Road to you Seguir historia

nathymaki Nathy Maki

Dizem que só percebemos o valor das coisas que temos quando as perdemos. Para Neji, foi preciso uma viagem a outro mundo para notar o quanto Hinata lhe era preciosa.


Fanfiction Anime/Manga No para niños menores de 13.

#fluffy #comédia #roadtoninja #naruto #nejihina
Cuento corto
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Capítulo Único

Notas iniciais: História feita para o Amigo Secreto do grupo Igreja Nejihina. Para a Azarashi Onna, deusa nejihina <3

Espero que goste!

***

Tudo começou com um encontro não planejado no parquinho infantil.

Hinata havia fugido mais uma vez para não ter que lidar com o falatório constante do pai de que não era forte o suficiente ou digna de ser a herdeira do clã. Podia sentir a aproximação de Neji as suas costas, perto o suficiente para ajudar em caso de alguma emergência, mas, ainda assim, longe o suficiente para lhe dar um espaço para respirar e pôr em ordem seus pensamentos. Ultimamente, via-se conversando cada vez mais com o primo e buscando sua companhia quando momentos como esse aconteciam. Era confortável e ele a entendia, porém, não podia deixar de pensar se não estava o aborrecendo ou até mesmo sendo insistente em excesso.

Balançou a cabeça para se livrar desses pensamentos, repreendendo-se pela fraqueza e a necessidade de ter alguém por perto com quem pudesse contar ou simplesmente desabafar em dias ruins. E é por isso que ele pensa que não sou digna de ser a herdeira do clã. Pensou um tanto amarga e autodepreciativa. Controle-se, Hinata. Não faça esse papel. Não seja assim. Mas abandonar todos os medos e inseguranças não era a coisa mais fácil de se fazer, não quando eles já se encontravam tão enraizados em si que mal sabia por onde começar a cortá-los. Se ao menos pudesse fazer tudo diferente... Se ao menos as pessoas fossem diferentes e a aceitassem pelo que era e não pelo que devia ser... Se ao menos...

Neji a observava caminhar, os passos mais rígidos do que o costume, dando o espaço necessário que ela precisava no momento para pensar. Com um suspiro afastou o cabelo do rosto e recostou-se no tronco frondoso de uma das árvores que circundavam o parquinho infantil ali perto. Vendo Hinata daquele modo, a forma que mordia o lábio e olhava para as mãos com raiva e pesar, ele realmente chegava a odiar o clã. A subordinação, a valorização da força, o desprezo para com aqueles que não se encaixavam nos padrões. Detestava vê-la se culpar daquele modo, mesmo que durante as conversas que tinha, ela garantisse que era algo passageiro e que não lhe importava. Ele sabia que era mentira, ela se importava com o bem de todos bem mais do que deixava transparecer.

Enquanto esperava o momento certo para se aproximar, um calafrio em sua espinha o deixou alerta, seu instinto o avisava que havia algo errado. Ativou o Byakugan no mesmo instante que um enorme impacto causou um choque na terra e fez com que uma nuvem de poeira se levantasse. Focou a atenção no que acontecia no parquinho e, para sua surpresa, juntos aos chakras conhecidos de Naruto e Sakura, havia um terceiro que não devia ser possível estar na vila naquele momento. Madara.

Voltou os olhos para Hinata que já corria para ajudar os outros dois ao sentir a onda de choque. Correu atrás dela, pensando que eles deviam primeiro alertar alguém e levar a notícia de que o Madara esse encontrava na vila até a Hokage e não se jogar na luta sem um plano antecipado. Primeiro toda a Akatsuki aparecia, e agora isso. Havia algo de muito suspeito nesses acontecimentos. Mas não havia tempo para pensar, precisava ajudar Hinata e os dois amigos.

Hinata acelerou o passo, o Byakugan ativo, já podia ouvir o som das vozes e da luta e acompanhou a movimentação dos três. Viu também que Neji a seguia e agradeceu por aquilo, Madara era um elemento perigoso e com ele ali teriam mais chances em um combate. Ao menos ao se aproximar e ver uma esfera transparente ser arremessada para cima e tomar o contorno da lua.

