu e as pessoas ao seu redor (inclusive aquela cujo seus suspiros mais sonhadores eram dedicados) começaram a andar.

E mais uma vez, Lee Taeyong levou um belo tapa da vida.

— JOHHNY SEO, VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR NO QUE ACONTECEU! — gritou Taeyong, entrando na sala tão rápido quanto uma bala. Jogou sua mochila em cima de sua mesa e agarrou Johnny pelos ombros, chacoalhando-o freneticamente — EU O VI! ELE FICOU BEM DO MEU LADINHO! EXATAMENTE DO MEU LADO!

Falava de maneira tão agitada que Johnny não conseguia entender uma única palavra do que lhe era dito. De certa forma, já deveria ter se acostumado com o jeito frenético sem muito contexto de seu melhor amigo, mas mesmo após alguns anos de amizade ainda era díficil compreender o que ele falava quando ficava histérico.

— Bom dia pra você também. — afastou-o com delicadeza — O que aconteceu pra você ficar eufórico desse jeito em plenas seis e meia da manhã?

— O Jaehyun! — exclamou, um pouco mais calmo do que antes —Quando eu ‘tava vindo pra cá, eu jurei que se o encontrasse no caminho pra cá, falaria com ele. E aí eu o encontrei! Eu fiquei do lado dele, tipo, bem do ladinho mesmo!

— E você falou com ele?

— NÃO! — gritou, sentindo vontade de bater a sua cabeça na parede — Eu fiquei o caminho inteiro ensaiando pra falar com ele, me preparando pra falar daquele maldito chaveiro e aí quando eu consegui ficar ao lado dele, eu percebi que aquela merda simplesmente não ‘tava mais lá!

Apesar do esforço, Johnny não conseguiu conter o seu riso. A constante falta de sorte de seu amigo era, no mínimo, tragicômica. E a forma como ele contava seus episódios de puro desgosto tornava tudo ainda melhor. Não era como se Taeyong realmente se sentisse mal por tudo aquilo acontecer consigo; na verdade, ele estava tão acostumado que a única coisa que restava fazer era apenas rir da situação. Rir para não chorar.

Johnny até poderia tentar ajudá-lo com a sua situação, porém não conversava muito com Jaehyun (aparentemente ele era um pouco introvertido ou algo do gênero) e era tão tímido quanto Taeyong para poder chegar puxando assunto sem ter ensaiado horas antes. Não era como se a dupla dinâmica fosse o típico clichê de nerds introvertidos que não conseguiam sequer dar um “Bom dia” pro porteiro. Da mesma forma que seus amigos, não se encaixavam em nenhum grupo em especial mostrados nos filmes da Sessão da Tarde. Eram apenas adolescentes com personalidades diferentes e alguns traços em comum, e por isso formavam um pequeno círculo social.

Johnny era o roqueiro das trevas do grupo. Quando não estava vestindo blusas estampadas com suas bandas de rock favoritas, usava camisetas e tênis escuros. Também sempre vinha para a escola com lápis de olho preto ao redor dos olhos, que somado a sua estatura acima de média, fazia com que as pessoas tivessem um pouco de medo de conversar consigo. Era grande bobagem, para ser sincero, já que apesar da aura “sombria” que o cercava, ele era uma das pessoas mais fofas que Taeyong já conheceu.

No começo, tinha um pouco de medo de falar sobre sua sexualidade com Johnny pelos mesmos motivos que algumas pessoas o temiam. Além de tudo, saber que ele era hétero lhe dava ainda mais receio, visto que homofobia e masculinidade tóxica andavam de mãos dadas na sociedade. Entretanto, em uma cotidiana aula de educação física, Taeyong percebeu que Johnny simplesmente não representava ameaça alguma.

A sala foi dividida em quatro times; enquanto dois jogavam, os outros dois esperavam. Taeyong e Johnny estavam sentados na arquibancada, esperando a sua vez de jogar. Era uma das primeiras semanas de aula do nono ano e ainda não se conheciam muito bem, porém já conseguiam conversar sem entrarem em pânico para continuar o assunto.

Ao observar os alunos jogando, Taeyong percebeu que um de seus colegas de classe (que posteriormente também faria parte de seu círculo de amizade), Ten Chittaphon, tinha um belo par de nádegas.

Queria compartilhar aquela informação com Johnny sem parecer um tarado que ficava reparando o tempo todo nos outros, então escolheu cuidadosamente suas palavras:

Nossa, os quadris do Ten são largos, né?

SIM MANO ELE TEM UM PUTA POPOZÃO!

E foi ali que Taeyong percebeu que Johnny nasceu para ser o seu melhor amigo.

— Olha pelo lado bom: pelo menos você conferiu. Imagina se você tivesse chegado nele do nada e falado “Nossa que chaveiro legal”. — tentou lhe consolar. Era muito a cara de Taeyong cometer uma gafe daquelas.

