O General capturado e o Rei Dragão. Seguir historia

akira-sam2702 Akira Sam

Uma aventura em um reino distante entre um general capturado que luta pelo amor aos seus familiares capturados e um rei arrogante que descobrira o maior de todos os sentimentos.


Fanfiction Sólo para mayores de 18.

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Sob o sol do reino inimigo.

 

O General capturado e o Rei Dragão.

Autor(es): akirasam946

Sinopse

Sasuke Uchiha é um general forte e destemido, lutando por seus homens em uma terra distante, desprovido de provisões já que seu reino é comandado por um Imperador Usurpador terrível e sanguinário, este general se vê obrigado a lutar com o famoso e temido Rei Dragão do Oriente, Naruto Uzumaki, um rei que domina três reinos já tomados por ele e que pretende invadir e dominar também as Terras Nevadas. Faminto, cansado e sem forças esse general é vencido e capturado em batalha, seu destino agora está nas mãos do rei. Mas o destino deve levar esses dois homens diferentes e extraordinários a descobrir muito mais do que imaginam nessa aventura cheia de dor, honra, queda, aceitação e renovação dos valores de suas almas.
O general capturado ensinará ao Rei Dragão que a gentileza pode ser mais forte que a submissão forçada, que a dor pode ser substituída pela amor e que uma nação que ama seus governantes é melhor do que a que os teme.
Entre a honra e a guerra somente o amor pode vencer.

Aviso Legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Índice

1 - Personagens e explicações.2 - Sob o sol do reino inimigo.3 - Um guerreiro sem armadura e com uma beleza estonteante.4 - Aquele que tem meu coração.5 - A luz da lua e a solidão das estrelas.6 - O príncipe escravo e o servo.7 - Todas as dores do inverno inclemente.8 - Sob a pele que habito.9 - Linhas tortuosas do destino.10 - O mais precioso dos sentimentos.11 - A verdade que liberta e constrói.12 - As intrigas da corte e a serva fiel.13 - A serpente do mal e fúria assassina.14 - Cantarei com minha alma enquanto te dou meu coração.15 - Sobre confiança e proteção.16 - O caos e a escuridão...Ou o perdão.17 - Uma coroa forjada no amor e na dor. ( O dia do casamento)18 - Uma coroa forjada no amor e na dor. ( A noite do casamento.)19 - Todas as cores do amor. (Núpcias).20 - Todas as cores do amor. (Amanhecer).21 - Ponderações da alma e histórias verdadeiras.22 - Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 01.23 - Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 02.24 - Forças do destino.25 - O general capturado e os ministros da corte.26 - O final do inverno no reino do Dragão.27 - As lições da vida.28 - As primeiras flores da primavera.29 - As primeiras flores da primavera parte 02.30 - Era uma vez...31 - O poder que habita nas palavras.32 - Promessas de alma para alma.33 - Doce amargo.34 - A faca do assassino não ouve o grito do inocente.35 - Se deseja a paz, prepare-se para a guerra!36 - O inimigo do meu inimigo.37 - Promessa sagrada.38 - Dou-te meu coração eternamente.39 - Novas verdades.40 - Poderes ocultos.41 - Paz, verdades e arrependimentos.42 - Uma moeda para Caronte.43 - Seguir as leis dos deuses.

1. Personagens e explicações.

Notas do Autor
Minha nova história se passa em uma mundo alternativo, reis, rainhas, concubinas, servos e escravos. Um rei poderoso e um general corajoso se encontram em circunstâncias complicadas e mesmo com toda a diferença em suas vidas um amor cresce, inesperado e complicado entre eles. Sasuke e Naruto juntos nessa aventura medieval.
Porém eles precisavam vencer muitas batalhas para ficarem juntos, se desejarem viver essa aventura comigo eu os convido a rir e chorar com esses personagens, sofrer com eles, aprender com suas dúvidas e medos e descobrir um mundo fantástico onde nem sempre o sol brilha, mas onde coisas extraordinárias acontecem...
Neste primeiro capítulo somente a ordem dos personagens, serão personagens de Naruto, mas também personagens originais.
Levemente inspirado numa história chinesa de nome War Prisoner, e em outras lendas chinesas, assim como em contos antigos e na história das concubinas e concubinos na China antiga, mas deixo claro que eu me inspirei na história apenas, criando de minha própria mente e autoria essa história.

         Personagens da história:

Naruto como o Rei Dragão( forte, destemido, arrogante e determinado)

Sasuke como o general capturado ( gentil, destemido, corajoso e mestre espadachim)

Mikoto como a Imperatriz deposta (gentil e adorável, digna de sua realeza)

Fugaku o Imperador morto.

Itachi como o primeiro filho, o herdeiro do trono das terras nevadas, serve como escravo no palácio do Usurpador, usa uma coleira mágica que o proíbe de sair do palácio e de atentar contra sua vida ou de qualquer um do regime do Usurpador.

Shisui como o primo de Sasuke e amante secreto de Itachi, anda com dificuldade devido a ter quebrado a perna aos seis anos de idade, mesma época em que foi adotado pela Imperatriz deposta e cresceu como escravo no palácio.

General Shouzi o cão fiel

Imperador Shouji o Imperador Usurpador.

Obito segundo no comando do exército sob as ordens do general Sasuke.

Sakura Haruno, médica da corte do Rei Dragão, cresceu junto com o rei, aprendeu alta magia e cura pacífica, mas conhece a magia negra e pode usa-la sem perder sua alma.

Megume Haruno, mãe de Sakura, abandonou a filha quando nasceu, bruxa que usa a alta magia negra, adora venenos e coleciona maldades, serve atualmente o Imperador Usurpador.

Hinata, ex concubina, atualmente serve como médica curandeira e pertence a Haruno por ordem do Rei Dragão.

Qui, parte da alma do guerreiro, uma força extra que pode manter um soldado ou guerreiro lutando mesmo quando ele está a beira da morte, pode ajudar a fugir da dor em caso de tortura física e pode ajudar os magos e bruxos a desencadear magia suave.

Alta magia, poder concedido a homens e mulheres com dons para cura, essas pessoas raras podem usar cristais como elemento de visão a distância e comunicação entre as partes ( como um telefone) esse mecanismo chama-se cristal vivo e consome a energia de quem o usa para manter o cristal ativo, uma vez que o cristal perca seu brilho ou perca a energia de quem o mantém ele morre e fica negro.

Magia negra, arte das trevas que consome a alma de quem o usa, sendo necessário pagamentos em sangue inocente para continuar vivendo, somente Haruno pode usar a magia negra sem perder a alma ou ter que pagar em sangue, ela tem o Qui elevado demais.

Magia suave e o dom da cura, da persuasão e do encantamento, criando ilusões tão reais que as pessoas nem mesmo percebem que foram enfeitiçadas, pode mudar a imagem de alguém temporariamente ou pode mudar a forma dos animais, transformando gatos ou pássaros em ovelhas por exemplo, tudo isso é raro e não permanente, é uma ilusão forte.

“Reino de Quinzen é a terra do Rei Dragão.”

“ Cidade Nevada e cidadela são do reino de Sasuke”

“ Cidade de Cristal é a terra natal de Sakura Haruno”

O reino da névoa, o reino do fogo e o reino do ferro que constituem um único grande império são também de domínio do Rei Dragão.

Quando a palavra "rei" é usada no diminutivo significa que estou me referindo ao rei, quando é usada no aumentativo é porque indica a sua força e seu poder sobre todos os outros, por isso uso "Rei Dragão".

O cão fiel é das terras ao sul, um habitante daqueles domínios bárbaros.

Notas finais
Aqui coloquei algumas considerações para que entendam a história e não fiquem perdidos nela, espero que tenham achado útil de algum modo. Vamos ao capítulo propriamente dito a seguir, se puderem me digam o que estão achando e se gostarem compartilhem com seus amigos. Beijos Akirasam.

2. Sob o sol do reino inimigo.

Notas do Autor
Agora a aventura começa. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capitulo um, Sob o sol do reino inimigo.

As areias tremulavam a distância, douradas e absolutas, o vento que vinha repousar na pele era acariciante como o toque de um amante, ou pelo menos era o que aquele jovem general havia pensado enquanto se debruçava suavemente sobre as peles de cordeiro e olhava o sol sob a areia do reino inimigo, a tenda onde ele se alojava era ampla e colorida, ele sabia que o inimigo era implacável e praticamente invencível, o temido e poderoso Rei Dragão do Oriente, senhor absoluto de três reinos, todos vencidos e conquistados com estratégias incrivelmente inteligentes, com quase nenhum sangue derramado. O belo general admirava as técnicas empregadas nas campanhas do seu inimigo, o rei administrou recursos e homens e venceu batalhas inteiras com sua inteligencia e esperteza, coisa impossível para seu próprio monarca, o então imperador do reino das terras Nevadas era um completo idiota, conhecido como o Rei Usurpador embora ninguém pudesse de fato externar esse pensamento, mas o fato era esse, o pequeno homem de constituição rechonchuda e rosto de lua corado permanentemente pelos vinhos mais doces, era um bonachão, olhos pequenos e miúdos, ele mesmo não governava, mas sim seu fiel cão, como era conhecido, um ex escravo elevado a general que embora possuidor de grande inteligencia e habilidade era sanguinário, extremamente maldoso, ele se dispunha de seus fieis soldados e homens de confiança para aterrorizar o cidadão comum e manter sua politica de horror e medo.

Sasuke Uchiha suspirou pesadamente, quando seu pai era o imperador e ele somente um garotinho sonhou conhecer as terras em que agora pisava, porém nunca podia imaginar que seu belo sonho se tornasse a causa de seus pesadelos hoje em dia, porém seus pensamentos voavam perdidos e mesmo que ele não quisesse voltavam no tempo, retornando a sua infância perdida, naquele mesmo ano em que ele contava apenas sete primaveras o território das terras frias foi atacado diligentemente por esse general e seu suposto imperador banido, na verdade o então usurpador se auto proclamava imperador por uma linha obscura de sangue que descendia de uma antiga dama de companhia do harém do pai de Sasuke, a bela dama a muito tinha morrido, ninguém nunca soube como esses dois homens, o usurpador e o cão fiel forjaram sua afeição de irmãos e nem como eles conseguiram em tão pouco tempo derrubar todas as defesas e dominar a cidade e a cidadela sagrada, matando o imperador e tomando o trono a força, seu exército foi composto pelo povo do sul, tribos livres de nômades sanguinários e sem líder, um povo cruel e ainda rústico que morava longe.

O jovem general sempre achou que os homens do sul, as tribos livres que lutaram com o usurpador ganharam muito dinheiro com isso, mas seu pagamento real foi ainda mais assustador no final, pois quando a guerra acabou e os cidadãos da cidade entregaram ao novo imperador tudo que tinham, receberam como presente ter um membro de cada família entregue aos homens da tribo do sul como escravo, ouve tantos lamentos nessa noite que ficou marcada na mente do povo comum e conhecida como a “noite do abandono”, pois ali o povo perdeu seus amados parentes, filhos, netos, primos, irmãos, irmãs, alguns perderam pais e mães, e ainda toda a sua esperança, para apaziguar a dor do povo ( coisa impossível na verdade) futuramente foi permitido que nessa noite fosse celebrada uma reunião silenciosa onde todos oravam e pediam aos deuses misericórdia para aqueles que lhes foram rudemente roubados e paz a seus corações para suportar a dor e a perda, oravam também para que os que foram levados não sofressem tanto, soltavam lanternas coloridas que flutuavam lentamente no céu noturno e choravam por suas perdas e dores.

Sasuke nunca pode soltar uma lanterna por ninguém, como segundo príncipe do falecido imperador era claro que sua morte seria certa, porém quis o destino que o cruel general Shouzi, o cão fiel, decidisse manter a imperatriz viva como concunbina escrava no palácio para humilhar seu espírito nobre, o filho mais velho e sucessor do imperador como um escravo na casa imperial servindo o próprio usurpador e Sasuke que era somente uma criança ele decidiu treinar pessoalmente, como moeda de troca para a completa rendição do pequeno usou sua mãe e irmão contra eles, sendo assim se Sasuke aprendesse e se tornasse um general eles viveriam, cada erro seu era punido com castigos nos seus familiares queridos. Com o passar do tempo embora o treinamento fosse intenso e o jovem desmaiasse ao final do dia de tão cansado ele atingiu o nível necessário e começou a ser mandado para as batalhas, mesmo assim as exigências sempre aumentavam, ele sempre era chamado junto ao general Shouzi que lhe segredava os castigos que seriam dados a seu irmão e a sua mãe caso ele falhasse.

Sasuke nunca falhou, venceu cada batalha que lutou com determinação, porém sem nunca usar de extrema violência ou sequer arrogância, quando era impossível render o inimigo e sua única chance era mata-lo ele o faria, mas choraria sobre seu cadáver depois, seus homens e subordinados o amavam intensamente, pois ele os defendia com ardor, apaziguava brigas, movia ações e resolvia contendas e sempre estava pronto a ajuda-los, treina-los e instruí-los, era devotado a seu reino, muito embora na verdade fizesse tudo isso somente pelo bem estar dos familiares e pelo amor que sentia pelo seu povo.

Outro que dependia muito de Sasuke e suas vitórias era Shisui, primo quase da mesma idade que ele que teve a perna quebrada por um invasor no dia da vitória do rei usurpador e sendo assim foi poupado de ser escravizado pelo povo da terra do sul, mas uma criança com a perna direita quebrada e com os pais mortos em batalha não era útil a ninguém, a ex imperatriz Mikoto implorou por sua vida e lhe foi concedido cria-lo, somente para servir no palácio como um escravo, tal qual Itachi Uchiha o jovem herdeiro verdadeiro que seguia seus dias aprisionado, usando uma coleira no pescoço imbuída em magia que nunca lhe permitia sair de dentro das dependências do palácio, assim como não lhe permitia acabar com a própria vida ou se rebelar contra o imperador usurpador ou qualquer um do alto conselho.

O vento soprou novamente e Sasuke saiu de seus devaneios, novamente pensou em como deveria agir caso o exército do rei Dragão marchasse até aquela região, seu exército era menor em numero, mas seus homens estavam cansados e com fome, o maldito usurpador consumia todos os recursos que deveriam chegar aos seus homens em campo de batalha, sendo assim até mesmo o básico lhes faltava, naquelas condições acampar tão longamente no deserto impiedoso era certamente um erro terrível, mas o general Shouzi não se importava, desde de que sua mesa estivesse cheia e seu corpo saciado com os prazeres da carne.

Um dos soldados do jovem general se aproximou e lhe trouxe um pouco de pão e uma caneca com água fresca.

-Meu senhor aceite isso, sei que se privou do vosso café da manhã para dar ele a um dos soldados que carecia de comida.

-Realmente fiz isso, como soube Obito?

-Bem...Não é somente sua coragem que corre como o vento, a língua dos soldados também faz o mesmo serviço. Eles o adoram.

Sasuke sorriu e aceitou a singela oferenda, mas olhou o homem nos olhos antes de mordiscar o pão duro.

-De quem era essa porção? E a água?

Obito deu de ombros sorrindo.

-Coma sem medo, eu mesmo a consegui, tem uma fonte de água a algumas milhas, eu encontrei essa manhã, o pão veio de uma casinha pobre, uma jovem senhora me ofertou ao que eu a ajudei a arrebanhar uma ovelha perdida.

Sasuke então comeu avidamente, na verdade ele estava com fome a vários dias, comendo o mínimo necessário para se manter vigilante, mas sabia que se ouvesse uma batalha isso o prejudicaria e muito, porém tinha esperanças que nesse dia chegasse os suprimentos que ele tanto pediu para o maldito general Shouzi.

-Novamente enviei um emissário ao general pedindo por recursos, como ele espera que eu aguarde uma provável invasão com meus homens morrendo de fome no deserto? Francamente é algo estúpido de se fazer.

-O general só pensa em duas coisas...Disse Obito e Sasuke sorriu.

Obito se sentou sem cerimônias na tendo do amigo e senhor e compartilharam um momento de silencio quando enfim o mais velho segredou seus medos ao general.

-Acha mesmo que o Rei Dragão virá?

-Seria de se espantar se ele não tentasse, nossas terras embora mais frias são muito mais férteis e tem rios e cachoeiras, vales lindos e cidades maravilhosas, infelizmente tudo está abandonado a anos devido a má administração do nosso querido usurpador.

Sasuke e todos os outros temiam usar essa palavra, mas em retiro a poucos e confiáveis amigos a usavam sem medo, afinal era o que o homem maldito era, um usurpador.

-Jovem mestre...Meu general, se ele vier...Nós morreremos, sabe disso não é?

Sasuke terminou sua pequena porção e suspirou pesadamente.

-Como sempre eu darei meu melhor, meus entes queridos dependem disso para continuar vivendo, porém se eu morrer em campo de batalha, como acredito que ocorrerá se lutarmos com esse exército eles serão executados de modo rápido e então todos nós seremos livres no outro mundo e eu finalmente poderei abraça-los de novo...Isso não seria ruim e você sabe bem disso.

Sasuke ponderou novamente e finalmente terminou seu pequeno discurso ao amigo.

-De fato seria uma dádiva a nosso sofrido povo, ouvi dizer que cada reino conquistado pelo Rei Dragão progride, seu povo não foi morto ou escravizado e embora agora tenham que jurar lealdade a um rei que venceu o seu no geral parecem bem, ouve poucos casos de mortes, sendo que somente o rei e seus servos da corte foram executados, mas as crianças parecem ter sido poupadas, é mais do que ocorreu com nosso povo quando o usurpador subiu ao trono de meu pai, de todo modo minha família perece, se eu morrer eles morrem, se o Rei Dragão ascender ao trono do nosso reino todos no palácio imperial morrem, isso incluí minha mãe, meu irmão e meu primo, mesmo tendo vividos como reféns esse tempo todo eles são a família real verdadeira.

Obito suspirou, ele próprio se infiltrou no reino do Rei Dragão e ao que ele mesmo pode ver de fato isso era verdade, porém ninguém poderia ter certeza, o Rei Dragão poderia simplesmente matar todo o povo e instalar o seu próprio povo no lugar, aproveitando de ter ali uma bela cidade, quem poderia prever? Mas ele também sabia que Sasuke estava certo, de todo modo a imperatriz que perdeu o trono seria assassinada e isso se seguiria a Itachi que era o herdeiro verdadeiro e até mesmo a Shisui.

-Mas há um outro lado, e se vencermos? Poderia pedir para ver eles não é? Aquele cão maldito não te negaria um pedido singelo desses após uma vitória como essa.

-Sim, creio que ele não negaria, mas...Tenho suspeitas de que ele nem mesmo ache que a guerra está a suas portas, ele acredita que o nosso reino é invencível, está louco, os prazeres da carne unidos a suas drogas endureceram seu coração ainda mais e enfraqueceram sua mente.

Obito suspirou, já suspeitava disso, o maldito cão não vinha mais atormentar os pobres soldados, mas ele vivia para atormentar as pobres concunbinas, as mulheres e homens que ele mantinha para ele, e sua bruxa particular mantinha sua mente alegre com suas drogas, isso minava sua inteligência dia a dia.

-Aquela bruxa de vida longa...Acredita mesmo que ela tenha cento e noventa anos como diz?

Sasuke sorriu.

-Para mim ela podia ter quinhentos, eu só queria poder viver um dia livre de todos eles.

Obito então se levantou e entregou reverentemente ao jovem general uma flauta feita a mão, talhada em madeira nobre, polida a perfeição, era branca como a neve e combinava com as vestes do seu mestre.

-Não sofra mais com o destino que não pode mudar, se perdermos morreremos e nos encontraremos em outro lugar, todos juntos e felizes, sei que os deuses darão a esse povo sofrido um local apropriado e aprazível, seremos uma grande família feliz e veremos esses malditos governantes maus sofrendo pela eternidade. Mas hoje seja feliz, eu mesmo fiz para o mestre.

Sasuke sorriu seu sorriso mais belo, o mais gentil e doce de todos, aquele que costumava deixar o coração de Obito leve como pluma.

-Uma flauta!

Reverentemente o jovem general a pegou e a levou aos lábios, ele começou a tocar e Obito se retirou mansamente, o som da flauta subiu aos céus, era doce e triste, alegre e quente...Sasuke derramava seu coração na canção.

Não longe dali um homem alto vestido de peles observava a cena, estava longe para ver claramente o outro que ele pretendia investigar um pouco mais, sabia tudo da vida do general Sasuke Uchiha, o segundo filho do imperador Fugaku, que foi deposto e decapitado pelo usurpador, este usurpador que venceu a batalha com um exército feroz e sanguinário.

Porém agora o general Sasuke vencia suas próprias batalhas, era muito jovem ao que diziam, dono de uma beleza absurda e de uma técnica afiada com a espada, ele nunca usava armadura em campo de batalha, sempre lutava com vestes brancas como a primeira neve do inverno e uma espada leve e cintilante feita de um material que se parecia com jade, mas obviamente não era. Porém agora o Rei Dragão via um jovem que tocava sua flauta docemente, tão melancólico que fazia o coração do rei arder no peito, ele precisava de um último teste para esse guerreiro formidável e então queria ver de perto ele e avaliar sua beleza.

Apertou as mãos nas rédeas do seu animal e saiu de lá, seu companheiro de cavalgada o seguiu sem dizer uma palavra, era uma mulher diferente das outras, era uma guerreira e curandeira e fiel companhia deste rei fantástico.

-Haruno, mande o nosso guerreiro atacar aos primeiros raios de sol, diga a ele para ser o mais feroz possível e lutar com o general Sasuke, e diga a ele que eu quero ver, portanto que ele o traga junto a clareira, perto do desfiladeiro, se ele vencer terá seu peso em ouro pago no mesmo dia.

-Sim meu senhor. Deseja ver o espião ainda hoje?

-Sim, quero o relatório completo dele, já localizaram os familiares do general Sasuke? Ainda estão vivos?

-O senhor Kabuto é muito bom no que faz, ele já está com a localização deles, espera somente suas ordens.

-Hum...Que espere mais um pouco, decidirei após a batalha de amanhã.

-Sim meu senhor...Essa serva pode perguntar algo?

O rei permaneceu em silencio e ela entendeu que podia falar.

-Pretende matar o general ou captura-lo?

-Como eu disse a pouco, depende da batalha de amanhã, quero ver se ele realmente luta sem armadura primeiro, se é mesmo tão bom com a espada e se sobrevive ao meu campeão, após isso caso ele vença eu quero seus familiares sob minhas vistas, e ele em minhas masmorras.

Haruno permaneceu calada, ela já tinha entendido que o rei Naruto tinha intenções para com o general, talvez fossem os boatos sobre sua beleza radiante ou sua habilidade com a espada ou ainda sobre sua incrível coragem, de fato ela sabia que ele se sentia atraído pelo homem que já era uma lenda, fosse como fosse o destino de Sasuke Uchiha estava selado nas mãos de Naruto Uzumaki.

Notas finais
Espero que tenham gostado, se tiver algum erro gramatical relevem, a história é longa e o capítulo também, e ninguém é perfeito, se gostaram comentem por favor. Beijos.

3. Um guerreiro sem armadura e com uma beleza estonteante.

Notas do Autor
Estou devidamente amando essa história e espero sinceramente que gostem, do fundo do coração agradeço a quem ler e a quem comentar. Um beijo.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo dois, Um guerreiro sem armadura e com uma beleza radiante.

O dia amanhecia suave no deserto, estar tão longe de casa deixava Sasuke nervoso, ainda mais tão perto de um inimigo tão formidável, sendo assim ele dormia pouco, havia acordado antes que os raios de sol surgissem no horizonte e ainda estava frio, ele se sentou na cama feita de peles e suspirou procurando pelo seu jarro de água, havia sido abastecido claramente por Obito, ele sempre se sentiu grato por ter o amigo consigo, ele o mantinha aquecido, pois sempre lhe trazia cobertores macios e o mantinha alimentado, procurando trazer comida sempre que podia, mesmo que as vezes buscasse longe, assim como mantinha água para ele. Sasuke morreria por ele com certeza.

Bebeu a água e sentiu um calafrio no corpo, sabia que isso era definitivamente um mal preságio e se levantou, lavou-se e se vestiu, usou a túnica branca costumeira e prendeu seu cinto de couro a cintura, afivelou sua fiel espada de jade nacarado, forjada no calor mágico dos templos dos antigos, única relíquia que mantinha do pai e a mesma espada que o decapitou, outrora sentia medo toda vez que tocava a espada, imaginando como o menino que era na época que a alma do pai residia na matéria mágica que deixava a espada ser quase invencível, mas hoje como o homem que era sabia que a espada era apenas o instrumento de quem a empunha, mas sempre orava a alma do pai reverentemente e lhe pedia perdão por ser jovem demais na época de sua morte e não ter sido capaz de salva-lo.

Saiu a campo e viu seus fieis soldados dormindo, andou por entre eles sem medo e sem ruído algum e caminhou ao deserto inclemente, sentiu no ar o sopro do inevitável e num instante foi atacado por um homem alto, quase negro e de pele repleta de cicatrizes, ele estava com uma espada sarracena grande, aparentemente pesada e mortal, não pensou duas vezes e sacou de seu bolso o apito feito de osso de javali e assoprou o instrumento, acordando seus homens que saltaram assustados a tempo de serem surpreendidos pelo grupo maltrapilho de ladrões do deserto, muito, muitos ladrões.

-General Sasuke, vejo que sua beleza é mesmo extraordinária, não me admira o Imperador Usurpador o manter vivo, o que me admira é ele não o manter em seu meio, como um dos escravos do harém real, seria a concunbina mais requisitada com certeza.

Sasuke nem se moveu, esses insultos ele sempre ouvia, nada mais eram do que palavras vazias, ele era um general, beleza nunca significou nada para ele.

-Não quer conversar? Que pena, ouvi dizer que sua voz é tão bela quanto o seu rosto e que os que tem o privilégio de o ouvir cantando caem de amores pelo belo general. Tente me fazer chorar com sua voz, quem sabe eu poupe sua vida?

Ao seu redor o mundo se acabava em gritos e barulho de espadas, sangue e areia, mas eles se olhavam parados, apenas o vento agitando os longos cabelos negros que chegavam a cintura, soltos por ser ainda tão cedo, num salto o homem de aparência revoltada partiu para cima do jovem general e ele se esquivou como um gato selvagem, a espada sarracena partiu o ar e seu som se propagou, ela era pesada, mas mortal, porém seu portador gastava muita energia para usa-la, e isso já era uma vantagem, ele vestia roupas rasgadas e gastas, mas mantinha uma armadura de couro que embora fosse útil para aparar golpes lhe deixava mais pesado e lento, essa vantagem o jovem general já percebeu. Os ataques eram de um lado pura fúria assassina e do outro graça e leveza, mas sem que o general pudesse perceber eles se afastavam da luta no acampamento, se dirigiam mais ao centro das areias já aquecidas pelo sol, rumando ao desfiladeiro de rochas adiante, onde um espectador curioso mantinha ao seu lado a fiel confidente coberta de roupas negras.

-Ele realmente não usa armadura, ou pode ser que não tenha tido tempo de coloca-la, devido a natureza do ataque, eu devia ter pensado nisso! Resmungou o loiro de vestes negras.

-Senhor meu rei, ele não tem armadura mesmo.

-Como sabe? Acaso foi ver isso pessoalmente?

Haruno ergueu uma sobrancelha e apesar de usar um pano que lhe cobria os lábios o rei sabia que ela estava sorrindo.

-E quando fez isso?

-Ontem, me infiltrei perto do acampamento, em uma casinha abandonada há muito tempo, me servi de uma aparência diferente e convoquei alguns animais, revesti eles de magia e criei um cenário bucólico, a pastora e suas ovelhas, servi água e pão a um soldado que é o braço direito do general e conversamos por quase uma hora, ele me contou tudo que eu perguntei movido por minha magia suave e descobri que realmente o general não usa armadura, isso se deve ao fato de que ele é filho do legítimo rei, não pode vestir armadura, tem que lutar somente com suas habilidades e ser forte para vencer sem nenhum subterfúgio. Descobri que o exército está morrendo de fome, creio que após essa pequena batalha o meu rei pode atacar, vencerá sem dúvidas.

Naruto estava chocado, ele realmente sempre se surpreendia com ela.

-Porque não me disse isso ontem? Me deixou usar esse plano quando já sabia de tudo! Francamente Haruno.

-O meu senhor não me perguntou nada ontem, e depois isso mudaria as coisas? Meu senhor deseja ver de perto o general Sasuke, ele está bem perto agora, observe com seus olhos se ele lhe é aprazível.

-Realmente...Resmungou o rei indignado com sua companheira de conversa, mas sabendo que isso era bem típico dela, por hora prestou atenção no homem belo que lutava ferozmente no campo de areias.

-Nunca pensei que era tão belo, na verdade duvido que palavras descrevam sua beleza corretamente, veja os cabelos negros? O corpo curvilíneo pode ser visto nitidamente sob a túnica alva...Ele usa essa roupa para atormentar seus inimigos?

-Preciso parar essa luta, se ele morrer eu vou me arrepender...Haruno??

A mulher observava e depois de um tempo se voltou ao seu mestre.

-Meu senhor, ele já venceu, não terá nenhum ferimento. Infelizmente seu homem da tribo do sul está morto.

Quase no mesmo momento a espada de Sasuke atravessou o peito do guerreiro sarraceno e ele caiu morto aos pés do general, que inadvertidamente se ajoelhou e fez uma prece para o morto, permanecendo aos seus pés por um breve momento, depois ficou em pé, limpou uma lágrima furtiva e avançou para o acampamento onde seus homens eliminaram a grande maioria dos inimigos, sendo que os outros fugiram.

Infelizmente esse pequeno episódio acabou com as energias que eles ainda tinham.

-Obito, quantos dos nosso foram mortos?

-Vinte e três dos nossos, setenta dos deles...Sobre os feridos, apenas arranhões.

Sasuke andava de um lado a outro em sua tenda, preocupado.

-Senhor? O que ouve? Nós vencemos. Se acalme.

-Creio que isso foi somente um teste e isso minou nossas forças, tente reforçar as defesas, se o nosso inimigo verdadeiro vier, será agora.

Mal disse isso e ouviu o som da trombeta, sinal da guerra, correu para fora e o que viu gelou seu coração no peito.

-O Rei Dragão em pessoa. Disse o general Sasuke.

No meio das ondulações do calor do deserto vinha o exército inimigo, nos limites da fronteira dos dois reinos, eram em torno de dez mil homens seguramente, na frente o Rei Dragão usando sua armadura dourada, com elmo de dragão alado, o simbolo de sua dinastia. O general sentiu o corpo tremer, ele tinha dois mil homens bem treinados, porém famintos, seria uma massacre, após isso esse exército poderia avançar e sem encontrar mais resistência tomar a cidade e a cidadela sagrada completamente, tudo culpa do Usurpador, por incontáveis luas seus antepassados protegeram o vale nevado de inimigos, mas não mais...

-Suas ordens meu general! Disse Obito tendo a visão de que esse era seu fim, mas mesmo assim pronto a lutar e morrer como um fiel soldado.

Sasuke pediu para reunir as tropas, discursaria uma última vez.

Com sua fiel espada em punho ele subiu em um elevado e discursou aos seus soldados com sua voz doce e firme.

“Hoje encontraremos um inimigo respeitável, valente e incomparável, mas ele enfrentará um inimigo a altura, embora em menor número e famintos mostraremos o nosso melhor, seremos guerreiros das terras nevadas, derramaremos o nosso sangue e o deles, dentro do que aprendemos, usem tudo de si, me emprestem mais uma vez suas vidas! Se essa for nossa última jornada que assim seja, eu me orgulho muito de cada homem ou mulher que por ventura esteja comigo hoje, que seja grandiosa essa batalha!! Lutem!!"

A comoção foi geral, eles eram todos inteligentes, sabiam que era o seu fim, mas lutariam com força, eles eram soldados sob o comando de um general poderoso e valente.

Marcharam, o sol se fez inclemente e o cheiro de guerra e dor era pungente no ar, tambores rufavam no lado do inimigo, prontos a colocar medo no coração dos homens, mas eles avançavam...O encontro foi feroz, espadas e gritos ecoavam no meio do deserto, golpes eram dados e mortes aconteciam a cada passo, caiam homens e mulheres e o sangue manchava o deserto, mas eles continuavam, cada irmão de espadas morto elevava o Qui de cada um dos valentes guerreiros das terras nevadas, mas eles eram muito menos...

No final quando todos os homens das terras nevadas jaziam ou mortos no chão ou desacordados, restavam o Rei Dragão impassível em sua armadura brilhante e o pequeno general de vestes brancas salpicadas de vermelho dos inimigos abatidos, ambos respiravam com dificuldades, ambos suavam, ambos estavam cansados, mas somente um estava a beira da morte.

Sasuke não tinha mais forças, então ele usava seu grande Qui, a energia interna que move tudo no mundo, mas ela não era ilimitada, usada em grandes quantidades também se esgotava invariavelmente. Mantinha a mente lúcida e se abstinha de pensar nos homens mortos ou capturados, ele apenas resistia.

-Renda-se a mim e eu o pouparei grande general Sasuke!!

Sasuke não respondeu, ele não tinha como, sua voz a muito o deixara, estava no limite do impossível, mas mantinha a espada na mão, pronto para revidar.

Um golpe próximo ao corpo, ele se esquivou e retomou o golpe, o rei rebateu, ele caiu e se levantou, tonto, cansado, ofegante, trêmulo, o rei avançou uma, duas, três, dez vezes...Ele defendeu. Mas não por muito mais tempo.

“Deus da morte me abençoe, eu fiz tudo que pude nessa luta, guie minha alma a um lugar de paz, guie minha alma a meus familiares, aqueles que já partiram e os que partiram em breve...”

Ele orava, sabia que a notícia da derrota faria o imperador Usurpador tentar fugir, mas antes ele ordenaria que sua mãe, seu irmão e seu primo fossem executados, ele implorava aos céus que fosse de modo rápido, assim eles se encontrariam em breve, já podia sentir a espada passando próximo demais, mais um ou dois golpes e ele morreria.

A espado do Rei Dragão cortou sua coxa direita, o sangue jorrou vermelho e ele caiu de joelhos no chão, sua espada rolou longe e ele fechou os olhos esperando o golpe mortal, mas sentiu as mãos fortes do homem a tocar-lhe a face e ele abriu os olhos negros somente para se deparar com intensos olhos azuis, da mesma cor do céu que se descortinava além dele mesmo.

-Renda-se a mim Sasuke Uchiha. Disse o Rei como uma ordem.

-Nunca...Disse num sopro de voz.

Ele foi atingido na cabeça e caiu pesadamente no chão.

O Rei Dragão ordenou que cada soldado ferido fosse levado e tratado nas masmorras do seu castelo, ele os queria vivos, depois ordenou que levassem o general para uma torre ao leste do seu castelo, ele o queria lá, seria o local perfeito para faze-lo se entregar a ele.

-Meu rei, devo mandar o torturador?

-Sim, mas ele não deve quebrar nenhum osso dele, nem tocar em seu rosto, se apenas um hematoma nublar a pele do rosto dele certamente esse homem morrerá em minhas mãos.

-Deixarei suas ordens claras meu senhor, quanto tempo acha que ele aguenta?

-Não muito devido a seu estado de desnutrição evidente, me chame quando ele se render. Ordene a tomada das terras nevadas, nosso exército já chegou até lá?

-Sim meu senhor, eu posso ver no meu cristal que estão nas portas da cidade agora, devem atacar?

-Ataquem, mas não toquem nos cidadãos, entenderam? E se Imperador Usurpador me enviar um pedido de renúncia aguardem e mandem emissários, negocie a derrota deles e lhes ofereça o mesmo que oferecemos em sua terra e nas demais, entendeu? Os mesmos tributos de sempre.

-Perfeitamente meu senhor...

Naruto tinha tudo na mão, ali um exército de dez mil homens, em frente as terras nevadas um outro exército de cinco mil, mas do que suficiente, a cidade não era fortificada para longos cercos, sua população era de agricultores e pastores famintos pagando altos impostos, o poder estava nas mãos de um Usurpador bêbado, o comando do país delegado a um general enlouquecido pelo ópio, duvidava que tivesse qualquer resistência.

-Mantenha o cristal vivo, eu quero saber de tudo.

-A chama é forte meu senhor, arderá por tempo suficiente, mas tenho que me manter centrada, posso me retirar para meditação?

O rei sabia que isso significava usar alta magia e criar um portal para casa, ela iria aparecer em casa em minutos enquanto ele levaria um dia inteiro para estar em sua cama nos braços de uma concunbina, era trágico, mas eram os labores da vida.

Notas finais
O Rei Dragão é poderoso e lutou com sua maior pompa, mesmo assim o general o enfrentou. Estou amando isso.

4. Aquele que tem meu coração.

Notas do Autor
Este capítulo pertence aos de coração forte e vontade de aço. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 03 Aquele que tem o meu coração...

Sasuke acordou subitamente, abriu os olhos e se deparou com um local estranho e frio, percebeu que suas mãos estavam atadas no alto, presas em correntes, mas seus pés tocavam o chão, ele avaliou o local e percebeu que era uma câmara de tortura, na parede vários objetos que tinham a única função de machucar e ferir alguém.

Suspirou lentamente se preparando, aumentando seu Qui diligentemente, sabia que sem isso morreria em breve, seu corpo estava fraco e ele nunca pensou em ser torturado, sempre achou que morreria com uma espada no peito, não em um lugar daqueles, parece que os deuses ainda não tinham lhe dado a sua cota de dor e sofrimento, mas orou por seus familiares mesmo assim.

Ouviu o som de passos e viu um homem pequeno e forte, atarracado e meio disforme, mas parecia forte como um touro, ele andou analisando o seu preso e enfim rasgou a túnica nas costas, desnudando a pele toda, era branca e lisa, sem nenhuma mancha. O homem então analisou a parede, certamente vendo o que melhor servia, como se estivesse em feira livre comprando legumes, por fim se decidiu por um chicote.

-Meu rei quer que se renda a ele, deve se ajoelhar e jurar obediência a ele, certamente ele o manterá como um escravo, mas pode ser que ele decida por um servo, isso não seria tão ruim, os servos aqui tem comida e cama quente, não é de todo ruim, e sendo um general em breve pode mostrar seu valor em batalhas como um soldado raso, a medida que conseguir vencer pode alçar maiores cargos, veja só a própria serva de meu senhor Dragão? Ela é uma das capturadas na noite em que o reino dos cristais caiu perante o Dragão, e veja hoje? É o braço direito do meu senhor.

Sasuke nada disse.

O homem mexeu no chicote.

-Tenho que açoita-lo pelo menos dez vezes antes que me peça misericórdia, depois pode se render, fique a vontade para gritar, estou bem acostumado.

O chicote correu o ar e se deitou sobre a carne branca como a neve, deixando um rastro de sangue quente no lugar, se ergueu novamente e novamente, até parar dez vezes depois, as costas antes imaculadas estavam pingando sangue fresco...Nenhum som se ouviu, o torturador suava.

Como Sasuke não tenha manifestado nenhum sinal de dor e nem mesmo sinal de que se renderia o torturador não parou.

-Muito bem...Continuemos...

O homem o torturava e depois de cansado o jogava na cela e saia, de manhã ele retornava e recomeçava tudo de novo.

Sasuke usava seu Qui durante o ato, depois ao ser jogado na cela abandonava o Qui e deixava a dor o tomar, ela não era então tão intensa e ele suportava. Após um tempo incontável ele nem mesmo conseguia saber se era dia ou noite, se estava vivo ou morto, mas continuava usando seu Qui, agora quase o tempo todo.

Estava preso pelos braços na mesma posição e sentia que o torturador o analisava tenso, segurando uma faca fina nas mãos, sem saber mais como tortura-lo sem mata-lo.

Um som se fez ouvir e a pesada porta se abriu, o torturador se ajoelhou e implorou misericórdia ao Rei Dragão.

-Meu senhor eu tentei de tudo, açoitei ele inúmeras vezes, fiz cortes em suas pernas e braços, eu bati, esfolei e nada. A menos que eu quebre seus ossos acho que será em vão, ele não chora, não implora e nem mesmo grita, seu olhar é fraco e mesmo assim ele não cede de forma alguma, sinceramente não creio que ele seja um ser humano comum, mesmo o mais forte dos guerreiros que eu já torturei gritou inúmeras vezes e esse jovem nem mesmo consegue soltar um gemido de dor, perdoe esse pobre servo, eu falhei meu senhor...

O Rei Dragão se aproximou do pequeno homem que jazia de cabeça baixa, seu corpo tingido de sangue seco, restos de roupas pendiam de seu corpo, sujos e maltrapilhos, somente seu rosto estava limpo e sem hematomas ou sangue, o rei nunca gostou de tortura, ele evitava sempre que possível, na verdade achou que dez chibatadas eram o suficiente, como de fato eram na maioria dos casos, generais e outros homens e mulheres capturados que não se rendiam eram trazidos a seus torturadores e chicoteados, a maioria se rendia em dez, alguns chegavam a vinte, mas nunca ninguém suportou três dias, nunca.

Naruto se ressentiu do corpo torturado, ele o restauraria inteiro em breve, mas não queria que tivesse chegado a isso, porque sentir tamanha dor por um imperador corrupto e mal? O orgulho desse jovem general era tão grande a ponto de rejeitar um rei que certamente iria melhorar seu reino?

Tomou o rosto pálido e o analisou, olhos negros sem vida, boca sem cor, ele estava morrendo sem dúvida.

-Renda-se a mim, seu povo não sofrerá, caso esteja pensando que eu seja capaz de fazer isso, ter as terras nevadas é um orgulho para mim e seu povo será meu povo.

Sasuke o olhou e nada disse.

Naruto sentiu que estar tão perto era perturbador, ele viu o pescoço branco, o arco da boca como um perfeito coração, as maças do rosto tão belo, ele o tocou levemente na face e para sua surpresa ouve uma reação inesperada, a pele clara corou, o olhos negros adquiriram vida e ele tremeu desviando o olhar. Isso agradou o rei.

-Tem uma fraqueza então? Que seja, eu o conquistarei, se renderá a mim com outros meios.

Por um momento Sasuke se desconcentrou, assustado com a frase ambígua e seu Qui se desfez no ar, a dor o tomou tão violenta que ele gemeu sem conseguir se segurar e arfou encolhendo o corpo, as correntes se chocaram e fizeram um som agourento e mórbido, o rei viu a mudança e ordenou que suas correntes fossem soltas no mesmo instante, ele caiu no chão quase morto.

-Levem ele a casa azul, chamem as servas, chamem Haruno, ela deve cura-lo completamente e restaura-lo para mim, são minhas ordens.

Ele saiu e o torturador pegou Sasuke nos braços, outros homens vieram para ajuda-lo, eles o levaram a casa azul, uma mansão elegante e segura no centro da cidade de Quinzem, o território do Rei Dragão.

Haruno andava pela sala nervosa, em suas mãos frascos com aparência mágica brilhavam enquanto ela agitava os braços prestes a derrubar tudo, outras servas tentavam em vão ajuda-la, temendo que essa fúria recaísse sobre elas.

-Como posso manter um cristal vivo se tenho que salvar indivíduos a beira da morte? Sou uma feiticeira apenas, não duas! Ohh meu rei, porque em primeiro lugar torturou esse homem se o queria vivo e bem?

Uma voz grave se fez ouvir na sala, todos tremeram e caíram ao chão de cabeças baixas, menos Haruno que suspirou e se virou fazendo uma leve reverência com a cabeça para o rei.

-Porque eu precisava submete-lo a mim. Por isso.

-Que eu saiba dez chibatadas é o limite, pelo que vi ele foi chicoteado pelo menos quarenta vezes, isso certamente mataria o homem comum, mas ele não é comum, além disso ele tem cortes pelo corpo todo, certamente terá mais cicatrizes do que pele lisa em seu pobre corpo, desde de quando o senhor é tão sanguinário meu rei?

As servas tremeram atônitas, mas elas bem sabiam que Haruno era a serva favorita do rei e sua confidente mais leal, além disso eles cresceram juntos.

O rei suspirou, realmente ele não gostava de torturar seus capturados, a norma de serem chicoteados por dez vezes era uma regra do reino, qualquer general capturado era chicoteado e ao final disso lhe era dado uma escolha, render-se ao rei e viver e servi-lo ou continuar a ser torturado, a maioria se rendia, não esse general, mas já havia sido bem pior, nos tempos do pai de Naruto cada um dos prisioneiros era de fato chicoteado, sendo assim mesmo Haruno sendo uma criança na época quando suas terras foram vencidas passou por isso, ela era uma princesa, ela nunca conseguiu apesar de sua magia remover as cicatrizes do próprio corpo, existe limite para a magia, e isso sempre magoou o rei.

-Sabe que a lei se aplica a todos os generais...

Ela se sentou e fechou os olhos lembrando das leis na época do antigo rei.

-Sim meu senhor eu sei, mas ele sofreu demais, sinto que talvez eu não possa salva-lo e manter o cristal vivo...É preciso escolher.

Naruto se aproximou e pousou a mão nos ombros da sua serva, ele de fato sabia que ela tinha muita compaixão por outros que sentiram na pele o chicote, ele mesmo se ressentia disso até hoje, na época em que ela passou por isso ele era somente um jovem príncipe e não podia salva-la desse terrível castigo, mas quando ele se tornou rei tratou de traze-la para o mais alto grau de confiança, sabia que isso não compensaria, mas era o que ele podia fazer, isso e manter o reino que um dia pertenceu aos pais dela como o mais belo dos seus domínios.

-Eu não pretendia ser sanguinário, mas queria que ele se rendesse a mim, nunca pensei que ele aguentaria três dias de tortura, acreditava que após a primeira rodada ele se entregaria e assim eu poderia cura-lo e mante-lo como meu triunfo, o maior general das terras nevadas e o mais amado, seu povo me seguiria sem qualquer questionamento, se até ele se rendeu porque eles lutariam? Seria mais fácil do que me impor a eles pela força, sabe que isso não é bom, mas realmente eu sinto muito pelo estado em que ele se encontra, por favor cure o general para mim.

-Traga-me a concunbina Hinata, ela tem dom para a cura, se ela seguir minhas ordens talvez eu possa salva-lo e ainda manter o cristal vivo.

O rei ordenou e depois seguiu até a piscina de banhos, suas servas lavavam o corpo machucado de Sasuke, as águas ficavam turvas com seu sangue, finos cortes cobriam seu corpo todo, marcas roxas no abdômen, nas pernas, nos braços, pulsos feridos, tornozelos arranhados.

O rei sentiu-se mal por isso, era mesmo demais para qualquer um, ele se sentiu um monstro, um ser criado nos infernos por ter submetido outro ser humano a isso, quanta dor ele sentiu? Mesmo que o carcereiro tenha lhe dito que o jovem não emitiu nenhum grito ou som de dor, assim mesmo era impensável, esse jovem não era de fato um ser humano comum se era capaz de suportar tamanha dor sem gritar ou gemer, talvez ele tivesse algum segredo, mas agora só o que desejava era ver ele restaurado e bem.

-Deixe-me ver as costas dele. Disse Naruto e as servas o viraram nas águas, cuidando para que sua cabeça não tombasse nas águas mornas, as costas estavam em carne viva, tão feridas que se ele estivesse acordado estaria em agonia, o rei queria desviar os olhos, mas era o rei, ele tinha que suportar isso, até porque a culpa era completamente sua e de mais ninguém, mesmo assim de sua testa rolou uma gota cintilante de suor e seus lábios perderam um pouco da cor habitual.

-Cuidado com ele, mantenham o corpo apoiado, sejam rápidas e o tragam para a mesa a seguir, não quero que ele acorde agora.

Em menos de dez minutos ele estava banhado, mas o sangue ainda escorria dos cortes feios nas costas e no resto do corpo, finos filetes desciam e manchavam a mesa de pedra fria.

O rei estava ansioso e logo chegou Hinata, a concunbina real, usando suas jóias e adornos e seu sorriso pequeno, era bela e misteriosa, mas o rei não sabia que ela tinha o dom da cura, isso podia ser mais bem aproveitado.

-Muito bem Hinata, tire todos esses adornos e me ajude urgentemente. Disse Haruno.

-Sim senhora...Ohhh! Ela exclamou ao ver o corpo nu a sua frente, machucado.

-Pobrezinho, quem foram os bárbaros que fizeram isso a alguém? Pobrezinho...Pobrezinho...

Nem Haruno, nem o rei falaram nada, mas o coração de Naruto pulou no peito, desconcertantemente ele se sentia muito mal, cada vez pior.

Rapidamente ela se arrumou e se colocou ao lado do corpo ferido, ele respirava calmamente, como se seu corpo não estivesse a beira da morte, parecia de fato calmo e tranquilo em seu sono, seu rosto tão belo poupado das maldades exibia uma beleza sobrenatural e encantadora.

-Nunca vi homem tão belo...Exceto meu rei é claro. Disse a serva envergonhada.

Haruno recitou mantras e despejou sobre o corpo líquidos coloridos que adentravam os cortes, Hinata entoava os mesmos mantras e uma luz suave e quente emanava do corpo jovem, fechando cada corte, unindo toda carne rompida pelo chicote impiedoso, cada marca sumia como se nunca tivesse ferido a pele clara, junto delas a cor ficava mais suave, a pele antes dourada do sol do deserto atingiu sua cor natural, branca como as neves do inverno, suave e lisa, os mamilos surgiram levemente rosados, o contorno do corpo adquiriu mais luminosidade, o sangue retrocedeu, a respiração se uniformizou para algo mais normal, não mais tão lenta e suave, os pulsos sararam, os tornozelos também.

Outras servas viraram o corpo na pedra e as costas muito feridas cicatrizavam, as cicatrizes por fim sumiam uma a uma e a pele se tornava perfeita novamente, os cabelos pendiam até tocarem o chão, negros como a noite e brilhantes, havia vida neles e pareciam sedosos, prontos a serem tocados e acariciados.

-Ele é magnífico. Disse Naruto sentindo algo novo em seu coração, ele não o queria somente como seu servo, ele havia originalmente pensado em mante-lo com as concubinas, era raro ter um concunbino, mas não tão raro assim, nas terras da sua serva Haruno isso era bem natural, senão bem desejado, quando ele visitava essas terras não era raro se deitar com belos homens e belas mulheres, mas nenhum deles despertava o que esse jovem despertava nele nesse momento.

-Está feito, mas posso precisar desta serva novamente, posso mante-la comigo mais tempo meu rei? Assim consigo manter o cristal vivo.

-Ela é sua de agora em diante, fez um ótimo trabalho.

Dar uma serva a outra serva era impossível, mas Haruno era de fato mais que uma serva, era sua cúmplice e ele certamente era o Rei Dragão e sua palavra era lei.

Hinata sorriu contente, estar com uma mulher tão importante ao seu rei era de fato uma dádiva, ela se sentia muito abençoada, isso sem dizer que teria mais liberdade já que sua nova mestra era de fato uma mulher que viajava muito com o rei, a concunbina então resolveu perguntar a Haruno como ela conseguia curar as cicatrizes de um homem quase morto e não as suas próprias.

-Senhora Haruno, perdoe minha ignorância, mas se pode curar a pele tão ferida desse general porque não cura as suas próprias cicatrizes?

De fato todas as concunbinas sabiam das marcas de Haruno, ela muitas vezes tomou banho com elas, era sabido que a jovem feiticeira preferia a companhia feminina do que a masculina e o rei a deixou livre para escolher qualquer uma das suas concunbinas para seu próprio prazer, sendo assim ela passava algum tempo junto a elas, mesmo Hinata já havia se deitado com ela, por isso conhecia muito bem suas marcas antigas.

-A magia é algo complicado, nos outros posso realizar milagres, mas em meu próprio benefício não é tão fácil, o ritual é antigo e complicado e não conheço outra feiticeira como eu para ministrar em mim tal feitiço, mas realmente não me importo com isso, são marcas que me lembram como cheguei aqui, fazem parte do que sou.

-Obrigada meu rei. Disse Hinata se ajoelhando no chão em reverência ao Rei Dragão, que se mantinha sério com a explicação de sua serva e confidente.

Na mesa Sasuke gemeu, ele estava acordando, por isso as servas gentis correram até ele e o vestiram com uma túnica branca para lhe cobrir a nudez antes que seus olhos se abrissem e o levaram a cama do centro do quarto.

-Saiam todos, apenas duas servas aguardem minhas ordens do lado de fora.

Todos saíram, incluindo Haruno e Hinata.

O longos cílios do jovem general capturado tremeram e ele abriu os olhos, vendo as cortinas de brocado do dossel da cama, logo ele virou o rosto e viu o Rei Dragão ao seu lado com um cálice de prata encrustado de jóias na mão, desta vez sem sua armadura dourada mas sim uma túnica leve de algum tecido fino que se assemelhava as sedas puras das regiões dos grandes lagos nas províncias do comercio, o tecido era oliva e tinha nuances de branco em sua textura, não havia adorno algum em sua cabeça além dos cabelos loiros levemente repicados ou talvez presos por uma fita e mesmo assim ele era imponente e forte.

-Acordou...Hum...Água?

O general estava com sede, muita sede, tentou se apoiar nos cotovelos para se sentar e beber a água, mas caiu na cama sem forças, acreditou que isso de fato era apenas mais uma tortura nova do rei, tenta-lo com o líquido cristalino que seu corpo tanto desejava e depois retira-lo de seu alcance, mas estava errado.

-Eu o ajudarei...

Naruto ergueu seu pequeno corpo sem forças e lhe deu a água calmamente, tomando cuidado para não apertar o corpo recém curado, mas certamente muito dolorido ainda que emanava um leve perfume de flores de lótus da pele dos cabelos ainda úmidos do banho recente, não havia traço algum do cheiro acre do sangue que a pouco escorria de sua pele, de fato a pele estava imaculada e lisa aparentemente perfeito, muito embora sua força não pudesse ser a mesma, ele levaria com certeza algum tempo para recuperar até mesmo o básico de suas energias.

Sasuke após beber a água se sentiu mais calmo, mas sua situação ainda era um mistério para ele, por isso aguardou o desfecho com a calma de alguém que já viveu e sofreu tantos infortúnios quanto as estrelas do firmamento.

-Decidi que mante-lo sendo torturado era algo inapropriado, pelo que ouvi não pediu misericórdia nenhuma vez e se fosse açoitado de novo certamente estaria morto agora, não o quero morto, preciso mante-lo bem vivo, entrará comigo nos portões de sua cidade.

-Não desejo servi-lo. Disse Sasuke mansamente embora sua voz fosse muito baixa e levemente rouca pela falta de uso.

-Hum...Percebi isso, mas o general há de convir que morrer não muda nada meus planos, eu conquistarei sua terra mesmo assim.

-Mas eu não o ajudarei se é o que deseja.

-Justo, mas não é verdade...Se não posso obriga-lo pela tortura, há outros meios.

Sasuke pensou, que meios? Ele não temia a morte, na verdade ansiava por ela, já que seus familiares deviam estar mortos agora, o que mais havia para ele nesse mundo?

-Tenho mais de quinhentos dos seus homens em meu poder, infelizmente os outros morreram, eram magníficos guerreiros e lutaram até a morte defendendo seu posto, seus corpos foram queimados seguindo as ordens dos sacerdotes do templo e suas almas voam livres para o além, preces foram cantadas a eles já que pertencem agora a deusa morte, mas esses que sobreviveram são meus agora, meus prisioneiros.

Sasuke arfou, ele não esperava isso e sua reação foi bem recebida pelo rei que sorriu satisfeito.

-Vejo que entendeu...Eis minha proposta, viva, terá comida e cama quente, roupas limpas e servos a cuida-lo, mas não tente tirar sua vida, nem fugir, mantenha-se comigo e seus homens não serão torturados ou mortos, ficaram nas minhas masmorras por enquanto mas serão alimentados e estarão vivos e com saúde, quando partirmos para sua terra eu os levarei junto, assim que seu povo se render a mim e me receber como seu legítimo rei eu os libertarei para seguirem com suas vidas e voltarem as suas famílias, podendo viver no campo o resto de seus dias. Se me desobedecer eu mesmo os torturarei infinitamente até que morram em agonia.

Após um momento o rosto sério e belo embora embora se mantivesse impassível se voltou ao rei e ele falou suavemente.

-Não os maltrate Rei Dragão, esses homens e mulheres são pessoas boas, desprovidos da própria liberdade pelo Imperador Usurpador e estiveram comigo por muito tempo, eu não atentarei contra minha vida e nem fugirei.

O rei sorriu e pegou a mão suave e bela entre seus dedos, beijou os dedos macios e sentiu o aroma doce daquela pele clara, inspirando o seu aroma profundamente, era deleitoso e maravilhoso, ele sabia que isso era algo além de desejar controlar um prisioneiro de guerra, ele sabia que era mais do que desejar exibir um trunfo para um povo derrotado, mas ele ainda não se atrevia a pensar claramente sobre isso.

-Mandarei um mingau nutritivo e servas para ajuda-lo, voltarei a te ver mais tarde. Descanse.

Sasuke estava confuso e resolveu perguntar.

-Estou curado, como? Meu corpo todo estava ferido, na verdade eu acreditei que estava as portas da morte a pouco.

-E estava...Foi muito rude de minha parte, por isso eu mandei que minha serva o curasse com magia, creio que já ouviu falar dos dons de cura milagrosos em meu reino, eles não são boatos, são pura verdade.

Sasuke pensou e fechou os olhos, os deuses tinham maneiras estranhas de agir, mas ele apenas podia seguir seu destino.

Naruto saiu e ordenou que as servas cumprissem suas ordens, ordenou a guardas que cuidassem da casa e mantivessem cercada e vigiada dia e noite, e em seu coração sentiu a primeira luxúria por aquele general capturado, belo, inteligente e altivo e o respeitou por ser tão leal a seus soldados. Na verdade não esperava menos dele, e isso lhe deu motivos para crer que ter os familiares dele em seu poder era de fato sábio.

Já era noite e as estrelas surgiam no céu de uma noite que ainda tinha seu clima suave, o rei andou calmamente por seu palácio até sair para os jardins de fora e rumar a casa azul, onde residia seu mais novo prisioneiro, o belo general Sasuke.

Ele percebeu a mudança assim que chegou, várias servas discutiam entre si, cada uma delas segurando uma tigela nas mãos, elas discutiam ferozmente, assim como as vezes as concunbinas discutiam pelo rei em noites de verão, mas ali o próprio rei não sabia qual era a causa de tanta confusão.

-Porque discutem? A sopa esfria enquanto perdem tempo com palavras fúteis!

As servas assustadas fizeram a reverência e pararam no mesmo instante, todas coradas e envergonhadas e isso deixou o rei intrigado, mas enfim a pesada porta se abriu e Haruno sorriu ao rei fazendo sua reverência costumeira.

-Oh... Vejo que acabou de acontecer novamente a discussão da comida.

O rei ergueu suas sobrancelhas em sinal de confusão e ordenou que as mulheres entrassem e deixassem as tigelas sobre uma mesa, as dispensou a seguir.

-O que ouve aqui a pouco?

-Oh meu senhor, sabe como são as concunbinas...E servas, souberam que o general Sasuke está aqui e todas querem vir até este quarto para ver com seus olhos, por isso discutem entre si e trazem pratos para cá, eu na verdade só pedi uma tigela de sopa, veja só, temos cinco.

O rei sorriu, então a beleza do general era mesmo extraordinária, pena para todos os outros, aquele general era somente dele.

-Como ele está? Perguntou Naruto se aproximando da cama e vendo que ele dormia calmamente.

-Eu dei a ele chás que podem ajuda-lo a se restabelecer, a magia curou os ferimentos externos, mas os internos demoram bem mais, os chás e infusões ajudam bastante, e ele é bem forte embora não pareça, mas qualquer homem que aguente tanto quanto ele realmente merece uma chance de viver, porém como dormiu todo o dia ainda não se alimentou, embora as servas e concunbinas tenham trazido comida em profusão o dia todo.

O rei sorriu, ele podia alimentar o general com satisfação, mas ainda precisava de mais informações.

-Como está a tomada da cidade nevada? Conseguiu ver claramente no cristal?

-Pude ver pelo cristal que tomaram a cidade pela manhã e após uma breve resistência nos portões eles invadiram e tomaram a cidadela, o imperador Usurpador e seu general fugiram, provavelmente por uma passagem secreta de dentro do castelo, renderam todos os outros nobres, alguns se mataram antes, mas a maioria foi capturada, o reino das terras nevadas é seu meu amado Rei Dragão...

Um soluço chamou a atenção das duas pessoas na sala, o rei observou que era de fato o general Sasuke sentado na cama, olhos brilhantes onde lágrimas desciam finas pela pele imaculada, ele levou a mão aos lábios prendendo um novo soluço e se levantou cambaleante se aproximando do Rei Dragão, mas ele não tinha forças e seu peso foi demais, ele caiu de joelhos, mas rapidamente foi sustentado pelo abraço forte do rei, suas lágrimas encheram o coração do rei de dor e pesar.

Claramente ele ouviu o que conversavam e agora sabia que seu povo estava nas mãos de um novo rei, uma nova era se iniciava ali, e mesmo que ele fosse de fato fiel a seu povo, agora isso não importava mais, seu povo estava nas mãos do Rei Dragão.

Haruno se voltou e foi arrumar seus frascos e Naruto levou o jovem para a cama, o deitou e lhe sorriu gentil.

-Não chorou quando foi torturado, mas chora agora por seu povo...Que tipo de general é você afinal?

Sasuke se sentiu envergonhado pelo que fez, ele sempre foi instruído a manter a mente firme, nunca demonstrar seus medos e sentimentos a ninguém, mas claramente ele falhou ali, ouvir que sua amada terra havia perdido a guerra era demais para ele, ainda estava viva em sua mente a dor que sentiu ao ver tantos de seu povo sendo escravizados e levados embora, e isso somado a dor de saber que falhou com sua família e que agora eles estavam mortos por sua causa era mesmo demais.

O rei entendia o silêncio do prisioneiro, mas sentia que a dor dele era maior do que podia imaginar, ele não chorava somente pela derrota, ou por sua honra perdida em batalha, ele chorava por algo mais e ele queria saber o que era isso.

-Seu povo se rendeu pacificamente, a maioria dos nobres após serem castigados com as dez chibatadas se renderam a minha autoridade e o povo está ileso, nenhum deles sofreu castigos, posso jurar por meu nome, pretendo instituir um reino de prosperidade em suas terras, não serei um usurpador, mas um verdeiro rei.

Dos longos cílios pendiam lágrimas, mas ele já havia se controlado e agora respirava mais calmamente, ainda em silêncio, mas enfim ele acabou falando.

-Na época que meu pai...Que meu pai perdeu o trono, a noite meu povo foi levado a praça e cada família teve um dos seus entes queridos levados embora, era o preço do exército do sul que ajudou o usurpador a tomar o trono, jovens, crianças, mulheres e homens, eles escolhiam e os levavam embora, para sempre...

Naruto ouvia atentamente, ele nunca soube nada sobre isso, mas sentia que isso era uma grande maldade com um povo vencido.

Sasuke então se ajoelhou na cama e subitamente pegou a mão do rei, olhou em seus olhos e pediu gentilmente...

-Por favor não machuque meu povo, eles já sofreram demais, permita que vivam suas vidas em paz, são pessoas boas e humildes, agricultores e artesãos, pobres e famintos...Não os maltrate.

Embora não pudesse admitir nem para si mesmo, esse pedido gentil tinha a força de mil espadas, ele sentiu seu coração derreter no peito, mesmo assim sentiu que havia algo a mais mas não forçou mais nada, isso deve ter sido muito duro para ele, um general tão nobre pedir tão humildemente a seu dono por um povo inteiro, era também um ato generoso e de grande coragem, de fato digno de um governante sábio e de nobre coração.

-Como eu disse, não pretendo causar dor a seu povo, juro por minha coroa.

Sasuke suspirou, seu corpo cedendo a fraqueza e ele deitou na cama e ficou imóvel, lagrimas ainda rolavam leves, ele não tinha mais forças para impedir.

Haruno se aproximou com uma tigela nas mãos e ofereceu ao prisioneiro que apenas olhou e pálido demais nem mesmo se moveu para pegar a colher, mas a mulher era de fato notável e antes que o rei intervisse ela mesmo resolveu o caso de modo simples.

-Seus homens devem estar com fome, se comer essa sopa garanto que seus homens serão alimentados, porém se não comer eu mesmo garanto que nenhum grão de arroz passará pelas celas.

Sasuke tremeu e rapidamente pegou a colher e a tigela, começando a comer.

-Devagar...Não exagere, passou fome por três logos dias e sofreu incontáveis abusos físicos, seu corpo pode parecer bem, mas a magia tem limites que nem mesmo eu posso transpor, deve se recuperar como qualquer ser humano normal, dentro de um tempo razoável, por isso coma tudo, mas lentamente.

Ela partiu após reverenciar seu rei e o então rei sorriu ao ver a cor voltando lentamente a face do jovem general, após a tigela estar vazia e os olhos do general pesados ele nem mesmo resmungou ao ser deitado na cama pelas mãos duras do rei.

O sono veio rápido e ele dormiu por horas, mas acordou com um pesadelo recorrente, o dia em que seu pai foi decapitado e a espada ensanguentada foi lhe dado como presente e única herança do trono que não lhe pertencia, suspirou e se sentou, seu corpo parecia melhor e ele arriscou se levantar e ir até a mesa, tomou nas mãos um cálice e encheu com água fresca, se sentou numa poltrona macia revestida de tecidos de brocado e tomou o líquido precioso pensando se Obito sobreviveu ou pereceu na batalha perdida, isso ele provavelmente nunca saberia, não soube precisar quanto tempo ficou imerso em seus pensamentos sombrios, saudades infinitas de sua mãe, de seu irmão e de seu primo, bem como de seus amigos esquecidos naquela terra que um dia lhe pertenceu.

-Seus pensamentos parecem de fato muito pesados, poderia os aliviar comigo.

Sasuke levou um susto, ele se virou e viu o rei a sua frente, parecia um homem comum, usando uma túnica na cor do trigo dourado dos campos e um cinto de couro bem feito, cabelos soltos que agora que ele prestava mais atenção eram mais longos do que havia percebido, de fato na noite anterior deveriam estar presos, por isso as pontas levemente arrepiadas, agora desciam aos ombros e ele tinha nas mãos um livro.

-Meus pensamentos não devem ser alegres para um rei, muito menos um que dominou minha terra natal, uma terra muito devastada por outro Imperador cruel e sem coração.

-Porque não tenta?

Sasuke suspirou e então se surpreendeu pois o rei colocou em seu colo o livro e se sentou ao seu lado em outra poltrona maior.

-Sei que gosta de ler e de escrever, que toca flauta quando se sente cansado e esgotado e que dorme pouco.

Com olhos curiosos o jovem de pele clara e lindos cabelos negros observou o homem do seu lado, tentando entender que isso tudo era resultado de alguma magia que ele lançou ou meramente suposição.

-Como sabe de tudo isso? Perguntou com a voz levemente baixa, analisando os nuances do rosto sob a luz suave das velas acessas, somente para constatar que aquele homem tinha um belo rosto, másculo na medida exata, com ossos bem delineados e uma aparência realmente nobre, de fato suas roupas pouco importavam, ele se parecia com um rei com roupas pomposas ou mesmo com uma túnica simples de seda.

-Seus objetos, eles são meus agora, tem vários livros, muitos poemas e canções e uma flauta feita de osso, um pente de cabelo de jade branco e uma bela espada translúcida que minha serva Haruno disse ser de fato uma junção de magia e força humana bruta, estou certo?

Sasuke suspirou, ele realmente não tinha muito.

-Não é um grande tesouro, os livros eu os ganhei em campanha, a flauta me foi dado por um amigo, o pente também...E eu era um príncipe antes de ser forçado a treinar para ser um general, um pouco da educação real ainda reside em mim, sendo assim posso escrever sobre o que aflige meu coração ou sobre as alegrias do verão e da primavera, coisas assim...

O rei sorriu, percebeu que a espada não foi mencionada.

-Sim, coisas simples e sem grande valor material, menos a espada...Ela é rara e muito especial, está em um lugar seguro agora, é parte de meu tesouro.

-O tesouro roubado de outros...Ousou dizer Sasuke e isso agradou o rei, a ousadia deste general era adorável e sua franqueza também, outro ponto que fez seu coração deseja-lo intensamente.

Tomado pelos desejos carnais e pelo fato de que percebeu melhora significativo no jovem ele o tomou nos braços.

-Seja meu lindo general, posso faze-lo gemer incontáveis vezes somente essa noite.

Mesmo que seu Qui estivesse fraco, mesmo que seu corpo estivesse debilitado ele não permitiria que isso acontecesse, lutou com suas forças reunidas para se soltar de tamanho abuso, ele não era uma mulher, muito menos uma concunbina da corte e certamente não se deitaria com outro homem!! De fato ele nunca pensou em amor ou sexo em sua vida, isso eram coisas que não lhe passavam pela cabeça já tão conturbada em se manter vivo em campos de batalha.

-Não se atreva!! Não sou uma concunbina, como ousa?? Eu sou um general! Mesmo que eu tenha caído não me submeto a seus caprichos!!

Naruto parou atordoado, como ele pode ser tão imaturo? Realmente esse homem era mais do que um simples concunbino, ele era diferente em cada aspecto, belo ao extremo, leal, corajoso e forte, ele não merecia um destino desses, ele merecia muito mais.

-Tem razão meu belo general capturado, mesmo nestes termos eu entendo sua recusa, um homem de sua natureza não sonha com menos do que o matrimonio seguro e honrado, por isso eu lhe darei isso, após a nossa triunfal volta a sua terra natal marcaremos o nosso casamento, você será minha esposa, minha rainha.

Com um movimento lento e mesmo assim preciso o rei apertou o corpo do general pela cintura e o beijou de modo suave.

Apesar do beijo terno que recebeu e do qual nem mesmo conseguiu se desvencilhar ele não pronunciou palavra alguma, estava atônito demais, por fim ele conseguiu se indignar profundamente.

-Por quem me toma? Perguntou nervoso.

-Por um homem sensato, que mal há em ser minha esposa?

-Tirando o fato de que eu sou homem como você? E sou um general inimigo? E estou sendo mantido em cativeiro graças a um modo bem peculiar de persuassão?

Naruto riu e seus olhos se ascenderam em chamas azuis perigosas que fizeram a respiração do general arfar por um segundo, sendo controlada a seguir com toda a sua força.

-Ora, eu sou o rei, se quiser você como minha esposa quem se atreverá a ficar em meu caminho?

Sasuke era de fato um homem prático e vendo que era impossível demover o rei de suas ideia absurda poderia apelar para os meios legais de tal absurdo.

-Sendo eu um homem, como espera ter um herdeiro legítimo? Mesmo que suas concunbinas possa parir seus filhos, ainda assim eles não serão legítimos.

Sasuke sorriu internamente por sua pergunta vivaz, mas o sorriso do rei era maior ainda.

-Porque eu desejaria mais um herdeiro? Isso só causa desavença neste meio turbulento em que vivemos, eu já tenho meu herdeiro, ele é minha benção e maldição, deixa seus tutores loucos a ponto de eu ter que dar férias aos pobres homens antes do termino de qualquer grande estudo, ele também atormenta as concunbinas e as cozinheiras reais e acha tempo para me cobrar sobre sua mãe rainha, já que ele está há muito tempo sem uma mãe.

Sasuke ficou de boca aberta, ele tinha certeza de que esse assunto se enceraria fácil, mas ele agora não tinha certeza mais.

-A mãe de meu filho, ela era uma boa mulher, gentil e atraente, mas eu realmente nunca a amei, sinto muito por isso, mas sempre fui verdadeiro com ela sobre meus sentimentos, enfim sobre as regras dos bons costumes eu me casei com ela e após um tempo ela teve nosso filho amado, porém morreu de hemorragia no mesmo dia, minha serva Haruno estava confinada no monastério das terras de cristal para seus últimos aprendizados e meus médicos nada puderam fazer, veja bem, meu filho anseia por uma mãe e eu por uma esposa há muito tempo.

-Ora essa, embora seja uma história muito triste e eu me sinta tocado por seu filho ser criado sem uma mãe não posso consentir em ser sua esposa, eu não farei isso.

-De fato eu digo que minha palavra é lei, por tanto será sim minha amada esposa, mas temos tempo para isso, sugiro que aprecie essa ideia em seu coração e acalente os desejos de compreender o meu, após chegar em sua terra natal anunciarei nosso casamento que será realizado no palácio real das terras nevadas em data auspiciosa.

O Rei Dragão se retirou e o general capturado forçou a água para dentro do seu corpo, sorvendo o líquido do cálice que ainda permanecia em suas mãos, sentindo a necessidade muito grande de morrer naquele momento, ele nunca, jamais seria forçado a ser submetido a isso, nunca mesmo.

Ainda que o rei forçasse isso sobre ele usando seus homens...E se o maldito fizesse isso? Não, ele não faria, sua palavra era lei, ele prometeu soltar os seus soldados assim que chegassem em sua terra natal, após isso ele usaria qualquer método para acabar com sua própria vida e se encontrar com seus amados familiares.

Naruto saiu confiante, ele teria dois meses até que sua comitiva itinerante chegasse nas terras nevadas, até lá ele provaria ao jovem que podia ser confiável e leal, ele o conquistaria e o encheria de amor intenso, disso tinha total certeza.

Os dias e noites passaram rapidamente e após uma semana de preparativos todo o palácio estava em franca animação, mesmo Sasuke se sentia ansioso, ele sabia que iria como um prisioneiro mas mesmo assim veria sua terra mais uma vez, foi precisamente nesse cenário que conheceu o príncipe herdeiro em pessoa e audácia pura. O general estava sentado sob a sombra de uma macieira, nos jardins internos da casa azul, ele descobriu que esse espaço confinado era agradável e os guardas se limitavam a deixa-lo passar e não o incomodavam, lia o livro que ganhou do rei e se mantinha absorto quando ouviu passos pequenos, ergueu a cabeça e viu um menino loiro de olhos vivos e sorriso de covinhas parado a sua frente, ele o observava tão avidamente que isso o incomodou e o envergonhou sem ele saber porque.

-Futura mãe rainha, eu sou o príncipe herdeiro Boruto, posso dizer que me espantei com a escolha de meu pai, eu havia imaginado que ele escolherei uma das concunbinas sonsas do palácio, nunca um general inimigo.

Sasuke se mortificou com isso, mas passou seu semblante impassível ao jovem atrevido e o encarou antes de responder.

-Não serei a sua mãe rainha, eu sou um homem, um general e devo ser isso até minha morte.

Boruto riu e se sentou ao lado do general, tomando de suas mãos o livro em questão e vendo uma página solta que pegou mesmo com os protestos do homem, ele o leu sorrindo.

“Neste mundo impossível o dor espreita meu coração, cansado dos males da vida eu não sei onde posso repousar minha cabeça...Nos braços da morte ou nos braços da vida?”

-Certamente é um poeta senhor general, parece que muito bem instruído de fato, corajoso como eu ouvi falar, leal e inteligente, perdeu sim, mas perdeu para meu pai, o Rei Dragão e isso deve ser considerado uma grande coisa. Posso entender porque meu pai o escolheu, nem mesmo se compara as sonsas da corte. Serei imensamente feliz em ter você como minha mãe rainha.

Dizendo isso o diabinho se levantou e plantou um beijo na bochecha do general, saindo correndo como as crianças fazem dando pulinhos alegres, mas parou na entrada para a casa azul e se virou soltando essas palavras peraltas.

-Este livro é doce como mel, aproveite, o final é mesmo quente, o nosso herói se casa com o rei e fazem coisas indecentes a luz de velas, creio que pode gostar dessa parte, meu tutor não me deixou chegar a isso, ele me tomou o livro antes, mas eu já sei mais ou menos como as coisas funcionam, nem é tão diferente assim do que acontece entre um homem e uma mulher.

Sasuke corou envergonhado, ele havia notado que os dois personagens da história interagiam muito entre si, mas nunca imaginou que tanto assim, e como um diabinho de apenas sete anos poderia saber uma coisa dessas? Ele mesmo em sua vida adulta não sabia, era tão imaturo assim sobre as coisas do amor?

-Creio que deveria passar mais tempo com os seus estudos do que perambulando pelo palácio e não devia saber tão cedo certas coisas.

O menino deu de ombros.

-Sou muito inteligente, meus tutores me chamam de gênio e sobre as coisas entre os lenções eu somei dois mais dois, é simples.

O menino correu e o general fechou o livro desgostoso, mas...Ele era mesmo muito ingênuo, afinal era de se esperar, cresceu e viveu para as batalhas, nunca tendo tempo para sequer imaginar o amor em sua vida, muito menos o sexo, aliás a palavra lhe causava calafrios, ele o achava perturbador por ser tão desconhecido.

Logo sua paz foi interrompido, guardas vieram e o levaram para a carruagem puxada por cavalos fortes, ele seria levado para a sua terra natal, uma longa viagem de dois meses passando por vales verdes, terras inóspitas e desertos inclementes, incluindo o mesmo deserto onde perdeu sua única e mais importante batalha, graças a estupidez do seu imperador Usurpador e sua ganância por ouro, vinhos e prazer.

Notas finais
Pobre general capturado, mas mesmo assim ele aceitou o beijo e agora encontrará nessa viagem um tempo longo para descobrir mais sobre o Rei Dragão. E esse menino gente? Príncipe levado e peralta, inteligente e divertido, estou gostando dele.

5. A luz da lua e a solidão das estrelas.

Notas do Autor
No capítulo anterior fiquei na ansiedade porque de fato teve uma parte mais forte, a tortura de Sasuke, que embora usasse seu Qui não deixou de ser terrível. Espero que estejam gostando, ajudem a história a ganhar mais favoritos compartilhando ela com seus amigos. Um capítulo comprido para ser lido com calma e tranquilidade. Boa leitura.

O General capturado e Rei Dragão.

Capítulo 04. A luz da lua e a solidão das estrelas.

-Porque é tão teimoso? Eu já ganhei mesmo.

-Ainda não ganhou, deixe-me pensar...

O rei moveu a pedra e sorriu triunfante.

-Eu ganhei sim.

O jogo de xadrez era uma diversão tanto como uma maneira que o rei achou para entreter seu amado nesse caminho tortuoso em que ele se achava preso, afinal conquista-lo diante das dificuldades próprias que enfrentava era realmente complicado, ele estava preso e veria sua terra tomada por um novo rei, mesmo sendo um bom rei isso seria complexo, mas ele o manteria calmo e até dócil e enfim quando se tornassem rei e rainha partilhariam a cama juntos e os sonhos e as alegrias, o rei lhe daria tudo que ele quisesse, porque agora seu coração se enchia de Sasuke o tempo todo.

Sasuke fez um muxoxu como som de derrota e se voltou a olhar a paisagem deserta, seus olhos logo se tornaram doloridos e o rei percebeu, ele percebia a menor das situações naquele que agora sabia que amava, em seu coração não havia dúvida alguma, sem perceber havia deixado o amor por ele ser tão grande que lhe machucava, de fato esse belo general capturado era seu sol e suas estrelas.

-Mandei fazer aquela sobremesa que gostou ontem, lembra-se?

Sasuke o olhou e pretendia dizer algo, sua sinceridade as vezes era desconcertante, mas ele se sentia assim o tempo todo, sob o fio de uma navalha.

-Posso ver meus homens hoje? Havia nesse pedido muito mais que sinceridade, era de fato muito difícil ao jovem de cabelos negros fazer isso, mas ele nunca mais viu seus soldados e queria saber como eles estavam.

-Não confia em mim? Eles estão realmente bem, mas estão entre as últimas fileiras, porém eu instruí aos meus guardas para mante-los hidratados, nosso passo é leve, seus soldados são fortes como o general que os comandou por dois anos no deserto inclemente, eles não estão sofrendo, eu garanto.

Sasuke suspirou, ele pedia isso a alguns dias e sempre recebia a recusa, de fato imaginava mil horrores em sua mente, seus homens morrendo nessa terra desolada sob o sol inclemente, caminhando lentamente, os pés feridos por andar dia a após dia descansando somente um pouco ao meio dia e parando somente quando as estrelas pontilhavam os céus. Hoje especialmente sua imaginação corria solta e num lapso de desespero ele se voltou ao rei e fez uma proposta que lhe custava muito em matéria de orgulho.

-Preciso ver por mim mesmo, por favor...O que deseja em troca? Sei que nada tenho, mas talvez deseja algo de mim...

Naruto tremeu diante isso, ele nunca esperou por isso, mas sorriu, podia ver a angustia nos olhos escuros do seu amado, mas ele realmente não o queria junto a seus homens, não pelo motivo que permeava a mente fértil do general, mas porque ver aqueles homens a quem ele se devotou com tanto empenho caminhando rendidos podia lhe causar mais dor que o necessário, ele podia se sentir culpado e sofrer com isso, mesmo que eles não estivessem acorrentados, como era o costume para prisioneiros de guerra vencidos. Porém notou que a sua paz de espirito já andava comprometida e ele decidiu ceder, mas o bônus era maravilhoso.

-Me dê um beijo, um beijo realmente verdadeiro e se eu perceber que esse beijo é sincero e dado de bom grado eu o levarei a ver seus homens ao entardecer. Quando pararmos para descansar e passar a noite.

O general capturado suspirou realmente nervoso, ele nunca beijou antes e certamente aquele beijo roubado que o rei lhe deu não podia ser contado porque foi inesperado e ele não consentiu com o ato, mas para ser sincero ele não sabia beijar, como faria isso? Achou que a sinceridade podia ser sua única saída e assim disse sem tirar os olhos dos olhos azuis que o encaravam ansiosos.

-Nunca beijei antes e creio que eu...Creio que eu não possa compreender o que é um beijo verdadeiro, sincero...Mas pode me beijar, eu vou consentir com isso de bom grado se me levar a ver meus soldados.

Nem mesmo terminou a frase e o rei se colocou em sua frente, o nervosismo o tomou de assalto e se sentiu pequeno diante o Rei Dragão, levou suas mãos para conter o avanço do corpo forte, mas as mãos espalmadas tocaram o peito másculo e a camisa leve de linho fino que ele usava com os botões abertos revelando a pele dourada e quente, de súbito sentiu o coração pulsando tão intensamente que ele tremeu diante disso, ele sentiu que esse coração pulsando tão rápido era para ele ou por ele e cedeu suavemente ao avanço, a boca macia e quente do rei se abaixou e tocou seus lábios assustados, ele suspirou diante seus lábios e os entreabriu aceitando a língua que explorava a cavidade úmida.

Sasuke não pensou, ele não reclamou, ele nem mesmo entendeu o que acontecia, seu corpo tão próprio a ele reagiu ao toque do homem que era ao mesmo tempo seu inimigo declarado e seu único amigo nessa corte itinerante que vagava a quase um mês sem descanso além das longas noites sob a lua e as estrelas.

Os corpos se colaram no ato do beijo e as mãos pequenas se ergueram como se pudessem alcançar algo, mas se prenderam ao pescoço do homem loiro perfumado por essências nobres, os lábios se explorando mutuamente, se nunca antes tinha provado o sabor de um beijo podia agora se considerar preso a sensação tão boa, ele realmente quis sorrir diante disso, era bom, era muito bom e enfim o rei se retirou dele dando pequenos beijos em seus lábios e cessando o contato lentamente, embora suas mãos ainda permanecessem tocando sua face por um tempo indefinido.

-Eu me sinto muito arrependido pelo que deixei acontecer com você quando eu o capturei, não devia ter permitido nada do que aconteceu, eu não queria aquilo e mesmo agora meu coração dói de pensar em tudo que passou por minha causa. Falou o rei acariciando a face suave e macia com dois dedos da mão direita, perdido nos olhos intensos e negros como jóias raras.

-Nunca pensei em ser capturado e quando fui não pensei que poderia ser tão duramente torturado...Respondeu Sasuke embaraçado.

Naruto sentiu uma dor profunda em seu coração ao ouvir essas palavras, de fato nunca antes pensou muito sobre o assunto, quando um prisioneiro era capturado e torturado tudo que ele fazia era apenas aceitar o ocorrido e se este indivíduo cedesse ou morresse em teimosia ele não se importava, mas a mera lembrança do corpo belo tão terrivelmente machucado o acompanhava todos os momentos, ele se sentia vazio e ao mesmo tempo cheio de um remorso terrível que nublava sua visão e atormentava seus sentidos.

-Me perdoe general Sasuke...Sinto tanto por isso que é como se a dor fosse um punhal em meu coração. Pediu o rei sinceramente, seus olhos azuis adquirindo uma tonalidade quase translúcida de azul puro.

-Mas eu preciso lhe dizer algo que nunca contei a ninguém, algo que eu sei fazer e que aprendi com meu pai, o Imperador da Cidade nevada, talvez isso aplaque a dor em seu coração que eu não quero que sinta...Afinal isso já passou agora.

O Rei Dragão escutou ansioso e curioso mas não parou a carícia na face bela.

-Eu usei meu Qui interior enquanto era torturado, não sentia o fio da navalha na pele ou o chicote rasgando minhas costas, eu o usei quase todo o tempo, porém se a tortura não tivesse tido fim naquele dia eu teria morrido e no final foi seu toque que desestabilizou minha energia interna, quando tocou meu rosto eu perdi meu Qui e senti dor e não sei porque isso aconteceu, nunca antes eu havia perdido o controle sobre meu Qui antes até que me olhou daquele modo e senti seu toque em minha pele.

Um calor intenso tomou conta de Naruto e ele embora aliviado pelo que ouviu ainda se sentia culpado.

-Vou querer saber mais sobre isso em breve, mas mesmo assim, mesmo assim eu ainda me sinto culpado, eu nunca deveria ter permitido tamanha maldade contra alguém tão puro que nem mesmo conhecia o sabor de um beijo.

Sasuke enrubesceu e abaixou o rosto, conversar assim com esse homem era algo intenso para ele, se sentia exposto a maior parte do tempo e as vezes se entregava a respostas tão sinceras que lhe espantavam, de fato ele nem sabia porque contava essas coisas quando as guardou por tanto tempo em seu espírito, esse homem realmente mandou tortura-lo e se não fosse seu Qui ele teria sofrido intensamente, mas mesmo assim havia tanto arrependimento em seu olhar que tentou acalma-lo contando a verdade, Sasuke pensou que não se conhecia mais.

O rei vendo o rosto corado e os olhos luminosos que se escondiam dele e ao saber de um segredo tão importante que certamente deveria ter sido duramente guardado não foi capaz de se segurar, ele o beijou novamente e novamente seu mundo todo se tornou Sasuke.

O rei ansiava por isso a muitos dias e hoje ele tomava o primeiro beijo do seu inocente prisioneiro, ele desconfiava da inocência de Sasuke desde de o primeiro dia quando tocou seus dedos carinhosamente e ele não levou isso como um ato pecaminoso, isso porque ele era puro e inocente como uma criança, apesar de ser um general que comandou um exército de dois mil homens, assim o segundo beijo era tão importante e doce como o primeiro.

-Ora, ora...Pai? Realmente é tão sem vergonha assim? Não pode tomar liberdades com minha futura mãe rainha ainda, não estão casados perante os céus, isso seria um ato de concunbinato apenas e seria mal visto pelos olhos alheios, já que ninguém além de mim sabe dos planos do pai em se casar com seu general capturado. Disse Boruto sentado em seu cavalo branco e observando da janela da carruagem, o diabinho ria todo feliz.

Realmente esse susto fez Sasuke se encolher em vergonha e soltar o pescoço do rei rapidamente, olhando para fora com a pele queimando no rosto muito embora não tenha tomado sol algum na carruagem ampla.

-Boruto, eu as vezes quero arrancar esse seu sorriso do rosto, vá estudar menino, onde estão seus tutores?

-Morrendo de dor de cabeça creio eu...

O menino ardendo em alegria pelo que fez, pois de fato adorava incomodar o pai e agora ainda mais incomodar sua futura mãe rainha ainda tinha mais a jogar nesse fogueira que ele criou com sua doce impertinência infantil e peralta.

-Futura mãe rainha, já leu o livro de que falei? Agora sabe como dois homens podem se envolver romanticamente?? Ahh eu acho que seria muito desperdício não ler tamanha preciosidade e pense por um momento...Se foi meu pai que lhe deu certamente tem segundas ou terceiras intenções com isso.

Naruto queria pegar algo pelo chão e jogar na figurinha loira terrível que era de fato carne de sua carne e sangue de seu sangue, muito embora deva ter sido amaldiçoado ao nascer com uma inteligencia vivaz demais para sua pouca idade e como assim ele sabia o que dois homens fazem quando se envolvem romanticamente??

Sasuke que se mantinha de cabeça baixa pensou que se ele fosse obrigado a ser a rainha iria ensinar alguma coisa a esse pestinha com certeza, mas diante esse pensamento pavoroso acabou caindo em silêncio de novo.

Boruto cavalgou rapidamente antes que um vaso de água das montanhas atingisse sua cabecinha dourada e o rei xingou alguns impropérios em várias línguas, nenhuma que o jovem general conhecesse felizmente...

-Perdoe meu filho Sasu, ele é mesmo um pequeno gênio e seus tutores são mais torturados por ele do que consigo compreender, tenho mesmo pena dos pobres homens, mas creio que um dia em breve tendo a companhia agradável de alguém mais puro que as águas cristalinas em seu coração ele possa receber um pouco dessa luz e se tornar menos...menos terrível.

Sasuke teve que sorrir, na verdade apesar da vergonha que o pequeno ser lhe fazia passar ele era muito fofo e bonito e em seu coração sempre tão carente tinha vontade de mima-lo e lhe tomar nos braços como se fosse de fato seu filho pequeno, mas diante esse pensamento tão feminino seu coração murchou, ele de fato estava se tornando o que exatamente?? Uma donzela aprisionada??

O rei saiu e foi cavalgar pelas pradarias, Sasuke adormeceu seguindo o monótono som da carruagem pelo solo e acordou quando o sol se punha, seu corpo ainda se recuperava lentamente e ele as vezes meditava para aumentar seu Qui, mas talvez por ter usado ele por muitos dias e ter sofrido incontáveis torturas ele se esgotou em seu coração de general, só podia tentar resgata-lo, mas logo viu o cavalo do rei se aproximando e ele abriu a porta da carruagem para Sasuke descer, lhe estendendo a mão gentilmente, suas vestes longas e brancas voaram revelando tornozelos belos, coisa essa que tirou o ar do pobre rei.

Desde de que foi levado a casa azul e agora mesmo ali Sasuke recebia vestes brancas, nunca perguntou se isso era o que os prisioneiros usavam, mas ao observar atentamente suas vestes e as dos outros servos notou que as suas eram nobres, embora simples e finas e se sentiu um pouco envergonhado por isso, mesmo nunca usando armadura em campo de batalha usava uma túnica branca de tecido mais grosso, ou quando raramente usava a peça mais fina deixava sobre ela outra para esconder seu corpo, naquela túnica de seda suave se sentia exposto, mas ele era um prisioneiro e sua vontade não contava, no entanto se ver assim em meio as pessoas do reino que vagavam por ali era constrangedor, visto que todos paravam para observa-lo atentamente, as vezes os olhares eram de fato inescrupulosos e ele se sentia cada vez mais incomodado, pois nem imaginava o que pensavam dele, em outros tempos mesmo diante o rei Usurpador não se intimidava, mas ali se sentia menor e assustado e sem querer abaixava o olhar.

-Caminharemos um pouco, suas pernas devem estar doendo de tanto ficar confinado dentro da carruagem, vamos andar um pouco enquanto as servas preparam a tenda e nosso banho e algum alimento saudável, ficará comigo hoje.

Esse assunto não assustou Sasuke, invariavelmente ficavam juntos até tarde, conversando e comendo frutas frescas e claro como dia era certo que seria o general a dormir primeiro, sem saber que após isso o rei o observava por longas horas apenas acariciando seus cabelos negros longos satisfeito.

Sasuke andou lado a lado com o rei, notando como todos os olhavam avidamente, em dado momento o rei percebendo o desconforto do seu general capturado tomou sua mão dentro da dele, e esse ato foi tão deliberado que o general não ousou reclamar e de fato se sentiu mais protegido dos olhares estranhos.

De fato o rei fazendo isso estava mostrando a todos que o prisioneiro era dele, ninguém ousaria comentar nada na frente de Sasuke, muito embora o rei deixasse claro para os outros que provavelmente o jovem prisioneiro era agora seu concunbino, isso não importava desde de que logo mais ele seria sua rainha.

Após um tempo até longo andando pelas tendas eles encontraram os soldados capturados, eles estavam sentados no chão recebendo sua comida e sua água, estavam magros devido a caminhada diária, mas pareciam bem, não estavam acorrentados pelos pés e usavam roupas simples e sandálias grossas que não lhes permitia terem os pés machucados mesmo naquele local inóspito e assim que viram seu general se alegraram imensamente.

Sasuke envergonhado soltou a mão do rei e se adiantou diante o olhar apreensivo do próprio rei que não sabia como os soldados reagiriam diante de Sasuke, mesmo sabendo que eles tinham conhecimento de que foram poupados da morte e das torturas graças ao general, mas de fato ele foi recebido com reverencia por seus antigos subordinados.

-Oh! Os deuses sejam louvados, nosso general está realmente bem, ele se mantém vivo e belo como sempre! Exclamaram mais de uma voz.

Um a um eles se aglomeraram próximos ao general lhe agradecendo por terem sido salvos graças a sua benevolência e fortaleza de espírito.

Um dos soldado se jogou no chão e em lágrimas falou ao seu general.

-Meu senhor soubemos pelo que ouvimos dos guardas que nosso mestre suportou três dias de tortura e mesmo assim a beira da morte implorou que nós infelizes soldados fossemos poupados, diga-me meu senhor que não sofreu tanto pois nossos corações estão ardendo por isso...

Sasuke não devia mentir aos seus homens, mas contar-lhes isso poderia demover seu moral ainda mais, ele realmente não sabia como agir, mas o rei veio em seu socorro e respondeu por ele prontamente.

-Eu sou o Rei Dragão e digo a todos que nunca conheci homem mais valente, além de um oponente sem igual que lutou comigo de modo valente sem armadura e ainda quase morto de fome e mesmo vencido não se entregou facilmente, nem mesmo após três dias de tortura que infelizmente lhes digo que foram as piores que já vi ele ainda se mantinha firme, mas foi vencido pelo seu coração que se rendeu para poupar seus homens de um destino igual ao dele, por tanto eu lhes digo que devem honra-lo sendo fieis ao seu novo rei e ao seu general que agora está ao meu lado.

Sasuke estava envergonhado enquanto seus homens se ajoelhavam em sua frente, ele tentava faze-los parar e voltarem as suas refeições, por isso decidiu conversar um pouco.

-Estão todos bem? Perguntou Sasuke tentando manter a voz firme.

-Sim meu senhor, caminhamos todos os dias, mas temos água e descanso ao meio dia, a noite podemos dormir e comer, nada nos falta, nem mesmo é tão diferente do tempo no deserto e na fronteira, creia que estamos todos bem, mantenha seu coração descansado meu senhor.

Sasuke sentiu a mão do rei em seu ombro e soube que deveria partir, se despediu rapidamente e os deixou pensativo, porque eles o agradeciam tanto? De fato proteger seus soldados era a tarefa de um general, ele apenas fez seu trabalho.

Essa pergunta o envolveu por uma noite e um dia inteiro em que ficou mais calado que normal mesmo diante de um rei que conversava muito e queria jogar xadrez e gamão, mas só foi respondida na próxima noite.

-Sasu? Era a primeira vez que o rei lhe chamava assim.

Sasuke o olhou perdido em pensamentos.

-Me deixou ganhar de novo? Ou realmente é tao ruim assim no gamão?

O rei suspirou e pegou uma fruta doce do cesto aos seus pés cortando a fruta com uma faca que ficava presa a seu cinto e depois dando as partes macias ao general ao sua frente.

-Seus homens foram poupados e sabem que isso se deve ao seu ato de bondade, eles lhe serão eternamente gratos.

-Eles sabem do me quer como sua rainha?

-Sim e não, eles podem dormir tranquilos porque o general deles negociou a liberdade de quinhentos homens em troca de sua gentileza de aceitar viver com o rei pacificamente e jogar gamão e xadrez todas as tardes.

Sasuke não sabia como seus homens viam esse acordo. Pensavam que ele havia se dado ao rei? Que era agora um concunbino? Um servo? Ou um escravo?

-Não se preocupe, quando chegarmos eu anunciarei nosso noivado e marcarei a data do nosso casamento, ninguém pensará mal de sua honra.

De fato até mesmo o general já nem tinha tanta resistência assim, mas ele não tinha ainda nada a dizer...A não ser...

-Naruto. Disse o general usando o primeiro nome do rei intencionalmente, aproveitando que eles estavam sozinhos ali e a cortesia e bons modos não eram vistas por mais ninguém.

Naruto o olhou curioso, sentindo um calor no peito ao ouvir seu nome sair dos lábios macios e quentes.

-Obrigado por ter poupado meus homens, eles não mereciam morrer e muito menos sofrer.

O general nem percebeu que o ato de usar o primeiro nome do rei sem rodeios, sem regras e sem normas, apenas o nome puro significou muito ao rei. E o rei então percebeu algo ainda maior, que era melhor conquistar pela gentileza do que pela força e pelo medo, que um sorriso verdadeiro era muito melhor que um grito de dor.

Infelizmente o destino não é tão doce assim, e parecia que pretendia testa-los um pouco mais.

Nesta comitiva enorme onde viajavam os generais do rei, suas concunbinas e demais servos, além de escravos, prisioneiros e muitos soldados havia uma pessoa que tinha o coração negro de ciúmes e que se continha a todo custo ao ver que o envolvimento do rei com o general retirava o convívio com ela.

Hinata se ressentia dia após dia, era verdade que se sentia feliz em ter mais liberdade junto a Haruno, como sua assistente podia andar a cavalo pelo amplo vale, colher ervas e ter liberdade para ir e vir sem ser barrada pelos guardas o tempo todo, mas ainda era uma concunbina do rei e o rei não a procurava mais, de fato ele não procurava nenhuma das outras, mas ela não se importava com as outras, se pudesse as jogaria aos corvos, malditas sejam todas! Ela queria algo importante do rei, ela queria um filho dele, se tivesse um filho poderia ter uma vida fácil então, como concunbina tinha cinco anos de serviços junto ao rei, já estava ali a um ano, neste tempo uma vida reclusa junto as outras concunbinas, tendo comida, cama aquecida e todos os luxos do palácio, mas dentro de limites rígidos, sendo vigiada de perto por guardas eunucos e damas mais velhas, nunca saindo sozinha, nunca vendo ninguém além do rei em sua cama.

Uma vez acabado os cinco anos ela seria libertada e poderia ir para casa com uma bolsa cheia de ouro e mais as jóias que havia ganhado do rei, mas era só isso, teria sorte se conseguisse após isso casar-se com algum nobre ou mesmo um comerciante, mas se ela tivesse um filho com o rei, mesmo sendo esse filho um bastardo aos olhos da sociedade, ela e o filho poderiam viver muito bem, teriam uma casa grande nos domínios do reino, luxo e nunca mais precisariam trabalhar, esse filho podia até mesmo um dia ser um senador do império, havia muitas possibilidades.

Porém uma vez que o general caiu nas graças do rei isso estava cada vez mais complicado, ela amava seu rei de todo coração, o admirava e adorava, mas ele nem mesmo a procurava mais, tudo porque ele só tinha olhos para um prisioneiro de guerra, um traidor da própria pátria, e ela tinha que fazer algo, era necessário, mas como?

Ela vagava sozinha e distante dos outros em busca de ervas que a serva fiel do rei a senhorita Haruno lhe ordenou procurar e seus devaneios acabaram quando foi rudemente derrubada de seu cavalo e uma espada foi colocada em sua garganta.

-Você é da comitiva do Rei Dragão?

Ela afirmou assustada e a espada foi retirada de seu pescoço, um homem carrancudo com uma cicatriz enorme no rosto ainda sangrando a olhava minuciosamente.

-Quem é o senhor e porque deseja me ferir?

-Eu sou o general Shouzi conhecido como o Cão fiel do rei Usurpador e quero sua ajuda, escolha agora se deseja viver ou morrer.

Ela desejava viver e por isso aguardou.

-Garota esperta...Diga-me quantos soldados estão com a comitiva?

-Cinco mil soldados, mais quinhentos prisioneiros do vale nevado, sem contar ministros, concunbinas, servos e escravos, o próprio rei e um general prisioneiro.

O homem sorriu com dentes brancos e olhar perturbado.

-Qual o nome desse general?

-Sasuke...General Sasuke.

-E como o nobre general Sasuke e seus homens ainda estão vivos?

-O general caiu nas graças do meu rei, ele o deseja muito e para salvar seus homens de um destino pior que a morte o general aceitou servir ao meu rei em troca de seus homens serem poupados da tortura e morte e serem libertados quando chegarem em suas terras.

O homem soltou uma sonora gargalhada e enfim ajudou a moça a se levantar.

-Pelo que percebi não gosta disso, estou certo?

Ela suspirou se sentindo uma traidora, mas de fato o destino podia lhe estar sorrindo agora.

-Não gosto nem um pouco, desejaria nunca ter ajudado a cura-lo após a tortura que sofreu.

O homem sorriu mais ainda.

-Seja meus olhos e ouvidos e será muito bem recompensada, além disso descubra quem mais não gosta dessa situação, pessoas que estão no conselho do vosso rei e estimule essa desonrosa situação, mova uns contra os outros, em breve eu terei um plano para corromper essa situação, nunca mais recuperarei meu posto, mas talvez eu ganhe um novo.

-E como faria isso sendo um fugitivo do meu rei?

-Entregando o imperador Usurpador é claro.

Hinata partiu e deixou o Cão fiel para trás, de fato ele não era um cão e muito menos fiel, pretendia entregar o amigo e irmão de guerra a quem ajudou por anos em troca de sua liberdade, mas ela não era diferente já que desejava entregar o general a seu inimigo em troca de estar novamente na cama do rei.

Mesmo com esse pensamento não foi difícil achar os indivíduos que sentiam raiva da ligação do rei com o general, cinco dos dez no alto comando ressentiam-se da relação próxima do rei com o inimigo vencido e esperavam poder condena-lo por alguma coisa e assim diante as leis ordenar sua morte.

O tempo passou lentamente e cada dia a relação do rei e do seu general se estreitava mais, Sasuke se tornou mais aberto a ele, já o via mais como um amigo leal do que como o inimigo e conversavam por horas a fio vendo a paisagem se tornar diferente a cada novo dia, dias se tornavam noites e noites novamente em dias, o clima quente se tornou ameno e Sasuke sentiu que em breve veria sua terra natal, e que assim que chegassem a ela o inverno cairia sobre eles invariavelmente, cobrindo o mundo que ele conhecia com gelo e neve, tornando tudo mais calmo, sereno e perigoso.

Foi no inverno que seu reino foi tomado, foi no inverno que seu pai foi assassinado e seu povo sofreu perdendo seus familiares, ele nunca mais sentiu paz quando a neve caía no solo, as lembranças dolorosas lhe enchiam a alma de tristeza infinita e ele nem mesmo sabia o que viria a ser sua vida próxima, se o rei insistisse em torna-lo sua rainha iria ser a piada do reino inteiro, um general vencido tratado como uma donzela pelo Rei Dragão, seu povo iria escarnecer dele, nunca mais poderia andar nas ruas sem ser humilhado, e embora sentisse que o amor que o rei dizia sentir por ele poderia ser verdadeiro ele nunca poderia concordar com essa loucura de ser a rainha dele. Só lhe restava uma coisa, após seus homens estarem a salvo ele poderia tirar sua vida e ir viver junto aos seus nos reinos celestiais.

-Sasu, em que pensa?

-No inverno...

O rei se sentou perto dele e pegou seus dedos entre os seus beijando a mão que parecia fria nesse momento.

-O inverno não chegou ainda.

-Já sinto o frio na minha pele, e sei que estamos perto de minha casa, ou o que um dia eu chamei de casa...e chegaremos com as primeiras neves, sei disso.

-Não sofra por sua terra, eu cuidarei bem dela, nunca permiti que minhas terras conquistadas sofressem, nenhum cidadão foi rebaixado, meus homens não machucam ou humilham as pessoas comuns e após um tempo mesmo os nobres aceitam meu comando sem questionamento, veja como minha serva Haruno me é fiel, ela era uma princesa em sua terra.

Sasuke o olhou aturdido, a serva e confidente Haruno?

-Ela era uma princesa? Então os pais dela...Você os venceu e o que ouve com eles? Ainda estão vivos?

Naruto suspirou.

-Não, na época meu pai invadiu as terras do reino de cristal e ele era muito sanguinário, infelizmente o rei e a rainha foram mortos, a princesa por ser somente uma criança e ter dons inacreditáveis de cura foi poupada depois de ser chicoteada por dez vezes, ela se rendeu a meu pai que a trouxe para mim como uma escrava, ela se recuperou e nos tornamos amigos, ela cresceu e aprendeu cada vez mais, meu pai morreu e eu assumi o trono, a tornei minha serva e até desejei lhe dar um cargo na corte do reino de cristal, como uma regente, mas ela recusou, preferia ficar comigo na cidade de Guinzen e ser minha confidente, médica e feiticeira.

Sasuke suspirou, ele podia imaginar como tinha sido.

-Nunca me contou em detalhes como foi com você, ficaria honrado em saber. Disse o rei imaginando que a vida do jovem foi de fato muito complicada.

Sasuke viu no horizonte os contornos dos picos nevados e sentiu dor no coração, ele logo estaria em casa, e somente dor o aguardava lá.

-Rei Dragão me conte sobre suas conquistas...Por favor...

Naruto sabia que esse pedido não era tudo que passava na mente do jovem general, ele sentia sua dor e faria tudo para ameniza-la, por tanto começou a contar suas conquistas alegremente.

De fato ouvir sobre os reinos que o Rei Dragão conquistou foi uma ideia interessante, o jovem general que só conheceu sua terra e os vastos desertos a fronteira da sua terra natal com a do Rei Dragão conseguia imaginar os vales floridos, as pessoas com trajes diferentes, montanhas grandiosas, animais diferentes, magia, arte e encantamento e acabou dormindo ao que ouvia as incríveis histórias. O rei ao ver o pequeno e valente general adormecido o deixou e saiu a procura de Haruno, a encontrando em sua carruagem ampla mexendo no cristal ainda vivo.

-Haruno? O cristal ainda vive?

A bela mulher de cabelos da mesma cor das flores de cerejeira mostrou o objeto que tinha nas mãos, um belo cristal branco leitoso, suas pontas afiadas estavam pretas como carvão enquanto seu interior ainda brilhava e mostrava as terras Nevadas em detalhes minuciosos.

-Creio que a energia do cristal combinada com a minha ainda viva por pelo menos dez dias, o tempo quase exato que levaremos para chegar aos portões da cidade, graças aos céus, não aguento mais andar como uma nômade por aí, minhas poções estão acabando e temos doentes pela fadiga da caminhada, os soldados mesmo do general Sasuke apesar de fortes já consumiram meus estoques de ervas fortificantes e sem elas acredito que teriam morrido no caminho, felizmente já estamos chegamos.

O rei concordou, ele mesmo estava fadigado da longa viagem, porém seu filho havia se divertido imensamente nessa viagem, atormentando os seus professores e o próprio rei e até mesmo Sasuke, a quem ele devotava uma imensa curiosidade, que graças ao rei era mantida sob controle.

-Quero que vá até a carruagem de Sasuke e o analise para mim, leve seu cristal de cura e interrogue ele secretamente, use suas ervas se preciso, quero saber porque ele anda tão triste, e se ele está com a saúde em dia, notei que ele tem comido menos e ficado mais tempo em silêncio do que o habitual.

O ato de interrogar secretamente era uma prática que somente Haruno conhecia e somente ela e o rei dividiam o segredo, nada mais era do que usar a magia da mulher combinada com um cristal vivo, um objeto mágico movido em feitiços para fazer qualquer um contar seus segredos mais obscuros e nem se lembrar disso depois, como era considerado magia negra era banido do reino de Guinzen, mas entre o rei e sua serva fiel isso era irrelevante.

-Tem certeza meu senhor? Sabe que isso requer uma grande quantidade de magia e eu ficarei fraca por quase dez dias, não serei útil durante esse período e se alguém se ferir não serei capaz de ajudar.

-Tenho certeza, pode instruir Hinata a cuidar dos que precisem, estou certo?

-Sim, coisas simples ele pode cuidar, enfim...Suas ordens serão cumpridas, devo no final oferecer a ele um elixir de saúde?

O rei concordou e a deixou, não sem antes verificar como iam as coisas no reino nevado e ficar contente com tudo, de fato todo o reino era seu agora, sem mortes e nem derramamento de sangue, o povo ao se ver livre do Imperador Usurpador se sentiu satisfeito e rendeu-se sem problemas aos soldados que instruídos pelo seu próprio Rei Dragão distribuíram alimentos e mantas quentes para o inverno prometendo cuidar deles daqui em diante, sendo assim as cores dos flâmulas e bandeiras mudou e agora resplandecia em bandeiras e flâmulas com o simbolo do Dragão dourado, rei e senhor de muitos reinos.

Esse era o décimo mês do ano do Dragão segundo o calendário das terras de fogo e marcava um ano bom, cheio de vitórias para a pátria do rei e seus súditos, mas era também segundo os astrólogos um ano difícil e cheio de tristezas, era preciso manter a vigilância e não descansar sob as falsas horas de calmaria.

Notas finais
Espero que estejam gostando, eu agradeço muito a todos que comentaram e espero que a leitura esteja a altura de suas expectativas. Quem percebeu altas tretas na história levante a mão!! beijos de Akirasam.
Obs: se alguém tiver imagens de Sasuke usando quimono para novas capinhas mande para mim no email [email protected] com.

6. O príncipe escravo e o servo.

Notas do Autor
Essa imagem é como eu imagino o general Sasuke, cabelos longos e olhos belos, tão lindo!! Sobre esse capítulo, ele se passa um pouco antes, no momento da tomada da cidade Nevada pelo exército do Rei Dragão e conta um pouco da história de como foi para Mikoto, Itachi e Shisui essa transição, assim como eles foram retirados de lá e mantinhos aguardando o momento em que o rei os usou para convencer Sasuke a ser sua rainha. Espero que gostem, beijos.

O General capturado e o Rei Dragão. (No dia da tomada do reino Nevado.)

(Capítulo 05 extra) O príncipe escravo e sua dura vida.

Este capítulo começa no momento em que a Cidade Nevada sofre seu mais forte atentado, todos os guardas das torres foram mortos a flechadas e o portão grande foi arrombado, as pessoas do vilarejo fugiram para suas casas e todo o local ficou deserto e assustador, os soldados do Rei Dragão com sua bandeira dourada avançaram impiedosamente e da janela do castelo mãe e filho observavam a movimentação aturdidos.

-O Imperador perdeu, o que significa que nosso pequeno Sasuke está morto ou capturado pelo rei inimigo, realmente não sei se choro por ele ou fico feliz porque finalmente ele pode descansar.

-Mãe, seja como for esse é nosso fim também, tentarei chegar a Shisui a tempo, não quero partir dessa vida sem ver meu amado uma última vez.

A bela mulher beijou a face do filho querido, ela tocou a coleira em seu pescoço, a maldita prata enfeitiçada que o mantinha ali e sentiu uma dor enorme em seu coração, o viu sair mansamente e implorou aos céus que permitissem que ele ao menos se despedisse de Shisui.

O escravo andou pelos corredores onde o desespero tomava conta, nobres tentavam fugir levando ouro e escravos, concunbinas corriam com suas vestes esvoaçantes, servos tentavam ajudar seus amos e ele andava de cabeça baixa alheio a tudo, enfim chegou aos dormitórios dos professores e andou mais suavemente ainda conseguindo chegar ao último quarto onde seu amado residia durante o dia, bateu duas vezes seguido de uma terceira batida e a porta se abriu revelando a face molhada em lágrimas de um jovem de dezoito anos apenas.

Após entrar e trancar a porta eles se abraçaram famintos um do outro, desejando tanto se ter que roupas foram rasgadas na presa, Itachi empurrou seu pequeno amado na cama simples e o beijou na boca com sofreguidão, revelando seu medo e sua saudade infinita.

-Itachi, eles...Eles virão ainda hoje, não temos mais do que algumas horas...Vamos morrer meu amor, vamos morrer.

-Não importa, se eu estiver ao seu lado.

Shisui chorava, não por ele, mas por Itachi, ele era jovem e belo, forte e tinha a vida pela frente, se pudesse ao menos fugir com os outros poderia viver uma vida longa em outro local qualquer, mas devido a magia diabólica da feiticeira ele nunca poderia deixar os portões do palácio o que num momento daqueles de invasão era morte certa. Já ele que era um aleijado não tinha grande importância, apesar de ser estudado e versado em várias línguas era apenas um aleijado e cuidar de alguém assim era trabalhoso além da conta, sua perna estava cada dia mais atrofiada e ele temia não poder mais andar em breve, além disso sua saúde estava piorando cada dia mais e ele sabia que não suportaria outro inverno, morrer nessa invasão lhe seria misericordioso.

O escravo forte e belo beijou o corpo magro a sua frente com devoção acalorada, ele o amava tanto que morreria por ele sem pensar duas vezes, infelizmente via seu amado sofrer de tosses terríveis nos últimos invernos e temia perde-lo em breve, porém agora os deuses lhes davam a chance de irem embora juntos, mesmo assim lamentava a sua sorte, desejava poder amar para sempre Shisui.

Com carinho deitou sua mão no membro já duro do pequeno corpo e o acalentou indo e vindo, enquanto sua outra mão tateava entre as cobertas em busca do frasco de óleo que ele mesmo roubou uma vez e agora usava como lubrificante, ele o despejou em seus dedos e alargou a pequena entrada pulsante com o mesmo carinho das primeiras vezes quando ele e o pequeno eram ainda mais jovens, o gemido abafado era música para seus ouvidos, ele se arrepiava quando a voz mansa e quente o chamava assim, tão docemente...

-Itachi...Ohhh...Itachi...Por favor...

-Calma meu querido, não vou machuca-lo mesmo agora, eu o desejo com adoração e sabe disso.

-Itachi...Por favor...Pedia manhoso o jovem, se erguendo para ele, mexendo os quadris em busca de mais dele.

Itachi o penetrou então, fechando os olhos no ato, engolindo um grito de prazer ao tomar o recanto quente do corpo do pequeno professor, com gentileza ergueu a perna saudável e a colocou no ombro, deixando a perna ferida de lado para não constrange-lo e moveu-se dentro dele sofregamente, seu calor o envolvia a tal ponto que desejava gritar ao mundo como o amava, mas permanecia em silêncio e se aprofundava nesse canal conhecido e perfeito onde achou tantas vezes o prazer escondido que dividiam a alguns anos. Mesmo nesse momento íntimo as recordações o tomavam.

No começo quando ele foi escravizado, o que o manteve lúcido foi cuidar desse menino que então contava apenas seis anos, ser humilhado e usado pelo Usurpador se tornou suportável graças ao amor fraternal que nutria pelo pequeno, já que não podia dar esse amor ao seu irmão verdadeiro que lhe foi arrancado de perto, ele o passou ao pequeno orfão e com o tempo eles criaram um laço único e forte, quando o pequeno cresceu e se tornou um rapaz jovem, a paixão surgiu naturalmente como acontece na juventude, e no caso dos dois, escravos e com limitações terríveis, sendo que a de Itachi era a coleira que o restringia e a de Shisui era a deficiência na perna, o único caminho era o segredo, a única pessoa que sabia era sem sombra de dúvidas a mãe de Itachi, a antiga Imperatriz, que doce como sempre os ajudou.

Esses pensamentos eram uma nuvem complexa na mente do amante enquanto ele se enfiava cada vez mais fundo entre as pernas do menor, arrancando suspiros contidos dele, e sentia o membro rosado e grosso inchar tocando sua barriga até se desfazer nele, quente e melado, segundos depois ele o preencheu com sua semente quente e caiu ao lado dele satisfeito e cansado.

Shisui chorou em seu peito ardentemente e ele enfim o ajudou a se vestir e juntos foram aguardar seu fim ao lado da mãe que os acolhia sempre, mãe verdadeira de Itachi e mãe de criação de Shisui. Ao chegar a sala onde a mulher estava eles se sentaram ao chão e aguardaram quietos o desfecho do ato.

O palácio de inverno do Usurpador foi invadido e os guardas arrombaram todas as portas procurando o imperador, logo chegaram ao local onde estavam os três juntos e abraçados.

-Onde está o Imperador Usurpador? Perguntou um dos soldados com uma espada longo em punho, seguido de mais outros igualmente fortes e de armaduras negras e douradas.

-Não sabemos de seu paradeiro, mas rogo aos deuses para que o encontrem e o entreguem ao seu rei, somente assim a justiça será feita. Disse a mulher altiva muito embora estivesse vestida como uma serva humilde.

Os soldados os levaram dali e os colocaram juntos a tantos outros servos e escravos e eles foram levados as masmorras do castelo, tendo a sorte de ficarem em uma única cela junto a outros servos. Naquela mesma tarde uma serva do Rei Dragão veio a eles e os chamou pelos nomes.

-Itachi Uchiha.

O jovem se levantou e caminhou firme ao seu destino, foi acorrentado pelos pulsos e esperou.

-Shisui Uchiha.

Com dificuldade o pequeno de cabelos longos e negros se aproximou das grades da cela e foi puxado para fora e acorrentado tal como Itachi.

-Mikoto Uchiha.

A mulher teve o mesmo destino dos outros dois, mas eles foram levados a uma sala maior e libertos, foram alimentados e vestidos mais adequadamente, após uma deliberação feita entre a mulher que cuidava deles e um cristal a coleira de Itachi foi modificada e mesmo inalterada em seu pescoço lhe permitiu ser retirado do palácio e ser levado a uma casa de campo, onde eles permaneciam até então, sem saber qual seria seu destino.

Notas finais
Eis o capítulo extra, gostaram? Lembrem, isso foi antes dos outros capítulos, no dia que Sasuke estava com o rei, após ser torturado. Beijos.

7. Todas as dores do inverno inclemente.

Notas do Autor
Estava tudo indo tão bem...Mas o rei comete um erro terrível ao tentar forçar o general a ser dele por meio de um jogo sujo, isso pode custar mais caro do que ele imagina...Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 06. Toda as dores do inverno inclemente.

A feiticeira cavalgou entre as fileiras de carruagens até a mais bem guardada delas, onde estava o prisioneiro do rei, adentrou o espaço e o viu adormecido num canto, envolto em muitas cobertas e mantas devido ao frio que havia chegado tão rapidamente.

-Acorde Sasuke.

Ele abriu os olhos e logo se sentou atento a mulher que o observava sorrindo.

-Sim senhorita Haruno.

-Vim saber se sua saúde está bem, pode cooperar comigo? Ou devo chamar os guardas para me ajudarem?

Sasuke sorriu, ele é lógico que conhecia o tom de brincadeira dessa mulher, mas ficou sério e esperou o que ela desejava e como ele deveria ajuda-la.

-Preciso examinar suas costas e ver se ainda restam vestígios dos ferimentos e trouxe um fortificante, sei que entraremos em sua terra natal em breve e quero que esteja em plena forma física para enfrentar esse desafio, se bem que deve saber que meu rei não irá de forma alguma submete-lo a nenhum tipo de humilhação pública, ao contrário.

Sasuke suspirou e tirou a túnica ficando apenas com sua peça intima, a mulher avaliou sua pele fina e lisa, não vendo nenhum sinal de um dia aquela pele foi maculada por um chicote, ela podia sentir que seu corpo internamente ainda se curava, por isso ele se sentia fraco a maior parte do tempo e levaria muitos meses até que sua energia vital se recuperasse totalmente, mas se viu muito feliz em saber que sua magia funcionou tão bem e depois lhe deu o fortificante e junto a ele uma planta que fornecia o que ela queria, uma droga que associada a sua magia permitia que ele respondesse qualquer pergunta sem se lembrar disso depois e sem que isso lhe causasse mal algum.

O jovem se sentiu sonolento e caiu num estado de torpor, ela então começou a perguntar.

-Deseja trair meu senhor? O Rei Dragão?

-Não.

-Deseja fugir e se unir aos inimigos?

-Não, não sei de que inimigos fala...

Ela sorriu.

-Os inimigos da coroa, os antigos membros da realeza da Cidade Nevada.

-Os membros da realeza verdadeira da Cidade Nevada estão mortos, restando somente eu, minha mãe e meu irmão, o primogênito, mas eles agora devem estar mortos.

-Aceitou o Imperador Usurpador?

-Para salvar minha mãe, meu irmão e meu primo eu me submeti a ele, lutei por ele e fui vencido em seu nome, mas nunca o aceitei como legítimo.

-Se pudesse o ajudaria agora?

-Nunca.

-Ajudaria o Rei Dragão?

Ouve um silencio prolongado ao que Sakura se adiantou para ver a reação do prisioneiro.

-Sim, eu o ajudaria.

Ela sorriu e encerrou o interrogatório satisfeita, guardando o cristal que usou na magia negra dando a ele o antídoto para o líquido que ele tomou, assim ele dormiu novamente e nem se lembraria de a ter visto.

Mais tarde ela comunicou o fato ao rei.

-Meu senhor, ele não tem qualquer sentimento de rancor para com o seu domínio sobre seu antigo reino, ao contrário ele até mesmo ajudaria a derrotar o Usurpador se fosse necessário, não deseja vingança e nem mesmo deseja trair meu rei.

-Sim, isso é ótimo e como está a saúde dele?

-Externamente minha magia o curou totalmente, mas internamente ele se recupera lentamente, se sente fraco porque seu corpo ainda repara os danos que sofreu naquele momento de tortura que não foi leve e seu espírito também está ferido, isso leva tempo para se curar, alguns meses eu creio.

-Sim, entendo...Isso é tudo, pode se retirar.

A mulher se recolheu para dormir, o rei foi ver Sasuke, ele se banhava na banheira com água quente que os escravos já tinham preparado e estava de olhos fechados quase adormecido nas águas quentes, mas abriu os olhos ao ver o homem a sua frente.