Virou-se para Neji a tempo de vê-lo saltar em sua direção, a mão estendida para alcançá-la e esticou a sua própria para agarrá-la. O momento pareceu decorrer em câmera lenta e Hinata podia ver cada pequeno detalhe da noite: a lua vermelha como sangue refulgindo nas árvores e lhes dando tonalidades sombrias. E então, em seguida, uma luz brilhante que a tudo engoliu, inclusive os dois.

***

Neji piscou lentamente, tentando processar o que havia acontecido, o fato de se encontrar no chão não ajudou nada a esclarecer sua confusão. Levantou-se e sacudiu a poeira das roupas, olhando em volta para se localiza e buscando ao mesmo tempo por Hinata. Ela não estava em parte alguma, e ele parecia ter sido arremessado para as árvores onde estivera esperando. Ativou o Byakugan e conferiu os arredores. Para seu alívio, ainda estava em Konoha, mas, para sua preocupação, Hinata não se encontrava em nenhum lugar próximo.

Sentiu-se nervoso com isso. Não que ela não pudesse se cuidar sozinha, tinha plena confiança nas habilidades dela e sabia que ela era mais forte do que achavam, mas dada a situação, envolvendo Madara e um justu que ainda não sabia ao certo o que havia feito, gostaria de tê-la por perto e certificar-se de que nada mais grave havia acontecido.

Deixou a cobertura das árvores e caminhou em direção ao centro da vila, tencionando voltar ao Complexo Hyuuga para conferir se ela não havia retornado, ainda que as chances de tal acontecimento fossem baixas. Olhou ao redor, certificando-se de que não havia sido seguido e de que tudo parecia em seu devido lugar.

Não conseguiu relaxar mesmo com a constatação, algo em sua mente o cutucava como um espinho preso e o mantinha atento, pronto para um ataque súbito a qualquer instante. Por um instante, pensou ter visto Lee correndo pelos telhados – até então nada de novo – porém, podia jurar que suas vestimentas não pareciam ser o constante uniforme verde e sim... peças íntimas? Franziu as sobrancelhas certo de que só podia ter sido um erro. Estava prestes a segui-lo e conferir por si mesmo quando um grito de raiva e frustração veio de uma rua próxima. O nervosismo amainou um pouco quando a viu dobrando a esquina em sua direção.

— Hinata-sama... – começou a dizer, mas logo foi interrompido pelo rugido e o olhar fuzilante que ela o lançava.

— VOCÊ! Seu pervertido de uma figa! Venha cá! – o pé recuou um passo instintivamente. Toda aquela aura de fúria e o brilho de morte nos olhos ativou seus instintos de fuga. Perigo estava escrito na testa dela em letras garrafais.

— Eu já peguei o Lee por nos espionar, você é o próximo! Não ouse fugir!

— Mas eu não....

— Não se faça de bobo, seu pervertido! Eu sei que você estava espiando! – então ela avançou, veloz e com a ferocidade de uma leoa que parte para o ataque, o Byakugan já ativo e as palmas a postos para lhe imobilizar. Desviou o golpe num reflexo, sem entender por que motivo ela o estaria atacando, notando somente agora as roupas que vestia e o quão diferentes eram do seu estilo usual.

— O que aconteceu com suas roupas, Hinata-sama? – a jaqueta roxa e branca estava aberta sobre uma camiseta preta curta que deixava exposta a barriga, os shorts eram curtos e seus olhos se detiveram por um segundo na pele clara de suas pernas e, por fim, a boca se encontrava coberta por uma camada vermelha que realçava a maciez dos lábios. O cabelo dela se soltou do coque mal feito e caiu em onda pelas costas, distraindo Neji que acabou sendo acertado no estômago e empurrado com força para trás.

— Ainda espiando, não é, seu pervertido?! – ela avançou novamente e ele percebeu que aquilo não era uma brincadeira.

— Não foi nada, eu não fiz nada disso! – tentou novamente, bloqueando o punho dela que agora se direcionava para o seu rosto. A mão livre se impulsionou para o tórax, mas ele percebeu o movimento e rebateu o ataque. A velocidade dos golpes aumentou, os dois agora utilizando o Punho gentil; ele para defesa, ela para atacar.

