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sweet-mary Mary

Lalinha transforma lágrimas em poesia. O consentimento roubado é o grito mudo de tantas outras Lalinhas por aí, Lalinhas que se acanham, que suportam todo tipo de abuso físico, sexual e moral porque a justiça debocha de nós mulheres enquanto nossos abusadores estão à solta, transformando mais garotas inocentes em almas quebradas.


Poesía Sólo para mayores de 18.

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Depois de amanhã

Urros petrificados pelo silêncio.

No jocoso olhar dele, o decreto final.

O zíper dele correu para baixo, rasgando o vestido dela.

O objetivo escuso tão bem orquestrado pelas mesuras angelicais.

Corpo imóvel num leito improvisado.

Lágrimas enterradas num suspiro agudo.

O galo metódico reafirma a soberania através do suor.

Sêmen de enxofre, pecado consumado, houve apenas ódio.

Estranhos de plástico brincaram de amor, que ousadia!

Tensão sublimada por um prazer animal.

Dele.

Vencedor de um jogo sádico de diversão.

Ninguém ri senão o tolo iludido de ser rei.

Tirano de sorriso maroto e voz mansa.

Não poderia ser alma de menino,

ali jazia o demônio em forma de homem.

Carecendo de descrição, horrendo por definição

A perfumada ilusão não esconde a essência sórdida.

Até parecia poeta pelos modos distintos.

Um ditado valeria um milhão de cruzeiros.

De que adianta todo o dinheiro do mundo agora?

Ele não compra a inocência rasgada de volta.

Ela está em frangalhos e não tem com quem contar.

Sem testemunhas, seu tormento é mero delírio.

Quem iria contestar o currículo impecável?

Ela é apenas uma menina sonhadora e sem chão.

Sorrindo para você, nem parece destruição.

Um pedaço de vidro altamente perigoso.

Frágil e danoso.

Uma porção de sua bondade se vendeu ao ódio.

Não ser ele, lutar para dormir em paz.

Porque o escuro lhe traz medo de monstros.

Antes fossem os assombros propositais.

O vocábulo mais pertinente para seu desespero é um só: o medo.

Tão melhor seria aprender a amar, mas temer é a ação.

Ela enxerga a si mesma por entre os lapsos de insanidade.

No tremor da raiva, nas cálidas e mal digeridas lágrimas.

Ela é aquilo que ninguém vê, o que ele a transformou.

Ela é a autoindulgência a qual se nega.

A sujeira não está no corpo dela, mas na alma dele.

Transparência a se questionar

Verídica, afinal de contas? Ou apenas outra farsa comprada?

O vento levou essas perguntas adiante e o tempo sábio trará as respostas.

Por ora oferece um café quente e um cobertor decente.

Tudo de que ela precisa cabe num abraço terno.

E distância desse mal com sobrenome reconhecido.

Eles se igualam perante a senhora das senhoras.

Enquanto isso, ele segue impune e ela magoada.

Algum dia de 1992.

14 de Abril de 2019 a las 03:46 0 Reporte Insertar 0
Fin

Conoce al autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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