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zephirat Andre Tornado

Antes de um espetáculo, os seis membros da banda Linkin Park – Mike, Brad, Rob, Joe, Dave e Chester – descontraem, cada um à sua maneira. Até que alguém faz uma pergunta inocente que se torna incómoda, depois idiota e, então, já não se pode voltar atrás…


Fanfiction Bandas/Cantantes Sólo para mayores de 18. © Linkin Park não me pertence. História escrita de fã para fã.

#Divertido #Provocação #Espetáculo #música #dave #Phoenix #Joe #Brad #Rob #mike #chester #meme #Colheres #comédia #LinkinPark
Cuento corto
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Capítulo Único


Estavam nos camarins, nas traseiras do estádio, onde iriam fazer a sua apresentação naquela noite. Fim da tarde, para serem mais concretos. Não se importavam de tocar naqueles horários reservados às estrelas menores, aos grupos de apresentação e aos principiantes. A sua energia não variava com mais ou menos exposição solar – eles sempre seriam autênticos. E o seu público compreendia isso. A magia existiria, perene, bastava tocar e cantar. Era um mistério que os seus admiradores partilhavam, que eles conheciam de cor. Se estivessem juntos, simplesmente acontecia e eles não perdiam muito tempo a tentar compreender ou explicar.


Cada um no seu lugar, juntos como grupo embora separados nas suas individualidades, imersos em pensamentos próprios e vazios. Concentravam-se.


As paredes vibravam com a multidão que se acumulava no exterior. Era um festival, havia outras bandas. Eles tinham consciência de que eram os mais aguardados. A pressão acumulava-se lá em cima, junto ao teto, como um dossel de nuvens espessas que nunca chegava a descer para lhes pesar sobre os ombros. Era agradável ter essa confiança. Longe de ser arrogância, longe de ser orgulho. Apenas a certeza de que bastava serem genuínos e tudo iria correr bem. Como em todos os seus espetáculos.


Silêncio entre eles. Distância, foco, conjunto. Percebiam o ambiente que os rodeava, o que estava ali e o que estava por vir. Uma unidade construída de várias partes autónomas, interligadas, dependentes e distintas.


Então, Brad perguntou:


- Chester, és a colher grande ou a colher pequena?


- Sou uma faca! – exclamou o vocalista.


Do outro lado do biombo, Mike respondeu:


- Ele é a colher pequena!


Dave espirrou a coca-cola que estava a beber para cima de Rob.


- Ei!! – protestou o baterista, levantando os braços.


Joe, o disc-jockey, franziu a cara ao mirar as suas próprias mãos, de dedos unidos e curvados em forma de concha, a tentar encaixá-las, visualizando as colheres uma dentro da outra, colando os epítetos de grande e de pequena.


- O quê?! – espantou-se Chester.


Mike saiu de detrás do biombo a apertar os botões da sua camisa de flanela aos quadrados vermelhos e pretos.


- O que queres dizer, Mike? – quis saber Brad, com uma sobrancelha levantada.


Chester e Mike trocaram um olhar. O primeiro mordeu os lábios, furioso.


- Bem – gaguejou o japonês –, o que eu quis dizer foi que se o Chester é a colher pequena…


- Como é que sabes isso? – interrompeu Rob limpando a t-shirt com as mãos, que estava aspergida com pequenas gotas de refrigerante peganhento.


- Hum – murmurava Joe, mimando, também com as mãos, a posição das colheres encaixadas.


- Rob, não… – pediu Dave a abanar subtilmente a cabeça, de olhos fechados.


- Não, porquê?


Chester deu meia volta e saiu dos camarins. Pela maneira apressada e tensa de caminhar notava-se que estava zangado, ofendido, num estado sensível de bomba prestes a explodir.


- Chazy! – gritou Mike. – Vem cá, estamos a brincar! – Murmurou de si para si: – Eu estava a brincar…


Uma mão no seu ombro e ele parou, quando estava a ir atrás do Chester. Era o Brad.


- Deixa-o. Ele está irritado, primeiro precisa de se acalmar.


- Daqui a alguns minutos temos o espetáculo.


- Pois não o devias ter feito irritar-se – indicou Dave, irónico, bebendo um gole da sua coca-cola em lata.


Rob olhou-o de esguelha, antecipando outra borrifadela. Deslizou para se afastar. O baixista apercebeu-se do movimento e estranhou, fazendo uma expressão de curiosidade.


- Colher grande e colher pequena… pfff! – desdenhou Joe, colocando as mãos atrás das costas.


- O Brad é que começou – defendeu-se Mike.


- Foi uma pergunta inocente… E tu…


- Para uma pergunta estúpida dei uma resposta estúpida!


- E tu respondeste… O que supõe que tu conheces a verdade. Tu e o Chester?... – Brad rodava os dedos indicadores e mostrava uma curiosidade infantil no sorriso dissimulado.


- Eu e o Chester o quê?! – Mike corava.


- Tu és a colher grande e ele é a colher pequena? – perguntou Joe sem qualquer filtro.


O rosto de Mike, com as bochechas vermelhas, encheu-se de perplexidade.


- Como é que vocês podem pensar que eu e ele… dormimos juntos? Caramba!