— Não vou ter dó alguma com mentirosos! – ela insistiu, os olhos afiados e determinados enquanto os pés avançavam e recuavam em uma bela dança. Neji manteve a posição, sabia que Hinata era forte, treinava com ela todos os dias, mas a graciosidade daqueles movimentos o prendeu. Não podia desviar os olhos um segundo sequer ou sentia sua vida verdadeiramente em risco. O que havia começado como uma luta em autodefesa por algo que ele não havia feito, tornou-se uma luta pela sua sobrevivência.

E ela continuava falando.

— Quantas vezes eu já disse para crescer! O que você fez eu quero que desapareça! – Hinata deu um passo à frente, fingindo que ia atacar as pernas dele e subiu rapidamente, agarrando os cabelos compridos e o puxando para si. Neji sentiu a dor do puxão, mas conseguiu afastar as mãos dela de seu peito, estendendo o braço o máximo que podia e atingindo a panturrilha dela que cedeu ao ter o fluxo de chakra interrompido.

Os dois caíram embolados na rua em meio a exclamações assustadas e irritadas. Neji bateu as costas contra o chão, segurando um dos pulsos dela, sentindo-a forçar a palma para baixo na intenção de tocá-lo bem acima do coração. Sua outra mão se encontrava bem presa pelos dedos dela acima de sua cabeça e um sorriso vitorioso se encontrava estampado nos lábios pintados de vermelho.

— Te peguei, agora não tem jeito mesmo. Confesse e aceite sua punição! – só então Neji reparou que as pernas dela estavam passadas ao redor de sua cintura, apertando-o, colando os corpos com uma proximidade nunca antes experimentada. Procurou nos olhos dela algum sinal de desconforto ou alguma cor no rosto que indicasse vergonha, mas não havia nada, apenas uma expressão confiante e furiosa e olhos que ainda o fitavam, letais.

Já ele não podia dizer com certeza que o mesmo se aplicava a si. Definitivamente sentia um calor subindo pelo rosto e, por alguns segundos, a mão que segurava acima do seu coração chegou alguns centímetros mais próximo. Os sussurros das pessoas que passavam aumentaram e o lembraram que os dois ainda estavam em um local público e que aquele tipo de demonstração devia estar sendo um verdadeiro show.

— Hinata-sama! O que está fazendo? Isso é inaceitável! – aproveitou-se do instante que ela tomou para lhe responder e forçou a mão que ela segurava, acertando-a no ombro e a girando no chão até ele quem estivesse por cima, mantendo as mãos bem seguras em seus braços. — Já é o suficiente por agora, então por favor, pare com isso.

Para sua surpresa, ela obedeceu. De sobrancelhas franzidas e um bico emburrado, ela parou de se debater. Esperou alguns segundos para ter a certeza de ela não tentaria mais nada e só então levantou-se, estendendo a mão para ajudá-la – mão essa que foi negada – e recebendo um olhar analítico no processo.

— Não pense que ganhou, eu deixei que ganhasse. – retrucou antes que ele pudesse abrir a boca e dizer quaisquer palavras.

— Como disser, Hinata-sama. – apesar de tudo, um leve sorriso tomou seus lábios. A luta havia acontecido de forma inesperada e confusa, mas ele havia sentido o espírito dela, o desejo de ganhar - ainda que houvesse recorrido a alguns truques sujos. Rearrumou o cabelo no laço que o prendia e voltou a encará-la. De uma coisa estava bem certo, esta não era a Hinata que buscava.

***

Enquanto Neji lutava pela sua defesa, acusado de um ato que não havia cometido, Hinata chegava ao Complexo Hyuuga a procura do primo que havia sumido após o flash de luz. Quando abrira os olhos, o local se encontrava vazio, nenhum sinal de Naruto ou Sakura a quem tentava ajudar, nem mesmo de Neji que havia corrido em sua direção um segundo antes de tudo acontecer.