-Você será minha rainha em breve. Falou o rei solenemente.

-Porque me insulta dizendo isso? Não sou uma donzela, mas um general, ainda que eu tenha perdido a luta. Respondeu Sasuke analisando o homem a sua frente.

-Porque acha que eu o insulto com esse pedido? Eu o desejo ao meu lado, é errado isso?

Sasuke suspirou, ele não sabia, mas de certo nunca ouviu falar em uma rainha homem em toda a sua vida, deveria ser a primeira vez no mundo todo e era constrangedor.

-Nunca mais quero te ver sofrendo, isso garanto, mas o desejo em minha vida, e não pode ser como um simples concunbino, você é nobre demais para isso, nasceu para reinar e seu nome deve ser grande, seu poder comparado ao meu, e sua beleza admirada por muitos.

Sasuke não soube o que responder e somente terminou seu banho, se vestiu e jogou gamão com o rei até que adormeceu e foi levado para cama pelos braços fortes do rei que naquela noite ficou mais tentado que nunca em ter ele nos braços, mas era um rei e era nobre, ele nunca o teria a força, porque era errado, era contra seus princípios e se tratava de seu amor, o amor de sua vida, o general Sasuke.

Naruto o observou dormir tranquilo entre as mantas arrumadas no chão da tenda, um fogo crepitava perto, incenso preenchia o ar levemente e o seu pequeno general parecia tão vulnerável ali na sua frente, as vestes amarradas a cintura estavam semiabertas revelando a nudez de uma pele clara, macia e isso deixou o rei de certo modo assustado com o sentimento que ele nem conseguia mais definir dentro dele, sua mão desceu suave e tocou a pele clara, puxando um pouco mais o leve tecido e um mamilo rosáceo surgiu, lindamente esculpido na pele macia, o aroma do banho recente era delicioso e o rei o aspirou se aproximando, ele se deitou ao lado do seu prisioneiro e o abraçou pela cintura, estava quase dormindo quando sentiu o corpo menor se virar e se aconchegar em seu peito, suspirando em seu sono como se este contato o tivesse deixado mais seguro. O rei se permitiu afagar os cabelos longos e soltos nas costas com carinho, ele amava esse general com todas as forças de seu coração, de sua alma e de seu corpo, porque os deuses resolveram que ele devia ama-lo era ainda um mistério para ele, mas de certo era a mais pura verdade.

Após esse dia mais dez se passaram e quando a primeira neve caiu eles estavam as portas da Cidade Nevada.

Sasuke estaria mentindo se falasse a qualquer um que isso não o abalava, seu coração quase se partia ao ver sua cidade de novo, havia passado longos dois anos preso no deserto escaldante com seus homens, tudo que conheceu nesses dias foi a solidão de sua vida e seus homens com quem treinava todos os dias, nem mesmo lhe foi permitido se despedir dos seus parentes, sendo assim ele não os viu mais, agora dois anos e dois meses depois ele retornava pela mão do seu inimigo e isso lhe causava medo e angústia, mesmo assim embora seu interior se revirasse em lamentos seu semblante estava calmo e sereno, como sempre.

O rei não veio até ele, estava nas fileiras da frente, nobre em seu cavalo negro reluzente, o Rei Dragão usava seu manto dourado e sua armadura forjada em magia, prata e ouro, mais dura que qualquer metal e mais bela que qualquer outra armadura que o jovem general já tinha visto, ele se lembrava dela perfeitamente do dia de sua derrota, linda, grandiosa e insuperável, sabia de antemão que nunca poderia vence-lo, mas mesmo assim tentou com todas as suas forças e não se arrependia de ter feito isso, pelo menos nunca seria julgado por ser covarde. Suspirou e fechou os olhos, logo estaria passando pelo enorme portão da entrada e seu coração pulsava inclemente no peito.

Foi nesse momento que o jovem príncipe se aproximou em seu cavalo, tão belo quanto deveria estar, ricamente vestido e com seu sorriso arteiro no rosto bronzeado da longa viagem.

-Bom dia minha futura mãe rainha, como se sente ao voltar a casa após tanto tempo? Faz muito tempo?

-Sim, fazem dois anos que não vejo minha terra natal. Respondeu sendo sincero.

O menino sorriu.

-Gosto de você, tem sempre respostas sinceras e sem meias verdades, se está infeliz diz que está, se está calmo também, ninguém é tão direto comigo, sabia?

-Talvez porque eu não tenha nada a dizer além da verdade, já que sou um prisioneiro do seu pai.

O menino sorriu amplamente.

-Por enquanto...Mas já que é tão sincero me diga, está com medo de voltar ao seu lar depois de tanto tempo?

Novamente o general foi sincero.

-Estou sim.

-Ótimo, estou satisfeito, mas não fique com medo, meu pai vai sempre protege-lo e eu também, embora seja ainda uma criança dou a minha palavra de príncipe que ninguém vai machuca-lo.

Sasuke não soube dizer o que isso significava, mas esperou até ver os portões, então seus olhos marejaram de lágrimas que somente sua força de vontade conteve, ali ele foi muito feliz e muito infeliz, tinha doses duplas de cada sentimento, mas recordar era ainda pior, ele então passou a ver as diferenças, as casinhas coloridas desbotadas, algumas queimadas há muito tempo, mas viu com grande alegria que o povo estava nas ruas, não assustado e temeroso, mas sorridente com flores nas mãos como se de fato seu imperador estivesse regressando de uma longa viagem, compreendeu que para o povo não importa quem está no poder, desde de que esse que está no poder lhes favoreça e cuide.

Então a carruagem parou e o general esperou, em poucos minutos os guardas reais estavam ali em sua porta, ornamentados devidamente pareciam ainda mais ferozes do que no dia a dia, um deles abriu a porta para o general e outro lhe estendeu a mão, ele desceu e esperou, imaginando que seria agora o momento de ser apresentado a seu povo, seria levado como? O povo observava em silencio, todos já tinham visto o nobre general que lutou e venceu muitas batalhas em nome do reino, muito embora todos soubessem que não era em nome do Imperador Usurpador, este nobre general que já foi seu príncipe muito amado lutou pela sua família e seu povo, tudo que fez foi para protege-los.

Os guardas lhe cercaram e indicaram o caminho, ele caminhou os degraus íngremes calmamente, ao passar as flores que estavam nas mãos do povo caiam aos seus pés, rosas e flores selvagens, colorindo o caminho, o general sabia que essas flores foram guardadas com carinho longe da primeira neve, mas estavam ali agora aos seus pés, mas ele só podia olhar para a frente, os guardas o impediam de sequer dar um passo fora e assim ele seguiu por muitos degraus até estar frente a frente ao imponente castelo de inverno, lar antigo de sua família a muitas gerações e agora o local onde um rei estava parado, armadura reluzente, capa longa e cabelos soltos no vento, longos e loiros, o frio deixando as maças do rosto do homem coradas. Sasuke não era mais um príncipe, ele não era mais um general, sentia-se somente um homem sem pátria ou futuro, mas olhou a frente e esperou por um sinal, talvez fosse agora que o grande rei o mandaria se ajoelhar perante ele, assim seu povo inteiro faria o mesmo e se fosse essa a vontade do rei ele obedeceria, assim seu povo poderia ter uma vida de paz e prosperidade, de fato ele se lembrou que estava agora perante um rei do mesmo jeito que saiu dali, sem armadura, sem adornos, somente com suas vestes brancas e suas mãos vazias, ele nem mesmo era um guerreiro mais.

No entanto o rei fez um gesto para que os guardas o levassem para junto dele, a população alarmada temendo que novamente sangue inocente fosse derramado ficou atônita, murmúrios eram ouvidos pelos quatro cantos enquanto o general vencido era levado até o Rei Dragão.

Parado a sua frente e sentindo o frio passar por sua roupa fina e branca o pequeno general procurava em vão não tremer, seus cabelos soltos ao vento transformavam sua figura diáfana em uma visão sobrenatural de beleza fora do comum, sua pele branquinha pelos dias e dias dentro de uma carruagem, os cabelos negros longos e brilhantes pelo contato das ervas medicinais nos banhos, o fino tecido quase transparente, tudo foi pensado para realçar sua beleza natural e conquistar os olhares do povo e dos ministros que já rendidos aguardavam o Rei Dragão, não havia um único adorno, tal qual quando ele lutava, tudo que tinha era sua alma e seu olhar sincero e essa beleza sobrenatural que o fazia mais belo que qualquer dama, qualquer homem ou mulher dos sete reinos, essa beleza era exposta deliberadamente para seu povo que agora estava quase em desespero temendo que seu jovem príncipe e general fosse assassinado pelo Rei Dragão.

O rei sorriu para ele.

-Regressou a sua casa meu general vencido, seu valor pode ser estimado pelo que vejo do seu povo, eles lhe rendem homenagens, eu quero mostrar a seu povo que nada devem temer de mim.

O rei ergueu sua mão e o povo tremeu, mas ele apenas chamou Sasuke que se aproximou dele, a mão do rei desceu e tocou de leve a face pálida onde a pele tremia pela emoção e pelo frio, depois soltou-se e segurou a mão do general e ele o puxou para seu lado direito, ouve uma comoção na população e nos ministros do governo antigo, até mesmo nos ministros do próprio Rei Dragão, todos esperavam que o rei ordenasse a Sasuke que se ajoelhasse e se rendesse a ele, mas ao contrário ele o chamou para seu lado e tirando seu próprio manto o colocou sobre os ombros do jovem num gesto de puro carinho, após isso selou seus lábios na frente de todo o povo e um som como de mil murmúrios se ouviu de leste a oeste, cada mulher, homem, criança ou velho aturdido e resmungando feliz pelo acontecimento inesperado, mesmo os ministros do rei acabaram sorrindo diante esse desfecho, todos ou quase todos se sentiam maravilhados.

Uma grande festa teve início e o povo cantou e dançou até tarde da noite, no grande salão nobre todos se reuniram, o rei com seu general ao lado, calado e pensativo, ainda usando a capa do rei.

-Mudou muito seu lar?

Sasuke olhou o rei de lado, ele o ouviu e teve que pensar para responder.

-Não, ainda é como eu me lembro, a não ser pelas cores, o Imperador Usurpador mudou as cores, antes as cortinas eram azuis, agora são vermelhas.

-Que cor prefere? Caso pudesse mudar isso?

-Azul sempre foi minha cor favorita.

Naruto sorriu.

-Que assim seja.

O Rei bateu palmas e logo seus servos estavam em sua frente.

-Retirem todas as cortinas vermelhas amanhã e retornem as azuis do palácio, é uma ordem!

Sasuke ficou meio aturdido.

Após as comemorações todos se retiraram e o jovem general foi levado a um quarto no andar térreo, logo o rei foi estar com ele, adentrou o quarto e encontrou o jovem parado olhando um jardim interno enquanto sorvia uma taça de vinho doce.

-Como se sente?

-Eu...Realmente estou surpreso, no entanto realmente sua fama é verdadeira, você é o Rei Dragão das lendas, agora entendo porque me queria vivo e ao seu lado, meu povo...Disse Sasuke e se corrigiu rapidamente olhando para o rei.

-Seu povo está grato por manter esse pobre general vivo e eu estou grato por não ter ferido nenhum deles.

-Seu povo...Esse povo que jogou flores aos seus pés e não nos meus, eles reconhecem o seu líder, eu usei de uma diplomacia distorcida para conquista-los, mas fiz isso porque assim não seria necessário derramar sangue inocente.

-Vossa majestade é mesmo um grande homem. Disse Sasuke num sopro de voz, mas seus olhos revelavam todo o tumulto que seguia dentro dele, toda dor que ele sentia sem saber muito bem porque sentia, de fato ele queria acreditar que o rei não havia feito isso somente por diplomacia, mas algo a mais.

-No entanto não foi somente pela política que eu mantive você vivo, eu descobri que preciso de você ao meu lado, isso não é um jogo, não é negociável, eu preciso de você.

Sasuke o olhou muito sério, ele ainda não iria se render a loucura do rei, ele não seria sua rainha, isso era claro como dia, porque ele insistia nisso? Em sua total desonra?

-E meus homens? Perguntou Sasuke mudando de assunto e caminhando para o jardim branco pela neve.

-Foram libertados hoje mesmo, já devem estar indo para casa.

Sasuke suspirou, era agora, ele precisava saber, precisava tentar.

-Rei Dragão...Minha mãe e meu irmão e também meu primo viviam aqui, eram escravos do Imperador Usurpador.

Naruto suspirou, ele queria manter esse trunfo como seu último recurso, mas precisava pisar em ovos, talvez não fosse preciso chegar a tanto e ele pedia aos deuses que não fosse preciso.

-Não estou ainda com todos os relatórios em mãos, amanhã receberei melhores detalhes sobre como tudo aconteceu aqui, no entanto isso pode levar mais tempo do que imagina, havia muita gente no palácio na hora da ocupação.

-Nos próximos dias eu ficarei muito ocupado, tenho que me inteirar de tudo neste novo reino e preciso de tempo para isso, provavelmente não virei visita-lo por um longo tempo, os mesmo servos que cuidavam de você na casa azul vieram conosco, eles estarão aqui do amanhecer ao anoitecer e nada lhe faltará, marcarei a data de nosso casamento para daqui dois meses, tempo suficiente para deixar todo reino em ordem, nosso casamento unirá essa nação, o grande Rei Dragão e o valente General Sasuke, o segundo príncipe do reino das Terras Nevadas.

-Não pretendo me casar, eu não sou uma donzela ou uma princesa. Respondeu Sasuke.

Naruto sorriu e tocou a face bela e corada lhe dando um beijo em cada bochecha.

-Acostume-se com a ideia e espero que se prepare adequadamente, Haruno virá todos os dias para lhe dar aulas de como se portar em nosso casamento, infelizmente há muito que aprender, muitos pequenos detalhes que não podem ser negligenciados na cerimônia para que seja considerada válida e como isso nunca aconteceu antes é melhor que seja perfeito.

O rei saiu e Sasuke se deixou cair pesadamente na neve branca que cobria o chão, ele não podia acreditar, não que não sentisse nada pelo rei, ele sentia e isso era pior ainda, mas podia ser mesmo verdade? Ele o amava ou o usava para conseguir unir os reinos facilmente, e se fosse assim o que aconteceria com ele depois?

Quando conseguiu voltar para dentro notou pela fresta debaixo da porta os pés dos guardas a andar de um lado a outro, ele nunca conseguiria fugir dali, era impossível, e como seria possível se submeter a tal situação?

Mas os dias passaram mesmo assim, e neste tempo Haruno vinha todas as manhãs e o treinava para entrar na sala oval, como caminhar, como vestir as camadas de roupas, o que significava cada uma delas, como olhar graciosamente para a frente, como dizer os votos e como segurar a mão de seu marido corretamente, e tudo isso para ele era ultrajante.

-Senhorita Haruno, por favor, eu não posso, entende? Veja isso? Eu sou um general, eu participei de inúmeras batalhas, eu venci inimigos importantes, como acha que eu posso entrar no salão oval com tal graciosidade e realizar todos esses incontáveis rituais para me tornar a rainha desse país?

-A coragem que possuí o torna ideal para isso, acha mesmo que ser uma rainha é fácil? Concordo que esses rituais são arcaicos e irrelevantes, mas necessários para selar a sua união com o rei.

Sasuke desistiu, ele nunca conseguia discutir com a lógica distorcida da mulher, porém ela era inteligente e o braço direito do rei, ele podia tentar descobrir sobre sua família.

-Eu faço novamente os votos, se me der alguma notícia de minha família, já se passaram dez dias desde de que cheguei, eu ainda não ouvi nada, por favor...

Haruno se sentiu mal por isso, ela não concordava com o trunfo do rei, ela acreditava que se ele fosse honesto seria mais vantajoso, mas uma coisa que o rei tinha em grande quantidade era uma teimosia enorme.

Hinata estava na sala com eles, prestando atenção em tudo e achou que devia controlar a língua da sua mestra antes que o plano do rei viesse a baixo e ela pretendia usar esse plano para criar o seu próprio contra Sasuke.

A feiticeira de cabelos rosa já ia contar quando levou um forte empurrão de sua serva, que derrubou um líquido amarelo ouro em suas vestes azuis.

-Oh senhora! Perdoe-me, como sou desastrada!!

Haruno percebeu o que era aquilo e fechou a boca, ela podia ser a serva favorita do rei, mas ele não a perdoaria facilmente se fizesse isso, então terminou o treino do casamento e se retirou.

-Hinata, por favor termine por hoje, nosso rei quer que treinemos a futura rainha, conhece todos os votos?

A serva trincou os dentes, ela conhecia todos os votos, todas as concunbinas conheciam, elas aprendiam isso caso o rei as escolhesse para serem sua rainha, mas nunca pensou em sua vida que treinaria um general vencido e que agora era somente um prisioneiro para tomar esse lugar sagrado, era ultrajante e vergonhoso, ela queria muito aguardar o momento certo de agir, mas em sua raiva pelo nobre general ela mudou seus planos, ali mesmo ela preparou sua armadilha com mentiras e intrigas.

Esperou Haruno sair e se sentou na frente de Sasuke fingindo arrumar o tapete do chão.

-O rei já expressou o desejo de torna-lo sua rainha, o povo está rindo nas ruas e se divertindo com sua situação e eu achei que deveria contar isso ao nobre general.

Sasuke se sentiu gelar por dentro, seus medos estavam acontecendo.

-Também ouvi dizer que sua família foi dizimada pelas tropas de invasão porque eles não sabiam que eram os parentes da prostituta do rei...e que foram jogados numa vala comum para serem consumidos pelos animais selvagens...

O copo que Sasuke segurava caiu aos seus pés, ele se sentou tremendo, então era verdade, por isso o rei havia sumido, ele não sabia como contar a verdade, as tropas de ocupação mataram seus familiares...

Hinata se colocou a sua frente e lhe entregou uma adaga fina, revestida em jade verde e a apertou em seus dedos os fechando, depois sussurrou para ele...

-Tire sua vida e poupe-se de uma humilhação pública, ser a rainha será pior do que rastejar aos pés do rei na entrada da cidade tomada, manchará de vergonha o nome de seus familiares mortos como heróis nesse mesmo castelo, este punhal foi um presente de um amigo, não tem como o ligarem a mim, pode usa-lo e que os deuses o favoreçam para encontrar seus amados familiares no outro reino.

Ela saiu e sumiu por um corredor comprido, ao sair disse aos guardas que o prisioneiro estaria descansando e que não deveria receber a refeição do meio dia.

Por uma razão desconhecida no entanto Haruno se lembrou de que seu amuleto de safira havia sido deixado na mesinha de centro quando ela instruía ao jovem mestre, não havia nem mesmo chegado aos seus aposentos quando se lembrou do fato e retornou, no caminho encontrou o rei que vinha satisfeito rumo ao quarto de Sasuke.

-Meu rei, como andam as reformas no reino?

-Ahh estão horríveis, nunca pensei que um único governante fosse criar tamanha bagunça, os cofres públicos estão as moscas, não me admira que ele tenha deixado seus soldados morrendo de fome no campo de batalha, a julgar pelo que vi este inverno todos passariam fome, por isso enviei emissários ao nosso reino, precisamos de dinheiro urgente.

O rei olhou a roupa de Haruno e não perguntou nada, mas queria saber sobre Sasuke, ele o deixou porque realmente as coisas estavam complexas, mas sentia tanta a sua falta que era necessário ver ele logo.

-Como ele tem aceitado a ideia de nosso casamento?

-Ele não tem aceitado nada, acha mesmo que isso funcionará? Deveria mostrar a ele a cidade e se ele puder ver com os próprios olhos como as pessoas o adoram e como adoram a ideia de ter ele como sua rainha isso mude.

-A cidade ainda está um caos, preciso de mais tempo...

Ele chegou e os guardas o reverenciaram, abrindo as portas e o que o rei viu gelou seu sangue.

Sasuke estava ajoelhado com uma adaga fina na mão, de olhos fechados pronto a cortar o próprio pescoço...Mas o rei era rápido como uma flecha, treinado pelos monges das terras de cristal, ele alcançou a adaga no último segundo e uma pequena porção de pele se cortou, o sangue desceu fluído e vivo manchando a roupa branca.

-O que pensa que está fazendo? Isso tudo? Isso...Você esperou a oportunidade para me trair? Mesmo depois que eu poupei seus homens, que eu poupei sua cidade??

Haruno conjurou um feitiço e o general sentiu cordas que ele não via se enroscarem em seus pulsos e foi deitado suavemente na cama, a mulher com uma agilidade incrível substituiu as falsas amarras por verdadeiras e o amordaçou para conte-lo de dizer algo negativo ao seu rei que estava furioso.

Naruto se adiantou e o olhou com ódio em seus olhos azuis, quebrou a adaga com suas próprias mãos e suspirou cansado.

-Eu te mostrei meu lado mais amável, eu te mostrei meu coração generoso, mas eu sou o Rei Dragão e sei ser tão desprezível quanto meu pai foi, se não me aceitar pelo amor que te devoto me aceitará pela crueldade da qual sou capaz. Espero que se arrependa amargamente por isso, pois eu mostrarei a você do que um rei é capaz.

O rei saiu furioso e ordenou que o prisioneiro não recebesse comida e água até segunda ordem, Haruno ficou observando a adaga partida em dois no chão, ela a pegou e rodou nos dedos finos, sabia que nenhum objeto cortante podia entrar nos aposentos de Sasuke, mas como isso chegou até ele?

Ela olhou para o jovem com pesar em seus olhos azuis, pois sabia que ele agora iria sofrer por isso e sentia pena dele, tanto quanto de seu rei.

-Sinto muito por isso general, mas não devia ter irritado meu rei, sei que tem suas razões para duvidar dele, mas seu povo já o ama, porque o rejeita tanto? Se pudesse parar de ver as superficialidades e pudesse ver como essa união seria boa a ambos talvez pudesse abrir seu coração para o amor de um rei.

Sasuke sentia medo em seu coração, não por ele, mas por seu povo, seria possível que o Rei Dragão pudesse ir buscar seus soldados e machuca-los por sua causa? Ou mesmo seu povo inocente?

O dia passou lentamente, a noite chegou e somente na manhã seguinte Haruno voltou, ela veio sem falar nada, o libertou e o levou para um banho, depois refez seu curativo no pescoço, não usou magia e sim ataduras, depois dois guardas entraram e lhe colocaram correntes nos pulsos e nos tornozelos, elas o impediam de caminhar a passos largos e mesmo assim ele andou até o local onde lhe era designado ir.

Um pátio interno onde o rei estava sentado num trono pequeno, ao seu lado cinco dos seus ministros e seu filho, Hinata e Haruno, guardas armados cercavam o local aberto e a sua frente havia um torturador, o mesmo que torturou Sasuke nas masmorras de Guinzen.

Boruto estava assustado e Sasuke se ressentiu disso, ele queria poder pedir desculpas ao menino, ele certamente não devia assistir isso, mas ele estava amordaçado e preso, isso seria impossível.

Dois guardas prenderam as correntes dos seus pés ao chão em argolas grossas, sendo assim a mobilidade de Sasuke era de um passo a frente somente.

O rei se adiantou se levantando, ele usava sua armadura de guerra e ficava imponente nela.

-General Sasuke Uchiha do reino Nevado, príncipe do reino...vencido em batalha e feito prisioneiro em minhas terras, você foi condenado por tentar tirar sua própria vida, isso caso não saiba é um crime, já que sua vida me pertence, somente eu posso tira-la.

Boruto se adiantou, mas foi parado pelo olhar severo do próprio pai.

-O crime por ter cometido tal ato deveria ser a tortura, deveria ser açoitado vinte vezes, mas para quem sobreviveu a três dias sem gemer de dor uma única vez isso seria muito pouco, por isso eu resolvi trazer aqueles que podem realmente sentir dor em seu lugar.

Sasuke tremeu, realmente o rei capturou seus soldados?

No entanto quem ele trouxe deixou o jovem general absolutamente sem cor, a sua frente foi colocado seu primo Shisui, amordaçado e amarrado pelas mãos, um guarda a segura-lo para que ele não caísse.

O general lutou contra as correntes desesperado, olhos apavorados a implorar na direção do rei, mas ele estava impassível e mandou trazer a mãe de Sasuke, a senhora Mikoto e ainda seu irmão Itachi, que ainda estava com a coleira no pescoço.

Com um olhar para seu filho assustado e para Hinata que tremia e Haruno que se mantinha ereta ele ordenou que fossem embora.

-Levem meu filho e o tranquem nas torres até que eu termine aqui, somente quando eu ordenar ele deve ser solto.

-Não!! Gritou Boruto apavorado.

-Pai!! Não pode machucar essas pessoas, o senhor não é como meu avô, não é um monstro perverso e mal, eu sei que não! Por favor de mais uma chance a minha mãe rainha, por favor!!

O rei ordenou novamente.

-Levem ele e não o deixem escapar.

Hinata correu a sair e Haruno se foi com eles, somente permanecendo ali os guardas e o rei junto aos escravos e a Sasuke.

O rei mandou que a mordaça de Sasuke fosse retirada, mas ele estava a um dia e uma noite com ela, sua voz estava presa, talvez pelo medo ou pela falta de uso, ele também estava muito fraco, com fome e sede, seu corpo pesava e suas lágrimas caiam sem parar.

O rei caminhou até o torturador e perguntou a ele francamente.

-O que pode causar mais dor? O chicote ou a espada?

O homem olhou os prisioneiros e declarou com certo humor na voz arranhada e rouca.

-Meu senhor, aquele jovenzinho fraco com uma deficiência pode ser chicoteado, isso será para ele dolorido e além de suas forças, já o outro é forte, deveria usar a espada ou quebrar os ossos dele, um a um...Já a mulher...Essa seria útil usar a adaga que carrega em seu cinto, pode corta-la como se corta uma ave para o jantar, bem lentamente...

Sasuke gritou, ele consegui soltar sua voz apavorada, seu grito ecoou no ar, atingindo mesmo o pequeno Boruto que era arrastado para fora e Hinata que ao ouvir isso se ajoelhou no chão tapando os ouvidos, seu sangue gelou ao imaginar que talvez o nobre general contasse ao rei sobre ela, seria seu fim.

O rei andou até Shisui e o arrancou dos braços do guarda, o jogando no chão e andando em volta dele, o pequeno tremia inteiro, suas lágrimas pingavam no chão e mesmo amordaçado se ouvia seu choro alto.

-Vou começar com ele...me dê o chicote. Disse ao torturador.

-Não!! Gritou Sasuke apavorado, tentando se soltar a todo custo, as correntes cortando seus pulso e seus tornozelos tamanho o esforço que ele fazia para tentar se soltar, o ferimento em seu pescoço embora pequeno manchava as ataduras tamanha a sua força para se libertar.

O rei o olhou frio como gelo.

-Devia ter pensado neles antes, como deduziu que estavam mortos eu pude mante-los em meu poder, não estão feridos como pode ver, eles seriam seu presente de casamento, mas agora...eu vou tortura-los e mata-los na sua frente para mostrar que eu sou o único que deve temer e obedecer.

-Não!! Eu imploro, por favor, por favor...Gritou tentando se soltar, dando um passo a frente e sendo arrastado para traz pela força das correntes.

O rei soltou Shisui e o deixou nas mãos do torturador que começou a rasgar as vestes do menino nas costas.

Ele então se aproximou de Itachi analisando as feições parecidas com as de Sasuke, tão belo e tão forte, mais alto e mais másculo, músculos fortes e marcados na roupa leve e pobre e tocou a coleira e sentiu o metal frio mágico na ponta dos dedos.

-Seu irmão serviu na cama do Imperador Usurpador e nem por isso é menos homem, ele fez isso para proteger a mãe e manter o irmão caçula longe deles, é um herói, mas...Vou mata-lo lentamente...O rei ergueu a espada e preparou o golpe na perna de Itachi, o grito de Sasuke e o som das correntes foi intenso.

-Não, eu imploro, eu imploro por eles, eu faço tudo que quiser, qualquer coisa, só não machuca eles, eu...faço o que quiser, me ajoelho em sua frente, o que quiser...

O rei deu um soco em Itachi e ele caiu no solo aturdido mas não ferido, e rápido como sempre ele pegou a mulher nos braços, sua adaga rodou no dedos e atingiu a pele frágil do pescoço exposto, ela arfou e fechou os olhos, lágrimas desciam sem parar.

Sasuke perdia as forças uma a uma, seus olhos ardiam, sua garganta ardia, ele não conseguia mais gritar, num último instante de desespero ele conseguiu implorar uma última vez...

-Solte-os, poupe a vida deles e eu serei...Eu serei sua rainha, te obedecerei a minha vida toda...Eu imploro que os solte, eu serei sua rainha, eu serei sua rainha...

Naruto soltou a mulher suavemente e ela caiu de joelhos no chão, mas ele ouviu o som das correntes e se virou para ver o jovem general que desmoronou sem consciência no chão de terra vermelha, rapidamente ele soltou a adaga e correu até ele, o pegando nos braços, viu o sangue nos pulsos e nos tornozelos e gritou por Haruno, que veio rapidamente junto com Boruto que ainda chorava, ele se jogou sobre o corpo caído do general e chorou alto.

-Minha mãe rainha...Como pode feri-lo assim? Jurou que nunca o machucaria, jurou a ele!! Eu te odeio!

-Filho, calma, ele está bem...Não é mesmo Haruno? Ele está bem, certo?

Haruno se ajoelhou e olhou os pulsos e tornozelos analisando friamente os cortes, depois puxou as ataduras do pescoço.

-Ele usou tanta força que o metal cortou a carne...E o ferimento do pescoço se abriu.

-Ele vai viver, está fraco e terei que dar pontos no pescoço, mas irá se recuperar em alguns dias.

-Monstro!! Gritou Boruto o olhando com olhos vermelhos de tanto chorar.

-Haruno, porque meu filho está aqui? Eu mandei leva-lo para longe até que eu pudesse ir até ele e explicar tudo.

A mulher deu de ombros.

-Ele é vosso filho, tão obstinado quanto o pai.

Nesse meio tempo os guardas soltaram as amarras de Mikoto, Itachi e Shisui e eles vieram se colocar ao lado de Sasuke chorando.

-Meu pobre filhinho...Meu Sasu...

Itachi apenas o abraçou e chorou sentido com Shisui ao lado, tremendo e soluçando ainda.

O rei passou as mãos na cabeça nervoso e chamou seu torturador.

-Eu mandei contar meu plano a eles, porque estão tão apavorados assim? Eu não iria machuca-los de verdade, era apenas uma encenação! Francamente!!

Com grande dificuldade Haruno conseguiu soltar a mulher e o jovem moreno do corpo mole do general, e foi preciso mais força ainda para soltar Boruto que esperneava e gritava.

-Solte-me, solte-me!! Odeio, odeio todos!! Gritava o menino.

-Meu rei eu contei a eles, mas como me instruiu eu os amordacei para que não revelassem o plano, acho que o senhor os assustou de verdade, até eu achei que era verdade! Quando deu um soco no jovem eu achei que iria mata-lo.

O rei suspirou cansado, ele realmente pode ter se superado um pouco, não pretendia dar um soco no irmão de Sasuke, no calor do momento se perdeu.

-Levem ele para casa, cuidem dele, cuidem de minha rainha.

Naruto se sentia infeliz por usar esse estratagema, mas era o único com garantias de que o seu amado nunca o abandonaria, nunca tentaria novamente se matar, mas ele contou o plano aquelas pessoas, porque choravam tanto?

Ele levantou a mulher em prantos e olhou em seus olhos negros, tão parecidos com os de Sasuke.

-Ele está fraco, eu o deixei sem comida por um tempo, assim ele seria mais facilmente enganado, mas não o feri...Sei que os pulsos se cortaram, não imaginei que ainda tinha tanta força, mas ele será tratado e ficará curado, por favor eu mandei informar que era uma encenação, não sou um monstro, eu o amo mais que tudo nessa vida e não posso perde-lo...nenhum de vocês será ferido, eu mandarei que minha serva cuide de todos, traga remédios para o menino...Ele parece em choque, não deveria ser assim, eu mandei avisa-los.

-O nome do menino é Shisui, ele viu os pais serem mortos em sua frente, sua perna foi quebrada nesse dia, eu implorei por sua vida e desde de então ele está comigo, é apenas um ano mais novo que meu filho, o mesmo filho que eu vi sofrendo aqui, meu menino querido que se sacrificou terrivelmente por nós...Lutando desde de pequeno, dando tudo de si para um imperador cruel e maldoso...Um usurpador que o usava para seus fins malignos fazendo de meu menino seu maior guerreiro, sua arma, sua espada.

Naruto a olhou perplexo, ele não sabia dos detalhes é claro, mas isso era bem pior do que ele pensava.

-Este aqui é meu filho Itachi, ele usa essa coisa no pescoço a anos, ela o machuca sempre que os nobres desejam, o imperador Usurpador realmente se aproveitou dele desde de muito cedo, ele realmente é um herói para mim e para Shisui...É mais nobre do que muitos reis do passado e sua história de dor e abnegação não merece ser contada levianamente, e por fim eu sou a mãe deles, eu fui a Imperatriz desse reino e nunca em minha vida eu mandei ferir alguém desse modo, embora meu poder fosse igual ao do meu marido, o Imperador Fugaku cuja cabeça foi cortada na frente de Sasuke e cuja espada ensanguentada lhe foi dada de presente, a mesma espada que ele usou em campo de batalha.

-Por isso eu o odeio de todo meu coração, eu o odeio por ferir meu filho, por maltrata-lo e faze-lo sofrer e se isso que eu disse causar minha morte eu a aceito sem medo.

Itachi que ainda abraçava Shisui se colocou em pé, era tão alto quanto o rei e seu olhar era assustador.

-Mate-me também, eu não posso mais ver nossa família sofrer tanto...

O rei se sentiu miserável por isso, mas apenas ordenou que eles fossem levados e tratados com todo cuidado possível, que deviam ter tudo que fosse necessário para uma vida digna e de luxo, em uma habitação próxima do castelo e bem vigiada, ordenou que assim que Haruno tivesse terminado com Sasuke ela deveria ir ver Shisui que ele achou o mais fraco de todos.

Depois viu seu filho sem lágrimas o olhando e percebeu que ele ouviu cada palavra do que foi dito ali.

-Meu filho, entenda seu pai...

-Eu entendo que toda mentira um dia é descoberta, por isso sei que um dia Sasuke descobrirá isso, mesmo que nunca permita que ele veja seus familiares de novo.

-Eu não sou tão mal assim, nunca o privaria de sua família, mas por um tempo precisarei mante-lo longe deles, eu tenho que faze-los confiar em mim primeiro e depois poderão se ver, o segredo tem que ser mantido.

Boruto riu e foi sarcástico com o pai.

-Porque ganhar a confiança deles? Ameace suas vidas, use a mãe para que os filhos o obedeçam, use Shisui contra Itachi, use o medo como arma e domine sem ter que ser gentil, seja o monstro, isso bastou hoje, e eu agradeço a lição meu pai...

Boruto se retirou e o rei se xingou mentalmente, se dirigindo ao quarto de Sasuke, ele o achou ainda desacordado, mas já enfaixado nos pulsos, tornozelos e pescoço, usando uma túnica limpa.

-Como ele está? Não usou magia para cura-lo?

-Toda magia tem um limite, o corpo dele ainda se recupera da última vez, minha magia não pode ser usada novamente.

-Mas respondendo sua pergunta ele está ferido no corpo e na alma. Disse Haruno séria.

-Haruno...Eu não devia ter feito isso ainda, ele estava ferido e não havia ainda cicatrizado o corte no pescoço, mas eu queria mante-lo comigo...

-Sou apenas uma serva, o que sei de dominação e caos?

Naruto passou os dedos nos cabelos cansado, ele nunca pensou que isso seria tão difícil...

Sasuke se mexeu e seus olhos se abriram lentamente, ele não notou quando o olhar triste e cansado do rei se tornou duro repentinamente num último esforço para manter a farsa.

-Veio para me ver implorar mais um pouco?

-Vim para dizer que seus familiares estão seguros e continuarão seguros se me obedecer.

-Você...Vossa majestade os machucou muito? Perguntou Sasuke derrubando lágrimas grossas na cama.

-Eu não toquei neles, ninguém tocou, você se rendeu a mim finalmente, eles estão bem, dou a minha palavra, como você me deu a sua, agora se prepare para ser minha rainha, entendeu?

Sasuke fechou os olhos enquanto dizia...

-Sim Rei Dragão, seja feita a sua vontade suprema.

E assim Naruto sentiu a adaga dura do destino em seu coração, perfurando sua carne com desgosto, dor e humilhação, ele obrigou Sasuke a ser seu, obrigou o jovem a nunca mais atentar contra a própria vida, mas a que preço?

Haruno vinha todos os dias, ela trazia comida e água, ajudava Sasuke a se preparar para o casamento, mas estava cada dia mais preocupada, o jovem era apenas um autônomo agora, ele apenas obedecia, comia e dormia e recitava os votos longos e cansativos sem errar uma única entonação, com sua voz macia e lenta, exatamente como devia ser ou até ainda melhor, mas sem vida, sem cor, sem emoção.

Boruto estava proibido de ver Sasuke até o casamento e até mesmo Hinata era impedida de ir até ele, ela se sentia desesperadamente infeliz, havia se arrependido pela dor que causou ao rei, ao menino Boruto e até mesmo ao prisioneiro Sasuke, ela nunca pensou que o seu rei amado poderia de fato ter feito tal coisa, mesmo sabendo agora que foi tudo uma encenação e que ele não pretendia machucar os prisioneiros ela se sentia responsável, culpada e apreensiva, pois havia plantado a semente da discórdia no meio do reino e sabia que um dia iria florescer e ela seria de fato condenada, pois assim como Boruto ela sabia que nenhuma mentira se esconde da luz por muito tempo.

Para acalmar seu coração a concunbina descobriu a casa onde os familiares de Sasuke estavam e conseguiu comprar com alguns pequenos presentinhos o acesso ao lugar, foi visita-los numa tarde fria e levou uma cesta de frutas secas e pães saborosos, além de alguns queijos e compotas de doces.

A porta foi aberta e ela entrou, havia um aroma gostoso de incenso no ar, uma calma residual que a deixou de fato mais serena, ela andou lentamente e então avistou Shisui sentado numa poltrona, ele parecia que estava lendo um livro a pouco, parecia mais corado do que quando ela o viu a primeira vez.

-Boa tarde, eu sou a serva Hinata...Vim trazer um pequeno presente.

-Você é a mulher que estava conosco naquele dia não é? A concunbina real. Disse uma voz macia e cheia de força e a mulher pode ver então que era a mãe de Sasuke.

Hinata se curvou a mulher, a autoridade dela emanava dos poros, era acima de tudo uma Imperatriz, mesmo que o título não lhe pertencesse mais.

-Me chame de Mikoto e parece que eu deveria me curvar, visto que sou eu a escrava aqui, assim como eles...Ela disse e apontou para Shisui e Itachi que estava agora parados ali, olhando para ela.

-Não! Não são escravos, claro que não...Meu rei...Meu rei ordenou que fossem tratados com todo respeito, são convidados reais, são a família do general Sasuke.

Itachi vendo que não havia necessidade de se preocupar com ela se sentou ao lado de Shisui e voltou a ler com ele, ambos juntos, cobertos por uma manta quente.

Hinata entregou a cesta para a imperatriz ( ele nunca poderia acha-la menos que isso) e ficou sem graça, sem saber o que dizer.

-Toma um chá comigo senhorita Hinata?

-Sim, por favor...

A mulher sorriu e caminhou lentamente até uma mesa, onde água quente já aguardava para ser feito o chá, com paciência calculada ela preparou o chá e entregou a concunbina e então a convidou a se sentar em outra sala, longe de Itachi e Shisui.

-Como está meu filho?

-Ohhh, eu não deveria dizer nada, nem mesmo pude ver ele ainda,mas...Sei que ele está bem, está recuperado dos ferimentos e se preparando para os votos, pelo que sei das servas que levam comida e que espiam pela porta ele recita todos perfeitamente, mas...

A antiga imperatriz sorveu o chá de olhos marejados, ela sabia que existia um motivo para a concunbina vir a ela, sentia isso.

-Você se sente muito culpada, sei que deve estar com um grande peso nos ombros, não se preocupe, o seu rei deixou bem claro que devemos nos manter em silêncio, ele prometeu que após o casamento deixará que Sasuke venha nos visitar, mas devemos manter a farsa, para sempre.

Hinata suspirou.

-Ele ameaçou vocês?

Mikoto sorriu.

-Não, seu rei não precisa fazer isso, conhecemos a situação, nada mudou desde de que o nosso reino foi tomado, assim como o Usurpador seu rei nos mantém cativos pelo amor que devotamos um ao outro, nós tememos por Sasuke e ele por nós, nunca seremos livres de fato.

Hinata estava chocada, ela nunca pensou nisso, de repente se sentia cada vez pior, ela se ajoelhou na frente da mulher e implorou seu perdão.

-Tudo isso é culpa minha Imperatriz, por ciúmes eu causei essa dor, eu sou a única culpada, mas sou fraca para confidenciar isso ao meu rei, peço o seu perdão, por favor...Me perdoe.

A Imperatriz lhe sorriu fracamente e deixou sua xícara na mesa.

-Perdoa-la não mudará o fato de que somos todos escravos nessa vida, eu, meu filho e Shisui somos escravos de seu rei, meu filho Sasuke é escravo de seu amor por nós, você é escrava de sua culpa e seu amado rei é escravo do amor que sente por meu pequeno Sasuke, meu valente e corajoso general...Percebe agora?

-Como podemos ser livres vossa majestade? Hinata perguntou chorando.

-Quando todas as mentiras foram expostas...A verdade pode ser tão dolorosa quanto a mentira, mas ela não corrompe a alma.

Hinata permaneceu ali por muito tempo, a sabedoria da mulher era de fato extraordinária e ela acabou voltando dia após dia, conhecendo a força de Itachi e sua incrível maneira de ver a vida, mesmo tendo sofrendo tanto ele ainda sentia alegria nas coisas pequenas da vida, e havia Shisui...doce como a primavera, ele era além de inteligente e incrível muito adorável.

Em menos de uma semana a jovem acreditou que Shisui seria uma ótimo professor para Boruto, ensinando a ele artes, letras e línguas estrangeiras, assim como a Imperatriz( ela realmente não conseguia chama-la por outro nome) seria maravilhosa como tutora, auxiliando ele em diplomacia e boas maneiras, e havia o príncipe Itachi, ele era um incrível espadachim, mesmo tendo vivido como escravo, mesmo assim treinou muito para divertir os nobres e isso o tornou rápido e forte, ele poderia ser o mestre em lutas do pequeno príncipe herdeiro.

Ela acalentou a ideia de que isso ajudaria seu coração a se sentir menos dolorido, mas havia outro problema a ser resolvido, e ele se chamava Sasuke.

-Senhorita Haruno, ele está bem?

-Fisicamente? Sim...

-Senhorita Haruno...Por favor me deixe ver ele, eu posso ajudar.

-Porque me chama de senhorita agora? O que foi que ouve menina? Sabe que não posso contrariar as ordens de meu rei.

-Haruno, eu...Sei que o general está infeliz, por favor...me deixe ajuda-lo, eu estive com a família dele, eles estão muito bem, o remédio está curando a doença de Shisui e ele está mais saudável, todos estão bem, estão perto daqui.

Haruno olhou para a concunbina e a chamou, andaram até o quarto da feiticeira e ela tirou de dentro de uma caixa a adaga quebrada entregando a mulher.

-Sua adaga, eu a devolvo.

Hinata se ajoelhou e implorou.

-Não conte ao rei, eu...Eu me arrependi, juro!

-Então me faça um favor, entre os soldados do general havia um homem, eu sei que ele está vivo, revisei as memórias do general antes de chegarmos aqui com magia negra, fiz um interrogatório e descobri que ele teve uma amigo muito próximo, o nome dele é Obito, esteve nas masmorras e seguiu conosco até aqui, infelizmente ele não conseguiu falar com o general, busque ele e o traga aqui, eu o levarei ao general, uma amizade antiga pode trazer nova esperança ao nosso amigo.

Hinata se levantou e então perguntou a mulher.

-Realmente nosso rei ama o general?

-Sim, ele o ama mais que a si mesmo, e machuca-lo é ferir a si mesmo, mas ele ainda não sabe disso...Não sabe o quão fundo a ferida está, nem como cura-la, precisamos ajudar.

Assim ela fez e Haruno pode descansar.

Após quinze dias do ocorrido finalmente Naruto conseguiu se sentir forte o suficiente para ver Sasuke de novo, a saudade o machucava mais do que os olhares de seu filho, sempre o queimando a pele.

Ele veio a tarde, entrou e procurou por seu amado lendo um livro ou tomando uma taça de vinho doce parado na entrada do jardim, mas o encontrou deitado na cama, olhando as cortinas de brocado, ele estava muito belo como sempre, porém mais magro, mesmo que segundo Haruno estivesse se alimentado bem.

-Sasu...Meu Sasu...

O pequeno virou o rosto em sua direção e o olhou demoradamente, depois voltou a olhar para cima, em silêncio.

-Meu Sasu...Senti saudades de você.

Naruto sentou-se na cama e pegou a mão fina, os calos das lutas haviam sumido, a mão era macia e branca, quente e bonita.

Ele beijou os dedos como fez há muito tempo, sentiu a pele macia nos lábios e como antes não sentiu nenhuma rejeição, mas também nenhuma reação, isso realmente o preocupou.

-Meu Sasu...Meu amor...Por favor, porque está tão magro? A comida não lhe agrada? Os livros não estão bons? Diga-me meu amor, o que eu posso fazer para anima-lo?

-O rei Dragão não precisa se preocupar, eu estou comendo e dormindo, não vou morrer e entrarei no palácio como deseja e serei sua rainha.

Naruto sentiu lágrimas nos olhos, desejou contar tudo a ele, mas se fizesse isso como teria certeza de que ele não atentaria contra sua vida de novo? Preferia ter ele a seu lado, mesmo que ele o odiasse.

-Eu te amo Sasu...Eu te amo...

-Tem uma maneira estranha de amar meu senhor.

Naruto sentiu a dor novamente no peito, porque machucava tanto?

-Me chame de Naruto, me chame de qualquer coisa, mas não seja tão formal.

Sasuke fechou os olhos e ficou em silêncio, Naruto aos poucos percebeu que nada podia fazer, ele então se levantou e já ia saindo quando se lembrou de algo.

-Sua família estará no casamento, eu mandei fazer roupas a eles, serão tratados como membros da realeza, da minha realeza, ninguém ousará ser mesquinho ou mal com eles.

Novamente o silêncio, dessa vez Naruto se voltou e agarrou Sasuke em seus braços, ele o beijou furiosamente, ele acariciou seus cabelos macios e depois o soltou.

-Eu te amo!! Eu te amo!! Disse desesperado e saiu.

Sasuke não fez nada, ele se sentou e ficou pensando, como um homem pode ser tão diferente? Esse Rei Dragão parecia ter duas almas, uma bondosa e gentil, por quem ele se apaixonou, outra maldosa e sanguinária da qual ele tinha repulsa, como iria viver com isso?

Notas finais
Boruto está zangado com o pai, os familiares de Sasuke o odeiam e o próprio Sasuke parece somente um autônomo sem vida, como se concerta isso?? Acham que Naruto consegue?? Sofreram com esse capítulo??

8. Sob a pele que habito.

Notas do Autor
Está imagem do general Sasuke é linda, maravilhosa, não acham? Sobre o capítulo tenho algumas considerações, esta história é mais complexa do que as anteriores, por isso peço que leiam desejando entender os personagens, Sasuke é um ser lindo e doce, mas a seu modo valente, tentando tudo para proteger seu povo e sua família, quanto ao rei Naruto ele é o rei de quatro reinos, nunca antes esteve na posição em que está, apaixonado por alguém ao ponto do desespero, e tem a época em que se passa a história, embora seja um mundo diferente do nosso existem paralelos, como a época da rota da seda na China, onde os reis eram magnânimos, por isso mesmo sua palavra era lei, daí ter raiva dele sem tentar entende-lo seria imprudente, esperem para descobrir mais sobre cada um deles, mal começou. Com isso em mente eu desejo uma boa leitura. Beijos.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 07, Sob a pele que habito.

Mais alguns dias se passaram sem novidades, Haruno agora não forçava mais o general a recitar os votos, ele os sabia perfeitamente e também sabia cada passo que daria dentro do enorme salão onde seria realizado o casamento, agora ela tentava tira-lo dessa apatia profunda, mas nada parecia funcionar e ainda não tinha notícias de Hinata.

Naruto apareceu pela manhã, ele se sentia mais inquieto que o normal, havia visitado a família de Sasuke mais cedo, levou as costureiras reais até eles para que as roupas começassem a ser confeccionadas e além do silêncio não recebeu mais nada deles, também havia encontrado o filho nos corredores e nem mesmo recebeu um sorriso, aliás ele já tinha tentado de tudo com o filho, explicou minuciosamente o plano elaborado que fez para enganar o general, em como ordenou que o torturador contasse tudo aos envolvidos, em como Mikoto, Itachi e Shisui sabiam de tudo, mas mesmo assim ele os amordaçou para não contarem nada a Sasuke, ele até mesmo pediu perdão ao filho, mas nada, o pequeno menino sempre tão sapeca e alegre agora andava feito uma sombra pelo castelo, não obedecia nenhum dos seus tutores e o rei não tinha meios de faze-lo compreender que era de fato tudo pelo bem de Sasuke.

Entrou no amplo quarto e caminhou até Haruno, ele havia trazido outro livro, este uma obra prima primorosa de um escritor de seu povo, contos e poesias, leves e suaves, achou que isso pudesse alegrar o coração ferido do amado.

-Haruno, onde ele está?

-Na cama, em silencio como sempre. Ela disse sem nem mesmo olhar para o seu rei.

-Ótimo, você também me odeia, todos me odeiam agora. Disse Naruto irritado.

Ela não respondeu e continuou mexendo em algumas ervas sobre a mesinha, o loiro caminhou até a cama e se sentou nela, analisando o semblante do amado, sempre belo, sempre silencioso, suspirou cansado.

-Eu trouxe um novo livro, realmente me deu muito trabalho consegui-lo, gostaria que pudesse ler, sei que gosta muito de literatura, ou poderíamos jogar gamão, o que acha?

-Vossa majestade está me dando uma ordem? Perguntou Sasuke com sua voz macia, porém um pouco rouca.

Naruto passou as mãos nos cabelos nervoso.

-Realmente fará isso comigo?

Sasuke se sentou e olhou para o Rei Dragão.

-Obrigado pelo livro majestade.

A mão suave pegou o livro e o deitou ao lado da cama, os olhos negros se fecharam sonolentos.

Naruto se levantou e foi até Haruno.

-Ele não está ajudando...Ninguém está...Eu voltei agora da casa dos familiares dele, mas eles não falam comigo, fazem reverências e abaixam a cabeça, mas eu sinto seu rancor para comigo, antes eu preferia que me falassem, que me odiassem, mas não nesse silencio, não isso...E ainda tem Boruto, ele me odeia, realmente me odeia.

Haruno séria como sempre se sentou e esperou que o rei fizesse o mesmo, ela precisava explicar a ele algumas coisas básicas.

-Meu senhor, a mãe, o irmão e o primo de Sasuke são escravos de vossa majestade?

-Não! Lógico que não!

-O que eles são então? Ela perguntou.

-São meus hóspedes reais, é claro...Eu os coloquei numa das melhores casas, com servos leais, eles tem boa comida, um jardim interno muito bonito, roupas limpas e quentes.

Haruno então começou a expôr seu plano ousado.

-Eles se sentem apenas escravos, deveria lhes dar algo para fazer, algo realmente útil, isso não vai faze-los perdoar o rei por ter ferido Sasuke e o enganado usando eles para isso, mas pode começar a mudar isso lentamente.

Naruto olhou para Sasuke na cama, ele podia ouvi-los?

Haruno como se pudesse ler os seus pensamentos respondeu calmamente.

-Ele está dormindo, anda muito melancólico e isso é perigoso, eu o estou tratando com algumas ervas que podem equilibrar seu eu interior, talvez isso ajude e eu espero que a visita que eu mandei buscar também, mas nada disso será útil se não começar a me ajudar.

O rei pensou e concordou.

-Sim, entendo, mas o que eles podem fazer? Não vou coloca-los em tarefas servis, eles são a família dele, precisam ser tratados com respeito.

Após dizer isso ele mesmo fechou os olhos, o que ele havia feito tinha sido realmente chocante, eles tinham todo direito de odia-lo como odiavam o Usurpador.

-Pensei em deixar que a senhora Mikoto se torne a tutora de Boruto em assuntos ligados a bons modos, em como se comportar na corte e coisas assim, quanto a Shisui ele é muito qualificado como tutor em assuntos diversos, como línguas estrangeiras, matemática e letras, pelo que soube era tutor dos filhos dos nobres antes, sua experiência é vasta e ele está bem melhor depois que começou a ser tratado adequadamente por mim pelo menos com relação a saúde, ainda não pude ver o problema na perna.

Naruto achou isso maravilhoso.

-Mas e quanto a Itachi?

-Ele era o mestre de Sasuke antes do Usurpador chegar, é um mestre espadachim, e também conhece como ninguém a arte do arco e flecha, ele podia ser o mestre em artes de luta para vosso filho.

-Mas isso implicaria em ter ele com armas e com meu filho!

-Isso se chama confiança e acho que o senhor está precisando muito disso no momento, na verdade eu não vejo outra saída.

Naruto concordou.

-Mais alguma coisa que acha que eu deveria fazer?

-Sasuke deve ter mais liberdade, deve visitar o reino, sua família deve ser livre para ir e vir e este quarto não deve ser uma prisão, Boruto deve poder vir aqui, e os antigos amigos de Sasuke também, somente assim pode reconquistar um pouco do respeito e admiração que perdeu. Ou acha mesmo que depois de casados essa situação mudará sozinha? Se tornará insustentável, não é apenas a espada que pode matar, se o general continuar como está ele não viverá muito, mesmo que ele nunca mais atente contra a própria vida se seu coração e alma não desejarem mais viver neste mundo não há nada que vossa majestade ou mesmo eu possa fazer, ele como um ser humano vai sucumbir a dor e sofrimento que sua alma sensível está sentindo.

O rei entendeu perfeitamente, ele saiu e começou a providenciar tudo.

Logo mais a tarde Hinata voltou e trouxe Obito com ela.

-Senhorita Haruno eu trouxe o rapaz que me pediu para buscar, ele está do lado de fora aguardando suas ordens.

-Vamos sair, ele deve entrar, o general e seu soldado devem conversar sozinhos.

-Mas Senhorita! As ordens do rei!

-O rei enxergou a razão, podemos ter alguma esperança finalmente.

Obito entrou e caminhou até Sasuke, seu amor por esse general ainda era grande, mas o respeito por ele era ainda maior.

-Meu general?

Sasuke acordou e se sentou na cama, meio perdido por ter dormido tanto.

-Obito? Realmente é você? Pensei que estivesse morto...

O soldado estendeu a mão para ajudar seu general a se levantar e manteve seu contato com ele até puxa-lo para um abraço fraternal, podia ver que o seu general estava fraco e tinha perdido algum peso, isso era desagradável aos seus olhos, ele não desejava ver o homem tão querido a todos sofrendo.

-Eu fui treinado pelo melhor, consegui sobreviver, soube que o senhor visitou o campo de prisioneiros mais de uma vez, porém erámos muitos e eu nunca o vi, após chegarmos a cidade fomos libertados e recebemos roupas e algum dinheiro, suficiente para retornarmos para nossas casas, eu como os outros parti imediatamente, grato pela minha vida e minha liberdade.

Sasuke sorriu, eles caminharam ao jardim interno, estava muito frio, mas um sol suave aquecia um pouco o mundo branco ao redor deles, se sentaram sob o sol perto de uma cerejeira com seus galhos secos.

-Ouvi dizer que meu general se casará com o Rei Dragão, vim lhe dar meus sinceros parabéns, estou muito feliz com vossa felicidade.

Sasuke corou e abaixou a cabeça, o amigo de longa data entendeu.

-Percebi que pelo que ouvi nas ruas que o rei está muito apaixonado, ele mandou retornar todas as cores do reino, restaurando tal como era no reinado do vosso pai, ele está preparando um casamento digno de deuses, isso me diz muito, mas...vejo que isso não é mútuo.

-No começo eu...Confiava nele, apesar de ele ser meu inimigo era também meu único amigo, sei que é complexo, mas era assim, porém eu estava tão desesperado quando retornei ao meu lar, achei que minha família tivesse sido morta, me desesperei muito e acabei tentando tirar minha vida, o rei me impediu e me manteve cativo e amarrado por um dia e uma noite, após me levou a um local e lá ele me mostrou que poderia usar minha família contra mim, ele ameaçou mata-los, feri-los cruelmente, até me ouvir implorar por eles, até eu concordar em me casar e nunca mais tentar nada contra minha vida e aqui estou, um homem, um general capturado que se tornará a rainha do Rei Dragão, não posso imaginar como o povo deve estar me achando ridículo por isso.

Obito ouviu atentamente.

-General, realmente ele foi cruel, admito que não imaginava tal ato do homem que trouxe sãos e salvos quinhentos homens aprisionados e os libertou por amor a você, mas posso entender as razões dele, estava desesperado, com medo de perde-lo.

Sasuke olhou o amigo com atenção, de fato sempre buscou seus conselhos em campo de batalha, ali parecia ser uma boa hora para ouvir de novo.

-Não posso perdoa-lo por isso.

-Não estou dizendo que deve fazer isso, mas...Nada do que faça mudará o fato de que se tornará a rainha, não é? Então porque não tenta aproveitar a situação da melhor maneira possível?

-Como posso fazer isso? Ele ameaçou minha família!

-Mas eles estão bem agora, todos estão, eu acabei de vir da casa deles, não estão sendo tratados como prisioneiros ou servos, mas como cidadãos dessa nobre cidade, eu sei porque eu mesmo vi, não quer dizer que estão felizes ou que esqueceram o que aconteceu a eles e ao senhor, mas estão tentando, eles seguem em frente por você, tentando a cada dia viver dignamente, deveria fazer o mesmo por eles.

-Sobre o povo...Bem, eles estão muito melhores agora, a cidade tem vida novamente, o comercio aumentou e o povo espera o casamento ansioso, a festa será dada a todos, comida e bebida a todos, danças e teatros, a cidade vibra com isso, todos estão felizes com a união dos reinos, o amado General e o Rei Dragão.

Sasuke olhou o homem atento.

-O povo não ri de mim? Eles não me acham uma piada? Afinal eu era um general amado que os defendeu muito, mas agora eu me casarei com o inimigo, aquele que tomou o trono.

Obito deu de ombros.

-Tomou o trono de um ditador corrupto que já havia roubado esse trono dos verdadeiros nobres, e agora esse conquistador que derrotou o Usurpador quer dar novamente o trono a um dos nobres verdadeiros, o príncipe e general Sasuke, isso é motivo de grande admiração por todos. O povo adora o Rei e ama o General.

-Isso é uma surpresa...Realmente, mas...Eu ainda não sei como devo viver assim, ele as vezes é bom e generoso e as vezes cruel, nunca sei o que esperar dele, e me preocupo com...O fato de sermos...

Obito sorriu.

-De serem homens? Acha que não pode amar ele por isso?

-Não exatamente...Sasuke corou.

Obito o olhou curioso.

-Ohh...A noite de núpcias?

Sasuke confirmou.

Obito nunca pensou que o general ainda fosse virgem, mas realmente ele nunca o viu com ninguém antes, mesmo ele pensou mais de uma vez em se aproximar, mas não teve coragem.

-Bom, o rei é experiente e ele te ama, não será exigente na noite de núpcias, tenha calma, apenas se deixe levar, talvez eu deva me atrever a dar mais um conselho, na verdade era minha mãe quem me dizia isso.

Sasuke ouviu atento.

-Todos os homens tem um deus bom e um deus mal dentro de si, em constante duelo mortal, alimente o deus bom e o deus mal morre de fome, ou alimente o mal e deixe o bom morrer...a escolha sempre é somente sua no final das contas.

-Devo alimentar o lado bom de Naruto? E assim o lado mal desaparece?

Obito se levantou e puxou Sasuke junto, caminharam para dentro calmamente.

-Se não há nada que possa fazer para mudar seu destino hoje, tente ser feliz e apreciar o momento, talvez os deuses tenham seus planos, veja o meu caso? Nunca pensei em retornar após ser capturado, nunca pensei em ver novamente minha mãe e meu pai e meus irmãos, mas aqui estou eu, vivo e muito bem e com a alegria de ver meu general novamente.

Sasuke o abraçou com os olhos marejados, mas conteve as lágrimas, ele ainda era pelo menos por dentro o antigo general.

-Por favor volte e converse mais comigo.

-Eu voltarei sempre que possível...Por favor não sofra tanto, não se deixe abater dessa maneira, apenas alimente o deus bom, só isso...

Obito partiu e Sasuke resolveu ler o livro que o rei trouxe, só para descobrir uma pilha de livros raros sobre uma mesinha, havia muitos para escolher, ele apenas pegou um, se sentou em uma poltrona perto da lareira e se serviu de uma taça de vinho doce, pela primeira vez em muitos dias ele sentia o sabor do vinho e o prazer de uma leitura, bem como o calor gostoso do fogo...

Antes de abrir as páginas do livro ele ponderou sobre tudo que passou em sua curta vida até então, ouve tanta dor e sofrimento e uma infinidade de dias de solidão, considerando tudo que enfrentou ele podia manter em sua alma a honra do guerreiro valente que lutava sem medo da morte e sem armadura em campo aberto enquanto aceitava viver como uma rainha, que era o que de fato lhe aguardava, quer isso lhe agradasse ou não. Se este era seu destino devia abraça-lo e manter seus familiares seguros, mas assim como eles devia tentar seguir em frente, se lembrava dos beijos trocados e do forte contato com a pele dourada do rei, sabia que era algo novo, assustador e mesmo assim que isso enchia seu corpo de sensações que ele desconhecia, naqueles dias ele conhecia o rei, já havia visto seu lado cruel, afinal foi o próprio rei quem o mandou torturar por três longos dias, mas mesmo assim foi esse mesmo rei quem mandou sua serva usar magia e cura-lo totalmente, não restando em seu corpo uma única marca do que viveu, e este mesmo homem que lhe causou dor e sofrimento pediu perdão por isso, podia ser que esse rei fosse mesmo um ser de duas almas em um só corpo? O bom e o cruel? O que o amava e o que o oprimia?

“ Se devo passar por isso de qualquer maneira, talvez eu possa aceitar a situação e tentar me adaptar a ele tal qual eu fazia em outras situações quase impossíveis em minha vida, e se eu conseguir tirar disso algo agradável ao meu coração, então preciso tentar...”

Havia ainda a noite de núpcias, de que adiantava usar de tanto silêncio se naquela noite ele teria que se entregar ao outro tal como havia recitava centenas de vezes nos seus votos?

“Dar-lheei meu corpo e minha alma e aceitarei o seu como prova de nosso amor eterno” Essa passagem do livro sempre lhe causava pânico e muitas vezes errou essa simples fala pelo significado dela. Mas ele havia de aceitar mesmo assim.

-Se vou me entregar a ele, mesmo sendo um homem preciso saber que tenho ainda meu orgulho, e isso só será possível se eu puder entender esse amor que ele diz nutrir por mim...Disse a si mesmo, mas enfim abriu as páginas e se entregou a pensamentos mais simples.

E foi desse modo que Naruto o encontrou algumas horas mais tarde, ainda absorto na leitura de um romance épico de guerra, com a taça de vinho vazia a seu lado e algumas frutas frescas intactas.

-Sasu...Disse o rei calmamente, ele chegava sempre muito suavemente, não querendo assustado e nem incomoda-lo, mas estava feliz por ver que após tantos dias ele estava fora da cama e lendo algo.

-Rei Dragão...Respondeu Sasuke pousando o livro no colo com delicadeza calculada.

-Sasu, meu Sasu...Imploro que não seja formal comigo dessa maneira, lembre-se dos dias passados em minha companhia, quando então se referia a mim como somente uma pessoa, um homem como qualquer outro, pelo meu nome.

Sasuke suspirou lembrando de tudo que ponderou sobre a tarde depois da visita do amigo querido.

-Naruto...Realmente minha família está bem?

O rei se sentou a frente do lindo general e deu um longo suspiro de alívio ao ouvir seu nome verdadeiro sendo dito de forma mais natural depois de tanto tempo.

-Sim, eles estão muito bem e sobre eles eu vim falar hoje...Arrumei ocupação para os três, sua mãe e seu primo serão tutores de Boruto em assuntos variados e seu irmão será o mestre de armas dele, ensinando sobre a arte da espada e do arco e flecha...Eles aceitaram embora não troquem nenhuma palavra comigo e meu filho ao saber que seus novos tutores serão seus familiares aceitou prometendo ser um bom menino, vê meu amor? Eles estão bem...

-De fato...Eles são fortes para continuar apesar do que passaram, antes e agora. Disse e abaixou a cabeça tentando fazer a cena do fatídico dia desaparecer de sua mente, em vão, mas como seus familiares ele também era forte, poderia nunca mais esquecer, mas delegaria menos valor a isso para que um dia a dor fosse mais amena.

Naruto desejou contar a verdade, mas se fizesse corria o risco de aparentar ser ainda pior diante os olhos dele, seria então um mentiroso e isso para o rei de vários reinos era impensável, só lhe restava seguir com a mentira e torcer para apaziguar os danos.

-Sasu...Eu não estava pensando naquele maldito dia, eu apenas fiquei com raiva sobre pensar em te perder, eu tive medo de ficar sozinho nessa terra, seria para mim insuportável, desde de o momento em que toquei seu rosto ainda naquela masmorra eu soube que teria que ser meu. Não posso pedir perdão pelo que fiz, sei que é demais até mesmo para você, mas desejo sinceramente que todos vivam felizes de hoje em diante, nunca mais tendo um dia de sofrimento nesta terra.

Sasuke achou que era hora de seguir em frente, alimentando o deus bom.

-Por muitos anos eu e eles vivemos como reféns do medo, obedecendo ordens, peço ao rei que me escute dessa vez e eu nunca mais em minha vida pedirei nada novamente, nem mesmo que isso me custe a vida um dia.

Naruto se empertigou aguardando o pedido.

-Não use mais minha família contra mim, jure pelo que lhe for mais sagrado, jure por sua honra e seu trono e sua coroa, jure para mim que aconteça o que acontecer nunca mais vai maltrata-los ou usa-los contra mim, e eu jurarei lealdade a você, nunca mais atentarei contra minha vida, nunca mais o desobedecerei e serei sua rainha fazendo tudo que o cargo exige de mim, me contentarei em viver dentro das paredes do castelo para sempre sem nunca mais ver o mundo lá fora se manter essa promessa comigo e serei seu sem reservas na cama e fora dela.

Sasuke colocou a mão suave na mão firme de Naruto e olhou em seus olhos, estava tremendo ao dizer isso, mas sendo o mais sincero possível e esperando que seus olhos pudessem de fato mostrar a verdade neles.

-Nem mesmo pedirei para ver eles, desde de que eu saiba que estão bem.

O rei olhou o general com olhos amorosos, ele o respeitava infinitamente mais depois desse pedido, acreditava que a honra desse homem superasse a sua em mil anos, de fato ele o amava, o adorava tanto que seu coração doia no peito.

-Sasu...Seu temperamento é nobre, digno e elevado, merecedor de todas as glórias dos meus quatro reinos, eu nunca mais usarei sua família contra você e nunca mais vou ferir eles ou você, tem minha palavra mais solene, juro pela minha honra, pelo meu trono e por meus reinos que os manterei seguros e eu jamais ousaria cortar suas asas e mante-lo preso nessa gaiola dourada, viverá comigo em total liberdade como minha rainha e meu general, mas acima de tudo como meu amor.

-Quanto ao título de rainha...Não posso lhe conceder outro senão esse, mas isso não significa que eu o ache inferior a mim, nunca pensaria tal coisa, eu o vejo como o general destemido que lutou com o Rei Dragão sem medo, apesar de estar cansado, fraco pela fome, sem armadura alguma para protege-lo, e eu não vou deixar que sua família se mantenha longe, me perdoe por isso, está livre para ir ter com eles quando quiser, as portas nunca mais ficarão trancadas e meus guardas nunca mais tentaram impedi-lo de sair.

Sasuke não esperou ouvir essas palavras, ele confiava que a palavra de um rei era lei, assim se sentiu mais calmo, calmo como há muito tempo não ficava e permaneceu em silêncio, não tencionava fazer nada, só saber que eles estavam bem lhe era suficiente, quanto a si mesmo não esperava nada.

-Sasu...Diante de tudo que conversamos o que quer fazer agora? Quer sair? Quer ver a cidade? Quer ir até a casa onde seus parentes estão hospedados?

O rei estava ansioso e esperava uma resposta que demorou alguns minutos para vir.

-Poderíamos jogar gamão?

Naruto sorriu grandemente.

-Oh claro! Tudo que quiser...Quer comer algo? Doce, salgado?

-Doce...Disse Sasuke suavemente e sorriu para o deus bom que lhe agradava novamente, mesmo que com certo receio ele tinha que tentar, nada havia a perder, se ele um dia pudesse de fato matar o deus mal que vivia dentro deste homem impiedoso e então deixasse somente o deus bom que era alegre e que gostava de jogar gamão já seria o suficiente para ele.

Notas finais
O general é muito inteligente, afinal se algo é impossível de mudar é necessário tirar proveito da situação, sem ficar se lamentando em vão. Me contem o que estão achando, comentem, mandem beijos, conversa fiada...O que for. Beijos.

9. Linhas tortuosas do destino.

Notas do Autor
Nesta imagem como eu imagino os dois, lindos!! Enfim, sobre as considerações deste capítulo...Creio que iram adorar, se emocionar como eu e enfim desejar que mais um capítulo estivesse logo pronto...Que petulância a minha né? Enfim, posso sonhar...Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 08. Linhas tortuosas do destino.

Naruto percebeu após dois dias que sua conduta foi dessa vez correta, ele viu o filho treinando no pátio externo, ele estava com Itachi, ouve um momento de apreensão no rei ao observar o homem de pele clara e cabelos tão longos quanto seu amante rodando a espada desafiadoramente no ar como se ela fosse uma pluma, os músculos saltavam nas costas nuas, tensos e brilhantes de suor do treino vigoroso, mas o rei também notou que a pequena figura com uma espada de madeira nas mãos observava atento, os olhos brilhando maravilhados.

Com toda a calma e o silencio possível o homem que era pai antes de ser rei caminhou entre as tamareiras que cercavam o pátio e parou a uma distância segura mas que lhe permitia ouvir o diálogo caso surgisse, já que com ele o mestre de armas Itachi nunca falava nada além do necessário, de forma praticamente obrigatória.

-Viu? O segredo está no pulso, gire o pulso e segure firme a espada na mão esquerda, mantenha a direita levemente apoiada, mas a força deve vir da esquerda sempre, lembre-se disso e depois use seu Qui para golpear o seu inimigo, o tamanho dele não importa, só importa acertar o golpe usando seu Qui.

Boruto olhou o homem por um segundo e segurou sua espada como lhe foi dito, manteve sua mente centrada e rapidamente avançou em Itachi, o golpe foi aparado, mas mesmo assim foi bem executado e o homem sorriu.

-Isso mesmo! Continue mantendo seu Qui, no último momento percebi que vacilou.

-Perdão mestre...Vou aprender e lhe darei orgulho um dia, assim como seu irmão lhe deu orgulho em campo de batalha...

Itachi suspirou e passou os dedos nos cabelos do menino.

-Sasuke era mais jovem que você quando eu comecei a treina-lo, ele tinha apenas cinco anos na época e me surpreendeu, quando o Usurpador veio ele tinha sete, mas já era um mestre na arte da espada, e seu Qui já se mantinha por horas a fio, eu me orgulhava muito dele...E ainda me orgulho. Disse triste e mesmo assim esboçou um sorriso.

-Ele luta bem mestre? Um dia eu gostaria de ver.

-Sim, ele luta muito bem...Mas não tivemos oportunidade de treinarmos juntos após isso, e agora faz muito tempo desde de que conversamos...A última vez que nos vimos não foi boa...De fato nunca é, creio que infelizmente nunca mais sejamos capazes de treinar de novo, mas desde de que ele esteja bem eu estarei feliz.

Boruto se empertigou e falou solenemente para o homem.

-Meu pai disse que são todos livres agora, você pode visitar minha mãe rainha sempre que quiser e ele pode ir até vocês, porque ainda não se encontraram? Não acho que meu pai impeça minha mãe rainha de treinar! Ele sabe que já errou muito e está no fio da navalha, deve ser compreensivo e astuto não acha?

Itachi suspirou e novamente pediu ao jovem que pegasse sua espada, explicar para uma criança que tinha medo de encontrar seu irmão caçula porque isso poderia doer mais do que a saudade que sentia era impossível.

-Vamos de novo? Após mais alguns golpes podemos descansar, está bem? Creio que encontrará minha mãe para as aulas de etiqueta, se for bom para ela tenho certeza que ganhará uma recompensa, ela adora dar doces aos que lhe são comportados, era assim comigo e com Sasu quando eramos crianças.

-Sim mestre! Terei aulas com a senhora Mikoto e com o mestre Shisui, que eu acho muito fofo e lindo, ele é seu namorado? Pretendem se casar no festival da Lua do ano que vem?

Itachi olhou para o pequeno com olhos assombrados, mas de fato lhe foi dito anteriormente que esse menino era um prodígio em tudo que fazia, daí estar lhe perguntando isso não era tão assombroso assim, mesmo sendo desse modo ele sempre usou de sua calma inabalável para não colocar em risco a si mesmo ou seu amado, em sua antiga vida como escravo o segredo era tudo, mas ali ele via que o segredo podia ser mais difícil de manter.

-Ele é meu primo...

-O que ouve com a perna dele? Não me parece que tenha sido um acidente.

Itachi suspirou, era melhor ser absolutamente sincero com essa criança que podia enxergar uma mentira como as aves de rapina enxergam suas presas.

-No dia da ocupação destas terras ele foi pego por um soldado inimigo e este homem lhe machucou muito, como resultado ele quebrou a perna direita e isso até hoje lhe causa muitas dores e problemas, que estão se agravando com o tempo, segundo alguns servos ele em breve não conseguirá mais andar...Espero que eles estejam errados.

Boruto olhou o homem com muita ansiedade e enfim disse.

-Haruno é a melhor feiticeira que existe, se tem alguém que pode consertar a perna do seu marido é ela, quer que eu fale com ela mestre??

Itachi sorriu, pois o menino não mudou de ideia sobre ele e Shisui, ele não o corrigiu, mas acreditava que a tal feiticeira não iria se importar com um simples garoto que a bem pouco tempo era somente um prisioneiro sem valor algum.

-Obrigado pela sua generosidade pequeno príncipe, isso me mostra que um dia será um grande líder, pois só os grandes líderes pensam nos pequenos com tanto carinho, os reis mais amados e respeitados são aqueles que amam seu povo, por mais pobres e simples que sejam e isso agora ficou claro em sua benevolência, mas eu creio que tudo que podia ser feito está sendo feito, os deuses podem decidir agora qual o destino dele...Do meu amado Shisui e talvez se eu me case com ele sim no festival da Lua.

Boruto tinha um sorriso gigante no rosto e sem pensar duas vezes saltou no colo de Itachi apertando seus braços pequenos no corpo do homem grande e forte.

-Eu serei um grande rei e amarei muito meu povo, mas agora eu quero ser forte e ajudar tantos quanto eu puder, prometo que ajudarei Shisui...

Naruto permaneceu ali até que eles terminassem e depois até ver o filho sair com duas servas para o banho, ele tinha aulas após isso com Shisui e ainda Mikoto, mas por incrível que isso parecesse ele estava contente e sorridente.

Após o filho sumir de vista o rei se aproximou do mestre de armas, ele guardava as espadas de treino e tudo o mais que usava em sua aula, mas quando ele viu o rei abaixou a cabeça em sinal de respeito e se ajoelhou como os servos mais humildes e os escravos faziam.

-Por favor Itachi, levante-se, eu sou seu rei mas não exijo tanto de meus súditos, quero apenas conversar.

-Sim vossa majestade, sobre o que deseja falar? Respondeu o homem sem olhar nos olhos do rei como de costume, mantendo a cabeça baixa e os olhos no chão.

Naruto não podia dizer que ouviu a conversa deles, mas lembrou de algo para conseguir chegar onde queria sem contar a verdade.

-Apesar de eu ter informado que estavam livres para ir e vir pelo reino ainda não foram ver Sasuke, porque agora que revoguei todos os empecilhos ainda não o fizeram? Imaginei que estariam saudosos e pesarosos e isso aliviaria a dor da separação, depois de tanto tempo...Porque ainda não se encontraram?

Itachi guardou a última arma na caixa e olhou o rei desta vez nos olhos, havia altivez em sua voz, embora fosse sem sombras de dúvida palavras gentis e até muito corretas, de certo modo servis, mas o rei sabia que isso seria perdido somente com muita confiança e ele não ousava acreditar que teria isso dele em tão pouco tempo, depois de tudo que ele fez a essa família tão adorável, se sua alma pudesse gritar por perdão ali ele o faria, mas era o rei e isso não podia ser feito.

-Vossa majestade é justo perguntar-me isso, mas a verdade é que eu, minha mãe e meu primo vimos Sasuke a dois anos por breves quinze minutos, tempo esse que foi dado como presente a ele pelo Usurpador por ter vencido o inimigo em uma batalha nas montanhas que quase o matou, e a última vez todos nós estávamos cheios de dor no coração e desespero por ele, ver o que vimos cortou nossa alma em duas.

Naruto não entendeu e Itachi continuou.

-Temos medo de nos encontrarmos e logo a seguir com o amor avivado em nossos corações sermos novamente usados como os reféns que de fato somos, assim como o Imperador Usurpador usou nosso amor contra nós, obrigando Sasuke a lutar cada dia mais e vencer mesmo quando isso era impossível, motivado pelo desespero de não nos deixar sofrer castigos, nós eramos constantemente lembrados de que se não obedecessemos o Imperador, ele iria machucar Sasuke, vê? Fomos reféns e ainda somos, do nosso amor um pelo outro, isso não mudou, do mesmo modo fomos usados de novo contra Sasuke e ainda me dói pensar em como ele se desesperou com nossa situação, eu aceitaria toda dor e medo que ele passou para livra-lo dessa situação, mas como sempre não pude faze-lo e então nos resta viver assim, com medo.

O rei suspirou e sentiu-se pior com isso, pois era a mais pura das verdades, eles tinham medo, o medo de que seu amor fosse usado contra eles de novo.

-Itachi, eu dei minha palavra para seu irmão que será em breve minha futura rainha de que nunca mais, aconteça o que acontecer usarei vocês contra ele novamente, eu jurei mante-los seguros e livres. Eu sempre cumpro minhas palavras.

O jovem forte e dono de olhos penetrantes analisou o rei antes de responder.

-Imagino que as promessas dele foram ainda maiores.

-Nada lhe escapa não é? Poderia me ser muito útil nas tardes onde tenho que reunir o conselho e deliberar sobre os problemas do reino e do povo...Mas respondendo ao que disse, sim, ele me deu promessas maiores, mas eu não vou deixar que ele seja infeliz, eu o amo tanto que sinto o meu coração doer quando ele está triste e nos dias após o que fiz ele me deixou em pânico, a tristeza dele era palpável e eu pensei que o perderia...Mas um sopro de esperança o tomou e eu me sinto melhor, por favor siga a ir visita-lo em breve, no final do dia ele sempre está no jardim, leve sua mãe e seu amado...

Itachi deu um passo para longe do rei, aturdido com a palavra “amado”.

O rei levantou as mãos e sorriu.

-Calma, eu não desejo mal algum com essa informação, antes eu desejo apenas que sejam felizes e prometo que tentarei tudo que estiver ao meu alcance para ajuda-lo...Pelo pouco que sei o jovem Shisui tem um problema de saúde agravado pelo frio que passou e a pouca alimentação, aliado a uma perna quebrada que nunca foi tratada devidamente isso se tornou um fardo, prometo que ajudarei.

Itachi percebeu que o rei ouviu toda a sua longa conversa com o menino Boruto e isso era de fato perturbador.

-Vossa majestade, vosso filho, o príncipe Boruto...Não pedi nada a ele, por favor não leve a mal o assunto que tratamos, mas seu filho é um prodígio e mentir a ele sobre qualquer coisa é impossível, creio que deve saber disso muito melhor que eu e assim...Conversamos como iguais, mesmo que eu saiba perfeitamente onde me encaixo e peço perdão se fiz algo que o desagradou, obviamente sendo eu somente um servo humilde não deveria conversar com um príncipe como ele, aceito todo e qualquer castigo que desejar para me punir.

Itachi se ajoelhou e tocou sua testa no chão, ele tinha medo que o rei após ouvir a conversa sincera que teve com Boruto pudesse castiga-lo machucando seu namorado Shisui, após tudo que viu em sua vida isso seria o esperado e bem comum entre os governantes, preferia mil vezes sofrer as consequências no lugar do amado que não tinha como passar por isso.

O rei observou as marcas nas costas do jovem mestre de armas, ele de fato deve ter sido chicoteado não uma mais muitas vezes em sua vida, não admirava que não acreditasse em nenhum governante, tudo que conheceu foi dor e sofrimento, isso lhe encheu de angústia e raiva por ter sido capaz de provocar ainda uma última vez tristeza no coração desse homem, por isso se abaixou e o ergueu com suas próprias mãos.

-Sim, eu te darei um castigo...

Itachi apenas esperou, ele já tinha sido castigado tantas vezes que perdeu as contas, mas se lembrava sempre do choro da mãe e de Shisui ao seu lado, parece que novamente ele se via no mesmo lugar, apenas suspirou e aguardou firmemente.

-Vá até seu amado e tire o dia de folga, pegue uma carruagem nos estábulos e leve uma cesta de pães e bolos e faça um belo passeio pela cidade, depois de verem as pessoas e os lugares que desejam voltem e junto a sua mãe visitem Sasuke, essas são minhas ordens.

Itachi olhou o homem aturdido, imaginando se ele agora deu para sonhar acordado, mas o rei continuou.

-Na verdade eu preciso lhe agradecer grandemente, nunca antes vi meu filho tão feliz e motivado, de fato ele é carente por ter perdido a mãe ainda no parto, e eu como rei tenho assuntos internos e externos que me levam sempre para longe dele, mas como pai eu me preocupo com ele, fico feliz em saber que finalmente os deuses me enviaram pessoas cultas e fortes e capazes de dar a meu filho o que ele mais deseja além da educação, que é a afeição verdadeira.

Itachi fez uma reverência e saiu, o rei o observou e suspirou, na verdade ele pretendia devolver os títulos de nobreza da família inteira, dando assim meios para que eles pudessem viver de acordo, esse valente guerreiro era inteligente e poderia muito bem no futuro quando pudesse respeitar de novo o rei, ser de grande ajuda no conselho dos sábios, ele pretendia mudar esse conselho decrépito por pessoas mais ligadas ao reino nevado, pessoas que conheciam a dor e o sofrimento, mas enquanto isso ele seguiu para a casa onde sua futura rainha residia.

Adentrou o quarto e avistou o menor sentando na poltrona lendo, embora seus olhos estivessem pesados.

-Meu Sasu, porque não saiu nenhuma vez desse quarto?

-Para onde eu iria?

-Há um reino inteiro fora dessas portas de madeira, se desejar caminhar pela sua cidade o faça, meus guardas andaram perto de você para protege-lo, mas nenhum deles ousará perturba-lo, pode ir ao mercado e ver por si mesmo como o comércio cresceu em tão pouco tempo, ir a praça central e ver o teatro de marionetes ou os encantadores de fogo, assistir uma peça no teatro central e ainda andar pela muralha, existe muito a fazer.

Sasuke olhou o homem e sorriu.

-Creio que ainda não estou forte o suficiente...

-Ou está com medo de sair? Seu povo lhe ama.

-Não ouso ir sozinho, antes venha comigo e me mostre o que deseja realizar para o seu povo.

Naruto chamou duas servas e exigiu roupas adequadas para o seu Sasu, estava frio e embora não estivesse nevando o vento era cortante e mesmo com o sol aquelas roupas leves não serviriam.

-Estou bem assim...Não preciso de roupas novas. Disse Sasuke deixando o livro de lado e se colocando em pé.

O rei o analisou e suspirou, ele ainda estava um pouco magro, a situação opressiva a que ele o submeteu cobrou um preço alto e ele agora só queria amar e proteger esse pequeno general com todas as suas forças e por toda sua vida, sendo o mais fiel e amoroso dos amantes.

-Está frio meu Sasu, mandei trazer uma túnica feita de lã de carneiro, macia como nuvens, creio que ficará lindo em você.

As servas vieram e puxaram Sasu para junto delas, tirando suas vestes simples, mas o rei que observava a distancia se aproximou e tirou as roupas das mãos delas irritado.

-É assim que cuidam da minha futura rainha? Com essas mãos ásperas e duras? Sejam carinhosas e gentis ou eu mandarei que fiquem nos estábulos onde os cavalos não exigem tanto!

As mulheres se ajoelharam pedindo perdão e o rei tomou a túnica de lã de carneiro com aroma doce de lavanda e colocou no corpo suave que estava usando somente as vestes íntimas que nada mais eram do que uma túnica de tecido transparente de algodão puro.

Sasuke ergueu os braços e o rei sorriu vendo como ele parecia dócil agora, lhe vestiu com a nova peça e atou a sua cintura fina um cinto de couro marrom com incrustações de jóias vermelho sangue, pequenos rubis reluzentes que davam a peça um ar de nobreza distinta, feito isso pegou a bota recoberta do mesmo material da roupa e calçou nos pés descalços.

-Venha, vou pentear vosso cabelo...

As servas quase morreram com isso, afinal o rei nunca penteou os cabelos das concunbinas reais, isso era de fato o maior motivo de fofocas que elas jamais viram na vida, suas bocas coçavam para relatar isso aos demais servos do palácio, que iriam se espalhar como mágica pelo reino todo.

Naruto indiferente ao ar abobalhado das suas servas guiou Sasuke a um banco acolchoado por mantas quentes e coloridas, a frente havia um espelho grande, trabalhado com madeira nobre vinda dos reinos secretos, o cedro mais fino de todo o mundo, claro e com finas ranhuras que lhe eram únicas, era do tamanho de um corpo inteiro e estava apoiado na parede enquanto ao lado do banco havia uma mesa média com frascos pequenos e pentes diversos, além de pentes decorativos e acessórios de cabelo feitos de jade e marfim.

Com carinho o rei passou o pente no comprimento dos cabelos negros, calmamente deixando a cascata de fios deslizar por seus dedos e cair macios sobre a túnica branca de pele de carneiro, para depois repetir o processo calmamente, observando os olhos negros cintilantes no espelho e lhe sorrindo as vezes.

-Sua beleza pode ser comparada a dos deuses da montanha, a pele clara, os olhos tão negros e os cabelos longos, nobre e digno de ser homenageado e amado.

Sasuke que o olhava corou e desviou os olhos, mas sua voz clara foi ouvida e apreciada pelos ouvidos do rei.

-Não sei de onde tira certas palavras, mas eles me encabulam, sou apenas um general capturado e vencido.

-Que em breve será minha rainha, tendo tanto poder quanto eu mesmo sobre todos dos quatro reinos, já pensou sobre isso meu amado?

-Não...Não pensei mas se quer mesmo saber algo sobre mim, desejo ser amado como todo ser humano neste mundo.

O rei sorriu e sussurrou no ouvido do amado.

-Não pense...saiba apenas que eu o amo mais que tudo neste mundo.

O rei parou e então puxou alguns fios os prendendo no alto da cabeça com um adorno de ouro, depois beijou o rosto corado e belo lhe segredando aos ouvidos.

-Sua vontade é uma ordem para mim, será o mais amado dos homens na face da terra, amado pelo seu Rei Dragão.

Com um pequeno carinho na costas do jovem o rei lhe chamou para se levantar e segurou em sua mão pálida o conduzindo para fora do quarto que lhe serviu de prisão por tantos dias e para fora da casa, os guardas reais se afastaram e deixaram o casal passar, todos se admiravam do contraste das belezas dos dois homens, um de uma delicadeza assombrosa unida a uma força inigualável e outro de uma altivez sublime, ambos, rei e general caminhavam cativando todos ao redor com sua presença.

A roupa primorosa que agora o general usava era levemente aberta no peito, deixando ver uma insinuação de pele pálida, mas o tecido embora feito para o inverno era trançado com tal leveza que a lã se tornava tão entrelaçada e tão fina como o linho, macia e cheia de movimento caindo até os pés, sobreposta em camadas de magia envolvendo o corpo belo.

Naruto mal conseguia olhar por onde pisava maravilhado com sua futura rainha.

-Naruto? Onde me levará primeiro?

-Deseja ver algo? Um lugar do qual sente saudades? Se for longe pegamos a carruagem.

O jovem general sorriu, ele tinha um lugar que adorava, quando era ainda um general podia vaguear pelas terras por onde agora pisava como futura rainha.

-Eu era apenas um general escravo do Imperador, mas tinha certa liberdade desde de que fizesse meu serviço, como eu não tinha dinheiro era raro sair pela cidade, mas havia uma feira que eu costumava ir e andar por horas observando tudo, nessa feira uma barraca de sopa e eu sempre desejei ir até lá e me sentar a sombra e tomar uma sopa feita com os ingredientes preciosos dos reinos distantes.

O rei sorriu, era a primeira vez desde de o ocorrido que Sasuke demonstrava o desejo de algo, ele certamente lhe daria isso e se a tal feira não existisse mais ele mandaria fazer e se a tal barraca tivesse sido abandonada ele mandaria reconstruir, somente para agrada-lo.

Com um sinal dois escravos trouxeram a carruagem do rei e a ela atrelados dois lindos animais muito grandes, um cavalo negro e um branco, belíssimos e fortes.

-São tão lindos...Disse Sasuke acariciando a crina do animal branco que lhe pareceu totalmente favorável.

-Sol e Lua, nossos cavalos, gostou meu amado?

Sasuke sorriu, mesmo sendo um sorriso pequeno fazia o coração do rei exultar no peito.

-Podemos cavalgar ao invés de usar a carruagem?

O sorriso dessa vez do rei era brilhante, ele amava a natureza selvagem dos cavalos e sua força bruta, saber que seu amado também apreciava era divino, os escravos soltaram os animais e Naruto ajudou seu amado a montar.

-Nunca vi animais tão grandes, qual a raça deles?

-Em nossas terras eram chamados de Baise, mas foram com o tempo sendo mesclados com animais de outras terras, em sua maioria puro sangues que vieram das terras vastas, o resultado é esse raro e belo animal, que chamamos de puro sangues de Guinzem.

-Ohh que lindos...Mas realmente são grandes, vossa majestade terá que me ajudar a descer quando chegarmos, minha estatura pode ter sido comprometida pela alimentação ruim em minha infância e eu sei que sou pequeno diante a maioria dos homens, assim como meu primo Shisui.

-Pode ser pequeno em estatura mas é gigante em valentia, soube recentemente que era temido e ao mesmo tempo amado no campo de batalha, como uma deusa da guerra se movendo no ar como pluma porém mortalmente feroz.

-Homens libertos após o cativeiro contam muitas histórias extraordinárias...Respondeu Sasuke corado.

O rei sorriu e puxou a rédea do animal branco, emparelhando os dois e se aproximando para roubar um leve beijo na bochecha corada pelo vento o que fez os servos e escravos sorrirem felizes, um rei que está apaixonado tende a ser mais generoso.

Sasuke após isso abaixou o olhar e se sentiu subitamente mais acalorado, mas seguiu ao lado do rei, as ruas pareciam mais belas, fosse pela liberdade de ver novamente a cidade ou pelo fato de que a prosperidade retornava lentamente a vida das pessoas, como era inverno havia pouca oferta de frutas, mas as cestas de pães estavam fartas e haviam peixes sendo ofertados e frutos secos, em alguns lugares o aroma de especiarias vindos da rota da seda enchia o mundo de aromas novos e deliciosos.

Canela, cravo, noz moscada...E temperos se uniam, havia cor nas bancas, risos nos rostos e calor entre o povo, para sua surpresa o general percebeu que as pessoas não o repudiavam como ele imaginava, de certo lhe sorriam e faziam reverencias claras a ele mais do que ao rei. Algumas mulheres lhe ofereciam flores e saquinhos perfumados de especiarias, ele alegremente agradecia e logo os escravos estavam com os braços cheios de presentes simples e adoráveis.

-Vê meu amado? É adorado no reino, sua fama se propagou mais do que eu podia imaginar, barganhar a liberdade dos seus soldados lhe rendeu tanta notoriedade que é quase uma lenda viva aos aldeões dessa bela cidade.

-Nunca imaginei tal coisa...Confesso que estou surpreso, mas sei que deve haver resistência por alguma parte, não do povo, mas do conselho ou dos ministros, ouvi algo das servas outro dia.

O rei suspirou, porque essas servas tinham que ser tão tagarelas?

-Cinco dos meus ministros de um total de vinte cinco me procuraram para exigir algumas normas sobre você, novas leias que protejam o reinado.

-Proteger o reino de mim? O que eu poderia fazer contra meu próprio povo? Perguntou Sasuke espantado.

O rei sorriu.

-Não lhes dei muita atenção, mas eles pretendem fazer algumas petições e mudanças na lei, se eu aprovar devem parar de usar suas bocas para difamar meus caminhos que pretendo trilhar ao seu lado.

-Petições? Como alguma exigência a meu respeito?

O rei concordou.

-Não falemos disso agora, quero que seja feliz hoje.

E como um passe de mágica eles estavam ao virar uma esquina na mesma barraca de comida que tantas vezes o general passou enquanto vivia sob o regime do Usurpador, desejando poder parar e fazer uma refeição quente e saborosa, mas sem nunca ter dinheiro para tal regalia.

-Oh...É bem aqui e veja! Aquela bela senhora com os cabelos presos em lenços, é ela mesma, tal como me lembro.

Naruto sorriu e se adiantou ajudando o amado a descer do cavalo e o puxando suavemente pela mão, assim que a senhora os viu fez a reverência costumeira, tanto ela quanto as pessoas que estavam no local se inclinaram quase tocando a cabeça no chão.

-Levante-se senhora, trago minha futura rainha para comer neste local, pode servi-lo por favor? Tudo que ele quiser.

Os olhos da velha senhora se enxeram de lágrimas e ela delicadamente pegou as mãos de Sasuke dentro das suas, uma sensação estranha e familiar tomou conta do general de súbito como se ele estivesse novamente nos braços de sua mãe querida, ele inclinou a cabeça olhando fixamente nos olhos negros da mulher e sorriu, logo querendo saber de onde a conhecia.

-Perdoe-me senhora, mas eu sinto que a conheço, seria de onde?

-Oh meu pequeno príncipe...Fui sua ama de leite a pedido de sua querida mãe, a então Imperatriz Mikoto, cuidei de você até o dia em que todo o horror se abateu sobre nós...Sou a senhora Esther.

Os olhos de Sasuke nublaram e foi somente a muito custo que ele não derramou lágrimas saudosas, ele se lembrava dela, a mulher gentil que o embalava nas noites de tempestade, que lhe trazia comida e lhe contava histórias sobre o reino, quando sua mãe não estava por perto.

-Segunda mãe...Eu acreditava que tivesse morrido junto aos outros servos do palácio...Tantas vezes estive aqui perto quando era o general deste reino e nunca a vi uma única vez de perto, não sabia que estava aqui.

A mulher o abraçou e ele retribuiu recebendo o calor humano tão doce que alguém que nasceu para emanar somente carinho e amor, desta feita não pode segurar uma solitária lágrima que desceu cristalina e molhou a roupa da senhora que chorava em silêncio também.

O rei estava apreciando a cena e sorrindo por dentro por terem tido tanta sorte, de certo os deuses resolveram agradar seu amado tanto quanto ele, afinal quem poderia imaginar que o local que ele tanto queria ir era justamente onde sua mãe de leite estava?

-Sasu, apresente-me sua segunda mãe, é uma honra conhecer a mulher que ajudou a cuidar do meu amado quando ele era somente um bebezinho.

Sasuke apresentou a sua mãe de leite ao seu futuro marido e sorriu satisfeito com isso.

-Segunda mãe, este é meu futuro marido, o Rei Dragão.

Naruto desta vez fez a reverência a bela dama e ambos se encontraram unidos no mesmo amor por Sasuke.

-Vossa futura rainha era o bebezinho mais lindo deste mundo, não havia viva alma que não desejasse pega-lo no colo e mima-lo, a Imperatriz sorria tão feliz com ele nos braços que o Imperador dizia que ambos traduziam em seus semblantes o brilho das estrelas.

-Mas deixemos de falar em coisas passadas, eu servirei a sopa que o meu menino amava tanto, aguardem por favor um momento.

Os servos da casa limparam o local minuciosamente deixando um espaço recoberto por almofadas embaixo de uma árvore frondosa que não perdeu as folhas devido ao inverno, o calor do sol inundava ao redor acalentando o ambiente e mesmo que o vento fosse frio eles estavam agasalhados o bastante para comerem uma sopa quente ali sob a sombra da arvore secular.

-Oh...Nunca poderia imaginar...Sinto-me tão feliz por ter vindo! E estava com tanto medo de sair...

Naruto pegou a mão delicada e beijou os dedinhos macios, sorrindo para ele o tempo todo, algumas pessoas que se mantinham entretidas em observar os dois amantes sorriam satisfeitas, de certo gravando a cena em suas mentes, loucas para contar aos amigos e parentes que viram o Rei e seu General tão próximos e apaixonados como os amantes secretos da noite.

-Ela é uma mulher forte, sobreviveu a ocupação e manteve esse lugar mesmo com tantas dificuldades, o que deseja fazer por ela meu amor?

-Não sei o que eu poderia fazer.

Naruto continuou acalentando seus dedos dentro de sua mão grande e forte, acostumado com o calor que emanava dele.

-Mandarei mais servos para ajuda-la, mandarei reformar o local para que tenha mais ambientes como este onde estamos, assim as pessoas não precisam comer em pé, enviarei escravos para reformar tudo e lhe darei algumas bolsas de meias moedas de prata e cobre, devem ajudar a manter tudo em ordem e ela pode ter mais descanso, podendo até mesmo comprar uma casinha confortável para seu descanso ao final do dia.

Sasuke encarou seu futuro marido espantado.

-Faria isso mesmo? Por uma mulher desconhecida?

-Ela não é desconhecida, é a segunda mãe do amor de minha vida.

Sasuke pensou que alimentar o deus bom era bem melhor, mesmo assim ele ainda tinha medo do deus mal que habitava o íntimo do rei, nunca pensou que de fato dentro do coração e alma do rei só havia um deus há muito tempo e que esse deus só tinha uma propósito nessa vida...Era amar infinitamente somente uma pessoa, o belo general Sasuke Uchiha.

Comeram a sopa e conversaram banalidades, de fato o rei não tocou em assunto algum que pudesse trazer recordações ruins, ele ainda acalentava na alma que ao voltarem encontrariam os familiares do seu amado em casa e isso lhe causava alegria e constrangimento, ele os queria unidos e felizes, mas mesmo assim tinha medo de como eles o tratariam, em sua vida sempre cercado de bajuladores nunca antes tinha encontrado pessoas tão sinceras como as da família Uchiha, que demonstravam seu repúdio a ele de forma verdadeira, embora respeitosa e com toda a razão do mundo.

O sol estava ainda firme no céu mas o frio estava mais cortante, o rei agradeceu a senhora gentil, deixou muitas moedas com ela e ordenou que alguns servos a ajudassem em tudo e que retornassem nos dias subsequentes como trabalhadores dela, depois levou seu amado para a carruagem que os escravos já haviam trazido e atrelado a ela os cavalos reais para que o frio não machucasse a pele macia de sua futura rainha, e se dirigiram ao centro da cidade, onde estavam os atores e onde havia circos de marionetes.

-Tem um circo de marionetes que meu filho adora, quer conhecer?

-Nunca vi um destes, é bom?

Naruto encarou seu amado por um tempo.

-Nunca viu um circo?

Sasuke sorriu encabulado, aparentemente não era somente em questões do amor que ele era puro, em muitos outros aspectos ele era inocente como uma criança e assim como uma criança sorria feliz ao ver as cores que alegravam o local.

-É muito bonito, nunca pensei que um lugar assim tivesse resistido depois de tudo...

-O povo é mais forte que seus governantes, é como um grande rio e acaba achando um jeito de viver no meio das pedras, contornando e as vencendo, mas assim que eu tomei posse do reino mandei reerguer locais assim onde o povo pode ser feliz, sorrir e se alegrar, pois um povo feliz vive melhor e vivendo melhor contribuí mais.

Sasuke entendeu o que o rei dizia, ele também amava seu povo, isso era de fato o deus bom satisfeito em sua alma.

Entraram e se sentaram em bancos revestidos de tecido, logo o show começou, os bonequinhos ricamente vestidos contavam sagas históricas permeadas de passagens cômicas e agradáveis fazendo a platéia rir o tempo todo e mesmo tentando muito ser sutil em dado momento o general acabou rindo das peripécias de um personagem bucha( na China a palavra bucha se refere a personagens cômicos e engraçados, não raro desastrados) que era a todo momento desastrado, ele levou a mão até os lábios contendo a tempo seu surto de alegria e isso bastou para que o rei o puxasse para mais perto e o beijasse no meio do público, isso seria passado despercebido se não fosse uma vozinha fina e irritantemente conhecida do rei.

-Ora, ora, de fato eu deveria andar grudado ao senhor meu pai para resguardar a pureza e ingenuidade de minha mãe rainha de suas garras de águia!

Sasuke levou um susto ao ver o corpo pequeno do jovem Boruto se misturar a população e logo sair bem no meio dos dois, abraçando o general pela cintura e pulando em seu colo, como era uma criança pequena para sua idade e totalmente fofo até o momento em que começasse a falar, todos ao redor sorriram para ele.

-Futura mãe rainha gostou do show?? Achou divertido? Ou meu pai te ocupou aproveitando deste local mais separado para lhe roubar beijos o tempo todo?

Sasuke tinha a impressão que isso era uma das artes do menino para envergonha-lo e enfurecer seu pai, mas certamente podia brincar com ele e fazendo um olhar sereno sussurrou no ouvido do menino.

-Creio que não pude ver o espetáculo já que seu pai me monopolizou o tempo todo.

As bochechas do menino coraram pela primeira vez e isso fez Sasuke sorrir para si mesmo, porém a reação foi mais interessante ainda, ele se virou e apontou o dedinho gorducho na direção do pai advertindo este sobre o fato.

-Meu pai, se agora antes mesmo de serem marido e esposa já monopoliza a atenção dele o que fará depois? Vai reinar da cama? Francamente meu pai!!

Naruto teve que rir depois dessa, sem possibilidades de discutir com uma lógica tão verdadeira e Sasuke queria um buraco de coelho para se esconder, visto que o menino falava alto o suficiente para que muitas pessoas ouvissem e começassem a rir de tal situação, mesmo que suas exclamações fossem afortunadas e encantadoras, algo como estarem satisfeitas por terem um rei e um general apaixonados para adorarem.

Após as pequenas lutas entre pai e filho pela atenção do general que desdobrou-se a sorrir para ambos e dar beijos em suas bochechas mais de um vez, eles retornaram a casa, deixando o pequeno encrenqueiro com os servos destinados a cuidar dele e não perde-lo de vista, coisa praticamente impossível de ser feita.

Uma coisa o general percebeu muito rapidamente, embora o pestinha do menino o deixasse na maior parte do tempo encabulado ele passou a amar essa criança como se de fato fosse sua e ele não entendia bem isso, mas justificava isso pelo fato de ser afável em seu coração.

Sasuke voltou cansado, apoiado no peito do rei, mas seu coração estava leve pela primeira vez em muitos anos e ele pensou que ouvir os conselhos de seu amigo Obito eram de fato importantes, assim como no campo de batalha o homem era sábio tanto na guerra quanto na paz.

Uma vez dentro da casa aquecida as servas vieram buscar Sasuke para banhar-se antes do jantar e o rei como não queria envergonhar o general o deixou seguir as duas servas até a sala de banhos, ele iria a seguir, pois tinha a intenção de jantar ali hoje e desfrutar da companhia do seu amado.

Dois guardas entraram e anunciaram a chegada da família de Sasuke, o rei os mandou entrar e esperou na sala ansioso, logo a senhora Mikoto que segurando um embrulho nas mãos entrou, seguida de Itachi e Shisui que vinha apoiado nos braços do homem mais alto, andando com bastante dificuldade.

Imediatamente eles reverenciaram o rei, mas o homem prontamente evitou que se ajoelhassem perante ele, principalmente o pequeno rapaz de pele pálida e olhar triste.

-Por favor não se ajoelhem...Pediu ajudando Shisui a se sentar em uma poltrona de brocados e peles, sentando ele mesmo a sua frente, deixando os outros um pouco aflitos com isso.

Shisui apertou os dedos no tecido macio, nervoso e buscou o olhar do marido de modo apavorado, imaginando que ele de fato tinha feito algo que irritou o rei e que isso o faria ser castigado.

-Vossa majestade eu fiz algo errado? Aborreci vosso filho??

O rei lhe sorriu para tranquiliza-lo, imaginando o que este jovem já tinha passado em sua curta vida, mas de certo a julgar pelo que o próprio rei fez a eles não era complicado adivinhar.

-Shisui, meu filho está imensamente contente com o andamento das aulas, mas ele me pediu um favor especial e aproveitando que Sasuke ainda não saiu da sala de banhos eu gostaria de saber se posso ver sua perna ferida.

Shisui tremeu e ficou mais pálido e o rei apressou-se a acalma-lo.

-Juro que desejo somente o seu bem, não ousaria feri-lo por nada neste mundo, fiz uma promessa a minha futura rainha e vou cumpri-la neste e no outro mundo, só desejo saber se posso ajuda-lo.

O rapaz sem saída ergueu um pouco a túnica revelando o tornozelo e parte da perna acima, onde cicatrizes claras e costuradas grosseiramente mostravam onde os ossos romperam a pele em mais de um lugar, devido ao trauma a perna se atrofiou de modo severo e mantinha um aspecto sensível e frágil, era lamentável.

A voz macia da senhora Mikoto ecoou na sala.

-O soldado que o feriu iria deixa-lo morrer sozinho de dor em meio do pátio, mas eu implorei pela vida dele e graças aos céus fui atendida, infelizmente não sou praticante de artes de cura, e não tinha ninguém para ajudar-me a cura-lo, segui o que as servas e escravas me ensinaram e usei unguentos cicatrizantes para a pele, costurei as feridas como pude e dei a ele remédios que aplacavam a dor, nos primeiros dias eu tive que triplicar a fórmula e isso o deixava inconsciente o tempo todo, mas era o único modo de mante-lo livre da dor, com o tempo o dano cedeu e a perna cicatrizou, infelizmente mesmo enfaixada não voltou a ficar normal e nos conformamos que pelo menos ele podia andar depois disso, mesmo que com grande dificuldade.

O rei abaixou a túnica e sorriu ao jovem.

-Minha serva Haruno deve conhecer algo que ajude, algo será feito, prometo a todos que farei o que estiver ao meu alcance.

Nisto Sasuke surgiu, usava uma túnica azul claro sobre uma túnica mais leve de algodão branco, na cintura uma fita larga do mesmo tom azul mantinha a peça aprisionada a sua cintura delicada, ele arfou ao ver sua família ali e o encontro deles levou lágrimas aos olhos das servas que ali estavam.

Mikoto sem palavras abriu os braços de mãe amorosa e o menino que era de fato um general correu até ela se encerrando em seus braços, eles soluçavam juntos e logo um par de braços mais fortes envolveu os dois e eles escorregaram no chão chorando de alegria.

Shisui observava, não conseguia mais se levantar sem ajuda e tinha que esperar que alguém lhe desse a mão como apoio, no entanto não foi preciso muito, o próprio Sasuke se soltou do irmão e da mãe e se ajoelhou na frente do primo o abraçando ternamente.

Naruto sentando a distancia tentava imaginar qual o tamanho da oferenda deveria oferecer no começo do ano ao Deus da misericórdia para ser perdoado pelo crime de ter feito essa família linda sofrer, um par de ovelhas, um boi? Talvez uma manada inteira de búfalos...

Notas finais
Sim, para aplacar os deuses? Uma manada de búfalos, para fazer Sasuke te amar um pouco mais, mais carinho, pode incluir tudo que ele deseja que nós adoramos não é?

10. O mais precioso dos sentimentos.

Notas do Autor
O rei descobre que o amor é o mais precioso dos sentimentos...Sobre o hakama e kendigi, são estas roupas que nosso lindo personagem usa na imagem que postei. Beijos. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 09- O mais precioso dos sentimentos.

Sasuke se ajoelhou em frente ao primo e o abraçou, havia um sentimento de reconhecimento depois de tanto sofrimento, ambos eram de fato como irmãos, cresceram juntos brincando nos jardins e foram separados no mesmo dia da tomada da cidade, sendo que Sasuke só voltou a ver Shisui quase um ano depois, a dor que ambos experimentaram era de fato enorme e verem um no outro refletindo isso em seus olhos magoava o coração do rei, que observava cada pequeno detalhe do seu amado e sentia no corpo a dor que ele sentia, podia ver nos seus olhos como ele tentava ocultar de todos, inclusive do próprio rei como se sentia verdadeiramente.

-Sasu...Você está bem? Tem se alimentado direito? Por favor, por favor não sofra mais por nós, isso é tão errado! Dizia Shisui com sua voz baixinha, tremida devido a emoção enquanto suas mãos pequenas tentavam apertar as dos primo sem grande força, mas com muita emoção.

-Eu estou bem Sui, estou bem...Também não quero que sofra por mim, por isso se acalme por favor. Não estou infeliz, estou alimentando o deus bom, você se lembra disso?

Sui sorriu, ele conhecia a história e isso o fez mais feliz.

Sasuke observou com grande pesar que o seu primo estava abatido e fraco e sabia de antemão que o problema em sua perna tinha piorado muito, isso o deixava tenso e apreensivo, bastou um olhar na direção do rei para ele se aproximar cautelosamente, sabendo que Shisui tinha muito medo dele.

-Naruto, acha que a senhorita Haruno, ela pode ver Sui? Ele sofre a tanto tempo com esse problema e eu temo que agora esteja muito pior, devido a alimentação ruim como servo e ao frio que todos passamos nos últimos invernos, os ossos cicatrizados de modo errado tendem a se encolher e doer muito, como este inverno está rigoroso eu temo que isso piore...Por favor...

-Sasu...Não precisa me pedir por favor. Disse o rei se aproximando mansamente.

-Eu vi o defeito na perna direita dele, já estava determinado que mandaria Haruno ver se algo pode ser feito, vamos ajuda-lo de algum jeito, eu prometo, se acalme sim?

Sasuke concordou e Shisui fez um sinal que iria se levantar para agradecer mas foi impedido pelo rei que tocou seu ombro suavemente.

-Por favor fique sentado e descanse, mandarei as servas trazerem alimentos nutritivos e saborosos e também um elixir para dor, sei que está sentindo dor, posso ver em seu semblante, não seja forte por nós, apenas aceite se não por você ou muito menos por mim, mas pelo menos por seu primo que o ama muito.

Shisui concordou sem palavras e se manteve sentado enquanto o rei ordenava as servas como proceder, depois ele percebeu que a senhora Mikoto permanecia em pé segurando um manto enrolado, ela se aproximou e lhe perguntou de modo suave.

-Rei Dragão, eu tenho aqui uma roupa confeccionada por mim para meu filho Sasuke, ele é feito do tecido das terras da névoa, fibra de bambu com linho entrelaçado por magia dos sacerdotes do templo do Deus Sol, é uma peça usada somente pelos reis e príncipes, gostaria de saber se posso dar esse presente ao meu filho em honra a seu casamento.

Naruto estava chocado, pois o templo em questão foi destruído a mais de vinte anos pelos bárbaros do sul, os mesmos que formaram um exército e derrubaram as defesas desta cidade onde se encontravam agora, com isso todos os sacerdotes foram mortos e sua magia perdida, todo o tecido queimado.

O rei tocou o tecido com dedos reverentes e lhe sorriu satisfeito.

-Ficaria honrado em ver meu amado usando tal preciosidade, mas posso perguntar como conseguiu este raro tecido?

A mulher lhe sorriu de volta de modo gentil.

-Um dia eu fui a Imperatriz deste reino, meu marido e eu mantivemos estreitos laços com os sacerdotes do reino da névoa antes do massacre e trocamos muita mercadoria com eles, considerando que eles não plantavam e nem caçavam, todos os alimentos vinham desta província e eles nos pagavam em tecidos mágicos, temos no subsolo uma sala repleta de tecidos que nunca se deterioram ou se desgastam, que nunca mancham ou ficam mofados, permanentemente emanando aroma da flor escolhida para perfuma-lo, sempre que é lavado emana o aroma fresco da flor e permanece inalterado por anos a fio, uma vez que o reino é seu todo o estoque também lhe pertence, isso nunca foi do conhecimento do Usurpador, mas estou lhe passando isso agora como um presente.

O rei suspirou, esses tecidos valiam fortunas imensas, um único lote dele compraria um reino inteiro.

-Porque me conta isso senhora? É livre, poderia vender o tecido e ser muito rica.

Ela olhou para Sasuke e manteve seu olhar sereno ao voltar a fitar o rei e respondeu tranquila.

-O reino será novamente de meu filho também e isso pode ser sua herança, eu já tive minha cota de riquezas, tudo que desejo é viver simplesmente com o amor daqueles que são minha vida e saber que estão bem e felizes e seguros.

Naruto poderia viver duzentos anos que ainda descobria dia a dia que tinha mais a aprender e essa família lhe dava lições todos os dias, esse presente era um voto de confiança velado, ela pedia com isso que cuidasse de seu precioso filho com todo o amor do mundo e que nunca mais o machucasse de novo.

Mikoto entregou a Sasuke o presente e ele o abriu, revelando um hakama branco( vestimenta muito usada no Japão, é uma espécie de calça larga amarrada na cintura por laços) com aroma de flores de sakura, kendogi azul claro (Parte de cima do hakama, amarrado na altura do peito por fitas finas) tão belo que parecia feito de água das montanhas, fluído e leve como seda, porém ainda mais suave e mais belo, definitivamente magnífico.

-Ohh tão lindo! Disse Sasuke encantado.

O rei achou lindo e imaginou um quimono de casamento feito nesse tecido, seria perfeito.

-Senhora Mikoto é muito prendada costurando tal peça, mas ouvi dizer que é preciso mais que conhecimento de costura para se produzir uma peça dessas, é verdade?

-O tecido mágico só pode ser costurado por uma pessoa com sentimentos pela outra a quem se quer presentear, como eu amo muito meu filho ainda que não soubesse cortar e nem costurar minhas mãos acertariam cada ponto e cada corte, é um tecido cujo mistério não podemos mais descobrir e nem mesmo recriar, por isso mesmo é único.

-Então terá que costurar a roupa de vosso filho para o casamento e então temos um pequeno problema em mãos, se ama seu filho a roupa dele ficará divina, mas quanto a mim não tenho certeza...Depois do que fiz creio que não há no reino ninguém capaz de costurar esse tecido para mim.

Ela lhe sorriu e abaixou a cabeça reverente mas sincera.

-Tem razão vossa majestade, meus sentimentos não podem ser considerados bons para com aquele que maltratou o coração puro de meu filho, sendo assim eu não poderia cortar o tecido para sua vestimenta, dadas as circunstancias que vivemos, minha palavras podem de fato ser doces e reverentes mas meu coração nunca seria infiel ao que eu ainda sinto.

Naruto entendeu, como a senhora Mikoto iria fabricar uma peça de roupa mágica se ela o odiava pelo que ele fez a toda a sua família? Mas admirava sua sinceridade, certamente ninguém nos quatro reinos teria coragem de ser tão sincero e direto com seu rei como essa bela mulher era.

Mas ele se surpreendeu com a mulher retomando a palavra.

-Trate-o bem e meu coração se tornará brando, pois tal como meu filho tenho uma alma gentil e o perdão faz parte de minha natureza tanto quanto da de Sasuke, se fizer isso sua roupa ficará linda, usarei vermelho e dourado para o rei e azul e branco para meu filho, é de seu agrado vossa majestade?

O rei afirmou que sim visivelmente abalado pelo que ela lhe disse e eles foram comer, apesar das formalidades e ainda sentir da parte deles uma certa distancia, principalmente por parte de Itachi, já havia entendimento entre eles, principalmente após uma serva trazer um elixir que foi tomado por Shisui e aplacou sua dor crônica deixando seu semblante mais tranquilo, fazendo com que Itachi pela primeira vez em dias demonstra-se um leve sorriso verdadeiro nos lábios e pudesse se sentar ao lado daquele que de fato era sua vida e tocar em seus dedos suavemente e assim uma faísca de esperança podia brilhar entre aqueles que estavam ali reunidos. Ainda era suave e trêmula como qualquer esperança após muitos anos, mas existia.

Mesmo assim o rei decidiu que ofertaria muitos búfalos aos deuses e usaria suas carnes para banquetes do povo como era o costume, a vida do animal ofertada aos deuses e suas carnes ao povo, tudo isso ele faria para pedir perdão pelo que considerou seu maior erro nesta vida.

Pois depois de ter conhecido todos eles podia ter feito tudo de forma diferente, podia ter unido todos eles e isso de fato seria suficiente para tirar de Sasuke o seu desejo de morte, mas arrogante como um rei sempre é preferiu usar o medo como ferramenta, quase perdendo para sempre o amor que um dia desejava despertar no coração inocente de seu amado, ele se sentia abençoado pelo fato de que seu amado havia superado tanta dor e medo e isso só lhe mostrava que o belo general era de fato extraordinário em sua fortaleza e coragem e ele o amou ainda mais após isso.

Após o jantar que foi servido por cinco servas e consistia em carnes assadas, legumes cozidos com condimentos e sopas nutritivas, foi servido frutas picadas e bolos embebidos em mel, nesse momento a porta se abriu e Boruto entrou satisfeito usando suas vestes de dormir, ele assim que viu que todos estavam ali fez um bico adorável e cruzou os braços.

-Bem, bem meu pai, como acha que me sinto ao ver que convidou toda a família menos seu ilustre filho? Realmente sou o príncipe? Tenho cá minhas dúvidas...

Mikoto teve que esconder os lábios em sua manga da blusa para esconder uma risada depois dessa reprimenda bem típica do garoto atrevido, até mesmo Shisui e Itachi esboçaram um sorrisinho discreto, mas todos se espantaram com o que ocorreu logo a seguir, o rei revirou os olhos impaciente, mas Sasuke ficou em pé e abriu os braços.

-Venha aqui...Disse o general de braços abertos, sua figura na roupa nova magnífica era de fato absoluta e o pequeno correu para os braços se afundando no perfume gostoso de flores e quase ronronando com isso.

O general o abraçou e o puxou para junto de si na poltrona onde se encontrava, aninhando o pequeno em seu colo.

Shisui tocou discretamente a mão de Itachi sorrindo pelo gesto do primo e a mãe de Sasuke sentiu seu coração aquecer, apesar de tudo que o filho passou ele não guardou mágoas suficientes para deixar de doar seu amor puro a quem necessitava tanto de afeto e essa criança prodígio, filho do homem que o obrigou a ser dele de fato não tinha culpa dos erros do pai, mas mesmo assim qualquer um que tivesse passado por isso poderia transferir o ódio a ele, não era o caso de Sasuke, livre de julgamentos alheios ele se baseava em seu coração de inspirações doces e superiores, ela se sentiu grata por isso.

-Não fique magoado, seu pai não deveria saber que iria desejar se reunir a nós, estamos somente jantando, para uma criança isso de fato não é uma tarefa interessante.

-Mãe rainha...Eu falhei em minha promessa como pode ainda me acalentar? Disse Boruto chorando subitamente.

-Porque me diz isso? Não chore ou o coração deste pobre homem vai se afundar em tristezas, é isso que deseja? Disse Sasuke fazendo carinhos nos cabelos loiros como os cabelos do rei.

-N-não...Nunca quero te ver triste de novo, mas eu...E-eu não fui forte para te proteger naquele momento...Eu vi como ficou ferido pelas correntes, vi seus pulsos e eu vi o sangue descendo deles, ouvi sua voz e quis muito ser forte para protege-lo.

Sasuke estava chocado que o rei tivesse permitido que o filho tão pequeno ainda visse tal ato de barbaridade e se sentia de certo modo culpado por isso, no entanto tudo que podia fazer era tentar remediar.

-O que passou não importa mais, estamos todos juntos hoje, e se o hoje for tudo que temos eu o aceito e sinto-me grato por isso e veja...Meus pulsos estão muito bem. Disse Sasuke puxando suas mangas e mostrando os pulsos onde apenas uma cicatriz branca manchava a pele indicando que um dia ela se rompeu.

-Estas marcas! Ficaram marcas? Porque Haruno não as tirou? Disse Boruto apavorado e o rei se aproximou, ele mesmo não tinha percebido tal coisa e agora sentia que seu coração iria explodir, porque ele sempre se lembraria de como e porque as marcas estavam na pele pálida como a neve.

-Calma...Cicatrizes são lembretes de um sofrimento passageiro, elas não me incomodam mais, não sinto dor alguma e estou muito bem, se acalme e talvez seja melhor ir dormir agora.

-Hum hum...Eu quero estar onde estão todos vocês, meus mestres e meu pai e minha futura mãe rainha...Quero me sentir de novo amado.

Sasuke acarinhou os cabelos loiros revoltos que tinham cheiro de tempestade e folhas verdes e riu.

-Ahh de certo é muito amado, é o príncipe herdeiro, não diga bobagens...