- Como sabes, então, que o Chester é a colher pequena? – perguntou Rob, por sua vez.


Mike apertou os punhos, colocando os braços esticados às ilhargas. O sangue subia-lhe à cara e ele ficava cada vez mais vermelho.


- Já vos disse que foi uma resposta estúpida a uma pergunta estúpida!


- Ei, meu, por que motivo estás todo excitadinho? – apontou Joe, em tom provocador. – Até parece que é verdade e que queres que pensemos que seja mentira, escondendo tudo debaixo dessa reação exagerada. Tu, a colher grande. O Chester, a colher pequena. Como é que isso se processa… o encaixe?


- Encaixe? Não há encaixe nenhum!


- Pois é, Mike. Estás demasiado… indignado – concordou Brad, colocando-se ao lado de Joe, de braços cruzados.


- Alguém vai buscar o Chaz? – sugeriu Dave, pousando a lata de coca-cola. – Temos poucos minutos e estamos a perder tempo com esta discussão ridícula.


- Discussão ridícula… pois – resmungou Joe.


- Eu vou – propôs Mike, expirando o ar com força.


Rob deteve-o, puxando-o pelo braço.


- Ei, meu. Tu, não. Ainda levas um murro no focinho do Bennington. Brad, vai tu.


- Eu? – O guitarrista apontou um dedo a si próprio. – Fui eu que comecei com a insinuação. Eu também vou levar um murro no focinho do Bennington.


- Pois… Joe?


- Eu estou a vigiar o Shinoda.


- Não preciso de ser vigiado, senhor Hahn!


- Precisas, precisas… não queres beber o teu chá? Vai acalmar-te os nervos.


- Vai-te fo…!


- Eu vou! – cortou Dave, avançando até ao corredor por onde tinha seguido o vocalista. – Não me importo de levar um murro no focinho do Bennington. Já aturei coisas bem piores dele. E de vocês todos!


- O Phoenix sempre suscetível – analisou Brad, estalando a língua, fingindo que estava desapontado. Piscou o olho ao Joe.


- Cala-te, Delson! – exigiu Mike.


- Foste tu que falaste demais, meu amigo.


Quando Chester voltou parecia mais calmo, mas ainda se enchia de rancor e evitou olhar para Mike. Afirmou que estava bem, que não se preocupassem, queria subir ao palco e depois ficaria melhor. Seria um espetáculo brutal! Ele sentia-se preparado, iriam arrasar com o festival, dominar o público, a melhor apresentação do dia, proporcionar títulos inesquecíveis com adjetivos elogiosos nas publicações musicais do dia seguinte. Os Linkin Park no auge da fama e do talento.


Deixou que os outros quatro se adiantassem e abrandou os passos de Mike, encostando-se nele, percorrendo o caminho até ao palco. A conversa foi aos sussurros.


- Eu não me esqueci do que disseste.


- Chazy, estás a apoquentar-te com uma questão menor…


- Shinoda, tu sabes do que estamos a falar. Não desconverses!


- Não estou a desconversar. E tu tinhas de fazer aquele teatro todo?


- E tu tinhas de responder?!


- Bennington, para de ser tão sensível… Importas-te com tudo e com mais alguma coisa.


- E tu importas-te pouco.


- Não sejas injusto. Estou sempre ao teu lado.


- Demasiado…


- Então, importo-me pouco… ou demasiado?


- Esses teus joguinhos mentais… não consegues deixar de ser maçador, pois não? Daqui a nada estou a bocejar.


- De palavras. Jogos de palavras.


- O que seja, porra!


Chester abraçou Mike pelos ombros. Brad tinha voltado a cabeça para eles.


- Ei, Spike! Vamos lá partir esta merda toda, companheiro?! Vão lembrar-se desta noite para sempre.


- Chazy, podes contar comigo para a festa!


- Awesome!


- Yeah!


Nos bastidores, juntaram-se no habitual círculo. Cabeças unidas, abraçados, aquela união era inquebrável. Palavras de incentivo, sorrisos amplos, muita determinação, arrojo, confiança, coragem, certezas. E a música, a música que latejava na sua alma, no seu coração, na pele ansiosa pelo toque nos instrumentos. As cordas, as teclas, as baquetas, os bombos, as palhetas, os botões, os pratos, os discos. O microfone.


Depois, subiram ao palco.


A multidão rugia, assobiava, entoava o nome da banda.


Foi mesmo um espetáculo de antologia e acabou por ser inscrito em letras douradas na memória do Universo.

16 de Marzo de 2019 a las 12:11 2 Reporte Insertar 0
Fin

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Andre Tornado Gosto de escrever, gosto de ler e com uma boa história viajo por mil mundos.

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Lyse Darcy Lyse Darcy
Adorei o texto Essa pegada cômica foi hilária Beijos!
16 de Marzo de 2019 a las 09:59

  • Andre Tornado Andre Tornado
    Oi Lyse! Há séculos que não escrevia um texto para rirmos e sacudir o peso dos ombros. Também me soube muito bem revisitar este tipo de história. Obrigado pelo comentário. Beijo!! 16 de Marzo de 2019 a las 11:27
~