O coração batia forte no peito, os pensamentos enumerando as piores situações possíveis. Eles podiam ter sumido, terem sido capturados, ou pior, mortos. Sacudiu a cabeça para se livrar de tais hipóteses, de nada lhe adiantaria agora ser pessimista e ficar a imaginar situações que não poderiam ser reais.

Os cabelos voaram as costas conforme acelerava o ritmo da corrida, o lábio inferior bem seguro entre os dentes como se isto a mantivesse focada. Parou a frete da porta de entrada principal e reduziu o ritmo ao entrar, o pai não gostava quando corriam nos limites da propriedade, passando os olhos já ativados por todos os cantos que lhe eram tão familiares.

Estava a preste a desistir e admitir que a busca havia sido infrutífera, quando um balão de água surgiu do céu e estourou bem na sua cabeça. Estava tão focada em sua busca que mal percebera a aproximação da irmã mais nova que agora gargalhava alto ao vê-la molhada. Outro balão lhe atingiu e Hinata ergueu os olhos para Hanabi, sem entender o motivo de tal comportamento.

— Irmã idiota! Irmã idiota! – ela cantarolou, saltando de um pé para o outro, mais três balões bem cheios em seus braços.

— Hanabi! – exclamou sem acreditar. — Mas o que é que você está fazendo? Sabe que o papai não gosta desse tipo de brincadeira!

— Não seja chata, Hina! Você sabe que ele permite qualquer coisa desde que seja você a pedir. – os lábios dela se curvaram em um beicinho, o olhos claros implorativos. — E você não vai deixar a sua irmãzinha levar a culpa, não é?

— É claro que não, mas...

— Idiota! – e mais um balão de água a acertou. — Você está muito estranha hoje, irmã. Espero que continue assim, é mais divertido.

Sem saber ao certo o que fazer e muito menos o que havia acabado de acontecer, Hinata só pode observar a irmã correr, ameaçando jogar os balões de água em todos por quem passava.

— Essa garota só me traz problemas. – seu pai se aproximou, o rosto sério e os olhos fixos nas costas da garota que agora desaparecia por um corredor. — Se ao menos ela fosse como você e me desse tanto orgulho quanto...

— O.o quê? – Hinata se engasgou. Desde quando seu pai lhe dizia que ela lhe dava orgulho? Aquilo só podia ser um sonho, ainda mais quando ele a puxou para um abraço carinhoso e depositou um beijo em sua testa.

— Tenho certeza que o clã estará em boas mãos, você irá nos liderar de forma expendida no futuro. – a garota corou fortemente, incrédula com o que acontecia. Aquelas palavras... aquelas palavras eram tudo o que ela desejava ouvir, então por que pareciam tão erradas? Por que tudo parecia tão errado? Fechou os olhos e tentou apreciar o momento.

— Obrigada, pai. – ele lhe sorriu carinhoso e ela sentiu o universo ainda mais fora de órbita. O pai nunca sorria, em circunstancia nenhuma havia o visto abrir sequer o mais leve dos sorrisos.

— Agora vá logo se trocar, não quero que fique doente por conta de mais uma das brincadeiras da sua irmã.

Hinata obedeceu, a voz tendo sumido ao ver que a preocupação que ele expressava era genuína, e dirigiu-se ao quarto para pegar roupas limpas. Um sentimento estranho alojava-se em seu peito, o céu parecia o mesmo – embora a lua não estivesse mais da coloração vermelha de que se lembrava, a madeira ainda rangia sobre seus pés a cada passo, os lírios plantados ao longo do caminho ainda tinham o mesmo cheiro, e, mesmo assim, tudo parecia diferente.

Fechou a porta de correr e deixou sair um suspiro, tinha certeza agora, aquela não era a sua realidade, aquele não era o seu mundo. Precisava encontrar Neji e os amigos para então poderem pensar em um jeito de retornar a salvo. Mas primeiro, tinha de se livrar destas roupas molhadas.