-Sei disso, mas não é garantia de amor, até poucos dias eu odiava as aulas, meus tutores eram chatos e entediantes...Na verdade até poucos meses tudo era chato e entediante, mas no momento que eu soube que meu pai tinha uma escolhida eu corri para ver, escutei boatos de que era na verdade um escolhido e isso me intrigou muito, nunca pensei em ter uma mãe rainha que fosse outro homem, mas daí que eu vi você naquele jardim, lendo...Percebi antes que conversasse comigo que meu pai apesar de ser muito mal as vezes (e nisto o jovenzinho olhou feio para o rei), sabe escolher muito bem e desejei que tudo se arranjasse logo.

Sasuke sorriu, lembrando que ainda não tinha de fato terminado o romance por puro medo do que viria a descobrir, e esse menino era mais esperto que ele que era um homem feito, isso era vergonhoso...Seria melhor ler logo e descobrir por si mesmo.

-Hum, hum...Disse palavras bonitas, mas será que tem me dado orgulho junto aos seus novos tutores? Posso perguntar agora mesmo, o que acha? Disse o rei divertido enquanto cortava um bolo bem melado e doce e colocava num pratinho mas levou um susto ao sentir as mãos pequeninas lhe roubando o pratinho e rindo com isso.

O olhar do rei era divertido para os outros, ele não conseguia fazer seu filho o obedecer, mas o sentia mais próximo de perdoa-lo.

-Pode perguntar meu pai, a senhora Mikoto sabe que eu me comporto como um príncipe verdadeiro e tenho até descoberto para que serve aquela coisa bifurcada que fica na mesa...

Mikoto sorriu e respondeu.

-Garfo de carnes...

O pequeno continuou.

-E Shisui me contou histórias incríveis de povos antigos, tão antigos que naquele tempo existiam dragões, e pelo visto eram nossos antepassados, creio que o meu mestre sabe mais de nossos antepassados que você meu pai...Poderia tomar aulas com ele, sabia? Boruto provocava porque se sentia ainda com raiva do pai e isso iria demorar a passar.

Shisui corou e se ocupou em comer algumas cerejas em calda, seu rosto na mesma cor da fruta doce, o rei ao ver isso se condenou por ter assustado alguém de constituição tão frágil e ainda por cima com um problema de saúde tão sério, ele de fato se condenou mentalmente e se xingou muito, neste ponto já havia se martirizado tanto que podia entender perfeitamente o filho, que ele sentisse de fato raiva, era compreensivo, mas isso o preocupava ainda.

O pequeno continuou sua conversa mudando de assunto como um rio muda de rumo.

-Ohh eu aprendi que temos uma energia muito grande dentro do corpo que vem da alma ou espírito e que um dia eu devo dominar, assim como minha mãe rainha domina tão perfeitamente...Falando nisso quando eu posso ver minha mãe rainha lutando? Treinando com meu mestre Itachi? Eles são irmãos, podem treinar juntos não é meu pai??

Itachi que até então não havia dito uma única palavra falou de modo sereno.

-Vosso filho é admirável, ele realmente entendeu o conceito do Qui em apenas uma hora, normalmente os soldados que treinei levavam semanas para apenas entender o conceito e mesmo assim meses para usa-lo, até hoje o único que fez isso tinha sido meu irmão Sasuke.

Naruto se surpreendeu com isso, tanto pelo filho como a confissão de que um escravo treinou soldados.

-Achei que não pudesse sair de dentro do palácio...

Naruto iria continuar mas parou, sabia que o jovem serviu o Usurpador contra sua vontade mais de uma vez e que usava no pescoço uma coleira mágica que era a prova disso e o lembrava de todos os abusos.

Itachi não se abalou, sendo sincero em tudo como sempre.

-De fato eu não podia sair de dentro do palácio e servia como escravo dentro do palácio, mas...Alguns soldados pediam ao Cão fiel minha ajuda para serem mais fortes e eu fui convocado a treinar várias levas de soldados durante os anos seguintes, dentro do pátio interno.

Boruto que estava escutando tudo com atenção se levantou e foi até Itachi tocando sua coleira no pescoço.

-Pai, porque meu mestre em armas ainda usa essa coisa no pescoço? Nossa magia é inferior a ponto de não liberta-lo disso?

Haruno que entrou nesse momento se apressou a responder.

-Não pequeno príncipe, mas vosso pai ordenou que mantivesse a coleira porque ele tinha medo que Itachi decidisse se machucar se fosse retirado essa restrição, e eu modifiquei a magia, assim até que o rei tenha confiança que o seu mestre não pretende atentar contra a própria vida como fez o nosso general ele manterá a coleira.

O rei queria enfiar a cabeça no balde de água que era usado para refrescarem as mãos.

Todos ficaram quietos e Haruno percebeu que deveria ter se mantido em silêncio, mas Boruto não pensava assim.

-Porque meu mestre faria isso? Ahhh foi porque o meu pai usou eles para convencer o general a ser sua rainha, estou certo?

O constrangimento era palpável e Sasuke resolveu intervir.

-Tudo bem...Seu pai prometeu nunca mais fazer isso e a palavra de um rei é divina.

-Claro que sim...Pois bem...Ele mentiu sobre isso também, eu ouvi a conversa dele com Haruno, mesmo com todo aquele teatro nunca teve a intenção de machuca-los de verdade e ainda os proibiu de contar isso a minha mãe rainha...Tsc Tsc...Pai Rei Dragão malvado mentindo assim...E Haruno é igual.

Naruto ficou chocado, ele foi desmascarado pelo filho na frente da família de Sasuke e pior ainda, na frente de Sasuke! Teria que ofertar uma manada de búfalos somente para implorar aos deuses que dessem mais discernimento ao filho.

Haruno tirou Boruto da sala rapidamente e as servas saíram todas, a família ficou de cabeça baixa e o rei sem saber como começar a falar, mas Sasuke esperava uma resposta.

-Isso é verdade Naruto? Seu tom era firme e seco.

-Meu amado...Por favor entenda, eu estava desesperado...Hum? Cometi um erro terrível ao usar sua família assim, mas eu não pretendia machuca-los, era um teatro, só que eu não confiei que eles iriam cooperar comigo, por isso mandei amarra-los e amordaça-los...Infelizmente eu me esforcei demais e eles acabaram sentindo medo verdadeiro.

-No final pedi que não contassem nada, eu achei que seria pior saber que eu sou um mentiroso e usei de um ato infame desses para convence-lo a ser minha rainha e não tentar mais se ferir, eu tive medo de perde-lo!

Sasuke não disse nada, ele e sua família se despediram com abraços silenciosos e o rei mordia as unhas em agonia, podia ter perdido a pouca confiança que tinha do homem que mais amava no mundo?

Quando enfim estavam a sós o rei se aproximou do lindo general que estava apenas sentado arrumando uma prega invisível na roupa impecável.

-Sasu...Meu Sasu...Fale comigo...Não se irrite com sua família, eles não tinham escolhas, eu não lhes dei escolha...Mas eu, eu...

Sasuke o encarou, olhos negros tão intensos que tirou o fôlego do rei sem nenhuma palavra.

O rei se ajoelhou na frente do seu general capturado, se antes ele era o rei e este homem era seu prisioneiro hoje as coisas eram diferentes, ele era o rei cativo, não mais o general, de fato o rei estava nas mãos desse homem belo e forte, com um coração generoso e bondoso, por isso seu orgulho não era mais nada, que seus ancestrais se revirassem todos no túmulo ele não se importaria, mas ali, na frente do seu amado imploraria por seu amor.

-Meu Sasu...Eu te amo...Te amo tanto que não sei como explicar, ninguém mais me é querido além de ti, por favor perdoe esse seu servo infeliz que por amor acabou errando tanto...Eu devo assim que estivermos casados devolver todas as honras a seus familiares, sendo assim sua mãe será a imperatriz viúva, seu irmão o príncipe, respondendo somente a mim e seu primo terá também um título de nobreza ficando acima de meus ministros depois disso...

Sasuke queria sorrir, na verdade ele continha uma risada a muito custo, sofreu tanto achando que esse homem era mal, quando na verdade ele estava fingindo, o deus mal já estava morto há muito tempo e o rei que jogava gamão dentro da carruagem enquanto viajavam se delineava a sua frente, misturando-se com o rei que agora estava a sua frente e isso o alegrava muito, ele podia perdoar definitivamente um truque desses muito mais facilmente do que perdoar o que achou que havia acontecido, aquela maldade inominável, era fato que ele havia errado, mas apesar de sua lógica torpe ele queria mesmo do seu modo proteger Sasuke de um ato infame, era evidente que se ele tivesse pensado um pouco apenas teria agido de modo diferente, mas de certo que os reis podem ser insondáveis em seus pensamentos.

Suspirou aliviado e se aproximou do homem que estava ajoelhado a sua frente, por fim sorriu para ele.

-Um rei bondoso é mais amado que um rei cruel...Beije-me agora.

Naruto piscou aturdido, ele merecia ser xingado, ser ofendido mas via o sorriso no rosto bonito e o olhar sofrido mudando para um alegre, o abraçou afoito e o beijou longamente.

“Ahh se soubesse que era isso que faria o seu amado se entregar a ele mais facilmente não teria sofrido tanto...Tinha muito a aprender...”

Agora o rei teria que ofertar búfalos e ainda ovelhas, estas para agradecer aos deuses pelo coração do seu amado...Muitas e muitas ovelhas...Seu povo se banquetearia por dias.

Notas finais
Esse rei precisa de conselheiros não acham? Boruto contou tudo!! Menino danado...Haruno deu com a língua nos dentes...Morri com isso, e Sasuke...Bom, ele de fato tem o coração de um nobre.

11. A verdade que liberta e constrói.

Notas do Autor
Após a revelação o rei se sente acuado e assustado, mas Sasuke mostra mais uma vez que é bondoso e compreensível, e finalmente o rei percebe que existe mais a ser investigado nessa história, afinal como seu amado conseguiu uma adaga? Quem lhe deu tal arma? E a bruxa de mil anos começa a tramar seu plano. Boa leitura.

O general capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 10. A verdade que liberta e constrói.

O rei beijou os lábios macios e se deleitou na sensação, mas no fundo de sua mente ele finalmente pensou em uma coisa e isso precisava ser explicado, ele precisava saber pois sentia que tinha algo errado nesta situação, ele se envolveu em criar todo o teatro, corromper a honra da família de Sasuke, obrigar o general a se submeter a ele, mas nunca investigou os fatos que o levaram a tal ato, se mesmo Haruno que interrogou o pequeno ser que era todo o seu mundo não descobriu naquele dia que havia uma tendência de o seu amado atentar contra a vida, como ele pode quase se matar dias depois?

Cessou o beijo e afagou seu rosto macio.

-Meu amor, obrigado, seu voto de confiança me traz esperanças de um dia ser tão admirável quanto ti, mas seja também sincero comigo e por favor me diga, o que o levou a atentar contra sua própria via e como conseguiu aquela adaga?

Sasuke suspirou, ele sabia que um dia essa pergunta seria feita, nunca pensou que demoraria tanto e que por isso tantas coisas desagradáveis pudessem acontecer, mas de fato ele tinha que contar algo, sem contudo comprometer a serva Hinata que ele não pretendia deixar ser vítima da fúria do rei, se bem que ele nunca entendeu porque ela mentiu assim, mas não pretendia deixar que tal coisa fosse responsável por joga-la contra a fúria do rei, ele bem sabia como era dolorido ser vítima dessa fúria.

-Se eu contar pode me prometer algo? Jurar por sua coroa que me ouvirá?

O rei sentiu um calafrio na espinha, mas sem alternativas concordou.

-Juro por minha coroa...

-Naquele dia eu estava ainda temeroso quanto a ser sua rainha, sentia medo de ser ridicularizado pelo povo...O meu povo...tinha vergonha disso e me sentia inferior e assustado, havia ainda o medo de ter perdido minha família e por mais que eu pedisse a você por eles nenhum resposta me era dada, sendo assim eu deduzi que eles estavam mortos...

O rei se xingou pela décima vez por isso.

-Uma serva me viu sozinho e pensativo e veio até mim, ela me disse que o povo me ridiculariza nas ruas, que eu era motivo de escárnio por minha gente, que eles se envergonhavam de um príncipe e general se submeter a um rei assim...E depois me disse que minha família tinha sido morta por suas tropas e seus corpos jogados em uma vala comum para serem comidos por animais selvagens.

O rei mantinha a respiração presa e quase estava a sufocar-se com isso, quem em nome dos deuses faria isso?

-Após isso ela me deu uma adaga de jade e me disse que eu devia ao menos me matar e evitar a dor maior de ser visto andando em público como sua noiva rainha...No meu desespero implacável eu atentei contra minha vida na esperança de ver minha família de novo, eu acreditei que o que ela me disse era a verdade, estava ferido em minha alma, cansado de lutar e sofrer e desconfiado que todos eles estavam mesmo mortos, imaginar isso era demais para mim.

Sasuke terminou e esperou.

-Ohh...Isso...Como? S-seu povo te ama, eles te veneram!! Nunca ouve qualquer assunto desagradável, eu mesmo mandei meus homens observar todos, espiões entre o povo e a aceitação é unanime!! Porque tal mentira? Mesmo que nunca tenha existido antes uma rainha homem, o relacionamento entre dois homens não é um tabu em minhas terras e que eu saiba nem mesmo aqui, embora eu tenha percebido que neste reino não se realizam casamentos entre pessoas do mesmo sexo e eu sinceramente vou mudar isso, mas nada que seja tão drástico a ponto de torna-lo digno de ridículo, nunca!

-E sobre sua família...Toda a culpa é minha, eu devia ter trazido eles a você, ter confiado em seu coração generoso...Agora vejo que fui cego em todos os pontos, se eu tivesse lhes dado minha mais sincera confiança eu os teria mais perto de mim, estou certo?

Sasuke concordou.

-Rei Dragão, como eu disse antes...O amor é mais intenso que a dor, se tivesse me dado o mínimo de esperanças que eles estariam vivos e bem, ainda que nem mesmo tivesse os trazido a mim...Eu cederia a suas palavras sem um fio de arrependimento, nem mesmo me importando com o que o povo estivesse falando a meu respeito, desde de que minha família estivesse viva e bem.

O rei se levantou e andou de um lado a outro mortificado, ele deixou muitas pontas passarem sem serem vistas, mas...Agora ele queria saber quem foi a serva que fez isso, em sua arrogância e vontade de ter Sasuke para si completamente ele não observou os fatos com imparcialidade, afinal como ele teria uma adaga de jade? Quem lhe teria dado? Era absurdo que tivesse deixado isso passar...

-Quem? Quem mentiu assim para você?

Sasuke olhou nos olhos do rei e disse francamente.

-Prometeu em nome da sua coroa me ouvir e eu agora lhe digo que acredito que ela se arrependeu e por isso não lhe direi o nome dela, não quero mais ver sofrimento nesta vida e poupar essa mulher é minha maneira de pedir ao rei que se arrependa pelo que me fez passar, pois de fato quase acabou comigo ver minha família naquela situação e saber que eu era o responsável, minha alma quase se partiu sem nem mesmo precisar de uma adaga, eu provavelmente teria morrido de desgosto se não fosse a senhorita Haruno ter a gentileza de me trazer um velho amigo e braço direito em campo, foi ele me deu incentivo necessário para apesar de tudo continuar vivendo, tentando seguir nessa vida e entender que o que não pode ser mudado já está escrito, e que eu deveria alimentar o deus bom que existe em você, assim manteria minha família segura.

Novamente o rei se jogou no chão de joelhos e abraçou seu Sasu com ambas as mãos trêmulas.

-Não me diga mais isso! Eu imploro!! Até o fim de meus dias eu sofrerei pelo mal que lhe causei...Não ouso mais tentar saber quem fez isso, mas juro que vou ser cuidadoso ao escolher as servas para cuidar de você, a própria Haruno será responsável por isso de agora em diante, ela mesma escolherá as servas com magia, ninguém mais mentirá a você ou a mim assim tão levianamente.

Sasuke lhe disse mais e isso doeu no rei, mas ele sabia que era necessário.

-Jure para mim que confiará em minha palavra de agora em diante, jure que mesmo que tudo pareça estar contra mim, será capaz de me dar um voto de sua confiança e investigará os fatos antes de me condenar sem ter todas as respostas.

-Porque me diz isso meu amor? Sei que fui injusto e nunca mais o serei de novo!

-Porque quebrou sua promessa uma vez...Disse Sasuke sendo sincero.

O rei susteve a respiração, quando?

-Eu sou o Rei Dragão e nunca quebro minhas promessas, quando eu fiz tal coisa?

-Prometeu que não iria me machucar mais após eu ter sido capturado e ter sido torturado por três dias, porém embora os ferimentos não serem físicos acabou realmente me ferindo mais ainda...De agora em diante cuide de mim, cuide de sua rainha...

Os céus podiam cair, os mares se afundarem, nada deixaria o rei mais perplexo do que essas palavras doces...Ele aspirou o ar como se fosse a primeira vez e um sorriso bobo estampou seu rosto.

-Pelos deuses do firmamento eu juro...Solenemente ser seu leal servo de agora em diante, nunca mais em minha vida vou feri-lo, seja fisicamente ou em sua alma nobre, antes que eu sofra mil agonias e mil mortes!!

Sasuke lhe deu a mão e o ajudou a ficar em pé, beijando seu rosto em ambas as bochechas e sorriu dizendo...

-É verdade que sofreu por mim?

-Ohh mil vezes que sim!! Mal administrei o reino nestes dias e fui tão condenado que até meus servos me olhavam de cara feia, meu filho me rejeita até hoje e até mesmo minha serva leal está a me torturar com seus olhos maldosos...Porém eu sei que mereço e isso basta.

-Que bom...Um sofrer sozinho é injusto não acha??

O rei sorriu, porque seu general estava brincando com ele e sendo jovial e lindo, quase de fato como namorados são.

O general deitou o rosto no peito largo do rei e suspirou feliz.

-Estou tão cansado...

De fato embora recuperado fisicamente havia dentro dele muitos ferimentos que ainda se curavam, estavam na alma mais que no corpo.

O rei o levou para a cama e o deitou, cobriu seu corpo e velou seu sono a noite toda, desperto por um sentimento de proteção intenso e um remorso ainda maior...

Ele se lembrava de como o encontrou após a tortura, ferido além do que é humanamente possível suportar, suas costas dilaceradas onde o sangue descia vívido sobre o sangue já seco, os pulsos tão machucados, os tornozelos e os inúmeros cortes na pele antes tão imaculada, ele se lembrava de como pediu aos deuses por misericórdia pelo que fez a um ser tão belo, e neste momento ele nem mesmo conhecia a bondade desse coração valente, ele se sentia miserável toda vez que pensava em tal ato injusto, ele mesmo naqueles dias se sentia ressentido de receber notícias do calabouço de que o seu prisioneiro não gritava, não pedia misericórdia e nem mesmo chorava, ele nunca teve antes um prisioneiro que aguentasse tanto, de fato ele em sua ignorância ordenou a tortura ser ainda mais eficiente e agora sentia dor no coração por tal ato, tanta que ele se sentia rasgar por dentro, mesmo vivendo duzentos anos nunca poderia compensar por tal situação...

Mesmo assim, mesmo assim seu general o perdoou e estava ali dormindo pacificamente na cama, sem medo dele que vigiava seu sono, sem mágoas e sem ódio, como esse nobre ser era ainda humano? Devia pertencer as divindades do firmamento...E pensar nisso o assustava, pois ele podia muito bem perde-lo para as divindades caso elas desconfiassem da bondade do general, era preciso adular os deuses ainda mais...Ofereceria flores na primavera com certeza.

E foi somente nas altas horas da madrugada quando o silêncio reinava sobre todos que os olhos do rei pesaram e ele se acomodou ao lado daquele que era sua vida e suspirou fechando os olhos.

Longe dali em areias amarelas onde os escorpiões passeavam tranquilos um homem de cicatriz na face alimentava o fogo ardente de uma fogueira para manter as cobras do deserto longe e se aquecer do frio que fazia a noite dentro daquela caverna.

-Ohh que lástima...Perdemos tudo. Resmungou o homem de bochechas coradas e olhos vítreos.

-Sim, graças a sua inaptidão em ser ao menos razoável. Resmungou o Cão fiel.

-Oras, quem deveria governar? De certo que não eu! Tudo que eu queria era ser feliz no meio as concunbinas e aquele jovem atlétio e forte...Nossa que saudades de Itachi!!

O Cão fiel revolveu o fogo ardente com desejos assassinos pelo infame homenzinho nojento que ele aturou por culpa da bruxa de mil anos, se não fosse o medo que tinha dela teria matado ele mesmo esse verme asqueroso e imundo que ele tinha ali em seu poder e pensar que o povo deu-lhe o apelido de Cão fiel por acreditar que ele era fiel a este miserável projeto de ser humano! Como ousaram? Infames! Estúpidos e ignorantes!!

-Sei, adorava que ele o tomasse na cama não é mesmo? Sendo humilhado por um escravo!! Francamente...Aquele escravo tinha nojo de você e somente o tomava porque era obrigado...Até mesmo a semente que ele deixava dentro de seu corpo miserável ele devia odiar...Disse o Cão ao seu não mais Imperador falso e usurpador.

O homem riu.

-Isso não importa, ele fazia muito bem...Mas do que reclama? Sei que o olhava com desejos...Porque nunca o tomou para si?

O homem praguejou.

-Eu gosto de coisas mais suaves.

-Como o irmão dele por exemplo?? Sei que deseja Sasuke.

O Cão fiel enraivecido jogou longe a espada que mantinha nas mãos revolvendo o fogo com ela.

-A bruxa me proibiu!! Aquela coisa antinatural dos infernos!!!

O Usurpador riu baixinho.

-Sim, eu pelo menos tive o irmão...Gostoso como o inferno...Forte como próprio demônio, as vezes ele acabava comigo e eu adorava mesmo sabendo que ele fazia isso por obrigação, e que tinha nojo de mim, pouco importa. Suspirou sonhador.

O Cão queria soca-lo ali mesmo, mas se conteve.

Um vento se fez ouvir e o uivo de cães selvagens e o silvo de cobras e coisas que eles nem queriam saber o que era irrompeu na noite assustadora e no meio da caverna em meio a um tornado de areia surgiu uma mulher linda, cabelos longos e ondulados na cor das flores de Sakura dos jardins imperiais, suas vestes negras esvoaçantes rodopiaram e ela tocou os pés ao solo.

-Tenho notícias...Mandarei você ao castelo, converse com a serva Hinata, marque uma hora com os ministros que desejam mal a Sasuke, criaremos leis que favoreçam que em breve ele seja condenado e morto dentro das leis do rei e depois com o rei de coração partido eu mesma terei minha chance.

-Chance de que? Perguntou o Usurpador.

-De ser a rainha do reino das Terras Nevadas, e me vingar de Naruto lhe roubando seus reinos, seu coração e no final sua própria alma.

Desta vez o Cão fiel resolveu perguntar, afinal porque uma bruxa de mil anos teria ódio de um rei jovem?

-Porque o odeia tanto?

Ela sorriu.

-A família Uzumaki me matou a mil anos...Ou achou que tinha matado. E eu desejo vingança desde de então, mas somente agora sou forte o suficiente para isso, aquele clã é muito poderoso.

-Mas perdemos nosso reino...Lamentou o Usurpador.

-Sim, perdemos...Eu estava ocupada tentando ganhar mais poder, matando dezenas de feiticeiros para roubar seu poder e assim ser mais forte e não tive tempo de cuidar do reino, confiei em suas inúteis figuras e o reino se perdeu por culpa de vinhos, amantes e regalias...E perdemos nosso general que eu queria usar contra Naruto, mas vejam como a vida é engraçada, no final o general está onde devia estar, nos braços do rei.

-Planejou isso? Perguntou o Usurpador.

-Claro! Eu queria o coração do rei nas mãos do general, sabia que eram a alma um do outro, as metades divididas da mesma fagulha divina, por isso eu sou a bruxa de mil anos!! Tenho o poder de ver entre as almas...Mas nada saiu como planejado, mesmo assim o desfecho ainda é o mesmo, se o general morrer o rei perde o poder e eu posso manipular ele finalmente, quando não restar mais nada dele eu posso finalmente atacar.

-De que isso adianta?

Ela deu um tapa no rosto gordo do homenzinho.

-De que adianta? Sendo a rainha eu vou estar na cama do rei. Eu vou possuir o corpo do Rei Dragão e mandar a alma dele para o inferno! Serei o líder de uma nação gigante e vou destruir tudo em meu caminho, com minha alma forte e imortal e o corpo dele serei invencível!!

Nenhum dos dois homens disse mais nada, eles não tinham como dizer, ela era mais assustadora que qualquer coisa que já viram, durante o tempo que a conheceram viram ela roubar corpos como se troca de roupas, homens e mulheres, sendo que o último corpo a ser tomado foi de uma rainha do reino de cristal, quando o coração da vítima ainda batia e o seu sangue jorrava quente...o corpo de Megume, rainha da cidade de Cristal, mãe da serva que era o braço direito do Rei Dragão.

Ela sorriu olhando os dois seres que desprezava, assim como desprezava quase todos...Mas se dignou a continuar, afinal ela mesmo sendo poderosa ainda tinha sua vaidade, se não contasse seu brilhante plano a alguém como se gabar dele?

-Idiotas...Só posso possuir um corpo se ele estiver morrendo ou se eu fizer sexo com ele, é evidente que não desejo o rei ferido, leva tempo para curar um corpo humano, mesmo com magia, ferimentos externos somem rapidamente, mas internamente eles demoram, e eu quero obter o poder e a força de Naruto, íntegros para mim, por isso eu preciso estar em sua cama, com ele de luto por Sasuke isso é fácil.

-Ohhh...Entendo...Disse o Usurpador.

-Mas e eu? Como poderei ser útil a vossa senhora?

Ela riu divertida, essa era a melhor parte.

-O Cão vai te entregar ao reino como um presente, isso abrirá as portas para ele.

O pequeno homem gorducho engoliu em seco enquanto o bárbaro de cicatriz sorria satisfeito.

Notas finais
Estão gostando da história? Pois é...Essa bruxa é mesmo do mal. Sasuke é maravilhoso em minha opinião, ele realmente é forte e adorável e Naruto está muito arrependido de tudo que fez e tentará tudo para recompensa-lo. Beijos.

12. As intrigas da corte e a serva fiel.

Notas do Autor
A imagem deste lindo general me inspira...Mas, eis que a bruxa coloca seu plano em ação e lentamente pretende usar os ministros a seu favor. O rei está apaixonado e demonstra em ações e palavras tudo que sente ao seu general, uma armadura muito especial está sendo confeccionada e logo uma espada será devolvida ao seu mestre de direito, ela é importante nessa história, aguardem. Beijos e Boa leitura.

O general capturado e Rei Dragão.

Capítulo 11. As intrigas da corte e a serva fiel arrependida.

O dia amanheceu lindo e frio, Sasuke despertou e notou que estava sozinho na grande cama, sentiu o cheiro de comida quente e se sentou na cama ainda sonolento, ouviu passos e logo a cortina leve foi puxada e uma serva bonita lhe sorriu.

-Bom dia meu senhor, dormiu bem?

-Oh...Sim, dormi...Quem é você?

-Sou Ino, serva da corte do Rei Dragão, fui designada pela minha mestra a senhorita Haruno para cuidar do senhor de agora em diante, eu e a serva Hinata vamos estar sempre por perto, nada lhe faltará e receberei suas ordens de agora em diante. Ela disse fazendo uma breve reverência.

Sasuke se levantou e foi gentilmente conduzido ao banheiro, a serva lhe entregou toalhas e acendeu um incenso dentro do enorme local de banhos e depois saiu o deixando por um momento sozinho para suas necessidades fisiológicas, mas ele sabia que ela retornaria logo mais, sendo assim deixou seus pensamentos vagarem por um momento.

Apesar de tudo que passou se sentia bem agora, não significa que tudo que passou foi esquecido, cada dor e medo e sofrimento viveria em sua alma para sempre como fantasmas o assombrando em seus pesadelos, mas ele se sentia melhor, aceitar o rei como seu marido podia ser ainda assustador mas não era mais terrível e nem mesmo impossível, de fato ele se sentia confortado ao lado do rei embora não fosse capaz de entender esse sentimentos, podia ver que este homem forte tinha por ele um carinho real, quase palpável, embora ele também não entendesse isso muito bem, gostava dos beijos que trocavam e sabia que fariam bem mais após o casamento, mas ele já não tinha tanto medo, de certo modo sentia que o rei não o machucaria quando chegasse o momento, e isso era algo que ele também não conseguia explicar...De fato havia muito que ele não entendia, mas se seu destino era esse após tantas dificuldades não lhe parecia tão terrível.

Longos minutos se passaram e ele agora já estava dentro da piscina de águas quentes, apreciando a leve fumaça do incenso que subia em espirais quando a serva retornou, ela sorriu ao ver seu jovem mestre já dentro da água, ele não era como os outros que esperava ela até desamarrar os laços de sua roupa, isso era bom e raro, ele era também muito doce e gentil, sempre com um olhar calmo e sereno e ela sabia bem por tudo que ele tinha passado, sentia por esse homem um respeito imenso, mais ainda do que sentia pelo rei.

-A água está boa meu senhor? Deseja mais sais de banho?

-Sim, muito boa e não precisa de mais nada...Viu o rei ainda hoje mais cedo?

-Oh sim, o rei passou a noite ao seu lado e hoje de manhã me mandou não acorda-lo, ele enviou ordens de fazerem um desjejum saudável e quente para o seu amado e deixa-lo dormir em paz enquanto isso, também pediu que mandasse todos andarem nas pontas dos pés para não prejudicar seu sono, disse a todos nós que esse era o mais importante trabalho do dia, mante-lo feliz.

Sasuke corou com esse comentário e ficou envergonhado, afinal ele nunca em sua vida foi tratado assim, para sua sorte a serva era discreta e não comentou o fato de que as bochechas do general ardiam vermelhas.

-É possível que ele me ame mesmo? Perguntou Sasuke para si mesmo e para a serva com sua voz muito baixa, temendo que mais alguém escutasse essa conversa constrangedora para ele.

A serva sorriu e se aproximou ajeitando distraída um vaso de flores frescas colocado ao lado da piscina enquanto pensava em como responder a uma questão tão obvia para todos, menos para o jovem general.

-Bem...Eu adoraria receber tanto afeto e consideração...De fato creio que o rei está mais que apaixonado, ele o venera meu senhor, embora eu tenha conhecimento de que ele errou muito com vossa pessoa e eu como todo o reino estamos ainda tentando perdoa-lo por isso...O filho do rei, nosso príncipe contou o que ele fez a sua família, no começo ninguém realmente dava muita importância aos antigos monarcas depostos, não era por mal, era apenas que todos nós vivíamos como cães de rua, sofrendo de fome e frio nos invernos longos e passando todo tipo de necessidades, de fato entre o povo e os escravos não havia diferenças, por tanto nem mesmo mais lembrávamos dos antigos monarcas...Mas agora eles são como heróis para o povo, são amados, todo o povo conhece agora tudo que eles passaram e sofremos por eles, é como se identificar em um espelho, irmãos no mesmo sofrimento.

Sasuke estava pasmo, como o povo sabia de tudo? Eram todos sensitivos como as feiticeiras?

-Como isso é possível? Ele contou a verdade para mim ainda ontem a noite, como o reino sabe disso? Acaso ninguém dorme por aqui mais?

Ela riu enquanto entrava na água e esfregava as costas do general com uma esponja macia e perfumada, pois seu trabalho era cuidar dele nos mínimos detalhes e o banho era um deles.

-Bem isso é fácil de entender, o pequeno príncipe... Ele contou aos seus servos que contaram a outros que contaram aos escravos, feirantes, ambulantes e enfim...O reino ferve pela manhã e as notícias são apetitosas demais, entendemos que o rei de fato não iria machucar nossos antigos monarcas, mas mesmo assim foi uma crueldade o que ele fez, essa pobre serva se sente ferida pelos amados monarcas e por meu senhor Sasuke...Mas sinto-me satisfeita em ver que o meu senhor está bem e parece até contente, de fato é como todos dizem...Sua fortaleza é imensa e sua sabedoria grandiosa.

-O povo pensa assim de mim? Não sou nada disso, sou apenas um general capturado que perdeu uma batalha em campo para um rei.

A mulher sorriu.

-Conhecemos toda a história meu senhor, estava faminto, lutando por seus homens, foi torturado por três dias e mesmo assim não se rendeu, apenas o fez para salvar seus homens, guerreiros valorosos do reino das terras nevadas, esses homens ao retornar para suas famílias contaram seus feitos, e enalteceram sua sorte, é um herói verdadeiro meu senhor.

-Ohh, isso é realmente incrível, por muitos dias eu andei imaginando o que o povo dizia de mim, acreditando que me odiavam e me repudiavam por ceder ao rei, mas eu estava mesmo errado...

A serva lhe ajudou a sair da água e o envolveu em uma túnica branca macia.

-E como o meu senhor está? Feliz, triste?

Sasuke pensou...

-Estou bem, creio que isso basta.

Ela o guiou a sala do desjejum e começou a servi-lo.

-Está serva humilde lhe deseja felicidades, que os deuses concedam ao senhor dias de alegria e contentamento.

-Obrigado Ino...

Então o general percebeu que a serva Hinata não estava ali.

-Onde está a serva Hinata?

-Oh...Francamente eu não sei, deveria estar aqui, mas ela já foi uma concunbina e tem mais liberdade ainda agora que serva a mestra Haruno...Deseja que eu a busque?

-Não...Outro dia eu a verei e então conversaremos.

Foi então que o rei surgiu e entrou, ele trazia flores nas mãos e um sorriso no rosto.

-Já terminou de comer meu amor?

Sasuke o olhou e percebeu que ele era de fato lindo, e ele nunca antes tinha percebido isso, mesmo após jogar gamão com ele e cavalgar ao seu lado, porque será que justo hoje ele pensou nisso?

-Sim...

-Venha, vamos caminhar pelo jardim imperial.

O sorriso de Sasuke fez o coração do rei pular e ele lhe deu a mão.

Enquanto o rei e seu general caminhavam eram observados por uma serva...

Hinata estava feliz, ela tinha visto como o amor pode ser poderoso, naquele momento mesmo voltava dos jardins imperiais e havia observado o rei andando lado a lado e de mãos dadas com o general, não havia como negar que eram almas irmãs.

Porém seus pensamentos foram roubados ao sentir mãos fortes a puxando para uma sombra entre as vigas do palácio.

-Serva Hinata, minha senhora manda ordens que devem ser cumpridas e para comprovar que isso seja feito ela manda uma lembrança sagrada...

O homem com uma cicatriz tirou de um saco de tecido sujo uma cobra amarela de olhos vermelhos, a serpente rodopiava nas mãos sujas mas não mordia o homem, de fato ela avançou e mordeu o pescoço de sua vítima, presas afiadas como adagas enfiaram-se na carne fresca do pescoço e ela depositou o veneno mortal.

Hinata caiu no chão ofegante e a serpente se enroscou em seu pulso, diminuindo de tamanho até se tornar um bracelete de ouro e de olhos feitos de rubis diminutos e cintilantes.

O homem sorriu.

-O veneno não vai te matar enquanto a serpente viver enrolada em seu pulso, se desobedecer minha senhora e mestra, a serpente se tornará viva de novo e a deixará morrer lentamente e em agonia extrema. Convoque aqueles que desejam o mal ao general capturado e os mandem se reunir secretamente, esteja com eles e minha senhora poderá estar também, através do amuleto em seu pulso ela ouvirá e falara com eles.

-Que seja breve. Ele disse e foi embora, deixando Hinata chorando de desespero.

A mulher se levantou e deu alguns passos vacilantes, todo seu corpo ardia e pinicava como se formigas a tivessem atacado, mas ele sentia a mente lúcida e latente, como se isso fosse parte do feitiço, então sua escolha era nula, ela rumou aos espaços reversados para os ministros pela manhã, onde discutiam política ou na falta dela jogavam xadrez e gamão, entrar ali sempre foi complicado para uma concunbina, mas hoje de fato sabe-se lá se por ordem do bracelete em seu pulso ou o medo em seus olhos os guardas nem mesmo a pararam e ela entrou silenciosa, indo ter com um ministro mais velho de feições marcadas pelas guerras, do tempo em que ele era um soldado.

-Senhor Ministro Orochimaru...Lembra-se de mim?

O homem avaliou a pequena mulher bonita e lhe sorriu convidando a se sentar ao seu lado no jogo de xadrez que arrumava sozinho.

-Vê? Hoje ninguém deseja jogar comigo, antes estão todos interessados nas fofocas do senhor ministro Maeda sobre sabe-se lá o que. Mas diga-me, o que deseja?

De súbito uma dor desceu sobre a jovem e seu semblante turvou terrivelmente, sua voz mansa foi mudando e logo era cavernosa e doentia, forte e rouca, atemporal e sem definição se seria de um homem ou uma mulher, antes parecia de um ser infernal entre o mundo dos vivos e dos mortos e o homem se afastou alguns bocados da figura horrenda que se materializou a sua frente, sem sem vista pelos outros, o que era um fato incrível em magia negra.

-Ainda deseja o mal do general Sasuke? O odeia por ser o mais amado pelo rei?

O homem se sentiu tonto e sua raiva bem controlada sucumbiu a uma dor profunda, encravada em seu íntimo, mal sabia ele que era a dor da morte, da escuridão que o rondava, arrancando dele o seu pior e trazendo à tona, era assim que essa cobra pestilenta envolvia suas vítimas uma a uma, trazendo à tona seus maus feitos, suas dores e principalmente a raiva e ódio que tentavam esconder na capa da civilidade, ela usava a todos assim e depois os descartava quando já não lhe serviam.

-Sim...Desejo ver o general morto, eu o odeio...Meu rei o coloca acima de nós!

-Pois bem, darei a ti uma lista de novas leis, são aparentemente inocentes, nada para se ocupar a cabeça de um rei com tantas obrigações, chame seus amigos e espalhe meu veneno sobre eles, depois convoque o rei até o parlamento e insista em que ele aprove cada uma das leis, após o ato solene aguarde minhas novas ordens.

O homem obedeceu e tomou da mão ossuda do que antes era a mão delicada de uma jovem um frasco escuro, dentro uma névoa negra flutuava.

-Junte seus amigos e abre o frasco, todo o mal que eles tem na alma será liberado e eles serão meus...Assim como você, se algum deles não ceder a minha vontade...Mate-o, pois esse é uma pessoa que tem o coração bondoso e meu veneno não pode corromper, resta então assassina-lo e jogar seu cadáver no deserto, entendeu?

O homem subjugado pelo mal que ele mesmo liberava concordou e então a jovem concunbina caiu aos pés do homem desmaiada, um alarde se fez e ela foi levada a sala de cura imediatamente, sem levantar suspeitas do que fazia ali naquela hora da manhã.

E longe, no meio do deserto, a bruxa de mil anos sorriu malignamente, ela teria tudo que desejava, um corpo novo, um reino, homens para atormentar e torturar e como bônus veria um general de coração puro e alma luminosa morrer...

Embora todo esse mal serpenteasse por ali, entre as areias e mesmo dentro do palácio o rei andava absorto em nuvens brancas, ele tinha ao seu lado um general sorridente e tímido.

-Diga-me, o que deseja?

-Nada...

O rei se sentou em um banco de pedras, sobre eles uma macieira sem frutos, pois ainda era inverno e o chão estava coberto de neve branca.

-Deve haver algo! Preciso lhe dar o presente de noivado, como o farei sem saber o que mais deseja no mundo?

Sasuke riu, ele não tinha mesmo nada a pedir, sua família estava bem, o homem que antes era seu inimigo agora ficava cada dia mais gentil e doce e ele adorava trocar beijos com ele, de fato...O que ele poderia desejar?

-Estou feliz, decorei todos os incontáveis votos, minha roupa está quase pronta e minha família está bem alimentada e saudável, nada mais me falta.

Naruto pensou e se aproximou, ele já não sentia nenhuma resistência ou temor naquele que mais amava no mundo, mas mesmo assim ele não se atrevia a ser leviano, ele o amava e isso também lhe trazia o imenso sentimento do respeito.

-Meu Sasu...É um dever sagrado ao rei ofertar um presente a sua rainha, jóias? Ouro? Escravos? Servos? Tecidos caros? Outro palácio?

Sasu negou sorrindo.

-Não sou uma dama, não desejo jóias, não desejo ouro, o que eu faria com ouro? Escravos? Antes eu iria preferir liberta-los e ver que estavam livres e felizes...Servos? Tenho uma duas escolhidos a dedo por Haruno e tecidos? Duvido que sejam mais caros e belos do que os que minha mãe nos deu...Sobre outro palácio...Somente um quarto limpo me satisfaz.

O rei se levantou e andou de um lado a outro, como era complicado presentear seu escolhido!

De súbito o rei sorriu satisfeito.

-Sasu...Sei de algo que pode desejar muito, visto que nunca possuiu tal coisa...

O general ficou curioso, o que poderia ser?

-E o que seria isso?

O rei tocou seu rosto delicado e o beijou nas bochechas duas vezes.

-Uma armadura a altura do general que ainda é.

Sasuke ofegou e tossiu algumas vezes, de fato ele sempre sonhou em ter uma armadura, mas como um general subordinado a um usurpador tirano ele nunca teve esperanças de tal façanha.

-Acertei não é? Deseja uma armadura. Disse o rei sorrindo.

-Sim, eu sempre desejei uma armadura, mas...Sendo sua rainha para que eu precisaria de uma? Não é o costume que a rainha viva na cidadela? Entre as paredes coloridas das casas luxuosas?

Naruto sorriu ao ver que ele leu cada conto que falava da vida das rainhas anteriores, sim, era costume que a rainha fosse encarcerada na cidadela por sua vida toda e salvo em alguma viagem muito especial não tinha mais liberdade que seus escravos fora dos muros, mas dentro dele tinha a autoridade máxima, frequentemente no passado isso era uma prática comum, mas não mais, nunca mais, desde de que o Rei Dragão se apaixonou por um general.

-Eu te disse uma vez que não te manteria numa gaiola dourada, lembra-se?

-Sim...Mas os costumes...

O rei sorriu.

-Mandarei os costumes aos infernos, estou rompendo todos eles, afinal minha rainha é um homem, um general capturado do reino que eu conquistei e um príncipe dessa mesma nação.

Sasuke o olhou e seus olhos brilharam.

-Poderei cavalgar junto a ti por outros reinos? Ver coisas que nunca vi?

Naruto podia sentir a vida escorrendo satisfeita nessas palavras doces.

-Sim! Sim! Sim! Disse e o abraçou ternamente.

-Meu Sasu não é mais um prisioneiro e nunca mais será, é meu amado eterno, minha rainha...Meu general...Andará comigo pelos sete reinos, sendo que quatro me pertencem, e andará usando sua armadura tão bela como a minha, feita de material mágico, indestrutível e carregará sua espada de jade nacarado que eu lhe devolverei em momento auspicioso.

Sasuke não tinha palavras para tanto, ele beijou o rei num ato impensado e após corou abaixando a cabeça, quando foi que ficou tão gentil? Mas sorriu satisfeito, só muito mais tarde eles voltaram ao quarto de Sasuke, ele já estava cansado e foi dormir após um banho quente.

O rei infelizmente teve que se ausentar para ir instruir seus mestres em armas a fazer a armadura solicitando aos mestres para realizar um esboço a altura do seu amado e após foi instruir os magos a colocar seus feitiços na peça quando estivesse sendo fabricada, após era tarde demais e ele apenas foi dormir e devido ao seu cansaço e euforia por finalmente ter achado um presente de casamento a altura do seu amado e todas as demais situações que passou ele realmente não viu a sombra que se esgueirava furtiva entre as sombras do palácio, assim como não sentiu o sentimento maligno e estranho que rondava o ar a sua volta, tão ruim que fazia as flores cálidas dispostas dentro do palácio murcharem sofridas, essa criatura nada mais era do que a alma livre de um corpo da bruxa de mil anos, cobiçando o corpo que um dia pretendia que fosse literalmente seu, admirava os músculos fortes que se dispunham naqueles braços e pernas e imaginava que quando fossem seus sua alma se sentiria muito a vontade ali, relaxada e pronta para aproveitar os prazeres da vida, só lhe irritava ter que perder o belo e magnífico general, se de fato pudesse ter ele também para seu uso pessoal na cama seria uma dádiva, infelizmente o único modo de quebrar o espírito valente do Rei Dragão era matar de modo sanguinário o belo general, isso sim ela lamentava, pois de posse do corpo sadio do rei quanto prazer ela poderia descobrir se pudesse ter o general? Ahhh enfim, nem tudo era perfeito em seu plano, mas haveria um cem números de corpos para desfrutar após a transgressão de sua alma para o corpo sem vida do Rei Dragão, não lhe seriam poupados prazeres mundanos.

Após ver que o seu corpo prometido dormia ela se retirou e rumou como um fantasma para a sala onde os ministros iriam solicitar as leis que ela mesma fez, ali colocou um incenso feito de algo negro dentro da tigela de incensos, ele era oval, preto como carvão e aromatizava o ambiente em espirais escuras e pungentes, um incenso de feitiço muito bem elaborado, ele manteria os ministros sob seu controle e o rei que tinha o espírito mais forte ficaria tonto, debilmente fraco em sua mente e assim acabaria assinando as leis que invariavelmente haveriam de levar a morte seu amado general.

Feito isso e com suas forças no fim a bruxa voltou rapidamente a seu corpo adormecido no topo de uma montanha segura, protegido por seres infernais aos quais ela aprisionou com magia negra, pois se seu corpo mortal fosse ferido por armas humanas e seu espírito não tivesse onde se esconder ele acabaria morrendo e seria como se nunca tivesse sido criado, em sua busca pela imortalidade ela perdeu sua luz divina, assim só viveria enquanto roubasse corpos, vivendo neles até exaurir suas forças e trocando quando era necessário, infelizmente apesar de ser um método muito bom era complicado na medida que sendo seu espírito muito maligno ela precisava de corpos fortes, ou com magia residual ou força física adicional, sendo a força física mais eficiente, mas os corpos assim era realmente cada vez mais raros, tanto que desta vez ela quase ficou sem alternativas e por isso elaborava um plano tão complexo, mas mesmo assim estava feliz, no corpo do rei ela teria no mínimo cinquenta anos pela frente e manteria sua juventude intacta devido aos seus feitiços, depois seria o caso de procurar outro e depois outro...Até o fim dos tempos.

Notas finais
Sasuke descobrindo que é amado pelo povo, que sua família é especial para a nação e que de fato o rei o ama, embora ele mesmo não entenda o que sente pelo rei, mas está descobrindo lentamente, porque se pensarem bem ele passou muita coisa até aqui, tem que ir devagar com esse sentimentos novo e estranho. Comentem se puderem, beijos.

13. A serpente do mal e fúria assassina.

Notas do Autor
Capítulo tenso...Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 12. A serpente do mal e sua fúria assassina.

Naruto estava indo ver o progresso da armadura, seus homens eram especialistas em armaduras, com dois mestres a seu dispor ele imaginava pelo menos ter o esboço da armadura pronto para analisar e ver se tinha ficado bom, no caminhou ouviu a voz de seu filho que vinha correndo com alguns ofegantes servos a segui-lo, quase sem fôlego, o que era bem comum.

Boruto parou em frente ao pai e piscou várias vezes curioso.

-O que está fazendo meu pai?

-Voltou a ter consideração pelo seu pai? Brincou Naruto afagando os cabelos de Boruto.

-Shisui me disse para perdoa-lo, porque ter uma família é muito valioso e eu preciso entender que sua posição como rei não é fácil.

Naruto sorriu, ele sempre em sua vida iria se surpreender com todos os Uchihas.

-Ele é mesmo um homem inteligente, não acha?

-Sim, ele é...Mas ainda não me disse o que está fazendo por aqui, não é perto dos aposentos de minha futura mãe rainha e nem perto da cozinha, o que procura aqui meu pai?

-Bom, não deve contar a mais ninguém...É sobre o presente de casamento a minha rainha, uma armadura feita para ele, munida de magia branca de alta escala e materiais nobres, o que acha?

Boruto analisou o pai e pensou um pouco antes de dizer.

-Sim, meu pai pensou o mesmo que eu, por isso eu estava vindo aqui, desenhei uma armadura digna de um general que é ao mesmo tempo uma rainha, quer ver? Mas se gostar terá que dividir os louros comigo, pois fui eu que desenhei.

Naruto sorriu e pegou a folha da mão pequenina do filho, espantado com o talento do menino.

-Ohh é lindo!

Uma armadura leve, feita de ouro e prata, com desenhos de pequenos ramos a enfeita-la nas bordas arredondadas e um filete de jade verde dentro das folhas encrustado na armadura, forte, impactante e belo exatamente como Sasuke.

-Acredito que nenhum dos esboços que eu verei será tão perfeito como este, faremos o seguinte, eu darei o presente, afinal sou eu que vou me casar, mas direi que o desenho veio de você, o que acha meu filho?

Boruto se lançou nos braços do pai e o beijou nas bochechas.

-Lembre-se de sua promessa, nunca mais machuque ele, entendeu?

-Nunca mais...Não sabe como eu sofro de remorsos por isso, pode acreditar em seu pai?

-Sim...Acredito.

Eles rumaram ao local onde o ouro e a prata estavam sendo derretidos e entraram, os dois mestres debatiam sobre o desenho.

-Assim fica pesado, não viu o general? Ele é pequeno, deve ter mobilidade, além disso nunca antes usou armadura, deve ser leve! Disse um deles.

-Mas precisa ser bonita! Precisamos de mais ouro e prata neste esboço! Disse o outro.

-Senhores? Já tenho o esboço e desejo que o sigam a risca, usem a melhor magia nele, entendeu?

Os homens se curvaram e o rei deixou o desenho sobre a mesa, indo ver a prata e o ouro líquidos, eram lindos...Dignos de seu amado, munidos de magia branca ficariam incomparáveis e pensando nisso o rei sorriu afagando os cabelos do filho que estava igualmente satisfeito.

-Vamos meu príncipe, vamos ver a coroa dele, está pronta. Disse o rei ao filho que sorriu mais satisfeito ainda, não era sempre que ele tinha momentos como este com seu amado pai, e ultimamente tinha sido impossível pois ele guardava rancor ainda em seu coração jovem, mas Shisui sabiamente lhe deu conselhos bons e ele os aceitou prontamente.

Boruto não se continha, correu na frente e isso fez o rei rir, era bom ver seu menino feliz de novo, ele realmente era um pai muito ausente, as coisas do reino lhe consumiam um tempo valioso com o filho, ainda mais agora que estava secretamente analisando mudanças profundas em seus quatro reinos, mudanças que seriam decisivas para o crescimento da suas nações e que ele julgava serem as mais ousadas que qualquer monarca já realizou, aguardava relatórios de suas terras há muito tempo, desde que partiu de seu castelo com a caravana em direção as terras nevadas onde estava agora, mas tendo Sasuke ao seu lado ele sabia que tudo daria certo, afinal o general era inteligente e tinha um bom coração, poderia ajuda-lo a reinar tranquilamente e assim ter mais tempo para o filho e já havia determinado em seu coração que não voltaria mais para morar em Guinzem, ali naquelas terras era seu lar e ali ele fixaria seu reinado, seus pensamentos cessaram quando chegou a casa do ourives, homem este que veio junto com sua caravana e também se estabeleceu ali.

Na casa do ourives o rei foi recebido com carinho, sentou-se em uma poltrona de brocados e tomou o filho nos braços, ambos esperando para ver a coroa, a casa era nobre pois este homem era muito apreciado pelos nobres e recebia muitas regalias por ser tão bom em sua arte.

O homem negro que era o ourives tinha olhos lindos como jóias, da cor do mel puro e em contraste com sua pele negra como azeviche era impactante e raro, ele se curvou ao rei e ao príncipe e depositou sobre uma mesa com veludo vermelho uma coroa fina e delicada, ouro e prata em um trançado leve, uma única pedra brilhava na frente, um diamante lapidado, extremamente lindo e radiante.

-Senhor meu rei, analisei o jovem como me pediu, passei uma manhã a observa-lo caminhando pelos jardins e a tarde o vi lendo por horas, ele não me notou como me instruiu a fazer e diante o que vi pude realizar essa obra de arte, é uma coroa leve, linda e digna de uma rainha, embora tenha a forma mais densa para ser usada por um homem que carrega muita grandeza no coração e muito amor na alma, a prata simboliza a leveza de seu espirito por ser suave e muito belo além de ter uma denominação que abrange ambos os sexos, o ouro remete a sua nobreza inerente, nobreza de alma que se conquista arduamente pela dor e pelo comprometimento e o diamante pequeno, extremamente brilhante e raro simboliza sua pureza que nunca desaparecerá pois vive em seu espírito.

O rei tomou a coroa nas mãos e analisou satisfeito, trazer seu ourives com ele nessa viagem foi uma das melhores decisões que tomou na vida, o homem era de fato um ser humano raro com um dom lindo.

-Embrulhe, mande as minhas servas levarem a Haruno, ela vai impregnar a peça em magia branca de proteção e depois esse item deve ser deixado junto aos outros para o meu casamento, como estão as outras jóias?

-Prontas meu senhor...Um pente de cabelos, um arranjo de cabelos de pingentes de cristais como manda nossos costumes, mas modificado para ficar bem nos cabelos do vosso general, o broche de jade para a túnica e o anel real com o brasão do dragão e pequenos pingos de cristais para simbolizar a antiga casa do vosso futuro consorte, as terras nevadas.

As peças foram mostradas aos dois e eles adoraram, eram lindas, feitas para serem usadas somente por Sasuke.

-Muito bem, está feito e seu ouro será entregue por meus servos, estou satisfeito.

-Meu senhor perdoe meu atrevimento mas eu posso lhe pedir não ouro mais sim outra coisa?

O rei parou, achou que o montante em ouro puro designado ao seu mestre seria um bom pagamento, mas estava curioso com o pedido dele, aguardou.

-Peça meu bom homem, se estiver ao alcance eu o farei.

-Em vosso palácio há um jovem escravo capturado na mudança do reino, ele é fraco e sensível, pertencia a classe mais pobre dos servos antes da invasão e foi tomado como escravo de um dos seus ministros, mas ele...Está muito ferido e o mestre dele o deixará morrer sem tratamento, acontece que eu o conheço a algum tempo, desde que ele veio me ver trazendo encomendas desse ministro e nós nos apaixonamos, sabendo de nossas obrigações nunca fizemos nada, mas eu sofro por ele, se o rei puder ajudar de algum modo esse rapaz eu lhe serei eternamente grato.

-Qual o nome do ministro e do seu amado? Perguntou o rei imaginando como realizar esse feito sem ser desagradável a um ministro, coisa complicada de ser feita.

-Seu ministro Maeda é o dono de Jonas, meu amado, e mesmo que nunca possamos ficar juntos eu imploro por ele.

O coração do rei doeu por isso, ele agora entendia o amor como nunca antes e sentiu a mão do filho a tocar a sua.

-Pai, ajuda...

O rei pensou, um escravo doente era fácil de lidar, ele poderia enviar Haruno até o ministro com a desculpa de que ela queria testar um novo tratamento mas que era perigoso ainda, por isso testaria em escravos e ela pediria ao ministro o escravo doente como uma cobaia, uma vez sendo entregue a ela era responsabilidade de Haruno e o ministro ficaria feliz em se ver livre de um escravo doente, após isso ele seria tratado e dado como presente ao ourives. Belo plano.

-Está feito, até amanhã pela manhã ele lhe será entregue ainda na condição de escravo, mas agora sendo seu escravo, enviarei médicos para cuidar dele e a própria Haruno lhe entregará o certificado de posse deste rapaz, cuide dele após isso.

O ourives sentiu seu coração leve.

O homem se curvou em reverência genuína com lágrimas nos olhos e eles saíram de lá, após foram ao Templo das Recordações do reinado, era um local imenso e embora seu primeiro andar fosse grande não se comparava ao seu subsolo, ali realmente era grande, embora tivesse no ar um ligeiro cheiro de livros velhos e mofo, além de cheiro de incenso.

Uma mulher toda vestida de cinza se aproximou, na casa dos cinquenta anos era alta, muito alta, provavelmente da tribo do norte, pele clara com sardas evidentes, olhos azuis e uma altivez notória, emanava sabedoria, usava o nome sagrado de Mestra das Recordações e ela se curvou ligeiramente, era do antigo regime, não havia aceitado o usurpador e agora não aceitava Naruto, mas era obrigada a ser gentil pelo seu bem, então mantinha sua postura.

-O que traz o novo rei das terras nevadas a este local esquecido? Disse a mulher em sua voz mansa e mesmo assim poderosa.

O rei sorriu para ela, sentindo que os olhos da mulher eram frios como gelo, assim como de todas as Mestras destes templos eram, seja em sua terra natal ou ali.

-Gostaria de ver os títulos de nobreza da senhora Mikoto e de seu filho Itachi, assim como saber se um rapazinho chamado Shisui possuí algum título de nobreza.

Ela avaliou o rei detidamente e saiu mansamente, sem nem um último olhar, e Boruto se agarrou na roupa do pai.

-Mulher assustadora...Qual o nome dela meu pai?

-Ela não tem nome, abdicou dele ao se tornar uma mestra neste templo, é conhecida somente como a guardiã de nossa história, no caso da história da cidade das terras nevadas.

Mas o rei riu, era verdade, ela era assustadora, era mantido ali uma ordem ancestral, mesmo que o reino caísse como de fato ocorreu, essas paredes eram protegidas por feitiços tão antigos como o tempo, nenhum inimigo entrava ali para queimar nada e embora a mulher estivesse segura provavelmente não ousou sair durante toda a ocupação e agora provavelmente não era diferente, ele mesmo sendo o rei sentia na pele a magia antiga o tocando, avaliando suas intenções.

-Pai, é verdade que ninguém que deseje apagar a história dos povos aqui guardadas pode entrar nesse lugar?

-Sim, é verdade...Se eu tivesse essa intenção nem mesmo poderia passar na porta, nem mesmo um exercito rompe a magia ancestral deste local, mantido inalterado por mais de dois mil anos.

-Nesta época antiga o povo devia ter muitas senhoritas Haruno como a nossa não é? E dragões...

-Sim, a magia era mais forte naquela época e sim, existiam dragões.

-Mesmo assim acho a tal mulher assustadora. Finalizou Boruto cruzando os braços.

-Ela é uma guardiã, seu papel é ser severa, mas ela é justa meu filho, vai nos ajudar.

-Porque o senhor é o rei? Por isso ela vai nos ajudar?

-Não, porque ela deseja que os seus antigos nobres sejam restaurados, pelo menos em partes, ela é fiel a eles.

Ela voltou pelo mesmo corredor comprido e cheio de livros, depositou um grande volume sobre a mesa e abriu o mesmo, procurando página por página, todos os nomes do livro eram Uchihas, depois de um tempo longo o suficiente para fazer o pequeno Boruto cochilar no colo do pai ela achou o que o rei veio buscar.

-Aqui eu tenho a carta que prova a legitima posição de minha senhora Mikoto como imperatriz e antes disso como uma princesa da família Uchiha de uma ramo mais ao sul daqui, depois temos do príncipe Itachi, herdeiro legítimo do trono antes da invasão e depois Shisui, filho de diplomatas a serviço do rei...Como vê, todos são nobres, embora sejam agora prisioneiros...

O rei suspirou, essa mulher soube de tudo que ouve com eles e o detestava com todas a suas forças e ele não podia culpa-la de todo modo, ele mesmo se detestava as vezes.

-Quero devolver os títulos de nobreza desta família, a senhora Mikoto o título de Imperatriz avô, pois será avô de Boruto de agora em diante...Quanto ao príncipe Itachi eu quero que receba o título de príncipe regente honorário, pois ele será tutor de meu filho, o herdeiro legítimo de minha família, mas terá o poder de um verdadeiro príncipe para sempre...Shisui é um nobre menor, mas eu desejo seu título de diplomata como o de seus pais, pode mudar os papeis e apresenta-los ao conselho em uma semana?

A mulher olhou o rei e concordou sem nada dizer.

-Segundo as leis ancestrais esse pedido não deve ser levado ao conselho se o próprio rei decidir por isso, posso finalizar tudo em um dia se desejar.

-Os antigos nobres desse reino terão seus títulos de nobreza restituídos como um presente ao meu general, mas pretendo oferta-los somente no casamento, acredito que isso vale meu pedido mais verdadeiro, pois isso eu peço que faça e me entregue em mãos o mais rápido possível e por favor sinta-se segura em meu reino, nenhum mal será feito a vossa senhora e terá toda a liberdade fora destas paredes tanto quanto tem dentro delas, isso é a minha palavras e minha palavra é lei, que isso fique registrado.

Ela afirmou convicta e depois acrescentou.

-Desse modo pretende comprar a simpatia deles? Ou a do povo?

-De nenhum dos dois, pretendo ser apenas justo...E eles não são escravos ou prisioneiros como disse a pouco, são livres e desejo que lavre isso em seu fórum e o deixe gravado em papel, entendeu?

Ela concordou e eles partiram, o rei levando seu filho adormecido no colo para casa satisfeito que pelo menos isso ele podia fazer pela família Uchiha, embora somente após o casamento, após deixar seu filho no quarto e protegido com seus servos ele se dirigiu aos aposentos de Sasuke que estava dormindo.

Haruno se aproximou e lhe tocou o ombro suavemente.

-Meu senhor? Vosso general o aguardou para o almoço, mas como passou muito do horário eu pedi que ele não vos esperasse e assim pudesse comer antes de tomar o elixir que o está curando internamente, após isso ele sempre adormece e creio que dormirá por mais uma hora, deseja que eu o acorde?

-Não...Deixe-o descansar, eu mesmo estou cansado e faminto, devo retornar para meus aposentos.

-Sobre isso, acredito que deve comer algo aqui mesmo e se banhar antes de ir ao conselho, foi solicitado uma reunião de emergência do conselho, mas como vossa majestade estava temporariamente sumido não conseguimos lhe dar a notícia, o conselho está reunido e o aguardando desde de as primeiras horas do dia.

Naruto ficou intrigado e irritado, porque o conselho queria tanto essa reunião? De certo seria sobre seu casamento, alguns dos seus ministros não aceitaram nada bem o fato de ele se casar com um homem, ainda por cima um prisioneiro de guerra e um general, piorou muito o fato de este homem ser um príncipe das terras conquistadas, mas ele não seria intimidado pelo seu conselho, caso fosse necessário ele mesmo dissolveria o conselho, como de fato tinha desejado desde de que chegou até as terras nevadas e pensar nisso o levou ao seu assunto que em breve seria discutido com eles, provavelmente ele realmente mudaria todo o conselho, para isso ser feito de forma a não causar problemas ele os colocaria em posição favorável, os enchendo de ouro, mas valeria a pena, porém isso só após o casamento.

-Sim, eles devem querer falar sobre meu casamento, parece que desejam garantias sobre a situação de Sasuke após o casamento...Garantias que não lhes darei, pois meu general não viverá enclausurado na cidadela, mas livre e feliz junto a mim, com tanto poder quanto o meu.

A mulher sorriu e lhe encaminhou aos banhos prometendo deixar comida para ele assim que estivesse devidamente limpo e arrumado para enfrentar o conselho dos ministros, mas antes que ela deixasse o aposento o rei a chamou.

-Meus servos trouxeram o que pedi? Os relatórios sobre os escravos nos quatro reinos? Preciso montar minha estratégia após o casamento e isso será complexo e sabe disso.

-Meu senhor, ainda falta o relatório de Guinzem onde eu acredito que está realmente a raiz dos problemas, logo o terei em mãos e o deixarei com os outros sobre vossa mesa, mas como sei que meu rei é sábio acredito que encontrará uma solução em breve, vou deixa-lo se banhar.

E na sala dos ministros o incenso negro já tinha tomado a todos que se sentiam estranhos e cansados, irritados com o rei e com seus sentimentos mais negativos a flor da pele, o presente da bruxa de mil anos que havia sido deixado com o ministro na visita de Hinata já estava no ambiente queimando junto ao incenso e seu aroma sinistro preenchia o ar, dos vinte e cinco ministros, sete se sentiam compelidos a fugir da sala, mas naquele momento nem mesmo suas almas nobres o tirariam dali, guardas armados e comprados pelo Cão fiel mantinham as portas cerradas e todos presos lá dentro, suas ordens eram deixar apenas o rei entrar, esses pobres ministros em breve sentiriam a espada em seus corpos e morreriam sem dúvidas.

E assim quando o rei surgiu imponente em sua túnica vermelha usada nas assembleias as portas foram abertas e um estranho silêncio o atingiu, assim que seus pés tocaram o chão de mármore negro ele sentiu calafrios na espinha, o ar pesado impregnou seu pulmões e ele tossiu duas vezes, mesmo assim caminhou a sua cadeira e se sentou, a frente de todos os vinte e cinco homens ali presentes, infelizmente ele sentia sua visão turva e seu discernimento estranhamente nublado.

-Água por favor. Pediu a um servo.

Uma jarra foi posta a sua frente e ele tomou um grande gole, a água fresca estava doce e desceu suave em sua garganta, mais isso não ajudou, de fato piorou seu estado e as leis novas lhe foram apresentadas, uma a uma...Embora cada rosto fosse disforme a seu entendimento e cada página lida era uma sucessão de fatos sem sentido, algumas vezes ele discernia o nome do amado e parava, mas um servo leal lhe segurava a caneta feita de pena de aves e a tinta escorria bela no papel, uma a uma ele assinou as leis, sem perceber seu conteúdo e seu perigo e por fim caiu no sono ali mesmo.

Deste modo um grande homem com cicatriz saiu de onde se escondia e abriu as pesadas cortinas deixando o incenso fluir para fora, sete ministros foram presos ali mesmo, e levados em segredo para algum calabouço do castelo, seu destino já traçado e os outros ameaçados gravemente, suas vidas, suas famílias e tudo que possuíam de valor, pois a chantagem é a mãe dos males e o pai é a guerra, sendo assim cada homem restante teve seu mundo ameaçado e soube da guerra que viria em breve, mas movidos pelo medo, pela ameaça e pelo incenso eles concordaram em ficar em silencio até o dia propício.

Hinata assistia a tudo, mas os olhos que viam as cenas eram negros e perigosos como o inferno, era a bruxa vendo nos olhos dela, usando sua energia e a mantendo para si, temporariamente.

Quando o caos cedeu a jovem Hinata caiu, mas se levantou aturdida e foi socorrer o rei adormecido, de fato ele estava bem e não lembraria de nada além de ter assinado algumas leis tributárias simples, não saberia o mal que o cercava e ainda estaria feliz como somente os noivos que amam muito são.

Com a ajuda de servos a antiga concunbina levou seu mestre e rei aos aposentos reais e o deixou lá, indo ela mesma chorar em seu próprio quarto, em seu pulso a cobra se mantinha firme, enrolada em seu pulso como a mais fina joia, os olhos vermelhos de rubis brilhando sinistros.

Mas mesmo no desespero mais genuíno a serva se jogou ao chão e implorou aos deuses por um sinal que a ajudasse a não ser corrompida e não tramar contra seu rei e mestre, implorou por uma ajuda divina que a impedisse de enviar o jovem general a morte certa.

Embora agora o céu ainda estivesse claro com as luzes finais do dia uma pequena e cintilante estrela já brilhava no firmamento, e por um breve e fugaz momento brilhou mai intensamente como se em resposta ao pedido desesperado da serva.

Notas finais
Foi complexo escrever esse capítulo, mas tenham calma...Beijos.

14. Cantarei com minha alma enquanto te dou meu coração.

Notas do Autor
Capítulo fofo...Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 13. Cantarei com minha alma enquanto te dou meu coração.

O jovem general estava lendo novamente os votos, já os sabia prontamente e nem se assustava mais com eles, mas era sempre bom relembrar, ele queria recita-los corretamente para alegrar o rei e honrar os ministros quando notou que havia algo que ele deixou passar, percebeu que seria presenteado pelo rei e que deveria dar um presente também, mas como ele iria dar um presente ao rei, nada possuía.

-Senhorita Hinata?

A serva levantou os olhos cansados para o jovem general, ela mal falava agora, se mantendo o mais longe possível dele, mas haviam dias que era impossível fugir, sob ordens de sua mestra Haruno ela estava ali, cuidando do homem a quem iria trair em breve.

-Sim meu senhor?

-Devo oferecer um presente ao meu futuro marido?

-Oh sim, de fato.

-Mas eu não tenho nada a oferecer, não possuo nada de valor que seja meu, tudo que tinha está nos cofres do rei, e nada ali era digno de ser um presente.

A mulher se aproximou e lhe sorriu tristemente.

-Bem, sabendo disso minha senhora mandou lacaios aos sete reinos, todos já retornaram trazendo presentes magníficos, basta meu senhor escolher dentre eles, deseja ver agora os itens?

-Eu posso?

-Sim, somente o senhor pode escolher, considerando que é a futura rainha.

Ele se levantou e vestiu seu casaco mais leve sobre a túnica simples que usava hoje, o inverno estava finalmente cedendo e ele sentia o tempo mais ameno a cada dia, estava ficando mais contente também, a cada dia sentia seu futuro marido mais apaixonado e cordial com todos.

-Por favor me leve.

Ela o guiou e seguiram a uma sala ampla, com uma mesa enorme onde objetos brilhavam expostos, elmos, coroas, jóias, espadas e vasos raros, todos magníficos, mas nenhum deles era especial, por fim Sasuke desistiu.

-Não fui eu a ter nada disso, não conheço nada...Embora sejam lindos eu não os desejo.

A mulher sorriu encabulada e pegou um elmo.

-Meu senhor, este item veio das terras ao norte, é antigo e dizem que é mágico, dando poder a quem o usa.

-O Rei Dragão já é poderoso.

Ela pegou uma coroa incrivelmente incrustada em pedras raras.

-Este item veio das terras de cristal, nunca vi peça mais bela.

-Um monte de pedras preciosas juntas, daria para alimentar uma cidade no inverno todo, meu rei não precisa dela...

-A espada de mil mortes...Invencível. Disse Hinata.

-Uma espada não luta sem as mãos de um guerreiro, meu rei é hábil, sua mão é poderosa e a espada que usar será vencedora, sei disso perfeitamente, eu perdi para ele e nunca havia perdido antes.

Hinata desistiu.

-O que devo fazer então? Peço a minha mestra para os lacaios procurarem mais?

-Não, eu devo ir falar com a senhorita Haruno.

Hinata o guiou até a sala onde sua mestra trabalhava e ela se surpreendeu com a visita.

-General Sasuke, que surpresa, posso saber o que o traz aqui em minha sala?

-Posso oferecer algo que não seja físico a meu futuro marido? Perguntou Sasuke.

Haruno deixou suas poções de lado e ofereceu uma poltrona ao seu pequeno visitante, admirada em como ele estava belo e mais saudável nessa manhã.

-Hinata, sirva chá e traga um incenso de rosas brancas para alegrar o ambiente.

A jovem obedeceu e eles se sentaram próximos.

-Sinto-me feliz em ver que está mais contente e saudável, vejo cor em seu rosto e um brilho em seus olhos, posso acreditar que nutre algum sentimento pelo meu rei?

-Ele tem sido gentil e carinhoso, e eu...Me sinto seguro com ele, talvez isso seja bom.

Ela sorriu, era um começo.

-Diga-me que presente deseja ofertar ao meu rei?

Sasuke corou, ele podia ter tido uma ideia tola e infantil e agora tinha vergonha de expôr a ela.

-Sasuke, eu e você somos amigos agora, entende? Não posso deixar de me sentir ligada a sua vida e sei que está ligado a minha, desejo o seu bem mais que tudo nesta vida, pode confiar em mim.

-Eu sei cantar...Poderia oferecer uma canção ao rei? Não tenho nada de valor para lhe dar, pensei que talvez...O jovem parou certo de que era uma ideia estúpida.

Haruno pegou suas mãos e sorriu.

-Cante para mim, deixe-me avaliar.

Sasuke corou, pensou por um momento, se levantou e fechou os olhos, sua mente varreu cada sentimento que já teve desde de o dia de sua captura e ele enfim cantou, a letra havia sido escrita a muitos dias, era intensa e doce, infinitamente triste e bela, ele cantou sobre sua derrota, sua captura e suas dores, derramou sentimentos em cada palavra simples e em versos curtos e cheios de significado, por fim cantou a esperança que sentia em seu coração e em sua alma e deixou o vislumbre do amor brotar nas últimas notas de sua voz admirável, após a última nota vibrar no ar por meio minuto ele abriu os olhos úmidos e sorriu, pois Haruno e Hinata choravam juntas.

-Ohh tem a voz dos deuses...Nunca ouvi melodia mais bela, sem nenhum acompanhamento além de sua voz me levou as lágrimas, esse presente será perfeito, encontraremos o instante exato para anunciar seu presente, fará todos chorarem como eu.

Sasuke sorriu e concordou.

Ao sair ele andou e foi analisando sua vida, sofreu em mais de uma ocasião e mais de uma vez achou sinceramente que morreria, assim como achou que morreria no dia de sua captura ou após ao ser torturado, ou ainda mais além, de pura tristeza, mas nunca achou que um dia iria sentir amor, e ele achava que o que sentia no momento era o nascimento de um sentimento assim, talvez amor, talvez gratidão, ele não sabia.

No caminho para seus aposentos ele viu Obito, parecia feliz e andava calmamente ao lado de um jovem servo de vestes brancas, ele o alcançou e se surpreendeu, pois o servo se ajoelhou ao chão em reverência que Sasuke viu alguns servos fazerem ao rei, nunca a ele.

-Por favor se levante, eu sou apenas o general capturado, não sou ninguém...

-Ohh, meu senhor é a futura rainha deste reino e ainda por cima o general adorado por todos, sinto-me honrado em poder ver pessoalmente vossa pessoa. Disse o jovem corado e de olhos baixos.

Obito sorriu e fez uma breve reverência antes de se despedir do servo e seguir com Sasuke pelo corredor comprido.

-Está cada dia mais amado pelo povo.

-Ainda não me acostumei...Mas foi propicio encontra-lo aqui, gostaria de perguntar algo, eu posso?

-Sempre...

Sasuke sorriu.

-Já amou? Com sei se estou amando?

Obito pensou e sorriu.

-Eu poderia responder, mas posso lhe mostrar algo, deseja ver? Não está longe e creio que tem liberdade para caminhar comigo pelo reino, estou certo?

Sasuke pensou, o rei lhe disse que era livre, mas ele ainda não tinha certeza e não queria fazer nada errado, ficou na dúvida, mas Obito lhe sorriu.

-É dentro do complexo do palácio, não sairá nas ruas.

-Sendo assim...Vou.

Obito o guiou por um espaço longo e por fim saíram no pátio interno que dava em uma propriedade enorme, onde estavam as casas destinadas aos nobres e pessoas ligadas ao reino mais intimamente, ali estava a casa da família de Sasuke e a casa onde o rapaz levava Sasuke agora.

-Onde vamos?

-Bem, eu tenho um amigo, nos tornamos amigos a pouco tempo, ele é um ourives real, mas quando está livre faz peças aos soldados, pequenos acertos nas armaduras, eu trouxe a minha para ser analisada, a recebi de volta pela generosidade do rei e assim tornei-me amigo deste homem, acontece que ele se apaixonou por um escravo que serve o ministro Maeda, este escravo adoeceu e segundo as leis do povo de Guinzem este escravo morreria sem cuidados médicos, meu amigo implorou ajuda ao rei...O seu rei.

Sasuke quase parou de respirar para saber o resto.

-E? Conte-me logo! Pediu.

-O Rei Dragão foi benevolente, ele conseguiu o escravo para meu amigo, e é isso que quero mostrar.

Chegaram a habitação e um homem negro os atendeu sorrindo, reverenciou Sasuke como o servo anterior fez e depois se levantou indicando que entrassem.

-Meu amigo é bom te ver sorrindo de novo, seu amado está melhor? Perguntou Obito.

-Graças aos deuses e ao rei sim, ele está bem, querem conhece-lo?

Sasuke seguiu o homem e Obito para o interior da casa, e em um comodo amplo e ventilado eles encontraram um jovem pequeno e loiro deitado numa cama, parecia calmo e sereno, ele se assustou ao ver as pessoas mas foi tranquilizado pelo amado.

-Jonas...Este que nos visita é nossa futura rainha...Ele é o general Sasuke...E este é meu amigo Obito, eles não vão machuca-lo.

Sasuke se aproximou vendo no jovem o mesmo medo que ele mesmo já havia sentido, seu coração bondoso transbordou de carinho para com ele.

-Meu senhor...Perdoe-me mas mal posso ficar em pé para reverencia-lo...

-Não precisa, estou feliz em saber que se encontra bem, imagino o que sofreu.

Jonas abaixou o olhar.

-Pensei que morreria sendo escravo do ministro, ele é mesmo um homem muito mal...Perdoe-me senhor! Disse Jonas apavorado por ter sido tão sincero, mas logo Sasuke tomou suas mãos geladas nas suas quentes e lhe sorriu.

-Eu sei...Já fui um escravo, sei que é horrível, ninguém merece isso, talvez quando eu for a rainha possa tentar mudar isso, não sei se terei poder para tanto mas eu tentarei ao menos deixar a vida dos escravos melhor.

Jonas sorriu mas estava cansado, seus olhos pesavam e Sasuke decidiu que era hora de partirem.

-Obrigado por me deixar ver seu amado, se algum dia precisar de algo de mim por favor me procure. Disse Sasuke ao homem gentil.

-Vossa bondade é mesmo magnânima, eu acredito que meu serviço será apreciado quando lhe for entregue por meu rei, desejo tanto amor quanto possa existir na terra ao meu rei e a minha rainha. Disse o homem com lágrimas nos olhos.

Sasuke não entendeu mas imaginou que um dia entenderia.

-Qual seu nome senhor?

-Vossa alteza...Esse humilde servo se chama Juliu.

Sasuke sorriu, Juliu e Jonas...Até mesmo no nome eles combinavam, imaginou se ele e o rei poderiam ser assim um dia, o complemento um do outro.

Obito o levou de volta e no caminho Sasuke mal conversou, ele se sentia tocado pelo que viu, o amigo respeitou seu silencio até estarem na porta do aposento de Sasuke, então ele falou...

-Meu general, se ouver ao menos um pequeno sentimento em seu coração para com o rei deixe esse sentimento nascer, não se deixe abater nunca mais, sei que aceitou se casar e se tornar a rainha para proteger sua família, mas agora vendo que seu rei pode ser tão bondoso poderia permitir que algum sentimento bom surgisse para com ele? Não digo isso pelo rei mas sim por ti, desejo que seja feliz.

Sasuke sorriu ao amigo.

-Talvez eu possa sentir algo por ele, talvez eu já sinta, mas tinha medo...Nunca antes eu amei em minha vida e sempre fugi de tudo e de todos com medo deste sentimento, mas agora que tudo me é diferente eu posso respirar e relaxar meus rígidos costumes, pois eles não são mais necessários. Fique tranquilo, eu serei feliz.

Obito se despediu de coração leve...

Notas finais
Ahhh que fofo...Beijos.

15. Sobre confiança e proteção.

Notas do Autor
Haruno descobre uma cura para Shisui, mas precisa que seu rei confie no guerreiro Itachi apesar da situação política complicada que o envolve e Sasuke também precisa confiar no rei, enfim...Todos precisam descobrir mais uns sobre os outros. Boa leitura.

O General capturado e Rei Dragão.

Capítulo 14. Sobre confiança e proteção.

Haruno finalizou seu estudo e sorriu, ela finalmente conseguiu achar a cura para Shisui e para muitas pessoas que tinham o mesmo destino que ele, jovens, homens, mulheres, crianças, até então tudo que podiam fazer quando alguém quebrava ossos era enfaixa-los e ministrar remédios para dor e para cura da pele, com o tempo a cicatrização se fazia naturalmente, mas invariavelmente muitos ficavam aleijados e até impossibilitados de andar, agora ela tinha um meio de curar isso, embora fosse complicado, durante anos fez pesquisas que envolviam a arte secreta da cirurgia, mas sem o anestésico certo ou os remédios complexos que deveriam serem usados ninguém sobreviveria a tal situação, ela usou invariavelmente escravos que estavam a beira da morte e presos para testar sua teoria, infelizmente esses casos eram na sua maioria casos já perdidos onde a infecção ou o trauma eram grandes demais, mesmo assim ela aprendeu muito e agora munida da planta certa ela poderia usar o que aprendeu em Shisui e salva-lo.

Ela arrumou uma sacola com provisões para alguns dias e mandou selar dois cavalos fortes, depois foi ter com seu rei que andava eufórico com o casamento e não saia dos aposentos de seu amado, notadamente jogando gamão, passeando pelos jardins e até lendo juntos, mas ela precisava de algo dele que envolvia confiança.

O encontrou no jardim interno do palácio andando com o general, eles pareciam calmos e felizes assim, se ninguém soubesse de tudo que haviam passado não iria acreditar que essa completa união era fruto de dor e sofrimento, em especial do general capturado.

-Meu rei...Disse ela fazendo a reverencia ao seu rei.

-Olá Haruno, o dia está lindo hoje não acha? Que tal se juntar a nós em um passeio pelo orquidário?

-Meu rei eu preciso de um favor, hoje mais cedo descobri a cura para o problema na perna de Shisui, isso se estende a todos que tenham a mesma dificuldade, mas preciso sair em busca do que preciso para o remédio e preciso levar comigo o guerreiro Itachi.

O rei se surpreendeu, embora tudo estivesse em paz agora o guerreiro Itachi era o herdeiro legítimo ao trono da cidade nevada e seu povo não esqueceu disso, mesmo que agora tenham um novo rei e uma nova ordem, há sempre aqueles que desejam os velhos tempos e sua soberania de volta, de todos na família de Sasuke ele era o único que ainda não podia ser totalmente livre, pois talvez pudesse vir a ser um problema ao reino, a liberdade que todos receberiam e também seus títulos o rei desejava ofertar após o casamento.

-Haruno, discutimos isso antes, Itachi deve manter a coleira até que eu me case com Sasuke, então não haverá junto ao povo motivos para revoltas populares já que seu irmão o príncipe estará no trono comigo, uma união de dois povos, por enquanto ele ainda é meu hóspede, mas sem poder sair do reino ou de minhas vistas.

-Meu rei, entendo as situações da política, mas somente ele pode ir comigo, a planta que eu desejo não surge para qualquer pessoa, mas somente para alguém que a deseja para ajudar outro, e este outro deve lhe ser querido de modo pessoal, eu embora tenha boas intenções posso vagar por meses e não achar nada e ele a encontrará em um dia apenas, o que coletarmos poderá ser guardado e ajudar muitos outros além de Shisui, sua população, seu povo iria ficar imensamente feliz em saber disso, imagine quantos eu posso ajudar?

-Mas estou falando da rosa da lua...

O rei entendeu, ela falava da rosa da lua, uma mítica planta que cresce a noite e floresce aos raios da lua, só sendo vista pelos amantes e apaixonados a luz da lua, ele nunca soube que tinha propriedades curativas, mas sua feiticeira era sábia e ele entendia isso perfeitamente.

Sasuke tocou o braço do rei e lhe solicitou uma palavra.

-Naruto, meu irmão pode ser o herdeiro legítimo da cidade das terras nevadas, mas este reino não existe mais, após anos de ocupação pelo Usurpador o povo se sente satisfeito com o novo regime, não haverá revoltas e meu irmão não deseja o trono, ele deseja apenas paz e uma vida pacífica com Shisui, fomos escravos por muito tempo, realmente acha que desejamos mais dor e sofrimento? Confie nele assim como confia em mim, por favor...

O rei sabia que o seu general estava sendo sincero e na verdade ele nunca pediu nada até esse momento, o rei pensou e pensou e decidiu.

-Traga Itachi até mim na sala do trono, traga Shisui e a senhora Mikoto também, estarei lá em uma hora, essa é uma reunião oficial e meus conselheiros e ministros devem estar todos lá.

Sasuke teve medo da reação do rei, ele o sentiu sério e firme, não podia acreditar que de novo ele ousaria ser mesquinho e mal com eles, mesmo depois de ter prometido nunca mais feri-los de modo algum, mas manteve sua mente em silencio e sua voz calada, seguiu com ele até os aposentos do rei, o viu vestir suas roupas vermelhas e usar sua coroa dourada, saiu com ele e não perguntou nada, se desejava confiança precisava criar confiança, mas no fundo sentia medo.

O rei se sentou em seu trono e mostrou a Sasuke um local próximo a ele e esperou, logo mais Haruno e Mikoto entraram, um pouco mais lentamente vieram Itachi ajudando Shisui a andar, ele agora precisava de apoio o tempo todo e o mais velho o guiava da casa a sala de estudos e depois novamente para casa, nunca o deixando caminhar sozinho, pois de fato ele não tinha mais forças para isso, era evidente que precisava de ajuda ou seu problema em breve o deixaria inválido.

Haruno se curvou ao seu rei e Mikoto conhecedora das normas e leis do reino se ajoelhou como uma serva comum, Itachi estava ajudando Shisui a fazer o mesmo quando o rei se levantou e se adiantou deixando todos que assistiam o ato perplexos, ele se aproximou dos dois a sua frente e imediatamente se colocou na frente de Shisui.

-Solte-o Itachi. Ordenou o rei com sua voz grave.

Sasuke tremeu, pois se o irmão soltasse o seu primo ele iria cair sem o seu apoio, mas a voz do rei era pura ordem.

Itachi olhou para Shisui completamente desolado e o menor lhe sorriu compreensivo, sussurrando calmamente.

-Tudo bem...Solte-me.

A mão firme de Itachi soltou o corpo de Shisui e o Uchiha mais velho fechou os olhos amargurado imaginando que seu amado iria cair na frente do rei, uma nova humilhação, bem quando ele começava a confiar no rei.

Mikoto já tinha os olhos marejados e Sasuke se segurava na cadeira de espaldar alto, sua mente parada, em branco, assustado em onde tudo isso iria levar sua família de novo, será que nunca seriam livres e teriam paz?

O corpo de Shisui vacilou sem o apoio conhecido e ele fez um grande esforço para se manter em pé, mas sua perna não tinha mais forças e ele caiu, no mesmo momento em que iria sentir o solo frio fechou os olhos e mãos poderosas o ampararam antes que tocasse o solo.

Itachi mantinha os olhos fechados, sentia as lágrimas vindo e as mantinha a muito custo, Mikoto mal respirava.

-Shisui, está tudo bem...Eu peguei você. Disse o rei, depois se virou e ordenou a seus servos que trouxessem cadeiras confortáveis para todos, ajudando ele mesmo ao jovem se acomodar em uma das cadeiras e pedindo sucos e frutas picadas.

Depois olhou para Haruno e a chamou.

-Haruno, na frente dos meus ministros eu peço que liberte Itachi desta coleira, retire o feitiço colocado nela e a solte e o motivo que eu uso para tal pedido é que esse jovem que se encontra em minha frente e é o tutor de meu filho precisa de ajuda como mostrei a todos agora mesmo, ele não pode mais andar sozinho e sua situação se degrada a cada dia, todos aqui viram isso com seus próprios olhos.

Um dos ministros se levantou e se adiantou.

-Meu rei, compreendo vosso grande coração, mas embora esse rapaz seja o tutor de vosso filho ele ainda é somente um servo, ouso dizer que deveria ser um escravo e não há necessidade alguma de tratar um escravo, quando ele se tornar inválido apenas o sacrifique como é o costume.

Sasuke suspirou e colocou a mão levemente sobre o próprio coração, era isso que acontecia com escravos que adoeciam não é? Eram mortos. Assassinados. Ele se sentiu afundar na cadeira, nunca havia pensado nisso tanto antes, após ver com seus olhos o jovenzinho que foi salvo deste destino e que agora vivia sobre a proteção do mestre ourives ele se sentia tocado em seu coração, mas algumas leis no reino de Naruto precisavam mudar urgentemente, todo ser humano nasce livre e deve morrer livre e ter direito a ser cuidado, tratado e amado, ninguém deveria ser um escravo, é desumano e terrível.

O rei se adiantou do ministro e sorriu para ele.

-Maeda não é? Tem muitos escravos caro ministro?

O homem sorriu de modo asqueroso.

-Sim, eu tenho, mas todos estão saudáveis, eu posso ceder um deles ao meu rei para substituir este que está prestes a perder...

-Não, obrigado...Em outra ocasião eu me lembrarei de seu nome...Agradeço sua preocupação para comigo mas eu não estou pedindo permissão ao conselho dos ministros, eu estou comunicando um fato. Respondeu o rei e fez um sinal positivo para a sua serva mais fiel.

A feiticeira se encaminhou a frente do guerreiro Itachi e lhe sorriu satisfeita, tirou um cristal da sua bolsa e uma frasco de um líquido claro esverdeado, abriu o frasco e uma névoa saiu dele envolvendo o pescoço do guerreiro, o cristal se iluminou soltando a coleira que caiu no chão, na pele havia uma marca clara onde o objeto esteve por tantos anos, o rapaz tocou a pele livre incapaz de acreditar que finalmente ele não usava mais essa coisa horrível.

O rei andou pela sala e perguntou a uma das servas baixinho se a mestra havia chegado e ela confirmou, indo buscar na sala ao lado a mulher de cinza, a mesma que ele foi visitar junto com Boruto, ela entrou calmamente na sala e trouxe seus papiros e pergaminhos, havia uma mesa colocada próxima ao rei e após uma reverência ela expôs os documentos e o rei os leu baixinho, após sorrindo ele caminhou ao centro da sala e leu em voz alta.

-No vigésimo primeiro dia antes do festival da lua, no final do inverno nas terras nevadas, eu, Naruto Uzumaki, Rei Dragão de quatro dos sete reinos afirmo que a senhora Mikoto Uchiha é uma mulher livre, uma cidadã da cidade nevada e portadora do título de Imperatriz mãe pois é a mãe de minha futura rainha e avó, título que herdará devido ao meu filho, sobre isso eu coloco meu selo, que fique claro que ela tem poder abaixo do príncipe herdeiro Boruto Uzumaki, e pode exerce-lo livremente e que isso fique registrado no conselho dos ministros e na ata da sala perpétua.

-Do mesmo modo eu afirmo que Shisui Uchiha de agora em diante é um diplomata neste reino, tendo todos os seus direitos como nobre reservados, podendo exercer a função de tutor do príncipe Boruto se desejar, mas que fique bem claro que ele é um cidadão livre desta nação.

-Por fim eu declaro que Itachi Uchiha de agora em diante e para sempre deve ser considerado como príncipe embora não seja o herdeiro do trono e tutor de meu filho Boruto, sendo seu braço direito nos assuntos do reino, ficando seu poder apenas menor do que meu próprio filho, ele é um cidadão livre neste reino e todos os outros dos quais eu sou o rei, eu declaro e para tanto disponho como testemunha minha fiel serva Haruno, feiticeira e médica neste reino.

Ouve alguns murmúrios no local, ali reunidos estavam todos os ministros do conselho, menos os que foram levados para as masmorras, mas eles não podiam ir contra uma vontade do rei e muito menos ir contra uma mestra arquivadora, elas eram sagradas pois possuíam alta magia e guardavam a memória do povo.

O rei olhou para seu general mas se surpreendeu em como ele estava pálido e parecia prestes a cair, por isso se aproximou lentamente dele, o observando.

Sasuke ainda estava ligeiramente em choque, ele permanecia parado em pé olhando para o rei, os olhos marejados e a face pálida, foi preciso que o próprio rei se aproximasse dele e o tomasse pelas mãos o guiando até uma poltrona colocada ao lado do trono e lhe acalmasse sussurrando palavras que eram ouvidas apenas pelos dois.

-Meu Sasu...Está tudo bem? Eu devolvi os títulos de nobreza dos seus familiares meu amor, deveria ser um presente de casamento, mas eu percebi que eles mereciam isso o quanto antes e após um pedido especial de Haruno achei que estava na hora, mas porque está tão pálido?

-E-eu...Eu achei que algo ruim iria acontecer, fiquei em pânico imaginando se fiz algo que desagradou o rei e que por isso meus familiares iriam pagar de algum modo, eu estava apavorado...Tive tanto medo que tudo fosse como antes...

Naruto não entendia essa reação.

-Mas porque pensaria que eu faria algum mal a eles? Fiz promessas de que nunca mais os machucaria, lembra-se meu amor? E mesmo que algo me desagradasse eu nunca machucaria eles e nem mesmo você.

Sasuke ainda estava pálido e isso começou a preocupar o rei que buscou um suco revigorante para ele.

-Meu Sasu...Eu tinha que manter minha aura de Rei Dragão, a reunião para devolver os títulos de nobreza são algo sagrado, eles serão escritas no livro das recordações e constaram dos registros das mestras do templo por toda a vida, por isso era preciso todo esse teatro e essas roupas. Disse o rei sorrindo.

Sasuke esquecido de que tinham uma grande platéia que os observava, em silencio apoiou a cabeça no peito do rei e suspirou, sendo afagado pelas mãos do rei carinhosamente, rei que estava neste momento ajoelhado em sua frente com seu manto vermelho espalhado pelo chão, adorando seu pequeno general sem se importar com protocolos e ministros, e isso mostrava que mesmo o rei não era magnânimo, ele podia ser poderoso, mas se curvava a seu amor...Um general capturado.

De súbito a porta grande foi aberta e um menino muito irritado entrou pisando duro dentro da sala de reuniões e correu aos braços de Mikoto a abraçando apertado.

-Senhora Mikoto se meu pai foi mal eu juro...Juro que te defenderei!!

Ouve muitos sorrisos e o rei se lembrou de onde estavam, mas mesmo assim se levantou e puxou Sasuke para junto de si num abraço reconfortante.

-Filho? O que ouve? Não me diga que pensou mal de seu pai também?

-Oras!! Claro que sim, o senhor é muito propenso a meter os pés pelas mãos em assuntos do coração e eu já testemunhei isso uma vez e bastou, jure para mim que não foi malvado com meus tutores!! Muito menos com minha futura mãe rainha!!

Naruto revirou os olhos e se virou para a mestra do templo solicitando com um olhar que ela se adiantasse, talvez isso acalmasse seu filho.

-Meu rei está feito, tudo que disse está registrado aqui no livro das recordações e ele será guardado no templo onde nenhum homem, mulher ou criança mal intencionado pode entrar para roubar esse documento sagrado, sem mais no momento eu peço que me libere para partir e seguir com meus afazeres.

-Vá em paz e obrigado.

Um mínimo sorriso brincou por um momento na face da mulher sem nome ( assim que se tornava uma mestra do templo era chamada somente de mestra e perdia seu nome de nascença) e ela sumiu pelas portas da frente, o príncipe Boruto se adiantou e perguntou ao pai.

-O que ela fazia aqui? Que documentos são esses?

Sasuke se abaixou para ficar na altura do menino e lhe sorriu ao responder, sua cor voltando ao normal lentamente.

-Minha família está livre de verdade e eles tem seus títulos de nobreza de volta...Isso é mais do que eu imaginei algum dia...

Boruto encarou seu pai com os olhinhos espertos semi cerrados.

-Isso é sério meu pai?

-Sim meu filho, é muito sério...Agora se quiser que eles continuem a te dar aulas terá que pedir muito gentilmente...Eles não são prisioneiros, nem escravos ou servos, nem mesmo hóspedes, eles estão em casa agora.

Boruto correu até Shisui que mantinha uma face serena mas estava claramente feliz.

-Shisui, ainda será meu tutor? Eu adoro suas histórias! Por favor me diz que sim!!

O então diplomata sorriu, exibindo sua felicidade.

-Sim, eu desejo servir o meu pequeno príncipe enquanto precisar de mim, mas aprende tudo tão rápido que logo não terei mais nada a ensinar...E neste dia perderei minha utilidade a vossa alteza.

Os olhos de Boruto se encheram de lágrimas e ele abraçou o moreno de cabelos negros e pele clara.

-Sempre vou precisar de você...Toda a minha vida, me prometa que nunca vai me deixar...Somos uma família e você é como o irmão mais velho que eu nunca tive.

Shisui sorriu.

-Que honra pequeno príncipe...Se sou seu irmão mais velho, o que Itachi seria? Perguntou divertido.

-Meu tio...E a senhora Mikoto minha tia avó, porque ela é muito bonita e nova para ser somente avó.

Itachi que estava ainda sob o impacto do que ouve se aproximou lentamente de Boruto e de Shisui e sorriu mostrando a pele alva do pescoço, livre finalmente, ele nem tinha palavras para expressar a felicidade que sentia, por isso se ajoelhou e abraçou Shisui e Boruto em silencio.

A reunião formal se desfez e logo estavam somente o rei, o general, Haruno e a família de Sasuke no local, sem esquecer do pequeno príncipe que corria pelo ambiente brincando como uma criança normal deveria sempre fazer.

-Quero informar que Haruno encontrou uma cura para o mal que atinge Shisui, mas que para isso Itachi deve seguir viagem com ela para outras terras, fora dos meus domínios, mas em povos amigáveis, eles devem retornar com uma planta muito rara e especial. Disse o rei e todos se entreolharam.

-Isso é perigoso? Perguntou Shisui assustado.

-Não, eu sou muito boa em disfarces, quando estava observando as tropas do general Sasuke eu me transformei temporariamente em uma camponesa com ovelhas e conversei com o guerreiro Obito, descobrindo muito sobre os soldados, se eu precisar posso fazer isso de novo.

Sasuke se lembrou disso.

-Ohh, eu me lembro, Obito me contou isso, ele me trouxe até mesmo um pouco de pão neste dia, fazia quase três dias que eu não comia nada, foi muito bom.

Haruno sorriu e se curvou na frente de Sasuke.

-Me perdoe general por ter feito tal coisa, mas eram tempos de guerra e eu precisava descobrir mais sobre todos no seu regimento e a pedido do meu rei precisava saber mais sobre vossa pessoa.

Naruto não queria lembrar desse período, em sua memória cada fato que se seguiu estava vivo e sangrava e ele odiava isso.

-Deixemos o passado no passado, resta saber que minha serva fiel é muito habilidosa, tanto que pode fugir de qualquer perigo sem medo e pelo que sei Itachi é um ótimo guerreiro e pode se defender se for o caso, tem a minha permissão para partir em missão. Finalizou o rei sorrindo.

Itachi sorriu junto, talvez pela primeira vez em muitos anos ele sentia que havia esperanças de fato e isso era reconfortante, após se despedir ele partiu com a serva Haruno.

Todos se recolheram, um servo foi designado para andar junto com Shisui até que Itachi voltasse e tanto ele como Mikoto e Boruto foram embora, restando no local somente alguns servos, o rei e o general.

Sasuke estava perturbado com o rumo das coisas, em particular com o descobrimento da situação dos escravos, achou que poderia ao menos perguntar.

-Naruto...É verdade que os escravos não recebem tratamento médico e se ficam doentes são sacrificados?

O rei suspirou, era verdade, no reino de Guinzem como nos outros três reinos era essa a situação dos escravos, mas isso não era o pior, eles eram realmente mal tratados, muitos não chegando a viver mais que dez anos em tais condições, morrendo sempre jovens, porém sempre foi assim.

-Escravos...Eles são descartáveis nessa sociedade. Disse o rei, nunca pensou nisso seriamente, era a lei e o costume e ele seguia os dois, pelo menos até ter Sasuke em suas mãos.

-Acaso o sangue de um escravo é diferente do seu? Se sangrar ele é diferente? Sua dor é menor? Ninguém nasce escravo, ele se torna um...Isso não deve continuar, por favor como Rei Dragão faça algo por eles eu lhe peço!

Naruto sorriu e acariciou as bochechas do seu amado, um segundo pedido no mesmo dia e nunca para si mesmo.

-Porque se preocupa tanto por desconhecidos? Escravos são espólios de guerra.

Sasuke se entristeceu.

-Bom, eu fui um escravo, sei que é a mais triste condição da raça humana e antes de serem escravos essas pessoas tinham uma família, um teto, um lar...Isso é desumano meu senhor, por favor pense nisso, observe seus escravos, tente ao menos ver cada um deles como um ser vivo, cheio de sentimentos e dor e talvez possa ser mais magnânimo com eles.

Naruto pensou, ele rompeu muitas regras ao se apaixonar por um homem, um príncipe capturado, um general inimigo e quebrou mais ainda ao desejar se casar com ele e transforma-lo em sua rainha, até hoje seus olhos estavam fechados, mas ele os abriu e agora não podia mais fecha-los.

-Prometo que vou pensar em algo, prometo que verei esses seres humanos exatamente como são...Como seres humanos.

Sasuke suspirou.

-Restam três dias para nosso casamento, eu me sinto aliviado em saber que me casarei com um homem íntegro, um rei honesto e justo e um grande guerreiro. Disse Sasuke embora ao dizer isso se sentisse ainda envergonhado.

-Talvez seja eu que deva agradecer meu general capturado, por colocar luz em minha escuridão e me deixar ver a verdade que eu nunca enxerguei antes.

Sasuke acomodou o corpo ao lado do corpo do rei e se deixou ficar, ele se acostumou ao tamanho grande e protetor do homem, ao modo como suas mãos seguravam sua cintura e em como ele o mantinha firme em seus braços, era uma sensação boa e ele nem mais se importava se isso fosse de fato coisa de mulher, poderia dizer sem sombras de dúvidas que agora ele acreditava que isso não existia, que somente existia a chance de ter mais afeto verdadeiro e que o fato de ele ser um homem não o excluía de desejar ser amado, protegido e cuidado.

-Ainda se sente muito cansado meu amor?

-Não, minhas forças estão retornando, já consigo reunir um pouco de Qui, embora seja muito pouco para me ajudar em uma situação de perigo.

-Meu Sasu...Que situação seria essa?

Sasuke suspirou quase dormindo.

-Tortura...Eu tenho pouco Qui, se eu precisar me livrar da dor de torturas eu não seria capaz, não mais...

Naruto se arrepiou inteiro.

-Não diga isso meu amor, nunca mais, nunca mais...Aquilo, eu nunca poderei apagar de sua mente e de seu espirito, mas eu jamais permitirei que sinta dor de novo, eu lhe disse, sentirei dor em seu lugar se for preciso, prefiro mil mortes a observar sua dor.

-Não fique triste, eu apenas disse que tenho pouco Qui, não desejo usa-lo nunca mais, de certo eu usaria apenas se um dia eu novamente empunhar uma espada em algum treino com meu irmão ou com você, treinaria comigo?

Naruto se sentia melhor agora, passava as mãos nos cabelos macios e sedosos com carinho extremo.

-Eu sei que treinaremos juntos, mas não agora, por ora eu desejo sua completa recuperação, te desejo em minha vida mais que tudo neste mundo, livre e feliz, como meu companheiro, meu amigo, meu irmão e minha rainha e acima de tudo como meu amor, sei que agora ainda não se sente livre, se eu olhar as leis de meu povo e do seu realmente não é, devolvi a liberdade a sua família de modo correto e a sua ainda não posso, mas após o casamento isso não importa, será minha rainha, tendo tanto poder quanto eu mesmo.

Sasuke novamente suspirou se lembrando do livro que leu e se embaraçou ao pensar que dali três dias ele estaria na cama com esse homem viril, nunca pensou em sexo em sua vida, sempre foi um soldado cativo, um escravo guerreiro, até se tornar um general, nunca pensou em amor ou sexo, mesmo tendo conhecimento que isso ocorria em seu acampamento, nunca se sentiu tentado, curioso ou mesmo incomodado com isso, mas agora...

-Meu rei?

-Hum...

-Preciso saber de algo para a nossa noite de núpcias?

Naruto sorriu vendo o embaraço do menor em seus braços.

-O que deseja saber meu amor? Respondeu mexendo nos cabelos negros como a seda mais cara.

-Nem sei o que devo perguntar, já que nunca...Nunca pensei nisso, mas sei que é muito experiente e que já foi casado, ficando viúvo quando o príncipe nasceu, mas eu...

Naruto o virou para si o encarando e sorrindo ao observar sua face sadia e corada e o beijou suavemente.

-Não precisa saber de nada agora, eu te ensinarei tudo que precisa aprender, ensinarei seu corpo a me reconhecer e darei todo prazer que for humanamente possível a você, não serei rude e não precisa ter medo, tudo será feito com calma e paciência, estou muito feliz em saber que sua pureza é tão perfeita como sua alma.

-Obrigado...Disse Sasuke confortado.

-Pelo que meu amor?

-Por deixar o deus mal morrer de fome em sua alma...

O sorriso de Naruto era qualquer coisa de fantástico nesse momento, ele sentia sua alma vibrar de amor pelo pequeno que tinha nos braços e jurou aos céus que nunca o magoaria, nunca o machucaria...Jamais.

A bruxa ouviu tudo, cada palavra e viu casa ação ali desenrolada, não que isso mudasse de algum modo seus planos, mas ela se irritou mesmo assim...No entanto seus planos ainda eram os mesmo, somente após o casamento ela os colocaria em prática, no momento ver pelos olhos da sua nova escrava Hinata era o seu melhor presente...

Notas finais
Amo esses dois...Sasuke é tão fofo! Beijos.

16. O caos e a escuridão...Ou o perdão.

Notas do Autor
Essa imagem é tão bonita!! Imaginem o rei e o seu general assim...demais né? Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 15. "O caos e a escuridão...Ou o perdão."

Itachi sentia o vento no rosto e isso o deixava muito feliz, nem mesmo acreditava que tal coisa estivesse acontecendo, de certo tinha medo de fechar os olhos e acordar enclausurado no palácio ou ainda pior, acordar na antigo regime com o Usurpador que ele tanto odiava.

A mulher que ia com ele aprendia rapidamente sobre as pessoas com que convivia, assim havia passado a respeitar imensamente o general e admirar muito o seu rei, agora ela tinha oportunidade de entender esse valente homem que sofreu muito e mesmo assim aparentava ser tão forte, haviam coisas que ela desejava saber, porém eram assuntos bem pessoais e ela tinha medo de ferir seus sentimentos, no entanto para saber era preciso perguntar.

-Príncipe Itachi?

Ele diminuiu o trote do cavalo e a olhou curioso.

-A muitos anos eu não sou chamado assim e prefiro que me chame de Itachi.

-Sim, me chame de Haruno e eu atenderei seu pedido.

Ele sorriu.

Ela achou que era a oportunidade perfeita.

-Gostaria de ter mais informações sobre sua vida no reino do Usurpador e tenho perguntas pessoais para lhe fazer, temo que isso afete nossa recém conquistada amizade...

Itachi suspirou.

-Pelo que está fazendo por meu Shisui eu responderei cada uma delas e não se preocupe em ser indiscreta, apenas me faça as perguntas.

Ela suspirou e começou.

-Como era sua vida e a de sua família no reino?

-Era muito ruim em todos os aspectos, como escravos não nos era permitido ter nada, nem mesmo vestes adequadas ao frio de nossa terra, sendo assim o frio era sempre uma constante em nossas vidas, sem remédios ou tratamentos médicos muitos adoeciam, foi o caso de meu Shisui...Realmente eu roubei remédio para ele, correndo o risco de que se descobertos todos nós iriamos perecer.

Ela suspirou e continuou.

-Servia o Usurpador pessoalmente?

-Sim.

-Na cama dele? Ela era direta e o guerreiro vacilou, mas ele prometeu responder e isso não o fazia se sentir inferior, ele sabia que foi algo necessário para sobreviver, como um castigo, igual a tantos outros.

-Sim...Respondeu.

Haruno chegou ao ponto crucial.

-Enquanto era o escravo do Usurpador conseguiu ver quem de fato comandava? Pois tenho informantes que dizem que ele era apenas um peão em um jogo maior e na cama ouvimos segredos que são em sua maioria intocados de outro modo, entenda...Talvez algo escapou dele e isso possa ser útil agora.

Era uma conversa desagradável, mas ele entendia muito bem, como escravo sexual do homem detestável ele viu e ouviu muita coisa, entre elas ele viu a bruxa de mil anos.

-Quando ele me queria em sua cama me mantinha lá por alguns dias, eu via muito uma mulher que vinha lhe falar sempre ao final do dia quando o sol se punha, era considerada uma bruxa poderosa e perigosa, a bruxa de mil anos e era sempre desagradável sentir a aura dela. De fato creio que ela governava e não o Usurpador ou o Cão fiel como muitos acreditavam, na verdade o Cão só servia para punir os escravos, os servos ou os ministros desobedientes, sempre intimidando e batendo nas pessoas, também era ele quem executava as sentenças de morte no reino, mas sempre a pedido dela, da bruxa.

Haruno inclinou a cabeça para ouvi-lo melhor, esse nome era bem conhecido no mundo das bruxas e feiticeiras, uma mulher que a mil anos fez um pacto demoníaco com forças além da compreensão e depois enganou esses demônios roubando seus poderes e passando de corpo e em corpo vivendo até os dias atuais.

-Você a viu? Pessoalmente?

Essa era uma informação muito importante, pois ninguém até hoje conseguiu uma descrição exata da mulher, ela sempre vivia nas sombras, coberta por um manto negro, já haviam dito que era uma mulher, mas alguns lhe contaram que era um homem, tudo muito vago.

Ele confirmou nervoso.

-Como ela é?

Itachi a olhou por um breve momento.

-Ela é muito parecida com você, poderia ser sua irmã mais velha com certeza, seus olhos e seus cabelos são iguais e até as maças do rosto e a boca, mas existe algo nela que é apodrecido, morto e degradado, algo maligno e escuro, ela pode ter um corpo jovem e belo, mas é horrenda como a morte.

Haruno suspirou cansada, desesperada e neste momento descobriu que teria que fazer perguntas piores ao seu rei, perguntas que poderiam abrir velhas feridas nele e também nela, mas que eram importantes demais para serem descartadas.

-Obrigada por sua sinceridade Itachi e perdoe minha intromissão em assuntos tão particulares, mas eu sei como é ser um escravo, fui uma escrava por um curto período de tempo, o rei Dragão antecessor de Naruto, o pai dele era impiedoso, ele matou minha família e me chicoteou quando eu era ainda uma menina, fui levada quase morta para ser uma escrava, mas após estar curada eu conheci o príncipe Naruto e ele me salvou, me trazendo para junto dele como sua serva particular e me permitindo estudar feitiçaria com seus mestres, com o tempo meu dom floresceu e o antigo rei morreu em uma emboscada durante uma guerra, assim Naruto subiu ao trono aos quinze anos e governa desde de então e eu sou sua serva desde de então, mesmo que ele tenha me oferecido para ser a regente de minha terra.

-Porque não aceitou?

-O sangue que vi ser derramado no solo...O sangue dos meus amados pais manchou minha alma, ali eu nunca seria feliz, mas no reino de Guinzem ou em qualquer outro lugar eu posso ser, depois tal como você sinto que a realeza não me foi boa, ao contrário me causou dor e infelicidade, talvez se eu fosse uma camponesa eu e minha família ainda estaríamos vivos...

Itachi concordou.

E eles continuaram em silêncio até ver um vale belo, era ali.

-Chegamos. Disse Haruno descendo de seu cavalo.

-E agora?

Ela desfez uma sacola no chão e começou a montar o acampamento.

-Agora esperamos a lua estar alto no céu, será rápido com sua ajuda, voltaremos ao amanhecer e poderemos ver a cidade sendo enfeitada para o casamento, creio que será lindo.

Itachi suspirou, ele não tinha dúvidas disso, mas quanto ao coração de seu irmão ele se ressentia, afinal Sasuke concordou com o rei, ele se tornou dele devido ao medo de que sua família sofresse, não havia amor algum nisso, apesar das gentilezas do rei ele ainda mantinha seu irmão como um general capturado.

-Itachi...Meu rei não é mal, ele tem um bom coração e ele ama seu irmão de um modo que nem a magia consegue explicar.

-Mas o amor não é uma via única, ele não segue um fluxo reto, é como um rio, cheio de pedras e percalços, se o amor não estiver em ambos os corações um deles irá sucumbir no final, e eu sei que meu irmão é forte, que é valente e que faria qualquer coisa por mim, por Shisui ou nossa mãe, mas ele suportará uma vida inteira assim? Ele nunca conheceu o amor, sei que nunca conheceu o sexo, por alguma razão que desconheço a bruxa ordenou que ninguém colocasse os olhos cobiçosos sobre ele e assim todos mantinham a chama do desejo muito bem escondidos em relação a ele, a princípio eu agradeci aos deuses por isso, mas depois acreditei que ela tinha planos malignos para ele.

Haruno entendia o ponto de vista daquele homem, ele viveu no inferno e alimentou o diabo, ter estado nas mãos do Usurpador poderia ter enlouquecido qualquer um, menos ele, porque seu propósito era manter os que ele amava a salvo, tanto quanto Sasuke fazia agora, mas havia uma diferença crucial neste ponto, enquanto o Usurpador só usava Itachi sem nenhum sentimento além do de posse, seu rei, seu amado rei amava de todo o coração o jovem general, mas isso ela sabia, como fazer Itachi ver e acreditar em tal coisa depois de tudo que ele mesmo viveu?

-Sei que parece arrogância de minha parte dizer isso a você, de fato sei que pode odiar meu rei profundamente por isso, mas entenda que meu rei deseja fazer seu irmão feliz, ele nunca o manterá preso na cidadela, ele será livre, acredito que com o tempo o general conhecerá uma parte do meu rei que é leal, alegre, bondoso e amoroso e sendo seu irmão um ser tão nobre ele apreciará isso, não posso alegar que Sasuke amará Naruto, isso não é possível afirmar, mas ele já sente algum carinho pelo rei, se sente bem em sua companhia, nunca mais o vi se retrair ou se assustar em sua presença, ele ao contrário busca o afeto mais singelo do meu rei, tenho esperanças sinceras sobre os dois. Mas quanto a pureza de seu irmão eu já sabia, está impresso em sua face, ele é mais puro que as primeiras neves de inverno, seja qual for os planos da bruxa eles se perderam, pois Sasuke está seguro em casa.

Itachi ainda estava inquieto e ela sentia.

-Isso o preocupa muito não é?

-Eu tinha que me deitar com um homem que eu odiava mais que tudo nesse mundo, possuir aquele corpo era morrer lentamente, seus gemidos me enojavam e eu me sentia sujo quando terminava, não quero que Sasuke sinta isso, ser forçado a ser de alguém desse modo...Mas não posso fazer nada.

Haruno então pegou um pequeno cristal e mostrou a Itachi.

-Vê isso? É um cristal vivo, está ligado a outro que está neste momento nos aposentos de seu irmão, eu não pretendo espiona-lo, isso é para me comunicar com meu rei, devido ao fato dele viver mais lá que em qualquer lugar era propício o deixar neste local, mas eu posso ver se desejar, neste momento eles estão juntos, é o horário que vosso irmão adormece e é o horário que meu rei o observa, venha e veja por si mesmo.

Itachi um tanto relutante se aproximou e sentou no chão junto a ela, observando o cristal ganhar vida, viu o quarto do seu irmão e o viu dormindo em uma poltrona, o livro caindo de suas mãos suaves e sentiu tanta ternura por ele que teve vontade de ir até lá e o abraçar, consolar e cuidar dele como nunca pode antes, mas então viu a figura alta do rei se aproximar dele, cauteloso...

“O rei se aproximou do seu general adormecido na poltrona e o observou por um longo momento, depois cautelosamente tirou o livro de suas mãos e se colocou de joelhos a sua frente tocando os dedos macios delicadamente e beijando-os com devoção.

-Sasu...Eu te amo...Te amo...

-Eu não posso mudar o que aconteceu, não posso apesar de ser o rei mudar tudo que passou, não posso apagar as dores e os medos que sentiu, não posso apagar cada instante de incerteza, mas gostaria de poder realizar esse feito, eu gostaria de te conhecer e te conquistar verdadeiramente, gostaria de te ver sorrir sem medo, sem cautela, eu gostaria de te conhecer antes de tudo e poupa-lo de algum modo...Mas não posso e sou egoísta demais agora para te deixar decidir se deseja ou não se casar comigo, é o que eu deveria fazer não é?

Sasuke se mexeu lentamente e suas pálpebras tremeram, mas ele se aquietou novamente, ressonando baixinho e o rei continuou.

-Eu deverei te dar a escolha que nunca antes te dei, casar-se comigo porque deseja isso, não porque tem medo de mim ou do que eu possa fazer com aqueles que ama, sei que agora não importa o que eu diga, nunca o farei acreditar em mim, eu menti muito a você e eu o assombrei com a dor dos seus soldados e depois dos seus familiares, eu fui um monstro verdadeiro e agora sofro com isso, perdoe-me...

Sasuke se remexeu e abriu os olhos serenamente, fitando o rei ajoelhado no chão segurando sua mão entre as dele, o olhou de modo interrogativo e sorriu minimamente se sentando melhor na poltrona.

-Eu adormeci novamente, creio que nunca dormi tanto em minha vida, perdoe-me meu rei.

-Porque me pede perdão meu amor? Antes estou eu aqui a pedir perdão enquanto dorme pois tenho vergonha de pedir perdão ao olhar em seus olhos, pois sei que o que peço é insensato, ninguém que sofreu o que sofreu poderia perdoar seu algoz. Eu sou seu torturador, seu mais horrível pesadelo e ainda assim eu o amo sem medidas e o desejo para mim, eu sou o caos e a escuridão.

Sasuke virou sua bela cabeça e deu um sorriso sincero.

-Porque se tortura tanto assim? Perguntou ao rei o fitando intensamente.

-Porque eu mereço...Tudo que lhe fiz...Respondeu o rei verdadeiramente.

Sasuke analisou o rei e tocou sua face com dois dedos de sua mão direita num carinho nunca antes dado a ele, era a primeira vez que o fazia por livre vontade, delineou o rosto másculo com seus dedos pequenos e analisou suas peculiaridades, a face severa e mesmo assim bela, os ossos fortes e marcantes, a pele na cor do trigo dos campos, a força e a leveza na textura desta pele, os olhos ambiguamente severos e mansos, o profundo azul contido neles a desafiar a beleza dos céus, a boca firme, forte e resoluta que tantas vezes ditou sentenças terríveis e mesmo assim que salvou um escravo a beira da morte e devolveu ele a seu amado, a mesma boca que dizia o nome do filho com carinho verdadeiro...Este homem era forte e intenso.

-Es mesmo um rei. Disse Sasuke o encarando profundamente como nunca fez antes.

-Isso é algo ruim ou bom? Perguntou o rei pousando sua cabeça no colo do seu general como um garotinho faria com a mãe.

Sem pensar Sasuke tocou seus cabelos e os afagou mansamente, ele tinha em si a semente da bondade e isso nunca lhe abandonava, bastava ter a chance e ele era pura afeição.

-Eu não mereço seu afeto, nem mesmo sua bondade, mas eu te amo mesmo assim. Repetiu o rei tristemente.

-Fez muitas coisas terríveis, talvez bem mais do que eu sei, sua voz condenou muitos homens e mulheres ao sofrimento e até mesmo a morte, mas sua voz também libertou inocentes do cativeiro...Fico feliz em saber que Jonas está a salvo com o ourives Juliu, isso foi muito nobre de sua parte meu rei.

Naruto levantou a cabeça e o encarou.

Sasuke deu de ombros.

-Vê? Fez coisas boas também, quando eu estava muito ferido mandou a senhorita Haruno para me curar, quando eu estava desesperado permitiu que Obito viesse ter comigo e me dar palavras sábias, libertou meus familiares mesmo que não precisasse, e conversou comigo, jogou gamão comigo para me distrair, passeou pelos jardins...Existe um bom homem em você.

Naruto suspirou.

-Sim, fiz isso, mas cada coisa aconteceu porque eu errei com você.

-Não importa, todos erramos, importa se tentamos consertar nossos erros, sei que tentou consertar os seus.

Naruto suspirou e ergueu Sasuke nos braços sem nenhuma dificuldade e o conduziu a cama o deitando sobre ela e se sentando ao seu lado.

-Se meu general é tão nobre a ponto de não me condenar pelo meu passado infeliz eu serei nobre para lhe dar a escolha, mesmo que isso me mate.

Sasuke o observou curioso.

-Está liberado do seu compromisso comigo Sasuke Uchiha, príncipe das terras nevadas, general do exército da fronteira, está liberado de se casar com o Rei Dragão e livre de qualquer promessa feita sob as ameaças que lhe impus.

Sasuke se sentou e ergueu a face de seu rei o analisando enquanto via as lágrimas do rei deslizar suavemente no belo rosto.

-Não me deseja mais como sua rainha?

-É tudo que mais quero nessa vida...Porém eu o desejo sinceramente, desejo o impossível, desejo que se case comigo porque sente algo por mim, não um sentimento negativo como medo, mas sim algum bom sentimento como carinho ou afeto, nunca ousaria pedir por amor, sei que isso é impossível, mas afeto já me seria maravilhoso.

Sasuke parou e pensou por um momento.

-Isso que me disse é mesmo verdade? É sua palavra de rei?

-Sim, é minha palavra de rei...É a palavra sagrada de Naruto Uzumaki Rei Dragão de quatro reinos.

O general sorriu e pegou nas mãos do rei.

-Mas eu tenho um presente para lhe dar e vi que existem bolos sendo feitos neste exato momento e minha túnica nova parece ter ficado tão bela! Ouvi dizer que o povo está animado para a festa e que as crianças brincam mais felizes imaginando como será nosso casamento.

Naruto que a pouco não tinha esperança alguma olhou nos olhos negros de seu amado e esperou quase sem ar.

-Creio que eu posso ser sua rainha...Mas quero que seja um bom rei, ajude seus escravos, seja por favor um homem honesto e justo e eu posso ajuda-lo a cuidar do seu povo se me permitir.

Naruto o abraçou tremendo.

-Se casará comigo meu amor? Porque deseja? Me dará uma chance?

Sasuke sorriu.

-Sim...

O rei soluçou e o general o apertou nos braços.

-Mas esqueça o passado, vamos viver o presente e neste presente eu desejo entender sua alma, eu sinto...Sinto um calor no peito quando estou com você e meu coração pula, fico envergonhado e ao mesmo tempo inseguro, mas não é de todo mal, parece ser algo bom, talvez eu esteja de algum modo gostando de meu rei.”