— Cara, imagina se na verdade ele tem um irmão gêmeo que é idêntico a ele, e a única diferença é que ele não gosta de anime. — Taeyong fez uma pausa, momentaneamente pensando naquela possibilidade — MEU DEUS SE FOR ASSIM EU AINDA TENHO UMA CHANCE DE SER NOTADO!

— Mas pensa, e se na verdade ele tem múltiplas personalidades e uma delas gosta de anime, enquanto a outra acha que otaku bom é otaku morto.

— Eu acho que eu já sei o que aconteceu! Ele morreu e foi substituído que nem a Avril Lavigne, só que o sósia dele esqueceu o chaveiro.

— Faz todo o sentido do mundo!

Era incrível como levavam as situações em um nível extremo de idiotice. Era assim que lidavam com momentos como aquele; da forma mais imatura e nosense possível.

— Eu ouvi alguém dizer “Otaku bom é otaku morto”? — falou Yuta ao entrar na sala, seguido por Ten.

Yuta era o maior otaku fedido da escola, ainda que ele tivesse cheiro de lavanda. Soava até clichê falar que o fã de anime da rodinha era o estudante intercambista do Japão, que estava sempre ouvindo vocaloid ou lendo algum mangá. E se não era mangá que ele estava lendo, então provavelmente era algum guia da leva de animes da temporada.

Ten era tailandês e colega de intercâmbio de Yuta. Os dois eram quase como irmãos separados ao nascer, por mais que as vezes não conseguissem entender abobrinhas do que o outro falava. Ele era tão gay, senão mais, quanto Taeyong, e exatamente por causa disso os dois se deram bem logo de primeira por se identificarem um com o outro. Já deram alguns selinhos, porém nunca passaram daquilo por preferirem ter um ao outro como amigos do que como peguetes. Na verdade, Ten era o apelido pelo qual todos o chamavam, já que Leechaiyapornkul era um nome um pouco complicado de se pronunciar várias vezes ao longo do dia.

— Caralho, você tem um ouvido biônico ou o que? — Johnny perguntou, cumprimentando-os.

— Esse é o tipo de poder que você desenvolve quando bate muita punheta pra anime. — Ten comentou sarcasticamente, recebendo um soco no ombro vindo de Yuta — Ai! Me bater com o seu braço direito é covardia!

Nosso protagonista azarento riu ao entender o que ele quis dizer, enquanto Yuta tentava acertá-lo com sua mochila da Sailor Moon. Ele tinha uma certa obsessão por aquele anime que Taeyong preferia não comentar.

— Vocês dois não prestam! — riu, divertindo-se com a pseudo-briga dos dois, já que nenhum deles era realmente alto ou forte o suficiente para machucar um ao outro — Pelo menos parem um minuto para me ouvir falar sobre como eu tomei no cu com o Jaehyun hoje.

— Espera, você interagiu com o Jaehyun hoje? — Yuta parou de bater em Ten para olhar para Taeyong.

— Não, mas eu fiquei muito perto disso.

E então, passou os quinze minutos seguintes explicando o ocorrido do chaveiro e lamentando-se por ter perdido a oportunidade de seus sonhos molhados.

— Esse cara é cego ou o que? É impossível ficar ao lado de um pitelzinho e não dar nem uma olhadinha! — exclamou Ten, recebendo uma risadinha fofa de Taeyong como resposta.

— Ele não é cego, ele só é alto mesmo. — Johnny não perdia a deixa de zoar com a altura dos outros, já que era o maior do grupo e Ten o menor, que de prontidão respondeu à provocação ameaçando jogar a mochila da Sailor Moon de Yuta em seu rosto.

— DEIXA A USAGI FORA DISSO! — exclamou Yuta, puxando a mochila de volta e abraçando-a contra o seu peito. Então, sussurrou para o objeto como se estivesse proferindo um segredo — Tudo bem minha bebezinha, esses bárbaros não vão mais te fazer mal.

— As vezes você me assusta. — comentou Ten.

— Eu te assusto mais do que baratas?

— AAH QUAL É! — ele exclamou assim que Yuta trouxe de volta o assunto da barata voadora e a privada entupida de Taeyong — Era uma barata enorme! Não dava pra olhar aquilo sem sentir vontade de arrancar os próprios olhos!

O que era para ser uma simples noite de filmes na casa de Taeyong se transformou em uma longa noite tentando desentupir um vaso sanitário.

Basicamente, Taeyong estava arrumando o banheiro enquanto comia uma esfiha e a tampa da privada estava aberta. Paralelamente, Ten viu uma barata e assustou-se. Por causa de sua fobia nem um pouco convencional no momento em questão, ele gritou como uma sirene de ambulância, assustando Taeyong e o fazendo derrubar a esfiha na privada. Para fechar com chave de cu, ao tentar dar descarga, a esfiha entupiu a privada, levando-o a ter que arrumar uma forma de explicar para os seus pais como diabos ele conseguiu entupir a privada daquele jeito. Não poderia simplesmente mentir, pois correria o risco de fazê-los pensar que havia cagado um tijolo.