Abriu as gavetas, mas recuou quase de imediato. O que havia acontecido com suas roupas? Parecia que haviam sido atacadas por uma tesoura e cortadas na metade. Ergueu uma das camisas pretas, sentindo o rosto quente apenas por imaginar-se vestindo aquilo. Vasculhou as gavetas e o guarda-roupa com afinco, encontrando enfim uma calça de malha comprida e uma blusa levemente mais comprida do que as que vira na gaveta. Ao menos, para o seu consolo, os casacos continuavam iguais.

Enquanto se trocava, a porta do quarto foi aberta com violência e uma voz irritada adentrou o ambiente.

— Aquele idiota pervertido do Neji! Como ele ousa fugir de mim daquele jeito?! – Hinata paralisou e dois pares de olhos de encontraram antes de uma delas abrir a boca e gritar. — Ei, você! O que pensa que está fazendo aqui? Este é o meu quarto!

A outra garota parecia perdida, os olhos perolados se arregalaram na medida em que constatavam as semelhanças entre as duas, bem como as diferenças. A recém-chegada usava as roupas curtas que havia achado pelo quarto e tinha uma postura altiva, impunha-se com tanta força e determinação que precisou desviar o olhar alguns segundos, intimidada. Ela também não parecia ter medo de falar e mesmo o tom de sua voz era alto.

— E.eu sinto muito! Não era minha intenção invadir seus aposentos. – apressou-se a pedir. A garota a olhos, os olhos – seus olhos – a encaravam desconfiados.

— Só o que me faltava agora, uma cópia com cara de fracassada. – a garota sentou-se no chão em uma postura solta, um dos braços jogados sobre o joelho e a cabeça inclinada em sua direção como se a espera de algo. — Então, o que veio fazer aqui?

— Eu precisava de roupas secas, Hanabi acabou me acertando com alguns balões de água assim que cheguei.

— Tsc. Aquela garota nunca aprende. Preciso dar outra lição nela. – a boca vermelha se moveu em um bico e os olhos voltaram a Hinata que terminava de se vestir. — Devia usar roupas mais apertadas, se tem todo esse peito tem mais é que mostrar mesmo.

A garota recuou, enrubescendo. Intensa. Pensou. Se havia uma palavra para definir quem ela acreditava ser a Hinata daquele mundo era essa.

— Então, não vai responder a minha pergunta e dizer o que faz aqui?

— Eu vim pegar roupas...

— Não aqui aqui, mas aqui nesse mundo. De Hinata aqui, eu penso ser o suficiente, logo, obviamente, você não pertence a esse lugar. Então, o que faz aqui? – o questionamento saiu mais ríspido que podia imaginar sendo enunciado da própria voz, mas ela não recuou desse vez. Fechou os punhos e ergueu a cabeça para responder, não podia se portar assim diante de si mesma.

— Estou à procura dos meus amigos e de um modo de ir embora. – a voz saiu firme.

— Imagino. Aquele Neji esquisitão e todo formal deve ter vindo com você, então.

— Você o viu?! – a garota ofegou, avançando alguns passos mais perto de sua cópia.

— Tentei bater nele por pensar que estivesse espiando as termas mais uma vez, como de costume.

— Ele nunca faria isso. – Hinata franziu as sobrancelhas, descrente. A outra deu uma risada não muito discreta.

— No seu mundo talvez não, mas aqui acontece o tempo todo. Aliás, eu não me importaria de trocar. Sinta-se livre para levar o Neji daqui e deixar o seu no lugar. Qualidade de primeira ele, isso sim. – observou a outra Hinata gaguejar e riu mais ainda. — Mas pelo visto você não notou isso ainda. Que desperdício...

Foram precisos vários minutos até que Hinata se recuperasse o suficiente para retomar a conversa de forma coerente.

— Você o viu, pode me dizer onde ele está? – uma expressão irritada cruzou o rosto da outra garota e uma veia pulsou em sua testa.

— Eu já disse, ele teve a audácia de fugir de mim. Um mínimo segundo de distração e puf!, quando olhei já havia desaparecido. Mas se ele tiver um mínimo de senso á deve ter percebido que não está em seu mundo normal e deve ter se escondido em algum ponto na floresta. – Hinata assentiu em concordância, isso seria exatamente o que o primo faria, e levantou-se de onde estivera sentada. Com um último olhar para o seu eu daquele lugar, dirigiu-se a porta. Sabia o que precisava fazer. — Tente ser um pouco mais firme, garota, se quiser ter sorte.

