29 de abril de 2016 Seguir historia

sweet-mary Mary

Quando a alma grita até ficar rouca. Quando meus versos se revoltam. Quando eu quero encontrar meu lugar, mas me expulsam de todos. Quando eu quero apenas existir.


Historias de vida Todo público.

#inspiração #escritora-mary #prosa-poética
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29 de abril de 2016

Às vezes eu vivo como se não fosse humana.

Finjo não ser real, embora queira ser.

É difícil de me entender.

Tão difícil que eu me perco.

Queria tanto conseguir controlar a raiva.

Tenho acessos de fúria que, claro, não matam, não chegam a ser uma ameaça à humanidade, embora, sim, sejam.

Minha raiva às vezes me torna cruel.

Sinto vontade de retribuir a quem me magoou, mesmo que não me sinta confortável, porque tenho lucidez suficiente para refletir sobre o peso dos meus atos e, claro, ponderar o que serve ou não.

Vingança não me serve de base para construir meu orgulho ferido.

Parece insano ter consciência das e errar assim mesmo.

É o preço que se paga por ser humana.

Mortal.

Por ter uma vida que me foi emprestada, da qual sou inquilina e não dona.

Sim, eu também amo profundamente e em segredo, tento na medida do possível não me odiar mais pelo que sinto, pois ainda me culpo por muitas coisas que aconteceram e ainda não aceito.

Não aceito o amor que sinto, mesmo amando muito mais do que entendo, menos do que posso, do que deveria.

Eu não sou e nunca vou ser normal.

Mas não quero ser.

Não quero pertencer ao senso comum.

Não quero ser só mais uma.

Quero, sim, nunca perder a simplicidade de viver, só que não ser conformada porque uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Quero apenas viver.

Viver o hoje.

Quero amar a vida.

Eu amo a vida, mesmo às vezes desejando morrer.

Morrer a mágoa.

Declarar extinta a partir deste instante a timidez.

Morrer de orgulho de ser tola.

Morrer de vergonha, mas não de desgosto.

Morrer de vontade de viver.

Desejo matar a dor para viver bem.

Matar a dor antes que ela me mate de tédio.

Quero produzir algo decente dessa inércia que me toma.

Talvez eu não seja original nem especial.

Talvez eu seja só gente, só carne e osso, só um pouco de teimosia.

Uma criança grande em busca de calmaria.

Um poema sem eira nem beira.

Nem poema.

Não tem verso que resista a tanto medo de perder o compasso.

Só não quero ser esdrúxula.

Temores a mil.

Não falo o que penso.

Sou rasa.

Uma farsa.

Uma tola.

Repetente na escola da vida, tropeçando nos erros de outrora que seguem recentes.

Soberba por crer que mereço o que ainda não tenho.

Não tanto que não possa recuar.

Às vezes exagerada, no êxito minimalista de quem fecha os olhos para o que já viu, porque sentir exige de mim aquilo que não precisa de palavras e gestos para ser certeza, só precisa existir, e de mim, e de vida para ser o que é, o que eu não entendo nem lendo, nem me calando...

29 de Abril de 2019 a las 00:00 0 Reporte Insertar 2
Fin

Conoce al autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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