Na verdade, Taeyong acreditava que aquilo foi um presságio para o que viria a acontecer na semana seguinte, que consistiu em um dos piores encontros da sua vida. Começou a semana feliz e eufórico por ter tomado coragem para chamar um de seus inúmeros crushes para ir ao cinema, e terminou consigo chorando dentro do táxi para voltar para casa com um pagode tocando muito alto ao fundo. Quando chegou em casa, sua mãe ainda fez questão de relembrar que tinha pago o ingresso do lazarento, para no fim os dois assistirem o filme em um cinema cheio de senhorinhas, sem nenhum amasso, ainda que tivesse deixado claras as suas intenções.

É como os sábios diziam: azar no amor e no resto da vida também.

— Tae, você não acha que seria bom ao menos tentar tomar um banho de sal grosso e arruda? — Ten desconversou, sabendo que o assunto da barata voadora também causava ressentimento em Taeyong. Não por causa da barata, mas sim por ele ser azarado o suficiente ao ponto de conseguir entupir a privada com uma esfiha.

— Eu já pensei em fazer isso, mas do jeito que eu sou é bem capaz de dar o efeito reverso e só piorar a minha situação.

— Eu acho que dá pra resolver pelo menos uma parte do seu problema se a gente tentar te exorcizar. — Johnny comentou — Só iríamos precisar de uma virgem pra sacrificar, sal grosso, um livro demoníaco e sangue fresco de bode pra cobrir os nossos corpos nus enquanto um de nós grita “SAAAAAI ENCOSTO”.

— “Só” isso. — Taeyong repetiu, pouco surpreso com as ideias pouco convencionais de Johnny.

— Ah, a virgem a gente já tem. — Ten falou, olhando sugestivamente para Yuta.

— Eu não vou nem comentar. — Yuta revirou os olhos — Como ontem eu ‘tava sem nada pra fazer, eu acabei escrevendo uma listinha do que você pode fazer pra conseguir chamar a atenção dele.

Yuta retirou um papel de sua mochila da Sailor Moon e entregou-o para Taeyong.

“1. Arranjar um mangá do Tokyo Ghoul, escrever uma carta explicando todos os seus interesses, colocá-la dentro do mangá e depois deixar o mangá discretamente dentro da mochila do @. Quando ele abrir o mangá e encontrar a carta, ele decide se rola ou não.”

— Cara, isso tem tudo pra dar errado. — Taeyong murmurou, já sentindo vergonha alheia de si ao imaginar-se fazendo aquilo e as inúmeras possibilidade de como aquela tática iria falhar miseravelmente — Não se duvida da minha falta de sorte. Da última vez que eu duvidei, eu quase coloquei fogo no cabelo do Ten.

— Eu me lembro disso, foi como se eu estivesse vendo toda a minha vida passar diante dos meus olhos só do Taeyong chegar perto de mim com aquela frigideira de ovo mexido.

Nem na cozinha Taeyong tinha sorte.

O próximo item da lista era:

“2. Esbarrar nele de propósito e fingir cair na frente dele.”

— NEEEEM FODENDO! — gritou, tendo flashbacks vergonhosos.

Quando estava na oitava série e era tímido demais para tomar iniciativa, estabeleceu uma política para de “Em caso de pânico, finja um desmaio” sempre que fosse tentar falar com algum menino que tinha interesse. Em uma dessas ocasiões, se jogou no chão de um jeito tão realista que acabou batendo a cabeça e desmaiando de verdade. Sem falar que o local em que estavam não era exatamente propício para esse tipo de coisa. Além do desmaio, Taeyong rolou uma escadaria inteira e quebrou o braço. Desde então, decidiu abolir a prática do falso desmaio/esbarrão.

As duas outras opções possuíam parênteses escritos “Apenas em caso de emergência” e consistiam em “Sequestrar a família dele” e “Ameaçar capar o pinto dele”.

— Yuta, você não acha que isso é meio… ilegal? — perguntou retoricamente.

— Bobagem, só é crime quando alguém descobre.

Taeyong deu um tapa na própria testa, ciente de que estava ferrado amorosamente se dependesse de seus amigos.

E mais uma vez, estava sentado na arquibancada assistindo ao treino de basquete de Johnny e Jaehyun, tentando pensar em alguma forma de chegar em seu crush sem ter uma parada cardíaca. Naquele momento não podia perder-se por inteiro em seu mundo das ideias, já que vez ou outra precisava desviar de alguma bola de basquete voando em sua direção. Fingia anotar algo em seu caderno enquanto na verdade estava acompanhando os movimentos hipnotizantes das coxas de Jaehyun naquele uniforme de basquete, junto com os braços de definições suaves e firmes expostos pela regata e os cabelos molhados de suor grudados em sua testa.

Okay, talvez estivesse idealizando demais aquela situação, visto que não estava considerando o fato de que Jaehyun estava todo suado e provavelmente cheirando como o hálito de uma pessoa após visitar um festival de cebolas.