— Obrigada. – disse por fim e saiu, saltando para o telhado da construção e dele correndo em direção ao amontoado de árvore mais próximo.

Uma vez lá, poderia usar seu Byagukan para encontrar Neji e, em seguida, os dois procurariam pelos amigos desaparecidos e dariam um jeito de voltar para casa. Com um último olhar para o Complexo Hyuuga e um pensamento para o pai e seu jeito amoroso para consigo que deixava para trás, ela adentrou a floresta. Em seu âmago sabia, aquele não era o seu lugar.

***

Neji nunca pensou que Hinata pudesse ser assustadora se quisesse. Mas, tendo provado na pele essa versão dela, agradecia aos céus pela garota que conhecia ser doce e gentil. Dizem que só percebemos o valor das coisas que temos quando as perdemos, e, para ele, essa afirmação parecia de todo bem verdadeira. Ainda podia sentir as mãos dela ao redor do seu braço, arrastando-o consigo, sem se importar com a proximidade ou com o fato de que os corpos estavam mais próximos do que deveria, conseguia ouvir a voz alta, as reclamações para com os demais, e o tom provocante e os olhares que ela parecia dirigir a si. Era demais. Esperara por uma brecha, um momento de distração que pudesse utilizar, e fugira o mais rápido que pudera para a floresta – não queria mesmo estar perto dela quando percebesse que não se encontrava mais lá.

Havia encontrado um bom lugar para acampar a noite, perto de uma alta cachoeira cujas águas produziam ruído o suficiente para encobrir quaisquer sons que viesse a emitir, como o estralar da madeira e sua própria voz a montar hipóteses do que havia acontecido e de como poderia ser desfeito. De tempos em tempos checava os arredores com o Byakugan, assegurando-se de que estava sozinho.

A noite passou e o dia nasceu. Neji não se arriscou a voltar para a vila e correr o risco de ser confundido com o seu eu daquele mundo, apenas pôs-se a observar de longe e enumerar as diversas discrepâncias gritantes, como uma Tenten pra lá de animada e que vivia se metendo em confusão; Gai-sensei parecendo velho e exausto sem a fala comum sobre juventude; um Shikamaru burro e um Choji que não gostava de comer; Sasuke se encontrava na vila também, o que o surpreendera; e o que menos lhe descia, a si próprio, espiando as fontes utilizando o dojutsu para tal.

Suspirou, cansado, e expandiu ainda mais o poder ocular em busca de Hinata, mas sem resultados mais uma vez. Toda aquela falta de notícia o estava deixando apreensivo. Atiçou mais a fogueira e voltou a vigília.

No dia seguinte, ouviu de passagem sobre uma missão para resgatar um pergaminho sagrado que aparentemente estava ligado a uma antiga profecia. A missão fora um sucesso e eles aguardavam apenas a vinda da lua vermelha para utilizá-lo. Recordando-se da noite em que haviam sido atingidos pelo jutsu de Madara, Neji relembrou que a lua tinha a cor rubra.

— Parece que o que me resta fazer, é esperar.

Aconteceu na terceira noite que estava acampado. A havia mudado o local várias vezes como uma medida de precaução e até mesmo se arriscara ir até a cidade em busca de Hinata, sempre conferindo que o seu eu não estaria lá. Infelizmente, tal missão sempre acabava em fracasso. Estava acampado agora no topo da cachoeira, utilizando a altura como posto de vantagem, quando um som de galhos quebrando e folhas se remexendo lhe chamou a atenção. Pôs-se de pé e atirou a kunai em uma das armadilhas que havia montado. A corda disparou, mas não pareceu pegar nada. Manteve a postura, ativando o Byakugan, apenas a espera.

Só então se deu conta de quem era e seu coração pode enfim se livrar o peso e da preocupação que vinha acumulando durante os últimos dias.