Haruno cobriu o cristal com um pano negro e olhou para Itachi.

-Acredito que há esperanças nos dois, não é?

Itachi não disse nada, mas seu coração estava muito mais leve...

“E a muitas léguas dali o rei beijava ternamente seu general, pois o sentia mais seu do que nunca, sem barreiras, sem medos e sem correntes, ele o sentia livre, feliz e tinha esperanças sinceras de que um dia veria amor naqueles olhos profundamente negros e naquele rosto imensamente belo, porém mais que tudo isso ele se sentia feliz porque finalmente fez a coisa certa.”

Notas finais
Esses dois me matam de amores...Meninos e meninas, sempre façam a coisa certa! Beijos de Akira para todos.

17. Uma coroa forjada no amor e na dor. ( O dia do casamento)

Notas do Autor
O dia do casamento tem seus encantos, embora o casamento só aconteça como mandam os bons costumes após o sol se esconder no horizonte, tenho uma particularidade para compartilhar com todos, o motivo pelo qual eu decidi dar o título de rainha ao belo general, é simples, tirei isso de uma história real ocorrida na China antiga onde um Imperador apaixonado por um escravo resolveu que ele seria seu consorte, mas isso era impossível segundo os costumes da época, para não desagradar seus ministros o então Imperador mandou vestir seu escravo e amante como uma rainha e se casou com ele, após o casamento este belo amante( segundo a pesquisa um dos homens mais belos do reino) continuou sendo chamado de rainha, eles tiveram uma vida longa e produtiva. É isso gente. Beijos.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 16.

Uma coroa forjada no amor e na dor. ( O dia do casamento.)

Itachi avistou as bandeiras flamulando no vento, ele nunca imaginou que ao sair de sua cidade que por tantos anos foi sua prisão sentiria saudades e desejaria voltar tão ardentemente, mas percebeu que de fato ele sentia saudades dos que amava e que o local onde vivia não era o que lhe afetava a alma, o lar é onde o coração está e o dele pertencia profundamente a Shisui, nesta e em todas as outras vidas.

-O dia do casamento, tenho pouco tempo e devo me apressar, somente após a cerimônia eu poderei começar a curar Shisui, mas adianto que será um processo assustador e já aviso que ele não sentirá dor alguma apesar de ser algo deverás ruim de se ver, deve no entanto confiar plenamente em mim.

-Lembre-se que ele é minha alma tanto quanto eu sou a dele, se algo ruim acontecer a meu amado juro pelos deuses que se eu desconfiar que a culpa foi sua irei mata-la mesmo que isso custe a minha vida e quero que entenda que isso é uma promessa sagrada.

A mulher concordou, ele entendia o sentimento que ele nutria, embora ela mesma nunca tenha nesta vida sentido, o que era de certo modo seu maior desencanto.

-Eu entendo e concordo, mas minhas intenções são verdadeiras, no entanto temo que ver o que farei seja perturbador, por isso pense antes de desejar ficar e assistir, pois não poderá interferir e nem conseguirá, mas lhe prometo que seu amado andará sozinho novamente como se nada nunca lhe tivesse ocorrido.

Eles chegaram ao portão da cidade e soldados os deixaram passar, cavalgaram até o castelo e enquanto Haruno se dirigiu aos seus aposentos o homem correu até os de Shisui, a saudade doendo no peito como nunca antes em sua vida e ao entrar nos aposentos o viu, adormecido na cama, feições suaves...E seu coração suavizou, ele o amava tanto que não ter ele ao seu lado era sua ruína, suspirando satisfeito foi se banhar pois estava sujo da viagem longa e logo mais pretendia deitar-se ao lado dele e dormir tranquilo por algumas horas.

Haruno entrou como uma tempestade furiosa de agitação e foi mexendo em tudo, tirando frascos e agitando poções e jogando tudo em uma recipiente que fervia num fogo mágico no centro do seu quarto, um fogo que nunca se apagava, era azul e frio e mesmo assim intenso fazendo tudo dentro do recipiente ferver em ebulição.

-Hinata? Hinata!

-Minha mestra? Se aproximou Hinata prontamente.

-Oh sim, aqui está, está é a flor da lua, está visível por minha magia, foi colhida por Itachi ontem a noite, está fresca mas não durará muito, faça com ela um pouco de unguento e depois deixe descansar por doze horas na luz da próxima lua, nesta mesma noite, esta poção que ferve deve ser usada em cada um dos meus aparatos de cirurgia, entendeu? Cada um deles, todos devem estar prontos para as primeiras horas do dia.

-Sim...Mas quem será operado minha mestra?

-Shisui...Para consertar a perna dele eu terei que quebra-la de novo e usarei o unguento da flor da lua na perna lesionada enquanto seus ossos estão expostos, após isso tudo será consertado não havendo nem mesmo cicatrizes no processo.

Hinata tremeu olhando os objetos que muito se assemelhavam a objetos da sala de tortura pelo que ela ficou sabendo.

-Mestra...O rei não vai gostar de saber que pretende torturar o senhor Shisui.

-Ora essa! Eu nunca torturaria ninguém!

-Mas mestra...Pretende quebrar a perna dele, isso é tortura de fato!

Haruno jogou mais ervas na poção e depois ergueu um frasco no ar, deixando seu líquido perolado ser filtrado pela luz suave que entrava na janela fazendo ele ser visto pela sua serva.

-Ele estará dormindo tranquilo com esse elixir e não sentirá nada, creio que terá muitos bons sonhos enquanto eu conserto sua perna, pensando bem acho que devo usar isso em Itachi também, pois creio que ele sim possa sofrer se puder ver o que estarei fazendo, sem entender o significado do que faço...Sim, darei isso a ele também!

Hinata compreendia que aquela poção era a mais forte do reino todo, uma gota bastava para sanar qualquer dor, mas era raro e muito difícil de ser feito, no geral se usava o néctar de alguma das papoulas para amenizar dores, compreendeu que sua mestra era mesmo sábia.

E então Haruno olhou mais profundamente sua serva, ela estava cansada e queria agora um bom banho, suas poções arderiam sozinhas por horas ali e ela podia se dar ao luxo de descansar e talvez até mesmo aproveitar um pouco antes de realmente dormir, frequentemente buscava essa serva para ir para sua cama, mas hoje a achou um pouco fraca, face pálida e notou olheiras bem roxas abaixo de seus lindos olhos, se aproximou como sempre e a tocou suave.

-Está tudo bem Hinata? Eu desejaria sua companhia em minha sala de banhos e após em minha cama, como sempre fazemos, mas sinto que esta distante e cansada, tem andando muito ocupada com o general ou com nosso rei?

Hinata deu um pulo, de fato ela nunca cogitou pedir auxílio para sua mestra uma vez que a cobra ainda estava em seu pulso tolhendo sua vontade de ir contra as maldades e limitando seus pensamentos e ações, mas talvez...Talvez sua mestra desconfiasse de algo ou mesmo fizesse algo que a ajudasse.

-E-eu não ando dormindo ultimamente e o casamento do rei tem me deixado nervosa e atarefada e tenho medo que algo ruim aconteça, acredita que alguém se oporia ao casamento de nosso rei?

Haruno sorriu descrente.

-Nunca, quem poderia se opor ao nosso Rei Dragão? Não temos inimigos poderosos, de fato somos a nação mais poderosa dos sete reinos, visto que quatro desses reinos são de nosso rei, mas compreendo sua preocupação, o pequeno general já sofreu muito e eu desejo que ele seja feliz de agora em diante, mandarei guardas vigiarem mais atentamente todo o castelo e sentinelas observar cada movimentação suspeita.

(Haruno achou que não deveria preocupar sua serva sobre o assunto da bruxa de mil anos, isso poderia apenas deixa-la ainda mais cansada e nervosa e não seria bom para sua mente.)

(Hinata queria muito sugerir que sua mestra usasse magia, mas a cobra em seu pulso reagia sempre que ela tentava sequer pensar no assunto, então tentou de modo diferente.)

-Mestra, cuide de nosso rei, de nossa futura rainha, use sua magia para protege-los.

A cobra mordiscou o pulso insatisfeita e lágrimas de dor surgiram nos olhos da serva, ela se sentiu tonta e se segurou na cadeira próxima a ela, Haruno a amparou e a conduziu para dentro.

-Descanse minha querida...Durma, hoje a noite tudo isso será somente uma sensação que passou, nosso rei irá se casar e ser feliz e fará nosso belo general muito feliz também, mas para ficar mais calma eu já usei magia no complexo inteiro do palácio, se alguém tentar entrar com ideias maldosas a respeito do rei e do nosso general eu saberei.

Hinata sentiu suas pernas falhando e sua mente adormecer, percebeu que a mestra usava magia nela e sabia que adormeceria em breve, teve esperanças de que talvez as coisas melhorassem.

De fato a mestra e feiticeira já tinha mesmo realizado trabalhos de magia em todo o castelo mas de uma vez, mas mesmo a magia tem seus limites e a cobra no pulso de Hinata não podia ser identificada uma vez que permanecia adormecida a maior parte do tempo, nem a bruxa e nem o Cão fiel estavam perto e os ministros mesmo sendo contra o casamento e tramando contra o rei e o general não externavam esses sentimentos e não tinham magia alguma, apenas seus pensamentos estavam presentes e estes nem mesmo a feiticeira conseguia detectar.

Haruno após se lamentar por não ter sua serva ao seu lado resolveu tomar seu banho e ir finalmente dormir, tinha que estar bem para mais a noite quando assistiria o casamento real e ainda tinha uma tarefa a cumprir antes disso, era entregar ao rei a lista dos ministros que não estariam presentes, alguns doentes com uma febre que era comum nesta época do ano e alguns em viagens familiares urgentes, nada incomum num reino tão vasto.

E nos aposentos de Sasuke, este belo general sorria...

-Boruto!! Se seu pai descobrir sobre isso ficará zangado.

O menino ria, usando uma coroa que deveria ser um dos presentes do rei na cabeça e uma espada que deveria também estar entre os presentes, mas todos foram recusados por Sasuke, no entanto eles eram itens valiosos e deveriam estar na sala do tesouro e não sendo usados como brinquedos por um príncipe sapeca.

-Ahh essa coroa é pesada demais!! E está espada muito velha...Sério que isso tem valor? São velharias do tempo de minha tatatatatataravó....Disse arrancando a coroa da cabeça e jogando a espada no chão, as servas quase desmaiaram com isso e correram pegar os itens e guarda-los.

-Nem você quis dar eles a meu pai...Não é verdade? Disse o menino encarando o general que fez uma carinha fofa e depois riu chamando o menino para perto de si.

-Concordo com você, são velharias feias e pesadas...Mas não diga isso ao seu pai, pode ferir o orgulho dele nos seus tesouros trazidos de terras distantes por seus valentes guerreiros.

Boruto riu alto, para horror de seus servos.

-Bom, ele nem viu esses itens ainda, nem acho que ele vai se interessar, mas tudo bem...Não digo nada, segredo nosso.

Sasuke riu, era divertido ter uma criança por perto, ele sempre adorou crianças mas nunca teve muito contato com nenhuma, já que ele mesmo teve que crescer rápido demais.

-Agora o meu pequeno príncipe precisa ir, seus servos o aguardam ansiosos, é preciso se preparar para a cerimônia, eu ainda preciso me preparar, parece que terei mais cuidados com minha aparência do que eu julgo necessário, mas são as regras do seu povo e eu devo segui-las a risca.

Boruto o abraçou apertado e lhe beijou as bochechas, ele mesmo corado e agitado como só uma criança pode ficar.

-Eu sei...Mas em breve meu povo e seu povo serão uma única nação, unidos pelos laços que são sagrados entre meu pai e você, depois disso pode mudar essas regras rígidas e assim quando eu me casar não será tão chato e nem tão complicado e meu noivo ou noiva não terá tanto trabalho.

Sasuke riu e afagou os cabelos do menino.

-Acho que eu não mudarei nada, assim terá que se esforçar tanto quanto eu ou o seu pai estamos nos esforçando.

Boruto também riu e finalmente resolveu ir, para alívio dos seus servos.

-Até mais tarde minha mãe rainha...

Sasuke ficou vendo ele sair e suspirou, era ainda de manhã e ele via a movimentação dos servos ao seu redor, sentia o aroma do incenso de mirra e do incenso de almíscar, um para purificar o ambiente e outro para estimular os sentidos, notadamente ele agora sabia que era usado para os amantes sentirem ainda mais desejos um pelo outro, isso era constrangedor, mas ele apenas se deixou ficar observando tudo, já havia passado da fase de se preocupar com coisas que ele não entendia ou não podia mudar, como esse grande número de pequenas coisas que eram fundamentais para um casamento na opinião de todos, para ele um simples sim seria suficiente.

Saiu para o jardim e se deixou ficar sobre a sombra da árvore de cerejeira, suas folhas nasciam verdinhas e lindas, os passarinhos retornavam, havia vida no chão, pequenas gramas e florzinhas nascendo aqui e ali, grilos, borboletas, ele sentia que o inverno inclemente estava indo embora finalmente e ele torcia em seu coração que nunca mais sentisse tanto frio na alma como o que sentiu até então, torcia para que no próximo inverno ele estivesse aquecido nos braços protetores do seu rei, ele estava começando a nutrir sentimentos pelo homem e mesmo que não os entendesse ainda eram bons e agradáveis.

E em seu devaneio ele sorriu ao pensar em tudo que passou até ali, de fato desde de que foi capturado ele nunca pode prever um dia, cada momento foi único aos seus olhos e agora ele não sentia mais a dor do medo na alma, em seu lugar havia um leve calor, ele o sentia, quase tocava, mas não o entendia, porém sabia de algo...Não estava mais triste, não se sentia mais envergonhado em ser considerado a rainha, afinal o que são as denominações femininas ou masculinas senão somente palavras? Um título feminino não é sinal de fraqueza e um título masculino não lhe denomina fortaleza, se tal fosse verdade o Usurpador que era imperador teria sido um homem forte e honrado, mas era equivalente a um rato e a senhorita Haruno era sábia e forte.

No fundo ele sabia que sempre seria somente Sasuke, independente de como o chamassem, ele saberia sempre quem era, nada mudaria isso.

Um servo veio lhe chamar, estava feliz.

-Mestre? Venha, iremos começar vosso banho.

-Banho? Ainda nem almoçamos e o casamento é a noite!

O jovem sorriu.

-Terá três banhos como manda o costume, um banho de leite, um banho de óleos essenciais e um banho em águas de rosas...

Sasuke torceu o nariz.

-Imagino que eu não possa reclamar...Mas seria muito desperdício usar tanto leite quando temos tantas crianças no reino...

O servo se sentiu horrorizado e protestou.

-Mas mestre!! São só costumes!!

-Pode chamar meu futuro marido por favor?

O servo fez uma reverencia e saiu quase correndo, de certo iria desfiar um rio de lágrimas para o rei reclamando da conduta inadequada da futura rainha...Mas Sasuke não se importava, óleos e rosas tudo bem, mas leite era demais!!

Não demorou e o rei entrou com um semblante falsamente rígido, indo até seu amado, havia escutado um servo nervoso a reclamar da insubordinação da futura rainha e havia prometido ser duro com ele, mas...

-Sasu...Meu amor, porque não deseja o banho de leite? É um costume para deixar sua pele suave e macia...

Sasuke sorriu por dentro pois sabia que seria agora muito esperto e embora muito nervoso porque nunca tinha usado essa arma antes ele iria tentar.

-Meu rei quer dizer que minha pele não é macia o suficiente? Disse chocado, fingindo estar muito magoado.

Naruto se apressou a correr até ele e pegar em sua mão pequena beijando seus dedinhos um a um.

-Nunca!! Es pura seda meu amor...Mas os costumes...

-Disse-me uma vez que sou bonito, que minha beleza é admirável, eu nunca pensei nisso antes, mas se sou belo porque preciso de um banho de leite?

Naruto se mordia com a carinha doce dele, seus olhos negros inocentes e seu semblante preocupado, pequenas lágrimas pareciam brotar a qualquer momento...O servo que assistia a tudo revirava os olhos pensando que o rei já estava de todo domado e nada mais podia ser feito...E que de fato o pequeno general não era tão ingênuo assim pois dominava a arte da sedução com perfeição.

-Sim meu amor, de fato és tão belo como os deuses, mas o que faremos com tanto leite? Temos leite para encher a piscina! Os barris estão todos na sala mais fria para se manterem bons.

Sasuke fingiu pensar...

-Mande seus servos levarem esse leite a vila do oeste, a parte mais pobre desta cidade e doe este leite aos pobres, aos doentes, as famílias dos escravos, a todos aqueles esquecidos do seu povo...Que logo serão meu povo também...Eles não são bem vindos a nossa festa por serem quase todos servos muito humildes, filhos de escravos e orfãos, mas podem apreciar o leite que seria derramado em vão para lavar meu corpo.

Naruto ficou pasmo, como Sasuke conhecia a vila dos escravos? A parte mais pobre da cidade onde moravam todos os desvalidos, orfãos, abandonados e rejeitados?

-Não pensei que soubesse dessa vila meu amor...

Sasuke lhe sorriu triste.

-Onde acha que eu morava quando não estava no exército lutando? Eu era um deles. Abandonado e sem lar, um escravo sem teto.

Isso abalou as estruturas do rei que se deixou cair no sofá aturdido.

-C-como isso foi possível meu amor! Há dor e morte naquele lugar e doenças...Os deuses o favoreceram ao lhe protegerem por lá.

-De fato os pobres se favorecem meu rei, dividem o pão que tem, o teto que possuem, até os poucos trapos que usam, mas eu sempre que ia para lá os ajudava como podia, ensinava as noções que minha mãe me deu, lavar os ambientes e deixa-los limpos para que nenhuma praga se propagasse, cuidava dos doentes, trazia água do rio, colhia ervas que podiam ser úteis e assim eles me davam um teto nos dias frios e comida. Era uma troca justa.

O rei se levantou resoluto e gritou aos seus servos que corressem a arrumar o leite, também deviam levar provisões e roupas, cobertores e lenha, tudo devia ser entregue na vila dos escravos sem demora, e que todos soubessem que era o general Sasuke, sua futura rainha quem enviava os presentes.

Sasuke sorriu e não percebeu quando seus pés o levaram aos braços do rei e nem quando seus lábios o tocaram no rosto, havia calor em sua face mais ele nem se importou ao declarar de olhos fechados enquanto seu corpo se aconchegava no peito largo do rei.

-Obrigado Rei Dragão.

Neste momento as mãos do rei pousaram na cabeça de seu amado e ele se sentiu preso de um sentimento gigante, que o perturbou a mente, ele nunca antes pensou em perguntar sobre a vida do general antes da captura, certo de que pelo modo como ele agia em campo de batalha tinha uma vida razoável na corte do Usurpador, nunca pensou que seu amado tenha sofrido a miséria de viver na vila dos escravos, nunca pensou por um momento sequer em como ele suportou frio e solidão e nunca antes havia nem mesmo pensado nesses pobres desvalidos e abandonados. Como todo rei ele tinha um débito para com seu povo, todo o seu povo, até mesmo o mais pequenino deles e esse povo esquecido, abandonado e sofrido, mesmo sendo de uma casta de escravos ainda eram de fato pessoas, como ele, o rei não os ajudava?

Foi preciso ter a opinião suave e sensata do seu amado para lembrar deste povo...Realmente ele sentiu nesse momento que Sasuke era o elo que lhe faltava na vida e que ouve um momento antes e outro depois em sua vida que marcou tudo nela, antes de Sasuke quando seu coração era arrogante e frio e depois dele quando o seu coração se inundou de luz e amor.

-Rogo aos deuses que me tragam sabedoria para que eu possa ouvi-lo cada dia mais meu amor...Porém lhe peço que me conte mais de sua vida antes de nos encontrarmos, eu quero saber de cada detalhe, promete que o fará?

Sasuke se soltou e sorriu mansamente.

-Oh, de fato não ouve nada significativo...

-Duvido muito que seja assim, quanto tempo viveu na vila dos escravos meu amor?

O general olhou para o chão sem graça, ele sentia que isso seria mais um ponto a perturbar a mente do seu rei e não queria falar disso agora.

-Não falemos disso hoje...

O rei pegou no rosto do seu amado e o olhou seriamente.

-Quanto tempo?

Suspirando Sasuke respondeu.

-Todo tempo em que eu não estava treinando ou lutando, ao todo alguns anos eu acho, sempre que eu ficava doente era mandado para lá...Sempre que eu ficava ferido também era enviado para lá...Mas eu sempre me recuperava.

Naruto suspirou, ele nunca pensou que Sasuke tivesse se ferido gravemente antes, sua pele era tão macia e lisa, sem nenhuma marca ou cicatriz, mas então se lembrou que após a tortura de três dias o corpo de seu amado estava repleto de cortes e marcas e a magia de Haruno o restaurou perfeitamente, podendo de fato ter eliminado as cicatrizes antigas.

-Mas...As cicatrizes...

-No dia em que acordei na cama após a tortura eu estava curado, não havia uma única marca em meu corpo de antes, todas haviam sumido, mas se tivesse me visto antes de ser torturado poderia não achar minha pele tão lisa e macia. Disse meio constrangido.

-Feriu-se em batalha? Perguntou o rei levando Sasuke até o sofá onde o sentou e se sentou ao lado analisando o rostinho belo.

-Bem, sim e não...Eu era treinado pelo Cão, ele era sádico em cada golpe, propositalmente sendo duro comigo, como eu era mais jovem e tinha menos experiência acabava sendo atingido mais vezes que o necessário, ouve ainda castigos que eu suportei dos quais nem sei o motivo.

Naruto se contorcia em raiva do tal Cão fiel, do Usurpador e de cada ser humano que foi mal com seu pequeno amado.

-Meu rei, esqueça isso...Tudo passou, estamos aqui agora e hoje é nosso casamento e eu quero lhe dizer algo.

Naruto se empertigou curioso.

-Me diga.

-Não me sinto mais constrangido em ser chamado de rainha.

Naruto sorriu.

-Oh sim, porque não? Posso saber meu amor?

-Bem...Eu percebi que um nome não diz nada, eu serei sempre Sasuke, não é?

O rei o abraçou apertado e o beijou nos lábios macios diversas vezes antes de solta-lo.

-Sim, sempre será meu Sasuke, meu general amado...Agora eu tenho que ir, devo assinar a documentação exigida para nosso casamento e entrega-la aos meus ministros, alguns deles não estão presentes e então tenho que achar substitutos para assinar por eles, depois eu devo me preparar para a cerimônia e estou ficando louco com meus servos a me chamar de um lado a outro, também preciso deixar seus servos a cuidar de sua beleza já tão perfeita...E antes de sair eu lhe direi algo e quero que acredite em mim, entendeu?

Sasuke sorriu.

-Eu te amaria mesmo que sua pele fosse toda coberta de cicatrizes de batalha, eu te amaria mesmo assim, sabe porque meu amor?

Sasuke negou curioso.

-Porque eu o amo pelo que é, por sua alma generosa e altruísta, seu amor para com o nosso povo e tudo que tem me ensinado, es perfeito meu pequeno general.

O general sorriu e viu seu rei sair e logo a seguir estava cercado de servos gentis e exigentes e deu de ombros.

-Certo, certo...Vamos lá!

Os servos o conduziram a uma sala de banhos que ele nem sabia que existia, havia ali uma piscina pequena de onde subia o aroma bom de óleo de banho, os servos lhe ajudaram a se despir e entrar na água ungida com os óleos e seus cabelos foram deixados do lado de fora, onde outro servo os lavava cuidadosamente, aplicando uma mistura perfumada que tinha o objetivo de nutrir e deixar cada fio sedoso e macio.

Sasuke nunca pensou que passaria por um tratamento tão exigente, mas por fim relaxou e descansou sua mente...A água era morna e o perfume gostoso...Não podia dizer que não apreciava.

Notas finais
Perceberam que Hinata não pode contar nada a ninguém? A cobra em seu pulso a comanda, os ministros restantes deram uma desculpa bem convincente sobre os desaparecidos, por enquanto ninguém desconfia. Naruto realmente não prestava atenção aos pobres e sofridos, mas agora com Sasuke ele está mudando, eles são mesmo a luz e a escuridão. Beijos.

18. Uma coroa forjada no amor e na dor. ( A noite do casamento.)

Notas do Autor
O casamento é realizado no momento em que o dia está indo embora e as estrelas surgindo, um momento mágico para os povos dessa nação, sobre os protocolos de casamento, realmente os costumes orientais antigos eram um pouco cansativos, eu os aumentei para dificultar a sensação, algo que dá a Sasuke a chance de mostrar como é merecedor para os ministros e os nobres. Espero que gostem de tudo, estou escrevendo com muito carinho como sempre. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 17. Uma coroa forjada no amor e na dor. (A noite do casamento).

Após um almoço muito leve onde lhe foi servido frutas frescas e sucos o general teve algum tempo para dormir, embora não estivesse com sono algum, mas a mistura de incenso, tranquilidade e talvez algo a mais no suco o fez cair em um sono tranquilo que durou quase duas horas inteiras, acordou relaxado e descansado e lá estavam os servos novamente.

-Meu senhor, hora do banho de pétalas de rosas.

Sasuke nem questionou esses costumes, só achava que eram de fato exagerados, mas ele ainda era o general capturado embora fosse tratado como um nobre e não podia mudar as coisas, se levantou e seguiu os servos que novamente o levaram a sala de banhos onde emergiu em águas quentes, perfumadas com pétalas de rosas vermelhas e algum tipo de óleo provavelmente do mesmo aroma destas rosas, permaneceu nesse banho por um longo tempo, seus cabelos eram mantidos fora da água e estavam sendo escovados por um servo.

-Quando posso sair da água? Perguntou Sasuke.

-Já acabamos meu senhor, agora deve se vestir adequadamente, suas roupas já estão prontas e sua mãe o aguarda, por enquanto use essa túnica simples.

Ouvir isso foi muito bom, ele estava com saudades da mãe, mas devido as costuras das roupas do casamento não a tinha visto a semana toda, sabia também que não a veria no casamento logo no começo, porque ela estaria na segundo círculo destinado aos nobres e ele no círculo interno ou primeiro junto aos ministros, ao rei e a feiticeira Haruno, andou até ela e lhe abraçou sorridente.

-Meu filho está maravilhoso, veja como seu cabelo brilha!

-Ahh mãe...Após tantos banhos e tantos mimos seria estranho se não estivessem cintilando...Mas é um exagero e eu estou cansado disso, mas deixe-me ver a roupa que eu estou curioso...

A bela mulher ergueu a peça no ar e ele se maravilhou, a roupa era belíssima, o tecido mágico usado tinha o caimento de água fluída, no mesmo tom de azul dos olhos do rei, exatamente igual, era uma túnica sobreposta, a peça de cima azul e a de baixo branco como a neve mais pura, longa descendo até os pés que usariam sandálias confeccionadas do mesmo tecido mágico que protegeriam seus pés sem machuca-los, mantendo eles firmes, limpos e protegidos, na túnica havia uma faixa dourada larga, bordada em minúsculas pedrinhas que pareciam pequenas estrelas, eram cristais raros e lindos.

Neste momento Sasuke usava apenas uma túnica leve, por baixo sua roupa íntima de seda fina, embora não fosse essa a escolhida para a noite ainda.

-Filho aqui está a sua peça íntima, do mesmo tecido mágico e aqui a roupa completa, vista-se e me deixe afivelar o cinto corretamente.

-Sim minha mãe...Ele disse e se vestiu rapidamente, sentindo a alegria de usar tecido tão magnífico, o conjunto caiu perfeitamente em seu corpo pequeno, curvilíneo e belo, o tecido aderiu a suas curvas, insinuando sua beleza sem ser vulgar, fluído e leve sobre ele como se fosse de fato parte de seu próprio corpo, em movimento o tecido azul se mesclava ao branco e isso causava uma beleza nova.

A dama afivelou o cinto na cintura fina e sorriu ao ver o resultado.

-Se o rei não estivesse perdidamente apaixonado por ti creio que hoje não haveria como escapar, estas a mais pura perfeição meu filho querido.

-Graças a você. Disse Sasuke lhe dando um beijo na face.

Os servos vieram para busca-lo, era hora de ajeitar o cabelo, colocar os arranjos necessários, o bracelete, o pingente e cordão, além do pente de cabelos do jade mais puro.

-Deixem-me cuidar de meu filho, aprendi os costumes e farei corretamente.

Os servos queriam protestar, mas agora a dama era superior, ela era uma nobre, eles deviam obediência a ela e apenas a deixaram seguir a penteadeira onde estavam os objetos.

No pulso direito um bracelete de ouro com pedras incrustadas, no pescoço uma corrente de ouro com uma pedra pequena e cintilante rara como as incrustadas no cinto, nos cabelos presos levemente somente de um lado se arranjava um pente de jade enfeitado de pequenos pingos de cristais que cintilavam a cada movimento e eram ainda mais belos pelos cabelos longos serem negros como a noite.

A mãe olhou o filho e sorriu com os olhos cheios de lágrimas, no entanto preocupação tolhia seu discernimento agora, ela temia por ele, temia por seu coração e por sua escolha.

-Filho...

Sasuke sabia o que ela sentia nesse momento, ele mesmo se sentia apreensivo e temeroso, mas não por medo do rei e do que viria a seguir, mas era um sentimento bom, urgente e forte, ele sabia que estava pronto mas lembrava por tudo que passou para chegar até ali.

-Mãe...Eu estou bem, estou onde devia estar, todos os caminhos me trouxeram a este momento, devo aceita-lo.

Haruno entrou no aposento, ela trazia nas mãos uma almofada vermelha e nela uma coroa linda, feita de ouro e prata, delicada, nobre e perfeita para o general que era ao mesmo tempo um guerreiro e uma rainha, realmente não cabiam ali sentimentos negativos diante de tamanha delicadeza.

-Eu trouxe a coroa a pedido do rei que desejava lhe mostrar antes, eu mesmo a levarei ao altar e vossa majestade me acompanhará como ensaiamos, dirá seus votos aos ministros e depois ao meu rei, diante os jurados e os convidados e somente então ouvirá os votos do meu rei.

Sasuke concordou, beijou a face da mãe e sorriu a ela de novo, seguiu Haruno calmamente, a sua frente um longo tapete de pétalas de rosas vermelhas fazia todo o caminho de seu quarto ao lado de fora do castelo e de lá até dentro novamente, seguindo pela porta principal, passando pelo povo nas ruas, enfileirados e contidos por cordas coloridas e guardas reais armados e usando suas armaduras de guerra como era o costume.

Haruno seguia dez passos exatos a sua frente, ele devia segui-la sem olhar para a frente, de cabeça baixa, mãos ao lado do corpo, demonstrando sua submissão ao Rei Dragão, o conquistador do seu reino, do seu povo e do seu coração de agora em diante, deveria seguir sem dizer uma única palavra até estar na frente do rei dentro da sala cercado pelos ministros e pelas testemunhas, ele agiu como aprendeu, calmamente, a cada passo ainda do lado de fora ouvia os sussurros das pessoas, do seu povo, jogando flores no seu caminho, desejando felicidades e saudando e abençoando seu caminho, essas pessoas simples não eram mesquinhas e não entendiam nada de nobreza, política, costumes e os desafios de ser e estar onde ele estava, mas eram boas e lhe desejavam sinceramente felicidade, o general tinha em seu coração um sentimento de carinho por cada uma delas e prometia em seu íntimo que se pudesse as ajudaria.

Entrar no castelo foi mais difícil, seguir calmamente pelo silencio que se seguiu era enervante, mas ele em nenhum momento elevou o olhar, parando em frente ao rei, dez passos longe de Haruno que entregou a coroa ao rei e se ajoelhou ao lado, esperando, imaginou que sua família estivesse ali, em algum lugar reservado aos nobres, não muito perto, pois somente os ministros, o rei e a feiticeira podiam permanecer naquele círculo interno onde o casamento seria de fato realizado, os outros eram apenas convidados e aguardavam mais distantes, isso incluía o príncipe, neste caso Sasuke não sabia se seria pelo costume ou pelo fato de terem medo das artimanhas do pequeno príncipe.

Naruto, o Rei Dragão, senhor de quatro dos sete reinos se levantou e caminhou até Sasuke, ele o via e estava francamente deslumbrado em como seu escolhido era lindo, de fato a roupa do rei era magnífica, vermelha e dourada, poderosa e bela, mas a de Sasuke era divina...

O rei sorriu, isso era o mais lógico, como a roupa foi feita por Mikoto era inegável que o amor dela pelo filho criasse obra tão magnífica, ao passo que a dele era bela, nobre e rica, mas destituída de amor verdadeiro, havia ali uma promessa e ele honraria essa promessa com sua vida, a promessa de cuidar de Sasuke.

-Sasuke Uchicha, general capturado do exército das terras nevadas, dite seus votos se voltando aos meus ministros, que eles escutem sua voz e possam crer em seus votos, que eles sejam sinceros. Disse o rei em seu tom mais autoritário possível, coisa bem difícil para um homem que desejava apenas acarinhar e cuidar de seu general.

Sasuke se voltou para os ministros e elevou sua face corada, seus olhos negros cintilantes e diante de tamanha beleza e docilidade os ministros fraquejaram em seus intuitos do mal, pelo menos naquele sublime momento, mas o feitiço da bruxa ainda era mais forte.

“ Eu, Sasuke Uchiha, general capturado do exército das terras nevadas venho a vós livremente declarar minha devoção ao Rei Dragão, eu o honrarei com minha alma e minha vida de agora em diante, ofereço a ele meu corpo, minha força, minha voz, meus olhos, tudo que eu sou e o que serei um dia, prometendo honra-lo até o dia de minha morte sem nunca abandona-lo ou desobedece-lo...”

O juramento era longo, extenuante e cansativo, frequentemente repetindo as mesmas juras até que por fim terminava, quase vinte e cinco minutos depois, e o general os fez sem errar uma única palavra, sem errar o ritmo calmo e monótono exigido e quando terminou seus pés estavam cansados, sua cabeça leve e ele quase vazio. Mas se virou, olhou o rei e repetiu cada palavra, uma a uma, por mais quase vinte e cinco minutos, até terminar e se ajoelhar em sua frente calmamente, neste momento o próprio rei amaldiçoava esse terrível costume que era tão extenuante para seu pequeno amado, por mais de uma vez ele desejou toma-lo em seus braços e livra-lo de tantas palavras inúteis com um beijo verdadeiro, mas desejava provar aos seus ministros que Sasuke era verdadeiramente um nobre guerreiro, digno de ser sua rainha e seu consorte, seu amante e seu conselheiro, somente por isso suportou o desejo intenso de ter ele nos braços neste momento e seu orgulho pelo empenho de seu amado aumentava a cada palavra dita, primorosamente dita com calma, quase como uma canção, sem sombra de dúvidas ele sabia o quanto isso era difícil, sendo que ele mesmo levou horas e dias para decorar tudo em seu tom mais denso e firme, porém os votos do rei embora tão longos quanto os de Sasuke eram mais simples, repetitivos e chatos, mas muito mais simples em sua eloquência.

Após alguns instantes necessários para que os seus ministros se acomodassem o rei se levantou e passou por Sasuke, ardendo de vontade de pegar em suas mãos pequenas e o colocar em pé ao seu lado, essa submissão exigida no casamento era enervante para o rei, pois ele amava seu general e não exigia tal coisa, mas novamente seguiu o protocolo antigo e cansativo, desejoso de cumprir com seu papel rapidamente.

O rei ofereceu seu juramento, tão longo quanto e por todo esse tempo o pequeno general esperou de joelhos, calmo, centrado e de olhos baixos, até que o rei se dirigiu a ele e o tomou pelas mãos o erguendo finalmente, havia muita preocupação nos olhos do rei mas ao observar os olhos de Sasuke ele percebeu que estava tudo bem e ele então colocou em sua cabeça a coroa bela que simbolizava sua união, somente então Haruno juntos as mãos dos dois e amarrou o laço de fita vermelha que simbolizava a sua união eterna, as mãos deviam permanecer unidas nesse laço até o final, no momento dos presentes reais, agora os ministros se levantavam e ditavam as leis que deveriam ser seguidas por seus monarcas, seu rei e sua rainha, era um discurso mais curto, porém do mesmo modo cansativo e após esses votos seguiam os brindes, cada um dos ministros erguia sua taça e dava votos de saúde e prosperidade aos seus governantes, ao seu rei e sua rainha.

Quando os brindes foram dados o rei finalmente levou Sasuke que era agora sua rainha para sentar-se em almofadas douradas ao seu lado.

-Sasu, seus joelhos doem meu amor? Deseja que eu chame um servo para massagea-los, já que eu não posso pois preciso manter nossas mãos unidas?

Sasuke sorriu.

-Eu estou bem, já fiquei ajoelhado por mais tempo que isso, acalme-se meu rei, eu estou bem.

Isso não acalmou o rei, antes o deixou mais preocupado e ele quase soltou as mãos unidas levando seus dedos aos joelhos que haviam permanecido no chão frio por minutos sem sentido por culpa de uma tradição antiga que ele mudaria com certeza.

-Nunca mais se ajoelhará perante mim, de fato eu o farei em sua frente todas as vezes, pois lhe devo demais, tanto que nunca poderei lhe pagar, peço perdão por hoje, essas tradições eu somente permiti porque achei que seria necessário manter meus ministros mais calmos, devido as mudanças que virão, mas eu não me lembrava mais em como são rigorosas e extenuantes para a futura rainha, eu não me lembrava como são humilhantes, eu me senti muito mal durante todo o tempo em que lhe vi ajoelhado no chão frio, em silencio e de cabeça baixa, você nasceu para governar e para ser reverenciado e eu naquele momento me amaldiçoei por ter permitido tal absurdo.

Sasuke sorriu.

-Devo confessar que foi muito cansativo dizer os votos duas vezes, tive medo de errar e te envergonhar, mas consegui, quando me ajoelhei estava muito cansado, mas ouvi cada uma de suas palavras com atenção e quero lhe pedir algo, eu posso?

O rei lhe beijou a face corada.

-Claro, depois de hoje pode tudo e eu novamente lhe peço perdão, sinto muito não ter feito algo para mudar essa maldita cerimônia antes, cheguei a pensar em interrompe-la para beija-lo e acabar logo com isso, mas achei prudente terminarmos tudo para que os nossos ministros não tenham mais nada a reclamar de nossa união, estou repetindo tudo isso para que guarde em sua memória que eu não desejo seu sofrimento em nenhum momento...Peça o que quiser meu amor.

-Não precisa de desculpar, eu sei...A senhorita Haruno me explicou tudo antes, explicou que isso devia ser feito para acalmar os ministros para as leis que deseja implantar futuramente, eu entendo...Mas poderia continuar me chamando de Sasu? Eu sei que disse que aceito o título de rainha, de fato eu o aceito, mas prefiro que me chame pelo meu nome se for possível...

Naruto riu e o beijou suavemente nos lábios corados.

-Sempre será meu Sasu...Rainha é um título que eu não posso mudar, mas é claro que será sempre meu Sasu, meu general...Meu amor.

Eles sorriram um para o outro e Sasuke apoiou sua cabeça no peito do rei para descansar por um momento, suspirando mais tranquilo após ter conseguido cumprir com seu papel com perfeição como lhe foi ensinado exaustivamente por Haruno.

Após todos os brindes e saudações era a hora dos presentes, o primeiro a dar presentes ao casal era o ministro Maeda, para infelicidade de Naruto que não gostava de modo algum deste homem, de fato o rei tinha planos de aposentar esse ministro em breve, mas como rei deveria receber os presentes adequadamente, por isso manteve sua pose de autoridade e esperou.

-Meus sinceros votos de felicidades...Disse o homem encarando os dois, em especial Sasuke a quem ele observou com malicia velada.

-Meu rei este presente é para sua rainha...Uma vez que ela deve ter muitos escravos pois viverá muito só na cidadela...Disse o homem batendo palmas e servos buscaram um grupo de moças e rapazes jovens, acorrentados pelos pulsos, alguns tão assustados que estavam chorando, todos vestidos de branco, muito embora as roupas estivessem levemente manchadas de sangue nas costas.

Sasuke suspirou assombrado com a maldade deste homem, suas mãos tremeram dentro das mãos do rei que as apertou levemente para lhe dar coragem e sussurrou em seu ouvido...

-Não se abale, aceite o presente...Prometo que vamos liberta-los depois.

-Minha rainha...Vinte jovens escravos, já domesticados pelo chicote de meu próprio torturador, espero que perdoe minha ousadia sobre isso, mas creio que seria imprudente deixar a domesticação deles por sua conta, uma vez que poderia se identificar com eles devido a sua condição anterior...Disse Maeda usando o verbo feminino para diminuir a nobreza de Sasuke e lembrando a todos que o próprio Sasuke já foi um escravo do Usurpador tendo ele mesmo passado por muitos castigos, incluindo a tortura quando foi capturado pelo Rei Dragão, de fato o próprio Maeda sabia o quanto essa lembrança feria o rei, sabia disso pelos seus servos que circulavam pelo palácio e ouviam as fofocas.

Naruto rosnou de raiva e se dirigiu a Maeda pessoalmente quase quebrando o protocolo.

-Ministro...Gostaria de lembrar que agora minha rainha tem o mesmo poder que seu rei e que se inadvertidamente lhe irritar ele pode mandar te punir do mesmo modo que puniu seus escravos, por isso tome cuidado com suas palavras...E seja correto ao tratamento do “meu” amado, embora seja mesmo minha rainha ainda é meu general e meu grande amor, será que fui bem claro? Além disso creio que deva saber que Sasuke não viverá de modo algum enclausurado na cidadela como mandam costumes arcaicos que eu nunca mais vou seguir e que não combinam em nada com o meu governo.

Maeda parou de sorrir e fez uma reverencia cheia de sarcasmo para Sasuke.

-Perdão se o ofendi majestade...Apenas tentei externar meus sentimentos, espero que aceite meu presente, estes escravos são o pagamento dos impostos de seu povo, nada mais justo que sejam seus.

"Notas do autor: Quando uma família não conseguia pagar os impostos devidos seus filhos eram levados como escravos, eram os costumes da cidade de Guinzem e foram seguidos ali também, por tanto esses escravos eram filhos dos moradores da cidade nevada, povo de Sasuke."

Sasuke confirmou com aceno de cabeça que aceitava, sem agradecimentos e logo servos do rei levaram os escravos para o fundo da sala onde foram deixados no chão como se fossem peças de decoração esperando para serem levados, alguns guardas armados os cercaram e mantinham todos em silencio sob ameaça de serem novamente torturados.

O rei no entanto estava confortando seu amado, informando sem palavras que isso seria remediado, muito embora fosse uma solução temporária, a verdadeira seria mais complexa, seria a abolição da escravatura nos quatro reinos, mas isso seria algo para outro momento.

Os outros ministros levaram tributos como jóias, pedras preciosas e óleos raros, nenhum deles levou mais escravos, por fim era a vez do presente do rei para seu amado e então Haruno soltou o laço de fita vermelha que até então estava entrelaçado em seus pulsos unidos.

Naruto deixou Sasuke onde estava e se dirigiu a uma mesa, trouxe dela uma espada envolta em tecido, era leve e longa, ele se ajoelhou e entregou o presente a Sasuke.

-Minha rainha, eu lhe devolvo algo que lhe pertenceu, mas com alguns acréscimos novos, com nosso simbolo real.

Sasuke tremeu ao imaginar sua espada antiga, a espada que pertenceu a seu próprio pai, isso era um desafio aos costumes, nunca antes uma rainha recebeu uma espada como presente...Mas Sasuke não era uma mulher, ele era ainda um guerreiro apesar do título novo, assim ele abriu o tecido e sorriu satisfeito ao ver a espada que um dia lhe pertenceu voltar as suas mãos, estava polida ao ponto de parecer um espelho, no cabo uma nova empunhadura onde se via o simbolo do Dragão.

Naruto lhe entregou também a flauta, simples e bela que foi um dia a mesma que tocou uma canção no deserto antes da invasão e de todo o ocorrido depois dele.

-Obrigado meu rei...Seus presentes para mim são adoráveis e eu os aceito.

-Na verdade eu apenas os devolvo ao seu legítimo dono, no fundo eu ainda não sei o que lhe dar, talvez com o tempo eu descubra o que seu coração mais deseja e então seja capaz de lhe entregar.

O rei sorriu, embora agora soubesse que era a vez de Sasuke lhe presentear e isso lhe preocupava muito, apesar dos esforços de Haruno em enviar servos e soldados buscarem presentes a altura o seu general não aceitou nenhum, alegando que ele mesmo não tinha nada daquilo, ele queria dar um presente que fosse de fato seu, mas o que ele poderia lhe dar se o próprio rei o manteve em cativeiro em seu reino?

Sasuke se levantou e caminhou até seu rei, parando em sua frente.

-Meu rei, meu marido...Nada tenho para lhe oferecer, como um ex escravo não tinha nada de valor para ser considerado um presente e como fui capturado eu também nada podia carregar comigo de minha vida como general, pelo menos nada que já não fosse seu de direito, por isso não posso oferecer nada físico que venha de mim, nenhuma joia ou bem de valor...

Os ministros começaram a cochichar insatisfeitos com isso...

-No entanto...Eu gostaria de oferecer uma canção a meu rei, muito embora minha voz já lhe pertença essa canção eu mesmo escrevi e desejo oferta-la...Sei que é algo muito simples e até humilde, mas é feito de coração.

Naruto se surpreendeu e sorriu, isto era diferente, mas preenchia o requisito, os ministros pararam de reclamar e esperaram curiosos.

-Então cante para mim meu amor. Disse o rei e se sentou em seu trono observando seu amado em sua frente, em pé, a roupa magnífica caindo sobre seu corpo como água, tão bela e fluída que dava pensamentos impuros ao rei e lhe deixava ardendo em desejos.

Haruno já tinha deixado alguns músicos preparados, somente alguns acordes para realçar a voz magnífica do general e ao seu sinal ele começou a cantar, sua voz ampliada dentro da sala enorme de teto arredondado era bela, sublime e encantadora e a letra da música era de fato linda embora triste e profunda.

Sasuke cantou suas dores e pequenas alegrias para seu rei de forma leve e graciosa, levando lágrimas aos olhos dos que o ouviam, sua doce voz foi carregada pelo ambiente até sair pela porta grande do salão real e atingir os ouvidos da platéia que aguardava o desfecho do casamento onde as festas populares começariam, todos lá fora fizeram silencio e ouviram a voz encantadora.

Naruto se conteve para não chorar...Mesmo assim disfarçadamente limpou uma lágrima solitária que rolou por sua face e assim que as últimas notas morreram no ar ele se adiantou e abraçou seu amado.

-Eu aceito seu presente meu amor...Sua voz é belíssima e eu sou grato por ter você ao meu lado, nunca pensei que guardava esse talento! Nunca nem ao menos imaginei, como conseguiu esconde-lo de mim por tano tempo?

Sasuke apenas sorriu, contente por ter agradado.

Aplausos foram ouvidos lá dentro e lá fora, o povo estava maravilhado e assim as festas começaram para os convidados nobres e o povo simples.

Mikoto, Itachi e Shisui junto aos outros nobres todos sentados a uma distância do círculo menor sorriam felizes, embora sem poderem se adiantar para abraçar a rainha eles sabiam que tudo estava bem, que seu Sasuke estava bem.

Como prometido muita carne foi assada e distribuída ao povo nas ruas, pois o rei fez muitas oferendas aos deuses, de novilhos a bois e cabras e o jantar coletivo para o povo era farto, isso era bom e deixava Sasuke contente, mas ele pensava agora em seus novos escravos, feridos, cansados e muito provavelmente mortos de fome e sede.

-Naruto? Os escravos estão lá como mercadorias...Eles estão machucados, estão com fome e com sede e eu posso imaginar como estão assustados.

O rei observou aquelas pessoas encolhidas no fundo da sala, assustadas e machucadas e seu coração doeu tanto quanto o de Sasuke, ele chamou Haruno e lhe segredou algo no ouvido, ela saiu e sumiu, logo um a um dos escravos foram levados embora dali, discretamente e sem alarde algum.

-O que disse a Haruno meu rei?

-Que leve os escravos para uma casa para serem tratados, alimentados e banhados, eles devem ficar bem até que as festividades terminem, depois podemos liberta-los e deixa-los voltar para suas famílias com suas dívidas perdoadas.

Sasuke corou.

-Obrigado...Isso é importante para mim.

O rei sorriu e viu entre os convidados nobres aqueles que eram importantes para seu amado, agora era o momento em que os nobres poderiam vir e cumprimentar o rei e a rainha e assim uma fila se formou, nobre após nobre em uma sucessão de roupas belas e jóias caras se ajoelhou na frente do rei e da rainha, lhe desejando felicidades até que Mikoto surgiu e Sasuke sorriu satisfeito, ele não podia naquele momento ir abraça-la, sabia disso, mas desejava ardentemente explicar a ela com seus olhos como estava feliz e ela como uma boa mãe entendeu perfeitamente o que o filho lhe dizia com o olhar sereno.

-Trago meus sinceros votos de felicidade e alegria para ambos, que sejam abençoados pelos deuses meu rei e minha rainha.

O rei sorriu e acenou e Sasuke fez o mesmo.

Itachi se aproximou e se ajoelhou, estava emocionado e suas palavras trêmulas, mas ele conseguiu deixar seus votos e depois ajudou Shisui a fazer o mesmo.

Como manda a lei o príncipe herdeiro estava no meio dos nobres, até atingir a maioridade ele era considerado pela lei apenas um nobre, embora seja tratado como o herdeiro por todos, mas ali estava ele na fila, exultante de alegria se ajoelhou perante seu pai e sua mãe rainha e sorriu aos dois.

-Meus mais sinceros votos de felicidade e vida próspera...Disse o príncipe sendo polido e sensato como seus servos o instruíram, mas ele era uma criança indisciplinada em alguns aspectos e não perderia a chance de ser terrível, por isso quando todos acharam que ele se levantaria e iria embora ele correu e pulou no colo do pai o abraçando e fugindo do protocolo totalmente.

-Papai, seja bom para minha mãe rainha hoje viu! Ele é muito inocente e não deve ficar assustado de modo algum, entendeu? Disse olhando nos olhos do pai que revirou os olhos rindo.

-Creio que precisa primeiro crescer para depois ensinar os truques ao seu pai...Mas calma que eu serei sim muito bom para ele, palavra de seu rei e de seu pai.

Boruto então se soltou e abraçou Sasuke lhe beijando as faces coradas.

-Es agora minha mãe rainha, mas creio que eu o chamarei de meu segundo pai de agora em diante, o que acha?

Sasuke sorriu.

-Eu já havia imaginado que me chamava de futura mãe rainha somente para tentar me aborrecer...

Boruto se soltou e voltou a fila, fazendo uma reverência e seguindo o fluxo dos nobres logo sumindo de vista de novo.

Enfim a fila terminou e agora todos aproveitavam o jantar servido, a bebida e a música.

O rei então tomou a mãe de Sasuke nas suas.

-Vamos sair daqui, já aturei todos por tempo demais, deixe-os aproveitarem as festas e a comida e bebida, eu vou estar com você em minha cama e quero lhe fazer feliz.

-M-mas a festa mal começou!

O rei se levantou e puxou Sasuke para si, num relance ele o pegou no colo e saiu andando calmamente pelos convidados que ao verem isso começaram a bater palmas e gritar muito alto, como mandava o costume...( maldito costume!! pensou Sasuke envergonhado).

-Este é o único costume que me agrada...Disse o rei sorrindo e caminhando para seus aposentos que agora seriam também de Sasuke.

Cada pessoa que encontrava com eles pelo caminho dentro do castelo lhes saudava e sorria, Sasuke escondia o rosto nas roupas do rei envergonhado, de agora em diante ele seria do rei e sabia disso, teve seu momento de escolha e escolheu o que vivia, não estava arrependido, mas sim apreensivo, no entanto confiava no homem que o levava nos braços para o desconhecido caminho do prazer...

Notas finais
Os protocolos do casamento eram cansativos e mesmo assim Sasuke os venceu, agora livres dessas amarras devem viver seu momento único, sem pensar nos problemas que passaram para chegarem ali, Sasuke agora já não é um general capturado, ele é livre e Naruto está feliz. Podem imaginar o próximo capítulo?

19. Todas as cores do amor. (Núpcias).

Notas do Autor
O momento esperado chegou, eu me esforcei para ser um capítulo bonito, sensual e doce. Me digam se eu consegui fazer isso. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Todas as cores do amor. (Núpcias)

Quando o rei chegou aos seus aposentos havia uma dúzia de servos ajoelhados do lado de fora os aguardando.

-Meu rei, tudo está como ordenou, cada detalhe foi pensado e creio que nada faltará, mas manterei estes servos aqui caso preciso de algo. Disse Hinata que obedecia as ordens do rei e de sua mestra, já que estava recuperada após um sono reparador, embora seus problemas ainda fossem os mesmos.

-Desejo que todos saiam, mantenha apenas uma serva na sala ao lado caso eu precise de algo, aos outros eu desejo que se divirtam na festa. Disse o rei e assim entrou no aposento indo até a beira de sua cama onde finalmente colocou Sasuke na chão com delicadeza percebendo que ele estava com medo.

O corpo de Sasuke estava trêmulo, ele sabia que era chegado a hora de consumar o casamento mas sua inexperiência era tanta que ele nem mesmo ousava olhar nos olhos do rei, temia milhares de pequenas coisas que eram de fato até infantis para um homem adulto que já esteve no campo de batalha mais vezes do que deveria, mas ali era um campo de batalha bem diferente e ele se sentia desprotegido e assustado, em sua mente ele cogitava se isso seria doloroso, se seria vergonhoso ou algo além disso.

O rei sorriu diante de reação tão fofa, ele na verdade nunca antes achou seu belo general tão lindo quanto nesse exato momento, os olhos baixos, as mãos pequenas fechadas e apertadas, o rosto corado olhando para o chão e o corpo todo em pequenos espasmos de nervosismo, mas ele o desejava imensamente e nunca pretenderia ser mal com ele, muito menos nesse momento, por isso tocou de leve o rostinho belo e o fez olhar em seus olhos elevando seu rosto com delicadeza calculada.

-Sasuke...Meu lindo Sasuke, está com medo de mim?

O olhar assustado já dizia tudo, mas ele era sincero sempre que questionado e não foi diferente desta vez, soltou o ar lentamente pela boca e depois respondeu com a voz um pouco tremida.

-Sim meu rei, eu estou.

O rei o abraçou e o apertou em seu abraço, depois massageou seus ombros tensos e desceu a suas mãos apertadas, relaxando seus dedos que estavam tão tensos nesse momento.

-Se acalme, as coisas do amor são naturais debaixo desse sol assim como as estações, os deuses nos permitiram ser um do outro e não deve me temer, eu nunca o iria ferir nesse momento e em nenhum outro, sei que nada sabe das coisas do amor, mas poderá descobrir calmamente comigo e se sentir que está sendo difícil ou desagradável eu pararei e esperarei seu momento.

Sasuke suspirou e se aconchegou nos braços protetores do homem a sua frente, um homem muito belo, forte e corajoso mas com um coração gentil que era de fato o que lhe conquistou.

-Realmente seria assim se eu pedisse? Perguntou Sasuke inseguro.

-Sim, se algo lhe assustar basta me dizer, entendeu?

-Eu não deveria ter medo, já enfrentei coisas que alguns homens nem imaginam, vivi situações das quais julguei que iria mesmo perecer, mas aqui estou...Com medo.

-Acontece que o medo não é necessariamente uma coisa ruim, eu também tenho medo e na verdade ouvindo o que disse meu coração se aperta, um dia eu quero saber tudo pelo que já passou meu pequeno e valente guerreiro, mas não hoje, hoje eu quero apenas te amar, pode confiar em mim?

O general concordou, sua insegurança diminuiu um pouco, o rei então começou a beija-lo ternamente, o beijo era tanto um ato de amor e carinho como uma forma de acalmar seu jovem amante assustado, enquanto o beijava seguia com as mãos pelo corpo pequeno que cedia as mãos fortes que o desejavam, guiando ambos até a cama onde se deitaram ainda vestidos, após alguns beijos o rei lhe sorriu acariciando seu rosto corado.

-Suas roupas são magníficas meu amado, mas eu desejo ver além delas...

Num ato involuntário Sasuke fechou os olhos mas o rei os beijou calmamente e lhe segredou baixinho rente a sua pele...

-Es lindo...

As mãos do rei soltaram o cinto encrustado em jóias e o deixaram de lado na cama, depois soltaram os laços que prendiam a roupa ao corpo e lentamente sem tirar os olhos do seu amado ele deslizou o tecido abrindo a peça, deixando a mostra mamilos rosados e uma peça íntima de igual delicadeza na mesma cor azul que fez o rei suspirar contente. O corpo de Sasuke era belo, bem proporcionado para seu tamanho, haviam músculos firmes no abdômen sem serem fortes demais ou marcados, seu peso estava mais estável desde de que sua alimentação melhorou e ele não estava mais tão magro como no fatídico dia em que o rei o viu despido e ferido ainda em Guinzen, sua pele agora estava corada até mesmo nos mamilos, a respiração exigente fazia o corpo ser ainda mais convidativo aos toques do rei, apesar de não haver marca alguma na pele branca o rei sentiu dor ao pensar nessa pele linda maculada pelo seu torturador e jurou em pensamento que nunca, jamais deixaria tal coisa acontecer de novo.

O rei sentia a tensão na pele pura, o arrepiar do medo se espalhando como febre e por isso mesmo o beijou no pescoço, levemente arrepiado onde correu os dentes proporcionando um arrepio a mais, suas mãos deslizaram lentamente até a peça íntima a tocando levemente por cima, era como seda, porém ainda mais fluída, seu toque era delicado embora exploratório.

-Es lindo Sasuke Uchiha...

O rei sorriu ao ver o rosto se tornar corado além do imaginável, era adorável demais e ele o beijou nas bochechas quentes.

-Acha mesmo? Perguntou o general desviando o olhar, pequenas lágrimas brindavam sua beleza imaculada e o rei lhe tocou a face as limpando com cuidado.

-Oh sim, eu acho, mas quero que feche seus lindos olhos...

Os longos cílios tremeram por um momento, mas ao analisar o olhar azul do rei o general cedeu e fechou os seus olhos deixando a mostra o cintilar de lágrimas que não viriam.

-Não abra os olhos meu pequeno guerreiro, deixe-me mostrar a sua pele uma nova sensação...

O general aguardou e o rei deixou pequenos beijos no pescoço e no rosto dele, sorrindo ao ver a pele reagir a ele no mesmo momento, mostrando como o seu pequeno amado era sensível e delicado, assim sua boca o provou mais, descendo até os mamilos arrepiados e os tomando sem pressa alguma, sentindo na ponta da língua o gosto doce da pele rosada, fechou seus próprios olhos inebriado na sensação maravilhosa, ele adorou o sabor da pele, era ainda mais saborosa do que ele podia imaginar, roçou os dentes na ponta do mamilo e o sugou levemente, assoprando em seguida para ouvir como resposta um gemido cálido, necessitado porém único, um gemido que somente a pureza de Sasuke provocaria, o rei sentiu o ardor do desejo tão pungente em sua virilha que se retorceu de agonia, mas ele não era a questão ali.

-Tão belo...Disse sussurrando e descendo os beijos pelo umbigo que ainda estava quase escondido na peça íntima, por isso seus dedos longos desceram a peça, sorrindo ao descobrir lentamente a intimidade do amado, sua pele alva, arrepiada, uma linha fina de pequenos pelos macios que delineava a ereção semi desperta, mas sentiu a respiração dele acelerada.

-Naruto...Gemeu Sasuke verdadeiramente assustado.

-Olhe para mim meu amor. Pediu o rei enquanto retirada a última peça a descendo pelas pernas belas do seu general e a jogando aos pés da cama junto com as outras que seguiram antes o mesmo caminho.

Sasuke mal conseguia respirar, seu peito apertado e sua visão turva, mas ele obedeceu olhando para seu rei que se despia lentamente, tirando cada peça de roupa enquanto dizia palavras de amor, palavras de carinho para o pequeno que estava deitado o observando atentamente. O general não soube dizer quando o calor lhe envolveu ou se já estava lá e tinha sido desperto pela visão do homem nu a sua frente, de corpo escultural como de um deus, de pele dourado como o trigo nos campos e olhos azuis como o céu de verão, ele não sabia mesmo quando foi que sentiu vontade de toca-lo para ter certeza de que era real, que era mesmo um ser humano aquilo tudo a observa-lo e então sem notar como ele elevou suas mãos e enlaçou o pescoço do seu rei atrevendo-se a beija-lo.

Se o rei alguma vez na vida sentiu tamanha alegria ele não soube precisar, pois aquele momento em que sentiu o medo ser substituído gradativamente pelo desejo nos olhos muito negros foi a sua maior alegria, mesmo assim enlaçou o corpo nu com cuidado, ajeitando ele em seus braços e dando a ele seus beijos, pedindo passagem para explorar a boca deliciosa e recebendo todo o espaço que podia lhe ser dado.

O som dos beijos era claro e exigente e o corpos se uniam colados na cama, as velas tremeluziam acariciando com sua luz e sombras os dois amantes adoráveis, havia neste momento o cheiro do incenso por perto e as rosas mais raras nos vasos, mas o aroma dos dois era ainda melhor, corpos colados, emanando luxúria entre lenções ricamente costurados a mão.

Sasuke quase perdeu o ar e cessou o beijo corando e pedindo desculpas por seu atrevimento, tinha certeza que fez algo errado, mas o rei o recompensou com um sorriso belo.

-Isso o assustou meu amor? Perguntou o rei sorrindo ao tocar a pele do rosto quente.

-E-eu desejei beija-lo...Respondeu Sasuke ofegante.

-Sim...Porque o fez? Perguntou o rei mordiscando a pele nua.

-E-eu...Achei que era a melhor coisa a fazer, mas posso estar sendo ridículo.

-Não há nada de ridículo nisso meu amor e você pode me tocar, não precisa pedir permissão, somos casados agora, um do outro...Você não é mais um general capturado, é meu amado, meu confidente, minha rainha.

Sasuke concordou meio envergonhado e se mexeu no colo do outro.

O rei acariciou a pele das coxas que estavam sobre seu corpo, sentindo a força dessas pernas, a firmeza de quem andou muito no deserto e nas montanhas e sorriu ao saber que alguns meses não lhe roubaram nada disso, ao contrário, só aumentaram sua beleza rara.

-Suas pernas são tão macias...

Sasuke sorriu.

-Seus servos me deram tantos banhos de óleos raros e flores que devo estar mesmo com a pele macia...

O rei mordeu o ombro nu e o general gemeu remexendo-se no colo do rei de novo, era tão tentador isso que deixava o rei pasmo, um único toque e ele se arrepiava assim.

-Sim, banhos e mais banhos...Porque merece tudo isso e muito mais.

Sasuke gemeu de novo ao sentir a mão pesada delinear o contorno de suas nádegas redondas, sentir a pele dessa região ser tocada era tão vergonhoso e mesmo assim gostoso que ele se sentiu perdido, sem saber se era algo bom ou ruim, se era certo ou errado, no decorrer de sua vida ouviu todo tipo de coisas, uma delas era que quando um homem se deixa ser tomado assim ele perde sua dignidade, ele estaria perdendo a sua?

-Meu rei... E-eu...Não sei se isso é o certo...Disse envergonhado.

O rei o deitou na cama e se deitou sobre ele, esfregando seu corpo forte ao suave de Sasuke e isso era algo insano, suas intimidades se tocaram no ato e a vergonha do menor dobrou, não por ser ruim, mas por ser muito bom e desejoso, principalmente porque ele queria mais, ele queria entender, ele queria saber!

-Meu amor, eu já lhe disse, essas coisas são naturais como as estações, me permita lhe mostrar mais.

Sasuke concordou admirado que tivesse tanto a descobrir, mas não tinha certeza se sua coragem o deixaria seguir observando tudo ou se morreria de vergonha no meio do caminho.

-Meu rei...

-Eu sou seu, mas me chame pelo meu nome.

O rei lhe sorriu e desceu novamente o beijando, sua cintura foi tomada pelo calor dos beijos, da língua atrevida que roçava na pele ardente e os dentes que seguiam o mesmo caminho pecaminoso, mas se de fato era esse o caminho natural das coisas porque ele se sentia tão envergonhado? Será porque nunca pensou antes nisso? Nunca sequer imaginou como seria? Ou o desejo nunca havia sido despertado nele antes?

Suas dúvidas perderam o foco quando a boca quente desceu e tocou sua virilha, seu corpo se arqueou em busca de ar e um gemido rouco resvalou dos lábios vermelhos de tanto morder, suas pernas foram abertas um pouco mais e ele fechou os olhos nervoso, mas a sensação não cedeu, ela aumentou inacreditavelmente, era quente, pungente e perdida e como Vênus ele cedeu a Marte, sem ar, sem conseguir suportar, o prazer que a boca lhe proporcionava era impossível de descrever...

Naruto o tomou na boca, o membro ereto era perfeito para seu general, exatamente como imaginou que seria, extremamente gostoso e na medida exata, ele o tomou na boca sedenta de mais, o engoliu, sugou, arfou e lambeu sua extensão sentindo as veias no caminho, sentindo a textura da pele inchar a cada toque, estando a beira do primeiro orgasmo, seus dedos o tocaram substituindo sua boca que subiu tomando a boca de Sasuke na agitação do seu orgasmo, quando seus dedos ficaram melados do prazer do seu amado ele o sentiu no beijo mais quente, perdido, extasiado.

O beijo se desfez e o rapaz estava aturdido, olhos negros cintilantes e boca vermelha entreaberta.

-Eu disse que te daria muito prazer meu amor...

Sasuke não pode dizer nada, ele nem sabia se tinha ainda uma voz, mas sentiu o peso do corpo do outro deixar a cama e o olhou seguir até uma mesa de onde tirou uma caixa dourada, um fecho foi aberto com um click e a caixa se desdobrou como aqueles brinquedos antigos cheios de segredos, o pequeno general viu curioso que o rei trouxe de dentro desta caixinha um pequeno recipiente de vidro.

-Isso será muito bom para você meu pequeno...

-O que é isso? Perguntou o general temeroso.

O rei se colocou entre as pernas macias e as abriu novamente, ele pegou o frasco e derramou na mão o que parecia ser um óleo perfumado, seus dedos melados deslizaram nas nádegas macias e Sasuke prendeu o ar pois o rei o tocava em um região muito íntima, não só o tocava como deixava seu dedo médio o invadir prontamente, era dolorido e ele gemeu se contraindo sem querer, aquele dedo o invadia mais e mais fundo, roçando dentro dele.

-Só mais um pouquinho meu amor...Vê? Não é tão ruim, se concentre em mim, está bem?

Sasuke tentou, mas era estranho, outro dedo o invadiu e ele gemeu mais dolorido, no entanto algo estranho aconteceu, ouve um calor que o invadiu naquela região subindo e tocando mesmo seu membro o despertando de novo, seu corpo em breve ficou todo quente e ele gemeu sem notar o que fazia.

-Naruto...O que é isso?

O rei lhe beijou sem deixar de prepara-lo, aquele óleo era um lubrificante para que seu corpo não fosse machucado e era ao mesmo tempo um suave estimulante, uma quimera como alguns chamavam ou um afrodisíaco para a primeira vez, não era perigoso e nem faria mal algum ao seu amado, assim como não toldaria sua lucidez, mas o deixaria mais quente, desejoso de ter mais, em resumo era uma precaução do rei que não queria que Sasuke se sentisse mal com o sexo ou assustado de modo algum.

-Não tenha medo amor, é um remédio para sua mente e seu corpo, não sentirá tanto medo, não lhe fará mal, só deixe-se sentir...

Sasuke de fato sentiu, ele sentia no corpo todo o calor o tomar e gemeu com os dedos ainda dentro dele, explorando, buscando algo...Alguma coisa e então...

-Ahhhh! Gritou Sasuke tremendo e o rei sorriu, pois agora ele sabia onde estava aquele ponto dentro do homem que era capaz de tirar a lucidez até mesmo de um monge uma vez que fosse tocado no ponto certo.

-Meu Sasu...Meu amor...Sussurrou Naruto tirando os dedos de dentro dele e se colocando sobre seu corpo, beijando seus lábios e direcionando seu membro entumescido e dolorido no corpo desejado.

Ouve resistência, o corpo de Sasuke era delicioso mas sua entrada pequena e apertada, o rei forçou-se para dentro sem nunca deixar de acariciar o seu pequeno general, de lhe pronunciar palavras de carinho, beijando mesmo as lágrimas que desciam lentas da face dolorida.

-Isso meu amor, isso vai passar...Me aceite em seu corpo, eu juro que vai parar de doer...

Sasuke gemeu dolorido e tentou desesperadamente ceder a ele, o rei era grande e ele não podia imaginar como tudo aquilo caberia dentro, mas enfim ele o sentiu dentro de si, inteiro, preenchendo cada espaço de seu corpo, nunca pensou que tal lugar pudesse abrigar isso, era estranho de pensar e mais estranho ainda de fazer, mas o prazer que sentiu com os dedo do rei o faziam crer que em algum momento ele sentiria algo assim novamente, além da dor.

Mesmo sentindo dor havia nele um contentamento, porque seu rei era doce com ele, suas palavras eram puro carinho, suas mãos o guiavam, acariciavam, sua boca o beijava, essas distrações lhe foram úteis e ele sentiu a dor diminuir, não que tivesse sumido, isso era impossível, mas cedeu um pouco, o calor o fazia desejar mais e mais desse tamanho todo dentro dele, era algo imprudente e insano e devia ser algo a ver com o óleo, mas ele não se importava mais, ele torcia para o calor ceder ou algo acontecer...Então as sensações aumentaram, o rei parou e ergueu as pernas do seu general as colocando sobre seus ombros e o tomou de novo, sua força era grande e ele se controlava para não ser rude, mas seu prazer o estava enlouquecendo, em um dado momento ele se soltou mais e era possível ouvir o som da carne batendo contra carne, um som rústico e sensual, assim como os gemidos roucos de Sasuke e os gemidos mais guturais de Naruto.

Tudo naquele quarto ficou denso, o ar que se respirava parecia denso, as sombras das velas e mesmo o prazer dos corpos...Sasuke sentiu seu corpo solto de si mesmo, como se fosse uma folha ao vento, ele não controlava mais as sensações, ele sentia o prazer nublar sua mente, seu membro desperto ardeu contra o corpo que o tomava, e logo uma mão forte o apertou e Sasuke gritou, seus dedos cravaram nos lenções da cama, ardendo de dor ao forcar-se tanto, mas o prazer era intenso demais e ele nunca, jamais em sua vida sonhou que seria assim.

A dor ainda estava lá, submersa num novo prazer, numa tortura prazerosa de ser tomado desse modo insano, de ter seu corpo invadido dessa forma animalesca, porém controlada, e se havia vergonha ela se escondeu dele mesmo, somente a luxúria se mantinha.

Naruto cedeu ao seu instinto finalmente, mais e mais dentro do corpo pequeno, sentindo seu calor e sua força, arrepiado em como isso era bom, em como desejou intimamente isso, se tocando noites e noites pensando nele, sem conseguir nem mesmo aliviar-se com outros corpos que nada tinham dessa amor primordial e insano que o tomou tão completamente. Era fiel por necessidade, por medida, por alguma magia que somente o amor conseguia ter, ninguém no mundo era como seu general e o corpo dele era seu templo agora.

Entrou mais e mais fundo, sentindo as pernas macias em seus ombros largos tremerem, ouvindo seus gemidos roucos e sentindo seu prazer pulsar, mais algumas longas estocadas e ele sentiu o seu próprio prazer jorrar, quente nas entranhas do seu amado, ele mesmo já tinha sentido o prazer melado do outro entre seus dedos novamente, caiu na cama acabado e puxou o corpo pequeno sobre si, acariciando seus cabelos longos, a face corada e as costas nuas.

-Meu Sasu...

Sorrindo o rei observou o corpo coberto de suor do seu amado, somente para ver que de suas pernas descia um líquido espesso e branco e isso o deixou extasiado, somente o deixando levemente nervoso que com o líquido veio um pequeno filete de sangue vivo.

O rei se sentou e tocou a região melada e o pequeno se encolheu de medo, havia sentido prazer, mas também dor e isso era ainda recente em sua mente, ele sabia que o rei era forte e provavelmente aguentaria repetir isso mais algumas vezes, mas ele não tinha certeza se suportaria considerando que havia sido sua primeira vez.

-Sasu...Não vou toma-lo de novo, está foi sua primeira vez e mesmo com todo cuidado é natural que fique dolorido e que haja algum sangramento, mas eu juro que isso vai passar.

Sasuke o encarou confuso, ele estava chorando e o rei o abraçou apertado, preocupado que o seu pequeno estivesse com medo dele, talvez tenha sido muito apressado ou feroz.

-Desculpe-me meu amor...Eu o assustei?

-E-eu...Eu estou com vergonha porque eu...Acho que perdi o controle em algum momento, eu nem sei...Sempre me mantive lúcido mesmo em meio as mais terríveis situações e hoje eu me perdi, eu me deixei levar...Eu não sou forte como sempre imaginei.

-Ohhh isso...Sim, é natural acontecer meu amor, chama-se orgasmo e é bom, não é? Mas pode culpar o óleo que eu usei, ele é muito bom, eu apenas não queria que ficasse confuso e assustado demais, não usarei mais isso, eu prometo, está bem?

Sasuke o olhou em dúvida.

-Não foi ruim, doeu sim, mas é que eu não entendo esse prazer...Mas nesse momento eu nem sei quem sou, isso acontece com você também?

-Acontece e é natural, mas agora pare de chorar, nada está errado, somente fizemos amor e como foi sua primeira vez devo cuidar de ti agora, essa é minha responsabilidade como seu marido.

Com carinho o rei o tomou nos braços e tal como quando o trouxe ali o levou ao banho, deleitando-se em ter Sasuke em seus braços tão solto, tão dele, sentindo seus braços macios a envolve-lo no pescoço, a cabeça apoiada em seu corpo, cansado demais para reclamar depois de terem feito amor na cama com tanto desejo e cumplicidade.

A água morna lavou os resíduos que restavam e os dedos do rei retiraram os que estavam ainda dentro do corpo do general, mas o rei foi gentil nesse momento, ele não o envergonhou ou dominou, ele apenas o sentou em seu colo e deslizou seus dedos dentro do pequeno buraco o abrindo levemente para que o que depositou lá no momento do seu orgasmo fosse lavado pela água morna do banho e enquanto fazia isso beijava levemente o rosto do amado, sussurrando palavras doces para ele, o acalmando e acarinhando.

-Olhe para mim meu amor, vê? Isso é necessário, não quero que seu corpo se recinta por ter dentro dele meu sêmen, por isso eu retiro, não está doendo está? E não é vergonhoso pois eu sou seu marido, eu devo cuidar de você, as feiticeiras dizem que o sêmen não deve permanecer aí dentro, isso faz mal ao seu estômago, tudo bem?

Sasuke negou corado, mas deixou seu rei cuidar de seu corpo, se sentia mais leve agora e nem tão envergonhado assim, ele confiava na palavra do rei e ele o fazia de modo gentil, ele não o pressionava ou humilhava, ao contrário lhe acarinhava e beijava, devia mesmo ser algo natural, era somente que ele ainda não entendia essas práticas.

O rei foi gentil e não exigiu nada, ele queria ver como estava a região mas não se atreveu a faze-lo ali, voltariam a cama e ele poderia analisar, tinha em sua caixinha algo que devia ser usado após, uma pomada feita para isso, que deveria acalmar a região e dar ao seu amado uma noite tranquila sem nenhuma dor, havia solicitado tudo isso bem antes, antes mesmo de saber que desejava se casar com Sasuke, fez isso ainda no caminho para as terras nevadas, quando ainda jogavam gamão para passar o tempo, naquele momento ele o desejou ardentemente, mas não foi capaz de toma-lo como poderia fazer, afinal naquele momento ele era apenas um general capturado, seu status era como o de um escravo e a um escravo tudo se pode fazer, mas foi ali que a paixão surgiu quase tão fulgurante quanto o amor a seguir e o rei soube que nada do que ele planejou aconteceria mais, pois esse pequeno general haveria de ser dele como um igual, como seu amor, a única maneira era fazer dele sua rainha.

Saíram da água e o rei ajudou o seu general a se enxugar e vestir uma túnica branca, voltando a cama lentamente e se deitando nela.

-Meu Sasu, como seu rei devo mante-lo feliz, estou certo?

-Hum...Creio que sim...

-Deixe-me ver como estás naquela região, pode ter se ferido e eu preciso passar uma pomada.

Sasuke corou, mas ele mesmo assim sorriu, seu rei era atencioso, mesmo em se tratando de algo tão vergonhoso como mostrar aquela região a ele.

-Vai doer?

O rei sorriu e o virou de bruços na cama, puxou a túnica e abriu as nádegas macias vendo que seu pequeno buraco estava quente e vermelho demais, devia estar doendo e ele então tirou da caixinha a pomada, aplicou na região e puxou a túnica para cobri-lo, depois o virou de novo e o beijou.

-Pronto, está doendo muito meu amor?

-Não...Mas eu sou bonito mesmo aos seus olhos?

O rei sorriu.

-Es lindo meu amado, es lindo...

O sono veio rapidamente e eles dormiram abraçados e unidos sentindo seus corações batendo no mesmo ritmo, porém o frio da madrugada era ainda intenso e o rei acordou percebendo que seu amado poderia sentir frio também, ele então se levantou e rumou a porta, havia no palácio um sistema único de aquecimento, consistia em uma grande caldeira que fervia litros e mais litros de água a distribuindo pelo palácio por canos largos que passavam pelo piso de mármore o aquecendo, esse calor esquentava os cômodos grandes sem ser necessário acender as lareiras o tempo todo, apenas os quartos principais tinham esse luxo, mas as vezes em madrugadas frias era preciso mais que isso. O rei andou descalço até a sala contígua e entrou, encontrando a serva dormindo enrolada em mantas num sofá, ele a acordou e ela se assustou logo se ajoelhando nervosa.

-Meu rei, perdoe-me...

-Não se martirize, eu não estou zangado, quero apenas que acenda a lareira no meu quarto e depois deve voltar e dormir o resto da noite, pela manhã quando eu chamar deve servir a comida que combinamos e por favor use mais mantas, o frio está intenso hoje.

Ela sorriu, de fato o general fez bem ao seu rei, ele andava mais benevolente que nunca, ela se apressou a ir ao quarto do rei, entrou sem olhar para a cama, muito embora estivesse com as cortinas puxadas para esconder o corpo belo que dormia lá, ela então acendeu o fogo e o atiçou para aquecer logo o quarto, depois saiu de cabeça baixa e fechou a pesada porta.

O rei caminhou até a janela fechada e olhou por seu vidro limpo, não havia neve, mas o frio ainda era cortante, ele se deixou vagar por um momento servindo-se de um copo de vinho doce até que ouviu os gemidos assustados do seu general, ele se aproximou da cama e o viu tendo um pesadelo.

-Ahh meu querido quanto mal já viveu em sua jovem vida? Nunca dormimos a noite toda juntas, por isso eu ainda não havia visto seu sono noturno natural, sei que deve ser pelo que passou e me recrimino por saber que muito provavelmente parte disso é culpa minha...

O rei pousou a taça numa mesa e se deitou novamente o puxando para seu abraço, o beijando nos cabelos perfumados.

Sasuke acordou ainda ofegante, de fato ele estava sonhando com o dia em que o rei ameaçou seus familiares, ele sempre tinha esse maldito pesadelo, era sempre intenso e desnorteante, ele acordava perturbado e demorava a dormir de novo, mas hoje ele estava na cama com o rei, o mesmo que foi seu inimigo e agora é seu marido, realmente o destino é estranho.

-Desculpe...Tive apenas um sonho ruim. Se desculpou tentando se acomodar melhor nos braços do rei, resmungando ao faze-lo.

-Sasu? Doe ainda?

-Não. Mentiu o jovem para não preocupar o rei.

-Qual era o pesadelo meu amor?

-N-não me lembro...( Mentiu de novo.)

O rei o fez se sentar e olhou em seus olhos negros.

-Nunca o vi mentir antes, porque o fez agora?

Sasuke suspirou.

-Ainda doe, mas não quero que pense que eu sou fraco, e os pesadelos...Não acho que precise se preocupar com eles, a senhorita Haruno me disse que um dia eles vão parar.

-Me diga...A culpa deles é minha?

Sasuke podia mentir de novo, deveria mentir, mas não conseguia mais, ele apenas afirmou que sim e escondeu o rosto no peito largo.

O rei lhe afagou os cabelos com ternura.

-O dia da captura? Ou...Sua família?

Sasuke não o olhou, seus dedinhos desenhavam símbolos na pele cor de trigo, macia e perfumada.

-Minha família...mas os pesadelos são piores do que aconteceu de verdade, no meu sonho eu os vejo sendo chicoteados, torturados...Sempre por você e eu estou acorrentado e nada posso fazer, a senhorita Haruno me disse que isso são apenas os meus medos se manifestando em minha mente.

Naruto sentiu as lágrimas na face, ele poderia morrer de tristeza agora.

-Eu sinto tanto...Mas um dia não me temerá mais...Eu provarei que o amo acima de mim mesmo.

-Eu sei que me ama, ninguém seria tão doce com alguém tão inexperiente como eu, é só que tudo ainda é recente, eu o aceitei, eu sou seu, mas as lembranças ainda assombram minha mente, com o tempo eu sei que vão sumir, assim como outras coisas sumiram antes...A peste negra na população pobre quando eu era muito jovem, isso me assombrou por anos, ou a decapitação do meu pai...Porém tudo passou. Sasuke disse tudo isso como se fosse algo natural para alguém tão jovem, ver tanta morte e desolação poderia ter destruído seu coração e sua alma, mas só o fizeram mais doce e forte, capaz de se manifestar diante as injustiças, ter empatia pelos sofridos, isso era de fato uma qualidade rara e admirável de se ter.

Naruto o beijou ternamente, desejando ser mais que um rei para cura-lo, ele o amava tanto que era impossível descrever.

-Isso meu amor só prova uma coisa para mim, o quanto é forte e destemido, de fato eu diria que é bem mais forte que eu mesmo, superior em caráter e fortaleza, e tão generoso ao me ensinar a ser também.

Sasuke o encarou analisando se isso era mesmo verdade, mas não viu ali o menor sinal de mentira.

-Eu não sou forte, homens fortes não choram e nem tem pesadelos e eu os tenho sempre.

Naruto lhe apertou nos braços sorrindo de sua ingenuidade pura.

-Ohh quem disso tal insanidade? Homens fortes são mais sentimentais, isso os torna mais humanos e a consequência disso é a empatia para com os outros, isso torna um homem um rei, um rei verdadeiramente bom.

A conversa e o ambiente quente, aconchegante, isso trouxe o sono de volta.

-Hum...O ambiente está quentinho...Seus braços estão quentinhos...Resmungou Sasuke aquecendo seu rosto no peito do homem e mantendo seu aroma próximo de si mesmo.

-Se eu estiver aqui em seus braços posso dormir sem ter pesadelos...

O rei o apertou carinhosamente nos braços e o beijou nos cabelos.

-Então nunca mais terá pesadelos meu amor, nunca mais em sua vida...

Silenciosamente o rei fechou as cortinas da cama de dossel real e mergulhou no sono sem sonhos reparador, ele iria acordar para uma realidade diferente, desejava mudar as leis, mudar os costumes, por causa do amor desse general ele viu as pessoas do seu reino, cada um como um ser único a ser amado e respeitado, começaria libertando vinte escravos...Depois todos.

Notas finais
Naruto ganhou pontos comigo depois disso...Algumas coisas a esclarecer, a dor da primeira vez não passa tão rápido como se imagina gente, tentei ser mais realista neste ponto, o carinho e atenção do rei foi fundamental para o nosso belo general não acharam? Se gostaram comentem. Beijos de Akira.

20. Todas as cores do amor. (Amanhecer).

Notas do Autor
Todas as cores do amor (Amanhecer) é uma segunda parte de noite de núpcias...No caso realmente ao amanhecer, um novo dia, uma nova vida para ambos. Beijos e boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo 20

Todas as cores do amor. (Amanhecer).

Sasuke despertou sentindo um aroma bom pelo quarto, abriu os olhos e viu as cortinas leves e transparentes, as cortinas mais pesadas feitas de tecido brocado foram abertas e a luz infiltrava-se por elas agora, o ambiente estava aquecido e confortável e ele viu movimentação no quarto, no mesmo instante procurou as cobertas para se cobrir, mas notou que estava todo coberto e mesmo que não estivesse usava a túnica longa que o rei lhe vestiu na noite passada, suspirou mais tranquilo. Lógico que os servos que ali estavam sabiam exatamente o que poderiam ter feito na noite anterior, mas ele se sentiria melhor estando bem escondido entre cobertas, pelo menos até um pouco mais para criar coragem e enfrentar o mundo de novo.

Tudo que ouviu em outras ocasiões era mesmo uma mentira, ele se sentia tão homem agora como quando se deitou na cama antes de fazer amor com o rei, o fato de ter sido possuído pelo rei não o maculou ou o tornou menos homem, isso era uma mentira deslavada, ele ainda tinha tudo no mesmo lugar que antes, sentia seu corpo sensível e isso era verdade, mas se sentia bem consigo mesmo, concluiu que quem mentia a esse respeito não tinha noção de nada, de fato ele mesmo notou quando estava no exército que um número igual de homens e mulheres se relacionava sem preconceitos ou estigmas, homens amavam mulheres, homens amavam homens, o mesmo se dizia das mulheres guerreiras que ele conheceu na vida, valorosas guerreiras muitas vezes mais fortes que outros guerreiros que amavam seus parceiros, sejam eles homens ou mulheres. Nunca antes pensou seriamente sobre o caso, ele sempre aceitou como natural, isso até que ele mesmo estava na cama com um homem, e não qualquer homem, mas um rei, um rei forte, destemido e muito muito gentil.

Suspirando ele se sentou na cama, já sem medo de enfrentar o mundo, ele era amado, isso era o importante, daí uma dúvida pairou sobre sua mente naturalmente curiosa e mesmo assim prática, e ele? Ele amava o rei? Sabia que se sentia bem em sua companhia e não tinha mais medo dele, não de um jeito ruim pelo menos, as vezes se sentia intimidado porque o homem era mais experiente e tudo mais, porém sabia que gostava dos toques dele em sua pele, que se sentiu extasiado ao fazerem amor e que ele se entregou verdadeiramente, isso seria amor?

-Meu Sasu...Despertou?

Sasuke parou seus devaneios para olhar o rei, usando a túnica branca solta e estendendo a mão a ele para puxa-lo da cama.

-Venha, o banho está pronto e quente, coloquei sais aromáticos na água para relaxar seu corpo, quer experimentar?

O general concordou e o seguiu de mãos dadas, ainda queria perguntar ao rei como ali o chão era tão quentinho, era gostoso pisar descalço pelo mármore negro e havia o aroma delicioso no ar, certamente algo queimando na lareia.

-O chão aqui é quente e tem um cheiro gostoso no ar. Disse ao chegarem a piscina e o rei abriu sua túnica com dedos ágeis, desnudando o corpo de Sasuke e o conduzindo a água quentinha.

-Oh sim, o aquecimento do chão, é simples, água quente percorre todo o chão por baixo dele, aquecendo o ambiente e o aroma são incensos jogados no fogo da lareira, são feitos para isso, sinto muito que em seu antigo quarto não tivesse o aquecimento no chão, eu me esqueci deste detalhe amor, sinto muito...

Sasuke sorriu.

-Eu era seu prisioneiro, creio que fui muito bem tratado.

O rei o beijou levemente e o abraçou apertado.

-Não me lembre essas coisas meu amor, machucam meu coração.

-Mas...é verdade, você cuidou muito bem de mim aqui no palácio, eu me sinto muito bem, estou quase recuperado, meu corpo não anda mais tão cansado e a senhorita Haruno parou de me dar remédios, ela me disse que meus órgãos internos estão recuperados e que eu devo começar a fazer exercícios em breve. Isto é bom não é meu amor? Ao dizer essa frase Sasuke disse a palavra “amor”naturalmente, sem pensar no assunto, simplesmente a usou.

-Sim, isso é muito bom, começaremos com caminhadas mais longas do que nossos passeios pelo jardim, depois iremos treinar com seu irmão, sua armadura está pronta, mas eu decidi não oferta-la no casamento para não irritar mais os meus ministros, se bem que isso se provou inválido após o que o ministro Maeda lhe disse e depois do presente que ele ofereceu.

-Oh sim...Tenho calafrios sobre aquele homem, sei que ele é mal. Disse Sasuke sinceramente como sempre.

Naruto concordou enquanto passava as mãos nos ombros do seu amado, aliviando a tensão depositada ali e o olhava de frente.

-Bem, eu vou retirar todos de seus cargos confortáveis, tenho que mudar todo o meu governo para as melhorias que farei em breve, mas isso é política e eu não desejo falar de política hoje, teremos tempo para isso em outra ocasião, no momento eu estou interessado na palavra “amor” que incluiu em sua frase a pouco, eu sou seu amor?

Sasuke corou, ele disse isso mesmo? Quando?

-Bem...Sim. Respondeu o general meio sem graça, quase se encolhendo na água morna e perfumada.

O rei sorriu satisfeito e o beijou, suas mãos deslizaram nas costas nuas e o tocaram abaixo da curva da cintura, sentindo seu corpo se arrepiar e sentindo a pele de Sasuke arder na sua, era convidativo, gostoso e quente, mas ele estaria pronto?

-Sasu...Você está melhor?

-Hum...

O rei o sentiu duro no mesmo momento e sorriu em seu beijo, suas mãos tocaram aquele ponto pequeno e desejável no corpo do amado, delicadamente o sentindo pulsar sobre o leve roçar do seu dedo médio, apoiou a cabeça de Sasuke em seu ombro e o arrastou para seu colo o fazendo abrir as pernas para se sentar sobre ele na água perfumada, o ato foi realizado com leveza e o menor não teve medo algum, suas longas pernas macias entrelaçaram na cintura do seu homem e ele levou as mãos a se prenderem no pescoço dele, unindo seus lábios mais uma vez.

O rei ainda brincava com seu dedo médio no pequeno ponto rosado, contornando sem penetra-lo, porque não o queria machucar, mas por fim seu corpo ardia desconfortável e ele se ergueu com o peso de Sasuke junto a si como se fosse de fato um fardo leve.

O menor desceu de seu colo e observou seu rei jogar algumas toalhas felpudas no chão quente, depois bater palmas, os servos que ainda estavam no cômodo e que Sasuke tinha esquecido da presença, o que neste momento o deixou mortificado saíram rapidamente do ambiente, fechando a pesada porta.

-Não desejo platéia.

Sasuke sorriu corado.

-Muito menos eu.

O rei o deitou nas toalhas e lhe beijou de novo, mas o virou tão rápido que o general ficou tonto, o susto então veio do rei abrir suas nádegas e colocar sua língua quente no meio delas, o susto fez o menor arfar, esse era um daqueles assuntos que o rei disse antes? As coisas do amor? Realmente Sasuke achou que tinham explorado todos os nuances e ele percebeu que estava bem errado sobre isso, mas gemeu ao sentir a língua invadir seu buraco, atormentando-o com isso, desejou mais dessa sensação, a mão do rei segurou sua cintura e a ergueu levemente, enquanto sua boca continuava a explora-lo nesse ponto intimo, as mãos de Sasuke se prendiam nas toalhas do chão, aturdido com o prazer que esse ponto lhe dava, subitamente o prazer aumentou pois o rei deslizou uma das mãos e tocou o pênis duro, necessitado e dolorido e isso o fez gemer arrastado e sofrido pela sensação deliciosa.

-Ahhhh.

O rei então melou os dedos em algum dos óleos que haviam ali na sala de banho e que eram todos próprios para os banhos e o sexo, previamente escolhidos por ele mesmo e deixados naquele cômodo e deslizou um dos seus dedos dentro do corpo quente do seu amado, indo toca-lo diretamente naquele seu ponto de prazer que descobriu na noite anterior sentindo-se poderoso ao perceber o prazer que proporcionava a ele, sentindo o pênis rosado dobrar de tamanho em seus dedos e arder quente, ele o moveu lentamente numa tortura calculada enquanto seu dedo se movia prensando o ponto de prazer até sentir Sasuke tremendo em suas mãos, seus gemidos altos e latentes, sua pele molhada em suor, brilhando para ele, a bunda redonda, perfeita se movendo para seus dedos, as pernas abertas, sua coluna bela, nua, suas mãos presas na toalha com os nós dos dedos quase brancos pelo esforço do prazer.

Estocou o dedo dentro dele, apertando o ponto todas as vezes, vendo ele gemer e gemer, depois o soltou, melou seu próprio pênis duro como uma seta de jade, abriu as bandas da bunda somente pelo prazer de ver o que faria e colocou seu pênis ali, entrando devagarinho, sentindo aquele botão rosado engolir seu tamanho aos poucos, se contendo para não feri-lo de modo algum, depois de estar todo dentro dele, arqueou o corpo indo mais fundo, respirou tenso e desceu para beija-lo no pescoço quando enfim se mexeu dentro dele.

-Sasu...Ainda doe?

-Ahhh Naru...Naru...Ohhh.

Bem, essa resposta era muito importante, ele segurou firme na cintura e o estocou ferozmente, mesmo assim observando suas reações mais sutis, contente em ver que o menor jogava seu corpo de encontro ao seu numa clara vontade de ter mais dele dentro de si e lhe deu o que ele queria, afundou-se mais nele como se isso fosse possível, alongando-se dentro do canal apertado como antes, sendo esmagado pelas paredes do menor, quente como o inferno, delicioso como o paraíso e gemeu de olhos fechados pelo prazer que sentia, que todos os deuses sejam louvados por ter criado Sasuke Uchiha.

O rei desejou algo e sorriu, saiu de seu pequeno general e o puxou para si, olhando em seus olhos negros vivos, lindos e curiosos.

-Sasu...Disse ao puxa-lo o fazendo novamente sentar em seu colo, perna abertas, e o ajeitar para sentar-se sobre seu membro latente, entrando nele com desejos contidos, indo mais lentamente para torturar ambos.

-Mexa-se meu amor...Ordenou o rei embora o beijasse carinhosamente e o menor o fez, se mexeu, subindo e descendo ainda de olhos fechados, estava doendo um pouco era verdade, seu corpo se ressentia do ato, mas era bom, era muito bom e ele ardia em desejos só de imaginar aquele tamanho todo dentro dele e se sentia envergonhado disso, envergonhado e mesmo assim queria isso, queria tudo, sentou-se nele, remexeu-se, gemeu e beijou a boca quente sentindo o rei ajuda-lo nos movimentos ágeis, rudes até, mas bem vindos, de certo modo ele sabia perfeitamente que o rei não o machucaria e que se ele reclamasse o homem pararia o ato, mesmo que isso fosse difícil para ele, mas ele não reclamaria.

Porque aquilo era bom, maravilhosamente bom...

O rei então perdeu a lucidez restante e novamente deitou Sasuke de bruços na cama de toalhas amassadas improvisadas no chão, desta vez lhe ergueu os quadris mais alto e entrou nele sem cerimônias indo fundo logo na primeira estocada, atingindo o ponto de Sasuke uma nova vez, seu pênis ardeu desejoso e o próprio Sasuke se tocou, sua mão apertando o que ele lhe dava prazer, mas o rei não lhe deixou continuar, ele tirou sua mão do pênis e sentindo que Sasuke iria chegar ao orgasmo apertou o pênis por um momento fazendo o menor gemer dolorido e resmungar, o jato quente se derramou dentro do corpo pequeno, mas o pênis de Sasuke ainda ardia.

Com a mesma rapidez que o deitou nas toalhas ele o virou e sua boca correu ao pênis necessitado, seus dedos invadiram a bunda molhada de sêmen e adentraram ali indo tocar o ponto de prazer enquanto lhe sugava avidamente e o mundo girou na mente do general, o prazer era tamanho que ele abençoou o ato anterior de lhe reter o orgasmo, porque ele agora sentia um prazer extremo, abriu as pernas sem perceber, desejoso de mais e mais e teve todo o prazer que podia imaginar, os dedos lhe davam calafrios ao irem bem fundo ajudados pelo sêmen e lhe tocarem tão deliciosamente e a boca quente lhe proporcionava sensações alucinantes, num momento ele arqueou as costas e no outro seu sêmen jorrou dentro da boca do rei, escorrendo por seus lábios, os dedos saíram do interior do menor que respirava com dificuldades e um abraço apertado o tomou inteiro.

-Meu lindo general...Disse o rei suavemente e o general suspirou esgotado, dolorido e satisfeito além de suas forças.

O rei sorriu e depois ainda deitado ao lado do seu amado percebeu que precisavam de um novo banho.

-Creio que teremos que tomar um novo banho.

Sasuke soltou uma linda gargalhada, a primeira em toda a sua vida, e a primeira vez que fez isso tinha que ser na frente do seu amado, do seu rei, do seu marido, ele assim que notou o que aconteceu cobriu os lábios com a mão, contrariado pelo que fez, mas notou os olhos do rei a encara-lo.

-Desculpe...Eu nem sei o que deu em mim, apenas achei engraçado o que disse e nem sei porque...Disse Sasuke chocado que ele sendo um homem adulto, um antigo general tenha se traído rindo feito uma criança ao ganhar um doce.

-Sua risada é linda! Eu nunca tinha ouvido tal som...Estou enfeitiçado...Disse o rei o abraçando apertado.

No fim Sasuke sorriu entre os braços do rei, satisfeito que o rei não o repreendeu, mas sim o acariciou, ele precisava começar a parar de ter medo de ser inadequado, ele não entendia nada dos protocolos reais, mas sabia ser gentil e o resto podia lhe ser ensinado, mas pelo visto o seu rei amava as sensações espontâneas, isso era bom.

De fato eles retornaram ao banho e após estarem limpos e vestidos com suas túnicas, desta vez azuis eles foram comer algo, na verdade ambos estavam famintos, mas principalmente Sasuke que no dia anterior ao casamento só ingeriu frutas como mandavam as leis.

Havia sobre a mesa carnes assadas variadas, frutas frescas, pão fresco e alguns legumes cozidos, além de sopa nutritiva e sucos diversos.

-Meu amor o que deseja? Disse o rei se servindo de uma porção de carne em um prato com legumes cozidos.

-Talvez seja melhor a sopa, eu estou com fome, mas ontem durante o dia apenas comi algumas frutas vermelhas, talvez eu passe mal se me aventurar a experimentar coisas pesadas.

O rei lhe olhou aturdido.

-Só algumas frutas vermelhas? Como conseguiu recitar os votos? Meu pobre amado! Porque não me disse ontem que estava a passar fome? Isso é imperdoável!!

Sasuke sorriu enquanto se aproximava do rei que parecia desesperado.

-Tudo bem, era o protocolo do casamento, eu entendo, fiz como me mandaram e não estou reclamando, mas acho que hoje preciso de coisas leves.

O rei não conhecia esse protocolo e pensou que bem provavelmente foi uma invenção de Haruno, mas por qual motivo ele desconhecia, mas iria perguntar, imaginar seu amado passando fome dentro do palácio era terrível.

-Então prove a sopa, é nutritiva e saborosa. Disse o rei o servindo e lhe ajudando a se sentar numa poltrona, afofando as almofadas e lhe dando pequenos beijos nas faces antes de deixa-lo comer.

O general provou a sopa e sorriu contente, era deliciosa e ele se alimentou bem, aceitando um copo de suco vermelho a seguir.

-Este suco é de uma fruta muito especial, comprada em mercados das tribos nômades, foi trazida para cá a meu pedido para hoje em especial, dizem que o suco de sua polpa vermelha é maravilhoso para recuperar o corpo após o sexo, e eu achei que seria muito bom para minha rainha.

Sasuke provou o suco e o achou muito saboroso, leve e docinho.

-Qual o nome dessa fruta amor?

O rei lhe deu mais um pouquinho de suco e se sentou ao seu lado na poltrona o abraçando pela cintura.

-Cranberry.

-Sempre se preocupa comigo, eu fico muito feliz...Mas ainda não sei como reagir a tudo isso, nunca pensei que um dia viveria isso.

O rei encostou sua cabeça nos cabelos de Sasuke sentindo seu aroma gostoso que o tranquilizava.

-Eu tenho tanto para me redimir que uma vida não basta, tudo que faço é pouco meu amor.

Sasuke deixou o copo de suco de lado e o abraçou.

-Ainda se culpa pelo que aconteceu, mas devia parar de fazer isso, quando me capturou não me conhecia, usou de leis e regras que são comuns e eu entendo, aos poucos eu percebi que era uma boa pessoa, não foi nada além de seu coração bondoso que me conquistou, vejo mais em você do que imagina e o passado não me atormenta mais, nem a minha derrota, a tortura ou a captura, nem mesmo o que ouve com meus familiares, isso acabou.

O rei afagou os cabelos macios.

-Mas sei que tem pesadelos com tudo isso, realmente quer que eu acredite que esqueceu?

Sasuke suspirou.

-Nunca disse que eu esqueci, jamais esqueceria essas coisas, são cicatrizes em minha alma, marcaram minha vida como um ferro em brasa, mas eu não alimento essas dores, eu as deixo adormecidas, infelizmente a noite quando eu durmo acabo sonhando com tudo, mas creio que um dia isso pare, assim como minha mente lúcida e consciente se nega a sofrer com as lembranças um dia minha mente inconsciente também vai parar de sofrer.

O rei o beijou lentamente, depois acariciou sua face corada.

-Quando esse dia chegar talvez eu sofra menos remorsos, mas por enquanto eu lhe devo tudo.

Sasuke sorriu, ele entendia que não poderia tirar o remorso do rei, assim como não podia tirar todas as lembranças de sua alma, seria sempre uma questão viva entre eles, bastava se acalmar e viver assim mesmo, um dia de cada vez...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me digam se estão gostando que eu preciso saber. Até mais. Akirasam.

21. Ponderações da alma e histórias verdadeiras.

Notas do Autor
Gosto muito dessa imagem do general que eu postei acima, é como o imagino...Enfim, neste capítulo um pouco da vida dos dois antes de tudo. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Ponderações da alma e histórias verdadeiras.

O rei sorriu discreto, a poucos horas ele havia tido em seus braços o homem que mais amava neste mundo, todo para ele, ver como ele era inocente foi para ele uma sensação maravilhosa, ele sabia disso é claro, mas saber e vivenciar isso eram coisas diferentes, ele esperava que tivesse sido gentil o suficiente, não o queria triste, assustado e muito menos dolorido na próxima vez que estivessem tão intimamente juntos.

Mas o que o enchia de amor pelo seu belo general no momento era algo menos sensual e totalmente doce, ele observava como seu filho e seu amado brincavam nos jardins, correndo um atrás do outro entre as gramas que voltavam a ficar verdes e os ramos de árvores a lançar pequeninhas folhas no ar ainda frio do final do inverno, era fato que o rei e sua rainha tinham dois dias para viver o amor em sua completude, mas Sasuke após o café da manhã pediu para ver Boruto e o rei não podia negar isso a ele, aliás eram pouquíssimos os pedidos do seu amado, ele adoraria ter momentos a proporcionar ao seu pequeno e belo marido, mas ele nunca pedia nada para si mesmo, desde de que o conhecia o viu pedir pelos seus soldados, depois por sua família e mais recentemente por pessoas que nem conhecia mas com quem se identificava profundamente, uma vez que eles lhe foram dados como escravos, por isso esse pedido era especial, finalmente seu general lindo lhe pedia algo para si, ele queria ver Boruto, claro que o rei sabia que era preocupação com o seu pequeno arteiro, mas era uma preocupação verdadeira e era um pedido gentil.

Os dois corriam entre as árvores e riam, então o general alcançou o pequeno peralta e o derrubou no chão de modo suave, fazendo cócegas nele que morria de rir enquanto tentava escapar, alguns servos riam ao longe divertindo-se com a cena bucólica e familiar, certamente mais a tarde todo o reino saberia disso, ao fundo os pássaros cantavam como se compartilhassem a mesma alegria inocente dos dois seres que preenchiam a alma do rei naquele momento único.

Um servo trouxe a jarra de suco e a de água fresca e colocou sobre uma mesinha debaixo da árvore onde o rei estava e outro trouxe uma cesta de biscoitos recém tirados do forno, macios e quentes ainda e perguntou se o mesmo queria mais algumas almofadas e tecidos para cobrir o chão, mas o rei apenas negou, estava confortável sentado ali, usava uma túnica verde oliva de tecido grosso porém macio, sobre ela outra mais leve e um cinto largo e dourado na cintura, calçava suas botas macias e estava bem aquecido.

De fato se fosse em outra época se sentar no chão ainda nem tão seco assim depois de tantas nevascas seria impensável para o rei, mas agora vendo a vida com outros olhos isso não era inconveniente, na verdade era prazeroso, ele se serviu de suco e sorriu de novo quando percebeu que os dois amados de seu coração encontraram um ninho de passarinhos numa árvore perto e vinham em sua direção sorridentes.

Ele observou em como a roupa de seu marido aderia prazerosamente as suas pernas delgadas e bem proporcionadas, embora o tecido fosse de lã macio era fino e embora estivesse frio isso não o incomodava, mesmo que o rei tenha proposto vestimenta mais quente, mas tinha que admitir que lhe caia muito bem o azul pálido da roupa com o branco do cinto feito de tecido brocado, rebuscado em pequenas pedras cintilantes, ele parecia um ser sobrenatural na leveza da manhã, diáfano entre o bosque, mágico e magnífico, não era de admirar que todos os servos e demais pessoas do palácio desejassem espiar um pouco. Isso na verdade enchia o rei de orgulho e uma pitada de ciúmes também.

Boruto se jogou nas almofadas ricamente decoradas, sujando algumas de terra molhada e folhas secas e pegou um copo com seus dedinhos nada limpos para se servir de água fresca.

-E as mãos meu pequeno? Temos que lava-la para tomar água e comer alimentos, lembra? Disse Sasuke o pegando pelas mãos e o arrastando até a fonte onde lavou seus dedinhos sujos de terra e folhas.

Boruto ia de boa vontade, ninguém antes conseguia tal façanha, mas Sasuke conseguia sem esforço algum.

O próprio Sasu lavou também suas mãos e voltaram juntos até o rei, se sentando nas almofadas e pegando suco ou água, depois de correr tanto estavam sedentes.

O rei se aproximou de Sasuke e lhe tirou uma folha colorida dos cabelos negros distraidamente enquanto sorriu para ele que sorvia o líquido fresco ainda ofegante.

-Papai, encontramos um ninho de pássaros, você vem com a gente para ver? Eu disse que são condores, mas pai Sasu disse que são cotovias.

Naruto olhou o filho e lhe deu um leve toque na ponta do nariz antes de responder.

-Bom, seu pai Sasu tem razão, condores fazem ninhos em locais muito altos, adoram as montanhas e as cotovias podem mesmo ter feito ninhos ali naquela árvore velha e cheia de galhos e posso saber porque decidiu chama-lo de pai Sasu? Não era mãe rainha?

Sasuke apenas se aproximou de seu rei e se aconchegou em seu peito, observando a resposta do menino, neste momento ele era todo pura delicadeza e carinho.

-Sim papai, eu o chamava de mãe rainha somente para irrita-lo, isso não era maldade eu acho...Só o estava testando...Mas ele é meu pai Sasu agora e eu quero agrada-lo, algo contra?

O rei sorriu e beijou os cabelos do amado.

-Diga-me meu amado, gostou disso? É melhor pai Sasu do que mãe rainha?

Sasuke abaixou a cabeça num gesto totalmente dele, de timidez, mas que o deixava muito fofo aos olhos do rei e de Boruto, mas ele logo respondeu.

-Bem...Eu sabia ou desconfiava que vosso filho tinha a vontade de me aborrecer, mas sei que não era por mal, porém eu fico honrado em ser chamado de pai Sasu, sempre desejei secretamente ter uma família para chamar de minha, mas nem mesmo podia sonhar com isso a pouco tempo, parece que os deuses foram gentis comigo em me dar um marido e um filho...

O sorriso de Naruto e de Boruto não podia ser medido neste momento.

Boruto era uma criança especial, dotado de uma notável inteligencia que atormentava os outros a sua volta, mas sensível como somente uma criança pode ser, ele sentia muito profundamente que isso tudo que ouviu era a mais pura verdade e se jogou nos braços dos dois homens para abraça-los, carente como só ele era de afeto, devido ao fato de ter perdido a mãe no nascimento e o pai para a política, mas agora ele via esperanças de ter mais amor, sabia que Sasuke tinha muito amor para dar e tinha despertado isso no seu pai biológico, ele estava inundado de amor neste momento e era a melhor sensação de sua vida.

O rei apertou os dois em seus braços rindo da situação em que se encontrava, mas contente em ver que o seu amado nutria sentimentos assim pelo seu filho, isso era insperado de fato, ele nunca nem mesmo pediu nada parecido ao seu amado, sabia que amar uma criança como Boruto era complexo e seria possível somente para corações superiores, mas ele devia entender que Sasuke era mesmo superior e havia se afeiçoado ao seu filho mesmo quando tudo que ele vivia era caos. Claro que os dois se conectariam de alguma forma, ambos eram carentes de amor e afeto, ambos viveram na solidão, enquanto Sasuke viveu na pobreza e na escravidão, seu filho viveu no palácio e na riqueza, mas isso não o fez mais feliz, ambos eram solitários, ambos se entendiam...

-Bem meninos, me mostrem o ninho de passarinhos, eu devo dar meu parecer real a essas aves...Venham!

Sasuke se levantou e pegou na mão de Boruto e ambos correram na frente com Naruto rindo logo atrás, após uma inspeção detalhada e engraçada, com o rei coberto de folhas e pequenos galhos nos cabelos loiros e com a certeza de que era mesmo um ninho em formação de cotovias.

-Vê meu filho como é bem elaborado, como se os galhinhos pudessem se entrelaçar para abraçar o ovinho que logo mais terá local aqui, mas ainda não está pronto, certamente haverá muito mais galhos e folhas secas e o ninho ficará mais redondinho dentro dessa espécie de bolsa que parece de palha, tudo isso feito por um passarinho muito pequeno.

Sasuke completou.

-Quando a primavera enfim chegar essas árvores terão muitos desses ninhos, e muitos filhotes, será lindo ver todos voando por aqui em breve...

Boruto desceu do colo do pai onde estava para ver o ninho mais de perto e abraçou as pernas do seu outro pai.

-Gosta de passarinhos?

-Hum...Sim, eu costumava observar alguns quando eu tinha tempo, há muitos ninhos perto da floresta, mas depois de algo que me aconteceu eu nunca mais voltei naquele lugar.

Boruto o encarou.

-Conhece a floresta densa? Deste vale?? Meus antigos tutores me falaram para nunca chegar perto dela, é perigosa.

Sasuke concordou.

-Sim pequeno, é mesmo perigosa, nunca vá até lá sozinho, existem serpentes perigosas por lá e animais selvagens.

Boruto então viu outras crianças ali perto, filhos dos outros nobres brincando no tempo bom com seus tutores por perto e olhou para os pais pedindo permissão muda para correr até eles, os dois lhe sorriram e ele correu o mais rápido que suas pernas permitiam, e que suas muitas roupas também deixavam. Naruto abraçou Sasuke e voltaram para as almofadas se sentando nelas e se abraçando com o rei cobrindo o corpo de seu amado com uma manta leve e fofa.

-Está com frio meu amor? Devia ter usado algo mais quente, essa túnica de lã fina é muito pouco para o clima em que estamos.

-Não, em seus braços eu estou aquecido...Obrigado por me trazer aqui e por me deixar ver Boruto, eu o vi na cerimônia mas não podia falar com ele, fiquei pensando em como ele podia estar se sentindo sozinho já que com meu irmão e minha mãe a cuidar dos preparativos para o tratamento de Shisui logo mais ele está somente com os servos, e eu achei que ele ficaria feliz em te ver e talvez que ficaria feliz em me ver também.

O rei suspirou satisfeito.

-Sair de nosso quarto não estava em meus planos, mas confesso que isso me deixou feliz de verdade, eu nunca poderia imaginar que pudesse gostar de meu filho, ele é diferente das outras crianças na maior parte do tempo, é perspicaz e desconcertante, inteligente e arteiro, o terror para seus tutores, mas mesmo assim você gosta dele, sei que é verdadeiro, eu vejo isso em seus olhos, é surpreendente, mas o mais impressionante disso tudo é que meu filho já te ama, ama realmente.

Sasuke se virou nos braços do rei e o encarou pensativo.

-Porque me diz isso? Creio que ele apenas aprovou nosso casamento...E sei que ele até gosta de mim, mas não creio que me ame ainda, isso leva tempo...Convivência e carinho.

-Mas meu filho é especial, ele vê nas pessoas coisas que a maioria não pode ver, quando eu contei sobre você ele veio te ver, sei disso...Depois do seu primeiro encontro ele me procurou e me disse que estava satisfeito, você era a escolha certa para mim, a luz de sua alma poderia eclipsar minha escuridão.

Sasuke piscou seus olhos negros, cílios longos le davam um ar juvenil muito belo, sua aparência era linda naquele momento em que ele pensava e um sorriso iluminava seu semblante a medida que ele entendia que isso era real.

-Ohh ele realmente gosta de mim?

O rei lhe beijou a face.

-Sim, ele realmente gosta de ti, assim como sei que gosta dele.

Sasuke concordou timidamente.

-É uma criança adorável, embora eu concorde que seja levado, mas de um jeito doce, sei que ele nunca quis me magoar ao me tratar como mãe rainha, era somente o jeito dele de me provocar.

Naruto lembrou das circunstâncias da morte de sua antiga esposa e achou que poderia contar isso a Sasuke, ele nunca contou nada de sua vida mais detalhadamente, talvez assim o general pudesse confiar mais nele e também contar coisas mais intimas, como suas idas a vila dos escravos e a floresta, quando ele esteve lá e porque, eram coisas que o rei desejava saber, mas a seu tempo, sem força-lo.

-Boruto é mesmo uma criança solitária, isso as vezes me deixa preocupado, mas existe um motivo para tudo isso, e eu preciso lhe contar...Deseja ouvir?

Sasuke concordou.

-Minha esposa era nobre, como mandam as leis...Me casei muito jovem, mas ela era quase uma criança na época, uma união desejada por conveniência política e estratégica, o vale de onde ela veio tem ligação com o mar, um importante porém pequeno país que se bem explorado poderia trazer muita riqueza a meu povo, quanto ao povo dela era muito vantajoso, teriam a proteção da coroa e poderiam viver mais tranquilos, sem as invasões constantes, em resumo eram negócios.

Sasuke prestava atenção curioso.

-Nosso casamento foi como você mesmo viu a pouco, muitos votos, presentes e coisas assim...Imagino como foi difícil para ela decorar tantos votos, mas naquele momento eu nem me importava muito. Seguimos o protocolo e enfim tivemos nossa noite de núpcias e foi muito ruim...Ambos inexperientes, ambos assustados e eu definitivamente não fui nada paciente e nem gentil como deveria ter sido, me arrependo disso mas como eu mesmo lhe contei era muito jovem...Creio que eu e ela eramos péssimos na arte do amor, mesmo assim anos depois veio Boruto.

Ele veio ao mundo numa noite tempestuosa, semanas antes do prazo que foi previsto por Haruno que era também muito jovem, mas já fantástica no mundo das artes da magia, infelizmente ela ainda era uma estudante e estava fora, a essa altura eu e a rainha fizemos um acordo, manter as aparências e viver separados, eramos opostos em tudo, como água e vinho.

O rei suspirou triste.

-Infelizmente eu segui ao pé da letra os protocolos e ela vivia na cidadela, longe de todos que amou um dia, impossibilitada de sair de lá, servindo o seu propósito de ser apenas um rosto belo nas reuniões e nada mais...Mesmo com livros, servos e o belo jardim era uma prisão e ela definhou rapidamente...Quando Boruto nasceu ela morreu, as servas e as curandeiras me explicaram que ela decidiu partir e nada pode ser feito. Boruto cresceu sem uma mãe e quase sem um pai, eu estava afundado em aprender a ser um rei, em disputas de territórios e guerras.

Sasuke lhe abraçou e lhe beijou o rosto por onde uma lágrima desceu quente.

-Não se recrimine tanto, como disse era muito jovem e não tinha ninguém para lhe guiar mais profundamente.

-Mas eu estou aqui agora e não estou preso na cidadela, estou contente, estou vivo e estou nos seus braços, seu filho tem mais um pai...E nós temos um ao outro.

O rei lhe sorriu e afundou o nariz no seu pescoço inalando seu cheiro maravilhoso misturado ao cheiro do ar fresco, inebriante.

-Conte-me meu amor como conheceu a floresta. Pediu o rei.

Sasuke se remexeu nervoso, não era uma boa história.

-Hum...Faz tempo meu rei...

-Por favor meu amor...Conte-me sobre sua vida, a vila dos escravos, seus momentos bons e ruins...Eu quero entende-lo mais.

Sasuke buscou uma memória nem tão ruim assim, mas era complicado, sua vida tinha sido um pesadelo desde de cedo e nada era muito simples, mas por fim decidiu pela floresta, era uma história estranha e ele nunca a entendeu completamente, mas contaria ao seu rei.

-Bem...Eu fui levado a uma bruxa quando tinha oito anos, ela era feia, seu rosto parecia macilento e morto, mas ela respirava, ao que soube eram seus últimos momentos naquele corpo físico antes que ela roubasse um novo corpo para viver mais tempo, se isso era verdade ou apenas uma história do Cão fiel para me colocar medo eu não sei, ela me viu e me mandou a floresta com uma missão, eu devia passar dois dias na floresta procurando uma flor rara que florescia somente ali na primavera, mas que ficava sempre no ninho de uma serpente conhecida como cobra-real ou cobra-rei, uma serpente grande em comparação as outras, perigosa e com aspecto sinistro de expandir sua cabeça como uma naja, porém seu ninho é repleto destas flores que a bruxa deseja, e eu deveria pegar as flores sem chamar a atenção da cobra para mim, era um teste.

O rei começou a temer essa história, mas incentivou seu marido a continuar contando para ele.

-Continue amor...

-Bem, eu estava com medo, mas a bruxa me disse que meu irmão seria chicoteado caso eu me recusasse e seria morto se eu falhasse, como vê eu não tinha escolhas, mas eu estava em completa desvantagem, nunca tinha passado um dia na floresta e nem sabia como lidar com uma serpente dessas, a bruxa me deu um colar e me disse que se eu fosse sincero e verdadeiro em meu coração meu desejo de salvar meu irmão me levaria ao ninho da serpente e minha paciência me daria a oportunidade de pegar a flor sem morrer.

Sasuke suspirou lembrando de tudo e continuou.

-Eu fui deixado na floresta com uma pequena bolsa a tiracolo, eu conhecia os arredores somente, mas segui a floresta, na bolsa eu tinha pão e um pouco de água, outra bolsa estava vazia onde eu devia coletar a flor, não me foi dado mais nada, nem mesmo minha espada, eu vaguei a esmo, mas marquei meus passos com pedrinhas indicando minha posição para conseguir voltar depois, após um dia eu achei o ninho das cobras, meu medo era tão grande que chorei por horas, não dormi, assustado em estar tão perto delas, de fato eu notei que eram apenas duas, porém eram grandes, fiquei num galho a noite ouvindo seus silvos e pela manhã eu as vi saindo sorrateiras de seu ninho florido, lentamente e tremendo muito eu fui até lá, colhi as flores observando que o ninho era feito de galhos e folhas verdes, em meio as folhas nasciam as flores azuis pequeninas, abaixo das flores haviam os ovos, mais de trinta com certeza, assim que peguei as flores eu me virei e dei de cara com uma cobra-rei me olhando, erguida no solo cerca de um metro, assustadora e ameaçadora.

O rei tinha as unhas do dedo mindinho nos lábios, nervoso ao ouvir isso, um menino de oito anos na floresta com uma cobra-rei, em seu ninho...Maldita bruxa!

-E-eu segurei o amuleto apertado e falei com a cobra, implorei que não me machucasse que eu precisava das flores, eu queria regressar e deixar meu irmão a salvo, a cobra se aproximou e eu permaneci parado, assustado e chorando sem som algum, apavorado até os ossos, ela me circulou sibilando, de fato eu achei que seria talvez seu almoço, muito embora eu fosse grande para isso, ela parecia me sentir ou me farejar, por fim ela cedeu e sumiu dentro do ninho, eu andei até longe dela e então corri como nunca, completamente desesperado, segui as pedrinhas nem sei como e saí da floresta, esperei por horas, faminto e com sede até que um servo veio me buscar.

O rei estava atônito.

-Então o amuleto serviu no final das contas? Certo?

Sasuke sorriu.

-Anos depois eu ouvi a história dos lábios do Cão, ele a contou enquanto estava bêbado, como eu estava naquela noite por perto entre os soldados pude ouvir, ele disse que a bruxa me deu um amuleto falso, eu não morri porque não era uma ameaça a cobra, somente um ser humano sem intenções malignas poderia ser salvo numa situação dessas, ela me queria se eu fosse puro e bom, para algo nefasto com certeza num futuro distante, nem ele sabia o propósito disso.

Naruto se lembrou de Itachi contando que a tal bruxa não permitia que ninguém tocasse em Sasuke, ele devia ser puro de corpo e alma...Porque isso? Bem, eles nunca saberiam, quando as defesas da cidadela caíram a bruxa sumiu junto com o Usurpador e o Cão fiel. Graças aos deuses...

O rei abraçou seu valente general, seu amado e o beijou ternamente.

-Es valoroso, gentil e puro de alma, essa bruxa nunca poderia supor que sua pureza seria minha meu amor...E que isso aliado a sua alma doce me conquistaria tão profundamente.

Sasuke sorriu.

-Es um tanto quanto exagerado meu rei...Eu tive sorte.

Naruto o ajudou a se levantar e lhe deu tapinhas nas costas e na bunda livrando sua roupa de folhas indesejadas antes de guia-lo para dentro.