Fazer o que, as vezes o tesão cega as pessoas.

Entretanto, (ainda) não estava cego o suficiente para não ter visto uma das bolas vindo em sua direção. Oh vida, por que tão cruel? Mais um roxo em seu rosto (ou um nariz sangrando) seria adicionado a sua coleção.

Mas pela primeira vez na vida, seus reflexos cooperaram consigo, e por sorte conseguiu agarrar a bola. Certo, viver não parecia mais tão cruel assim, já que agora Jaehyun estava olhando para si com um pouco de curiosidade.

— Hey, joga a bola! — ele pediu, sorrindo amigavelmente.

PUTA MERDA PUTA MERDA PUTA MERDA MIL VEZES PUTA MERDA EU TÔ- — seu cérebro estava a mil por hora, visto que Jaehyun finalmente percebeu a sua existência. Era bom demais pra ser verdade. Sem falar que ele estava sorrindo. Sorrindo!

Até Johnny ao fundo parecia estar explodindo por dentro ao ver aquela cena tão inesperada. Teria a sorte de Taeyong finalmente voltado após ter passado anos fora comprando cigarros?

E a resposta era definitivamente não.

Por causa da distância considerável entre os dois, jogou a bola com um pouco mais de força do que deveria, e exatamente por causa disso Jaehyun não conseguiu pegá-la, o que procedeu no objeto acertando o seu nariz com precisão o suficiente para fazê-lo sangrar e cambalear um pouco pra trás.

Taeyong paralisou, sem saber o que fazer. Mais uma vez, prevaleceu o sentimento de querer se transformar em um avestruz e enterrar a cabeça em um buraco.

— Ah minha nossa! Desculpa! — exclamou com a voz oitavas acima do normal por causa do nervoso, enquanto Jaehyun estancava o sangramento com as costas da mão.

— Taeyong, leva ele pra enfermaria, ele pode acabar tendo um desmaio ou coisa do tipo. — Johnny falou improvisadamente, de alguma forma tentando abafar o mico, ou melhor, King Kong, que seu melhor amigo estava passando.

— O que? Não precisa, eu ‘tô bem, foi só um machucadinho. — Jaehyun desconversou, quase que arruinando o plano de Johnny.

— MEU CONSAGRADO VOCÊ ‘TÁ VAZANDO SEUS INTESTINOS PELO NARIZ! — exclamou, dramatizando toda a situação. Para falar a verdade, o fluxo de sangue estava bem fraco e não precisava ser nenhum gênio da medicina pra notar — VOCÊ VAI MORRER DE HEMORRAGIA INTERNA CARA! OLHA SÓ ISSO MANO É O SANGRAMENTO MAIS HORRÍVEL QUE EU JÁ VI NA MINHA VIDA!

Johnny era um péssimo ator, mas era aquele velho ditado: “Ele é fodido da cabeça mas é meu amigo”.

Jaehyun bufou, visto que não podia respirar fundo senão o maior provavelmente iria lhe dizer que estava tendo uma hemorróida pelos pulmões. Mesmo que não conversasse muito com ele, tinha consciência de que ele era uma pessoa um pouco… peculiar, e por isso era melhor não discutir. Com um simples gesto, pediu para que Taeyong o seguisse, este o qual sentiu suas pernas transformando -se em gelatina. Mal conseguia acreditar que aquilo estava dando certo, mesmo que de uma maneira um tanto caótica.

— Hã… v-você quer se apoiar nos m-meus ombros? — tremeu só com a possibilidade de poder tocá-lo. Porém, Jaehyun balançou a cabeça, dispensando a ajuda. Okay, talvez fosse um pouco cedo para contato físico. Certo. Os dois começaram a andar em silêncio um ao lado do outro — É… me desculpa mesmo pelo seu nariz, eu juro que não foi a intenção.

— Relaxa, eu ‘tô suave. — Jaehyun o tranquilizou — O seu amigo que deu uma exagerada mesmo, mas geralmente é normal esse tipo de coisa acontecer comigo.

Podia considerar aquilo como um começo?

— Ah, isso também acontece muito comigo, mas geralmente eu que sou a pessoa a quase morrer de hemorragia. — riu um pouco desconfortável. Jaehyun esboçou um sorriso de quem quer rir mas o riso é fraco demais para tornar-se uma risada, e logo pôs-se em silêncio, já que não tinha muito o que extrair do assunto.

— A propósito, bela camisa.

Taeyong olhou para a própria camiseta, momentaneamente esquecendo o que vestia; era uma camiseta preta estampada com uma foto em preto e branco do Marilyn Manson (que na verdade era de Johnny, apesar de Taeyong também ser um grande apreciador do metal industrial). Na maioria das vezes, as pessoas ficavam um pouco assustadas ao vê-lo com aquela camiseta, porém Jaehyun apenas parecia genuinamente interessado.

— Hã... obrigado. — respondeu enquanto abria a porta de enfermaria — Você é fã?