— Hinata-sama! – esquecendo-se naquele momento ao vê-la se aproximar de todas as regras de decoro, Neji a puxou para seus braços e a apertou forte contra o peito. O rosto da garota tornou-se da cor de morangos maduros e ela começou a gaguejar uma desculpa, envergonhada. — Eu a procurei por toda parte, onde estava?

— Procurando você e os outros. – ela relaxou mais no abraço, aliviada por finalmente tê-lo encontrado. — Mas parecia que sempre que eu me aproximava, você sumia.

— Lamento por isso. – ele afastou-se, percebendo que o abraço já durava mais tempo do que o apropriado. Pigarreou e prosseguiu a explicação do que havia descoberto durante os dias, enquanto ela narrava seu encontro com a outra Hinata que vinha lhe ajudando desde a noite que se encontraram no quarto. — Eu fico muito feliz que esteja bem, Hinata-sama.

— Não precisava ter se preocupado, eu sei me cuidar muito bem sozinha. – ela murmurou, envergonhada, mas lembrando-se o que seu outro eu havia falado sobre sua necessidade de ser mais segura de si.

— Sim, eu sei disso, nunca duvidei. – um pequeno sorriso tomou os lábios dele.

Os dois Hyuugas sentaram-se lado a lado em frente a fogueira, aproveitando o ar frio da noite e o brilho da lua filtrado entre as árvores. Hinata havia aproveitado as águas para banhar-se e retirar a sujeira de sua corrida na floresta enquanto Neji havia saído para conseguir algumas frutas que eles agora comiam em silêncio. Ele conseguia dizer que havia algo incomodando a garota, mas não queria ser invasivo e perguntar o motivo. Abriu e fechou a boca algumas vez, pensando no melhor modo de abordar a questão quando ela própria deu voz a sua curiosidade.

— Tudo que eu estava pensando era que a Hinata daqui é bonita e popular, ela se dá bem com os demais do clã e até mesmo meu pai a apoia. – o tom baixou, como se as palavras seguintes fossem algo que ela não quisesse que ele ouvisse. — Talvez eu devesse ser mais parecida com ela, talvez isso fizesse a diferença no nosso mundo

Neij balançou a cabeça, negando os dizeres com convicção, porém, antes que pudesse retrucar, o som de uma batalha chegou até eles. Os dois puseram-se de pé e observaram os arredores. Explosões e poeira subiam de um ponto a leste, cada vez mais intensas e avassaladoras. Neji pulou pelos galhos, acelerando o passo. Sentia Hinata o seguindo, veloz e graciosa, e parou em uma das árvores já no limite da floresta. Ela pulou para o seu lado e os dois observaram boquiabertos a Kyuubi se erguer do solo e ir em direção a uma figura loira e de capa.

— Naruto-kun! – ela tentou avançar, mas Neji segurou seu pulso impedindo. Os olhos claros se voltaram para ele, implorativos.

— Não podemos interferir. – ele desviou os seus, não conseguindo definir a emoção que tomou conta de seu peito ao ser olhado dessa forma. — Seja o que for que estiver acontecendo, essa parece ser uma luta somente dele.

Viu-a voltar a face para o embate que agora parecia ter se deslocado para o interior do templo, o lábio inferior preso entre os dentes, mas parecendo considerar suas palavras. A postura dela relaxou e Hinata assentiu. Os dedos dela envolveram os seus e os apertaram, como se ela necessitasse do contato para ter a certeza de que tudo ficaria bem. Dois pares de olhos perolados se encontraram e Neij por fim falou:

— Você não precisa ser como ela, não quando já é maravilhosa como é. Eu já lhe disse outras vezes, mas você não se vê muito claramente. – um leve sorriso. – Não existe ninguém mais gentil ou prestativa, nem que se importa tanto com os amigos e com a família, que resistiu anos de sofrimento sozinha e ainda continua treinando e tentando mudar por eles.

— Posso citar outra pessoa que se encaixa nisso. – ela devolveu o sorriso, comovida.

— Eu não me encaixo nisso, Hinata-sama. Por muito tempo guardei rancor do clã e de você, te tratei mal e lhe disse que era fraca. – os olhos dele fitaram o céu, perdidos em lembranças passadas.