-Está frio, Boruto já se esqueceu de nós brincando com as crianças, mandarei os servos cuidarem dele para um banho quente e uma sopa nutritiva, quanto a você eu mesmo cuidarei...

Sasuke corou.

-Meu rei, eu acho que meu corpo ainda não está pronto para mais coisas da natureza do amor...

O rei sorriu de sua ingenuidade.

-A muito sobre a natureza do amor que não sabe, podemos nos divertir sem ter que necessariamente fazer tudo que fizemos ontem.

Sasuke corou mais ainda, porém suas mãos se enlaçaram ao homem e ele sorriu envergonhado, tinha a impressão que iria gostar da tarde fria pois estaria aquecido nos braços do homem vigoroso que o levava com carinho pelos caminhos do amor.

Notas finais
Espero que estejam gostando...Beijos.

22. Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 01.

Notas do Autor
O amor realmente tem mudado este rei, e este general tem descoberto que aos poucos ele pode sim amar...Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 01.

O rei sorriu ao ver que seu general não parecia assustado com sua proposta, apesar de estar um pouco nervoso, o que era compreensível a seu ver.

-Sasu...Tudo bem?

-Sim...Tudo...Eu confio em você.

O rei abriu a porta e pediu aos servos que saíssem, eles estavam naquele momento terminado de limpar o quarto, mas pelo visto já tinham concluído tudo, a cama estava perfeitamente arrumada, a mesa posta com pães e frutas, a lareia acessa e havia um cheiro de lavanda no ar, pairando muito suavemente.

Uma serva antes de sair se aproximou do rei e da sua rainha e fez uma profunda reverência antes de deixar o recado que precisava entregar aos dois.

-Meu rei e minha rainha, a senhorita Haruno me mandou informar que os preparativos para a cirurgia de Shisui foram atrasados devido a alguns materiais que não foram encontrados, ela calcula que a noite poderá começar tudo e pede a presença de vossas majestades no laboratório após o jantar.

Naruto concordou e Sasuke também e a moça saiu fechando a pesada porta ao passar por ela.

-Não se preocupe meu querido, Haruno é uma curandeira excepcional, entende de magia e de medicina em igual medida, ela vai curar seu primo com certeza e estaremos lá se ela precisar de algo.

Sasuke concordou.

O rei então o guiou a cama e calmamente desfez o cinto e soltou a túnica que caiu aos pés do general suavemente, sua pele se arrepiou ao contato com a temperatura, embora o clima ali estivesse agradável e quentinho, as mãos do rei como da primeira vez deslizaram por seus braços o acalmando lentamente.

-Não vou machuca-lo meu amor, seu corpo precisa de descanso, mas podemos brincar de outras maneiras enquanto isso...

Com gentileza o rei o deitou na cama e se deitou sobre ele o beijando, suas mãos desfazendo os nós de nervosismo dos ombros, o relaxando com toques gentis e suaves, nunca ásperos ou grosseiros, enfim suas mãos deslizaram aos mamilos rosados e ele os tomou com carinho, sentindo em como estavam eriçados e arrepiados, depositou beijos em cada um antes de escolher qual deveria lamber e chupar primeiro, ouvindo os primeiros gemidos do seu amado, ainda timidamente e sorriu ao sentir as mãos pequenas a toca-lo por dentro da roupa que ainda estava em seu corpo másculo.

-Naruto...Resmungou Sasuke ao sentir os beijos na barriga, logo acima do umbigo, enquanto sua ereção dolorida crescia dentro da peça de roupa íntima pedindo por atenção que certamente não seria negada.

-Meu lindo general...Disse o rei descendo os beijos até puxar a peça íntima e desnuda-lo por completo admirando sua bela ereção rosada, pungente e deliciosa a sua frente, ele amava a anatomia do seu homem.

Mas o rei queria provoca-lo, enlouquece-lo mais um pouco, por isso não tocou na ereção, ao contrário tocou em cada pedacinho de pele exposta, menos onde ele mais queria, o deixando remexer-se desesperado na cama.

Ao senti-lo assim o rei se despiu lentamente, dando a Sasuke uma visão de seu corpo belo e o deixando quente com isso, sorrindo para o modo como o seu belo general o admirava languidamente, olhos brilhantes, boca entreaberta.

-Sua pele é tão dourada, tão diferente da minha. Disse Sasuke levando seus dedos a tocar a pele dourada como se ele tivesse ficado sob o sol do entardecer, com delicada afeição.

Naruto sorriu, ele sabia disso, seu clã tinha esse tom de pele, dourado, diferente, mas ele amava mesmo a pele pálida e luminosa de Sasuke que podia se mesclar no tom mais lindo de rosa e vermelho com o mais leve toque dos seus dedos, tornando-se corado até mesmo nos mamilos, isso sim era lindo.

-E eu adoro provocar sua pele para arder corando...Mesmo seus mamilos me obedecem.

Isso provocou a onda costumeira de cor na pele clarinha e ele sorriu envergonhado, mas gemeu a seguir quando o rei finalmente o tocou, porém dessa vez ele envolveu seu pênis com a mão grande e o beijou a seguir na boca, unindo seu corpo ao dele e acrescentando seu próprio pênis ao contato da mão quente, masturbando ambos, pele com pele, ardente, arfando, deliciosamente se tocando no atrito constante.

Sasuke enlaçou o pescoço do rei, prendendo-se a ele no beijo delicioso mesmo que seu corpo estivesse queimando em desejos e perdido no prazer latente, ele tentava se manter a superfície e dar-se mais ao seu rei, seus braços a circular seu pescoço, suas unhas curtas a arranhar brevemente a pele bonita enquanto mesmo dentro do beijo gemia suave sem conseguir se conter diante desse nosso prazer que sentia.

O rei sussurrava palavras desconexas, indo mais e mais rápido, envolvendo a ambos num prazer delicioso e quente, sua testa tocou a testa de Sasuke, seus corpos tão colados que sentiam o bater dos corações juntos, acelerados, sua outra mão presa na cintura de tal modo que podia deixar a impressão dos dedos ali e então ambos arfaram, gemeram e tremeram juntos, o sêmen se despejando em seus corpos os melando, quente e abundante.

O rei abraçou seu general e o virou na cama para ficar ao seu lado, o apertando junto a si como a protege-lo de tudo e de todos e puxou a coberta para aquece-los.

-Ahh estamos melados amor...Vamos ao banho. Resmungou Sasuke mesmo que sem forças para tal façanha.

-Sim, vamos, daqui a pouco. Disse o rei sorrindo bobo para seu general.

-Mas o servos acabaram de trocar os lenções!

-Bom, eles precisam saber que estamos muito bem em nossas núpcias, podem trocar muitos lenções ainda...Disse rindo e o seu amado sorriu se aconchegando mais a ele, ronronando como um gatinho satisfeito.

-Essas são as coisas do amor? Isso não machuca.

-Hum...Sim, mas da próxima vez que fizermos não vai machucar e nem doer, eu prometo, na verdade eu não deveria ter lhe tomado uma segunda vez, foi irresponsabilidade minha e eu peço perdão, mas gostou disso não foi amor?

Sasuke tinha gostado e seu corpo agradecia muito, pois sua parte íntima traseira ainda não tinha se recuperado, de fato o rei era bem proporcionado, mas só de pensar nisso ele corou envergonhado, tanto por lembrar que tinha feito, como por desejar estar bem logo e fazer de novo...

-Quando eu estiver bem faremos daquele jeito de novo?

O rei o acariciou na bochecha.

-Sim, seu corpo se acostumará com o meu, poderemos fazer com mais calma, ou com mais força e mesmo assim não sentirá dor, porém eu sempre serei cuidadoso.

Sasuke afundou o rosto no ombro do outro e suspirou feliz, ele podia sentir que seus sentimentos tinham avançado muito, muito mais do que ele julgou ser possível, ele sabia agora que amava seu rei, sabia disso perfeitamente.

-Eu te amo...Cuide sempre de mim. Disse num fio de voz.

Todo o corpo do rei se retesou e ele se sentou puxando Sasuke para si, o olhando nos olhos negros cintilantes.

-Isso é verdade meu amor?

Sasuke concordou corado.

-Eu acabei de perceber e achei que devia te contar...Mas confesso que venho pensando nisso há muito tempo, porém não tinha nada em que me basear, eu nunca conheci o amor, até conhecer você.

O rei sorriu sem saber como reagir a isso, ele esperava carinho, afeição de seu general, mas temia nunca ser capaz de receber o amor dele devido aos seus muitos erros e a tudo que ouve entre eles...Ouvir isso era verdadeiramente incrível.

-Eu cuidarei...Sempre cuidarei...

E então notou que seu amado estava verdadeiramente cansado, era de se esperar, ele deve ter tido muito medo destes momentos de núpcias, ter ficado ansioso, juntando tudo isso ao extremo cansaço dos votos e de tudo mais que se seguiu e ainda o fato de que ele estava se recuperando, tudo cobrou seu preço e ele adormeceu em seus braços, um sono profundo.

O rei levantou-se e preparou o banho, levou seu amado e o banhou sem acorda-lo, seu sono era realmente profundo, depois o vestiu em uma túnica limpa na cor suave das flores rosa de Sakura e o deitou na cama novamente, ele mesmo resolveu descansar mais um pouco satisfeito e muito grato pelo amor que sentia em seu pequeno e belo marido.

Neste mesmo momento bem longe dali a bruxa despertava de seu sono sem sonhos, ela se manteve em estado dormente por alguns dias para ser capaz de ter mais energia uma vez que este corpo que ela habitava estava morrendo, ela calculou que tinha no máximo mais dez dias de vida e depois a morte final, seria preciso roubar o corpo do rei neste período de tempo, até então ela sabia que o rei se casou e já estava em núpcias, e isso era bom, ele estava mais que apaixonado pelo jovem general valente e de coração puro, esperava que eles tivessem tido muito prazer na cama, isso tornaria a calamidade da morte de Sasuke ainda mais dolorida para o rei e ajudaria a minar suas forças mais rapidamente.

Ela se sentou, vestiu seu robe de seda negra e buscou algumas frutas para nutrir este corpo moribundo, depois andou até a outra parte da caverna que habitava, desfez a magia que fechava o local como uma prisão e foi ter com seus servos miseráveis, o Cão fiel e o deplorável usurpador e os encontrou no mesmo lugar, o Cão roendo ossos de algum animal que ele mesmo caçou e assou na fogueira e o outro a dormir no chão enrolado em trapos.

-Cão, acorde este bastardo, é hora de leva-lo as terras próximas ao reino nevado para distrair o rei de meus propósitos, mande um dos emissários do povo do sul para informar o rei que eles mantém este miserável com eles.

-Acredita que o rei em pessoa irá até lá? Mesmo numa nação inimiga?

A bruxa olhou desdenhosa para o Cão.

-O rei é altivo, ele desejará punir este miserável ser, uma troca com o povo do sul é viável, eles devem pedir em troca alimentos, é de conhecimento geral que o inverno foi inclemente, este povo realmente deve estar faminto, o rei concordará e deve marcar um local neutro para a troca, certamente ele levará um exército com ele e manterá Sasuke sozinho no palácio para protege-lo, então você já sabe o que fazer, use as leis que o rei aprovou e que nem se lembra de ter feito, mate Sasuke e faça dele um mártir para seu povo, encha a nação de desespero por essa morte, entendeu?

-Posso puni-lo antes? Disse o homem sorrindo satisfeito.

-Deve fazer isso, seja criativo, ele deve morrer lentamente, não use a espada, isso seria muito breve e nada dramático.

O homem estava se deleitando com tudo que sua mente perversa criava, ele então acordou o outro e o arrastou para fora.

O usurpador não concordava com seu destino, mas era impossível fugir dele, não tinha forças para ir contra a bruxa e muito menos com esse homem quase neandertal que lhe arrastava colina a baixo, sabia que era seu fim.

A bruxa então se conectou a Hinata e a sentiu mais forte, demorou a forjar a ponte entre ela e a sua cobra no bracelete da moça infeliz.

Hinata sentiu a cobra se mexer viva em seu pulso e quase parou de respirar de medo quando enfim a figura negra se manifestou em sua frente.

“Minha serva, quero que hoje a noite avise meus ministros para se reunirem amanhã cedo assim que o rei partir do palácio, eles devem culpar o príncipe herdeiro de algum crime, um crime que leve a uma punição severa e devem leva-lo a julgamento, como o rei não estará presente será o general Sasuke que agora é a rainha a estar a reunião em nome do rei, ele deve intervir, avise os meus ministros para usarem toda a lei a meu favor, certamente sem saída o general tomará o lugar do menino e será punido, abra então a porta dos fundos e deixe meu Cão entrar, ele será o torturador, ele deve acabar com Sasuke.”

Hinata estava pálida, tremendo, sentia a cobra em seu pulso, viva e quente, mas sua mente lutava com a magia negra da bruxa.

“Não!! Sasuke é minha rainha, meu senhor...Ele é bom...Não vou traí-lo!! E não farei meu rei sofrer!!”

O grito de Hinata ecoou na sala vazia, ela sentiu os dentes da cobra enterrados em sua pele do pulso, soltando uma dose imensa de veneno em seu sistemo nervoso, isso a fez cair em um coma provisório e a alma da bruxa deslizou no corpo mole que jazia no chão frio, era temporário e perigoso mesmo para a bruxa fazer isso, mas ela não tinha mais tempo para subjugar a moça como desejava, precisava agir, se a infeliz serva se rebelou era tudo que restava, usar seu corpo por um tempo, resolver o que era necessário e depois deixa-la para morrer.

De posse do corpo a bruxa saiu e avisou os ministros restantes dando suas ordens e depois voltou a sala, sua alma escura saiu do corpo jovem e ela se desfez no ar deixando apenas o cheiro acre de sua vil existência. Hinata abriu os olhos para ver a cobra deslizando languidamente pela porta aberta saindo pelo gramado e sumindo de vista enquanto ela sentia seu coração cada vez mais fraco e seu espírito lutava bravamente para não morrer antes de avisar alguém...

No entanto ela estava numa sala distante, nenhum servo a vista, o frio da porta aberta se infiltrando em sua pele e ela apesar dos esforços se viu caindo no abismo do escuro, num último esforço mordeu o pulso e jogou fora o pouco de veneno e sangue enquanto seu corpo convulsionava freneticamente.

Notas finais
Pobre Hinata...Que maldade dessa bruxa querer eliminar Sasuke para destruir Naruto...Estão gostando? Enfim, comentem...Beijos.

23. Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 02.

Notas do Autor
Naruto saiu do reino buscando um foragido que deve ser punido, mas nem desconfia que é apenas uma distração para que em seu reino o Cão fiel tenha meios de matar seu amado. Hinata é encontrada ainda com vida, mas está impossibilitada de contar a verdade porque foi terrivelmente ferida, Haruno após realizar o ritual de cura em Shisui que foi bem sucedido está adormecida e sem poderes no momento, vulnerável a qualquer ataque e Sasuke enfrentará os ministros e suas leis cruéis. Boa leitura, bom ano novo, boas férias...Um beijo.

O General capturado e o Rei Dragão.

Os caminhos do amor e os caminhos da guerra. Parte 02.

O rei retornou aos seus aposentos e ficou feliz em saber que Sasuke ainda dormia tranquilamente na cama, ele entrou e dispensou o servo, trocou-se rapidamente e foi ter com seu amado. Já estava anoitecendo e apesar de tudo que aconteceu ele tinha uma compromisso com Haruno, decidiu acordar Sasuke, pensou em mil maneiras de desperta-lo gentilmente, mas por fim lhe deu beijos na face até que ele abriu os olhos ainda sonolento e se sentou coçando os olhos meio perdido após dormir uma tarde inteira.

-E-eu acho que dormi muito...Resmungou meio perdido ao ver a diferença na luz do ambiente em que estava.

-Tudo bem, precisava descansar e recuperar suas energias, creio que eu sou um marido muito exigente, prometo ser mais educado no futuro, mas agora vamos comer algo e depois ir ter com Haruno, creio que ela tem recomendações sobre o procedimento de Shisui e eu tenho algo para lhe contar enquanto comemos, está se sentindo bem meu amor? Ainda muito cansado?

Sasuke aceitou a mão do seu rei para se levantar e sentiu a ternura em sua voz, sorriu feliz por isso.

-Eu estou descansado agora, só com fome...E fico feliz que seja um marido exigente na cama...Foi realmente muito bom. Disse levemente corado, mas sorrindo o que deixou seu rei imensamente feliz.

-Mandei fazer aquela sopa que tanto gosta e pães quentinhos, vamos saborear? Quando tudo estiver bem iremos novamente naquela bondosa senhora que é sua mãe de leite para saborear a sopa lá mesmo, no entanto minhas servas da cozinha seguiram a receita a risca e eu espero que goste.

-Sim...Estou faminto, mas que assunto deseja tratar comigo meu amor?

O rei o conduziu a mesa e passou a servi-lo sem ajuda de nenhum servo, na verdade estavam somente os dois no quarto amplo, com o som do crepitar da lareira apenas, enquanto o rei ponderava como contar-lhe as novidades.

-Bem, hoje enquanto dormia eu fui chamado ao conselho de guerra, o povo da tribo do sul está com o usurpador em suas mãos e pediu uma troca conosco. Disse Naruto e observou a reação do seu amado a menção de tal coisa.

De fato Sasuke se sentiu mal com isso, ele odiava o usurpador com todas as suas forças, mas havia ficado feliz em saber que este bastardo estava longe de suas terras, ter ele de volta era impensável, mesmo assim seu povo merecia uma conclusão de suas dores, porém o general não tinha certeza se desejava ver novamente uma execução, a de seu próprio pai bastou.

-O que este povo deseja em troca?

-Alimentos, eles estão famintos devido ao inverno...

Sasuke aceitou a tigela de sopa e tudo que fez nos minutos seguintes foi saborear a sopa lentamente junto a pedaços de pão quentinho e o rei esperou seu tempo pacientemente, até que enfim o general o olhou pensativo.

-Este povo não é confiável, eles saquearam nosso povo e levaram muitos como escravos, esse era o acordo deles com o usurpador, não confie neles.

O rei concordou.

-Eu não confio, mas entenda meu amor, esse usurpador precisa pagar por seus crimes, é uma oportunidade grande, devo ir.

Sasuke o olhou nervoso.

-Me leve junto. Sei que ainda não estou como era antes, minha força física e meu Qui ainda não estão recuperados, mas eu desejo ir também.

O rei o encarou e tocou sua face.

-Não desejo expor meu amado a esse risco desnecessário, quero que fique e cuide de sua família, e de nossa família, Boruto está carente, e eu não desejo deixa-lo sozinho, voltarei no mesmo dia, não será uma batalha, mas apenas uma troca, levarei um exército comigo somente por precaução e nos encontraremos perto daqui ainda dentro dos limites das terras nevadas.

Sasuke mordeu os lábios nervoso.

-Meu rei não deseja minha companhia em campo, julguei que me trataria ainda como um homem valoroso, vejo que me enganei. Disse olhando para baixo.

-Não! Eu desejo sua companhia em todo o lugar, sei que é um guerreiro valoroso, sei bem disso, mas ainda não está de todo curado, mesmo que Haruno afirme que esteja bem, eu sei que ainda não, sua mente sofreu demais meu amor, eu desejo polpa-lo de ver esse verme e do espetáculo que isso será.

Sasuke o encarou de olhos tristes.

-Se este verme vem para cá como pode me poupar? Em algum momento eu terei que prestar meu depoimento não é?

-Sim, mas ele será julgado por uma corte formada, não há dúvidas de que será condenado a mesma morte que ele inflingiu a seu pai, mas não desejo que assista isso, apenas saiba que a justiça foi feita.

Sasuke olhou para as mãos trêmulas antes de responder.

-De fato eu não creio que a justiça será feita se ele morrer, aqueles que ele fez sofrer continuaram aqui, sem seus entes queridos e com as lembranças da dor vivas na alma, antes eu preferia que ele vivesse dia após dia em uma cela, experimentando a solidão, ou talvez eu só não suporte mais ver sangue, creio que já vi sangue inocente por uma vida inteira.

Naruto o abraçou apertado e beijou seus cabelos.

-Eu levarei seu argumento em consideração e pensarei no assunto, mas juro que não tenho nada em minha mente além do desejo de protege-lo ao não leva-lo comigo nesta expedição curta, ademais teremos muito que fazer juntos e aonde eu for estará comigo de agora em diante, após tudo isso seremos verdadeiramente livres meu amor, sua família terá paz, mas o que eu disse é verdade, eles precisam de você aqui agora e meu filho...Nosso filho também e depois quando eu estiver fora deve ser o líder dessa nação, deixei comunicado que qualquer deliberação do conselho carece de sua aprovação ou desaprovação, assim também os substitutos no conselho de guerra e os generais de nossa nação que devem protege-la, todos tem que se reportar a você.

-Mas eles não vão me ouvir, eu sou somente um general capturado que valor eu terei aos olhos deles meu amor? Ao seu lado eu posso me portar bem, mas como eu sozinho resolveria algo neste reino sem sua presença?

-Você tem o posto de rainha deste reino, mas na verdade todos o respeitam por ser um líder honrado e altruísta que é para sua nação um herói, todos os meus generais ouviram suas ordens e meu conselho de guerra e o conselho geral, e isso deve bastar...Ademais, basta instruí-los como fez com seu exército, pois seu trabalho com eles foi maravilhoso.

Sasuke concordou ainda que a contragosto, mas sabia que o rei tinha razão, Itachi ficaria desesperado enquanto Shisui estivesse em cirurgia e após em sua recuperação, era preciso estar com eles e Boruto se sentiria sozinho, era bom estar por perto e a nação precisava saber que um de seus monarcas estava no posto após viverem por tantos anos com um ditador usurpador no poder, sua presença poderia fazer a diferença no comando ainda que ele não precisasse comandar nada.

Após terminarem a sobremesa e se arrumarem para sair, foram até o laboratório de Haruno onde deveriam encontra-se com ela, logo que chegaram foram recebidos por servos gentis e guiados para dentro onde o fogo ardia numa lareira para espantar o frio e o medo, serviram a eles chá quente.

Mikoto e Itachi estavam lá e logo vieram até Sasuke o abraçar e reverenciar o rei que apenas lhes sorriu, esperando que breve pudessem ser menos formais uns com os outros.

-Meu irmão, a senhorita Haruno já está avaliando Shisui, deve sair em breve, ela os aguardava.

-Não fique nervoso, sei que tudo dará certo, sinto em meu coração. Respondeu Sasuke.

Haruno saiu de trás de uma porta e sorriu a todos, parecia nervosa e apreensiva, o que era natural devido a situação toda, ela se adiantou e foi direto ao rei a quem fez uma breve reverência.

-Meu rei preciso de um favor que somente o rei pode me oferecer.

-Diga-me e se estiver ao meu alcance eu o farei.

Ela olhou para Sasuke e depois para o rei.

-Preciso do torturador que foi o carrasco de vossa rainha quando ainda estávamos em Guinzen, preciso dele e das ferramentas que ele usou naqueles dias...

Mikoto e Itachi se entreolharam aturdidos, eles nunca souberam disso, Sasuke nunca contou nada e eles muito embora tenham ouvido rumores (exagerados é claro!) de que o general sobreviveu a três dias de tortura intensa, agora estavam assustados, encarando o rei ansiosos, isso era para eles assustador demais.

-Mulher...As vezes sua língua é maior que sua sabedoria...Disse o rei irritado, e ela ao ver que cometeu uma gafe ficou pela primeira na vida corada de vergonha, se virou para os familiares de Sasuke.

-Perdoem o que eu disse, por favor me esperem lá dentro junto a Shisui, creio que o assunto é apenas para os ouvidos do meu rei...E de sua rainha...

Naruto olhou para Sasuke mas ele o encarou direto.

-Nada do que eu passei será esquecido, mas tudo já foi perdoado, eles podem ouvir tudo, se não souberem agora saberão mais tarde e duvido que já não tenham ouvido rumores, sei que os servos comentam muito sobre minha estadia em Guinzen, pois muitos deles vieram de lá para cá.

Mikoto se adiantou do rei olhando em seus olhos.

-Meu rei, realmente isso é verdade? Torturou meu filhinho como dizem os servos? De fato eu sabia que sim, porém não sabia o teor de tal ato, imaginei quando o vi que não havia sido tanto a julgar em como ele estava razoavelmente bem.

O rei se sentiu horrível com esse olhar perturbador, ele então desviou seus olhos e acabou caindo no olhar de Itachi que apenas o encarava lívido, as mãos presas junto ao corpo, sua respiração tensa.

Finalmente ele achou que a única saída era ser sincero como seu amado foi.

-Sim, quando eu lutei e venci Sasuke em batalha eu o levei ao meu castelo em Guinzen, os costumes com os vencidos são claros, eles devem ser chicoteados dez vezes e depois interrogados, se forem submissos e se renderem a mim podem ser cuidados e perdoados, mas se não se renderem a tortura continua, geralmente isso é rápido, ninguém suporta tanto, embora agora eu veja o quanto é horrível essa sentença macabra e pretendo muda-la.

Sasuke se aproximou e pegou na mão do rei sabendo em como essa lembrança o afetava, também queria com esse gesto mostrar que tudo estava perdoado.

Itachi se adiantou e o encarou e sua voz saiu densa quando ele perguntou.

-Meu irmão não se rendeu, estou certo?

Naruto concordou.

-Naquele tempo eu tinha muito a fazer, havia vencido uma batalha intensa, tinha muitos escravos nas mãos, não me dei ao luxo de ver por mim mesmo como estavam todos, em especial seu irmão...Ele aguentou três dias de tortura e foi somente quando eu fui ter com meu escravo nas masmorras o então torturador que soube que ele não tinha mais como tortura-lo sem mata-lo, confesso que ao ver como Sasuke estava eu me arrenpendi imediatamente, mas o dano estava feito, eu o levei aos aposentos do castelo e Haruno o curou, e eu o trouxe comigo para as terras nevadas.

Haruno se adiantou.

-Eu curei o seu corpo externamente, sua recuperação interna ainda demorou muito, mas ele é forte e está muito bem agora como podem ver...Porém eu preciso das armas e ferramentas usadas em minha rainha naquele período, elas tem energia residual que eu preciso uma vez que terei que usar muito mais magia do que pretendia, já que Shisui está muito mais doente do que eu imaginava a princípio.

Itachi a olhou perplexo.

-Como assim?

Ela respondeu rápido.

-Bem, a infecção não curada se alastrou lentamente em cada osso do corpo dele nestes anos todos, não tenho um nome para essa doença mas eu já a vi em pessoas submetidas a graves traumas, se eu não intervir com magia e medicina ele morrerá em breve, nem mesmo a flor da lua o salvará sem tudo que eu tenho, isso incluí as ferramentas de tortura e sua energia residual, o sangue de seu irmão contém muito Qui e eu preciso dele, mas tem que ser daquele momento, o pior momento que ele enfrentou na vida, lutando entre a vida e a morte, quando usou tudo que tinha.

Sasuke olhou para o rei.

-Traga o torturador e vamos pedir aos deuses que ele ainda tenha tudo que usou em mim.

Naruto concordou embora infeliz, ele mandou servos buscarem o homem e todos esperaram pacientes, enquanto Sasuke e Itachi entraram para ver Shisui, deixando Mikoto e Naruto na sala, juntamente com Haruno.

-Meu filho é forte meu rei, ele sempre foi o mais forte de todos nós...Sinto em saber que ele sofreu tanto, mas não foi a primeira punição que ele enfrentou, e se ele o perdoou nós não podemos ser menos dignos que ele, embora saber disso faça meu coração materno doer.

O rei se levantou de onde estava e ajoelhou na frente da mulher, pegando em suas mãos pequenas como as do filho e a encarou, ele sentia a dor no olhos negros dela, dor que ele sabia estar refletida em seus próprios olhos agora.

-Eu amo seu filho Sasuke com todas as forças do meu coração e da minha alma, naquele momento eu cometi um crime que nunca poderei reparar, eu nunca me perdoarei mesmo que ele me perdoe mil vezes, mas juro que nunca mais o deixarei sofrer, eu vou protege-lo sempre.

A mulher lhe sorriu triste.

-Nem sempre podemos cumprir nossas promessas meu rei...Mas eu espero que cumpra a sua.

O rei jurou que sim e seu coração se apertou neste momento, mas ele logo ouviu passos e então o torturador entrou no ambiente, ele vinha com dois servos do rei que traziam suas coisas em sacolas de couro.

-Meu rei...Disse o homem fazendo uma reverência profunda e permanecendo de joelhos até que o rei o mandou se levantar.

O homem estava com medo, ele sabia que um dia o seu crime seria punido, mesmo que ele nunca tenha tido escolha foi o torturador do general capturado, agora a rainha das terras nevadas, esposo do rei de quatro nações, isso era definitivamente ruim para ele.

Sasuke saiu da sala anexa deixando Itachi a ter com Shisui e encarou o homem que o torturou por longos três dias, podia lembrar-se de cada golpe, cada corte e cada palavra dele embora não tivesse sentido nenhuma dor no momento da tortura, o que não se aplica a depois delas, uma vez que sua energia de Qui não era de todo completa, seria inútil dizer que não sentiu dor nesses dias, ele sentiu muita dor quando era jogado ferido e sangrando na cela úmida sem água e sem comida, sentindo frio e medo, mas ele superou isso por pura força interna, porém não somente isso o perturbava, este homem esteve também no dia em que Naruto ameaçou seus familiares, ele era uma lembrança viva de todos os seus sofrimentos, mesmo assim se ele podia ajudar Shisui sua presença era bem vinda.

O homem se jogou no chão na frente do general chorando.

-Perdoe-me rainha...Perdoe-me grande general...Eu não tinha escolha, sou apenas um escravo e cumpro ordens a minha vida toda, tudo que conheço é a dor a solidão e os gritos das masmorras...Mas nunca desejei feri-lo, juro por tudo que é sagrado neste mundo!

Sasuke o olhou por um momento e se dirigiu a Naruto conversando baixinho com ele, que logo ergueu o homem do chão.

-Trouxe as ferramentas que usou...Que usou em meu marido? Perguntou o rei remoendo essas palavras como se fossem de fato capazes de feri-lo fisicamente.

O homem tremendo espalhou as ferramentas horríveis no chão, correntes ainda com sangue seco que se prenderam aos pulsos e tornozelos do belo general, facas de todos os tamanhos e formatos, e outras coisas que nenhum deles queria saber para que serviam de fato, muitas dessas coisas continham ainda o sangue seco do general e Haruno ao olhar para tudo recolheu as que achou apropriadas e as jogou em um caldeirão fervente sem cerimônia alguma.

-Pronto, o que temos aqui me serve, a energia que tais coisas tem podem alimentar minha magia e salvar Shisui, mas eu peço que todos saiam, o que farei será perturbador e nenhum de vocês deve assistir, usarei magia branca e magia negra e isso é tudo que eu direi.

Foi preciso arrastar Itachi para fora, mas após um chá que certamente continha algo a mais ele dormiu no sofá e todos os demais se recolheram, antes de saírem o rei chamou o torturador e lhe falou em particular.

-Minha rainha deseja que eu o liberte, por isso de agora em diante é um homem livre e não mais meu escravo, pode servir a minha corte como um servo realizando outros trabalhos, terá cama e comida e um local para dormir e viver, pode escolher o trabalho que mais se adequar a sua vida, ou se desejar pode partir, terá dinheiro para fazer isso. Amanhã deve se apresentar no setor de consultoria dos servos e levar esse selo com você, meus servos lhe darão todas as instruções necessárias, porém nunca mais terá que realizar essa horrível tarefa.

O homem nem sabia o que dizer, ser um torturador tinha sido sua vida por longos vinte anos, ele nem mesmo sabia mais qual era o cor do céu ou como era o sorriso de uma pessoa, saber que isso poderia ser dele de novo foi recompensador, ele se ajoelhou e agradeceu em lágrimas, após seguiu seu caminho deixando o general e seu rei a sós na sala.

-Porque desejou liberta-lo meu amor? Poderia me pedir e eu mandaria puni-lo, tal como ele fez a você. Mas ao dizer isso o rei sabia que nunca encontraria tamanha maldade no seu amado, pois se havia alguém que merecia essa punição não seria outro senão o próprio rei.

-Bem, aquele homem era um escravo, tudo que ele conhecia era a dor, seu proposito de vida nunca foi trabalhado, ele apenas obedeceu, sei que isso não o redime de seus crimes, e sei que um dia os deuses vão cobra-lo, mas eu não desejo que ele continue essa horrível vida, esse viver sem viver, que ele tenha um pouco de paz e que não machuque mais ninguém.

Naruto o abraçou e o puxou para si, eles caminharam para o quarto, já passava da meia noite e o rei tinha que sair muito cedo, algumas horas de sono era tudo que ele tinha ainda, mas nos braços do seu amado ele dormiria feliz.

E enquanto o reino adormecia a feiticeira Haruno invocava sua magia, ela continha em sua alma magia negra e magia branca sem se contaminar com nenhuma delas, era de sua natureza, herança de sua mãe, uma poderosa bruxa, mas isso a esgotava terrivelmente, precisava de Hinata para ajuda-la, chamou seus servos e mandou busca-la, mas eles voltaram de mãos vazias.

Sem ajuda era ainda mais complexo, mas ela não tinha mais tempo, por isso deu a Shisui o potente sonífero que o deixaria inconsciente por horas e após isso cortou a carne da perna lesionada, abrindo de fora a fora, expondo o osso quebrado e cicatrizado de modo torto, com uma ferramenta grossa e pesada ela quebrou esse osso longo até reduzi-lo a fragmentos, depois despejou nele a poção que continha a energia residual de Sasuke, seu Qui e seu sangue e a flor da lua, entre outros tantos elementos que somente uma feiticeira como ela conhecia e deixou o líquido entrar nos ossos quebrados, circular pelo sangue do corpo adormecido e penetrar profundamente até a medula dos ossos em cada pedacinho do corpo do rapaz, depois ela juntou seus cristais raros e começou a usar sua luz esverdeada para fechar a horrível ferida aberta, vendo ossos, cartilagem, veias e todo sangue seguir um curso perfeito e tudo voltar a estar em seu estado natural, como antes da fratura.

Tudo isso levou horas extenuantes entre invocações, cantos e magia, seu corpo estava esgotado ao final de três horas, toda a sua energia consumida e quando Shisui suspirou em seu sono tranquilo ela conseguiu chamar os servos para leva-lo para sua casa com as recomendações devidas e caiu em um sono profundo sendo amparada por seus servos.

Esses servos sabiam que agora ela dormiria por dois ou três dias e por isso a colocaram na cama deixando ao lado um dos cristais vivos a velar seu sono e sua recuperação, selaram a sala e saíram.

Neste momento o rei se despedia de seu amado e partia para sua expedição, deixando Sasuke de coração apertado com a sensação ruim a toldar-lhe a visão enquanto lágrimas desciam sem pressa por seu rosto, mas ele se voltou para dentro do quarto, eram ainda cinco horas da manhã, o sol ainda não tinha despontado no céu e ele achou que podia ir ver Haruno para saber como tudo correu, vestiu uma túnica mais quente pois o frio ainda era intenso e saiu seguido por dois guardas a uma distancia de dez passos, esses eram os guardas que o rei mandou para cuidar dele em qualquer situação e ele agradecia por isso. Como ainda não conhecia todos os corredores do palácio acabou pegando um errado e saindo em um local desconhecido, era uma sala ampla e logo a seguir portas pesadas, uma delas lhe chamou a atenção, embora ele não tenha de fato motivos para isso, resolveu abrir e ver onde dava, quem sabe dali ele pudesse achar o caminho para os aposentos de Haruno?

Abriu e deu dois passos no quarto frio, encolheu o corpo ao sentir o vento gelado e viu que uma porta se abria para o jardim, notou uma vela e a pegou, os dois guardas estavam na porta atentos a ele, mas sem intervir, o general acendeu a vela e deu um pequeno grito ao ver a mulher caída no chão, reconheceu que era Hinata e correu até ela chamando os guardas.

-Me ajudem a pega-la, essa é Hinata a serva da senhorita Haruno, creio que ela a buscava hoje mais cedo porém sem sucesso, agora sabemos porque. Vamos coloca-la naquela cama...Disse o general e logo percebeu que o corpo estava muito inchado, a pele amarelada e quente, no pulso uma ferida sangrava ainda com marcas de dentes como se a própria Hinata tivesse se mordido repetidas vezes.

-Vossa majestade, está jovem está quase morta, devemos leva-la aos curandeiros.

O general ainda avaliava o pulso quando percebeu o que havia acontecido ali, ela foi picada de uma cobra venenosa, em seu desespero mordeu o próprio pulso na tentativa de tirar o veneno de seu sangue e sobreviver para pedir ajuda, mas não foi capaz de faze-lo, olhando o estado de sua pele pegajosa de suor frio ele sabia que algumas horas haviam se passado, de fato ele percebeu que somente o frio a manteve viva.

-Busquem um curandeiro e avisem que foi uma picada de uma serpente desconhecida que fez isso, rápido! Não ouso move-la.

Um dos guardas seguiu e outro ficou para cuidar do mestre, ele acendeu as outras velas pois ainda estava muito escuro e assim eles viram que todo o corpo da jovem mostrava os horríveis efeitos do veneno, mas mesmo assim torciam por uma chance, logo um curandeiro idoso veio e se ajoelhou em frente ao corpo frio, tomou seu pulso e logo passou a usar ervas e magia conseguindo estabilizar a garota.

-Essa jovem serva foi picada por uma cobra amarela conhecida como Taipan, com um veneno muito poderoso capaz de matar um ser humano em até três horas, realmente não sei como essa jovem sobreviveu a isso, pois a quantidade de veneno em seu sangue é enorme, felizmente ainda não havia atingido o coração, creio que mais alguns minutos e seria seu fim.

Sasuke suspirou.

-Ela vai viver?

-Sim, mas como teve muita toxina no corpo vai demorar a recobrar a lucidez, estimo que pelo menos umas seis horas...Foi salva talvez por ter conseguido retirar um pouco do veneno e por estar muito frio neste ambiente, creio que também por ser uma discípula da mestre Haruno seu corpo tenha mais capacidade de cura, porém eu não sei como tal serpente veio parar aqui, ela é uma serpente de regiões muito distantes, de locais muito quentes.

Sasuke agradeceu e nem perguntou como o curandeiro sabia tanto somente por ver uma picada danificada num pulso quase destruído, mas ficou feliz em saber que ela ficaria bem, retornou ao corredor certo dessa vez e foi ter com Haruno, mas encontrou sua sala fechada e servos a cuidar da porta.

-Majestade! Nossa mestra está se recuperando dos trabalhos da noite e mesmo que a chame ela não acordará, deixou ordens para cuidarmos dela por dois ou três dias e manter a porta trancada para todos.

Sasuke sorriu, isso indicava que Shisui estava bem, ele iria rumar para lá, mas era cedo demais e ele decidiu voltar aos seus aposentos, no caminho viu o sol nascer nas janelas altas do palácio e sentiu o frio matutino, orou aos deuses por seu amado uma prece muda enquanto caminhava, certo de que havia algo errado que ele não havia identificado ainda...

Antes de entrar nos aposentos ele foi parado por um soldado, o homem lhe fez uma reverência longa antes de pedir para falar.

-Majestade surgiu um problema e como o rei não está eu peço sua intervenção urgente, poderia me seguir aos estábulos? Preciso lhe mostrar o que descobri na vigília ao norte.

Sasuke concordou, trocou sua roupa por roupas mais adequadas e seguiu o homem junto com seus guardas fieis, ele pegou seu cavalo branco, o mesmo que o levou a seu primeiro passeio fora do palácio e seguiu o homem que ia na frente, o ar frio batendo em seu rosto era revigorante, não o havia sentido assim há muito tempo, bem antes de estar no deserto, mas se conteve ao chegar numa clareira, desceu e andou alguns passos até uma vala aberta onde um cheiro fétido emanava.

-Majestade, ontem encontramos dez corpos de ministros numa vala como essa, o rei foi avisado e uma inspeção segue o rumo, porém hoje ao fazer minha ronda eu descobri outra, estes homens e mulheres estão vestidos como nobres e a julgar pelo cheiro e pela decomposição isso aconteceu a alguns dias.

Sasuke estava horrorizado, ele reconheceu alguns desses nobres, ele os viu rapidamente em seu casamento, isso indicava que teriam sido mortos logo após a festa, a dois dias, sabia que eram fieis a Naruto, isso era muito preocupante, ele decidiu o que fazer rapidamente.

-Mande levar os corpos, devem ser identificados urgentemente, devemos estar em alerta máximo e mande emissários encontrar a comitiva do rei urgente e avisar sobre isso, pode ter algo a ver com o que meu marido foi averiguar, mas que não seja dado um alarde, as pessoas comuns não devem saber, vamos manter isso somente entre os guardas e soldados leais a meu marido, ninguém mais, podemos estar a beira de um golpe.

Eles voltavam quando um emissário do palácio vinha a toda em seu cavalo, isso não podia ser bom, Sasuke se preparou...

-Majestade!! Corra!! O conselho dos ministros está com o príncipe herdeiro em poder deles na sala redonda, muitos guardas cercam o local, eles condenam o jovem Boruto de um crime e pedem punição exemplar, dizem agir sobre as leis do próprio rei!!

-Inferno! Eu sabia que algo estava errado...Sim, eu irei mas siga em frente, alcance meu rei, ele deve saber disso urgente, troque de cavalo comigo, o meu está mais descansado e corre mais rápido.

O guarda fez o que era mandado e sumiu de vista na planície verde, o jovem general e rainha das terras nevadas voltou ao palácio receoso...

Notas finais
Algumas considerações sobre este capítulo, a família de Itachi não sabia que o general sofreu tanto, eles imaginavam que ele realmente havia sido torturado, mas nunca por três dias como os servos comentavam, pois isso era impossível, mas foi o que aconteceu, mesmo assim eles seguem em frente com a esperança de cura de Shisui. A cobra Taipan existe mesmo e seu veneno realmente mata em menos de três horas.
Mikoto teve um mal pressentimento quanto a promessa do rei.
E quem odeiam mais? A bruxa ou o Cão fiel?? Me contem. Feliz ano novo e que seus sonhos se realizem. Por favor favoritem essa bela história, em minhas outras obras eu alcancei rapidamente os 300 favoritos, nesta com mais empenho e trabalho ainda nem chegamos aos 200. Beijos de Akirasam.

24. Forças do destino.

Notas do Autor
Neste capítulo eu apresento finalmente o plano macabro da bruxa de mil anos, o modo como ela pretende matar o belo general e enlouquecer o Rei Dragão, algumas considerações devem ser ditas sobre isso, os castigos que o ministro Maeda solicita para Boruto e para Sasuke infelizmente são reais, eles ainda acontecem hoje em dia no nosso mundo, eu deixo claro que não compartilho de nenhum tipo de gosto por violência e acho castigos corporais um crime, mas eu os retrato neste capítulo como manda a história que não teria sentido se não fosse assim.
Neste caso leiam com atenção, não a violência. Boa leitura!!

O General capturado e Rei Dragão.

Capítulo: Forças do destino.

Sasuke podia sentir o medo em seu coração, ele sabia que algo terrível estava acontecendo mas não tinha como impedir tal coisa, pedia aos deuses por ajuda e torcia para chegar logo e tentar resolver tudo, não podia acreditar que os ministros do reino pretendiam punir o príncipe herdeiro, estariam todos loucos?

O soldado que vinha com ele e o guarda real o seguiam de perto, analisando a frente para ver se estava tudo bem, mas nada parecia errado, os servos pareciam fazer suas tarefas comumente, os escravos carregavam cestos e roupas para a lavanderia e as crianças corriam brincando como sempre, tudo igual menos um detalhe importante, o príncipe não estava lá correndo entre as crianças ou fazendo traquinagens como sempre, eles entraram no palácio sem alarde e mesmo assim rumaram rapidamente a sala dos ministros, no caminho servos e escravos e alguns nobres faziam reverência ao general de modo gentil e educado e apesar do desespero que Sasuke se encontrava ele sorria a todos, pois não queria gerar pânico.

Diante isso e tentando caminhar o mais normalmente possível o general se virou ao soldado e ao guarda.

-Digam-me, sabem se o rei aprovou leis recentemente?

O soldado negou, ele não fazia parte da guarda real interna e só sabia dos boatos que os servos e escravos contavam as vezes e o guarda de segurança também negou, mas se lembrou de algo e resolveu contar imaginando que talvez pudesse de algum modo esclarecer isso.

-Mas eu ouvi que antes do vosso casamento o rei teve um desmaio na sala dos ministros e que algo estava errado lá, a serva que limpa o local e entrou logo que tiraram o rei se sentiu tonta e muito mal, ela alega que havia uma fumaça negra a rodopiar no ambiente como se fosse proeminente do incensário, ela que é normalmente calma e gentil acabou discutindo com o escravo que também fazia a limpeza e eles quase se mataram ali, mas alguém abriu as janelas e o incenso de cheiro ruim sumiu e suas consciências retornaram, eles pediram desculpas um ao outro e seguiram com suas vidas.

Sasuke pensou sobre isso e se arrepiou inteiro, ele já tinha visto isso antes, bem ali, quando ele ainda era uma criança, na época os servos e escravos como ele conversavam e falavam que a bruxa mantinha um incenso negro, se ela desejasse manchar a alma de alguém ela o usava e quem estivesse perto se corrompia ou seria tomado pelo mal, alguns no entanto sucumbiam a isso, quase mortos.

O general parou antes de chegar a porta e olhou o guarda de perto.

-Essa serva disse se esse incenso tinha cheiro de enxofre e terra molhada?

O homem pensou seriamente sobre isso, mas ele só lembrava de que a mulher lhe disse que era um cheiro ruim, nada mais.

-Ela apenas disse que era um cheiro ruim...Isso ajuda minha rainha?

Sasuke pensou que podia ser sua imaginação prevendo o pior e negou isso a si mesmo.

-Não...Creio que não e por favor me chame de general Sasuke, eu prefiro assim.

O homem concordou e o guarda real pegou a espada ouvindo sons que vinham da grande porta a frente, protegida por dois guardas estranhos a todos.

Sasuke se aproximou com o soldado e o guarda ao seu lado a protege-lo.

-Eu sou Sasuke, desejo ver os ministros. Disse olhando para os homens com aparência desleixada e armas enormes que estavam guardando a porta, com certeza eles não eram soldados do reino, pareciam de fato caçadores de recompensas com suas roupas surradas e velhas e armas estranhas.

-Os ministros aguardam a rainha, és a rainha?

-Sim. Sasuke respondeu meio constrangido, esse nome ainda não o agradava mas para ajudar Boruto ele realmente não se importava, poderiam chama-lo do que desejassem que ele atenderia sem pestanejar.

Eles abriram as pesadas portas e mantiveram as armas postas, Sasuke e os outros dois homens deram alguns passos, mas os guardas da porta interromperam o avanço deles.

-Somente a rainha entra.

Os dois iriam enfrenta-los, mas Sasuke os parou, ele viu o brilho da ponta das flechas sobre a cabeça deles logo acima da porta em uma abertura pequena mas estratégica cerca de três ou quatro metros e sabia que não tinham chance, de fato ele agora tinha certeza que isso era um golpe, mas tinha esperanças que Naruto pudesse voltar logo com seu exército e resolver tudo antes que um mal maior acontecesse.

-Não machuque eles, eu vou entrar, mas saibam que quando o rei voltar ele vai punir a todos.

Os dois homens riram.

-Não temos medo do seu rei, ele não é nosso rei, somos da nação livre do sul, nós já estamos acostumados a lidar com seu povo, ainda temos muitos deles conosco, são nossos mais leais escravos...E depois de hoje teremos muito mais.

Sasuke tremeu, mas se manteve de cabeça erguida, pelo menos ele sabia que o ataque partia da nação do sul, mesmo achando complicado que um povo tão bárbaro tivesse elaborado algo tão ousado, eles podiam ser guerreiros sanguinários e fortes mas eram uma nação ainda muito rudimentar, pelo que soube embora numerosos viviam como os primeiros povos, em tendas e caçando para sobreviver.

Ele atravessou a porta e entrou no salão oval, vendo rapidamente que embora muitas das cadeiras estivessem vazias outras estavam ocupadas, na verdade somente treze dos vinte e cinco ministros estavam ali, isso porque os outros estavam mortos, ministros e até mesmo nobres, mas porque? Lembrou-se das duas valas que foram descobertas e se arrepiou, porque aqueles homens e mulheres foram mortos? Eles não concordaram com um golpe? Se negaram a seguir quem quer que tenha idealizado isso? E pior de tudo, como essa pessoa idealizou esse projeto ousado? Porém essas perguntas morreram sem voz quando ele avistou o homem a frente, o ministro Maeda usando sua túnica longa de cor creme e o cinto tradicional dos ministros de um brocado em ouro envelhecido com os símbolos de Guinzen e de Terra Nevada bordados nas laterais, isso irritou o jovem Sasuke pois era muita ousadia usar a roupa de quem deveria ser leal a Naruto e mesmo assim tentar destrona-lo e trair sua confiança dessa vil maneira.

Uma voz ressoou no ambiente acusticamente projetado para isso e o general adiantou-se olhando para a frente, vendo o ministro Maeda parado no local onde o rei deveria presidir a assembléia dos ministros e que no chão amordaçado e algemado estava Boruto ainda em sua túnica de dormir bem amparado por dois homens estranhos usando as mesmas roupas desgastadas dos outros que estavam na porta, ou seja, eram também da tribo do sul.

-Ministro Maeda, o que significa isso? Porque tem o príncipe do reino deste modo? Perguntou direto mas solenemente, sem demonstrar o desespero que se abatia em sua alma sensível e o desejo de correr para libertar o seu pequeno menino que ele já amava como seu filho.

Fez isso sem avançar um único passo, isso porque ele percebeu muitos soldados de vestes negras andando entre os pilares do salão enorme, esses pareciam mais com soldados treinados do que os outros, todos com espadas em punho, espadas enormes e serrilhadas como eram as do povo do sul em tempos mais antigos, ele percebeu que tinha que ganhar tempo ou morreria ali sem ajudar Boruto.

-Minha rainha...Que honra poder contar com sua presença neste nosso pequeno conselho...Vê? Muitos de nós não estão presentes, mas nós temos que manter as leis do reino, isso é vital como bem sabe, por isso eu vos chamei, sob a lei do reino de Guinzen e de todos os outros reinos do Rei Dragão que incluem as Terras Nevadas nosso príncipe foi pego cometendo um grave crime e deve ser punido de acordo.

Sasuke olhou o menino chorando, suas lágrimas descendo sem controle enquanto seu pequeno corpo tremia preso ao chão nas argolas de metal que continham correntes grossas, correntes que eram usadas nos escravos em suas punições para lhes restringir enquanto eram açoitados, marcados a ferro em brasa e tantas outras situações horríveis no tempo do Usurpador. Ver essas correntes o arrepiou inteiro e ele agora tentava pensar em algo para atrasar esse destino terrível.

-Ministro Maeda, realmente eu entendo vosso desejo de manter o reino em segurança, mas qual crime uma criança ainda em vestes de dormir poderia ter se metido? E não uma criança qualquer, mas o filho do vosso rei.

Maeda sorriu para o general e pegou um manuscrito das mãos do servo próximo e o leu em voz alta.

“Sob as leis do reino de Guinzen e dos outros reinos que estão sob as minhas ordens eu declaro que todo aquele que ousar olhar para meus tesouros reais será punido com cinquenta golpes de madeira estando preso na pilastra central do sala oval perante os meus ministros e com sua total cooperação.”

Sasuke tremeu, ele sabia que isso não era coisa de Naruto, ele nem se importava com seus tesouros reais, de fato Boruto brincou com eles antes do casamento e embora os servos tenham ficado mortificados eles não informaram que era ruim, somente agiram como de costume com as travessuras do menino.

-Ministro Maeda, essa frase não faz sentido algum para mim, meu rei não ditaria tal absurdo uma vez que sua sala do tesouro não lhe é nada além de um museu para antiguidades de guerra sem grande valor e eu não acredito que ele escreveria tal absurdo.

Alguns guardas se adiantaram mas o ministro os parou e andou até Sasuke dispondo em sua mão a folha em papiro real, escrita na caligrafia rebuscada dos escribas e com a assinatura do rei logo abaixo, ou pelo menos podia ser a assinatura do rei, uma vez que Sasuke nunca viu a assinatura de Naruto antes.

Sasuke se lembrou do desmaio do rei e pensou que o incenso negro pode ter corrompido a percepção do rei no momento e que esses ministros maldosos o usaram para criar leis que o levassem a esse destino horrendo, mas saber disso não lhe ajudava neste momento, ele precisava de algo para defender o jovem príncipe.

-Mesmo que isso seja verdade...E eu suponho que não, como um menino tão jovem entraria num aposento tão importante e com qual propósito?

Maeda sorriu sarcástico como sempre e fez um sinal com a mão em forma de descaso.

-Sabe bem como nosso príncipe é inconsequente, travesso e levado a ser até mesmo desrespeitoso com todos ao seu redor, sabemos disso pelos seus pobres tutores que sempre sofreram muito em suas garras...De fato o jovem príncipe pode ir onde desejar pois sua supervisão é falha e decadente, por tanto decidimos afrontar tais costumes e repreende-lo como manda a lei.

Outro ministro veio e jogou na frente de Sasuke uma adaga verde de jade e o jovem a reconheceu imediatamente, era a adaga que a senhorita Hinata lhe deu e foi com ela que o general tentou tirar a própria vida num ato impensado meses antes, ato que rendeu a ele a dor de ver seus entes queridos sendo ameaçados pelo rei, ele sabia que era a mesma porque havia a marca da reconstrução de sua lâmina quebrada pelas mãos do rei no momento em que ele a tomou do general.

-O príncipe roubou isso da sala do tesouro e alegou que era seu, pode confirmar isso?

Sasuke analisou a situação, se concordasse eles soltariam Boruto? E se discordasse? Por fim achou prudente concordar.

-Sim, a adaga é minha, foi um presente, mas o rei a tomou de mim a alguns meses e neste mesmo dia ele a quebrou, vejo que ela foi reconstruída. Disse para o ministro que se adiantou dele e lhe perguntou enquanto andava pela sala vagamente com seus passos a ressoar pelo ambiente.

-Usou essa adaga minha rainha?

-Sim.

-Em quem usou a adaga minha rainha? Poderia nos esclarecer?

Sasuke suspirou.

-Em mim mesmo, eu tentei tirar minha vida com ela.

Ouve um murmúrio e todos os ministros fingiram uma falsa indignação com isso, o ministro em questão voltou ao seu lugar e Maeda continuou.

-Neste período ainda era apenas um general capturado, certo? O que o tornava um escravo de nosso rei, correto?

Sasuke admitiu que sim.

-Bem, isso é complicado, pelas leis do nosso rei qualquer escravo que portar uma arma deve ser punido com cinquenta golpes no corpo, pois um escravo não tem liberdade para se matar, ele é do seu senhor e deve obedece-lo, creio que minha rainha também errou gravemente no passado e isso é muito, muito ruim...E por tanto vossa majestade será igualmente julgado. Disse o ministro sorrindo.

-Mesmo assim o nosso príncipe continua sendo julgado aqui em primeiro lugar, ele entrou na sala do tesouro do rei e roubou uma adaga, sendo pego a seguir pelos guardas reais que sob minhas ordens o trouxeram para enfrentar a punição adequada, como é uma criança podemos diminuir a pena considerando que ele é o príncipe herdeiro do trono, mesmo assim deve sofrer as penas da lei ainda que brandamente, podemos chegar a um total de vinte e cinco vergastadas com a vara de bambu, creio que é um castigo adequado não é vossa majestade?

Sasuke sabia que isso era um jogo, mas não sabia como jogar, ele queria apenas livrar Boruto de uma punição injusta e dolorosa além de terrivelmente humilhante, ele viu tanto a punição com bambu como a de madeira e nenhuma delas era agradável de ver, o bambu era uma fina haste de quase um metro e meio com pelo menos treze milímetros ou mais em alguns casos, delgada e flexível que os guardas embebiam em óleo para não soltar lascas na pele nua das nádegas e pernas onde os golpes eram dados, embora não fosse de caráter mortal causavam muita dor e após alguns poucos golpes a pele sensível se rompia e marcas ficavam bem visíveis no local, a pobre criatura submetida a isso levaria dias para se recuperar ficando com cicatrizes bem visíveis e tendo dores atrozes, já os golpes de madeira eram sérios no corpo humano, a madeira usada é uma vara longa de pelo menos um metro e bem larga se comparada ao bambu, manuseada por um homem forte que bate com toda força no escravo acorrentado, o golpe é dolorido ao extremo e rompe a pele após dois ou três golpes apenas, se for repetido várias vezes no mesmo lugar pode quebrar ossos e danificar órgãos internos, como os rins ou fígado.

Mas seja qual for a técnica usada ela é abusiva, humilhante e assustadora e ele nunca desejaria que qualquer ser humano a sentisse na pele, muito menos uma criança, era injusto e infundado. Se ele um dia tivesse a possibilidade de se manter como rainha deste reino ele iria abolir esses costumes horríveis de uma vez, trataria disso com seu rei, isso se tivesse como faze-lo.

-Senhores ministros mesmo que as leis sejam mesmo do meu rei eu acredito que ele não imaginava que seu filho único tivesse que enfrenta-las, eu sinceramente agradeço ao ministro por reduzir a pena para vinte e cinco vergastadas de bambu, mas mesmo assim é muito para uma criança, o bambu machuca a pele profundamente causando lesões doloridas e o pequeno Boruto não deve passar por isso, eu suplico clemencia para ele e peço que pensem no vosso rei, ele ficará realmente zangado quando chegar em casa e descobrir seu filho acamado com hematomas no corpo causado por uma punição dessas.

Os ministros se moveram em suas confortáveis cadeiras analisando a situação, bem certos de que agora tinham o general em suas mãos.

Maeda então se adiantou e sorriu.

-Bem, a punição da criança é essa, que ele sinta na pele vinte e cinco vergastadas de bambu, mas que o bambu seja revestido em óleo e que ele fique vestido para polpa-lo do constrangimento de ser golpeado nu perante nosso conselho como manda a lei capital antiga que deveria ser seguida aqui, tiras de tecido grosso serão amarradas em sua cintura para proteger os rins da criança, agora devemos tratar da sua punição minha rainha.

Sasuke viu o guarda encarregado da punição de Boruto trazer a sala o tronco pesado onde o corpo pequeno foi deitado levemente inclinado, as mãos presas abaixo da cabeça em correntes apertadas e esticadas, todo o corpo pequeno tremia de medo enquanto era afixado ao tronco, impedido de gritar ele deixava lágrimas molharem o chão luzidio e negro de mármore, os dois homens que o colocavam ali deixaram suas pernas levemente juntas e suas nádegas em posição elevada, amarraram tiras grossas de tecido em sua cintura na região dos rins e outro homem trouxe uma vara de bambu e começou a jogar óleo nela passando a mão para evitar que farpas se soltassem quando os golpes começassem, eram um a um, contados e repetidos até o total de vinte e cinco, o homem sorriu ao terminar seu macabro trabalho e se posicionou preparado.

Maeda se aproximou mais e deu a ordem aos guardas.

-Rainha Sasuke é condenada a assistir o açoitamento do vosso príncipe e depois sofrera sua própria punição que consiste em ser amarrado a pilastra central sem suas roupas reais, levará cinquenta golpes de madeira como punição por ter portado uma arma enquanto ainda era um escravo nesta corte e mais vinte por ter tentado tirar a própria vida...Mas em consideração a sua atual posição manteremos roupas em seu corpo que serão trazidas por um dos meus guardas, vestes simples que devem apenas cobrir sua nudez enquanto sofre a punição, visto que hoje em dia é a esposa do nosso amado rei Dragão e sua nudez seria uma afronta ao reino, os golpes podem ser dados no corpo todo evitando os rins, mas em seu caso não haverá proteção nesta região visto que é um homem adulto e capaz.

Nisto Boruto sentia o medo em sua pele, o homem se posicionou e se adiantou erguendo a vara bem alto para acertar o príncipe quando Sasuke gritou.

-Parem!! Eu fico no lugar dele, como rainha eu ordeno que usem a punição de Boruto em mim mesmo, aceito as consequências dos atos dele como meus, além da minha própria punição.

…....................................................................................................................................................................................................................

Longe dali nas campinas já verdes do seu reinado o rei Dragão aguardava o contato do povo da tribo do sul, seus animais estavam agitados e em seu coração ele sentia uma imensa agitação, desejando voltar para casa urgentemente, sentia que algo estava errado, não avistava ninguém.

Porém logo viu cavalos e poeira e então uma pequena comitiva se aproximou trazendo com eles um corpo amarrado num destes cavalos, uma mulher alta e mais velha trajando peles de animais se adiantou, parecia ser a líder do bando.

-Rei Dragão este homem é o usurpador, queremos uma troca, devolvemos ele para a sua justiça e nos entrega cinquenta sacas de grãos.

Naruto analisou tudo, ele observou o campo limpo a frente, não havia ali onde esconder soldados, não era uma emboscada, seus próprios soldados estavam logo atrás nas poucas arvores densas que ainda pertenciam as Terras Nevadas, mas a sua frente somente a campina.

-Este homem é mesmo o usurpador?

-Sim, ele é, muito embora nunca tenha governado nada, foi um maldito peão da bruxa de mil anos...Como deve saber. Disse a mulher de muito mal humor.

Naruto não conhecia essa versão, mas mandou um dos seus soldados se adiantar, ele era das Terras Nevadas e foi escravo na corte do usurpador, portanto o conhecia, ele se adiantou e sob os olhares dos guardas do rei foi ter com a mulher para ver o rosto do homem deitado no cavalo.

A mulher ergueu a cabeça do prisioneiro segurando por seus cabelos e o soldado conferiu, ele retornou e indicou que era mesmo o usurpador, ainda que muito ferido e inconsciente.

-Deixem o homem no cavalo, eu o levarei para a justiça em meu reino, deixarei quarenta sacas de mantimentos em grãos e é só o que darei, estamos combinados?

A mulher fez que sim e deu um tapa no cavalo que correu em direção a Naruto sendo contido por seus homens, logo os soldados descarregavam de carroças os alimentos no solo e os soldados da tribo traziam carroças para carregar, neste meio tempo o rei ouviu gritos e voltou vendo a distancia o cavalo branco que era de Sasuke vir em sua direção correndo muito.

O rei ainda montado em seu cavalo negro se adiantou e correu ao encontro de quem ele achava ser sua rainha, mas notou que era um soldado, ele o encontrou e viu o homem tentar conter o cavalo.

-Meu rei...Corra, vosso filho corre perigo, os ministro estão com ele e pretendem puni-lo por um crime.

Outro mensageiro já chegava junto, ele estava muito apavorado e saltou do cavalo junto ao rei e ao soldado.

-Meu rei, vossa rainha me mandou alerta-lo de um golpe em suas terras, retorne imediatamente!

O rei gritou aos eu exército e disparou na frente, os soldados logo saltaram em seus cavalos deixando uma carga maior do que o combinado em carroças cheias para trás e seguindo seu rei, no caminho ele explicou aos seus generais o ocorrido e traçaram um plano para emboscar quem quer que estivesse tentando ferir Boruto ou Sasuke.

Mesmo cavalgando rápido e com medo por seus queridos ele não podia deixar de pensar no que a mulher disse, era possível que todo esse tempo o reino tivesse sido governado por um bruxa como essa? Ele conhecia bem a lenda da bruxa de mil anos, era um conto infantil que as servas contavam para colocar medo no coração dos pequenos e impedi-los de realizar traquinagens, mas pensando bem uma história real pode virar uma lenda após mil anos e se a bruxa não morria ela podia mesmo tentar se vingar em seu clã, que segundo as lendas a aprisionou em um campo onde dorme um vulcão antigo e lá ela permaneceu, imortal e sem companhia, sofrendo sozinha e pagando por seu crimes. Mas pode ser que ela tenha escapado e vivido entre eles sorrateiramente buscando vingar-se, e se tal lenda fosse verdade ele tinha que salvar seu amado marido e seu filho inocente das garras do mal dessa criatura diabólica e precisaria de sua própria feiticeira para isso.

-Soldado!! Corra a frente, entre pelos estábulos e vá até Haruno, conte o que está acontecendo e mande ela se preparar. Agora!!

O soldado correu em seu cavalo, voando e pegando uma trilha perigosa e alternativa que o levaria aos estábulos com quase uma hora na dianteira dos demais, mas que infelizmente era uma trilha por onde somente um cavalo passaria por vez tornando o trajeto inviável para seu exército.

Naruto se mal dizia mentalmente por não ter trazido Sasuke junto, ele queria poupa-lo e veja só o que estava acontecendo? Levou cerca de duas horas para chegar até aquele ponto cavalgando rápido e levando seus animais ao limite para terminar logo a missão e agora com os animais cansados e sem água ele demoraria mais para regressar, por isso mesmo pedia aos deuses por ajuda divina, ele precisava muito neste momento.

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Dentro do palácio, sem saber de nada disso Mikoto sorria ao ver a perna perfeita de Shisui sobre a cama, seu corpo ainda adormecido parecia tão suave e saudável como a muitos anos ela não via, do seu lado já acordado estava seu filho mais velho, Itachi que mantinha uma mão protetora sobre os cabelos do jovem amado.

-Filho, vá buscar legumes para fazer uma sopa, nosso pequeno querido deve acordar em breve e a senhorita Haruno deu ordens de lhe oferecer uma sopa nutritiva de legumes variados e água fresca, devo colocar na sopa estas gotas curativas somente para restaurar logo sua força física.

Itachi fez um bico que só fazia na frente de sua própria mãe, ele queria muito manter-se ali junto a seu amado, mas se resignou a sair.

-Sim mãe, pegarei a cesta e irei agora mesmo...

Ele beijou a testa da mãe e saiu, no caminho passou pelos corredores vazios e estranhou não ouvir os sons de Boruto pela manhã, ele sempre os visitava pelas manhãs bem cedinho antes de começar seus estudos e adorava tomar o desjejum com eles, mas seguiu as hortas e foi colher legumes e vegetais, enquanto colhia viu um soldado entrar correndo nos estábulos, ele tinha as vestes dos soldados reais, achou curioso e foi ter com ele, o conhecia há muito tempo, cresceram juntos nos campos e depois se viam dentro do palácio ocasionalmente.

-Eren? O que ouve de tão grave que está a parecer um espirito? Perguntou Itachi ao ver o estado do amigo.

-Itachi!! Pelos deuses que susto que me deu homem!! Ohh uma grande calamidade nos atinge, como és meu amigo e parente do rei eu creio que devo avisa-lo, fuja com sua mãe e com Shisui para um local seguro, parece que estamos as portas de um golpe, seu irmão a rainha está tentando ajudar, mas ao que parece os ministros estão buscando um golpe e pretendem machucar o príncipe herdeiro neste meio tempo.

Itachi entendeu a gravidade do assunto, ele mas que ninguém sabia que se fossem pegos novamente nesta guerra de poder seriam facilmente executados ou usados para manter a rainha que no caso era seu irmão Sasuke sob seu controle, seja lá quem for o homem que estava se impondo ao Rei Dragão, sabia que não poderia ajudar Sasuke, não neste momento, mas se mantivesse sua mãe e Shisui a salvo ele tentaria ajudar de algum modo, correu sorrateiro para casa, entrando e trancando tudo rapidamente e correndo a sua mãe que neste momento amparava Shisui que tinha acordado e chorava de alegria por se ver completamente curado.

-Amor! Estou curado! Veja, eu posso andar!!

Itachi se ajoelhou no chão e lhe deu um beijo rápido, depois o ajudou a ficar em pé e lhe vestiu uma túnica grossa de tecido mais apropriado, jogou uma túnica igual para a mãe e começou a explicar.

-Um amigo me contou que estamos a beira de um golpe, creio que seja o ministro Maeda, eu o detesto e sei que é mal, temos que fugir para um local seguro agora! Peguem algum alimento e corram, vamos sair daqui urgente pelos fundos.

Mikoto se adiantou e os puxou rapidamente, sem deixa-los pegar nada, ela os guiou aos fundos e saíram da casa, rumando pelas ruelas de pedra em incontáveis labirintos.

-Mãe, para onde vamos? Devemos ir ao mais longe possível...Disse Itachi olhando ao redor, havia pego somente sua espada que agora estava presa na cintura enquanto ele puxava Shisui ao seu lado, pronto a correr com ele nos braços se fosse preciso.

-Neste reino só há um lugar onde estaremos realmente seguros em uma situação dessas, iremos ter com minha amiga, a Arquivadora no templo sagrado, lá nem mesmo o pior inimigo pode nos pegar, a magia que protege o local nos protegerá igualmente, era para lá que eu deveria ter fugido quando o reino foi tomado pelo usurpador, mas não tivemos tempo, agora no entanto eu estou pronta e não deixarei que mal algum recaía sobre vocês dois de novo...Sofro apenas por Sasuke, ele está sozinho no palácio...

Shisui tremia, mas suas pernas curadas se mantinham firmes e ele acompanhava os dois facilmente, mantendo seus olhos bem atentos a tudo, ouviram a distancia o som de pancadas em portas e logo o que parecia ser o arrombamento desta mesma porta, tremeu de medo.

-Creio que saímos bem a tempo...Disse Shisui.

Eles andaram pelas ruas cinzas e logo estavam na frente de um enorme portal, evidentemente fechado, impossível de ser invadido pela força bruta e Itachi se desesperou ao ouvir os soldados chegando perto.

Mikoto no entanto se adiantou e tocou a porta pesada com suas duas mãos pequenas e recitou algo que os dois não entenderam, imediatamente a porta pesada se abriu, no mesmo instante que soldados em vestes negras surgiam na estrada cinza e corriam para eles, apressadamente eles entraram e as portas se fecharam deixando todo barulho do lado de fora.

Uma mulher séria, com roupas longas e cinzas veio até eles, assim que viu Mikoto sorriu maravilhada e sua pose sumiu num piscar de olhos, ela se adiantou e mesmo sua altura pareceu diminuir de tamanho, ela tomou as mãos de Mikoto nas suas e as beijou ternamente, diante o assombro dos dois rapazes a observar a cena.

-Minha bela e eterna rainha, a única mulher no mundo a fazer meu coração bater desesperado no peito, a que devo a honra de tal visita?

Mikoto sorriu ficando subitamente corada diante de tal manifestação, mas mantendo as mãos da mulher nas suas.

-Eleonor...Ainda me recordo dos seus votos serenos e perpétuos, está tão bela e forte como na época, já fazem vinte anos não é? Você e eu eramos tão jovens!! O tempo passa rapidamente para nós meros mortais, mas eu nunca a esqueci, seu amor por mim ainda brilha em meu coração e mais ainda após saber que orou por meu rei tão fervorosamente, atendendo o pedido de meu coração em ajuda-lo a ir ter com nossos entes queridos e antepassados. E obrigada por toda a sua ajuda nos tempos de sofrimento, eu bem sei que foi sua intervenção a me salvar de um destino cruel.

A arquivadora sorriu serena, mas havia dor em sua face atemporal.

-Eu apesar de ama-la desesperadamente sempre soube que seu coração pertencia ao rei Fugaku e fiquei feliz com vosso casamento e com o fato de ser a rainha, quando fiz meus votos eu jurei protege-la minha amada, mesmo que a distancia, mas hoje eu a vejo aqui e isto me leva a crer que poderei ser mais útil do que imaginei e isso alegra meu coração ao mesmo tempo que me enche de angústia, qual mal a persegue desta vez minha amada rainha?

Mikoto se virou e apresentou seu filho mais velho que mantinha os olhos estáticos diante da mulher e mal respirava de espanto e apresentou Shisui que sorriu corando pela descoberta de que a temível arquivadora era apaixonada por Mikoto desde de sempre.

-O prazer em conhece-los só é roubado pelo som que ouvi antes da porta se abrir, quem os persegue? Se for o Rei Dragão eu mesma acabarei com ele, pois o homem me prometeu cumprir algumas coisas e uma delas era proteger vocês e Sasuke.

Mikoto se adiantou e a parou.

-Calma Eleonor, não sei quem é o homem ou mulher que decidiu criar um golpe para derrubar o rei, mas ele ou ela pretende nos ferir ou nos capturar, eu fugi para cá e usei a frase que me deu como chave, como deveria ter feito a primeira vez, pode nos proteger?

Ela sorriu para a amada.

-Ainda sofro em lembrar que não foi possível protege-la a primeira vez devido aos meus votos de nunca ir contra um rei que senta no trono das Terras Nevadas e porta o cetro dos reis antigos, mas após o que ouve eu mesma criei magias que me permitem avaliar isso e fazer uso de meu poder e conhecimento para proteger o reino, embora nós arquivadoras nunca devemos sair do templo e manter viva a história que todos os dias é escrita eu nunca mais deixarei a injustiça poluir nosso reino, e sei que a maldita bruxa de mil anos está no meio disso, eu vi tudo pelo meu cristal vivo que deixei de propósito na sala do Rei Dragão, disfarçado em adorno de mesa, fiz isso quando fui até lá dar a liberdade a todos vocês, e a vi de longe apenas. Eu vou protege-los e ninguém vai feri-los, nunca mais.

Itachi se adiantou e perguntou ainda bobo pelo assombro.

-Arquivadora, estou perdido aqui, a senhora gosta de minha mãe?

A mulher sorriu divertida enquanto os guiava para uma sala confortável e fazia com que servas silenciosas trouxessem comida a eles.

-Os jovens acham que os mais velhos não amam, eles esquecem que todos já foram jovens e todos um dia serão maduros ou velhos anciões...Embora sua mãe seja ainda muito bela e sua idade só tenha contribuído para sua beleza encantadora, mas respondendo sua pergunta, eu a amo há muito tempo, mas me contento com sua amizade verdadeira, embora não perca a esperança.

Mikoto caminhava corada e sorrindo como nenhum deles havia visto em anos, Shisui segurava nas mãos de Itachi e lhe sussurrou baixinho.

-Não seja encrenqueiro meu amor, sua mãe foi fiel ao seu pai a vida toda e mesmo após a morte dele, o que há de mal em ser amada de novo?

Itachi respondeu.

-Mas ela é a arquivadora, a mulher mais poderosa dos sete reinos, muito mais que Haruno e é uma figura quase mítica!!

-Sim...Mas pelo visto ela ama como qualquer ser humano e estou certo de que sua mãe nutre sentimentos por ela, não que sejam de amor, mas de puro afeto por enquanto, no entanto creio que podem evoluir...Mesmo em meio a essa crise, mas meu amor, quando não vivemos em uma crise??

Itachi concordou.

-Sim...Tem toda razão Sui...Toda razão...Quem pode controlar o destino afinal de contas?

Notas finais
Pobrezinho de nosso general, sem seu Qui ele conseguirá passar por isso? Porque os outros ministros foram mortos? Alguns nobres também...Logo saberão! E a Arquivadora retornou!! Uau! Muito sangue quente nas veias para os próximos capítulos. Beijos de Akira.

25. O general capturado e os ministros da corte.

Notas do Autor
Olá, este capítulo é para os fortes, aviso que é denso, obscuro e mesmo assim interessante, leiam com o coração, sintam com a alma e se lembrem que o próximo capítulo está pronto e logo será postado...Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: O general capturado e os ministros da corte.

O ministro Maeda sorriu, ele sabia que Sasuke nunca permitiria que o menino sofresse e todo esse teatro era para isso, uma vez que Sasuke fosse torturado pelas leis do próprio rei e morresse depois disso por conta dos traumas sofridos o coração do rei seria danificado, mesmo que todos eles fossem presos sabia que a bruxa os libertaria tão logo pudesse roubar o corpo do rei enfraquecido e enlouquecido de raiva e dor pela morte de seu general valoroso. A morte dos ministros foi necessária para todo esse teatro, eles nunca concordariam com tal absurdo e por isso morreram, alguns outros e até alguns nobres foram assassinados porque eram médicos da corte e poderiam acabar ajudando o corpo de Sasuke a se recuperar, isso não devia acontecer é claro!

Com Hinata morta pela picada da cobra e Haruno adormecida por ter usado sua magia em Shisui não sobrava ninguém para salvar a rainha após sua tortura e diante de quem seria o torturador ele sabia que não havia meios de sobreviver.

-Vossa majestade aceita sofrer as vinte e cinco vergastadas no lugar do menino?

Sasuke suspirou tremendo, ele sabia que não tinha mais Qui suficiente para enfrentar nem mesmo dez vergastadas, mas confiava que seu rei regressaria a tempo de pelo menos salvar Boruto, se ele ficasse em seu lugar haveria uma chance boa do menino sobreviver, pois sua pena era grande, ele sabia que isso demoraria ao menos duas horas desde de a preparação dele até a leitura de sua pena e a realização de tal ato, devia ser o suficiente.

-Sim, eu aceito a punição do príncipe.

Maeda fingiu deliberar e enfim mandou levar Boruto de volta a um dos assentos próximo ao trono, ainda algemado e amordaçado, depois conversou com o torturador que devia aplicar os golpes e ele concordou com algo, dois guardas vieram buscar Sasuke e o levaram a uma sala interna onde lhe deram uma túnica fina de algodão branco e lhe tomaram as vestes reais e as sandálias.

-Vista isso e retorne conosco para a primeira punição.

Sasuke concordou, e lentamente despiu-se diante o olhar dos dois homens, sentiu-se constrangido com isso, mas agradeceu aos deuses por eles ao menos o manterem com alguma roupa, no tempo do usurpador as vestes dos condenados eram retiradas e eles eram levados nus ao seu destino, sendo amarrados ao tronco como Boruto estava ou então na viga onde breve ele mesmo estaria.

Uma vez que vestiu a túnica branca de mangas longas foi arrastado para o centro da sala oval, um servo lhe tirou o adorno dos cabelos e os deixou soltos nas costas, sua imagem parado ali em vestes brancas e cabelos soltos negros era impactante de tão belo e os ministros passaram a ter algum arrependimento tardio, mas o veneno dos seus corações falava mais alto.

Maeda se adiantou e leu o castigo em voz alta para todos ouvirem em sua voz lenta e pausada.

-Vossa rainha, o então general capturado Sasuke Uchiha foi condenado pelo crime de portar uma adaga quando era ainda um escravo, este crime lhe rende cinquenta golpes pelo corpo, ainda é condenado pelo crime de atentar contra sua própria vida e pagará com vinte golpes em seu corpo, ainda que fique claro que o nosso condenado tomou para si a punição do príncipe Boruto, alegando ser ele muito jovem para receber as vinte e cinco vergastadas de bambu como ficou afixada sua sentença, diante disso que comecem as punições.

Um homem levou Sasuke ao local onde Boruto estava anteriormente e ele foi colocado no mesmo modo, seu corpo levemente inclinado, mãos afixadas firmes e esticadas sem a menor possibilidade de se mover minimamente quando os golpes viessem, seus pés juntos também foram atados e mesmo sua cintura foi amarrada, a túnica leve mostrava os contornos de sua bela anatomia, mas escondia sua pele, seus cabelos se espalharam no chão.

O homem novamente manuseou a haste de bambu nas mãos testando sua flexibilidade e então esperou o aviso do ministro Maeda que antes de dar seu parecer se aproximou do general e lhe sussurrou no ouvido.

-Se o general gritar ou choramingar de dor darei nosso acordo como encerrado e no seu lugar o jovem Boruto levará o resto da punição.

Sasuke engoliu em seco, ele não podia gritar, mas como não gritar de dor? Ele viu muito isso nos tempos em que viveu ali, todos os dias servos e escravos eram domesticados desse modo terrível e todos gritavam de dor, como ele que se recuperava ainda manteria sua voz muda?

Maeda deu o sinal e o homem sorrindo deu a primeira vergastada que acertou as nádegas do general, seu corpo se tensionou todo de dor, ardia a pele onde o bambu se chocou numa velocidade assustadora, e logo veio outra, ainda pior, desta vez acertando suas pernas macias na altura próxima as nádegas, e outra e outra e outra, ele mantinha o máximo que conseguia seus olhos fechados ouvindo a contagem lenta das vergastadas e sentindo sua pele romper facilmente onde o bambu tocava brutalmente, um pouco de Qui ainda resistia nele e o usava tentando não gritar pela dor, sabia que isso estaria sendo horrível aos olhos de Boruto e não queria fazer isso ainda pior gritando, e nem poderia pois se isso acontecesse o jovenzinho iria ter essa dor para si, isso nunca!

-Cinco...Seis...Sete...

Sasuke mordia os lábios sentindo as lágrimas rolarem em sua face branca, suas mãos se forçando involuntárias para escapar, seus tornozelos também, todo seu corpo gritando mudo de dor.

-Oito...Nove...Dez...

O general via em sua mente pontos coloridos de dor que saltavam sem controle, seus dentes cerrados e seu corpo tenso, sabia que estava encharcado de suor e gotinhas de sangue, pois as via pingando no chão ao seu lado.

-Onze...Doze...Treze...

Boruto estava a ponto de perder a consciência, ele via seu segundo pai sofrendo em seu lugar, sentia cada golpe do maldito torturador como em si mesmo, ele jurou matar todos ali presentes por machucar seu pai, seu novo pai...Sua mãe rainha.

a contagem continuava mas agora o general não a ouvia, ele ouvia penas o som do bambu a romper sua pele.

-Dezoito...Dezenove...Vinte...

Essa contagem lenta era ainda mais agoniante e terrível.

Sasuke já nem conseguia mais expressar a dor que sentia, suas nádegas estavam muito provavelmente em carne viva, suas coxas do mesmo jeito, sentia o sangue molhar suas vestes antes brancas e então ouviu o som final.

-Vinte e cinco!

O último golpe foi o pior, longo, rápido e muito forte.

Um soldado o soltou nos pulsos e tornozelos e ele caiu nos braços do homem, sujando as vestes dele de sangue, suor cobria seu corpo todo de alto a baixo e ele tentou aplicar em si mesmo o máximo de Qui que conseguiu ou morreria no próximo castigo, porém quando era levantado ele ouvia a voz mais odiosa do mundo todo, a voz do Cão fiel.

Maeda estava falando e Sasuke queria muito prestar atenção mas tinha que manter sua mente firme em seu Qui, porém ele viu o homem em sua frente, o mesmo sorriso de sempre, frio, sombrio e macabro.

-Eu serei o torturador de agora em diante. Disse simples.

Sasuke como um condenado não podia falar, isso lhe renderia mais algumas vergastadas, por isso se manteve quieto, mas agora ele sabia que morreria, não havia chances para ele, com um olhar conseguiu ver Boruto antes de ser arrastado para a pilastra.

-Tirem as vestes dele! Vocês não seguem o código? Um condenado deve estar nu para que sua vergonha seja vista por todos! Gritou o Cão fiel, mas os ministros se sentiam tocados pelo comportamento do general que mesmo sofrendo vinte e cinco vergastadas de bambu não deu um único grito, muito embora suas vestes estivessem ensanguentadas agora.

-As roupas devem ser mantidas, o rei não ficará feliz em saber que todos nós vimos sua rainha nua. Disse Maeda e o Cão riu alto.

-E ele ficará feliz em saber que todos nós compactuamos com a tortura dele não é? Mas muito bem, que seja...Se enganem enquanto podem.

Um soldado ergueu as mãos do jovem general e as prendeu bem alto acima de sua cabeça em correntes na pilastra do centro da sala oval, seus pés também foram presos no chão, e seu corpo envolvido em cordas para ficar preso ereto na pilastra fina e feita somente com esse propósito macabro.

Sasuke sentia seu coração bombeando errático no peito, ele viu o maldito cão mostrar a madeira lisa, era mesmo de cerca de um metro e vinte porém larga, ele a untou com óleo e sorriu ao fazer isso.

-Estou sendo gentil meu caro Sasuke, não quero que farpas machuquem sua pele de porcelana...Ou talvez ela não seja mais uma pele tão bela devido as marcas que ficaram deste infortúnio castigo.

Sasuke estava agora diretamente a frente de Boruto e deixou lágrimas caírem, o pobre garoto assistiria tudo, assim como ele assistiu a morte do seu pai, o mundo era incrivelmente maldoso e o destino tinha um senso de humor macabro demais.

O Cão fiel estava agitado, espumando de contentamento, ele sentia muito prazer em machucar as pessoas, especialmente neste tipo de situação, ele amava as punições corporais, pois elas lhe davam um prazer erótico, pecaminoso, quando vivia no reino punia pelo menos uma vez ao dia alguém, amava os que choravam e imploravam e amava ver a dor em seus olhos, era de fato um sádico.

Maeda se adiantou pomposo e olhou para todos em seu teatro de manter a lei como devia ser, mas muitos estavam de olhos baixos, envergonhados em seus corações por terem ido tão longe e duvidando agora que o efeito do incenso estava mais brando de que pudessem se safar disso.

-Comece a punição!

-Um...Dois...

Sasuke tentou conter sua voz, mas gritou ao segundo golpe, a força do Cão não era pouca, ele batia com toda a força que tinha, adorando isso, era custoso a ele ouvir a voz do homem que estava encarregado de contar os golpes.

Desesperado Sasuke fechou os olhos, seus flancos doíam terrivelmente e ele então gritou de novo ao sentir a madeira bater em suas coxas na parte da frente e depois novamente na região das costelas.

-Três...quatro...

O som deste espetáculo macabro fazia Boruto se encolher horrorizado.

No meio da dor extrema Sasuke abriu os olhos e viu um vislumbre de luz caminhando em sua direção, subitamente toda dor cessou, ele sentiu braços quentes a toca-lo e se viu livre das cordas e correntes, não ouviu mais o som da contagem e nem sentiu as pancadas na pele.

-Pai? Papai??

Fugaku lhe sorria enquanto o puxava para seus braços tal qual ele fazia na infância feliz de Sasuke.

-Sim meu pequeno lindo, é o papai, vê? Não sente mais dor alguma não é?

Sasuke sorriu e se aconchegou nos braços do pai, contente.

-Não sinto nada...Eu morri?

Fugaku riu abertamente, a risada dele era contagiante e sempre bem vinda.

-Lógico que não! Ainda tem que viver bastante, acabou de se casar meu pequeno guerreiro! E vai mudar a vida deste reino, veja como tem coisas para fazer? Limpar essa sala horrível e deixar essas torturas no passado, derrubar essas leis atrasadas e estúpidas que apenas ferem as pessoas.

Sasuke estava sonolento mas sua mente estava ativa, ele se sentou e olhou em volta, ele estava na sala oval, via seu corpo de olhos fechados sendo golpeado pelo Cão impiedosamente enquanto um soldado contava de modo monótono indiferente a dor que causava no rapaz preso, via seu corpo ferido, suas vestes sujas de sangue, seus cabelos empapados de suor, mas também via os ministros virando o rosto diante dessa barbaridade e via Boruto soluçando no chão.

-Maldito Maeda, ele é o culpado por tudo isso papai...Mas se eu não morri sei que morrerei em breve, não serei capaz de suportar tantos golpes, isso irá destruir meu corpo.

Fugaku o abraçou apertado, tão real como antes.

-Você não morrerá, seu rei já está aqui no reino, ele está entrando no palácio agora, ele chegará a tempo, eu prometo.

-Hum...Já levei trinta golpes, quanto poderei suportar? Perguntou Sasuke sentido.

-Não seja assim meu menino...é forte demais para desistir, mantenha seu coração batendo firme no peito, seu corpo será curado.

Mas Sasuke estava bem ali, ele não sentia dor, não sentia medo e estava com seu pai, considerou ficar onde estava, parecia tão bom!

-Não quero voltar, eu estou com você...

Fugaku lhe acariciou a bochecha macia, lágrimas desciam de seu rosto belo, rosto que não tinha mudado nada.

-Bem, isso não é ainda possível meu amor...E você tem que voltar para aqueles que te amam. Quando você despertar lembre-se de mim, eu estou muito bem, avise seu irmão que eu o amo, assim como aprovo seu casamento com Shisui, que é um bom menino e avise sua mãe que sempre gostei de Eleonor, creio que ela merece a felicidade.

-Papai...Não me deixe sentir mais dor, eu não desejo voltar aquele corpo ferido.

-Se acalme meu querido, seu rei está aqui, agora durma.

Sasuke dormiu, sua alma embalada pela alma do pai, no plano físico sua cabeça pendeu mole, seus cabelos caiam na face, só se mantinha em pé porque estava firmemente atado a pilastra.

-Quarenta e dois...

Um dos ministros fez um sinal e o Cão parou cansado.

-Parece que o general desmaiou, seria prudente parar?

O Cão riu dessa fingida humanidade.

-Me parece apropriado que queira ver o condenado acordado, não é ministro? Mas creio que ele não aguenta mais manter a consciência...Joguem água nele, quem sabe assim ele desperta e eu me divirto mais?

Um soldado fez o que lhe era ordenado e correu buscar água para jogar em Sasuke, a contagem parou em quarenta e dois.

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Naruto estava no palácio, não haviam outros soldados da tribo do sul, se era um golpe onde estavam os homens armados, a guerra, a loucura?

Cercado de seus homens ele se encaminhou para dentro e foi detido por uma mulher vestida de cinza, uma noviça do templo.

-Meu rei, a Arquivista manda avisar que o seu filho e seu marido estão no salão oval, e que deve se apressar pois ela está mantendo o general vivo muito bem amparado por uma alma amiga, porém esse laço será rompido em breve, pois o mundo dos vivos e dos mortos é um território complexo, por favor se apresse meu senhor!

Naruto correu, não havia nada em sua mente além de Sasuke e Boruto, seus guardas e soldados seguiam armados e prontos para tudo, eles chegaram a porta do salão e ele se amaldiçoou, flechas foram lançadas contra eles, uma luta se estabeleceu pela fenda pequena acima da porta onde dois soldados atiravam contra eles e logo alguns soldados de vestes negras os cercaram por um breve momento, mas o rei os matou tão rápido quanto um raio.

-Arrombem a porta!!

Naruto ouvia uma contagem sinistra e ouvia o som de batidas que pareciam de madeira.

-Quarenta...Quarenta e um...

Seus homens se lançaram na porta, mas ela era feita para aguentar tudo, era impossível rompe-la.

-Quarenta e dois...

Ouve uma pausa e com os soldados de vestes negras mortos o rei subiu nos ombros de um dos seus soldados e olhou para dentro pela pequena fenda e seu sangue gelou, ele viu Sasuke amarrado em uma pilastra coberto de sangue, caiu dos ombros e gritou golpeando a porta sem conseguir passar.

Lá dentro o soldado vestido de negro pegou o balde, eles ouviam o som da porta sendo esmurrada e ouviam os gritos do rei, sabiam que ele estava ali, mas a porta era impossível de romper, poderiam torturar Sasuke até ele morrer e o rei não entraria ali.

-Onde está a maldita água? Gritou o Cão.

O soldado veio e jogou a água no general, seu corpo ferido sentiu a água fria e despertou, mas ele ainda sentia o corpo do pai junto ao seu.

-Quarenta e três...Quarenta e quatro...

Naruto gritava desesperado, seus soldados correram buscar outra forma de entrar e outros foram procurar algo para usar contra a porta pesada.

O soldado que esteve encarregado de buscar Haruno apareceu pálido.

-Onde está Haruno?? Gritou o rei desesperado.

-Meu rei...Ela não acorda, eu tentei de tudo, está em um coma, procurei os outros feiticeiros do reino, mas todos sumiram, até mesmo a senhorita Hinata.

-Cinquenta!

O Cão fiel sorriu olhando para Sasuke, ele estava desperto, mas tinha o semblante calmo agora, devia estar com tanta dor que não tinha mais voz para gritar.

-Não...Isso não, eu quero que grite meu belo Sasuke, o seu rei deve ouvir seus gritos. Disse o Cão se aproximando e tomando o rosto de Sasuke nas mãos enquanto o analisava.

Maeda observou o coração de Sasuke de perto, colocando sua mão no corpo ferido como era o costume, caso o condenado estivesse morrendo eles parariam o castigo, mas não era esse o caso ali, eles queriam que ele morresse.

-Continue a contar! O terceiro castigo deve começar agora! Gritou Maeda.

Fugaku já não conseguia se manter ali, seu espírito estava a muito longe do reino dos mortos, ele era puxado de volta, mas ainda segurava o filho tentando evitar que ele sentisse dor, no entanto um golpe forte acertou Sasuke e ele gritou de dor, o espírito se foi, a força da Arquivadora era enorme mas as leis dos mundos dos mortos e dos vivos também era, era o máximo de tempo que ela conseguiu.

Naruto gritou junto.

-Um...Dois...

A Arquivadora percebeu a quebra do elo e no mesmo momento sentiu que Naruto estava ali, ela surgiu no corredor, ela vinha com sua pose indescritível e todos se afastaram, ela usou um símbolo estranho na porta desenhado com carvão e mandou todos se afastarem...

-Três...Quatro...

Sasuke gritou novamente, o Cão estava delirando em prazer mórbido, seu corpo ardia em felicidade e suor.

-Cinco...Seis...

A explosão quebrou a porta em pedaços, soldados entraram no meio da fumaça, o então torturador pegou uma espada com a clara intenção de enfiar a lâmina no coração que ainda batia do general, mas assim que a ergueu sentiu uma espada transpassar seu corpo e se virou lentamente ainda com o fio da espada dentro do corpo, viu os olhos azuis do rei, queria gritar de ódio, ele nunca foi golpeado antes e desejava muito matar Sasuke, mas sentiu a vida lhe fugir e no mesmo momento soube para onde iria, ele podia sentir as criaturas do mal e da escuridão se arrastando loucas para pega-lo, ele soube neste último segundo de lucidez que sofreria todos os castigos que um dia usou aos seus condenados, sabia disso claro como o dia e o horror disso o assolou.

O rei arrancou a espada do corpo do maldito homem e o golpeou novamente, ele caiu morto no chão e seu sangue manchou o chão que até então só continha o sangue de Sasuke.

Num ato desesperado o rei gritava por ajuda entre seus soldados, ele tentava em vão romper as correntes sem ferir ainda mais seu marido.

-Sasu!! Ohhh Sasu...Aguente, eu vou solta-lo meu amor, eu vou cuidar de você, será rápido, eu tenho...Tenho que soltar essas correntes...

Sasuke sorriu para ele, se sentia bem agora, seu corpo nem podia mais sentir dor, e isso não devia ser bom, mas era isso, as cordas foram cortadas e logo a chave veio tirada de um ministro morto, o rei tremendo libertou Sasuke e ele caiu em seus braços, novamente como antes somente seu rosto se mantinha intacto.

-Boruto...Sussurrou Sasuke.

O rei olhou ao redor e viu um soldado a liberta-lo.

-Nosso filho está bem, apenas calma, vou leva-lo daqui...Preciso de um médico até que Haruno desperte...Um médico...Um médico!!! Gritou o rei desesperado.

Sasuke desejou ter forças para toca-lo, seu rei estava lindo em sua armadura dourada, tão radiante.

-Eu vi meu pai...Disse cada vez mais fraco.

-Oh amor, seu pai morreu há muito tempo, isso é a dor dos ferimentos que lhe toldou a visão, eu matei o homem que o feriu meu amor, eu o matei, mas estou arrependido eu desejaria faze-lo sofrer tudo que sofreu.

Sasuke negou.

-Abolir essas punições bárbaras...Para sempre...Promete?

Naruto chorava, a luta tinha acabado, todos os soldados estavam mortos, todos menos Maeda e alguns ministros.

-Sim...Vamos mudar essas leis juntos, mas agora eu quero que fique comigo meu amor. Mas pela primeira vez Naruto sabia que não podia ser sincero, ele antes de encerrar tudo isso daria a Maeda o que ele merecia, porém dizia a verdade, somente junto a Sasuke ele daria um fim nisso, os dois juntos.

-Hum...Estou com sono...

Naruto ainda gritava por um médico, mas não havia nenhum, todos foram assassinados, cada médico e curandeiro do palácio havia perecido...Esses eram os homens e mulheres assassinados e jogados nas valas a céu aberto.

O rei estava desolado e num canto remoendo sua alma negra a bruxa espreitava, seu corpo físico ainda longe, cavalgando devagar, ele tinha que estar de corpo presente para mudar. Ela ansiava pela morte de Sasuke como se anseia por água no deserto, mas ela não podia fazer mais nada além de torcer para que o jovem não fosse capaz de resistir aos danos, ele precisava sucumbir para ela viver.

A Arquivadora se adiantou e olhou o general o analisando.

-Pode salva-lo? Perguntou Naruto entre lágrimas.

-Não estudei magia para isso, nunca fiz nada que seja para curar, eu aprendi outras coisas, mas creio que posso parar o tempo em seu corpo, mas ele precisa dormir, ou ficará sentindo dor até que um médico seja trazido ou um mago, ou algo assim.

Naruto abraçou delicadamente o corpo ferido e sussurrou palavas doces a ele.

-Durma meu anjo, eu estarei aqui quando acordar, apenas durma, eu não vou abandona-lo, eu prometo.

Sasuke dormiu tão embalado nos braços do rei como esteve nos braços do seu pai, e a Arquivadora lançou um feitiço e o corpo do general brilhou por um momento e depois se acalmou, a respiração lenta e constante.

-Pronto, ele está tão ferido quanto antes, mas não morrerá, seu corpo está parado no tempo, os ferimentos não evoluem e nem saram, até que eu tire o feitiço ele permanecerá assim, mas não pode ser indefinidamente, minha magia tem um tempo delimitado, creio que no máximo duas horas, corra meu rei, mande todos os emissários possíveis, entre seu povo deve haver um curandeiro ilegal ou um mago que trabalhe clandestinamente, é sua única opção, pois demoraria muito para trazer alguém de outra cidade.

Naruto agradeceu e enfim se levantou com Sasuke em seus braços, ele o levaria para seus aposentos onde o banharia e o trocaria, mandou soldados ao reino, as ordens eram para achar médicos e curandeiros ou magos ilegais e trazerem eles ali.

No entanto havia algo que ele ainda precisa fazer...

O rei se voltou aos ministros e deu a última ordem de punições físicas que seu reino iria ter, após isso ele iria abolir cada castigo físico para sempre, mas por mais que ele amasse seu general, esses homens mereciam isso, eles eram maus, seus atos poderiam ter matado Boruto ou Sasuke, certamente esses homens mereciam sentir na pele a dor que eles ordenaram que seu amado sentisse.

Boruto finalmente livre das correntes correu até ele, em prantos, nem conseguia falar, mas seu olhar para Maeda era hostil, mesmo para uma criança e Naruto compreendeu.

-Assim que Sasuke estiver sendo tratado nós voltaremos aqui uma última vez, Maeda deve ser punido adequadamente e os outros também, após vou abolir isso para sempre, compreenda meu filho, este caminho é o errado, mas hoje eu serei assim, não posso suportar ver meu amado neste estado por culpa deles e não posso imaginar o que sentiu ao ver Sasuke sofrendo sem poder ajuda-lo, porém eu lhe peço que após isso não deixe o mal manchar seu coração, os esqueça definitivamente.

Boruto caminhou até Maeda e olhou em seus olhos.

-Eu não cometi crime algum, mas você sim, eu quero ver como se sente sendo o condenado, deve provar dos dois remédios não é mesmo Maeda? Vergastadas em sua pele nua e depois golpes de madeira...

Maeda tremeu.

-Eu...Vou...Assistir e te prometo que vou gostar. Disse Boruto e saiu.

A Arquivadora então voltou rapidamente ao templo para trazer Mikoto, Itachi e Shisui agora que sentia que tudo estava bem, porém ela parou por um momento, sentindo a bruxa, somente por um momento antes que a alma negra se dissipasse no ar.

Em poucos momentos a Arquivadora estava com eles, sua magia permitia a transposição da matéria e surgir e desaparecer era algo normal como respirar para ela, embora fosse bem controlado.

-Minha querida Mikoto...O assunto é delicado, vosso filho encontra-se muito ferido, eu usei um feitiço nele para parar o tempo em seu corpo que permite que ele não sinta dor alguma, mas sem médicos e nem magos não sabemos como trata-lo.

-Onde estão os médicos e curandeiros do reino? Os magos? Perguntou Itachi nervoso.

-Mortos, todos mortos, nós resta acreditar que entre o povo existam médicos ilegais que aprenderam na prática ou magos que não estudaram nas escolas mas sim com a vida, no entanto não sei se são capazes de lidar com isso.

Shisui se adiantou timidamente.

-Bem, eu não sou médico e nem curandeiro oficial e muito menos um mago, mesmo assim durante todo esse tempo em que fui escravo no reino eu tive muito tempo livre por ser muito inferior fisicamente que os outros e não ser capaz de realizar a maioria das tarefas, por isso após realizar o que eu conseguia...Bem, eu estudava medicina, fiz isso por anos e pratiquei nos escravos feridos as escondidas.

Itachi o olhou pasmo, ele nunca soube disso, embora é claro que já tinha sido ajudado pelo amante diversas vezes com remédios e unguentos, mas achava que o jovenzinho os tinha conseguido com outra pessoa.

Shisui o olhou temeroso.

-Bem, eu sentia dor e muito desconforto, no início buscava uma cura para mim mesmo e depois vi que haviam muitos escravos que eram chicoteados e torturados e largados para morrer, eu os ajudava...Isso era errado e se eu fosse pego seria condenado, não podia contar a vocês para não os colocar no meio do meu erro.

Mikoto o abraçou e Itachi também.

-Pode ajudar meu pequeno Sasuke querido?

Shisui concordou.

-S-sim...Mas preciso de ervas e materiais para fazer os remédios, a senhora arquivadora pode me ajudar por favor?

A mulher sorriu para o pequeno com grande coração e lhe beijou a testa num gesto de carinho maternal que ela nem sabia que tinha até aquele momento.

-Eu posso conseguir tudo que precisar, só me diga o que e eu trarei.

-Certo...Leve-me até ele e me ajude a ter todos esses ingredientes...Ele disse pegando uma folha  e escrevendo o nome de muitas plantas nele e alguns óleos.

-Que assim seja. Disse a arquivadora do templo.

Notas finais
Ok, eu esqueci de avisar que era bom ter lenços de papel a mão para enxugar as lágrimas...Ohh que dramático!!
Brincadeira, eu sei nem foi tudo isso...Porém confesso que eu sofri escrevendo, devo ser muito sensível. Mas comentem por favor e agradeço aos favoritos que tem lentamente surgido e aos comentários de todos. Beijos.

26. O final do inverno no reino do Dragão.

Notas do Autor
Como as coisas podem se desenrolar agora? Shisui será capaz de cuidar de Sasuke que está ferido e como fará isso?
Será que realmente todos os curandeiros reais foram mortos? Veremos neste capítulo muito mais que isso. Boa leitura!!

O General capturado e Rei Dragão.

Capítulo: O final do inverno no reino do Dragão.

Boruto ainda chorava, seus pequenos soluços sendo ouvidos pelo rei, que nunca antes tinha visto seu filho chorar, ele sempre foi forte e destemido, mas também nunca antes havia passado por tamanha provação na vida.

-Pai...foi culpa minha, só minha...Meu pai Sasu aceitou a punição que era para mim, ele sofreu em meu lugar. Disse agoniado enquanto caminhavam rapidamente indo até os aposentos do rei.

-Não querido, foi um golpe para pega-lo, de fato o ministro Maeda queria Sasuke morto, mas ainda não sei porque, nem mesmo sei se desejo saber, só sei que este ministro sentirá na pele tudo que nosso amado general sentiu, isso eu prometo.

Boruto enxugou os olhos e o pai viu as marcas em seus pulsos, ele estava ferido, deve ter lutado muito com as cordas e correntes tentando se libertar para ajudar Sasuke, podia ver claramente manchas de sangue em sua túnica na cor suave do entardecer, o rei se sentiu tocado e infeliz por isso.

-Filho, está ferido? Eles o machucaram?

-Não pai, eu estou bem, tenho ferimentos leves nos pulsos e tornozelos onde aqueles homens rudes me prenderam, mas não é nada se comparado ao meu pai Sasu. Disse ainda choroso.

-Eles bateram em você querido? Como o pegaram?

Boruto se lembrava disso perfeitamente.

-Fui arrancado da cama logo cedo e levado por soldados vestidos de preto até a sala oval, fui acorrentado e amordaçado e fiquei lá por cerca de duas horas antes de meu pai Sasu aparecer, eu ouvia conversas sobre uma bruxa e sobre troca de corpos, mas nada fazia sentido, porém eles não me bateram, deveriam fazer isso com aquela falsa acusação, mas já sabe o resto.

Eles chegaram aos aposentos do rei e entraram rapidamente, o rei colocou Sasuke deitado ao lado da piscina de banhos muito delicadamente, embora realmente soubesse que ferido daquele modo nenhuma posição seria confortável, mesmo assim colocou uma toalha dobrada embaixo de sua cabeça e Boruto sentou-se no chão e ficou acariciando os cabelos dele, mas Naruto subitamente ficou perdido, o que ele devia fazer? Sem ajuda de Haruno para tratar Sasuke ele estava apavorado, tinha medo de ferir Sasuke ainda mais, porém tinha medo que o sangue secasse e grudasse na roupa e na pele lesionada e depois fosse dolorido retira-la mesmo sabendo do feitiço ele ainda tinha reservas pois não sabia ao certo como isso de parar o tempo no corpo do amado funcionava, ele era apenas um rei e não um mago.

-Pai! Me ajude, temos que despi-lo e colocar na água morna, isso deve ajudar não é?

Naruto então voltou a realidade e ajudou o filho a despir Sasuke, mas eles choraram juntos, Sasuke estava com a pele ferida de uma forma terrível, manchas avermelhadas e inchadas se espalhavam por seu corpo todo e algumas já estavam arroxeadas, estas marcas eram sem dúvidas da madeira e estavam salpicadas em gotículas de sangue ainda fresco, devido ao feitiço da bruxa que mantinha o tempo ainda parado no corpo ferido, caso isso não fosse feito ele podia morrer, nos locais onde a pele rompeu-se devido as vergastadas marcas finas e longas corriam a pele das nádegas e das coxas e algumas tão longas seguiam do ponto de impacto até para dentro das coxas, devido a haste de bambu ser flexível. Ver o resultado de uma tortura dessas nunca era agradável, descobrir a extensão dos danos era pior ainda, mas ele era o rei e tinha que ser forte!

-Filho, ele ficará bem, eu prometo, eu sei que parece horrível, realmente é...Mas ele não está sentindo dor, eu juro!

-Pai eu sei disso, mas o que me machuca é saber o que ele sentiu no momento em que isso acontecia, o que ele passou, eu nunca pensei que meu pai Sasu pudesse sofrer assim, é assustador...Isso não devia ter acontecido com alguém de coração tão gentil como ele, acredita que depois disso ele continuará a ser como antes? Sua alma ainda será tão doce e gentil? Tenho medo que essa punição injusta possa corromper seu espírito e enlouquece-lo.

Naruto neste momento soube que devia contar toda a história de Sasuke a seu filho, mesmo correndo o risco de perder seu amor, pois de fato Sasuke já tinha sofrido antes e a culpa não foi de outro homem senão do próprio rei.

-Meu filho, seu pai Sasu é muito mais forte do que pensa, de certo eu creio que é mais forte que eu mesmo, e sei que ele apesar de ter sido injustiçado e sofrido essa punição horrível será o mesmo homem de antes.

-Não pode saber disso, ele nunca passou por nada parecido antes.

Naruto suspirou enquanto deitava o corpo de Sasuke nas águas mornas cuidadosamente, entrando junto e o mantendo com a cabeça fora da água.

-Na verdade sim, ele passou por algo semelhante e a culpa foi minha, isso ocorreu quando eu o capturei e o queria submisso a mim, como seus soldados.

Boruto o olhou por um instante e então entendeu.

-As dez chibatadas da derrota, certo? Mandou que chicoteassem ele? Sério meu pai, fez isso mesmo? Como pode?

Naruto via o desapontamento nos olhos do filho, mas seria ainda pior quando contasse a verdade.

-Mas essa é a lei do nosso reino, os vencidos são chicoteados dez vezes e depois tem a chance de se render ao rei que os capturou, se concordarem são feitos nossos servos caso tenham alguma habilidade mais notável e se não serão escravos nas tarefas mais servis, no entanto Sasuke não se rendeu, ele sofreu por três dias antes que eu fosse ter com ele, somente quando vi o seu estado entendi que havia cometido um grave erro, ele estava morrendo, claro que Haruno restaurou seu corpo a perfeição, mas a culpa do que ele passou foi toda minha como pode muito bem entender e apesar disso ele me perdoou e me aceitou como seu rei e seu marido.

Boruto mesmo sabendo disso estava concentrado em ajudar e se mantinha calmo, não olhou para o pai, não disse mais nada, ele ajudou a deitar Sasuke na água morna e começou a usar uma esponja macia na pele suja de sangue, em pouco tempo todo o corpo estava limpo, foi nesse momento que levaram um grande susto quando a Arquivadora apareceu no meio do quarto, junto com Itachi, Mikoto e Shisui que trazia consigo uma bolsa repleta de coisas.

Mikoto ao ver o filho neste estado deixou as lágrimas rolarem, Itachi se aproximou dele ajudando a tira-lo delicadamente da água e enxugar seu corpo com uma toalha felpuda e limpa que ainda ficou manchada de sangue e o enrolar num lençol também fino de algodão macio.

O rei segurou Sasuke nos braços olhando o que o menor fazia.

-Meu rei, traga meu primo aqui, eu vou trata-lo agora, deite-o na mesa por favor.

O rei obedeceu e Shisui tirou o lençol do corpo maltratado e logo despejou sobre ele um líquido de uma coloração esverdeada que tinha a clara intenção de fechar a pele rompida pelas batidas ou vergastadas e depois se virou a Arquivadora.

-Pode retirar o feitiço? Eu vou trata-lo agora.

-Tem certeza pequeno? Se eu tirar agora ele pode acordar e sentir dor. Ela perguntou nervosa.

-Sim, esse líquido que eu usei é um poderoso analgésico além de um secativo para a lesão da pele, eu o usei nos escravos e servos que eram levados ao castigo no salão oval, tantas vezes que nem sei, pode conter dores fortes e moderadas e creio que o manterá dormindo por um tempo ainda.

A mulher inspecionou o líquido restante no frasco por um momento, um aroma fresco emanava dele, pode sentir que era mesmo calmante dos sentidos.

-O que contém esse líquido? Eu consegui as plantas, mas não sei para que servem. Ela perguntou ansiosa para saber das habilidades do jovem rapaz.

-Dentro do frasco existem várias plantas, uma planta que eu mesmo cultivo, chama-se babosa, os povos do norte a conhecem por aloe vera, sua polpa gelatinosa é cicatrizante e analgésica, eu a usei para cicatrizar a pele ferida e usei também centelha asiática que pode ajudar a recuperar os tecidos e evitar infecções que na verdade é a causa maior de mortes em quem sofre castigos físicos como estes, ainda usei camomila que também ajuda a fechar e curar feridas e acalmar a pele inchada além de eliminar os hematomas mais suaves assim como os mais profundos, ainda tem arnica que é analgésica e pode aliviar a dor dos hematomas e o poderoso trigo sarraceno que além de aliviar a dor e o inchaço pode ajudar a diminuir a cor roxa dos hematomas, mas isso que apliquei é somente o líquido extraído dessas plantas onde adicionei a papoula das montanhas nevadas, uma flor que tem apenas o efeito sedativo para ajudar a aliviar dor, agora devo aplicar a polpa delas num unguento mole que já fiz com argila branca levemente aquecida.

Todos estavam impressionados e tinham certeza de que Shisui sabia perfeitamente o que estava fazendo, por isso a bruxa tirou o feitiço e imediatamente Sasuke gemeu dolorido, mas sem acordar ainda, todos ficaram tensos, mas permaneciam ali parados caso o pequeno Shisui necessitasse de ajuda em algo.

Após isso o pequeno médico clandestino aplicou sistematicamente em cada lesão o unguento que preparou com essas muitas plantas, mudando o conteúdo quando a lesão era mais profunda, ele manteve uma toalha cobrindo apenas a intimidade do primo por respeito a ele e por saber o quanto era tímido, quando terminou olhou seu trabalho e então pediu para que o rei virasse o corpo do primo querido na mesa para realizar o mesmo tratamento na outra parte do corpo, nisto pediu a Mikoto que fosse cuidar de Boruto, ajuda-lo a se banhar e lhe ofereceu o mesmo unguento para suas feridas expostas dos pulsos e onde mais fosse preciso e embora Boruto estivesse relutante ele concordou e seguiu a sua tutora para a sala de banhos.

-Este unguento fará a maior parte do serviço, mas ainda precisarei de algumas coisas para as infusões que farei que devem ser para quando ele acordar e sei que não deve demorar, por tanto pode me trazer isso? Pediu Shisui a Arquivadora entregando a ela uma listinha escrita as pressas.

O rei pediu permissão para ver, ele de tanto ver Haruno trabalhar conhecia alguns nomes de plantas e tinha a maioria ali naquele aposento mesmo, numa estante ao lado dos livros.

-Hum, creio que temos tudo da lista aqui mesmo, já vou pegar, continue. Disse o rei indo até a estante e trazendo consigo alguns potes de vidro com valeriana, canela em pauzinhos, alecrim seco e ainda um frasco grande com óleo de lavanda e outro com as flores de lavanda já secas, ele as deixou ao lado do pequeno sábio.

-Ótimo, o rei poderia com a ajuda de Itachi terminar de aplicar o unguento, sejam delicados, mas cubram toda a pele machucada sem deixar nenhum pedacinho de fora, façam uma leve massagem na região com a palma da mão sem aplicar força pois está muito dolorido. Explicou e como ele mesmo já tinha feito isso e eles observaram foi fácil seguir a risca o que ele lhes ensinou.

Shisui então foi preparar as infusões de canela, valeriana e alecrim juntas e em outra tigelinha a de lavanda, após deixou o óleo de lavanda aquecendo em fogo bem baixinho, este óleo aquecido ele usaria para fazer uma bandagem que seria colocado em alguma lesão mais extensa ou que fosse mais feia que as outras, como as que ele tinha nas nádegas, se voltou para ver que o rei e Itachi tinham terminado e agora esperavam o comando dele.

-Bem, este unguento vai grudar na pele, por isso podemos mover seu corpo sem medo, vamos leva-lo a cama, eu já pedi a Arquivadora para prepara-la e podemos deita-lo lá de bruços e cobri-lo com essas bandagens embebidas em óleo de lavanda, isso além de mante-lo coberto também serve para acalmar a pele e a dor.

Assim eles fizeram e tiveram uma surpresa ao ver a cama coberta com folhas de bananeira limpas.

-Sui, o que é isso? Perguntou Itachi ao deitar Sasuke nas folhas e ver o rei cobrir o corpo despido com as bandagens brancas que Shisui trazia em uma grande tigela de cerâmica, dando um beijo no rostinho pálido e deixando os longos cabelos negros longe do rosto.

-Bem, isso são folhas de bananeira que foram lavadas em água limpa e perfumadas com essência de lavanda e sândalo.

-Isso eu posso ver meu amor, mas para que servem?

Shisui sorriu e deu um beijo na bochecha do namorado tendo que ficar na pontinha dos pés para fazer isso, e era algo que antes ele não podia fazer, por isso mesmo era gratificante faze-lo.

-Veja, se deitarmos ele na cama as feridas vão se grudar ao tecido e será doloroso depois para leva-lo ao banho e aplicar mais remédio que deve ser trocado ainda hoje, por isso as folhas, elas não vão ter esse efeito e ainda servem como calmante da pele, eu aprendi isso logo no começo e sempre funcionou muito bem.

Itachi estava verdadeiramente impressionado, mas ainda pelo fato de seu pequeno namorado ter conseguido manter esse segredo por tanto tempo dele e de sua mãe.

-Ainda conversaremos sobre isso meu amor, quero saber como conseguiu esconder isso de mim e de mamãe por todos esses anos...Falou o guerreiro e o abraçou apertado depois disso.

-Mas te amo ainda mais agora que sei e obrigado pelo que está fazendo ao meu irmãozinho...

Shisui encheu os olhos negros de lágrimas e os fechou fungando logo escondendo o rosto vermelho no peito largo que lhe passava tanto amor e carinho, além de uma segurança imensa.

-Mas eu iria preferir mil vezes não ter que usar todo esse conhecimento nele, ainda mais por um ato tão bárbaro como a tortura, é imperdoável o que fizeram a ele...Respondeu Shisui chorando finalmente, porque agora que sua tarefa estava quase concluída ele podia de fato chorar pelo primo que amava como a um irmão.

Depois disso eles aguardaram, Boruto dormiu após tomar uma infusão calmante e o rei o levou a um sofá grande e confortável e o cobriu com uma manta, a pedido de Shisui não acendeu a lareira pois segundo ele isso atrasaria a recuperação de Sasuke, mas o quarto estava numa temperatura agradável agora, o inverno estava indo embora e a primavera se anunciava lá fora e embora de fato o desespero de todos tivesse se amenizado, eles ainda sofriam porque não tinham visto Sasuke despertar.

Após mais uma longa hora Sasuke despertou lentamente, abriu os olhos para se ver cercado daqueles que amava, apesar do que passou ele sorriu assim que os viu, seu mais belo sorriso, havia luz em seus olhos negros.

-Meu amor...Eu estive tão preocupado aqui, mas dou graças por seu primo ser um ótimo médico clandestino e estar te curando...Disse o rei se embolando nas palavras porque de fato estava chorando e nem tinha percebido isso ainda, mas quando percebeu não se incomodou, essas pessoas eram sua família e eles não o julgariam.

Itachi se ajoelhou e tomou a mão suave do irmão entre as suas, chorando baixinho, e a mãe de Sasuke fez o mesmo, colocando a sua mão por cima, ambos estavam emocionados.

Foi Shisui quem perguntou o obvio.

-Sasu, como se sente, com muita dor ainda?

Ele sentia seu corpo todo dolorido, mas não era uma dor forte, era até amena se comparada a como ele estava lá na sala oval, sua pele parecia fresca e ele sentiu que dormia sobre algo suave e macio, não estava com calor e nem com frio.

-Não estou tão dolorido, só não tenho forças para me mover e me sinto imensamente fraco, mas o que ouve lá? Boruto está bem...O pobrezinho deve ter ficado tão horrorizado com tudo...

Naruto sorriu ao ver que seu marido não tinha mudado em nada, ele ainda pensava nos outros, mesmo que ele estivesse naquele estado.

-Nosso filho é forte e está bem, além de poucas escoriações no pulso e tornozelo nada de mal lhe aconteceu, graças a sua imensa coragem e eu nunca poderei ser grato o suficiente...Mas não falaremos mais disso, apenas quando estiver curado, só então conversaremos sobre hoje, tudo bem?

Sasuke concordou até porque sua mente estava cansada, seu corpo ferido e ele sonolento demais.

Shisui saiu e trouxe uma xícara pequena com um chá quentinho, o pequeno médico se sentou no chão ao lado do primo e lhe ofereceu o chá sendo muito cuidadoso, não era fácil tomar o chá deitado deste modo, mas com alguma ajuda o general conseguiu, e logo se sentiu mais calmo e a dor foi reduzindo ainda mais, ele dormiu a seguir novamente.

Neste dia e nos cinco seguintes ele foi tratado lentamente e com muitos cuidados, dormiu a maior parte do tempo, tomando chás e infusões e comendo apenas algumas frutas frescas picadas que era tudo que conseguia, no terceiro dia sua pele já estava menos inchada e a febre fraca que sentiu já tinha passado completamente, a pele antes aberta estava fechada, por isso pode deitar na cama sem o uso das folhas de bananeira e deixar as bandagens de lado colocando uma túnica leve de algodão, comer uma sopa leve de legumes dado com todo carinho pelo rei que fazia questão de alimenta-lo ele mesmo, chegando a brigar por esse privilégio com Mikoto, mas o fato é que agora ele e os outros estavam mais íntimos, sem nenhuma barreira de sua realeza no meio de tudo, eram apenas pessoas comuns tentando ser úteis.

E no quinto dia ele finalmente conseguiu ficar em pé e caminhar com a ajuda do rei até a sala de banhos, onde todo o unguento seria tirado de seu corpo finalmente.

Desta vez estavam somente os dois, Shisui foi chamado para ver Haruno que ainda não tinha acordado e passaria para ver Hinata que ainda estava acamada vítima do veneno forte da cobra, uma vez que mesmo o velho senhor que a socorreu havia sido morto naquela manhã fatídica antes do tormento causado a Sasuke, claro que Itachi foi com ele e Mikoto levou Boruto ao templo onde passaria a tarde com a amiga, isso servia para acalmar o pequeno príncipe que ainda sofria muito com todo o ocorrido e que ainda não tinha dito nada ao pai sobre a sua revelação do dia em que Sasuke foi capturado, mas o rei sabia que ele estava a pensar sobre isso e aguardava o resultado.

-Sasu amor, deixe-me leva-lo nos braços, são poucos passo, mas eu me preocupo pois está ainda muito fraco.

-Ora essa...São poucos passos, eu devo conseguir caminhar até lá, não me recuperei da tortura de antes? Vou me recuperar desta também.

Naruto torceu o nariz infeliz, isso sempre seria para ele uma pedra de gelo em sua alma a feri-lo.

Sasuke percebeu o que disse e se virou ao rei lhe dando um beijo na bochecha.

-Não disse isso por mal...Aquilo passou, perdão por lembrar...Leve-me nos braços amor, eu ainda estou fraco demais.

O rei o pegou e andou os poucos passos até a piscina, era hora de despi-lo e o rei sofria ao fazer isso, pois apesar de ver claramente que Sasuke se recuperava ainda podia ver os hematomas na pele dele, a medicina não era como a magia, haviam marcas e cicatrizes e tons roxos e alguns esverdeados na pele antes perfeita, mas o inchaço tinha sumido graças aos deuses e aos cuidados de Shisui.

-Ohh meu amor, sofro tanto ao te ver assim, mas Sui disse que em mais duas semanas nada mais restará em sua pele desta terrível provação e se alguma cicatriz restar eu mandarei que Haruno a retire.