— Uhum. — ao entrarem. a enfermeira olhou desconfiada para os dois — Eu já fui no show do ex-guitarrista dele, o John 5.

— Wow, legal.

A enfermeira entregou uma ficha para Jaehyun preencher, paralelamente separando os materiais para limpar o machucado. Taeyong já era muito conhecido por ela desde que era criança; boa parte de seus machucados só não se tornaram piores por causa daquela mulher.

— Meus dois pacientes mais frequentes finalmente apareceram juntos! — ela exclamou com um certo quê de sarcasmo — Ao que devo esse crossover mais esperado do que Guerra Infinita? Vocês por acaso explodiram a casa de alguém? Se vocês realmente fizeram isso me avisem logo para eu poder tratar dos feridos.

— Não foi dessa vez. — Taeyong respondeu — Eu… acertei por acidente uma bola de basquete no rosto dele e acho que deve ter estourado algum vaso sanguíneo.

A enfermeira não estava nem um pouco surpresa. Afinal, não esperava mais nada vindo daqueles adolescentes desajeitados e cheios de hormônios.

— Vocês dois deveriam andar enrolados em plástico bolha.

— Eu já tentei fazer isso. Doeu. — Jaehyun falou, fazendo Taeyong rir. Então quer dizer que o bonitão do time de basquete também era uma máquina de destruição ambulante? — Ah, qual é o seu nome?

Sentiu seu coração parar ao ouvir a pergunta. Ainda bem que estava na enfermaria, porque era bem provável que precisasse de um transplante de coração naquele exato momento.

— T… Tae… — Qual é o meu nome mesmo? — Taeyong. Você se chama Jaehyun, né?

Torceu internamente para não ter soado como um psicopata.

— É que eu olhei na ficha. — completou. Em resposta, Jaehyun franziu o cenho, um pouco confuso.

— Mas eu ainda não preenchi a ficha.

Porra.

— Bom, pelo menos você tem um ponto com ele, já que ele também curte um Cake and Sodomy. — Johnny falou, secando os cabelos com uma toalha enquanto mencionava uma das músicas underrated do Marilyn Manson.

— É, mas eu enfiei esse ponto no meu cu quando o chamei pelo nome. — Taeyong falou baixo, já que estavam no vestiário e o citado poderia acabar escutando, visto que sorte não era algo que existia naquele plano terreno.

Sentado no banco, esperava Johnny terminar de se vestir para que pudessem ir embora. Já estava acostumado com aquele ambiente, e provavelmente as pessoas também já tinham se acostumado com a sua presença nada convencional ali. Vez ou outra via alguém protegendo o próprio sabonete com a vida, o que o fazia pensar nas coisas que já aconteceram naquele vestiário.

De repente, Taeyong ouviu uma voz fatidicamente familiar se aproximando. Em pânico, olhou para Johnny, que entendeu quase que no mesmo instante o que estava acontecendo.

A pessoa que aproximava-se era Doyoung, o garoto cujo nosso protagonista passou duas semanas inteiras flertando descaradamente e sendo o mais óbvio possível em relação a suas intenções para no fim descobrir que o felizardo estava interpretando aquilo tudo como uma grande brotheragem. E como isso aconteceu? Taeyong criou coragem para chamá-lo para ir ao cinema, só os dois. No meio do filme, tentou beijá-lo e ele se afastou. Mas não foi um afastamento do tipo “Credo, sai gay”. Foi algo como “Nossa você ‘tá perto né? Deixa eu te dar um espacinho aqui pera aí”. Teria sido bem menos constrangedor se a primeira opção tivesse acontecido, já que nesse caso teria motivos plausíveis para sair do cinema e nunca mais falar com ele. Porém, o que realmente aconteceu praticamente o obrigou a ficar ali do lado dele pelo resto do filme.

Quando o filme acabou, Doyoung começou a falar consigo como se toda aquela papagaiada fosse algo como “amigos sendo amigos” e por isso o acompanhou até o ponto de táxi, e ainda por cima pediu para que mandasse mensagem quando chegasse em casa.

Desde então, Taeyong estava evitando-o. Não por raiva ou birra, mas sim por vergonha mesmo. Mal conseguia ficar no mesmo lugar que ele sem lembrar do papel de trouxa que fez no cinema.

— Eu só vou pegar minha mochila aqui e já venho. — ouviram-no falar. No exato momento em que Doyoung entrou no mesmo corredor que estavam, Taeyong escondeu-se atrás de Johnny, procurando uma saída. O único lugar que parecia dar para o lado de fora era a janelinha entreaberta para o vestiário não ficar tão abafado, que ficava no final do corredor. Ninguém era tão idiota a ponto de tentar sair por aquela janela — Ah, oi Johnny! Que estranho te ver sem o Taeyong…

Como se fosse um nadador olímpico pulando em uma piscina, Taeyong jogou seu corpo através da janela, torcendo mentalmente para não ser notado. O que não foi o caso, já que seus quadris ficaram presos, deixando seu corpo metade fora do vestiário e metade dentro.