— Mas você superou tudo isso, e agora é a pessoa que está sempre ao meu lado quando preciso, que entende quando estou chateada e mesmo assim me dá o espaço que preciso para me reerguer. Eu lhe agradeço muito por essas coisas. – o breve aperto em sua mão o fez retornar o olhar, sendo preso ao dela. O mundo se tornou silencioso por alguns segundos, perfeitamente estável.

— Obrigado, Hinata-sama. Eu realmente espero que nunca mude, é tão bela e forte quanto acha que a outra Hinata possa ser, e, aos meus olhos, ainda mais. E se seu pai ou o resto do clã não enxergam isso, force-os a enxergar.

O sorriso que ela lhe deu ao ouvir as palavras que sempre desejara podia rivalizar com a lua, talvez ainda mais bonito. Naquele momento, Neji se deu conta do quanto havia sentido sua falta durante os dois dias e de como gostava muito mais dessa Hinata, do que versão intensa e irritada que havia encontrado.

Uma luz branca tomou conta e seus corpos e ele soube que o jutsu – o que quer que fosse – havia sido quebrado. A última coisa que viu foi a silhueta dela encoberta pela luz e o calor que ainda parecia tocar sua mão.

Podia ouvir o som dos grilos escondidos nas folhas, abriu os olhos e viu-se encarando as copas verdejantes das árvores. As memórias do que havia acontecido retornaram e Neji pôs-se de pé, o primeiro instinto sendo buscar por Hinata. Para o seu alívio, ela se encontrava no mesmo lugar em que estivera antes de tudo acontecer. Juntou-se a ela e os dois assistiram Naruto e Sakura saírem correndo do parque em direção ao escritório da Hokage.

— Parece que os dois estão bem. – foi tudo o que ele disse.

— Sim, ainda bem. – os olhos dela se desviaram do horizonte e voltaram-se a ele. — Obrigada, Neji. Me sinto muito melhor agora. – e realmente sentia-se. Estava mais calma consigo mesma, a mente tranquila, embora o coração batesse com força no peito.

Neji a observou corar e sentiu-se grato também. Percebia somente agora o valor de Hinata o quão importante para si ela era. O mero pensamento de passar mais tempo com o eu dela do outro mundo lhe causava um desagrado, então agradecia fortemente por ter a Hinata de sempre de volta. Era um sentimento que não tinha preço e que ainda não sabia definir com precisão. Mas ele teria muito tempo pela frente, estavam de volta ao seu mundo de origem e bem. Não havia com o que se preocupar.

— Vamos voltar? – ofereceu.

Hinata sorriu e assentiu, hesitando alguns segundos antes de segurar a mão do primo que, minutos atrás, lhe transmitira tanta segurança.

— Vamos para casa.

31 de Enero de 2019 a las 19:11 2 Reporte Insertar 121
Fin

Conoce al autor

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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pure ether pure ether
Que delicinha de fic! Nathy, você escreve muito bem! Adorei como você conduziu tudo e tratou inclusive da relação da Hinata com o Hiashi, e também como o Neji foi um fofo colocando a Hinata pra cima, e como ele não entendeu nada quando encontrou a RTN Hinata hahahaha Amei a história! ❤️
17 de Febrero de 2019 a las 10:38
Azarashi Onna Azarashi Onna
Tô tentando dar coraçãozinho na história mas não tá indo! Mulher, que puta presente esse, eu amei! Você ainda usou as falas da música que eu pedi ahahahhaha, eu consigo sentir aqui como a nossa Hinata se sentou quando viu como o pai era e tudo... Mas as pessoas mais importantes, Neji e Hanabi, gostando dela daquele jeito! Neji gostando dela por quem ela é e ainda dizendo isso! A Mean-nata (hahaha) falando que o Neji é um homem de primeira... Ah, eu amei demais! Fora a Mean-nata falando pra Hinata normal mostrar mais as peitcholas haiahaiahahahja Enfim, eu adoreeei 😍😍😍😍😍 tá incrível, maravilhoso e eu me diverti muito com a fic, impecável como você sempre faz! Obrigada 😍😍😍
31 de Enero de 2019 a las 20:34
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