-Creio que devo manter as cicatrizes meu amor, elas provam que eu sobrevivi, apenas se lhe forem dolorosas demais permitirei que a senhorita Haruno as retire, pois não gosto de lhe ver com esse olhar sofrido.

-Bem, mas a culpa novamente foi minha, eu não o levei comigo como pediu.

Sasuke suspirou.

-Como meu rei ama sentir culpa não é mesmo? Pare de se culpar, eu precisava estar aqui, era meu destino, eu devia proteger Boruto e fico feliz que o tenha feito, mas quero falar sobre meu primo. Disse Sasuke pensando levemente sobre o assunto enquanto buscava a frase certa para dizer ao seu rei.

-Meu primo é mesmo um ótimo médico, por isso eu te peço uma coisa. Disse Sasuke entrando na água morna com um suspiro de contentamento.

-Tudo que quiser meu amor...

-Dê a ele o título de médico da corte, ele merece, ele tratou de todos os escravos e servos que foram feridos pelo usurpador e isso tudo as escondidas, é um herói.

Naruto já tinha providenciado isso, mas o faria somente quando o próprio Sasuke estivesse bem e pronto para participar desta linda cerimônia onde o jovem Shisui seria nomeado médico e ainda receberia a estrela que era dada somente aos mais valentes do reino, como soldados que venciam inimigos terríveis em campo de batalha, pois de fato ele foi corajoso e muito valoroso, mais que qualquer outro neste reino pois ele salvou seu amado, a sua outra metade...

-Claro que eu farei isso, na verdade faremos juntos...Mas por agora apenas descanse, eu devo ajuda-lo depois usando o óleo de lavanda aquecido em todo seu corpo, isso é para amenizar a dor e retirar os hematomas mais rapidamente, além de perfumar muito todo o ambiente. Disse o rei sorrindo e dando beijinhos no rosto corado do amado.

-Hum adoro massagens, eu vou gostar.

O rei lhe era todo atenção.

-Meu rei? Quando acha que poderemos fazer aquilo? Perguntou Sasuke olhando enquanto Naruto removia os restos de unguento perfumado de sua pele ainda em processo de cicatrização.

O rei o olhou chocado e revirou os olhos fazendo o pequeno general sorrir divertido.

-Como pode pensar em algo assim? Perguntou o rei fingindo estar ofendido.

-Oras? Não é uma pergunta normal entre amantes?

-Oh sim, de fato é...Para amantes que não estão se recuperando de torturas, não para um lindo general que enfrentou coisas impossíveis e graças aos deuses viveu para contar sua história.

Sasuke agora se fingiu de ofendido cruzando os braços e mostrando um lindo olhar enviesado.

-Pois saiba que a culpa é sua, eu nem sabia o que eram as coisas do amor, agora me pego pensando nisso quando o tenho na minha frente deste modo.

O rei sorriu e lhe abraçou carinhosamente.

-Tá bem...Seu primo me disse que na próxima semana estamos liberados para brincadeiras leves e daqui duas semanas podemos voltar a brincar com as coisas da natureza do amor de novo...

Sasuke corou como um tomate maduro e deu tapas nos ombros do rei, o que de fato o fez gargalhar com o gesto.

-Não acredito que perguntou isso a meu primo? Ele vai achar que tem um rei tarado no poder!! Francamente Naruto!!

Naruto ria demais, mas precisava explicar que não tinha culpa nenhuma nisto.

-Calma meu amor, foi ele quem me disse isso, eu não perguntei, juro pelos meus antepassados e confesso que foi muito engraçado o modo como ele ficou envergonhado ao tentar me falar isso sem engasgar e nem enroscar nas palavras.

Sasuke sorriu.

-Suponho que sim, imagino...Mas bem, isso responde minha pergunta.

Após o banho o rei realmente usou o óleo aquecido na pele lesionada e o resultado foi que antes de terminar Sasuke já dormia e logo a seguir Mikoto chegava trazendo Boruto que agora andava muito quieto e fechado.

O rei neste momento estava lendo ao lado da cama de Sasuke onde podia ficar de olho nele o tempo todo, mas Mikoto desejava cuidar do filho um pouquinho e ele achou que era hora de ir ter com os ministros enclausurados e decidiu levar Boruto consigo, não porque queria que o filho visse novamente a tortura, mas porque ele havia prometido no calor do momento e uma promessa de um rei é sagrada.

-Mikoto devo sair agora e retornarei em no máximo duas horas, tenho um assunto urgente a tratar, pode cuidar de Sasuke por mim? Ele deve dormir até quase o anoitecer, até lá Shisui deve estar de volta de qualquer modo e espero que com Haruno ao lado dele.

-Sim, vá interrogar aqueles malditos ministros e se me permite dizer, por favor os faça sofrer, sei que meu filho nunca diria isso, mas eu não sou tão elevada assim, por isso...Acabe com eles. Ela disse muito sombriamente e o rei concordou, de fato ela tinha ainda o espírito de uma rainha guerreira no sangue, não admira que a Arquivadora a amasse tanto.

-Bem...Que seja feita a vossa vontade.

Boruto seguiu com ele sem falar nada e o silencio dele o incomoda muito.

-Filho, por favor diga algo ao seu pai...O que eu lhe contei, peço que compreenda, foi antes, bem antes de eu amar Sasuke como amo.

O menino teve tempo para pensar e já tinha chegado a um veredicto.

-Meu pai, foi errado o que o senhor fez, me ensinou que eu não devo seguir seus passos a risca, pois o senhor errou muito, mas quero ter sua coragem para admitir meus erros e ter a capacidade de meu pai Sasu em perdoar e amar, tentarei ter em minha alma somente o melhor dos dois.

Naruto parou e o encarou.

-Devemos desistir de fazer os ministros sofrerem?

Boruto revirou os olhos.

-Eu disse que quero um dia ser como ele, de fato eu quero ver aqueles desgraçados sofrendo e muito!

Naruto teve que rir, afinal no fundo seu filho não era tão evoluído como Sasuke, neste momento ele era puramente o próprio pai biológico.

Enquanto isso Shisui estava nos aposentos onde Hinata estava, eram longes dos aposentos do rei, ficando na ala leste do palácio, ele se encontrava revisando os remédios que estavam prescritos para a mulher acamada, de fato o antigo curandeiro devia ter sido muito bom, ali ele conseguia ver plantas que nunca tinha ouvido falar, acreditava que tinha muito a aprender, mas se sentia feliz que agora poderia faze-lo.

-Vejo que seu curandeiro usou folhas de cajueiro para conter o veneno, estou certo?

A mulher olhava desconfiada para Shisui, afinal ele o conheceu como um inválido e escravo do rei, ou ainda um prisioneiro, o que dá no mesmo no final das contas, nunca pensou que ele conhecesse algo de medicina, mas tinha que suspirar aliviada porque a presença dele lhe trouxe um pouco de alívio.

-Sim, quando eu recobrei a consciência infelizmente o pobre homem estava morto com um ferimento de espada no peito, eu creio que eu mesma não tive o mesmo fim porque os soldados que aqui entraram devem ter acreditado que eu já estava morta, mas sem ele eu mesma tive que administrar alguns remédios e não foi fácil, tenho pouquíssima experiência com venenos e antídotos, sofri muito nestes dias, porém eu nunca pensei que o jovem mestre tivesse conhecimento em medicina.

Itachi se sentou ao lado da cama e ofereceu a jovem um copo de água fresca, adivinhando que ela usou somente a água velha que tinha a sua disposição naquele quarto escuro, e ela aceitou o líquido realmente sedenta.

-Meu amado surpreendeu a todos...Principalmente o rei, se não fosse ele creio que Sasuke estaria morto agora.

Hinata tremeu violentamente, pois sentia o que isso significava e tinha que falar com o rei, porém isso revelaria sua própria traição e a levaria para a morte ou a tortura, nenhum dos dois lhe era agradável e o medo lhe tomou a alma.

-Me digam...Sabem da senhorita Haruno?

Shisui lhe sorriu ao lhe oferecer o remédio que devia fortalecer seus músculos lesionados pelo veneno feroz.

-Estaremos indo ter com ela agora, descanse, mandarei os servos lhe ajudarem em tudo que for preciso, tem guardas a porta para protege-la e creio que tudo ficará bem agora.

Hinata duvidava disso, mas por enquanto iria se recuperar e depois contar a Haruno e só então ver o que devia fazer.

Shisui e Itachi foram então ao aposento da senhorita Haruno e para sua alegria a encontraram de pé, viva e saudável.

-Senhorita Haruno, como é bom lhe ver saudável! Temia o pior devido aos acontecimentos do palácio, graças ao céus ficou segura aqui neste aposento. Disse Shisui sorrindo.

Ela o olhou e também sorriu.

-Vejo que está totalmente recuperado não é? Muito bom, aconteceu que eu usei muita magia e fiquei esgotada, calculei mal minha recuperação, mas por hábito usei magia de proteção neste aposento, assim nenhum inimigo o acharia, criei várias barreiras e isso salvou minha vida e a dos meus servos que também estudam magia e curanderismo e que certamente seriam mortos pelo maldito Maeda.

-Vejo que está a par de tudo. Disse Itachi.

-Bem, de quase tudo, meus servos podem ser bem fofoqueiros ao meu ver, mas eu os agradeço muito por isso hoje, atualizaram meus dias com todo tipo de assunto interessante e alguns bem perturbadores.

Shisui e Itachi concordaram, foram dias perturbadores ao extremo e eles ainda não sabiam o que estava por vir.

-Bem, eu estou ainda um pouco fraca, mas mesmo assim inteira e quero ir ver Sasuke e ver se posso ajudar em algo, mas no meu atual estado muito provavelmente terei que apenas observar.

Shisui se adiantou e lhe agradeceu em uma profunda reverencia.

-Senhorita Haruno eu lhe agradeço muito por ter me curado...Nunca poderei pagar essa dívida.

Haruno o levantou e lhe sorriu, sendo ela mesmo a se curvar a ele.

-Na verdade a pagou ajudando o general Sasuke, pois sem ele meu rei morreria com certeza, então sou eu quem deve agradece-lo.

No final eles se abraçaram, ambos agradecidos e felizes.

Claro que nem todos estavam felizes...A bruxa se contorcia de ódio no canto escuro onde estava, escondida da luz para tentar amenizar a dor da perda do seu corpo carnal, afinal seus ministros estavam presos, seu Cão morto e o usurpador largado em uma masmorra aguardando o seu destino, quem lhe restou?

Nisto ela teve uma ideia assombrosa, ela poderia usar os laços que este corpo moribundo tinha com a feiticeira Haruno e se tivesse sorte poderia ter um novo corpo em breve, não exatamente o do rei Dragão, mas um igualmente bom e forte.

Agora só lhe restava esperar o momento oportuno...

Notas finais
Shisui foi realmente importante neste momento, eu estou feliz com isso, acho que depois disso merece ser um médico de verdade, reconhecido pelo rei e pelo reino.

27. As lições da vida.

Notas do Autor
O rei cumpre uma promessa a si mesmo a seu filho, o que será que acontecerá aos ministros? Boa leitura!!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: As lições da vida.

O salão oval estava limpo mais uma vez, soldados reais deixaram tudo como se nada tivesse ocorrido ali, mas as correntes estavam penduradas na pilastra, o tronco ainda do lado do trono e cordas novas jaziam no chão de modo sombrio.

Um a um os ministros entraram no recinto, eles usavam agora vestes brancas e simples e estavam descalços, andavam devagar porque seus pés estavam atados assim como suas mãos, eles eram agora num total de nove, pois durante a luta na sala oval alguns ministros avançaram junto aos soldados do rei e foram mortos, felizmente Maeda não morreu, ele estava li.

O rei se levantou de seu trono, usava sua roupa vermelha e dourada com uma longa capa aveludada, usada em cerimônias importantes e este momento era mesmo importante.

-Maeda, ainda me pergunto como pode me trair assim, realmente iria punir meu filho por um crime que ele não cometeu e usar para isso uma punição dolorosa e humilhante dessas? Achou que sua bruxa de mil anos o protegeria? Onde ela está neste momento?

Maeda não esperava ouvir esse nome saindo da boca do rei, ele se encolheu porque sabia que estava perdido e assim diria o que o rei quisesse saber, talvez assim o rei lhe fosse misericordioso como ele mesmo não foi com a rainha e com o príncipe.

-Meu rei, perdoe-me, cometi esses crimes por culpa do feitiço da bruxa sobre meu coração, eu fui apenas usado por ela, peço ao meu rei que leve isso em consideração e seja benevolente...Eu não sei quais eram os planos da bruxa, mas sei que todos fracassaram uma vez que vossa rainha está viva.

Naruto ferveu por dentro, ele se adiantou ainda mais ficando cara a cara com o maldito homem.

-Pelo que sei o feitiço negro só atingi os corações já corrompidos, por isso os que não cooperaram foram mortos, eu mesmo estive sob o efeito desse feitiço e por conta dele assinei essas leis que em meu estado real nunca assinaria, mas meu corpo lutou contra e eu acabei perdendo a consciência e não fui vencido pelo mal, eu não fui corrompido. Seu coração ao contrário sempre foi negro como a noite, sempre maltratou seus servos e escravos, sempre foi um maldito sádico com todos, assim como eu sei que foi com Sasuke...

Maeda tremia, assustado até os ossos.

-Meu rei...Piedade!! Eu não sou forte como meu rei e nem valente como vossa rainha, não posso suportar a tortura, perdoe-me.

O rei sorriu, lentamente ordenando que seus soldados arrastassem o tronco para o meio da sala oval.

-Assim como teve piedade de uma menino indefeso e lhe incutiu um castigo de vinte e cinco vergastadas em bambu? Do mesmo modo que foi generoso com ele e permitiu que a vara fosse embebida em óleo? Ohh sim...Ou como foi piedoso com Sasuke ao lhe dar como castigo cinquenta golpes pelo corpo todo por portar uma adaga e mais vinte golpes por ter tentado se ferir sem meu consentimento? Ou talvez eu deva ser piedoso como foi com meu marido ao permitir que ele usasse uma túnica e não mostrasse sua nudez aos demais ministros? E mesmo assim o ferisse quase até a morte permitindo que aquele maldito Cão fosse o carrasco?

Maeda abaixou a cabeça sem palavras.

O rei enfim ditou a sentença do homem.

-Eu declaro que o antigo ministro Maeda seja punido com vinte e cinco vergastadas de bambu, e setenta golpes de madeira pelo corpo.

Maeda caiu ao chão implorando por piedade e Boruto se levantou de seu canto, indo ter com seu pai.

-Pai, talvez possamos ser piedosos com este verme, se ele apanhar tanto com golpes de madeira pode vir a morrer e eu preferia que ele vivesse em nossas masmorras por longos anos, sendo assim sejamos piedosos com ele como ele foi comigo.

O rei ouvia atento.

-O que sugere meu filho?

-Bem, aumente as vergastadas neste infeliz, elas são dolorosas ao extremo, mas causam ferimentos mais leves, de fato ele não morrerá com isso e diminua os golpes de madeira, assim ele sofrerá mas sairá vivo, de fato ele não é forte como meu pai Sasu, isso é verdade...Cinquenta vergastadas devem servir para ele e cinquenta golpes de madeira...Lógico que tanto o bambu como a madeira devem ser embebidos em óleo, pois se ele teve essa preocupação comigo eu também terei para com ele.

Um soldado se adiantou e puxou Maeda para o lado do tronco, ele teve as vestes retiradas de seu corpo, para ele não haveria tecido a cobrir sua nudez, ele devia sentir na pele a humilhação que tantas vezes fez seus escravos sentirem, seu corpo foi forçado ao tronco levemente inclinado assim como foi feito com Sasuke, seus pés atados e suas mãos também, a vara de bambu foi trazida e molhada em óleo antes de que a ordem fosse dada.

Boruto se adiantou e parou perto do condenado, se abaixou e ficou na altura dos seus olhos para enfim lhe dizer algumas últimas palavras...

-Que sinta toda dor que causou em meu pai Sasu, ele que tem o coração puro e pediu que toda tortura fosse extinta deste reino porque é um homem extraordinário, de fato depois de hoje esse tronco será queimado, essa pilastra derrubada e essas correntes derretidas, mas hoje...Hoje veremos a justiça ser feita.

O rei então ditou a ordem.

-Que o castigo comece!!

Um soldado começou a contar lentamente e o outro soldado começou a vibrar no ar a haste de bambu tão alto quanto era possível, provocando ondas de som na sala acústica e o grito do ex-ministro Maeda se propagou no ambiente aterrorizando os outros oito homens que deveriam ter o mesmo destino em breve.

-Um...Dois...

Maeda sentiu a dor se propagar como se fosse fogo por sua pele nua, cada golpe contado lentamente era ainda pior do que ele sequer podia imaginar, de fato nunca antes pensou na dor que seus escravos sentiam, para ele esses homens nunca foram de certo pessoas, ele as via como peças suas e nunca pensou que um dia estaria no mesmo local que eles, sendo atormentado com o mesmo castigo.

-Três...quatro...

O ex ministro se arrependeu rapidamente ao sentir na pele a dor causada por esse instrumento, ele podia sentir agora como era humilhante estar neste local, sendo visto por todos e sofrendo sem poder fugir de tal sensação, sem ter o poder de correr disto ou se defender, esse sentimento de impotência e de total submissão forçada era o pior que já sentiu em toda a sua vida, quanto mais sua pele nua sentia as vergastadas mais ele descobria como tal ato era terrível.

-Cinco...Seis...

Sua pele se rompia em finas linhas sangrentas, ele sabia que merecia tudo isso, mas era demais para suportar e seus gritos ecoavam na sala ampla, todo seu corpo suava, pingando gotas no chão, o medo e a sensação ansiosa de esperar outro e outro golpe quase sem pausa era assustador demais.

De fato Maeda foi um homem arrogante a sua vida toda, dono de muitos escravos que comprava em feiras e muitos que arrebatava quando os soldados voltavam de alguma conquista e traziam o espólio de guerra que eram os vencidos, jovens soldados de nações próximas ou distantes, vilas pequenas ou grandes províncias, ele escolhia os mais belos, os mais exóticos, aqueles com olhos azuis ou caramelos, pele de ébano ou branca como as neves das montanhas, ele chegou a ter em torno de cinquenta ou setenta escravos, mas como era um homem de negócios os vendia para amigos próximos ou mesmo nas feiras para arrecadar lucros após lhes toldar muito bem a razão os deixando dóceis e maleáveis.

Quando veio com o grupo que se estabeleceria em Terras Nevadas trouxe de Guinzen apenas cinco escravos, todos os outros ele vendeu, pois assim gastaria menos na viagem longa até seu novo lar, destes um ele perdeu logo que se mudou, um jovenzinho frágil que foi punido por algo insignificante, ele ainda se lembrava dos pedidos do menino por misericórdia, coisa que ele tão arrogante como era negou enfaticamente, e o jovem foi condenado a cinquenta vergastadas, e depois foi entregue a Haruno e o que ela fez dele Maeda nunca soube e nem nunca se importou, estranhamente enquanto sentia tanta dor esse menino vinha a sua mente, repetida vezes sem conta, como um quadro revisto muitas e muitas vezes, ele se arrependeu pelo mal que causou.

Tudo isso vinha a mente do ex ministro quando a haste batia em sua pele impiedosamente, ele se lembrava de quantas vezes mandou punir seus escravos deste modo por razões as mais variadas, se um destes escravos não o satisfizesse como ele desejava na cama, ou quando a comida estava nem tão de seu agrado ou as vezes somente porque ele gostava de ver o medo em seus olhos, nestes casos ele mandava que a punição fosse leve, apenas dez ou quinze vergastadas, só para humilhar e ver esses jovens sofrendo, atribuía a isso o nome de controle, dando a eles uma domesticação eficiente, como se fossem apenas animais sendo domesticados pelo dono, porém de modo cruel.

-Dez...Onze...Doze...

A dor fazia as lágrimas descerem de seu rosto e pingarem no chão, sua voz estava rouca de tanto gritar e já não saia com facilidade, seu corpo ardia de vergonha em saber que estava exposto para que todos na sala pudessem ver sua nudez e sua humilhação e ele se sentia a pior das criaturas, imaginou que era assim que seus escravos se sentiam, pois naquela época ele mandava que os mesmos fossem vergastados na frente dos outros ministros e algumas vezes no campo fora do palácio onde a população comum podia ver e assistir livremente a punição, nestes casos um grupo maior ainda de pessoas podia ver o que acontecia, em Guinzen sendo isso muito comum era ainda mais humilhante, uma vez que esses pobres escravos tinham que caminhar de onde estavam, que geralmente eram as masmorras até o local onde aconteceria a sua punição totalmente nus e descalços.

-Treze...

Algumas vergastadas eram piores, a dor era acentuada porque a haste atingia um local já ferido, marcado e sangrando onde a pele já ferida havia se rompido, nestes pontos sua voz rouca atingia ainda os altos gritos que arranhavam sua alma antes tão negra.

-Dezoito...Dezenove...Vinte...

De um modo estranho toda a sua vida havia sido exposta em sua mente atormentada pela dor, ele a via passando em uma sucessão de fatos, o modo como nunca teve uma família porque preferiu a submissão total de outras pessoas a ele, sua rendição e nunca teve amor ou carinho de ninguém de fato...

-Vinte e um...

Os sons da tortura lhe toldavam a visão e a contagem era angustiante, mas ele sabia agora o que cada um dos seus escravos sentiam na própria pele, ele sabia porque era humano e como qualquer pessoa ele sofria e sangrava, independente de sua riqueza ou status, ele era humano e agora se via como tal.

As pessoas costumam mudar na vida, algumas lentamente por conta de algo que lhes abriu os olhos e outras muito repentinamente, mas geralmente a única forma de transformar alguém é pelo amor ou pela dor...Maeda descobria na dor essa transformação, embora tardiamente ele começava a esboçar um remorso por aqueles que teve em seu poder e que fez sofrer, ele nunca amou e nunca soube o que era ser amado, mas sempre soube o que era ser temido.

-Trinta...

O som já estava distante, sua pele ardia tanto que ele mal conseguia respirar, todo seu corpo tremia, assim como ele sabia que o de Sasuke tremeu, de fato ele viu isso acontecer, estava próximo ao general quando as contagens começaram, ele viu a pele frágil sendo vergastada, viu a roupa se tingir de sangue fresco em pequenas gotas que aumentavam conforme ele apanhava mais e mais, ele viu como o pequeno general lutava involuntariamente para se soltar mesmo sendo isso impossível, mas o instinto humano de se proteger é o mais forte que existe, ele viu como o corpo que usava a túnica leve ficou coberto de suor colando a roupa na pele e nas feridas abertas e agora sentia exatamente como era isso, ele agora sabia qual era a dor de tudo isso.

Seus pulsos ardiam pelas tentativas inúteis de puxar as mãos, sendo a pele dessa região machucada no processo, sua força se esvaia rapidamente agora que ele estava ouvindo os últimos números sendo contados pelo soldado.

-Cinquenta!

Ouve uma pausa onde sua respiração soava alta no ambiente silencioso, ele ouvia ainda o choro baixo dos outros ministros que haviam assistido tudo e sabiam que seriam os próximos.

Seu corpo foi solto e ele caiu no solo, assim como Sasuke ele não sabia se poderia ficar em pé, ele não podia deixar de gemer e chorar ainda, mal podendo se mover diante da dor que sua pele sentia, ferida, machucada e ardendo tanto.

Boruto assistiu tudo, firmemente, mesmo que em determinado momento tenha desviado os olhos, coisa que seu pai não julgou ser covardia, mas bondade em seu coração jovem.

O rei então decretou que a punição seguisse seu curso, mas antes que isso começasse ele se aproximou de Boruto que estava um tanto pálido e lhe beijou o rosto suave.

-Vá cuidar de seu pai Sasu meu amor, sua promessa foi cumprida, agora esqueça esses malditos homens, eles são monstros que feriram pessoas a vida toda, mas não quero que se sinta como eles, pois você não é assim, eu por outro lado sou bem parecido, uma vez que já ordenei que muitos homens sofressem, minha alma corrompida pode assistir mais uma vez tal degradação, em nome da honra do meu amado que foi ferido por eles, mas eu desejo que seja a última vez, pois mesmo minha alma sendo tão impura sinto que está sendo iluminada pela de Sasuke e um dia pretendo ser um bom homem, um bom rei e ser conhecido por ser justo e bom.

Boruto sorriu agradecido.

-Sim papai, obrigado, apenas me deixe ver que ele será punido, quero ver o primeiro golpe e depois irei embora e nunca mais quero ver sangue derramado neste local de novo, teremos que mudar isso...Transformar este local odioso em algo diferente, me promete?

-Sim, eu prometo...

Boruto ainda pensou enquanto via os soldados arrastarem Maeda a pilastra e amarrem seu corpo do mesmo modo que ele viu fazerem isso com seu pai Sasu sobre as ordens do homem que agora seria punido justamente, braços acima da cabeça em correntes pendentes, corpo bem junto a pilastra rodeado por cordas e pés firmemente atados no solo onde haviam correntes firmes e grossas.

-Pai? Tem outra coisa que quero que faça.

Naruto o ouviu.

-Ordene que estes condenados sejam tratados após isso, eu não quero que eles morram, devem ser mantidos vivos, serem alimentados, devem viver suas vidas na prisão vendo os dias passarem lentamente observando pelas grades um mundo florido e em transformação que não os pertence mais.

Naruto concordou, de fato o crime destes homens devia ser conforme a lei antiga a punição física e depois a morte por execução, mas assim como Sasuke disse uma vez, ele também tinha visto sangue demais e morte demais, a prisão perpétua seria um castigo melhor para a traição e o golpe que pretendiam impor e lhes daria muito tempo para reflexão.

-Eu farei isso meu filho, meus soldados localizaram entre o povo muitos médicos e curandeiros clandestinos, todos foram convocados e estão recebendo mais instrução dentro do templo da Arquivadora, ela não é medica, mas tem o maior acervo médico de que se tem notícia e está disponibilizando a eles o que possuía para que eles possam aprender mais, creio que terão muito trabalho com esses ex ministros depois de hoje e estarão aptos a serem considerados médicos e curandeiros oficiais recebendo suas credenciais reais depois disso.

Boruto concordou, embora sem nenhum sorriso, era uma ocasião triste no final das contas, descobriu que não sentia prazer ao ver aqueles homens sofrendo, mas sim um senso incomum de justiça divina, afinal eles recebiam o que haviam plantado e era só isso.

O rei avaliou a situação e viu que Maeda já estava em posição, ele chamou o soldado escolhido para a punição, coincidentemente era um antigo escravo que foi vendido e libertado entrando para o exército do rei após isso e que agora seria o executor da pena do seu antigo mestre, um mestre que lhe foi muito cruel.

-O condenado deve receber agora a continuação de sua pena, que comece a contagem! Ordenou o rei.

-Um...Dois...

Maeda sentiu a madeira tocando sua pele na região dos flancos, de fato ele podia imaginar que isso seria doloroso, mas nunca que seria tanto, agora ele via que o fato de untar a peça com óleo em nada contribuía para a amenização da dor, ele sentia dor intensa e pungente em cada parte que era atingida e gritava alto a cada golpe, não podia acreditar que Sasuke havia gritado tão pouco, ficando impassível na maior parte da punição, como ele conseguiu tal fato?

Boruto se sentiu satisfeito agora que sabia que a justiça foi feita e saiu da sala ainda ouvindo os gritos do ex ministro, ele não veria o final da pena e nem assistiria os demais sendo punidos, alguns já estavam apavorados, outros choravam, mas todos deveriam passar pelo mesmo que fizeram o general passar e isso era um fato imutável.

Mas assim como seu pai havia dito ele o fez, sua mente se focou a frente, em sua vida dali adiante, em sua família e em nada mais, esquecendo esses malditos homens a sua própria dor e infelicidade, sua alma não era corrompida como a deles e ele não se entregaria a lembranças que fariam seu coração sangrar, revivendo toda a cena que passou de modo infernal, isso ele não desejava, por isso mesmo ao sair do local fechou essa porta, ele era livre e assim continuaria.

Ainda na sala oval Naruto assistiu toda a punição de Maeda, até o último golpe mesmo após ele já estar desacordado e depois ordenou que ele fosse levado as masmorras e tratado devidamente, após isso ordenou que outro ministro fosse trazido e após deixar claro suas ordens deixou em seu lugar homens de sua inteira confiança e uma serva do templo da memória, uma acólita da Arquivadora para registrar toda a punição e manter seus soldados na linha, nenhum golpe seria dado fora os que eram de fato os da punição e depois de punidos cada homem daqueles seria levado as masmorras e tratado como deveria, sua prisão os aguardava até o final de seus dias, numa ala afastada de seu palácio, com janelas que davam para uma planície limpa, a única visão do mundo que teriam de agora em diante e todos os seus escravos seriam libertados e todos os seus servos poderiam deixar seus postos, seus bens seriam divididos com esses homens e mulheres tão mal tratados por eles e assim essas pobres pessoas poderiam recomeçar ou continuar suas vidas.

Depois disso ele saiu, já ouvindo os sons da haste de bambu novamente e deixou tudo isso para trás, rumando aos aposentos do ser que ele amava mais que a si mesmo, aquele cuja alma brilhante lhe iluminava os dias e noites, e sabia que devia protege-lo, pois no fundo o seu maior inimigo ainda era um mistério e andava livre por algum lugar, ele sabia que a bruxa de mil anos tinha planos e precisava entender mais disso e certo como o dia surge, ele sabia que ela atacaria de novo.

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Haruno avaliava Sasuke que ainda dormia, observando seu sono tranquilo, ele dormia de bruços, com almofadas fofas embaixo dos pés e o ambiente tinha cheiro de lavanda e estava limpo, calmo e sereno.

-Não tenho coragem de acorda-lo, prefiro aguardar, seu sono parece tão calmo, como conseguiu isso sendo que ele foi torturado a apenas cinco dias? O pobrezinho deveria estar muito dolorido para até mesmo ser capaz de dormir.

Shisui que estava preparando a infusão de canela sorriu para ela e lhe entregou a lista de plantas que usou em Sasuke durante estes dias tormentosos e que foram tão úteis para acalmar sua pele ferida, cicatrizar a pele aberta e eliminar o inchaço e a dor.

Itachi sorria para seu namorado como se ele fosse o próprio deus da beleza, apaixonado ainda mais por ter descoberto esse lado incrível dele, mas mesmo assim se voltava para dar atenção ao pequeno Boruto a quem havia encontrado sentadinho nos pés da cama de Sasuke ainda se sentindo culpado e para alegra-lo o havia tirado de lá para jogar gamão, sendo assim eles estavam no chão, sentados em almofadas, bem perto da cama, mas ocupados em se distrair.

Mikoto ajudou Shisui a aquecer o óleo de lavanda em uma tigelinha de cerâmica e agora se sentava na cama tocando suavemente a testa do filho para acorda-lo, eles não deixavam passar o tempo de seus chás ou infusões, pois não queriam que ele sentisse dor ou desconforto maior.

-Querido, acorde meu menino lindo, é hora do seu chá.

Sasuke se moveu gemendo de leve, mesmo estando bem tratado sempre se sentia dolorido ao se mover na cama, pois ainda não podia se deitar de outra maneira e isso era incomodo.

Ao menor resmungo Shisui estava do seu lado, colocando a mão em sua testa e avaliando seu estado.

-Priminho, está doendo? Onde? Posso passar mais óleo de lavanda aquecido?

Sasuke com a ajuda da mãe e do primo conseguiu se sentar lentamente, demorando a relaxar, pois seu corpo ainda estava muito dolorido e suas coxas também, mas após um breve momento ele sorriu aos dois.

-Estou bem, bem melhor que ontem e a cada dia melhoro mais, graças a vocês.

Ele então viu Haruno sorrindo para ele e lhe ofereceu a mão saudoso dela e de sua alegre e calma companhia.

-Fico feliz em lhe ver senhorita Haruno.

Haruno fez uma reverencia, afinal ele era agora sua rainha e ela se sentia em débito com ele por ter sido sempre tão dura.

-Por favor vossa majestade me chame de Haruno de agora em diante.

Sasuke esboçou um leve sorriso e contra atacou.

-Eu o farei se continuar me chamando de Sasuke ou mesmo general como sempre o fez...

Ela concordou e esperou enquanto ele tomava o chá oferecido por Shisui, estava doce e saboroso e ele sorveu o líquido satisfeito com seu efeito sobre seu corpo que aos poucos relaxava e sentia-se melhor.

-Obrigado Sui...Isso sempre ajuda, principalmente quando eu acordo.

Shisui sorriu.

Mikoto convidou Haruno a ficar ao lado da cama, ela mesma fechou as cortinas pesadas pois alguns servos arrumavam o quarto, enquanto ela ajudava Sasuke a se despir e se deitar na cama, enquanto Shisui iria passar o óleo aquecido no corpo do primo querido, algumas regiões ainda tinham hematomas muito grandes e arroxeados e o óleo aquecido ajudava muito na dor.

-Sasu, eu posso sair se quiser, mas eu gostaria de observar as lesões e ver se posso ajuda-lo em algo, ainda que meus poderes estejam todos enfraquecidos no momento.

Sasuke lhe sorriu gentil.

-Tudo bem, já me viu sem roupas antes e me ajudou muito, tem minha total confiança e a do rei também.

Haruno se adiantou e observou a pele arroxeada, seriamente ferida mas em processo de cura acelerado e ficou impressionada com as habilidades do jovem Shisui.

Shisui e Mikoto espalhavam o óleo aquecido na pele suave com a palma das mãos de modo gentil e delicado, ao menor gemido de Sasuke suavizando ainda mais o toque, faziam isso pelo menos três vezes ao dia agora, sendo que maior parte era o rei quem preferia cuidar de Sasuke, mas no momento eles podiam fazer isso uma vez que o rei estava ocupado com as coisas do reino.

-Meu general, esse óleo é eficiente? A dor melhora? Será que ouve algum danos aos órgãos internos? As costelas podem ter se ferido?

Haruno era médica, mas usava a medicina misturada com a magia, nunca de modo simples assim, por isso as perguntas.

-Bem, eu acredito que estou bem de certa forma, não acho que tenho nada quebrado, a dor realmente melhora após o óleo aquecido, eu me sinto mais calmo e relaxado e consigo dormir, mesmo quando eu acordei após a tortura, já limpo e na cama, cercado dos que me amam eu não sentia mais tanta dor, apenas ao me mover, mas os chás e infusões me davam alívio e sono e eu me senti muito bem amparado e bem cuidado, sei que a medicina que Shisui conhece não é como a sua magia, mas graças a ele eu estou bem e a cada dia me sinto melhor.

Ela sorriu e se aproximou vendo que mesmo as marcas das vergastadas estavam sumindo na pele clarinha, mesmo que agora estivem ainda vermelhas já se via que seriam completamente curadas, haveriam marcas finas e brancas, as cicatrizes de tal ato eram inevitáveis e ela poderia depois usar sua magia nestas marcas com certeza.

Quando Shisui e Mikoto terminaram eles ajudaram Sasuke a se vestir e abriram as cortinas, todos foram a sala contígua para comer algo e conversar, para Sasuke foi preparado uma poltrona com macias almofadas e encosto para os pés, próximo a lareira e ao lado de tabuleiros de jogos.

-Pai Sasu, se sente bem para uma partida de gamão? Já cansei de ganhar de Itachi, ele é péssimo nisso. Reclamou Boruto e Sasuke riu.

-Oh isso, bem creio que ele é ruim neste jogo porque fica prestando atenção em Shisui o tempo todo, não acha?

Itachi riu e Shisui corou dando tapinhas no braço de Itachi para repreende-lo.

Mikoto servia chá e Haruno resolveu pedir a uma serva para trazer mais biscoitos quentes.

-De fato eu acho isso também, agora a pouco ele se atrapalhou olhando enquanto Shisui estava de costas ali, posso jurar que ele olhava a bunda dele! Disse Boruto bem baixinho e em tom de segredo fazendo o próprio Sasuke corar.

-Menino! Não diga essas coisas!! Repreendeu Sasuke envergonhado, porque de fato Boruto era muito perceptivo, demais ele diria para a pouca idade que tinha, mas o que se faz com um pequeno gênio desses?

Era um momento alegre e comum, mas Haruno queria conversar sobre a bruxa, ela a sentiu e sabia de sua existência a algum tempo, e já tendo ideia de sua aparência e de como ela usava sua magia.

Enquanto Sasuke e Boruto brincavam e Shisui palpitava nas escolhas das pedras do jogo a favor do primo, Haruno puxou Mikoto e Itachi para um canto, ela confiava em ter ao seu lado em suas preocupações a antiga rainha e seu filho que era um grande guerreiro, e não queria preocupar Sasuke, Boruto e Shisui.

-Preciso falar sobre a bruxa, todos ouvimos as especulações de que o golpe foi orquestrado por ela, mas nada sabemos dessa infeliz bruxa.

Itachi olhou a mãe e resolveu dizer o que achava.

-Ela é uma figura quase mítica neste reino, poucos conviveram com ela, sempre nas sombras do Usurpador e do Cão fiel, eu por outro lado servia na cama do odioso Usurpador como já lhe contei, eu era o favorito dele e as vezes passava dias em sua alcova, em várias ocasiões eu a vi, ela era como eu mesmo disse muito parecida com sua imagem, tinha os cabelos desta cor e a mesma pele clara.

Mikoto que viu a bruxa ainda mais de perto sabia de quem era o corpo que ela habitava, pois antes de ser uma escrava foi uma rainha e visitou o reino ao qual a própria Haruno pertencia.

-Minha cara Haruno, eu estive nas terras dos seus pais, antes que eles a tivessem, eu era ainda muito jovem e seus pais também, infelizmente eu posso afirmar que a bruxa não é outra pessoa senão sua própria mãe e não há meios de eu estar enganada sobre isso.

Haruno deixou a xícara de chá pousar na mesa e uma leve tontura a tomou de assalto, Itachi a susteve nos braços e a levou a uma poltrona discretamente, tomando o cuidado de ver se os meninos que brincavam com o jogo não percebiam, pois não os queria assustar de modo algum, seu irmãozinho merecia descansar e se recuperar totalmente antes de ter preocupações novamente.

-Desculpe-me querida...Pediu Mikoto sendo sincera.

-Ohh não há nada a desculpar, isso já havia passado por minha cabeça senhora Mikoto, assim que seu filho me contou a aparência da bruxa eu pensei nos fatos, essa bruxa rouba os corpos dos moribundos, os que estão para morrer, ela vive assim, de corpo em corpo...Deve ter roubado o corpo de minha mãe quando o então Rei Dragão, o pai do meu rei Naruto invadiu minhas terras e se apossou de meu reino, ele açoitou e matou meus pais, evidente que a bruxa estava lá e de algum modo ela pegou o corpo de minha mãe antes que ela de fato estivesse morta, minha mãe era uma feiticeira assim como eu, porém ouso dizer que mais hábil e ela tinha um bom fascínio por cobras, conhecia todos os encantamentos para controla-las.

Mikoto pensou um pouco.

-Essa bruxa queria o corpo de meu filho? Por isso tortura-lo quase até a morte?

Haruno pensava nisso, segundo as lendas a bruxa podia escolher um corpo forte ou um corpo mágico, a magia e o poder a atraiam imensamente, mas talvez não só isso, seria preciso um corpo muito forte para conter uma alma tão sombria e antiga ou um corpo possuidor de alta magia, sendo assim ela não iria desejar o general Sasuke, ele era muito bondoso mas de constituição mais frágil e sem magia, de fato ela desejava o corpo do rei, e para alcança-lo deveria deixa-lo com a mente fraca, suscetível aos encantos e feitiços dela.

-Não, ela desejava atingir meu rei em seu coração, matando Sasuke e o tornando um mártir neste reino, isso acabaria com Naruto e ela assumiria o controle.

Itachi concordou, ele mesmo sendo um estrategista pensou nisso, sua mãe achou que era muito mais próvavel essa teoria, mas e agora?

Nisto o rei adentrou o comodo e seu olhar pousou primeiro em Sasuke que ria junto a seu filho amado, ele então olhou para os outros presentes e lhes sorriu.

-Bom ver que está viva e com saúde minha cara Haruno, soube de Hinata?

-Ohh infelizmente sim, mas ainda não fui capaz de ir até ela, estava fraca e queria primeiro ver meu general...Digo minha rainha...

Naruto riu e se adiantou abraçando a mulher, mandando o protocolo aos ares, acima de tudo ele a considerava uma amiga querida e era bom a ver viva e bem.

-Ele sempre será nosso general. Disse a ela e ela sorriu concordando.

Após cumprimentar todos ele avançou até Sasuke e sem cerimônia o beijou na boca, provocando risinhos do filho.

-Pai!! Modos!!

O rei lhe despenteou os cabelos rindo.

-Oras? Eu sou o rei, devo ao menos poder beijar meu marido não é?

Sasuke revirou os olhos, divertido.

-Bem...Como foi lá na corte, tudo bem?

Naruto por um momento ficou tenso, mas então olhou o filho e concordou sorrindo de leve para Sasuke.

-Sim, eu resolvi o que precisava ser resolvido, creio que uma dívida foi paga e eu estou contente com isso, agora só me importa que esteja bem, está bem meu amado?

-Oh sim...estou e Haruno está contente com meu progresso.

Após conversar amenidades durante um tempo, Boruto dormiu com a cabeça repousada nas pernas de Sasuke e Mikoto pediu a Itachi para levar o menino para os aposentos dele, havia sido um dia longo e o pequeno precisava de descanso e bons sonhos, ela mesma se recolheu alegando que precisava ir ter com a Arquivadora para assuntos dos médicos, mas todos sabiam que ela estava apenas com saudades da amiga.

Haruno se viu sozinha com Sasuke e com Naruto e achou que devia alerta-los.

-Majestades...sei quem é a bruxa...Ou melhor, eu sei que corpo ela usa, talvez assim seja mais fácil acha-la.

Sasuke pegou na mão de Naruto nervoso com isso.

-Diga-nos por favor...

Haruno suspirou.

-Ela tomou o corpo de minha mãe.

Naruto ficou tenso, isso era bem ruim, mas pelo menos eles sabiam como ela se parecia, poderia deixar todos os seus soldados avisados.

-Sinto muito Haruno. Disse Sasuke lhe tocando a mão gentilmente.

-Tudo bem, minha mãe está morta a muitos anos, essa mulher que deseja o mal a todos nós não é ela, minha mãe morreu como meu pai e como metade dos nobres do meu antigo lar.

Naruto ainda se sentia mal com isso, ele nunca pode intervir sobre isso, infelizmente seu pai foi um rei sanguinário demais.

Após isso ela se retirou alegando precisar descansar mais e eles a deixaram ir, no entanto ela tinha outros planos, iria ter com Hinata, pois sabia de duas coisas, uma era que a serpente que mordeu sua serva não existia em Terras Nevadas, segundo ela sentia que tinha deixado passar algo importante referente a Hinata e tinha que averiguar urgente, antes que o rei descobrisse algo e nem mesmo ela pudesse salvar a moça de um destino cruel.

Notas finais
Creio que eu precisava punir Maeda, não acho que sou tão evoluído quanto Sasuke neste assunto...Mesmo assim eles estão vivos, isso mostra o grau de mudança no rei, e quem adora o romance desse rei que começou tão mal, arrogante e acabou como um leãozinho para com seu general?
Comentem que isso ajuda muito no processo criativo, mas agora eu vou indo porque andei muito e minhas pernas estão doendo, vou usar óleo de lavanda aquecido e dormir...Beijos de Akirasam.

28. As primeiras flores da primavera.

Notas do Autor
Neste capítulo um pouco de medo, um pouco de amor e um pouco de tudo...Talvez eu esteja dentro da inspiração. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: As primeiras flores da primavera.

A sombra da macieira era proporcionalmente deliciosa, o perfume de algumas flores que nasciam após o inverno e anunciavam o princípio da primavera pairava no ar, assim como se ouviam as abelhas distantes e os pássaros em profusão, no céu nuvens muito brancas pairavam como pinturas em um céu profundamente azul.

-A mesma cor dos seus olhos...Sussurrou Sasuke encostado nos ombros do seu rei.

-Tem certeza que está bem meu pequeno general?

Sasuke sorriu ainda que seu rosto estivesse virado para as flores mais adiante e ele sentiu a mão suave do rei a tocar-lhe a testa pela décima vez somente nos últimos dez minutos.

-Sim, eu estou bem, estamos dentro dos muros do palácio, nos jardins internos, andamos o que? Vinte passos?

Não era bem assim, naquela manhã faziam alguns dias desde de o ocorrido e o corpo do general ainda estava em recuperação, muito embora ele agora pudesse dormir mais calmamente pois suas costas e flancos não estivessem mais tão feridos, assim como os cortes já bem cicatrizados nas nádegas e pernas, eram agora linhas finas e rosadas, é certo que a pele ainda estava sensível em quase toda parte, mas ele se sentia melhor e sendo uma pessoa que sempre esteve ao ar livre ( pelo menos quando era o general de um exército) desejava ver o dia, as nuvens e sentir o sol na pele. E foi com isso em mente que ele insistiu ao seu rei para irem caminhar no jardim, após muita insistência e da promessa ao rei e a Shisui que caso se sentisse cansado ou mal voltariam imediatamente ele conseguiu o que queria, porém o rei estava ansioso.

-Não são vinte passos, eu quase morri o caminho todo pensando em seus ferimentos, e se eles abrirem? E se internamente algo ainda estiver ferido? E se...

Sasuke se virou e beijou os lábios macios do homem que era seu marido e seu amor calando sua voz dentro do seu beijo, segurou com suas mãos pequenas e macias os cabelos soltos do rei e os puxou levemente como se estivesse com isso o repreendendo e encostou seu corpo mais ao dele, isso era sem perceber, eles estavam nos jardins e o general se sentia constrangido com manifestações públicas de afeto, mas isso era algo que ele nem percebia que fazia, se aproximar, se aconchegar a ele, como se pudesse estar assim protegido, isso talvez se devesse a tudo que passou ou era de fato somente amor mesmo.

O rei sentiu os lábios o deixarem e sorriu afagando o rostinho que aos poucos voltava a ter aquela cor adorável de novo, o leve rosado das maças do rosto sempre que ele o beijava, ou sob qualquer efeito de carinho de sua parte.

-E isso...Foi muito bom, mas porque eu ganhei um beijo?

Sasuke sorriu e voltou a afundar o corpo junto ao do rei que o acolheu satisfeito, passando a manta fina que tinha junto a si por sobre os ombros do seu amado de modo carinhoso e protetor.

-Humm...Eu estou bem, só que você anda muito preocupado, meu primo está fazendo o seu melhor, todos estão e eu me sinto um peso a todos, preciso melhorar logo, ser útil...Voltar a treinar, essa bruxa maldita ainda está solta e eu temo que ela volte a qualquer momento, quero estar pronto.

O rei suspirou, era isso então? Toda essa presa em melhorar, em caminhar, em dar tudo de si mesmo estando tão ferido ainda? Era tipico de seu general.

-Uma vez general, sempre um general...Sussurrou o rei rente ao ouvido do pequeno.

-Mas...Você passou por coisa demais, até mesmo Haruno está impressionada com seu progresso, sem magia, apenas com a medicina comum está se recuperando de modo impressionante, mas precisa ter mais calma consigo mesmo meu amor, de tempo ao tempo e se acalme...fazem apenas alguns dias...

Sasuke suspirou cansado, ele sabia que sim, podia sentir que suas forças voltavam lentamente, como as águas congeladas de uma nascente no topo de uma montanha, devagarinho iam se desprendendo e se soltando, caindo em gotas, rolando lentas pela montanha, assim era sua força, lentamente, aos pouquinhos...Mas isso era tão injusto!

-Quando eu finalmente estava bem e começaria a treinar isso aconteceu, agora novamente sou um peso.

Naruto afagou seus cabelos querendo conforta-lo.

-Meu amor...Não diga isso, nunca mais diga tal absurdo, eu te amo tanto! És novamente o maior motivo de orgulho nesta nação por ter salvado o príncipe Boruto de um destino cruel, pegando para si mesmo a punição injusta atribuída a ele por Maeda, precisa parar de fazer essas coisas grandiosas ou nada me sobrará, em breve todas as canções serão apenas da rainha deste reino, ou como o povo decidiu chama-lo desde de que o trouxe para casa...Eles o chamam de general capturado. O rei disse isso e riu pois quem realmente havia capturado quem?

Sasuke riu e se sentou animado, olhando para o rei.

-O general capturado e o rei dragão...Já temos uma canção que conta nossa história, ou parte dela pelo menos...

O rei já tinha escutado, era linda, tinha que admitir que seu povo tinha criatividade, mas para ser justo era uma história bela, seria estranho que não virasse canção, tirando algumas coisas que ele preferia não lembrar e que infelizmente faziam parte da canção.

-Sim...Eu já ouvi...O nosso povo canta ela nas ruas...Não gosto da primeira parte.

Sasuke então mudou de assunto, ele queria outra coisa além de sair do quarto e ver o sol e andar um pouco e era hora de entrar no assunto.

-Naruto? Como o Cão fiel entrou neste reino? Maeda lhe contou?

Naruto tossiu incomodado, ele nunca soube essa parte, o maldito cão morreu, e Maeda foi torturado, mas o rei não lhe fez muitas perguntas, ele o queria sofrendo e teve o que desejava, foi somente isso.

-Não interroguei mais o infeliz do Maeda...Mas o cão morreu, o que isso importa?

-Bem, isso pode nos levar a bruxa, é importante saber como isso aconteceu, eu quero ir conversar com Maeda, me leve até as masmorras.

Naruto não desejava levar Sasuke a um lugar destes, podia trazer-lhe lembranças dolorosas e isso ele não queria, outra razão era que assim o general descobriria que os ex ministros foram punidos e isso o rei não havia contado ainda, era impossível não saber, eles estavam ainda bem feridos.

-Não desejo que vá até um lugar destes, pode ter lembranças ruins que podem dificultar sua recuperação, esperemos mais um pouco, eles não irão a lugar algum.

Sasuke o encarou e pousou sua mão no rosto do rei.

-Eu sei...Sei e está tudo bem.

Naruto engoliu em seco.

-O que sabe amor? Do que está falando?

-Sei que torturou cada um deles, assim como fizeram comigo, eu sei...E eu entendo perfeitamente, também sei que sendo um bom homem mandou que os médicos clandestinos cuidassem deles e fico feliz por isso, também fico feliz que nenhum deles foi executado.

Naruto não tinha palavras, ele nem imaginava como o seu pequeno e doce general sabia destas coisas, será que Boruto lhe disse?

Sasuke lhe sorriu.

-Eu sou inteligente meu amado, juntei dois mais dois, sei que os assuntos dos quais foi tratar a alguns dias era isso, por tanto demorou a voltar e por isso ficou acordado a noite toda, mesmo sabendo que eles mereciam se sentiu mal pela dor que causou e eu entendo isso também, não sinto tanto por mim, mas por Boruto, eu realmente senti raiva deles quando propuseram machuca-lo e eu ainda sinto, mas não creio que se eu pudesse seria capaz de feri-los, no entanto você é o rei, sobre seus ombros pesa a responsabilidade do reino e a justiça pelos que ama.

-Como sabia que eu mandei os médicos a cuidar deles?

-Bem, talvez eu tenha ouvido uma conversa ou outra entre você e Haruno.

Naruto o abraçou e o beijou nos cabelos perfumados, ainda com cheiro de lavanda.

-Que bom que me entende amor, eu nunca, jamais poderia deixar isso por isso mesmo, era preciso puni-los, ainda que mesmo assim eu tenha ficado infeliz com isso, como se eu fosse mal como eles...E não te contei porque tinha medo de sua reação.

-Eu sei...Sasuke respondeu baixinho.

Mesmo assim o rei não queria leva-lo até as masmorras, mas ele também sabia que não poderia impedi-lo de ir.

-É longe, se me permitir te levar nos braços iremos, se não vai esperar por mais alguns dias...É minha única proposta!

Sasuke fez um resmungo fofo, ele não gostava de andar para lá e para cá sendo carregado como uma noiva, era constrangedor, mas mesmo assim sentia que precisava saber de mais coisas do infame Maeda.

-Tudo bem...Pode me carregar...Disse se levantando e erguendo os braços como uma criança emburrada faria, isso fez o rei sorrir.

Naruto então se levantou, pegou seu marido nos braços e se dirigiu as masmorras imperiais, um local reservado nos fundos do palácio, nas torres altas que davam para a planície norte e depois paravam no paredão da montanha que abrigava as fundações do local todo, construído a muitos séculos na própria montanha e reformado e aumentado centenas de vezes depois.

-Já tinha vindo aqui antes? Perguntou o rei ao seu amado, afinal ali era o palácio onde Sasuke cresceu.

Sasuke negou, ele viveu a sua primeira infância ali naquele palácio, até os seis anos foi livre, mas nunca foi as masmorras e depois disso também não, caso isso acontecesse provavelmente seria como um prisioneiro, então teve sorte de não conhece-las.

Subiram lances e lances de escada, cada vez mais sombrias.

Era mais frio ali, mais escuro e havia no local uma desesperança pungente, latente nas paredes e no chão, antigos e novos males enclausurados naquele local, como velhos fantasmas dormentes.

Mesmo sem querer Sasuke se apegou a roupa do rei, agarrando seus dedos no tecido fino da túnica de seda verde oliva enquanto passavam por celas e mais celas.

-Vou coloca-lo no chão agora, tudo bem? São apenas alguns passos até a cela de Maeda.

-Sim...Tudo bem.

Seus pés tocaram o chão e ele andou firmemente segurando na mão grande do seu rei, olhou dos lados e viu as outras celas, onde jaziam os outros ministros, ou ex ministros, todos deitados em catres estreitos, ao lado destes catres havia uma mesinha com uma jarra e algumas frutas, a cela era pequena, mas dois ou três homens cabiam nela, havia uma única janela gradeada, muito embora estivessem tão alto e num local tão inóspito que ninguém poderia fugir por ali, da janela se via o abismo e ao lado a montanha, esses homens jaziam silenciosos, cobertos por mantas leves, não havia mais nada nas celas, além de desesperança.

-Ohh, tão silencioso...Disse Sasuke tremendo.

-Um soldado os vigia, ele faz a ronda a cada duas horas, dia e noite, trocando de turno, é impossível fugir daqui, essas grades são reforçadas, a única janela dá para o penhasco e sair por ali é impossível, mas eles podem ver a planície ao longe e de manhã o sol entra pelas grades, deve ser mais do que merecem de fato, mas como prometido eles foram tratados e estão sendo alimentados.

-As celas são limpas? Perguntou Sasuke ainda nervoso.

Naruto sorriu da preocupação do seu amado que tinha um coração puro demais para esse mundo.

-Sim, eles recebem água para tomar banho, as celas são limpas e os cobertores trocados.

Sasuke suspirou, sabia que eles em suas vidas nunca teriam tido esse cuidado com os outros, mas ele também sabia que perder a humanidade era fácil quando se pune alguém, é preciso ter limites ou seremos tão maus quanto eles.

Pararam na frente da cela de Maeda e de um mais um ex ministro que o general não sabia nem mesmo o nome, Maeda estava acordado e trocava panos na testa do homem, estava ajoelhado no chão onde uma bacia com água permanecia, assim que viu os dois se colocou de pé com dificuldade, mas manteve os olhos baixos, estava pálido e muito abatido, curvado para a frente provavelmente devido aos cortes da haste de bambu que eram muito recentes.

-Maeda, meu general deseja lhe falar, por isso sugiro que o responda e cuide de ser sincero. Disse o rei de modo firme.

O homem apenas concordou com a cabeça, suas mãos tremiam visivelmente.

-Maeda, como o cão entrou neste reino?

A voz do homem era baixa, trêmula, mas mesmo assim seu timbre era grosso, arranhado como se sua voz tivesse falhado muitas e muitas vezes.

-A bruxa colocou alguém para deixa-lo entrar, uma mulher de confiança de todos, mas creio que essa mulher não era apenas uma espiã, devia ser quase uma escrava da bruxa, ela não concordou como todos nós, eu a vi ser possuída pela própria bruxa mais de uma vez.

Naruto tremeu, Sasuke ficou ansioso, ele tinha medo da resposta, mas era impossível não formular a pergunta a seguir e foi o rei quem a fez.

-Quem é essa mulher?

Maeda engoliu em seco e tremeu mais.

-Hinata...

Naruto arfou e a mão de Sasuke apertou a sua.

-Hinata? Tem certeza disso? Se estiver mentindo para mim...Ameaçou o rei.

-Sinto muito...Foi Hinata.

O rei xingou alguns impropérios em línguas desconhecidas, mas Sasuke estava firme.

-A bruxa usou magia nela? Perguntou ao homem.

-E-eu acho que sim...Ela foi possuída pelo espírito negro da bruxa...Foi muito assustador até mesmo para mim.

Sasuke sentiu o rei andar alguns passos, tocando as mãos em uma cela, perdido.

-Maeda...Seu companheiro de cela está doente? Perguntou Sasuke ao perceber que o homem gemeu dolorido no catre pequeno.

O antigo ministro meneou a cabeça afirmando que sim.

-Os cortes...os cortes estão demorando a fechar, infeccionados e ele tem febre...creio que os golpes atingiram algum órgão interno, os médicos dizem que ele morrerá em breve.

Sasuke arfou.

-Os médicos cuidaram de todos? Eles vieram mesmo ver todos vocês após...Após a punição?

Maeda deixava lágrimas rolarem em sua face, estava tão arrependido! Aquele homem que ele tanto maltratou, aquele que ele desejou morto, que sofreu tanto nas mãos do Cão fiel, aquele...O general Sasuke que tinha todos os motivos para lhe odiar, ainda assim se preocupava com homens como eles, inferiores aos escravos.

Subitamente o homem caiu ao chão de joelhos chorando.

-Perdão meu general, minha rainha...Eu sinto tanto...

Sasuke sentiu a dor nas palavras dele, era fato que seu coração era mole como manteiga e ele nunca poderia ver isso e não ser benevolente.

-Não posso perdoa-lo por Boruto, mas eu o perdoo pelo que me fez, sei que agora entende como é a dor, sei que sabe...Apenas se arrependa, um dia talvez eu abrande sua punição e eu mandarei que os médicos retornem, eles devem ver este homem novamente, tem minha palavra, se ele tiver que morrer não será sentindo dor.

Maeda continuou chorando e Sasuke foi ter com Naruto.

-Venha, vamos embora...Mas não se precipite meu amor, acho que Hinata não teve culpa.

-Eu sei que devo ter calma, mas agora eu preciso entender o que ouve, prometo ser calmo, mas também serei firme.

-Sim, mas espere, pelo que soube ela mal saiu da cama ainda, tenha mais alguns dias, quem sabe ela mesma venha ter conosco?

O rei apenas se concentrou em sair logo dali, mas antes cumpriu o que Sasuke disse ao prisioneiro e um médico foi chamado para ver o outro ex ministro e só então eles rumaram para seus aposentos.

-Naruto?

O rei olhou seu marido em seus braços e lhe beijou levemente quando estavam na porta dos aposentos reais, o colocou no chão e lhe sorriu

-Sim...

-Pode pedir para os servos saírem por favor e nos deixarem a sós?

O rei  mandou os servos saírem, deixando um na porta para barrar qualquer um que quisesse ir ter com eles, se seu amado queria um tempo a sós ele o daria isso, na verdade tinha certeza de que o pequeno general o controlava num nível absurdo, mas não tinha como mudar isso, ele o distraia dos pesadelos do mundo a sua volta e não o culpava por isso.

Quando o rei então se voltou para dentro ele sentiu um calor o tomar inteiro, seu coração saltou no peito, ali em pé em sua frente usando a túnica branca daquele tecido mágico estava seu marido, absolutamente lindo a espera-lo, ele soltou de seus cabelos o pente de jade nacarado e o deixou de lado, após lhe estendeu os braços, suas mãos suaves delineadas sobre o branco da manga da túnica fluída que quase as escondia por completo.

-Ohh...Meu amor, ainda está em recuperação e hoje andou mais que o necessário...Esteve naquele lugar horrível...

Sasuke andou dois passos em sua direção e lhe sorriu radiante, isso era tudo que o rei sabia que não devia fazer, o corpo de seu amado precisava de cuidados...

Sasuke gemeu baixinho o seu nome e levou a mão até a tirinha da túnica, sem solta-la ele deslizou seus dedos finos em sua pele pálida, se tocando e ainda estendendo a outra mão a Naruto que não se conteve mais o tomando nos braços pela cintura e o beijando ternamente, cuidadosamente, sentindo o seu calor o tomar inteiro, sua pele arder em contato com a sua, tão quente que ele teve medo de ser febre, mas igualmente se sentia quente, as mãos pequenas enlaçaram seus cabelos loiros e o rei gemeu dolorido, de desejo, paixão e um sentimento que era intenso e que ele só podia denominar amor, ainda que viesse misturado a uma luxúria que o rei nunca sentiu com mais ninguém.

-Ahh pelos deuses meu general...Assim eu perco minha sanidade...E não devo, sua recuperação...Shisui disse duas semanas!

Sasuke lhe gemeu no ouvido, arranhando suas unhas curtas pelas costas vestidas do rei e sentiu que foi levantado e levado a cama, sorriu vitorioso por isso.

-Eu respeito muito meu primo, mas...Meu corpo deseja o seu, minha alma deseja a sua e eu estou precisando tanto de meu marido hoje...Aqui, comigo...

O rei lhe sorriu maravilhado, a beleza dos olhos de Sasuke o tinha tomado, aquelas intensas perolas negras que continham o infinito...Os cabelos macios caídos na cama, tão perfeitos...A boca vermelha de tanto ser mordida de modo sexy pelo seu pequeno...Impossível resistir a isso.

-Certo, de fato eu não posso mesmo negar que estou morrendo de fome...

Sasuke sorriu.

-Fome?

O rei lhe beijou o maxilar, deslizou a língua pela curva do pescoço e depois sussurrou em seu ouvido esquerdo...

-Fome de Sasuke...Sede de Sasuke...

O gemido do menor e o modo como ele se esfregou ao rei foi de fato a coisa mais intensa que ele fez até então, afinal geralmente o general era contido, tímido e até assustado na cama, levando um tempo para se soltar um pouquinho, embora tivesse adquirido confiança no amante com os dias.

Sasuke percebeu o que fez e corou diante os olhos azuis intensos, mas o que viu ali foi ainda mais sensual, viu ainda mais desejo.

-Feche as cortinas meu amor, eu não quero que veja nenhuma marca hoje, eu quero apenas a luz de velas, pode fazer isso por mim?

-Não precisa ficar com vergonha de mim, eu não ficarei magoado em ver suas marcas roxas, sei que elas fazem parte da coragem que tem, as cicatrizes são as marca de sua força...Embora eu o queira bem e saudável, sem marcas ou cicatrizes eu não posso negar que elas são a prova de sua fortaleza.

Sasuke sorriu.

-Mesmo assim, eu sou apenas um homem e ainda tenho receios, feche as cortinas e acenda duas velas...Por favor.

O rei obedeceu e eles se encontraram numa penumbra amena, perfumada pelas velas aromáticas e pelas cortinas limpas, o rei o despiu lentamente, olhando em seus olhos para lhe dar prova de que o achava lindo e o general puxou as tiras da túnica do rei, mostrando que confiava nele plenamente, uma troca justa.

Seus corpos nus se tocaram lentamente, brincando em sensações quentes, o pequeno general sabia que o seu rei não o machucaria, confiava a ele seu corpo ainda dolorido, porque sabia que a paixão era intensa mas sensível e que o rei o amava tanto que o trataria como a um cristal raro. E ele não estava errado, os olhos do rei o devoravam inteiro, mas seus toques eram ternos, gentis e mesmo que sua mão grande tremesse no desejo de toma-lo urgentemente, sua mente o segurava, ele o beijava, seus dedos o tocando calmamente, explorando a pele adorada até que seus lábios o pegaram, deslizando na clavícula e acarinhando o local mais intensamente ferido, seus lábios desejando cura-lo de toda dor que sentiu, de todo medo que teve...De tudo que ele passou.

O rei o amava de um modo profano e ao mesmo tempo puro, numa dualidade que nunca antes sentiu por ninguém neste mundo, por nenhuma concubina, por nenhum homem ou mulher...Seus lábios o provavam, seu doce sabor o tomando inteiro, tão delicioso...Tão seu.

Sua língua deslizou suave até a linha da virilha, sentindo os tremores da pele dele, do seu amado, as sombras da vela brincando na cama enquanto ele o sentiu na ponta da língua, era doce e levemente amargo, seu líquido quente que já transbordava pelo desejo sentido, o sorveu, sugou, sentiu...Ele o saboreou inteiramente e era insano, além do inimaginável.

Sasuke apertava os dedos na cama, sentindo o prazer que nublava sua mente, nunca pensou antes que ele, um general do exército, um homem que liderou tantos outros em campo de batalha e que conheceu tanta morte e dor poderia se perder assim na cama com outro homem...E ao se perder se encontrar tão intensamente...

Sua pequena boca se abriu num gemido lânguido, profundo, intenso e ele veio ao seu amado com leves tremores do corpo todo, o prazer o inundando tanto que sentiu seu corpo mole, solto e sorriu ao ver o rei o olhando de perto, abrindo suas pernas um pouco mais, molhando os dedos em sua própria essência perolada para lubrifica-lo o suficiente enquanto seus dedos o tocavam fundo, sentindo, experimentado...E então...Encontrando o que procurava, aquele ponto, o ponto certo do prazer.

-Ohhhh...Gritou o general ao sentir o prazer voltando, intenso, fervendo dentro dele, indo além do que era humanamente possível.

O rei sorriu e tirou os dois dedos dele, tateando na cama a procura de seu vidro de óleo puro, que mantinha por ali, enfim o achou e melou a si mesmo, sua intimidade ardendo por ele, tão duro que seria doloroso se não estivesse tão perto de sentir alívio naquele corpo quente e apertado.

-Se sentir dor...Por menor que seja eu vou parar...Juro que sim...

O menor sorriu arqueando o corpo em busca de mais contato e o rei o segurou suavemente pela cintura, ele não o podia machucar, não quando seu corpo foi tão duramente ferido a tão poucos dias, ele o virou na cama, elevou seus quadris, tirando seu peso de sobre ele, aliviando a sensação de estar o apertando na cama, seu pequeno corpo frágil. Ele o segurou firmemente e ainda assim suave e entrou nele lentamente, arfando pelo prazer de possui-lo e sim...Sim!! Ele o sentia espreme-lo, ele o sentia aperta-lo, tão delicioso...

-Ohhh Gritou o rei ao sentir-se inteiro dentro dele.

-Sasu...Por favor...Isso dói? Algum lugar dói?

-Não...Não...Não...

O rei se moveu enfim, sentindo em sua pele as marcas do corpo do outro, nas nádegas macias, mas evitou pensar nelas, estavam curadas, apenas sensíveis, mas curadas, ele ainda se importava muito, sentia muito por isso, mas não agora, agora ele o queria feliz, feliz em seus braços.

-Naru...Gemeu Sasuke.

O rei se moveu, se moveu...Sentindo o prazer inunda-lo, seus corpos juntos, colados, sentindo-se...Um só.

A mão do rei tocou a intimidade do seu amado, ele o sentiu tão tenso e duro como ele mesmo e o ajudou a se sentir melhor, ele o moveu, assim como sabia que era bom faze-lo, muito bom.

-Venha de novo meu amor...Venha para mim...

O corpo menor se tensionou, arrepiou, o rei sentiu a mudança e ao mesmo tempo o calor que o tomou inteiro quando ambos cruzaram a fronteira do prazer.

Sasuke sentiu o calor do gozo a inundar seu interior e ele mesmo se sentiu quente e expeliu seu próprio intenso prazer na cama e dentro dos dedos do marido.

O rei o segurou e o virou suavemente, o colocou sobre seu corpo.

-Não acho que seu primo fosse aprovar essa sua recuperação meu amado.

-Então não contemos a ele.

Ambos riram antes de fechar os olhos e dormir.

Foi neste momento que Boruto chegou com Shisui na porta e viu a serva e os dois soldados parados ali.

-Ohh, mas já? Meu pai pervertido atacou meu pai Sasu antes de ele estar curado? Sério isso!!

Shisui riu e os soldados e a serva fingiram não rir.

-Bem, eu iria preparar a infusão do meu primo, mas creio que eu preciso dar um tempo maior a eles.

-Mas Sui? Isso pode machucar meu pai Sasu!

Shisui riu e bagunçou os cabelos do seu pequeno príncipe.

-Não, isso pode lhe curar mais rápido, o amor tem maneiras estranhas de nos trazer força e recuperação, acredite em mim, eu sei.

Boruto revirou os olhos.

-Oh puxa vida, agora terei que ir para a cozinha real.

-Porque iria para lá menino? Perguntou Shisui achando a carinha dele engraçada.

-Bem, alguém tem que pensar na recuperação do meu pai Sasu, mandarei fazer uma sopa nutritiva bem saborosa para ele, aposto que estará faminto quando eles pararem de fazer essas coisas de adulto.

Shisui riu da determinação do pequeno e o deixou ir, ele mesmo rodou nos próprios pés e voltou a casa, sorrindo.

Quando colocou os pés em casa sentiu o aroma do amado, ele havia acabado de tomar seu banho e o cheiro de folhas verdes e canela encheu o ambiente junto com sua imagem puramente erótica saindo da sala de banhos usando apenas uma toalha pequena a circular a cintura, pernas fortes a mostra, tronco nu, aqueles braços que o levantavam sem esforço algum.

Itachi sorriu ao ver como seu amado o encarava.

-Gostou do que viu?

-Itachi...Eu...Ohhh...Está tão quente aqui hoje. Disse Shisui se abanando com uma das mãos enquanto segurava na outra uma cesta.

O moreno adiantou-se e tirou das mãos do menor a cesta de vime com ervas e plantas e colocou no chão o pegando no colo e erguendo sem nenhuma dificuldade, o atacando com beijos que eram pura devassidão.

Shisui tentou resistir, afinal ele não sabia se estavam sozinhos, e se Mikoto estivesse ali?

-Ita...Onde? Onde está sua mãe?

-Hum...Saiu após as aulas de Boruto, estava radiante e corada...Muito perfumada, posso adivinhar onde está agora.

-Ita!! Não diga essas coisas de sua mãe! Repreendeu o menor, mas gemeu ao ter a orelha levemente mordida e suas costas tocarem a parede da sala.

-Ora meu pequeno, o que tem demais? Se ela estiver a brincar nos lenções com a Eleonor só lhe trará felicidade e temos todo tempo do mundo para brincarmos também.

Shisui sorriu perdido em meio aos beijos, ele amava essa pegada firme e forte de seu homem, mas sabia que ele na hora certa era doce, sempre foi, mas agora podia se dar ao luxo de ser mais intenso, ele não estava doente, não sentia dor alguma e seu corpo estava curado, forte e saudável.

Circulou as pernas no cintura do namorado e sorriu para ele antes de morde-lo no pescoço, ardendo por fazer isso finalmente.

-Sui...Meu Sui...

As mãos de Itachi arrancaram as roupas dele, sem cuidados ao rasga-las e ele o colocou na mesa, jogando as coisas que tinham em cima no chão, maças rolaram pelo chão junto a laranjas enquanto eles gemiam colados um ao outro, lutando por ar e desejos intensos.

A toalha a muito estava longe e o corpo másculo e firme estava a mostra, pleno de desejos, intenso.

Shisui choramingou ao ver ele assim, deitou seu corpo na mesa se doando a ele, ardendo de paixão.

-Sui, como pode ser tão belo?

O menor riu e abriu as pernas, desta vez ele podia fazer isso, isso e mais ainda, sem limitações impostas, sem tempo determinado.

Itachi o surpreendeu indo toca-lo em seu ponto pequeno, apertado e isso era assustadoramente quente, ele colocou sua língua dentro dele, ardendo junto, apertando suas nádegas com as duas mãos.

-Ita!! Ohh...

Shisui corou intensamente com esse carinho novo, nunca antes feito pelo mais velho, mas também além de serem acostumados a se verem pouco ainda tinham mantido seu romance em total segredo, tiveram poucos momentos juntos.

O guerreiro saiu do meio de suas pernas apenas para beija-lo e depois regressou a elas, beijando as coxas macias e depois a ereção rosada, pulsante e dolorida e sim...Isso era intenso e delicioso.

-Assim...Oh Ita...

O mais velho o tocou, dois dedos molhados, inusitadamente em mel, que era o que tinham a mão sobre a mesa.

-Sui, eu vou entrar agora...Posso?

Porque falar o que ele já sabia? Se perguntou Shisui, mas ele sorriu porque isso o excitava demais, ele sabia disso, era vergonhoso e mesmo assim delicioso.

O corpo de Shisui arqueou na mesa, o grande membro do guerreiro o invadiu lentamente, prazerosamente, de modo certeiro a toca-lo onde ele mais queria, onde fazia tudo ser perfeito ainda que de certo modo fosse desconfortável no começo, só no começo...Seu corpo o amava e o aceitava.

Shisui se moveu junto a ele, corado, envergonhado do próprio desejo, mas não cedeu a timidez, ele se doou, ele se deixou arder.

Cada estocada ele se rendia mais e mais, sua voz se libertou, sempre tão contida, sempre tão baixa, temerosa de serem descobertos...Não mais, nunca mais.

Gritou!

O prazer era intenso e os nublou todos os sentidos por um momento antes de se renderem ao orgasmo...Juntos.

O maior riu e puxou Shisui da bagunça melada de frutas amassadas e mel derramado, além de outras coisas...

-Itachi...Olha só o que fizemos? O mel que deveria ir para a infusão de Sasuke está todo em mim!

Itachi riu e o abraçou apertado sem medo de feri-lo neste abraço.

-Diremos a verdade, rolamos no mel sobre a mesa, isso pode dar ideias ao rei, o que acha?

Shisui riu e corou escondendo o rosto no peito largo, sendo pego nos braços e levado a sala de banhos.

-Não me diga? Eles estão trancados nos aposentos? Já? É seguro para meu irmão?

-Oras meu amor, creio que um dia sem remédio não fará falta a ele, o calor de um momento destes pode ser bem terapêutico.

Itachi riu e o beijou.

-Se é assim tão bom porque não aplicamos mais desse remédio em nossas vidas, como por exemplo agora?

-Pervertido! Resmungou Shisui sendo colocado na água quentinha e sentindo o calor subir as faces, porque ele sabia que administraria mais desse remédio em grandes quantidades de novo, e de novo...

Notas finais
Se perder e se encontrar tão intensamente...e quem em sã consciência não iria desejar mais desse remédio? Eu disse que estava com inspiração. Se gostaram comentem. Akirasam.

29. As primeiras flores da primavera parte 02.

Notas do Autor
Segunda parte do capítulo Primeiras flores da primavera. Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: As primeiras flores da primavera parte 02.

Naruto arrumava a cama para seu amado se deitar, ele mesmo pensando em tudo que ouviu nas masmorras ainda se mantinha preocupado, mas notou que Sasuke estava no mesmo lugar olhando o fogo que crepitava na lareira, todos os servos haviam saído novamente após deixarem uma sopa nutritiva que por uma razão inexplicável foi enviada por Boruto e algumas frutas e eles estavam sozinhos.

-Sasu, eu sei que os desdobramentos de hoje são assustadores, eu nunca pensei que Hinata faria isso, mas eu entendo e concordo com você, esperaremos mais tempo, porém agora apenas descanse, tivemos mais do que imaginávamos e seu corpo frágil ainda está em recuperação, não devíamos ter nos entregado assim ao prazer após tudo que vivemos...

-Meu amor, o que deseja agora? Um banho quente e relaxante? Deixei a água fervendo lentamente com as plantas como seu primo me instruiu, antes de dormir deve tomar a infusão...

Sasuke lhe sorriu e lhe estendeu a mão suavemente o chamando, isso para o rei era uma ordem e ele se aproximou se ajoelhando no chão aos pés do homem que amava de todo coração no mundo.

-Eu quero lhe contar algo que aconteceu enquanto eu estava na sala sendo torturado por ordens dos ministros, mas quero que acredite em mim.

Naruto o ouviu atentamente.

-Eu vi meu pai...Eu o vi realmente, eu estive em seus braços e ele cuidou de mim quando...Quando o Cão estava administrando a punição em mim, meu pai me levou por um momento e eu não senti dor e nem medo, eu estava com ele, queria lhe contar antes, mas haviam tantas coisas, no entanto agora eu desejo faze-lo.

Naruto suspirou e deitou a cabeça nas pernas do marido sentindo a leve carícia dele em seus cabelos, os dedos adentrando nos fios e os soltando delicadamente.

-Amor...Pode ter sido a dor que sentiu que o fez delirar, seu pai está no reino dos mortos agora, e acredito que ele esteja feliz, foi um bom rei pelo que eu soube, deve estar entre os entes queridos agora.

Sasuke não se abalou, ele sabia o que viu e sentiu.

-Eu o vi tão vivo como vejo meu rei agora, eu o senti me abraçando como ele fazia quando eu era muito pequeno, eu senti o cheiro dele na minha pele e sei que não era apenas um delírio, desta vez eu não tinha mais Qui, nada para me proteger e eu acho que teria morrido se ele não tivesse aparecido, creio que meu coração teria parado devido a dor extrema e os maus tratos ao meu corpo, mas ele me salvou.

Naruto ergueu a cabeça e o encarou vendo que ele dizia a verdade, isso lhe trouxe a lembrança algo que ele sempre quis perguntar, mas nunca teve coragem.

-Meu amor, quando foi torturado em Guinzen me disse que usou seu Qui e que isso lhe ajudou, sei que esse conceito existe mesmo e pelo que soube foi seu irmão que o ensinou, estou certo? Sei que me disse algo sobre isso no caminho para este reino, ainda na carruagem, mas naqueles dias eu não o entendi completamente.

-Na verdade foi meu pai quem me ensinou, ele ensinou a mim e a meu irmão, mas eu aprendi mais rápido, no dia em que vi meu pai ser morto em minha frente eu o usei a primeira vez, mas não funcionou...

Naruto tocou sua mão pequena e a fechou dentro da sua.

-Porque não funcionou meu pequeno?

Sasuke suspirou.

-Bem...Porque o Qui nos protege das dores da carne e não da dor da alma, quando a espada de jade me foi dada eu sabia que sentiria muitas dores em minha alma e descobri que precisava me encher de luz ou sucumbiria a escuridão das pessoas que me cercavam, foi assim que eu sobrevivi...Uma vez me perguntou como eu vivi, bem depois do que passei eu acho justo contar tudo que eu passei, mas lentamente, reviver isso é sofrer duas vezes.

Naruto o beijou suavemente nos dedos e depois no rosto e por fim nos lábios.

-Não, eu não quero que reviva nada ruim, não podemos recomeçar, porque seria impossível, só podemos continuar, então deixemos o mal dormir no passado, se em algum momento ele surgir para lhe assombrar que eu seja como seu pai, uma luz na escuridão para lhe abraçar e lhe proteger de todo o mal.

-Acredita em mim? Sobre meu pai?

-Sim...Eu acredito e tenho uma boa ideia em como a alma dele surgiu, talvez eu precise agradecer grandemente a arquivadora.

Sasuke sorriu.

-O nome dela é Eleonor.

Naruto o olhou de boca aberta, afinal ninguém sabia o nome verdadeiro dela há muito tempo e era como...Como algo impensável dize-lo!

-Não faça essa cara, eu acho...Acho que minha mãe gosta dela e que se sente segura na companhia da Eleonor.

Naruto pensou e sorriu ao seu amado o puxando para seus braços e o enlaçando pela cintura ternamente, rodopiando com ele calmamente pelo piso de mármore aquecido o fazendo rir com isso.

-Não é como ter o Rei Dragão aos seus pés...Mas...Uau! A Arquivadora?

Sasuke ria e se divertia com a brincadeira, era bom estar ali, era bom viver assim, ele havia passado por mais coisas que muitos seres humanos, mas mesmo assim neste momento ele não se arrependia de nada.

Após rodopiar com ele pelo local o rei o tomou nos braços e se encaminhou a sala de banhos, o pondo em pé somente a frente da piscina aquecida maior, essa que a algum tempo não usavam, pois os banhos de Sasuke eram todos com ervas curativas, mas agora ele estava livre deles, apenas água e sais de banho perfumados, pelo menos hoje, somente a infusão de chás lhe era devido, como uma ordem na verdade.

Mais cedo eles tinham feito amor dentro das cortinas de sua cama grande sob a luz de velas perfumadas, após isso estavam ali, novamente nos braços um do outro, as claras, isso era para o general desconfortável.

-Naru...Sei que ainda estou feio, minha pele demorará para ficar novamente clarinha e eu terei cicatrizes que não tinha antes, mas...Ainda assim me acha belo?

Sasuke perguntava isso porque ele se sentia nervoso com o rei, de fato ele demorou muito a aceitar que o rei o amava, que admirava sua beleza e esse conceito de beleza não lhe era muito real, mas agora ele queria ser belo aos olhos do amado e se sentia inseguro como qualquer ser humano.

O rei soltou a fita que prendia a túnica branca e a deixou deslizar aos pés do amado levando sua mão a face corada e observando os olhos nervosos dele, beijou sua face e lhe contou um segredo suave.

-Eu lhe acho belo sempre meu amado, eu o amo tanto que esses ferimentos também me machucam, mas nada disso muda a sua beleza que ainda é a mesma de sempre com um acréscimo maior...Sua coragem me surpreendeu de novo e eu nem sei como devo proceder a isso, de fato pela sua coragem e devoção a meu filho...Nosso filho... o título de rei dragão deveria ser seu.

Sasuke o encarou e suspirou.

-Só há um rei dragão...Meu rei...

Naruto o beijou.

-Só há um general capturado, o meu general Sasuke, que me tornou seu escravo.

Mesmo ferido o general sentia a paixão explodindo em seu corpo, mesmo que ele mesmo soubesse que sua força estava longe de ser alcançada ele se sentiu tenso em paixão desmedida por esse homem belo e forte e se enlaçou em seu pescoço o beijando com desejo, o rei o puxou para a água aquecida e suas mãos tocaram lentamente a pele do general, tão suaves como plumas, ele não poderia machuca-lo, ele sabia que precisava de tempo, mas o amor não tem de certo essas noções e ele o desejava de verdade, com hematomas ou sem eles.

-Sasu...Você está ferido...Nós já fizemos amor contra as ordens de Shisui...

-Ahhh mas eu te quero tanto...Por favor amor...

Essas palavras manhosas eram a perdição do rei, tão lentas e luxuriantes que ele se perdeu nelas, sua mente trabalhando num modo de satisfazer os dois sem ferir o seu pequeno general em recuperação...Mas era difícil pensar com as pernas do amado a circular sua cintura na água quentinha...

O rei deslizou sua mão entre eles e o tocou lentamente, tendo o corpo menor se jogando para traz em delírio pelo toque quente, ele então apertou lentamente a mão, cuidadosamente, sentindo sua ereção tensa entre seus dedos, tão pronto para ele, tão delicioso...

Como podiam se desejar tanto assim??

Sem pensar em mais nada lhe deu prazer, seus dedos deslizando na espuma pelas nádegas macias, o óleo que ainda estava na pele facilitando isso, não o podia ferir, mas não podia negar a ele nada, deslizou um dedo longo para dentro da cavidade pequena e quente e buscou aquele ponto escondido, aquele ponto de prazer que sabia exatamente como tocar, enquanto sua outra mão o manuseava lentamente na água, o corpo de Sasuke tão junto ao seu, sua respiração ofegante, seus batimentos rápidos.

-Venha para mim meu general...Sussurrava o rei com sua voz tensa, grossa e rouca pelo prazer que sentia.

Os movimentos eram agora mais rápidos e o corpo pequeno tremia junto ao seu ardendo tanto quanto o dele, numa sincronia tão intensa que fazia ambos fecharem os olhos, sentindo e permitindo-se perder um no outro, como se fossem rios diferentes misturando-se e rumando para o oceano.

-Ohhh...Gemeu Sasuke amolecendo em seus braços e sendo amparado no mesmo momento, um prazer rápido, feito pelo puro desejo ardente que sentiam um pelo outro.

O rei sorriu e o beijou de forma lenta, calma, adentrando sua língua na boca quente e deliciosa dele...Com gosto de cravo e canela. Percebeu que dar prazer a ele lhe causou um grande prazer, tão grande que chegou ao ápice do seu próprio prazer sem nem mesmo ter se tocado e isso nunca tinha acontecido antes.

-Desculpe...Não sei o que aconteceu comigo hoje...Sinto muito, e-eu...Disse Sasuke ainda solto em seus braços sem forças para se manter em pé.

-Não se desculpe meu amor...Porém acho que precisaremos nos manter aqui por um tempinho, até que eu recupere a força por nos dois...

Sasuke se soltou e olhou nos olhos do rei curioso.

-Ohh, você também...

O rei sorriu.

-Viu? Seu corpo tem esse efeito em mim...

Sasuke deitou a cabeça no peito do rei contente, ele havia deixado seu amado neste estado, isso era muito bom...Permaneceu ouvindo o som de sua respiração, o batimento do coração acelerado e diminuindo gradativamente até estar normal, à agua quentinha era agradável agora.

-Não quero mais sair daqui, é bom. Resmungou Sasuke.

O rei sorriu, antes quando ele despia seu pequeno general ele se sentia envergonhado, é bom saber que ele agora se sente seguro em seus braços desse modo, é a melhor sensação do mundo.

-Hum, também adoro...Principalmente porque agora você não tenta se esconder de mim o tempo todo.

Sasuke sentiu suas bochechas corando no mesmo momento, essa era uma coisa típica nele, a vergonha que vinha e ia sem controle algum de sua parte, ele escondeu o rosto afogueado no peito largo e chiou baixinho, isso fez as mãos do rei tocarem suas costas e massagea-las prazerosamente.

-Mas amo quando cora assim, nunca tinha visto em ninguém como vejo em você, tenho certeza que isso é algo somente seu.

-Não diga isso...É pior, fico ainda mais envergonhado, principalmente porque fui eu que comecei tudo isso, mesmo sem saber porque, mas tenho certeza que é culpa sua...Esse seu corpo é muito...Ahhh...Lindo!

O rei riu e focou seu olhar no rosto maravilhosamente corado do seu amado.

-Olha quem fala! Meu lindo general.

Sasuke piscou algumas vezes e novamente voltou a deitar a cabeça no peito do rei, suspirando.

-Retornaremos a caminhar pelos jardins e quando eu estiver bom poderemos treinar? Me prometeu que eu poderia fazer isso.

-Sim, faremos tudo isso, sua armadura está linda e eu vou adorar ver como ela ficará em seu corpo, mas confesso que terei que usar de minha máxima força de vontade para me segurar e não lhe agarrar no campo de treino por culpa disto.

Um sorriso pairou nos lábios já mais rosados do general e ele esperou pacientemente sua pouca força retornar.

De fato eles só saíram das águas quentes após quase uma hora.

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Haruno rumou ao quarto onde Hinata estava, na porta dos guardas reais estavam de guarda, mas abriram passagem para ela.

-Hinata, se sente melhor?

A antiga concubina sorriu, mas ficou tensa assim que viu o olhar da mestra sobre ela, era como ser descoberta e não ter como fugir.

-Conte-me tudo, desde de o começo e eu tentarei ajuda-la, esconda algo e eu mesmo a denunciarei.

Hinata suspirou e contou tudo, desde de o princípio quando o Cão fiel lhe deu a adaga de jade que causou tantos problemas ao general e tudo que veio a partir disso, a traição dos ministros, a bruxa e o bracelete de cobra em seu braço, não omitiu nenhum fato e depois que terminou chorou por um longo tempo.

Haruno a abraçou ternamente, embora não fossem amantes, eram alguma coisa próxima e a feiticeira a entendia, ter medo e agir por impulso são coisas inerentes ao ser humano, e Hinata era apenas uma aprendiz, seria impossível ter se defendido de tal coisa e o ciúmes que sentiu do general capturado também era compreensível, ela era na época a favorita do rei e isso desapareceu após o general, o rei dissolveu o seu harém de concubinas e encerrou essa fase de sua vida.

-Como antes manteremos isso em segredo, porém eu te darei algo. Disse Haruno tirando de seu pescoço um pequenino cristal que entregou a sua serva.

-Mantenha isso em seu pescoço, eu saberei se algo assim acontecer e poderei te ajudar, por hora apenas se recupere, encontraremos um meio de contar isso tudo ao rei sem que você sofra as penalidades por isso, afinal não teve culpa, foi apenas uma vítima da bruxa.

Hinata lhe sorriu.

-Desta vez sim, mas quando eu aceitei a adaga foi culpa minha, eu nunca quis que o general se machucasse, aquilo foi errado, eu agora vejo isso.

-Bem, todos aprendemos errando, no entanto um dia o destino lhe cobrará por isso, esteja pronta para pagar o preço.

-Sim minha mestra. Disse Hinata e a feiticeira se recolheu, ela também precisava de descanso e tempo para pensar com clareza.

Hinata sabia que assim que tivesse forças para andar contaria ao rei e a sua rainha tudo que havia acontecido, isso era claro em sua mente.

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Os dias passaram suavemente, sem sinal da bruxa, sem revoltas e sem maiores problemas, com a recuperação de Sasuke novos ministros foram convocados, todos eles da antiga capital de Terras Nevadas, do tempo do rei Fugaku e entre eles estava a primeira ministra da história do reino, a senhora Mikoto e também Itachi ao lado de Shisui que agora era um médico licenciado e podia atender livremente, mas como não queria deixar de cuidar de Boruto deixou suas atribuições médicas apenas para os mais próximos a ele, a sua família e alguns amigos.

Ser ministro não tomava muito tempo de nenhum deles, assim Mikoto manteve-se como a tutora do jovem príncipe e Itachi como seu mestre em armas, e tudo continuou agradavelmente.

-Marcarei uma reunião para reformular as leis do nosso reino, desejo que todos trabalhem nas reformas da lei, cada um de vocês deve ficar encarregado de pelo menos cinco de nossas leis, reformulem usando como base justiça, bondade e serenidade, se tiverem dúvidas podem me procurar ou procurar a rainha, podemos ajuda-los. No final de um mês eu irei ler todas as leis junto com a rainha e vamos ver quais podemos aprovar imediatamente, as que precisarem de melhores reformas voltaram a bancada e serão revistas até que agradem a todos. Disse o rei olhando para seus novos ministros, pessoas de sua total confiança agora.

Não seria uma tarefa fácil e levaria muito tempo, eram muitas as leis a serem mudadas, em especial sobre as punições abolidas pelo rei e sua rainha, teriam que usar de modos criativos de fazer a lei ser cumprida sem torturas e nem execuções, isso seria o passo mais importante, o segundo seria ainda mais complexo e isso seria revisto por último, pois abolir a escravidão era algo que mexia nas estruturas de uma sociedade antiga e acostumada a ter esses privilégios absurdos.

Sasuke estava ao lado do rei e observava a todos atentamente, estava feliz com o novo conselho e feliz que sua mãe, irmão e primo estivessem nele, podia contar que eles seriam sempre justos e bondosos para com todos, isso era uma alívio.

-Quanto a reforma da sala oval, eu quero que os meus arquitetos tragam os esboços para meus ministros avaliarem, estamos bem com isso?

Todos confirmaram que sim ao rei, retirar os objetos de tortura era uma grande revolução no reino, o povo comum estava muito feliz, afinal eles sofriam muito com isso, sempre acusados pelo antigo usurpador eram punidos por quase tudo, queimar o tronco, a pilastra e os muitos objetos destinados a criar dor era uma vitória e tanto, porém a justiça devia prevalecer e novas ordens deviam nascer desse caos.

Mikoto se adiantou perante o conselho, ela trajava a túnica dos ministros, em nada diferente dos homens que ali estavam, o manto azul escuro e a faixa dourada longa que circulava sua cintura mais fina que a dos demais, pés calçados em sandálias de couro vermelho proeminente dos povos livres e nômades das planícies ao norte, essa era a nova vestimenta dos ministros, pois até nisso o rei pensou, as túnicas antigas foram jogadas fora, assim Sasuke não se sentiria mal ao ver novamente os ministros reunidos, nenhuma lembrança ruim viria.

-Vossas majestades, gostaria de trazer a todos o desenho arquitetado pelo príncipe herdeiro para a sala oval...Sei que ele é apenas uma criança, mas como tem um incrível talento para o desenho creio que os arquitetos não terão dificuldade alguma em reformular tudo com base neste desenho que pode depois ser apresentado junto com os demais.

Sasuke sorriu e pegou o desenho das mãos de sua mãe, era um salão de bailes.

-Gosto muito disso, em vez de uma sala horrível feita para torturas será um salão de baile, já posso imaginar os casais dançando nele.

Naruto olhou e sorriu, o seu filho havia até mesmo desenhado alguns casais dançando, entre eles inegavelmente estavam o rei e sua rainha...Cabelos dourados e cabelos negros, mesmo sendo um desenho infantil havia tanta força nele que fez o rei sorrir orgulhoso do filho.

-Muito bem, entregue aos meus arquitetos, eles que se virem em criar algo disso e que esteja entre os projetos finais para apreciação de todos, lembrando que será uma votação justa.

Todos concordaram, a partir da primeira reunião do novo conselho todos sabiam que o reino estava mudando e rapidamente, eles se davam muito bem, de diferentes idades e ideias podiam ter todos juntos o mesmo desejo de ver suas terras progredirem, evoluírem e se tornarem prósperas e mais humanas, ter uma mulher no meio deles trouxe um novo alento a todos, pois Mikoto era gentil e ao mesmo tempo forte e todos agora sabiam que ela estava com a Arquivadora, nada era de fato um segredo, os servos falavam bastante neste reino, como em qualquer reino e isso já era de domínio público, sendo assim todos sabiam que deviam ser muito respeitosos com ela, afinal da união de duas mulheres impressionantes só podiam nascer ideias extraordinárias.

Com as bençãos de Fugaku, pois Sasuke contou a sua mãe, seu irmão e a seu primo das palavras do pai, nada havia que impedisse essa nova união, tudo parecia florescer junto com a primavera que chegava mansamente ao reino de novo.

Mesmo assim não relaxaram perante a ameaça da bruxa que estava desaparecida desde de então.

Itachi se adiantou do seu rei e rainha após sua mãe ter voltado ao seu lugar nas cadeiras altas colocadas em círculo pela ampla sala.

-Vossas majestades, os soldados mais corajosos já estão escolhidos para a guarda pessoal de vosso filho, o príncipe Boruto, tanto dentro quanto fora do palácio, devido a ameaça da bruxa ele nunca deve andar somente com os servos, assim como vossa rainha e o próprio rei.

O rei concordou e Sasuke também.

A lista foi passada aos monarcas e Sasuke sorriu ao ver que Obito estava nela, designado para ser um dos seus guardas pessoais, isso era bom, ele confiava nele e se sentiria bem com isso.

O rei concordou com todos os nomes após pegar a lista entregue para ele pelas mãos do seu amado e a devolveu a Itachi que estava encarregado de realizar a segurança dos membros do conselho e dos monarcas de agora em diante, não havia ninguém em quem confiasse mais para isso.

Itachi regressou ao seu lugar e Shisui se levantou andando graciosamente até os seus monarcas.

-Aqui está a lista dos nomes dos futuros médicos e curandeiros do reino, eu mesmo os avaliei juntamente com a senhorita Haruno e eles estão aptos a trabalhar seguramente com a medicina.

O rei leu os nomes e os passou a Sasuke, eles não conheciam ninguém na lista, mas confiavam em Shisui e em Haruno para escolher bem, afinal após a morte dos médicos licenciados o palácio ficou desprovido de médicos, e todos os cidadãos mereciam ser tratados, havia uma ala enorme no palácio destinada a isso, cura, magia e medicina andavam juntas ali e eram usadas para todos.

Sasuke se adiantou e falou ao primo.

-Ministro Shisui e quanto aos curandeiros rurais, poderemos encontra-los?

-Sim minha rainha...O meu...O ministro Itachi está enviando soldados para procura-los e lhes dar a oportunidade de serem licenciados e poderem ter acesso ao acervo do templo da memória para estudos sempre que precisarem, as acólitas da Arquivadora reuniram tudo numa única sala e ali eles podem ler e estudar calmamente se assim desejarem.

Sasuke sorriu, ele mesmo não achava que tudo se ajeitaria tão rapidamente, mas de certo quando uma nação avança com o desejo único de prosperar isso é incontestável.

A reunião acabou e depois que todos saíram Sasuke se aproximou de Naruto, ambos usando as vestes reais que incluía as coroas belas.

-Vamos até a sala oval agora.

Naruto ficou o olhando por um tempo.

-Tem certeza amor?

-Sim, devo enfrentar isso ou o medo se transformará em algo pior ainda.

Naruto o abraçou e eles rumaram a sala oval, no caminho Sasuke observava tudo, se lembrando de tudo que viveu ali, mas ao chegar a porta notou um detalhe significativo, a grande porta havia sido retirada e agora seu interior estava exposto, ele tremeu ao olhar para dentro, mas a mão do rei estava em sua cintura e ele se sentiu mais forte.

-Vamos entrar? Perguntou o rei ao notar o estremecimento do seu general.

-S-sim...Respondeu meio inseguro, mas ambos entraram na sala oval, tanto ele quanto Naruto tinham recordações fortes dali, dolorosas e angustiantes, mas sabiam que se não as enfrentassem estariam negando uma evolução que mereciam.

O tronco ainda estava lá, no mesmo local, sangue ainda salpicava o chão, cordas ainda pendiam do local, as correntes estavam ainda na pilastra, está também manchada de modo macabro, as varas de bambu, o óleo e a madeira ensanguentada estavam sobre uma mesa, era sinistro ver isso, mas necessário.

Sasuke se adiantou e tocou na haste fina de bambu, sentindo sua textura na mão, de fato um instrumento só se tornava mal se usado para o mal, era o homem o único culpado e não as coisas inanimadas.

-Quanta dor esse local já viveu, acha mesmo que será possível transforma-lo, talvez se fecharmos este local...

Naruto tirou das mãos suaves o bambu e lhe acariciou os dedos frios, beijando sua palma depois.

-Trancar esse local somente deixaria a dor pressa aqui, como uma maldição, devemos trazer luz, cor e alegria para esse local.

Sasuke concordou.

-Naru...Eu sei que a tortura dos ministros foi inevitável e fico feliz que após isso mandou os médicos a ir ter com eles, mas após nossa visita a masmorra eu pensei muito sobre a punição imposta a eles, creio que seria muito cruel mante-los sem esperança alguma, trancados por toda a vida naquele lugar horrível.

Naruto o olhou pensativo, sabia que a visita lhe trazia questionamentos, pois ele mesmo os teve, talvez a convivência com Sasuke lhe tenha abrandado o coração no final das contas.

-Acha que puni-los foi errado?

-Bem, eu sempre soube...Se o que aconteceu comigo tivesse acontecido com você eu acho que só me sentiria livre após causar a mesma dor a eles, eu entendo e mesmo triste ao pensar que mais dor foi criada aqui eu de certo forma acho justo, para a última vez que essas coisas foram usadas antes de serem levadas ao fogo, mas ver a vida deles se esvaindo aos poucos já me parece ser muito cruel.

Naruto o abraçou e o beijou.

-Eu me surpreendo com você todos os dias...Mas eu não achei que gostaria de ver a morte deles, o que mais eu posso fazer por eles, de certo não posso dar o perdão real a pessoas que traíram o reino e feriram meu amado.

Sasuke se aproximou e lhe tomou a mão, sabia que isso seria impossível, mas talvez pudesse fazer algo.

-Bem, eu estive pensando, talvez pudesse achar algo para eles fazerem, como punição por todo mal causado deveriam trabalhar para o reino, sei que em breve estaremos abolindo a escravidão e isso me agrada, mas podemos mante-los como prisioneiros, porém que sejam úteis de algum modo, sem ficarem trancados num local tão lúgubre por todos os seus dias...É tão cruel ver como estão acabados, sofridos e abandonados, sei que eles erraram muito, mas se talvez tiverem a chance de se redimir ainda que isso seja pouco, talvez suas almas se tornem melhores.

O rei o olhou admirado, fazer os prisioneiros trabalharem pelo reino parecia algo bom, eles seriam úteis e teriam como viver a luz do sol, ver pessoas e isso seria menos penoso a todos.

-Podemos criar um sistema que permita que sua pena seja abrandada com o tempo, se forem obedientes e cumprirem suas cotas de serviços podem ter benefícios também, nada grandioso, mas algo como roupas mais quentes no inverno ou algo assim e a noite eles voltam as suas celas. Divagava o general sendo talvez um pouco sonhador demais, mas o rei estava adorando esse seu modo de conduzir as coisas.

-Bem...Me parece bom, mas onde os colocaríamos meu amado? E como faríamos para que não tentassem fugir?

-Não sei...Mas acho que meu rei pode pensar nisso, eu só tive a ideia básica e agora estou achando que pensei demais.

Sasuke corou e Naruto riu.

-Na verdade eu fico feliz com a ideia, estava sem saber como conduzir isso, também estava descontente com esses homens presos sob meu teto, eles foram durante muitos anos pessoas boas para mim, sei que tinham seus erros, especialmente para com os escravos, mas para ser sincero faziam isso porque a sociedade em que vivemos permitia tal abusos e ninguém nunca os reprimiu, isso devia ter sido visto por mim que sou o rei, eu mesmo causei dor a muita gente que poderiam ser tão inocente quanto você na época.

Sasuke se aconchegou ao peito do rei, inalando seu perfume que sempre o mantinha mais calmo, como estar seguro finalmente.

-Falarei com seu irmão, talvez se os prisioneiros trabalharem no campo na colheita e no plantio de nossos grãos sob a supervisão de alguns soldados possam ser mais úteis do que presos nas masmorras, nossos campos são cultivados pelos agricultores e sempre falta gente para isso, o usurpador nunca incentivou os pobres do campo, mantendo todos como seus escravos, ali teremos uma grande mudança, incentivando a mais famílias se estabelecerem na terra, lhes dando apoio.

Sasuke sabia disso, Shisui tinha planos de conseguir que os antigos escravos pudessem ser livres e começar ali, como agricultores de pequenos lotes de terras, trabalhando para o reino, mas sendo pagos por isso. Era um bom plano.

-Nosso prisioneiros estarão entre as pessoas mais simples, mas talvez isso seja muito bom para eles, o que acha? Perguntou o rei ao seu amado.

-Eu ficaria muito grato meu amor...

-Então que seja!

Eles rumaram para seus aposentos quando Sasuke se lembrou de algo.

-Naru, o prisioneiro que estava doente, o que ficava na cela de Maeda, ele sobreviveu?

O rei havia sido informado que sim, de fato Maeda foi o responsável pela melhora, ele cuidou do outro o tempo todo, mesmo após os médicos informarem que eram poucas as chances dele se recuperar, mas por fim ele parecia estar se recuperando.

-Parece que Maeda não desistiu dele e bem...Ele está melhorando.

-Qual o nome daquele prisioneiro?

-Orochimaru, um dos ministros mais inteligentes do meu reino, seu pai também foi um ministro em minha corte. Respondeu o rei ao seu general.

-Que bom, eu sei que o que eles passaram pode dilacerar um homem, entendo bem, mas eu tenho você e tenho Boruto e todos os outros, eu sou abençoado...Já eles estão sozinhos.

Eles saíram da sala oval e encontraram Boruto rindo pela frente, ele vinha acompanhado de Mikoto e Eleonor que o suspendiam pelos braços pequenos o balançando no ar e depois o deixavam pular a sua frente, numa brincadeira divertida.

-Papais!!! Hey!! Eleonor me deu um livro muito especial, vejam!!

Naruto e Sasuke pegaram na mão um livro com capa de couro aparentemente novo e o abriram, nada havia nele, os dois se entreolharam sem entender.

-Mas não tem nada escrito aqui...Disse o rei curioso.

Sasuke entendeu.

-Meu pequeno príncipe deve contar sua história não é mesmo?

Boruto riu e abraçou com gentileza seu pai Sasuke, ele sabia apesar de ser uma criança que não devia aperta-lo de modo algum, seu corpo se recuperava dos traumas ainda e isso devia levar um bom tempo, ele seguia as recomendações que tinha ouvido de Haruno.

-Sabia que entenderia primeiro que meu pai Naruto, mas eu contarei uma história muito especial um dia e este livro ficará guardado na sala das memórias para sempre!

Todos riram, até mesmo o rei, apesar de fingir estar contrariado.

-Então além de um príncipe esperto e sapeca se tornará um escritor primoroso! Disse Sasuke bagunçando seus cabelos e ele riu afirmado que sim.

Naruto olhou para a Arquivadora, ela estava sorrindo e estava realmente feliz, nem parecia a mesma mulher que ele viu um dia, sinistra e séria.

-Vejo que passa mais tempo fora do templo agora, isso me parece bom, viver entre os livros pode ser cansativo. Disse o rei a Arquivadora.

Mikoto sorriu pegando na mão da outra mulher e sendo abraçada por ela no mesmo instante, de fato Eleonor era tão obcecada por Mikoto como era o rei com seu general, eles tinham que se reconhecer neste ponto.

E tanto Sasuke como sua mãe entendiam isso também.

-Vossa majestade tem razão, eu agora tenho motivos para sair do templo, antes minha vida era apenas a magia e os livros, eu vivia pela história dos outros, agora eu crio minha própria história, mas nunca deixo minhas funções de lado meu senhor.

-Não quis dizer isso, eu fico feliz que estejam felizes e desejo que tenham sempre tempo juntas, o amor é nossa maior riqueza.

A Arquivadora sabia que essa mudança era profunda, o rei que ela conheceu não era o mesmo que via diante de si agora, ele era um homem novo, renascido pelo amor a outro, e ela sempre agradeceria aos deuses por terem colocado Sasuke no caminho de Naruto, disto toda a mudança veio e com ela sua amada Mikoto.

-Tá tudo muito bom, mas eu preciso ir, minhas tias me prometeram bolos deliciosos e nós vamos faze-los juntos. Disse Boruto sorrindo e mostrando sua alegria infantil.

O rei quase sufocou com o riso que veio.

-Suas tias?

Boruto corou de forma adorável, ele não percebeu o que disse antes, mas manteve sua palavra.

-Claro! Minhas tias oras, o que há de errado nisso? Disse corado e com um bico fofo.

As mulheres riram e o puxaram pelas mãos.

-Até mais vossas majestades, temos bolos deliciosos a fazer...Disse Eleonor e Mikoto riu a seguindo.

Sasuke e Naruto retornaram para seus aposentos e então encontraram Hinata lá, ela parecia muito mais magra, sua pele ainda macilenta pela situação que passou, notava-se ali não somente a doença que o veneno causou, mas fadiga, arrependimento e medo, ela estava com Haruno ao seu lado.

-Vossas majestades, eu preciso conversar e contar coisas que não tive coragem de contar até agora, sei que aboliram as penas corporais, mas se desejarem me punir com elas ainda eu entenderei, assim como se me jogarem nas masmorras ou mesmo se desejarem a minha morte...Eu traí e menti e errei muito, mereço tudo isso.

O rei se adiantou e mandou abrir a porta dos seus aposentos.

-Vamos entrar, conversaremos lá dentro, creio que tem uma longa história para nos contar Hinata, mas eu prometi ao meu marido que te escutaria com calma, é o que eu farei agora...

Notas finais
A todos que sempre comentam meu mais sincero obrigado, continuem a ler a comentar. Beijos. Akirasam.

30. Era uma vez...

Notas do Autor
Neste capítulo iremos descobrir um pouco da história da bruxa de mil anos...espero que gostem e se possível comentem o que estão achando isso ajuda no processo criativo. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Era uma vez...

“Está é a história de Arata Karin Uzumaki, conhecida como a feiticeira sem nome ou a bruxa de mil anos...”

A mais de mil anos na região das montanhas eternamente nevadas exista um agrupamento de clãs, o mais poderoso deles era o clã Uzumaki, isto se devia ao fato de que este clã tinha os guerreiros mais valentes, mais altos e fortes dentro todos os outros, constituído de homens e mulheres de pele dourada ao sol, cabelos loiros e olhos intensamente azuis sua constituição física era invejável entre todos os outros, sua força era geralmente de duas vezes a de um homem comum e algumas vezes até mais, seu líder era inevitavelmente o mais forte entre todos, seu nome era Asura e sua esposa também da mesma linhagem forte se chamava Asuma, ambos tinham nesta época uma filha pequena, infelizmente a única, pois os deuses não os abençoaram com mais filhos, sendo assim o rei teria que ter um herdeiro fora do casamento em algum momento de sua vida para seguir com a sua próspera linhagem real, uma vez que as filhas dos nobres destes clãs eram geralmente usadas como moeda de troca em casamentos arranjados ou então serviam como acólitas do culto da memória no já antigo templo das colinas, única construção grande nestas regiões frias e inóspitas e não podiam carregar o nome do clã.

Infelizmente as consequências do nascimento desta criança já foram cruéis, uma vez que sua mãe quase morreu no parto, fato difícil de acontecer entre as mulheres deste nobre clã visto já que todas tinham uma força comparada a dos homens e eram muitas vezes donas de uma agressividade intensa e raramente se entregavam a dor e ao sofrimento, mesmo assim desta rara vez isso foi diferente.

Quando a esposa Asuma estava grávida pronta para dar a luz o líder do clã determinou que a criança deveria se chamar Arata Uzumaki, nome de um grande guerreiro, quando a menina enfim nasceu deixando sua mãe enfraquecida a beira da morte ( isto lhe trouxe infertilidade) o rei ficou irado e quase matou o pequeno bebê, mas por misericórdia deixou a filha viver, porém deixou-a com o mesmo nome, acrescentando apenas um nome feminino ao seu, assim o bebê se tornou Arata Karin Uzumaki, a filha odiada do clã mais poderoso das terras livres.

Os outros clãs destas terras eram o Senju constituído de pessoas morenas e pequenas de olhos negros que tinham grande habilidade com a seda, sendo muito bons em fabricar tecidos nobres e raros, sendo por isso mesmo o clã mais rico e admirado, porém sem guerreiros significativos, ficando sobre a proteção dos Uzumaki, também não tinham um líder forte.

O clã das cerejeiras era um clã pequeno de pessoas de cabelos vermelhos ou rosados, recentemente dividido, antes disso era um só com o clã Uchiha, mas devido as particularidades mágicas de alguns dos seus membros e diferenças políticas ouve um rompimento amigável, mesmo assim se mantinham unidos, por pura necessidade uma vez que os membros denominados Uchihas eram fortes guerreiros com o hábito de lutar até a morte nunca desistindo nem mesmo perante inimigos mais fortes e os pequenos e suaves membros da cerejeira eram praticantes de artes mágicas e podiam manter barreiras de proteção sobre os limites dos clãs sendo assim importantes.

Os homens e mulheres do clã Uchiha eram belos, donos de pele alva e macia, cabelos sempre longos e negros, nem mesmo na velhice perdiam a cor da noite que lhes permeava e adornava os cabelos, permanecendo com sua beleza intacta por toda a sua vida, possuíam um apelo sexual intenso e por isso eram adorados por todos, desejados e as vezes até mesmo sequestrados quando muito jovens por outros povos para servirem de concubinos ou concubinas ou mesmo serem esposas e maridos em outras nações, por isso mesmo seus membros aprendiam a arte da espada e da defesa muito cedo, ainda crianças e assim podiam se defender. Este clã não se importava com gênero, mas seguia a lei dos Uzumaki quanto a casamentos.

Os quatro clãs, Uzumaki, Senju, Cerejeira e Uchiha viviam em relativa paz, se protegendo de inimigos bárbaros que vinham das montanhas ao sul e eram vistos quase como animais e selvagens e mantendo um comércio ativo com os povos nômades, comprando peles de animais e lã de ovelhas além de toda sorte de coisas que lhes chegavam por intermédio destes povos, em troca cuidavam da vasta região que era conhecida como terras neutras ou terras livres.

As leis destes clãs eram simples, eles não se misturavam embora convivessem juntos, seus filhos e filhas não se casavam fora dos seus clãs, os casamentos eram arranjados e sempre mantinham a linhagem pura, salvo quando pretendiam unir forças ou criar laços mais profundos entre suas famílias neste caso importava o acordo envolvido e nada mais, os homens eram mais bem tratados e mais bem alimentados e invariavelmente se casavam com mulheres, com exceção do clã Senju e raras vezes o Uchiha que tinha preferências mais livres.

Adoravam os deuses antigos que nem mesmo tinham mais nomes, mas os reverenciavam em cerimônias realizadas pelas acólitas da memória nas íngremes montanhas nevadas todos os anos.

Foi neste mundo diferente que Arata Karin cresceu, odiada pelo pai e abandonada pela mãe viveu entre os quatro clãs crescendo livre e aprendendo tudo que podia para tentar um dia trazer orgulho ao seu pai.

Infelizmente apesar de se tornar uma ótima guerreira e excelente feiticeira isso aos quatorze anos nada disso impressionou seu pai que decidiu usa-la como uma aliança com um clã rival violento, o clã Otsutsuki, moradores de terras além das montanhas nevadas, eles eram em seu território muito temidos e dominavam todos os outros povos além das montanhas com mão de ferro, tendo como máxima escravizar todos que podiam aos seus domínios, para evitar uma possível guerra seria feita essa lamentável união.

A jovem se rebelou e não aceitou o casamento, por isso foi condenada a morte, antes de perecer sob o fio da espada na frente dos integrantes dos quatro clãs ela usou de magia negra aprendida livremente e escapou da morte. Perseguida pelos quatro clãs e odiada ela perambulou até ser acolhida pelas acólitas do templo da memória onde viveu por quatro anos aprendendo tudo que podia sobre magia proibida, usando da boa fé das acólitas se aproveitou do seu conhecimento sem sua permissão.

Aos dezoito anos era mais graduada em magia que qualquer ser vivo nos quatro clãs, mas vivia escondida nas paredes frias do templo, quando os clãs Uzumaki e Uchiha começaram a brigar entre si ela achou que poderia ser útil ao seu pai se apresentando a ele e oferendo sua magia para subjugar o outro clã.

Como o líder era sábio e perverso ele permitiu que sua filha banida ajudasse nesta guerra e assim ele a ganhou...

No final do ano de 998 depois das guerras primitivas Arata Karin Uzumaki foi condenada a morte novamente, presa pela magia arcaica das próprias acólitas do templo que se ressentiam de terem sido usadas e mantida como prisioneira pelos membros do clã Uzumaki ela foi executada no pico da montanha, tendo sua garganta cortada por uma espada forjada com magia e feita de jade verde.

Seu corpo quase sem vida foi deixado entre a neve que caía na montanha e seu espirito desejoso de vingança ainda pairava sobre o corpo ligado por fios prateados que se desprendiam um a um...Até que...Um homem velho se aproximou, um feiticeiro da montanha, sem nome, sem clã e sem medo.

Arata lhe roubou o corpo velho perdendo sua alma imortal neste momento ao ter usado a magia negra proibida e caindo no ciclo de morte e renascimento se tornando um ladrão de corpos preso a terra indefinidamente e com uma sede de vingança sem fim.

No entanto muitos anos de suas vidas foi gasto em aperfeiçoar suas técnicas, pois os corpos que habitavam eram fracos demais para conter uma alma tão obscurecida pela raiva e pelo ódio aos clãs, especialmente ao clã Uzumaki.

Descobriu com o tempo que seu poder aumentava ou diminuía conforme o corpo que possuía e que quanto mais trocava de corpos mais precisava de corpos fortes ou possuidores de magia...Com os anos isso se tornou complicado.

Mas Arata que então perdeu seu nome sendo chamada de muitos outros nomes conforme os corpos que habitava, também esqueceu-se de si mesma vivendo somente pelo ódio ao pai...

Vinte anos depois matou o pai e a mãe ao conseguir um corpo do clã Uchiha e se infiltrar no palácio em construção, isso causou uma nova e definitiva guerra entre os clãs e eles por fim se separaram.

O que sobrou do clã Uzumaki partiu levando seu rei que era o então filho bastardo do pai de Arata, conhecido como rei Dragão, passando pelo deserto de areia e seguindo além dele se fixando em terras quentes e amplas onde criou uma grande nação, deixando ali somente o clã Uchiha que terminou a construção do primeiro palácio das terras nevadas usando como paredes a própria montanha do vale.

O Clã das cerejeiras partiu e se estabeleceu muito longe em terras férteis e propícias a magia, prosperando rapidamente e criando um grande reino.

O Clã Senju se misturou a muitos outros e se perdeu entre as nações livres, tendo membros que ficaram no clã Uchiha, seguiram os Uzumaki ou partiram com os povos que pertenciam ao Clã das Cerejeiras.

A feiticeira sem nome continuou trocando de corpos para viver, continuou odiando o seu antigo povo e todos os outros e com os séculos se perdeu em rancor existindo somente para desejar o fim completo do Clã Uzumaki e Uchiha a quem sempre culpou por sua morte e sua atual condição...Uma alma sem seu templo, abrigando corpos sem valor...

Por onde passou causou destruição, partiu corações e descobriu que a dor a atraía muito mais do que os prazeres da carne, como acontece com os seres das trevas, no fundo ela era apenas um ser das trevas, nem homem e nem mulher, somente um demônio sem um lar.

E sua vida se tornou caos e morte e assim nasceu sua história.

Notas finais
Alguém notou as referencias deste capítulo? Pois tinham muitas...Beijos, obrigado por ler. Akirasam.

31. O poder que habita nas palavras.

Notas do Autor
Cada palavra tem seu poder, que minhas palavras escritas aqui tenham o poder de lhes trazer uma alegria efêmera e viva, que assim seja! Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: O poder que habita nas palavras.

O rei deitou a cabeça nas pernas do seu amado, ele sentiu as carícias nos seus cabelos longos, dedos macios a se infiltrar nos seus fios loiros, lentamente...Se ele fosse um gato certamente estaria ronronando agora.

-Hum, isso sempre me acalma e nem me lembro quando foi a primeira vez que fez isso comigo, mas eu juro que adoro.

Sasuke sorriu.

-Creio que faz algum tempo, acho que foi no dia em que decide alimentar o deus bom que vivia em você.

O rei elevou a cabeça e se levantou pegando o seu marido nos braços e o levando para a cama, o deitando nela e se deitando ao seu lado acariciando sua face que já estava mais corada e mais saudável, visivelmente estava se recuperando muito bem, mesmo assim o rei tencionava pedir a Haruno para ajudar em sua recuperação se fosse necessário.

-Eu estou bem. Disse Sasuke praticamente lendo o que seu marido pensava.

-Pedir a Haruno para ver como anda sua recuperação vai me deixar mais tranquilo e creio que depois que eu der meu perdão real a Hinata ela será muito grata não acha?

Sasuke fechou os olhos lentamente, ele estava cansado, sua recuperação ainda exigia muito dele e sempre que possível ele dormia por algumas horas.

O rei permaneceu ao seu lado até sentir a respiração regular se tornando mais leve devido ao sono e então se levantou e caminhou até a sala, fechando antes as suaves cortinas da cama e deixando seu amado entregue ao sono reparador.

Ouviu um dos servos que vinha em sua direção de modo cauteloso, temendo estar interrompendo algo e sorriu diante isso.

-Meu rei...Perdoe-me se estou incomodando, mas a senhora Arquivadora e a ministra Mikoto estão a sua espera na sala de recepção.

-Obrigado, avise que logo irei ter com elas, sirva frutas frescas e sucos por favor.

O servo saiu lentamente e sumiu por uma porta lateral, o rei se adiantou e foi vestir uma túnica mais nobre, pois usava ainda vestes muito leves, agora ao entardecer o frio ainda penetrava dentro do palácio mesmo estando a primavera tão perto de todos, escolheu uma túnica de tecido mais grosso na cor das areias do deserto e sorriu ao lembrar a primeira vez que viu Sasuke, ele brilhava lutando no meio das areias com suas vestes brancas esvoaçantes e seus cabelos negros como a noite, uma visão que nunca esqueceria em toda a sua vida...

Banhou-se rapidamente e trocou-se, após calçou suas sandálias de couro vermelho e seguiu, não sem antes dar uma nova olhada no seu amado adormecido e lhe cobriu o corpo suave com uma manta de pele de carneiro para mante-lo aquecido em seu sono reparador.

Ao sair para a sala avistou as duas mulheres conversando baixinho, muito próximas uma da outra suas madeixas se mesclavam lindamente, uma de cabelos negros, cintilantes e encaracolados, a outra com os cabelos lisos e castanhos, de uma cor terrosa e uniforme como as planícies nuas antes das plantações. A arquivadora nunca mais usou a roupa cinza longa após rever Mikoto, agora ela usava túnicas azuis, verdes oliva ou mesmo brancas, ornadas com pedras ou com cintos vistosos e belos, também nunca mais prendeu os cabelos como era o costume das servas do templo, mas os mantinha soltos e belos caindo nas costas ou como agora belas cascatas a se mesclar com o de sua amada.

Ele se adiantou e lhes sorriu satisfeito.

-Que honra receber em meus aposentos duas mulheres tão distintas.

Elas lhe sorriram de modo autêntico, após tantas provações que passaram já não havia menos que amizade sincera entre todos eles.

-Meu rei...É bom ver que está sorridente, meu filho está bem?

-Oh sim, vosso filho dormiu a pouco e eu achei que seria melhor ele descansar, ainda me pego nervoso e preocupado com sua recuperação e sei que seu corpo precisa de tempo para isso, mas se desejar eu o acordarei.

Mikoto negou suavemente.

-Não é preciso, pode lhe contar tudo depois, eu e Eleonor precisamos de um favor do nosso rei.

Eleonor afirmou olhando para o rei.

-Sim meu rei, de fato acho que temos uma pista sobre a bruxa, mas creio que precisamos de ajuda.

O rei se sentou a frente delas e ficou ansioso ouvindo, tudo que ele mais queria neste mundo era prender essa maldita bruxa e se sentir livre de novo para poder viver tranquilo ao lado de seu amado.

-Contem-me por favor.

As duas se olharam e em sua compreensão muda a arquivadora resolveu contar.