Isso não ‘tá acontecendo comigo. — pensou, ouvindo um Johnny nervoso tentar distrair a atenção de Doyoung daquela bunda presa na janela.

— Você de novo?

Ah, vai tomar no cu. — fez uma nota mental: nunca duvidar do quão ruim sua situação poderia ficar. Afinal, não satisfeita em ficar pior, ela ainda conseguia ficar mais bizarra.

Jaehyun estava ali bem na sua frente, encarando-lhe com uma expressão ligeiramente confusa, fazendo com que sentisse pela milionésima a inerente vontade de se mudar para o Alasca, arranjar um bigode falso e passar o resto da vida ordenhando cabras sob o pseudônimo de “Robert Pé Frio”. O vermelho tomou conta de seu rosto, fazendo-o evitar os olhos de Jaehyun, consciente de que uma única troca de olhares seria o suficiente para que morresse de desgosto.

— Não faça perguntas, porque eu provavelmente vou chorar se tiver que te explicar como eu vim parar aqui.

— Okay, hã… você quer que eu chame os bombeiros?

— Pelo amor da Mãe Monstra, não faz isso. — seu rosto queimou só com a ideia — Como você vai explicar isso pra eles? “Ah, o cara que tentou fazer uma rinoplastia em mim prendeu a bunda na janela e não ‘tá conseguindo sair porque a pessoa que projetou essas janelas não pensou que talvez um dia alguém com quadris largos tentasse sair por ela.”

Jaehyun riu fofamente, fazendo Taeyong ter um pequeno mental breakdown por estar conversando com ele naquele estado.

— Certo, então como que eu vou te tirar daí?

— Eu não sei! — exclamou — Tenta me puxar pra fora enquanto eu prendo a respiração.

De fato, estava apenas pensando em sair dali. Na hora não pensou que aquilo resultaria em Jaehyun passando os braços fortes ao redor de suas costelas, praticamente lhe dando um abraço de urso. Estavam tão perto que dava para sentir o cheiro de sabonete de bebê que ele usou para tomar banho. Sem falar que Jaehyun era quentinho. E gostoso.

Entretanto, não pôde aproveitar muito o momento, já que Jaehyun não conseguiu lhe tirar dali e nenhuma opção restou além de chamar os bombeiros, o que consequentemente reuniu um monte de curiosos ao redor para ver a sua desgraça.

Os dias se passaram e Taeyong não conseguia parar de pensar em Jaehyun. Afinal, o que faria agora que ele sabia de sua existência?

Bem, cumprimentava-o de manhã quando o via no caminho para a escola e os dois mantinham algumas conversas rápidas, porém Jaehyun era um pouco tímido, então as vezes o silêncio era inevitável. De pouquinho em pouquinho fazia progresso à medida que o diálogo avançava, tanto que Jaehyun passou a lhe saudar com um rápido abraço e um baixo “Tudo bom?”; da primeira vez que isso aconteceu, Taeyong quase derreteu ali mesmo no meio da calçada. O contato físico entre os dois era acanhado, porém natural. As vezes, aparecia na sala de Jaehyun com a desculpa de “Ah, o Johnny ‘tá procurando um baterista pra banda dele, então a gente decidiu passar nas salas e ver se alguém se interessa.” e no fim Johnny continuava sem baterista, enquanto seu amigo aproveitava para ser o mais gay possível com seu crushzinho. E foi nesse rolê de ir conversando com Jaehyun que de fato conheceu os amigos do citado.

Inicialmente, pensou que eles fossem lhe rejeitar, algo como “Que porra que esse mano ‘tá fazendo aqui? Alguém gonga ele, por favor?”, mas na verdade eles foram bem gentis consigo, tanto que sempre puxavam assunto quando o viam e não pareciam desinteressados quando começava a falar. Por estar quase sempre colado em Johnny, ele também acabou se entrosando com o pessoal, o que em certa noite resultou nos dois sendo convidados para uma reuniãozinha na casa de Mark após um dos jogos. Iam apenas as pessoas daquela rodinha de amigos, o que era bom, já que nenhum dos dois ficava muito à vontade em ambientes lotados e barulhentos demais.

Quando chegaram na casa de Mark, esperavam encontrar no mínimo alguns adolescentes se drogando enquanto cultuavam deuses antigos e ouviam black metal, e não Jungwoo e Taeil tentando imitar uma posição de yoga no celular de Mark, que estava quase se dobrando no chão de tanto rir, enquanto Yukhei, Sicheng e Jaehyun tentavam abrir um pote de maionese.

Assim que Jaehyun veio cumprimentar Taeyong, este quase desmaiou ao ser abraçado e logo em seguida agraciado com a frase “Que bom que você veio!”, além de ter sentido o perfume docinho que ele usava naquela noite, que mal havia começado e Taeyong já queria explodir.

Para não perder o costume, Johnny trouxe seu tabuleiro Ouija, que foi útil no momento da noite em que todos ali, menos Jaehyun e Taeyong, estavam chapados depois de fumar maconha no quintal de Mark e cheirar açúcar (ideia de Yukhei, que resultou no mesmo tendo uma leve hemorragia nasal). E de acordo com Johnny, as pessoas ficavam mais espiritualmente ativas depois de fumar, frase esta que poderia ou não ser um delírio de sua mente louca nas drogas. Chapados ou não, ficaram ao redor da mesinha de centro da sala, com as mãos no rolo de durex que tiveram que usar para marcar as letras, já que aparentemente Johnny derrubou o objeto original no aquário de Mark. O único que não estava com as mãos ali era Taeil, que ficou de anotar as letras que eram indicadas.

— AI MEU DEUS ‘TÁ SE MEXENDO! — Yukhei gritou agudo assim que o rolo de durex começou a se mover, indicando a letra C — É C de Chupa Cu galera, isso vai dar muito errado.

— Cala a boca e chupa o meu cu. — Sicheng, que era o menos chapado entre os chapados, retrucou, cansado dos dramas do outro.

Enquanto isso, Taeyong olhou para Jaehyun com sua melhor cara de “Eu estou cercado de idiotas”.

— O Mark ‘tá mexendo o rolo, né? — sussurrou.

— Uhum. — Jaehyun foi para mais perto de Taeyong para falar em seu ouvido — Mas acho que ele só ‘tá fazendo isso porque ele tem medo do Azélélé.

— Quem?

— Você sabe, o Eustácio da Padoka. — Taeyong arqueou as sobrancelhas, ainda sem entender — O Macaco Voadouro, Fila da Lotérica, Tio do Churrasco, o Tranca Ruas, sabe?

Taeyong acabou rindo um pouco mais alto do que deveria. Jaehyun era uma gracinha falando todos os sinônimos que conhecia para o Grande Vermelho, o Ameaça Comunista.

— Viram só?! — Yukhei voltou a ter seu surto psicótico — O CARTÃO DO SANTANDER JÁ SE APOSSOU DO CORPO DELE!

— Yukhei, eu juro que eu vou enfiar esse rolo de durex no seu furico se você não calar a boca. — Sicheng reclamou — Esse fantasma deve ‘tá agradecendo por já estar morto E NÃO TER QUE FICAR AGUENTANDO AS SUAS MERDAS!

— DÁ PRA CALAR A BOCA VOCÊS DOIS?! — foi a vez de Jungwoo de gritar — EU ‘TÔ TODO CAGADO DE MEDO DESSA MERDA E VOCÊS NÃO ‘TÃO AJUDANDO, PORRA!

— POR QUE A GENTE ‘TÁ GRITANDO? — Johnny estava chapado demais para sequer compreender o que estava acontecendo.

— EU NÃO SEI MAS ACHO QUE ‘TÁ FUNCIONANDO! — respondeu Yukhei, enquanto o rolo de durex movia-se.

Após uma meia hora, Taeil finalmente parou para ler a frase que se formou.

— “C o m i o c u d e q u e m t á l e n d”- MARK PUTA MERDA DE NOVO NÃO!

— AAH VAI SE FODER MANO!

Alguém tacou o rolo de durex em Mark, mas Taeyong não pôde ver ao certo quem foi, já que estava explodindo internamente ao ver Jaehyun rindo, mostrando suas covinhas e dando tapinhas nas suas costas. Só podia ser o ser humano mais adorável que já vira. Quando ele tocou em seu braço, sentiu vontade de ir até o lado de fora e gritar “É PRA GLORIFICAR DE PÉ”.

— Vamos lá pra fora? — Jaehyun perguntou, quase matando-lhe do coração — Aqui ‘tá ficando um pouco caótico demais pro meu gosto.

— C-Claro! — exclamou, nervoso.

Esse é o meu momento puta que pariu nega o auge. — pensou ao dirigirem-se ao jardim com Jaehyun, que tirou o celular e os fones de ouvido do bolso.

— Música? — ele perguntou, oferecendo um dos fones.

— Ah, sim. — respondeu, deixando a música de metal industrial soar em seus ouvidos. Okay, talvez (s)AINT não fosse a música mais romântica de se ouvir, principalmente quando o trecho que cantaram juntos era basicamente “I've got an F and a C and I got a K too, and the only thing that's missing is a bitch like U”, mas era aquele velho ditado “Foda-se todo mundo e que meu pau diminua até o joelho”. O intenso headbanging (é um tipo de dança que consiste em movimentar violentamente a cabeça no ritmo da música, muito comum no metal e no rock) tornava tudo ainda mais bizarramente conectante entre os dois.

Para completar, na parte mais “calma” da música, Jaehyun passou os braços ao redor de sua cintura e o trouxe para bem perto, arrepiando-o por inteiro. Olharam um nos olhos do outro, respirando com dificuldade e os batimentos cardíacos à mil. Só estavam os dois ali, sem ninguém para interromper o momento, já que os outros estavam chapados o suficiente para sequer lembrarem-se de seus nomes. O olhar de Jaehyun desceu para os lábios de Taeyong, que estava quase derretendo de tão quente que sua face estava. Não precisava ser um gênio da dedução para saber que iria beijá-lo, porém de tanto balançar a cabeça, Jaehyun acabou precisando se abaixar para vomitar justamente em cima dos sapatos de Taeyong.