-Minha querida Mikoto viveu aqui antes da ocupação de suas tropas e esteve muitas vezes entre as servas que limpavam e cuidavam dos quartos do palácio, entre esses quartos havia o da bruxa, apenas algumas servas escolhidas pela mesma podiam entrar neste aposento e acho que podemos descobrir qual era e ir ver esse local que aparentemente deve ter ficados intacto ainda, afinal o palácio é enorme e nem todos os cômodos foram ocupados.

O rei concordou, na ocupação muitos ministros do antigo regime foram depostos e seus quartos e casas ocupados pelos ministros que vieram de Quinzen, mas muitos outros nem mesmo foram tocados, a ala onde eles se encontram agora não era a ala real do usurpador, essa ala foi remodelada para suas exigências e a ala que então servia ao usurpador foi feita lar para as concubinas e salas adjacentes para os servos, muitos aposentos ainda permaneciam fechados desde de a ocupação.

-Se desejam ver essas salas tem minha total cooperação.

A arquivadora sorriu, ela sabia que sim, mas precisava de outra coisa.

-Meu rei, as servas que podem ser as mesmas que serviam a bruxa, eu as quero em um local seguro, sem alarde devemos prende-las para uma interrogação, usarei magia para descobrir a verdade, assim não será preciso assusta-las ou feri-las, visto que isso seria algo ruim, mas podemos com isso descobrir a verdade, no entanto deve ser feito sem levantar suspeitas.

O rei entendeu bem e logo deu ordens para tal assunto.

-Um mestre em chaves deve seguir junto a vocês e podem levar alguns soldados se desejarem, descubram o que for preciso.

Eleonor sorriu ao rei.

-Não preciso de soldados, eu posso manter-nos seguras sem dificuldades, mas levarei o chaveiro conosco, se o rei puder deixar tudo pronto para a amanhã cedo nós iremos, levaremos junto vosso filho, o pequeno príncipe é inteligente e nos ajudará a encontrar a pista que procuramos, se o rei concordar é claro.

O rei sorriu.

-Boruto adora aventuras, se lhe contarem isso hoje ele nem mesmo dormirá.

Nisto ouviram uma risadinha sapeca.

-Me contar o que exatamente?

O rei sorriu e lhe abriu os braços e o pequeno correu pulando em seu colo e sendo acolhido com carinho.

-Meu filho quer viver uma aventura? Deve seguir suas tias e descobrir mais sobre a bruxa, aceita?

Boruto riu e concordou.

-Teremos bolos mais tarde?

Eleonor sorriu.

-Claro!!

O pequenino olhou em volta e bufou.

-Onde está meu pai Sasu?

Antes que o rei pudesse responder ele começou a tagarelar.

-Meu pai Naruto deveria ter vergonha, anda indo contra as ordens de Shisui e brincando com meu pai Sasu, ontem até mandei fazer uma sopa nutritiva para meu pai Sasu, afinal se ele gastar tanta energia assim como se recuperará?

Mikoto e Eleonor riram e o rei ficou vermelho, pois sabiam bem de que assunto isso se tratava.

-Boruto, respeite seu pai!!

O menino que estava no colo do pai riu.

-Ué, eu disse alguma mentira meu pai??

O rei ficou sem fala e as duas mulheres se levantaram para ir embora.

-Boruto...As coisas entre adultos tendem a ser mais complexas do que pensa, espere crescer e se apaixonar para descobrir, mas até lá venha conosco, aposto que os servos o procuram para o banho não é mesmo? E seu pai Sasu está adormecido no momento, por isso deve vir conosco. Disse Eleonor lhe dando a mão.

Boruto saltou do colo do pai rindo.

-Oh sim, eu aposto que me apaixonarei um dia e serei efetivamente feliz, não pretendo ser tão lerdo quanto meu pai e assim terei meu amado de modo mais suave somente para mim, mas por ora vamos. E com sua habilidade de trocar de assunto partiu para outro na velocidade do vento...

-Devo ir ver Shisui, ele me disse que faria biscoitos doces e eu adoro os biscoitos que ele faz.

Naruto ainda processava a impulsividade deste filho atrevido, mas sorriu ao ver ele saindo com as duas mulheres e com os servos que o acharam finalmente, de fato ele era agora muito mais feliz.

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Soldados vestindo roupas civis andavam pelos aposentos dos servos no andar superior do palácio, estavam buscando as servas que antes da ocupação serviram de algum modo a bruxa, não foi difícil acha-las, eram apenas duas.

Essas mulheres foram levadas a uma sala ampla e deixa-las lá para interrogatório, elas nem mesmo sabiam do que se tratava, mas pelo fato simples de não terem sido forçadas e nenhuma violência ter sido imposta a elas estavam relativamente calmas.

Longe dali no templo da memória e sem desconfiar de nada sobre isso a mulher de cabelos rosados estava sentada confortavelmente na sala, sobre uma mesa estava um jogo de chá e guloseimas, e muitos volumes grossos sobre as guerras primitivas, ela já havia lido a maioria, mas ainda não havia achado o que queria.

Seus dedos longos passavam sobre os caracteres que criavam a magia da escrita e ela corria os dedos na história viva de seu povo, com sua lembrança real dos fatos recriava batalhas que muitas vezes viu acontecer com seus próprios olhos.

“ Ano do Dragão sob o regime do primeiro rei Asuma, nesta data a princesa Arata foi condenada a morte por se recusar a se unir em matrimônio com o rei do clã …. ficando reclusa por duas luas enquanto sua morte era decidida pelos clãs.”

A bruxa parou por aí, ele não se lembrava de ter ficado tanto tempo presa, de certo por isso estava tão fraca quando foi levada a montanha, eles devem ter quase lhe matado de fome antes...

“ Uma espada foi forjada para tal ato, foi usado o jade verde que era então lapidado pelos membros do clã Uchiha, porém havia neste jade ainda uma mistura rara de um metal cintilante usado pelos membros do clã Senju que permite que a espada seja leve o suficiente para ser manuseada por longas horas sem cansar seu guerreiro e ainda a magia do clã das Cerejeiras, tudo isso criou uma bela e mortal espada que tem o poder de matar qualquer ser vivo mesmo que possuidor de alta magia como era o caso da princesa rebelde, após o ato cruel de assassinar a filha a espada devia permanecer com o rei.”

A bruxa forçou sua memória, mas lembrava-se vagamente de que não foi seu pai a usar a espada em seu pescoço, cortando-lhe a artéria e a deixando se esvair em sangue.

“ No entanto no ato da morte da princesa foi escolhido o líder do clã Uchiha, que decidiu cortar o pescoço da vítima e não arrancar sua cabeça com um único golpe, depois seu corpo foi deixado nas neves da montanha.”

Sim, ela se lembrava vagamente que um homem pequeno com uma espada de jade lhe cortou a garganta e enquanto ela morria todos partiram, foi nesse momento que um eremita se aproximou curioso e ela ainda conseguiu proferir as palavras sagradas que aprendeu e isso lhe salvou a vida, embora lhe tenha roubado algumas memórias por ser a primeira vez.

Ela vagou por dias até entender o que aconteceu a seu corpo, até se recordar de quem era e perceber que podia trocar de corpos quando precisasse, o ódio só veio mais tarde quando ela enfim se recuperou totalmente.

Agora ela sabia que foram os Uchihas a atentar contra a sua vida, eram tão culpados quanto os Uzumaki e que a espada de jade era perigosa, uma vez que ela podia não apenas matar seu corpo físico, mas também sua alma.

No entanto onde tal arma estaria??

Ela continuo procurando, seguindo a espada que passou da geração do seu pai para a do seu infame irmão bastardo e depois sumiu...

-Onde está espada pode ter ido parar? Ela se perguntou e então um frio lhe passou na espinha.

O rei Fugaku foi morto com sua própria espada, que foi depois passada ao seu filho caçula, o menino que ela usou para seus próprios fins, que não era outro senão o jovem general que ela tentou matar, seria possível que a tal espada fosse essa?

-Malditos Uchihas...Vociferou e voltou a vasculhar seu passado, havia algo que ela ainda queria descobrir, algo que lhe incomodava.

Notas finais
Pois é, Mikoto e Eleonor estão perto de descobrir algo, Boruto ainda é a melhor criança do mundo, adoro o jeito atrevido dele e o modo como consegue pensar em tudo ao mesmo tempo, deve ser hiperativo...A bruxa está a solta, literalmente e agora sabe que a espada de Sasuke pode mata-la. Até mais. Beijos...Akirasam.

32. Promessas de alma para alma.

Notas do Autor
A mídia acima é de um acessório de cabelo de jade usado nos nobres de ambos os sexos na China antiga, geralmente eles prendiam os cabelos dentro de uma pequena coroa, naquele tempo ter cabelos compridos era sinal de status e de nobreza. Só para terem uma noção. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Promessas de alma para alma.

O rei tinha realmente muitas preocupações em sua mente, além de todo trabalho na reforma das leis, coisa que era um trabalho gigantesco, de fato ainda existia as coisas comuns de todo império e no seu caso ele recebia relatórios de seus outros três reinos, claro que esses relatórios estavam sendo lidos e respondidos por alguns de seus ministros e dada a toda situação que ouve ele acabou encaminhando tudo a Guinzen, a seu pedido seus ministros de lá acompanhavam tudo nos outros três reinos, mantinham as taxas cobradas dentro do permitido e aceitável e mantinham seus regentes felizes, mas isso em breve mudaria também, afinal quando ele propusesse a lei de libertação dos escravos seria um caos, ele precisava de bases sólidas e algo para oferecer em troca.

Sua mente andava neste caos, mas não era somente isso, havia a bruxa e esse assunto era o mais urgente...

No entanto um único resmungo que vinha do quarto o fez ofegar e caminhar a passos largos até seu lindo general que ainda dormia, não importava como sua mente estivesse cansada e tudo a sua volta estivesse desesperador se ele tivesse Sasuke a seu alcance e feliz tudo estava bem, todas as suas dores se curavam, todo o seu medo se desvanecia, era como se juntos pudessem vencer todo o mal do mundo.

O pequeno general tinha um pesadelo, ele se debatia na cama, isso não era estranho, após tudo que passou quem podia culpa-lo? O rei se aproximou e o abraçou o consolando.

-Eu estou aqui, está tudo bem...

Sasuke abriu os olhos e por um momento ainda estava no seu pesadelo, ele se agarrou ao homem forte que o abraçava suave e devolveu o abraço com o dobro de força, apertando-se nele como se o mundo estivesse no fim dos seus dias.

-Foi somente um pesadelo, olhe em volta, é nosso quarto, está seguro aqui.

Sasuke o soltou e sorriu constrangido.

-Sim, eu sei, mas era você quem não estava seguro em meu sonho, foi assustador.

Naruto o encarou, ele sempre despertava o seu general quando ele tinha pesadelos, geralmente eram com a situação de seus familiares, embora quase nunca Sasuke realmente contasse isso, tal ato o marcou profundamente e ainda o atormentada em sonhos, o rei sabia porque Haruno lhe contou, ela era uma feiticeira muita esperta mesmo e uma boa ouvinte.

-Não precisa me poupar, sei que sempre sonha com o que eu fiz para sua família, eu entendo meu amor, foi marcante demais.

Sasuke negou.

-Sei que sim, eu sempre sonho, mas não hoje...Eu sonhei que você me tocava, era seu beijo, seus olhos e suas mãos, mas não era você e eu fiquei muito assustado.

Naruto o beijou brevemente.

-Lhe asseguro que não pretendo abandonar esse corpo tão cedo. Disse solenemente e o general lhe sorriu de modo fraco, mas seus olhos estavam marejados.

-Não me deixe, por favor me prometa!

O rei lhe sorriu.

-Sim meu amado, eu prometo nunca lhe deixar.

Sasuke então se levantou e puxou o rei que parou em sua frente o encarando de certo modo divertido, aquilo foi apenas um pesadelo, causado pelo medo que todos tinham da bruxa e muito provavelmente pelo que o próprio Sasuke passou na mão dos ministros, não era um presságio ou algo assim.

-Meu rei, me prometa que me encontrará onde estiver, que ouvirá minha voz não importa que esteja distante e virá para mim.

Havia tanto medo e tanta dor nessa frase que o rei se tornou sério, sua promessa nunca foi leviana, mas ele já esteve em falta com ela justamente com seu general e por isso agora pretendia ser correto, verdadeiro e nunca, jamais quebrar essa promessa.

Os Uzumaki tem uma grande força de vontade, diz a lenda que a maior de todos os clãs primordiais, e essa força não é comparada a nada no mundo dos vivos, assim se uma promessa for feita com sua alma perseverante ele nunca, jamais a quebrará, pensando nisso o rei invocou em sua mente todos os seus antepassados e implorou para eles que tivesse sua força triplicada para que nunca quebrasse tal promessa a seu amado, pois esse pequeno homem a sua frente merecia dele todo o seu amor e lealdade eternas.

-A uma lenda em minha família que remonta a época dos antigos clãs, diziam os antigos que uma promessa de alma era mais forte que a promessa de palavras, eu farei com meu marido uma promessa de almas, aceita?

Sasuke sentiu seu coração pular, quando pequeno ele ouviu seu pai contar histórias dos antigos clãs, seus descendentes eram do clã original Uchiha, um dos quatro, eles realmente tinham essa lenda.

-Sim, eu aceito, mas como se faz essa promessa?

Naruto lhe sorriu.

-Precisamos de uma relíquia dos nossos antepassados e eu sei onde conseguir uma neste momento.

Sasuke ficou impressionado, como ali em seus aposentos eles podiam ter uma relíquia tão antiga assim? Seria uma das estatuetas de jade? Uma das peças de pedras antigas que diziam ser as cascas mortas do antigos dragões? Essas eram itens que serviam para enfeitar a estante de livros e separa-los meticulosamente, poderiam ser tão antigos assim?

Mas o rei rumou a penteadeira de Sasuke e de lá tirou um acessório de jade verde nacarado que servia como um prendedor de cabelos, o jade era lindo e mostrava filamentos ora transparentes e ora mais escuros, tinha a aparência de um artefato pontiagudo, mas apenas prendia os fios displicentemente no alto da cabeça, um palito de uma pequena coroa ornada em jade e ouro.

-Meu pente de jade? O que me deu de presente de casamento? Perguntou Sasuke curioso.

O rei sorriu meio envergonhado.

-Na verdade...Quando o capturei todos os seus pertences vieram a mim, isso incluía sua espada de jade, ela era muito antiga e quando se chocou com a minha espada em campo de batalha e foi lançada longe ela rachou partindo-se em dois fragmentos, lembra-se meu amor?

Sasuke se lembrava da terrível luta que teve com o rei Dragão e de que sua bela espada realmente foi lançada longe com um golpe poderoso, mas não sabia que ela havia se partido, pois sua espada lhe foi devolvida completamente nova após o casamento, o que isso tinha a ver com seu acessório de cabelos?

-Sim, eu me lembro de nossa luta e de que perdi os sentidos logo após perder minha espada, não sabia que ela havia se partido...Mas não entendo, eu a vi inteira depois do casamento...

O re lhe sorriu e ergueu o acessório para que a luz das chamas da lareira o iluminasse.

-Este pequeno e lindo item foi feito de uma lasca tirada de sua espada que se partiu quando lutava comigo, entende agora? Ele é nosso item antigo, é uma relíquia apropriada, agora me estenda a mão e relaxe, só preciso de uma gota de seu precioso sangue meu amor.

Sasuke estendeu a mão e o rei furou sua palma lentamente, somente uma única gota escapou e o rei fez o mesmo em si, unindo as duas mãos e seu sangue, depois fez o general olhar em seus olhos.

-Eu prometo lhe ouvir meu amor e nunca te abandonar, me chame e eu irei até você, sempre...

O general sentindo-se tocado pelo seu amor sorriu e se aproximou dele o beijando ternamente, depois teve a grata satisfação de ver que o pequeno furo em sua palma havia se fechado totalmente, assim como o de Naruto.

-Meu rei, o que isso quer dizer?

O rei sorriu e lhe abraçou.

-Que temos as bençãos dos deuses antigos...

O general então pegou o item de jade e o circulou em seus dedos ágeis sentindo sua frieza e beleza.

-Eu o usei no dia de nosso casamento, mas eu estava tão exausto que nem notei sua beleza, devo ter usado após também, mas nunca pensei que era parte de minha espada, porque o mandou fazer?

O rei não sabia responder, havia sido na verdade um impulso.

-Quando meus servos vieram com a espada e o fragmento dela em mãos eu achei que lhe devia dar um presente, algo valioso e nobre para ficar junto a ti, não podia admitir que mesmo um pedacinho da espada se perdesse e por isso mandei fazer a joia para seus cabelos, a magia de meus mestres preencheu a lacuna da espada e ela se refez inteira novamente e ainda mais forte que antes e mais bela, e isso foi feito em Guinzen, quando eu já sabia que te amava e me arrependia amargamente pelo que te fiz passar, eu já imaginava que partiria para essas terras.

-Porém só lhe entreguei o presente um dia antes do nosso casamento, junto com as outras jóias que mandei confeccionar aqui, senti que era o certo a fazer e depois com quantos assuntos que surgiram eu esqueci de lhe dizer isso. Finalizou o rei lhe sorrindo ternamente.

Sasuke suspirou.

-Eu não vejo a espada há muito tempo, quando eu voltar a treinar quero sentir novamente o seu peso em minhas mãos e embora eu saiba que não estou em forma como antes pretendo treinar todos os dias e recuperar minha agilidade em campo.

O rei o beijou suavemente.

-É noite agora, amanhã iremos ver as armaduras e espadas na sala de armas, tudo bem?

Sasuke concordou e então sentiu o cheiro delicioso de sopa no ar.

O rei sorriu e o puxou para a sala de refeições onde a mulher pequena preparava a mesa para a refeição noturna dos amantes, era a segunda mãe de Sasuke, sua mãe de leite que estava ali lhe sorrindo.

-Oh meu menino, como está belo! Vosso rei mandou me buscar hoje, ele queria que eu fizesse a sopa que tanto gosta, também fiz pãezinhos e aquele doce de morangos que sei que adora.

Sasuke a abraçou e sorriu para seu marido, ele se sentia feliz.

-Como anda a loja minha segunda mãe?

Ela lhe entregou uma tigela e o fez se sentar antes de responder.

-Muito bem, eu estou realmente feliz, muita gente vem a minha loja em busca da sopa favorita da rainha, nem tenho mais espaço para tantas pessoas e os servos que vosso rei me mandou ajudar são pessoas gentis e adoráveis, eu estou muito feliz.

Sasuke sentia que finalmente as coisas pareciam certas, em seus devidos lugares mesmo que lá no fundo tivesse um medo inerente que ainda o tomava de tempos em tempos como um presságio.

O jantar foi maravilhoso e eles conversaram até tarde, somente quando a senhora gentil foi embora que o rei atualizou o seu general sobre a visita aos aposentos da bruxa e o plano que tinham para tentar descobrir pelo menos o nome dela.

-Eu estive ausente deste palácio por muito tempo e nunca soube onde aquela mulher vivia, mas eu ouvi pela boca dos escravos que ela tinha mais de um local, que as vezes era vista indo ao subsolo e as vezes mesmo sumia pelos corredores mais sombrios como se a parede a engolisse, isso é um pouco assustador não acha?

O rei concordou, neste momento ele não se sentia muito seguro, afinal tinha acabado de pensar que se a bruxa conhecia tão bem o palácio podia saber como entrar neste mesmo cômodo enquanto eles dormiam...Isso era algo bem ruim, mas depois se lembrou que Haruno fortificou o local com encantos que o protegiam e pelo menos ali ele podia ter paz.

Eles foram dormir já era bem tarde, aconchegados um no outro, sem medo do que as paredes escondiam.

…..........................................................................................................................................................................................................

O frio da noite penetrava pela janela sem vidros da cela alta, era uma pequena janela sem vidro e gradeada, mas mesmo assim o vento assoviava pela montanha e corria livre entrando na cela e perturbando os seus dois únicos moradores.

-Orochimaru, está com frio? Perguntou Maeda que não consegui dormir de modo algum devido ao frio que sentia, ele tinha dois cobertores e usava uma túnica limpa de algodão cinza, mas o frio mesmo na primavera ainda era forte, uma vez que eles estavam sem fogo para aquece-los.

O outro homem que havia se recuperado dos ferimentos e da infecção batia os dentes de frio deitado em seu pequeno catre, enrolado em um montinho.

-S-sim, eu estou congelando...Acho que não precisamos nos preocupar em viver uma vida longa nesta prisão, no próximo inverno morreremos de frio nesta cela com certeza, as montanhas se tornam totalmente brancas e o frio irá nos congelar até os ossos.

Maeda nunca foi sentimental em sua vida, durante toda ela teve conforto suficiente para jamais passar frio, sempre em um ambiente aquecido e com lareira, mas agora tendo o mínimo para sobreviver ele se sentia mais sensível, foi isso que o levou a se apegar ao companheiro de cela, o ex ministro Orochimaru, um descendente Uchiha de menor linhagem mas carregando as características marcantes de sua herança genética, o que consistia em longos cabelos negros e pele pálida, seus olhos eram negros e agora não tinham mais a altivez de antes, pareciam sempre assustados e pequenos.

Maeda se sentou no catre e se levantou, caminhou dois passos e se deitou do lado do outro homem o abraçando e levando suas cobertas juntas, o espaço era pequeno, mas pelo menos assim eles se aqueciam, tocou as mãos gelados do amigo de infortúnio e massageou seus dedos os aquecendo um pouco.

-Maeda...Tudo bem...Porque ainda cuida de mim? Deveria se manter aquecido e dormir, deixe-me...Disse o outro resmungando mas sentindo seus dedos doloridos mais quentes dentro da mão grande que foi sempre tão gentil desde de que eles chegaram ali.

-Eu me acostumei a cuidar de você, porque eu pararia agora?

Orochimaru suspirou infeliz.

-Porque eu sou fraco e sei que não vou sobreviver ao próximo inverno, não quero que se apegue a mim e depois sofra.

Maeda suspirou, ele sentia um calafrio só de pensar nisso, o medo de viver sozinho ali o apavorava imensamente, no começo quando eles foram deixados ali bem feridos pelo castigo ele se sentiu pronto para morrer, suas costas e suas pernas estavam tão feridas que até se mexer era demais, mas com os cuidados dos médicos ele se recuperou, e ele não queria isso, queria partir dessa vida, porém o destino ainda lhe mostraria mais.

Não foram abandonados ali, recebiam comida todos os dias, duas vezes por dia, recebiam água para sua higiene e uma vez por semana as celas eram limpas por eles mesmo sob a supervisão de um soldado armado, os cobertores eram trocados, descobriram que isso eram ordens do general, mesmo após tudo que lhe fizeram ele se preocupava com eles, não entendia isso.

Porém mesmo sem desejar ele melhorou e seu colega de cela na época não teve essa sorte, seus ferimentos sangravam dias após o ocorrido e ele ardia em febre, os médicos desistiram dele, afinal era somente um prisioneiro, foi quando Sasuke e Naruto vieram e então foi dada a ordem de que um dos médicos deveria tentar salvar a vida do prisioneiro.

Não que tivesse acontecido com grande empenho, mas remédios foram trazidos e deixados ali, juntamente com água limpa e fresca e ataduras novas, se Maeda quisesse que seu colega de cela sobrevivesse ele poderia tentar salva-lo com isso e ele o fez, cuidou dos ferimentos, lhe deu os remédios e pediu aos deuses por ele, a princípio era um pedido egoísta, ele não queria ficar sozinho, mas depois se afeiçoou ao olhar negro e triste, ao modo como Orochimaru era pequeno e frágil, e quase inconsciente ele se apaixonou por ele, foi um grande alívio quando a febre enfim o deixou, mesmo debilitado ele estava vivo, muito mais magro e fraco, mas ainda vivo.

-Escute-me, eu ouvi os soldados conversando ontem, parece que o rei e sua rainha estão mudando as leis neste reino, eles parecem decidir sobre nós, talvez sejamos transferidos para outro lugar em breve.

Esse assunto era para animar o pequeno amigo, mas ele se virou no catre e olhou direto nos olhos de Maeda.

-Eu não quero ficar separado de você... 

-Sim, isso pode ser bom, os soldados dizem que poderemos trabalhar nos campos para cumprir nossa longa pena, parece ser melhor do que morrer de frio aqui, mesmo que formos separados.

Orochimaru se aconchegou ao peito do outro e suspirou.

-Mas seremos separados e eu não quero ser mantido longe de você, sei que sou fraco e com certeza morrerei antes, mas ao menos tenho você aqui, não me sinto tão sozinho.

Maeda sorriu e o abraçou.

-Nossa culpa é nosso castigo, erramos ao nos deixar levar pela bruxa, ela nos usou e nos enfeitiçou, mas nossa alma já estava corrompida antes, devemos aceitar essa vida de agora em diante.

Orochimaru suspirou infeliz, ele viveu sua vida como lhe foi ensinado por seu pai, tendo servos e escravos, eram as leis do seu mundo, nunca soube outro modo de vida, mas podia ter sido mais gentil com seus escravos, podia ter visto a dor deles e ter tentado ser mais humano, no entanto algumas vezes somente ao se sentir na pele do cordeiro sentimos medo do lobo.

-Sim, a bruxa usou o incenso negro, mas a fagulha do mal estava em nossos corações, mas eu realmente me arrependi, sei que nunca mais poderemos ser livres, mas em outra vida eu procurarei ser melhor, e eu quero lhe encontrar, poderemos ser felizes juntos não acha?

-Sim, poderemos, mas eu ainda acho que mesmo vivendo assim podemos ter alguma esperança, quem sabe? Ainda não acabou.

-Não importa, apenas não quero deixa-lo, me resta acreditar que em outra vida eu serei seu.

Maeda o encarou.

-Vamos fazer uma promessa juntos? Nós vamos nos encontrar de novo e tentar redimir nossas vidas, vamos caminhar juntos, promete me procurar?

Orochimaru concordou.

-Eu prometo e o mesmo você fará, irá me procurar, seremos um do outro.

Maeda o apertou mais nos braços e puxou as cobertas sobre ambos, o vento ainda cantava sinistro na janela, mas seus corpos se aqueciam pouco a pouco e eles dormiram em breve, ouvindo os passos lentos do soldados que fazia sua ronda pelas celas frias.

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Quando os primeiros raios de sol tingiram o céu de laranja a bruxa saiu do grande templo da memória, havia recordado de tudo sobre sua vida, cada pedacinho dela, e ela agora sabia como realizar seu plano, ela sabia como ter acesso ao que mais desejava, e sabia que devia obter a espada para se proteger, deveria na verdade manter essa espada muito bem guardada e longe de todos que poderiam ter força suficiente para machuca-la ou mata-la.

No fundo tudo era muito simples, neste mesmo dia ela iria roubar um corpo e com ele poderia ficar perto do rei, novamente ela tinha uma chance de ter o que mais desejava para si, depois tudo seria dela...Sua vingança, todos os clãs...

E como um brinde ela teria um belo general, descendente direto do clã Uchiha para se divertir por um bom tempo...Afinal quem empunhou a espada que matou seu corpo original foi o líder do clã Uchiha, assim Sasuke deveria sofrer.

Ela acreditava que estava perto de cumprir sua promessa, de ter um corpo Uzumaki novamente e acabar com os clãs que agora eram reinos, ela manteria somente os que desejava criando um novo e único clã onde somente ela teria poder e força, mesmo que isso causasse a morte de milhares, ela não se importava.

De fato ela acreditava que por ser uma alma de mil anos nada mais poderia surpreende-la e ninguém que vivia nessa era poderia ser tão poderosa quanto ela mesma, por tanto seu sucesso era inevitável.

“Mas a natureza humana sempre é capaz de surpreender, não importa o tempo ou momento e a força de uma promessa depende não somente do ódio imposto a ela, mas claramente é mais forte o amor que devotamos a cada palavra.”

Continua em breve...

Notas finais
Promessas que devem ser lembradas, votos que podem ser testados ao limite, quem sabe?
Hoje eu cumpri uma promessa e fiz um pedido, será que me será atendido? Agradeço a quem favoritou, finalmente a história chegou aos 200 favoritos e até passou um pouquinho.
Então me ajudem e comentem, isso me fará feliz.
Akirasam.

33. Doce amargo.

Notas do Autor
Este capítulo é tenso e revelador. Boa leitura!!

O General capturado e o rei Dragão.

Capítulo: O doce amargo.

Mikoto, Eleonor e Boruto olhavam desanimados para o quarto grande, desprovido de qualquer coisa além de uma cama coberta de poeira e um tapete no chão.

-Tem certeza de que era mesmo este aposento?

Mikoto olhou para a sua amada e sorriu triste.

-Sim, era este, interroguei as servas da bruxa, mas elas estavam sobre um encantamento e nem mesmo se lembram de ajuda-la, mas eu não entendo, se a porta estava trancada por todos esses meses e ninguém tirou nada daqui como isso é possível?

Boruto andou pelo local olhando cada cantinho, como uma criança curiosa ele não achava que isso fosse perda de tempo, na verdade ele tinha certeza de que havia ali alguma pista, eles só não estavam olhando direito e com isso em mente percebeu que a cama estava levemente fora do lugar, era uma cama de madeira maciça, como estava fora do lugar? Como se alguém a tivesse movido pelo chão.

Sem esforço ele a empurrou e o chão se abriu, um vento frio e sinistro entrou no ambiente e Mikoto o puxou rapidamente para junto dela, deixando Eleonor se aproximar cautelosamente da beirada daquele buraco.

-É uma escada, acredito que agora sabemos porque o quarto está vazio, vamos descer?

Mikoto estava ansiosa e com medo, mas assim que viu o sorriso de Eleonor entregou sua mão para a mulher e a seguiu sem medos, afinal a arquivadora era poderosa.

Eles logo perceberam que o ambiente era frio, as paredes de pedra eram lisas e antigas e logo mais se assemelhavam as paredes de uma montanha do que do palácio, era a parte mais velha da construção e muito provavelmente nem constava no mapa original da construção, visto que naquele período como no deles sempre haviam passagens secretas para levar os governantes em segurança caso ouvesse um ataque que não pudesse ser impedido.

-Este local deve ter a idade da bruxa ou ainda mais. Disse Boruto assustado e ao mesmo tempo encantado.

Na mão da arquivadora uma luz brilhava tão intensa que podia clarear vários degraus a frente mas mesmo assim não feria os olhos de nenhum deles, era um cristal que brilhava em sua palma aberta.

Eles então chegaram ao subsolo, um local grande, repleto de vigas grossas de sustentação e rochas antiga e enormes, após alguns passos eles viram uma espécie de cama ou catre muito velho, coberto de peles e tecidos grossos e igualmente velhos e decrépitos, alguns se desfazendo com a ação do tempo, havia um cheiro de morte e decomposição ali, visceral e quase sufocante.

Mikoto se sentiu nausear e no mesmo minuto Eleonor limpou o ar com um feitiço e tudo ficou fresco como se fosse meio dia num dia de inverno.

-Deve ser o esconderijo dela, eu sabia!

Eleonor e Mikoto sorriram para Boruto, ele foi o herói ali, mas elas estavam cautelosas e foram procurar pistas, a frente havia uma arca de madeira e pinos enormes de ferro muito enferrujado, sem tranca, a umidade ali havia corroído um pouco a madeira, mas como era grossa e bem talhada ainda estava inteira.

Eleonor cautelosamente abriu, havia muitos frascos ali dentro, coroas, cetros, jóias e algumas peças de roupas antigas, muitas se desfazendo lentamente.

-O que é isso? Perguntou Mikoto e Boruto se debruçou para ver.

-Coisas que ela pegou de corpos que roubou, pequenos tesouros para ela eu acho, como troféus.

Mikoto suspirou pegando um belo bracelete de ouro nas mãos, era masculino, mas fino e delicado, podia ter sido de um rapaz jovem como seu filho...Essa bruxa era a maldade pura.

No fundo da arca havia algo perturbador, um livro cinza com as iniciais A, K, U e alguns pertences de uma acólita do templo.

-Pelos deuses...Não acredito, precisamos subir urgente!! Agora!! Gritou Eleonor e largou tudo ali invocando uma chama azul que serpenteou pelo local subindo por uma escada estreita escondida na escuridão do local.

-Vamos seguir essa luz azul, vai nos levar ao templo rapidamente, mas prestem atenção ao que eu descobri, a bruxa já foi uma acólita do templo e isso significa que ela tem acesso a toda a informação do templo, podem imaginar como isso é perigoso?

-Neste momento ela pode estar lá dentro buscando informações que a ajudem a tomar o trono ou ainda pior...Usar isso contra o rei e o general.

Correram sem mais palavras até dar numa porta velha, grossa e pesada, tão pesada e enferrujada que cinco homens adultos e fortes sofreriam para transpor, mas Eleonor apenas recitou algumas palavras e a porta se abriu lentamente, rangendo sobre seus ferrolhos velhos e enferrujados e eles estavam dentro de um estreito corredor que levava direto ao interior do templo, provavelmente não era usado a muitos séculos, mas se via que alguém passou por ele recentemente, havia no chão ainda marcas de passos bem distintas na poeira secular.

-Meu amor, eu percebo que estamos no templo, mas a magia o protege do mal não é? Mesmo que a bruxa tenha sido um dia uma acólita ele não pode entrar mais, não é? Percebo que este corredor leva ao interior do templo, mas ela não pode transpor este espaço...Pode?

Eleonor fechou os olhos e deixou o cristal pairar no ar lentamente, uma névoa azul claro se fez e aos olhos assombrados de Boruto e Mikoto eles viram a cena de uma acólita de capuz cinza segurando a sua frente uma serva simples e humilde como se fossem apenas uma, a mesma serva que foi interrogada por Eleonor mais cedo, de fato uma magia as unia como um só corpo, uma só alma naquele mesmo instante e após isso um clarão e a porta a frente se abria as duas mulheres estranhas.

A Arquivadora suspirou.

-A bruxa entrou usando uma magia antiga mesclado a sua inteligência e burlou nossa magia ancestral, ela deve conhecer bem os mecanismos de defesa do templo, pode ter visto eles sendo colocados, precisamos seguir em frente.

Novamente a feiticeira invocou a luz azul que guiou eles no caminho certo, até uma sala distante, esquecida pelas acólitas, provavelmente não usada a séculos até a poucos dias ou mesmo horas, havia sobre a mesa um prato de lanches e uma jarra de água ainda boa, dezenas de livros jaziam caídos pelo chão e eles se ajoelharam para ler e tentar entender isso.

-A história do clã Uchiha... Leu Boruto.

-A história da ascensão do clã Uzumaki...Leu Mikoto.

-A história do assassinato da filha do líder do primeiro clã, o líder Asura. Disse Eleonor pálida.

-Eu sei qual o nome da bruxa, finalmente eu sei!! Ela disse apavorada e buscando entre as páginas a imagem da mulher que ela desejava mostrar, ali um desenho a mão muito detalhado feito pela arquivadora da época mostrava a imagem da jovem.

-Vejam, essa é Arata Karin Uzumaki, filha de Asura e Asuma, os primeiros monarcas, o rei e a rainha Uzumaki.

Boruto lembrou do nome no livro e das iniciais A, K, U.

-Ohh, mas se ela foi assassinada como veio parar no templo como uma acólita?? Disse Boruto.

-Realmente não sei, conheço feitiços poderosos que podem trazem alguém a beira da morte a vida mas não conheço nenhum que permita que uma pessoa após ser assassinada volte e tome corpos como ela faz, creio que essa magia não pertence a este mundo, talvez venha do clã secreto cujas origens dizem que remontam outras eras e outros mundos, porém esse clã é recluso e embora eu saiba de sua existência nunca soube muito mais deles, embora existam alguns relatos de sua existência neste templo, bem antigos. Explicou Eleonor.

Boruto estava lendo o volume aberto sobre a mesa, aquele que a bruxa deixou ali por último, parece que era realmente sua história e ele achou algo interessante.

-Tia Eleonor, esse clã secreto se chama Otsutsuki?

A arquivadora e Mikoto se debruçaram sobre a mesa e leram o nome do clã.

-Parece que a jovem Arata deveria ter se casado com o líder do clã Otsutsuki, o clã secreto, mas como ela se negou foi condenada a morte, pode ser que este clã tenha lhe amaldiçoado a viver assim? Trocando de corpos pelos séculos? Mas porque fariam isso? Perguntou Mikoto que já havia lido sobre este clã da história antiga dos clãs primordiais.

Eleonor pegou um grosso volume e colocou sobre a mesa, ali havia apenas um pouco da história da descoberta do clã Otsutsuki mais conhecido como clã secreto porque eles raramente apareciam e quando o faziam era para conquistar um povo e domina-lo completamente, desaparecendo depois com todos que capturavam, diziam as lendas que viviam além das montanhas nevadas cujos picos altos demais impossibilitavam o resto do mundo de ter contato com eles, infelizmente este povo antigo sabia como passar pelas escarpadas e geladas montanhas.

-Fiquem aqui e procurem mais informações, precisamos saber mais de Arata, seus propósitos estão todos aqui, eu mandarei acólitas para cá, ficaram seguros, leiam a história da bruxa neste volume enquanto eu preparo alguns encantamentos e busco entre minhas feiticeiras as mais fortes, também preciso de Haruno, sei agora que devemos caçar essa mulher e que ela está entre nós, reforçarei as defesas deste templo para que ela não volte a usa-lo nunca mais e trarei seu filho para cá, pode ser que a bruxa tente novamente feri-lo uma vez que ela deseja possuir o corpo de Naruto e para faze-lo precisa enfraquece-lo, por isso mesmo ela pretende ferir Sasuke e assim chegar ao rei.

Eleonor saiu e Mikoto e Boruto foram ler a triste história de Arata Karin Uzumaki que se mesclava sinistramente com a do clã secreto que vivia além das montanhas nevadas, embora eles ainda não tivessem uma noção clara do porque.

Mikoto observou Boruto lendo o volume e lhe passou os dedos nos cabelos longos e macios.

-Eleonor é forte, ela vai pegar essa bruxa, pode ter certeza.

Boruto olhou para sua tia e lhe sorriu, mas havia uma sombra em seus olhos, medo e preocupação.

-Tia, acho que a bruxa é perigosa, mas pode imaginar como deve ser perigoso quem a fez assim?

Mikoto suspirou, sim ela podia imaginar.

-Esse clã não procura guerra a tantos séculos que ele se tornou uma lenda, pode ser que estejam todos mortos agora, mil anos sem contato é muito tempo.

-Eles realmente vieram de outro mundo tia?

Mikoto conhecia a lenda do clã e era pouca coisa, mais fantasiosa do que as histórias de dragões, porém ela já foi uma rainha e como tal visitou no subsolo a sala antiga dos ossos de dragões, por isso ela sabia que esses incríveis animais viveram neste mundo um dia, porque então deveria duvidar de que este povo forte não tivesse de fato chegado das estrelas?

-Sabemos pelos antigos povos anteriores aos clãs primordiais que este povo chegou das estrelas, eles fugiram de uma grande catástrofe que fez seu mundo morrer, o povo que contou essa história deixou placas de argila com sua escrita antiga onde contavam que o clã secreto veio das estrelas em carruagens de fogo e que eles dominaram todos os seres vivos ao chegarem aqui, eles os usaram como animais de carga e os tornaram escravos, eram maiores e muito mais fortes e tinham armas que ninguém nunca viu.

Boruto estava de olhos arregalados ao ouvir essa história.

-Mas os seres humanos são livres e não suportaram serem tratados como animais, alguns poucos do clã que veio das estrelas também não aceitavam essa situação e se rebelaram junto aos povos primitivos, ouve uma grande guerra e embora o clã das estrelas fosse forte e tivessem armas eles eram muito poucos enquanto os povos daqui eram muito numerosos, no final o clã Otsutsuki se refugiou além das montanhas, o local onde não seriam alcançados.

Boruto estava maravilhado com a lenda, mas ele era esperto.

-Tia, o que ouve com os poucos do clã secreto que ficaram aqui?

Mikoto lhe sorriu, nada escapava a esse menino lindo.

-Deram origem aos quatro clãs primordiais se casando com pessoas daqui deste mundo e toda a história dos quatro clãs começou, isso foi muitas e muitas eras antes do nascimento de Arata e de sua triste história.

Boruto estava nervoso e com medo e resolveu expor suas ideias a sua tia.

-Tia...Se este clã veio de outro mundo e se eles ficaram com raiva de todos os povos daqui...Eles podem muito bem desejar vingança por serem expulsos destas planícies não é?

-Menino bobo...Ela disse lhe abraçando.

-É bem capaz que tudo não passe de invenção e histórias tolas, esse clã pode ser apenas uma lenda sem sentido e se forem reais duvido que tenham vindo das estrelas e mesmo que tenham vindo eles já devem estar mortos a muitas eras, além das montanhas é um território selvagem e gelado, podem até ter realmente vivido até a época dos clãs primordiais, mas naquele período além da guerra dos clãs ouve um inverno rigoroso demais, muitos morreram de frio e os picos das montanhas se tornaram ainda mais frios, foram anos sem conta assim...Se aqui todos sofreram com o frio, imagine além das montanhas onde dizem que o inverno é permanente?

-Este clã se realmente existiu e se realmente se refugiou por lá deve ter morrido no período do inverno inclemente...

Boruto suspirou mais calmo.

-Veja, um problema de cada vez, já temos muito a nos preocupar com essa maldita bruxa, não invente mais medos, está bem?

-Sim tia Mikoto...

Acólitas chegaram com lanches e acenderam o fogo da lareira para espantar a atmosfera de frio e medo e logo foram ajudar a ler os livros e ver o que a bruxa de fato estava procurando ali.

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Porém neste momento a bruxa já estava esperando seu próximo corpo saudável e jovem, ela descobriu nos livros do templo como trocar seu corpo por um que ainda estivesse vivo e respirando...Ela aprendeu a aprisionar a alma da pessoa escolhida dentro de sua própria consciência muito mais forte e antiga e assim obter o controle sobre essa mente e este corpo, sem precisar usar de tantos artifícios para fazer a pessoa escolhida morrer de desgosto, amargor ou mesmo morte violenta que lhe dava mais trabalho para recuperar o corpo ferido e era muito mais trabalhoso.

Nunca pensou que o povo do clã a que um dia ela deveria seguir como esposa do líder poderia lhe dar esse conhecimento, ficou feliz em se lembrar de ter achado esses papiros velhos quando ainda era acólita do templo, claro que naquele tempo ela era ainda muito imatura e achou que a magia ali contida era fantasiosa demais, mas agora após séculos de aprendizado ela já sabia que o que é fantasioso hoje pode ser normal em outros tempos, assim como em sua época eram tantas coisas...

Ela sorriu, havia deixado os papiros frágeis dentro da parede onde os encontrou, deveria voltar lá para ler mais, a magia do clã secreto era forte e ela queria mais conhecimento, após estar no corpo forte de Naruto podia fazer uma expedição para ir além das montanhas, ela queria ver por si mesma se ainda existia algum sobrevivente do tal clã, poderia ter muito a aprender se eles ainda estivessem por lá, ela os dominaria com seu grande exército e os submeteria a si conquistando todo seu conhecimento que diziam remontar a outro mundo entre as estrelas.

Mas por hora ela precisava de um corpo, urgente.

Ela queria um corpo frágil, belo e indefeso...Uma serva que tivesse acesso aos aposentos do rei e da rainha...Que não levantasse suspeita alguma.

Então ela viu Hinata andando lentamente ao lado de Ino e Haruno, ela esperou que as duas mulheres mais fortes se afastassem e então tomou um ar cansado e alto infringiu um profundo corte no ombro onde o sangue jorrou em quantidade, fez isso com uma adaga escondida na túnica cinza e se aproximou da moça indefesa.

-Me ajude!! Socorro...F-foi a bruxa!!

Ela caiu ao chão e a moça muito desesperada caiu aos seus pés tentando inutilmente ajuda-la.

-E-eu vou chamar minha mestra, a senhorita Haruno vai ajuda-la, ela é a melhor feiticeira do reino todo...Calma...

Assim que ela tocou o sangue na túnica a mão ágil agarrou seu pulso e a bruxa a trouxe para perto, sua boca se colou a da pequena serva e de dentro dela sua alma invadiu o corpo frágil, sufocando a pobre menina e dominando sua mente, seu corpo se aprisionando e sua alma sendo levada a um limbo sem sons, sem luzes onde a escuridão reinava profunda e absoluta...

O corpo do que um dia foi a rainha das terras da Cerejeira caiu no chão, no mesmo momento se tornando murcho e velho, desprovido de vida e cor, secando lentamente a carne e os colando aos ossos já se expondo...Brancos como os dentes de lobos enquanto o corpo jovem da serva Ino se tornava mais forte com a alma da bruxa a domina-lo completamente.

A bruxa então observou fascinada enquanto o corpo que habitou se deteriorava como os outros que já usou, eram corpos que quando ela tomou já estavam mortos ou quase isso e foram mantidos pela força de sua alma, o som de ossos quebrando era algo agourento, sinistro e absurdo, mas eram satisfatórios para a mulher...O peso do corpo caiu sobre ossos, pele, cabelos e tudo se desmoronou no chão em um montinho seco como as folhas de outono, onde somente as roupas denunciavam que aquilo um dia foi um ser vivo.

A bruxa riu malignamente e saiu dali tentando se ajustar ao corpo novo, mas ela agora queria ir ao rei, ela o queria, um corpo forte e de sangue Uzumaki era tudo que ela desejava no momento...

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Eleonor mandou todos os seus servos e suas acólitas mais experientes a procurarem qualquer sinal desta mulher terrível entre as pessoas do palácio e depois rumou aos aposentos do rei onde sabia que o encontraria com seu general, ela tinha plena certeza de que a bruxa agora conhecia algo que lhe permitia trocar de corpos mais facilmente e embora soubesse de que essa magia era poderosa e de que ela mesma tinha que entende-la para o bem de todos também sabia que agora não era tempo de estudar e sim de agir.

Dois guardas abriram passagem para a mulher que adentrou no aposento e viu os seus monarcas sentados em poltronas próximas lendo juntos, era uma cena adorável e tudo que ela queria era mante-los assim, felizes e juntos, mas havia um perigo a mais e ela precisava avisa-los.

-Eleonor? Aconteceu algo importante? Perguntou o rei se levantando e logo olhando para todos os lados ciente de que algo estava terrivelmente errado.

-Arata Karin Uzumaki, este é o nome da bruxa de mil anos e ela deseja vingança contra os clãs que a condenaram a morte, mas creio que o pior desta vingança ela guarde para o clã Uzumaki.

O rei suspirou e puxou Sasuke para junto de si o protegendo sem nem mesmo perceber.

-Ela não conseguirá, vamos pega-la!

Eleonor concordou.

-Meu rei eu desejo mante-lo no templo junto com sua rainha para protege-los, minhas acólitas estão usando cristais vivos para tentar achar a bruxa, a luz do cristal pode seguir a magia forte da bruxa e localiza-la onde quer que esteja, só temos que achar o rastro dela, infelizmente essa magia ainda tem curto alcance e a menos que estejamos a poucos metros dela não podemos saber quem ela é ainda, isso torna tudo muito perigoso.

Sasuke sabia que o rei, seu rei nunca concordaria em deixar o palácio, ele era o Rei Dragão e nunca fugiria e sabia que ele o mandaria ir ao templo, mas certo como o dia nasce ele também não iria, não era um covarde e nunca fugiria.

-Meu rei deve saber que eu não vou deixa-lo, por isso não pense que pode me mandar ir para o templo.

Naruto riu, seu amado era mesmo muito inteligente e agora parecia que podia ler pensamentos.

-Mas quero o manter seguro.

-Eu também lhe quero seguro, me entenda. Rebateu Sasuke.

O rei concordou.

-Agradeço muito senhora Eleonor, mas ficaremos aqui, concordo em ter Haruno neste ambiente e sempre que eu ou Sasuke sairmos estaremos acompanhados pelas acólitas, nunca andando sozinhos, mas é isso, não posso fugir.

Eleonor entendeu, ele era o rei afinal de contas.

-Sim, tenho duas acólitas experientes do lado de fora e mais os dois soldados, vou encontrar Haruno e discutiremos meios mais eficientes de achar a bruxa, duas mentes juntas podem descobrir uma maneira.

Sasuke concordou e a mulher saiu, eles se olharam e se abraçaram.

Neste momento uma serva pequenina entrou no quarto lentamente, sorrindo de modo inocente.

-Majestades...A mestra Haruno me mandou vir, devo cuidar dos meus senhores...Ela disse fazendo uma reverencia.

O rei sorriu, era bom ter rostos conhecidos por perto numa hora tão perigosa.

-Bem vinda Ino, que bom...Eu devo sair e cuidar da guarda, a muito a ser feito pois a maldita bruxa está a solta, pode cuidar de meu general enquanto estou fora?

Ela sorriu.

-Sim meu rei...Mas não seria bom que meu rei tomasse um banho antes? Eu também mandei fazer algo saboroso para sua refeição.

Naruto achou que era melhor assim.

-Tem razão...Prepare meu banho, devo estar apresentável para meus soldados.

Sasuke sorriu.

-Deixe que eu preparo o banho meu amor, apenas relaxe um pouco nesta poltrona e tome seu chá.

Naruto lhe beijou a testa e se sentou aceitando o chá e vendo ele sair lentamente com sua túnica a tocar o chão...Seu belo corpo ondulando ao caminhar...

-Vossa rainha é mesmo o homem mais belo do reino todo se me permite a ousadia de ser sincera. Disse Ino sorrindo.

-Oh sim, ele é mesmo, mas é ainda mais que isso, tem o coração e a alma de uma pureza que nem consigo descrever, meu amado é perfeito.

Ino sorriu e cortou a palma da própria mão deixando o sangue pingar no chão gota a gota e se aproximou lentamente do rei parando em sua frente.

-Meu rei isso é mesmo admirável no jovem general, pode ter certeza de que eu vou descobrir tudo isso nos próximos dias...Eu vou usar muito bem o corpo e alma dele...Como eu bem quiser.

Naruto levantou-se indignado e então a mão pequena da serva se uniu a sua deixando o sangue fluir na pele firme do rei e ela o puxou com uma força esmagadora para um corpo tão frágil e colou seus lábios macios e corados ao do rei num beijo esmagador.

O rei lutou, a alma densa e escura como mil filamentos de um tom negro opaco invadiu sua garganta, era amargo...Espesso e sufocante, águas turvas e enlameadas de um rio sem fim...Naruto se afogava e seu corpo entrava em espasmos físicos.

Mas o rei era forte e lutava contra o feitiço milenar, o feitiço que era de conhecimento de um povo que veio além das estrelas, intenso e poderoso, e lutou e lutou...Mas por fim os últimos filamentos que tinham a alma da bruxa entraram em seu corpo forte e sua consciência caiu num abismo abissal, profundo como o oceano e foi se perdendo no meio da escuridão opaca, sem som, penetrando no nada absoluto.

Ino caiu no chão, seu corpo que teve pouco uso para a bruxa estava vivo embora sua mente estivesse ainda na escuridão, não foi desfeito como os outros, a magia que o tomou apesar de negra e poderosa não o matou.

O rei abriu os olhos e viu o mundo como nunca antes, a bruxa sorriu satisfeita em sentir o poder lhe correndo nas veias...Ahhhh era viciante ser um Uzumaki, ela sentia! Sentia como sentiu quando era Arata e ainda mais pois Naruto era um homem e ainda por cima muito, muito forte mesmo, um ótimo exemplar do clã Uzumaki, mesmo que gerações sem conta o separasse dos primeiros.

A delícia de sentir o poder era esmagador e ela sentiu lágrimas no olhos, se adiantou a um espelho, andando de modo desajeitado e se olhou firmemente...Ohhh que belo!!

Sim! Arata era bela e forte, mas Naruto era mais ainda.

Satisfeita ela sentiu os músculos fortes, sentiu as mãos se abrirem e fecharem, ela podia facilmente matar alguém com as mãos nuas, era intenso...Sentiu a sua nova anatomia, sua virilidade entre as pernas e que virilidade!!

Riu satisfeita com isso, era bom ter um corpo feminino, o prazer feminino era delicioso...Mas o prazer masculino era tentador e ela estava mais que satisfeita em ter agora o corpo jovem, potente do Rei Dragão para usar a vontade.

Sasuke saiu da sala de banhos com uma toalha dobrada nas mãos e veio sorrindo na direção do seu amado, mas parou a poucos passos vendo o corpo no chão da serva Ino.

-Ohh...O que ouve com a pobre Ino?

O rei sorriu de modo maligno.

-Pobrezinha...Não fiquei muito tempo usando este corpinho frágil, mas...Não creio que sua consciência volte, eu a destruí por dentro.

Sasuke andou alguns passos horrorizado.

-Você!!

Ela riu e se aproximou.

-Sim meu pequeno e adorável Sasuke...Meu general capturado...Eu sou a bruxa de mil anos, eu sou Arata Karin Uzumaki e este é o seu fim!!

Notas finais
Caso alguém tenha curiosidade sobre o clã secreto a história é uma lenda, a lenda dos Anunnakis descrita em tábuas de argila na escrita cuneiforme pelos antigos Sumérios, mas aparece nos povos da Babilônia, na verdade os povos da Mesopotâmia tem muito desta antiga raça considerada vinda das estrelas.
Os povos do clã secreto tem a mesma história adaptada é claro para o enredo desta minha obra de ficção.
A magia que a arquivadora Eleonor usou se chama "busca das fadas" e é descrita pelos povos da Irlanda, dizem que é uma magia celta que captura o calor do corpo e forma uma chama azul que segue o rumo desta pessoa seja por onde ela passou proporcionando ao perseguidor achar sua presa sem falta.
O cristal azul também vem das lendas celtas.
Por hoje é só...Um beijo, espero que tenham gostado. Akirasam.

34. A faca do assassino não ouve o grito do inocente.

Notas do Autor
Espero que estejam gostando. Boa leitura!!

O General capturado e o Rei dragão.

Capítulo: A faca do assassino não ouve o grito do inocente.

-Você!!

A bruxa riu, ou pior que isso...Ela gargalhou como nunca em suas muitas vidas, nos corpos que habitou por tanto tempo.

Ela estava em casa agora, sangue do seu sangue em uma alma deturpada e quase louca, mais ainda assim firme e completamente forte em seu propósito insano.

-Sim! Sim! Sim! Eu, a filha rejeitada, a mulher que foi condenada a morte por não desejar ser apenas um objeto nas mãos de um líder sanguinário de sangue que nem mesmo era humano!

Ela deu mais alguns passos e ficou frente a frente com o general que não recuou nem mesmo um único passo se mantendo firme, ela sentiu seu perfume inebriante...Olhando em seu rosto lindo e pálido, havia algo naqueles olhos negros que lhe dava calafrios, os olhos de Sasuke eram intensos como a promessa de uma tempestade.

-Eu sou Arata Karin Uzumaki, eu sou a bruxa de mil anos e não há nada mais neste mundo que possa me amedrontar, nada que possa me matar e nada que possa salvar seu amado rei, pois eu tenho o corpo dele agora e a alma que um dia pertenceu a ele está na mais profunda escuridão dentro da cela que eu criei com a minha própria força de vontade.

Sasuke tremeu, ele podia ver no fundo dos olhos azuis gelados que aquele corpo embora fosse do seu amado não continha a alma dele, aqueles olhos frios não conheciam o amor e o arrependimento, aquele não era seu rei, seu amado e seu marido.

Se o general algum dia encontrasse a bruxa em qualquer circunstancia diferente, ainda que soubesse que não poderia mata-la ele teria tentado, mas mesmo que sua espada estivesse em suas mãos agora ele a teria jogado fora, porque aquele corpo era de Naruto, e ele jamais poderia tentar mata-lo, mesmo que o mal mais infame estivesse em dentro dele ou assim ele pensou naquele momento terrível, não estava em seu estado normal, ele se sentia cair também em um abismo e não sentia medo ou repulsa, apenas o mais cruel desespero.

Lágrimas grossas surgiram em seus olhos e deslizaram lindamente por sua pele pálida serpenteando enquanto todo seu corpo tremia num choro convulsivo e angustiante, pois ele sabia que sem Naruto não poderia viver, não havia salvação e ele não se sentia envergonhado, a nobreza, a realeza ou mesmo a honra de nada lhe serviam neste momento, só existia a sua dor e nada mais.

A bruxa deveria rir agora, ela deveria se vangloriar do seu ato pensado tão astutamente, mas o fato absurdo é que tudo que ela queria era abraçar o pequeno general e o consolar de algo que ela mesma causou a ele...Porque isso?? Seu coração doía terrivelmente e ela se sentia afundar em desespero quanto mais o general se tornava infeliz e quando ele perdeu a força e caiu no chão em prantos ela se ajoelhou e o tocou, sua mão se elevou e lhe tocou nos cabelos, os lindos cabelos presos levemente por um adereço de jade belo.

O general ergueu os olhos e encarou os olhos azuis translúcidos sempre tanto belos e enigmáticos e implorou a ele.

-Não...Volte para mim Naruto, por favor...Por favor volte para mim, você prometeu que nunca mais me deixaria...Você prometeu...

Arata sentia seu peito arder, estaria doente? Seria uma espécie de feitiço que o general estava jogando nela? Que dor era essa e que desespero era esse?? Seu corpo jovem e muito forte tremeu diante essas palavras doces e desesperadas e ela quis gritar que faria tudo que ele lhe pedisse, mas não podia...Não podia devolver o corpo que ele amava, era impossível!

Sua voz queria proferir palavras doces ao pequeno ser, mesmo que sua mente desejasse maltrata-lo, ela estava lutando com ela mesma!!! E estava perdendo sem sombra de dúvidas.

Sem se conter abraçou o pequeno general, sua força era desmedida, ela não conhecia o poder do corpo do rei porque era a primeira vez que o habitava, ela o apertou nos braços com toda a sua força o sufocando num abraço de urso até que o ouvir ofegar preso em seus poderosos braços e amolecer desfalecendo finalmente.

-Sasuke! Ela gritou o soltando e ele caiu desacordado, desesperada ela o avaliou, não podia admitir perde-lo, isso era impensável e ele usaria magia negra se fosse preciso para mante-lo junto a ela, mas no final percebeu que ele desmaiou por conta de ter sido apertado forte demais, ela tinha que conter sua força perto dele.

-Preciso medir minha força, não posso machuca-lo assim...Disse para si mesma e depois se estapeou no rosto.

-O que eu estou fazendo? Mas era impossível negar, ela não podia e não desejava mais machuca-lo, certamente era um feitiço poderoso, mas ela descobriria, com toda certeza do mundo descobriria!

Ela o levou a cama e o deitou, depois o cobriu e se afastou assombrada, poderia este corpo amar tanto esse general que mesmo sem sua alma original ela queria protege-lo? Isso passaria com o tempo? Seria possível?

Furiosa ela xingou e xingou chutando alguns móveis e por fim se acalmou, ela era a bruxa de mil anos, já tinha vivido mais que todos ao seu redor, tinha dormido com mulheres e homens, ela própria habitou corpos femininos e masculinos, ela conhecia a arte do sexo como ninguém...Mas aquilo que sentia não era luxúria, era algo novo, algo que nunca sentiu antes...O que era?? Impossível ser amor, amor a primeira vista não existe, é um mito idiota criado por pessoas ignorantes...

Respirou fundo e se obrigou a focar em seu objetivo, saiu do quarto e rumou para fora, parando junto a um soldado.

-Vigie este quarto, ninguém entra e ninguém sai, entendeu? Se me desobedecer eu mesmo arranco sua cabeça.

-Sim majestade...Mas e as servas que trazem a comida?

O rei olhou o soldado e pensou por um momento.

-Ninguém, há bastante comida lá dentro, ninguém entra e ninguém sai, a bruxa está viva e solta e não a quero por aqui, proteja minha rainha com a sua vida.

O soldado concordou, ele não discutiria com seu rei, sabia da forma louca como o rei amava sua rainha, se era para proteger o general ele obedeceria.

Arata/Naruto rumou ao portão norte, andando calmamente, cumprimentando quem encontrava no caminho, ele era o rei agora e reis são livres, tem poder, ela podia fazer qualquer coisa.

Após chegar ao portão ela subiu a muralha, uma grande muralha que guardava a cidadela, o local onde antigamente viviam as rainhas, uma vez dentro da cidadela ela rumou sem presa alguma para seu interior, uma vez lá dentro saiu num pátio interno muito amplo circundado por uma construção antiga e muito bela, ricamente enfeitada em ouro que incrustava as paredes vermelhas com desenhos de arabestos feitos a mão por um artesão e engenheiro que já havia morrido há muito tempo.

Arata admirou o desenho e as linhas clássicas, admirou os arabescos das portas grandes e o telhado de estilo Sumiyoshi-Zukuri, ela conhecia a história do construtor deste local, um ilustre mestre que possuía a arte da guerra tão refinada quanto a arte da arquitetura em seu sangue misto, filho de pai de sangue do clã Senju e de mãe sem linhagem alguma, jamais poderia sonhar em arquitetar tal obra, mas ele caiu nas graças de um Kami que vivia neste local, um nobre do primeiro império que era amante do rei após a queda dos clãs, época em que Arata vivia no templo da memória como uma acólita simples, tempos que ela vagueou meio perdida ainda, desejando apenas ser uma pessoa comum e soube pouco depois que estava errada, ela estava fadada a ser muito mais que um humano comum...

Suspirando ela se lembrou da história dos dois, o construtor e arquiteto deste local e o Kami imperial, concubino do primeiro rei de sangue Uchiha...

“Eles se apaixonaram, mas seu amor era proibido, este nobre Kami era o favorito do rei, o filho mais velho do antigo líder do clã Uchiha, e sendo assim ele não podia amar ninguém mais além de seu rei, mas ele ousou amar outro homem...

O mestre arquiteto construiu a cidadela como uma fortificação para suportar o ataque de um exército, como o rei da época pediu, mas não sabia que construía uma prisão para seu amado, quando a construção terminou após cinco longos anos o rei mandou matar o arquiteto pois suspeitava do seu amor para com seu favorito e depois prendeu o seu favorito na cidadela por toda a vida dele, que não foi longa...”

O primeiro rei criou a tradição de prender seus amados na cidadela, tradição que só foi quebrada pelo rei Fugaku muitos séculos depois.

Arata não se lembrava do nome do favorito do rei e nem do seu rosto, não se lembrava das mãos do arquiteto trabalhando com tanto afinco na belíssima construção, mas se lembrava da tristeza que tomou conta do reino quando o homem que era o favorito do rei morreu dentro destas paredes daquele belo lugar e se lembrava do cortejo fúnebre que levou um jovem a ser enterrado no túmulo do próprio Rei Dragão e essa foi a ruína do primeiro rei.

Assim como o primeiro rei Uchiha ela sentiu uma pontada no peito, ela pensou em Sasuke e em tudo que viria depois que ela convidasse o clã do povo do sul a entrar na cidade de novo, ela sabia que muito sangue seria derramado em breve, uma guerra tão intensa como a guerra dos clãs...E ela decidiu que esse seria o local perfeito para mante-lo a salvo pois poderia proibir os guerreiros do sul a entrarem ali, assim manteria Sasuke a salvo, somente para si, como era no começo.

Andou a passos largos até dentro do casarão que mais parecia um templo e foi recebido pelos servos que estavam perplexos em ver o rei ali.

-Meu rei!! Oh por favor entre!! Disse o que era claramente o responsável ali.

O rei foi direto e sem rodeios.

-Mantenham minha rainha muito bem cuidada aqui, eu o quero alimentado e bem vestido, entretido e feliz, entenderam? Uma guerra está chegando, uma guerra sangrenta como a muitos séculos não se vê e eu quero meu general aqui, seguro, posso confiar isso a vocês? Juro que nem mesmo um único homem entrará pelos portões sem minha permissão, estarão todos a salvo aqui, desde de que mantenham Sasuke Uchiha muito bem cuidado.

Todos os servos de roupas vermelhas se ajoelharam a sua frente e tocaram a testa no chão frio.

-Sua vontade é nossa lei meu rei...

O rei sorriu e elevou a mão no ar, entoou uma frase estranha em uma língua desconhecida dos homens ali presentes e uma turbilhão negro surgiu acima de sua cabeça, seus fios loiros foram jogados para todos os lados, mas ele sorria feliz, os pobres servos nunca tinham visto o rei usar poderes mágicos e isso os deixou perplexos, mas eram pessoas inteligentes e logo perceberam o que havia acontecido ali, neste exato momento o rei esticou os braços como se pudesse segurar alguém neles e sem demora o corpo adormecido do pequeno general surgiu ali, suas vestes brancas ainda ondulando com a rajada de vento diabólico que o transportou de sua cama nos aposentos reais até a cidadela em poucos segundos.

Arata observou atentamente o rosto belo e o beijou suave na bochecha e depois o entregou ao servo mais alto de modo reverente.

-Este é Sasuke, meu general e minha rainha, que nenhum fio de seu cabelo seja maltratado ou eu mesmo arranco suas cabeças e as dou aos cães selvagens, entenderam?

Os servos apenas concordaram e entraram no templo com o pequeno general nos braços, após isso o rei que era a bruxa se sentiu livre para começar sua guerra e guiou seus passos até de volta ao portão principal do seu reino, ali ela o abriu e depois subiu na mureta, havia uma trombeta antiga, uma relíquia sem data e sem nome feita de ouro maciço, mas que nos tempos antigos era usada para avisar que inimigos estavam chegando, mas hoje essa trombeta seria novamente reavivada, porém ela não somente avisava de um ataque iminente, mas era o sinal para o povo do sul entrar na cidade, eles estavam preparados, ela os preparou durante alguns anos, lhes deu treinamento, armas e comida, na verdade eles nunca passaram fome, sempre foram muito bem servidos por ela durante muitos e muitos anos, a considerando sua líder e a temendo furiosamente por serem um povo ainda meio primitivo, de fato eles a achavam uma divindade infernal e por isso eram tão devotos a ela, seja em que corpo habitasse.

O som da trombeta ecoou no vale inteiro e todos no reino pararam o que faziam para ouvir esse som do qual já tinham ouvido histórias, mas que nunca imaginaram escutar, no entanto um medo ancestral os tomou, aquele som era sinistro demais e eles sem demora correram a se esconder, recolhendo seus pertences.

Os feirantes recolhiam seus alimentos e os cozinheiros suas panelas, homens e mulheres que eram guerreiros correram a pegar suas espadas e rumar ao palácio e os servos que viviam suas vidas humildes trataram de tentar se refugiar o melhor possível abrindo seus esconderijos secretos a muito fechados com a chegada do rei dragão.

Velhos medos nunca morrem de verdade, eles estão enraizados na memória coletiva da humanidade, assim mesmo que alguém nunca tenha visto um monstro ele tem medo de ser devorado, cada homem, mulher ou criança correu e em poucos minutos as ruas estavam desertas e assustadoras embora o som ainda estivesse pairando no ar como o canto fúnebre de um ser infernal.

Neste momento Shisui ajudava Itachi a arrumar uma cesta de frutas para levar ao templo, um pequeno mimo para sua mãe e Eleonor, mas assim que ouviram o som se entreolharam.

-Corra Shisui!!

Eles deixaram a cesta e correram novamente pelos becos, desta vez corriam lado a lado, de mãos dadas, não haviam soldados a persegui-los, mas o medo do que viria era mais intenso que ser perseguidos por homens reais, eles fugiam deste medo intenso e antigo...O medo da guerra tão latente e desesperador no íntimo do ser humano, o instinto de sobrevivência gritando na pele e o desespero lhes dando mais velocidade.

Nem mesmo chegaram ao portão do templo quando ouvira outro som, mais perto desta vez, um som de vozes e de dezenas de tambores de guerra, um após o outro, cadenciados e arrepiantes, o som do exército inimigo nas planícies a frente dos portões, muito perto.

-Soldados no portão leste...Pelo som são milhares...Como isso é possível? Nossos batedores não avisaram nada? Perguntou Itachi apertando a mão de Shisui dentro da sua.

Shisui se aproximou e se encolheu perto do corpo do maior, ele estava com medo, com medo de um jeito que nunca esteve antes.

-C-como? Shisui perguntou trêmulo e ofegante.

-A bruxa deve ter conseguido o que queria...Respondeu Itachi de olhos cheios de lágrimas, pois acreditava que agora seu irmão caçula estava morto e o rei dominado pela bruxa de mil anos.

-Itachi...Vamos correr, ainda podemos ficar a salvos no templo!

O guerreiro nele ardia pela batalha, lutar contra os homens maus, derrotar alguns, mata-los...Mas ele agora tinha Shisui e uma vez que se promete cuidar de alguém assim como ele prometeu isso não pode ser mudado.

-Venha meu amor, corra o mais que conseguir!

A ampla rampa elevada que levava ao templo pelo lado norte que era onde estavam agora nunca foi tão longa, ela subia e subia e logo eles poderiam ver o vale lá de cima e eles nunca estiveram tão desesperados para chegar como agora, ainda mais que a primeira vez que fugiram para o templo, assim que chegaram aos portões um som se ouviu como de mil portas sendo esmagadas por pisadas violentas de cavalos indomáveis.

-O portão norte também cedeu...Disse Itachi.

Atônitos eles viram as flâmulas negras do povo do sul penduradas em mastros muito altos tremulando no vento do dia, milhares de guerreiros marchavam e já entravam aos gritos e ao som de tambores dentro da cidade, não havia quase resistência, o exército estava perdido sem um líder, mas ainda lutava, eles não esperavam um ataque e os poucos soldados que conseguiram chegar ao portão eram massacrados agora, ainda assim formavam uma resistência fraca, porém devido ao local ainda consistente, levaria pelo menos uma hora para estarem dentro do palácio totalmente.

O vento trazia os gritos dos vencidos e o som de espadas se chocando, o cheiro do sangue fresco inundava suas narinas e eles tremeram juntos.

Uma acólita abriu a pesada porta e eles entraram, nem mesmo olharam lá dentro e foram abraçados por Boruto e Mikoto que estavam muito assustados e a acólita fechou a porta, centenas de marcas brilharam entalhadas na madeira assim que a pesada porta bateu e o mundo lá fora ficou silencioso, a magia que protegia o local havia sido triplicada ou talvez bem mais que isso.

-Não temam, nem mesmo dez mil homens podem romper essas portas, a magia que o protege é tão antiga como o mundo.

Boruto se adiantou nervoso.

-Mas a bruxa entrou antes e nem foi tão difícil assim, ela usou uma porta antiga, devem ter dezenas de portas assim, como podem proteger tudo?

A acólita sorriu para a criança de modo compreensivo e como uma irmão mais velha lhe agradou os cabelos gentilmente.

-Meu pequeno príncipe pode acreditar que somos fortes, a bruxa usou de uma artimanha que não pode repetir mais e estamos fechando cada ponto de acesso por menor que seja, mesmo os que não são usados a dez mil anos, ela não pode entrar neste templo, somos as irmãs da memória e podemos descobrir até mesmo um buraco de ratos nestas paredes, nada passará sem nossa permissão, nossa líder é uma mulher muito sábia e forte, a bruxa pode ter mil anos mas nós temos muito mais tempo em conhecimento e a verdade é uma só...Conhecimento é poder.

Boruto sentiu que isso era verdade e suspirou.

-Mas nós não podemos sair, estamos presos aqui e se a comida acabar?

De novo ela riu e o acalmou.

-Jovem príncipe, nunca dependemos do palácio para obter nosso sustento, somos independentes a milênios, mesmo quando este templo era ainda apenas uma gruta na rocha nua que nos abrigou no começou de tudo, quando os deuses ainda viviam entre nós. Quando estiver mais calmo e disposto eu o levo para conhecer nosso viveiro e nossa fonte de água, é um lugar forjado e criado na mais alta magia ancestral, a água nunca se esgota e as frutas e legumes nunca ficam murchas e velhas, ali um Deus colocou seu sangue na terra e o local é sagrado como essas paredes.

Mikoto, Itachi e Shisui estavam de boca aberta com essa revelação, mas ainda estavam muitos nervosos para pensar em alguma coisa a mais que a recente invasão do seu reino e uma guerra sangrenta prestes a acontecer.

-Sasuke...Meu menino...Disse Mikoto olhando nos olhos do filho mais velho, mas ele apenas abaixou os olhos e então eles choraram juntos.

A acólita queria acalma-los, se sua mestra descobrisse que a mulher que amava estava chorando ela ficaria desgostosa e isso ela não queria ver de modo algum, por isso os guiou para dentro e tentou manter neles a semente da esperança.

-Minha mestra deve conhecer um meio de descobrir mais sobre a rainha, tenham calma, o desespero nos impede de ver claramente, chamarei o servo Mitsuki para preparar uma sala ampla e ventilada, devem descansar enquanto esperam notícias de vossos entes queridos.

Boruto parou e olhou estupefado para a mulher.

-O templo abriga acólitos??

A mulher o olhou e sorriu.

-Sim e não, é complicado, mas Mitsuki é um rejeitado, nós o acolhemos e ele cresceu desde de então aqui, nós não somos muito boas em cuidar de crianças, mas fizemos o possível e agora ele nos serve.

Boruto havia chegado a conclusão que somente mulheres trabalhavam no templo, eram escolhidas como acólitas devido seu alto grau de magia no sangue, nunca pensou que homens poderiam ingressar, mesmo no meio da guerra sua curiosidade era intensa.

-Bem...Mitsuki é especial. Ela finalizou.

Boruto parou e observou quando um menino ainda menor que ele mesmo se aproximou, seu rosto era absolutamente lindo.

Se algum dia o jovem príncipe havia ficado sem fala ele não saberia dizer, mas neste momento nada mais ficou em sua mente, nem medo, nem dúvidas, nada...Ele ficou observando o pequeno menino de capuz entrar no recinto, quando ele ergueu os olhos deixou o príncipe sem fôlego, os olhos do menino eram dourados como os raios de sol e sua pele exposta só um pouquinho no rosto onde o capuz não cobria e nas mãos parecia tão clara quanto a de sua pai Sasu.

-Mitsuki, leve nossos convidados a sala nobre, deixe-os confortáveis e leve comida para eles, mande preparar algo leve.

-Sim senhora. Respondeu o jovenzinho e o som de sua voz deixou o coração jovem de Boruto pulando no peito como um cavalo selvagem e ele sem entender isso levou a mão ao peito apertando os dedos ali.

Mikoto percebeu mais imaginou que essa reação era por conta do medo do príncipe para tudo que acontecia e o abraçou lhe dando um grande susto uma vez que ele ainda esta pasmo com o acólito.

-Por favor me sigam eu os levarei a sala nobre.

Eles o seguiram.

Tudo foi feito como ordenado, a sala arrumada com muitos sofás e poltronas, uma lareira e uma mesa grande repleta com frutas e comida a vontade e eles aguardaram o retorno de Eleonor, mas alheio a tudo isso estava Boruto ainda intrigado com o pequeno acólito, tão intrigado que quando ninguém prestava mais atenção em si andou até o pequeno e o puxou para fora da sala seguindo um corredor amplo para fugir dos outros e ter tempo de falar com o menino. Pura curiosidade.

Parou somente quando estavam bem longes de todos e então o príncipe soltou o pulso do pequeno e lhe encarou.

-Muito bem, eu sou Boruto e você quem é?

O jovenzinho se mantinha de olhos baixos e o capuz não ajudava em nada.

O príncipe nunca antes usou sua autoridade em ninguém, mas aquele ali o intrigava demais e ele o ordenou furiosamente.

-Olhe para mim, estou mandando e tire esse maldito capuz!!

O pequeno menino tremeu de medo e então relutante tirou o capuz mostrando um rosto realmente lindo, ainda mais do que Boruto podia imaginar e cabelos claros, prateados e cintilantes que combinavam perfeitamente com as joias que eram seus olhos claros e dourados repletos de lágrimas.

Lágrimas...

Boruto o fez chorar e isso o magoou, ele agiu exatamente como seu pai fez um dia com Sasuke, com autoridade e arrogância e isso era o que ele jurou nunca fazer.

Merda...Pensou o príncipe irritado consigo mesmo.

-Mitsuki, me perdoe, eu não queria ser arrogante, eu só queria ver seu rosto, me parece muito jovem para ser um acólito e eu nem sabia que meninos poderiam ser acólitos do templo da memória.

O jovenzinho fungou e limpou as lágrimas.

-Meu príncipe pode fazer o que quiser, eu realmente não deveria ser um acólito, mas a Senhora Eleonor me salvou e eu a sirvo desde de então.

-Te salvou do que exatamente??

Ele suspirou meio assustado mas respondeu.

-Eu fui achado no riacho sagrado ainda um bebê, não sei quem são meus pais ou de que nação eu vim, não há no reino ninguém com cabelos como os meus, sou apenas uma aberração, mas a senhora Eleonor me ajudou, eu fui criado pelas acólitas e sirvo a casa desde de então, mas não me considero um acólito, eu não sou digno de ser chamado assim...Sou um servo apenas.

Boruto sentiu um estranho sentimento no peito, um sentimento que não podia classificar.

-Se essa guerra acabar bem para meu pai e para o reino eu prometo que vou te ajudar, se desejar pode vir comigo ao palácio após isso, meus tutores podem lhe ensinar muito e acho que será saudável viver lá comigo...Podemos ser amigos.

Mitsuki sorriu meio tímido.

-Mas meu príncipe seria amigo de um garoto rejeitado como eu? Nem mesmo tenho sobrenome, não tenho casta ou clã...Sou um sem pátria.

Boruto se aproximou e enxugou as lágrimas que ainda desciam do rosto lindo.

-Ninguém deveria ser julgado pela sua família, sua descendência ou falta dela, ninguém neste mundo deve ser tratado como um rejeitado, você é alguém, sempre foi e agora é meu amigo.

Boruto estendeu a mão a ele que a pegou meio vacilante.

O contraste evidente da mão de Boruto com sua pele dourada na mão pequenina e frágil de dedos longos e clarinhos de Mitsuki alegrou o coração do príncipe de um jeito novo e intrigante e sem saber porque Boruto se pegou prometendo a si mesmo que protegeria o menino...Para sempre.

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A bruxa de mil anos, a que viveu roubando corpos e mais corpos agora se sentia satisfeita como nunca em sua vida muito bem instalada dentro do corpo de Naruto, o Rei Dragão, ela se sentia integrada e feliz, se é que alguma vez em suas muitas vidas roubadas se sentiu feliz para saber o que era isso. Se não fosse era algo bem parecido com o que havia lido nos livros.

Neste momento ela estava dentro da sala de armas e procurava a espada de jade, único objeto que podia separar sua alma do corpo hospedeiro ao que se encontrava, ela destruiria essa espada e nunca mais teria medo algum...Verdade que teve que torturar dois dos ministros responsáveis pela sala do tesouro, mas foi fácil, havia uma guerra lá fora e cada soldado tentava a todo custo deter o inimigo que estava entrincheirado nos limites dos portões, uma luta feroz se delimitava ali, o sangue corria fresco na muralha e não havia muita gente dentro do palácio para tentar impedi-la.

Porém a ironia era de que a espada não estava ali, só havia encontrado relíquias antigas sem valor para ela, a espada de jade havia sumido...

Notas finais
Naruto está perdido dentro da alma da bruxa, será??Teorias meu povo?? Boruto achou um novo amigo...
Sasuke descobriu que tem um exército para liderar e todos nós vamos aguardar o próximo capítulo roendo as unhas, ou assim espero!! Beijos. Akirasam.

35. Se deseja a paz, prepare-se para a guerra!

Notas do Autor
Neste capítulo muitos vão entender o que move a bruxa, como ela se sente diante o general Sasuke e vão descobrir onde está Naruto. Espero que gostem foi um capítulo complicado de escrever e eu me esforcei bastante. Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Se deseja a paz, prepare-se para a guerra!

Haruno se dirigia ao seu laboratório quando ouviu o perturbador som da trombeta ecoando no palácio e sentiu mais do que viu o desespero da população, imediatamente arrastou Hinata de volta para os aposentos do rei, mas infelizmente ela chegou tarde, assim que aproximou-se da porta soube que algo estava errado, sua energia mágica a alertou de que a bruxa esteve ali e que o pior aconteceu.

-Hinata, a bruxa está com o corpo de nosso rei, o general está trancado naquela sala e o reino está sendo invadido, não posso protege-la e tentar ajudar meu rei ao mesmo tempo, por favor fuja para meus aposentos particulares e se esconda lá, tem uma passagem escondida sob minha estante de ervas e plantas, puxe a estante e abra a porta, se esconda lá até que eu a busque.

Hinata concordou e fugiu o mais rápido possível, Haruno ainda ficou e usou seu cristal vivo para rever os acontecimentos que antecederam a tudo isso, de onde estava longe do soldado viu as ordens da Bruxa, ficando intrigada com isso, afinal porque a bruxa estaria interessada na proteção e cuidados do general?

A não ser que o rei ainda estivesse ali, de algum modo ainda vivo e seu amor pelo seu amado fosse mais forte que a magia negra da própria bruxa.

Porém após ver essas poucas e reveladoras imagens ela se aproximou do soldado que conhecia muito bem.

-Preciso ver a vossa rainha.

-Sinto muito senhorita Haruno mas o rei deu ordens de que ninguém entra ou saí deste aposento...Realmente sinto muito.

Haruno suspirou.

-Também sinto muito, por favor me perdoe...

E com um pequeno impacto o soldado caiu desacordado no chão, Haruno também era especialista em ervas medicinais e uma delas era usada como anestésico potente causando o completo estado inconsciente de qualquer pessoa em segundos após injetado na pele.

Ela sempre carregava consigo alguns dardos embebidos nessa planta, uma mulher precavida sempre era melhor.

Entrou no aposento e primeiro viu Ino caída no chão, se aproximou e a examinou e ela estava viva, embora desacordada, mas aparentemente bem, por isso a levou a um sofá e a deixou ali, após isso foi procurar o general, mas não o achou.

-Se o general não saiu e ninguém entrou...A bruxa usou magia negra para leva-lo a outro lugar, mas onde??

Tirou da sua bolsa todos os pequenos cristais vivos que mantinha graças a ajuda de Eleonor e dispôs eles sobre a cama, analisando suas imagens em tempo real, ela tinha a sala do trono, a sala de armas, a sala oval, os aposentos da frente do quarto de Boruto e a cidadela...

Ela viu nesta imagem o general Sasuke, vivo e bem, graças aos deuses!

Mais satisfeita com isso pegou o cristal vivo que a ligava a Eleonor e a chamou, era preciso muita magia para isso e ela ainda não estava em cem por cento de suas energias mas teria de faze-lo.

Sua mente se ligou a de Eleonor e ela a viu ali na sala como se fosse real.

-Arquivadora o reino está sendo invadido, o rei está sob influencia da bruxa, mas ainda vivo dentro do próprio corpo, como um prisioneiro, o general está seguro na cidadela...Não posso proteger o palácio sozinha e provavelmente nem posso proteger Hinata e Ino.

Eleonor concordou.

-Sim, eu soube de tudo isso, encontrei um corpo decomposto no palácio, ao usar magia no que restou do corpo pude perceber que era o corpo que a bruxa habitava anteriormente e concluí que ela pegou outro...Sinto dizer que os restos encontrados eram de sua mãe e que a magia que um dia sua mãe teve são agora da bruxa.

Haruno sentiu seu corpo tremer, mas ela não podia chorar agora pela sua mãe o por ninguém, tinha que viver e lutar!

-Diga-me se tem algo que eu possa fazer.

-Traga Ino e Hinata para o templo da memória, minhas acólitas as ajudaram, depois leve a armadura e a espada de jade para o general Sasuke, nossos soldados precisam de um líder urgentemente ou não teremos nada por que nos preocupar e embora eu não possa lhe explicar porque, mas sinto que a espada de jade tem um papel importante nessa luta.

-Mas e a bruxa? Como poderemos derrota-la? E nosso rei?

Eleonor suspirou.

-Preciso de mais informação, não sei ainda como salvar o rei, mas sua alma não está perdida, e pelo que vejo Ino é a prova disso, existe esperança...Talvez o tempo determine que a consciência de alguém sobreviva ou não perante a consciência da bruxa, nosso rei é forte ao extremo e o amor que ele sente por Sasuke é ainda maior que tudo, se alguém pode lutar contra ela certamente é ele, por hora é tudo que podemos fazer.

-Obrigada Eleonor...Farei isso, agora mesmo.

O cristal perdeu a energia residual e se tornou negro como carvão esfarelando entre seus dedos, este objeto perdeu seu poder, ela o jogou no chão e entoou seu mantra, um redemoinho branco surgiu sobre a cama e o corpo da jovem serva Ino foi elevado para ele sumindo em seguida num clarão indistinto, quanto a Hinata havia ainda tempo de salva-la, sabia que estava segura por enquanto e podia agir.

Após isso a própria Haruno sumiu daquele aposento e surgiu na sala de armas, ela pegou a armadura nova e nunca usada do general e sua espada de jade, quase sem forças mas determinada a ser útil ela usou o que lhe sobrava de energia e surgiu no templo bem na frente do monge mestre e caiu de joelhos.

-Senhora Haruno, sinto que o dia de hoje está mesmo muito complicado, primeiro o rei que não era o meu rei e agora a senhora, que eu espero que seja mesmo a senhora...

Apesar de tudo ela sorriu, conhecia a reputação do monge de ser justo e bom e agora via que ele tinha senso de humor, uma combinação rara e boa.

-Sou eu mesma, apesar de não poder provar...Vim trazer a armadura de meu general e sua espada, avise a ele que o exército o aguarda, ele tem cinco mil homens para comandar e precisa unir todos sob seu comando, eu não preciso dizer que isso é importante não é?

-Lógico que não, nossa rainha descansa no momento, usamos nossa magia para ajuda-lo a estar restaurado, seu Qui foi devidamente aumentado enquanto dormia, nós que meditamos o tempo todo temos Qui em abundancia e lhe doamos tudo de nós, esperando que com isso fosse possível ajuda-lo.

Haruno lhe agradeceu verdadeiramente.

-Após o general partir fujam...A bruxa será implacável e vai mata-los se tiver a chance.

O monge sorriu.

-Sabemos nos cuidar muito bem, mas não somos tolos, assim que os portões forem abertos iremos embora, sabemos para onde ir.

Haruno olhou os portões, eram enormes, de cerca de quatro metros, a muralha tinha talvez ainda mais que isso, sendo praticamente impossível fugir, mas ela sabia que ao por do sol alguns soldados abriam o portão para os mantimentos necessários entrarem na cidadela, assim sendo, eles podiam sair sem problemas se fossem espertos e certamente eles eram.

-Ajudem o general até que ele esteja com seus soldados.

-Sim nós vamos ajuda-lo, ele é nossa única esperança, mas onde a senhora irá?

Ela suspirou.

-Visitar quem pode me dar maiores informações sobre como matar a bruxa sem matar o corpo do meu rei.

O monge a olhou perplexo.

-Não imagino quem tenha essa informação entre os vivos.

Haruno sorriu.

-Exatamente, eu vou ao reino dos mortos, preciso encontrar a alma do Cão fiel, ele deve saber muito mais do que aparentava.

Ambos desejaram boa sorte Haruno sumiu, suas forças estavam no fim, mas este seria seu último ato de magia até estar dentro das paredes do templo da memória, uma vez lá poderia descansar e então em seu sono alcançar a porta que liga o mundo dos vivos e dos mortos e interrogar o Cão fiel.

….................................................................................................................................................................................................................

Sasuke abriu os olhos, sentia-se muito confortável o que era estranho devido ao que aconteceu mais cedo, imaginou que acordaria em uma cela ou pior ainda, amarrado a uma pilastra para ser novamente torturado.

-Filho? Sente-se bem agora?

-Pai?

Sasuke foi abraçado pelo pai querido.

-Estou a beira da morte de novo meu pai?

Fugaku riu e bagunçou os cabelos do filho como fazia quando ele era bem pequeno.

-Não, está apenas dormindo agora e não está ferido, os monges da cidadela já cuidaram de você, deve acordar em breve e terá a companhia da senhora Haruno ou talvez alguns presentes trazidos por ela, mas enquanto eu posso estar em seus sonhos eu quero lhe dizer que deve libertar a alma da bruxa do corpo humano que a prende a este mundo, os deuses a querem do lado de cá, ela deve enfrentar o seu julgamento, roubar corpos como ela vem fazendo compromete o ciclo das reencarnações destes seres humanos e toda uma cadeia de acontecimentos e ela deve ser parada finalmente e só você pode fazer isso.

Sasuke escutou atentamente, mas ele não podia ferir o corpo de Naruto, isso era impossível, além dele ser um dos homens mais fortes do reino ainda era o amor de sua vida, como poderia tentar feri-lo?

-Não posso vencer, ele é forte demais e mesmo que eu possa não desejo faze-lo, machucar a bruxa é machucar Naruto, eu jamais faria isso.

Fugaku lhe sorriu.

-Você o ama e ele o ama.

Sasuke concordou.

-Então precisa ferir Naruto, um ferimento quase fatal, engane a bruxa para que ela pense que ele está morrendo e então deixe que Haruno e Eleonor façam a parte delas, se Arata não tiver um corpo para tomar ela precisará ingressar no infinito e uma vez lá os deuses podem cuidar de tudo.

-Mas como eu farei isso?

Fugaku lhe deu um beijo.

-A espada que me matou é muito antiga, forjada bem antes de meu reinado por seres que nem são deste mundo, ela é muito poderosa, use a espada de jade...E acorde!

Sasuke acordou e se sentou na cama macia, um monge de vestes vermelhas o olhou sorridente.

-Como se sente majestade?

Sasuke olhou em volta.

-Onde estou e como cheguei aqui?

O monge ficou em pé e se adiantou para se apresentar formalmente.

-Sou Eren, monge responsável pela cidadela, acredito que o rei lhe trouxe aqui, e considerando que ele nunca faria isso e que não usa magia eu suponho que a bruxa de mil anos tomou o corpo do nosso rei, mas acredito que vossa majestade já sabe disso não é?

Sasuke suspirou.

-Sim, foi o que aconteceu.

-Bem, o reino está um caos, a guerra está em nossos portões e acredito que precisa partir e comandar um exército, pois os soldados deste reino estão morrendo sem um líder e embora sejam em maior número não conseguem deter o inimigo, eles precisam do general Sasuke a frente de batalha para comanda-los.

Sasuke ficou em pé, se sentia estranhamente forte e olhou para o monge em busca de respostas.

O monge lhe sorriu.

-A alguns dias tive um sonho com vosso pai, o rei Fugaku, ele me pediu para cuidar do filho dele e lhe dar todo nosso Qui e manter um cristal aqui para contactar a senhora Haruno e a Arquivadora assim que a bruxa lhe trouxesse aqui, fizemos exatamente como ordenado.

Sasuke estava perplexo.

-Também sonhou com meu pai?

O monge lhe acenou de modo afirmativo.

-Sou um monge, passo a vida contemplando os mistérios do infinito, conversar com os mortos não é realmente um segredo para mim, nestes anos todos vivendo aprisionado nesta cidadela como monge superior eu pude aprender muito, mas lhe digo para agir logo, sua armadura está aqui, sua espada e a chave para sair deste local, por tanto vá agora e vença essa guerra.

Sasuke sabia que assim que a bruxa descobrisse isso ela iria matar todos os monges sem piedade alguma.

-Ela virá aqui para mata-los.

O monge concordou.

-Sim, mas esse é o preço da liberdade.

Outros monges usando as vestes vermelhas entraram no quarto e deixaram a armadura do general Sasuke e sua espada sobre a cama, saindo em seguida respeitosamente.

-Vista-se meu general, daqui meia hora cinco soldados abriram o portão da cidadela, nós vamos rende-los e deixa-lo sair deste local, nunca mais manteremos aqui rainha alguma contra a sua vontade, todos os que viveram aprisionados aqui embora muito bem servidos e tratados só conheceram a tristeza, quando a guerra acabar por favor derrube essas muralhas, deixe a vida entrar e mesmo que nós estejamos mortos honre nossos nomes fazendo deste lugar um recanto de paz e harmonia e principalmente de liberdade.

Sasuke sentiu seus olhos marejados de lágrimas e concordou plenamente.

-Tem a promessa de vossa rainha e o respeito de seu general...Mas nenhum de vocês deve morrer hoje, pois vão seguir comigo.

O monge sorriu e o deixou para se vestir.

E exatamente as cinco da tarde o grande portão se abriu, apenas dois soldados estavam ali e não traziam mantimentos, mas sim suas espadas e escudos, ao verem o general completamente pronto para lidera-los caíram no chão agradecendo os céus.

Os monges se entreolharam curiosos, mas sabiam aceitar uma boa oferta quando viam uma.

-General, por favor venha conosco, estamos quase perdidos sem liderança, cada soldado luta por conta própria, sem uma ordem, sem tática alguma, somos presas fáceis de um inimigo bem equilibrado e sem medo.

Sasuke aceitou o cavalo que o soldado trouxe, era seu cavalo branco, o veloz animal que ganhou do rei antes mesmo de ser rainha.

-Precisamos ir, me leve a batalha, quero estar entre meus soldados.

Mas antes de partir olhou para os monges e lhes sorriu.

Os soldados já estavam providenciando cavalos para eles, não tinham a intenção de deixa-los ali, era uma guerra violenta e qualquer um que fosse pego no meio dela desprotegido estaria morto.

Assim que eles rumavam para o portão da grande cidade nevada seguindo por um caminho alternativo o soldado dava as notícias que o general precisava.

-Meu senhor, o portão da frente da grande cidade nevada tem aproximadamente 12 côvados e os homens entrincheiraram a entrada, após a trombeta colocamos barricadas e conseguimos barrar o avanço dos soldados inimigos, mas eles destruíram os portões antigos, somente as barricadas e as espadas dos nossos soldados e agora seus corpos detém o avanço das tropas inimigas, infelizmente o portão leste foi tomado, mas ele é pequeno e segue pelo estreito corredor até as paredes de pedra da muralha e depois tendo que romper as defesas que ainda estão ali podem invadir pelo pátio de treinamentos internos em maior escala, tomar o palácio e depois a cidade e seus moradores.

Sasuke cavalgava enquanto pensava e achou uma solução rápida para o segundo portão.

-Abra as portas que dão acesso ao palácio, elas ainda os levarão ao pátio interno, onde eu estive uma vez em uma circunstancia desagradável, mas ali é um pátio murado enorme e somente uma porta pequena dá acesso ao palácio, posicione seus soldados nas muralhas e vamos encurralar o inimigo ali dentro do pátio, tentem faze-los se render, devido ao espaço pequeno dos corredores só um número limitado de soldados vai estar lá, por volta de quarenta, os outros ainda estarão tentando atravessar o corredor, será fácil rende-los, após isso mantenha o local selado.

O soldado partiu para cumprir as ordens e Sasuke se encontrou dentro das muralhas da cidade Nevada por um acesso mais restrito, porém dali ele via a guerra, soldados sendo massacrados pelos inimigos que já entravam francamente mais ágeis, sem perder tempo fez seu cavalo correr e ao chegar próximo ao local avistou as escadas que levavam a muralha, desceu de seu cavalo e subiu as escadas, sua espada brilhava em sua mão firme, ele golpeava inimigos com sua agilidade costumeira de campo de batalha como se nunca tivesse ficado um único dia longe e quando chegou ao topo gritou aos seus homens, sua armadura brilhando nas últimas luzes do dia com um fulgor radiante que dava animo aos seu soldados, as vestes brancas que usava por baixo da armadura era semelhante a que usava durante sua longa estadia no deserto, leve e de algodão simples, mas essa simplicidade lhe proporcionava uma beleza sobrenatural e única e deixava cada homem inimigo ou amigo espantado com sua beleza e destreza mortal.

-Soldados do reino das Terras nevadas, soldados de Guinzen, esta é nossa casa e não podemos perde-la!!! Lutem por suas famílias e pelas famílias dos seus irmãos, sejam fortes como sei que podem ser, não tenham medo, hoje é um bom dia para morrer, mas não é nosso dia de morrer, pois vamos vencer!! Vamos sobreviver!!

A voz doce e ao mesmo tempo forte ecoou ajudada pelo vale amplo e deu um sopro de vida aos soldados que seguiram as palavra do seu general tendo um vigor renovado, imediatamente o general ordenou palavras de apoio e deu ordens rápidas aos que estavam ao seu lado e que logo as cumpriram, o general foi cercado de soldados que o protegiam enquanto ele ditava ordens.

-Arranquem os escudos dos inimigos, cerquem o portão, empurrem o inimigo para a planície!!

Antes de chegar ele ficou sabendo que um grupo de soldados estava na retaguarda, sem saber como agir, eles eram cerca de dois mil enquanto o inimigo que se concentrava nas muralhas era de cerca de três mil ou mais, no entanto uma vez cercados pelos soldados de dentro e em campo aberto nas planícies nevadas eram alvos fáceis, os soldados de Terra nevada e os de Guinzem sabiam usar a espada sendo espadachins formidáveis, pois eram ágeis, cada soldado aliado podia abater cerca de dez dos inimigos antes de sucumbir, uma vez que os inimigos eram em sua maioria guerreiros de caça e usavam machados pesados ou espadas serrilhadas como a do inimigo que ele mesmo derrotou minutos antes de enfrentar o exército do Rei Dragão e o próprio Rei, esse era um número bom e ele os incitou a lutar com ferocidade até que cada soldado inimigo recuasse e estivesse em solo verde e aberto e então do alto da muralha deu o sinal para seus soldados escondidos...Suas vestes esvoaçando no topo da muralha, radiantes nos últimos raios de sol do princípio da primavera e o brilho real de sua armadura aliado a sua postura eram mais que suficientes para incitar os soldados a cumprir suas ordens.

-Eu sou o general Sasuke Uchiha e ordeno que vençam essa guerra, agora!

Cada homem ou mulher que segurava uma espada se voltou ao inimigo, havia uma luz radiante em seus olhos, um desejo de vencer que podia ser sentido, o inimigo era feroz, guerreiros com peles de animais e instinto tão próximos ao primitivo que os deixava selvagens em batalha, mas sem destreza ou leveza, eram pura força bruta.

-Lembrem-se do dia em que seus irmãos e irmãs, pais, filhos ou amigos foram levados por esses homens ou por homens deste povo e nunca mais retornaram, não permitam que eles fazem isso novamente, nunca mais!

-Filhos deste reino, de Terra nevada, de Guinzem, somos um só povo, uma só nação, unidos pelo mesmo Rei Dragão, nós somos mais poderosos, somos capazes, vamos vencer!

Ao lado de Sasuke uma voz se ergueu acima do som das espadas e o coração do general se aqueceu.

-Lutem pelo seu rei e por seu general! Gritou Obito segurando uma espada vermelha com o sangue do inimigo e ouve gritos e mais gritos, a cada minuto o inimigo era empurrado mais e mais e os soldados agora com um propósito lutavam ferozmente.

Sasuke desceu e se juntou aos seus homens, Obito o seguiu ficando ao seu lado, ele protegeria sua rainha, seu amigo e seu general com sua vida se fosse preciso, ele era e sempre foi seu protetor e estaria ali mais uma vez.

A espada de jade brilhava no ar, descendo rapidamente e acertando o inimigo, embora o general tentasse a todo custo não matar o seu inimigo, mas incapacita-lo totalmente acertando em pontos que os faziam recuar e se render.

Obito não era tão misericordioso, ele acertava qualquer um que se aproximasse de Sasuke direto no coração e seguia sem dar uma pausa, coberto de sangue e cheio de força soldado após soldado...Um a um, sem medo, sem dúvidas, sem nenhum outro pensamento além da vitória.

Já Sasuke era o guerreiro, o general...E lutava por um objetivo claro...Vencer para chegar a bruxa e tira-la de dentro do corpo do seu rei, arrancar sua alma ardilosa de lá a força se fosse preciso.

-Eu estou chegando meu rei, meu amor...Me espere!

A noite caia lentamente cobrindo a paisagem desolada em dor e gritos num cenário de horror sem fim, os soldados acendiam tochas e o sangue banhava o verde dos campos, os soldados que se mantinham na retaguarda atacaram assim que perceberam o avanço de dentro do palácio e após mais de uma hora de lutas terríveis cada soldado inimigo ou estava morto ou rendido no chão.

Obito se aproximou de Sasuke, observando o sangue que pingava de suas vestes e armadura.

-Meu general, está ferido?

Sasuke negou.

-Este sangue não é meu.

Obito concordou e o puxou para um canto onde alguns soldados traziam barris de água fresca e a distribuíam, todos estavam exaustos.

-Mande alguns soldados ver o estado do palácio, havia uma tropa de inimigos no outro portão e não sei se minha estratégia deu certo, estamos tão envolvido com essa batalha que não sabemos nada de lá.

-Sim meu general, por favor se aproxime daquele ponto, os soldados estão montando acampamento, temos que amarrar os prisioneiros e preparar um local seguro, podem ter mais ainda vindo, sabemos que o exército inimigo foi dividido em várias partes, pegamos a maioria, mas outros podem fazer ataques menores, temos que nos reagrupar, montar uma tenda, um perímetro seguro e descansar um pouco até o dia nascer e podermos voltar para dentro em segurança.

-Certo, mande que tragam as plantas da cidade e do palácio, precisamos descobrir onde os soldados restantes podem estar agora, eles são inimigos destas terras a gerações e são coletores e caçadores, mesmo perdendo a guerra tentarão levar coisas de valor para suas casas, ouro para barganhar, e pessoas para serem escravizadas e vendidas nos mercados negros, não vou permitir mais isso, nunca mais.

-Farei isso meu senhor, mas antes...Me prometa que descansará um pouco.

Sasuke concordou a contra gosto mais seguiu a barraca já montada onde soldados se lavavam em toneis de água e assim que viram o general lhe serviram água para se limpar e água limpa para beber, outros trouxeram frutas e prepararam mantas no chão para ele descansar um pouco, sob ordens do próprio Obito deviam proteger seu general em seu descanso.

O general após se refrescar deitou-se e orou por seu pai para lhe dar discernimento no que sabia que teria que fazer em breve.

Notas finais
Se estão gostando por favor me digam que eu agradeço muito. Beijos de Akira.

36. O inimigo do meu inimigo.

Notas do Autor
As respostas estão chegando e os pontos se ligando, aventurem-se a descobrir. Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: O inimigo do meu inimigo ainda é um inimigo. (Novas escolhas.)

A noite chegou no palácio e embora os soldados inimigos do portão leste tenham sido detidos e o do portão norte tenham sofrido muitas baixas ainda assim muitos outros conseguiram invadir o local, estes homens viviam por uma lei deturpada e somente seguiam seus instintos mais primitivos neste momento de crise, tentar lutar por uma bruxa que era tão maligna quanto os demônios dos quais ouviram falar e tentar negar sua natureza coletora e usurpadora era quase impossível de conciliar, no fim vencia o lado mais animalesco e abandonaram o desejo de vencer para seguir caçando coisas de valor para levar embora para sua casa, pessoas e objetos eram bem vindos. Sendo assim suas espadas se tornaram silenciosas e os antes ferozes soldados voltaram a ser uma nação de ladrões na noite profunda, ardilosos como raposas e ferozes como cobras eles sabiam como caçar.

E do topo da torre dos prisioneiros Maeda e Orochimaru ouviam os gritos e todos os sons da guerra acontecendo. E tinham medo, não sabiam o que esperar de tudo isso.

-Acha que é culpa da bruxa? Perguntou Orochimaru encolhido ao lado de Maeda no chão da cela, assustados demais para ir próximos as grades para ver o que os soldados dali que os vigiavam falavam entre si.

-Não sei, mas isso não é bom, se estes guardas fugirem podemos morrer aqui sem ajuda alguma, afinal seja qual for o rei ou usurpador que venha a vencer essa guerra somos somente traidores do rei e não valemos a pena, podem nos deixar morrer de fome e sede aqui. Respondeu Maeda, mas se arrependeu ao ver o medo dos olhos de seu companheiro de cela e único com quem se importava no mundo.

Foi quando ouviram o som de uma luta feroz além de suas celas e permaneceram quietos esperando, assustados e então o soldado que sempre fazia a ronda a noite caiu diante das grades da cela, olhos ainda abertos, um furo no peito por onde o sangue ainda jorrava.

Orochimaru gritou e Maeda o apertou nos braços, logo ouviram mais luta e puderam adivinhar que os poucos soldados foram cercados pelo inimigo e mortos rapidamente, mas por quem?

Mesmo sem desejar Maeda abriu os olhos e viu uma sombra alta usando peles de animais sujas de sangue parado os observando.

-Levante-se, quero ver o que temos aqui, são jovens ainda?

Maeda ficou em pé, quando o inimigo está armado e do outro lado da cela é melhor obedecer, puxou Orochimaru junto com ele e o homem de peles os analisou por um momento e depois gritou.

-Alastor, eu acho que estes são bons, podemos vende-los ao povo do clã secreto, são jovens ainda e fortes, e são dois.

Outro homem ainda maior que este e com cara de animal selvagem surgiu, mancava dolorosamente de uma perna e tinha um corte profundo na face de onde o sangue já havia parado de cair e agora estancava numa ferida horrenda e negra.

-Abra, vou avaliar eu mesmo, os outros não valem a pena, muito velhos ou fracos, não vale a pena leva-los conosco, podem mata-los, todos.

Orochimaru sentiu o sangue fugir de seu rosto, achava que morreria ali e descobriu neste momento que não desejava morrer como pensou antes, ainda que fosse um prisioneiro, ainda que nada mais lhe restasse neste mundo.

Mas após a cela ser aberta e o tal homem entrar ali dentro analisando sua mercadoria ele sorriu satisfeito.

-Estes prestam e devem valer um bom preço, são bonitos, este menorzinho pode servir ao propósito dos seres do clã secreto, ele é belo o suficiente, aqueles seres vão adorar essa pele branquinha, definitivamente um Uchiha...O outro é forte e pode ser útil no serviço braçal, uma boa aquisição.

O homem que os analisava se adiantou um passo e pegou o rosto de Orochimaru em sua mão ossuda e dura e lhe avaliou elevando a tocha na outra mão para se convencer de que estava certo, o que viu o deixou satisfeito...Pele branca, olhos escuros, cabelos longos e macios, boca carnuda e avermelhada, mesmo ali naquele ambiente mórbido.

-Do clã Uchiha pequeno?

Orochimaru respondeu afirmativamente sem conseguir desviar os olhos do outro, seu medo o deixando imóvel e então o homem o soltou e se adiantou de Maeda.

-Qual clã?

Maeda tentou responder sem tremer a voz.

-Parte Senju, parte Cerejeira...

Os dois prisioneiros perceberam que o inimigo era das terras ao sul, povos bárbaros que ainda tratavam os outros por clãs, mesmo após o desenvolvimento das cidades e tudo mais, eles ainda viviam pelo código dos clãs, e não as partes boas do código, mas somente as mais violentas e temidas.

-Bom...Bom...Um bom dinheiro pelos dois.

Maeda suspirou, sabia que era forte e que mesmo sua vida de luxo não o deixou ser um sedentário gordo, ele sempre se exercitou e sempre viveu muito bem antes de tudo, era apresentável e sabia que poderia ser vendido como escravo facilmente, mas isso era tudo que ele menos desejava e havia Orochimaru, com sua aparência frágil era um prêmio desejado, muito belo para seu próprio bem, sua vida como escravo seria terrível.

De um jeito ou outro ele precisava salva-lo deste destino cruel, que ele como antigo senhor de escravos podia muito bem imaginar, quando era poderoso não se preocupou com aqueles que levava para sua cama, os usava como bem entendia, muitas vezes os ferindo e depois os largando sem cuidados, mas ele não podia conceber estes destino ao seu amado, tinha que salva-lo ou morrer tentando.

Ouviam os gritos dos outros prisioneiros sendo atacados e seus corpos tremiam, deram as mãos e então ouviram gritos que não eram dos prisioneiros sendo massacrados mas sim de uma pequena tropa de soldados e viram aturdidos o homem alto sair com sua pesada espada em punho gritando como louco.

-Venha meu amor, vamos tentar fugir, se ficarmos e eles vencerem seremos separados e teremos um destino horrível.

O Uchiha (por parte de pai) concordou e saíram no corredor estreito, havia uma luta ferrenha acontecendo ali, dois soldados do reino lutando com três homens do sul, o espaço apertado os tolhia os movimentos e os soldados do sul eram pesados e violentos, estavam ganhando.

-Maeda, os soldados do reino vão perder, temos que ajudar!

-Mas se fizermos isso vamos continuar presos, podemos tentar escapar agora, há uma chance de passarmos por eles.

Orochimaru olhou para Maeda e lhe sorriu.

-Somos culpados, essa é nossa pena, mas vamos ser dignos agora, vamos ajudar e se morrermos por isso teremos ao menos sido bons no final, voltar para a cela se for em sua companhia não é tão terrível assim.

Maeda entendeu, eles nunca poderiam ser livres mesmo, mas tinham que ser dignos ao menos uma vez...

-Sim...Tem toda razão.

Maeda pegou a espada sarracena de um soldado do sul morto e atacou dois homens invasores e Orochimaru pegou uma espada comum mas a trocou por uma jarra de barro cheia de água que achou num dos cantos esquecida e com ela golpeou a cabeça de um inimigo, isso o nocauteou completamente e o soldado do reino lhe sorriu satisfeito.

O outros dois inimigos foram vencidos pelo soldado e pelo prisioneiro e o corredor ficou silencioso, os únicos presos ainda vivos eram os dois, todos os outros ex ministros foram mortos.

-Obrigado, sem sua ajuda estaríamos mortos.

Maeda pegou na mão de Orochimaru e esperou ser colocado de volta na cela, embora sua tranca tenha sido arrebentada ele não tencionava fugir mais.

O soldado os analisou por um momento e então decidiu algo inesperado.

-O Palácio está tomado por inimigos, os nossos soldados estão lutando ferozmente no portão principal comandados pelo general Sasuke e o portão leste esta sendo contido por outros soldados, somos somente nós aqui, a guarda interna do palácio do Rei Dragão tentando segurar os que já haviam entrado rompendo a barreira, mas eles são muitos e nós poucos, como comandante da guarda interna do Rei Dragão eu solicito a vossa ajuda para eliminar o inimigo, caso venha a nos ajudar e sobreviver sei que o general Sasuke pode ser benevolente.

Maeda olhou para Orochimaru esperando uma resposta dele que lhe afirmou apertando seus dedos dentro dos dele.

-Sim, como posso ajudar?

O homem lhe sorriu satisfeito.

-Pegue uma espada ou qualquer coisa e derrube nossos inimigos, não importa que seja um vaso, um jarro ou uma panela, apenas ataque esse malditos e os faça se arrepender de ter nos invadido.

Orochimaru confirmou e seguiu Maeda de perto, mas não pegou uma espada, ele não sabia lutar, mas ajudaria se fosse preciso, do modo como o soldado disse, uma jarra, um vaso ou qualquer coisa, isso não importava, ele tentaria proteger Maeda e isso era tudo.

-O inimigo do meu inimigo é meu amigo...Sussurrou Maeda pra Orochimaru.

-Bom, aqui o inimigo do nosso inimigo ainda é nosso inimigo...

Maeda riu, era verdade, eles estavam ajudando os seus carcereiros que após isso os devolveriam as celas, mas esse era seu preço, era seu mundo e seu caminho, seguiriam por ele para ver como terminaria, desta vez sem arrependimentos.

-Novas escolhas meu amor. Disse Maeda lhe dando um beijo e ele sorriu feliz.

-Sim...

…............................................................................................................................................................................................................

Enquanto tudo isso se desenrolava dentro do palácio a bruxa assistia seus sonhos desmoronando e estranhamente não se importava, ela sabia agora que Sasuke estava lá fora, ela sabia que os monges a traíram, mas o que esperava? O povo do sul também a traiu, assim como seus ancestrais e como todos que a conheceram um dia, ela era uma criatura que nunca inspirou confiança, apesar de todo poder que tinha, de todo medo que despertava ainda assim era sempre traída, mesmo quando tinha o corpo de um rei.

Ela assistia de dentro da sala do trono, sentada no trono real por um cristal previamente instalado no mais alto das muralhas, ela sabia que todos os anos de planejamento foram destroçados e não se importava mais, seu coração estava doendo como se estivesse ferido por uma lança, sua mente em desordem irrompia em pensamentos de coisas que nunca viveu, mas que eram tão reais como lembranças, o coração batia acelerado com cada uma das recordações que não lhe pertenciam.

-Deseja toma-lo de volta não é Naruto? Deseja ser íntegro de novo e ter Sasuke em seus braços, e eu sei que está lutando para sair, mas não vou permitir, amanhã quando o sol nascer eu serei a única pessoa neste corpo e então vou fingir, vou usar suas lembranças a meu favor, viverei como já vivi antes, roubando a vida de uma pessoa, sendo essa pessoa, total e completamente e assim, somente assim serei amada como mereço, e terei Sasuke para mim, mesmo que ele acredite que é você.

O seu peito arfou, sua voz ficou presa na garganta, seu ar faltou, tudo isso era o rei lutando dentro dela, mas ela era mais forte, tinha mil anos de força e competência a seu favor e mesmo assim nunca teve uma alma tão ferrenha dentro dela, sentia Naruto desesperado, se debatendo como se quisesse rasgar este corpo ao meio, era doloroso e aflitivo, mas ela não cederia, nunca!

Cerrou os dentes e apertou os dedos no trono, ela era agora este corpo, ela era o rei, ninguém mais.

-Eu sou Arata!! Eu sou uma Uzumaki!! Nunca vou ceder!!!

Seu grito ecoou no ambiente...Dolorosamente firme.

…................................................................................................................................................................................................................

Haruno estava no templo, foi recebida por Eleonor que havia retornado em segurança como era de se esperar e relatou tudo que havia passado, mas precisava falar com o Cão fiel, era uma missão importante, ela tinha desconfianças que tinha que confirmar.

-Ajude-me a ir ao encontro do Cão fiel, ele conhecia a bruxa como ninguém mais conhece, creio que ele sabe como derrota-la.

Eleonor imaginou o mesmo, mas sempre havia um preço, até onde Haruno desejava ir? Qual preço ela pagaria?

-Tem um preço e você sabe disso, está disposta a pagar?

Haruno confirmou que sim, ela precisava saber.

-Me leve até o reino dos mortos, sei que pode, fez isso com o pai de Sasuke.

-Mas era diferente, o rei Fugaku é uma alma misericordiosa e está no reino de luz, porém sabemos que o Cão está nos poços infernais, ele desejará algo e só tem uma coisa que este espirito de trevas pode desejar, sabe disso não é?

No reino dos mortos, nos poços infernais os espíritos ainda não inumamos podiam ser chamados, mas eles eram agora seres quase infernais, desejavam almas para consumir, seria esse o preço.

-Posso dar a ele outra coisa. Respondeu Haruno.

-Um espírito abissal só deseja almas para consumir e aplacar sua dor.

Haruno negou.

-Ele pode desejar vingança, ele pode desejar a companhia da bruxa de mil anos ao lado dele.

Eleonor sorriu.

-Não pode prometer isso, sabemos que a bruxa já é um ser abissal no mundo dos vivos mas nunca poderíamos leva-la ao local onde está o Cão, isto é da competência dos seres da morte, só eles podem decidir.

Haruno agora riu alto.

-Mas o Cão não sabe disso.

-Realmente, enganar o inimigo assim é perigoso, mas muito engenhoso, eu a levarei, mas me prometa que ouvirá minha voz e voltará quando eu a chamar, não posso mante-la por lá mais que alguns momentos, como o tempo em nosso mundo e nos infernos abissais é diferente, alguns minutos aqui podem ser anos por lá, cuidado, não se acostume, seja rápida e me dê a relíquia que sei que tem.

Haruno entregou a ela um pequeno pedaço de tecido manchado de sangue, era um pedaço da túnica do Cão que a feiticeira guardou.

-Não conte isso a mais ninguém...Não quero que Mikoto fique nervosa e nem que Boruto tema por mim.

Eleonor concordou.

-Fiz um encantamento e todos eles dormem, meu pequeno servo cuida do sono deles agora, estão seguros, eu achei que assim seria melhor.

Haruno concordou e logo foi levada a uma sala redonda, treze acólitas se acomodaram a redor da feiticeira e Eleonor se posicionou em uma cadeira um pouco distante.

-Eu invocarei as forças abissais e com este tecido como guia encontraremos a energia que pulsa na alma do Cão, é uma assinatura somente dele, vamos acha-lo onde quer que ele esteja, tomei a liberdade de trazer onze monges para minha casa, os monges da cidadela para orar por você, seguindo as ordens de meu general eles estão a salvo e agora podem ser muito úteis.

Haruno abriu os olhos e viu os monges um pouco além do círculo onde as acólitas se encontravam, eles já estavam de olhos fechados e concentrados, e isso deixou a feiticeira mais tranquila, a oração de um monge é poderosa e ela sabia que agora poderia obter o que queria e voltar inteira.

Eleonor começou o ritual de invocação e logo o ar ficou denso e opressor, um aroma de coisas mortas e mofadas tomou todo o ambiente que ficou gelado como as montanhas, a pele da feiticeira arrepiou profundamente e ela soube que já estava no inferno abissal, sempre imaginou porque as pessoas pensam no inferno como um local quente quando a realidade é que é frio como o inverno mais intenso e doloroso e desolado.

Abriu os olhos mais ainda podia ouvir ao longe o canto dos monges, olhou ao redor, uma planície seca e coberta de neve e gelo, onde corpos jaziam agonizando, ela passou por eles, caminhou e seguiu o impulso de ir adiante, sua energia seguia a do Cão, e como era de se esperar ela ouviu os lamentos e gritos e sabia que o havia achado, entrou numa caverna escura, mais ainda do que o ambiente lá fora, congelante e escuro, como um entardecer perpétuo, passou por rochas pontiagudas e evitou de toca-las, ali tudo podia ferir e machucar e não queria isso, uma ferida do mundo dos mortos poderia nunca mais sarar.

Viu a frente o Cão, amarrado a uma pilastra sendo açoitado por seres que eram pura escuridão, seus rostos se tornaram vívidos por segundos, rostos conhecidos, algumas vezes o rei, outras o general, outras ainda algum ministro e alguns que ela não reconhecia de modo algum, mas com certeza eram pessoas que o Cão conheceu e que de certo modo eram lembranças dele. A pele das costas do homem eram apenas uma pasta vermelha gotejante e ele arfava a cada golpe, Haruno observou por um tempo indefinido até que os seres cansaram, deixando os chicotes no chão se arrastaram como sombras fluídas e sumiram de vista, no mesmo momento a pele vermelha se regenerava lentamente e então ela entrou no ambiente e se adiantou do homem amarrado.

-Olá Cão, vejo que fez amigos.

Ela deu a volta e ficou de frente para ele, observando seu rosto lívido.

Ele riu ao ver a feiticeira.

-Você veio, sabia que viria, eu tinha certeza, sei o que quer de mim.

Haruno ficou tensa, não esperava isso, era uma surpresa.

-O que eu quero? Como pode saber?

-Quer saber como matar a bruxa e salvar a alma de quem ela roubou o corpo, mas pode ser tarde agora...No entanto eu posso ajuda-la, me liberte primeiro e vamos negociar.

-O que quer negociar comigo? Sabe que não posso tira-lo daqui não é? Está vivendo no inferno que criou para você mesmo, essa punição que sofre é o que fez os outros passarem.

Ele riu e gritou com ela.

-Me desamarre agora!!

Ela tirou da túnica uma adaga de jade e cortou as cordas, ele caiu ofegante e a olhou raivoso.

-Sei que estou onde deveria estar, eu sempre amei a dor, a dor alheia me fazia sentir prazer, até minha própria dor pode ser prazerosa e mordaz, mas eu quero a maldita bruxa aqui comigo, entendeu? Ela sempre foi o motivo para tudo, meu povo me mandou segui-la e ver se ela cumpria seu propósito e eu quase consegui ver isso concluído, mas meu vício em sentir o prazer na dor me levou a Sasuke e isso me levou a morte, no fundo sempre foi culpa dela.

-Posso traze-la até você se me falar como salvar meu rei e mata-la. Respondeu Haruno rapidamente.

O Cão sorriu, suas costas cada vez mais curadas.

-Meus torturadores voltarão em breve, assim que minhas costas estiverem curadas, por isso temos pouco tempo, primeiro me dê algo que me proteja deles e depois me prometa que enviará a alma dela para mim, então eu direi o que deseja saber.

Haruno xingou mentalmente, mas ela estava preparada, tirou da sua túnica um mínimo frasco de vidro e o jogou para ele.

-Sangue puro, de uma alma bondosa e sem máculas, ele manterá os seres abissais longe de você por um tempo, é só o que eu tenho, isso e minha palavra de que tentarei enviar-lhe a alma da bruxa.

Ele pegou o frasco rapidamente e lhe sorriu.

-Sangue do general...Ele sussurrou satisfeito.

-Isso não é tudo...Quero uma alma viva, uma garantia de que cumprirá meu acordo ou nada feito, seu rei pode morrer lentamente dentro da alma obscura dela sufocando lentamente e em agonia que eu vou aplaudir em pé.

Haruno protestou, uma alma viva? Ela nunca faria isso!

Mas assim que pensou em tal coisa sentiu uma perturbação na energia densa do lugar e a sua frente surgiu Hinata usando uma túnica levemente manchada de musgo e terra.

-Minha senhora...Minha mestra, eu errei muito, minhas vestes são a prova disso, estou manchada com a desonra, mas eu fico aqui até que possa enviar a bruxa, devo me redimir de algum modo.

-Não!! Gritou Haruno tentando alcança-la mas o Cão foi mais rápido e a pegou pelo braço a puxando para junto dele.

-Já que tenho sua garantia eu revelarei o que sei...A bruxa é filha de Asuma e Asura, mas Asura tinha estreitas ligações com o clã secreto e a filha Arata tem a sombra do povo das estrelas dentro dela, o líder do clã Uzumaki podia sentir e por muitos anos a odiou por isso, porém viu uma chance de obter lucro com isso, uma aliança com o clã secreto o colocaria como o líder mais temido e assim ele uniria mais os clãs formando a primeira aliança, e seria o primeiro rei, mas Arata fugiu e foi condenada a morte.

Haruno ouvia a história embora seu coração estivesse pesado com a alma de Hinata nas mãos deste louco.