— Puta merda! — deixou escapar, um pouco enojado pelo que acabou de acontecer. Então, segurou Jaehyun pelos ombros, tentando mantê-lo em pé e fortemente ignorando o cheiro de vômito em seus pés. Ele ainda estava um pouco tonto por causa do enjôo, e até um pouco pálido — Você ‘tá bem?

— Uhum. — ele tossiu — Foi mal.

— Nah, no fundo eu já esperava por algo assim acontecer. — a sorte de Taeyong era como o clitóris: até hoje não havia encontrado. Uma ideia muito boa de flerte passou por sua cabeça, porém não sabia se deveria dizer aquilo. Seria uma boa hora? E se Jaehyun não curtisse? Era como uma partida de Truco, só que Taeyong não fazia a menor ideia de como jogar Truco. Claro, se tudo desse errado, fingir um desmaio não parecia mais um plano tão idiota assim. Poderia dizer que na verdade fumava e estava chapado, e por isso deu soltou uma dessas, assim como também poderia sair correndo dali e mudar de planeta para evitar a vergonha que viria a lhe acometer. Após uma luta mental que no interno durou horas, mas externamente levou poucos segundos, chutou o balde e falou: — Mas é uma pena que agora eu não vou poder te beijar até você escovar os dentes.

Jaehyun arqueou as sobrancelhas e suas orelhas tornaram-se vermelhas. Taeyong estava esperando o momento de sentir vontade de se enterrar, entretanto sua espera foi em vão, já que o outro apenas riu daquele jeitinho adorável e abraçou-o.

— Seu bobo. — Jaehyun sussurrou, logo em seguida dando um beijinho em sua bochecha — Tira os sapatos pra gente ver se ainda dá pra salvá-los.

Passaram o resto da noite tentando limpar e secar os sapatos de Taeyong. Afinal, não havia nada mais romântico do que isso.

O primeiro beijo entre os dois só foi acontecer quase um mês depois daquele dia. Foi preciso de tempo para que pudessem recuperar toda a coragem que tiveram naquela noite, sem falar dos diversos dribles que a vida dava para atrapalhar os momentos que tinham a sós. O traço mais comum entre os dois era a falta de sorte; quando Taeyong conseguia passar um dia inteiro sem olhar para o céu e gritar “DESGRAÇAAAAA”, Jaehyun passava pelos momentos mais vergonhosos de sua vida, e vice-versa. De tanto assistir os treinos de basquete, Taeyong começou a perceber que Jaehyun era o jogador que mais rasgava o uniforme por acidente, ou rasgava o uniforme de alguém, o que era ainda mais constrangedor, e era por causa disso que ele tinha que tirar a camisa no meio da partida; porque ficar com ela daria na mesma coisa do que ficar sem ela. Sem falar das boladas que ele levava durante o treino e os escorregões no vestiário. Certo dia, enquanto Taeyong e Johnny assinavam o gesso ao redor de uma de suas pernas, Johnny até chegou a falar que se algum dia os dois morassem juntos, a chance do apartamento explodir em menos de meia hora era grande.

Voltando a falar sobre o dia do beijo, estavam em um karaokê com os amigos. Naquele rolê, não houveram drogas e nem bebidas, porém a mistura de açúcar com adolescentes hiperativos foi mais do que suficiente para surtir os mesmos efeitos. Taeyong e Jaehyun estavam cantando “I Kissed a Girl”, da Katy Perry, já que o nível elevado de açúcar no metabolismo os fez esquecer da imagem de roqueiros das trevas que levaram anos para construir. Na verdade, até Johnny estava mostrando suas raízes coloridas, já que junto com Ten, cantou com todas as forças “Very Very Very”, do falecido IOI.

Enquanto cantavam, olhavam um nos olhos do outro, esperando alguém dar o primeiro passo. Próximo ao final da música, Yuta gritou “SE BEIJEM LOGO SEUS HETÉROZÕES”, o que resultou em um momento de timidez. Ficaram conversando com os olhares, algo como “Ah, se você quiser eu também quero.”, até que por fim encostaram os lábios um no outro, iniciando um beijo um pouco desajeitado, quase como se fosse o primeiro.

E foi depois desse beijo que Taeyong descobriu que na verdade era o primeiro de Jaehyun. Mas essa história fica para a próxima, já que os dois estavam ocupados demais tentando explicar para o dono do estabelecimento o porquê de ter um tabuleiro de Ouija embaixo da mesa de karaokê.

17 de Marzo de 2019 a las 21:36 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Hyogie Han Fã incubada de boybands e aspirante a escritora, de alguma forma tento me encontrar na escrita através de pequenos desabafos vindos de crises existenciais

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