-O líder do clã secreto desejava vingança contra os povos, ele desistiu de formar alianças após perder sua noiva e queria uma arma que pudesse destruir os clãs e deixar os povos sem comando, uma vez fracos e perdidos eles se renderiam aos seres do clã secreto e novamente seriam seus escravos, sendo assim o líder usou sua magia de sangue na menina quase morta e transformou seu corpo em algo novo, ele a queria cheia de ódio e pronta a roubar o corpo do próprio pai, porém foi além do que ele esperava e a bruxa se tornou incontrolável e dezenas de anos se passaram e depois centenas até os dias atuais, mas sempre um espião vem para ver como anda a arma e como ela evoluiu, no final a bruxa se tornou um experimento, outros foram criados, mas nenhum como ela, a chave para mudar de corpos e viver para sempre foi criada em um acidente e nunca mais replicada e meu povo aguarda os escravos preciosos que ela deveria ter nos dado.

Haruno ainda não tinha certeza de algo.

-Você é do clã secreto?

O Cão riu de modo debochado.

-Não e sim...Eu sou um dos experimentos...Parte sangue nobre e parte sangue mundano, mas não sou bom o bastante, não como os outros...

-Como eu mato a bruxa e salvo meu rei??

-A espada de jade foi criada pelo meu líder, o líder do clã secreto há muito tempo, uma arma para matar a bruxa caso fosse necessário, mas a espada se perdeu levada por um traidor que fugiu para viver entre os povos daqui e com o tempo acabou nas mãos do rei Fugaku e depois eu a usei para mata-lo, dando a espada ao menino Sasuke, só muito tempo depois eu soube como a espada era importante e achei que esse era um bom destino para ela, uma ironia que a única arma que podia matar a bruxa estivesse nas mãos de uma criança de alma pura.

Ele riu e continuou.

-Se a espada perfurar o corpo do rei num ferimento que o leve a beira da morte ele pode ser forte o suficiente para vencer o domínio da bruxa e sair do local onde está, uma vez no comando a alma da bruxa é expulsa e se não tiver um corpo para roubar ela finalmente morre.

-Mas isso não é tudo...Diga-me tudo. Disse Haruno.

-O corpo da bruxa pode tomar posse do hospedeiro totalmente em vinte e quatro horas, depois disso nada pode salvar o rei.

Haruno suspirou, o tempo ali não era o mesmo do seu mundo, podia já ser tarde, ela precisava voltar, mas como deixar Hinata ali??

-Porque quer uma alma aqui com você?

O Cão parecia perplexo.

-Embora ela não seja pura como o sangue que me entregou eu posso usa-la, ainda há bondade nela e pode repelir os seres abissais, ela pode me defender deles, eu prefiro a dor no outros se é que me entende.

Haruno ainda tinha mais uma pergunta e apesar do tempo limitado tinha que saber.

-O que os seres do clã secreto querem tanto com as pessoas deste mundo?

O Cão respondeu sorrindo.

-O clã secreto vem de um mundo quase morto, lá seus seres não podem mais se reproduzir livremente, seus corpos perderam a capacidade de serem ferteis, os escravo humanos podem ser seus receptáculos onde podem colocar seus embriões e assim a raça não morre...Homens ou mulheres, isso não importa, a magia deles é muito estranha e está dentro de coisas feitas de metal e vidro como os frascos de remédio, mas é poderosa.

Haruno conhecia isso, chama-se tecnologia, uma magia poderosa e perigosa que podia salvar e ao mesmo tempo destruir, mas ela tinha que ir, era hora.

-Eu voltarei Hinata...Voltarei por você. E Haruno partiu.

Notas finais
Quantas revelações!! Nossa!! Este capítulo foi intenso para mim, espero que gostem. Beijos de Akira.

37. Promessa sagrada.

Notas do Autor
Naruto está tentando cumprir sua promessa e a Bruxa não deseja ceder, a situação não está nada fácil. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Promessa sagrada.

Naruto sentia dor e solidão, não era uma dor física, era algo diferente, seu corpo todo parecia pesado e arrebatado, mas havia a escuridão e uma forma indistinta de medo, por muitas vezes tentou abrir os olhos, mas tudo que via era a mais absoluta escuridão e ele não conseguia entender onde estava ou mesmo quem era, sua consciência parecia ter sido arrancada de si e ele era apenas uma sombra sem vida repousando num poço escuro sem som...Poderia se entregar a dor e desaparecer...

Mas ouviu um som magnífico, bem longe, mas mesmo assim muito definido, uma voz macia e deliciosamente linda que cantava uma canção muito bela e triste, ele lutou para lembrar-se da voz, sabia que já havia ouvido isso antes, era tão familiar!

A doce voz era um remédio que minimizava a dor que sentia e como o bálsamo para sua cura ele seguiu a voz, nem mesmo sabia como. apenas se colocou em pé em meio a escuridão absoluta e seguiu se arrastando no lodo daquele lugar estranho, a cada passo dolorido ele sentia mais a voz, reconhecia o som, e então enxergou uma mínima luz...Dentro da luz um homem pequeno e lindamente vestido de branco numa túnica simples e diáfano, esvoaçante, seus pés pequenos estavam em sandálias de couro vermelho, seus tornozelos eram delicados como a voz que ele possuía, tudo nele era lindo.

-Sasuke...Sussurrou Naruto se lembrando dele, lágrimas vieram aos seus olhos ao andar ao redor da luz que era o corpo daquele que amava tanto.

Uma lembrança...Aquilo era uma lembrança, outras vieram em longa sucessão, o belo general no campo de batalha em meio a um deserto dourado e quente, vestes brancas salpicadas de sangue fresco, lutando agilmente contra ele, seu corpo cansado a ponto de desmoronar e mesmo assim lutando, tão absolutamente lindo!! E depois este mesmo ser todo ferido, impossível descrever a dor que Naruto sentiu nessa lembrança pois a culpa era toda sua, inegavelmente sua! Ouve uma dor ainda mais terrível do que todas as outras ao se lembrar disso, era uma tortura infinita e dolorosa, lentamente lhe abrasando o coração, como se arrependia disso!

-Sasuke...me perdoe, eu te fiz sofrer tanto! Implorou o rei ajoelhado no chão, levando a mão onde residia seu coração ele desejava ardentemente proteger o pequeno homem que amava mais que a si mesmo, todo seu corpo se convulsionava em um choro aquecido pela lembrança do corpo frágil torturado, as costas sangrando, pernas, braços, tronco...Completamente ferido, ele se lembrava do cheiro do sangue de seu amado quando pingava ou escorria na água do banho que as servas lhe davam, servas que muitas vezes derramavam lágrimas pelo estado do corpo daquele jovem, ele se lembrava e sentia dor, sentia mágoa por ter sido o causador disso e se lamentava inutilmente.

Depois ele o viu lindo, perfeito novamente em vestes simples, dentro de uma carruagem e ali ele sentiu o primeiro beijo, cálido e inocente demais para um homem adulto, mas a inocência era a marca de seu amado, e apesar de tudo que ele passou havia uma doce presença de espírito tão inegavelmente linda que o deixava ser o mais belo dos seres humanos, sem mágoas, sem rancor no coração, qualquer outro ser humano teria ódio profundo no coração pelo causador de sua tortura, ainda mais uma tão violenta, mas não este doce general, tão lindamente esculpido em sua alma com sua bondade infinita e seu amor desmedido pela sua família, pelos seus soldados...Como Naruto naquele tempo desejou este amor para si mesmo!

A outra lembrança o fez arquear o corpo e chorar desesperado, ele viu Sasuke diante de sua família, implorando por eles, e se viu ameaçando essas pessoas que já tinham sofrido tanto...Ele merecia perdão por isso? Duvidada, talvez por isso estivesse naquele lodo sem nome, preso naquele inferno horrendo sem saída, este era seu castigo afinal de contas.

-Me perdoe Sasuke, eu imploro...

Seu coração ardia agora, ele sofria terrivelmente, começava a achar que estava no inferno criando por suas terríveis ações, mas então ouviu a voz de Sasuke, a mesma canção e o viu, no dia dos votos do seu casamento, ele estava em roupas lindas, próprias de um monarca, ele seria sua rainha e lhe dava de presente uma canção executada com maestria e encanto sobrenatural...

-Eu te amo meu general, eu te amo mais que a mim mesmo e eu morreria por ti a qualquer momento sem remorso algum...

A próxima lembrança arrepiou o corpo do rei, eles estavam na cama, era a sua primeira vez e ele sentiu a emoção aflorar em si como nunca antes, ele o amava e ele o tinha em suas mãos, doce e entregue a si...Como isso aconteceu depois de tudo que ele o fez passar? Como o general o tolerava ainda? Mas mesmo assim ele o sentia doce em suas mãos, submisso e admirável, tão lindamente entregue, sem nenhum sentimento de aversão ou medo, ele era pura entrega, seus lindos olhos apesar de estarem apreensivos com o que estava por vir não tinham nada de repulsa, ele se entregava sem reservas, era surpreendente isso e o fazia ainda mais belo e mais perfeito aos olhos do rei.

-Meu Sasuke...Sussurrou o rei desejando tocar a lembrança, desejando o corpo quente em seus braços de novo e ele reviveu cada toque, cada ato e se sentiu feliz por ter sido desta vez um homem digno, gentil e consciente da pureza do outro, ele não o machucou, foi o mais delicado possível e disso tinha total certeza.

O coração de Naruto amenizou...E ele viu o seu amado em pé em sua frente, eles faziam uma promessa, uma promessa de almas, sagrada como a eternidade.

-Volte para mim Naruto...

O rei suspirou, ele fez uma promessa, precisava cumpri-la, mesmo que isso pudesse parecer impossível agora, ele tinha que conseguir cumpri-la, ele era o rei, o rei dragão e um Uzumaki, ainda que estivesse no inferno e que fosse merecedor dele pelo que fez o jovem inocente passar, ainda assim ele teria que cumprir sua promessa, era um fato.

-Eu voltarei para você meu amor, eu estarei aí, eu sou seu, sempre serei seu, nunca vou deixa-lo mesmo após a morte, nossas almas sempre se encontrarão no infinito e sempre estaremos juntos eternamente...

Diante disso ele se focou, compreendeu que sua mente e sua alma estavam presos em seu corpo, mas que ainda assim era a bruxa a comandar tudo, ela era mais forte, mas não por muito tempo, ele podia sentir cada batimento cardíaco que tinha, podia sentir o mundo ao seu redor, ainda que não pudesse ver nada e ele mandaria mensagens para essa bruxa sem coração, pois ela era uma Uzumaki também, sofria e sentia muito mais que os outros, por tanto não era imune ao amor, ao ódio, ao desespero, e ele lhe daria tudo de si, todos os sentimentos que tinha, enlouqueceria a bruxa de tal modo que tomaria o controle de novo.

-Deseja meu corpo não é? Lide com minhas emoções, sinta cada uma delas, a principal delas é meu amor por Sasuke, não poderá feri-lo, não será capaz de lutar contra ele, no final se eu morrer será pelas mãos dele e você morrerá comigo, ainda assim eu fugirei nem que seja somente para me despedir dele, eu o amo demais para me deixar morrer dentro de sua alma escura e suja.

O rei liberou cada sentimento, cada lembrança por mais que algumas fossem dolorosas demais, ele sofreria se isso fizesse a bruxa sofrer, mas o faria e sabia que sim, sabia que ela sentia, podia perceber...Se fosse torturado no processo pelas lembranças que seja! Ele o faria, faria por Sasuke, pelo seu amado, por ele...Prometeu que não o deixaria sofrer, antes preferia sofrer mil agonias em seu lugar, parece que isso aconteceria agora e ele sabia que sim, mas era o único caminho.

Em pouco tempo seu mundo estremecia e ele tinha vislumbres claros do mundo real, era como quase ter seu corpo de volta, por segundos e perde-lo de novo segundos após, mas já era algo e ele atacava cada vez mais forte, cada vez mais intenso...Via o mundo pelos olhos claros de seu corpo toda vez que a bruxa fraquejava e isso era cada vez mais comum.

Foi assim que ele sentiu o corpo de Sasuke em seus braços, assim ele o protegeu, mesmo sem poder lhe dizer nada ele sabia...sabia que fez seu amor ser transferido para a bruxa, agora ele amava Sasuke e a bruxa também, nunca pensou em sua vida que o amor seria uma arma tão letal, mas era isso ou a morte, ele preferia isso.

Agora faziam horas que ele estava ali naquele inferno horrível, sentia-se cada vez mais fraco, estava no chão, ajoelhado, seu corpo não se mantinha mais em pé, mas ele estava vendo a luz, ele via Sasuke em suas lembranças e não estava sozinho, a cada lembrança ruim ele sangrava de dor e a cada lembrança boa seu coração se aquecia, havia uma balança sobre ele, todo o mal que fez e todo o bem que acalentou, isto era sua única arma contra a bruxa.

Ele ouviu a voz da bruxa...Ela o desafiava, ela queria continuar vivendo e enganar a todos, fingindo ser o próprio rei e amar em seu lugar, mas isso nunca aconteceria porque o seu amado, o seu general era a pessoa mais perceptiva do mundo, ele nunca seria enganado assim, ele o amava apesar de todo o mal que o rei o fez passar, e isso era claramente um mistério, mas era assim, Naruto nunca entendeu como o seu nobre general conseguiu transpor as barreiras da dor e chegou ao amor, no fundo o grande rei se sentia um sortudo, quem pode ser mais feliz que ele que teve o amor de alguém tão infinitamente puro?

-Você pode tentar sua bruxa miserável, mas eu sei...Sei que ele ama somente a mim...e sei que ele lutará por mim no fim de tudo...

Num vislumbre claro ele viu o seu amado, ele estava lindo em sua armadura nova, reluzente nos últimos raios de sol lutando com inimigos poderosos, mas era tão ágil e elegante que o rei sabia, sabia perfeitamente que ele não corria risco algum, era bom demais, seria o vencedor...

-Me espere meu amor...Eu vou voltar, lembre-se de nossa promessa...

Neste momento ele sentiu mais alguém ali, como isso era possível? Olhou em volta naquela escuridão e assustou-se plenamente, dentro da escuridão surgia um ser, não era a alma da bruxa, era apenas uma menina, devia ter no máximo quinze anos, talvez menos ainda, magra, frágil e bonita, uma Uzumaki com certeza.

-Olá...Você é Naruto?

O rei a avaliou e não havia ameaça nela, ele relaxou.

-Sim, quem é você?

Ela lhe sorriu e sentou no chão frio.

-Eu sou Arata...Ou uma parte dela pelo menos, sou a menina que morreu na montanha, a parte mais pura da alma da bruxa de mil anos, a parte que desejava ser boa, uma boa filha, uma esposa amada, uma amiga confiável, era eu que desejava me apaixonar perdidamente e sonhei com isso, era eu que amava as nuvens brancas no céu e amava também a tempestade escura no horizonte. Essa era Arata Karin Uzumaki e não o que me tornei depois.

Naruto não entendia, como assim? Uma alma podia ter mais de uma parte, isso era possível?

Ela o olhou e sorriu.

-É possível sim...Temos o bem e o mal dentro de nós, somos assim, este eu que pode ver agora é a parte boa de Arata, uma parte pequena, todo o resto é caos e destruição, assim como você também tem um lado bom e um lado mal, seu amado general viu isso e decidiu alimentar seu lado bom, ele tinha esperanças que assim nunca mais veria o lado mal de novo e tinha razão, ele amou você e isso lhe fez ser melhor, você se tornou melhor graças a ele, é hoje o que ele desejou que fosse, Sasuke o salvou.

Naruto sentiu a verdade nestas palavras.

-Meu lado mal mandou tortura-lo quando eu o capturei, por isso ele quase morreu...

A menina concordou.

-Depois eu fingi que poderia torturar seus amados familiares para que ele concordasse em se casar comigo e isso também era meu lado mal.

De novo ela concordou.

-Mas eu pedi perdão a ele, contei a verdade e nunca mais o machuquei de novo, eu lutei por ele e dei tudo de mim após isso, eu o amo desesperadamente e ainda assim não consegui protege-lo das garras da bruxa, ele foi preso por meus ministros e torturado sob suas ordens pelo Cão fiel, eu consegui salva-lo a tempo e matar o Cão, mas não antes que ele sofresse novamente, por tanto não sei se sou confiável e mesmo assim, mesmo assim eu o amo.

Ela sorriu.

-Este é seu lado bom...Um lado que eu gosto, não se culpe tanto, você tentou o seu melhor para salva-lo, descobriu uma força que nem sabia que tinha, isto é muito bom, tenho certeza de que ele o ama, ama tanto quanto você a ele, Sasuke é uma alma rara, inteira como poucos seres humanos, tão poucos que são uma raridade neste mundo, todos os outros são divididos entre o bem e o mal e geralmente o mal é maior, ambição, desejos desenfreados, caos, destruição e todo tipo de maldades.

-Mas você...Roubou vidas e mais vidas, torturou e matou muitas pessoas, destruiu reinos inteiros, como pode ter um lado bom?

Ela sorriu fraco.

-Nada é totalmente mal, nem mesmo eu, por séculos eu existi aqui, sozinha, observando meu lado mal crescer e crescer, nas últimas décadas eu achei que morreria finalmente, desaparecendo completamente, até que senti o seu amor por Sasuke, foi este amor primordial e profundo que me despertou novamente, despertou em Arata o sentimento que ela mais desejou na vida, acima de tudo, acima do poder e até mesmo acima da vingança que desejava pelos clãs...Eu despertei porque senti o amor.

Naruto suspirou e finalmente se sentou ao lado de Arata.

-Você é uma Uzumaki, e como tal deve saber que sentimos cada sentimento intensamente, cada um deles, e o amor é o maior dos sentimentos que o ser humano pode sentir em sua vida, entendo que isso tenha lhe despertado, mas em que isso me ajuda a fugir daqui?

Ela o olhou e lhe estendeu a mão que ele aceitou.

-Eu estou cansada Rei Dragão, estou cansada de viver está vida vazia e sem sentido, meu outro eu experimentou tudo que há para se experimentar neste mundo, ela buscou todos os prazeres humanos, esteve em corpos masculinos e femininos, sentiu dor e sentiu prazer, causou dor e causou prazer, mesmo assim nunca amou de verdade, provou todas as comidas e esteve em todos os lugares conhecidos neste mundo, mas nada foi significativo, ela nunca se lembrou dos nomes das pessoas com que se deitou e nunca desejou repetir o ato após, por tanto ela provou muitos e não se prendeu a nenhum, nada lhe aqueceu a alma ou o coração...Eu provei tudo junto a está parte deturpada de mim e não quero mais isso, eu quero morrer, quero saber o que me aguarda do outro lado, mesmo que seja o horror.

Naruto respirou fundo, ele era um rei, aprendeu sobre os mundos abissais, locais onde as almas impuras e maldosas sofriam pelos séculos por suas maldades em vida, mas também aprendeu sobre os mundos de luz onde os seres bons podiam viver em paz e alegria infinita, certamente os deuses não podiam enviar a bruxa de mil anos para outro lugar senão as profundezas dos mundos abissais, mas e está parte boa de Arata, está parte gentil que nunca desejou nada além de amor? Poderiam os deuses dividir uma alma?

-Eu gostaria de estar em contato com a arquivadora, talvez ela soubesse lhe dar uma resposta de onde pode ir caso este corpo morra e sua alma seja lançada no mundo espiritual, mas não sei, no entanto não acho que os deuses possam jogar uma inocente nos infernos abissais, eu não sei...Talvez essa sua parte boa seja perdoada.

-Não importa mais, eu lhe disse, estou cansada, vou ajuda-lo a ser livre, apenas ajude Sasuke a fazer a escolha certa e não desista dele e do seu amor por ele.

-Como pode me ajudar, está presa aqui como eu estou.

Ela lhe sorriu, parecia conhecer uma verdade que ele desconhecia.

-Sim, é verdade...Mas eu conheço meu outro lado e este lado está tão cheio de dor como o meu, recorde-se do seu amado tão vivamente que o coração forte que habita neste corpo sinta dor por ele, fique fraco e vulnerável e no momento que o próprio Sasuke estiver na frente do corpo do Rei Dragão conseguirá assumir o controle por alguns breves momentos, nestes momentos eu manterei minha outra parte aqui comigo e então assim teremos uma chance.

-Eu já estava fazendo isso...Mas não tinha certeza de que seria útil.

-Sim, é sua arma, use-a.

Naruto tinha muitas lembranças felizes do seu amado, mas para fazer o coração real sofrer somente as lembranças dolorosas seriam necessárias, e ele fechou os olhos e concentrou-se no dia que capturou o seu general...Se já tinha sofrido antes agora era o momento de se lançar aos caos, ele lembraria de cada detalhe de tudo que fez o seu general passar, poderia chorar agora, não importava, ele arrancaria da bruxa lágrimas também.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Finalmente Naruto descobriu um meio de atacar a bruxa e vocês entenderam porque a bruxa não machucou Sasuke, era Naruto o tempo todo lhe jogando lembranças que no fim fizeram com que a bruxa se apaixonasse pelo general perdidamente, acho que isso é uma ótima arma...Beijos de Akira.

38. Dou-te meu coração eternamente.

Notas do Autor
As pontas desta história se unem neste capítulo, o que o rei está fazendo com a bruxa, o que Sasuke sentiu, como Haruno está enfrentando tudo e como todos reagem aos atos finais desta guerra, ainda temos uma revelação empolgante e dolorosa de Orochimaru e isso mudará coisa em seu destino. Será o fim do rei dragão ou não? Leiam e depois se puderem me contem o que acharam. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Dou-te meu coração, eternamente.

Sasuke fechou os olhos e dormiu por alguns momentos, todo seu corpo estava ainda ardendo pela batalha, seu Qui era forte como nunca antes, mas ele sonhou assim que conseguiu dormir, ele sonhou com o dia de sua captura, com o medo que sentiu e o desespero por seus soldados e ele sonhou com o rei que naquele momento não conhecia, um rei que era o líder da maior nação, acordou assustado, sentou-se no chão e colocou a mão no coração, essas recordações ainda lhe assombravam, depois saiu da tenda e olhou ao redor, haviam fogueiras acessas e um clima ameno de vitória, mas ele se sentia inquieto, faltavam algumas horas para o amanhecer e eles esperavam o sol para voltar para o palácio, ainda podiam ter soldados inimigos por lá e eles não tinham notícias claras, apenas relatos não conformados de servos ou escravos que haviam fugido do palácio.

No entanto tudo em Sasuke lhe forçava a ir até Naruto, ele o sentiu em seu coração e sabia que ele estava sofrendo muito, era claro como a luz do sol e então ele decidiu, não havia outra coisa a fazer.

Chamou um soldado e lhe pediu que buscasse o comandante Obito, tinha algo a realizar e só podia contar com esse amigo...Pois confiava plenamente nele.

Foi neste exato momento que longe dali dentro do templo da memória que Haruno despertou do seu transe e se viu no mundo dos vivos, longe das terras abissais.

-Eleonor como pode jogar a vida de Hinata nas mãos daquele louco do Cão fiel? Porque fez isso? Gritou Haruno desesperada.

A Arquivadora a olhou de modo interrogativo, pois ela nunca faria isso.

-Haruno...Não sei o que está me dizendo, pois eu não trouxe Hinata a meu templo, eu pedi que você a trouxesse e como chegou sem ela supôs que não pode salva-la.

Haruno se levantou cambaleante e uma acólita lhe trouxe um copo de algo revigorante, ela o tomou de um só gole e olhou em volta, de fato ela estava sozinha no círculo e então como a outra a seguiu? Sozinha? Seria possível que ele evoluiu tanto assim no campo da magia?

O monge que foi o mesmo a ajudar o general se aproximou das duas.

-Senti a alma de sua amiga no mundo dos mortos, ela foi lá por livre desejo, ao que parece ela tem uma ligação profunda com você, mais do que somente amizade, creio que é amor, isto a liga a ela profundamente e é um caminho para encontra-la e existe uma ligação de ódio com a bruxa, assim ela pode achar os acolhidos da infeliz criatura que todos chamam de bruxa de mil anos, como o Cão fiel e ao que parece está jovem tem dons mágicos, creio que ela os usou de algum ponto do palácio e chegou até você no inferno abissal.

Haruno sentiu lágrimas nos olhos, então Hinata a amava tanto a ponto de perder sua vida e sua alma por ela? Nunca pode imaginar tal coisa...Sempre imaginou que o amor não lhe foi algo destinado.

-Bem, não vou deixar seu sacrifício ser em vão, sei como salvar nosso rei, mas temos pouco tempo, tem que ser antes do nascer do sol, temos apenas duas horas no máximo e eu não sei onde está o general, ele precisa enfrentar a bruxa e vence-la antes disso e nós duas precisamos prender a alma da bruxa quando ela se desligar do corpo do nosso rei, acredito que por pouco tempo, assim ela será enviada ao inferno abissal e minha Hinata ficará livre.

Eleonor lhe sorriu.

-Bem, então fique em pé senhora feiticeira pois vosso general já está a caminho do palácio e deseja enfrentar a bruxa agora, se deseja me ajudar respire fundo, vamos prender uma alma milenar com nossos dons e manda-la para o mais profundo dos infernos abissais e depois iremos trazer Hinata de volta.

Eleonor lhe deu a mão e ela aceitou ficando em pé, o monge bateu palmas e lhes sorriu.

-Eu e os meus irmãos vamos orar por todos vocês e estaremos com seus parentes e amigos quando eles acordarem, apenas sigam agora e ajudem nossos monarcas a serem livres de todo o mal.

As duas vestiram suas túnicas e separaram alguns cristais e plantas, não sabiam em absoluto como segurar a alma da bruxa, mas iriam usar tudo que tinham, a feiticeira e a arquivadora se entreolharam e havia determinação em suas ações, elas lutavam não somente por um reino, mas pelo amor que devotavam a alguém em particular, Eleonor precisava salvar Sasuke, filho de sua amada pois ela não poderia mais sofrer, e Haruno precisava salvar a alma de Hinata e traze-la de novo ao mundo dos vivos.

Se ambas pudessem pensar claramente neste momento veriam que tudo era sobre o amor, pois Sasuke só desejava salvar Naruto...Porque ele o amava demais.

Numa nuvem de aroma silvestre as duas mulheres desapareceram e os monges se colocaram no chão em posição de lótus para orar por elas, as acólitas foram reafirmar a magia do templo e protege-lo enquanto no comodo mais seguro do templo Mikoto, Itachi, Shisui e Boruto dormiam tranquilos, sentado numa poltrona cuidando deles estava o menino de olhos claros e cabelos prateados que desejava ser apenas um bom servo e nada sabia de guerras e reis, muito menos de sua origem tão incrivelmente nobre.

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Dentro do palácio alguns poucos homens da guarda real tinham quase limpado todos os cômodos dos infelizes soldados coletores das terras frias ao sul, conseguiram salvar muitas pessoas que haviam sido feitas prisioneiras e teria sido levados com certeza caso eles não tivessem chegado a tempo, esses poucos guardas eram altamente treinados, sendo capazes de lutar por horas e com quase todas as armas possíveis e até as improvisadas, contavam agora com apenas oito deles e dois ajudantes extras que eram dois dos prisioneiros que anteriormente serviam o reino como ministros. Mas no meio deste caos quem era prisioneiro e quem era guarda real não importava muito, não quando eles abateram mais de quarenta ladrões na noite sem nenhum descanso ou trégua, perdendo da parte deles apenas um guarda que estava gravemente ferido e foi deixado num quarto a espera de ajuda que eles trariam assim que possível.

-Só nos resta a cozinha e a lavanderia, deste lado do palácio, o outro lado está interditado, a pesada porta que separa o pátio interno e os corredores junto a montanha estão fechadas e são intransponíveis, suspeito que nossos aliados tenham as lacrado para manter os soldados inimigos ali, nos resta limpar essa parte, vamos seguir por aqui, ouvi gritos mais cedo e tenho certeza de que tenham mais soldados do sul ali...Disse o comandante desta pequena tropa de assalto.

Maeda apertou a mão de Orochimaru na sua, ambos estavam cansados, doloridos e com cortes em boa parte dos braços e pernas, o menor deles mancava dolorosamente mas mesmo assim seguia tentando ser útil.

-Você está bem meu amor? Sussurrou Maeda preocupado.

-Sim, aquele maldito homem das cavernas era grande como um urso pardo, como eu podia imaginar que ele cairia em cima de mim após ser acertado na cabeça por um vaso de plantas? Sua cabeça parecia dura demais para isso!

De fato o que ocorreu poderia ser engraçado se não fosse na hora desesperador, o homem pequeno estava apenas tentando ser útil quando viu seu amado ser encurralado junto com mais dois soldados por um sujeito enorme que parecia um urso das terras livres, um urso pardo gigante e seu primeiro instinto foi pegar algo pesado e bater em sua cabeça como ele fez antes, lógico que ele achou que isso iria apenas atrasa-lo em seus golpes e daria tempo aos outros de ataca-lo, mas o homem apesar de grande era fraco nesta parte e assim que foi atingido caiu pesadamente para traz diretamente sobre as pernas do pequeno que foi salvo pelos guardas e por seu amado não sem muito esforço da parte deles, pois como foi dito o tal soldado era gigante.

Maeda teve que rir baixinho, seu pequeno amado era valente e não fugia a luta, como ambos foram parar nas garras da bruxa ainda era um mistério para ele, afinal sobre ele até que entendia, seu fraco pelo poder o levou a ruína, mas e Orochimaru? Ele era tão frágil e tão doce! E pensar que ambos nunca tiveram trocados mais do que algumas palavras amigáveis antes, foi preciso ter suas almas quase corrompidas e serem punidos severamente quase até a morte e após jogados na prisão para ficarem enfim juntos, os deuses tinham planos estranhos as vezes.

-Me pergunto como se deixou levar pela bruxa, seu coração é bom...O meu já foi muito mal, mas o seu, não consigo ver maldade nele, como foi parar nessa rede do mal?.

Orochimaru deu de ombros seguindo o maior e sussurrando bem baixinho um pouco longes dos guardas, mesmo assim o comandante prestava muita atenção nos dois.

-Na verdade acho que a bruxa me pegou bem antes, eu tentava seguir as ordens de meu pai a todo custo, mas nunca conseguia, ele sempre me achava fraco e me batia, nos últimos meses tinham sido tantas vezes que eu mal comparecia as reuniões, ele estava tentando sair e me queria em seu lugar, mas eu tinha que ser tão perverso quanto ele e não conseguia, finalmente ele ficou doente e nada pode cura-lo, ele morreu, e eu me vi livre, infelizmente certa manhã quando saia para o senado perdi a consciência e acordei horas depois com um bracelete de cobra no meu pulso esquerdo, estava a mercê da bruxa e na maioria absoluta das vezes nem sabia o que dizia ou fazia, lembro-me de estar na sala oval no momento da tortura do general Sasuke e lembro-me de desejar fugir, mas a minha consciência ia e vinha e eu só me vi livre quando os soldados do rei invadiram e o bracelete caiu do meu pulso, pude ver uma pequena cobra amarela sair entre as pessoas e sumir de vista, só me lembro que fui preso e depois condenado a ser torturado, achei que iria morrer neste dia, nunca tive tanto medo em minha vida e nem senti tanta dor, se não fossem seus cuidados depois eu certamente teria morrido.

Maeda esta assustado, então o seu pequeno amado era inocente? Nunca foi corrompido? Foi somente uma vítima inocente da maldade da bruxa? Mas porque??

Porém assim que pensou nisso teve a sua resposta, Orochimaru tinha as chaves de todas as salas imperiais o que incluía a sala de tesouro e das armas, as portas que davam acesso a sala oval...A bruxa o usou para abri-las e deixar o Cão fiel entrar e usou para condenar Boruto.

-Você foi torturado mesmo sendo inocente, meu pequeno...Eu sinto tanto! Disse Maeda parando o seu avanço e no mesmo momento o guarda se virou e tocou em seu ombro.

-Eu ouvi a história toda, se isso é verdade após essa luta ter fim darei meu testemunho a favor deste homem, nenhum inocente deve ser punido em nosso reino, somos uma nação justa, ele deve ficar livre e ter seus bens de volta.

Orochimaru estava assustado e abraçou Maeda nervoso.

Mas ouviram um som de gritos e gemidos logo a frente e se apressaram a ir adiante, com a porta da cozinha entre aberta viram cinco homens do sul, eram tão grandes como o último e entre eles havia uma mulher, tão forte quanto eles, no chão amarrados alguns pobres servos e dois escravos usando a coleira que definia sua posição social, estavam amarrados e sendo amordaçados agora, se debatiam inutilmente, a porta que dava para fora estava aberta, era onde os mantimentos eram entregues, dali se podia ver a lavanderia e os estábulos, seria fácil tentar fugir por este lado, muito embora passar pelo portão seria complicado, mas estes homens podiam conhecer outro caminho seguro, eram imprevisíveis.

-Ande logo, vamos leva-los, já peguei ouro suficiente dos quartos dos nobres, devemos nos apressar, tenho a impressão que a bruxa perdeu e nossos líderes estão mortos, um servo relatou isso mais cedo, parece que o general Sasuke os venceu no portão principal e nossos irmãos que atacaram o portão sul estão presos, só nos resta fugir agora e levar nosso espólio.

O guarda fez um sinal e a seu comando eles invadiram a sala, foi um pandemônio total, sacas de farinha forma rompidas pelas espadas sarracenas e o ambiente ficou branco, mal se distinguiam inimigos e amigos, os presos no chão se amontoaram num cantinho assustados e Orochimaru foi até eles usando uma faca de cozinha para cortar as apertadas e grossas cordas, num trabalho difícil para sua pouca força física.

Maeda lutou como pode, analisando sempre se conseguia afastar os inimigos do seu pequeno amado e dos inocentes presos ali perto, não era muito hábil com a espada, mas o local era apertado e para os homens grandes do sul isso dificultava a movimentação lhe dando mais chances de acertar golpes sobre golpes, ele já havia cortado o homem em múltiplos lugares, mas o tal soldado parecia de ferro, não cedia de modo algum até que o encurralou num canto, quase sem mobilidade podia apenas se defender dos golpes cada vez mais intensos do inimigo, até que o tal homem foi atacado valentemente pelos servos e escravos libertos das amarras, panelas, frigideiras e sacos de batatas, tudo era um arma e a montanha de músculos cedeu a essa investida caindo desacordado no chão.

Os outros guardas imperiais venceram os outros soldados, matando alguns e prendendo outros e no final cobertos de farinha eles gritaram de alegria e se abraçaram sem se importar que eram guardas, servos, escravos ou prisioneiros, naquele momento eram vitoriosos e amigos, aliados vencedores de um inimigo terrível.

-Graças aos deuses! Disse um escravo.

-Amarrem estes inimigos, precisamos descansar um pouco, creio que acabamos nosso trabalho, agora devemos esperar o amanhecer e ver o que aconteceu. Disse o comandante.

-Enquanto os prendem, vamos fazer chá e providenciar comida, devem estar famintos. Disse outo escravo e já foi limpando a farinha das coisas e fervendo água e sendo ajudado pelos servos que abriam portas de despensas a procura de comida para seus salvadores.

Maeda puxou Orochimaru para junto de si e ambos sentaram no chão sob um amontoado de panos que deveriam ser roupas a serem levadas a lavanderia, mas que agora pareciam bem convidativas, o guarda comandante se aproximou deles e se sentou ao seu lado.

-Senhor, podemos voltar a cela se desejar, a porta foi quebrada, mas pode colocar um cadeado, mas mesmo sem tranca podemos ficar lá quietos esperando tudo terminar, estamos felizes por ter sido úteis hoje. Disse Orochimaru receoso que o homem os visse agora com maus olhos.

-Vocês dois nos ajudaram muito, por isso detesto saber que tenho que prende-los, pelo menos até esclarecer tudo, no entanto esse é meu dever, mas por ora comam e bebam algo, descansem, não voltaremos até o amanhecer as celas, deixarei um dos meus guardas lá para defende-los caso algum dos homens do sul tenha sobrevivido a nossa incursão pelo palácio, mas prometo que assim que for possível eu pessoalmente falarei com o rei e a rainha sobre a bravura de vocês e sobre a inocência de Orochimaru, sei que isso vai ajuda-los e eu agradeço muito a ajuda, isso não será esquecido.

Maeda sorriu agradecido, se seu amado fosse libertado ele seria um homem feliz, um deles poderia viver pelo menos.

-Não vou deixa-lo...Disse Orochimaru.

-Não diga isso, se for libertado eu viverei feliz o resto dos meus dias.

Orochimaru lhe abraçou, colocando a cabeça em seu peito e fechando os olhos enquanto falava timidamente.

-Não sei se posso acreditar em redenção, se de fato acontecer, eu viverei na porta de sua cela, dia e noite, não sairei do seu lado nunca mais...E trabalharei nos campos com você como um prisioneiro deve fazer, não vou deixa-lo.

O pequeno dormiu a seguir e não demorou para Maeda segui-lo no sono reparador.

Antes de dormir o antigo ministro pensou que de fato a tortura não devia existir neste mundo, ele foi responsável pela tortura do general e em contrapartida o rei mandou torturar Orochimaru o julgando tão culpado quanto todos os outros, no fundo dois inocentes sofreram...Sasuke e Orochimaru sofreram sem terem feito mal algum, este sistema era ruim, falho e desnecessário, ele orou aos deuses que pudessem colocar mais luz no coração dos homens para que isso nunca mais acontecesse no mundo.

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Arata andava de um lado a outro sem descanso desde a meia noite, seu corpo dolorido parecia uma prova viva de que o outro dentro dela queria fugir a todo custo, ela suava e no seu calor e dor arrancou a túnica que cobria seu corpo forte, deixando apenas a calça a cobrir a parte de baixo de seu corpo forte, ela se sentia irritada e apavorada.

-Maldito!! Maldito!! Dizia para si mesma, mas logo uma onda de dor veio de novo, as lembranças de Sasuke todo ferido sobre uma mesa de mármore, seu corpo tão devastado que ela chorava só de lembrar.

-Você fez isso com ele, sabia? Você mandou tortura-lo seu maldito rei, não eu!! Gritava e logo a seguir o via de novo, desta vez após a tortura que ela ordenou, a que o Cão fiel orquestrou na sala oval.

-Ahhhh maldito!! Gritou se encolhendo no chão frio, seu corpo tremia inteiro, lembrar das dores de seu amado era como sofrer mil agonias, ela se sentia lá, podia ver e sentir o cheiro de sangue, podia sofrer o arrependimento no mais intenso da alma, era como reviver uma agonia de novo e de novo, sem nunca ter fim.

-Te odeio Naruto! Disse por fim, não entendia qual era a tática de seu oponente, mas de uma coisa estava certa, nunca sofreu tanto em sua vida, sendo uma alma perdida que tomou um corpo físico era mais sensível as lembranças que qualquer criatura e as lembranças de Naruto eram agoniantes agora e destrutivas para ela, uma vez que o amor que o rei devotada ao general a impregnou tão completamente que já não sabia distinguir o que era dela e o que era dele, uma simbiose completa.

A bruxa ouviu passos firmes e ficou em pé ligeiramente cambaleante e seu coração quase parou no peito, entrando pelas portas escancaradas da sala do trono estava o general Sasuke Uchiha com sua armadura prateada, limpo e com seus cabelos levemente presos no alto da cabeça por um adereço de jade e ao seu lado estava um homem que ela descobriu pelas lembranças de Naruto ser um comandante chamado Obito.

-Sasuke...Ela disse e do fundo de sua mente ouvi-se uma segunda voz...

-Meu amor...

Sasuke permaneceu parado por um momento, havia dor em seu semblante e sua mão pegou a espada e ele a ergueu na frente do seu inimigo, mas suas mãos tremiam levemente, a sua frente o seu amado estava parado, todo o tronco nu, a pele dourada mostrando sinais de estar suada, gotinhas ainda escorriam de seu pescoço, seu cabelo longo e solto estava desgrenhado e espalhado nos ombros, seus olhos pareciam arder em chamas, ora vivos e ora sedentos de algo que ele não podia definir de modo algum.

-Quem é você? Disse Sasuke com a voz firme.

-Eu sou o Rei Dragão, eu sou seu senhor e seu marido.

Sasuke negou nervoso, ele agora conhecia seu marido e ele jamais diria essa frase carregada de malícia.

-Você é uma usurpadora, uma maldita bruxa que viveu por mil anos matando e roubando vidas, uma criatura patética que nem pode ter uma vida própria...Você é Arata Karin Uzumaki.

O rei riu, seu corpo lindo se mexendo gracioso enquanto ele voltava ao trono e se sentava nele, imponente.

-É o que diz...Mas como pode provar meu pequeno general?

Sasuke tremeu, como ele poderia provar tal coisa? Este para todos os fins era o rei, ele podia decretar qualquer coisa e seria atendido, quem poderia negar-lhe algo?

-Não posso, mas eu sei. Disse por fim e avançou determinado a acabar com isso mesmo que seu coração se sentisse doer dentro do peito.

-Pretende me matar meu amado? Perguntou o rei se esquivando rapidamente do primeiro golpe.

-Sim! Naruto não me perdoaria se eu permitisse que você roubasse seu reino.

Obito fechou as portas e as trancou, eles não podiam explicar isso aos soldados, o rei e a rainha lutando seria algo estranho e eles obviamente iriam ficar do lado do rei, mesmo sendo o general um herói ao olhos da nação.

-Não teria coragem de me matar Sasu...Lembre-se de nosso compromisso, você cantou para mim em nosso casamento.

Sasuke sentiu lágrimas nos olhos, ele não esperava por isso, se distraiu o tempo suficiente para o rei tomar uma espada e se voltar a ele rebatendo seus golpes desta vez.

-Eu cantei para meu rei, não para você. Disse meio inseguro agora.

Os golpes do rei eram tão fortes quanto ele, fazendo o corpo pequeno do general tremer a cada golpe aparado ou o obrigando a se esquivar, eram os golpes de Naruto, pois ela se apropriou de tudo deste corpo, como fazia com todos.

-Mas dormimos juntos naquela noite, eu fui gentil com sua inocência, lembra-se disso meu amor? Disse o rei empurrando o general que por um breve momento se viu encurralado perto do trono, tempo suficiente para olhar nos olhos do rei, para busca-lo ali dentro, desejando do fundo de sua alma estar enganado, mas só viu escuridão ali.

-Você pretendia me trancar na cidadela, meu marido nunca faria isso comigo, ele me disse ainda quando estávamos na carruagem vindo para cá que me queria livre ao seu lado.

Arata riu de modo debochado, não como Naruto faria, ele nunca faria isso.

-Depois de ter ordenado que fosse torturado, depois de quase ter te matado. Ela disse e riu aparando golpes do general que não conseguia oferecer golpes certeiros por mais que sua mente lhe mandasse faze-lo.

-Sim, eu fui torturado e depois curado por ordens dele, ele se arrependeu, ele ainda se sentia culpado todos os meses após, mesmo após tanto tempo ainda me pedia perdão.

Arata conseguiu se desvencilhar de um golpe que passou a centímetros de sua coxa direita e empurrou o corpo do general que desequilibrado caiu de joelhos, rodou sobre o corpo no chão e fugiu de um golpe que iria acertar seu punho onde a espada estava, embora não fosse forte para corta-lo, mas sim para faze-lo derrubar a espada.

-O rei mentiu sobre sua família, ele lhe obrigou a ver a todos eles presos, ele o forçou a aceita-lo caso contrário torturaria e mataria Mikoto, Shisui e Itachi em sua frente e na frente do próprio filho!

Sasuke estava cansado, seu corpo estava quente da batalha, sua armadura era leve por ser magicamente criada, mas mesmo assim já lhe causava desconforto, o rei era de fato muito mais forte fisicamente que ele, só tinha mais alguns golpes antes de perder a chance de acerta-lo verdadeiramente.

-Era uma mentira, ele nunca pretendeu machuca-los, eu sei que foi um erro grotesco, eu sofri muito, mas ele se arrependeu, ele me provou isso, o lado bom dele surgiu, ele se preocupa com o filho, com meus parentes, ele mandou curar Shisui, devolveu os títulos de nobreza deles, fez uma promessa de nunca mais machuca-los...

Naruto dentro da alma de Arata lutava para impor seus desejos, o pulso de Arata tremia a cada golpe, ela perdia a destreza, perdia a força, seu corpo reagia a ela como se pudesse ser tomado a cada instante e cada golpe era intenso, frenético pois ela tinha que jogar três vezes sua força nele ou não conseguiria erguer a espada mais.

-Eu posso ser ele, eu posso ser melhor...Me aceite Sasuke e nunca mais sofrerá na sua vida, eu nunca permitirei que ninguém lhe machuque ou machuque os seus, eu serei seu rei, seu amor, seu amigo mais intimo, serei tudo que sonha. Ela disse baixando a espada sem conseguir mais sustenta-la.

Sasuke tremeu, era isso que desejava ouvir do rei dia após dia, sempre foi isso.

-Mas você não é ele, pode estar no corpo dele, mas não é ele...Respondeu Sasuke chorando, sua espada ainda em punho.

-Isso importa? Para você eu sou ele, tenho todas as lembranças, posso te dar tudo que ele te deu e mais ainda, todo prazer na cama, todo amor no dia a dia, tudo que desejar...Ela implorou se aproximando dele, seus olhos brilhavam ternos e gentis.

-Meu general! Gritou Obito lhe alertando, mas ele estava tão perto, sentia o aroma do corpo do seu amado, podia sentir o tom de sua voz, macia, forte e gentil.

-Naruto...Você prometeu que nunca mais me deixaria, que voltaria para mim, lembra?

Todo o corpo do rei estremeceu e ele caiu no chão, nisto o general jogou sua espada longe e correu até ele juntando seu corpo ao dele num abraço apertado.

-Meu rei, meu amado, meu Naruto...Disse Sasuke soluçando, as lágrimas caindo sem controle e o rei o tomou num beijo ardente, igual ao primeiro após o casamento, no noite de núpcias, um beijo apaixonado e arrebatado e então o soltou e o olhou nos olhos, seu azul era quente e viril, vibrante.

-Eu estou aqui meu amor, eu cumpri minha promessa, mas não sou capaz de faze-la mais, use sua espada e mate este corpo, eu o encontrarei novamente porque este coração e está alma lhe pertencem...Você nunca foi o general capturado, eu era...Eu era e sempre serei seu escravo, seu amor me capturou tão logo eu o vi, eu sempre fui seu.

Arata se forçou novamente e os olhos se tornaram frios no mesmo instante, a espada estava longe do alcance das mãos do general, e ele estava sofrendo tanto que queria se entregar a dor, o corpo do rei se moveu e o prendeu no chão, ele era forte e ágil, suas pernas se posicionaram sobre os quadris de Sasuke e ele o beijou, este beijo era frio e diferente, a alma de Naruto havia sumido de novo dentro do corpo do rei.

-Não! Me solte, me solte! Implorou Sasuke chorando, ele não queria ser tocado por esta coisa maldosa e venenosa.

-Mas sou eu, o corpo que ama. Disse Arata rindo e notando os raios de sol a surgir na janela mais alta, ela prendeu o corpo de Sasuke mais firme no chão.

-O sol está nascendo, eu vou vencer, nada restará dele além das lembranças e você será meu, vou mante-lo para mim, ainda que contra sua vontade e um dia será submisso a mim como foi a ele, sei que será.

Obito tentou correr e pegar a espada de jade, mas a bruxa conjurou cobras amarelas que rastejaram sabe-se lá de onde e rodearam a espada impossibilitando que ele se aproximasse mais, porém um som distinto se fez presente e duas mulheres surgiam numa nuvem roxa dentro da sala, eram Haruno e Eleonor.

Haruno notou que o encantamento de sua mãe foi usado e rebateu a magia usando sua própria magia, expulsando as cobras venenosas para seus locais de origem e Eleonor gritou para o general.

-General, use a espada na bruxa, antes que o sol nasça ou tudo estará perdido! E fazendo isso avançou na espada no chão, mas a bruxa lançou outro feitiço e a espada rodopiou sumindo pela porta aberta para longe, Obito correu e assim que passou a porta ela se fechou com um estrondo gigante.

Sasuke viu os raios de sol se aproximando do corpo de Naruto lentamente e mesmo assim muito próximos, ele se debateu, mas era inútil, o corpo do seu amado era muito forte para ele, a não ser que...

O general levou sua mão ao rosto do amado e o fez desviar a atenção das duas mulheres, em lágrimas ele o chamou mansamente.

-Por favor...Por favor...Eu serei seu, só me diz que vai me amar como ele me amava.

Arata sentiu o coração arder no peito, ela desejava este amor acima de tudo, sempre só desejou o amor.

-Eu sempre vou ama-lo meu general...

O pequeno general elevou seu corpo para beija-lo e sentiu as mãos fortes do seu rei em sua cintura como sentiu tantas outras vezes, se entregou ao beijo de corpo e alma, mas no último segundo levou a mão direta a seus cabelos e soltou o cabelo tirando dele uma fina haste de jade, o mesmo jade de sua espada e com ele em mãos acertou o coração do rei bem no meio, a peça fina e longa se adentrou na carne jovem e atingiu o órgão sagrado.

O rei arfou e caiu no chão, o sangue jorrou da ferida quando ele arrancou o objeto do peito e Sasuke se jogou sobre ele chorando.

-Eu te amo Naruto, eu te amo...

Os olhos antes frios do rei se voltaram ao seu amado, havia a mesma luz que sempre inundou o sorriso do seu rosto e ele novamente lhe sorriu.

-Eu sei disso meu amado, eu sei...Obrigado. Disse lhe tocando a face com os dedos ensanguentados.

No mesmo instante a luz do dia revelou o brilho que surgia do seu corpo dourado no chão de mármore, pequenas gotículas do suor misturado ao sangue escorriam na pele bela e o general chorava convulsivamente sobre seu peito, as mãos cobertas com o sangue real da família Uzumaki.

A alma da bruxa se livrou do corpo que dava seus últimos suspiros abraçado ao corpo de Sasuke e Eleonor jogou sobre a alma que tensionava fugir um encantamento que a prendeu no ar, um encantamento que aprendeu quando criança, usava quando pequena para segurar a neblina que descia das montanhas e criar nela desenhos, não era um encantamento comum, era simples e direto, mas poderoso, mantinha a bruxa a centímetros acima dos dois monarcas e parecia estar funcionando.

Arata gritava em sua forma meio física e meio fluida, como se fosse neblina em uma manhã fria de inverno.

Haruno correu até Naruto e o puxou ajudada por Sasuke para perto do trono onde aplicou sobre o peito dele alguns encantamentos, alguns cristais e algumas ervas, cantando em uma língua que o general nunca tinha ouvido ainda, mesmo assim parecia ser tarde demais, a haste perfurou seu coração por inteiro e o sangue jorrava sem parar.

-Não! Me solte! Gritava Arata se tornando mais e mais fluída.

-De forma alguma, este encantamento eu peguei a muitos anos quando ainda era criança, foi criado por um bruxo que dizem ser descendente do clã secreto, ele prende qualquer espírito temporariamente neste mundo de forma visível e forte, não pode fugir.

Arata de desesperou, ela sentia o anjo da morte vindo, cada vez mais perto, cada vez mais ali...De súbito a sala ficou gelada, a ponto de sair névoa da respiração de todos ali presentes e uma presença profundamente forte se fez diante de todos.

Roupas suaves pairavam no ar e um corpo leve e frágil surgiu, belo como somente um deus seria, tudo nele era intenso e brilhante demais.

Com um único sinal de sua mão direita a bruxa caiu no chão pesada como se fosse feita de carne e sangue, viva como há muito tempo não estava e a criatura se fez quase humana e tocou os pés descalços no chão frio caminhando alguns passos até Arata que parecia presa numa lama negra de aroma fétido que partia do solo e impregnava seu corpo denso.

-Arata Karin Uzumaki eu sou o deus da morte e da vida, você fugiu de mim por mil anos, sua alma precisa pagar pelos crimes cometidos, mas eu não desejo aniquilar sua existência, nem manda-la para os infernos abissais, lá somente a dor lhe aguarda e eu não tenho tempo para esperar uma eternidade por sua punição e rendição para então consertar sua alma. Por tanto eu vou quebrar sua alma, vou dividi-la e usar somente o que pode ser reconstruído.

O deus da morte e da vida pegou a espada de jade que veio até ele como que por mágica e desceu a lamina sobre o corpo denso de Arata e ela gritou um grito de horror que arrepiou todos ali, eram como mil vozes pedindo clemencia.

Uma menina jovem se levantou do lodo do solo, parecia ter no máximo treze anos, era bela e inegavelmente Uzumaki, ela sorriu assim que se levantou e o deus a tocou no rosto gentilmente.

-Deve renascer pequeno pedacinho de alma, deve amar e viver uma vida simples e ser feliz, ame e seja amada, cultive somente a bondade neste coração inocente...

E assim a jovem parte da alma de Arata sumiu dando um último olhar para os humanos presentes ali, sorrindo feliz.

Do lodo que sobrou estava uma Arata envelhecida como as cascas das árvores velhas da floresta dos esquecidos, mas viva e respirando sofregamente.

-A você eu condeno o esquecimento perpétuo, o nada absoluto e perene, sem nenhuma lembrança de ter vivido, será o pó de onde nascem os planetas e um dia a milhares de anos a frente talvez possa regressar a uma vida servil e penitente, nunca mais como Arata, nunca mais como uma Uzumaki, mas sim como algo novo, ainda nem mesmo criado pelo senhor de tudo, voltará a ser uma fagulha no infinito para um dia ser usado em uma nova criação, nada no universo é totalmente aniquilado, mas reconstruído para ser algo novo e bom.

O deus tocou a face envelhecida e ela se tornou poeira, viajou no brilho de um raio de sol e subiu por ele até sumir no céu azul que todos vislumbravam de onde estavam por entre as janelas altas e abertas ao amanhecer.

O deus se aproximou do rei, Sasuke ainda se mantinha agarrado a ele, mesmo que não pudesse mais sentir sua respiração, tudo que Haruno fez não foi o suficiente e ele sabia que seu rei havia morrido.

-Deus da vida e da morte, eu lhe imploro se meu amado não pode ficar neste mundo leve-me junto a ele, não desejo viver sozinho após tudo que passamos. Pediu Sasuke chorando.

O belo Deus tocou a face do rei e sua alma surgiu a frente de todos, lindamente e o general se ajoelhou diante o Deus sem palavras, seu coração sangrando infinitamente e então o ser de luz e escuridão lhe sorriu e lhe entregou a espada de jade de volta, assim que Sasuke a tocou o corpo que não mais respirava do rei tremeu e seu peito começou a subir e descer enquanto seus olhos abriam, a alma luminosa desceu na carne viva e o Deus sorriu para ambos antes de desaparecer como se nunca tivesse vindo ali.

Uma voz como a de um trovão ecoou na sala do trono.

“Lutem suas lutas juntos, um inimigo poderoso só pode ser destruído pela força da união e do amor verdadeiro.”

-Meu general...Disse Naruto devagar e o general o abraçou soluçando, em seu peito havia apenas uma marca pequena onde a haste de jade lhe perfurou o coração, nada mais que isso, todo o sangue que lhe banhava ainda estava lá, mas nada lhe restava de dor e medo.

Sasuke chorava e o rei o embalava nos braços, carinhosamente.

As duas mulheres se entreolharam e resolveram sair dali, abriram a pesada porta e um comandante entrou meio assombrado, mas vendo que tudo estava bem resolveu voltar e avisar as tropas que a guerra estava ganha, a bruxa morta e os seus monarcas vivos e bem.

-Eleonor...O rei precisará de cuidados, ele perdeu muito sangue. Disse Haruno ainda abatida, pois sem a alma da bruxa no mundo abissal como teria Hinata de volta?

-Sim, eu sei, mas agora ele precisa de Sasuke acima de tudo, ele regressou do mundo dos mortos e só deseja o amor de seu general, lhe daremos alguns minutos e só então vamos leva-los para os aposentos reais, depois temos muito a fazer, este reino está um caos, vamos ajudar a conserta-lo e tentar trazer sua amada de volta.

Haruno agradeceu sem palavras...Certamente o reino estava um caos, mas ela tinha fé, uma vez que viu tudo que viu seria impossível não ter.

Notas finais
Enfim quase todas as pontas foram costuradas, para quem leu com calma e atenção ficou bem claro, eu acho que sim, mas enfim sou um ser humano posso ter deixado passar alguma coisa sem explicação, veremos depois, agora eu pretendo continuar a escrever, os próximos capítulos estão ainda incompletos e tenho trabalho a frente para uni-los. Beijos.

39. Novas verdades.

Notas do Autor
Quando descobrimos novas verdades podemos perceber que existe sempre mais de um ângulo, as vezes nem tudo é o que parece e temos que rever nossas opiniões. Boa leitura.

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Novas verdades.

Sasuke preparou o chá de flores silvestres vermelhas como a recomendação de Haruno e depois de pronto despejou o líquido em um cálice pequeno e pesado o levando para seu marido que descansava na cama muito relutantemente.

-Eu lhe trouxe o chá, deixe-me ajuda-lo a se sentar.

Naruto fez um bico adorável e resmungou algo incompreensível antes de realmente ser ajudado a se sentar e se acomodar sob os muitos travesseiros e almofadas da cama.

-Porque eu tenho que tomar tanto chá? Haruno não pode simplesmente me curar e pronto? Resmungou de novo cruzando os braços e encarando seu amado que ria suavemente, mas antes que ele respondesse a própria Haruno entrou pelas cortinas abertas do dossel da cama e se colocou a sua frente também cruzando os braços e respondeu pelo general.

-Porque a Haruno está sem magia de novo graças ao fato de ter usado tudo que tinha para ajudar o general Sasuke a derrotar a bruxa e devolver-lhe seu corpo e um Deus lhe devolveu a vida caso tenha se esquecido, acho que tem que ser muito grato por estar aqui com sua família e parar de ser tão mal agradecido, é um paciente muito resmungão meu amado rei. O tom de brincadeira e repreensão era bem engraçado vindo de Haruno que sempre se mostrou tão séria e isso fez Sasuke rir baixinho.

Naruto corou no mesmo momento, pois ele estava muito grato realmente, mas é que ser paciente não lhe agradava, ele sempre foi aquele que mandava, aquele que cuidava de todos ao seu redor, para o bem ou para o mal e estar tão vulnerável assim não era engraçado e nem divertido.

-Desculpe Haruno, sei de tudo isso...Mas porque mesmo curado pelo Deus estou tão fraco como um gatinho? Nem consigo ficar em pé sem sentir tonturas!

Sasuke lhe deu o chá e se sentou ao seu lado acariciando levemente seu ombro para faze-lo tomar o líquido tão importante para sua recuperação.

-O Deus lhe devolveu a vida meu rei, acredito que isso seja algo magnífico, mas creio que pelo fato de ter perdido muito sangue precise de repouso e descanso e depois ter tido aquela alma impura dentro do seu corpo drenou suas energias completamente, mas acredito no poder de restabelecer sua saúde que está nas mãos de Shisui, ele se provou ser um médico excelente quando curou o general...Digo, sua rainha...e além disso deve aceitar os cuidados de seu esposo que está ao seu lado de modo tão gentil a lhe aguentar seus resmungos.

Sasuke sorriu e olhou a mulher por quem tinha grande admiração.

-Haruno...Por favor me chame de Sasuke ou general, realmente não me sinto confortável com o título de rainha, sabe disso.

Naruto suspirou vencido pelo argumento e bebeu o chá que de fato era muito gostoso, logo ouviu o som da conversa doce e baixinha de Shisui que vinha junto com Itachi, o que era algo inevitável é claro.

-Sim amor, eu preciso de mais daquelas flores vermelhas que nascem na campina ao fundo do castelo, mas não quero que vá sozinho, leve muitos homens com você, ainda não tenho confiança de que todos os soldados do sul foram presos ou mortos, sabe que eu me preocupo muito.

-Claro amor, eu não vou me arriscar de modo algum.

Shisui pediu licença e se aproximou do rei, de Sasuke e de Haruno, mas a mulher lhe sorriu e o deixou em seu lugar, saindo e indo conversar com Itachi, eles desenvolveram uma bela amizade após terem partilhado tantas informações durante a busca pela flor da lua, era uma amizade verdadeira.

-Olá meu caro médico, estou sendo um bom paciente e acabei de tomar todo o chá, viu? Disse o rei sorrindo ao mostrar o cálice vazio, isso fez Sasuke e Shisui trocarem um olhar divertido.

O médico se aproximou e tomou o pulso do rei o analisando e contando seus batimentos cardíacos, como um Uzumaki seus batimentos eram fortes como o de um touro ou ainda mais, porém após o ocorrido eles estavam um pouco lentos, devido a perda enorme de sangue e muito provavelmente ao fato de ter tido a bruxa em seu corpo, mas ele era forte e se recuperava muito bem graças ao reconstituinte que vinha das flores vermelhas.

-As flores vermelhas ajudam a aumentar seu sangue, assim pode estar com suas forças em dia rapidamente, tome pelo menos quatro cálices destes por mais dois dias e se sentirá muito melhor, coma bem e durma também e não deve se preocupar com as coisas do reino por alguns dias, deixe seus ministros e servos cuidando de tudo e confie em meu primo, ele está bem e pode ajudar.

O rei suspirou.

-Shisui...O modo como cuidou de Sasuke, eu nunca vou esquecer, foi extremamente cuidadoso e zeloso com ele, eu lhe devo muito, seguirei suas recomendações a risca, eu prometo.

O médico corou e abaixou a cabeça, para ele era difícil ainda receber elogios, ainda mais vindos do rei, mas ele se sentia muito feliz por ser útil e adorava ajudar, o caso do rei era simples se comparado ao de Sasuke que foi um grande desafio.

-Meu rei...O caso de meu primo foi assustador e eu confesso que chorava depois de atende-lo todas as vezes, mas com o progresso de sua cura eu me senti muito feliz e hoje consigo ministrar os tratamentos com mais segurança, porém seu caso é bem simples, nada saíra errado, eu posso garantir.

O rei pegou a mão pequena do médico e colocou dentro dela um anel redondo com o símbolo da casa Uzumaki, era um anel real muito valioso, que lhe abriria todas as portas do reino caso ele precisasse.

-Use isso Shisui para provar a todos como é respeitado dentro do meu reino, é um presente, por favor aceite, eu lhe sou muito grato e sei que nunca poderei lhe pagar pelo que fez para mim, assim como nunca poderei lhe retribuir de acordo pelo mal que eu já lhe causei, mas ainda assim eu sempre lhe pedirei perdão por tudo que fiz a você e sua família, isso é apenas um presente.

Shisui lhe sorriu e aceitou, sabia que o rei era sincero, ele já lhe havia pedido perdão antes e depois, e ver como o rei se empenhou em ajudar na recuperação de Sasuke e em como usou todos os recursos para lhe ajudar com sua doença pedindo que Haruno lhe cuidasse ele se sentia muito feliz, não nutria nenhum sentimento negativo para com o rei.

-Meu rei, o passado deve viver no passado, eu lhe sou grato por minha cura, por amar meu primo tão sinceramente e por ter libertado a mim e minha família, nos dando de volta nossos títulos e uma nova ocupação, agora vamos viver sem mais remorsos, eu aceito o presente e agradeço por ele.

Se levantou e sorriu para ambos.

-Bem, eu devo ir, preciso buscar Boruto no templo da memória, nós achamos melhor deixa-lo lá até ter certeza de que todos os soldados do sul foram derrotados, além disso ele fez um novo amigo e está encantado com o menino, mas o palácio está limpo, posso traze-lo agora em segurança.

-Também recebi a visita de alguns guardas reais que vieram me trazer um dos seus que estava ferido, eles me informaram que fizeram a última limpeza pela madrugada e que aquele guarda se feriu em combate.

-Oh, espero que ele esteja bem. Disse Sasuke.

-Sim, ele está, graças a ação de dois prisioneiros das masmorras, dois dos ministros condenados.

Naruto se espantou com isso e Sasuke teve a mesma reação.

-Como assim? Perguntaram juntos.

-Bem, creio que o comandante da guarda real deve lhe informar devidamente meu primo, ele solicitou uma audiência assim que possível e eu fiquei encarregado de leva-lo até ele na sala de audiências, se o nosso rei permitir é claro. Disse Shisui e olhou para o rei aguardando sua resposta.

-Oh, sim...Sobre isso, enquanto eu estiver em repouso todas as decisões cabem a meu general, sei que minha alma gêmea pode cuidar disso, só sinto lhe deixar com tantos problemas, por isso peço que o ajude em tudo que puder, você e Itachi e a senhora Mikoto devem auxiliar minha rainha em tudo que for preciso, usem minha autoridade em tudo, minha palavra é lei e agora é de vocês, por isso tudo que Sasuke precisar, ajudem ele por mim.

Shisui sorriu, ele levaria Sasuke a sala de audiência em breve, mas não agora, faziam apenas algumas horas desde de que tudo aconteceu e ele bem sabia que ambos precisavam dormir para descansar, assim como todos os outros, o reino podia esperar mais alguns dias para se restabelecer.

-Talvez amanhã eu o leve até o comandante, por ora eu lhe direi que precisa de repouso junto ao rei e assim será...Por isso descansem e depois eu mesmo irei as masmorras para ver os prisioneiros que no combate acabaram levemente feridos, mas a pedido do comandante também levarei remédio a eles.

Shisui saiu contente em ver que o rei lhe ouvia e que estava sendo um bom paciente, só não acreditava que ele fosse ficar em repouso totalmente, não depois de ver como seus batimentos se aceleravam apenas com um olhar na direção de Sasuke, isso o fez sorrir, ele entendia bem isso...Era assim com ele e Itachi o tempo todo, um olhar acendia a fagulha que logo virava uma chama impossível de ser contida, somente após abrasar o calor no fogo do amor eles conseguiam enfim descansar...

Já ele estava bem descansado, havia dormido mais do que o necessário no templo da memória e sua tarefa agora era cuidar dos feridos de dentro do palácio, neste momento ele estava a caminho das masmorras, os dois únicos sobreviventes do ataque estavam feridos, eram ferimentos leves, mas ainda assim mereciam ser tratados, de fato apesar de tudo que aqueles homens fizeram ao seu primo querido ele como médico não podia imaginar se deixar levar por isso e não cuidar de suas feridas, assim como fez quando eles foram torturados a mando do rei, sabia que eram culpados, mas mesmo assim sofreu com eles.

Suspirou ao se lembrar que dos homens aprisionados somente dois sobreviveram, apesar de tudo eram vidas...

-Tachi? Podemos ir? Onde está a senhorita Haruno?

-Ela foi ao laboratório, o corpo de Hinata está sendo mantido lá com magia, mas ela ainda não tem meios de trazer sua alma de volta.

Shisui suspirou.

-Que bom que ela resolver não contar ainda ao rei, é importante que ele descanse, depois de forte ele pode ficar sabendo do sacrifício de Hinata, espero que um dia possam traze-la de volta...Por hora só podemos ajudar Haruno em tudo que for possível, mas voltando ao assunto das flores, pode ir buscar depois? Gostaria de sua companhia agora.

-Sim, não precisarei buscar as flores, Haruno me disse que o nosso príncipe adora essas flores e por isso temos muitas plantadas nos jardins internos, vou apenas colher todas que precisa.

-Oh que bom. Disse Shisui sinceramente e com grande alívio.

-Então deseja me acompanhar as masmorras? Tenho dois prisioneiros a cuidar.

Itachi torceu o nariz.

-Odeio aquele lugar, é frio, assustador e sinistro...E os homens lá machucaram meu irmãozinho.

Shisui sorriu complacente, era mesmo.

-Estou com minha maleta, só preciso de sua companhia, mas posso ir sozinho se desejar, sabe que não posso negligenciar meu trabalho só porque aqueles homens são culpados, talvez assim como todos os outros eles tenham sido tão usados como todos nós pela bruxa, ou talvez não, mas mesmo assim são seres humanos e merecem meus cuidados como médico.

Itachi tomou sua mão e o seguiu mesmo contrariado, no fundo ele tinha enorme orgulho de seu amado, ele era o melhor dos dois sem dúvida, tinha na sua alma a mesma grandeza de Sasuke, o mesmo amor pelos outros e a mesma empatia para com todos os que sofriam.

Eles subiram os degraus gelados e após um tempo considerável estavam no corredor das masmorras, celas ainda com suas portas escancaradas mostravam um interior ainda sujo de sangue dos seus antigos moradores, o médico passou por elas de cabeça baixa e apertando os dedos do namorado, não importava o que aqueles prisioneiros fizeram, eles morreram ali sem chance de se defender, isso era muito errado e triste.

A última cela era a mais fria, no final do corredor com sua janela que dava para os picos nevados onde o vento frio entrava pelas grades grossas e sem vidros cantando sinistro pelo ambiente como se estivesse feliz pelo destino cruel dos seus habitantes.

-Tenho certeza que estes aí não duram um inverno neste ambiente. Disse Itachi triste, mesmo ele não era de gostar de ver o sofrimento alheio, mesmo sendo dos homens que feriram seu irmão, no fundo sua alma era tão nobre como a do seu namorado.

-Nosso Sasuke não vai permitir que eles morram de frio, sabe disso...Respondeu Shisui.

Um guarda os recebeu, estava sentado enrolado em peles quentes numa poltrona velha, observando o corredor como a cuidar dele, parecia bem.

-Vieram ver os dois? Soube que lutaram muito com o comandante, foram muito úteis, por isso por favor cuide deles. Pediu o guarda.

Itachi o olhou e viu que era um guarda muito jovem, provavelmente tenha ficado preso do outro lado do palácio com a invasão ou se escondeu em algum lugar pois estava bem e sem nenhum ferimento aparente.

-Esteve com eles?

O rapazinho negou a Itachi.

-Não senhor, eu fui salvo na cozinha junto com meu primo e meu irmão, ambos são servos ali, fomos rendidos pelos soldados do sul, se não fossem estes dois e os guardas estaríamos mortos, mas eu não vi nada...Fui abatido pelos soldados do sul, minha cabeça ainda dói, eles tem a mão muito pesada...

Shisui e Itachi agradeceram e o guarda abriu a cela pequena, por seu tamanho somente mais um deles poderia entrar, no caso foi Shisui com a observação atenta de Itachi da porta é claro.

Maeda estava sentado no catre enrolado em cobertas e em seu colo estava Orochimaru que parecia mais abatido, mas estava igualmente enrolado em mantas, mesmo assim o vento frio era um castigo para ambos que tremiam sem parar, apesar de estarem muito juntos e abraçados.

-Posso cuidar de suas feridas? Pediu Shisui calmamente se acomodando no outro catre e tirando bandagens e remédios.

-Cuide de Orochimaru primeiro meu senhor, ele está com febre, estou preocupado.

Neste momento o menor no colo do homem tossiu dolorosamente e se encolheu tremendo, isso avisou o médico de que não era apenas uma febre por cortes e arranhões, podia ser algo mais grave devido ao frio.

-Certo, eu vou ver. Abra as cobertas, preciso examinar seu peito para ouvir seu coração e seus pulmões.

Maeda obedeceu e acordou Orochimaru que prontamente o obedeceu, parecia bem pálido, magro e desnutrido, os cortes da tortura estavam todos cicatrizados, mas alguns ficaram com cicatrizes bem profundas, em geral os que infeccionaram e foram mais complexos para curar, embora ver isso fosse triste para o médico ele tentou deixar isso de lado e ouviu seus batimentos e escutou sua respiração ficando nervoso com isso.

-Ele não está comendo o suficiente? Vocês tem passado fome ou sede? Por favor seja sincero eu não vou machuca-los, mas preciso da verdade.

Maeda negou, eles recebiam as rações diárias como sempre, duas vezes por dia e até alguma fruta as vezes.

-Temos recebido nossas rações meu senhor.

Shisui se sentiu infeliz, o que eles comiam afinal de contas?

-Como são essas rações? Perguntou analisando o grau de desnutrição já presente em Orochimaru e muito provavelmente em Maeda também, pois como ele estava muito enrolado nas cobertas não podia saber ao certo.

-Pão e alguma sopa as vezes, algumas vezes uma fruta, água recebemos todos os dias...é mais do que merecemos, mas estamos gratos por isso meu senhor.

Shisui suspirou, claro que prisioneiros não seriam bem alimentados, mas ele soube que o primo orientou os guardas a trazer água todos os dias para sua higiene e que seus cobertores fossem trocados, no entanto como o primo e o rei não podiam ver tudo que acontecia a alimentação foi negligenciada, neste momento o médico sentiu o frio o assolar naquele ambiente, este era outro grave problema, se o menor ficasse ali morreria em breve, pois ele estava com alguma doença do pulmão, mas o médico não disse nada por enquanto, apenas limpou os cortes dos braços do menor e fez curativos, depois lhe deu remédio para febre e para os calafrios e cuidou de Maeda também, observando que ele estava em muito melhor estado, mas mesmo assim havia sinais de desnutrição que com o tempo se agravariam grandemente, sentiu pena dos dois e não poderia deixar isso dessa forma, após saiu e olhou em volta em busca de mais mantas para os dois.

-Onde acho mais mantas para eles? O frio ainda é intenso e eles estão doentes, precisam se aquecer.

O guarda deu de ombros.

-Meu senhor, eu já dei dois cobertores a mais devido a ajuda deles de antes, nada mais temos aqui, os das outras celas como pode ver estão sujos de sangue, estou esperando um dos servos vir me ajudar a buscar tudo e levar para jogar fora, as celas também estão sujas da matança e precisaremos lavar tudo, creio que não me resta muito a fazer pelos dois.

Shisui percebeu o anel em seu dedo e o ergueu no ar na frente do guarda.

-Eu tenho o selo real, por isso lhe peço que traga cobertores mais quentes para os dois prisioneiros e uma sopa nutritiva, eu vou solicitar a transferência deles, mas preciso mante-los vivos até lá, pode fazer isso por mim?

Diante de tal situação o jovem guarda fez uma reverencia e correu buscar cobertores e sopa quente.

-Bem, ajudamos os homens que mandaram torturar Sasuke, isso pode ser certo meu amor? Perguntou Itachi que a tudo observava.

Maeda se apoiou nas grades e respondeu aos dois.

-Eu fui mesmo manipulado pela bruxa, confesso que não mereço atenção, mas Orochimaru foi uma vítima, sei que ele está muito doente, por favor imploro que cuidem dele.

Isso foi uma surpresa aos dois e foi Shisui quem se aproximou da cela e olhou o homem nos olhos, ele parecia ainda mais abatido agora e lágrimas rolavam de seus olhos escuros.

-Orochimaru foi uma vitima, nunca contou nada a ninguém porque sejamos sinceros...Quem acreditaria? Mas nessa madrugada diante do perigo que todos nós corremos ele me contou que a bruxa usou nele um bracelete de cobra que o obrigou a agir como agiu, ele me disse que se tornou em muitos momentos um mero espectador da bruxa sem controle até mesmo de suas ações e muitas vezes adormecia e perdia dias de sua vida, de fato ele me relatou que acordou no dia terrível em que o a rainha foi torturada e após quando ele mesmo seguia para a tortura, dia este em que quase morreu...Sei que o que conto pode parecer uma mentira e aceito punição se acharem que realmente é, mas peço que submetam meu amigo ao teste da verdade da senhorita Haruno...Imploro por isso e dou minha vida a vocês por está chance, podem usar de minha vida como bem entenderem se puderem considerar tal coisa.

Maeda se ajoelhou no chão da cela enquanto Orochimaru tentava se levantar e protestar, assustado que esse pedido pudesse lhe custar a vida.

Itachi era um homem observador e sabia quando alguém mentia ou dizia a verdade, naquele momento resolveu testar a sinceridade de Maeda num nível avançado e por isso olhou para seu amado, apertando sua mão para ter dele qualquer confirmação com o que diria ali.

Shisui entendeu que Itachi tinha algo em mente e aceitou, confiava nele plenamente pois sabia que ele nunca iria machucar os dois prisioneiros.

-Maeda, se o que me diz é verdade seu amigo de cela é inocente e você me pede uma confirmação usando os poderes da feiticeira real Haruno, sabe que tal coisa é rara e valiosa, me daria sua vida em troca? Visto que agora não tem nada de valor para dar como pagamento? Nem mesmo sua palavra que deixou de ter algum valor no momento que traiu seu rei.

Orochimaru conseguiu ficar em pé e cambaleou até Maeda se aproximando dele e tentando faze-lo ficar quieto, mas ele respondeu prontamente.

-Meu senhor, minha vida é sua ou de quem desejar que seja, mate-me se essa for sua vontade, ou use-me como seu escravo pelo resto de meus dias se for este seu desejo, nada mais posso lhe dar, mas por tudo que é sagrado eu peço essa chance...

Shisui já estava plenamente convencido, mas Itachi seguiria até mais longe, pois seu intuito era ver a lealdade do ministro.

-Se eu desejar sua morte ela será nos mesmos termos que planejou a morte de meu irmão...Com um torturador, no tronco, ainda assim aceita essa troca?

Orochimaru deu um pequeno grito e caiu no chão em lágrimas, segurando as roupas de Maeda sem conseguir falar mais nada, ele ainda sentia a dor no corpo ao pensar naquele dia horrível, não podia imaginar seu amado passando por isso de novo e de novo até morrer ali, isso era por demais terrível.

Maeda sentiu as lágrimas descerem, mas ele era culpado, ainda que a bruxa tivesse usado o incenso negro para corromper sua alma sabia que isso só aconteceu porque havia nele maldade suficiente para aceitar isso, se naquele época tivesse conhecido Orochimaru ele sabia que poderia resistir, mas não o fez porque nada havia de amor em seu coração, por isso era culpado. E embora a dor da tortura no tronco ainda ardesse em sua lembrança e morrer ali fosse para ele o pior de todos os castigos, talvez fosse algo que ele merecesse no final de contas, e por Orochimaru isso valia a pena.

-Sim meu senhor, que a troca seja feita, minha vida pela chance de redenção de Orochimaru...Do modo que escolher eu morrerei...

Orochimaru se agarrou a Maeda chorando e implorando aos dois que estavam em pé para não o levarem embora.

Shisui se ajoelhou do lado de fora da cela e tocou a mão que se agarrava fria nas grades grossas da porta, a mão de Maeda.

-Maeda, de fato eu acredito que ouve um grave erro em julgar todos vocês como culpados, a bruxa era astuta e se aproveitou de falhas no caráter de todos deste reino, do medo, da ganância, de todos os sentimento ruins que cada um de nós ainda carrega ainda que bem escondidos no coração, somos todos humanos e temos falhas, ela as usou contra cada um de nós...Perdão por ter deixado minha mágoa não me deixar ver isso a tempo, cada um de vocês foram torturados como meu primo foi, na esperança de que com isso a dor diminuísse em nossos corações a cada vez que algum de nós olhava nos ferimentos dele, mas esquecemos que assim nos tornamos tão maus quanto ela foi.

-Seu pedido foi aceito, não usaremos sua vida como moeda de troca, eu sei bem como é essa sensação, assim como sei como é estar aprisionado, sei perfeitamente. 

Itachi concordou e ajudou seu amado a levantar, como era seu costume desde de sempre, mesmo que agora Shisui fosse perfeitamente capaz de se levantar sozinho.

-O que fez agora só me prova que ainda existe decência em sua alma e senso de justiça, eu não o iria machucar de modo algum, mas queria ter certeza de que é verdadeiro em seu pedido, levaremos esse pedido ao rei e ao general, sei que ambos vão concordar, por enquanto lhes serão dados novos e mais quentes cobertores e algum alimento mais nutritivo, após as outras celas estarem limpas serão transferidos e mais bem alojados numa cela menos fria até o dia em que voltaremos a nos ver.

Shisui e Itachi foram embora e Orochimaru se agarrou ao outro homem chorando, mas era um choro de alívio e recebeu em troca um abraço aliviado e cheio de esperanças.

-Meu pequeno...Talvez agora exista uma chance de redenção para um de nós, estou tão feliz!

-Maeda...Por favor não me assuste assim nunca mais...O que eu faria sem você? Minha vida toda vivi sendo atormentado pelo meu pai, no único momento em que conheço algum tipo de carinho e amor não desejo ser afastado disso, ainda que viva com você em uma cela.

-Mas você é inocente, quero que viva livre, você pode me visitar, sei que o bom coração de nosso rei permitirá isso...Mas eu o desejo livre dessas grades, podendo ver o sol e sentir o seu calor na pele, você é frágil meu amor e não suportaria muito tempo aqui, eu sou mais forte e se souber que está vivo e bem fora daqui sou capaz de viver muitos anos ainda...Mesmo neste local.

Orochimaru chorou, mas não contestou seu amado, ele sentia que tudo isso era verdade, mesmo assim não desejava ficar longe dele.

No caminho de volta Shisui e Itachi pensavam em tudo que ouviram e viram, realmente foram ingênuos sobre a bruxa, ela era de uma maldade ainda pior do que haviam imaginado, graças aos deuses que agora ela estava longe de todos eles.

-Sabe que agora depende de nós dois trazer a verdade à tona para o rei e para Sasuke não é? Sabemos que Hinata foi usada do mesmo modo, com um bracelete de cobra, essa informação é rara, eles não tem como ter descoberto, por tanto isso é verdade.

Itachi concordou.

-Sim meu amor, eu sei...Fiquei impressionado com o comportamento de Maeda e descobri que os dois se amam, não devemos separa-los, não desejo isso em minha consciência, acho que o caso dos dois deve ser revisto pelo rei e por Haruno que pode provar a inocência de pelo menos um deles e atenuar a do outro.

Shisui parou nos degraus e sorriu para Itachi se aproximando dele.

-Eu te amo cada dia mais meu grande mestre de armas.

Itachi riu com a brincadeira e o enlaçou pela cintura o apertando em seus braços.

-Porque eu sou um mestre de armas sábio ou muito gostoso para meu lindo médico real?

Shisui sorriu revirando os olhos.

-Porque você é um metido mestre de armas e um gostoso marido...Respondeu e corou sem querer.

Itachi soltou uma sonora gargalhada e o pegou no colo o apertando nos braços.

-Humm, isso é tão perturbador, acho que agora o meu médico terá que cuidar de mim depois de tal declaração, que tal acharmos uma sala vazia?

-Hey!! Tenho muitos afazeres ainda!

Itachi deu de ombros rindo e descendo as escadas realmente procurando uma sala vazia.

-Eu vou libera-lo daqui algum tempinho...Após cuidar muito bem do meu pequeno médico...

Shisui corou e se sentiu quente, ali estava a tal fagulha divina, terrivelmente forte que o faria deixar todos os seus afazeres por alguns momentos quentes nos braços do seu amado sexy e forte...Não podia negar depois da fagulha só restava o fogo abrasador.

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Mikoto estava olhando os dois meninos que conversavam de modo tão compenetrado que era divertido observar, estavam num jardim interno do templo, especialmente belo pois era o que continha a fonte de água divina, ou como Eleonor costumava lhe dizer, fonte de energia desconhecida.

A mente de Eleonor era ampla e aberta, para ela deuses eram na realidade algo que não entendemos ainda, mas que um dia descobriremos e mesmo com todo respeito que tinha aos deuses e suas imensas forças cósmicas ela conseguia enxergar algo a mais em tudo isso, e por isso era a mestra do templo com certeza, e era essa mulher fabulosa que chegava agora e se sentava ao lado de Mikoto lhe entregando um cálice de prata com um líquido vivido dentro e com aroma deliciosamente fresco.

-O que é isso meu amor? Perguntou Mikoto sorrindo para o líquido estranho que dançava dentro do cálice.

Eleonor sorriu para ela e se inclinou lhe roubando um casto beijo nos lábios sempre tão rubros da bela mulher de cabelos negros.

-Chamamos de água da vida, sabemos que permite uma vida longa e sem doenças e somente as acólitas mais puras podem ter o privilégio de beber desta poção que nada mais é que uma mistura de flores raras que nascem ao lado da fonte e a água do centro da fonte, sua coloração diferente é apenas gelatina de limão para deixa-la bela e atrativa, mas é uma bebida saborosa, eu posso lhe dizer com toda certeza.

-Mas não sou uma das acólitas e muito menos uma das mais puras, minha alma já viu maldade suficiente nesta vida.

Eleonor lhe segurou a mão onde o cálice estava e gentilmente o guiou a boca da amada e ela suavemente bebeu da mistura sem mais uma palavra, até que a última gota deslizou por seus lábios e ela sorriu diante o sabor leve e delicioso, devolvendo o cálice a outra.

-Mas consegue ver a pureza e a beleza apesar de todo mal que presenciou, para mim essa é a maior prova de que é merecedora de tal mimo.

Mikoto sorriu constrangida pois ela se entregava a outra de uma maneira inteira e extensa, como almas que se conectam novamente, e isso era algo que ela nunca imaginou possível após seu marido e rei, mas ali estava ela, completamente apaixonada, de novo.

-Você é gentil meu amor...Disse por fim se aconchegando nos braços da outra e sendo afagada nos cabelos com delicadeza.

-Vosso protegido é um menino muito belo, sinto uma ligação entre ele e o pequeno príncipe, veja como estão próximos.

Eleonor observou como Mitsuki sorria feliz ao ver o príncipe lhe contar alguma história, ambos sentados ao lado da fonte, jogando pétalas de flor que navegavam em círculos na água pura e cristalina.

-Sempre soube que Mitsuki era especial, por isso o mantive aqui ao invés de manda-lo para um orfanato dentro da cidade, ele é diferente em um nível ainda inexplicável, assim como seu surgimento aqui no templo a sete anos.

Mikoto olhou o pequeno e frágil menino, ele era magro e leve, mas parecia ser ágil e era inegavelmente lindo de uma forma absurda.

-Como ele surgiu aqui? Quem o trouxe?

-Ele surgiu de dentro da fonte de água divina e nunca pudemos descobrir como, é um desses eventos sem explicação, não é possível rastrear o local onde a água nasce, mas nós calculamos que ela vem por dentro da montanha, o que sugere que sua nascente seja do outro lado da cordilheira em terras proibidas, mas não sabemos ao certo, pode ser que Mitsuki seja um bebê rejeitado colocado num cesto em algum ponto do lago subterrâneo, talvez dentro de alguma caverna na montanha, a força das águas e alguma coincidência absurda o trouxe para cá, vivo e bem.

Mikoto ficou pasma, aquele menino navegou por dentro da montanha e o cesto onde estava mergulhou dentro da própria terra no rio e saiu ileso ali? Era impossível.

-Talvez outro Deus o tenha salvado, sabemos que é possível.

Eleonor concordou.

-Por isso eu o mantive aqui, creio que deveria ser o certo a fazer, mas não somos boas com crianças, nenhuma de nós, ele cresceu solto entre as acólitas e foi o bebê mais quieto que já ouvi falar, ele nunca chorou e nem resmungou e aos três anos já lia fluentemente nossos livros ainda em seu dialeto infantil e logo após estava ajudando a cuidar do templo, tudo que aprendeu ele aprendeu sozinho.

Mikoto estava impressionada, mas conversaria sobre isso depois, era muita informação.

Eleonor desceu e ajudou Mikoto a descer segurando em sua mão e usando os degraus de pedra antigos até o solo sagrado, lá onde os meninos estavam sentados na grama sempre verde sob centenas de flores coloridas.

-Mitsuki, leve o príncipe para cima, prepare um banho para ele, logo Itachi e Shisui devem vir busca-lo, ele deve ir ver o rei e o general, faça isso agora.

O menino se curvou para a mestra e se levantou prontamente, mas sua pequena mão foi contida pela do príncipe que o segurou.

-Senhora arquivadora, gostaria de pedir que permitisse que Mitsuki viesse ao palácio comigo, creio que ele precisa de uma educação mais formal fora dos limites do seu mundo, e para ser sincero eu preciso de um amigo e creio que ele também.

Mikoto olhou para Eleonor e ela por sua vez lhe dirigiu a palavra.

-Minha amada, o que me diz? Sua palavra é minha lei, devo abrir mão de um auxiliar tão competente em favor dos mimos do seu príncipe?

Mitsuki estava apavorado e se encolhia receoso de ser repreendido por sua mestra, mas notava que sua pequena mão ainda estava dentro da mão fofa e maior do príncipe que o segurava forte e fixava seu olhar na antiga rainha.

-Bem, não quero lhe privar do seu auxiliar, mas...Um menino tão novinho precisa mesmo de uma educação mais formal, talvez meu filho possa incluir ele nas aulas do príncipe e eu com certeza apreciaria mais um aluno nas aulas da manhã...Poderíamos fazer um acordo, o seu pequeno Mitsuki vai ao palácio todos os dias pela manhã e retorna a tarde para seu templo para os afazeres que lhe são cabíveis.

A arquivadora sorriu com a sugestão e concordou plenamente.

-E talvez o jovem Boruto possa algumas vezes vir a tarde para ler um pouco, um futuro rei precisa de muito estudo para conhecer seu povo, o que me diz? Ela disse olhando para o jovem príncipe que sorriu amplo para ela.

-Sim!!

A arquivadora se aproximou de Mitsuki e lhe tocou a face pálida o fazendo a olhar com seus intensos olhos claros e dourados.

-Mitsuki? Concorda com isso? Sei que nunca saiu de nossos domínios e o palácio é bem diferente, mas talvez seja bom conhecer outras pessoas que não são tão sérias como as minhas acólitas, o que acha pequenino?

-E-eu...Posso realmente? Perguntou tremendo de expectativa.

-Sim, você pode...Mas mantenha o que lhe disse em mente, nunca use seus dons onde alguém possa ver, entendeu? Essa última parte foi dita muito baixo e se Boruto não soubesse ler lábios ele nunca entenderia, mas por sorte ele aprendeu a fazer isso com os servos do templo que adoravam descobrir os segredos dos seus mestres, especialmente os amorosos.

Os dois correram para cima e continuaram correndo por um corredor até parar num quarto grande e arrumado, onde o pequeno fechou a porta e respirou mais tranquilo logo a seguir olhando para Boruto.

-O jovem príncipe tem muita coragem, eu nunca teria tido essa ousadia em pedir para sair, nunca mesmo.

Boruto riu se sentindo forte e grande diante do menor e isso lhe dava uma sensação incrível de querer protege-lo a todo custo, sem nem saber do que realmente.

-Me chame de Boruto, você é mais jovem que eu, não seja formal, todo mundo é, não quero que seja também, somos amigos, lembra?

Mitsuki sorriu e concordou, mas logo negou com a cabeça.

-Ohh sim, mas não posso usar seu nome simplesmente, sou um servo apenas, preciso ser educado na frente dos outros ou serei punido por ser insolente.

Boruto riu do jeitinho suave dele e pegou em sua mão pequena e extremamente macia, nunca pensou antes que as mãos de outro menino seriam tão macias assim, parecia com a mão de sua amiga do palácio, era uma pele tão fininha e clarinha!

-Mas estamos sozinhos agora, pode me chamar de Boruto apenas, ninguém tá vendo e depois eu sou o príncipe e posso decretar que desejo que seja assim.

Mitsuki corou e abaixou a cabeça concordando.

-Tá bom...Príncipe...Quero dizer...Boruto.

O príncipe sorriu e o soltou, só para levar a mão e tirar alguns fios prateados que caiam na testa do menor, era quase impossível não toca-lo, ele era macio e cheirava tão bem!!

-Ok, onde vou tomar banho?

Mitsuki correu arrumar a sala de banhos, mas o outro o seguiu e começou a ajudar, havia uma válvula que uma vez ligada trazia água aquecida para encher uma pequena piscina revestida de mármore verde, haviam muitos frascos ao seu redor com essencias de banhos e o príncipe pegou alguns experimentando o cheiro.

-Suki? Qual que você usa destes frasquinhos?? Quero o mesmo.

O pequeno servo ficou encantando com o apelido recebido, ele era sempre chamado pelas acólitas pelo nome ou apenas por menino, nunca na vida foi chamado por algo tão carinhoso, se sentiu radiante, mas se aproximou sorrindo e deixando os frasquinhos de lado.

-Oh isso, não tem aqui, essas são essências especiais, a minha é mais simples, fui eu mesmo que fiz, não tenho permissão para usar essas coisas mais caras, isso é para pessoas importantes como você, a minha mestra e a senhora da minha mestra.

Boruto torceu o nariz.

-Hum...Mas seu cheiro é o melhor de todos, então eu quero ter o seu cheiro nos meus cabelos, como consigo isso?

Se havia no mundo alguém mais fofo Boruto desconhecia, o menino a sua frente era pura fofura com seus olhinhos cintilantes e suas bochechas coradas, parecia espantado com seu pedido.

-Posso buscar a essência que eu fiz e te dar se desejar, mas é bem simples, tem certeza de que não quer essas que são caras e raras?

Boruto lhe sorriu e lhe tocou as bochechas com a ponta dos dedos como viu seu pai fazer com o general algumas vezes, ele entendia agora porque o pai era tão grudento com o general, a pele dele devia ser cheirosa e macia como a de Mitsuki, era isso com certeza.

-Busque a que fez se não for complicado ou difícil.

-Não é...Pode entrar na água e eu já volto! Eu posso te mostrar a flor que eu usei para fazer, quer ver?

-Sim, depois eu quero ver.

Boruto o viu sair e se despiu entrando na água quentinha e relaxando o corpo, logo ouviu passos macios e se voltou e viu o menino entregando um frasco rosa a ele, era clarinho e tinha aquele perfume gostoso que ele sentia na pele do menino mais novo.

-Isso, esse sim é um bom aroma, pode jogar na água e venha tomar banho comigo.

Mitsuka jogou o líquido rosa na água, mas ficou incerto se poderia tomar banho com o príncipe, podia ser algo errado afinal ele era da realeza e não queria ser punido por isso.

-Vem logo, eu tomo banho com Shisui e Itachi em casa, somos meninos não é? Também já tomei banho com meu pai e com meu pai Sasuke, qual o problema?

Apesar de relutante o pequeno se despiu e entrou na água, sua pele era tão branca que parecia luminosa e era bela de se olhar, isso deixou o príncipe curioso, de um jeito bom.

-Nunca vi uma pessoa de pele tão branca, nem mesmo meu segundo pai é assim e olha que ele é branquinho, a sua parece neve.

Mitsuki se afundou na água para esconder a pele que considerava feia e fez um resmungo adorável.

-Eu sei que sou estranho...Desculpe por isso, eu posso sair se quiser.

Boruto negou.

-Não disse que é estranho, disse que é bonito, porque é uma pele macia e parece a pele de uma menina, mas eu acho muito bonito de verdade, mas não quero te ofender porque eu sei que você é um menino...Ahhh desculpe, eu acho que isso saiu confuso. Resmungou Boruto coçando a cabeça diante de seu embaraço.

Mitsuki então se permitiu olhar na pele do outro.

-Você tem uma cor bonita, parece trigo no final do dia, eu gosto também...Não tem problema que pense que minha pele se parece com a de uma menina, no fundo gente é gente né?

-Eu sabia que você me entenderia, mesmo que eu tenha feito uma bagunça para me explicar, gosto disso em você.

Os dois riram e começaram a brincar com as espumas que se formavam na água quentinha, eram crianças inocentes, mas já partilhavam a admiração mútua, como se o outro fosse algo nunca visto, raro e especial.

Notas finais
Eu gostei muito deste capítulo, os cuidados do general para com o rei, o modo como Shisui é bom e sincero, a descoberta da inocência e do amor verdadeiro de dois prisioneiros e no amor puro que nasce em duas crianças...Obrigado a quem leu, em breve tem mais. Beijos de Akira.

40. Poderes ocultos.

Notas do Autor
Olá, estou adorando o rumo dos acontecimentos...Boa leitura!

O General capturado e o Rei Dragão.

Capítulo: Poderes ocultos.

Boruto já estava se vestindo quando lembrou do que ouviu a arquivadora falar, na verdade ele leu os lábios dela e isso era engraçado.

-Do que sua mestra estava falando lá fora? Que dons você tem? Pode me mostrar?

Mitsuki tremeu, como o outro ouviu isso?

-Minha mestra me proibiu de contar, disse que ninguém entenderia e eu podia acabar muito encrencado se alguém descobrisse.

Boruto enfiou a camisa pela cabeça e depois andou até o amigo e lhe tocou a face corada o fazendo olhar para ele.

-Eu sou seu amigo, eu entendo você, pode me contar tudo, tudinho neste mundo!

Mitsuki pensou, aquele era o príncipe e ele era seu amigo, não parecia ser errado.

-Jura de dedinho que ninguém ficará sabendo?

Boruto entrelaçou seu dedinho no dele e ficou muito sério.

-Essa é uma promessa sagrada e nós Uzumaki nunca quebramos uma.

O menino sorriu encantado com isso, ele nunca tinha feito uma promessa sagrada, era emocionante.

-Eu faço coisas estranhas...

Boruto riu.

-Que coisas estranhas?

Mitsuki olhou para uma mesa e nela havia um vaso de flores, ele parou e observou e o vaso correu sobre a mesa até a ponta e quase caiu, mas retornou ao seu lugar como se uma mão invisível o deixasse lá de novo.

Boruto estava de boca aberta, de verdade.

-Uau! Este é um segredo bom, realmente bom.

-Eu também posso entrar no mundo dos mortos, já fiz isso algumas vezes para minha mestra.

Boruto terminava de se vestir enquanto conversava com o amigo.

-Quem buscou de lá? Pode me dizer?

Mitsuki sorriu.

-Um homem muito bondoso e muito bonito, eu não sei seu nome, mas ele me disse que o filho dele é um general e que ele precisava ajuda-lo, por isso eu o guiei até este mundo, mas só por um tempinho, depois ele tinha que regressar.

Boruto estava pasmo, ele não duvidou em nenhum momento, eram crianças e a sua mente ainda era ampla e não tinha nada oculto, as verdades que negamos as crianças podem ver claramente como o dia.

-Como faz isso?

Mitsuki não sabia, ele nunca entendeu bem.

-Não sei...A mestra foi descobrindo com o tempo, ela me disse que são dons perigosos e como eu não sou um mago não devo me atrever a mexer muito com isso, mas as vezes eu sou útil para ela, nestes momentos ela me cerca de acólitas para me proteger, para eu nunca me perder onde devo ir, o reino dos mortos é perigoso e eu posso me perder por lá, ele ele tem muitos locais diferentes, o local que eu fui é bonito e gostoso, eu tive vontade de morar lá, mas ainda não posso...No entanto tem outros que são horríveis e eu nunca que quero ir para eles, tenho muito medo.

Boruto concordou, ele não entendia muito disso, mas agora iria aprender e assim poderia explicar melhor a seu novo e melhor amigo todas essas coisas.

-Não tenha medo eu estou com você agora e nada pode te ferir.

Mitsuki abaixou a cabeça meio inseguro.

-Que foi Suki?

-Talvez eu esteja doente...To sentindo coisas um pouco estranhas no meu peito...Como se tivessem borboletas voando dentro de mim...

Os olhos dourados eram vívidos demais e o rostinho lindo era perfeito demais e o príncipe não resistiu e lhe deu um beijinho nas bochechas coradas e quentinhas que no mesmo momento ficaram ainda mais vermelhas.

-Boruto, porque fez isso? Aliás...O que é isso?

O príncipe riu da inocência do outro, ele não sabia o que era um beijo?

-Um beijo de amigos, não reparou que as pessoas se beijam o tempo todo?

Mitsuki com a mão pequena na bochecha beijada negou, ele nunca ficou prestando atenção aos outros e para ser sincero ele não via muito disso no templo da memória, a sua mestra era carinhosa com a senhora Mikoto, mas era discreta a maior parte do tempo.

-Se você estiver doente eu também estou...Sinto o mesmo, mas acho que é bom, no entanto eu vou perguntar ao meu pai Sasuke sobre isso, ele é muito inteligente e vai saber resolver e ele vai adorar te conhecer, ele é tão lindo quanto você.

Boruto pegou na mão pequena e lhe sorriu contente, se essas borboletas não ficassem quietas logo ele tinha a impressão que poderia voar com elas, mas se fizesse isso com o menino ao seu lado não iria se importar nem um pouco.

Uma acólita veio informar que Shisui e Itachi já os esperavam e eles correram juntos até eles...

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Sasuke acordou após um sono reparador e sorriu ao ver que o rei o havia aprisionado em um abraço pouco confortável em sua cama enorme, se remexeu e enfim conseguiu a atenção do monarca.

-Hum...Já acordou?

-Sim, estou com fome e você?

O rei sorriu de lado e beijou o pescoço macio de Sasuke.

-Faminto...

Sasuke se soltou e sorriu se sentando sobre o rei, ele nunca tinha feito nada assim antes, era sempre o rei quem começava cada uma das vezes em que fizeram amor, mas...Ele também estava faminto.

-Meu rei precisa descansar e movimentos bruscos podem lhe cansar demais...Disse soltando a fitinha que prendia sua túnica leve de algodão branco, desnudando o tronco e vendo com satisfação como isso deixava o rei ofegante, eles haviam tomado um longo banho antes da soneca e estavam perfumados e macios, era uma boa hora.

-E como espera que eu resista a essa imagem maravilhosa em minha frente meu lindo general?

-Espero que não resista, mas...eu posso me mover.

O rei se arrepiou inteiro com a sugestão de ver o seu marido lindo sobre ele, só isso lhe acordou o desejo e o deixou quente até os ossos.

Num segundo o rei também abriu sua túnica e sentiu o prazer o nublar quando o seu amado terminou de se despir, sua pele alva estava magnífica, sem nenhuma marca a mais, ele estava curado e na verdade nenhuma cicatriz marcava sua pele.

-Sua pele...Disse o rei o tocando reverente e feliz.

-Eu sentia o desgosto em seus olhos quando via alguma marca em mim e sabia que se culpava por isso, eu sentia o modo como se torturava ao me ver com marcas, por isso eu pedi a Haruno para tirar toda e qualquer cicatriz, fiz isso para que não se sinta mais culpado, pois meu rei veio me salvar e isso é tudo que importa.

O rei arfou quando o general se deitou sobre ele e o beijou na boca, fazendo sua intimidade se tocar a dele, ambos estavam muito necessitados, por isso ardiam em corpos quentes, mesmo que o tempo ainda estivesse bem frio e lá fora o vento ainda fosse capaz de congelar os ossos de qualquer um, mesmo estando no início da primavera, mas essas eram as terras nevadas e o frio gostava de invadir tudo, menos a cama quente dos amantes reais.

Sasuke beijou seu rei e o segurou gentilmente no rosto lhe dando pequenos e deliciosos beijinhos pelo rosto todo, animado em ser ele quem estava no comando agora, mesmo intimidado com isso se sentia feliz e queria mostrar que podia ser bom, no entanto ele não precisava pensar, seu corpo reagia e ele o seguia, por isso deleitou-se em morder levemente o pescoço do homem belo a sua frente com aroma delicioso de banho e óleos puros, deslizou a língua na pele macia abaixo do pescoço e desceu seu corpo languidamente para tocar a pontinha dos mamilos eriçados dele.

Naruto arqueou o corpo excitado com tal movimento e ele adorou isso, era a primeira vez que Sasuke se deixava soltar assim, sempre que começavam algo o rei precisava deixa-lo confortável porque ele sempre se mostrava tímido demais e as vezes inseguro, o rei tentava ser o mais gentil possível todas as vezes e amava isso também, mas hoje ele estava mais leve e solto, talvez fosse o fato de quase terem se perdido um do outro para sempre ou mesmo o desejo reprimido, seja como for essa parte nova do outro era interessante e boa, alimentando o calor do corpo do rei amplamente.

-Meu amor...Sussurrou Sasuke embriagado no prazer de morder e sugar os mamilos do amado, que tinham uma cor mais escura, mais densa que sua pele ao redor, dando a ele um elemento de grandeza.

Sasuke sorriu, seus próprios mamilos eram rosados e delicados e ele amava a sensação da língua do seu rei sobre eles, decidiu que isso era bom e fez o mesmo no seu amado.

As mãos de Naruto deslizavam macias nas costas nuas do general, lindamente emolduradas com cabelos longos e sedosos que deslizavam como cascatas negras pelos dedos do rei e estava tão perfumados como sempre.

O belo general deixou os mamilos agora avermelhados do rei e deslizou seu corpo quente um pouco mais até estar perto da intimidade grande e pulsante dele e com certo receio e desejo o tocou com sua língua, o leve arfar do outro o deu coragem para continuar e ele o abocanhou lentamente se adaptando ao tamanho e a sensação boa e estranha ao sabor e a textura e o provou amplamente indo e vindo, deslizando sua boca e língua pela sua extensão generosa e deliciosa com grande prazer, assim como o rei muitas vezes lhe fez e pensando em como ele gostou queria proporcionar o mesmo a ele, já tinha algumas vezes lhe tocado ali, mas não desse modo tão intenso e nem como fazia hoje, sem receios e nem tanta vergonha.

Os gemidos do rei demonstravam que ele estava amplamente certo e ele sorriu diante a ideia de deixar seu rei louco de prazer, mas quando o sentiu tremendo parou e lhe observou sorrindo porque não o queria satisfeito ainda, era preciso algo mais que ele desejava muito, embora não pudesse dizer tal coisa em voz alta, mas no fim o que disse foi tão excitante como dizer que o queria dentro dele.

-Eu vou ficar pronto para você.

Naruto estava um pouco tonto ainda do prazer que sentia e nem percebeu as implicações disso, mas ao ver o que o outro fazia sorriu deliciado, observando o seu pequeno amado pegar o frasquinho de pomada que usavam para lubrificar seus corpos na hora do amor e melar os seus dois dedos mostrando ao outro.

-Estou fazendo certo amor?

Naruto não tinha voz, mas concordou com a cabeça sem nem piscar pois desejava observar tudo e não se arrependeu, o general estava sobre ele e deslizou os dedos melados a própria entrada movendo os dedos para se tornar mais maleável e estar pronto, fechou os olhos ao fazer isso e corou muito, mas sorriu ao faze-lo, entre envergonhado e desejoso do que viria a seguir, fez isso por um tempinho até se sentir pronto e depois se sentou sobre o membro ereto e já bem melado de pré gozo do outro, foi cauteloso e desceu devagar sentindo o corpo se adaptar lentamente e sorrindo para o marido com leveza e de olhos brilhantes de luxúria mostrando que estava tudo bem.

Estar sobre ele e descer deste modo era delicioso e libertador, mas ele era pequeno e tomava cuidado, não gostava de sentir dor e mesmo com pomada e tendo sido preparado ele não tinha a experiência do seu rei e por isso deslizou devagar até se sentir preenchido e arfar dolorosamente e de modo satisfeito, amava essa sensação de ser dele, de estar preenchido por ele, não sabia explicar e nunca poderia entender, mas isso era algo que ele não pensava muito, o que havia entendido era que entre duas pessoas que se amam o sexo é algo natural como as coisas da natureza e isso lhe bastava.

-Sasuke...Não tenha pressa, apenas espere...espere...Não se machuque meu lindo, tenha calma...Dizia o rei afagando seus cabelos e ombros suavemente, deliciado com este ato novo, com a leveza do corpo sobre ele e com seu calor que o envolvia inteiro, essa sensação era a melhor em tudo, ter ele ali, saber que eram um do outro e que isso era a melhor coisa do mundo todo.

-Naruto...Sussurrou Sasuke inteiro ofegante e tremendo, arrepiado e extasiado e se moveu languidamente a princípio e isso foi a perdição para o rei, o corpo pequeno, ágil e belo se movia sobre ele, entrando e saindo numa sincronia perfeita e insana demais para ser possível e o rei se perguntou se não estava mesmo no paraíso, mas o calor era intenso demais e ele sorriu de seu pensamento tolo e louco, gemendo a seguir com o ato do outro em aumentar o ritmo e gemer alto o bastante para que todos os servos que por ventura estivessem por perto ouvirem em alto e bom som mesmo sob as camadas de cortinha de brocados que os protegiam dos olhos alheios na cama de dossel.

-Ahhhh...

Naruto sorriu com isso, deliciado que o seu amado estava solto em si, livre dos medos de ser ouvido e estivesse tão interessado em entrar e sair, enlouquecido em se mover sobre ele, até gemer e tremer inteiro no que o rei sabia ser o momento em que achou seu ponto sensível e como era de se esperar ele fez o mesmo movimento várias vezes e em todas gritou alto e tremeu, o rei sentia o seu ápice tão perto que suava, ardendo em prazer e sua mão correu a tocar o membro duro do outro o aliviando no mesmo modo e na mesma medida até estarem ambos arfando e buscando ar e enfim explodirem no prazer intenso que seus corpos proporcionavam e mereciam.

Sasuke após tremer se soltou sobre o maior, ele sabia que não o machucaria pois o seu rei era forte como um touro e recebeu os braços do outro a ampara-lo e depois vira-lo na cama o enlaçando com carinho e o apertando nos braços de modo carinhoso e gentil.

-Eu te amo meu general.

Sasuke sorriu e ofegou cansado.

-Eu te amo meu rei...

-E-eu não sei o que deu em mim...Mas eu gostei. Respondeu sorrindo o belo homem pequeno tentando achar o seu ar que escapava ainda em grandes arfadas devido ao esforço que fez.

-Eu adorei, mas acho que você chamou a atenção dos nossos servos hoje de um modo intenso.

Sasuke se sentou na cama vermelho e de olhos arregalados, realmente ele gemeu alto e provavelmente até gritou!

-Que vergonha!! O que estes servos vão pensar de mim?

O rei sorriu e o abraçou o embalando nos braços de modo totalmente protetor porque não o queria nervoso ou embaraçado por um ato maravilhoso desses.

-Bom...Provavelmente demos a eles inspiração...Nem mesmo um santo aguentaria ouvir seus gemidos e não ficar excitado e depois eu acho que eles estão felizes.

Sasuke ergueu sua cabeça e olhou seu amado, embora suas bochechas estivessem coradas e ardendo ele sorriu.

-Porque eles estariam felizes?

-Monarcas felizes, reino feliz, você nunca ouviu isso meu amado?

Sasuke revirou os olhos, mas aconchegou-se nos braços do rei, tanto exercício o deixou cansado e sonolento e ele nem mesmo cogitou em se levantar e tomar banho, naquele momento estava quentinho e aconchegado demais para qualquer coisa e dormiu rapidamente enquanto o rei lhe afagava os cabelos e beijava seu rosto todo mansamente inebriado na mistura do aroma dos seus corpos.

Além das cortinhas os servos sorriam, era apenas final de tarde no reino nevado e mesmo após tudo que ouve, depois da invasão, do medo e das mortes eles se sentiam satisfeitos, pois seus amados monarcas estavam felizes e vivenciavam o amor com grande entusiasmo, por isso eles saíram e fecharam as pesadas portas cochichando e rindo, novamente os servos e escravos teriam deliciosas histórias para contar uns aos outros.

Nenhuma trama era tão interessante quanto o amor dos seus monarcas...

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“No entanto nem todos poderiam provar do amor naquele reino, em uma cela maior e mais quente dois corpos se juntavam para se aquecer, ambos ainda receosos de seu futuro, dois antigos ministros e antes desconhecidos, hoje almas iguais lutando para sobreviver num mundo injusto e perigoso...Mas mesmo assim com esperança no olhar.”

Orochimaru e Maeda foram transferidos para a primeira cela do corredor estreito, embora a cela estivesse limpa e tivesse sido lavada e os dois catres trocados por uma cama pequena que cabia no ambiente, ainda assim era perturbador saber que ali dois homens morreram a tão pouco tempo.

Haviam ganhado cobertores de peles de carneiro que aqueciam bem mais que os antigos cobertores usados por eles, essas peças estavam limpas e cheiravam a lavanda, receberam roupas limpas e mais quentes e após o banho que lhes foi oferecido estavam mais quentes e agora comiam uma sopa de legumes sentados juntos na pequena cama.

-Quer pão? Disse Maeda lhe oferecendo seu pedaço de pão.

-Pode comer...Eu estou contente com essa sopa, acho que depois de sermos presos é a primeira vez que sinto o sabor da comida, está mesmo muito gostosa.

Maeda sorriu e cortou o pedaço de pão ao meio e colocou na tigela do outro lhe sorrindo.

-Coma, quero que fique forte logo.

O menor aceitou e comeu com vontade, seu corpo não estava doendo tanto, ele havia parado de tossir e sentia o calor dos cobertores lhe fazer muito bem, o fato de ter tomado um banho rápido e em água quente que foi trazida por um servo foi magnífico, eles nunca mais tinham experimentado água quente para banho desde que chegaram ali, os banhos eram frios e rápidos, mas hoje foi melhor.

-Eu não pensei que sentiria mais água quente em meu corpo, foi bom. Disse terminando de comer sua sopa.

-Bem, se o rei e a rainha decidirem a seu favor pode voltar a sua casa e ter banhos quentes todos os dias, vou ficar feliz com isso.

Orochimaru se aconchegou no maior e suspirou.

-A casa que um dia eu vivi...Não vou voltar para lá, é grande e vazia e nunca fui feliz lá, se eu for mesmo libertado e meus bens devolvidos eu quero uma casinha pequena dentro da vila, pertinho do palácio, uma que tenha um pequeno quintal onde eu possa plantar legumes, quero viver simplesmente, mas eu estarei junto a você todos os dias.

Maeda tentou imaginar uma vida diferente, se ambos pudessem recomeçar, como ela seria...

-Vamos sonhar que poderíamos estar juntos, eu desejaria uma casinha no campo nos arredores da cidade, porém perto o suficiente para podermos vir sempre que desejássemos e poderíamos ter alguns animais, ter um pomar e uma horta e um campo florido...Não precisava ser grande, apenas um comodo para nossa cozinha e nossa cama, isso já bastava e eu o faria meu e seríamos felizes.

Orochimaru sorriu fechando os olhos, ele podia imaginar isso...

-Nunca estive com ninguém, meu pai me obrigou uma vez a ter uma mulher na minha cama, ele dizia que eu tinha que ser homem o suficiente para isso, mas eu tinha somente quinze anos e não queria nada disso, no final eu conversei com a mulher por um longo tempo e meu pai aceitou que eu já era um homem. Mas não fiz nada, não era o certo, não havia amor.

Maeda escutou e então olhou nos olhos do menor.

-Você nunca fez amor? É isso?

-Sim...Sei que é patético isso, alguém como eu nunca ter ido para a cama com ninguém...Mas eu queria sentir algo, não queria uma coisa vazia e sem sentido.

O outro o abraçou apertado e o envolveu mais nas cobertas.

-Nunca diria que eu o acho patético, eu para ser sincero me arrependo de ter tido muitos casos em minha cama, pessoas pelas quais nada sentia, eu era uma casca vazia e isso não me fez bem, admiro você...E se um dia estivermos em uma situação melhor eu adoraria que fosse meu, eu adoraria ser o primeiro.

Orochimaru sorriu e se aconchegou mais no outro, dormiu ali, quentinho e feliz e se permitiu sonhar com um mundo onde eles realmente eram um do outro.

“E enquanto alguns desejam essa liberdade para amar, outros a tem mas mesmo assim estão distantes um do outro, tão longes que não há pontes para se encontrarem...”

E em um quarto distante uma mulher forte, destemida e feiticeira que podia invocar tempestades e tormentas sem igual chora como uma criança diante de sua amada adormecida, ainda viva mas somente por um fio...

Haruno se perguntava como podia sobreviver sem o sorriso da outra, suas insinuações brincalhonas e seu jeitinho atrevido e jurava por tudo que era mais sagrado que se um dia a tivesse de volta a faria sua mulher, na cama, na alma e nos papeis registrados no templo da memória, lhe dando tudo que ela merecia, todo conforto e carinho e tudo mais que ela desejasse.

-Volte para mim Hinata, você é responsável pelo amor em meu coração, por isso tem que voltar...Precisa voltar para mim...

As lágrimas de uma feiticeira são raras e muito apreciadas em magias, mas agora eram apenas desperdiçadas caindo sem dono no chão frio de pedra, isso porque o tempo no mundo dos vivos e no mundo dos mortos é diferente, para Haruno apenas um dia havia se passado, mas para a outra já podiam ser meses ou anos, era desesperador imaginar o quanto ela sofria lá onde estava, naquele submundo sombrio e cheio de almas perturbadas e torturadores macabros.

Após secar suas lágrimas a feiticeira avaliou o estado do cristal vivo que mantinha ali junto a cama e pendurou no pescoço o cristal gêmeo a este, assim poderia observar sua amada de longe, tinha coisas a fazer e precisava ir, novamente verificou a magia que envolvia o corpo de Hinata, era uma magia criada pela arquivadora, manteria o corpo aquecido, limpo e vivo, mesmo sem a alma dentro dele e isso era tudo que podia ser feito no momento.

Haruno beijou a testa de Hinata e arrumou o cobertor que cobria o corpo adormecido e sereno, saiu e trancou a porta, gostaria de lançar um feitiço para proteger ainda mais o local, mas sua magia tinha limites e no momento ela precisa descansar, sua magia realmente estava adormecida para se renovar.

Após isso retornou ao interior do palácio onde deveria encontrar Mikoto e Eleonor, ambas prepararam as cinzas do que um dia foi a mãe de Haruno e pretendiam fazer uma pequena cerimônia póstuma a antiga rainha das terras da Cerejeira.

Haruno andou com passos pesados até a sala dos mortos, um local onde todas as grandes cerimônias aos mortos era realizada, onde os reis e rainhas eram velados, onde o incenso ardia dia e noite pelos que partiram deste mundo e entrou na sala quando finalmente sentiu o aroma do incenso e o familiar silencio do local, lá dentro viu as duas outras mulheres ajoelhadas orando perto do incensário, ela se aproximou e elas a perceberam se levantando.

-A urna com as cinzas da rainha estão aqui, é seu dever lançar as cinzas no fogo sagrado e oferecer incenso e oração a alma dela que foi tão precocemente elevada aos mundos superiores. Disse Eleonor de modo formal como era de se esperar de uma mestra do templo da memória.

Haruno lhe agradeceu com os olhos, ela não tinha palavras no momento para expressar sua gratidão e sua tristeza, ainda se lembrava do dia em que suas terras foram invadidas, do modo como o antigo rei dragão foi cruel e mal, e da morte dos seus pais amados, nunca imaginou que a bruxa estivesse ali para roubar o corpo da sua mãe e usar para seus fins doentios e nem imagina como ela se infiltrou na corte do antigo rei dragão, mas sabia que a bruxa só usou o corpo da sua mãe porque queria adquirir mais poder.

Enfim pegou a urna dourada e se dirigiu ao fogo sagrado, orou aos deuses pela alma da mãe querida, uma rainha bondosa que tratava todos como iguais, que nunca feriu seus escravos ou servos, que nunca deixou de amar seu povo e sua família e dar tudo de si para eles, agradeceu a grande dádiva de ter sido sua filha nesta vida terrena e desejou que ela estivesse em um lugar bom e agradável, depois despejou reverentemente o pó cinza no fogo vivo e deixou os últimos traços da existência de sua mãe sumir entre as chamas e o incenso que subia para levar embora o que sobrou dela...Um espírito de luz livre finalmente...

As acólitas do tempo da memória entraram na sala em silencio e entoaram uma linda e comovente canção e após uma a uma jogaram incenso e arroz no fogo sagrado como oferenda a alma que partia, no final Mikoto e Eleonor fizeram o mesmo e então tudo acabou.

-Obrigada. Disse Haruno finalmente encontrando suas palavras e recebeu um abraço de Mikoto e um sorriso de Eleonor.

-Agora que honramos sua mãe vamos apenas nos concentrar no presente, minhas acólitas estão lendo todos os manuscritos sobre almas dos vivos que descem ao submundo e logo descobriremos algo que nos ajude, apenas mantenha sua mente ocupada e não se desespere.

-Sim, farei isso, em breve irei conversar com nossos monarcas, informarei o caso de Hinata a eles e depois tratarei de outros assuntos, entre eles um que Shisui e Itachi vieram me trazer sobre dois prisioneiros do reino, tenho o testemunho de um capitão da guarda real e a palavra de um dos prisioneiros, assim que minha magia estiver forte eu usarei o feitiço da verdade neles e descobrirei tudo, se cometemos uma injustiça com esses dois devemos reparar nossos erros.

Mikoto concordou e Eleonor também, seguiram com seus afazeres cientes de que o reino precisava muito de apoio, muitas vidas foram perdidas, soldados foram mortos, pessoas do povo também morreram, as ruas ainda mantinham o caos de coisas quebradas na invasão, o portão sul e o portão norte tinham que ser reparados e um grupo de soldados reais iria levar os prisioneiros capturados do povo do sul para a divisa de terras onde eles seriam libertados, a rainha determinou que esses homens e mulheres fossem libertados com a condição de que avisassem as terras ao sul que deveriam se manter distantes ou então o reino nevado iria invadir e destruir a nação livre do sul completamente, e considerando o poder do exército das terras nevadas e os outros exércitos que pertenciam ao Rei Dragão e a fama inegável do general Sasuke o povo do sul se manteria bem afastado, afinal a bruxa morreu, seu exército sucumbiu e somente poucos homens e mulheres tiveram a sorte de sobreviver, ambos bem feridos, era o fim para eles, a proposta foi justa.

No reino os reparos começaram e aos poucos as pessoas conseguiam ter confiança para sair de seus esconderijos uma vez que viam os soldados do reino fazendo rondas e verificando a segurança sem parar, manter o povo bem era sua maior tarefa, soldados também seguiram aos campos averiguar os pequenos agricultores, muito embora o exército inimigo tenha vindo por outra região, mas mesmo assim o reino precisava saber se todos estavam seguros e se precisavam de algo, assim se faz um reino, com seus governantes protegendo e cuidando do seu povo.

Os dias vieram calmos e o reino se reerguia lentamente, o rei se restabelecia com os cuidados do seu amado e apesar da dor da perda entre todos havia esperança de novo nos olhares e até mesmo uma alegria leve de que tudo estava de novo bem.

"Porém do lado de lá das montanhas eternamente nevadas e consideradas impossíveis de atravessar o mal observa o reino com olhos atentos..."

Um líder com olhos cintilantes, pele dura e estatura muito elevada aguardava seu relatório sobre as terras além das montanhas, um homem que desejava ter vivido em seu mundo original, mas que nasceu neste mundo por força de uma catástrofe mai